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XIII SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 6 a 8 de Novembro de 2006

Contribuições da Ergonomia nas Atividades da Manutenção Mecânica em uma Coqueria de uma Usina Siderúrgica

José Barrozo de Souza (CEFETES) jbarrozo@terra.com.br

Rui Francisco Martins Marçal (UTFPR) marcal@pg.cefetpr.br

Antônio Augusto de Paula Xavier (UTFPR) augustox@cefetpr.br

Resumo: O presente estudo foi desenvolvido numa Coqueria de uma siderúrgica e constituiu

no estudo das condições físicas e organizacionais de trabalho e qualidade de vida no

trabalho das equipes que integram a Manutenção Mecânica da siderúrgica. O trabalho

considera os conceitos da Ergonomia, utiliza a abordagem participativa da análise macroergonômica do trabalho para priorização das demandas ergonômicas. Utiliza-se como metodologia, observações feitas durante visitas técnicas na Coqueria e entrevistas informais com pessoas das equipes da Manutenção Mecânica.

Na verificação dos resultados, são constatados problemas nas condições físicas de trabalho,

relacionados ao ambiente térmico, poeira, gases e vapores. Sobre as condições organizacionais de trabalho foi observada a precária situação para execução das atividades, a carga de trabalho, produzindo cansaço físico, nas pernas e perturbações funcionais na coluna vertebral dos trabalhadores devido às posturas adotadas durante as jornadas de trabalho e conseqüentemente afetando a qualidade dos serviços de manutenção.

O trabalho de pesquisa intenta, através das observações e constatações apresentar

contribuições que a Ergonomia pode oferecer para elevar a qualidade de vida no trabalho dessas pessoas no que se refere às condições físicas e organizacionais de trabalho e

conseqüentemente melhorar a qualidade dos serviços de manutenção na Coqueria desta usina siderúrgica. Palavras-chave: Ergonomia; Ergonomia e Manutenção; Manutenção Mecânica.

1. Introdução

Nos últimos anos os estudiosos da Ergonomia no Brasil têm produzido muitos estudos para priorizar a qualidade no trabalho prestado, com o principal objetivo de alcançar a adaptação do trabalho ao homem, ou seja, diminuindo o desconforto durante a execução, evidentemente considerando suas características e limitações. Sem dúvida nenhuma na atualidade o trabalhador passa a ser o parâmetro mais importante no sistema produtivo.

A satisfação e o conforto no ambiente do trabalho é uma condição indispensável para que as pessoas como trabalhadores, se realizem enquanto ser social, agindo com forte influência no próprio desenvolvimento do trabalho.

No cotidiano do trabalho o corpo humano, segundo Vieira (2000), está sujeito a gastar níveis diferentes de energia dependendo das posturas que devem ser assumidas. Sendo assim, deve-se levar em consideração as possibilidades de alterações possíveis nas posições de trabalho, visto que os dados antropométricos variam de pessoa para pessoa. Mas independente do trabalho a ser realizado deve-se ainda levar em consideração o arranjo do ambiente, obstáculos, liberdade de movimentos, altura em que o serviço é realizado, tempo, intensidade

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de força, distância, extensão e precisão dos movimentos.

Conforme afirma Silva Filho (1995), não se gerencia uma organização de trabalho apenas levando em consideração o fator econômico, mas, sobretudo pela satisfação das pessoas que integram esta organização.

É preciso que as empresas coloquem o ser humano no centro dos interesses e dentro de uma prioridade.

2. O que é Ergonomia?

A literatura mostra que a primeira elaboração da definição sobre Ergonomia foi feita

em 1857 durante os acontecimentos do movimento industrialista europeu. Esta definição foi elaborada e editada pelo cientista polonês, Wojciech Jarstembowsky num artigo intitulado “Ensaios de ergonomia, ou ciência do trabalho”. Esta primeira edição da definição estabelecia que: A ergonomia como uma ciência do trabalho requer que entendamos a atividade humana em termos de esforços, pensamento, relacionamento e dedicação.

Atualmente pode-se afirmar que a Ergonomia é um procedimento profissional que se pode congregar à prática de uma determinada profissão. Ou seja, um médico ergonomista, um psicólogo ergonomista, um técnico de segurança ergonomista e assim por diante.

Este procedimento profissional de que se esta falando advém de uma proposta de definição estabelecida pela Associação Brasileira de Ergonomia, com base num debate mundial: A Ergonomia objetiva modificar os sistemas de trabalho para adequar a atividade nele existentes às características, habilidades e limitações das pessoas com vistas ao seu desempenho eficiente, confortável e seguro (ABERGO, 2000).

Em agosto de 2000, a IEA - Associação Internacional de Ergonomia adotou a definição oficial apresentada a seguir. “A Ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem estar humano e o desempenho global do sistema”.

Ergonomia é o estudo do relacionamento entre o homem e seu trabalho, aplicando conhecimentos de outras ciências na solução dos problemas surgidos desse relacionamento. (GONÇALVES, 2005).

A Ergonomia mostra para uma organização que o desempenho projetado se alcança

com a valorização total do seu patrimônio maior – o trabalhador.

3. A Coqueria numa Usina Siderúrgica

Na coqueria é o setor siderúrgico onde é processado a transformação do carvão mineral em coque metalúrgico, materia prima importante que atua como redutor e combustível necessário às operações de alto forno na produção do Gusa. Após a coqueificação – processo de destilação destrutiva do carvão mineral, em ausência de oxigênio - o coque incandescente é apagado por jatos de água sob pressão, sendo resfriado, britado e peneirado. A parcela fina do coque é consumida na sinterização e a parte grossa é enviada para o alto forno. Os gases liberados durante a coqueificação são recuperados e tratados, obtendo-se o gás de coqueria, com alto poder calorífico e produtos carboquímicos que são processados na unidade de recuperação de subprodutos.

As emissões da coqueria são constituídas de fumos de coloração forte, partículas de carbono e gases contendo monóxido de carbono, amônia, dióxido de carbono; hidrocarbonetos (metano e etileno), sulfeto de hidrogênio e fenóis. Os produtos líquidos incluem água, alcatrão e óleos leves (benzeno, tolueno e xileno).

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Na coqueria propriamente dita, as emissões são provenientes do enfornamento, desenfornamento, apagamento do coque, vazamentos e queima do gás de coqueria para aquecimento dos fornos.

4. Riscos em Ambiente Siderúrgico

Um ambiente siderúrgico é normalmente caracterizado por um alto grau de risco, ou seja, apresenta um dos mais variados conjuntos de problemas de saúde ocupacional quando comparado a qualquer outra rota produtiva. Em cada ponto do sistema siderúrgico é possível relacionar vários riscos potenciais à saúde associados às rotas de produção dos produtos siderúrgicos. Sendo a maioria desses pontos caracterizados por um alto índice de insalubridade, ou seja, presença de temperaturas extremas, ruído, radiações não ionizantes (processos de soldagem), poeira, gases e vapores. Somando a tais situações, condições organizacionais de trabalho precárias, com riscos de acidentes e devido às posturas adotadas pelos trabalhadores surge o cansaço físico nas pernas e perturbações funcionais na coluna vertebral, principalmente no setor da coqueria de uma usina siderúrgica.

Considerando que os serviços de manutenção mecânica, expõe os trabalhadores em constantes riscos, uma vez que as ordens de serviços da manutenção mecânica podem ser executadas em qualquer rota da linha produtiva.

As precárias e agressivas condições de trabalho num ambiente siderúrgico são bem conhecidas já tendo sido estudads por autores como Lloyd (1971) e Redmond et. al (1972) que registraram a potencialidade de câncer em trabalhadores de coqueria.

5. A Ergonomia na Manutenção

A Ergonomia como ciência tem muito a oferecer para a atividade dos profissionais de

manutenção. A Ergonomia é, a princípio, o entendimento da atividade real para propor melhorias. Para a ergonomia atender melhor os profissionais da manutenção, previamente surge a pergunta: quais os principais contornos da atividade manutenção no presente e em que a ergonomia pode contribuir para o seu sucesso?

Uma primeira comprovação se impõe, e ela advém da experiência combinada na ergonomia e na manutenção: Se no planejamento estratégico das principais atividades das empresas se fala em estratégia, automação, qualidade, terceirização e outros conceitos importantes que mudaram a visão dos agentes econômicos, a bem da verdade pode sustentar o seguinte: a atividade de manutenção se faz tão necessária, tendo em vista que a realidade de nossos tempos cada vez mais lida-se na vida profissional e pessoal com equipamentos de tecnologia e complexidade crescentes e com nova distribuição social de papéis, recursos e responsabilidades.

A segunda comprovação estabelece ligações entre as atividades da manutenção e a qualidade de vida. Devido a decorrência de novos paradigmas de organização do trabalho, onde a manutenção dentro da hierarquia funcional passa a integrar os processos de trabalho de operadores e de gerentes, estabelecidos por novas políticas de produtos e serviços, ou seja, os processos de manutenção necessários e bem realizados se constituem no melhor meio de evitar o desgastante processo que é a vida repleta de defeitos e falhas.

A terceira comprovação é a de que nas empresas os profissionais de manutenção se

deparam, via de regra, com sistemas e processos que foram projetados com conflitos entre a

construção e a operação, consequentemente a lógica da manutenção não estaria adequadamente concebida.

A quarta comprovação mostra a manutenção como um processo de transformação, ou

seja, a Engenharia da Manutenção. Esta afirmação nos leva a entender que a manutenção está

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apta a resolver os processos que foram projetado, isto é, experiências, dados de outras situações que caibam num projeto em elaboração, resultados de pesquisas de simulações e previsibilidade. Porém em situações emergentes, casos que nunca aconteceram e que os projetistas nunca previram até a sua ocorrência passam a oferecer certas dificuldades para as soluções, porém quando a manutenção consegue contornar problemas desta natureza, a manutenção está enriquecendo a memória técnica, contribuindo para o aperfeiçoamento dos processos e sistemas, está assumindo uma situação proativa na busca da eficiência e da segurança.

A quinta e última comprovação a manutenção têm várias contribuições para a

gerência, no sentido de melhoria continua e cotidiana da produção já que impacta diretamente

na

produtividade, isto é, promove a sustentabilidade dos processos e sistemas.

6.

A metodologia

A metodologia empregada é, segundo Gil (1987, p 46), a pesquisa descritiva, isto é, a

descrição das características das condições físicas de trabalho e das condições organizacionais

de

trabalho numa Coqueria de uma Usina Siderúrgica.

As

etapas realizadas são:

a)

Revisão bibliográfica para enxergar o trabalhador como realmente um ser humano, tendo em vista a nova visão da ergonomia;

b)

Observações feitas durante as visitas técnicas na Coqueria da Usina Siderúrgica;

c)

Entrevistas informais com pessoas das equipes de manutenção e a;

d)

Discussão dos resultados.

7.

Considerações finais

Neste artigo foi possível retratar a grande tarefa da ergonomia na Usina Siderúrgica. Não resta dúvida que se trata de um desafio que requer uma alta competência por parte dos ergonomistas.

A nosso ver este é exatamente um dos fatores explicativos da explosão da demanda por

ergonomia.

A nova visão baseada nos conceitos e definições mais modernizados da ergonomia permite

enxergar com mais profundidade o trabalhador como realmente um ser humano no contexto

do trabalho seja ele insalubre ou não, ou seja, o foco da ergonomia é viabilizar mudanças no

sistema de trabalho a partir de uma compreensão elaborada da realidade da atividade, tonando a atividade confortável, segura e eficiente.

Sendo a Ergonomia uma ciência com tais propostas, desta feita ela oferece para as atividades dos profissionais de manutenção no mínimo cinco contribuições:

a) Fornece os subsídios para os projetos de correção das instalações existentes do ponto de vista do fator humano;

b) Ajuda a manutenção na elaboração de memórias técnicas úteis para novos projetos;

c) Fornece conceitos e métodos para a compreensão das atividades reais da manutenção;

d) Melhora a relação trabalho e ser humano e;

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e) Favorece o aumento da qualidade e da produtividade no trabalho cotidiano.

3. Referências Bibliográficas

ABERGO, 2000. A certificação do ergonomista brasileiro – Editorial do Boletim 1/2000, Associação Brasileira de Ergonomia.

GONÇALVES, G.P.S., XAVIER, DE P. A. A.; KOVALESKI, L. J. XXX Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Porto Alegre, RS, Brasil 29 de outubro a 01 de novembro de 2005.

JASTRZEBOWSKI, W., (1857) An outline of ergonomics, or the science of work. Central Institute for Labour Protection. Varsóvia.

LLOYD, J. W., J. Occupational Medicine, 1971, Nº 13, pág. 53-68. In: BURGESS, W.A., - Identificação de Possíveis Riscos à Saúde do Trabalhador nos diversos processos industriais, ed. Ergo, BH, 1997.

REDMOND, C. K., CIOCCO, A., LLOYD, J. W., and RUSCH, H. W., J. Occupational Medicine, 1972, Nº 14, pág. 621-629. In: BURGESS, W.A., - Identificação de Possíveis Riscos à Saúde do Trabalhador nos diversos processos industriais, ed. Ergo, BH, 1997.

SILVA FILHO, J. F. Gestão Participativa e Produtividade: Uma Abordagem da Ergonomia. Florianópolis:

UFSC. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, Universidade Federal de Santa Catarina, 1995.

VIEIRA, SEBASTIÃO, I (2000). Manual de Saúde e Segurança do Trabalho. Florianópolis, Mestra.