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Prolec Fono

Teste fonoaudiologico de leitura e escrita

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PROLEC PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA MANUAL 3) J 2 2 a 2 > 2 2 2 > Seu Ken cm=l eure Mateo tse aU) Simone Aparecida Capeliini, Adriana Marques de Oliveira e Fernando Custos PROLEC PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA MANUAL Autores Fernando Cuetos, Blanca Rodrigues e Elvira Ruano Adaptagao para o portugués Autores: Simone Aparecida Capellini, Adriana Marques de Oliveira e Fernando Cuetos 2 edigdo - Revisada e ampliada - 2012 ‘Sao Paulo Publicado com autorizagto 1 Casa do de TEA Ediciones S.A.,Madrid - Espanha Psicélogo” APRESENTAGAO Nas ultimas décadas, os estudos na érea da leitura avangaram consideravelmente. Pesquisas na area da psicologia cogritiva contribuiram para o entendimento dos mecanis- ‘mos envolvides no processo de leitura e compreensao de um texto escrito. © conhecimento desses mecanismos, @ pressupostos tedricos, permitem melhor ‘compreensao do funcionamento da mente humana e possibilita, também, o entendimento sobre o que acontece com o escolar que apresenta dficuldades na leitura, 0 que viabiiza a aplicagdo de técnicas para uma intervengéo. Para explicar 0 processo de aprendizagem da leitura no PROLEC foi utiizado 0 mo- delo da Dupla Rota (Coltheart, 1985). Tal modelo define que a leitura ocorre por meio de um processo que envolve mediago fonolégica (rota fonolégica) ou pelo processo visual direto (fota lexical). A leitura pela rota fonolégica depende do conhecimento das regras de converséo entre grafemia e fonema para que a construgo da pronéncia da palavra possa ser efetuada. A leitura pela rota lexical depende do conhecimento prévio de uma palavra, de memorizacdo no sistema de reconhecimento visual de palavras, da recupe- ago de significado e da pronincia dessas por meio de enderegamento direto 20 léxico, ssendo tal prontincia obtida como um todo (Pinheiro, Lcio & Silva, 2008; Nation & Cocksey, 2009; Capellini, Oliveira & Cuetos, 2010; Germano, Pinheiro & Cunha, 2010; Kim, Petscher, Foorman & Zhou, 2010; Pinheiro & Capellini, 2010). No Brasil, tem aumentado consideravelmente, a cada ano, estudos e pesquisas rea- lizadas sobre a leitura (Cielo, 2002; Santos & Navas, 2002; Salles & Parente, 2002; 2004; 2007; Moojen & cols., 2003; Avila, 2004; Andrade & Dias, 2006; Alves, Pinheiro, Capellini & Reis, 2006; Pinheiro & cols., 2008; Carvalho, Avila & Chiari, 2009; Cunha & Capeliini, 2009; 2010; Mota, 2009; Oliveira & Capeliini, 2010; Capeliini & Oliveira, 2010;2011; Silva & Ca- pellini, 2010), nos quais a area da aprendizagem deveria ser a mais beneficiada pelos avan- ‘gos desses conhecimentos produzidos. No entanto, 6 a drea que recebe menos influéncias. no que se refere a pratica escolar, ou seja, os métodos para ensinar a ler ¢ as técnicas de avaliagao da leitura sofreram poucas modificagdes. Todos os conhecimentos adquirides no ‘que diz respeito ao reconhecimento das palavras modificaram os métados de ensino da Ieitura na teoria, porém pouco modificaram a pratica e a sistematica de ensino da leitura. Igualmente, a avaliagao da leitura tem se concentrado na precisa, na decodificagao e ha meméria para recordar textos (visto que a maior parte das provas mede a capacidade ara reter os textos mais do que a compreenséo), mas sem avaliar os processos que inter- ferem na leitura. A maioria dos testes proporciona uma pontuagao global sobre o nivel de Ieitura do escolar, porém nao indica quais processos sao responsaveis pelas dificuldades da leitura e em qual grau, visto que as vias fonolégica e lexical so complementares e usa- das em diferentes medidas durante a leitura. Nesta prova, seguindo as diretrizes propostas por Cuetos (2008; 2010), pretende-se avaliar os diferentes processos e subprocessos que interferem na leitura para identiicar os casos de dificuldades em sua aprendizagem. Assim, estas provas objetivam disponibilizar ‘& comunidade cientifica, clinica e escolar um instrumento de avaliagao com base em cri- térios e normas de desenvolvimento de leitura, para o estabelecimento do perfil de leitura de escolares. O PROLEC 6 composto por diferentes tarefas que tratam de explorar todos os proces ‘808 que interferem na leitura, dos mais periféricos aos mais centrais, bem como dos mais simples aos mais complexos. A principal vantagem destas provas consiste em derivar de um modelo bem fundamentado sobre o funcionamento do sistema de leitura (Dupla Rota), estando especificamente claros os processos que 0 compdem. Por meio do PROLEC, & possivel compreender as dificuldades de leitura, bem como ter auxlio na andlise do diag- néstico dos transtornos de aprendizagem. Com estas provas no se obtém somente uma pontuagao da capacidade de leitura dos escolares, como ocorre com as baterias cléssicas. Sao obtidas informagdes sobre as estratégias que cada escolar utliza na leitura de um texto, bem como os mecanismos que ndo esto funcionando adequadamente para que se realize uma boa leitura, o que é de extrema importéncia na hora de buscar seu aperfeigoamento ou recuperagao. Assim, por exemplo, se um escolar Ié bem as palavras familiares (ata frequéncia), mas apresenta QO Qe eece eeaneagana anocenaeegangnace nae dificuldades com as palavras desconhecidas, provavelmente é pelo fato de no dominar as regras de conversdo grafema-fonema, sendo sua leitura realizada pela rota fonoiégica. © mesmo ocorre se 0 escolar |é bem qualquer palavra que tenha uma estrutura silabica simples, seja familiar ou no, porém no ¢ capaz de ler palavras com estruturas silébicas complexas, pois isto também significa que ele esta se baseando exclusivamente na rota fonoldgica ¢ néio tem desenvolvida a estratégia de acesso lexical. A recuperagao da infor- magao sera igual nos dois casos. Nos paises que tém como lingua oficial o espanhol, pesquisadores (Escribano, 2007; Bedmarek, Saldafia & Garcia, 2009; Cerdan, Abarca, Martinez, Gilabert & Gil, 2009; Ji- ménez, Rodriguez & Ramirez, 2009, Ponsa & cols., 2009; Villagran & cols., 2010) vem utilizando 0 PROLEC (Cuetos, Rodriguez & Ruano, 2004) e o PROLEC - SE (Ramos & Cuetos, 1999) para avaliar e definir os processos de leitura em escolares do ensino fun- damental e médio, respectivamente, procurando estabelecer consenso entre os proce- dimentos utiizados para definir 0 perfil quanto ao desempenho em processos de leitura e seus preditores para a alfabetizagdo (Villagran & cols., 2010). Frente a isso, o PROLEC vem se tornando um teste de referéncia na avaliagdo dos processos de leitura, pois além de ser 0 teste mais utilizado por fonoaudidlogos, professores @ psicdlogos na avaliagao de escolares com problemas no aprendizado da leitura, 6 também o teste mais empre- gado nas investigagées cientificas. O sistema de escrita espanhol, assim como o sistema de escrita do portugués bra- sileiro, apresenta base alfabética caracterizado pela transparéncia e opacidade ortogra- fica. A transparéncia ortogréfica € caracterizada pela regularidade em que um fonema corresponde a um Unico grafemna, enquanto a opacidade ortogratica é caracterizada pela irregularidade, com grafemas que correspondern a mais de um fonema e com fonemas que correspondem a varios grafemas (Meirelles & Correa, 2006; Mousinho & Correa, 2009; Femandez, Mérida, Cunha, Batista & Capelini, 2010; Batista, 2011), Oportugués do Brasil, como ressaltado por Batista (201 1), apresenta uma caracteristi- ca mais transparente no sentido da decodificagao e mais opaca no sentido da codificagao (Santos & Navas, 2002; Cunha & Capeliini, 2009), mas mesmo assim contém configuragao ‘mais transparente que outras linguas latinas, como 0 espanhol e o italiano (Meireles & Cor- rea, 2005, 2008). Partindo desse pressuposto, o instrumento Provas de Avaliagao dos Processos de Leitura - PROLEC foi adaptado para a realidade brasileira, com a intengdo de fornecer ‘08 pesquisadores e profissionais da area da sade e da educagao um instrumento de avaliagao com base em critérios e normas de desenvolvimento de leitura, pois por meio do Uso deste instrumento seré possivel avaliar os diferentes processos e subprocessos que interferem na leitura, e assim, identificar os casos de dificuldades ou transtornos de apren- dizagem e quais os processos responsdveis por essas diiculdades. Portanto, espera-se que 0 PROLEC tenha a mesma aceitacdo entre os pesquisadores € profissionais dos paises de lingua portuguesa. eeeeeeeaaaagaaaeacacee I | I | I I ! 1 I eaoaaeenane poannaace SUMARIO INDICE DE TABELAS. INDICE DE FIGURAS. FICHA SINTESE. 1, INTRODUGAO, Processos cognitivos que intervém na leitura Proceso de identificagao de letras... Proceso lexico. Proceso sintatico. Proceso semantico. Ee 2. CARACTERISTICAS PSICOMETRICAS DA VERSAO ESPANHOLA Descrigao do PROLEC ~ Evaluacién de los procesos lectores, Analise Estatistica, 9. CARACTERISTICAS PSICOMETRICAS DA ADAPTAGAO BRASILEIRA ... ‘Amostra do Estudo, Estudos com PROLEC... 4, DESCRIGAO DAS PROVAS. |. Identificagao de letras, 1. Nome ou som das letras. 2. lgual-ciferente em palavras e pseudopalavras, II, Processo léxico... 3, DeCisB0 LERCA.. nn 4. Leitura de Palavras, 5. Leitura de Pseudopalavres. 6. Leitura de palavras e pseudopalavras, Il, Processo sintatico 7. Estruturas Gramaticais 8. Sinais de Pontuagaa. 15 7 ood 224 24 22 23 27 28 3 31 32 288 33 88 45 45 AS 45 46 47 AT 48 .A9 49 Tabela 9, Ea igen eel . Distribuigdo da média e desvio padrao do 2° a0 5° ano escolar na prova Nome ou som das letras. Tabela 10... eel eels a ea Distribuigéo da média e desvio padréo do 2° ao 5° ano escolar na prova Igual-diferente. Tabela 11. eee . Distribuigdo da média e desvio padrao do 2°20 5° ano escolar na prova Deciséo lexical. Tabela 12. Distribuigo da mécia e desvio padrao do 2° a0 5° ano escolar na prova Leitura de palavras. Tabela 13, Distribuigdo da méaia e desvio padréo do 2° ao 5° ano escolar na prova Leitura de pseudopalavras. Tabela 14. Hs Distribuigao da mécia e desvio padréo do 2°.a0 5° ano escolar na prova Leitura de palavias @ pseudopalavras, separados por palavras frequentes, nao frequentes e pseudopalavras. Tabela 15, Distribuigao da média e desvio padréo do 2° a0 5° ano escolar na prova Estruturas gramaticais. Tabela 16. . Distrbuigdo a médla e desvio padréo do 2°ao 5° ano escolar na prova Sinais de pontuaga0. Tabela 17........ Distribuigdo da média e desvio padréo do 2° ao 5° ano escolar na prova Compreensao de oragées. Tabela 18. Distribuigéo da médla e desvio padrao do 2° ao 5° ano escolar na prova Compreensao de textos. Tabela 19..... Classificagdo da pontuacao, por prova, de acordo com o ano escolar. 58 58 59 60 61 62 63 65 gQeeaeaaeeee aeaaaaaa A DOOOOO Oo Cbd eeubses >. VoOoVvV00N | VVVVVVVD INDICE DE FIGURAS Figura 1..... ‘Modelo de Leitura pela rota fonolégica e lexical WeddoddodooderrvdvdvoDObELELEEddEddddes FICHA SINTESE Nome: PROLEC. Provas de Avaliagdo dos Processos de Leitura. Autores da versio original: Fernando Cuetos, Blanca Rodrigues ¢ Elvira Ruano. Adriana Marques Autores da adaptago para o portugués: Simone Aparecida Capel de Oliveira e Fernando Cuetos. Objetivo: Avaliar os diferentes processos e subprocessos que interferem na leitura, para identifica os casos de dificuldades em sua aprendizagem e quais os processos responsa- veis por essas dificuldades. Aplicago: Individual. Ambito de aplicagéo: do segundo ao quinto ano do ensino fundamental. Duragao: Sem tempo pré-fixado. Finalidade: Avaliag3o dos processos de leitura, ‘Anélise: As proves so analisadas por pontuagao e ano escolar. Material: Manual, caderno de respostas e cademo de provas. 1. INTRODUGAO PROCESSOS COGNITIVOS QUE INTERVEM NA LEITURA. Possuir bom desempenho na leitura é muito valorizado e exigido pela sociedade, pois 6a principal ferramenta dos escolares para aprender novos conceitos. Problemas na leitu- ra impedem que 0 escolar desenvolva outras habilidades, como 0 dominio da linguagem, crescimento do vocabulario, a escrita e 0 conhecimento das palavras, 0 que ird repercutir no desenvolvimento de aprendizagens posteriores. Praticamente todas as informagdes necessérias para 0 convivio em sociedade sao fornecidas por meio da escrita, tendo ela 0 objetivo de transmitir mensagens, sendo, portanto, seu dominio essencial para @ vida em sociedade (Ferreira & Dias, 2002; Lonigan & cols., 2009; Sen, 2009; Johnson, Archibald & Tenenbaum, 2010; Oliveira, 2011) Para os leitores habeis, a leitura ndo parece uma tarefa que oferece grandes dificul- dades, prova disso 6 a velocidade com que essas pessoas lem. Porém, esquece-se que neste breve tempo é necessaria a realizagéo de um grande numero de operagdes cogni- tivas para que a leitura seja eficaz. Com a pratica, a maioria dessas operagdes cognitivas, inconscientes para o préprio leitor, se torna autométtica, ao ponto de quando o leitor se depara com uma palavra escrita, nao consegue evitar \é-la. Essa automaticidade ocorre de forma especial com as operagdes mais simples, como a identificagao de letras eo reconhecimento de palavras. O fato de estas habilidades terem sido automatizadas nao significa que a leitura seja uma tarefa simples (Custos, 2010). Muito pelo contrério, a leitura é uma atividade muito complexa e so muitos os pro- cessos que nela intervém. Para explicar a aprendizagem da leitura, foi adotado 0 modelo da Dupla Rota (Coltheart, 1985), a partir da qual a leitura pode ocorrer por meio de um processo que envolve a mediago fonolégica (rota fonolégica) ou pelo processo visual di- reto (rota lexical). PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA, © proceso de aprendizagem da leitura é um caminho longo e permanente. A leitura 6 formada por varios processos, cada um deles encarregado de realizar uma tarefa espe- cifica, 0 que requer um sistema cognitivo altamente sofisticado e que s6 funciona adequa- damente quando todos os componentes do sistema atuam de forma apropriada. Quando algum desses componentes se enconta prejudicado ou nao desenvolvido, a leitura deixa de ser uma tarefa dgjl e répida para converter-se em algo cificl, demonstrando © grande esforgo que requer (Cuetos, 2010). Por isso, conhecer as estratégias de leitura e escrita 6 um requisito essencial para a prevengao, identificagao e tratamento das dificuldades de leitura e esorita (Galles & Parente, 2007). De forma explicativa, a seguir sero apresentados os processos de identificagao de letras, Iéxico, sintatico e semAntico, e como eles funcionam (Cuetos, 2008; 2010). Processo de identificagao de letras: 22 Durante muito tempo defendeu-se @ hipétese de que podemos reconhecer global- mente as palavras sem precisar identificar as letras que as compdem. Os dados sao cada vez mais evidentes a favor de um primeiro e necessério passo para a identificagao das letras. Esta hipdtese de reconhecimento global das palavras teve origem em alguns tra- balhos realizados hd mais de um século por Cattell (1886), nos quais se verificou que os sujeitos pesquisados demoravam mais para identificar as letras isoladas do que quando faziam parte de uma palavra. Estes resultados, confirmados em sucessivos experimen- tos e com metodologias mais refinadas, foram levados como 0 argumento principal dos. defensores do método global de ensino da leitura, partindo da suposigéio de que, se as palavras so percebidas globalmente, deve-se, entéo, ensinar globalmente. Todavia, esta hipotese nao explica claramente qual aspecto da palavra seria 0 utiizado em seu reconhe- cimento, visto que nem a forma global, nem o perfil da palavra parecem ser informagées suficientemente precisas para permilir a sua identificagao. Ha, pelo contrario, interpreta- ‘96es alternativas que podem explicar perfeitamente os resultados encontrados por Cattel ‘sem precisar recorrer 4 percepgao global. Uma delas, a mais defendida atualmente, 6 a hipétese de que as letras e as palavras ndo se identificam em ordem sucessiva, primeiro aane AAAAHHAKS eanege ae eaqaaage paannannee VIVVUDDS . { vie bitsy & s INTRODUGAO as letras @ logo as palavras (como é admitide geralmente), ou primeiro as palavras e de- ois as letras (como defende a hipdtese do reconhecimento global), mas essas unidades podem estar sendo identificadas simultaneamente. ‘Segundo esta hipstese, o funcionamento se daria da seguinte forma: desde o momen- to em que uma palavra aparece diante de nossos olhos, iniciamos a ativagao da unidade de reconhecimento de letras , quase simultaneamente, as unidades de reconhecimento de palavras. A medida que se vai identificando as letras, esta informagao permite 0 reco- nhecimento das palavras. Entretanto, ao mesmo tempo, quanto mais se vai reconhecendo a palavra, melhor as letras serdo identificadas. Existe, portanto, uma interagao informativa entre ambos os niveis, Processo léxico: A identificagao das letras 6 um proceso necessério para poder ler, mas nao é sufi- ciente. E possivel identificar as letras de um escrito feito em qualquer idioma alfabético sem que haja entendimento de nada do que all se expressa. Reconhecer uma palavra significa deoirar 0 significado que esse grupo de letras representa. Para que um escolar aprenda uma palavra, os tragos seménticos devem ser codificados e associados a uma forma fo- nolégica, Dessa maneira, as palavras também podem ser armazenadas e organizadas de acordo com as suas caracteristicas fonolégicas (Gandara & Befi-Lopes, 2010). Atualmente, ha consenso entre a maior parte dos autores (Algozzine, Moquiston, (O'Shea, & Mccolin, 2008; Pinheiro & cols., 2008; Nation & Cocksey, 2009; Pinheiro & Capalini, 2009; Cuetos, 2010; Cunha & Capelini, 2010; Kim & cols., 2010; Oliveira, 2011) de que existem dois procedimentos distintos para se chegar ao significado das palavras, O primeito se da por meio da chamada rota léxica ou rota direta, conectando diretamente ‘a forma ortogréfica da palavra com sua representagdo interna. Essa forma seria similar a0 que ocorre quando identificamos um desenho, um ntimero ou uma assinatura. O segundo, chamado de rota fonolégica, permite chegar ao significado por meio da transformagao de cada grafema em seu correspondente som e utiizando esses sons para aleangar o signif- PROLEG - PROVAS DE AVALIAGAO 0S PROCESSOS DE LEITURA cado, como acontece na linguagem oral. Ambas as vias so complementares e usadas em diferentes medidas durante a leitura. Assim, quando se encontra uma palavra desconhesida, como, por exemplo, 0 nome de um povo (por exemplo: “Linariegas”), a tinica maneira possivel de [é-la transforman- do cada grafema em seu correspondente fonema. Ao contrario, quando se lé palavras homéfonas (por exemplo, “mau” e “mal’) somente 6 possivel distingui-las por sua forma ortogréfica. O unico requisito necessério para leitura pela rota visual é ter visto a palavra suficientemente a fim de se formar uma representagao interna desta palavra. Enquanto na rota fonolégica, © principal requisito € aprender a utiizar as regras de conversao grafena~ -fonema. Para melhor vizualizagao, a Figura 1, apresenta o modelo de leitura pela rota fonolégica e lexical, sendo possivel observar os subprocessos que compdem essas rotas. CN a AVA) ANGE a ase = ys v aeneapao ‘lear Reproseragto Macatee cnoyatcacs, = —) ecamesto alan Terme v ‘Sontcade psa v Reprsenarso tovoligen da para > Amazananente Irma (aa de Tat) v Figura 1. Modelo de Leitura peta rota fonolégica e lexical Fonte: Coats, F@ cals 2094) 2a PMMOMAHOHOHOHEHEAHROEHREHEEEAG VVVITIVOGODK COC EHEC O OHO VVOO0N VIBVVsIIS INTRODUGAO No entanto, no & somente o tipo de palavra que determina o uso de uma ou outra rota, sendo que ha outros fatores, como o perfil do leitor. Para comegar, a idade dos es- colares determina, em boa medida, a eleigéio da rota, pois em geral, os escolares que se encontram nos primeiros estagios da leitura utilzam principalmente a rota fonolégica, enquanto que os escolares de idade mais avancada possuem um bom numero de repre- sentagdes internas das palavras e utiizam mais a rota visual (Dominguez & Cuetos, 1992; Valle, 1989). Na realidade, durante a aprendizagem da leitura, os escolares vao passando por uma série de etapas consecutivas destinadas a ampliar as vias de reconhecimento de palavras. Primeiro, comegam por desenvolver uma espécie de rota visual, uma vez que em seu inicio, antes inclusive da aprendizagem sistemética da leitura, conseguem reconhecer algumas palavras por sua forma visual (seu nome, 0 nome da escola, Coca-Cola, etc.) Este tipo de reconhecimento no é muito eficaz, pois as representagdes destas palavras ‘so muito inexatas e muito determinadas pelo contexto (se sobre um rétulo de Coca-Cola aparecer escrito “Coisa-Louca’ o escolar continuaré lendo Coca-Cola), porém cumpre 0 importante pape! de conhecer o simbolismo da leitura, isto 6, de entender que os sinais gréficos escritos sobre um papel representam uma mensagem escrita. Quando se di inicio ao ensino sistematico da leitura, que é, a0 menos nos sistemas fonéticos, o mesmo que 0 aprendizado das letras, o que esta se formando é a rota fonold- gica. Trata-se da etapa mais dificil, pois hd a necessidade de se associar signos abstratos com sons que néo possuem nenhuma relacdo, uma vez que néo hd nada no signo grafico que indique como se deve pronuncié-lo. Por esta razéio, no comego desta etapa, sio produzidos muitos erros de substituigao de fonemas por outros, especialmente naquelas regras que contém muitos tragos, tanto visuais como acusticos (por exemplo, “b" e “A! “p"e “b”, etc). ‘A medida que o escolar aplica corretamente as regras de conversao grafema-fonema, hd uma série de palavras que se repetem constantemente (as palavras mais frequentes) e, vendo-as uma vez ou outra, hé a memorizagdo, isto 6, forma-se uma representagao interna dessas palavras, com a qual poderé acontecer a leitura dretamente, sem precisar transformar cada letra em seu som. O niimero de palavras que 0 escolar poderé ler direta- 25 PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA 26 ‘mente sera pequeno no principio, mas aumentara na medida em que ele for progredindo ‘na leitura até que seja capaz de ler um grande niimero de palavras diretamente. Esta forma de leitura, por meio da via léxica, € diferente da leitura direta da primeira etapa, pois, na primeira, a do tipo logografica, a palavra 6 como uma espécie de desenho para o escolar, memorizada globalmente. Com a mudanga na rota fonoldgica, o leitor precisa identificar as letras que compdem a palavra, sendo que a partir dessas letras seré ativada a representa~ go correspondente. Pela mesma razo que ha diferengas no uso das rotas de reconhecimento das palavras em fungo da idade, também haveré diferengas entre os bons e maus leitores, sendo que 08 bons leitores terdo um maior numero de representagdes ortogréficas das palavras (sim- plesmente porque leem mais), podendo fazer um maior uso da rota lexical, enquanto que ‘0s maus leitores, pela caréncia de representagdes, ter4o que utilizar mais a rota fonoldgica. Um terceiro fator que influencia o uso de uma ou outra rota é 0 método de ensino da leitura: os escolares que foram ensinados com o método global utiizam mais a rota direta, (Os escolares que aprenderam com 0 método fonético, pelo menos durante os primeiros anos, tendem a utilizar mais a rota fonolégica. Em qualquer caso, com 0 tempo, as diferen- gas produzidas pelos métodos acabam se igualando (Cuetos, 1988). Um quarto fator ¢ 0 tipo de leitura que o sujeito tem que realizar: quando é necessario ler em voz alta, a tendéncia ¢ utlizar mais a rota fonolégica; ja a leitura que necessita de compreensao, feita silenciosamente, utiliza mais a rota visual, pois somente é preciso che- gar 20 significado, sem a necessidade de se recuperar as formas fonologicas. Com base no que foi exposto até agora, é possivel deduzir alguns procedimentos para avaliar 0 uso de amas as rotas. Em geral, a melhor forma de analisar os processos de reconhecimento de palavras é por meio da leitura em voz alta de palavras isoladas, se pos- sivel medindo os tempos de resposta e, em qualquer caso, examinando os tipos de erro. Como seré comentado mais adiante, os erros so fontes valiosissimas de informagées. Por ‘outro lado, variando os tipos de palavras, pode se avaiiar as duas rotas. eeeaqaqaanaacacce eongencence annaanneaae oo INTRODUGAO Assim, para avalar a rota léxica, utiliza se palavras de diferentes frequéncias. Quanto maior a frequéncia, maior seré a probabilidade de que se tenha uma representagao interna da palavra, sendo mais facil e répido 1é-la. Ao contrario, para avaliar a rota fonologica, a melhor tarefa serd a leitura de pseudopalavras, isto 6, de palavras inventadas que se ajus- tam as regras de escrita do portugués, visto que nestes casos estd claro que nao apresen- tam representagSes Iéxicas © somente podem ser lidas mediante a aplicagao das regras de conversao grafema-fonema. Nesse caso, a extenséo do estimulo (quanto mais letras tiverem, maior numero de conversdes terd de ser feito e maior a possibilidade de erro) € a complexidade dos grafemas (as silabas mais complexas sero mais dificeis de serem lidas do que os grafemas simples) serao variéveis influentes. Processo sintatico: As palavras isoladas permitem ativar 0 significado que temos armazenado em nossa meméria (por exemplo, as palavras “cachorro”, “professor”, “escola”, entre outras, ativam_ 08 conceitos correspondentes), porém nao transmitem mensagens. Para poder propor- cionar alguma informagao nova, 6 necessério que essas palavras se agrupem em uma estrutura superior como a orago (por exemplo: “O professor procura 0 cachorro pela escola"), Entéo, quando se I, além de reconhecer as palavras, & necessdrio descobrir ‘como se organizam na oragéo, isto 6, precisa determinar o papel que cada palavra possui dentro da oracéo. Para isso, as pessoas dispdem de alguns conhecimentos sobre como 08 rétulos sintaticos so nomeados. Esses conhecimentos se denominam estratégias de processamento sintatico. Uma das estratégias mais utlizadas na leitura consiste em aplicar as fungdes de su- jeito-verbo-objeto sucessivamente as sequéncias substantivo-verbo-substantivo. Assim, quando nos deparamos com a oragao “O lobo atacou o cachorro", atribuimos ao primeiro ‘substantivo 0 papel de sujeito e, a0 segundo, o de objeto da ago expressada pelo verbo. Esta estratégia 6 to comum que quando mudam-se os papéis desta sequéncia, como nna forma passiva (" cachorro foi atacado pelo lobo") ou quando so introduzidas varias palavras funcionais que invertem a ordem da ago (por exemplo: “Ao cachorro 0 lobo 7 PROLEC - PROVAS DE AVALIACAO DOS PROCESSOS DE LETURA atacou’), as dificuldades de processamento aumentam consideravelmente. Estas dificul- dades manifestam-se de maneira significativa na leitura dos escolares, uma vez que eles cometem muito mais erros. Outra ajuda importante é a determinagao dos papéis sintéticos com os sinais de pon- tuago. Na linquagem oral, os papéis sintéticos estdo claramente marcados pelos tragos. prosédicos: entonagdo, pausas, etc. E na linguagem escrita, a maneira de representar es- tes tragos se dé por meio dos sinais de pontuacéo. Um leitor que nao respeita os sinais de Pontuagao nao poderd determinar os papéis sintaticos das palavras e, em consequéncia, no entenderd nada do que Is. Processo semantico: 28 Uma vez determinados os papéis sintaticos, inicia-se 0 uitimo processo cuja misao é ade extrair 0 significado do texto e integrar este significado a outros conhecimentos arma- zenados na meméria para poder fazer uso desta informagao. Somente quando a informa- Go estiver integrada na meméria para seu uso posterior, pode-se dizer que © processo de compreensao terminou. Assim, pode-se afirmar que os chamados processos semanticos, na realidade, podem decompor-se em trés subprocessos, sendo que a primeira fase 6 a da extragao do significado do texto; a segunda ¢ a da integrago da nova informagao na meméria e, finalmente, a fase construtiva das inferéncias. ‘A extragao do significado se realiza a partir das estruturas sintaticas e, basicamente, consiste em determinar os papéis do agente da ago, objeto da ago, lugar em que corre: ‘a agéo, etc., ou seja, responder as perguntas basicas sobre QUEM fez 0 QUE a QUEM, ONDE e QUANDO, No entanto, a estrutura semantica que se obtém deste processo in- depende da forma sintatica que foi construida. Assim, a mensagem “Um ladrao atacou © poiicial” pode ter sido construida a partir de oragdes com estruturas muito diferentes, como, por exemplo, "O policial foi atacado por um ladréo", "Ao polcial o lado atacou", “Um ladrdo atacou 0 policial’, etc. E por esta raz4o que uma vez lida a oragao, a forma superficial 6 esquecida, sendo mantido epenas o significado, a estrutura seméntica. DOHA EAE eananan eaqaeernaennene ananne Pere’ y é ddddd dee SUUEE ed bOUGE uusouoD bhodssdssacae a nn In fn stn tr en en A enact cen en ecean ) cen pcmems INTRODUGAO Com relagao @ integragao na meméria, ainda que néo se tenha dificuldades para enten- der oragdes como as comentadas no pardgrafo anterior, a verdade é que so pouco infor- mativas. As oragdes ndo aparecem isoladas, sendo que formam parte de um contexto em Que discorre a ago e que da sentido a oragao. Normalmente, salvo situagdes experimentais ‘ou de avaliago, nao sdo encontradas oragées do tipo “Um ladrao atacou 0 poiicial”, em que 1ndo sabemos a que polical se refere, em qual situago, etc. Geralmente, hé uma explicagao prévia para que ocorra a ativagio de conhecimentos relatives a esta situagao. Estes conhe- cimentos sobre a situagiio permitern entendé-ta e, por sua vez, enriquecé-la com essa nova informagao. As frases isoladas nao permanecem em nossa memédria, precisamente porque no se integram aos nossos conhecimentos, uma vez que ndo ativam informagées prévias. Muitas vezes os escolares tém que estudar pequenos textos ou frases que realmente néo ‘se integram aos seus conhecimentos e que, portanto, so esquecidos rapidamente, A frase pode até ser compreendida, mas se nao for conectada com outras informagées, pouco ‘servira. Quando as frases ou textos, além de serem compreendidos, forem integrados na meméria, a recorda¢ao permaneceré por muito mais tempo. No que se refere aos processes inferenciais, se a integracdo da informagao na memé- ria € considerada uma tarefa importante no processo da leitura, nao deve ser a titima, visto que essa informagdio armazenada deve servir para enriquecer nosso conhecimento @ no para inerementar passivamente a quantidade de informagdes armazenadas. Certamente um bom leitor nao limita sua atividade & mera recepgdo passiva de informagdo sem que faga dedugées sobre ela, mas, inolusive, acrescenta informagdes que nao estdo explicita~ mente mencionadas no texto. Para comegar, deve-se realizar uma série de pequenas in- feréncias sobre o material que esté sendo lido, pois, por razdes de simplicidade, os textos escritos precedem de muitas informagdes do leitor, sendo imprescindiveis para sua total compreensdo. Assim, quando se Ié "Jodo cortava lenha para sua avo", mesmo que nao ‘esteja explicitamente expressado, precisa-se deduzir que Jodo usava uma ferramenta (um machado ou uma serra provavelmente) para cortar a lenha. Além disso, hé outras inferén- clas de ordem superior que so mais dificeis de serem captadas, porém elas continuam necessarias para uma total compreensao. Quando se lé esta oragao "Maria queria comprar um livro, mas ao olhar sua carteira se deu conta que estava vazia", deve-se deduzir que 20 PROLEG - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA ela olhou sua carteira para ver se tinha dinheiro para comprar o livro e como nao tinha 0 dinheiro, nao pode compré-lo. Seta ak pea deen adh Ainda que os processos inferenciais constituam uma atividade intelectual mais com- Plexa que os demais processos, ndo s8o independentes dos demais, mas interagem ‘com todos eles. Deste modo, estes processos séo necessérios para a extragdo do signi- ficado, pois, muitas vezes, as partes de um texto nao esto conectadas, sendo somente ossivel extra 0 significado depois de realizadas as inferéncias para sua conexao. As infe- réncias também so imprescindiveis no processo de integragao da informacao na meméria, ois € necessario identificar com o que a informagao prévia deve se conectar. Certamente 0 proceso de inferéncia é o mais complexo dos trés processos semdnticos, visto que, na rea- lidade, ha uma graduacao quanto & sua complexidade, sendo o mais simples o de extracao de significado, seguido da integragao na meméria e, por titimo, a realizagao das inferéncias. Geraimente, as provas de compreenséio medem somente os dois primeiros aspectos. RRM RQRQQEKREKE aaae VUE EEEDERLEDSDSDSDSSS3|H ‘Amaioria das perguntas utiizadas, tanto nas tarefas escolares como nos proprios testes de compreensdo de leitura, é literal, podendo ser respondidas por simples meméria mecd- nica, sem nenhum tipo de compreensao. Se olharmos este tipo de material, encontraremos que todos os itens de compreenséio sao do tipo: “André ia todos os dias comprar palo. Aon- de André ia todos os dias?”. Poucas vezes chega-se a perguntas inferenciais, quando na realidade, estas sio realmente as que indicam se houve a compreensao do texto. Ut MOMHHOOMEOMEKHEOHEEEEE 4 dddedee =p~ oe 2. CARACTERISTICAS PSICOMETRICAS DA VERSAO ESPANHOLA Esta sesso foi desenvolvida com base nos estudos de Cuetos e cols. (2004). Descrig&o do PROLEC - Evaluaci6n de los procesos lectores O PROLEC foi desenvolvido por Fernando Cuetos, Blanca Rodriguez e Elvira Ruano, em 1996, no Departamento de Psicologia da Universidade de Oviedo, como fruto de um projeto de Investigaco financiado pelo CIDE, sendo sua titima versao publicada em 2004. Originalmente, as provas foram aplicadas individualmente em uma amostra de escola- res dos quatro primeiros anos do ensino fundamental (na 6poca referentes & 1* a 4* série), pertencentes aos trés principais tipos de escolas existentes na Espanha, escola publica urbana, escola ptibiica rural e escola particular urbana, Foram avaliados 403 escolares, como apresentado na Tabela 1 Tabela 1 Distribuigdo dos escolares nos trés principais tipos de escolas existentes na Espanha: escola pliblica urbana, escola particular urbana e escola publica rural. Escola Total Serie Paiblica Particular Rural Y 24 7 a 102 2 3 a 33 100 ¥ 31 a4 3 % # a 95 4 103 Total 122 140 141 408 Nota. A numeracto da seragdo escolar segue 0s padibes do procdimento original, de accrdo com 2 normatizagao a Esparha PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEMTURA Analise Estatistica 32 Na analise de variéncia realizada nao foi encontrada diferenga entre as escolas, muito menos entre géneros. Foram encontradas diferengas entre os niveis escolares, como os autores esperavam, ja que & medida que o ano escolar aumenta a execugao da leitura se torna mais eficaz. Estas diferengas so bem visiveis nas provas de compreensdo de textos, estruturas gramaticais e leitura de pseudopalavras e minimas nas tarefas de identificaga0 de letras e na leitura de palavras frequentes curtas. ‘Segundo os autores, de acordo com os dados obtidos, foi possivel classificar quais provas melhor discriminam os bons @ maus leitores, sendo elas: compreensdo de textos, igual-diferente, as provas do processo sintético, decistio lexical e leitura de pseudopalavras. Para validar 0 procedimento, os autores optaram pelo critério externo, a opinido do professor, pois nos primeiros anos escolares, os professores conhecem muito bem os seus alunos e sabem perfeitamente o grau da habilidade de leitura que cada um possui, Por esta razGo, os autores solicitaram aos professores, dos escolares participantes do estudo, que pontuassem a capacidade de leitura de cada um de seus alunos, em uma escola de 0 a 10. Nao era indicado qual aspecto da leitura e sim que pontuassem somente a capacida- de da leitura. Essas pontuagdes foram correlacionadas com as obtidas em cada uma das provas € com a pontuagao total de cada escolar e todas foram significativas, obtendo-se uma evidéncia de validade com base nas relagdes com outras variave's, Qaace LOMO MMAQQQage eeancoeene I | I I I I eaanace ana (mit Poet Si N% 105 # 3. CARACTERISTICAS PSICOMETRICAS DA ADAPTAGAO BRASILEIRA ddddeece i 6g Amostra do Estudo Os participantes deste estudo foram selecionados dos trés principais tipos de escolas existentes no Brasil: escola municipal, escola particular e escola rural, visando obter pontu- agées de referéncia que fossem as mais universais possiveis. Participaram 401 escolares (201 meninos e 200 meninas) do 2° ao 5° ano escolar, (antigas primeira, segunda, terceira quarta séries) do ensino fundamental de uma cidade do interior do estado de Sao Paulo, sendo 102 do 2° ano, 98 do 3° ano, 98 do 4° ano e 103 do 5° ano escolar, distribuidos em: bbdde 2 2 > > 2 s EY > 2 2 2 yD Escola Municipal: 102 escolares, sendo 24 do 2° ano escolar (9 meninos e 15 me- inas), 32 do 3° ano (17 meninos e 15 meninas), 31 do 4° ano (14 meninos e 17 meninas) e 34 do 5° ano escolar (16 meninos e 18 meninas). A faixa etdria variou entre 7 anos e 4 meses a 10 anos e 2 meses. Escola Particular: 140 escolares, sendo 37 do 2° ano escolar (17 meninos e 20 me- nina), 34 do 3° ano (20 meninos e 14 meninas), 34 do 4° ano (18 meninos ¢ 16 meninas) @ 35 do 5° ano escolar (18 meninos e 17 meninas). A faixa etéria variou entre 7 anos e 4 meses a 10 anos e 2 meses. Escola Rural: 140 escolares, escolares, sendo 41 do 2° ano escolar, 32 do 3° ano, 33, do 4° ano e 34 do 5° ano escolar. A faixa etatia variou entre 7 anos e 2 meses a 10 anos e 8 meses. A Tabela 2 apresenta a distribuigao dos escolares nos trés principals tipos de escolas existentes no Brasil: escola municipal, escola particular e escola rural. 33 PROLEC - PROVAS DE AVALIACKO DOS PROCESSOS DE LETURA Tabela 2 Distribuicéo dos escolares nos trés principais tipos de escolas existentes no Brasil: escola muni- cipal, escola particular e escola rural cy Mood Sguee | __ Média tia ¥ % 9 15 Trove ares e a 1” 15 BawseSmese Municipal * 3a 4 7 Senos.e 3meses F s ot 16 18 toancse 2mesee To vai ss a = a 7 20 Tastes ; e a 2 1 acseSmeses peneua = a ® 18 Sacee amazes ° % in 17 soars o2 ees Teal 1a ia 7 ° a 7% 10 Tams mes ° 2 ” 15 Bane Gree paral ’ «2 8 1S Sanne Smeies ° a 16 19___sosmseomesee Teal 740 m2 34 PEHRSMHMHMRHSTKHKKHSHHKHRMHEHHTHEHKRHEKEEKKEHKHHEE CbOUEbousddEeebss 2 DB Sssoo 09 CCARACTERISTICAS PSICOMETRICAS DA ADAPTAGAO BRASILEIRA Estudos com PROLEC Oliveira, Cardoso @ Capelini (no prelo) avaliaram 60 escolares de ambos os géneros, do 2° ao 6° ano (antiga 1* a 4* série) do ensino fundamental de uma cidade no interior de Sao Paulo, nas provas do PROLEC, com objetivo de caracterizar e comparar seu desem- penho nos processos de leitura, sendo 20 escolares com diagnéstico interdisciplinar de dislexia; 20 escolares com diagnéstico interdisciplinar de disturbio de aprendizagem e 20 escolares com bom desempenho académico, pareados segundo género, faixa etéria e escolaridade. Nesse estudo, os resultados mostraram que os escolares com bom desempenho aca~ démico apresentaram desempenho superior aos escolares com dislexia @ distirbio de aprendizagem e que os escolares com dislexia, apresentaram desempenho superior em todas as provas do PROLEC quando comparados aos escolares com distirbio de apren- dizagem. Esses resultados fornecem evidéncias de validade com base nas relagdes com outras variaveis e podem ser visualizados nas Tabelas 3 ¢ 4. 35 PROLEC ~ PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA Tabela 3 Comparagéo do desempenho dos escolares do GI (dislexia), Gil (disturbio de aprendizagem) & Gill (oom desempenho académico) nas provas dos processos de identificacao de letras e Iéxico. Fics Yasdvel Grupo Média O62 Min, mlx. POH eciana Pecans Yee Gas asi 600 2000 165 100 2000 SL Gl 1360 596 090 2000 9751500 1800 <0001 Identieagto Gil_1995 022 1900 2000 2000 2000 _20.00 olotras 1885 1,18 16002000 18001900 2000 D GI 1870581090 2000 1725 1900 1900 Oat Gil_1930 103 17.00 2000 1900 20002000, Gi 214078 500 9000 1680 22.00 2600 DL GI -2005 905 000 2900 17.00 2350 25800 000 g_2770__160 2500 _s000 2625 27,00 2000 Gl 1695 927 090 2800 900 2000 2475 PGi 12701144 0.002800 © 025-1050 2850 » Comparagao do desempenho dos escolares do Gl, Gil e Gill nas provas dos processos de iden- a tificagao de letras e Iéxico. {3 Processes yay, Desvio 44, e = Froceseoe Varzvel Grupo Média DMEM Mimo Maximo Mesiana Valor de P 38 @ was oat 600-000 —~18.00 =) s Gi 1800348900 20001850 om =p Identiicagso cu__1995 022 190020002000 > deletras, G@ 1885 1.181600 2000.19.00, [ © Gi 1825448 = 000 2000200 3 Gu___1960 050 19002000 20.00 = Gq 2140788 5009000 2200 <3 o Gi 2180 1072 © 0003000 25800088 me cu __2770__169 2500 30002700 el 1695927 000 2800-2000, e Gi 22001065 0d 3000 7.00 < 0.001 2 Gu 29251212800 9000-2000 2. 1420826 000 27,0 1800 3 ue Gi 19751018 +090» 2800-400 < 0001 aa Processo cn__2720 226 2200002600 Ussco cl 1405~~—~8A7~—-000~—~20.00—«1680 2 uF Gk 872 OD atom coon il 2 Gil 1990 031 19.00___-20.00 20.00 I-o- 148508 om 17.00 1300 - UNE Gh 14806782000 1800 <0 2 il cu 18751451500 20001900 2 i G98 491 000 15001200, in Lp ol 132566700 01850 < 0.001 {2 ™ cu 1799 242 10.00 29901800 2 Is vevos PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA aaae \ Tabela 6 € ‘Comparagao do desempenho dos escolares do Gi, Gil e Gill nas provas dos processos sintatico é e seméntico. © — oa é Frocatos Verte! Grupo Méda 88% Minimo Mimo Madera Vor de € a 790 406600130080 © Fo Gh 8204810001400 1000S on ©& Processo. Gu 12.05 147 10,00 15.00 12,00 © Sintatioo a 7.80 5.86 0.00 16,00 8,00 © sp Gl 595 «420« 0001000 800 < 0.001 & Gu 1315 1601900 16001300 e @ 74 301-000 1200 °~—~—«8S0 € co GH 745.443, 000 1200 «850 < 0,001 € Processo Gu 11250371100 12001200, é ‘Semantico a 5,65, 4,04 0,00 12,00 6,00 3. cr Gl = 780-507-000 1300-980 < 0,001 € Gil___13,55, ait 9.00 16.00 14,00 € Nota. EG = estrutura gramatical; SP = sinal de pontuag’io; CO = compreensio de oragées; CT = compreensao da textos, Teste € de KesalWatis & € Fonte: Ciera eal. (2011, p. 349, 2 ‘A Tabela 7 apresenta a comparagéo da classificacao normal (N), dificuldade pequena € (0) e dificuldade grande (DD) nas provas dos processos de identificagao de letras, léxico, € sintatico e semntico do PROLEG, entre os escolares com dislexia (Gi), TDAH (Gil) e bom ce desempenho académico (Gil). s : oe e (CARACTERISTICAS PSICOMETRICAS DA ADAPTACAO BRASILEIRA Tabela 7 ‘Comparagao da classificagao normal (N), dificuldade pequena (D) e dificuldade grande (OD) nas provas dos processos de identificacao de letras, Iéxico, sintético e seméntico do PROLEC, entre ‘0s escolares com dislexia (Gl), TDAH (Gil) e bom desempenho académico (Gil). Processes Beletens — Classiicagio §— GIGI GN xxM xxx sum 9% 2 SLO) 1 0,004 024% © oor 0029 Identificagae ___SL (DD) ees eoie de letras ON “4 16 20 00) 0 ol 0,008 cat 09.108, 100) desea OM @ 2 18 DLO) 1 2 2 0.004 ozr2 = opm? BL (00) aie ae PM 0 (19 Po 2, 00001 0001 <0001 0.008. P00) da FPA) oo PPO) 2 4 0 «0001 ors <0001 0,008 Proceso eo 7 tt Léxico LEN 6 3 2 FO 4 0 0 <0 cos §<0001 ong LPF 00) “7 io LENE ON) 0 2 «1 LPNFO) 6 1 0 0901 <1 <0001 029 LNF(OO) 5 7 t PPM ae a6) LPO) 6 4 8 | 2 2 ~~ ~ ~ Ainda que cada prova contenha instrugdes especificas, existem algumas normas que devem ser seguidas em todas e que convém conhecé-las antes de iniciar a aplica- (Go da prova: 1. As provas sdo de aplicagdo individual elaborada para escolares do segundo a0 quinto ano (anterior primeira & quarta série) do ensino fundamental. No entanto, também podem ser aplicadas em escolares maiores que apresentam problemas de leitura. 2. Caso 0 avaliador queira realizar um estudo completo do escolar, devem ser aplica- das todas as tarefas que compdem a bateria. Porém, se nao se dispde de muito tempo, ha uma verso reduzida formada por uma prova de cada um dos quatro processes (para a versio reduzida, foram escolhidas as tarefas mais significativas). Avversdo reduzida 6 formada pelas provas 2, 5, 7 € 10. 2. Igual - diferente, 5. Leitura de pseudopalavras. 7. Estruturas gramaticais. 10. Compreensao de textos. Para determinados escolares podem ser selecionadas provas concretas. Assim, se nos depararmos com um escolar cujo deficit esteja mais ou menos localizado, pode-se comegar diretamente pelo bloco correspondente 20 processo afetado. Por exemplo, 6 de conhecimento que quando um escolar 18 mal, porém nao apresenta problemas para identiicar as letras, pode-se iniciar pelo bloco léxico. Se os problemas séio somente de compreenséo, pode se iniciar pelos blocos sintatico ou seméntico. Se todo 0 conjunto de PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA 82 provas for aplicado, ¢ aconselhavel combinar as pertencentes aos diferentes blocos para @ aplicagdo se tornar mais variada e amena (por exemplo, em uma sesso, deve-se apli- car a prova de identificagao de letras, uma dos processos léxicos e dois textos do bloco ‘seméntico). 8. Os escolares, normalmente, acham atrativos estes testes para os quais devem es- tar muito motivados. No entanto, preciso confirmar se esto suficientemente motivados quando estiverem realizando as provas. Ao ser aplicado todo o conjunto da prova, serd necessério realizé-la em varias sessdes, de maneira que, ao menor sintoma de cansago, deve-se interromper a realizagao da prova e continuar em outro dia. 4, Cada prova (exceto as provas do processo semantico) comega com exemplos que ‘se encontram separados do resto da prova por uma linha divisdria. E preciso que o aplica- dor certiique-se de que o escolar compreendeu a tarefa antes de comegar com os itens. 5. Forma de apresentagao: o aplicador devera colocar 0 caderno de provas na posi- cdo adequada, de forma que as paginas que serdo apresentadas fiquem de frente para co escolar. O cademo de provas dispée de uma parte que corresponde ao aplicador, onde S20 apresentados os mesmo elementos mostrados aos escolares. Nesta parte, 0s itens estéo enumerados, faciltando, assim, a anotacéo das respostas no caderno de respostas. Nos casos em que o escolar deve dar uma resposta, a solugdo aparece indicada na parte cor- respondente ao aplicador. E conveniente que 0 aplicador fique perto do escolar, de modo que seja possivel visu- alizar 08 dados da aplicagao, tanto da sua parte como do escolar, nas provas em que isso soja necessério. Assim, quando estiver dando as instrugdes, deverd assinaler na parte que 6 apresentada ao escola, os elementos de treinamento. Depois, quando for requisitado ao escolar que continue sozinho, paderé guiar-se pela parte do aplicador. Naquelas provas ‘em que é pedido ao escolar que indique @ resposta no caderno de provas (gual — diferente, decisdo Iéxica, estruturas gramaticais e compreensio de oragdes), deve-se seguir 0 de- senvolvimento da prova pela parte que corresponde ao escolar. Em caso de duvida sobre “Nt OE. HOO Z € e oe « « e oé C6ogddded ; boo SoV00000000 NORMAS DE APLICAGAO @ resposta indicada, deve-se pedir ao escolar que repita sua resposta até que se tenha Certeza sobre esta. 6. As anotagées das respostas sero realizadas no caderno de respostas do seguin- te modo: se a resposta dada pelo escolar estiver correta, assinalar um circulo no numero: 1; se a resposta estiver incorreta, circular 0 numero 0 e, no espago correspondente a0 item, sera anotada a resposta dada pelo escolar. E importante conhecer o tipo de itens com 0s quais 0 escolar tern mais diffculdade para a elaboragao das atividades de re- cuperagao. Quanto aos erros, constituem uma fonte muito valiosa de informag4o para determinar o tipo de estratégia que o escolar estd utiizando, como sera comentado na Parte final deste manual. 6. NORMAS DE CORREGAO 1, Para a obtengdo da pontuagao das provas, parte-se das anotagdes do Caderno de Respostas. 2. Atribui-se um ponto para cada resposta correta. Nd sao admitidas pontuagdes decimais. Sodddddded? 3. Em algumas provas, é posstvel obter dois ou mais tipos de pontuagdes parciais que podem servir de ajuda na determinagao do problema concreto do sujeito, ponto de partida para a sua recuperacdo. Para efeltos estatisticos, somente sera levada em conta a pontuagdo total. 4. A pontuagao direta de cada prova serd anotada no espago correspondente no Ca- derno de Respostas. 7. NORMAS DE INTERPRETAGAO Serio apresentadas as pontuagdes médias e os desvios padréo obtidos por ano esco- lar e por prova. Normalmente, entende-se que um escolar tem problemas em uma deter- minada tarefa quando o seu resultado esta dois pontos ou mais, abaixo da média. Com as médias, s80 apresentadas também escalas de pontuagdo para cada prova € nivel escolar com as quais € possivel determinar se ha dificuldades em algum dos proces- 0s € se estas so pequenas ou grandes. Para faclitar estas tarefas serao utlizadas trés categorias normativas: N: Normal D: Dificuldade DD: Dificuldade grande Os critérios para determinar estas categorias foram estatisticos. Considera-se que um escolar tem uma execugéo normal em uma determinada tarefa quando seu resultado for superior & nota de corte equivalente & média normativa menos um ponto. Considera- -se que apresenta uma dificuldade quando sua pontuagdo estiver entre um e dois pontos abaixo da média. E que apresenta dificuldade grande quando sua pontuagao se distanciar mais de dois pontos abaixo da média, Nome ou som das letras A pontuagao média desta prova é muito alta desde o segundo ano escolar (tendo cer- cade 19 acertos, sendo 20 0 total), o que indica que trata-se de uma tarefa simples inclusi- ve para os escolares do 2° ano. Este é um dado interessante, pois as teorias maturacionais sustentam que as dificuldades de aprendizagem da leitura sao ocasionadas principalmente por problemas perceptivos, PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA A Tabela 9 apresenta as pontuagdes médias e desvio padrao por ano escolar. Tabela 9 Distnibuigéo da média e desvio padréo do 2° ao 5° ano escolar na prova Nome ou som das letras. ‘Ano escolar Mécia Desvio Padrao 2 1987 088 = 1931 04 © 19.90 030 e 1997 oz ‘Amé execugo nesta tarefa indica que o escolar ainda nao reconhece algumas letras. A reeducagao consistiré simplesmente em ensinar essas letras juntamente com as que ela encontra dificuldades. Igual-diferente Nesta prova a porcentagem de erros também & muito baixa, pois a média em todos os anos (exceto terceiro ano) 6 de 19 acertos, sendo o total de 20. ‘As pontuagdes médias constam na Tabela 10, separadas por ano escolar. Tabela 10 Distribuigéo da média e desvio padirdo do 2° ao 5° ano escolar na prova Igual-diferente. ‘Ano escolar Media Desvio Padréo 2 19,16 128 e 1889 264 e 19.64 60 s 1987 1.93, eerernreenanneannananagace Pannnannagnaanace NORRMAS DE INTERPRETAGAO ‘Amd execucao nesta tarefa indica que o escolar possui baixa capacidade de segmentar a palavras em letras, 0 que o impede de utiizar corretamente as regras de conversa gra- fera-fonema. Esta dificudade se manifesta com muito mais intensidade nos grafenas com- Postos de duas letras (ex.: "Ih", “ch”, “gu.."). Insistir na identificagao e separagdo de cada um dos grafemas que compdem as palavras e pseudopalavras ajudara a corrigir este problema. Decisao lexical Nesta prova, as pontuagdes se distancia do efeito teto, como pode ser observado na Tabela 11 Tabela 11 Distribuicdo da média e desvio padrao do 2° ao 5° ano escolar na prova Deciséo lexical. Ano escolar Miia Devo Pasko | z wee 289 - e 2778 219 2 ” 28,73 218 s 28.56 188. a o Baixa pontuagao nessa tarefa indica um escasso vocabulério ortografico. De fato, as e palavras que os escolares mais erram so “lego” e “dalé”. Leitura de palavras ‘As pontuagdes nesta prova vaio aumentando de acordo com o ano escolar, até quase chegar a um efeito teto no quinto ano. As palavras que os escolares mais erram so as 2 que comegam por silabas formadas por duas consoantes no comego (CCV, CVC). Pala- vras como “planta” ou ‘placa’ so as mais dificeis de ler. Na Tabela 12 so apresentados ; os valores da média e desvio padi das pontuagdes da amostra normativa nessa prova. 59 Le, PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LETTURA Tabela 12 Distribuigéo da média e desvio padrao do 2° ao 5° ano escolar na prova Leitura de palavras. ‘Ano escolar Média Desvio Padrao 2 28,14 318) e 2852 2.05 " 29,80 116 & 29,50 og @ é & é é € € € € « € Nesta tarefa nao é somente importante saber se o desempenho de um escolar 6 baixo, mas ¢ interessante saber também, com que tipo de silabas ele encontra maiores dificulda- Ges. Obviamente, terao que ser trabalhadias aquelas estruturas silabicas em que aparecem 0s problemas. Também é importante comparar seu desempenho com a prova seguinte, jé Que so utlizadas as mesmas sfabas, porém, formando pseudopalavras. A diferenga entre as duas tarefas informa como o escolar utliza as vias lexicais e sublexicais. Leitura de pseudopalavras eneere Conquanto as pseudopalavras utlizadas nesta prova terem sido formadas pelas mes- mas sfabas que na prova anterior, 0 nimero de erros agora é muito maior, o que indica que (08 escolares descle muito pequenos | fazem uso da informagao lexical. As difculdades S80 produzidas também com as pseudopalavras formadas por silabas com a estrutura CCV e CCVC. As duas palavas em que os escolares comet feram maior numero de eros foram “planca’ e “trantito”, A seguir, na Tabela 13, segue a descrigéio dos valores da média e desvio padrao, da amostra normativa, nessa prova. PAM MOMEOEEOEEEE VodH DIVIDES REDIDIOGVIEGCEEEUEYS “s'a's'o'e'o! NORMAS DE INTERPRETAGAO Tabela 13, Distribuigéo da média e desvio padrdo do 2° ao 5° ano escolar na prova Leitura de pseudo palavras. ‘Ano escolar Mécia Desvio Padrao e 248 320 s 26,08 34 * 2839 235 = 27199 24 Como na prova de leitura de palavras, nesta tarefa ¢ importante determinar o tipo de sflabas com as quais o escolar apresenta maiores dificuldades. Comparando os resultados com a prova anterior, pode-se determinar 0 uso que o escolar faz das vias de leitura. Leitura de palavras e pseudopalavras Nesta prova os resultados dependem fundamentaimente do tipo de estimulo, pois ‘quanto mais extensa e menos frequente for uma palavra, mais dificil serd a leitura dela. A seguir, na Tabela 14, sao apresentados os valores da média e desvio padréo da amostra normativa, por ano escolar, separados por palavras frequentes, no frequentes © pseu dopalavras. 6 PROLEG - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA QO & Tabela 14 CCC Distribuigdo da média e desvio padréo do 2° ao 5° ano escolar na prova Leitura de palavras € ‘pseudopalavras, separadis por palavras frequentes, ndo frequentes © pseudopalavras. Tro escolar Midi Desvi Pacréo : 2 19.08 178 e Fiegunnies r 19.55 081 eo ea ° 971 ase « P 19,49 0,89 e 2 17.94 201 eo oo. ° 196s 186 e ° 1900 a1 e s 1921 124 a e 1773 235 ¢ ° 1308 278 Pseudopalaves s se e 1893 182 & = 19,33 107 e O mais importante é comparar a pontuagao obtida em cada uma das trés listas de estimulos, Um bom desempenho com as palavras frequentes comparando-se ao mau de- ‘sempenho com as palavras no frequentes e pseudopalavras indica 0 uso predominante da via lexical. Ao contrério, um desempenho similar nas trés listas indica que estd sendo usada mais a via sublexical. As estratégias de intervengdo sero, para tanto, diferentes em cada um dos casos (Cuetos, 1988). Estruturas Gramaticais Nesta prova, as porcentagens de erros foram muito altas, especialmente com as ora- ges passivas e de complemento focado. A seguir, na Tabela 15, sero apresentados os valores da média e desvio padréio da pontuagdo da amostra normativa, separadamente por ano escolar. e PAMNM AMM OAAananere 2 2 2 2 & £ Bee ees p60 Ede eee Tabela 15 NORMAS DE INTERPRETAAO Distribuicao da média e desvio padrao do 2° ao 5° ano escolar na prova Estruturas gramaticais. ‘Ano escolar Média Desvio Pada 2 905) 255, e 11.40 243 ” 97 447 s 12,04 189 Existe uma grande variabilidade das pontuagdes nesta prova, conforme indicam os desvios-padrao altos, sendo as médias somente tomadas como indicagées aproximadas do que pode ser um desempenho normal. Sinais de pontuagao Nesta prova, foram obtidas as pontuagdes mais baixas de toda a bateria, especial- mente com os escolares do segundo ano, porém observa-se ainda que, conforme o au- mento da seriagdo escolar também hé © aumento na média de acertos, como pode ser observado na Tabela 16. Tabela 16 Distribuigdo da média e desvio padrao do 2° ao 5° ano escolar na prova Sinais de pontuagao. ‘Ano escolar Média Desvio Padraio iz 278 225 ¥ 418 220 ° 558 240 8 667 232 PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA Compreensao de oragées As pontuagées nesta prova s2o consideravelmente altas desde o segundo ano, 0 que indica que os escolares néio apresentam dificuldades especiais para compreender oragdes simples apresentadas de forma escrita. A Tabela 17 apresenta a distribuigao dos valores da média e desvio padréo das pontuagées da amostra por ano escolar. Tabela 17 Distribuigdo da média e desvio padrao do 2° ao 5° ano escolar na prova Compreensao de ora- oes. ‘Ano escolar Média Desvio Padrao e 10,78 14 e 11.06 1.06 * 11,80 054 8 11.81 os Compreensao de textos 64 Esta prova é uma das mais complexas e a que melhor discrimina os bons e maus lel- tores. Na Tabela 18, pode-se observar um aumento das pontuagées médias ¢ um decrés- cimo no desvio padrao a medida que se vai avangando nos anos escolares. Tabela 18 Distribuigdo da méaia e desvio padrao do 2° 20 5° ano escolar na prova Compreensao de textos. ‘Ano escolar Média Desvio Padrao 2 983) 387 ¥ 1146 376 ° 19,78 152 s 1401 1.76 ane PHAMOHHOHDHOHSOHE LEE EHEEERHMAHKARKRHAAAK, NORMAS DE INTERPRETAGAO. Por fim, ser4 apresentada na Tabela 19, a andlise de todas as provas para cada um dos ‘anos escolares do 2° ao 5° ano do ensino fundamental. Uma pontuagao que corresponde aN considera que 0 escolar estd dentro da categoria normal de leitura. Se corresponder @ D indica uma dificuldade e a DD, uma dificuldade grande. Cedeebes Goede Tabela 19 Classificagao da pontuacdo, por prova, de acordo com 0 ano escolar. ware ano Poe eee ee ee posse mas wo > «mo « o vane OM ou mm nm eT me OY wn ON eM owsdtverte 018 1481920046 ne wea0 Wwe 2082 Dackiobred 021 22 2500 O22 IN 9) 02 MI O90 OM 152 2100 Lesadepaaras 021 224 2600 O29 2425 2650 OWS M725 B09 ON 2728 2.0 lneace on mame 590. 021 mad wD 2s mes IDO NAS ZEN bsecepes Posie Laue cepinas om er wm ew ma Bm oF Be 8 a war a ru nm ov ea m on wo 2 Ce tomas 6 semanas of iS 1620 O12 AS 1620 OMS HT AZO Oe 180 Eonauas 7 proceso aramatcals sititeo Of 56 115 0S 6B OMS 08 GH SO OD Ha Shaiscepurtao 01 «2 9M OOD kD Proceso door Semtetico ——canprensio eaters Ce a 65 2 2 3 B 2 2- coe 2. or es we 0a 9 we 09 wn we oF on w 2 £ # s 2 PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA, Anilise qualitativa Junto aos dados quantitativos, 6 de suma importancia considerar os tipos de erros que os escolares cometem. Os erros séio produzidos de forma aleatoria, a ndo ser que haja falas no sistema de leitura e a partir dai sua anélise permite obter informagées valiosas. Outra variével importante a ser considerada se refere ao tempo que o escolar investe em cada estimulo. Seria muito apropriado medir o tempo exato que o escolar leva para ler cada palavra, porém, obviamente, isso cificultaria uma prova que pretende ser manejével. Entretanto, esta variével temporal pode ser observada se a crianga estiver lendo muito len- tamente, se estiver lendo silabado, se | rapidamente as palavras, etc. ‘Combinando estas variéveis, tipo de erro e 0 tempo investido, pode-se obter uma va- liosa informagao sobre as estratégias que o escolar esta utilzando. Assim, por exemplo, ‘se um escolar Ié muito devagar identificando cada letra ou silaba e transforma algumas alavras em pseudopalavras (ex “terra” em “tera"), com toda a certeza estara utiizando uma leitura subléxica. Este tipo de leitura & proprio de escolares dos primeiros anos que ‘se encontram na etapa alfabética. Se, ao contrario, observa-se que Ié muito rapido e, 20 ler rapidamente, comete erros visuals (ex. “gram” por “grana’) ¢ lexicalizacdes (ex. “balé” em vez de “dalé’), indica que est lendo unicamente pela via léxica, Este tipo de leitura 6 proprio da maior parte dos escolares a partir do quarto ano porque jé entraram na etapa ortogréfica. ae PMRHRAAHOREEHEEEREFRFL CER FHKE HHRENRAKEHKEE 8. ORIENTAGAO PARA A RECUPERAGAO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DA LEITURA ‘Aavaliagio referente & Educagéo Infanti e Fundamental na atual Reforma Educacional tem carater eminentemente formativo, global e continuo. Isso significa que, @ avaliago deve se realizar de forma natural e integrada, no processo de ensinar e aprender, util- zando procedimentos e técnicas que permitam aos profissionais e aos professores nao 86 determinar quais, dos conhecimentos propostos o escolar nao adquiriu, mas funda- mentalmente, por que nao adquiriu o conhecimento € de que modo ele pode superar as difculdades especificas. Nesse sentido, e como manifestado ao longo deste manual, uma das principals qualidades do PROLEC é de possibiltar ao professor e/ou profissional res ponsével, desenvolver atividades de recuperago a partir da andlise dos eros cometidos pelos escolares nos distintos processos € subprocessos. Recuperagao do processo de identificagao de letras. Se um escolar apresentar cificuldades para identificar as letras, devem ser propor- cionadas atividades que o obrigue a analisar os tragos distintivos, especialmente com as letras que possuem muitos tragos parecidos com outras (‘p" @ “aq”, “m" @ ‘n", “b” @ “ etc), Assim, podem ser de interesse as seguintes atividades: Assinalar as caracteristicas semelhantes e diferentes de pares de letras. ‘© Buscar uma letra em um fundo de letras. Buscar uma letra determinada dentro de palavras e pseudopalavras. PROLEC - PROVAS DE AVALIAGAO DOS PROCESSOS DE LEITURA Recuperagao do processo léxico. Dentre os processos de reconhecimento de palavras, podem ser distinguidas duas rotas diferentes: a rota direta ou lexical e a rota fonolégica. Um bom leitor precisa ter ambas as rotas bem desenvolvidas, se desejar ler todas as palavras: a fonolégica, para ler pala- vras desconhecidas ou pouco familiares, e a lexical, para ler com maior rapidez as palavras familiares e para distinguir as homéfonas. Para 0 desenvolvimento da rota lexical, as tarefas de empregar sons similares S40 as Que utilizam métodos globais, posto que, aquilo que o escolar tem que fazer ¢ memorizar a forma ortogrétfica da palavra. Um exercicio muito recomendavel é 0 de apresentar simul- taneamente desenhos com as palavras que o designam. Hoje so comercializados jogos educativos compostos por cartées nos quais aparece um desenho acompanhado de seu nome. A respeito das palavras homéfonas, deve-se apresentar o par de palavras (por exemplo: mal e mau) com seus significados correspondentes (¢ se possivel com desenhos) para que 0 escolar descubra as diferengas e memorize ambas as representagdes. Na rota fonologica a recuperagao 6 mais complexa, pois $40 varios os processos que podem nela intervir e apresentar um grande niimero de dificuldades de leitura. Conforme observado, a leitura de pseudopalavras foi uma das provas que melhor discriminou bons e maus leitores, Para poder fazer uso da rota fonolégica, 0 escolar deve saber que na fala, 0s sons sdo segmentados e podem ser representados por letras. Nesse sentido, uma das tarefas iniciais para o desenvolvimento da rota fonolégica é a de segmentar a fala, que caracteriza © desenvolvimento da consciéncia fonologica. Para essa atividade, existe muitos exerci- cios visando assimilar rimas, tais como: * Apresentar uma palavra (por exemplo, “saléo") e dizer outra que rime com ela (por exemplo, “balo"), ou pronunciar varios grupos de palavras (por exemplo, ‘luva", “chuva’, “blusa") para 0 escolar descobrir 0 que elas tém em comum, HEOROLEHEFCEEEHHEAHRAAHRKAKHAKKE need ennne

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