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Feita a Paz com Castela, anos após a vitória,
na Batalha de Aljubarrota, D. João I tem agora
em mãos o governo de um país empobrecido e
endividado pela guerra.
Para consolidar as relações de amizade entre
os dois países cristãos, D. João I propõe ao rei
de Castela uma expedição militar conjunta ao
Norte de África - Ceuta - para vingar
humilhações passadas e, através da ocupação
territorial e do saque das praças conquistadas,
minorar os problemas económicos dos dois
reinos.
Perante a hesitação do rei castelhano, mas
com o apoio de todos os grupos sociais do
reino, D. João decide avançar sozinho com o
projecto que a todos parecia beneficiar.
A Nobreza que pretendia cobrir-se de glórias e
arrecadar o saque das conquistas.
O Clero que ao estabelecer-se numa região
pagã aumentaria o seu poder e influência.
A Burguesia que pensava obter grandes lucros
com o controle do comércio com o Oriente que
cruzava a cidade.
O Povo que passava fome e via no domínio das
áreas cerealíferas que rodeavam a cidade, a
solução para as suas dificuldades.
O Rei que via na expedição a Ceuta, uma
forma de resolver os problemas económicos e
sociais do reino, apoderando-se das minas de
ouro da região , unindo em torno de um
objectivo nacional todas as classes sociais.
·as se a vitória militar foi
facilmente conseguida, o mesmo
não se passou com os resultados
que se pretendiam atingir.

De facto, abandonada pela


população vencida, desertificadas
as terras agrícolas em redor, e
desviadas as rotas comerciais,
Ceuta rapidamente se tornou mais
um problema do que a solução
milagrosa para os males do país.

Nos anos seguintes, a situação


piorará devido aos constantes
ataques dos ·uçulmanos à cidade,
na tentativa de a reconquistar .
pntretanto, D. João I morre,
não sem expressamente pedir
a D. Duarte, seu herdeiro,
que prossiga com os seus
irmãos as conquistas
Africanas.
Conhecido no seu tempo
como homem da cultura,
amante da arte, escritor e
filósofo, D. Duarte ficará
também ligado aos
sangrentos e infelizes
acontecimentos relacionados
com a tentativa da conquista
de Tânger, de que veio a
resultar o cativeiro e a morte
de seu irmão, o infante D.
Fernando.
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Pretendendo honrar as promessas feitas a seu pai, D. Duarte armou de imediato uma
expedição comandada pelo seu irmão, o infante D. Henrique , para conquistar Tânger,
uma importante cidade litoral do Norte de África.
Com a conquista de Tânger, Portugal procurava romper o isolamento de Ceuta como
única praça Africana sob domínio Cristão e consolidar a sua presença no Continente.
No entanto, ao contrário do que tinha acontecido em Ceuta, esta nova ofensiva em
África foi um completo desastre.

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„itiados durante mais de um mês
pelos ·ouros, que desta vez não
foram apanhados desprevenidos,
aos portugueses vencidos não
restou senão aceitar as condições
que lhes foram impostas.
O abandono de Ceuta foi a
condição para que pudessem
partir sem honra nem glória, mas
vivos.
Como garantia, o infante D.
Fernando ficaria na situação de
refém até que o acordo fosse
cumprido.
De regresso informado o rei D.
Duarte do sucedido, este remete
para as Cortes a decisão a tomar.

INFANTp D.FpRNANDO
Reunidas em Coimbra, as Cortes, maioritariamente
compostas por membros do Alto-
Alto-Clero e da Alta-
Alta-Nobreza,
recusam--se a entregar Ceuta aos ·ouros e, com isto,
recusam
condenam à morte, depois de um longo cativeiro, o Infante
D. Fernando.
pstes reveses , que se somaram
ao agravamento das dificuldades
e despesas do reino com a defesa
de Ceuta, e ao desânimo
nacional a que só a Nobreza
escapava, vão determinar uma
mudança profunda no caminho a
seguir pelos Portugueses.

Ainda durante o reinado de D.


João I, por ordem do infante D.
Henrique, são redescobertos e
ocupados os arquipélagos da
·adeira (1419) e dos Açores
(1427).

PARTIDA PARA ARZILA


D. Duarte assistirá, pelo seu
lado, à dobragem do cabo
Bojador, (1434) por Gil
panes.
No entanto, a política das
conquistas Africanas não
será abandonada.

Caberá a D. Afonso V,ơ O


AFRICANOơ ocupar Tânger,
que os ·ouros abandonam.
depois de terem perdido
Alcacer--„eguer e Arzila
Alcacer
para Portugueses.
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Inicialmente, as
navegações portuguesas
para sul ao largo da costa
africana tinham objectivos
relativamente pouco
ambiciosos.
Depois de perdidas para
os castelhanos as ilhas
Canárias, cuja posse nós
reivindicávamos desde D.
Afonso IV,( o primeiro rei
a proceder à sua
ocupação), restava a
Portugal explorar os
territórios para sul.
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p a sul ficava África ƛ o continente
infiel e desconhecido, na sua maior
parte, pelos puropeus.

A Índia nunca foi, de facto, até D.


João I, o objectivo final das
descobertas Portuguesas.

Até então tratava-se apenas de ir


cada vez mais longe, mais para sul
e aproveitar as riquezas e
oportunidades que surgiam.
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A Ơpscola de „agresơ, reunindo os maiores magos e sábios da época
em torno da figura austera do infante, foi apenas mais uma metáfora
romântica e glorificante dos descobrimentos portugueses .
A verdadeira escola residia na perícia da arte de marear e do génio e
ousadia dos navegadores portugueses, feitos da necessidade , de
séculos de experiência e troca de conhecimentos com outras
civilizações.
As dificuldades eram ,
efectivamente, muitas.
A Costa Africana
rodeada de recifes,
batida por ventos e
marés fortes de direcção
imprevisível, fustigada
por frequentes
tempestades, nunca
antes tinha sido
navegada em toda a sua
extensão.
Na época, a navegação fazia-se de
porto em porto sem perder de vista
a costa, pois os marinheiros tinham
dificuldade em orientar-se no alto-
mar .p de vez em quando paravam,
aportando em regiões em que
estabeleciam marcos indicadores da
de distância baseados na velocidade
de uma navegação com ventos e
condições normais.

A navegação era também


determinada pela orientação dos
ventos. Navegar com ventos
contrários era impossível.
Úuando tal acontecia, era necessário baixar
velas, recorrer aos remos ou esperar por
ventos favoráveis.
As viagens Africanas só se tornaram
possíveis ultrapassadas estas duas
principais dificuldades.

A Caravela e o Astrolábio , devedores da


herança romana e árabe, são exemplos da
capacidade dos portugueses da época, em
assimilar, transformar e dar novos usos a
diferentes saberes.
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pmbarcação leve e
resistente para as suas
dimensões, distinguia-
distinguia-se
pelas suas velas latinas
(triangulares) que,
podendo mover-
mover-se,
permitiam a chamada
Ơnavegação à bolinaơ,
isto é, contra o vento.
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·ais do que uma simples embarcação, a nau era uma verdadeira fortaleza
flutuante.
pra bastante maior e mais resistente do que a caravela e, ao contrário
desta, tinha velas quadrangulares, situando-
situando-se a única vela triangular junto
ao castelo da popa.
pste navio estava adaptado a viagens mais longas, (Índia, Oriente e Brasil)
e preparado para transportar uma grande quantidade de pessoas e
mercadorias.
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Não podendo depender da
observação da costa para navegar,
os astros eram os únicos pontos
de referência, a partir dos quais os
marinheiros se podiam orientar.

O Astrolábio, a Balestilha, a
Bússola, o Úuadrante foram
desenvolvidos para determinarem
a localização do barco, medindo o
ângulo entre o sol ou a estrela
polar e a linha do horizonte.
à Mapa e Roteiro de Viagem:

Indicavam o rumo a eguir, a


dificuldade a ter em conta (vento
contrário , maré
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ecife ) e,
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nçõe n-
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e c el ce, bçã e
cu e  he.
As populações e seus
costumes, a paisagem,
a fauna e a flora das
regiões a abordar,
eram agora mais
familiares, o que
tornava as viagens
mais fáceis e menos
assustadoras.
 

 


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Até D. Afonso V, as viagens portuguesas foram,
principalmente, responsabilidade do Infante D. Henrique
que, reunindo à sua volta grandes cientistas da época, as
idealizou, planeou, e financiou em grande parte graças
aos recursos da sua ordem:
Ʀa Ordem ·ilitar de Cristo,
herdeira dos bens e segredos da
Ordem dos Templários, que
perseguida por toda a puropa, a
mando de Filipe Ơ O Beloơ rei de
França, e extinta por decreto
papal, fez de Portugal e da região
de Tomar , o seu ultimo reduto.
A história dos Templários ,é uma
história ainda hoje povoada de
enigmas e mistérios.

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à
' uma história feita de vazios que cada
um preenche como quer. As
interrogações não faltam.
Como enriqueceram tão rapidamente?
Porque razão permaneceram durante
tanto tempo ,intocáveis perante a
hierarquia da Igreja? Porque caíram em
desgraça tão rapidamente? p
finalmente onde está o seu lendário
tesouro e não menos lendários
segredos ?
Nas ilhas Britânicas , ou em Portugal?
Para onde, perseguidos por todo o lado,
foram empurrados e encontraram os
derradeiros refúgios.
„abe-se contudo ,que
„abe-
a sua fulgurante
ascensão acabou em
tragédia. No inicio eram
apenas uma ordem
religiosa constituída por
cavaleiros -monges
cristãos, que tinham
como objectivo
proteger os romeiros
que demandavam a
terra santa.

  


Aí , e para esse fim , foi criada em
Jerusalém no ano de 1118 a ƠOrdem
dos Cavaleiros do Temploơ.
Com a conquista de Jerusalém
durante as cruzadas ter - sese-- iam
,segundo alguns historiadores,
apoderado nas catacumbas do
antigo templo do rei „alomão de
documentos que punham em causa
os dogmas em que assentava a
doutrina papal.
A chantagem de imediato exercida
terá sido tão bem sucedida que de
pobre ordem militar ,os Templários
passaram rapidamente a assumir-
assumir-se
como uma das mais ricas e
poderosas instituições religiosas do
seu tempo.
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Outros , atribuem no entanto o seu súbito poder às
terras tomadas ao inimigo, ás dádivas dos peregrinos a
quem tinham oferecido protecção e aos bens que deles
herdavam por gratidão e pela Ơ remissão dos pecadosơ.
„eja como for esse poder não parou de crescer.

   


Os Templários eram agora uma
verdadeira ameaça não só para a
Igreja mas também para o poder
temporal. Pelo menos foi o que
pensou Filipe ƠO Beloơ,o ambicioso
rei dos Francos que de armadilha
em armadilha de calunia em calunia
, de tortura em tortura os condenou
à morte. Curiosamente com a J    à!à
bênção da igreja que os
excomungou e perseguiu por todo o
mundo cristão.
O massacre dos templários deu-
deu-se
em França , no dia 13 ,a uma sexta
feira do ano de 1307. psse foi de
facto para os Templários um mau
dia. Nascia assim o dia de todos os
azares.

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p ainda hoje ,sempre que é sexta-
sexta-
feira 13 ,acreditamos que assim
seráƦ
pxtinta por ordem do Papa
Clemente V ,no reinado de D. Dinis
a Ordem dos cavaleiros templários
,continuou no entanto viva no
espírito e nos métodos da Ordem
de Cristo que lhe sucedeu. Úuem
sabe se não foi apenas o nome que
mudou.
Foi ostentando a cruz templária que
os portugueses se fizeram ao mar..
Foi em parte recorrendo aos bens
da ordem religiosa que em Portugal
lhe sucedeu, Ơ A Ordem de Cristoơ,
que os descobrimentos portugueses
puderam prosseguir .
Úuem sabe, se tudo se tornou
possível, também graças aos
conhecimentos científicos que
durante séculos os templários
adquiriram entre o ocidente e o
oriente, e no fim, para aqui
escondidos e quase confinados
nos acabaram por legar.
Por isso só agora ,quando
falamos dos descobrimentos
portugueses do séc. XV, nos
referimos a uma Ơordemơ
formalmente extinta um século
antes. Aos Templários. Úue em
Portugal ,tanto contribuíram
para o povoamento defesa e
desenvolvimento do reino.
Aqui, mesmo no fim do
mundo, na Ơfinisterraơ,
construíram fortalezas
cidades e concelhos, e
espalharam novas ideias e
conhecimentos. Ajudaram
a organizar um país. p se
calhar a descobrir outrosƦ
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pntretanto Pêro da Covilhã e
Afonso de Paiva seguem
como emissários - espiões,
por terra e mar com destino
à Índia, encarregados pelo
rei de uma dupla missão:
descobrir e contactar em Oơ Prestes Joãoơ
África o lendário rei cristão,
ƠPrestes JoãoơƦ
Ʀ saber da viabilidade em
chegar à Índia pela rota do
Cabo.

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O Reino do Prestes João


Vencidos os limites do medo e do mar, tal como as fantásticas
criaturas, por todos temidas, o tão ansiado aliado, o poderoso e
sábio Cristão que, no interior de África reinava, não resistiu ao
confronto com a realidade.
pntretanto, por mar e terra, Pêro da Covilhã chega à Índia e
obtém a confirmação de que a Rota do Cabo abriria aos
portugueses os seus mares e territórios.

O Trajecto de Pêro da Covilhã


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Perante a recusa do monarca português, na posse de
informações contrárias, em aceitar as suas teorias e
préstimos, Cristóvão Colombo convence a rainha Isabel de
Castela a financiar uma armada com tal objectivo .
Depois de uma atribulada viagem,
Colombo descobre, em 1492, uma série
de ilhas que confunde com a Índia, e
que mais tarde se saberá situarem-
situarem-se
nas proximidades de um continente
desconhecido pelos puropeus:

A América (de Americo), como passará a


chamar--se, em homenagem ao primeiro
chamar
navegador a atingir, o novo continente.
Assim o rezam pelo menos, manuscritos
datados do séc.XVI. onde o nome de
Vespuccio Americo, um próspero
armador ge origem italiana, é referido
como o primeiro navegador a chegar ao
Ơ Novo ContinenteơA autenticidade das
informações contidas nos referidos
documentos é no entanto bastante
duvidosa entre os historiadores. Por isso
o assunto continua a ser objecto de
discussão.
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Descoberto o erro, os Castelhanos não
abandonaram a ideia de chegar à
Índia por ocidente. A história de
Colombo vai repetir-
repetir-se. Desta vez o
rei é D. ·anuel e o visionário Fernão
de ·agalhães. ·as a resposta é a
mesma.

A viagem de circum-
circum-navegação de
Fernão de ·agalhães, será feita por
um navegador Português que se
sentiu desrespeitado por D. ·anuel.

Tal como Colombo, às ordens de


Castela ,Fernão de ·agalhães provará
essa possibilidade teórica,
atravessando o pstreito que veio a
receber o seu nome, mas de
demonstrará também a sua
inviabilidade económica, tais as
distâncias e dificuldades a vencer.
Provou--se, pelo menos, que o mundo
Provou
era de facto redondo.
Tendo sido um dos maiores
obreiros da aventura das
descobertas, e talvez o seu mais
calculista, lúcido e genial
personagem, D. João II não
assiste, no entanto, à tão ansiada
chegada à Índia.
Depois da sua morte, em 1495,
na ausência de um sucessor
directo, já que o seu único filho
tinha morrido de uma queda a
cavalo, sucede-
sucede-lhe o seu primo e
cunhado, D. ·anuel que ficará
na história, por razões evidentes,
conhecido pelo ƠVenturosoơ.