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La Clavis prophetarum: Storia,documentazione e ricostruzione del testo sulla base del ms.706 della Biblioteca Casanatese di Roma
La Clavis prophetarum: Storia,documentazione e ricostruzione del testo sulla base del ms.706 della Biblioteca Casanatese di Roma
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E-book1.108 pagine16 ore

La Clavis prophetarum: Storia,documentazione e ricostruzione del testo sulla base del ms.706 della Biblioteca Casanatese di Roma

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Info su questo ebook

Un regno di Cristo sulla terra prima della fine dei tempi, genti e popoli di ogni dove finalmente in pace fra loro e la grazia di divina tanto abbondante che tutti saranno salvi e si riconosceranno in un Dio unico, ciascuno secondo i suoi costumi, i suoi riti e la sua storia. Era questa, secondo il padre Antonio Vieira, la Clavis Prophetarum, la chiave interpretativa delle grandi profezie bibliche, il cui segreto sarà rivelato solo nel tempo stabilito. Sullo sfondo, la vita e i mondi di un grande gesuita del secolo XVII e un manoscritto che rivede finalmente la luce dopo più di trecento anni: una storia vera che sembra un romanzo e un finale che, semplicemente, non c’è…
LinguaItaliano
Data di uscita7 apr 2018
ISBN9788878536500
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    La Clavis prophetarum - Silvano Peloso

    NELL’ARCA

    Bibliografia Previa

    BIBLIOGRAFIA PREVIA

    Dell’amplissima, ma non sempre coerente ed omogenea bibliografia vieiriana, si segnalano soltanto alcuni titoli principali cui fa riferimento questo libro. Fra parentesi quadra la sigla con cui i testi di più frequente rimando sono indicati nelle note.

    Biblioteche e Archivi

    Archivum Romanum Societatis Iesu:

    Clavis Prophetarum

    ms. Opp. NN. 137-138

    ms. Opp. NN. 369

    Epistolae Brasilienses [ Bras.]

    Brasil. Epistolae 3 I (1550-1660)

    Brasil. Epistolae 3 II (1661-1695)

    Brasil. Epistolae 4 (1695-1737)

    Epistolae Lusitanae [ Lus.]

    Lus. 34 I e II: Lusitania Epist. Gen. 1679-1699

    Lus. 35 I e II: Lusitania Epist. Gen. 1700-1726

    Lus. 38: Lusitania Epist. Gen. Soli 1675-1773

    Lus. 54: Literae Annuae Lusit. 1648-1747

    Lus. 57: Historia et Acta 1687-1728

    Lus. 76: Epistolae Lusitaniae 1700-1756

    Archivio della Pontificia Università Gregoriana di Roma:

    Clavis Prophetarum

    ms. APUG 354

    ms. APUG 359 [G]

    ms. FC 1165/1

    ms. FC 1165/2

    Biblioteca Casanatense:

    Clavis Prophetarum

    ms. 706 [C]

    Biblioteca da Academia das Ciências de Lisboa:

    Compendium Clavis Prophetarum a Sapientissimo Patre Antonio Vieira S. I. scriptum. Tractatus de regno Christi in Terris Consummato ms. 440 Série Vermelha [A]

    Opere di Antonio Vieira

    Sermões - L’ editio princeps dei Sermoni di Antonio Vieira è stata pubblicata a Lisbona fra il 1679 e il 1748. Si dà di seguito l’elenco, nell’ordine originale, spesso non cronologico, dei XV tomi [ Serm.]:

    I - Sermões do P. António Vieira […], primeira parte, João da Costa, Lisboa 1679;

    II - Sermões do P. António Vieira […], segunda parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1682;

    III - Sermões do P. António Vieira […], terceira parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1683;

    IV - Sermões do P. António Vieira […], quarta parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1685;

    V - Sermões do P. António Vieira […], quinta parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1689;

    VI - Sermões do P. António Vieira […], sexta parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1690;

    VII - Sermões do P. António Vieira […], sétima parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1692;

    VIII - Xavier dormindo e Xavier acordado […], oitava parte, Miguel Deslandes, Lisboa 1694;

    IX - Maria Rosa Mystica […], I parte, Lisboa, Miguel Deslandes, Lisboa 1686;

    X - Maria Rosa Mystica […], II parte, Lisboa, na impressão Craesbeeckiana, Lisboa 1688;

    XI - Sermões do P. António Vieira […], undécima parte. Miguel Deslandes, Lisboa 1696;

    XII - Sermões do Padre António Vieira […], parte duodécima, Miguel Deslandes, Lisboa 1699;

    XIII - Palavras de Deos empenhada e desempenhada […]. Miguel Deslandes, Lisboa 1690;

    XIV - Sermões e vários discursos do P. António Vieira […]. Valentim da Costa Deslandes, Lisboa 1710;

    - Vozes Saudosas [...], tomo I, Miguel Rodrigues, Lisboa 1736;

    XV - Sermões vários e tratados ainda não impressos do grande P. António Vieira […] tomo II das Vozes Saudosas, Manuel da Silva, Lisboa 1748

    Sermões , em 15 volumes, prefaciados e revistos pelo Rev. P. Gonçalo Alves, Lello & Irmão, Porto 1959 (1 a ed. 1908-1909).

    Cartas , coordenadas e anotadas por João Lúcio de Azevedo, 3 vols., Imprensa Nacional, Lisboa 1971, (1a ed. 1925-1928) [ Cartas].

    Defesa perante o tribunal do Santo Ofício , introdução e notas do prof. Hernani Cidade, 2 tomos, Livraria Progresso Ed., Salvador 1957 [ DFS].

    Representação perante o Tribunal do Santo Ofício , vol. I e II, edição de Ana Paula Banza, Imprensa Nacional, Lisboa 2008 [ RPS].

    Obras Escolhidas , com prefácios e notas de A. Sérgio e H. Cidade, Vol. VI Vieira perante a Inquisição, Sá da Costa, Lisboa 1952 (Comprende: Carta « Esperanças de Portugal» pp. 1-66; Petição ao Conselho Geral da Inquisição, pp. 67-96; Defesa do livro intitulado Quinto imperio, que é a apologia do livro Clavis Prophetarum e respostas das proposições censuradas pelos Inquisidores, estando reclusos nos cárceres do Santo Ofício de Coimbra, pp. 99-179; Sentença que no tribunal do Santo Ofício de Coimbra se leu ao Padre António Vieira, pp. 180-236; Defeitos do Juízo, processo e sentença na causa do Padre António Vieira; Breve de Isenção das Inquisições de Portugal e mais reinos, pp. 246-250) [ VPI].

    História do Futuro , Livro Anteprimeiro prolegómeno a História do Futuro, em que se declara o fim e se provam os fundamentos della. Materia, Verdade e Utilidades da História do Futuro. Escrito pelo Padre António Vieira da Companhia de Jesus, Pregador de Sua Majestade, na Oficina de António Pedroso Garlão, Lisboa 1718 [ HFV].

    História do Futuro , in Obras Escolhidas, com prefácios e notas de António Sérgio e Hernani Cidade, vol. VIII e IX, Sá da Costa, Lisboa 1953 [ HFC].

    História do Futuro (Livro Anteprimeiro), edição crítica prefaciada e comentada por José van den Besselaar, 2vls., Aschendorffsche Verlagsbuchhandlung, Münster Westfalen 1976 [ HFB1].

    Livro Anteprimeiro da História do Futuro , ed. crítica de José van den Besselaar, Biblioteca Nacional, Lisboa 1983 [ HFB2].

    História do Futuro , introdução do texto e notas por Maria Leonor Carvalhão Buescu, Imprensa Nacional, Lisboa 19922 [ HFCB].

    Apologia das coisas profetizadas , organização e fixação do texto de Adma Fadul Muhana, Cotovia, Lisboa 1994 [ ACP].

    Os Autos do Processo da Inquisição , edição, transcrição, glossário e notas de Adma Muhana, Unesp, São Paulo 1995 [ APV].

    Sermões Italianos , edição, introdução e notas de Sonia N. Salomão, Sette Città, Viterbo 1988 [ Serm. It.].

    Clavis Prophetarum , Livro III, edição crítica, fixação do texto, notas e glossário de Arnaldo do Espírito Santo segundo projecto iniciado com Margarida Vieira Mendes, Biblioteca Nacional, Lisboa 2000.

    As Lágrimas de Heráclito , fixação dos textos, introdução e notas de Sonia N. Salomão, Editora 34, São Paulo 2001.

    Opere varie e contributi critici

    Azevedo, João Lúcio de, História de António Vieira, 2 vols., Livraria Clássica, Lisboa 1992 (1a ed. 1918-1921) [ HAV].

    Barros, André de, Vida do Padre António Vieira, J.M.C. Seabra & T.Q.Antunes, Lisboa 1858.

    Battistini, Andrea, Galileo e i Gesuiti. Miti letterari e retorica della scienza, Vita e pensiero, Milano 2000.

    Besselaar, José van den, Antônio Vieira: Profecia e Polêmica, Eduerj, Rio de Janeiro 2002.

    Cantel, Raymond, Prophétisme et messianisme dans l’oeuvre d’Antonio Vieira, Éditiones Hispano-Americanas, Paris 1960.

    - L’História do Futuro du père António Vieira. Réflexions sur la genèse de l’oeuvre et le différent moments de sa composition, in «Bulletin des Études Portugaises», nouvelle série, Tome XXV, 1964, pp. 23-49.

    Castro, Aníbal Pinto de, O Padre António Vieira e Cosme III de Médicis (com quatro cartas inéditas), in «Revista de História literária de Portugal», I, 1962, pp. 158-190.

    - Correspondentes portugueses de Cosme III de Médicis, Imprensa da Universidade, Coimbra 1965.

    - António Vieira, Uma Síntese do Barroco Luso-Brasileiro, CTT Correios, Lisboa 1997.

    - Retórica e teorização literária em Portugal, Imprensa Nacional, Lisboa 20082.

    Celani, Simone, Clavis Prophetarum: Sententia de Carlo Antonio Casnedi, Sette Città, Viterbo 2007.

    Colombo, Emanuele, Un gesuita inquieto. Carlo Antonio Casnedi (1643-1725) e il suo tempo, Rubbettino, Catanzaro 2007.

    Crisis Paradoxa super tractatu insignis P. Antonii Vieirae Societatis Jesus: De regno Cristi in terris consummato vel de opere illo magno, universalis spei scopo Clavis Prophetarum nuncupato, auctore quodam Lusitano anonymo, Lisboa 1748.

    Freire Gomes, Plínio Um herege vai ao paraíso. Cosmologia de um ex-colono condenado pela Inquisição (1680-1744), Companhia das Letras, São Paulo 1997.

    Hansen, João Adolfo, Vieira: Tempo, Alegoria e História, em «Brotéria», vol. 145, out./nov. 1997, pp. 541-565.

    Leite, Serafim, História da Companhia de Jesus no Brasil, dez tomos, Edição Fac-Símile Comemorativa dos 500 Anos da Descoberta do Brasil, Itatiaia, Belo Horizonte-Rio de Janeiro 2000 (1a ed. 1938-1950) [ S.Leite H.].

    - O P.Antônio Vieira e as ciências sacras no Brasil. A famosa Clavis Prophetarum e seus satélites, in «Verbum», I, 3-4, Rio de Janeiro 1944, pp. 257-279.

    Lopes, António, Vieira o Encoberto, Principia, Lisboa 1999.

    Mendes, Margarida Vieira, A Oratória Barroca de Vieira, Editorial Caminho, Lisboa 1989.

    - A Edição da «Clavis», em «Gênese e Memória», IV Encontro Internacional de Pesquisadores dos Manuscritos e de Edições, Annablume Editora, São Paulo 1995, pp. 137-144.

    - Chave dos profetas: a edição em curso, em AA.VV., Vieira Escritor, org. de Margarida Vieira Mendes, Maria Lucília Gonçalves Pires e José da Costa Miranda, Cosmos, Lisboa 1997, pp. 177-187.

    Mendes, Margarida Vieira e Marquilhas, Rita, A Quarta Mão: um manuscrito da Clavis Prophetarum do Padre António Vieira, in Confluência, n° 9, Rio de Janeiro 1995, pp. 13-21.

    Netto Salomão, Sonia, Antonio Vieira e a Babel das línguas, «Rivista di Studi Portoghesi e Brasiliani», IV, 2002, pp. 77-88.

    Newton, Isaac, Trattato sull’Apocalisse, a cura di Maurizio Mamiani, Bollati Boringhieri, Torino 1994.

    Pécora, Alcir, Teatro do Sacramento. A unidade teológico-retórico-política dos sermões de Antônio Vieira, Edusp, São Paulo 1994.

    Peloso, Silvano, Antonio Vieira e l’Inquisizione: il Quinto Impero e il problema della continuità dell’Impero Romano, in «Roma, Lisbona, Brasilia tra antichità e Futuro – Diritto e profezia nel pensiero di Antonio Vieira», C.N.R., Roma 1988, pp. 1-13.

    - Ut libri prophetici melius intelligantur, omnium temporum historia complectenda est: o Quinto Império de António Vieira e o debate europeu nos séculos XVI e XVII, em AA.VV., Vieira Escritor, org. de Margarida Vieira Mendes, Maria Lucília Gonçalves Pires e José da Costa Miranda, Ed. Cosmos, Lisboa 1997, pp. 177-187.

    - O paradigma bíblico como modelo universalista de leitura em António Vieira, «Brotéria», n. 145, out/nov 1997, pp. 557-564.

    - Inéditos de Vieira: a «Clavis Prophetarum» nos manuscritos romanos, em Actas do Congresso Internacional «Terceiro Centenário da Morte do Padre António Vieira», vol. II, Universidade Católica Portuguesa, Braga 1999, pp. 1030-1036.

    - Messianesimo e profezia: dal Sebastianismo al Quinto Impero di Antonio Vieira, in Civiltà letteraria dei paesi di espressione portoghese – Il Portogallo: dalle origini al Seicento, a cura di L. Stegagno Picchio, Passigli Editori, Firenze-Antella 2001, pp. 557-569.

    - Roma fra universalismo e profezia nel pensiero di Antonio Vieira, in AA.VV., «Roma: Memoria e Oblio», Tielle Media Editore, Roma 2001, pp. 261-271.

    - Antonio Vieira e o Império universal: a história sob o signo da profecia, in «Rivista di Studi Portoghesi e Brasiliani», IV, 2002, pp. 95-104.

    - Antonio Vieira e l’impero universale: la Clavis Prophetarum e i documenti inquisitoriali, Sette Città, Viterbo 2005.

    - Antônio Vieira e o Império universal: a Clavis Prophetarum e os documentos inquisitoriais, Casa doze, Rio de Janeiro 2007.

    Romeiro, Adriana Um visionário na corte de D. João V. R evolta e milenarismo nas Minas Gerais, Editora UFMG, Belo Horizonte 2001.

    Prefazione

    ANTONIO VIEIRA NEL SUO TEMPO E NELLA STORIA DEL FUTURO

    La straordinaria vita di Antonio Vieira (1608-1697), abbracciando quasi tutto il secolo XVII, ha già di per sé del miracoloso e presuppone sullo sfondo il panorama di un tempo segnato da attese escatologiche e da grandi eventi scientifici. Il grande gesuita nasce il 6 febbraio 1608 in una Lisbona che, insieme a Siviglia, è rapidamente diventata una delle metropoli dei traffici e del commercio marittimo mondiale, da quando, dopo Tordesillas (1494), la direttrice dei viaggi di scoperta portoghesi a est e quella spagnola ad ovest si incontrano e si saldano, a metà del Cinquecento, all’altezza delle isole Molucche e delle Filippine, chiudendo il cerchio d’espansione iberica intorno al mondo. In quello stesso anno Francis Bacon inizia la stesura del Novum Organum e Galileo scopre la forma parabolica del moto dei proiettili. Nell’anno successivo, il 1609, esce l’ Astronomia Nova di Keplero e Galileo punta il suo cannocchiale verso il cielo con scoperte tali da rivoluzionare l’antico paradigma aristotelico-tolemaico. Sarà sullo sfondo di questo contesto che Vieira, ancora bambino, nel 1614 si imbarcherà con la famiglia per il Brasile, dove il padre ha ottenuto un incarico presso il tribunale della Bahia. In virtù di questa svolta della sua vita, anche se non lo sa ancora, passerà, in periodi alterni, più di 50 anni della sua lunghissima vita in Brasile; altri quasi quaranta presso la corte portoghese e in una intensa attività diplomatica nelle principali metropoli europee: oltre a Lisbona, Parigi, L’Aja, Amsterdam e, soprattutto, Roma. Attraverserà l’oceano, in un senso e nell’altro, affrontando tempeste e navi corsare, ben sette volte; la prima, come abbiamo visto, quando ha sei anni, l’ultima, per il definitivo rientro in Brasile, nel 1681, quando ne ha già 73 e non s’aspetta certamente di viverne altri sedici.

    Una lunga esistenza, dunque, tutta realizzata nel grande scenario di un disegno provvidenziale che, al di là di tutte le contraddizioni, ha come fine l’uomo e una salvezza, ancorata sì al cielo, ma anche tenacemente costruita nella società in cui si vive. Per questo Vieira fu sempre fautore, in tempi difficili e spesso drammatici, di una visione aperta, solidale e universale del Cristianesimo, si batté con forza per un’apertura religiosa e politica nei confronti degli ebrei e si impegnò praticamente per tutta la vita in difesa degli abitanti del Nuovo Mondo; il che gli costò non pochi scontri con gli apparati di potere, laici e religiosi, del suo tempo. Dal 1663 al 1667, venne anche processato, incarcerato e condannato dall’Inquisizione portoghese, condanna tuttavia mai accettata nella prospettiva di una revisione del processo e infine resa inoperante da papa Clemente X, che lo considerò sempre «suo figlio diletto». La sua opera comprende centinaia e centinaia di testi manoscritti e a stampa che, in parte, ancora attendono di essere raccolti, studiati e riordinati in un quadro complessivo, contemplando, fra l’altro, più di duecento sermoni che costituiscono, oltre al loro valore religioso e di pensiero, autentici gioielli dell’oratoria barocca seicentesca, ai quali si aggiunge, appunto, la Clavis Prophetarum, straordinaria sintesi delle tendenze profetiche ed escatologiche che agitarono in profondità un secolo di significative trasformazioni.

    Volgendo al tramonto l’età delle grandi scoperte geografiche, l’avventura continuava nei cieli con le sorprese e le meraviglie dell’astronomia e della scienza nuova. Così le rivelazioni del Sidereus Nuncius galileiano erano da Tommaso Campanella associate alla scoperta del Nuovo Mondo nella prospettiva di una nuova età che, secondo lui, già era stata annunciata nel mondo classico dai versi profetici della Medea di Seneca e, nel Nuovo Testamento, dalle profezie dell’ Apocalisse (21, 1): «et vidi caelum novum et terram novam», verso citato anche da Vieira nel memorabile Sermão da Epifania (1662), dove le scoperte portoghesi sono assimilate a una nuova Genesi e le imprese dei discendenti di Luso, se non arrivano a porre in causa l’autorità degli antichi filosofi, la collocano, però, in una diversa dimensione. Aspetto che, d’altro canto, torna innumerevoli volte nell’opera di Vieira, come in questo passo del Sermão da terceira dominga do Advento del 1650:

    Nenhuma coisa houve mais assentada na antiguidade que ser inabitável a zona torrida; e as razões com que os filósofos o provavam, eram ao parecer tão evidentes que ninguém havia que o negasse. Descobriram, finalmente, os pilotos e marinheiros portugueses as costas da África e da América, e souberam mais e filosofaram melhor sobre um só dia de vista, que todos os sábios e filósofos do mundo em cinco mil anos de especulação. Os discursos de quem não viu são discursos. Os dictames de quem viu são profecias [1] .

    Nascono da qui quei presupposti di una «filosofia própria» e di una «teologia própria», che Vieira rivendica orgogliosamente davanti all’ Inquisizione: «indo estudar Filosofia de idade de vinte anos, no mesmo tempo compus uma filosofia própria; e passando à Teologia, me consentiram os meus prelados que não tomasse postila, e que eu compusesse por mim as matérias» [2] . Nella stessa maniera, in un contesto completamente diverso, Galileo Galilei, subito dopo la pubblicazione del Sidereus Nuncius aveva parlato di una «scienza interamente nuova e da me ritrovata sin dai primi principi», base, continua Galilei, di una «filosofia propria» contrapposta «ai filosofi dei libri e ai professori», in un secolo, commenterá ancora Tommaso Campanella, «ch’ha più istoria in cento anni che non ebbe il mondo in quattromila» [3] .

    Un anno particolarmente importante per Vieira e, curiosamente, per la storia della scienza non solo di quel periodo, fu il 1642. Da poco tornato dal Brasile, dove aveva studiato nel Collegio della Bahia, era entrato nella Compagnia e aveva iniziato la sua attività di missionario e predicatore, Vieira torna a rivedere il Portogallo e l’Europa dopo ventotto anni, e esattamente il primo gennaio del 1642 pronuncia nella cappella reale di Lisbona il Sermão dos Bons Anos, divenendo presto consigliere e poi predicatore del re Giovanni IV nel regno da poco restaurato. L’8 gennaio di quello stesso anno, Galileo muore nella sua casa di Arcetri a Firenze e il giorno di Natale, sempre del fatidico 1642, in uno sperduto villaggio del Lincolnshire, nasce Isaac Newton. A parte le curiose circostanze temporali, ciò che lega i tre personaggi è, come abbiamo visto, quel richiamo a nuove terre e nuovi cieli già profetizzati da Isaia (LXV, 17) e dall’Apocalisse di Giovanni (XXI, 1 e 2) che, a partire dalla fine del Quattrocento e durante i due secoli seguenti, ma soprattutto durante il Seicento, saranno al centro di uno straordinario dibattito che riguarderà le scienze naturali e quelle divine, la fede e la ragione, le testimonianze bibliche e il metodo sperimentale. A partire naturalmente dal conflitto ermeneutico che si andava via via aprendo tra i riscontri della nuova scienza e i discordanti principi teologici dedotti dalla Bibbia, in un panorama comunque complesso, che implica un pluralismo di voci e una dialettica interna ricca di posizioni divergenti, sia all’interno della società secolare, sia all’interno della stessa Chiesa. Così se Galileo obbietta che, «se bene la Scrittura non può errare, potrebbe nondimeno talvolta errare alcuno de’ suoi interpreti ed espositori in vari modi» [4] , Vieira controbatte al tribunale, che pretende di giudicarlo in maniera sommaria, sostenendo che tutte le sue affermazioni si fondavano «em textos, razão e autores católicos doutos e santos que são os fundamentos especulativos e práticos de toda a probabilidade das opiniões» [5] . Una risposta che rimanda agli «ingegnosi e apparenti discorsi di probabilità» cui fa riferimento, in maniera necessariamente ambigua, il vecchio Galileo nel momento della sua abiura, e, più in generale, a quella «stima dei gradi di probabilità e modo di pesare le prove, le aspettative, le congetture, gli indizi» che si realizza in Leibniz come una vera e propria logica del probabile [6] . Non per nulla anche gli scritti di logica di Leibniz rimasero in gran parte sepolti nella biblioteca reale di Hannover insieme alla mole dei suoi manoscritti e solo verso la fine dell’Ottocento cominciarono a essere studiati e pubblicati. Ciò che è avvenuto, al contrario, solo in parte per la Clavis Prophetarum di Antonio Vieira, la grande opera cui egli dedicò cinquanta anni della sua vita, che considerava il suo progetto più importante e che, come vedremo, destò un grande interesse fra i contemporanei.

    Proprio mentre Vieira a Roma, intorno al 1670, lavorava ad essa, veniva pubblicato ad Amsterdam, anonimo, senza il nome dell’editore e con luogo di edizione falso, il Trattato teologico-politico di Baruc o Bento Spinoza e Isaac Newton portava a termine, esattamente nello stesso periodo, in Inghilterra, un Trattato sull’Apocalisse rimasto inedito per più di tre secoli e pubblicato per la prima volta solo nel 1994 da Maurizio Mamiani [7] . Se Spinoza nella sua opera affermava che il metodo di interpretazione della Scrittura non differisce dal metodo di interpretazione della Natura, ancorando però sostanzialmente tale metodo solo alla storia, Newton si occupava con altrettanta vitalità dell’interpretazione delle profezie bibliche e contemporaneamente della conoscenza del mondo naturale. In effetti non c’è oggi alcun dubbio che le regulae philosophandi della sua opera maggiore (i Philosophiae Naturalis Principia Matematica, Londra 1687), quella per cui egli è considerato il padre della fisica moderna, siano un affinamento e una semplificazione delle regole per interpretare le parole e il linguaggio delle Scritture, che vengono per la prima volta applicate proprio nel Trattato sull’Apocalisse. In realtà per Newton la piena comprensione delle leggi di gravità esigeva la presenza di una forza spirituale e non meccanica nell’universo e, come per Leibniz, l’indagine sulla struttura dell’universo stesso non era separabile dalla ricerca sulle «intenzioni di Dio», per cui le cause finali non servono solo ad ammirare la saggezza divina, ma «a conoscere le cose e ad adoperarle».

    Ora se è vero, come è stato recentemente ipotizzato, che nel corso del XVII secolo possiamo assistere non solo a una separazione, ma anche a un successivo tentativo di conciliazione senza precedenti fra religione, filosofia e scienza, tornando finalmente alla Clavis Prophetarum, che affonda le sue radici proprio in questo humus, possiamo dire che grazie ad essa Vieira contribuirà, dopo l’apparente rottura, alla ricerca di una nuova futura alleanza tra fede e ragione, attraverso una diversa, per i tempi, lettura del profeta Daniele, e in particolare di Daniele 12, 4; come è noto, in questo passo l’angelo prescrive a Daniele di tenere segrete le parole e di sigillare il libro fino al tempo stabilito, aggiungendo, secondo la Vulgata, la frase: «pertransibunt plurimi et multiplex erit scientia», che Vieira traduce «passarão muitos por elas, e haverá sobre a inteligência de seus mistérios grande variedade de ciências e opiniões» [8] . Francesco Bacone, che inserisce la riforma del sapere entro lo schema teologico della caduta e della redenzione, ma separa nettamente la scienza dalla teologia, porrà nel frontespizio della sua Instauratio Magna (Londra 1620) il finale dello stesso testo del profeta Daniele leggermente, ma significativamente, modificato rispetto alla Vulgata: « Multi pertransibunt et augebitur scientia», senza dubbio perché egli vedeva nel passo un aprirsi profetico del mondo al sempre più rapido progredire della scienza. La stessa interpretazione apparirà nella Clavis Apocalyptica di Joseph Mede (Londra 1627), che, attraverso il filosofo platonico Henry More, influenzerà lo stesso Newton, il quale nell’apertura del già citato Trattato sull’Apocalisse commenterà: «Infatti fu rivelato a Daniele che le profezie sugli ultimi tempi dovevano essere chiuse e sigillate fino al tempo della fine: ma allora i saggi intenderebbero e la conoscenza crescerebbe» [9] . Dunque per Newton, interprete anche della cronologia biblica, le profezie sarebbero state rivelate solo alla fine dei tempi, quelli che lui ipotizzava di star vivendo, e allora i saggi (fra i quali egli si collocava) avrebbero capito. Per Vieira, invece, che si rifà correttamente al testo della Vulgata e legge «multi pertransibunt et multiplex erit scientia», lo strumento profetico, precluso agli uomini sul piano divino, diventa un potente fermento di vita e di pensiero sul piano umano, non solo in funzione di ciò che dice, ma, anche e soprattutto, di ciò che non dice, agendo in funzione di una speranza di salvezza che si realizza attraverso la fede, ma operando e ricercando in concreto ( et multiplex erit scientia) attraverso la ragione, in una storia non ancora arrivata alla sua piena realizzazione (consumazione). La stessa oscurità della scrittura, dunque, il soffio di mistero che la muove e la anima, lungi dal costituire un ostacolo insormontabile, rappresenta il primo motore di quella Biblioteca di Dio, che, secondo Leibniz, vive nella mente del Creatore esprimendosi in infiniti mondi possibili.

    Se questo procedimento rappresenta la base dell’esegesi biblica di Vieira, della sua lettura del tempo e della storia come disegno provvidenziale, tanto più risalta in lui la funzione svolta dallo strumento profetico non solo in relazione all’illuminazione divina, ma anche in base a un punto di vista che potremmo definire razionale e conoscitivo, di cui gli stessi profeti furono, sempre secondo lui, i principali interpreti: «Deste modo crescem e se aumentam todas as ciências, não só as naturais, senão as divinas, e por isso se chamam e são ciências» [10] . Vieira riassume molto bene tutto questo nella famosa metafora del labirinto: «Por este modo entraremos nós também pelo escuro e intricado labirinto dos futuros. As profecias e os doutores nos servirão de tochas; o entendimento e o discurso de fio» [11] . Questo non esclude che per Vieira il miglior interprete delle profezie sia sempre il tempo e che esse saranno rivelate solo nel momento stabilito da Dio: « usque ad tempus statutum», come dice l’angelo al profeta Daniele. Ma non sarà inutile l’esercizio esegetico, attraverso il quale, le scienze naturali e quelle divine, fede e ragione, insieme e separate, potranno progredire in funzione della speranza. Un progresso, aggiunge Vieira, che non smentisce o cancella il passato, ma anzi ne accresce i meriti e le finalità. E a questo punto egli si serve di un famosissimo aforisma che ai suoi tempi vantava già secoli di storia: «Um pigmeu sobre um gigante, pode ver mais que ele» e aggiunge «Pigmeus nos reconhecemos em comparação daqueles gigantes que olharam antes de nós para as mesmas Escrituras. Eles sem nós viram muito mais do que nós pudéramos ver sem eles, mas nós, como viemos depois deles e sobre eles pelo benefício do tempo, vemos hoje o que eles viram e um pouco mais [...] mas subidos, por merecimento seus e fortuna do tempo, a tanta altura, não é muito que alcancemos e descubramos um pouco mais do que eles descobriram e alcançaram» [12] . Come è noto, l’aforisma, risale a Bernardo di Chartres (quindi almeno al XII secolo) attraverso una citazione di Giovanni di Salisbury, e nella sua forma più comune si riferisce ai nani e ai giganti. D’altro canto, nella tradizione non solo medievale i Pigmei sostituiscono spesso i nani, e in Vieira è forte anche l’influenza dell’esperienza empirica dei viaggi portoghesi lungo le coste dell’Africa subsahariana. Quanto poi al significato diverso che i vari autori hanno attribuito all’aforisma, siamo certamente in presenza di una grande varietà di esiti e, per restare in tema, citiamo ancora il caso di Newton che in una lettera del febbraio 1675 o 76 a Robert Hooke, che senza mezzi termini lo aveva accusato di avergli rubato la definizione della teoria dei colori, risponde seraficamente: «Se ho visto più lontano è perché stavo sulle spalle dei giganti...» [13] . Una posizione, in fondo, che rende ancora più espressiva la battuta di Galileo secondo il quale, se Aristotele in persona fosse vissuto al suo tempo, avrebbe condiviso il suo metodo, dato che lui stesso si considerava il più autentico dei suoi discepoli; e che, come abbiamo visto, permette al padre Vieira di citare molte volte nelle sue prediche l’indiscussa autorità teologica di S. Agostino, dando ragione al tempo stesso ai piloti delle navi portoghesi e non alle errate ipotesi del santo, quando egli negava l’esistenza degli antipodi. Si trattava del resto di una posizione all’epoca condivisa da quel settore dell’ambito gesuitico volto a salvaguardare i fondamenti della fede e l’insegnamento dei Padri della Chiesa, assicurando al tempo stesso uno spazio per il confronto delle idee, senza preclusioni e chiusure dogmatiche nei confronti di nessuno; così come lo spirito missionario migliore era volto ad assecondare più che a reprimere le culture estranee e diverse cercando, pur tra inevitabili errori, di assorbirne le istanze ritenute meno lontane e pericolose e, in qualche circostanza, è il caso ancora di Vieira, tentando di proporre nuovi e più avanzati modelli al dibattito europeo sul nuovo mondo e i suoi abitanti.

    È in questo quadro che va collocata anche la Clavis Prophetarum e in particolare, al suo interno, Il Tractatus de universali Evangelii praedicatione, che, sullo sfondo della plenitudo temporum e dell’imminente avvento del regno di Cristo sulla terra in un Terzo Stato della Chiesa di gioachimita memoria, affronta il problema, lungamente dibattuto, della salvezza o meno delle genti americane, che non avevano rifiutato il Vangelo, ma erano state geograficamente escluse dalla sua predicazione. La questione non è senza implicazioni: dichiarare la possibilità di salvezza per gli indios significava, infatti, appoggiare la tesi che anche i popoli fuori dalla Chiesa ufficiale, non per loro colpa, potessero essere partecipi della salvezza, e con questo aprire le frontiere del Cristianesimo occidentale a una concezione più universalmente umana e fraterna, capace di abbracciare, attraverso il suo ideale universale, i popoli del Nuovo Mondo e di tutto il mondo. Tale atteggiamento di Vieira si scontrava però con la posizione di papa Alessandro VIII che nel 1690 aveva condannato il peccato filosofico (quello cioè di chi, pur non conoscendo Dio, tuttavia deve presupporlo attraverso la ragione naturale che proibisce qualsiasi malvagità) come peccato mortale, che implicava, dunque, la dannazione eterna. Viera trova una soluzione alternativa al problema in nome di quella «invincibile ignoranza», anche delle leggi naturali, sostenuta dal probabilismo gesuita in contrapposizione al giansenismo (Pascal era intervenuto pesantemente sull’argomento) e ai teologi di Lovanio.

    Più delicata ancora, in termini generali e di diritto canonico, la questione affrontata nel Tractatus de Templo Ezechielis sempre nella Clavis. Qui Vieira sostiene che nel Terzo Stato della Chiesa, segnato dall’avvento del regno di Cristo, gli ebrei saranno liberi di tornare nella loro terra, ricostruiranno il Tempio di Gerusalemme e saranno ripristinati anche i sacrifici, secondo quanto prescritto dall’antica legge. Chiare, anche qui, le grandi implicazioni che derivavano dal suo pensiero a questo rispetto: ipotizzare un possibile ritorno ai riti della antica legge prospettava, infatti, in maniera altrettanto imprevedibile, e aggiungiamo, di una quasi profetica modernità, l’ipotesi di un Cristianesimo universale fondato sulla fede in un unico Dio di tutte le genti, a cui ciascuna potesse rivolgersi, secondo la storia, i costumi e le tradizioni che le fossero propri. Sarà proprio quest’ultimo punto, come vedremo, che sarà fatale alla Clavis per quanto riguarda la licenza per la sua pubblicazione. Rovesciando la situazione creatasi con il processo e il successivo intervento di papa Clemente X, stavolta sarà l’Inquisizione portoghese a voler superare l’opposizione di quella romana, peraltro non poco divisa al suo interno. La stessa Compagnia di Gesù vide succedere in quegli anni al rigorista e anti-probabilista Tirso González (1687-1705) un generale come Michelangelo Tamburini (1706-1730) molto più aperto alle grandi problematiche, non solo religiose, del periodo e impegnato, comunque, fino in fondo, a fianco del grande Inquisitore del Portogallo, cardinale Nuno da Cunha, nella difesa della Clavis Prophetarum. Alla fine, anche il collegio dei revisori, fra cui due cardinali, nominato da papa Clemente XI (1700-1721) si dividerà al suo interno e la proposta di non concedere la licenza di stampa passerà per pochissimi voti. La decisione finale fu presa nel 1719, a più di venti anni dalla morte di Vieira e in parte fu certamente influenzata dalla questione dei cosiddetti riti cinesi, che si trascinò per tutta la seconda metà del secolo XVII e oltre il primo decennio del Settecento, alla fine risolvendosi negativamente attraverso una costituzione pontificia del 1715, che vietava ai cristiani cinesi di praticare alcuni riti legati al confucianesimo; provvedimento al quale l’imperatore reagì proibendo su tutto il territorio la religione cristiana e iniziando una lunga serie di persecuzioni nei confronti dei fedeli. Anche dopo la definitiva censura, comunque, copie e compendi parziali e più o meno autorizzati della Clavis, continuarono a circolare, manoscritti e a stampa, fino alla metà del Settecento e ai drammatici eventi che portarono alla soppressione dell’ordine dei gesuiti. Quello che è seguito, è stato un lungo e spesso imbarazzato silenzio, durato più di due secoli, interrotto finalmente, a cavallo dei due centenari vieiriani (1997 e 2008) coincidenti con il passaggio di millennio, da un rinnovato dibattito inteso a far luce sull’opera che Vieira stesso giudicava la più importante e sul variegato contesto di cui essa fu espressione. Il ms 706 della Biblioteca Casanatense di Roma, che riproponiamo per la prima volta in una trascrizione completa a più di trecento anni dalla sua stesura, fotografa lo stato ultimo di elaborazione dell’opera alla morte di Vieira e prima che altre mani operassero il tentativo impossibile di riordinarla e concluderla con gli sparsi materiali superstiti. Nella sua incompletezza e nelle tracce materiali e visibili della mano censoria, il manoscritto è anche una testimonianza delle appassionate, tormentate e non sempre comprese dispute del secolo che fu di Vieira, le quali, con il loro carico di interrogativi irrisolti e il moltiplicarsi degli universi interpretativi che ne consegue, appartengono sempre più, come emblematicamente voleva il grande gesuita, alla storia del futuro.

    Questo volume nasce da lunghi anni di ricerche, studi e dibattiti, anche a livello internazionale, con un grande numero di studiosi e colleghi, cui va il mio ringraziamento, unitamente all’équipe di ricerca della Cattedra Antonio Vieira dell’Università di Roma La Sapienza: in particolare a Sonia Netto Salomão, per quanto riguarda le ricerche in Brasile, e a Simone Celani e Francesco Genovesi, che si sono dedicati a un prezioso lavoro di trascrizione e correzione del testo latino dell’opera. Quando le celebrazioni del quarto centenario della nascita di Vieira sono ormai dietro di noi, possiamo ripartire proprio da qui, continuando ad arrampicarci sulle spalle di questo gigante per poter rivolgere il nostro sguardo, come lui voleva, oltre e più lontano.

    Roma, aprile 2009


    [1] 1 Serm., V, 112-113.

    [2] VPI, p. 158.

    [3] Rosario Romeo, Le scoperte Americane nella coscienza italiana del Cinquecento, Laterza, Roma-Bari 1989, p. 140.

    [4] Lettera a Benedetto Castelli, riportata in Andrea Battistini, Galileo e i gesuiti, miti letterari e retorica della scienza, Vita e Pensiero, Milano 2000, p. 100.

    [5] DFS, II, pp. 292-293.

    [6] Cfr. sull’argomento Massimo Mugnai, Introduzione alla filosofia di Leibniz, Einaudi, Torino 2001, pp. 253-263.

    [7] Isaac Newton, Trattato sull’Apocalisse, a cura di Maurizio Mamiani, Bollati Boringhieri, Torino 1994.

    [8] HFV, 194.

    [9] Isaac Newton, Trattato sull’Apocalisse, cit., p. 3.

    [10] HFV, 168.

    [11] HFV, 174.

    [12] HFV, 185-187.

    [13] Cfr. Robert K, Merton, Sulle spalle dei giganti, Il Mulino, Bologna 1991, pp. 37-41.

    ​ANTONIO VIEIRA

    BREVE CRONOLOGIA DELLA VITA E DELLE OPERE

    1608 - Il 6 febbraio Antonio Vieira, figlio di Cristóvão Vieira Ravasco e D. Maria de Azevedo, nasce a Lisbona.

    1609 - Cristóvão Vieira ottiene un incarico da scrivano presso il tribunale della Bahia in Brasile.

    1614 - Vieira e la madre partono per la Bahia. Il piccolo entra come alunno nel Collegio dei Gesuiti della città.

    1623 - L’anno della vocazione: fugge di casa e chiede, contro il parere del padre, di entrare come novizio nella Compagnia di Gesù.

    1624 - Per alcuni mesi gli Olandesi controllano la città. Vieira fugge con i padri della Compagnia nel villaggio di Espírito Santo, all’interno della regione.

    1625 - Bahia è riconquistata dai Portoghesi. Pronuncia i primi voti. Inizia lo studio delle lingue degli indios.

    1626 - Riceve l’incarico di scrivere la Carta Ânua al generale della Compagnia, sua prima opera conosciuta; nella lettera, in latino, descrive l’invasione olandese della Bahia. È nominato professore di retorica nel Collegio di Olinda. Fa la sua prima esperienza come missionario nel villaggio di Espírito Santo.

    1630 - Olinda e Recife sono conquistate dagli Olandesi. Vieira è studente di filosofia nel Collegio della Bahia.

    1632 - Studia teologia.

    1633 - Pronuncia il suo primo sermone nella Igreja da Conceição da Praia, a Bahia: è il Sermão da Quarta Dominga da Quaresma.

    1634 - È ordinato sacerdote. Pronuncia il Sermão de S. Sebastião.

    1637 - Completa gli studi, ottenendo il titolo di «Mestre em Artes».

    1638 - Gli Olandesi occupano il Ceará e attaccano Bahia, che resiste. Vieira partecipa alla difesa della città. Dopo l’attacco, pronuncia il Sermão pela vitória das nossas armas contra os Holandeses. È nominato professore di Teologia nel Collegio.

    1640 - Vieira a Bahia pronuncia il Sermão pelo Bom Successo das armas de Portugal contra as de Holanda. Restaurazione in Portogallo e fine dell’Unione Iberica. D. João IV de Bragança è il nuovo re.

    1641 - Vieira è inviato in Portogallo con D. Fernando de Mascarenhas, figlio del viceré del Brasile, e il gesuita Simão de Vasconcelos, per portare l’adesione ufficiale della colonia al nuovo re. Dopo un difficile viaggio, l’ambasciata raggiunge Peniche il 18 di aprile, e subito i suoi membri sono trattenuti come traditori, poiché il fratello di D. Fernando aveva preso posizione a favore della Spagna. Liberati, proseguono per Lisbona, dove giungono il 30 di aprile. Qui Vieira incontra per la prima volta D. João IV.

    1642 - Il primo di gennaio prega, nella Cappella Reale di Lisbona, il Sermão dos Bons Anos. Il re lo nomina suo consigliere.

    1643 - In una petizione propone al re alcune soluzioni per ristrutturare l’economia portoghese: la creazione di due Compagnie di Commercio, la valorizzazione della professione di mercante, la limitazione dei poteri fiscali dell’Inquisizione, l’abolizione delle distinzioni fra cristãos-novos e cristãos-velhos, queste ultime due per favorire gli investimenti in patria di cristãos-novos ed ebrei portoghesi dispersi nel resto d’Europa.

    1644 - È nominato predicatore del re. Pronuncia i voti definitivi.

    1646 - È inviato in missione diplomatica in Olanda, per trattare la restituzione del Pernambuco brasiliano ai portoghesi.

    1647 - Consegna al re una nuova petizione, nella quale chiede un più equo trattamento da parte dell’Inquisizione per cristãos-novos ed ebrei, e l’esenzione fiscale dei loro capitali investiti nel commercio portoghese. È inviato in Francia, per combinare il matrimonio del principe D. Teodósio, ma durante il viaggio è catturato dai corsari e portato a Londra. Giunto finalmente a Parigi, incontra il Cardinale Mazzarino e Anna d’Austria, ma il progetto matrimoniale fallisce. In questo periodo comincia a lavorare al progetto della Clavis Prophetarum e ne parla con i confratelli francesi. Quindi riparte per l’Olanda, con lo scopo di riaprire le trattative per la restituzione del Pernambuco.

    1648 - Rimane ancora dieci mesi in Olanda; prende contatto con le comunità degli ebrei portoghesi di Amsterdam. Durante questo soggiorno incontra il rabbino Menasseh ben Israel, autore dell’opera Esperanças de Israel, con cui sostiene intensi dibattiti teologico-religiosi. Di ritorno a Lisbona, consegna al re un suo scritto, denominato Papel Forte, in cui difende la cessione provvisoria del Pernambuco agli Olandesi. La proposta incontra una forte opposizione.

    1649 - Creazione della Compagnia Generale di Commercio del Brasile, anche grazie all’utilizzo del capitale dei cristãos-novos, che viene dichiarato esente da confisca. Giunge l’ordine affinché Vieira venga espulso dalla Compagnia. Il re gli offre la nomina a vescovo, ma lui rifiuta. Grazie alla sua protezione può, però, rimanere nella Compagnia.

    1650 - In missione in Italia, ufficialmente per verificare nuove possibilità di matrimonio per il principe D. Teodósio; primo soggiorno a Roma. Una missione più riservata prevede che Vieira tenti di promuovere a Napoli una rivolta contro gli Spagnoli. Entrambi gli obiettivi falliscono, e Vieira, minacciato di morte dall’ambasciatore spagnolo, è costretto a fuggire precipitosamente da Roma.

    1651 - Diminuita la sua influenza a Corte, Vieira decide di tornare in Brasile, per lavorare alla ricostituzione delle missioni gesuitiche nel Maranhão.

    1652 - Parte da Lisbona per il Maranhão; passa per l’arcipelago di Capo Verde.

    1653 - Giunge a S. Luís do Maranhão. Qui comincia a dirigere le attività missionarie, estendendole più a nord e viaggiando anche sul Rio delle Amazzoni. Apprende e utilizza numerose lingue indigene. Difende in varie occasioni gli indios contro i coloni che vogliono schiavizzarli. Scrive numerose lettere al re per ottenere provvedimenti in materia.

    1654 - Il Pernambuco ritorna in possesso del Portogallo. Vieira pronuncia il Sermão de S. António aos Peixes. A giugno, s’imbarca per Lisbona al fine di ottenere una nuova legge che risolva la situazione degli indios. Vicino alle Azzorre incappa in una terribile tempesta, ed è poi imprigionato da corsari olandesi. Rilasciato nelle Canarie, giunge infine a Lisbona a novembre.

    1655 - Pronuncia nella Cappella Reale il Sermão da Sexagésima e nella Igreja da Misericórdia il Sermão do Bom Ladrão. Ottiene dal re la Lei de Liberdade dos Índios. Torna nel Maranhão.

    1656 - Muore D. João IV. La regina D. Luísa de Gusmão è nominata reggente.

    1658 - Pronuncia l’elogio funebre di D. João IV.

    1659 - Muore il principe D. Teodósio. Vieira percorre l’Amazzonia; scrive al padre André Fernandes, vescovo del Giappone e confessore della regina, la lettera Esperanças de Portugal, nella quale espone le sue idee messianiche, basate sulle profezie di Gonçalo Eanes Bandarra.

    1660 - Il Consiglio Generale del Sant’Uffizio chiede al padre André Fernandes la consegna della lettera Esperanças de Portugal col fine di esaminarla.

    1661 - I coloni del Pará si rivoltano contro i Gesuiti, che vogliono impedire la cattura degli indios. Vieira, con altri confratelli, è imprigionato, inviato nel Maranhão e quindi a Lisbona, dove giunge a novembre.

    1662 - Pronuncia il Sermão da Epifania nella Cappella Reale. È nominato confessore del principe D. Pedro. A giugno una rivolta di palazzo toglie la reggenza alla regina D. Luísa e consegna il regno a D. Afonso VI. Molti amici della regina vengono esiliati. Vieira è inviato a Porto.

    1663 - A febbraio è trasferito da Porto a Coimbra. Qui riprende a studiare e a scrivere, ma è spesso interrotto da una malattia che minaccia in diverse occasioni la sua vita. A giugno è chiamato per la prima volta a comparire davanti al Tribunale dell’Inquisizione di Coimbra, per deporre sulla lettera Esperanças de Portugal. Il 3 ottobre è dichiarato reo. Gli interrogatori continuano.

    1664 - Ottiene la possibilità di scrivere una difesa. Ma la malattia gli impedisce ancora di lavorare con continuità. Il 23 di dicembre dovrebbe comparire nuovamente davanti al Tribunale e consegnare la difesa, che però non è pronta. Ottiene una proroga fino alla Pasqua successiva.

    1665 - Alcuni capitoli della sua opera profetica principale, alla quale aveva lavorato anche durante l’anno precedente, vengono inviati al re per ottenerne l’appoggio. Si ammala nuovamente, e non può comparire davanti al Tribunale. A settembre gli viene ordinato di consegnare tutte le carte in suo possesso. A ottobre viene incarcerato. Scrive la sua difesa disponendo del solo breviario e, più tardi, di una Bibbia.

    1666 - Muore D. Luísa de Gusmão. Nuovi interrogatori; Vieira è accusato di eresia giudaizzante.

    1667 - Si concludono le sessioni dell’esame inquisitorio. Vieira riceve la notizia decisiva che anche il Papa ha sottoscritto le accuse dell’Inquisizione portoghese; scrive un’ultima difesa, ma poco dopo il processo si chiude. Il 23 di dicembre, nell’aula dell’Inquisizione di Coimbra, viene letta la sentenza, che prevede la privazione della facoltà di predicare e della voce attiva e passiva, la proibizione di tornare a trattare delle proposizioni condannate, la reclusione in una casa della Compagnia, oltre all’obbligo di pagare tutte le spese del processo. Nel frattempo si produce un nuovo rovesciamento politico a corte: D. Afonso VI cede la reggenza al fratello D. Pedro.

    1668 - È recluso nel Collegio di Coimbra e poi nella sede del Noviziato di Cotovia a Lisbona; ma i cambiamenti politici dovuti alla presa del potere da parte di D. Pedro ricreano una situazione a lui parzialmente favorevole. A giugno gli viene concesso il perdono e viene rimesso in libertà, ma rimane la proibizione a trattare delle proposizioni condannate.

    1669 - Parte per Roma: la motivazione ufficiale del viaggio è difendere la canonizzazione di P. Inácio de Azevedo e di altri 39 gesuiti uccisi da corsari calvinisti nel 1570; la motivazione personale, ottenere la revisione del processo inquisitorio. Il 21 di novembre viene ricevuto trionfalmente alle porte della città; il generale della Compagnia, Giovanni Paolo Oliva, dimostra di apprezzare notevolmente Vieira, e lo introduce nei più importanti circoli culturali romani, fra i quali la corte di Cristina di Svezia. Alla fine dell’anno muore Clemente IX.

    1670 - Viene eletto papa Clemente X. Vieira, oltre che della canonizzazione dei martiri gesuiti, riprende ad occuparsi anche di altri progetti, come la creazione di una Compagnia delle Indie e il problema dei cristãos-novos. Pronuncia, nella chiesa di Sant’Antonio dei Portoghesi, il suo primo sermone romano, il Sermão do Mandato.

    1672 - È nominato predicatore ufficiale di Cristina di Svezia. Grazie all’incitamento del Generale Oliva, pronuncia il suo primo sermone in italiano: si tratta del Sermone delle Stimmate di S. Francesco, stampato a Roma nello stesso anno. In questo periodo torna anche a lavorare sui sermoni, per prepararne la pubblicazione, e sui temi messianici, riprendendo la redazione della Clavis Prophetarum che lo accompagnerà fino alla fine della vita.

    1673 - Collabora alla redazione di un documento che denuncia i metodi dell’Inquisizione portoghese, e che contribuirà alla promulgazione, nell’anno seguente, di un breve pontificio che ordina la sospensione di autos-da-fé e processi.

    1674 - Pronuncia nuovi sermoni in italiano: Le Cinque Pietre della Fionda di David, in cinque parti, e il Sermone del Beato Stanislao Kostka. A dicembre, nella Accademia Reale di Cristina di Svezia, partecipa ad una disputa accademica nella quale si pronuncia a favore de Le Lacrime di Eraclito contro Il Riso di Democrito, difeso dal gesuita italiano Girolamo Cattaneo.

    1675 - In risposta ad un memoriale inviato al papa e che racconta le ingiustizie subite durante il processo inquisitoriale, il 17 aprile ottiene un breve papale che approva le sue posizioni e lo esenta dalla giurisdizione dell’Inquisizione portoghese. Il 22 maggio parte da Roma, giungendo in agosto a Lisbona, ma il principe reggente e la corte lo ricevono freddamente.

    1679 - Esce il primo tomo dei Sermões.

    1680 - Viene approvata una nuova legge sullo statuto giuridico degli indios brasiliani. Vieira riceve dal generale Oliva la proposta di tornare a Roma come confessore di Cristina di Svezia, ma rifiuta, adducendo l’età e i problemi di salute.

    1681 - Il 27 di gennaio parte definitivamente per il Brasile, dove eserciterà la funzione di Superiore delle Missioni. Sceglie di risiedere nella Quinta do Tanque, al tempo poco fuori dalla città di Bahia, dove lavora alla pubblicazione dei sermoni e alla Clavis Prophetarum.

    1682 - Esce il secondo tomo dei Sermões.

    1683 - Il 4 di giugno l’ Alcaide-Mor di Bahia viene assassinato da otto uomini mascherati; gli uomini si rifugiano nel Collegio dei Gesuiti. Il governatore del Brasile accusa Bernardo Ravasco, fratello di Vieira, e il figlio Gonçalo, cercando di implicare nel delitto anche il gesuita. Tre anni dopo giungerà l’assoluzione dei Ravasco, difesi da Vieira. Alla fine dell’anno muoiono D. Afonso VI e D. Maria Francesca di Savoia, moglie di D. Pedro. Vieira pronuncia l’elogio funebre della regina, il sermone Palavra de Deus empenhada. Esce il terzo tomo dei Sermões.

    1685 - Esce il quarto tomo dei Sermões.

    1686 - Vieira scrive la Carta apologética, diretta al Padre Jácomo Iquazafigo, nella quale difende le sue posizioni messianiche, in risposta ad uno scritto diffamatorio di un domenicano spagnolo. Esce la prima parte della raccolta intitolata Maria Rosa Mística (nono tomo dei Sermões).

    1688 - È nominato ‘Visitador Geral do Brasil’, e vive per tre anni fra il Collegio della Compagnia e la Quinta do Tanque. Manifesta la sua opposizione alla legislazione vigente riguardante gli indios. Esce la seconda parte della raccolta intitolata Maria Rosa Mística (decimo tomo dei Sermões).

    1689 - Esce il quinto tomo dei Sermões.

    1690 - Escono la raccolta Palavra de Deus empenhada e desempenhada (tredicesimo tomo dei Sermões) e il sesto tomo dei Sermões. In Messico Sor Juana Inés de la Cruz pubblica la sua Carta Atenagórica, nella quale critica alcune posizioni di Vieira, basandosi su uno dei Sermões do Mandato.

    1691 - Conclude il triennio come ‘Visitador’.

    1692 - Il re chiede al Governatore del Brasile di redigere con Vieira una nuova legislazione dedicata agli indios. Esce il settimo tomo dei Sermões.

    1694 - Nuovi conflitti con i coloni a São Paulo sulla questione degli indios: Vieira si oppone nuovamente a una legislazione a loro sfavorevole. Successivamente, per contrasti interni, la Congregazione provinciale di Bahia lo priva della voce attiva e passiva, ossia del diritto di votare ed esser votato. Vieira scrive diverse lettere al Generale della Compagnia per ottenere una revisione del provvedimento. Una grave caduta dalle scale limita la sua autonomia; lo aiuta nel lavoro il segretario, P. José Soares. Esce l’ottavo tomo dei Sermões.

    1695 - Giunge una prima risposta del Generale della Compagnia, che si pronuncia a favore di Vieira in relazione al suo ricorso. Scrive un pamphlet dedicato all’interpretazione profetica delle apparizioni delle comete, dal titolo Voz de Deus ao mundo, a Portugal e à Bahia.

    1696 - Nuova grave caduta. Ammalato, a giugno lascia la Quinta do Tanque e si trasferisce definitivamente nel Collegio. Esce l’undicesimo tomo dei Sermões. A partire dalla metà dell’anno, il padre Antonio Maria Bonucci si trasferisce nel Collegio della Bahia per aiutare Vieira a rivedere e completare la Clavis Prophetarum.

    1697 - Ormai quasi cieco, il 12 di luglio detta la sua ultima lettera, indirizzata al Generale della Compagnia. Con essa invia a Roma il XII e ultimo tomo dei Sermões, secondo il progetto formulato nel 1679. Muore 10 giorni dopo, il 18 di luglio, a 89 anni, senza aver potuto completare la Clavis Prophetarum. Dopo la sua morte viene resa pubblica la sentenza dei revisori di Roma, che dichiara nulla la risoluzione della Congregazione che l’aveva privato della voce attiva e passiva. Tutti i suoi manoscritti, i suoi libri e le sue carte, per disposizione superiore, vengono raccolti e chiusi in un unico baule con duplice chiave, affidata rispettivamente al rettore del Collegio e al padre provinciale.

    1699 - Esce postumo il dodicesimo tomo dei Sermões, l’ultimo preparato dall’autore.

    1710 - Esce il quattordicesimo tomo dei Sermões, con alcuni testi che Vieira non aveva fatto in tempo a pubblicare e altri documenti che lo riguardano.

    1718 - Esce la prima edizione del Livro Anteprimeiro da História do Futuro.

    1748 - Esce, a cura di André de Barros, il quindicesimo e ultimo tomo dei Sermões con prediche e altri documenti inediti. Molti altri scritti, le lettere e gli atti relativi al processo inquisitoriale, saranno pubblicati molto più tardi e in tappe successive; la Clavis Prophetarum, dovrà attendere più di tre secoli, per avere edizioni conformi ai progetti originali dell’autore, all’alba del terzo millennio.

    (a cura di Simone Celani)

    INTRODUCTIO

    DE REGNO CHRISTI IN TERRIS CONSUMMATO

    «Por agora só digo em comum que a suposição e assunto do dito discurso é que a Igreja e reino de Cristo há-de chegar a um estado perfeito, completo e consumado, o qual estado será diverso, posto que sem essencial diferença, como em seu lugar se explicará. Consiste a diferença e perfeição deste estado consumado da Igreja, em que todo o mundo se converterá e universalmente será cristão; e que todos os Cristãos, pela maior parte, serão mui observantes da lei divina; em que todos os Príncipes e nações viverão em paz segura, cessando totalmente as armas e guerras; e em que, neste felice tempo, sendo mais copiosa a graça, se encherá o número dos predestinados em todas as gentes; e este será finalmente o que, com toda a propriedade, se chamará Reino e Império de Cristo, por ser então o mesmo Cristo o que só reinará em todo o mundo, sendo conhecido, adorado e obedecido de todos».

    (Antonio Vieira, Representação Segunda)

    «As quais coisas todas, como tão raras e maravilhosas, e tão diversas do curso ordinário com que a Providência divina até agora tem governado o mundo, bem claramente se vê quanto estudo requerem e quão dificultosas serão de demonstrar e persuadir, principalmente havendo de ser provadas e deduzidas de textos muito expressos da Sagrada Escritura, e autoridades dos Santos e de gravíssimos Doutores antigos e modernos, e revelações particulares de santos canonizados e outras pessoas insignes em espírito de profecia […]. E algum houve que, considerando a grandeza e importância de muitas das ditas matérias e a utilidade que do conhecimento delas se pode seguir à universal Igreja e à conversão de muitas almas, julgou e disse que eram merecedoras as ditas matérias, de que na Igreja se fizesse um Concílio para maior qualificação delas».

    (Antonio Vieira, Petição ao Conselho Geral)

    «Clavem tamen istam, quinquaginta annorum opus, ex longa Sanctorum Patrum, aliorumque gravissimorum auctorum lectione paratum, solidissimis rationibus, totamque ingenii vi propugnatum ac summo iudicio, non minus erudite quam dilucida oratione elocutionique dispositum, tanti faciebat ut libens igni reliqua omnia dare non dubitaret, si hunc librum adhuc imperfectum consummare et lento ad metam gradu perducere rigidissimus in eo examinando iudex valeret».

    (Giovanni Antonio Andreoni, Compendium Vitae pereximii Patris Antonii Vieira)

    LA CLAVIS PROPHETARUM

    STORIA DI UN GRANDE PROGETTO

    1. Il primo periodo di elaborazione dell’opera (1646-1648)

    La Clavis Prophetarum si trova citata per la prima volta da Antonio Vieira, in maniera documentata, nel corso dell’interrogatorio e degli atti relativi alla seconda udienza del processo inquisitoriale, il 25 settembre del 1663. Ad una domanda dell’inquisitore Alexandre da Silva se per caso abbia composto o stia componendo testi od opere ed eventualmente di che materia trattino, Vieira fornisce una risposta che è per noi della massima importanza e che il verbale della seduta registra fedelmente:

    Disse que de presente e ainda de dez anos a esta parte em que começou a aplicar-se às missões do Maranhão não compôs nem compõe papel ou livro algum, e somente de ordem de seus superiores, quando tinha lugar para isso, tratava de limpar alguns dos seus sermões para os dar à impressão. Mas que, antes do dito tempo, de dezoito anos a esta parte, andava estudando e compondo um livro, que determina intitular Clavis Prophetarum, cujo principal assunto e materia é mostrar por algumas proposições, com lugares da Escritura e Santos, que na Igreja de Deus há de haver um novo estado diferente do que até agora tem havido, em que todas as nações do mundo hão de crer em Cristo Senhor nosso, e abraçar nossa Santa Fé Católica; e que há de ser tão copiosa a graça de Deus, que todos, ou quase todos os que então viverem, se hão de salvar [...] [1] .

    L’indicazione temporale ci riporta agli anni 1645-46: è a partire da questo momento che Vieira dice di aver cominciato non solo a pensare, ma anche a comporre la Clavis Prophetarum, lavoro poi interrotto nel periodo 1652-1661, in cui si dedica interamente alle missioni del Maranhão e dell’Amazzonia, salvo un lavoro di ripulitua e rifinitura dei sermoni per la stampa, che gli è stato ordinato dai superiori. Si tratta di anni importanti in cui Vieira elabora il progetto, ne discute con alti esponenti della Compagnia, teologi ed esperti delle Scritture, e infine stende degli appunti e degli abbozzi di capitoli, che verranno più tardi riutilizzati. Sarà proprio su questi punti che si soffermerà, non per caso, l’attenzione dell’inquisitore Alexandre da Silva, che ha l’occasione di mettere nuovamente in difficoltà l’accusato:

    Perguntado em que língua determinava compor o dito livro, digo compor e imprimir o dito livro, quantos cadernos terá já feitos dele, onde os tem, e se se lembra dos fundamentos e proposições com que provava o assunto e matéria dele, disse que tratava de compor o dito livro na língua latina, que o não tem ainda reduzido a cadernos, porque só fez alguns apontamentos, que lhe ficaram entre outros papéis no Colégio do Maranhão ou em alguma residência dele de que ao certo não é lembrado, e que o principal estudo que fez para o dito livro foi de memória, como ordinariamente costuma em seus estudos, e que os fundamentos do mesmo livro é uma matéria vastíssima que se não atreve a repeti-la nesta Mesa [2] .

    Da questo momento in poi, nelle sedute successive, sarà più volte interrogato su quella «materia vastissima» e incalzato a consegnare quelle carte, sia pure sotto forma di memorie difensive, fatto che però produrrà effetti contrari a quelli desiderati: il fronte delle accuse si amplierà e si articolerà, nonostante la sua straordinaria forza dialettica, fino alla condanna definitiva, che giungerà nel novembre 1667, dopo un processo durato quattro anni.

    Ci siamo soffermati su questi passi, perché sono di fondamentale importanza per una prima datazione della Clavis, e quindi per un esame e una valutazione complessiva dell’articolazione e dello sviluppo del pensiero profetico di Vieira nell’arco della sua lunga esperienza di vita. Del resto, nella settima udienza del processo, che ha luogo il 14 febbraio 1664, egli conferma quanto dichiarato in precedenza, aggiungendo altri particolari:

    Disse que algum dia de dezoito anos a esta parte, tratava de compor um livro intitulado Clavis Prophetarum, como já tem declarado nesta Mesa, cujo principal assunto era a inteligência dos profetas; e que, para explicação disto era necessário tratar, por alguma maneira, da duração da Igreja Católica, não limitando nem determinando o tempo da dita duração, senão na forma que os Doutores o tratam e explicam na exposição dos mesmos profetas, principalmente do Apocalipse [3] .

    Nella Petizione inviata, inoltre, al Consiglio Generale dell’Inquisizione il 21 settembre 1665, regolarmente archiviata negli atti processuali, egli afferma poi quanto segue:

    Provará que, comunicando em diversos tempos o assunto e conclusões das sobreditas matérias a várias pessoas das mais douta da sua Religião, Portugueses, Espanhóis, Italianos e Franceses, todos aprovaram o dito assunto e os fundamentos dele; posto que reconheceram que ao princípio havia de ter alguma contradição como a tiveram sempre todas as coisas novas e grandes […] E houve entre as ditas pessoas doutas quem se ofereceu a escrever e compor o dito livro ou livros, vistas as indisposições e ocupações dele suplicante, se ele o quisesse consentir, e dar e apontar os textos e fundamentos de que tinha feito estudo. E algum houve que, considerando a grandeza e importância de muitas das ditas matérias e a utilidade que do conhecimento delas se pode seguir à universal Igreja e à conversão de muitas almas de ateus, gentios, judeus, e de todo o outro gênero de infiéis, e hereges, julgou e disse que eram merecedoras as ditas matérias de que na Igreja se fizesse um Concílio para maior qualificação delas [4] .

    Il passo non può non suscitare l’interesse degli inquisitori che, infatti, nella 23a sessione del processo, in data 21 aprile 1667, gli chiedono di dichiarare il nome di qualcuno dei padri della Compagnia per i quali l’ampiezza e la profondità della materia trattata nella Clavis era addirittura degna di un Concilio. La risposta di Vieira non si fa attendere ed è così precisa per quanto riguarda persone, luoghi e circostanze da risultare per noi testimonianza quanto mai preziosa:

    Disse que, haverá vinte anos pouco mais ou menos, na casa professa de São Luís da Companhia de Jesus da cidade de Paris Corte de França, disse a ele declarante o Padre João Causino, cujo nome lhe esquece, confessor que foi de el-Rei Luís XIII, comunicando-lhe ele declarante o assunto do livro que determinava compor e do qual já tem dado conta nesta mesa às folhas 9 deste processo acerca de haver na Igreja de Deus, na última idade e estado dela, outro diferente e de maior perfeição do que até agora tem havido, ao qual livro determinava intitular Clavis Prophetarum ou De regno Christi Consummato [...]; que lhe parecia a dita matéria gravíssima e as mais palavras que na pergunta se contém, e que nenhuma outra pessoa lhe dissera coisa semelhante acerca de merecer o assunto do livro haver-se de fazer um Concílio [5] .

    Pur nello stile prolisso e un po’ contorto del verbalizzatore, la dichiarazione di Vieira è ricca di dati e notizie che vale la pena esaminare attentamente. In sostanza egli afferma di avere incontrato a Parigi il confratello João Causino, o Nicolas Caussin (con un errore riguardo al nome di battesimo, che Vieira ammette di non ricordare bene), confessore del re Luigi XIII e avversario del Cardinale Richelieu [6] . L’incontro è avvenuto a Parigi, a circa vent’anni di distanza da quando Vieira parla (21 aprile 1667); siccome egli nel periodo in questione si ferma a Parigi solo in due circostanze (dal 21 febbraio al 2 aprile 1646; e dall’11 ottobre al 22 novembre 1647), nel corso delle due missioni diplomatiche che dovevano poi portarlo anche in Olanda, possiamo con esattezza assegnare l’avvenimento a uno di questi due periodi, e dunque al biennio 1646-47. Viera parla con il gesuita francese non di un vago progetto, ma di un libro, cui stava già lavorando da qualche tempo, cui aveva già dato un titolo e per il quale aveva svolto delle ricerche, i cui risultati mostra al suo interlocutore nella biblioteca della casa professa di Parigi per avvalorarne il contenuto.

    Dunque, in questo momento il progetto della Clavis, almeno per quanto riguarda lo studio, la ricerca dei testi e la relativa elaborazione, aveva già avuto un suo sviluppo, confermando quanto egli aveva affermato nelle prime udienze del processo. Da notare che Vieira accenna qui verbalmente per la prima volta al De regno Christi Consummato, un titolo aggiunto che, soprattutto dal secondo periodo romano in poi, si accompagnerà spesso al titolo principale e la cui origine verrà spiegata in una successiva memoria difensiva:

    Com todas as sobreditas observações, lendo eu por muitas vezes todos os profetas e por algumas toda a Escritura, e trabalhando por descobrir nela o sentido genuino e literal pretendidos pelos escritores sagrados, vim a dar neste infelice pensamento, do qual comecei a fazer mais caso depois que, havendo-o comunicado (como tenho dito) com os mais doutos Theólogos e Escriturários da minha Religião na Europa, todos aprovaram e

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