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Psicologia e Religião Oriental

Mestre Eckart (monge e filósofo da Idade Média): "A qualidade da vida de


um homem depende da qualidade de seus deuses, das formas que o Divino toma
frente a ele. Em outras palavras: a qualidade da vida de um homem depende das
exigências que a sua alma se faz quando admira a face de seu Deus".
Jung: "Entre todos os meus pacientes de mais de trinta e cinco anos não há
nenhum cujo problema não fosse o da religação religiosa. A raiz da
enfermidade de todos está em terem perdido o que a religião deu a seus crentes,
em todos os tempos; e ninguém está realmente curado enquanto não tiver
atingido, de novo, o seu enfoque religioso".
O pensamento e a religião ocidentais, desde seus primórdios, são uma
busca incessante de Deus. Primeiro pêlos mitos, depois pela razão. Dussel: "A
própria razão se encarregou de demonstrar aos homens que ela não lhes basta.
Unicamente o mito possui a preciosa virtude de encher seu vazio
profundo...porque o mito move o homem na história".
Na antiguidade para os filósofos gregos, o mundo era um organismo vivo,
cosmogonia e teogonia andavam juntas. Mesmo com o advento do racionalismo
toda especulação nada mais era do que a busca da divindade, ou da substância
divina que determina e dirige o desenvolvimento do mundo.
A realidade que a religião determinava como Theos, a filosofia determinava
como Logos. Ambos referem-se ao princípio, aquilo que está no âmbito do Ser e
no Devir. O Divino era o anseio último, os deuses faziam parte do divino, porém
se tudo também fazia foi a grande questão filosófica para os gregos.
Excetuando-se Pitágoras, os outros filósofos gregos colocaram esse
princípio, ou substância, fora do homem:
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- Tales: "A água é a origem de todas as coisas e que deus é aquela


inteligência que tudo faz da água".
- Anaximandro: "O Apeiron (ilimitado) é
eterno.
"O Apeiron é imortal e indissolúvel"
- Anaxímenes: "Como nossa alma, que é ar, nos governa e sustém, assim
também o sopro e o ar abraçam todo o cosmo".
- Xenófanes de Cólofon: "Tudo o que nasce e cresce é terra e água".
"Um único deus, o maior entre deuses e homens,
nem na figura, nem no pensamento semelhante aos mortais".
- Heráclito de Éfeso: "Tudo se faz pôr contraste, da luta dos contrários
nasce a mais bela harmonia"
"O Uno, o único sábio, recusa e aceita ser chamado
pelo nome de Zeus".
"Descemos e não descemos nos mesmos rios,
somos e não somos".
"Mesmo percorrendo todos os caminhos, jamais
encontrarás os limites da alma, tão profunda é o seu Logos".
"O que resulta dos dois contrários é Uno; e se o
Uno se divide os contrários aparecem", a grande descoberta de Heráclito é, pois,
que a unidade do Princípio Criador não é uma unidade idêntica e não exclui a
luta, a discórdia, a oposição. Aqui se pensarmos em contrários como consciente e
inconsciente, em Uno como Self entenderemos o brilhantismo de Heráclito.
- Parmênides de Eléia: O Ser é o Não Ser é imperscrutável.
- Empédocles de Agrimento: fala-nos de quatro elementos que compõe a
formação dos entes; fogo, terra, água e ar. Estes elementos e todo processo de
geração e corrupção são determinados pelas forças do Amor e Ódio, que regem
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ciclicamente, o Cosmos. "Sob o domínio do Amor unem-se todas as coisas em


um único todo, formando-se a Esfera".
- Platão o encontra num mundo ideal, o Mundo das Idéias, onde só a alma
tem acesso.
- Aristóteles o encontra como o Primeiro Motor, aquele que é imóvel, mas a
tudo movimenta.
E todo caminho do cristianismo, com exceção dos místicos e de alguns
santos, foi o de localizar o Divino na transcendência. E isso fez do homem
ocidental um ser eminentemente extrovertido, porque o sentido estava fora ,
distante, era preciso expandir-se para encontrá-lo. Com o tempo veio a ideia de
que a natureza precisaria ser dominada, era preciso arrancar dela seus segredos
para subjugá-la, a razão elevou o homem acima de todas as coisas, acima dele, só
Deus.
A ética não tinha implicação ecológica, a natureza, a Terra, não mais era
vista como um organismo vivo, alma só a possuía o homem, por muito tempo só
mesmo o masculino, e ainda assim nem todos. A graça era o sinal da bem-
aventurança, e era dada, independentemente das ações e méritos. Podia-se perdê-la,
mas jamais conquistá-la, Os desgraçados eram e são os párias sociais do
ocidente, base do capitalismo moderno e sutilmente do liberalismo.
A ciência impera onde a atitude é extrovertida, onde o que está fora seduz,
onde não há o sentido de pertença podemos manipular, transformar, destruir,
dominar.
Tempo e espaço são conceitos fortemente ocidentais, que compartimentam
todas as coisas, todos os homens e coloca Deus por sobre todas elas.
Jung diz da importância dos ritos e dogmas como elementos protetores
contra a experiência religiosa imediata. Como um escudo para vivenciarmos o
numinoso de forma indireta, conseqüentemente menos arrebatadora. Rene Girard
faz um brilhante estudo sobre "A Violência e o Sagrado", mostrando como o
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homem é frágil frente ao sagrado e como são essenciais os ritos para o equilíbrio
social e individual.
Jung tem uma compreensão da religião, ou melhor dizendo do religare,
diferente daquela das confissões em geral, ele o compreende na concepção de
Rudolf Otto de Numinoso: "Se lumen pode servir para formar luminoso, numen
pode formar o numinoso. Falo de uma categoria numinosa como uma categoria
especial de interpretação e de avaliação, um estado de alma que se manifesta
quando essa categoria é aplicada, isto é, cada vez que um objeto é concebido
como numinoso. Essa categoria é absolutamente sui generis, original e
fundamental, ela não é um objeto de definição no sentido estrito da palavra, mas é
um objeto de estudo. Não se pode tentar compreender o que ela é a não ser
tentando chamar a atenção do ouvinte para a mesma e fazer-lhe encontrar em sua
vida íntima o ponto onde ela surge e se torna então consciente."( O Sagrado,
págs. 12 e 13).
"Ele é de tal natureza que cativa e emudece a alma humana... Só uma
expressão apresenta-se capaz de exprimir a coisa: é o sentimento do misteriun
tremendum, do mistério que faz tremer", (idem pag. 17).
Esse Deus, necessariamente, misterioso e tremendo tem como
característica fundamental o "ser outro", ele está em oposição ao eu. Jung, em
seu livro M.S.R. analisa inclusive o quanto é complexo o "tornar-se homem" de
Deus. Como o Criador, misteriun tremendum, se tornou um homem, Jesus?
Jung (M.S.R. pág.292): "Os contrastes interiores necessários na imagem
de um Deus Criador podem ser reconciliados na unidade e totalidade do si-
mesmo, enquanto coniunctio oppositorum. Na experiência do si-mesmo não se
cogita mais de superar o contraste Deus e homem, como anteriormente, mas da
oposição no próprio seio da imagem de Deus. É esse o sentido do serviço de
Deus, isto é, do serviço que o homem pode prestar a Deus, para que a luz nasça
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das trevas, para que o Criador tome consciência de sua criação, e que o homem
tome consciência de si mesmo".
Em "Psicologia e Religião Oriental" Jung diz (pág.5): Para a psicologia
ocidental, o espírito é uma função da psique. É a mentalidade de um indivíduo.
Na esfera da filosofia ainda é possível encontrar um espírito universal e impessoal
que parece representar um resquício da alma humana primitiva. Esta maneira de
interpretar a concepção ocidental talvez pareça um tanto drástica, mas no meu
entender não está muito distante da verdade. Em todo caso, é esta a impressão
que temos, quando a comparamos com a mentalidade oriental. No oriente, o
espírito é um princípio cósmico, a existência do ser em geral, ao passo que no
ocidente chegamos à conclusão de que o espírito é a condição essencial para o
conhecimento e , por isso, também para a existência do mundo enquanto
representação e idéia".
O Oriente por ter a Divindade também imanente possuí uma atitude
introvertida, porque o sentido está no interior, o exterior é maya, é ilusão, nossos
sentidos só fazem nos afastar de nossa própria essência, portanto é preciso
dominá-los, tê-los sob controle para não nos afastarmos do eu interior, si-mesmo,
atman.
Do oriente vem as tradições mais antigas, e as mais recentes são, em
verdade, adaptações ou variações dessas. Os ritos são vivos e participativos. A
vida é um ritual, tem o ritmo ritualístico , é um viver sagrado, porque em tudo há a
presença da centelha divina: Krishna - "Tu és Isto". Do grão de mostarda ao
Cosmos, tudo é Brahman, ou Tão.
Há implícito o sentido de pertença, o indivíduo é ciente do seu lugar e do
seu destino, que não está no exterior mas no interior.
O mito do significado que é tão difícil de ser sentido pelo ocidental, é
cristalino para o oriental. O significado da existência é a iluminação, o nirvana; a
individuação?

Ao contrário do que se acredita no ocidente, nessa atitude não há uma


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alienação do ser enquanto indivíduo, há sim um sentido de individualidade porém


dentro da totalidade.
Se o ocidente com sua atitude extrovertida, que o levou a um grande
desenvolvimento tecnológico e científico, acredita ser mais desenvolvido que o
oriente, isso só se aplica ao desenvolvimento materialista em relação a índia,
porque a China esteve por milênios à frente do ocidente quanto ao
desenvolvimento, e só recentemente houve uma estagnação relativa, conseqüência
de uma política radical. Mas a concepção religiosa manteve uma ética, outorga,
mais efetiva quanto a esse desenvolvimento, ele foi mais integrado ao meio, menos
abusivo.
O grande problema desses povos deve-se ao grande aumento populacional,
consequência , muitas vezes, como na índia, de sua atitude frente a religiosidade, lá,
por exemplo, não há maior tesouro do que ter filhos, nada no plano material pode
ser superior ao dom da vida. Essa atitude extremada, aliada ao domínio e
exploração ocidental sofrido pela índia, levou ao caos de pobreza que
presenciamos hoje.
Se há hoje uma globalização alterando essas atitudes, principalmente no
Japão e em parte na China, vemos que na índia ela ainda é uma utopia, tanto que só
houve abertura de espaços para o Islamismo, que se alastra com grande força pelo
oriente. Mas o Islamismo também traz com força impressionante o sentido de
pertença, porém a um grupo mais reduzido, ou seja, de povo e não de Cosmos, e tem
claro o significado da vida e o seu prêmio.
Todo fundamentalismo protege o indivíduo, dá segurança, não deixa
arestas para dúvidas, ansiedades.
Só a religiosidade dá sentido e segurança. A ciência e tecnologia só faz
afastar Deus. Se pela razão podemos tentar alcançar a Divindade, por ela também

podemos empurrá-la para a periferia cósmica, tornando cada vez mais difícil seu
encontro, como analisa Paul Davies em seu livro "A Mente de Deus".
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Com efeito as próximas décadas deverão transformar o mundo, as


descobertas no campo da física se aproximam da filosofia oriental. O ocidente
está começando a atinar para o sentido de pertença, como analisa Fritjof Capra
em seu livro "Pertencendo ao Universo".
O caminho, a única saída possível para a humanidade, é integrar essas
polaridades. Introversão e extroversão devem ser vi vendadas alternadamente.
Cada um fixado em seu polo perde metade do mundo como diz o próprio Jung:
("Psicologia e Religião Oriental", págs. 18 e 19) "Ambos são unilaterais, porque
não levam em conta fatores que não se ajustam à sua atitude típica. O primeiro
subestima o mundo da consciência reflexa; o segundo, o mundo do espírito uno. O
resultado é que ambos, com sua atitude extrema, perdem metade do Universo; sua
vida se acha separada da realidade total, tornando-se facilmente artificial e
desumana".
Ambos vêm o outro como alienado, um vivendo a polaridade do
inconsciente e o outro o consciente, ambos negando o polo contrário e quando
lidamos com opostos, essa é uma atitude extremamente arriscada, porque a
rejeição fortalece, e acabamos dominados pelo que desprezamos.
De qualquer maneira a filosofia oriental é fascinante para um psicólogo
junguiano, uma vez que permite estudar e entender um povo com forte vivência
do inconsciente. Jung diz em Psicologia e Religião Oriental (pág. 25): "A atitude
introvertida do oriente não permite que o mundo dos sentidos interrompa sua
ligação vital com o inconsciente".
Não há, no oriente, dicotomia entre ciência e religião, o que existe é um
conhecimento religioso e uma religião cognoscitiva. E no ocidente a única escola
que teve essa postura foi a pitagórica, que foi o auge do sonho de Pitágoras: unir

ciência e religião, mas mesmo esse grande filósofo grego sofreu forte influência do
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oriente durante os 32 anos que lá estudou.


Se o ocidental precisa de um salvador, o oriental possui a capacidade de
auto-libertação, Jung nos estimula a buscarmos em nosso inconsciente esses
valores: descobrir no inconsciente uma tendência introvertida que se assemelhe a
deles. Devemos encontrar dentro de nós mesmos, apesar do temor e resistência, e
não buscar fora através de técnicas, ritos e posturas próprios de outra cultura.
Esse trabalho é possível graças a "função transcendente" que será estudada
em aula específica.

Bibliografia Recomendada

Jung, Carl G. Psicologia e Religião Oriental, Ed. Vozes.

Jung, Carl G. O Eu e o Inconsciente

Jung, Carl G Civilização em Transição

Jung, Carl G Psicologia do Inconsciente

Jung, Carl G e Wilhelm O Segredo da Flor de Ouro