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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA

Núcleo de Tecnologia - NT
Departamento de Engenharia Civil - DECIV

Disciplina

ALVENARIA ESTRUTURAL
– CIV30151

Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro


Introdução
Conceitos: O que é alvenaria?
Segundo o dicionário “Alvenaria é: arte, ofício ou ocupação de pedreiro ou
alvenel, pedra não lavrada com que se erguem paredes, muros etc; qualquer
obra de pedra e cal; processo de construção, muro ou obra similar que
consiste na moldagem de material granuloso, misturado com ligante”

Todavia chamamos de alvenaria ao conjunto de “peças justapostas coladas em


sua interface, por uma argamassa apropriada, formando um elemento
vertical coeso”
Esses conjuntos coesos servem para vedar espaços, resistir a carga oriunda da
gravidade, promover segurança, resistir a impacto, à ação do fogo, isolar e proteger
acusticamente os ambientes, contribuir para manutenção do conforto térmico, além
de impedir a entrada de vento e chuva no interior dos ambientes.
Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Introdução
A Alvenaria Estrutural pode ser classificada quanto ao tipo de sistema construtivo
empregado, quanto ao tipo de unidades ou ao material utilizado.

 Alvenaria Estrutural Armada → processo construtivo em que, por


necessidade estrutural, os elementos resistentes (estruturais) possui uma
armadura passiva de aço → tais armaduras são dispostas nas cavidades dos
blocos os quais serão preenchidos com micro-concreto (graute);

 Alvenaria Estrutural Não Armada → processo construtivo em que nos


elementos estruturais existem somente armaduras com finalidades construtivas,
as quais podem prevenir patologias → (fissuras, concentração de tensões, etc.)

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Introdução

Figura 1 – Alvenaria Estrutural não armada


Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Introdução
 Alvenaria Estrutural Parcialmente Armada → processo construtivo em que
alguns elementos resistentes são projetados como armados e outros como não
armados → essa definição é empregada apenas no Brasil;

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Introdução
 Alvenaria Estrutural Protendida → processo construtivo em que existe uma
armadura de aço ativa contida no elemento resistente;

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Introdução
 Alvenaria Estrutural de Blocos ou de Tijolos → função do tipo das
unidades;
 Alvenaria Estrutural Cerâmica ou de Concreto → conforme as unidades
(tijolos ou blocos) sejam de materiais cerâmicos ou de concreto

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Introdução
Como todo sistema construtivo, a Alvenaria Estrutural tem suas vantagens e
desvantagens.
Vantagens: considerando a experiência demonstrada no emprego da Alvenaria
Estrutural, pode-se citar as seguintes vantagens técnicas e econômicas:

 Redução de custo → adequadas aplicações das técnicas de projeto e execução,


podendo chegar a até 30 % proveniente basicamente da simplificação das
técnicas de execução e economia de formas e escoramentos;

 Menor diversidade de materiais empregados → pequenas concentrações de


subempreiteiras, complexidades nas etapas construtivas e o risco de atrasos no
cronograma;
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Introdução
 Redução de diversidade de mão-de-obra especializada → necessita apenas
de mão-de-obra especializada para executar a alvenaria;
 Maior rapidez de execução → notória vantagem em função da execução
permitir maior retorno do capital empregado;
 Robustez estrutural → decorre da própria característica estrutural, o que
resulta em maior resistência a danos patológicos em virtudes de
movimentações.

Desvantagens
Tem como principal inconveniente, a limitação do projeto arquitetônico pela
concepção estrutural, que não permite obras arrojadas. Outra desvantagem é a
impossibilidade de modificações de um novo uso da edificação.
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Histórico
A alvenaria, em suas diversas formas, difundiu-se pelo mundo desde os tempos
mais remotos até aos dias atuais, sendo a principal técnica construtiva empregada
até o início do século XX.
Podemos citar vários exemplos construções:
 Catedrais do século XII ao XVII;
 Muralha da China;
 Coliseu;
 Pirâmides do Egito;
 Farol de Alexandria;
 Entre outros.

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Histórico
 Pirâmides do Guizé (2600 A.C) → composta pelas pirâmides de Quéops,
Quefrem e Miquerinos → todas construídas em blocos de pedra.

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Histórico
 Básilica de Maxêncio ou Constatino - Roma (307-312 D.C)

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Histórico
 Coliseu → construído por volta do ano 70 d.C. possuía 80 portais, de forma
que todas as pessoas que estivessem assistindo aos espetáculos lá realizados
pudessem entrar e sair com grande rapidez.

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Histórico
 Basílica de Santa Sofia - Turquia → construído por volta do ano 532 e 537 pelo
Império Bizantino para ser catedral de Constantinopla, atual Istambul.

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Histórico
 Farol de Alexandria → Construído em uma das ilhas em frente ao porto de
Alexandria, Faros, aproximadamente 280 anos antes de Cristo, é o mais famoso
e antigo farol de orientação. Construído em mármore branco, com 134 m de
altura, possuía um engenhoso sistema de iluminação, baseado em um jogo de
espelhos.

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Histórico
 Catedral de Notre Dame, Paris → Construído entre 1163 e 1245 na Île de la Cité,
com material de alvenaria de pedra e argamassa.

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Histórico
As estruturas de Alvenaria Estrutural edificadas
até o início do século XX foram todas
realizadas de forma empírica, sendo a
concepção estrutural totalmente intuitiva e
baseada na transferência dos conhecimentos
passados de gerações. Dessas forma, várias
estruturas foram superdimensionadas como o
Edifício Monadnock, construído em Chicago
de 1889 a 1891, tornando-se um símbolo da
alvenaria estrutural moderna. Possui 16
pavimentos e 65 m de altura, suas paredes da
base possuem 1,80 m de espessura.

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Histórico
Porém, a partir da metade do século XX, as pesquisas científicas começaram a
trazer os primeiros parâmetros que iriam substituir o empirismo por métodos de
cálculos racionais. Surgiam os primeiros edifícios em alvenaria estrutural armada.
O marco inicial foi um edifício construído na Suíça, em 1950 por Paul Haller, na
Basiléia.
O edifício continha 13 pavimentos e 42 m de altura, executado em alvenaria
estrutural não armada, sendo as espessuras das paredes internas de 15 cm e 37,5
cm para as paredes externas.
Dessa forma, vários códigos de obras e normas contendo procedimentos de
cálculo surgiram na Europa e na América do Norte, tornando a alvenaria estrutural
cada vez mais popular.

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Histórico
O mais alto edifício em alvenaria estrutural da atualidade é o Hotel Excalibur, em
Las Vegas, EUA. O complexo do hotel é formado por quatro torres principais,
com 28 pavimentos, cada uma contendo 1.008 apartamentos. As paredes
estruturais foram executadas em alvenaria armada de blocos de concreto e a
resistência à compressão especificada na base foi de aproximadamente 28 MPa.

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Histórico
Na América do Sul, uma construção que
se destaca em termos de domínio da
técnica e forma realizada pelo
engenheiro uruguaio Eladio Dieste, na
década de 1950, dentre as obras
marcantes, destaca-se a Igreja de Cristo
Trabalhador em Atlântida (1955 a 1960).
A construção em casca em alvenaria
estrutural de cerâmica armada, composta
por tijolos cerâmicos, juntas de
argamassas armadas, camada superior de
argamassa e malha de aço na região da
interface de tijolos cerâmicos e a camada
superior de argamassa.
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Histórico
No Brasil a técnica da construção em Alvenaria Estrutural teve seu início no final
da década de 1960, anterior a isso eram considerados como uma “alvenaria
resistente”, fruto apenas do conhecimento empírico, consequência da inexistência
de normas que regulamentasse os critérios de dimensionamento e segurança dos
elementos estruturais.
Entretanto, a alvenaria com blocos estruturais, que pode ser encarada como um
sistema construtivo mais elaborado e voltado para a obtenção de edifícios mais
econômicos e racionais, demorou muito a encontrar o seu espaço.
A cronologia das edificações realizadas com blocos vazados estruturais é um
pouco controversa, mas pode-se supor que os primeiros edifícios construídos no
Brasil tenham surgido em 1966, em São Paulo. Foram executados com blocos de
concreto e tinham apenas quatro pavimentos,

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Histórico
O conjunto habitacional Central Park Lapa, São Paulo, foi o marco inicial do
emprego do bloco de concreto em alvenaria estrutural armada no Brasil. Essa
obra foi realizada com paredes de espessura de 19 cm e possui 4 pavimentos.

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Histórico
Em 1972 foi construído no mesmo conjunto habitacional 4 prédios de 12
pavimentos cada, em alvenaria armada.

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Histórico
No ano de 1970, em São José dos Campos, São Paulo, foi construído o edifício
Muriti, com 16 pavimentos em alvenaria armada de blocos de concreto.

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Histórico
Todavia a edificação pioneira no Brasil em alvenaria estrutural não armada, foi o
Jardim Prudência, construído em 1977 na cidade de São Paulo. O edifício é
composto de 9 pavimentos em blocos de concreto de sílico-calcário com paredes
de 24 cm de espessura.

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Histórico
Os blocos cerâmicos nas obras em alvenaria estrutural não armada ou armada
começam somente na década de 1980, com a introdução no mercado de
construções de unidades com dimensões modulares e furos na vertical que
proporcionassem a passagem de instalações elétricas sem os rasgos comumente
feitos em obras.
Na década de 1990 foi construído o edifício residencial Solar dos Alcântaras.
Atualmente esta edificação é a maior do Brasil em alvenaria estrutural armada
com paredes de bloco de concreto com 14 cm de espessura do primeiro ao
último pavimento.

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Histórico
Ostros usos ainda podem ser dados ao sistema de alvenaria estrutural, como
caixas d’água, piscinas, muros de arrimos

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Princípios Básicos
Na alvenaria estrutural existe uma forte interdependência entres os vários projetos
que fazem parte de uma obra (arquitetônico, estrutural, instalações ), pois a parede
além de função estrutural também é elemento de vedação as quais devem conter
os elementos hidráulicos e elétricos, dessa forma devem ser racionalizados como
um todo.

Todavia, nesse tipo de edificação, a segurança estrutural é garantida pela rigidez da


edificação em virtude da união (amarrações) entre paredes estruturais, nas duas
direções principais de vento, e pelo controle no projeto e na produção da
edificação.

Sendo um sistema construtivo onde a unidade básica modular é o bloco e, com a


união proporcionada pela argamassa, solidarizam-se formando o elemento parede,
responsável pela absorção de todas as ações atuantes.
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Princípios Básicos
O projeto e a produção de uma edificação em alvenaria estrutural devem passar
por etapas que vão desde um estudo preliminar, a aspectos como a adaptação da
concepção ao limite de modelação, escolha do tipo de unidade, tipo de laje,
posicionamento das instalações, detalhamento das paredes, especificação dos
acabamentos, esquadrias, controle dos materiais e componentes estruturais e a
definição do projeto executivo compatibilizado.

A aplicação dos princípios de construtibilidade e desempenho são ferramentas


importantes para nortear os profissionais da engenharia e arquitetura na execução
de projetos em alvenaria estrutural.

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Princípios Básicos
Projeto Arquitetônico: os principais condicionantes dos projetos são os arranjos
arquitetônicos, a coordenação dimensional, a otimização do funcionamento
estrutural da alvenaria e a racionalização do projeto e da produção.

A dificuldade da remoção de paredes, que limita a flexibilidade do processo


construtivo em alvenaria estrutural, pode ser satisfatoriamente resolvida, pois o
projetista estrutural em conjunto com o arquiteto, pode especificar paredes
passíveis de serem eliminadas, ou seja, tornando-as sem função estrutural (paredes
não portantes)

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Princípios Básicos
O projeto da alvenaria estrutural ainda impõe algumas restrições específicas aos
projetistas, dentre elas se destacam:
 limitação no número de pavimento que é possível alcançar em função dos
limites de resistência dos materiais disponíveis no mercado devido as
combinações de ações atuantes;
 arranjo espacial das paredes e a necessidade de amarração entre os elementos
estruturais;
 o comprimento e a altura dos painéis das paredes estruturais, que pode afetar a
esbeltez do elemento e a presença de junta de movimentação;
 limitção quanto à existência de transição para as estruturas em pilotis no térreo
ou subsolos;
 uso de balanços, principalmente sacadas;
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Princípios Básicos
Distribuição e arranjos das paredes estruturais no projeto arquitetônico:
O lançamento da estrutura é a etapa mais importante do projeto. Para um bom
lançamento estrutural devem ser observadas algumas importantes premissas do
sistema:
1) Forma do prédio: do ponto de vista estrutural, quanto maior a robustez da
edificação maior será sua capacidade de resistir a esforços horizontais,
principalmente a ação do vento. Essa robustez pode ser definida por
parâmetros de rigidez da edificação em função de sua volumetria.
2) Distribuição e arranjo das paredes estruturais: quanto mais simétrico o
projeto, mais efetivo será o resultado do lançamento estrutural. Edificações
muito assimétricas podem causar concentração dos carregamento em
determinada regiões, podendo gerar torção quando combinados aos efeitos
do peso próprio e ação do vento.
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Princípios Básicos
Os arranjos, visando prover a estabilidade lateral em todas as direções, podem ser
variados, sendo fundamental a amarração entre os elementos estruturais para a
estabilização da construção e transmissão dos esforços oriundos do peso próprio
e vento. Hendry (1981) tipifica as principais soluções de distribuição de paredes
estruturais:
a) Sistema celular: a distribuição de cargas das lajes ocorre tanto para as paredes
internas quanto externas. Essa tipologia de lançamento responde naturalmente a
esforços laterais de vento. Este tem sido o arranjo de paredes predominantemente
utilizado em estruturas altas de alvenaria estrutural há muitos anos.

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Princípios Básicos
b) Sistema de paredes transversais: essa tipologia de lançamento estrutural
direciona os carregamentos das lajes na direção das paredes internas, em que são
responsáveis por absorver a carga unidirecional das lajes e transmitir para os
pavimentos inferiores. Nessa tipologia, existe a necessidade de solidarização entre
os elementos estruturais, de forma a garantir a estabilidade lateral das paredes,
pois a rigidez a esforços horizontais nas paredes internas se dá em uma única
direção, ou seja, existe a necessidade de um sistema de contraventamento na
direção da aplicação da força horizontal de vento. As paredes externas são de
vedação e não tem função estrutural. Esses arranjos podem ser simples ou duplos.

Arranjo simples arranjo duplo


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Princípios Básicos
c) Sistema complexo: essa tipologia de lançamento dispõe de lajes unidirecionais e
bidirecionais no contorno externo da edificação e um núcleo rígido central
formado pela caixa de escada, elevadores e compartimentos de serviços. Essa
disposição dos elementos estruturais garante a estabilidade do conjunto. As
paredes que circundam o núcleo rígido tem como função transmitir as cargas
verticais e estabilizar a edificação contra os esforços horizontais entre os
pavimentos, enquanto as predes perimetrais externas não precisam ser
necessariamente estruturais.

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Princípios Básicos
3) Comprimento e altura total das paredes: de acordo com Gallegos (1988),
em cada direção de um edifício estruturalmente otimizado deve ter, no mínimo,
em metros lineares de paredes estruturais, 4,2% da área total construída. Esta
recomendação prática procura assegurar certa uniformidade dos esforços laterais
nas paredes, sem sobrecarregá-las.
Situação Relações
Ideal 2≤H/d≤4
1<H/d<2
Aceitável ou
4<H/d≤5
H/d<1
Ruim ou
H/d≤5
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Princípios Básicos
4) Disposição das paredes: podem ser utilizadas com diferentes formas visando
à obtenção de maior rigidez comparativamente as paredes simples. Paredes com
maior rigidez são menos suscetíveis à flambagem, o que permite, por exemplo,
pés-direitos mais altos.

Paredes mais grossas; Paredes duplas; Paredes aletadas Paredes enrijecidas

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Componentes Empregados
Os principais componentes empregados na execução de edifícios de alvenaria
estrutural são as unidades (tijolos ou blocos), a argamassa, o graute e as
armaduras (construtivas ou de cálculo).

É comum também a presença de elementos pré-fabricados como: vergas, contra-


vergas, coxins, e assessórios, entre outros.

Em relação aos componentes apresentam-se as principais funções de cada um e


as características desejáveis.

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Componentes Empregados
1) Unidade: As unidades (blocos e tijolos) são os componentes mais importantes
que compõe a alvenaria estrutural, uma vez que são eles que comandam a
resistência à compressão e determinam os procedimentos para aplicação da
técnica da coordenação modular nos projetos. Os principais tipos e as mais
importantes características estão indicados abaixo:

Cerâmico Resistência
maciços
Tipos De concreto Estabilidade dimensional
vazados
Sílico-calcários Propriedades Vedação
Absorção adequada
Trabalhabilidade
Modulação

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Componentes Empregados
2) Argamassa: é o componente utilizado na ligação entre os blocos, garantindo
distribuição uniforme de esforços, sendo composta de cimento, agregado miúdo,
água e cal, ou outra adição.
Unir as unidades
Garantir a vedação
Funções
Propiciar a aderência com as armaduras nas juntas
Compensar as varrições dimensionais das armaduras

Retenção d’água
Propriedades Conveniente resistência
trabalhabilidade
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Componentes Empregados
3) Graute: Consiste em um concreto fino (microconcreto), formado de cimento,
água, agregado miúdo e agregados graúdos de pequena dimensão (até 9,5mm),
com alta fluidez.

Aumentar a resistência da parede


Funções
Propiciar aderência com as armadura

Trabalhabilidade (fluidez)
Propriedades
Boa resistência

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Componentes Empregados
4) Armaduras:

Tipos De cálculo
Construtivas

Propriedades Absorver esforços de tração e/ou compressão


Cobrir necessidades construtivas

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Definições de Projeto e Detalhamento
Definições conforme a NB 1228, atual NBR 10387 – Cálculo de Alvenaria
Estrutural de Blocos Vazados de Concreto.
Bloco: Componente básico da alvenaria. É considerado vazado se a área de
vazios ultrapassa 25% da total. Em caso contrário é considerado maciço. Em
geral, para os vazados, a percentagem de vazios é de 50%.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Bloco Canaleta: Bloco preparado para a colocação de armaduras horizontais.
Possui a seção em forma de U. É utilizado em cintas, vergas e contra-vergas.

Bloco Compensador: Bloco, geralmente canaleta, com altura diferente do


módulo vertical da edificação. É utilizado junto às lajes do pavimento quando o
pé-direito de piso a piso é que se encontra modulado.
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Definições de Projeto e Detalhamento
Bloco Jota: Bloco em que uma das laterais é maior que a outra. Utilizado em
paredes externas para facilitar a concretagem do pavimento.

Blocos Especiais: Blocos que fogem aos padrões mais usuais. Têm grande
utilização principalmente em encontros de paredes e outros pontos específicos.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Argamassa de Assentamento ( ou Argamassa ): Componente utilizado na
ligação entre blocos, garantindo distribuição uniforme de esforços. A plasticidade
e também a resistência são características fundamentais.

Graute: Componente utilizado para preenchimento dos vazios de blocos e


canaletas com a finalidade de solidarização de armaduras e aumento da
capacidade portante. É considerado “fino” se o diâmetro dos agregados não
ultrapassa 4,8 mm. Em caso contrário é considerado “grosso”.

Parede: Elemento laminar vertical, apoiado de modo contínuo em toda sua base,
com comprimento “c” maior que cinco vezes a sua espessura “e”.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Pilar: Elemento estrutural em que o comprimento “c” é menor que cinco vezes a
sua espessura “e”. Em caso de seções compostas por retângulos (L, T ou Z), a
limitação é para cada ramo.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Parede Portante: Toda parede admitida no projeto como suporte de outras
cargas, além do próprio peso.

Parede Não Portante: Toda parede não admitida no projeto como suporte de
outras cargas, além do próprio peso.

Parede de Contraventamento: Toda parede portante admitida no projeto


absorvendo forças horizontais provenientes de ações externas e/ou efeitos de 2a
ordem

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Definições de Projeto e Detalhamento
Verga: Elemento estrutural colocado sobre os vãos de aberturas com a finalidade
de transmitir esforços verticais sobre os trechos de parede adjacentes.

Contra-verga: Elemento estrutural colocado sob os vãos de aberturas com a


finalidade absorver tensões de tração concentradas nos cantos.

verga
contra-verga

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Definições de Projeto e Detalhamento
Coxim: Elemento estrutural não contínuo, apoiado na parede, com a finalidade
de distribuir cargas concentradas.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Cinta: Elemento estrutural apoiado continuamente na parede, ligado ou não às
lajes, vergas ou contra-vergas, com a finalidade de transmitir esforços uniformes à
parede que lhe dá apoio ou servir de travamento e amarração.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Enrijecedores: Elementos estruturais vinculados a uma parede portante com a
finalidade de produzir um enrijecimento na direção perpendicular ao seu plano.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Diafragma: Elemento estrutural laminar admitido como totalmente rígido em
seu próprio plano e sem rigidez na direção perpendicular. Normalmente, as lajes
maciças podem ser consideradas como diafragmas.

Excentricidade: Distância entre o eixo de um elemento estrutural e a resultante


de uma determinada ação.

Junta de Dilatação: Juntas que secionam todos os elementos estruturais de uma


região, isolando trechos da obra.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Área Líquida: Área de um componente ou elemento considerando as suas
dimensões externas e descontando a área dos vazios.

Dimensões Nominais: Dimensões reais de um componente ou elemento mais a


dimensão da argamassa necessária ao seu assentamento ou ao seu revestimento.

Eficiência de uma Parede: Relação entre a resistência de uma parede,


constituída por blocos, argamassa e graute, e a resistência do bloco considerado
isoladamente.

Modulação: Acerto das dimensões em planta e do pé-direito da edificação, em


função das dimensões dos blocos, de modo a não se necessitar, ou pelo menos
reduzir drasticamente, cortes ou ajustes necessários à execução das paredes.
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Definições de Projeto e Detalhamento
Amarração entre Paredes: Procedimento destinado a garantir que haja
transmissão de esforços nos encontros entre duas ou mais paredes. Essa ligação
pode ser feita exclusivamente pela colocação conveniente dos blocos ou com a
utilização de “grampos” ou outras armaduras.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Vencidas as fases iniciais, em que são definidas as características gerais da
edificação, procede-se o refinamento das decisões.

Tais decisões devem ser tomadas com rigor, pois uma vez definida influenciarão
definitivamente na construtibilidade, e sobretudo, seu desempenho ao longo da
vida útil.

Integram as decisões: a escolha dos blocos que serão empregados; a definição das
paredes estruturais; a escolha do tipo de laje e a previsão das instalações.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Escolha do bloco e a modulação
A unidade é o componente básico da alvenaria. Uma unidade será sempre
definida por três dimensões principais: comprimento, largura e altura. O
comprimento e, pode-se dizer, também a largura definem o módulo horizontal,
ou módulo em planta. Já a altura define o módulo vertical, a ser adotado nas
elevações.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Coordenação modular é a técnica que permite relacionar as medidas de projeto
com as medidas modulares.

A modulação serve tanto para ordenar os elementos de forma coerente quanto


para garantir proporções espaciais harmoniosas.

O módulo adotado é arbitrado em função do bloco a ser utilizado.


Blocos Tipo Dimensões Dimensões Malha básica
modulares (cm) padronizadas (cm) (cm)
1 15x20x30 14x19x29 15x15
Cerâmica
2 20x20x30 19x19x29 15x15
1 20x20x40 19x19x39 20x20
Concreto
2 15x20x40 14x19x39 20x20
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Definições de Projeto e Detalhamento
Em um projeto em alvenaria estrutural, a modulação ideal é aquela em que o
módulo é igual á espessura da parede, não sendo necessária a criação de módulos
especiais para os ajustes das amarrações entre as paredes estruturais.

A grande dificuldade de um projetista é adequar a modulação ao projeto


arquitetônico, pois na alvenaria estrutural existem diferentes famílias de blocos em
que as modulações dependem das dimensões das unidades.

A modulação vertical, é normalmente bem mais simples. Trata-se apenas de


ajustar a distância de piso a teto para que seja um múltiplo do módulo vertical a
ser adotado. Esse procedimento usualmente não traz problemas significativos
para a compatibilização com o projeto arquitetônico. Além disso, o módulo
horizontal adotado e a largura dos blocos também não influem na escolha do
módulo vertical.
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Definições de Projeto e Detalhamento
O primeiro conceito a ser aqui abordado é o das dimensões reais. Quando se
adota um determinado módulo, aqui chamado de M, esse módulo refere-se ao
comprimento real do bloco mais a espessura de uma junta, aqui chamada de J.

Portanto, o comprimento real de um bloco inteiro será 2M - J e o comprimento


real de um meio bloco será M - J. Considerando-se as juntas mais comuns, que
são de 1 cm, tem-se que os comprimentos reais dos principais blocos serão seus
comprimentos nominais (15, 20, 30, 35, 45 cm, etc.) diminuídos de 1 cm (14, 19,
29, 34, 44 cm, etc.).

Entretanto, não são tão raros blocos preparados para juntas de 0,5 cm,
principalmente nas famílias de módulo 15 cm. Nesse caso os comprimentos reais
seriam de 14,5 cm, 29,5 cm e 44,5 cm.
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Definições de Projeto e Detalhamento
Outro ponto interessante é o fato de os blocos que vão colocados em cantos e
bordas vizinhos estarem "paralelos" ou "perpendiculares", sendo essas definições
tomadas em relação a eixos segundo o comprimento das peças.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Quando a dimensão entre blocos de canto ou borda vizinhos é um número par
vezes o módulo, os blocos se apresentarão paralelos .Em caso contrário, se a
dimensão for um número ímpar vezes o módulo, os blocos estarão
perpendiculares

Somente com esses conceitos simples apresentados já é possível definir uma das
fiadas, por exemplo, a primeira. As demais fiadas devem levar em conta a
preocupação de se evitar ao máximo as juntas a prumo. Portanto, as fiadas
subsequentes são definidas de modo a se produzir a melhor concatenação
possível entre os blocos. Isso significa defasar as juntas de uma distância M.
Ressalta-se que os blocos de canto estão hachurados apenas para se destacar o seu
posicionamento.

Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro


Definições de Projeto e Detalhamento

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Definições de Projeto e Detalhamento
Nesta parte, procuraremos destacar os blocos vazados de concreto, pois são os
mais utilizados no Brasil, e que por serem vazados exigem maiores cuidados na
disposição a ser adotada em cantos e bordas. Entretanto, as disposições aqui
adotadas podem ser adaptadas com facilidade para outros tipos de blocos,
inclusive cerâmicos e não-vazados.
Apresentaremos os detalhes para canto e bordas quando o módulo adotado é
igual à largura do bloco. Esse valor pode ser de 12,15 ou mesmo 20 cm. Os
detalhes serão os mesmos para qualquer caso. Entretanto, é importante
mencionar que na grande maioria das edificações residenciais a largura de bloco
ideal a ser adotada é de 15 cm. Nesse caso, o módulo ideal também será o de 15
cm. Quando for possível adotá-lo, os detalhes de cantos e bordas são muito
simples, em especial quando se puder utilizar o bloco de três módulos nas bordas.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Para maior clareza, apresentam-se os esquemas de fiadas para encontros de cantos
e bordas com larguras e módulos iguais. É interessante salientar que para os
cantos, sempre, e para as bordas, quando se dispõe de um bloco especial de três
módulos, são necessárias apenas duas fiadas para esclarecer completamente o
detalhe. Já para as bordas executadas sem a utilização do bloco de três módulos,
serão necessárias quatro fiadas para que o detalhe seja completo. Nesse caso, após
três fiadas com juntas a prumo é que ocorrerá uma fiada com junta defasada.

Cantos com Bordas com modulações e


modulações e larguras iguais, com blocos
larguras iguais especiais de 3 módulos

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Definições de Projeto e Detalhamento

Bordas com modulações e


larguras iguais, sem blocos
especiais de 3 módulos

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Definições de Projeto e Detalhamento
Se o projetista não puder utilizar o módulo e a largura do bloco iguais, será
necessário se prever a utilização de blocos especiais para a solução de cantos e
bordas. Somente para exemplificar apresenta-se o esquema de fiadas em um canto
sem a utilização desses blocos especiais. Pode-se observar que a solução é
completamente inadequada, tanto em relação à continuação das fiadas quanto ao
mau posicionamento dos septos.

Canto com modulações e


larguras diferentes, sem blocos
especiais

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Definições de Projeto e Detalhamento
Assim, para esses casos, é imprescindível a utilização do bloco especial no qual
um dos furos é especialmente adaptado para a dimensão da largura do bloco,
enquanto o outro é um furo com as dimensões normais. Por exemplo, para blocos
que estejam de acordo com a especificação M-15 da NBR 6136, módulo de 20 cm
com largura 15 cm, o bloco especial teria 35 cm de comprimento. Somente com a
utilização desse tipo de bloco é que se pode realizar corretamente a concatenação
de blocos entre as diversas fiadas.

Canto com modulações e


larguras diferentes, com blocos
especiais

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Definições de Projeto e Detalhamento
Outra possibilidade é a utilização de um bloco especial de três furos, raramente
encontrado no mercado. Esse bloco teria de apresentar os furos das extremidades
com as dimensões normais e o furo do meio com a dimensão adaptada à largura
das unidades. Assim, além de não ser comum a sua produção, esse bloco
normalmente apresentaria dificuldades de instalação, pois seria muito pesado. Por
exemplo, no caso dos blocos seguindo a especificação M-15 da NBR 6136, ele
teria 55 cm de comprimento.

Canto com modulações e


larguras diferentes, com blocos
especiais

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Definições de Projeto e Detalhamento
Conforme já se mencionou, a modulação vertical raramente provoca mudanças
significativas no arranjo arquitetônico. Existem basicamente duas formas de se
realizar essa modulação. A primeira, é aquela em que a distância modular é
aplicada de piso a teto. Assim, paredes de extremidades terminarão com um bloco
J que tem uma das suas laterais com uma altura maior que a convencional, de
modo a acomodar a altura da laje. Já as paredes internas terão sua última fiada
composta por blocos canaleta comuns.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Em casos em que não se pretenda ou não se possa utilizar blocos J, mesmo nas
paredes externas poderão ser utilizados apenas blocos canaleta convencionais,
realizando-se a concretagem da laje com uma fôrma auxiliar convenientemente
posicionada

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Definições de Projeto e Detalhamento
A segunda possibilidade de modulação vertical que pode ser utilizada é a aplicação
da distância modular de piso a piso.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Nesse caso, a última fiada das paredes externas será formada por blocos J com
uma das suas laterais com altura menor que a convencional, de forma a também
propiciar a acomodação da espessura da laje. Já as paredes internas apresentarão,
em sua última fiada, blocos compensadores, para permitir o ajuste da distância de
piso a teto que não estará modulada.

Este procedimento pode ser interessante quando o fabricante de blocos não


puder fornecer blocos J e não se desejar fazer a concretagem utilizando-se fôrmas
auxiliares.

Ocorre que os blocos canaleta comuns poderão ser cortados no canteiro, por
meio de uma ferramenta adequada, permitindo que os blocos J e os
compensadores possam ser obtidos com relativa facilidade.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Escolha da tipologia de lajes
As lajes são muito importante no sistema construtivo de alvenaria estrutural, pois
serve de travamento das paredes e ajudam a transmitir os esforços horizontais.

A teoria de cálculo da alvenaria prevê que os esforços horizontais, especialmente a


pressão do vento que atua nas paredes, sejam absorvidos pelas lajes e transferidos
às paredes de contraventamento.

Todavia, para que isso ocorra, é necessário que a laje esteja devidamente
solidarizada às paredes e apresente suficiente rigidez no seu plano, a fim de agir
como um diafragma rígido.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Figura: Transmissão da pressão do vento às paredes resistentes

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Definições de Projeto e Detalhamento
As lajes maciças armadas em duas direções são as mais indicadas devido a rigidez
que conferem na distribuição dos esforços em função do vento e das cargas
verticais.

Contudo, possuem um inconveniente, por serem moldadas in loco, necessitam de


fôrmas, escoramentos, confecção de armaduras mais complexas, o que afeta a
construtibilidade e diminui a produtividade da obra.

Sob essa otíca, a utilização de lajes pré-fabricadas é mais apropriada. Embora,


segundo Roman, Mutti e Araújo (1999), para garantir o comportamento desejado,
as lajes adjacentes dever ser interligadas por barras de aço. No caso de lajes
armada em uma direção, deve-se evitar que todas sejam posicionadas na mesma
direção.

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Definições de Projeto e Detalhamento
Aspectos técnicos para o desempenho das obras
Os aspectos técnicos relacionados à presença de vergas, contravergas, balanços,
escadas e lajes de cobertura são fundamentais para o desempenho construtivo e
estrutural.
 Vergas e contravergas: elementos estruturais indispensáveis em portas e
janelas → tem função de absorver esforços tração nos cantos das aberturas,
local de concentração de tensões.

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Definições de Projeto e Detalhamento
 Sacadas ou lajes em balanço: é possível aparecer elementos em balanço nas
fachadas, todavia, esses elementos devem ser bem estudados, pois podem
introduzir cargas concentradas em áreas relativamente pequenas, elevando
consideravelmente as tensões de compressão, induzindo a formação de
fissuras.

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Definições de Projeto e Detalhamento
 Escadas: devem ser consideradas as soluções técnicas padronizadas e de
eficiência comprovada. Os tipos mais usuais são:
• escadas de concreto armado → principal vantagem à execução, sem
auxílio de equipamentos especiais, desvantagens a necessidade de
escoramento.
• escadas tipo jacaré → formadas por vigas dentadas “jacaré”, degraus,
espelho e patamares pré-moldados: vantagens fácil montagem,
desvantagem, viável apenas se houver parede central de apoio entre
lances.
• escada pré-moldada de concreto → vantagem a rapidez de instalação,
desvantagem, a necessidade de equipamentos especiais como guindastes,
para as movimentações das peças.

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Definições de Projeto e Detalhamento

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Definições de Projeto e Detalhamento
 Lajes de cobertura e entre pavimentos
Para evitar a fissuração de último pavimento em razão da movimentação térmica,
a laje não deve está solidarizada à parede.

Na alvenaria estruturação essa movimentação da laje de cobertura pode gerar


fissuras entre a cinta de amarração e a parede ou, até mesmo, fissuras ao longo de
toda a extensão da alvenaria.

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Definições de Projeto e Detalhamento
 Previsão de instalações elétricas, de água e esgoto
A integração entre os projetos é uma das premissas para o sistema construtivo em
alvenaria estrutural.
É inconcebível a hipótese de se rasgar paredes estruturais para a passagem das
diferentes instalações.

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Definições de Projeto e Detalhamento
 Previsão de instalações elétricas, de água e esgoto

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
A concepção estrutural consiste na determinação das paredes que serão portantes
ou não portantes, baseadas na planta baixa, para as considerações das ações tanto
verticais quanto horizontais.

Cargas Verticais:
As cargas a serem consideradas em uma edificação depende do tipo e da
utilização do edifício. Todavia, para edificações residenciais as principais cargas a
serem consideradas nas paredes serão:

 reação das lajes;


 peso próprio das paredes

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Os valores mínimos a serem
considerados estão determinados
na NBR 6120 – Carga para Cálculo
de Estruturas de Edificações.

Contudo é evidente que os valores


apresentados nas tabelas da norma,
são valores indicativos, cabe ao
projetista, em casos particulares,
utilizar do bom senso e definir as
cargas a serem utilizadas em seu
projeto específico.

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Cargas que provem das lajes
As principais cargas atuantes nas lajes de edifícios residenciais podem ser divididas
em dois grandes grupos: cargas permanentes e cargas variáveis. As principais
cargas permanentes normalmente atuantes são:

• peso próprio
• contrapiso
• revestimentos
• paredes não portantes

Já as cargas variáveis são cobertas pela sobrecarga de utilização, que para os


edifícios residenciais variam de 1,5 a 2,0 kN/m².
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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
As lajes descarregam todas essas cargas sobre as paredes portantes que lhe servem
de apoio. Para cálculo dessas reações, dois casos podem ser destacados:
• Laje armada em uma direção
• Laje armada em duas direções

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Para os casos de lajes pré-moldadas ou armadas em uma direção, deve-se
simplesmente considerar a região de influência de cada apoio, ou seja, os lados
perpendiculares à direção da armadura.

Nesse caso pode-se considerar a colocação de uma linha, paralela aos apoios, que
limita as regiões de influência. Considerando-se um vão L, essa linha deve ser
posicionada às seguintes distâncias:

• 0,5 L entre dois apoios do mesmo tipo.


• 0,38 L do lado simplesmente apoiado e 0,62 L do lado engastado.
• 1,0 L do lado engastado quando a outra borda for livre.

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Já no caso de reações de lajes maciças armadas em duas direções, pode-se utilizar o
procedimento das linhas de ruptura, recomendado pela NBR 6118 Projeto e
Execução de Obras de Concreto Armado, adotando-se os seguintes ângulos
para a definição das linhas entre dois lados perpendiculares:
• 45° entre dois apoios do mesmo tipo.
• 60° a partir do lado engastado se o outro for livremente apoiado.
• 90° a partir de qualquer apoio quando a borda vizinha for livre.

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Peso próprio das paredes

Para considerar o peso próprio das paredes, basta utilizar a expressão:

p   eh
onde
p : peso da alvenaria ( por unidade de comprimento )
g : peso específico da alvenaria
e : espessura da parede ( bloco + revestimento )
h : altura da parede ( não esquecer eventuais aberturas )

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Quanto ao valor de γ, o parâmetro mais importante da expressão, devem ser
consideradas as condições específicas da alvenaria. Para os principais casos
utilizados em edifícios residenciais pode-se montar a tabela seguinte:

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Ações Horizontais
No Brasil, as ações horizontais que devem obrigatoriamente ser consideradas são a
ação dos ventos e o desaprumo. Em caso de áreas sujeitas a abalos sísmicos, a sua
consideração também é indispensável.

 Ação dos ventos


Considera-se que o vento atua sobre as paredes que estão dispostas na
perpendicular à sua direção. Estas passam a ação às lajes dos pavimentos que
distribuem, de acordo com a rigidez, aos painéis de contraventamento.

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Para consideração da ação do vento utiliza-se a NBR 6123. Um resumo das suas
prescrições, para o caso específico de edificações paralelepipédicas, é apresentado a
seguir.
 Velocidade característica vk
A velocidade característica é calculada pela expressão:
vk  S1S 2 S3v0
onde
v0 : velocidade básica ( isopletas da figura 1 da NBR 6123 )
S1 : fator topográfico ( item 5.2 da NBR 6123 )
S2 : fator de rugosidade e regime ( equação 2.4 ou tabela 2 da NBR 6123 )
S3 : fator estatístico ( expressão 2.5 ou tabela 3 da NBR 6123 )
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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Dos fatores apresentados o mais importante é o S2 . Para a sua determinação é
necessário conhecer a categoria do terreno, a classe da edificação e a altura sobre o
terreno do ponto considerado.
A categoria do terreno é dada pela sua rugosidade, conforme as definições que se
seguem:

• Categoria I : superfícies lisas de grandes dimensões, mais de 5 km na direção e


sentido do vento incidente.
• Categoria II : terreno aberto em nível com poucos obstáculos isolados, como
árvores ou pequenas construções.
• Categoria III : terrenos planos com obstáculos como muros, edificações baixas
e esparsas.
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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
• Categoria IV : terreno com obstáculos numerosos e pouco espaçados em zonas
florestal, industrial e urbanizada.
• Categoria V : terreno com obstáculos numerosos, altos e pouco espaçados,
como centro de grandes cidades.

Já a classe de uma edificação é definida pela sua maior dimensão, e guarda relação
com o intervalo de cálculo de sua velocidade média. São utilizados intervalos de 3,
5 e 10 s, respectivamente :

• classe A : edificações com maior dimensão menor que 20 m.


• classe B : edificações com maior dimensão entre 20 e 50 m.
• classe C : edificações com maior dimensão maior que 50 m.

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
 Pressão de obstrução
A pressão de obstrução é calculada pela expressão:

onde
q  0,613  vk2
q : pressão de obstrução em N/m²
vk : velocidade característica em m/s

 Força de arrasto
A força de arrasto é calculada para cada direção considerada:

F  Ca  q  Ae
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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
onde
q : pressão de obstrução
Ae : área da superfície onde o
vento atua ( área de influência )
Ca : coeficiente de arrasto
O coeficiente de arrasto Ca
depende da direção e do regime
do vento. Se tratar-se de vento
de baixa turbulência deve-se
utilizar:

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Caso se trate de vento de alta turbulência deve-se utilizar

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
O coeficiente de arrasto para vento de alta turbulência é muito mais favorável à
economia que o de baixa turbulência. Entretanto, uma edificação pode ser
considerada em vento de alta turbulência quando a sua altura não excede duas
vezes a altura média das edificações da vizinhança estendendo-se estas, na direção
e sentido do vento incidente, a uma distância mínima de :

• 500 m para edificações de até 40 m de altura.


• 1000 m para edificações de até 55 m de altura.
• 2000 m para edificações de até 70 m de altura.
• 3000 m para edificações de até 80 m de altura.

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Desaprumo
Sugere-se que o desaprumo seja considerado tomando por base a norma alemã, a
DIN-1053. Nesse caso admite-se o seguinte ângulo para o desaprumo do eixo da
estrutura:
1

100 H
onde
j : ângulo em radianos
H : altura da edificação em metros

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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
Este procedimento é racional pois o desaprumo relativo decresce em relação à
altura da edificação. Pode-se calcular, por exemplo:

H = 10 m → desaprumo 1/ 316
H = 20 m → desaprumo 1/ 447
H = 30 m → desaprumo 1/ 548
H = 40 m → desaprumo 1/ 632

Através do ângulo φ, pode-se determinar uma ação lateral equivalente ao


desaprumo, a ser aplicada ao nível de cada pavimento, através da expressão :

F d  P  
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Concepção Estrutural e Ações Atuantes
onde
∆P : peso total do pavimento considerado

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Distribuição das Ações Verticais
1) Interação da Paredes

Em uma parede de alvenaria,


quando se coloca um
carregamento localizado sobre
apenas uma parte de seu
comprimento, tende a haver um
espalhamento dessa carga ao
longo de sua altura.
A NBR 10837 – prescreve que
esse espalhamento deve-se
acontecer segundo um ângulo de
45º
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Distribuição das Ações Verticais
Esse espalhamento ainda pode
ocorrer em cantos e bordas,
especialmente quando a
amarração é realizada
intercalando-se blocos numa e
noutra direção, sem junta a
prumo.

Outro ponto em que pode


discutir a existência ou não de
forças de interação são as
aberturas.

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Distribuição das Ações Verticais
Importância da Uniformização

Problema para as paredes:


- as cargas verticais sobre as paredes, em um determinado nível, apresentam
valores que podem ser muito diferentes, ou;
- blocos com resistências diferentes em um mesmo nível.
As consequências:
- a parede mais solicitada definiria a resistência do bloco;
- previsão de grauteamento em alguns pontos, aumentando a resistência da
parede e mantendo a resistência do bloco;
- redução da segurança com aumento da economia;
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Distribuição das Ações Verticais
Com a uniformização:
- menor resistência necessária para os blocos;
- maior economia;
- carregamento mais realista para as estruturas.

IMPORTANTE:
É Necessário Garantir
Força De Interação

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Distribuição das Ações Verticais
Influência do Processo Construtivo

Quando se fala de distribuição de cargas verticais entre as diversas paredes de um


pavimento, deve-se levar em conta que o processo executivo é uma VARIÁVEL
IMPORTANTE.

Para aumentar as forças de interação:

Cantos e bordas:
- amarração das paredes em cantos e bordas sem juntas a prumo;
- existência de cintas sob a laje do pavimento e à meia altura;
- pavimento em laje maciça.
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Distribuição das Ações Verticais
Regiões em aberturas:
Quanto às aberturas, os detalhes construtivos que mais colaboram no sentido do
aumento das forças de interação e portanto da uniformização são:
- existência de vergas
- existência de contra-vergas

Evidentemente, essas vergas e contra-vergas devem ser previstas com uma


profundidade apropriada nas paredes que estão ligadas.

Quanto maiores forem essas profundidades melhores condições de


desenvolvimento de forças de interação serão criadas.
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Distribuição das Ações Verticais
Procedimentos de Distribuição

Para auxiliar a definição da distribuição das cargas verticais, apresenta-se alguns


procedimentos mais indicados:

- Paredes Isoladas:
- considera-se cada parede como um elemento independente, sem interação
com as demais;
- é um procedimento simples e rápido;
- para determinara a carga nessa parede, basta somar todas as cargas atuantes
nos pavimentos acima do nível considerado.
- é considerado seguro, pois na ausência de uniformização a resistência dos
blocos resultará sempre mais elevada caso considerasse a uniformização
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Distribuição das Ações Verticais
- o ponto negativo é a economia, devido aos blocos mais resistentes também
serem os mais caros.
- a consideração das paredes completamente isoladas não é verossímil, para a
maioria das edificações, pois isso pode causar uma estimativa errônea os efeitos das
ações sobre estruturas complementares, ou seja, para os apios.

A recomendação que se pode fazer é que este procedimento de se considerar as


paredes isoladas seja utilizado para edificações de altura relativamente pequena,
onde os seus efeitos negativos são menos perceptíveis.

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Distribuição das Ações Verticais
Procedimentos de Distribuição

- Grupos Isolados de Paredes:


Um grupo é um conjunto isolado de paredes que são supostas totalmente
solidárias. Geralmente, os limites dos grupos são as aberturas, portas e janelas.

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Distribuição das Ações Verticais
Procedimentos de Distribuição

- Grupos Isolados de Paredes:


Um grupo é um conjunto isolado de paredes que são supostas totalmente
solidárias. Geralmente, os limites dos grupos são as aberturas, portas e janelas.

- considera-se um procedimento simples e rápido;


- é um procedimento seguro, principalmente quando as aberturas são
consideradas como limite entre os grupos;
- quanto a economia, se admitir uma escolha correta entre grupos, torna-se um
procedimento racional e resulta em especificações de blocos adequados;
- pode considera-lo um procedimento adequado a qualquer altura
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Distribuição das Ações Verticais
- como desvantagem a definição de grupos de paredes isoladas pode basear-se em
outros parâmetros, o procedimento apresentar distorções, dependendo de quais
paredes serão consideradas como pertencentes dos grupos.
- entretanto, é fundamental que se avalie a possibilidade de realmente ocorrer as
forças de interação nos cantos e bordas, condição fundamental para a correta
aplicação.

Grupos de Paredes com Interação


É uma extensão do anterior, todavia, com uma sofisticação em que os próprios
grupos de paredes interagem entre si. Contudo, a diferença entre os procedimento,
é que apenas considerava-se a interação nos cantos e bordas, agora considera-se
também a existência de forças de interação sobre as aberturas.
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Distribuição das Ações Verticais
- a interação não pode se limitar a uma uniformização total do carregamento, isso
equivaleria a encontrar a carga total de um pavimento e dividi-lo pelo
comprimento total das paredes, o que geraria uma média igual para todos os
elementos.
- na verdade é conveniente que seja definida uma taxa de interação, que
represente quanto da diferença de cargas entre grupos que interagem devem ser
considerados a cada nível.
- é importante que seja possível especificar quais grupos de paredes estão
interagindo, de maneira que o projetista tenha controle total do processo.

qm  q1  q2  q3  ...  qn  / n d i  qi  qn   1  t  qi  qm  d i

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Distribuição das Ações Verticais
onde:
n = número de grupos que estão interagindo
qi = carga do grupo i
qm = carga média dos grupos que estão interagindo
di = diferença de carga do grupo em relação à média
t = taxa de interação

- é um sistema seguro, quando bem utilizado;


- a economia é seu grande atrativo;
- também é fundamental que se avalie corretamente a possibilidade de realmente
ocorrerem as forças de interação, tanto em cantos e bordas quanto nas
aberturas.
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Distribuição das Ações Verticais
Exemplo de Distribuição de Cargas
Verticais.

Exemplo 1
Trata-se de parte de uma edificação,
representada por três grupos de paredes.
Admite-se que esse três grupos
representem o conjunto de paredes do
pavimento. O objetivo é demonstrar os
cálculos necessários pra a obtenção dos
resultados. Os comprimentos das paredes e
cargas atuantes estão em tabelas, são
adotados oito pavimentos de altura e
espessura das paredes de 14 cm
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Distribuição das Ações Verticais
Comprimento das paredes e carregamento atuante por pavimento
Parede Comp (m) Laje (kN/m) P. Próp (kN/m) Tot. dist. (kN/m) Total (kN)
P1 2,55 8,50 5,50 14,00 35,70
P2 3,60 14,75 5,50 20,25 72,90
P3 0,75 7,50 5,50 13,00 9,75
P4 3,45 8,75 5,50 14,25 49,17
P5 2,25 17,25 5,50 22,75 51,19
P6 0,40 36,00 5,50 41,50 16,60

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Distribuição das Ações Verticais
Paredes Isoladas – 1º Pavimento
Parede Carga dist. (kN/m) Tensão (kN/m²) Tensão (MPa) Res. Bloco (MPa)
P1 112,0 800,0 0,800 5
P2 162,0 1157,1 1,1571 7
P3 104,0 742,9 0,7429 4,5
P4 114,0 814,3 0,8143 5
P5 182,0 1300,0 1,300 8
P6 332,0 2371,4 2,3714 15

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Distribuição das Ações Verticais

Grupos de paredes sem interação


Parede Comp (m) C. tot. (kN) C. dist. (kN) Tensão (MPa) Res. bloco (MPa)
P1 6,15 868,8 141,3 1,009 6
P2 6,45 880,9 136,6 0,976 6
P3 0,40 132,8 332,0 2,371 15

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Distribuição das Ações Verticais
Grupos de paredes sem interação
Parede Comp (m) C. tot. (kN) C. dist. (kN) Tensão (MPa) Res. bloco (MPa)
P1 6,15 868,8 141,3 1,009 6
P2 6,45 880,9 136,6 0,976 6
P3 0,40 132,8 332,0 2,371 15
Considerando o cálculo de grupos de paredes com interação e adotando uma taxa
de uniformização do diferencial de carga de 50%, obteve-se os resultados
organizados na tabela a seguir. A carga média para o grupo, que é a média
ponderada das cargas de cada grupo com o ponderador igual ao comprimento
total em plantas das paredes do grupo.
G1  ctot . grupo1  G 2  ctot . grúpo 2  Gn  ctot . grupo n
Cméd 
ctot . grupo1  ctot . grúpo 2  ctot . grupo n
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Distribuição das Ações Verticais
Grupos de paredes com interação
C. média Carga ∆ Carga C. unif. Tensão Tensão Bloco
Pav. Grupo
(kN/m) (kN/m) (kN/m) (kN/m) (kN/m²) (MPa) (MPa)
G1 17,66 -0,219 17,88 127,7 0,128 1
8 18,1 G2 17,08 -0,513 17,58 125,6 0,126 1
G3 41,5 11,7 29,8 212,8 0,213 1
G1 35,33 -0,437 35,76 255,4 0,255 2
7 36,2 G2 34,15 -1,02 35,17 251,2 0,251 2
G3 83 23,4 59,6 425,7 0,426 3
G1 52,99 -0,656 53,64 383,1 0,383 2
6 54,3 G2 51,23 -1,538 52,76 376,8 0,377 2
G3 124,5 35,1 89,4 638,5 0,639 4
G1 70,65 -0,874 71,52 510,9 0,511 3
5 72,4 G2 68,3 -2,05 70,35 502,5 0,503 3
G3 166 46,8 119,2 851,4 0,851 5
G1 88,32 -1,093 89,4 638,6 0,639 4
4 90,5 G2 85,38 -2,563 87,93 628,1 0,628 4  C arg a  (C.Med .  C.Linear )  0,50
G3 207,5 58,5 149 1064,2 1,064 7
G1 105,98 -1,311 107,28 766,3 0,766 5
3 108,6 G2 102,45 -3,075 105,52 753,7 0,754 5 Taxa de uniformização
G3 249 70,2 178,8 1277,1 1,277 8
G1 123,64 -1,53 125,17 894 0,894 6
2 126,7 G2 119,53 -3,588 123,11 879,3 0,879 5
G3 290,5 81,9 208,6 14900 1,49 9
G1 141,3 -1,748 144,05 1021,8 1,022 6
1 144,8 G2 136,6 -4,1 140,7 1005 1,005 6
G3 332 93,6 238,4 1072,8 1,703 11 Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Distribuição das Ações Verticais
Exemplo 2
Trata-se de um edifício de alvenaria estrutural de nove pavimentos, com pé-
direito de 2,72 m de piso a teto, cuja planta esquemática é mostrada a seguir.

As paredes portantes externas e as que dividem os apartamentos tem espessura


de 19 cm, sendo as restantes de 14 cm de espessura.

Para limitar-se aos elementos mais importantes, tomou-se esse exemplo apenas a
região inferior esquerda da edificação. Essa região foi dividida em paredes e
analisada com quatro suposições de níveis de interação entre os elementos
componentes:
a) paredes isoladas;
b) grupos de paredes sem interação
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Distribuição das Ações Verticais
c) grupos de paredes com taxa
de uniformização de cargas
igual a 50%;
d) grupos de paredes com taxa
de uniformização de cargas
igual a 100%

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Distribuição das Ações Verticais
Grupo Paredes
componentes
G1 P2 e P17
G2 P6 e P11
G3 P1 e P4
G4 P19
G5 P10
G6 P9 e P18
G7 P8
G8 P5, P7, P12 e P14
G9 P13 e P16
G10 P3
G11 P15 e P20

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Distribuição das Ações Verticais
Quanto aos resultados obtidos para as quatro simulações mencionadas, eles serão
apresentados por paredes, independentemente delas estarem ou não agrupadas e
desses grupos estarem interagindo ou não.

A seguir será apresentado um resumo dos resultados, com as diversas simulações,


sempre para o primeiro pavimento da edificação, que é o mais solicitado.

Com os resultados, pode-se observar algumas diferenças muito significativas na


carga vertical atuante em algumas paredes quando se considera o procedimento
de paredes isoladas e grupos de paredes. Normalmente são paredes de pequeno
comprimento que se encontram adjacentes a uma abertura.

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Cagas (kN/m)
Paredes
Paredes Isoladas Grupos sem interação Grupos com interação de 50% Grupos com interação de 100%
P1
P2
Distribuição das Ações Verticais
103,9
108,9
121,3
117,6
149,9
149,5
153,5
153,5
P3 260,9 260,9 165,4 153,5
P4 300,8 121,3 149,9 153,5
P5 328,5 166,3 154,9 153,5
P6 309,1 149,3 153,1 153,5
P7 158,8 166,3 154,9 153,5
P8 195,2 195,2 158,1 153,5
P9 155,1 146,0 152,7 153,5
P10 19,1 129,1 150,8 153,5
P11 114,8 149,3 153,1 153,5
P12 97,6 166,3 154,9 153,5
P13 193,4 190,4 157,6 153,5
P14 182,5 166,3 154,9 153,5
P15 577,2 201,3 158,8 153,5
P16 184,0 190,4 157,6 153,5
P17 164,3 117,6 149,5 153,5
P18 140,4 146,0 152,7 153,5
P19 148,8 148,8 153,0 153,5
P20 166,6 201,3 158,8 Professora Me Lívia Maria
153,5 Palácio Ribeiro
Distribuição das Ações Verticais
Para as simulações que envolvem grupos de paredes, as diferenças são menos
expressivas, e as maiores cargas ocorrem nas paredes que estão isoladas das
demais pela existência de aberturas.

Somente como comparação pode-se estimar a resistência à compressão


necessária para o bloco em cada caso simulado, sempre para o primeiro
pavimento e considerando-se blocos vazados de concreto.

Resistência à compressão do bloco (MPa)


Grupos sem Grupos com Grupos com
Paredes isoladas
interação interação de 50% interação de 100%
16 8 6 6

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Distribuição das Ações Verticais
Através dos resultados das resistências, pode-se perceber que o processo
utilizado para a introdução das cargas verticais influencia, de forma muito
significativa, a resistência necessária para os blocos a serem utilizados e, por
consequência, o custo da obra.

Entretanto, não se deve deixar de se considerar o aspecto mais importante a ser


analisado: a segurança a ser obtida com o procedimento de análise, o que mostra
ser fundamental o desenvolvimento de pesquisa que gera informações sobre a
interação de paredes.

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Distribuição das Ações Verticais
Verificação de Dano Acidental

Ações acidentais são aquelas que estão fora do conjunto normalmente


considerado para o projeto de um edifício, como as ações devidas a explosões e
impactos.

Todavia, essas verificações ganharam importância após um acidente em 1968, na


Inglaterra, em que um edifício de 23 pavimentos, o Ronan Point, sofreu um
colapso progressivo quando a explosão de um botijão de gás no 18º pavimento.

Quando retiraram um de seus painéis portantes, no caso um painel pré-moldado,


as lajes acima do pavimento acidentado entraram em colapso, o que levou todo
um canto da edificação à ruína.
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Distribuição das Ações Verticais

Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro


Distribuição das Ações Verticais
Entretanto, existem duas maneira básicas de prevenir o colapso progressivo:
a) evitar a possibilidade de ocorrência do dano acidental;
b) admitir a possibilidade de ocorrência do acidente e evitar o colapso
progressivo.

É notório que a primeira opção nem sempre é possível de ser implementada,


porém em alguns casos podem ser tomadas providências que minimizem a
probabilidade de ocorrência do acidente.

Quanto a segunda opção, trata-se de evitar que o acidente, e a falha local advinda
dele possam se transformar em uma ruína de parte significativa da estrutura pela
progressão de colapsos.
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Distribuição das Ações Verticais
Quando isso ocorrer, os projetistas devem estar atentos à identificação dos
pontos em que poderiam ocorrer um acidente e providenciar a estrutura
alternativas para a transmissão das cargas.

Isso na prática significa retirar uma parede ou trecho de uma parede e verificar se
o acréscimo dos esforços sobre a laje e demais paredes serão suportados pela
estrutura.

É importante ressaltar dois pontos: os elementos deverão ser retirados um de


cada vez e os coeficientes de segurança poderão ser reduzidos ou até mesmo
eliminados.

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Distribuição das Ações Verticais
Usualmente, um pequeno reforço nas armaduras das lajes e a mudança dos
detalhes de armadura normalmente empregados são suficientes para evitar o
colapso progressivo após um dano acidental.

É recomendável que para uma edificação em alvenaria, as armadura sejam


calculadas para resistir à eventualidades desses acidentes e detalhadas com
transpasse sobre todas as paredes.

A norma brasileira, todavia, é omissa quanto a essa questão. Entretanto, a BS


5628 apresenta uma série de prescrições sobre o assunto em seu item 37, sendo
que muitas dessa recomendações são gerais para edifícios de até 4 pavimentos e
outras mais específicas para edificações de 5 ou mais pavimentos

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Distribuição das Ações Horizontais
Algumas considerações são fundamentais para se entender os procedimentos de
distribuição das ações horizontais.

1) Supor que as ações horizontais sejam distribuídas as paredes de


contraventamento pelas lajes dos pavimentos – dessa forma as lajes serão
consideradas como diafragmas em seu próprio plano, todavia sem rigidez
transversal;
2) Simetria da estrutura de contraventamento, evitando sempre que possível
assimetrias significativas.
Estruturas Estruturas
simétricas: assimétricas:
simplicidade na maior
análise complexidade

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Distribuição das Ações Horizontais
Consideração de Abas ou Flanges
Para a correta consideração da rigidez dos painéis de contraventamento é
recomendável que se leve em conta a contribuição das abas ou flanges, que são
trechos de paredes transversais ligados ao painel.

Esses trechos podem ser considerados como solidários aos painéis, alterando de
maneira significativa a sua rigidez, especialmente o momento de inércia relativo à
flexão.

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Distribuição das Ações Horizontais
Para tanto a NBR 1228 faz as seguintes recomendações:
1) 2 b f  h 6 e b f  6t : para o caso de seção em T ou I

Onde h é a altura de parede


acima da seção considerada

2) b f  h 16 e b f  6t : para o caso de seção em L ou C

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Distribuição das Ações Horizontais
As abas só devem ser consideradas quando duas paredes perpendiculares entre si
estiverem unidas por amarração direta, não sendo permitidas para casos de junta
a prumo.

As vantagens de considerar as abas são muitas, uma delas é a redução de tensões


nas paredes e a diminuição dos deslocamentos das lajes, pois as abas, nos vãos
usuais dos edifícios residenciais, dobram a inércia dos painéis, e portanto
praticamente dividem por dois as tensões a serem obtidas na análise.

A não consideração das abas pode fazer com que os painéis tenham sua rigidez
subestimada ou superestimada, ocasionando com isso uma distribuição incorreta
das ações, em função das incorretas representações de suas rigidezes relativas.
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Distribuição das Ações Horizontais
Distribuição de ações para contraventamento simétrico

- Paredes isoladas
É o processo mais usual. Entretanto, os resultados das tensões são relativamente
muito altos, já que não são consideradas as interações entre paredes separadas
por aberturas.

O procedimento é simples e eficiente, principalmente em casos de ações segundo


o eixo de simetria da estrutura. Basta fazer a compatibilização dos deslocamentos
dos diversos painéis para se encontrar a parcela de carga de cada um.

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Distribuição das Ações Horizontais
A aplicação do processo consiste em se determinar a rigidez relativa de cada
painel, a partir daí a ação atuante em cada um deles, e consequentemente os
momentos fletores. Obtidos estes momentos, calculam-se as tensões normais
atuantes.

Inicialmente deve-se calcular a rigidez de cada painel, que depende de sua inércia,
de seu módulo de elasticidade e de sua altura.
I  I1  I 2  I 3  ...  I n

Ii
Ri 
I

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Distribuição das Ações Horizontais
Calcula-se, então, a ação sobre cada painel:
F i Ftot .  Ri
onde a Ftot. é a ação total em um determinado pavimento

Através das ações calculam-se os momentos fletores, e então obtêm-se as tensões


devidas a estes esforços internos, utilizando a clássica expressão da resistência
dos materiais:
M

onde: W
M= momento fletor atuante na parede
W = módulo de resistência à flexão W  I ymáx
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Distribuição das Ações Horizontais
- Paredes com Aberturas

Neste procedimento, as paredes com aberturas são consideradas como pórticos


com pilares e vigas. Os pilares são trechos verticais de paredes, e as vigas são os
lintéis (trechos entre aberturas).

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Distribuição das Ações Horizontais
Da mesma forma que no procedimento anterior de paredes isoladas, os painéis
de contraventamento absorvem esforços proporcionais às suas rigidezes.
Este procedimento, menos simples que o anterior, envolve a utilização de
recursos computacionais, mesmo que a estrutura de contraventamento seja
simétrica.

Para o caso em que a ação do vento atuar segundo um eixo de simetria da


estrutura de contraventamento, CORRÊA & RAMALHO (1996) sugerem a
utilização de um programa para pórticos planos, sem quaisquer recursos
especiais. Basta que metade dos painéis, pórticos ou paredes isoladas, sejam
modelados em um esquema chamado de associação plana de painéis.

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Distribuição das Ações Horizontais
Associação plana de painéis
Neste esquema, as barras que ligam os
painéis ao nível de cada andar,
simulando as lajes de concreto, devem
ser suficientemente rígidas para que os
deslocamentos de todos os nós do
pavimento sejam iguais. Além disso, as
barras devem ser articuladas em seus
extremos a fim de que suas rigidezes à
flexão sejam desprezadas, em
conformidade com a hipótese de
comportamento de diafragma das lajes.

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Distribuição das Ações Horizontais
Outro ponto a ser destacado no esquema de associação plana de painéis é a
colocação do carregamento, normalmente metade da ação total do pavimento,
apenas no primeiro painel.

A distribuição desta ação para o restante da estrutura se faz pela compatibilidade


dos deslocamentos dos nós.

Os resultados de tensões nas paredes costumam ser bem menores quando


utilizado este procedimento, do que no caso de paredes isoladas, pois ao se
considerarem os trechos de alvenaria acima e abaixo das aberturas tem-se mais
vínculos, e portanto maior rigidez do painel.

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Distribuição das Ações Horizontais
Distribuição de ações para contraventamento assimétrico
Os pavimentos não apenas translada, mas também apresenta uma rotação.

- Paredes isoladas
Caso o eixo segundo o qual atua a ação não seja de simetria, o procedimento
torna-se impraticável de ser executado sem um programa computacional.

Dessa forma, a distribuição precisa levar em conta a rotação dos pavimentos,


inviabilizando o procedimento simples anteriormente apresentado.

Contudo, uma alternativa interessante é utilizar um programa que possua


elementos barras tridimensional e um recurso conhecido como nó mestre.
Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Distribuição das Ações Horizontais
Neste caso, as paredes devem ser discretizadas com um elemento para cada
pavimento da estrutura e todos os nós correspondentes a um pavimento devem
ser ligados a um nó mestre.

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Distribuição das Ações Horizontais
O nó mestre é um recurso computacional através do qual as translações no plano
do pavimento dos nós a ele ligados são transferidas em conjunto com a rotação
normal a esse plano, como se existisse um segmento totalmente rígido entre o nó
considerado e o nó mestre.

Dessa forma, é definido um plano rígido ao nível do pavimento, simulando-se a


existência da laje de concreto. Todos os nós do pavimento perdem os referidos
graus de liberdade de translação, e também a rotação em torno do eixo normal
ao plano, ficando as rigidezes concentradas no nó eleito como mestre do
pavimento.

Como os carregamentos são colocados apenas no nó mestre, após a solução do


sistema global de equações do edifício, as translações e rotações são utilizadas
para o cálculo dos deslocamentos e rotações em cada nó do pavimento,
garantindo a compatibilidade total das translações e rotações do plano.
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Distribuição das Ações Horizontais
- Paredes com Aberturas

Neste procedimento, as paredes com aberturas são consideradas como pórticos


com pilares e vigas. Os pilares são trechos verticais de paredes, e as vigas são os
lintéis (trechos entre aberturas).

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Resistências à Compressão
Em relação à versão de 1989, as principais modificações na verificação da
resistência à compressão são:
• Adoção de valores característicos para resistência à compressão de parede (fk) e
prisma (fpk).
• Introdução de critério para consideração da diminuição de resistência quando a
argamassa é disposta apenas em cordões laterais.
• Padronização do ensaio de prisma com adoção da referência na área bruta para
esse parâmetro.
• Correção das prescrições para consideração do aumento de espessura efetiva
quando existem enrijecedores na parede.
• Alteração dos limites de esbeltez de alvenarias não armadas.
• Introdução de critérios para estimar resistência à compressão na direção
horizontal da parede. Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Resistências à Compressão
Para a relação entre a resistência de parede e de prisma (fpk/fk) assume-se o valor
0,7, ou seja, fk = 0,7fpk. Como estamos trabalhando com valores característicos,
foi necessário estipular um valor para o coeficiente de ponderação da resistência
da alvenaria (γm). A premissa adotada pelo comitê de estudo foi não alterar o
atual nível de segurança de obras em alvenaria estrutural, uma vez que não há
relatos de problemas com esse tipo de obra quando dimensionadas pela versão
de 1989 da norma.

Era preciso adotar um valor de γm que levasse a um resultado de


dimensionamento a partir de valores característicos (fpk) equivalentes aos
anteriormente obtidos a partir de valores médios (fp).

Note que o coeficiente R, redutor da resistência devida à esbeltez da parede, não


foi alterado.
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Resistências à Compressão
Em resumo, a resistência à compressão é verificada por:
 f  Nk  1,0 parede  0,7 f pk   h 
3

  1   ef  
A  0,9 pilares   m   40tef 
 
 

com os valores de γf = 1,4 e γm = 2,0.


em que:
γf , γm – coeficientes de ponderação das ações e das resistências;
Nk – força normal característica;
A – área bruta da seção transversal;
fpk – resistência característica de compressão simples do prisma;
tef , hef – espessura e altura efetiva.
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Resistências à Compressão
O ensaio de prisma pode ser realizado com dois blocos e uma junta de
argamassa. Na construção do corpo de prova (assentamento de um bloco sobre
outro, formando o prisma de dois blocos e uma junta de argamassa) deve-se
dispor a argamassa em toda a face horizontal do bloco (e não apenas nas
laterais).
A ideia é que o ensaio seja padronizado com ajustes no dimensionamento de
acordo com o tipo de construção. A referência para cálculo da resistência de
prisma é a área bruta do bloco, e não mais área líquida como em versões
anteriores de norma.
Quando a argamassa for disposta apenas em dois cordões laterais (Figura 1-B)
deve-se reduzir a resistência da alvenaria, calculada e controlada a partir de um
ensaio de prisma com argamassa sobre todo o bloco (Figura 1-A), em 20%.

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Resistências à Compressão
Figura 1 – Forma de disposição das argamassas

Fonte: PARSEKIAN, 2010


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Resistências à Compressão
A mínima espessura da parede estrutural foi mantida em 14 cm, com
flexibilização do critério para edificações de até dois pavimentos, onde se deve
respeitar o limite do índice de esbeltez.

O limite do índice de esbeltez (λ), definido como relação entre a altura efetiva e a
espessura efetiva, foi aumentado para o caso de alvenaria não armada, devendo-
se respeitar os seguintes limites:
• λ = (hef / tef) ≤ 24 para alvenaria não armada;
• λ = (hef / tef) ≤ 30 para alvenaria armada.

A espessura efetiva pode ser aumentada com o uso de enrijecedores, utilizando-


se os valores indicados na Tabela 1 para cálculo deste aumento.
• tef = δ ∙ tpa Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Resistências à Compressão

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Resistências à Compressão
Outro ponto sobre dimensionamento a compressão é a inclusão de critério para
consideração de resistência na direção horizontal do bloco. Se um prisma ou
parede for totalmente grauteado, assume-se que a resistência à compressão na
direção horizontal é igual à da direção vertical (direção geralmente utilizada no
ensaio de prisma). Entretanto, se não houver graute, deve-se admitir resistência à
compressão na direção horizontal igual a 50% da obtida na direção vertical.

Outro caso de dimensionamento a compressão é o da verificação do ponto de


contato de cargas concentradas. Em cargas concentradas não existe o problema
de flambagem no ponto de contato. Nesse ponto também é possível considerar
um aumento da resistência à compressão, uma vez que as tensões concentradas
na região de contato estarão confinadas por tensões menores ao redor dessa
região. Sempre que a espessura de contato for maior que 5 cm e maior que t/3,
pode-se considerar um aumento de 50% na resistência à compressão.
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Resistências à Compressão
No caso da Figura 2, se a reação da viga for igual a Pk, tem-se:

 f pk t 3
1,5  0,7  se a  
Pk   f  m 5 cm

a b 0,7  f pk se a  t 3
 
 m 5 cm

Em todos os casos recomenda-se que o apoio seja feito sempre em canaleta


grauteda (em um coxim, cinta ou verga). Se a tensão de contato for maior que a
necessária, pode-se ainda executar um coxim de concreto nesse ponto.
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Resistências à Compressão
Considerando um espalhamento da carga a 45°, verifica-se a necessidade de
executar ainda esse coxim nas fiadas inferiores. Recomenda-se ainda que o apoio
seja sempre feito pelo menos meio-bloco afastado da extremidade da parede,
caso contrário não se recomenda considerar o aumento de resistência. Quando a
alvenaria é executada dispondo-se argamassa apenas nos septos laterais dos
blocos, o aumento de resistência por confinamento não acontece.

Figura 2 Carga concentrada.

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Resistências ao Cisalhamento
As tensões de cisalhamento na alvenaria seguem o critério de resistência de
Coulomb (τ = τ0 + μσ), existindo uma parcela inicial da resistência devida à
aderência que é aumentada em função do nível de pré-compressão.

A versão de 1989 não considerava esse comportamento, além de especificar


valores de resistência e faixas de resistência à compressão muito elevadas. Esses
pontos foram corrigidos na revisão da norma.

O valor da parcela de resistência ao cisalhamento da alvenaria depende do traço


de argamassa utilizada, que influencia a aderência inicial (τ0), e do nível de pré-
compressão (μσ), com coeficiente de atrito μ = 0,5. Segundo o projeto de norma,
o valor característico da resistência convencional ao cisalhamento, fvk, é indicado
na Tabela 2.
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Resistências ao Cisalhamento

em que:
fvk – resistência característica ao cisalhamento;
σ – tensão normal considerando apenas 90% das cargas permanentes.

Deve-se destacar que os valores indicados são válidos apenas para argamassas
tradicionais de cimento, cal e areia, sem aditivos ou adições. No caso de
argamassa industrializada, com uso de aditivo, deve ser realizado um ensaio de
caracterização da alvenaria para se obter a resistência ao cisalhamento.
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Resistências ao Cisalhamento
Também se destaca que o ensaio de argamassa deve considerar o corpo de prova
cúbico de 4 cm (molde e CP mostrados nas fi guras 3 e 4), podendo ser moldado
diretamente nesta forma ou obtido a partir do prisma de 4 x 4 x 16 cm do ensaio
de flexão de argamassa.

Figura 3 Molde para corpos de prova Figura 4 Corpos de prova de argamassa em cubos de 40
de argamassa em cubos de 40 mm. mm.

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Resistências ao Cisalhamento
O valor da tensão de pré-compressão σ deve ser calculado considerando apenas
ações permanentes, minoradas do coeficiente de redução igual a 0,9. Se a
alvenaria for de seção T, I ou outra forma com flange, apenas a área da alma deve
ser considerada.
Se houver armadura de flexão perpendicular ao plano de cisalhamento em furo
grauteado, tem-se:
• fvk=0,35+17,5 ρ ≤ 0,7 MPa, em que ρ é a taxa geométrica de armadura =
As/(bd).

Para vigas de alvenaria estrutural biapoiadas ou em balanço, a resistência


característica ao cisalhamento pode ser multiplicada pelo fator [2,5–0,25
Mmax/(Vmax d)], tomado sempre maior que 1,0, desde que a resistência
característica majorada não ultrapasse 1,75 MPa. Mmax é o maior valor do
momento de cálculo na viga, Vmax é o maior valor do esforço cortante de cálculo
na viga e d é a altura útil da seção transversal da viga. Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Resistências ao Cisalhamento
Para a verificação do cisalhamento nas interfaces de ligação entre paredes
(amarração direta), considera-se fvk = 0,35 MPa. Quando os limites acima não
forem suficientes para garantir a estabilidade, é ainda possível armar a alvenaria
ao cisalhamento. Nesse caso tem-se:
• parcela do cisalhamento resistido pela alvenaria: Va= fvd b d;
• armadura de cisalhamento:i. A 
V  V s  0,05%b  s (armadura mínima);
d a
sw
0,5 f yd d
ii. para pilares, considerar diâmetro mínimo do estribo igual a 5mm;
iii. s  espaçamento da armadura 
d / 2
30cm para as vigas


60cm para as paredes

 b
 para os pilares 
50  diâmetro do estribo
 20  diâmetro da armadura longitudinal

 
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Resistências ao Cisalhamento
em que:
Asw – área da seção transversal da armadura de cisalhamento;
Va – força cortante absorvida pela alvenaria;
Vd – força cortante de cálculo;
fyd – resistência de cálculo de escoamento da armadura;
d – altura útil;
b – largura;
s – espaçamento das barras da armadura.

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Resistências à Flexão Simples
Como a alvenaria é um material com baixa resistência à tração em comparação
com a compressão, a resistência à flexão simples de alvenarias não armadas será
governada pela resistência à tração. Essa resistência depende do tipo de
argamassa (traço) utilizada. Basicamente, a alvenaria não armada é dimensionada
no estádio I, com a máxima tensão de tração inferior à resistida pela alvenaria.

Para os casos em que a tração é maior, é necessário armaduras na região


comprimida. Na versão de 1989, a seção deve ser dimensionada no estádio II,
com tensões lineares na região comprimida da seção. A revisão de norma permite
ainda que a seção fletida seja dimensionada no estádio III, com plastificação das
tensões na região comprimida.

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Resistências à Flexão Simples
Nos casos em que é admitido dimensionamento sem consideração da
plastificação das tensões de compressão (diagrama linear de tensões de
compressão nos estádios I e II), é permitido um aumento na resistência à
compressão. Isso ocorre porque a região com tensões mais elevadas é confinada
pela região onde a tensão é menor. Quando se considera plastificação das tensões
(estádio III), esse aumento de resistência não acontece por toda a região
comprimida, que estará sujeita à mesma tensão na ruptura, não existindo
confinamento, portanto.
Os valores característicos de resistência à tração na flexão, que dependem da
argamassa utilizada, são indicados na Tabela 3. Destaca-se que novamente esses
limites são para argamassas de cimento, cal e areia sem aditivos ou adições,
devendo ser realizado ensaio de caracterização para outros casos.

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Resistências à Flexão Simples
A resistência de compressão na flexão é admitida 50% maior que a de
compressão simples:
• ffk = 1,5 fk

em que:
ffk – resistência característica à compressão na flexão da alvenaria;
fk – resistência característica à compressão simples da alvenaria;
ftk – resistência característica de tração na flexão.
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Resistências à Flexão Simples
No estado limite último admite-se estádio III e são feitas as seguintes hipóteses:

• As tensões são proporcionais às deformações.


• As seções permanecem planas depois da deformação.
• Os módulos de deformação são constantes.
• Há aderência perfeita entre o aço e a alvenaria.
• Máxima deformação na alvenaria igual a 0,35%.
• A alvenaria não resiste à tração, sendo esse esforço resistido apenas pelo aço.
• A tensão no aço é limitada a 50% da tensão de escoamento.

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Resistências à Flexão Simples

Figura 5 Diagrama de tensões e deformações no estádio III.

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Resistências à Flexão Simples
Em relação às especificações para dimensionamento de uma seção de concreto
armado, a diferença existente, além de “trocar” fcd por fd, é a limitação da tensão
de escoamento do aço a 50% de seu valor real.

Essa recomendação levou em conta uma limitada quantidade de ensaios


nacionais sobre o tema de vigas de alvenaria. De fato, a alvenaria estrutural é
mais utilizada para estruturas com compressão preponderante, sendo o uso em
vigas não muito frequente, apesar de possível.

A recomendação acima descrita proporciona taxas de armaduras maiores do que


as que seriam necessárias caso não houvesse limitação na tensão do aço. Em
outras palavras pode-se entender que essa limitação propicia momentos
resistentes de cálculo consideravelmente inferiores aos realmente existentes.
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Resistências à Flexão Simples
Pode-se ainda entender essa limitação como uma camada extra de segurança no
dimensionamento à flexão. Como a quantidade de vigas em alvenaria é limitada,
o consumo de aço quando se pensa no universo de obras nacionais é também
limitado, portanto essa precaução não tem impacto do ponto de vista da
economia. É possível que, em normas futuras, o limite imposto seja eliminado.

A Figura 5 indica o diagrama de tensões e deformações para dimensionamento


de uma seção retangular. No caso de armaduras isoladas, deve-se limitar a largura
da seção, conforme Figura 6.

Figura 6 Limitação da largura da


seção para armadura isolada.

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Resistências à Flexão Simples
Para o caso de alvenaria com enrijecedores, formando seção T e respeitando os
limites mostrados na Figura 7, pode-se calcular o momento resistente por:
M Rd  As f s z  f d bmt f d  0,5t f ; em que f s  50% f yd
 A f 
z  d 1  0,5 s s   0,95d
 bm df d 

Figura 7 Seção T.

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Resistências à Flexão Simples
Quando a altura de uma viga é superior a 1/3 do seu vão, esta deve ser tratada
como viga-parede, com encaminhamento dos esforços aos apoios por biela
comprimida. A armadura horizontal deve ser dimensionada conforme abaixo:

 Viga  parede : h  L / 3;
0,7 L
z ;
2 / 3 H
 M Rd  As f sd z; em que f sd  50% f yd

Nesse caso, deve-se ainda verificar a compressão na região superior da parede e é


recomendado dispor uma armadura em cada junta horizontal da face inferior da
viga até a distância de 0,5 d ou 0,5 Lef (o que for menor) com área mínima de
0,04% da área da seção.
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Resistências à Flexão Simples

Figura 8 Dimensionamento de viga-parede.

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Resistências à Flexo-compressão
Além do carregamento vertical, é comum as paredes estarem sujeitas a cargas
laterais. Em edifícios sempre haverá um carregamento vertical e um horizontal,
geralmente devidos ao vento, gerando esforços de flexão, compressão e
cisalhamento.

Alvenaria não armada ou com baixa taxa de armadura


Assim como no caso de flexão simples, na flexo-compressão pode haver casos
no estádio I, II e III. Na revisão de norma é permitido o dimensionamento do
estádio III.
É necessário verificar as máximas tensões de compressão e tração, devendo-se
comparar valores característicos e realizar combinações de esforços críticos,
separando ações permanentes e variáveis. Deve-se verificar as tensões máximas
de tração e de compressão
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Resistências à Flexo-compressão
Verificação da tração máxima
• γfq Q + γfg · G ≤ ftk / γm. Deve-se destacar que essa verificação é válida para
ações variáveis (como ação do vento). Para verificações que contemplem ações
permanentes, não se deve contar com a resistência à tração da alvenaria.
• Para edifícios, geralmente a ação permanente G e a acidental Q são favoráveis,
e, portanto, γfg = 0,9 e γfq,acidental = 0,0.
• A ação de vento deve ser tomada como favorável, com γfq,vento = 1,4.
• Deve-se então verificar:
i. 1,4Qvento – 0,9 · G ≤ ftk / γm (ver Tabela 3).
• Se a inequação acima não for verificada, há necessidade de armadura, que pode
simplificadamente ser calculada no estádio II (válido para tensões de tração
pequenas).
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Resistências à Flexo-compressão
Verificação da tração máxima
• Nesse caso, calcula-se qual a força de tração necessária multiplicando-se o
diagrama das tensões de tração pela área da parede onde estas se distribuem. A
partir da força de tração necessária, calcula-se a área de aço dividindo-se essa
força por 50% fyd (ver exemplo a seguir). No detalhamento é importante
posicionar a armadura no terço da região tracionada mais próximo da borda
da parede.
• O cálculo refinado no estádio III é permitido na revisão de norma, devendo ser
aplicado em casos de tensões de tração maiores, como em edifícios mais altos.

Verificação da compressão máxima


• A tensão de compressão máxima pode ser verificada separando a compressão
simples e devida à flexão e considerando redução das ações acidentais
simultâneas. Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Resistências à Flexo-compressão
Deve-se verificar:
 fq 0Qacidental   fg G  fq Qvento fk
i.  
R 1,5 m
e
 fq 0Qacidental   fg G  fq 0Qvento fk
ii.  
R 1,5 m

Para o caso de edifícios e todas as ações desfavoráveis:


i. fk = 0,7 fpk
ii. ψ0 = 0,5 (acidental); 0,6 (vento); γfq = γfg = 1,4
iii. γm=2,0
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Resistências à Flexo-compressão
Simplificando:

2,0Qacidental  4G f
i.  2,66Qvento  k
R m
e
4,0Qacidental  4,0G f
ii.  1,60Qvento  k
R m

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Resistências à Flexo-compressão
Alvenaria armada

Elementos curtos
Quando o elemento é curto, com esbeltez menor ou no máximo igual a 12, para
seções retangulares, permite-se a adoção de armadura mínima quando a força
normal de cálculo Nsd não excede a:
Nrd = fdb (h – 2ex)
Quando a força normal de cálculo excede o limite do item anterior, a resistência
da seção pode ser estimada pelas seguintes expressões, conforme Figura:

Nrd = fdby + fs1As1 – fs2As2


Mrd = fdby(h – y) + fs1As1 (0,5h–d1) + fs2As2(0,5h – d2)
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Resistências à Flexo-compressão

Figura 9 Flexo-compressão – seção retangular.


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Resistências à Flexo-compressão
Para elemento curto submetido a uma flexão composta oblíqua, pode-se
dimensionar uma seção com armaduras simétricas mediante a transformação em
uma flexão reta composta, aumentando-se um dos momentos fletores de acordo
com o seguinte:

p Mx My
M ' x  M x  j M y para 
q p q
ou
q Mx My
M ' y  M y  j M x para 
p p q

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Resistências à Flexo-compressão

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Resistências à Flexo-compressão
Elementos esbeltos

No caso de elementos comprimidos com índice de esbeltez superior a 12, o


dimensionamento deve ser feito de acordo com o item anterior, porém deve ser
adicionado o momento de segunda ordem abaixo na direção de menor inércia:

N d (he )²
M 2d 
2000t

Figura 10 Momento de 2ª ordem.


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Análise elástica de Vigas
Seção não fissurada

Antes do aparecimento de fissuras, as distribuições de tensões e as deformações


ao longo da seção são lineares, conforme figura 11a. As propriedades da seção
podem ser calculadas pela seção equivalente, onde a área de aço é transferida em
uma área de alvenaria que produz a mesma deformação. Levando em conta a
relação entre módulo de elasticidade do aço e da alvenaria, essa área é igual a
n·As, com:
n  E s Ea
onde:
As = área de aço;
Es = módulo de elasticidade do aço = 210 GPa;
Ea = módulo de elasticidade da alvenaria = 800 fpk com blocos de concreto
600 fpk com blocos cerâmicos
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Análise elástica de Vigas
O centroide da seção equivalente, sem fissuração e medido a partir da fibra mais
comprimida, será:
 h 
Y  bh  (n  1) As d  /bh  (n  1) As 
 2 
O termo (n-1)As corresponde à área de alvenaria ocupada pelo aço. O momento
de inércia da seção equivalente não fissurada será:

 
2
 h
 bh y    n  1As d  y
bh ³ 2
I eq 
12  2
Em algumas situações pode ser satisfatório e conservador ignorar a área de aço,
com y=h/2 e momento de inércia igual ao primeiro termo da equação anterior. A
tensão em qualquer ponto da seção transversal, fai, é igual a:
M
f ai  yi
I eq
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Análise elástica de Vigas
em que:
M = momento aplicado;
Yi = distância do ponto de análise até a linha neutra.

A tensão no aço, fs, é calculada por: 


M d  y
f s  n

 I eq 

em que (d – y) é a distância da linha neutra até o centroide das armaduras.

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Análise elástica de Vigas
Seção fissurada

A alvenaria fissura quando a tensão no bordo tracionado excede a resistência de


tração na flexão desta. A seção fissurada continuará com comportamento elástico
(figura 11b) até um certo limite de M. Ignorando a região da seção composta da
alvenaria sujeita a tração, a seção equivalente passa a ser formada pela região de
alvenaria comprimida e “n” vezes a área de aço na região tracionada. A partir
dessa seção equivalente, calculam-se as tensões e deformações. Para uma seção
retangular, o equilíbrio das forças de tração (T) e compressão (C) e a
compatibilidade de deformações entre o aço e alvenaria podem ser considerados
conforme a equação abaixo. A posição da linha neutra (LN) é definida pela altura
da região comprimida (kd):
 d  kd  fa
T  C  nAs   f a  bkd
 kd  2
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Análise elástica de Vigas
Desenvolvendo a expressão acima e definindo ρ como a taxa geométrica de
armadura, ρ=As/(bd), pode-se calcular a posição da linha neutra (k) resolvendo a
equação do 2º grau: kd
nAs (d  kd )  bkd
2
k  2n  (n )²  n
Com a área de aço transformada em uma área de alvenaria equivalente (nAs),
pode-se determinar o momento de inércia da seção fissurada:

bkd 
2
 kd 
3
b(kd ) 3
I cr   b(kd )   nAs (d  kd )   nAs d  kd 
2 2

12  2  3

A tensão de compressão máxima na alvenaria será:


M
fa  (kd )
I cr
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Análise elástica de Vigas
com a tensão no aço igual a:
nM (d  kd )
fs 
I cr

Explicitando os valores das forças de tração (T) e compressão (C), tem-se:


fa
C bkd
2
T  As f s

O momento aplicado, M, deve então estar em equilíbrio com o momento interno


dado pelo binário das forças T e C, com o braço de alavanca igual a (d-kd/3)
M  C (d  kd / 3)  T (d  kd / 3)
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Análise elástica de Vigas

Deve-se considerar que até a publicação das novas normas para projeto e
execução de alvenaria estrutural em 2011, o cálculo pelo método elástico
considerando tensões admissíveis era utilizado no Brasil (NBR 10837/1989, não
mais em vigor). A partir de 2011, as seções fletidas são dimensionadas
considerando a plastificação da seção e o estado limite último.
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Análise de vigas pelo estado limite último
O estado limite último representa a condição final quando um elemento atinge
sua máxima capacidade resistente. Nesse ponto, a alvenaria sob compressão está
com comportamento não linear e a deformação máxima na fibra do bordo mais
comprimido é limitada pela máxima deformação da alvenaria εu, figura abaixo:

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Análise de vigas pelo estado limite último
Embora existam situações onde o aço não escoa quando a quantidade de
armadura é superior ao da seção subarmada, essa condição não é desejável ao
projeto. Todavia, os requisitos de projeto devem atender à condição de
ductilidade da seção, garantindo a condição de escoamento da armadura.

Com isso, a força de tração será igual a T=Asfyk, sendo fyk igual a tensão de
escoamento da armadura. Considerando que o projeto esteja sendo realizado nas
condições normais de uso, o coeficiente de majoração da resistência do aço será:
γs=1,15.

A norma brasileira impõe ainda que não se deve permitir uma tensão de aço
maior que 50% da tensão de escoamento deste. Considerando todos os fatores
acima, a força de tração no aço será:
T  As f yk /  s
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Análise de vigas pelo estado limite último
Como demonstrado anteriormente, o diagrama tensão-deformação da alvenaria
não é linear e depende de vários fatores e propriedades dos materiais. Uma
maneira simples e adequada de considerar uma distribuição retangular
equivalente de tensões é diminuir a altura do diagrama para 0,8x. Algumas
literaturas trazem a faixa dos resultados da deformação na ruptura entre 0,2% a
0,35%. A norma brasileira adota o valor superior, igual a 0,35% ou 3,5‰.

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Análise de vigas pelo estado limite último
A figura 12 mostra a real distribuição de tensões na alvenaria em uma seção
fletida e o diagrama retangular aproximado utilizado para o dimensionamento, de
maneira semelhante ao concreto armado. As diferenças para o concreto armado
está na substituição da resistência do concreto pela da alvenaria (fd), a introdução
do coeficiente de redução “k”, que leva em cona a direção da compressão, e o
maior coeficiente redutor da resistência do aço.

A norma adota fd=0,7fpk/2,0. O coeficiente “k” vale 1,0 para compressão normal
à junta de assentamento. Para compressão paralela à junta de assentamento deve-
se tomar k=0,5 quando a seção não é grauteada ou quando há graute vertical em
blocos vazados. No caso de blocos canaletas grauteado totalmente, o valor de k
será igual a 1,0, pois nesse caso, a seção comprimida será continuamente cheia de
graute.
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Análise de vigas pelo estado limite último
A altura da região comprimida define a posição da linha neutra (LN), indicada
pela dimensão “x”. A altura do diagrama de tensões retangular equivalente é
tomada igual a 0,8x. O valor de 0,8 vale para a maioria das aplicações em
alvenaria, porém algumas normas internacionais indicam valores menores para
blocos de resistência superior a 10 MPa.

A força de compressão (C) será, então, igual a 0,8·b·x·k·fd. Considerando o


coeficiente de minoração da resistência da alvenaria, γm, igual a 2,0 e escrevendo a
expressão em termos de resistência de prisma, tem-se:

0,7 f pk f pk
c  0,8  b  x  k   0,56  b  x  k 
m m

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Análise de vigas pelo estado limite último
Por equilíbrio T=C
As  f yk   m
x
0,56  b  k  f pk   s

Por equilíbrio de momento, Md=T(d-0,4x)

As  f yk
Md  d  0,4 x 
Ys

Considerando a taxa de armadura ρ=As/(bd), tem-se:


  f yk    f yk   m 
M d  Kbd 2
K 1  0,4 
s  0,56  k  f pk   s 
 
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Análise de vigas pelo estado limite último
O valor de K pode ser tabelado para várias especificações de materiais (aço e
alvenaria). Também se pode resolver a equação de 2º grau e calcular As.
Considerando aço CA-50, fyk=500 MPa = 50 kN/cm², γs=1,15 e γm= 2,0, pode-
se reescrever a equação para o cálculo da armadura, com unidade em kN e cm:
2700,5  As2
 43,5  As  d  M d  0
b  k  f pk
Para que as equações acima sejam válidas, a armadura deve escoar quando a
alvenaria atingir o limite de deformação de 0,35%. Considerando a deformação
no aço igual à de escoamento de aço CA-50, εy = 0,207%, a máxima altura da
linha neutra deve ser limitada a:
x u 0,35
   0,628
d  u   y 0,35  0,207

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Análise de vigas pelo estado limite último
Pode ainda ser recomendável seguir o limite da NBR 6118/2014, com limite de
x/d=0,45 para garantir boa ductilidade da seção.

A área de aço equivalente à máxima altura da linha neutra é conhecida como área
balanceada, Asb, e corresponde à exata quantidade de armadura que leva ao
escoamento da armadura e ruptura da alvenaria ao mesmo tempo. É o limite
entre o comportamento dúctil e frágil e, por consequência, limita a máxima
armadura simples da seção fletida na alvenaria armada.

Considerando x/d=0,628, pode-se determinar o valor de Asb:

As  f yk   m
0,628  d 
0,56  b  k  f pk   s
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Análise de vigas pelo estado limite último
Considerando aço CA-50, fyk = 500 MPa = 50kN/cm², γs=1,15 e γm=2,0, pode-
se reescrever a equação para o cálculo da área máxima de armadura e determinar
o máximo momento de cálculo para armadura simples, com unidades em kN e
cm.
Asb  As ,máx  0,00404  d  b  k  f pk , com f pk em kN / cm²

As  50
M db  M d ,máx  d  0,4  0,628d 
1,15
M db  M d ,máx  0,1317  d 2  b  k  f pk , com f pk em kN / cm²

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Armadura dupla
Armadura na região comprimida podem ser necessárias para servir de apoio ao
estribo, para reduzir a deformação ao longo do tempo da viga, para reduzir a
altura da linha neutra e garantir a ductilidade à seção, ou ainda por haver casos de
carregamento distintos com sentidos invertidos.

Nessa armadura, pode ser levado em conta o dimensionamento, desde que seja
adequadamente travada pelos estribos para impedir a flambagem das barras
comprimidas.

Nesse caso, o diâmetro mínimo recomendado para o estribo é 6,3 mm, com
espaçamento máximo igual a 16x o diâmetro da armadura longitudinal
comprimida e 48x o diâmetro do estribo.

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Armadura dupla
Uma armadura de compressão numa seção fletida com armadura dupla é
mostrada na figura abaixo:

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Armadura dupla
Propriedades da seção fissurada (estado limite de serviço)

Considerando áreas equivalentes às armaduras, a posição da LN, kd, para


verificação em serviço, pode ser calculada igualando-se momento estático da
parte de cima e de baixo da linha neutra (área de alvenaria fissurada, abaixo da
LN, é desconsiderada):
kd
b(kd )  (n  1) A's (kd  d ' )  nAs (d  kd )
2
A parcela -1As’ no termo (n-1)As’ representa a área de alvenaria ocupada pela
armadura negativa. Adotando r’=As’/bd, o valora de k pode ser calculado por:

 d'
k  2n      2   n   '     n   '   '
d' 2

 d d
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Armadura dupla
Propriedades da seção fissurada (estado limite de serviço)

O momento limite último da seção fissurada será:


b(kd )³
I cr   nAs (d  kd )²  (n  1) As' (kd  d )²
3

Estado limite último: considerando que o valor de Md aplidado à seção é maior


que o momento da seção balanceada (Mdb), e por isso pretende-se dispor uma
armadura dupla, a posição da LN é a da seção balanceada, com x=0,628d para
ação CA-50. Até o valor de Mdb, a armadura simples é suficiente. A diferença de
momento aplicado e o máximo da seção balanceada é definido por:

M  M d  M db

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Armadura dupla
Estado limite último
O momento ΔM será resistido pelo binário formado pela armadura de
compressão e uma armadura de tração adicional. O braço de alavanca entre essas
armaduras é definido pelo posicionamento destas, igual a z’=(d-d’). A força de
compressão adicional na armadura comprimida (igual a força de tração adicional)
será:
Cs  M d  d '
É necessário verificar se a deformação na região comprimida na posição d’ leva
ao escoamento da armadura ou não. Se houver escoamento (e ignorando a área
de alvenaria que é substituída pelo aço que, a rigor, deveria ser subtraída do
cálculo), a força de compressão na barra comprimida será:
As' f yk M M   s
Cs    As 
'

s d  d ' f yk  d  d '
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Armadura dupla
Estado limite último

Para fyk = 50kN/cm² e unidades em kN e cm:


M
As'  0,023
d  d '
Caso contrário, é preciso checar a tensão correspondente à deformação nessa
fibra.
s
'
d' s '
d' d'
     s  0,00557
'

u d 0,0035 0,628d d

A tensão no aço será ε’·Es e a área de armadura resulta em:


M   s
A 
'

 's Es d  d '


s

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Armadura dupla
Estado limite último

Para levar em conta a área de alvenaria substituída pela armadura comprimida,


deve-se-ia subtrair a parcela As’·k=0,7fpk/γm de Cs, o que geralmente é ignorado,
pois o valor é relativamente pequeno. Como a armadura da parte tracionada está
escoando, basta adicionar uma área de aço nessa região correspondente ao
binário para resistir ΔM. Para aço CA-50, unidades em kN e cm, tem-se:
M
As  Asb  As 2  0,004044  d  b  f pk  0,023
d  d '
Sendo o momento total resistido pela seção igual a:


M d  M db  M  0,1317  d 2  b  f pk  43,5  As' d  d ' 

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Estados limites de serviço
Os estados limites a serem verificadas no dimensionamento de vigas incluem a
flecha (ou deformação) máxima, o controle de fissura e proteção contra a
corrosão, a qual é tratada pela especificação de cobrimento mínimo ou
especificação de algum tratamento. As armaduras na junta de argamassa podem
então ser de aço galvanizado ou devem ter cobrimento mínimo na direção
horizontal de 15 mm.

No caso de armadura envolta por graute, deve-se respeitar o cobrimento mínimo


(descontando qualquer espessura do bloco ou canaleta) também de 15 mm. Para
garantir o posicionamento destas, é recomendável o uso de espaçadores para
alvenaria estrutural.

As fissuras por flexão geralmente ocorrem nas juntas de argamassa.


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Estados limites de serviço
Em vigas de alvenaria construídas com blocos de 390 mm de comprimento
tipicamente apresentam fissuras a cada 200 mm, correspondentes ao
espaçamento das juntas verticais. As vigas de concreto normalmente apresentam
fissuras menos espaçadas. Por esse motivo, as fissuras em vigas de alvenaria
geralmente são mais concentradas e de maior espessura.

Para determinada condição de exposição ambiental, o projetista deve limitar a


condição de exposição da armadura, limitando a abertura de fissuras pela
imposição de limites na tensão no aço para ações de serviços.

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Estados limites de serviço
Abertura de fissura: esta é uma condição de serviço importante, e, na falta de
procedimento mais preciso, a recomendação da norma canadense CSA S3041.1,
adaptada de recomendações semelhantes para concreto armado, pode ser
adotada. Como as aberturas de fissuras são muito variáveis, a especificação não
limita a abertura de fissuras, preferindo impor limites para força por metro linear
em uma seção de concreto que envolve a barra de aço, indicada pelo termo “z”:
z  f s 3 dc  A
onde:
fs = tensão no aço para combinação de ações de serviço (kN/cm²);
dc= distância do centro da armadura mais tracionada até o bordo mais
tracionado (cm);
A = área de concreto de envolvimento, especificado como área de graute/bloco
que tem o mesmo controide de cada barra de aço (cm²)
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Estados limites de serviço
Em qualquer situação, a largura e altura do retângulo utilizado para o cálculo de
A devem ser tomadas com valores inferiores a 7,5 vezes o diâmetro da armadura.

O valor de z não deve ser superor a 300 kN/cm para alvenaria revestida ou 250
kN/cm para alvenarias aparentes.

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Estados limites de serviço
Deslocamento: existe a necessidade de verificação do estado limite de serviço
de deformações excessivas, feita com a combinação quase permanente de ações.
Para o caso de vigas que suportem paredes, a flecha é limitada a ℓ/500, com ℓ
igual ao comprimento do vão, e considerando o deslocamento que ocorre depois
da construção da parede.

Para casos comuns, geralmente é possível dispensar a verificação do


deslocamento quando a altura útil da viga é maior que o comprimento do
vão/10.

O cálculo da flecha imediata, levando em conta a fissuração, pode ser realizado


utilizando os métodos desenvolvidos para elementos de concreto armado. O
momento de inércia para cálculo da flecha pode ser tomado como um valor
intermediário entre o da seção não fissurada e fissurada, ponderada pela relação
entre o momento de fissuração máximo aplicada na seção.
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Estados limites de serviço
 M cr 
3
  M cr 
3

Im 
 M 
 I eq  1  
 M 
  I cr  I eq
 a  
  a  

onde:
Ieq, Icr – são momentos de inércia equivalentes da seção não fissurada e fissurada;
Ma – momento máximo em serviço na combinação quase permanente;

 f   I
Mcr – momento de fissuração -
tk k
M cr eq
y t

ftk – resistência de tração na flexão;


σk – tensão de compressão axial aplicada na seção;
yt – distância do centroide da seção não fissurada ao bordo mais tracionado
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Estados limites de serviço
A estimativa da flecha ao longo do tempo é feita tomando a flecha total igual ao
dobro da inicial, de acordo com a normalização brasileira. A norma canadense
permite estimar esse valor em função da armadura de compressão existente:

 S 
Flecha final  flecha inicial  1  
' 
 1  50  

com ρ’=A’/bd na seção central do vão para vigas com dois apoios ou no apoio
para vigas em balanço, e S depende do tempo de permanência do carregamento
(igual a 1,0 para 5 anos, 0,7 para 1 ano e 0,6 para seis meses).

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Estados limites de serviço
Armadura intermediária

Embora as prescrições anteriores possam permitir o controle adequado da


fissuração na região próxima tracionada, é possível que fissuras se formem entre
a armadura principal de tração e a de compressão. Essas fissuras podem afetar a
condição de serviço da viga ou, ainda, diminuir a resistência ao cisalhamento. Por
esse motivo, recomenda-se especificar uma armadura intermediária para vigas
com altura maior que 60 cm a cada 20 cm.

Considerando a recomendação da NBR 6118, de que a armadura de pele seja


igual a 0,2% da área de concreto e espaçamento de 20 cm, chega-se a uma
armadura intermediária mínima igual a 4% vezes a largura da viga. Para blocos de
14 cm e 19 cm, chega-se a 0,56 cm² e 0,76 cm², respectivamente, ficando aqui a
recomendação de especificar uma barra longitudinal de 10 mm a cada 20 cm ao
longo da altura para vigas com três ou mais fiadas. Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Estados limites de serviço
Vigas-parede

Quando a altura de uma viga é superior a ¹/₃ de seu vão, as seções permanecem
planas, e esta deve ser tratada como viga-parede, com encaminhamento dos
esforços aos apoios por bielas comprimidas

Geralmente se considera suficiente dimensionar a armadura principal calculando


o momento máximo no vão como uma viga normal e a armadura conforme:

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Estados limites de serviço
 Viga  parede : h  L / 3;
0,7 L
 z  2 ;
 H
3
 M Rd  As f sd z; onde f sd  50% f yd

Deve-se ainda verificar a compressão na região superior da parede. Recomenda-


se dispor uma armadura em cada junta horizontal da face inferior da viga até a
distância de 0,5 d ou 0,5 Lef (o que for menor), com área mínima de 0,04% da
área da seção.

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Estados limites de serviço
Armadura mínima

Normalmente a taxa de armadura mínima de uma seção fletida está relacionada à


área de aço correspondente ao momento de fissuração. Para uma seção não
armada, a máxima tensão de tração e o braço de alavanca entre a força de
compressão e a tração são:

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Estados limites de serviço
Para seção retangular, o momento de fissuração será:
bh 2
M cr  f t
6
Considerando, de maneira aproximada, o braço de alavanca z=2h/3, a armadura
pode ser estimada por:
M cr f t bh
As ,min   0,25
fs z fs
A norma brasileira traz especificamente para a resistência característica de tração
na flexão da alvenaria (aderência da argamassa), ftk, considerando o limite dessa
resistência. Para o cálculo da armadura mínima, deve-se considerar o limite
superior de ftk. O máximo de resistência a tração na flexão (para fa > 7 MPa e
tração paralela à fiada) especificada para alvenaria é 0,5 MPa.
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Estados limites de serviço
Então, para cálculo da armadura mínima é razoável estimar ft=1,80·0,5=0,9
MPa. Com fs para aço CA 50 limitado a 50%fyk = 217 MPa, chega-se a uma taxa
de armadura mínima igual a 0,0104% bh. De acordo dom a norma brasileira para
projeto de alvenaria estrutural, tem-se:

As ,min  0,10%bh

Uma prescrição interessante existente na norma canadense é a indicação de que a


armadura mínima pode ser desprezada caso a área de armadura em todas as
seções da viga seja 33% superior ao valor máximo indicado pelo cálculo.

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Estados limites de serviço
Considerações especiais:

As prescrições para vigas de alvenaria partem do pressuposto de que todas as


seções são inteiramente grauteadas e armadas, e não são permitidas juntas
verticais não preenchidas.

Algumas razões para essas precauções incluem:


a) Se a região comprimida da seção não for totalmente preenchida, não é
possível contar com toda a seção da viga;
b) Deve-se proteger a armadura horizontal contra corrosão envolvendo-a com
graute;
c) As prescrições para dimensionamento ao cisalhamento são baseadas em
ensaios em vigas totalmente maciças ou grateadas.
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Estados limites de serviço
Quando a região comprimida não for formada por canaletas com grauteamento
horizontal contínuo, deve-se considerar uma redução da seção, normalmente
considerando o valor de “k” igual a 0,5.

Exemplo uma viga executada com uma fiada inferior em canaleta grauteada e a
fiada superior (comprimida) com bloco inteiro vazado, também garuteado. Em
cada junta vertical, a argamassa estará provavelmente disposta em apenas dois
cordões, portanto não preenchendo toda a seção, devendo-se nessa situação
adotar k=0,5.

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Exemplo
A viga da figura composta de três fiadas grauteadas, a primeira em canaleta e as
demais em blocos vazados, com altura útil de 53 cm, aço CA 50, e Es=210 GPa,
fbk = 10,0 MPa. Determine: a) Área de aço para a seção banlanceada (seção
limite de ductilidade, segundo a NBR 6118/14); b) O momento de projeto para
seção balanceada (máximo momento para a armadura simples – momento
resistente); c) O momento de projeto para uma barra de 16 mm; d) A quantidade
de área de aço negativa (de compressão) para garantir a ductilidade da seção, caso
sejam utilizadas quatro barras de 10 mm para armadura positiva; e) O momento
de projeto para aço em (d); f) Para um vão efetivo de 4,2 m, aço em (e),
carregamento permanente gk = 7 kN/m, calcule o máximo carregamento
acidental para a viga biapoiada; g) Verifique a deformação para o caso (f); h)
Verifique o controle de fissuras para o caso (f)

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Exemplo

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Comportamento e dimensionamento ao cisalhamento
Desenvolvimento das especificações para dimensionamento

Vigas de alvenaria armada devem ser dimensionadas ao cisalhamento, assim


como à flexão. As forças cortantes máximas geralmente ocorrem próximas aos
apoios. A ruptura por cisalhamento, algumas vezes chamada de ruptura por
tração diagonal, ocorre de maneira frágil com deslocamentos muito pequenos,
não permitindo aviso de ruptura iminente. Conforme se aumenta o
carregamento, várias fases de comportamento podem ser definidas.

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Comportamento e dimensionamento ao cisalhamento
Viga não fissurada:

Para momentos fletores pequenos, quando a máxima tração na seção é inferior à


resistência de tração na flexão da alvenaria, pode-se assumir que a viga tem
comportamento elástico e homogêneo. A tensão de cisalhamento pode ser
calculada por:
VQ
v 
Ib
onde:
V = força cortante;
Q = momento estático em relação ao controide da região da seção entre o ponto
em pretende determinar a tensão de cisalhamento e a fibra mais extrema;
I = momento de inércia;
b = largura da seção Professora Me Lívia Maria Palácio Ribeiro
Comportamento e dimensionamento ao cisalhamento
A tensão máxima ocorre no centroide da seção, com distribuição parabólica.

Viga fissurada, sem estribos transversais

A tensão de cisalhamento calculada com equação anterior, resulta em uma tensão


principal de tração a 45º na linha neutra. Quando essa tensão é superior à
resistência de tração diagonal da alvenaria, fissuras de cisalhamento se
desenvolvem inicialmente na linha neutra. As fissuras diagonais resultantes
podem cruzar os blocos e juntas na diagonal ou ocorrer em forma de escada,
contornando as juntas verticais e horizontais.
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Comportamento e dimensionamento ao cisalhamento
No bordo tracionado, a tensão principal de tração é paralela à viga e ocorre por
flexão. Na figura abaixo, as tensões se iniciam na parte inferior, com direção
perpendicular ao eixo da viga.

Entretanto, nas regiões com maior cortante, as tensões de cisalhamento cujos


valores máximos ocorrem na parte central da seção causam tensões principais de
tração inclinadas. Portanto, as fissuras verticais de flexão iniciais tendem a se
inclinar aproximadamente na direção perpendicular às tensões principais.

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