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OAB/RS

EXCELENTISSÍMO SENHOR DOUTOR


DESEMBRAGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE
DO SUL

Processo nº.:
Agravante:
Agravado:

Sob amparo da Gratuidade da Judiciária


APELAÇÃO CÍVEL. CONCURSO PÚBLICO. BRIGADA
MILITAR. EXAME DE SAÚDE. INAPTIDÃO.
EXIGÊNCIA DE ALTURA MÍNIMA. PREVISÃO LEGAL.
PERÍCIA DO DEPARTAMENTO MÉDICO JUDICIÁRIO.
1. Na dicção expressa do art. 39, § 3º, da Constituição
Federal é permitido à lei "estabelecer requisitos
diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir". E
a Lei Estadual nº 12.307/2005 dispôs, para todos os aspirantes ao
ingresso na Brigada Militar, o requisito da altura mínima de 1,65
m para homens e 1,60 m para mulheres (art. 2º, VIII). 2.
Hipótese em que evidenciada diferença de medição entre o
primeiro exame do certame e aquele realizado em grau de
recurso, devendo prevalecer a altura indicada no laudo
pericial do DMJ. 3. Ação julgada procedente na origem.
APELAÇÃO DESPROVIDA. (Apelação Cível Nº 70068898105,
Quarta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Eduardo
Uhlein, Julgado em 31/08/2016)

, brasileiro, estudante, inscrito no CPF sob o nº -74, RG Nº ,


residente e domiciliado à Rua Manoel de Abreu nº , Apto ,
Bairro Presidente Vargas, Caxias do Sul, 95054-280 telefones:
54 99139-9832, e-mail: @caxias.rs.gov.br vem, respeitosa e
tempestivamente, perante à esse Colendo Tribunal, não se
conformando com a r. Decisão interlocutória ora guerreada, a
qual indeferiu o pedido de tutela antecipada, pelo
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OAB/RS

presente, com fundamento nos artigos 1.015 e seguintes do


Código de Processo Civil de 2015, por intermédio de seu
advogado e bastante procurador, interpor a presente:

AGRAVO DE INSTRUMENTO

em face ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, pessoa jurídica


de direito público interno, na pessoa do ilustre Procurador-
Geral do Estado do Rio Grande do Sul, com endereço na Av.
Borges de Medeiros, n° 1.555, Térreo, 16°, 17° e 18° andares,
Centro, Porto Alegre – RS, CEP: 90.110- 901 -Centro
Administrativo, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

Do preparo:

O Agravante deixa de efetuar o preparo, uma vez que já foi


concedido o benefício da Justiça Gratuita pelo Juízo de 1º grau.

Da Tempestividade do Recurso

O presente Agravo de Instrumento é tempestivo, visto que a


intimação ocorreu em 13/06/2018.

Assim, o prazo de 15 dias úteis para interposição do recurso


termina no dia 04/07/2018.

Do Nome e endereço completo dos advogados das


partes
Advogados do Agravante:
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OAB/RS

, inscrito na OAB/RS , com escritório à Rua Os 18 do


Forte, sala nº 1026, Centro, Caxias do Sul – RS, CEP
95020-472.
Advogados do Agravado:
Não possui advogado constituído nos autos até o
presente momento.
Da juntada das peças obrigatórias
A teor do artigo 1.017 do Código de Processo Civil, o
Agravante junta ao presente Agravo de Instrumento
cópia integral do processo, no qual contém todas as
peças obrigatórias e outras que entende necessárias.

Termos em que pede juntada e deferimento.

Caxias do Sul, 23 de julho de 2018.

________________________________
OAB/RS
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OAB/RS

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO


RIO
GRANDE DO SUL

RAZÕES RECURSAIS

Processo nº.:
Agravante:
Agravado: Estado do Rio Grande do Sul
Órgão julgador:

Colenda Câmara

Eméritos Julgadores

O agravante, inconformado com a decisão interlocutória que


indeferiu o pedido de Antecipação da Tutela formulado na peça
inaugural,
vem perante esse Tribunal, suplicar pela reforma da decisão que
negou tal
requerimento, para fins que se faça valer o Direito da Agravante,
primando
pelo seu não perecimento, pelas razões de fato e de Direito que
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OAB/RS

passa a expor
e ao final a requerer:

DOS FATOS

O Agravante ingressou com a presente ação em rito ordinário com


pedido de tutela antecipada contra o ato do Agravado que
considerou o candidato “inapto” na Segunda Fase – Exame de
Saúde -, com pedido liminar como medida de Antecipação de
Tutela para que o candidato pudesse realizar as demais fases do
certame.

O Agravante carreou os autos com vasta documentação,


COMPROVANDO, SOBRETUDO, conter altura exigida no edital de
abertura do concurso público, sendo, portanto, apto para a
realização da 3 Fase – Exame Físico - contrariando, o teor da
decisão administrativa proferida pelo Agravado que considerou
INAPTO o candidato.

Assim, a agravante ingressou com o demanda para fins de fazer


justiça e valer-se de Direito que entende possuir, pois goza de
plenas condições de saúde para prestar a 3 Fase – Exame Físico –,
do certame e demais que possam vir. Eis que, conforme narrado na
peça inaugural o Agravado considerou o candidato inapto, mas não
fundamentou os motivos que levaram a considerar o agravante
inapto para a continuidade no certame.

A ausência de fundamentação da inaptidão do candidato, no exame


de saúde, vai contra ao próprio Edital, in verbis:

8.2.12 Os pareceres da JPMSE serão registrados da


seguinte forma:
APTO, INAPTO ou AUSENTE, devendo ser designados
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OAB/RS

em ata de
Inspeção de Saúde (Individual), contendo carimbo e
assinatura do
responsável técnico sem rasuras. No caso de INAPTO,
deverá ser
devidamente explicitado o motivo da inaptidão
conforme Anexo II
deste Edital, chancelada pelo Presidente da Junta.

Note-se que, o edital, somente, considerou o candidato inapto,


não explicitando os motivos que levaram a banca examinadora
a esse resultado, pois todos os exames de Saúde apresentados
pelo candidato estavam de acordo com as exigências do Edital,
bem como seus resultados foram todos normais.

Excelências, diante da classificação, o Autor se enquadrou


dentro da previsão de vagas para o concurso – 4.100 –
garantindo o seu direito de participar das próximas fases do
certame, ato continuo passou pela 2ª fase do certame, a qual
consiste em uma inspeção médica, apresentando todos os
documentos necessários conforme edital, anexo.

Todavia, ao receber o resultado definitivo da 2ª fase do


concurso – Inspeção Médica – por meio de edital (Edital
029 - Resultado 2ª Fase Grau de Recurso Administrativo
– DOE nº 62 de 03, de abril de 2018, Pág. 134-159) o
Autor constatou , conforme se observa à folha 32 do
documento, que foi considerado INAPTO, por medir
altura inferior a 1.65 cm exigida no Edital.

Entretanto, o Autor possui dois laudos, anexos, que


atestam a altura do candidato, qual seja 1.65cm, ou seja,
atendendo aos requisitos mínimos estabelecidos pelo
Edital de abertura do certame, anexo, onde o Dr.
EUDORO JOSE GODOY VALLES – Médico da UBS
(Unidade Básica de Saúde do Bairro São Vicente/Caxias
do Sul – RS ) atesta ao Autor, in verbis:
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OAB/RS

Atesto para os devidos fins que


as medidas antropométricas do
acima mencionado: Peso 56kg,
Estatura: 165 cm.

Assim, resta claro que o ato administrativo esta eivado de


ilegalidade, visto que a decisão que declarou o Autor inapto
mesmo atendendo os requisitos do edital, ademais, salienta-se
que, evidenciado a ausência de fundamento capaz de
responder ao recurso interposto, sendo completamente ilegal o
ato administrativo sem motivação.

Excelências, a r. Decisão monocrática merece reforma, haja


vista que o entendimento do Julgador de que “o agravante
discute o laudo que o considerou inapto na fase de exame de
saúde do Concurso, não havendo comprovação de plano do
direito líquido e certo a ensejar o deferimento liminar” – é
manifestamente equivocado! Por isso, deve ser rechaçado, eis
que essa exigência técnica do Juiz, se mostra desnecessária,
pois uma simples análise dos exames de saúde, aliados
ao laudo médico, já é mais do que suficiente para
perceber a existência de direito do agravante

Não sendo necessária a dilação probatória para se chegar a


compreensão de que o agravante possui plenas condições de
saúde para realizar a Fase 3 – Exame Físico – e seguintes, do
certame!

Contudo, r. decisão interlocutória do juízo de origem não


reconheceu o, ao menos em analise sumária, o direito do autor,
assim não resta outra alternativa ao agravante senão suplicar à
este Egrégio Tribunal. .

Do Cabimento
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OAB/RS

Dispõe o artigo 1.015 do Código de Processo Civil, que, cabe agravo de


instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:

I - tutelas provisórias;
II - mérito do processo;
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;
IV - incidente de desconsideração da personalidade
jurídica;
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou
acolhimento do pedido de sua revogação;
VI - exibição ou posse de documento ou coisa;
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de
terceiros;
X - concessão, modificação ou revogação do efeito
suspensivo aos embargos à execução;
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art.
373, § 1o;
XII - (VETADO);
XIII - outros casos expressamente referidos em lei.

Portanto, considerando que a inconformidade da parte recorrente


está prevista expressamente no rol taxativo das hipóteses supra
referidas, plenamente cabível a interposição do presente recurso.

Da decisão combatida:

O juízo à quo, deferiu a seguinte decisão interlocutória:

MAYLLONN DANTAS CARLOS (Juan Carlos Rodrigues


86365/RS) X Estado do Rio Grande do Sul. Em breve
suma, cuida-se de pedido de antecipação de tutela,
para determinar a manutenção do autor no processo
seletivo para o preenchimento de vaga no cargo de
Soldado de 1ª Classe QPM-1 da Brigada Militar. Relata
o autor que foi aprovado no exame intelectual,tendo,
contudo, sido considerado inapto por não atingir a
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OAB/RS

altura mínima exigida no edital. Em que pesem os


argumentos tecidos na exordial, em sede de cognição
sumária, não se evidencia a probabilidade do direito
alegado, requisito do artigo 300 do NCPC.Pelo que a
própria inicial relata,o demandante foi submetido a
aferição oficial, sendo que restou constatada altura
inferior ao que prevê o edital. Embora o autor
argumente medir 1,65m, fato é que foi submetido a
avaliação oficial, realizadas pela Banca Examinadora
do concurso,presumindo-se, em princípio, pela
veracidade do resultado. Argui ainda que a motivação
da sua eliminação não é razoável, porém, uma vez que
o candidato se propõe a prestar concurso público tem
conhecimento que, obrigatoriamente, deverá
enquadrar-se na previsão editalícia para obter êxito em
seu intento e, portanto, em sede de cognição sumária,
não há se falar em ilegalidade por parte da
administração pública ao aplicar as exigências contidas
no edital, visto que critério objetivo.Nesta senda,
ausentes os pressupostos necessários, indefiro a
medida liminar postulada.Intime-se.Após, cite-se com
prazo para resposta em 45 dias, a contar da realização
do ato.

O autor inconformado com o indeferimento da medida liminar, não


podendo coadunar com tal decisão, a qual é contraria a prova
carreada aos autos, não possui alternativa senão interpor o
presente Agravo de instrumento.

Da Tempestividade do Recurso
O presente Agravo de Instrumento é tempestivo, visto que a
intimação ocorreu em 13/06/2018.

Assim, o prazo de 15 dias úteis para interposição do recurso


termina no dia 04/07/2018. Logo o presente recurso é tempestivo.

Do Preparo

O Agravante deixa de efetuar o preparo, uma vez que já foi


concedido o benefício da Justiça Gratuita pelo Juízo de 1º grau.
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OAB/RS

Da Antecipação Da Tutela
A antecipação da tutela é essencial para que o provimento final da
ação primária não seja inócuo, pois os elementos que evidenciam a
probabilidade do direito do agravante estão presentes quando da
apresentação da documentação acostada pelo autor, bem como do
Laudo Médico emitido por profissional devidamente qualificado, no
qual atesta as plenas condições de saúde do candidato.

Os requisitos dos artigos 300, parágrafo 2º, e 311, incisos II e IV,


ambos do Novo CPC, estão atendidos, tendo em vista a real
existência de perigo de dano ao agravante ou risco ao resultado útil
do processo, eis que Fase 3 – Exame Físico – e seguintes, do
certame serão realizadas nos seguintes dias, portanto, está na
iminência de ocorrer.

E, quanto maior a demora em se conceder a tutela jurisdicional, o


agravante corre o risco iminente de ver o seu direito perecer,
tendo em vista
a TEORIA DO FATO CONSUMADO. Assim, é de ENORME
relevância e
urgência a necessidade da concessão da antecipação de tutela
pleiteada para
que o autor possa realizar as seguintes fases do certame!

Aliás, verifica-se a real necessidade de se conceder a Tutela


Antecipada ao agravante, haja vista o grave dano que se causará à
autor caso a demanda pretendida somente venha a valer ao final, no
julgamento do mérito da demanda, pois os demais candidatos irão
realizar as seguintes fases do concurso, portanto, antes da decisão
final da presente lide, o que tornará o direito do agravante inócuo
por força da Teoria do Fato Consumado!

Outrossim, conforme demais decisões no mesmo sentido


em fase de tutela antecipada, se observa que o
deferimento da tutela antecipada não caracteriza
prejuízo ao réu e não constitui medida irrevogável, pelo
contrario, constada pelo DMJ a altura do agravante, é
possível confirmar a medida liminar ou excluir o
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OAB/RS

candidato do certame, senão vejamos:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ESTADO DO RIO GRANDE


DO SUL. BRIGADA MILITAR. CONCURSO PÚBLICO.
RESERVA DE VAGA. POSSIBILIDADE.
MANUTENÇÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA DEFERIDA NA
ORIGEM. A autora foi eliminada do
concurso público para Soldado da
Brigada Militar por não possuir a
altura mínima exigida para o cargo.
Em que pese a alegação de que o ato foi
praticado com base nas normas contidas
no Edital do concurso, é possível a
manutenção da autora nas demais
fases do concurso enquanto as partes
aguardam a realização de perícia nos
autos de origem, a fim de solver a
discussão travada. Ademais, tal
providência não importa irreversibilidade
da medida, pois, caso o desfecho ocorra
com a improcedência do pleito, a
situação do agravado retornará ao statu
quo ante, sem qualquer prejuízo para o
certame. Desta forma, a parte agravante
não demonstrou que a decisão que
deferiu o pedido de tutela antecipada é
capaz de gerar dano grave ou de difícil
ou impossível reparação, motivo pelo
qual deve ser mantida a decisão
recorrida. AGRAVO DESPROVIDO.
UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº
71006907257, Segunda Turma Recursal
da Fazenda Pública, Turmas Recursais,
Relator: Mauro Caum Gonçalves, Julgado
em 28/09/2017)
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OAB/RS

Dessa forma, postula-se pelo deferimento da tutela


provisória de urgência antecipada em sede recursal !

Do Direito e do Justo

O Agravo de Instrumento vem disciplinado no artigo 1.015 e


seguintes do Novo CPC, sendo cabível a sua interposição quando se
tratar de
decisão interlocutória que versar sobre tutelas provisórias.

O pedido de Antecipação da Tutela, constante da Inicial, encontra


base legal nos artigos 300 e 311 do Novo CPC, sendo que os
requisitos para a
sua concessão são a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou o risco
ao resultado útil do processo (art. 300 - Caput).

In casu, o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo


está presente, pois caso seja mantida a decisão interlocutória de
indeferimento da Tutela Antecipada, outorgando-a para o final, os
candidatos
aprovados para realizar Fase 3 – Exame Físico -, já terão sido
aprovados e
estarão frequentando o curso de formação ou, quiçá, até já
terão sidos
NOMEADOS para o cargo, até a decisão final dessa lide, não
poderão mais
ser destituídos dos cargos por força da Teoria do Fato
Consumado!

Não obstante a isso, a próxima etapa do certame foi


postergada
pelo Edital, portanto, o agravante ainda pode realizar o Exame
Físico e demais fases do concurso com os demais candidatos
aprovados.

Portanto, caso mantida a decisão da Magistrada Singular, o


Agravante corre iminente risco de ver o seu direito perecer,
tendo em vista
a TEORIA DO FATO CONSUMADO!
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OAB/RS

Dessa forma, é de mister, a reforma da decisão ora agravada, a


fim de que seja deferida a TUTELA ANTECIPADA “IN LIMINE” a
imediata
suspensão do ato impugnado, a fim de que o agravante possa
continuar
participando do Curso de Formação de Soldados da Brigada
Militar/RS, das fases subsequentes do presente certame,
e, consequentemente, a intimação da parte agravada para que
tenha
ciência da decisão liminar e incluíam o nome do autor no rol de
aprovados
para a realização das fases subsequentes do certame.

DA JURISPRUDÊNCIA

No tocante ao tema, para bem corroborar com a tese da


agravante, cita-se as seguintes decisões:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONCURSO PÚBLICO.


MILITAR ESTADUAL. SOLDADO. EDITAL DA/DRESA
Nº SDP 01/2014 SOLDADO DE 1ª CLASSE -QPM-
1/BM. TATUAGEM.
LIMINAR. PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ART. 7º,
INCISO
III, DA LEI Nº 12.016/2009. 1. Para a concessão da
liminar
em Mandado de Segurança devem concorrer os dois
requisitos
previstos no art. 7º, inciso III, da Lei nº 12.016/2009,
ou seja, a
relevância dos fundamentos em que se assenta o
pedido e a
possibilidade de lesão irreparável ao direito do
impetrante se do ato
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso
seja finalmente
deferida. 2. Caso em que, considerando a relevância
dos fundamentos
apontados na inicial do mandamus (de que a tatuagem
do candidato
não seja visível) tanto que não teria sido percebida
quando da
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OAB/RS

realização do primeiro Exame de Saúde, que o


considerou apto, verifica-se situação excepcional
ensejadora de risco extremado à parte
caso não realize as próximas etapas do concurso,
ficará alijado de
participar do certame, e a própria segurança, se
viesse a ser concedida ao final, restaria ineficaz.
4. Liminar indeferida na origem. AGRAVO DE
INSTRUMENTO PROVIDO. (Agravo de Instrumento Nº
70062178900, Quarta Câmara Cível, Tribunal de
Justiça do RS, Relator: Eduardo Uhlein, Julgado em
25/03/2015)

APELAÇÃO CÍVEL. CONCURSO PÚBLICO. BRIGADA


MILITAR. EXAME DE SAÚDE. INAPTIDÃO.
EXIGÊNCIA DE ALTURA MÍNIMA. PREVISÃO LEGAL.
PERÍCIA DO DEPARTAMENTO MÉDICO JUDICIÁRIO.
1. Na dicção expressa do art. 39, § 3º, da Constituição
Federal é permitido à lei "estabelecer requisitos
diferenciados de admissão quando a natureza do cargo
o exigir". E a Lei Estadual nº 12.307/2005 dispôs, para
todos os aspirantes ao ingresso na Brigada Militar, o
requisito da altura mínima de 1,65 m para homens e
1,60 m para mulheres (art. 2º, VIII). 2. Hipótese em
que evidenciada diferença de medição entre o
primeiro exame do certame e aquele realizado em
grau de recurso, devendo prevalecer
a altura indicada no laudo pericial do DMJ. 3. Ação
julgada procedente na origem. APELAÇÃO
DESPROVIDA. (Apelação Cível Nº 70068898105,
Quarta Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Eduardo Uhlein, Julgado em 31/08/2016)

AGRAVO DE INSTRUMENTO. ESTADO DO RIO


GRANDE DO SUL. BRIGADA MILITAR. CONCURSO
PÚBLICO. RESERVA DE VAGA. POSSIBILIDADE.
MANUTENÇÃO DA TUTELA DE URGÊNCIA
DEFERIDA NA ORIGEM. A autora foi eliminada do
concurso público para Soldado da Brigada Militar
por não possuir a altura mínima exigida para o
cargo. Em que pese a alegação de que o ato foi
praticado com base nas normas contidas no Edital do
concurso, é possível a manutenção da autora nas
demais fases do concurso enquanto as partes
aguardam a realização de perícia nos autos de
origem, a fim de solver a discussão travada.
Ademais, tal providência não importa irreversibilidade
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OAB/RS

da medida, pois, caso o desfecho ocorra com a


improcedência do pleito, a situação do agravado
retornará ao statu quo ante, sem qualquer prejuízo
para o certame. Desta forma, a parte agravante não
demonstrou que a decisão que deferiu o pedido de
tutela antecipada é capaz de gerar dano grave ou de
difícil ou impossível reparação, motivo pelo qual deve
ser mantida a decisão recorrida. AGRAVO
DESPROVIDO. UNÂNIME. (Agravo de Instrumento Nº
71006907257, Segunda Turma Recursal da Fazenda
Pública, Turmas Recursais, Relator: Mauro Caum
Gonçalves, Julgado em 28/09/2017)

As decisões em juízo à quo seguem o mesmo entendimento:

MARCIA ARIELY PONTES FERNANDEZ ajuíza


ação com antecipação de tutela em face do
Estado do Rio Grande do Sul - RS, pleiteando
em caráter antecipatório que seja assegurada a
sua chamada para o Curso de Formação, com
posterior participação dos atos de formatura,
posse e exercício do cargo de Soldado QPM-1,
respeitada a sua classificação geral e regional .
A parte autora foi classificada na etapa
intelectual na posição 300 do concurso de
Soldado QPM-2 - Soldado 1ª classe, inscrição
nº 44801911645-0, Edital DA/DRESA SD-B
10/2017. Foi convocado para a etapa do
exame de saúde para o dia 05/03/2018, tendo
sido considerada INAPTA, sob o argumento de
não possuir 1,60m. Recorreu
administrativamente e novamente foi tida como
inapta. Nos termos do artigo 300 do NCPC,
a antecipação dos efeitos da tutela pressupõe
elementos que evidenciem a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou risco ao resultado
útil do processo. Referiu que não foi
posicionada corretamente para a medição
e que no recurso administrativo juntou
laudo de ortopedista atestando que sua
altura corporal é de 1,60cm. Caso não seja
assegurado à parte autora a continuidade no
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OAB/RS

concurso, em caráter antecipatório,


especialmente para iniciar o curso de
formação, o processo poderá perder seu
resultado útil. Há risco de dano de difícil
reparação decorrente de não acompanhar o
curso indispensável para a nomeação no cargo.
Não obstante, a parte autora deve estar ciente
de que esta decisão é dada em caráter
precário, podendo ser reformada a qualquer
tempo mediante motivação. Defiro a
antecipação de tutela pretendida para
determinar à parte ré que mantenha o
candidato MARCIA ARIELY PONTES
FERNANDEZ (inscrição nº 44801911645-
0) seja incluída no Curso de Formação e,
se aprovada, ato de formatura, posse e
exercício do cargo, respeitada a sua
classificação geral e regional. Oficie-se ao
Departamento Administrativo da Brigada
Militar, Divisão de Recrutamento, seleção e
Acompanhamento (DRESA, e-mail: dadresa-
liminares@bm.rs.gov.br), para cumprimento da
medida liminar. Defiro o benefício da
gratuidade judiciária à parte autora, diante da
comprovação da necessidade. Com o advento
da Lei 13.105/2015, que altera o Código de
Processo Civil, em vigor desde o dia
18/03/2016, estabelecendo nova regra para
contagem do prazos processuais somente em
dias úteis (art. 219 do NCPC), foi revisto o
acerto com a Fazenda Pública, reduzindo de
sessenta para trinta dias o prazo
contestacional. ite(m)-se para contestar(em) no
prazo de trinta dias, na forma do art. 219 do
NCPC. Esse prazo alongado favorece à parte
autora, já que não será realizada audiência de
conciliação - a possibilidade de acordo já foi
acertada com a fazenda pública em questões
específicas - e, também, porque a citação será
realizada por simples carga dos autos,
abreviando o andamento processual. Da
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OAB/RS

contestação, vista à parte autora para réplica.


Oportunamente, vista ao MP. Após, intimem-se
as partes para que digam, em cinco dias,
quanto ao interesse na
produção de outras provas, especificando-as e
justificando a necessidade, sob pena de
indeferimento. Havendo interesse na produção
de prova testemunhal, desde já, as partes
deverão arrolar as testemunhas (até o número
de três) que pretendem ouvir, a fim de
adequação da pauta. (Dra. Traudeli Iung - Juiz
de Direito, Juízo: Juizado Especial da Fazenda
Pública da Santa Maria, Processo: 9002001-
29.2018.8.21.0027, Tipo de Ação: Regime ::
Ingresso e Concurso, Autor: MARCIA ARIELY
PONTES FERNANDEZ Réu: Estado do Rio
Grande do Sul, Local e Data: Santa Maria, 11
de abril de 2018)

Esta é apenas uma entre outras tantas decisões que


garantiram a continuidade dos candidatos no mesmo
certame que o Agravante pleiteia seu direito, nas quais junta
ao menos outras cinco decisões, anexas, entre as outras tantas
que se encontram no certame.

Conforme já decidido pela Corte Superior de Justiça, "é


incabível
a eliminação de candidato considerado inapto em exame
médico em
concurso público por motivos de ordens abstrata e genérica,
situadas no
campo da probabilidade. Impõe-se que o laudo pericial discorra
especificamente sobre a incompatibilidade da patologia constatada com as
atribuições do cargo público pretendido" (RMS 26.101⁄RO, Rel. Ministro
Arnaldo Esteves Lima, 5ª T., DJe 13⁄10⁄2009)

No âmbito federal, vigora a Lei n. 9.783⁄99 (art. 50), segundo a


qual "os atos administrativos deverão ser motivados, com
indicação dos
fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I - neguem, limitem
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OAB/RS

ou
afetem direitos ou interesses; II - imponham ou agravem
deveres, encargos
ou sanções; III - decidam processos administrativos de
concurso ou seleção
pública; IV - dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo
licitatório;
V - decidam recursos administrativos; VI - decorram de reexame de
ofício;
VII - deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou
discrepem
de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII - importem
anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato
administrativo".

De todo modo, ainda que fosse silente a legislação estadual a esse


respeito, não poderia a eliminação de determinado candidato em
concurso
público prescindir da devida motivação, ou seja, deve o
Administrador
demonstrar, inequivocamente, a incompatibilidade das condições do
candidato, em razão da moléstia que o aflige, com o exercício do
cargo
almejado, sob pena de configurar inadmissível ato de discriminação.

Em contrapartida, os exames médicos apresentados pelo agravante,


além de atestar que o seu quadro clínico é ótimo e assintomático,
além da sua perfeita aptidão para o serviço e altura de 165cm.

É inegável, portanto, que o ato atacado por intermédio desta


demanda que, em certame destinado ao preenchimento de cargo
público, resultou na eliminação do recorrente sem a demonstração
de possível incompatibilidade com o exercício do cargo, não
apresenta seu principal requisito de validade, por faltar-lhe a
necessária fundamentação.

Também estabelece a Constituição Federal de 1988 que são


invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas. No âmbito federal, vige, atualmente, a Portaria
Interministerial n. 869⁄1992, que, ao deliberar sobre as exigências
para posse em cargo público, proibiu, "no âmbito do Serviço Público
Federal, a exigência de teste para detecção do vírus de
imunodeficiência adquirida, tanto nos exames pré-admissionais
quanto nos exames periódicos de saúde"
s

OAB/RS

De maneira semelhante, a Portaria n. 1.246⁄2010 do Ministério do


Trabalho e Emprego – considerando os termos da Convenção da
Organização
Internacional do Trabalho – OIT n. 111, que proíbe todo tipo de
discriminação em emprego ou profissão, e a Lei n. 9.029⁄95, que
proíbe a
adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito
de acesso
à relação de emprego ou a sua manutenção – impede, "de forma
direta ou
indireta, nos exames médicos por ocasião da admissão, mudança de
função,
avaliação periódica, retorno, demissão ou outros ligados à relação
de
emprego, a testagem do trabalhador quanto ao HIV".

Portanto, a exclusão de candidato aprovado em concurso público


por decisão desacompanhada do mínimo de fundamentação
compreensível
para o caso, é arbitrária e imotivada, devendo ser anulada.

No caso dos autos, os exames médicos atestaram a sanidade e


a
capacidade física do candidato, sendo que a decisão da
inaptidão do
agravante não menciona, qualquer, a patologia que seria
incompatível com
a função pretendida, de modo que não há como aferir as reais
razões
de conclusão para a inaptidão, senão a altura, onde houve
discordância entre as duas aferições realizadas pelo agravado
e com outras duas realizadas por médicos e pela Universidade
de Caxias do Sul, o qual o laudos forma juntados aos autos.

O Réu agravado deveria demonstrar, efetivamente, que a


eliminação do candidato se fundou em critérios técnicos e
mensurações
adequadas. Contudo, o que se vislumbra, até aqui, é a adoção
de parâmetros. subjetivos, o que, por óbvio, não satisfaz o
princípio da legalidade que deve
reger toda a atividade da Administração Pública.
s

OAB/RS

Assim, postula-se pelo Provimento do Recurso!

Dos Pedidos

Ex positis, REQUER o agravante que os Nobres Desembargadores


recebam o presente Agravo de Instrumento e que o mesmo seja
conhecido e
provido com escopo de reformar a decisão do Juízo “a quo”, a
fim de
conceder a TUTELA ANTECIPADA “IN LIMINE” para
SUSPENDER A
DECISÃO QUE JULGOU O AGRAVANTE INAPTO,
DETERMINANDO
QUE O AUTOR POSSA REALIZAR A PRÓXIMA ETAPA DO
CONCURSO. Bem como requer as intimações da agravada para
apresentar contrarrazões e do
Ministério Público para que se manifeste acerca do assunto. E, por
fim
requer, no mérito seja julgado procedente o recurso.

Termos em que pede juntada e deferimento.

Caxias do Sul, 23 de julho de 2018.

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OAB/RS