Sei sulla pagina 1di 80
CORPO: MATRIZ DA SEXUALIDADE 1998 SÃO PAULO Apoio John D. and Catherine T. MacArthur Foundation

CORPO: MATRIZ DA SEXUALIDADE

1998

SÃO PAULO

Apoio

John D. and Catherine T. MacArthur Foundation

Rua dos Tupinambás, 239 - Paraíso 04104-080 - São Paulo - SP Telefones: (011) 572.7359/573.9806 Telefax: (011) 573.8340 E.mail ecos@uol.com.br

2

ECOS - Estudos e Comunicação em Sexualidade e Reprodução Humana

Equipe Responsável Margareth Arilha Osmar de Paula Leite Silvani Arruda Sylvia Cavasin Vera Simonetti

Coordenação

Silvani Arruda

Redação Rosana Gregori Silvani Arruda Sylvia Cavasin

Copidesque e Revisão José Roberto Simonetti Vera Simonetti

Pedidos

e Revisão José Roberto Simonetti Vera Simonetti Pedidos Rua dos Tupinambás, 239 04104-080 - São Paulo

Rua dos Tupinambás, 239 04104-080 - São Paulo - SP Tel.: (011) 572.7359 Fax: (011) 573.8340 e.mail: ecos@uol.com.br

As informações deste manual podem ser reproduzidas total ou parcialmente. Pede-se, contudo, a citação da fonte.

3

ÍNDICE

Os Parâmetros Curriculares Nacionais

04

Orientação Sexual como tema transversal

06

Metodologia Participativa

10

Dicas para o planejamento de um programa de educação sexual

13

Sugestões de técnicas facilitadoras da aprendizagem

17

Dinâmicas Sugeridas

Auto-estima

24

Corpo, Sexualidade e Saúde Reprodutiva

30

Habilidades para um Relacionamento

40

Textos de Apoio

Puberdade e Adolescência: Grandes Mudanças

47

Por Dentro das Mudanças: Os Hormônios

50

Órgãos Genitais, Masculinos e Femininos

55

Reprodução Humana

57

Métodos Anticoncepcionais

59

Anexos

Adolescentes diferentes, necessidades diferentes

66

Gravidez na Adolescência no Contexto das Políticas Públicas

70

Prevenção do Câncer de Mama

77

A Próstata e Seus Problemas

78

Bibliografia Sugerida

79

4

OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS

Nos anos de 1997 e 1998, as escolas receberam uma nova proposta de trabalho educativo: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), elaborados por especialistas para o Ministério da Educação. Na publicação, especifica-se que estes parâmetros devem ser entendidos como “um referencial para estimular

a reflexão sobre o currículo escolar, na busca de uma melhoria da qualidade da educação brasileira. Contribui para a composição de um conjunto articulado e aberto a novos temas procurando um tratamento didático que contemple sua complexidade e dinâmica. O esperado é que o currículo ganhe em flexibilidade e abertura, uma vez que os temas podem ser priorizados e contextualizados de acordo com as diferentes realidades locais e regionais e que outros temas podem ser incluídos”. Sua função é a de:

orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria da qualidade de ensino;

socializar discussões, pesquisas e recomendações;

dar subsídios para a participação de técnicos/as e professores/as na produção pedagógica.

Os princípios fundamentais que orientam os parâmetros são assim descritos:

Dignidade da Pessoa Humana Implica em respeito aos direitos humanos, repúdio à discriminação de qualquer tipo, acesso às condições de vida digna, respeito mútuo nas relações interpessoais, públicas e privadas.

Igualdade de Direitos Refere-se à necessidade de garantir a todos/as a mesma dignidade e possibilidade de exercícios de cidadania. Para tanto, há que se considerar o princípio da equidade, isto é, que existem diferenças e desigualdades que necessitam ser levadas em conta para que a igualdade seja efetivamente alcançada.

Participação Como princípio democrático, traz a noção de cidadania ativa, isto é, da complementariedade entre a representação política tradicional e a participação popular no espaço público, compreendendo que não se trata de uma sociedade homogênea e sim marcada por diferenças de classe, etnia, religião, etc.

Co-responsabilidade pela Vida Social Implica partilhar com os poderes públicos e diferentes grupos sociais a responsabilidade pelos destinos da vida coletiva.

Os PCN foram desenvolvidos com o objetivo de concretizar as intenções educativas em termos das capacidades que devem ser desenvolvidas pelos/as alunos/as ao longo da escolaridade. Essas capacidades são de ordem cognitiva, física, afetiva, de relação interpessoal e inserção social, ética e estética, tendo em vista uma formação ampla do/a adolescente. Para isso, as orientações didáticas que seguem como referência são:

uma prática educativa que tenha como eixo a formação de cidadãos/cidadãs autônomos/as e participativos/as;

e que cada aluno/a é sujeito de seu processo de aprendizagem, enquanto o/a professor/a é o/a mediador/a na interação dos/as alunos/as com os objetivos de conhecimento.”

Papel da Escola

Segundo esta proposta, a escola interessada em trabalhar com os PCN deve elaborar um projeto de educação comprometido com o desenvolvimento de capacidades que permitam aos/às estudantes intervir na realidade para transformá-la. Para tanto, deve prever no projeto a inclusão dos chamados temas transversais no currículo escolar, a saber:

Ética A reflexão sobre as diversas faces das condutas humanas deve fazer parte dos objetivos maiores da escola comprometida com a formação para a cidadania.

Conteúdos:

Respeito Mútuo

Justiça

Diálogo

Solidariedade

Pluralidade Cultural Investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada pela diversidade etnocultural que forma o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade. A escola deve ser local de diálogo, de aprender a conviver, vivenciando a própria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural.

5

Meio Ambiente Refletir o que devem ser as relações sócio-econômicos e ambientais, para se tomar decisões adequadas na direção das metas desejadas por todos/as. Conteúdos: Crescimento Cultural

Qualidade de Vida

Equilíbrio Ambiental

Saúde Formar cidadãos e cidadãs para uma vida saudável, capazes de valorizar a saúde, discernir e praticar decisões relativas à saúde individual e coletiva. A formação do/a aluno/a para o exercício da cidadania compreende a motivação e capacitação para o autocuidado, assim como a compreensão da saúde como direito e responsabilidade pessoal e social.

Orientação Sexual

Transmitir informações e problematizar questões relacionadas à sexualidade, incluindo posturas, crenças, tabus

e valores a ela associados. Visa propiciar a possibilidade do exercício da sexualidade de forma responsável e prazerosa. Seu desenvolvimento deve oferecer critérios para o discernimento de comportamentos ligados à sexualidade que demandam privacidade e intimidade, assim como reconhecimento das manifestações de sexualidade passíveis de serem expressas na escola.

Conteúdos:

Corpo Humano

Relações de Gênero

Prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da aids

Trabalho e Consumo

Indicar como a educação escolar poderá contribuir para que os/as alunos/as aprendam conteúdos significativos

e desenvolvam as capacidades necessárias para atuar como cidadãos/cidadãs, nas relações de trabalho e

consumo. Questões centrais: erradicação do trabalho infantil, mobilização contra as discriminações de gênero, de raça e idade nas relações de trabalho, defesa dos direitos especiais dos/as portadores/as de deficiência e defesa dos direitos dos/as consumidores/as.

Temas Locais Contemplar os temas de interesse específico de uma determinada realidade a serem definidos no âmbito de cada estado, cidade e/ou escola.

6

ORIENTAÇÃO SEXUAL COMO TEMA TRANSVERSAL

Ao tratar do tema Orientação Sexual, busca-se considerar a sexualidade como algo inerente à vida e à saúde, que se expressa no ser humano, do nascimento até a morte. Relaciona-se com o direito ao prazer e ao exercício da sexualidade, lembrando-se sempre de se proteger. Engloba as relações de gênero, o respeito a si mesmo e ao outro e à diversidade de crenças, valores e expressões culturais existentes numa sociedade democrática e pluralista. Inclui a importância de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis/aids e da gravidez na adolescência, entre outras questões polêmicas. Pretende contribuir para a superação de tabus e preconceitos ainda arraigados no contexto sócio-cultural brasileiro.

Conceitos

Sexo Expressão biológica que define um conjunto de características anatômicas e funcionais (genitais e extragenitais).

Sexualidade

Independe da potencialidade reprodutiva, relaciona-se ainda com a busca do prazer, necessidade fundamental dos seres humanos.

É entendida como algo inerente, que se manifesta desde o nascimento até a morte, de formas diferentes em

cada etapa do desenvolvimento. Construída ao longo da vida, marcada pela história, cultura, ciência, assim como pelos afetos e sentimentos, expressando-se então com singularidade em cada sujeito.

Orientação Sexual Processo de intervenção que favorece a reflexão sobre a sexualidade, contemplando tanto a informação propriamente dita, como a discussão sobre valores, crenças, preconceitos, experiências, etc.

O Trabalho de Orientação Sexual na Escola

Circunscrito ao âmbito pedagógico e coletivo, não tem caráter de aconselhamento individual do tipo psicoterapêutico. Um trabalho de orientação sexual que ajude crianças e adolescentes a se proteger e a usufruir de sua personalidade, precisa:

problematizar, levantar questionamentos, ampliar o leque de conhecimentos e opções para que o/a

escolha seu caminho;

aluno/a

informar e discutir os diferentes tabus, preconceitos, crenças e atitudes existentes na sociedade;

abordar as repercussões de todas as mensagens transmitidas pela mídia, pela família e pela sociedade;

preencher lacunas nas informações que o/a adolescente já possui.

A escola, ao propiciar informações atualizadas do ponto de vista científico e explicitar os diversos valores

associados à sexualidade e aos comportamentos sexuais existentes na sociedade, possibilita ao/à aluno/a

desenvolver atitudes coerentes com os valores que ele/a próprio/a elegeu como seus.

Experiências bem sucedidas apontam como resultados importantes:

1. aumento do rendimento escolar (devido ao alívio de tensão e preocupação com questões da sexualidade);

2. aumento da solidariedade e do respeito entre os/as alunos/as;

3. diminuição da angústia e agitação em sala de aula.

A escola deve se posicionar clara e conscientemente sobre referências e limites com os quais irá trabalhar as

expressões de sexualidade dos/as alunos/as. Se é pertinente ao espaço da escola o esclarecimento de dúvidas e curiosidades sobre sexualidade, é importante que a escola contribua para que a criança/adolescente discrimine as manifestações que fazem parte da sua intimidade e privacidade das expressões que são acessíveis ao convívio social.

Cabe ao/à educador/a:

lembrar que o espaço da escola não é o lugar adequado para determinadas manifestações da sexualidade, tais como masturbação, relações sexuais, etc.;

compreender que não se trata de aberração que justifique informar os pais e as mães, devendo a própria escola estabelecer diretamente com seus/as alunos/as os limites para o que pode ou não ocorrer dentro da escola;

identificar essas manifestações com curiosidade acerca dos aspectos relacionados à sexualidade e intervir pontualmente, permitindo que as dúvidas possam ser colocadas e o assunto possa ser tratado de forma explícita e direta.

7

Objetivos Gerais

Contribuir para que os/as alunos/as possam desenvolver e exercer sua sexualidade com prazer e proteção.

Para tanto, a escola deve se organizar para que os/as alunos/as sejam capazes de:

respeitar a diversidade de valores, crenças e comportamentos existentes e relativos à sexualidade, desde que seja garantida a dignidade do ser humano;

compreender a busca de prazer como uma dimensão saudável da sexualidade humana;

conhecer seu corpo, valorizar e cuidar de sua saúde como condição necessária para usufruir do prazer sexual;

reconhecer como determinações culturais as características socialmente atribuídas ao masculino e ao feminino, posicionando-se contra as discriminações a eles associados;

identificar e expressar seus sentimentos e desejos, respeitando os sentimentos e desejos do outro;

proteger-se de relacionamentos sexuais coercitivos ou exploradores;

reconhecer o consentimento mútuo como necessário para usufruir de prazer numa relação a dois;

agir de modo solidário aos/às portadores do HIV e de modo propositivo na implementação de políticas públicas para prevenção e tratamento das doenças sexualmente transmissíveis/aids;

conhecer e adotar práticas de sexo protegido, ao iniciar relacionamento sexual;

evitar contrair ou transmitir doenças sexualmente transmissíveis, inclusive o vírus da aids;

desenvolver consciência crítica e tomar decisões responsáveis a respeito de sua sexualidade;

procurar orientação para a adoção de métodos contraceptivos.

Conteúdos de Orientação Sexual para Terceiro e Quarto Ciclos

Corpo: Matriz da Sexualidade (Parâmetros Curriculares Nacionais)

De acordo com o documento, para a compreensão da abordagem proposta no trabalho de Orientação Sexual, deve-se ter em mente a distinção entre os conceitos de organismo e de corpo. O organismo refere-se

ao aparato herdado e constitucional, à infra-estrutura biológica dos seres humanos. Já o conceito de corpo diz respeito às possibilidades de apropriação subjetiva de toda a experiência com o meio. No conceito de corpo, portanto, estão incluídas as dimensões da aprendizagem e todas as potencialidades do indivíduo para a apropriação das suas vivências.

A partir dessa diferenciação, vê-se que a abordagem deve ir além das informações sobre anatomia e

funcionamento, pois os órgãos não existiriam fora de um corpo que pulsa e sente. O corpo é concebido como um todo integrado de sistemas interligados e que inclui emoções, sentimentos, sensações de prazer e

desprazer, assim como as transformações nele ocorridas ao longo do tempo. Há que considerar, portanto, os fatores culturais que intervêm na construção da percepção do corpo, esse todo que inclui as dimensões biológica, psicológica e social. Essa concepção, ao mesmo tempo que orienta o trabalho dos/as professores/as, vai sendo construída pelos/as alunos/as ao longo do Ensino Fundamental, por meio da aprendizagem de diferentes conteúdos em situações didáticas que a favoreçam.

A abordagem deste tema com os/as alunos/as buscará favorecer a apropriação do próprio corpo pelos/as

adolescentes, assim como contribuir para o fortalecimento da auto-estima e conquista de maior autonomia, dada a importância do corpo na identidade pessoal. Do ponto de vista dos/as alunos/as, isso implica em construir noções, imagens, conceitos e valores a respeito do corpo em que esteja incluída a sexualidade como algo inerente, necessário e fonte de prazer na vida humana. As idéias e concepções veiculadas pelas diferentes áreas (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais, História, Geografia, Arte e Educação Física) contribuem para a construção dessa visão do

corpo por meio da explicitação das dimensões da sexualidade nos seus conteúdos. Por exemplo, em História, a inclusão de conteúdos a respeito de como a sexualidade é vivida em diferentes culturas, em diferentes tempos, em diferentes lugares e como se expressa pelo vestuário, cuidados pessoais, regras, interdições e valorização do comportamento (o hábito presente em algumas culturas de as mulheres tomarem banho vestidas, a nudez e a liberdade entre as crianças indígenas brasileiras, etc.) permitirá compreender que, apesar de parecer algo tão “natural”, o corpo e os modos de usá-lo, representá-lo e valorizá-lo têm determinações sociais de várias ordens: econômica, política e cultural. E que, por outro lado, ainda que das formas mais diversas, a sexualidade sempre teve papel importante na vida do ser humano.

A Educação Física, que privilegia o uso do corpo e a construção de uma “cultura corporal”, é um excelente

espaço onde o conhecimento, o respeito e a relação prazerosa com próprio corpo podem ser trabalhados. O mesmo pode acontecer na área de Arte com a dança e o teatro. Arte também pode abordar as representações do corpo expressas nas diferentes manifestações artísticas em diversas épocas e com isso relativá-las. Nas

atividades físicas propiciadas por essas áreas, como os jogos e a dança, é interessante os/as professores/as

aproveitarem

acompanham, a oportunidade de notar e ser notado. O desejo de exibir e de observar é algo associado à

para destacar alguns aspectos observáveis: o esforço e as sensações de prazer que o

8

prática de e à assistência a esportes e espetáculos de arte corporais, o que não deveria ser ignorado pelos/as educadores/as, mas possibilitar uma melhor percepção do próprio corpo pelos/as adolescentes e jovens. Dessa forma podem ser trabalhadas questões fundamentais ligadas à sexualidade, como gostar e cuidar do próprio corpo, respeitá-lo tanto no aspecto físico como psicológico. O respeito a si próprio, ao seu corpo e aos seus sentimentos é a base para a possibilidade de um relacionamento enriquecedor com o outro. O questionamento da imposição de certos padrões de beleza veiculados pela mídia, principalmente a propaganda, faz-se pertinente na medida em que interfere na auto-imagem e na auto-estima das crianças e dos/as jovens. Trata-se de auxiliar os/as alunos/as a construir uma postura crítica ante os padrões de beleza idealizados como pessoas jovens, esbeltas ou musculosas, que não corresponde à realidade e estão a serviço do consumismo. Em Ciências Naturais, ao ser abordado o corpo (da criança e do/a adulto/a, do homem e da mulher) e sua anatomia interna e externa, é importante incluir o fato de que os sentimentos, as emoções e o pensamento se produzem a partir do corpo e se expressam nele, marcando-o, e constituindo o que é cada pessoa. A integração entre as dimensões físicas, emocionais, cognitivas e sensíveis, cada uma se expressando e interferindo na outra, necessita ser explicada no estudo do corpo humano, para que não se reproduza a sua concepção de conjunto fragmentado. Com o mesmo cuidado devem, necessariamente, ser abordadas as transformações do corpo que ocorrem na puberdade, os mecanismos da concepção, gravidez e parto, assim como a existência de diferentes métodos contraceptivos e sua ação no corpo do homem e da mulher. Todos esses itens precisam ser trabalhados de forma que, ao mesmo tempo que se referem a processos corporais individuais de uma pessoa, se possa pensar sobre eles também na relação com o outro, enfatizando o aspecto dos vínculos estabelecidos ao longo de toda a vida. Em um trabalho inicial, ou com crianças menores, o estudo do corpo da criança e do adulto inclui os órgãos envolvidos na reprodução e zonas erógenas privilegiadas, em sua anatomia externa. Deve favorecer a percepção das relações existentes entre sentimentos e expressões corporais; reações corporais diante de diferentes estimulações sensoriais; e observação das características do próprio corpo. Deve, ainda, abordar a participação diferenciada do homem e da mulher no processo da fecundação, estabelecer a comparação no processo reprodutivo de diferentes espécies animais, na gestação e nascimento. A continuidade do trabalho se dá pela retomada desses conteúdos de forma ampliada e aprofundada. A ampliação é feita com a inclusão do estudo sobre as transformações globais da puberdade, vistas no plano corporal e no aspecto relacional/social. As transformações do corpo consistem em: aceleração do crescimento (estirão), surgimento dos caracteres sexuais secundários diferenciados nos meninos e nas meninas e amadurecimento das potencialidades sexuais e reprodutivas. O aprofundamento será feito de forma a detalhar as questões já vistas, contemplando-as com novas informações (por exemplo, no estudo da anatomia do corpo humano, incluir o estudo dos órgãos internos do aparelho reprodutor e seu funcionamento, a amamentação, etc.). Os/as educadores/as, coerentemente com a abordagem proposta, não devem descuidar da vivência dessas mudanças pelos/as alunos/as. Propõe-se, portanto, que os/as professores/as acolham a necessidade de discussão dos medos provocados por essas mudanças, o ritmo e o tempo em que elas ocorrem e que variam bastante de jovem para jovem, o respeito a essas diferenças, as mudanças gestuais e posturais que se dão em conseqüência do crescimento rápido; enfim, a acomodação necessária a esse novo corpo que muda. São também abordadas as mudanças socialmente estabelecidas e relacionadas à idade e a sua repercussão nas relações familiares e sociais. É fundamental que os/as professores/as, ao trabalharem as transformações corporais, as relacionem aos significados culturais que lhes são atribuídos. Isso porque não existe processo exclusivamente biológico, a vivência e as próprias transformações do corpo sempre são acompanhadas de significados sociais, como o que acontece com a menarca, a primeira menstruação. Existe uma infinidade de crenças a ela associadas e, portanto, sua ocorrência marca de forma indelével a vida das mulheres, com o significado que lhe atribui cada grupo familiar e social. Outra transformação bastante controvertida é a ativação dos hormônios ligados ao desejo sexual nas meninas e nos meninos. Existe a crença fortemente arraigada de que, no sexo masculino, esse processo é mais intenso, levando, portanto, “biologicamente”, a maior interesse pela atividade sexual, que

a maior expressão da excitação nos meninos seria uma coisa natural. Como contraponto a essa crença, pode- se constatar o ainda vigente mecanismo social de tolerância e incentivo à iniciação sexual dos meninos concomitantemente com a repressão sexual das meninas e o tabu da virgindade feminina.

No terceiro e quarto ciclos, o trabalho com esse bloco inclui e tematiza a potencialidade erótica do corpo. Isso porque, a partir da puberdade e das transformações hormonais ocorridas no corpo de meninos e meninas,

é comum a curiosidade e o desejo da experimentação erótica ou amorosa a dois. Esta tematização possibilita aprofundar o estudo e o conhecimento das transformações da puberdade no corpo do menino e da menina, seu ritmo e decorrências na imagem corporal que cada um tem de si mesmo. É

a partir da puberdade que a potencialidade erótica do corpo se manifesta sob a primazia da região genital,

expressando-se na busca do prazer, também na relação com o outro (além do contato com o próprio corpo iniciado na primeira infância). A invenção do “ficar”, por parte dos/as jovens, é a mais genuína expressão dessa necessidade, vivida na adolescência. Com diferenças nos grupos etários sociais ou regionais, essa expressão indica o desejo da experimentação na busca do prazer com um/a parceiro/a, desvinculada agora do compromisso entre ambos (o namoro). Trata-se de uma experimentação que implica um relativo avanço social em relação às adolescentes do sexo feminino (para as quais ainda se coloca reprovação social na experimentação de intimidade erótica com vários parceiros, sanção praticamente inexistente para os adolescentes do sexo masculino). Também se constitui como conteúdo a ser trabalhado com os/as alunos/as a importância da saúde sexual e reprodutiva e os cuidados para promovê-la em cada indivíduo. O conhecimento do corpo e de seu

9

funcionamento propicia maior conscientização da importância da saúde e da necessidade de ações não só curativas, mas também preventivas. A escola deve atuar de forma integrada com os serviços públicos de saúde da região. Consultas regulares ao/à clínico/a geral ou ao/à ginecologista, para o acompanhamento da condição da saúde e do desenvolvimento, são atitudes de autocuidado que a escola precisa fomentar. Com relação aos métodos contraceptivos, é importante analisar com os/as alunos/as todos os existentes e o uso no país, suas indicações e suas contra-indicações, grau de eficácia e implicações para a saúde reprodutiva e bem-estar sexual. Essa discussão deve ser acompanhada da questão de gênero que lhe diz respeito: a responsabilidade que deve, idealmente, ser compartilhada pelo casal que busca o prazer e não a concepção. É necessário fazer uma diferenciação entre métodos de esterilização, que são definitivos, e contraceptivos, que são temporários. Nessa questão é relevante ressaltar a importância do uso da camisinha (masculina e feminina) que, além de prevenir a gravidez indesejada, previne também a contaminação pelas doenças sexualmente transmissíveis/aids. Na contracepção, há que se discutir como, quando e por que ter ou não filhos/as e quantos, o que posteriormente leva às responsabilidades correspondentes à maternidade e à paternidade. Sem a discussão dos motivos subjacentes à idéia da contracepção e seus obstáculos, pouco se pode avançar na adoção de práticas preventivas pelos/as jovens, ao se relacionarem sexualmente com o parceiro ou parceira. Falar sobre o corpo, com o seu potencial para usufruir o prazer e suas potencialidades reprodutivas, implica também a discussão das expectativas, das ansiedades, medos e fantasias, relacionados à relação sexual, à “primeira vez”, ao desempenho e às dificuldades que podem surgir como manifestações associadas à impotência, frigidez, ejaculação precoce e outras possíveis disfunções. Os impulsos do desejo vividos no corpo precisam ser discutidos e esclarecidos, ajudando os/as jovens a dimensioná-los adequadamente, compreendendo seu caráter e sua relação com as possíveis escolhas racionais. Os/as educadores/as podem usar diferentes materiais para esses trabalhos (didáticos, científicos, artísticos,

etc.), analisando e comparando a abordagem dada ao corpo pela ciência, pela propaganda e pela arte; por exemplo, discutindo e questionando o uso de um certo padrão estético veiculado pela mídia. Pode também incentivar a produção (coletiva e individual) das representações que crianças e adolescentes têm sobre o corpo, por meio de desenhos, colagens, modelagem, etc. Nas atividades, é importante que nenhum/a aluno/a se sinta exposto/a diante dos demais. Um recurso possível para se evitar que isto aconteça é o da criação, adoção e uso de personagens fictícios, criados pelo próprio grupo. Por meio desse recurso, podem-se trabalhar dúvidas, medos, informações e questões dos/as alunos/as ligadas ao corpo, de forma que ninguém se sinta ameaçado ou invadido em sua intimidade. Com relação à linguagem a ser usada para designar partes do corpo, o mais indicado é acolher a que eles/as trazem e apresentar as denominações correspondentes adotadas pela ciência.

É

sempre importante investigar o conhecimento prévio que os/as alunos/as têm sobre o assunto a ser

tratado. Em geral, mesmo quando não têm informações objetivas, eles/as imaginam algo a respeito, pois são

questões muito significativas, que mobilizam neles/as grande curiosidade e ansiedade. A explicação dessas informações e fantasias relacionadas com as mudanças do corpo e com a reprodução possibilita tratar o assunto de modo claro, diminuir a ansiedade, e assimilar noções corretas do ponto de vista científico. Os/as educadores/as precisam estar atentos/as para a necessidade de repetir conteúdos já abordados. Os/as alunos/as vivem suas curiosidades e interesses na área da sexualidade em momentos próprios e diferentes uns dos outros, ocorrendo muitas vezes estudo e discussão de um tema com pouca apropriação desse conhecimento para alguns/as. A retomada é importante, e deve ser feita sempre que as questões trazidas pelos/as alunos/as apontarem sua pertinência.

O corpo, como sede do ser, é uma fonte inesgotável de questões e debates, que vão muito além do que é

habitual incluir nos estudos da sua anatomia e fisiologia.

10

METODOLOGIA PARTICIPATIVA

Para a realização das atividades em sexualidade e saúde reprodutiva com os/as jovens, optamos pelo uso de uma metodologia participativa, através de oficinas, uma vez que esta metodologia permite maior visibilidade dos aspectos afetivos e sócio-culturais da prática sexual e por acreditarmos que seus princípios norteadores nos levam, efetivamente, a alcançarmos os objetivos propostos. De modo geral, oficinas favorecem a discussão menos formal, privilegiando o debate e a troca de experiências. Nelas, procuramos despertar a motivação dos/as adolescentes, esclarecendo a utilidade desta aprendizagem no seu cotidiano e avaliando as suas expectativas no decorrer do processo. A metodologia participativa possibilita ainda uma atuação efetiva dos/as participantes em um processo educativo, por não serem considerados/as meros/as receptores/as, passivos/as. Sentem-se valorizados/as na medida em que o/a educador/a não os/as coloca na condição de depositários de conhecimentos e experiências, mais sim agentes ativos/as, envolvidos/as na discussão, identificação e busca de soluções para seus problemas. Vale ainda destacar que uma oficina não é, simplesmente, uma somatória de atividades com diversas ferramentas. Uma oficina deve ser vivida por todos/as os/as participantes como um todo coerente e com sentido. Para chegar a ter esta vivência é necessário que cada participante possa estabelecer relações entre uma atividade e outra, entre o trabalho de um dia e do outro, entre as atividades da oficina e sua própria vida. Além disso, é a melhor forma conhecida de sensibilizar as pessoas quanto a valores e preconceitos existentes em uma determinada cultura. De acordo com o manual de capacitação Herramientas para Construir Equidad entre Mujeres y Hombres 1 , a técnica de oficinas representa um dos aspectos mais valorizados na metodologia participativa porque:

é uma experiência de trabalho ativo. A participação de cada um/a dos/as integrantes - falando de suas experiências, argumentando, discutindo, escrevendo, comprometendo-se - é fundamental para o seu êxito.

é uma experiência de trabalho coletivo. O intercâmbio - falar e escutar, dar, receber e ceder, argumentar e contra-argumentar, defender posições e buscar consensos - é próprio de uma oficina. As atitudes dogmáticas, individualistas e intolerantes, não ajudam a alcançar os objetivos.

é uma experiência de trabalho criativo. As experiências relatadas, os elementos conceituais, a reflexão e as discussões, ajudam a esclarecer pontos de vista e a dar soluções novas e melhores.

é uma experiência de trabalho vivencial. Sua matéria-prima são as experiências, e seus produtos são planos de trabalho que influirão na vida do/a participante. Uma oficina deve gerar identidade, apropriação da palavra, sentido de pertencer ao grupo e compromisso coletivo. Numa oficina não se pode ser neutro/a ou um/a simples espectador/a.

é uma experiência de trabalho concreto. Seu produto final deve ser sempre um compromisso grupal de executar ações. Uma oficina deve desembocar em planos de trabalho ou, pelo menos, em tarefas realizáveis a curto e médio prazo.

é uma experiência de trabalho sistemático. A precisão é necessária para se colocar os pontos de vista, para sistematizar e apresentar os trabalhos de grupo; igualmente, é indispensável a clareza ao expor os desacordos e os compromissos, assim como a autodisciplina do grupo para cumprir as regras.

é um momento especial de reflexão, sistematização e planejamento, que envolve outros momentos no desenvolvimento do trabalho.

é uma metodologia de trabalho onde a informação é só um apoio. O mais importante é reconhecer a experiência dos/as diferentes participantes e fomentar a reflexão, o intercâmbio de pontos de vista e a busca de acordos que possam traduzir-se em planos de trabalho concretos.

Um ponto importante para assegurar o sucesso de uma intervenção utilizando-se de uma metodologia participativa está associado à postura dos/as profissionais que coordenarão os encontros. Neste sentido, o desempenho de um/a educador/a não se restringe ao plano intelectual/cognitivo, provendo apenas informações

e conhecimentos. Sua intervenção deve ter como objetivo sensibilizar os/as participantes quanto à necessidade de mudança de valores e atitudes associados a gênero, voltados em particular para questões do âmbito da sexualidade e saúde reprodutiva. Seu papel deve ser mais de um/a coordenador/a e de um/a facilitador/a da participação do grupo.

A importância da comunicação

A comunicação é um dos aspectos mais relevantes para se atingir os objetivos de uma oficina. Para se

conseguir uma comunicação mais efetiva é importante:

falar da forma mais simples e clara possível;

escutar o que é dito e valorizar as preocupações; formular perguntas que permitam mais de uma resposta e não simplesmente um sim ou um não;

respeitar as pessoas, olhando-as nos olhos e prestando atenção não só no que elas relatam, mas também em sua postura corporal a fim de melhor compreendê-las;

1 Proyecto Proequidad, Departamento Nacional de Planeación, Consejería Presidencial para la Política Social e Sociedade Alemana de Cooperación Técnica - GTZ, Santafé de Bogotá, Colombia, 1995.

11

ser empático/a, sabendo colocar-se no lugar delas e compreender o seu mundo íntimo; vivenciar uma atitude afetuosa, de aceitação, apreciando-as como pessoas;

reforçar a auto-estima, aceitar o que é dito, assegurando que o que elas sentem é real e válido;

orientar a resolução de seus problemas levando em conta seus sentimentos, temores, inseguranças;

facilitar a tomada de decisões, não impondo os seus próprios valores; ajudar e estimular a atitude de tomar decisões, de negociação, de assertividade. É importante que acreditem que podem resolver os seus próprios problemas;

garantir o direito à privacidade, deixando claro que o que for conversado não deverá sair das quatro paredes da sala;

responder o que foi perguntado, evitando fazer julgamentos sobre comportamentos anteriores e centrando as respostas no presente e no futuro; abrir espaços para dúvidas e questionamentos.

12

Programação de uma Oficina

Tempo Atividade Objetivo da atividade Descrição da atividade Materiais Responsável Necessários
Tempo
Atividade
Objetivo da atividade
Descrição da atividade
Materiais
Responsável
Necessários

13

DICAS PARA O PLANEJAMENTO DE UM PROGRAMA DE EDUCAÇÃO SEXUAL

1. Estabeleça a necessidade de se implantar o programa Reúna estatísticas nacionais e locais sobre o tema em questão; arquive artigos de jornais que tratem direta ou indiretamente do assunto; faça um levantamento das opiniões das pessoas; reúna situações colocadas em sua escola.

2. Analise a comunidade Verifique os programas de educação sexual que têm sido oferecidos à comunidade e à escola. Que organizações oferecem esses programas? Qual tem sido a resposta? Entre em contato com organizações que possam compartilhar de seus interesses sobre a necessidade de se implantar este tipo de projeto. Divulgue seus planos e tente obter apoio. Quando possível, compartilhe recursos e idéias com essa rede. Esse enfoque evita a duplicação de esforços, além de proporcionar um sistema de apoio profissional.

3. Desenvolva um esquema do programa Após falar com outras pessoas e contatar organizações da comunidade, esboce um programa adequado à sua própria escola. Esse esquema incluirá a população que será objeto, as metas e os objetivos gerais do programa.

4. Obtenha apoio da sua instituição

Se sua organização/instituição não possui uma política estabelecida quanto ao projeto proposto, mostre o manual e o esquema de programa aos/às professores/as e à diretoria, se for o caso. Mencione suas razões para que a instituição apóie este programa. Esclareça de que forma o projeto insere-se dentro das metas da escola. Enfatize a necessidade de tal programa e mostre

o apoio obtido junto à comunidade. Apresente o esquema do programa e as estratégias de utilização dos recursos já existentes ou de aquisição dos recursos necessários.

5. Crie uma comissão de consultores/as Reúna uma comissão de consultores/as para avaliar as metas do programa, os conteúdos e os recursos. Tal comissão deverá incluir pessoas como pais/mães, funcionários/as, educadores/as, orientadores/as profissionais e adolescentes. A comissão de consultores/as

poderá ser composta de forma a assumir as funções de um conselho consultivo. Esta comissão

é importante no desenvolvimento de um programa baseado na comunidade. É importante que

esta comissão tenha acesso aos recursos escritos e audiovisuais a serem utilizados no

programa.

6. Escolha um/a coordenador/a O/A coordenador/a é, talvez, o fator mais importante para o sucesso de um programa deste tipo. O/A coordenador/a deverá estar bem preparado/a, ou seja: 1) estar capacitado/a a trabalhar com o tema; 2) ser gentil e respeitoso/a com as outras pessoas; 3) sentir entusiasmo no trabalho como educador/a; 4) ter facilidade de comunicação e conhecer técnicas de dinâmica de grupo; 5) não julgar; 6) sentir-se à vontade na discussão sobre questões relacionadas à sexualidade; e 7) ter senso de humor.

7. Recrute os/as participantes e informe a quem de direito Uma vez que o programa esteja completamente esquematizado e revisado pela comissão de consultores/as, pode ser divulgado à comunidade escolar. Por exemplo, na escola ou serviço

de atendimento a jovens, cuja população adolescente já participa dos programas da instituição,

é necessário, apenas, informar-lhes e aos seus pais, mães ou responsáveis sobre o novo

programa. Se for necessário recrutar jovens para o programa, estas sugestões poderão ser úteis: 1) trabalhe com grupos já existentes; 2) peça a líderes jovens que o/a ajudem a recrutar participantes entre seus/suas amigos/as e conhecidos/as; 3) programe a atividade para um horário e local convenientes; 4) divulgue que o programa é interessante e útil; e 5) use um folheto que enfatize a estrutura informal e os recursos audiovisuais que serão utilizados.

14

8. Realize o programa Se for possível, escolha uma sala confortável, com privacidade e temperatura agradável. Uma arrumação das cadeiras em círculo ou semicírculo ajuda a estabelecer um ambiente propício para a comunicação e a convivência. Certifique-se, antes do início, de que todos os materiais a serem utilizados estão em ordem e disponíveis. Além disso, revise o equipamento audiovisual antes do início da sessão.

9. Avalie seu programa Este processo consiste em medir até que ponto o programa atingiu seus objetivos. O primeiro passo para a avaliação é decidir como medirá suas metas, seja através de mudanças de atitudes ou mudanças no conhecimento. Uma forma de medir a mudança é realizar testes anteriores e posteriores à atividade, a fim de medir o que os/as jovens aprenderam e como mudaram suas atitudes após o programa. Às vezes, pode ser utilizado o mesmo teste em ambas as fases - no caso de ter decorrido bastante tempo entre as duas - de modo que os/as participantes não se lembrem das respostas dadas anteriormente e não as repitam. Outro instrumento de avaliação é a entrevista, antes e depois dos trabalhos, abrangendo uma série de perguntas abertas. Para medir as mudanças a longo prazo, o teste ou a entrevista posterior poderá ser feito vários meses após o final do treinamento. Lembre-se que as mudanças de atitude exigem tempo, e é difícil medi-las. Escolha uma meta bem definida, real e mensurável, tal como o conhecimento sobre as conseqüências da gravidez na adolescência, ou uma maior consciência em relação à aids, por exemplo. Na verdade, avaliar as oficinas deve ser um processo permanente, desde o começo. Esta é uma atividade que permite a reflexão contínua sobre o trabalho, o ajuste e as expectativas no nível dos/as participantes, assim como a acomodação das possibilidades de aplicação concreta nos trabalhos. As seguintes recomendações podem facilitar este processo:

A primeira avaliação deve realizar-se quando se confronta a agenda sugerida com as expectativas dos/as participantes. É um momento quando se deve realizar os ajustes necessários.

O desenho da agenda deve deixar alguns tempos livres, reprogramáveis segundo as necessidades que vão surgindo.

Deve deixar um quadro sempre disponível para sugestões e assuntos pendentes, onde os/as participantes possam escrever as suas opiniões.

Desenhar avaliações parciais e finais sobre todos os aspectos colocados na oficina, para que os/as participantes escrevam suas impressões. Estas avaliações podem ser diferentes, segundo a disponibilidade de tempo, mas sem dúvida, têm algumas características comuns:

Anonimato, que permita dizer o que se quer, sem necessidade de identificar-se.

Individualidade, que permita a todos/as e a cada um/a dos/as participantes expressarem- se.

Globalidade, que permita avaliar todos os aspectos da oficina.

10. Com a audiência Um objetivo fundamental que se deve alcançar numa oficina é a apropriação dos conteúdos por parte de cada participante, além de estimular que cada um/a reflita e assuma, tanto para sua vida cotidiana pessoal como em seu trabalho, as implicações do que está realizando na oficina. Para facilitar este processo pode-se utilizar algumas técnicas como:

deixar tempo para a reflexão pessoal, sem um objetivo imediato concreto. Por exemplo, deixar um tempo livre para refletir individualmente sobre o que o exercício passa;

sugerir a realização de resumos pessoais do que mais chamou a atenção de cada participante;

facilitar a expressão dos elementos afetivos que vão sendo sugeridos durante a oficina.

Por exemplo, mediante a utilização de um quadro para colocar - de maneira anônima - qualquer coisa que vai ocorrendo aos/às participantes; Antes de iniciar o programa com a audiência-meta, é necessário fazer um planejamento de intervenção contemplando os seguintes passos:

15

Contextualizar ao iniciar cada atividade e cada dia Sempre, ao iniciar qualquer atividade ou um novo dia de trabalho, deve-se estabelecer a importância da atividade, sua relação com a anterior e seu papel em todo processo. Em pouco tempo - que não exceda os 5 minutos - é recomendável fazer a conexão com o trabalho já realizado, explicar o sentido e importância da atividade que se vai iniciar e passar a dar as instruções precisas de como se deve realizar.

Aquecimento Criar um clima facilitador para que o grupo se sinta à vontade para discutir temas delicados e polêmicos. Este clima pode ser conseguido por meio de uma brincadeira ou de um trabalho com o corpo.

Levantamento de expectativas Levantar os temas que as pessoas têm interesse em discutir para melhor compreender as necessidades do grupo, lidar com a ansiedade e planejar o programa.

Contrato Discutir democraticamente as normas e regras que regerão os encontros. Por exemplo: não sair falando o que se passou nos encontros para toda a escola, respeitar as opiniões de todos/as, etc.

Dinâmicas de grupo O uso de jogos, dinâmicas e dramatizações permite que se fale de assuntos sérios sem expor os/as participantes a situações constrangedoras ou comprometedoras. Além disso, a melhor forma conhecida de sensibilizar as pessoas quanto a valores e preconceitos existentes em uma determinada cultura, é através de exercícios vivenciais. Aplicando técnicas e vivências, não se pretende dar soluções aos problemas que surgem. O objetivo é despertar nas pessoas a consciência de que eles existem e que caberá à responsabilidade de cada uma delas enfrentá-los e procurar a solução.

Uso de recursos audiovisuais Um bom material é aquele que não dá respostas prontas, mas aquele que incentiva a discussão e a possibilidade do uso de uma metodologia mais participativa. Entretanto, é de suma importância:

assistir ao vídeo antes;

levantar todas as questões que são abordadas e que dão margem à discussão;

fazer um roteiro de perguntas que poderá ser usado para estimular a discussão;

preparar-se para responder as dúvidas que possam surgir;

fechar a discussão retomando as principais informações que foram abordadas no vídeo e com as principais conclusões que surgiram durante o debate;

procurar deixar mensagens positivas para as pessoas.

os mesmos procedimentos aqui descritos são recomendados para CD, disco, fitas cassete

e etc.

Fechamento No fechamento, o/a educador/a sintetiza o que acabou de fazer na atividade, no dia ou na totalidade da oficina, levando em conta os seguintes aspectos:

os elementos sobre os quais houve acordo;

os elementos sobre os quais não houve acordo;

os consensos mais importantes;

as tarefas ou atividades que se desenvolveram no trabalho;

a

relação com o trabalho seguinte;

conclusões do grupo no decorrer do processo;

proposta concreta sobre o tema.

Avaliação Criar um instrumento simples de avaliação sobre o que acharam do conteúdo e das discussões. Não é uma prova de conhecimentos, é um retorno para o/a educador/a. Por exemplo, pode ser solicitado que cada aluno/a diga uma palavra sobre a atividade do dia, ou que marque num cartaz se a oficina foi quente, morna ou fria.

16

11. Recursos Educativos

Com a prática e o conhecimento do grupo, você terá condições até de criar o seu próprio material. No entanto, de início, poderá adaptar a maior parte dos materiais feitos por outras pessoas e/ou instituições. Pergunte a outros grupos, em especial àqueles que têm um centro de material informativo, se têm recursos sobre o assunto que precisa. Faça-lhes perguntas sobre as experiências que tiveram com esses materiais. Por vezes as escolas, universidades, outras ONGs, agências das Nações Unidas, o Ministério da Educação e da Saúde, Secretarias de Estado e/ou Municipais, possuem material para doação ou empréstimo ou consulta. Pense no tipo de recursos que vai escolher. Será que cartazes serão vistos? Valerá a pena fazer folhetos para colocar em lugares que os/as jovens freqüentam? Deveremos fazer adesivos para colocar nos cadernos? É melhor passar vídeos ou fazer uma peça de teatro sobre o assunto que se quer discutir? Se optar pelo vídeo, teste antes para certificar-se que o funcionamento está perfeito. Os materiais são apropriados? Antes de pedir os materiais, você deve avaliar se servem às necessidades do seu grupo. Quer sejam jogos, atividades de grupo, manuais de formação, histórias em quadrinhos ou vídeos, terá que adaptá-los às características do seu grupo assim como ao tipo de questões que quer discutir. Estude bem o material antes de utilizá-lo com os/as jovens. Verifique se corresponde ao que precisa e se acha adequado para o seu grupo. À medida que observa o material faça uma lista de perguntas simples para guiar a sua análise:

A linguagem é apropriada ou difícil de entender? É clara ou tem termos técnicos difíceis para esses/as jovens? O texto é fácil ou difícil de ler?

Os desenhos ou fotografias contêm mensagens claras ou os/as jovens não entendem o sentido?

As informações são objetivas ou dão rótulos às pessoas? Por exemplo, imagens de pessoas com aids muito magras e tristes podem levar os/as jovens a pensar que só as pessoas magras estão infectadas, ou uma menina de saia muito curta para ilustrar a prostituição pode levar os/as jovens a pensar que a pessoa se infecta pelo estilo de vida.

As informações são úteis e dão confiança aos/às jovens, ou não lhes ensinam como chegar a uma situação segura? Mostrar, por exemplo, um preservativo não chega como informação. Para usar o preservativo de forma segura é preciso aprender a forma correta de colocá-lo e, também, saber negociar com o parceiro/a.

O material dá ordens ou ajuda a discutir? As informações que reforçam o que “não se deve fazer”, sem explicar, podem levar as pessoas a ficar envergonhadas e a não fazer perguntas.

No caso de dúvida, experimente os materiais com um grupo de jovens Convide um grupo pequeno de jovens com características semelhantes às do grupo com o qual vai trabalhar e solicite ajuda para escolher os materiais para o programa (mesmo sexo, semelhante idade, experiência de vida, situação econômica, etc.). Faça as mesmas perguntas que serviram para sua análise. Tome nota do que lhe respondem, verifique se entenderam ou não, do que gostaram ou não. Observe as reações dos/as jovens enquanto estão experimentando o material. As meninas têm as mesmas reações dos meninos? Todos/as são capazes de fazer essa atividade ou entender o jogo? De que riem? No final, resuma com os/as jovens o que gostaram ou não, o que entenderam e o que devem aproveitar e o que precisa ser modificado. Faça-lhes as seguintes perguntas: As instruções são fáceis? Qual é a principal informação que o material passou? O que é que aprenderam de novo? Acham que o material é bom para os/as seus/suas colegas? É divertido ou aborrecido?

17

SUGESTÃO DE TÉCNICAS FACILITADORAS DA APRENDIZAGEM

Tempestade de idéias

Objetivo

Permitir a expressão das percepções, idéias, valores e opiniões dos/as participantes sobre os temas, de modo espontâneo e criativo.

Tempo

40 minutos

Material

lousa e giz

ou folha de papel grande e pincel atômico

folhas de papel

Processo

O/A educador/a distribui papéis ao grupo e solicita que cada participante escreva pelo menos três palavras que mais se relacionam ao tema em questão.

Os papéis são recolhidos e redistribuídos aleatoriamente. Solicita-se que cada um/a dos/as participantes faça a leitura das palavras que recebeu.

O/A educador/a deverá escrever na lousa ou no papel grande cada palavra lida.

O/A educador/a deverá então discutir seus significados, a revelação de sentimentos, valores, crenças e preconceitos, entre outros.

Diante do conjunto de contribuições dos/as participantes, o/a educador/a deverá, com o auxílio do grupo, aprimorar conceitos e discutir os significados das palavras lidas, levando o grupo a refletir e concluir sobre o tema em questão.

Vantagens: a técnica permite a obtenção de respostas espontâneas, valorizando as concepções, idéias e sentimentos prévios dos integrantes do grupo. Impulsiona o debate e cria um clima de descontração no grupo, pois a técnica não personaliza o/a autor/a da contribuição e é isenta de crítica e julgamento.

Limitações: exige habilidade do/a educador/a na fase de discussão das contribuições do grupo, dada sua provável diversidade. O/A educador/a deve ter o cuidado no que tange à emissão de crítica ou julgamento, preocupando-se em respeitar os valores sócio-culturais dos/as participantes.

Dramatização

* * * * *

Objetivo

Proporcionar a percepção e a reflexão de emoções e valores pessoais que geram dificuldades no desenvolvimento de um trabalho, através de vivências dirigidas em situações hipotéticas.

Tempo

40 minutos

Material

variável, dependendo da situação a ser dramatizada

Processo

Aquecimento: este momento é necessário para levar as pessoas a se concentrarem nos papéis que irão desempenhar e a expressarem suas emoções mais espontaneamente. O/A educador/a convida voluntários/as para o exercício, onde a situação a ser dramatizada é sugerida por ele/a ou pode ser emergente do próprio grupo. Em seguida, deve ocorrer a identificação dos personagens (escolha de nomes fictícios, idade, profissão), do cenário e do ambiente onde a cena se realizará. O/A educador/a deve estar seguro/a de que houve a passagem da realidade para a fantasia. Muitas vezes é preciso repetir que a situação vivenciada é hipotética, tanto para os personagens quanto para quem observa.

18

Ação: o início da cena se dá no momento em que os personagens se sentem aquecidos. A interrupção da mesma vai depender das emoções mobilizadas. A iniciativa por parte do/a educador/a deve ocorrer quando perceber que houve a expressão de sentimentos e atitudes úteis para a compreensão das dificuldades anteriormente identificadas. Muitas vezes a cena é interrompida pelos/as próprios/as participantes. Deve-se estar atento, pois a emoção mobilizada neste momento pode ser bastante significativa.

Em seguida, solicita aos/às observadores/as que opinem sobre o ocorrido.

O/A educador/a encerra sintetizando o relato do grupo, complementando com observações que não foram percebidas, levando os/as participantes a associarem a situação vivenciada a fatos da vida real.

Vantagens: coloca em evidência determinados conteúdos internos não percebidos no cotidiano, dando oportunidade para a reflexão. Permite que os/as participantes, na função de observadores/as, se projetem na situação vivenciada e elaborem melhor dificuldades semelhantes.

Limitações: exige habilidade do/a educador/a em manejar emoções intensamente mobilizadas.

Sugestões de situações: as situações escolhidas para serem vivenciadas devem se caracterizar pela dificuldade de encaminhamento, pela polêmica e relação com as situações que os/as participantes enfrentam ou imaginam que irão enfrentar no seu trabalho. É saudável a variação no desempenho de papéis, ou seja, a mesma pessoa vivenciar os papéis de outros personagens.

Debate

* * * * *

Objetivo

Permitir a discussão e o confronto de pontos de vista antagônicos sobre temas, principalmente os de caráter polêmico.

Tempo

40 minutos

Material

nenhum em especial

Processo

O/A educador/a apresentará um tema a ser debatido (Ex.: a descriminalização das drogas), convidando dois/duas ou mais alunos/as para atuarem como debatedores/as. Para subsidiar o debate, o/a educador/a poderá apresentar previamente as linhas gerais do tema a ser discutido ou solicitar que os/as debatedores/as se preparem anteriormente, buscando informações, dados, etc., para fundamentar seus argumentos.

Um/a debatedor/a deverá apresentar argumentos a favor e o/a outro/a argumentos contrários ao tópico selecionado, em um tempo determinado, diante da audiência.

Após as apresentações dos/as debatedores/as, o/a educador/a deverá estimular perguntas e comentários da audiência acerca dos pontos de vista expostos.

Vantagens: a técnica é útil quando se pretende explorar um assunto sob diferentes pontos de vista, oferecendo elementos para a melhor compreensão do tema.

Limitações: exige habilidade do/a educador/a em evitar competição acirrada nas diferentes opiniões manifestas, controle do tempo de modo a não haver desequilíbrio dos argumentos apresentados e conhecimento amplo do assunto.

* * * * *

Discussão em pequenos grupos

Objetivo

19

Possibilitar a participação e a contribuição dos/as alunos/as em relação a diversos aspectos do tema a ser analisado, mediante a discussão em subgrupos.

Tempo

60 minutos

Material

lápis

papel

Processo

O/A educador/a deverá dar o comando (questões a serem respondidas, tópico a ser discutido, etc.), após a divisão dos/as participantes em subgrupos de, no máximo, 6 pessoas.

Cada subgrupo deverá escolher um/a relator/a, que registrará as conclusões de seu subgrupo, dentro do tempo pré-estabelecido.

Terminado o tempo, os grupos formam a plenária, e cada relator/a apresenta o resultado do trabalho de seu grupo.

Abre-se a discussão, sob a coordenação do/a educador/a, que deverá, com base nas contribuições apresentadas, concluir acerca do que foi solicitado.

Vantagens: a técnica propicia a participação e envolvimento de todos/as que, em situação de pequeno grupo, são estimulados/as a expressar idéias, opiniões, sentimentos, etc. O grupo pequeno tende a eliminar ou minimizar barreiras à participação, como timidez, vergonha e insegurança para falar em público.

Limitações: é necessário espaço físico disponível para a separação dos/as integrantes em diversos subgrupos. O pequeno grupo não deve ser formado por mais de 6 pessoas, do contrário, o objetivo quanto à participação de cada um/a pode não ser atingido.

* * * * *

Sucata

Objetivos

Aquecer o grupo para uma tarefa.

Favorecer a cooperação entre os membros de um ou mais grupos.

Favorecer a projeção de características individuais.

Tempo

40 minutos

Material

embalagens diversas em desuso

vasilhames (plástico, metal e papel)

lixo reciclável

cola

barbante

copinhos, grampos, palitos e tampinhas

tesoura sem ponta

revistas

cartolina

Processo

O/A educador/a apresenta o material.

Divide o grupo, de preferência com 4 participantes cada subgrupo, ou delega para o próprio grupo a decisão de se escolherem.

Em seguida, o/a educador/a dá a instrução sobre o que se espera fazer com o material.

Solicita que construam o trabalho sobre a cartolina.

20

O/A educador/a deverá observar atentamente todos os movimentos de cada subgrupo, a escolha, cooperação, criatividade, liderança, rejeição, indiferença, isolamentos, conflitos, valores

Deve acompanhar incentivando a criatividade e espontaneidade. “Faça do jeito que vocês acharem melhor. Não há regras”.

Finalizando as tarefas, cada subgrupo terá de 2 a 3 minutos para expor os trabalhos, explicando os significados de cada peça e do conjunto.

O/A educador/a anota o que chamou a atenção e esclarece dúvidas.

Solicita opiniões dos/as participantes sobre os trabalhos dos/as colegas e como se sentiram executando a tarefa.

No final, o/a educador/a faz comentários sintetizando valores coletivos, enfatizando aspectos para reflexão e reforçando aspectos positivos.

Os trabalhos são recolhidos e guardados, para comparações futuras.

Vantagens: observar a evolução do grupo pelo/a educador/a e pelo próprio grupo; permitir o resgate da espontaneidade (o efeito surpresa facilita o “cair das máscaras”); permite a liberdade de criar.

Limitação: requer do/a educador/a habilidade para traduzir minimamente a linguagem simbólica da expressão humana, através dos objetos.

Outras Sugestões

* * * * *

Conferência Uma conferência é a apresentação de informação estruturada e ordenada por uma pessoa ou um painel. Assim como as conferências podem ter êxito ao transmitir informações ou introduzir técnicas, também podem ser tensas e monótonas .

Discussão O intercâmbio verbal ou discussão é dirigido pelo/a educador/a ou pelos/as participantes sobre um tema específico. Através desse processo, os/as participantes: 1) têm a oportunidade de compartilhar fatos ou idéias; e 2) podem escutar e considerar diferentes pontos de vista. Os intercâmbios são úteis, tanto em grandes como em pequenos grupos. Os pequenos grupos oferecem às pessoas tímidas e inibidas mais oportunidade de falar. As discussões em grupos grandes dão ao/à moderador/a a oportunidade de controlar o fluxo de informação e conversação.

Audiovisual Os audiovisuais (filmes, slides ou vídeos) são um recurso didático extremamente eficaz, porque os/as participantes se identificam de imediato com as pessoas e ações apresentadas, mostrando- se ansiosos em expressar suas próprias atitudes e sentimentos mobilizados. Os audiovisuais podem ser utilizados para introduzir um novo tema, dar informação de forma direta, e mostrar questionamento e problemas que provocarão a discussão. Apesar de os slides terem menos ação que os filmes, são também eficazes. Todos os audiovisuais devem ser vistos com as seguintes perguntas em mente:

Este audiovisual ajuda a alcançar os objetivos da sessão?

A informação está atualizada?

Os personagens e situações contribuem para reflexão do tema?

Conferencistas convidados/as Outras pessoas podem ser convidadas para ampliar e/ou complementar o conhecimento sobre o tema, apresentar opinião ou discutir temas específicos sobre os quais o/a educador/a não tem domínio. Exemplos de conferencistas seriam: médicos/as, pais, mães de adolescentes, trabalhadores/as sociais, orientadores/as vocacionais e diversos profissionais. Quando se convida algum/a conferencista, é importante levar em consideração o seguinte:

O/A conferencista conhece o tema que vai ser discutido?

O/A conferencista tem uma boa relação com as pessoas convidadas?

O/A conferencista está bem informado/a sobre as expectativas do/a coordenador/a?

21

Frases incompletas

Dê aos/às participantes uma lista de afirmações incompletas para completarem, sem se

identificarem. Por exemplo: um trabalho estimulante seria

Existem várias formas de conduzir essa atividade. Leia a frase incompleta e peça aos/às participantes que completem a declaração em uma folha que depois será recolhida, sendo as respostas discutidas com todo o grupo. Outra forma seria escrever as afirmações em folhas grandes, afixando-as nas paredes e pedindo aos/às participantes para formar grupos e completar anonimamente as afirmações. Em seguida, voluntários/as leriam as respostas para serem discutidas.

; o sexo antes do casamento é

22

DIFICULDADES FREQÜENTES NOS GRUPOS E SOLUÇÕES POSSÍVEIS

Problemas freqüentes

 

Respostas possíveis do/a educador/a

O grupo fica em silêncio total e não participa

Espera um pouco. Se persistir a falta de participação, faz um resumo da discussão até aquele momento e propõe uma nova pergunta.

Faz um encerramento e propõe outro tema.

Alguém se opõe de maneira radical ao objetivo da reunião

Pede que explicite a razão de seu desacordo com o grupo.

Pede ao grupo que se pronuncie sobre o ponto em questão.

 

Clarificam-se ou se reformulam os objetivos, e pergunta ao grupo se é possível continuar.

Alguém interrompe, toma a palavra de forma prolongada, pretende liderar o grupo e não presta atenção nas outras pessoas

Interrompe essa pessoa e valoriza suas colocações.

Recorda a importância da participação de todos/as e que seja de maneira curta e precisa para que todos/as possam contribuir.

Um/a participante ou um/a expert tem uma intervenção confusa ou cheia de rodeios

Reformula a pergunta ou o tema que estava sendo tratado, pede ao/à participante que repita a intervenção pois não compreendeu.

Pergunta ao grupo ou a alguém em particular, se ficou claro o ponto e pede para alguém resumi-lo.

Se há confrontos entre as pessoas

Resume o estado da discussão e das posições.

Promove uma intervenção de um/a participante do grupo no debate.

Oferece ao grupo uma terceira interpretação possível.

Resume a discussão e deixa pendente para um posterior debate.

Uma pessoa do grupo sai do tema da discussão

Retoma o tema do qual está se falando nesse momento e decide se o tema já foi debatido, se é irrelevante e se deve tratá-lo posteriormente.

Um/a ou mais participantes do grupo acha que não há problema ou motivo de discussão

Retoma o problema de forma clara e pede a opinião do resto do grupo.

Oferece explicações alternativas.

Se todo o grupo estiver de acordo, passa-se para outro tema.

Algumas pessoas são ignoradas pelo grupo

Reforça a importância da participação de todos/as

Convida-as a participar.

Os/As participantes solicitam a opinião pessoal do/a educador/a

Deixa claro que sua opinião poderá ser erroneamente tomada como verdadeira e definitiva e que não é esse o objetivo do trabalho.

Sua fala pode ser usada indevidamente: a atitude de colocar-se pessoalmente pode abrir espaço para invasões de privacidade, gozações e outras atitudes indesejáveis.

Ansiosos/as por uma definição, os/as adolescentes podem agarrar-se à opinião do/a educador/a e fazê-la sua, sem nenhuma reflexão. Esse trabalho pretende o oposto. O/A aluno/a só poderá construir uma resposta pessoal após ter ouvido diversas opiniões e refletido sobre elas.

Silêncio, risos, piadas e cochichos

Aproveita para ressaltar o quanto de vergonha e temores há nas piadas, risos e cochichos, quando se conversa sobre sexualidade. É uma oportunidade de verificar a razão desses comportamentos. Observa que, quando não há espaço para se falar abertamente sobre sexo, resta fazê-lo às escondidas ou então calar-se.

Quando são feitos comentários preconceituosos

O/A educador/a é alguém que dá forma aos problemas no grupo. Sua função é questionar, apontar paradoxos.Os/As jovens só poderão rever suas idéias e valores se tiverem, no trabalho de Educação Sexual, um espaço questionador, diversificado quanto às opiniões, para ajudar a refletir. Dessa forma poderão fazer escolhas e amadurecer posições próprias.

 

Algumas sugestões do que pode ser feito:

Presença flutuante de alguns/as participantes ou evasão

 

recursos didáticos ajudam a garantir a assimilação do tema. Também motivam o/a participante e ajudam a evitar a ausência ou evasão causada por desinteresse; encontros prazerosos estimulam o grupo a participar, mesmo que alguém se considere conhecedor/a do assunto. No desenvolvimento do tema, os/as adolescentes observarão o que desconheciam e assimilarão aspectos ignorados. Outro modo de fazer circular conhecimentos é promover comentários entre quem esteve presente com o que faltou ao encontro;

a existência de vínculos no interior do grupo garante um ambiente de confiança. Além das amizades, a concretização de um contrato feito por todos/as compromete os/as jovens entre si. A duração do trabalho também confirma se o combinado está sendo cumprido. Desse modo, os/as inseguros/as e os/as desconfiados/as se sentirão mais à vontade para participar.

Procura um ponto de equilíbrio, partindo de algum interesse em comum através de um levantamento das expectativas do grupo e de uma votação. Se para se entender o(s) tema(s) escolhido(s) é preciso explicar questões que os/as mais velhos/as já saibam, pede um pouco de paciência ou ajuda aos que já têm esse conhecimento.

23

DINÂMICAS SUGERIDAS

24

AUTO-ESTIMA

25

Aquecimento

A criação do nome

Objetivos

Integrar o grupo.

Sensibilizar para o fato de que quando se trabalha com sexualidade é preciso estar atento/a para os sentimentos das pessoas.

Tempo

60 minutos

Material

retângulos de cartolina de 4 cm por 5 cm

tubos de cola

tesouras

sucata: folhas, conchas, purpurinas, lantejoulas, selos, papéis coloridos, fios de linha e de lã, serragem, penas, etc.

canetas coloridas

Processo

1. Antes de começar o exercício, o/a educador/a deve tirar todas as carteiras da sala ou providenciar um espaço onde os/as adolescentes possam se sentar no chão.

2. O/A educador/a coloca todo o material para o exercício no centro do círculo.

3. O/A educador/a pede que cada adolescente construa o seu nome escrevendo uma letra em cada retângulo de cartolina. Para isso, podem se utilizar de todo o material disponível na sala.

4. Quando terminarem, o/a educador/a pergunta o que sentiram ao construir seu nome. Pede que todos/as olhem os nomes dos/as outros/as e comentem as diferenças entre os aspectos de um e de outro.

5. Depois, o/a educador/a pede que coloquem seus nomes construídos no centro e embaralha as letras.

6. Quando os cartões estiverem embaralhados, solicita que reconstruam os nomes utilizando-se das letras existentes.

7. Quando terminarem, o/a educador/a pergunta como se sentiram tendo suas construções utilizadas por outras pessoas. A seguir, o/a educador/a comenta os aspectos que observou durante o exercício: se houve atropelo para se pegar as letras, pessoas mais tímidas que outras, etc.

* * * * *

Construindo as regras do grupo

Objetivo

Estabelecer as regras do grupo

Tempo

10 minutos

Material

folhas grandes de papel, do tipo manilha ou kraft

fita adesiva

crachás e alfinetes

Processo

1. O/A educador/a pede que os/as participantes se sentem em círculo.

2. Afixa folhas de papel na parede, para ir anotando os relatos do grupo.

3. Pede para cada participante se apresentar: dizer o nome, idade, o que gosta de fazer, o que não gosta, etc.

26

4. O/A educador/a se apresenta e informa que o objetivo desta atividade é combinar algumas regras para que o grupo se sinta bem discutindo temas como a sexualidade.

5. Coletivamente, os/as participantes falarão quais as regras que acham importantes e o/a educador/a escreve nas folhas em forma de palavras-chave. Ao final, as regras deverão ser

discutidas e votadas e as que tiverem votos deverão ser copiadas em uma nova folha de papel

e fixada na parede. Alguns exemplos:

- não julgar;

- escutar o que os/as outros/as têm a dizer, sem interromper;

- respeitar as diferentes opiniões;

- nenhuma pessoa é obrigada a falar;

- o que for falado nos encontros não deve virar fofoca.

6. O/A educador/a fecha o exercício comentando que estas regras foram decididas democraticamente e que deverão nortear os próximos encontros. Caso estas regras se mostrem inadequadas ou insuficientes, será possível rediscuti-las.

* * * * *

O Jogo da Auto-estima

Objetivo

Explicar aos /às adolescentes o que vem a ser auto-estima e como ela é construída.

Tempo

30 minutos

Material

uma folha de papel para cada participante

pedaços de fita adesiva para cada participante

Observação:

Certifique-se de ter a mesma quantidade de frases para reforçar a auto-estima ou enfraquecê-la. Adapte ou crie novas frases, de forma que reflitam o mais fielmente possível as situações vividas pelos/as adolescentes em sua comunidade.

Processo

1. O/A educador/a pergunta ao grupo se alguém sabe o que é auto-estima. Se ninguém souber,

explica que a auto-estima é a forma como uma pessoa se sente a respeito de si mesma, e que

a auto-estima está estreitamente relacionada com a nossa família e o meio ambiente. O/A

educador/a salienta que, a cada dia, enfrentamos situações que afetam o modo como nos sentimos a respeito de nós mesmos/as. Por exemplo, se brigamos com nossos pais e mães, ou se um/a amigo/a nos critica, isso pode abalar nossa auto-estima.

2. O/A educador/a entrega uma folha de papel para cada participante, explicando que aquela folha representa a sua auto-estima.

3. Explica que, a seguir, será lida uma lista de situações que podem ocorrer, ocasionando prejuízo

à auto-estima. Diz que cada vez que ler uma frase, deverão arrancar um pedaço da folha de

papel, na mesma proporção que essa situação afetaria a auto-estima. (Exemplo: o/a educador/a lê a primeira frase e rasga um pedaço da sua própria folha de papel, dizendo: “Isso me afetaria muito, ou isso não me afetaria muito.”).

4. O/A educador/a pede que eles/as imaginem que na última semana aconteceu o seguinte:

27

1. Uma briga com o seu namorado/ a sua namorada.

2. Seu/sua professor/a criticou o seu trabalho.

3. Seu grupo de amigos/as não o/a convidou para um passeio.

4. Seu pai ou sua mãe o/a chamou de vagabundo/a .

5. Um/a amigo/a espalhou um segredo que você revelou a

ele/ela.

6. Surgiu um boato sobre a sua reputação.

7. Seu/sua namorado/a o/a deixou por causa de outro/a .

8. Um grupo de amigos/as zombou de você por causa de sua

roupa.

9. Você tirou péssimas notas numa prova.

10. Seu time de futebol perdeu um jogo importante.

11. Um/a menino/a de quem você gosta recusou um convite para sair com você.

5. Depois de ler todas as frases que afetam a auto-estima, explique que agora eles/as vão recuperar a auto-estima. Diga que reconstruirão sua auto-estima aos pedaços, também. A cada frase lida eles/as deverão escolher um pedaço do papel correspondente à auto-estima e ir colando. O/a educador/a inicia: Na última semana, imagine que aconteceu o seguinte:

1. Algum/a colega da escola pediu seus conselhos sobre um assunto delicado.

2. O/A menino/a de quem você gosta convidou-o/a para sair.

3. Seu pai ou sua mãe disse que gosta muito de você.

4. Você recebeu uma carta ou um telefonema de um/a amigo/a .

5. Você tirou boas notas numa prova.

6. Um/a menino/a aceitou seu convite para sair.

7. Seu time ganhou um jogo importante.

8. Seus colegas da escola o escolheram como líder.

9. Você ganhou um presente.

10. Seu/sua namorado/a mandou-lhe uma carta apaixonada.

11. Todos/as os/as seus/suas amigos/as elogiaram sua roupa ou o seu cabelo.

6. Quando terminar a leitura das frases, o/a educador/a levanta os seguintes pontos para discussão:

1. Todos/as recuperaram sua auto-estima?

2. Qual foi a situação que mais afetou sua auto-estima? Por quê?

3. E qual causou menos danos?

4. Qual foi a situação mais importante na recuperação da auto-estima?

5. O que podemos fazer para defender nossa auto-estima quando nos sentimos agredidos/as?

6. O que podemos fazer para ajudar nossos/as amigos/as e familiares quando sua auto-estima está baixa?

7. Fecha o exercício lembrando que as pessoas têm a tendência de pensarem mais nas coisas desagradáveis do que nas agradáveis. E que essa forma de agir faz com que nossa auto- estima fique prejudicada. É preciso fazer um esforço para perceber as qualidades individuais e valorizar a nós mesmo/as e também aos/às outros/as.

Desenho Coletivo

* * * * *

Objetivo

Integrar os membros do grupo.

Tempo

50 minutos

28

Material

papel

giz de cera

pincéis atômicos

música de fundo

aparelho de som

fita cassete ou CD

Processo 1. O/A educador/a pede que a classe organize as carteiras em círculo e permaneçam sentados/as.

2. O/A educador/a distribui uma folha de papel para cada pessoa e solicita que coloquem seu nome no alto da folha.

3. Coloca para tocar no aparelho de som uma música suave.

4. Em seguida, pede que iniciem um desenhe qualquer.

5.

A cada minuto, o/a educador/a diz “Passou!”, o desenho é imediatamente repassado ao/à

vizinho/a no círculo, que irá continuar a obra.

6.

O

jogo termina quando o desenho tiver rodado na sala e retornado para a pessoa que o iniciou.

7.

Na seqüência, faz para o grupo as seguintes perguntas:

como vocês se sentiram fazendo esta brincadeira?

quem gostou ou não do desenho final?

por quê?

o que significa compartilhar a execução de um trabalho de grupo?

7. Fecha o exercício enfatizando a importância de se viver em sociedade, de compartilhar idéias e trabalhos e que havendo respeito e solidariedade, o grupo poder ser uma boa forma de aumentar a auto-estima das pessoas.

* * * * *

Imagem de Corpo

Objetivos

Desenvolver a consciência dos/as jovens em relação ao seu físico.

Ajudá-los/as a perceber o papel dos meio de comunicação na influência de nossa auto-imagem

e como nossa imagem afeta nossa conduta.

Tempo

50 minutos

Material

cópia do texto O que faço com o meu corpo? para todos/as

revistas e jornais para recortar

tesouras

fita adesiva

cola

papel

canetas

Observação Os/As adolescentes, muitas vezes, sentem-se inseguros/as em relação às mudanças físicas que ocorrem com seu corpo e duvidam se são atraentes ou “normais”. A imagem que os/as jovens têm de si mesmos/as e suas idéias sobre beleza, freqüentemente, advêm dos meios de comunicação de massa, que geralmente apresentam imagens ideais. Uma das metas dessa atividade é apresentar um conceito mais amplo de beleza, que inclua a maioria dos grupos sociais, étnicos e físicos. Muitos/as jovens podem se sentir frustrados/as por não poderem se vestir como os/as jovens que vêem na televisão. O/A educador/a deve selecionar

29

material (revistas, jornais e outras publicações) que apresentem imagens variadas de belezas, assim como homens e mulheres atraentes de origens diversas.

Processo

1.

O/A educador/a começa dividindo os/as participantes em dois grupos, um para cada sexo.

2.

Dá a cada grupo um pedaço de papel, uma caneta e instruções para que listem as partes do corpo que as pessoas do seu sexo não gostam.

3.

Copia numa lista as partes que as meninas não gostam em seus corpos e as partes que os meninos não gostam em seus corpos.

4.

Em seguida, fornece aos grupos instruções adicionais para que procurem nas revistas exemplos de pessoas do sexo oposto que consideram atraentes.

 

5.

Pede que cada grupo elabore uma colagem sobre o Homem Atraente (meninos) e a Mulher Atraente (meninas).

6.

Quando terminarem, cada grupo mostra a sua colagem aos outros e faz as seguintes perguntas.

 
 

Os homens e as mulheres estão satisfeitos/as com as suas formas físicas? Quem está mais satisfeito/a? Como formamos, em nós mesmos, a idéia de “corpo atraente”? As imagens de beleza que recebemos dos meios de comunicação são realistas ou são estereotipadas? A forma como nos sentimos em relação a nossos corpos é influenciada pelo que as pessoas do outro sexo acham interessantes ou atraentes? Existem partes do nosso corpo que podemos modificar? E as partes que não podemos modificar? Afetam nosso corpo, nosso humor, nossa inteligência, nossa amabilidade ou nossa capacidade de amar e sermos amados/as?

8.

Fecha o exercício, distribuindo o texto O que faço com o meu corpo? para todos/as e faz uma leitura coletiva.

O que faço com o meu corpo?

Garotas lindas, corpo perfeito, cabelos compridos, lisos e sedosos

Garotos lindos, bronzeados, altos, fortes, musculosos, dentes perfeitos

É assim que você queria ser?

Pois você não é o único caso. Vivemos numa época em que os meios de comunicação (televisão, revistas, etc.) nos massacram com modelos de beleza, de charme e de sucesso. E, muitas

vezes, principalmente quando estamos de baixo astral, caímos feito patos e patas nesta história.

A gente acorda, se olha no espelho e fica sonhando com um transplante de

corpo. Afinal, com aquilo que a gente tem, não vai dar para ser feliz tão mais lindos do que a gente! Sai dessa!

Até os/as modelos têm defeitos. Muita gente nem sabe que esses/as profissionais, antes de fazerem uma foto, se maquiam para disfarçar as espinhas

e para afinar o nariz, passam produtos no cabelo para eles ficarem lisos e

brilhantes e que, depois de feitas, as fotos são retocadas para se tirar verrugas, pintas e marcas de celulite.

Resumindo, estes homens e mulheres maravilhosos/as são de papel. Os reais têm defeitos como todo mundo.

Todos são

O que a gente pode aprender com eles e elas é a se cuidar com mais amor e a

valorizar os pontos fortes que todo mundo tem.

30

CORPO, SEXUALIDADE E SAÚDE REPRODUTIVA

31

Retratos

Objetivo

Informar e conscientizar os/as alunos/as sobre as modificações do corpo e as modificações afetivas que acontecem na puberdade.

Tempo

60 minutos

Material

papel

lápis preto

lápis de cor

tiras com instruções

Processo

1. O/A educador/a solicita que os/as alunos/as façam seis grupos e informa que vai distribuir a cada grupo uma tira com a descrição de um menino ou de uma menina. A partir das instruções, eles/as devem fazer em grupo o retrato dessa pessoa que foi descrita.

a) Meu nome é Júlia, tenho 12 anos e não sei o que fazer com os meus pêlos. Antigamente, eu não tinha esse problema. Hoje, tenho pêlos debaixo do braço, nos órgãos genitais e os pêlos das minhas pernas engrossaram.

b) Meu nome é Fernando e tenho 13 anos. Eu olho para mim e me acho estranho. Minhas pernas e meus braços cresceram de repente e me sinto desajeitado.

c) Meu nome é Letícia, tenho 11 anos e estou desesperada. Minha cara está cheia de espinhas.

d) Meu nome é Jorge, tenho 12 anos. Outro dia levei o maior susto: depois da aula de Educação Física, cheirei debaixo do meu braço e vi que estava com um cheiro horroroso. Quando eu era menor eu não tinha cheiro nenhum.

e) Meu nome é Rose e tenho quase 13 anos. Ultimamente, tenho mudado muito de humor. Tem horas que me sinto bem e de repente, sem que nada aconteça, me dá a maior tristeza.

f) Meu nome é João e tenho 14 anos. Antigamente, eu preferia ficar em casa com os meus pais. Hoje, prefiro ficar com os meus amigos.

2. Quando todos/as terminarem os retratos, solicita que mostrem os desenhos aos outros grupos e que digam o que está acontecendo com o/a personagem.

3. Informa que aqueles desenhos exploram algumas das modificações que ocorrem na puberdade. Explica que:

Puberdade é a fase da vida das pessoas que acontece lá pelos 11, 12, 13 ou 14 anos, quando o corpo e as emoções vão passar por grandes modificações:

- o corpo cresce mais rápido e desproporcionalmente;

- aparecem espinhas no rosto;

- o cheiro do suor e dos genitais fica mais forte;

- surgem pêlos nas axilas, pêlos pubianos, os pêlos das pernas e dos braços ficam mais grossos, surgem os primeiros pêlos de barba e bigode nos meninos;

- as meninas desenvolvem os seios, os contornos do corpo ficam mais arredondados e a menstruação vem pela primeira vez;

- os meninos ficam com a voz mais grave, o saco escrotal fica escuro, mais baixo, mais comprido e enrugado, o pênis fica maior e mais escuro e o menino começa a ejacular. As emoções ficam mais intensas e diferentes:

- o humor varia muito, pode se estar feliz em um momento e muito triste 5 minutos depois, sem que nada aconteça;

- os/as amigos/as ficam mais importantes;

- começa a surgir o interesse por pessoas do sexo oposto;

- muitos assuntos que não o/a interessavam começam a ficar importantes;

- começa a descobrir que existem várias opiniões sobre um mesmo assunto;

- o relacionamento com os pais, às vezes, passa do terno a conflituoso porque as opiniões começam a ficar diferentes. Estas mudanças acontecem nessa fase por influência dos hormônios. Hormônios são substâncias químicas produzidas no organismo e que têm um efeito específico sobre um órgão ou a estrutura do corpo. Os hormônios sexuais estimulam os ovários a amadurecerem os óvulos e os testículos a produzirem espermatozóides. Essas mudanças vão tornar a menina capaz de gerar filhos, e o menino capaz de engravidar uma mulher. Geralmente, isso acontece por volta dos 11 ou 12 anos para as meninas e por volta dos 13 anos para os meninos.

32

4. Para finalizar, reforça que, nesta fase, com a chegada da menstruação, a menina já tem os órgãos reprodutores amadurecidos e, assim, pode engravidar e que o menino já produz espermatozóides e, portanto, pode engravidar uma mulher se não usar camisinha.

* * * * *

Auto-retrato

Objetivo

Discutir o que mudou no corpo e no comportamento das pessoas na passagem da infância à adolescência.

Tempo

50 minutos

Material

cartolina cortada em 4 partes

lápis

lápis de cor

canetas hidrográficas

máquina Polaroid - em caso de não dispor desse equipamento, substituir por revistas para realizar colagem

lenços

roupas

maquiagem

Processo

1. O/A educador/a distribui uma parte da cartolina para cada participante e solicita que pensem no tempo em que eram crianças e que façam um desenho pensando neste período. Pede que se coloquem neste desenho.

2. Quando todos/as tiverem terminado, o/a educador/a propõe que, a partir do material disponível na sala, eles/as se produzam pensando no que são hoje.

3. Quando cada um/a dos/as participantes termina a sua produção, o/a educador/a solicita que façam a pose que quiserem, tira a foto em Polaroid e entrega para cada um/a deles/as a sua foto.

4. Quando todos/as tiverem as suas fotos, o/a educador/a solicita que façam um círculo e que mostrem o seu desenho e sua foto para os/as outros/as, respondendo às seguintes questões:

como eram?

como são agora?

como gostariam de ser?

que mudanças estão percebendo no corpo?

o que gostam e o que não gostam no corpo?

como as pessoas com quem convive estão percebendo essas mudanças?

* * * * *

Corpo Reprodutivo

Objetivo

Fazer com que os/as adolescentes conheçam o corpo reprodutivo de forma participativa e percebam que do corpo também fazem parte as características psicológicas, a história pessoal e as relações que se estabelecem com as pessoas, seu meio social e sua cultura.

Tempo

2 horas

Material

papel pardo ou manilha

caneta hidrográfica

fita adesiva

Processo

33

1. Divididos em quatro grupos, o/a educador/a solicita que façam um contorno do corpo de um homem e de uma mulher.

2. Solicita que dois garotos e duas garotas deitem nas folhas de papel pardo e que os demais componentes do grupo desenhem, primeiramente, o contorno do corpo e que depois o/a voluntário/a se levante e todos/as desenhem o corpo reprodutivo feminino e masculino.

3. Pede que coloquem tudo que acharem necessário: características, adereços, nome, profissão, idade, etc.

4. Quando terminarem, discute os resultados, acrescentando informações e esclarecimentos necessários sobre as partes do corpo reprodutivo masculino e feminino.

5. A seguir, explicar todo o processo de menstruação, ejaculação, fecundação, gravidez e nascimento a partir dos textos de apoio: Órgãos Genitais Masculinos e Femininos e Reprodução Humana.

* * * * *

Corpo Erótico

Objetivo

Discutir a diversidade, preferências, prazer sexual.

Tempo

50 minutos

Material

para a massa: 1 kg de farinha de trigo, ½ kg de sal e jarra de água. Misturar tudo até ter a consistência de uma massa para modelar

papel ofício ou jornal

Processo

1. Fazer a massa e dividir em pequenas porções, dando uma para cada participante.

2. Solicitar que construam o que entendem por corpo erótico. Pode ser uma parte, um corpo inteiro ou um símbolo.

3. Expor as esculturas para que cada um/uma fale da sua.

4. Discutir os diferentes resultados, e concluir que toda pessoa tem partes do corpo que dão prazer e que excitam, mas que estas partes podem variar de pessoa para pessoa.

* * * * *

Masturbação: Mitos e Realidade

Objetivo

Discutir o que é masturbação e por que tantos mitos cercam esta prática sexual.

Tempo

50 minutos

Material

cópia do Caça Palavras para todos/as

cópia dos textos Perguntas e Respostas sobre a Masturbação e Você sabia que

para todos/as

Processo

1. O/A educador/a solicita que façam o Caça Palavras.

34

Caçando palavras Leia o texto abaixo e depois procure e marque as palavras EM DESTAQUE, no texto, no diagrama de letras. Elas podem estar na horizontal, na vertical e de trás para frente.

É verdade que a MASTURBAÇÃO afina o pênis? Não, não é verdade. A masturbação não afina o PÊNIS, não deforma a VAGINA, não dá espinha, não emagrece, não deixa ninguém louco, não faz crescer pêlos na palma da mão e nem interfere no TESÃO. Isso tudo são mitos muito antigos. A masturbação é um ato que acompanha a vida inteira das pessoas e cuja freqüência depende da idade, das experiências e dos ENCONTROS de cada um. Os ADOLESCENTES, tanto as meninas quanto os meninos, costumam masturbar-se mais do que os adultos porque é nessa faixa etária que os HORMÔNIOS SEXUAIS começam a se desenvolver. Além do mais, a masturbação nessa fase da vida tem um sentido exploratório, de pesquisa e experimentação do próprio CORPO na busca das áreas mais PRAZEROSAS. Enfim, a masturbação é uma prática comum e natural de se buscar PRAZER, de conhecer o próprio corpo e de se preparar para uma vida sexual gostosa.

D

S R O

P R O

C A

E T Z

E A

E

F E Z

W P S Q

A X E F W C R Y Y

P

O I

L P P M L K

P J

G O P P E M O S E M O F

L H M B

P V R A

R

M A D O L E

S C

E N T E

P D P A E P N

S P E

I

O A I

E

A

H O R M O N U P

D P D W P K L A O L I

J

E

O E U F F E

R

O

O

P A O

Z

V

A G I

N A P T

A B C D

E

F G

H I

J

L F S E N

C O

N T R

S P E

E

P

H I

S I

A U X

E S

S

O I N O M R O H P M I

P

G E P

E I

O

R

K

P

L P O O O R

P R A Z

E R O Z A P E P A

P A E

I O

U

P A I

P

R

M A S T U

R B A Ç A O P R

Q P A O A S E

T

J

P B

H S

E Q R

2. Cinco minutos depois, pergunta quem conseguiu

3. Junto com eles /as, identifica o mito sobre masturbação no texto e levanta outros.

4. Finaliza, definindo o que é masturbação e em seguida solicita que um/a aluno/a leia as Perguntas e Respostas sobre Masturbação e que outro/a leia o texto Você sabia que

achar todas as palavras.

Perguntas e Respostas sobre Masturbação

O que é masturbação a dois? Isso é normal? É, sim. A masturbação a dois é uma prática erótica na qual os namorados ficam se acariciando até chegarem ao orgasmo. É considerada uma forma de se praticar sexo seguro pois, não existindo a penetração, não transmite o vírus da aids.

Por que me sinto culpado toda vez que me masturbo? Isso acontece porque muito/as de nós receberam uma educação sexual repressora que vê o sexo como uma coisa feia e suja. Mas não existe motivo nenhum para se sentir culpado/a: a masturbação é um ato natural e não traz nenhum tipo de problema, nem físico nem psicológico.

Eu me masturbo todo o dia. Será que quando eu tiver relações sexuais o meu namorado vai perceber isso? Não, nem o menino nem a menina têm como saber se o/a outro/a se masturba ou não.

Você sabia que

A palavra masturbação vem do latim mano stuprare que significa sujar com as mãos, carregando assim um forte significado negativo? Por este motivo, alguns/as sexólogos/as querem mudar o nome masturbação para auto-erotização.

A masturbação pode ser a primeira maneira de uma pessoa experimentar prazer sexual?

A masturbação é muito comum entre homens e mulheres de todas as idades?

A freqüência da masturbação varia de pessoa para pessoa e não existe nenhum padrão do que é uma quantidade normal ou anormal?

Objetos que possam machucar o próprio corpo ou o corpo do/a outro/a não devem ser usados na masturbação?

A masturbação, seja sozinho/a ou com um/a parceiro/a, é uma das maneiras de sentir prazer sexual sem arriscar uma gravidez ou uma doença sexualmente transmissível, inclusive a aids?

35

Os Métodos Anticoncepcionais

Objetivos

Levantamento dos métodos anticoncepcionais conhecidos por adolescentes.

Levantamento da opinião do grupo quanto aos métodos mais e menos adequados para cada faixa etária.

Tempo

50 minutos

Material

bolinhas auto-adesivas de três cores

folhas de papel ofício cortadas ao meio

cartolinas ovais coloridas

lápis para todos/as

quadro negro/cartolina/parede lisa

fita adesiva

pincel atômico

Processo

1. O/A educador/a coloca no quadro/cartolina a pergunta-chave: Quais os métodos anticoncepcionais que vocês conhecem?

2. O/A educador/a entrega lápis e papel ofício para o grupo e pede que cada pessoa coloque no papel, em forma de itens, o nome dos métodos que conhece. (Os métodos estão relacionados e detalhados no texto Os Métodos Anticoncepcionais).

3. A seguir, pede que formem pequenos grupos (4 ou 5 pessoas) e listem todos os métodos, sem repeti-los. Depois, solicita que escrevam em cada meia folha de ofício um tipo de método (distribui uma caneta grossa de cor diferente para cada grupo e as folhas cortadas, 20 para cada grupo).

4. Conforme os grupos vão terminando, o/a educador/a vai colocando as folhas com os nomes dos métodos numa parede ou numa folha grande, formando colunas. Quando todas as folhas estiverem coladas, o/a educador/a solicita que os/as adolescentes voltem ao grupo.

5. Junto com o grupo, o/a educador/a tira os métodos repetidos. Em seguida, distribui bolinhas adesivas verdes a todos/as e pede que cada um/a coloque as bolinhas do lado dos métodos que desconhecem ou que têm dúvida (cada participante tem direito de colocar quantas bolinhas achar necessário).

6. O/A educador/a pergunta aos grupos quem sabe tirar as dúvidas dos/as colegas. Começa pelos métodos com maior número de bolinhas.

7. A seguir, o/a educador/a explica detalhadamente cada método levantado, completando o quadro com os que não surgiram (ver texto Os Métodos Anticoncepcionais).

8. O/A educador/a distribui bolinhas pretas e pede que cada pessoa coloque a bolinha no método que considera mais adequado para a adolescência. Em seguida, distribui bolinhas amarelas para que repitam a dinâmica nos que acham menos adequados. O quadro deve permanecer na parede/quadro/cartolina.

OBS.: Na medida da possibilidade, o/a educador/a deverá levar alguns métodos anticoncepcionais para mostrá-los aos/às adolescentes.

* * * * *

Estudo de Caso

Objetivo

Dar aos/às participantes do grupo a oportunidade de discutir e se posicionar frente a um caso de gravidez na adolescência, bem como de refletir acerca da importância de se planejar uma transa e de fazer anticoncepção.

Material para cada grupo

cópia do estudo de caso A história de Camila

lápis ou caneta

folhas em branco para as respostas

36

Tempo

50 minutos

Processo

1. O/A educador/a forma subgrupos de até 8 pessoas e pede que escolham alguém para coordenar.

2. Explica a dinâmica, distribui para cada grupo as três partes com A história de Camila e esclarece as funções da coordenação no subgrupo.

3. As funções do/a coordenador/a serão: distribuir as partes do estudo de caso, para que todos/as leiam e respondam às questões ao final de cada página; permitir que todos os membros do grupo se posicionem e anotar as respostas em uma folha em branco. Convém o/a educador/a se reunir um pouco antes com quem coordenará para tirar as dúvidas da dinâmica. Deixar bem claro que só se passa à parte seguinte da história depois de discutidas as questões.

4. Após o tempo determinado, pede que as respostas de cada grupo sejam apresentadas em plenário pelo/a coordenador/a

5. O/A educador/a encerra a dinâmica, fazendo comentários sobre a iniciação sexual da

população jovem, a gravidez na adolescência, a importância de planejar a contracepção e que isso não tira o prazer nem do homem nem da mulher. -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Parte 1

A história de Camila Camila tem 15 anos e é a filha mais velha, numa família de três irmãos. A sua mãe é secretária em uma grande empresa e trabalha o dia inteiro. À noite, mesmo quando está atarefada, sempre encontra um tempinho para conversar com os/a filhos/a e ver se vai tudo bem com ele/a. O pai também trabalha o dia inteiro. Quando terminou a 8ª série, Camila foi com família de sua melhor amiga passar as férias em Salvador. Era a primeira vez que ela viajava sem a sua própria família e por isso sua mãe lhe fez mil recomendações, mesmo confiando no bom senso da filha e acreditando que tinha lhe dado todo o tipo informação possível sobre sexualidade.

O sol, a praia, o calor, era tudo maravilhoso! Camila sentia que estava vivendo a melhor

fase de sua vida. Teve certeza disso quando conheceu Thiago, um menino de Itajubá, 18 anos, olhos cor de

mel.

O namoro corria solto, gostoso, até que um dia Thiago convidou Camila a ir na casa em

que ele estava hospedado porque todo mundo tinha ido a Itaparica e eles poderiam ficar toda a

tarde juntos, sozinhos e tranqüilos. Camila pensou um pouco e resolveu aceitar. Afinal, estava apaixonada e se sentia preparada para iniciar sua vida sexual.

Quem teria que pensar na contracepção? Como vocês imaginam que seria esse papo sobre contracepção entre os dois? Como eles poderiam se prevenir? ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Parte 2

Quando chegou na casa de Thiago, Camila teve certeza de que a transa ia rolar. O ambiente cheirava a caju maduro, Thiago estava super romântico. Foram para um canto da sala e começaram a se beijar e a se abraçar. Num dado momento, Camila disse que era virgem, que não tomava pílula e que tinha medo de engravidar. Thiago acalmou-a dizendo que ninguém engravida na primeira vez que transa, que ele tinha certeza disso. Camila, então, contou que sua mãe sempre dizia que se cuidasse e que todo mundo deveria usar camisinha por causa da aids. Thiago ficou nervoso: “Transar de camisinha é o mesmo que chupar bala com papel”, disse ele. “Além do mais, eu não sou homossexual, nem tomo drogas. Não ponho camisinha de jeito nenhum”.

A menina pode engravidar na primeira vez que transa?

O que vocês acharam da atitude de Thiago quando Camila lhe pediu que usasse camisinha?

O que vocês acham que Camila fez quando Thiago se recusou a usar o preservativo?

37

O que vocês acham que ela deveria ter feito?

O que vocês acharam da afirmação de Thiago quanto a não ser homossexual nem tomar drogas e portanto, não ter aids?

Por que a camisinha ajuda a se prevenir contra a aids?

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Parte 3

Camila acabou topando e eles transaram sem prevenção alguma. As férias acabaram e Camila voltou para a casa. Ficava horas pensando naquela tarde, lembrando detalhe por detalhe e escrevendo longas cartas para Thiago. Thiago, por sua vez, também ia lhe escrevendo cartas e mais cartas. Depois de um mês e meio, Camila percebeu que alguma coisa estava acontecendo, tinha enjôos constantes e sua menstruação estava atrasada. Ficou desesperada. “E se eu estiver grávida?”, pensou. A mãe de Camila notou que sua filha estava muito angustiada. Nem parecia aquela Camila que tinha voltado tão radiante e apaixonada das férias. E à noite, quando voltou do trabalho, foi até o quarto da menina e perguntou-lhe o que estava acontecendo. Quando Camila contou, sua mãe começou a chorar e a lhe dizer que ela tinha lhe dito mil vezes que se prevenisse e ela tinha que ter tomado esses cuidados. No dia seguinte, foram ao médico e veio a confirmação: Camila estava realmente grávida.

Como vocês encaram a atitude da mãe de Camila?

Como vocês acham que Camila se sentiu com a notícia?

Quais seriam as opções de Camila?

Qual delas vocês acham mais acertada para este caso? Por quê?

Qual vocês acham que será a atitude de Thiago?

E do pai de Camila?

* * * * *

Cuidando de um bebê

Objetivo

Ajudar os/as adolescentes a entender o que está envolvido em ser pai/mãe e proporcionar-lhes uma experiência direta com a paternidade-maternidade.

Tempo

30 minutos para discussão e um dia para tomar conta do bebê

Material

um balão colorido para cada participante

cópias do texto Regras para o cuidado de um bebê

Processo

1. O/A educador/a dá a cada participante um balão e pede que o encham.

2. O/A educador/a apresenta essa atividade enfatizando ao grupo que pretende proporcionar-lhe uma experiência direta com a paternidade-maternidade e explica que essa bola representa um recém-nascido e que ele/a será o pai ou a mãe.

3. O/A educador/a certifica-se de que cada adolescente determine o sexo de seu bebê, tirando a sorte na moeda cara = menina, coroa = menino.

4. Explica que cada um/a deverá cuidar durante 24 horas da bola/bebê e distribui o texto Regras para o cuidado do bebê.

38

Regras para o cuidado com o bebê Cada um/a de vocês acaba de receber seu próprio bebê. Durante os próximos dias, serão responsáveis por ele. Isso significa que terão de mantê-lo abrigado, seco e protegido de acidentes, e que terão sempre que saber onde está. Não seria bom deixá-lo no carro, pois devem tratar a bola como se fosse realmente um bebê. Isso será muito mais fácil do que um bebê de verdade, porque não terão de trocá-lo, acordar durante a noite, etc. Porém, deverão levá-lo aonde forem, a menos que estejam dispostos/as a contratar uma babá. Se a contratarem, assegurem-se de que trata a bola como se fosse um bebê.

5. Os/As adolescentes podem decorar ou vestir seus bebês, se assim o quiserem. Desenhando um rosto na bola, lhe darão mais personalidade, por exemplo.

6. Depois que os/as adolescentes tiverem exercido o cargo de pais ou mães do bebê durante o tempo fixado, o/a educador/a inicia a discussão a partir do seguinte roteiro:

1. Como o bebê interferiu em sua rotina diária? Você estaria disposto/a a abandonar sua vida social e a passar mais tempo em casa, se tivesse um bebê real?

2. Seus sentimentos foram positivos ou negativos em relação à experiência?

3. Você consegue se imaginar pai/mãe, neste momento? E daqui a cinco anos? Quando?

4. Foi fácil encontrar alguém para cuidar do bebê? Quanto custou?

5. Houve alguma reação quanto à chegada do bebê por parte de seus/suas amigos/as e familiares? Foi difícil lidar com essas reações?

6. Você pensou em como um bebê afetaria a sua família? Seus planos escolares? As relações com os/as amigos/as?

7. Você quer criar um/a filho/a no lugar onde mora atualmente? Estaria disposto/a

e seria

capaz de fazê-lo?

8. Um/a filho/a mudaria os seus planos escolares? Você tem suficiente energia para ir à escola e criar um/a filho/a, ao mesmo tempo?

9. Ter e criar um/a filho/a combina com seu estilo de vida atual? Combina com seus planos em relação ao futuro?

* * * * *

Custos da Paternidade/Maternidade

Objetivo

Dar aos/às adolescentes informações sobre os verdadeiros custos de criar uma criança.

Tempo

50 minutos em sala de aula e uma semana para pesquisa

Material

ficha de trabalho para todos/as

catálogos de jornais e revistas anunciando móveis e roupas de bebê

endereços e telefones de hospitais/postos de saúde para pesquisa

Processo

1. O/A educador/a começa perguntando aos/às adolescentes se têm idéia de quanto custa criar um/a filho/a durante seu primeiro ano de vida.

2. A seguir, distribui as fichas de trabalho e os catálogos.

3. Pede aos/às adolescentes que se subdividam em pequenos grupos, para que calculem os gastos de criar um/a filho/a durante o primeiro ano. Eles/as deverão usar catálogos ou anúncios de jornais e revistas como recursos para determinarem os custos e utilizar o telefone ou visita aos locais para obter os preços, caso não estejam especificados. Lembra-lhes que nesta faixa etária, os bebês vão bastante ao pediatra e que é preciso computar os preços das consultas e dos remédios.

4. Quando os grupos terminarem, pede para que comparem os resultados entre si e que apresentem ao grupo.

5. Ao final, pede que comentem os resultados a partir dos seguintes pontos:

39

Os custos de criar um/a filho/a são mais altos ou mais baixos do que o esperado?

Existem outros gastos que gostariam de incluir? (Por exemplo:

andadores, berço portátil, brinquedos, etc.). Isso aumentaria os custos?

Quanto uma pessoa teria que ganhar para cobrir os gastos?

* * * * *

Ficha de trabalho

Custos da paternidade-maternidade

Gastos médicos da mãe Obstetra, hospital, estada no hospital

Gastos médicos do bebê Pediatra, vacinas, medicamentos

Alimentação do bebê Leite em pó, sopinha

Roupas e objetos Fraldas, cadeirinha, carregador, berço

Produtos para cuidados do bebê

Cuidados do bebê Babá, creche

Total R$

Extraído do Manual Adolescência: Época de Planejar a Vida. BEMFAM/The Center for Population Options, 1992.

40

HABILIDADES PARA UM RELACIONAMENTO

41

Amizade e Namoro

Objetivo

Perceber os diferentes tipos de sentimentos que estão presentes nos relacionamentos.

Tempo

60 minutos

Material

roupas de mulher e de homem

lenços

colares

maquiagem

música

Processo

1. O/A educador/a propõe a formação de dois subgrupos:

um subgrupo prepara e representa uma situação de amizade entre adolescentes de ambos os sexos;

outro subgrupo prepara e representa uma situação de namoro em uma danceteria.

2. Quando os dois grupos estiverem terminando suas apresentações, o/a educador/a coloca no quadro um roteiro que norteará as discussões.

Roteiro

O que gostaram nas dramatizações?

O que faltou nas dramatizações?

O que caracteriza uma amizade?

O que caracteriza um namoro?

Diferenças entre amizade e namoro.

Semelhanças entre amizade e namoro.

O que “pode” e o que “não pode” no namoro e na amizade?

Namoros e amizades ideais.

3. O/A educador/a, a seguir, introduz a discussão sobre o início da vida sexual de meninas e meninos.

* * * * *

Correio Elegante

Objetivo

Discutir o que é amor, trocar experiências e que é possível defender-se de vínculos afetivos onde as pessoas se sintam manipuladas ou exploradas.

Tempo

60 minutos

Material

cartolina

papel laminado

tesoura

cola

purpurina

canetas hidrocor

lápis de cor

lantejoulas

Processo

1. O/A educador/a propõe que confeccionem um cartão sobre o Amor, a partir dos materiais existentes na sala.

42

2. Solicita que façam o cartão com uma mensagem do que significa para cada um/a a palavra Amor.

3. Quando todos/as tiverem terminado, propõe que se discuta cada cartão a partir de um roteiro:

Roteiro

Por que selecionou a mensagem?

Como identifica os diferentes tipos de amor (família, amigos/as, namorados/as, bicho de estimação, etc.)?

Discutir o conteúdo das mensagens dos cartões.

O que significa Amar, para mulheres e para homens?

* * * * *

Comunicação e Assertividade

Objetivo

Discutir a necessidade de comunicar de maneira clara os próprios sentimentos, necessidades e opiniões, respeitando os direitos das outras pessoas.

Tempo

50 minutos

Material

papel

lápis

Processo

1. O/A educador/a pede que cada pessoa faça uma redação que começa assim: “Eu queria te

dizer uma coisa muito importante, é sobre uma coisa que venho sentindo

”.

2. Solicita que escrevam o que quiserem sem censurar, em letra de forma e que não coloquem o nome.

3. Quando todos/as tiverem terminado, o/a educador/a solicita que dobrem a redação, as recolhe e as redistribui.

4. Cada um/a vai lendo a que recebeu.

5. Quando terminarem, pergunta ao grupo se eles/as acham se é fácil ou é difícil comunicar aos/às outros/as os seus sentimentos e por quê.

6. Fecha a discussão, lembrando a todos/as que é muito importante que sejamos capazes de comunicar nossos sentimentos, necessidades e opiniões de maneira clara e firme, respeitando os direitos da outra pessoa.

* * * * *

É conversando que a gente se entende

Objetivo

Fornecer subsídios para que as pessoas coloquem claramente os seus sentimentos, suas necessidades e opiniões e que respeitem o direito das outras pessoas.

Tempo

50 minutos

Material

papel

lápis

saquinho com tarefas

quadro sobre comunicação

fita adesiva

Processo

43

1. O/A educador informa que se vai trabalhar um assunto que todos/a conhecem: a comunicação.

2. Em seguida, divide a classe em cinco grupos e pede que cada grupo retire um papelzinho do saquinho, mas que não contem aos outros grupos o que está escrito lá. Informa que cada grupo recebeu uma tarefa e que ela vai ser apresentada aos outros grupos em forma de mímica, sem usar uma única palavra e eles terão que adivinhar. Os grupos têm 5 minutos para combinar como será a simulação. As tarefas, que estarão escritas em tirinhas dobradas dentro do saquinho, são:

uma pessoa encerando o chão;

pessoas dançando numa festa;

duas pessoas consertando uma mesa com pregos e martelo;

uma pessoa digitando;

um garçom servindo um grupo de pessoas numa mesa.

3. Conforme os grupos vão se apresentando, os outros tentam adivinhar o que está sendo simulado.

4. Quando todos terminarem, o/a educador/a pergunta qual foi, na opinião de

cada um/a, o grupo

que melhor comunicou a sua tarefa, isto é, qual a simulação que ficou mais fácil de descobrir a tarefa, e por quê.

5. Os motivos das pessoas terem escolhido determinado grupo vão sendo escritos no quadro.

6. Em seguida, coloca o quadro de comunicação ao lado dos motivos, vai lendo com eles/as os itens, explicando-os um a um e comparando-os com motivos que falaram.

Para se comunicar bem é preciso:

falar claramente o que queremos, o que estamos sentindo e qual é a nossa opinião;

escutar com atenção o que o/a outro/a está dizendo, sem interrompê-lo/a;

respeitar a opinião das outras pessoas, mesmo que não concordemos com elas;

aprender a resolver os problemas com as outras pessoas através do diálogo.

7.

Para finalizar, solicita que completem e continuem essa história inventando um diálogo. Sugere que utilizem o quadro para se comunicar bem.

João e Maria são irmãos. Hoje, João está muito triste com a irmã porque ela Então, ele resolveu conversar com ela para tentar resolver o problema Ao final, eles

* * * * *

Negociação

Objetivo

Instrumentalizar os/as adolescentes a negociar com os/as seus/suas parceiros/as o uso de anticoncepcionais e a lidar com conflitos no relacionamento e encontrar possíveis soluções.

Tempo

60 minutos

Material

um roteiro para cada grupo

Processo

1. O/A educador/a explica a dinâmica aos/às adolescentes e pede-lhes que se subdividam em grupos de até 6 pessoas.

2. Designa um roteiro que deverá ser encenado pelo grupo (sugestões de roteiros na próxima página). O grupo montará uma encenação usando quantos personagens achar necessário.

3. Após o tempo estabelecido para o preparo da encenação, reúne os grupos e pede a cada um que represente para os demais.

4. Depois que todos os grupos se apresentarem, faz as observações necessárias acerca do trabalho. Explora, também, as sensações experimentadas por esta vivência.

5. Fecha o exercício informando-os/as que, antes de se iniciar uma negociação, é necessário pensar:

Quais são os meus argumentos?

44

Quais serão os argumentos da outra pessoa e como poderei responder a eles?

Até onde posso ceder?

O que é inegociável?

Qual a solução melhor para as duas partes?

ROTEIROS

Grupo l Jade e Daniel estão tendo relações sexuais

método contraceptivo. Eles têm medo de ir a uma farmácia ou a um posto de saúde porque acham que todo mundo vai ficar sabendo que eles estão transando.

Todo mês ficam nervosíssimos, morrendo de medo da menstruação de Jade atrasar.

há três meses, e até agora não usaram nenhum

Representação

Mostrar a situação e o conflito vivido pelos dois.

Sugerir uma solução.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Grupo 2 Lena e Felipe estão transando há seis meses. O método que estão usando é a tabelinha, só que, mesmo marcando tudo direitinho na sua agenda e sendo super regulada, Lena está muito insegura. Ela acha que Felipe poderia usar a camisinha, já que é fácil de comprar e assim ela não vai dar bandeira em casa. Acontece que Felipe é terminantemente contra.

Representação

Mostrar a situação e o conflito vivido pelos dois.

Sugerir uma forma de Lena convencer Felipe a usar camisinha.

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Grupo 3 Fernando e Dorothy já namoram há três meses. Um dia, os pais de Dorothy foram viajar, e ela convidou Fernando a ir até lá. Ele disse que ia, mas que ficaria só um pouco porque no dia seguinte tinha prova de matemática e ele estava indo muito mal nesta matéria. Quando ele chegou, Dorothy disse que eles deveriam aproveitar a ocasião e ficar transando a tarde toda. Quando Fernando disse que não dava porque estava preocupado com a prova, Dorothy ficou muito brava dizendo que ele não era homem.

Representação

Mostrar a situação e o conflito vivido pelos dois.

Informar Dorothy que o fato de ele não querer transar não significa que ele é isso ou aquilo.

45

Exercício de qualidade

Objetivos

Sensibilizar o grupo para observar as boas qualidades nas outras pessoas.

Despertar as pessoas para suas próprias qualidades até então ignoradas.

Tempo

30 minutos

Material

lápis

papeletas

Processo

1. O/A educador/a inicia dizendo que, na vida diária, na maioria das vezes as pessoas observam não as qualidades, porém os defeitos do próximo. Nesse instante, cada qual terá a oportunidade de realçar uma qualidade do/a colega. Para isso:

2. Arruma as carteiras em forma circular.

3. O/A educador/a distribui uma papeleta para todos/as participantes. Cada um/a deverá colocar a qualidade que no seu entender caracteriza o/a seu/sua colega da direita.

4. A papeleta deverá ser completamente anônima, sem nenhuma identificação. Para isso, não deve constar nem o nome da pessoa da direita, nem vir assinada.

5. A seguir, o/a educador/a solicita que todos/as dobrem a papeleta para ser recolhida, embaralhada e redistribuída.

6. Feita a redistribuição, começando pela direita do/a educador/a, um/a a um/a lerá em voz alta a qualidade que consta na papeleta, procurando entre os/as meninos/as do grupo a pessoa que, no entender do/a leitor/a, é caracterizada por esta qualidade. Só poderá escolher uma pessoa entre os/as participantes.

7. Ao caracterizar a pessoa, deverá dizer porque tal qualidade a caracteriza.

8. Pode acontecer que a mesma pessoa do grupo seja apontada mais de uma vez como portadora de qualidades; porém, no final, cada qual dirá em público a qualidade que escreveu para a pessoa da direita.

9. Ao término da atividade, o/a educador/a pede aos/às participantes depoimentos sobre o exercício, dizendo como se sentiram fazendo-o.

46

TEXTOS DE APOIO

47

PUBERDADE E ADOLESCÊNCIA: GRANDES MUDANÇAS

Conceitos

No Guia de Orientação Sexual 1 (GPTOS, ABIA, ECOS), a puberdade é caracterizada por

profundas mudanças físicas, que podem ser acompanhadas por alterações de humor, instabilidade emocional, questionamentos e conflitos. Já adolescência é definida por transformações psico-sociais e a busca de uma identidade autônoma, rompendo com laços familiares de dependência infantil. Esta busca de autonomia, freqüentemente, é acompanhada de comportamentos agressivos e de oposição aos valores familiares e sociais.

A Organização Mundial da Saúde define esse período da vida a partir do aparecimento das

características sexuais secundárias, do desenvolvimento de processos psicológicos e de padrões de identificação que evoluem da fase infantil para a adulta; e pela transição de um estado de dependência para outro, de relativa autonomia. Hoje, no Brasil, crianças e adolescentes são considerados sujeitos com direitos especiais porque são pessoas em processo de desenvolvimento físico, moral, espiritual e social. O ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, lei federal criada em 1990, e a constituição de 1988, art. 227, determinam que o atendimento das necessidades e dos direitos das crianças (até 12 anos) e adolescentes (12 a 18 anos) seja prioridade absoluta das políticas públicas do país e dever da família, da comunidade e do Estado.

Crescimento e Mudanças do Corpo

Neste período da vida, grandes mudanças ocorrem: do ponto de vista biológico, por volta dos 11, 12 ou 13 anos, uma área que fica no cérebro (o hipotálamo) manda mensagens para a hipófise (uma glândula) que, por sua vez, começa a produzir dois hormônios: o Luteotrófico e o Folículo Estimulante. Estes dois hormônios se deslocam pelo sangue até os testículos dos meninos e os ovários das meninas.

A partir desse momento, o corpo de criança começa a sofrer várias modificações: o crescimento é

mais rápido e desproporcional, o cheiro de suor e dos genitais fica mais forte, os pêlos vão

surgindo aos poucos. As meninas começam a desenvolver os seios, os contornos do corpo ficam mais arredondados a menstruação vem pela primeira vez.

Os meninos têm sua voz alterada, os testículos aumentam, o saco escrotal fica mais baixo, mais comprido e enrugado, o pênis e o saco escrotal ficam mais escuros e começam a ter ejaculação.

É

tiverem uma relação sexual e não usarem métodos anticoncepcionais. Para entender melhor as mudanças que ocorrem nessa faixa etária, Jozenir Alves de Oliveira nos lembra que “ser um adulto significa, para o adolescente, perder a sua condição de criança e isso não é apenas passar por uma série de mudanças corporais. A maturação física e psíquica depende das influências internas de cada pessoa, bem como das influências do meio onde ela vive. No que diz respeito ao desenvolvimento psicológico do adolescente é importante uma nova relação com os pais e com o mundo, para que ele possa ser considerado um adulto”

Segundo Aberastury 3 , isso só vai ser possível quando o/a adolescente elaborar as perdas, ou lutos, decorrentes dessa fase do desenvolvimento: a perda do corpo infantil, a perda da identidade infantil e a perda da relação com os pais tal como era na infância. No que diz respeito ao corpo, é preciso tempo e paciência para que o/a jovem passe a aceitar as suas mudanças e elaborar a perda do corpo que até então conhecia e dominava. Oliveira afirma que até a entrada da puberdade, a criança experimenta uma situação de dependência lógica e natural, principalmente em relação aos pais. Com a perda do corpo infantil, e com esta também a de seu papel de criança, ocorre, então, uma confusão de papéis, já que não pode manter a dependência infantil mas ainda não pode assumir a independência adulta.

a partir desta fase que as meninas e meninos se tornam capazes de gerar um/a filho/a se

2

.

1 GTPOS/ABIA/ECOS. Guia de Orientação Sexual: diretrizes e metodologia. 5ª ed. – São Paulo: Casa do Psicólogo, 1994.

2

OLIVEIRA, Jozenir A. A fase adolescente e as motivações para a droga. In Prevenção ao Uso Indevido de Drogas. CEAD/CORDATO, Universidade de Brasília, 1991. 3 ABERASTURY, Arminda. Adolescência normal e patológica. SP, Artes Médicas, 1988.

48

Dessa forma, o/a adolescente acaba atribuindo uma grande importância ao grupo e aos pais/mães,

a

responsabilidade e as obrigações pelo seu sustento.

E

se para a criança, pais e mães eram vistos/as como seres perfeitos e sem fraquezas, na

adolescência, a conclusão a que geralmente chegam é que os/as pais/mães, na verdade, são pessoas passíveis de erros. Neste momento, iniciam-se as discussões e a contestação da autoridade paterna e materna, que não devem ser traduzidas como sinais de abandono ou ressentimento, mas sim, que o/a adolescente tem necessidade de encontrar outros pontos de referência, que não os da família.

Segundo vários especialistas, certas características e atitudes são facilmente observáveis na

adolescência:

os/as adolescentes adquirem novas capacidades de pensar sobre si mesmos/as e sobre o mundo;

entram numa fase chamada egocentrismo, onde a autocrítica é muito intensa, partem da suposição que os/as outros/as estão sempre pensando alguma coisa sobre eles/as, e têm a impressão de serem os/as únicos/as a terem certos tipos de problemas. Este pensamento egocentrado vai diminuindo à medida que aumenta o contato social, compartilhando-se as experiências;

são muito idealistas, acreditam-se capazes de “mudarem o mundo”;

usam, como mecanismo de defesa, a negação (“isso não aconteceu” ou “isso não vai acontecer comigo”) e a intelectuação (tentam provar que o comportamento que tiveram é racional e justificável, logo, digno de aprovação social);

socialmente, começam a sentir a necessidade de terem uma identidade e uma filosofia de vida próprias e, geralmente, encontram essas respostas no grupo de amigos/as. O grupo funciona como uma sociedade em escala reduzida, oferece um laço com outros/as jovens que estão tendo as mesmas dúvidas e problemas;

o relacionamento amoroso é muito importante nessa fase como possibilidade de desenvolver a auto-estima e a autoconfiança. Entretanto, uma relação de intimidade (tal qual nós adultos/as compreendemos) só aparecerá depois da adolescência;

no que diz respeito às relações com a família, é importante saber que, apesar do impulso de independência ser uma característica natural, a perspectiva de uma independência completa é assustadora. A crítica contínua que fazem a pais/mães é uma forma de aliviar a crítica que têm sobre si mesmos/as. Pesquisas têm demostrado que, a despeito do conflito entre pais/mães e filhos/as, no final das contas, existem bem poucas diferenças entre os valores de ambos.

Sexualidade na adolescência

A sexualidade na adolescência começa a ser vista, hoje, menos como problema social e mais

como um tema de direito à educação sexual, de usufruto de seus direitos reprodutivos no que

existe de específico a esta faixa etária. Sem este enfoque, corre-se o risco de serem adotadas posições normatizadoras da sexualidade e reprodução dos/as jovens, impondo-lhes modelos de comportamento que, além de não cobrirem suas necessidades reais, poderão ferir alguns de seus direitos básicos.

A sexualidade e o comportamento reprodutivo dos/as adolescentes muitas vezes entram em

choque com os projetos que a sociedade lhes atribui: de que antes de terem filhos/as é preciso que terminem os estudos, estejam trabalhando, tenham um bom salário e condições de constituírem família.

A sociedade, por sua vez, tem respondido de maneira insatisfatória às necessidades e direitos

dos/as adolescentes sobre sexualidade, reprodução e prevenção das DST/aids, para não falar de outros direitos sociais básicos como educação, saúde em geral, lazer, cultura, esportes, moradia e direito ao trabalho. Do mesmo modo, não é facilitado a eles/as o acesso a informação sobre sexualidade em geral, a serviços de boa qualidade para aconselhamento e fornecimento de métodos anticoncepcionais e preservativos para a prevenção das DST/aids, a conscientização sobre seus direitos e responsabilidades, sua participação ativa em processos relacionados à sua vida particular ou social. E, uma vez que a sexualidade deve ser vista não só em sua dimensão biológica e sim como fenômeno cultural, que possui historicidade, envolve práticas, atitudes, simbolizações, a adolescência vem a ser um momento privilegiado para a integração entre jovens e adultos/as, possibilitando-lhes a aquisição de habilidades e informações para enfrentar futuras decisões.

49

É fundamental que a família e os/as educadores/as ofereçam orientação para que os/as

adolescentes desenvolvam a auto-estima, saibam fazer escolhas, se posicionem de forma pessoal frente a situações, responsabilizando-se por suas decisões. Entretanto, é igualmente importante que tomem o cuidado de não serem invasivos/as quando prestam esse apoio ou suporte. A sexualidade, a reprodução e a prevenção das DST/aids na adolescência devem ser compreendidas na sua interrelação com os aspectos educativos, culturais, psicológicos, sociais, jurídicos e políticos, e cabe ao/à profissional ficar atento/a a estes aspectos em suas respectivas ações. Trabalhar com adolescentes é o grande desafio para os/as profissionais neste momento, no mínimo porque, segundo dados mundiais, os índices de gravidez, aborto e contaminação pelo vírus da aids vêm crescendo. E, seguramente, se isso vem ocorrendo é porque as estratégias empregadas pela educação e pela saúde já não são adequadas e/ou suficientes.

Adolescência e Conferência do Cairo

Em setembro de 1994, foi realizada no Cairo a lll Conferência de População e Desenvolvimento, onde a adolescência recebeu destaque especial no parágrafo E do Capítulo Vll, do texto Direitos Reprodutivos e Saúde Reprodutiva. As questões de saúde sexual e reprodutiva dos/as adolescentes, incluindo a gravidez não desejada, o aborto sem segurança, as DST e a aids, deverão ser resolvidas por meio de:

encorajamento de um comportamento reprodutivo e sexual responsável e saudável, incluindo a abstinência voluntária e a disponibilidade de serviços e aconselhamento adequados especificamente destinados a esse grupo etário;

os países devem garantir que os programas e atitudes dos agentes de medicina não limitem o acesso dos/as adolescentes aos serviços e informações de que necessitam. Estes serviços devem salvaguardar o direito dos/as adolescentes à privacidade, confidencialidade, respeito e consentimento expresso, ao mesmo tempo que se respeitem os valores culturais e as crenças religiosas, bem como os direitos, deveres e responsabilidades dos pais;

os países devem proteger e promover o direito dos/as adolescentes à educação, informação e cuidados de saúde reprodutiva, e reduzir consideravelmente o número de casos de gravidez na adolescência;

os governos, em colaboração com as ONGs, poderiam estabelecer mecanismos apropriados para responder às necessidades especiais dos/as adolescentes.

O

texto deste parágrafo foi assinado pela maioria dos países presentes naquela conferência,

inclusive o Brasil, ficando claro que os esforços nos trabalhos com Sexualidade, Gênero e Prevenção das DST/aids, são mundiais e que cabe a cada um/a de nós contribuir para que eles aconteçam.

FONTES: ECOS. Uma Questão Delicada. Manual, Guia da Treinamento e Boletim. São Paulo, 1995; ECOS. Sexualidade na Adolescência, Boletim Transa Legal para Educador, nº 8, SP, ECOS, 1997; ABERASTURY, Arminda. Adolescência normal e patológica. SP, Artes Médicas, 1988; OLIVEIRA, Jozenir A. A fase adolescente e as motivações para a droga. In Prevenção ao Uso Indevido de Drogas. CEAD/CORDATO, Universidade de Brasília, 1991.

50

POR DENTRO DAS MUDANÇAS: OS HORMÔNIOS

Na infância, a glândula hipófise envia suas ordens químicas, em forma de moléculas chamadas gonadotrofinas, para o corpo fabricar os hormônios sexuais detonadores da puberdade. Mas, quando eles caem no sangue e alcançam o sistema nervoso, uma área cerebral conhecida por hipotálamo logo manda interromper essa produção. Na puberdade, o hipotálamo não só deixa o crescimento acontecer em paz, como o estimula, secretando o chamado hormônio libertador de gonadotrofinas (GnRH). Como o nome indica, a substância faz a hipófise liberar ainda mais gonadotrofinas, que são estimulantes das glândulas sexuais (ovários, no sexo feminino, e testículos, no sexo masculino).

A glândula hipófise

Com pouco mais de 1 cm de diâmetro e cerca de 0,5 grama de peso, a glândula hipófise é uma das protagonistas do processo da puberdade. Situada na base do cérebro, ela produz uma série de substâncias importantes. Entre elas, as gonadotrofinas, que disparam o estopim da explosão de mudanças com liberação dos hormônios sexuais pelos testículos e ovários.

FSH e LH As gonadotrofinas fabricadas na hipófise formam uma dupla de nome complicado: o FSH (do inglês, hormônio folículo-estimulante) e o LH (hormônio luteinizante). As duas substâncias são idênticas em meninos e meninas, mas têm efeitos diferentes conforme o sexo.

Nos garotos Neles, o FSH ativa a linha de produção dos espermatozóides, enquanto o LH induz a fabricação do hormônio testosterona nos testículos. Esse hormônio é o responsável pelas principais transformações físicas nos garotos.

Nas garotas Nelas, o FSH estimula os ovários a produzir o estrógeno, um dos hormônios femininos. Ele é encarregado das alterações na corpo das meninas. O LH, por sua vez, prepara um óvulo para ser fecundado a cada mês. O fenômeno da ovulação libera o segundo hormônio sexual das mulheres - a progesterona.

Outras substâncias

Os hormônios do crescimento, também produzidos na hipófise, é que provocam o estirão típico da puberdade. A substância chamada somotomedina C, fabricada no fígado, é outra que participa do crescimento. Os hormônios tireoidianos, da glândula tireóide, localizada no pescoço aceleram o metabolismo e o funcionamento geral do organismo. Finalmente, os andrógenos, liberados pelas glândulas supra-renais, fazem aparecer os pêlos nas axilas e na região pubiana.

Estatura A glândula hipófise, que já liberava substâncias chamadas hormônios do crescimento desde quando a criança era pequena, passa a trabalhar em um ritmo mais contínuo na puberdade. Os hormônios de crescimento, junto com uma substância fabricada no fígado, a somatomedina C, ligam-se às cartilagens que ficam nas extremidades dos ossos e desencadeiam a formação de novas células ósseas. Isso vai acontecendo devagar e sempre, até os hormônios sexuais entrarem em ação. A partir daí, o menino ou a menina começa a crescer a uma velocidade espantosa. É comum uma garota de 14 anos que ainda não menstruou ser a baixinha da classe. Isto acontece porque a ausência da menstruação é sinal de que seus hormônios sexuais ainda irão se elevar e ela inevitavelmente ganhará alguns centímetros de altura. O mesmo vale para o menino que ainda não teve a primeira ejaculação.

Problemas de coordenação Na puberdade, todos/as ficam desengonçados/as. O responsável por esse período de descoordenação, que pode durar mais para uns/as do que para outros/as, é um órgão próximo da nuca, chamado cerebelo. Ele coordena todos os nossos movimentos, geralmente com precisão milimétrica. Mas sua eficiência falha nessa época da vida, pois o sistema nervoso continua comandando uma perna pequena quando no lugar dela já existe uma perna bem maior. Para se adaptar às novas dimensões do corpo, ele demora de seis meses a um ano, em geral, depois do chamado estirão da puberdade. A prática de esportes facilita essa adaptação.

Que fome!

51

É preciso muita energia, literalmente, para um organismo infantil se tornar adulto. Além da

tremenda demanda por nutrientes, que fornece a matéria-prima para um músculo dobrar de tamanho ou um osso crescer alguns centímetros, há outros fatores que aumentam a fome do/a adolescente, como a prática de esportes, que costuma ser mais intensa nessa idade e também consome energia, e a ansiedade.

Espinha e cravos

A pele, principalmente a do rosto e das costas, fica mais gordurosa na puberdade por causa dos

hormônios sexuais. Eles entram em ação nessa fase, e estimulam as glândulas sebáceas a trabalhar dobrado. Em condições normais, a gordura das glândulas sebáceas lubrifica e protege a superfície cutânea. Em excesso, ela provoca o surgimento de cravos e espinhas. A oleosidade costuma ser transitória. Quando o corpo se adapta à presença dos hormônios, no final da puberdade, a pele volta ao normal ou pode até se tornar ressecada. Nem espinhas, nem cravos devem ser manipulados, sob a pena de deixarem marcas para sempre. Os casos mais graves devem ser tratados por um/a médico/a, que pode receitar loções adstringentes para reduzir a gordura ou até antibióticos específicos para combater as bactérias.

Os pêlos Tanto nos meninos quanto nas meninas, duas glândulas que ficam sobre os rins - as chamadas supra-renais - começam a secretar dosagens cada vez maiores de hormônios chamados andrógenos. Eles produzem, entre outros efeitos, o aparecimento dos pêlos na região pubiana e

nas axilas. Os outros hormônios sexuais, fabricados nos ovários das garotas e nos testículos dos garotos, engrossam os pelinhos minúsculos e quase transparentes, espalhados pelo resto do corpo. Daí a barba e o peito peludo, que vão ser mais ou menos acentuados conforme a programação genética de cada um, e que leva o rapaz a comemorar e a mocinha, a se preocupar com o visual das pernas ou com aquela penugem escura no buço.

O que eles/as precisam saber, nesta etapa, é que os pêlos ainda não são sinal de pele adulta. E a

menina vaidosa tem que saber que a primeira depilação deve ser feita um ou dois anos depois do aparecimento dessa pelugem, pois as ceras e as lâminas vão machucar os folículos - estruturas em forma de saquinho, de onde saem os pêlos - e provocar o surgimento de pequenas espinhas. Se os pêlos incomodarem demais, a adolescente pode usar produtos descolorantes, mas nunca sem testá-los no braço, antes, para verificar se provocam alergias. Os rapazes, por sua vez, não devem escanhoar a barba, raspando-a na direção contrária à dos pêlos, pois o método triplica as chances de irritação da pele jovem.

De onde vem este cheiro? As glândulas sudoríparas trabalham pouco na infância, mas liberam muito suor na puberdade, outra vez por causa dos hormônios sexuais. Em contato com certas bactérias do ar, esse suor em maior quantidade produz um cheiro ruim, sinalizando que chegou a hora de usar desodorante.

Higiene é fundamental

Do mesmo modo que o resto do nosso corpo, nossos genitais precisam de uma boa higiene: para começar, a melhor coisa a se fazer é tomar banho todos os dias.

A mulher deve lavar a região da vulva (a parte externa) somente com água e sabonete. Desodorantes, álcool ou quaisquer outros produtos podem causar irritação. Agora, caso apareça alguma ferida ou um cheiro ruim, é possível que a mulher esteja com alguma infecção, portanto, está na hora de procurar um/a médico/a .

O homem também deve lavar o seu pênis e seu saco escrotal com água e sabonete, lembrando-se sempre de puxar a pele que envolve a parte superior do pênis (prepúcio) porque embaixo desta região se acumula uma secreção, que provoca um cheiro ruim e, às vezes, irritação ou mesmo uma infecção.

Cérebro maduro

Todos nós nascemos com um número definido de células cerebrais ou neurônios. Mas nem todos os neurônios nascem prontinhos para entrar em operação, ao menos a todo vapor. Isso vai acontecendo à medida que eles vão sendo recobertos por uma capa gordurosa e branca chamada mielina. Nas áreas cerebrais ligadas à linguagem, por exemplo, esse processo de revestimento é acelerado justamente por volta dos 6 anos. Na adolescência, as regiões relacionadas ao raciocínio abstrato mais complexos começam a funcionar e o cérebro fica em condições de pensar como gente grande. Nas mulheres, o processo tem início em média 18 meses antes que nos homens. O

52

processo de amadurecimento cerebral só termina, para ambos os sexos, por volta dos 25 anos de idade.

SERÁ QUE EU SOU NORMAL?

No caso dos adolescentes

O pênis

A testosterona, um hormônio fabricado pelos testículos, faz o pênis crescer. Os garotos

acompanham atentos o processo, milímetro a milímetro, e muitas vezes ficam muito angustiados.

O tamanho do pênis como medida da virilidade e da capacidade de obter e proporcionar prazer

sexual é um mito, isto é, ninguém é mais ou menos homem pelo tamanho do pênis e nem o seu

prazer é maior ou melhor por causa disto.

Ginecomastia: o que é isto? Os hormônios não aparecem de uma hora para a outra, já na dosagem ideal. Até que se equilibrem, alguns adolescentes passam pela experiência de ver seu peito crescer em graus variados. O problema, chamado ginecomastia, não afeta a masculinidade e costuma desaparecer em dois anos. Os gordinhos têm ginecomastia com mais freqüência, nem tanto pelas dobrinhas extras, mas pelo excesso de uma enzima chamada aromatase. Tratamentos hormonais não resolvem nada, o que adianta é fazer dieta e ter paciência.

Irritação Os adolescentes costumam falar alto, gritam, dão respostas atravessadas e perdem a paciência por qualquer bobagem. É assim mesmo. A testosterona aumenta a agressividade nos meninos ao entrar no cérebro, via corrente sangüínea. Até o corpo se acostumar com a presença dessa substância em doses significativas, os nervos podem ficar mesmo à flor da pele.

No caso das adolescentes

Seios

O primeiro sinal de que a menina entrou na puberdade é o crescimento das glândulas mamárias.

Se parecem desproporcionais num primeiro momento, em relação à estatura e aos contornos, não significa que ela terá busto avantajado. Depois que os quadris e as coxas arredondam, sob o efeito dos hormônios femininos, que provocam o acúmulo de gordura nessas regiões, suas formas ficarão harmoniosas e suas mamas, mais proporcionais. Entre os 16 e 18 anos, as meninas devem começar a fazer o auto-exame das mamas uma vez por mês, logo depois da menstruação. A presença de algum caroço dolorido nos seios, nessa idade, pode indicar a existência de displasia mamária, uma deformação provocada por desequilíbrio hormonal, comum na juventude, que costuma sumir mais tarde.

Que tristeza!!!

A fonte de lágrimas não é somente psicológica. Os fatores biológicos pesam bastante. Enquanto

os hormônios masculinos aumentam a agressividade dos meninos, na puberdade, os femininos intensificam a melancolia. Quando os hormônios atingem as dosagens adequadas e entram em equilíbrio, o humor melhora.

Menstruação

A chegada da menstruação anuncia que a jovem já tem os órgãos reprodutores amadurecidos:

portanto, pode engravidar e ser mãe. Uma vez por mês um dos óvulos da mulher amadurece e é expelido do ovário para a trompa. A menstruação propriamente dita tem a duração média de quatro dias. Algumas mulheres ficam menstruadas dois dias e outras até oito dias. Algumas têm pouco fluxo (perda de sangue), enquanto para outras o fluxo é intenso. Cerca de metade das mulheres nota pequenos coágulos (placas) em seu fluxo. Nos primeiros dois ou três anos em que se começa a menstruar, ela pode ser irregular, chegando mesmo a demorar de seis meses a um ano entre a primeira e a segunda menstruação. Isso

53

significa que a liberação de óvulos não ocorre regularmente. O organismo leva certo tempo para aperfeiçoar seu mecanismo biológico.

Depois de firmado o ciclo menstrual, ele pode ser alterado por outros fatores, como doença, uma dramática perda ou um súbito aumento de peso, nervosismo ou expectativa.

A suspensão da menstruação chama-se menopausa. Ela ocorre entre os 45-52 anos e é parecida

com o início, vai se tornando irregular nas primeiras vezes, até que desaparece. A partir daí a

mulher não pode mais ter filhos, porque o ovário cessa de expelir óvulos. Mas ela continua a ter desejo e prazer sexual, mesmo durante a velhice.

A menstruação não impede a relação sexual: é uma escolha do casal.

Ciclo menstrual

O ciclo menstrual é formado por três fases, das quais a menstruação é a fase do meio. O ciclo é

controlado pelo hormônio estrógeno, na primeira fase e progesterona, na segunda fase, produzidos pelos ovários.

O ciclo menstrual varia de uma mulher para outra. O número médio de dias do ciclo é de 28 ou 29.

Mas pode variar de 21 a 35 dias e assim mesmo ser normal. É importante para toda mulher saber

seu ciclo menstrual para poder determinar o período fértil. Para saber o seu, marque o primeiro dia da menstruação como o primeiro dia do ciclo, e o dia anterior ao início da menstruação seguinte como o último dia do ciclo. Faça essa anotação durante pelo menos 8 meses. Veja no exemplo:

O primeiro dia de sangramento no mês de maio foi no dia 24. No mês de junho, o período

menstrual começou no dia 20. Se contarmos o número de dias entre o primeiro dia de um ciclo e a

véspera do outro, teremos o número de dias do ciclo dessa pessoa: 27 dias.

MAIO

JUNHO

S

T

Q

Q

S

S

D

S

T

Q

Q

S

S

D

1

2

3

4

5

6

1

2

3

7

8

9

10

11

12

13

4

5

6

7

8

9

10

14

15

16

17

18

19

20

11

12

13

14

15

16

17

21

22

23

24
24

25

26

27

18

19

20
20

21

22

23

24

28

29

30

31

25

26

27

28

29

30

Fases do Ciclo Menstrual Enquanto o óvulo amadurece, graças ao hormônio estrógeno, as paredes do útero começam a engrossar para receber o ovo, que é o óvulo fertilizado. Isso demora mais ou menos 12 dias. Depois que o óvulo fica maduro, ele viaja pelas trompas entre 3 e 4 dias. Até as primeiras 24 horas, a mulher está fértil, podendo engravidar. Quando o óvulo sai do ovário, as paredes do útero já estão mais grossas, preparadas para alimentar o óvulo, se ele chegar fertilizado. Outro hormônio feminino, a progesterona, é que provoca a preparação do útero para uma possível gravidez. Caso o óvulo chegue ao útero sem estar fecundado por um espermatozóide, o fluxo da progesterona e do estrógeno vai diminuindo. Essa é uma mensagem para o útero de que o óvulo não foi fertilizado. Se o óvulo não encontrar um espermatozóide, ele morre. Então o útero expele (através da vagina) toda essa camada que havia sido preparada para receber o óvulo fertilizado. Esse fluxo - mistura de sangue, óvulo e outras células que se descamam do útero - é a menstruação. Se o óvulo for fertilizado, a progesterona continua a ser fabricada e as paredes do útero permanecem grossas até o final da gravidez. Normalmente, não ocorre menstruação em mulher grávida. As dores associadas à menstruação são disparadas por substâncias irritantes chamadas prostaglandinas. A menstruação vai escoar com mais facilidade depois que o canal cervical, que liga o útero à vagina, alargar, em decorrência da primeira gestação, diminuindo as cólicas.

O que pode ajudar:

a longo prazo: pode-se procurar reduzir as cólicas praticando exercícios diários regulares, especialmente os que são capazes de fortalecer e dar maior elasticidade aos músculos abdominais; a curto prazo: exercícios, principalmente deitada de barriga para baixo, com as pernas esticadas, levantando somente o tronco e cabeça, ou, na mesma posição, segurando as pernas e balançando;

54

uma bolsa de água quente ou garrafa com água quente, na parte baixa do abdômen pode ajudar.

Quando procurar um médico

1. Se a dor for muito forte em todas as menstruações.

2. Se menstruar por mais de uma semana seguida, saindo sangue em volume igual ao do primeiro dia.

3. Se tiver ciclos menstruais seguidos com duração menor que dezoito dias ou maior que trinta e cinco dias entre um e outro.

4. Se sair um corrimento malcheiroso, branco ou amarelado, que coça ou queima, provavelmente causado por alguma bactéria.

Tampões e Absorventes

O absorvente é feito de uma massa compacta de algodão e é descartável. Hoje em dia a maioria

dos absorventes são aderentes, isto é, têm uma cola que gruda na calcinha.

O tampão é uma espécie de tubo de algodão que se coloca dentro da vagina. Geralmente é usado

por mulheres que já tiveram relação sexual. Para uma adolescente que ainda não teve relações

sexuais, mas que deseja usar um tampão, o mais seguro é procurar um/a ginecologista para examinar o tipo de hímen da menina e ver se é possível colocar o tampão sem rompê-lo.

O tampão vem em três tamanhos e deve ser colocado no interior da vagina. O fio fica para fora,

para ser puxado e deve ser retirado de 4 em 4 horas, mesmo se o sangramento for pouco.

O hímen possui um orifício, cujo tipo varia de mulher para mulher. O tipo mais comum tem

somente um orifício em forma de anel, por isso se chama anular. Existem himens com 3 ou 4 orifícios. É através desse orifício que as secreções e o sangue da menstruação saem da vagina. Alguns hímens sangram ao se romper, outros não. Mesmo através de exame médico, é difícil de garantir se uma pessoa já teve ou não relação sexual. Existe um tipo, que 15% das mulheres têm, chamado “hímen complacente”. Ele é mais grosso e elástico e, em vez de romper durante as relações sexuais, ele cede e depois volta a posição anterior.

A virgindade, tanto no homem como na mulher, deveria ser algo que se mantém ou não por

escolha, com alguém de quem se gosta, em condições adequadas de espaço e de tempo, conversando antes sobre métodos contraceptivos e prevenção da aids e usando camisinha sempre. Entretanto, tem muita gente que considera a virgindade feminina uma coisa muito importante.

FONTES: Sexo para Adolescentes, Marta Suplicy, SP, Editora FTD, 1988 e Revista Cláudia Família, set./96.

55

ÓRGÃOS GENITAIS MASCULINOS E FEMININOS

Damos o nome de genitais àquelas partes do corpo que estão diretamente ligadas às atividades

sexual e reprodutora. Os genitais se localizam no púbis, ou seja , na região do baixo ventre que se cobre de pêlos durante a puberdade. Os órgãos genitais da mulher e do homem podem ser divididos em externos e internos. Os externos são os responsáveis pelo prazer. Já os internos, tanto do homem quanto da mulher, são os responsáveis pela reprodução.

Tanto para o homem quanto para a mulher a relação sexual

além do contato sexual propriamente dito. Exige também que se converse sobre anticoncepção e prevenção das DST/aids e, nos dias de hoje, que se use camisinha em todas as relações sexuais, para evitar conseqüências como doenças ou gravidez não planejada.

implica sentimentos e emoções,

O Corpo da Mulher

Órgãos Genitais Externos

Monte de Vênus -> é a parte onde existe maior quantidade de pêlos. Tem o formato de um triângulo com a ponta voltada para baixo e recobre o osso pubiano.

Clitóris -> é um órgão arredondado e bem pequeno que fica acima da entrada da uretra. É muito importante porque é o responsável pelo prazer da mulher.

Abertura da Uretra -> é o orifício por onde sai a urina.

Abertura da Vagina -> é uma abertura alongada, por onde saem os corrimentos, o sangue menstrual e o bebê. Nas mulheres que ainda não tiveram relações sexuais com penetração, essa abertura é recoberta por uma pele chamada hímen.

Grandes Lábios -> é a parte mais externa da vulva, recoberta por pêlos.

Pequenos Lábios -> podem ser vistos quando afastamos os grandes lábios com os dedos. Não tem pêlos e são muito sensíveis.

Seios -> na puberdade, os hormônios dos ovários (estrógeno e progesterona) estimulam o desenvolvimento das glândulas mamárias e o crescimento dos seios. Seu interior é feito de tecido gorduroso e cheio de pequenos canais e cavidades (alvéolos) nos quais o leite se armazena durante a gravidez e a amamentação.

Órgãos Genitais Internos

Útero -> é um órgão do corpo da mulher onde o feto se desenvolve durante a gravidez. Quando a mulher não está grávida, o útero tem o tamanho de um punho fechado.

Colo do Útero -> é a parte inferior do útero e tem um orifício por onde vai passar a menstruação. Num parto normal, esse orifício aumenta para dar passagem ao bebê.

Corpo do Útero -> é a parte maior do útero que cresce durante a gravidez e retorna depois do parto ao tamanho normal. É constituído por duas camadas externas: uma membrana chamada peritônio e um tecido muscular chamado miométrio. A camada interna é uma mucosa chamada endométrio que se desprende durante a menstruação, renovando-se mensalmente.

Tubas Uterinas ou Trompas de Falópio - são duas e ficam uma de cada lado do útero. Quando chegam nos ovários, elas se abrem lembrando uma flor. É por dentro das trompas que os óvulos se deslocam para o útero.

Ovários -> são dois, um do lado esquerdo e outro do direito. São o local onde os óvulos estão armazenados e se desenvolvem. Produzem também os hormônios femininos.

56

Vagina -> é um canal que começa na vulva e vai até o colo do útero. Por dentro, é feita de um tecido semelhante à parte interna da boca, só que cheia de preguinhas que permitem que ela estique na hora da relação sexual ou para que o bebê passe na hora do parto.

O Corpo do Homem

Órgãos Genitais Externos

Pênis -> é um membro que , quando fica excitado, endurece. Tem duas funções: urinária e reprodutora. Num relacionamento sexual, solta um líquido chamado esperma. Esse líquido contém espermatozóides que fertilizam o óvulo da mulher e se forma o bebê.

Prepúcio -> é a pele que cobre a ponta do pênis. Precisa ser puxada para trás na hora do banho para evitar o acúmulo de uma secreção que pode provocar irritação, infecção e mau cheiro.

Glande -> conhecida também por cabeça do pênis, é muito sensível e sua pele bem macia.

Saco Escrotal -> tem o formato de um saco. Dentro dele ficam duas bolas chamadas testículos.

Órgãos Genitais Internos

Testículos -> são as glândulas sexuais masculinas. Têm forma de ovos e produzem os espermatozóides e os hormônios masculinos.

Uretra -> é o canal por onde saem a urina e o esperma.

Epidídimo -> é um canal, ligado aos testículos, onde ficam armazenados os espermatozóides até amadurecerem e serem expelidos pela ejaculação.

Canais Deferentes -> são dois canais muito finos que saem dos testículos e servem para conduzir os espermatozóides até a próstata.

Próstata -> glândula que produz grande parte do esperma e onde se misturam os espermatozóides.

Vesículas Seminais -> são duas bolsas que contribuem com fluidos para que os espermatozóides possam nadar.

Canal Ejaculatório -> canal por onde passa o esperma na hora da ejaculação.

57

REPRODUÇÃO HUMANA

A fecundação

Para entendermos como acontece a fecundação é importante lembrarmos que, a não ser nos casos de fertilização in vitro ou de barriga de aluguel, é preciso que um homem e uma mulher tenham uma relação sexual e que cada um contribua com seu material genético, os gametas.

A célula reprodutiva masculina - o espermatozóide -, e a feminina - o óvulo -, são as responsáveis

por esta contribuição. Cada uma delas contém 23 cromossomos. Os cromossomos são estruturas do núcleo das células que contêm todas as informações e instruções genéticas necessárias para o desenvolvimento de um novo ser humano. Cada cromossomo transmite os genes dos antepassados e suas características: cor da pele, altura, tamanho do pênis, tamanho dos seios, quantidade de pêlos, cor dos olhos, etc. Quando o espermatozóide e o óvulo se fundem, uma nova célula é criada, então, com 46 cromossomos. As células reprodutoras são diferentes de todas as outras células do corpo, pois são as únicas que contêm somente a metade do número de cromossomos que uma célula precisa ter.

Os espermatozóides

O espermatozóide é uma célula tão pequena que só é possível ser vista com a ajuda de um

microscópio. Ele pode ser dividido em cinco partes: a cabeça, o pescoço, o meio, a cauda e o fim da cauda.

A cabeça do espermatozóide é coberta por uma membrana que contém um líquido que dissolve a

membrana que cobre o óvulo, para que o espermatozóide possa penetrar nele e é nela que estão

contidos os 23 cromossomos, a contribuição genética do pai para a formação do bebê.

O meio fornece a energia para a movimentação da cauda para o espermatozóide se deslocar

dentro dos órgãos reprodutores da mulher.

A cauda possui centenas de fibras que dão ao espermatozóide a mobilidade e a rapidez

necessária para que ele possa nadar no líquido seminal.

O espermatozóide tem, ainda, uma espécie de radar para ajudá-lo encontrar o óvulo para a

fertilização. O tempo de vida de um espermatozóide no corpo de uma mulher é de aproximadamente 72 horas. Em cada ejaculação são expelidos milhões de espermatozóides e, caso a mulher esteja no período fértil, é muito difícil que um deles não cumpra o seu papel.

O óvulo

Apesar de ser muito maior que um espermatozóide, o óvulo também é minúsculo. Desde o nascimento, a mulher já tem em seus ovários cerca de 400 mil óvulos. A maioria desses óvulos não vai ser fecundada nem amadurecer, permanecendo inativa dentro dos ovários. Cerca de 500 deles vão se desprendendo um a um a partir da primeira menstruação até a menopausa, o final da vida reprodutiva da mulher. Os ovários da mulher produzem, geralmente, somente um óvulo maduro por mês. A saída do óvulo é provocada pela ação dos hormônios. O óvulo parece dar um salto para fora do ovário, sendo colhido pelas franjas da extremidade das tubas uterinas, através de seus movimentos ondulatórios. Por ovulação entendemos a saída do óvulo de dentro do ovário. Depois que sai do ovário, o óvulo tem pouco tempo de vida. É durante este tempo que, se ele se encontrar com um espermatozóide, pode ser fecundado.

A fecundação

Durante uma relação sexual, os milhões de espermatozóides que o homem deixa na vagina sobem pelo útero à procura do óvulo. A fecundação se dá na porção da tuba uterina que fica mais próxima do ovário. Fundidos, óvulo e espermatozóide se transformam numa célula-ovo que, algumas horas depois, se divide em duas células menores. Mais tarde haverá outra divisão celular, depois outra e assim sucessivamente, até que cinco dias após a fertilização essa bola de células chega ao útero. As células do lado de fora da bola formarão a placenta e a membrana que protegerá o bebê dentro do útero. Já o pequeno grupo de células formado na parte de dentro da bola é que se desenvolverá num bebê. Daí por diante, o ovo se fixará no útero e ali vai se desenvolver durante 9 meses como se estivesse num ninho. Se não for fecundado, o óvulo morre e é reabsorvido pelo organismo ou expelido junto com as secreções vaginais.

58

Gravidez e Nascimento

Se, antes da relação sexual, o casal não conversou sobre métodos contraceptivos e nem tomou nenhuma precaução, poderá ocorrer uma gravidez. Após a fecundação, a célula-ovo se desloca até o útero onde se fixa e se desenvolve até o momento do parto. Nesse estágio, o ovo muda de nome: agora ele é um embrião. Quando completa um mês na barriga da mãe, mede cerca de um centímetro e meio, já tem cabeça, intestino, cérebro e células do aparelho reprodutor. No fim do segundo mês, muda novamente de nome, passa a se chamar feto e tem cerca de cinco centímetros. Mãos, pés, olhos e boca já estão formados. Quando completa três meses, a barriga da mãe fica mais visível. O feto começa a se mexer e já sabe abrir e fechar os olhos. Aos cinco meses, pesa cerca de meio quilo, tem uns 30 cm. de altura e alguns já são bem cabeludos. Nesse estágio, a mãe engorda bastante e os seus seios ficam mais volumosos. Dos seis meses em diante, o feto só cresce e engorda. No fim do oitavo mês, o bebê pesa mais ou menos três quilos. Quando o bebê está para nascer, o corpo dá alguns sinais avisando que está na hora do parto: ou a bolsa se rompe e deixa escorrer o líquido amniótico que protege o bebê ou há uma expulsão do tampão de muco que fecha a entrada do útero durante a gravidez ou a mulher começa a sentir uma dor semelhante à cólica. Essa dor se transforma em contrações (a barriga fica dura) que vêm em intervalos de tempo regulares cada vez menores. Essas contrações vão pressionar o útero e fazer o seu colo dilatar, isto é, aumentar de tamanho para que o bebê possa sair. Não dá para saber se o trabalho de parto vai ser longo ou curto, se vai doer muito ou pouco. Por isso, é muito importante que durante a gravidez a gestante aprenda a fazer exercícios de respiração e de relaxamento. Agora, nem sempre o parto é como foi descrito acima. Quando a posição do bebê não está correta (com a cabeça para baixo), quando a criança é grande demais, em caso de gêmeos, ou quando a mulher não tem dilatação, é melhor optar por uma cirurgia, a cesariana, para que nem a mãe nem o bebê sofram riscos. Numa cesariana, é feito, inicialmente, um corte na barriga, paralelo aos pêlos pubianos, e um outro no útero acompanhando o primeiro.

Atenção!

Assim que uma mulher descobre que está grávida, tem que iniciar o chamado acompanhamento pré- natal com um/a médico/a particular ou num posto de saúde. O pré-natal é um atendimento específico à gestante e tem como objetivo esclarecer as dúvidas e orientar a mulher sobre o desenvolvimento da gravidez e sobre o parto. Consiste em exames periódicos onde são verificados o estado geral da mulher, o desenvolvimento do bebê, que exames têm que ser feitos, quando vai fazê-los, as vitaminas que deverão ser tomadas As complicações que poderão ocorrer durante a gravidez terão chance de ser detectadas e cuidadas a tempo se a mulher estiver fazendo acompanhamento pré-natal.

59

MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS

Métodos anticoncepcionais são recursos que podem ser usados, tanto pelos homens como pelas mulheres, para evitar a gravidez. Apesar de existirem várias formas de evitar que o espermatozóide encontre o óvulo, alguns métodos são mais seguros e oferecem mais vantagens que outros. Além disso, é bom saber que somente as camisinhas masculina e feminina previnem também do contágio do vírus da aids e das outras DST (doenças sexualmente transmissíveis). Os métodos anticoncepcionais podem ser divididos em várias categorias:

Métodos de Barreira

São métodos que utilizam produtos ou instrumentos para impedir a passagem dos espermatozóides através da vagina. A camisinha e o diafragma são dois métodos muito bons porque, além de eficazes quando usados corretamente, não prejudicam a saúde da mulher e do homem. São eles:

Camisinha A camisinha masculina, conhecida também como preservativo, camisa de vênus ou condom, é uma capa de borracha bem fina, flexível e resistente que, colocada no pênis, retém o sêmen quando o homem ejacula. Portanto, ela funciona como uma barreira que impede a fecundação porque evita o contato dos espermatozóides com o óvulo. Além de método anticoncepcional, serve também para prevenir contra doenças sexualmente transmissíveis e aids. Para se ter mais segurança, é importante observar o prazo de validade da camisinha, se a embalagem não está rasgada ou furada e se ela é lubrificada. As camisinhas lubrificadas são mais resistentes e, se colocadas corretamente, raramente rasgam. A camisinha não tem contra-indicação e não traz prejuízo para a saúde da mulher nem do homem. Como usar:

Deve ser colocada antes da penetração vaginal e quando o pênis já estiver ereto.

Desenrolar a camisinha só um pouco e colocá-la na cabeça do pênis, deixando uma folga na ponta para servir de depósito para o sêmen.

Antes de desenrolar o restante, segurar essa pontinha de forma a fazer sair o ar, evitando assim que a camisinha estoure na hora ejaculação.

Desenrolar cuidadosamente até a altura dos pêlos, evitando rompê-la com as unhas.

Depois da ejaculação, retirar o pênis ainda ereto da vagina, segurando a borda da camisinha para não escapar o líquido seminal.

Retirar a camisinha do pênis e jogá-la fora. A camisinha é descartável, isto é, não pode ser reaproveitada.

Caso a relação continue, colocar uma nova camisinha antes da penetração.

Atenção!

A camisinha pode e deve ser usada em todas as relações sexuais, inclusive sexo oral e anal.

Não precisa de receita médica e não traz riscos a saúde.

É fácil de ser comprada em supermercados e farmácias ou adquiridas em postos de distribuição gratuita de serviços de saúde.

A umidade, a luz e o calor podem afetar a borracha. Se a camisinha estiver com cheiro ácido e desagradável é sinal que a borracha está deteriorada e não deve ser usada.

Usar apenas lubrificantes à base de água.

O uso da camisinha permite ao homem participar ativamente da contracepção, que é algo que lhe diz respeito também.

Pedir para usar camisinha é uma atitude positiva que pode vir tanto do homem quanto da mulher, e não deve ser encarada com desconfiança.

60

A camisinha feminina é um canudo de poliuretano fino, de mais ou menos 25 cm de

comprimento, com um anel em cada ponta. O anel menor fica na parte fechada do canudo e é introduzido na vagina, para se encaixar no colo do útero, como um diafragma. O anel maior fica no lado aberto e se prende à parte externa da vagina. É lubrificada e descartável.

Atenção!

A camisinha feminina oferece as mesmas vantagens que a do homem.

A camisinha feminina, assim como o preservativo masculino, não permite o contato das secreções genitais masculinas e femininas, evitando também a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis e aids.

Diafragma

É uma concha de borracha fina que a mulher coloca na vagina para cobrir o colo do útero. Deve

ser utilizada sempre com um espermicida, que é um creme ou geléia feito com substâncias

químicas que, quando colocado na vagina, cria um ambiente hostil e imobiliza os espermatozóides.

O diafragma é um método anticoncepcional recomendado tanto para adolescentes como para

mulheres adultas porque não interfere no ciclo menstrual, ajuda a conhecer melhor o corpo e raramente provoca efeitos colaterais. Antes de optar pelo uso do diafragma, é preciso fazer um exame ginecológico completo para saber o tamanho, modelo e a forma correta de colocá-lo e tirá- lo. Quando está no tamanho certo e bem colocado, ele é um método bastante eficaz na prevenção da gravidez e não atrapalha a relação sexual. Como usar:

O diafragma é colocado com as mãos, na posição que a mulher preferir: deitada, de cócoras ou em pé.

Recomenda-se usar o diafragma em todas as relações sexuais e sempre associado ao uso do espermicida. Como os espermicidas não têm ação duradoura, é importante colocar o diafragma na hora da relação sexual ou, no máximo, duas horas antes. A cada nova ejaculação, é preciso colocar mais espermicida na vagina, sem deslocar o diafragma. Somente oito horas depois da última ejaculação é que ele pode ser retirado. O diafragma não deve permanecer na vagina por mais de 24 horas para evitar riscos de infecção.

Todas as vezes que for colocá-lo, examinar contra a luz para ver se não furou ou se está pegajoso ou enrugado. Nestes casos, precisa ser substituído por outro.

Atenção! O diafragma não protege os parceiros contra as DST/aids. Pode ocorrer alergia ao espermicida, problema que em geral se resolve trocando a marca.

Métodos Comportamentais

São práticas que dependem basicamente do comportamento do homem ou da mulher e da observação do próprio corpo. Entretanto, esses métodos não protegem da contaminação das DST

e da aids.

São eles:

Tabelinha

É um método que permite conhecer o ritmo do ciclo menstrual da mulher e localizar os dias do

“período fértil”, isto é, os dias com possibilidade de engravidar, para evitar ter relações sexuais com penetração vaginal nesse período, a não ser que se use camisinha ou diafragma. Para usar este método é necessário ter disciplina para marcar no calendário o 1º dia de cada menstruação, para conhecer o tamanho dos ciclos e o período fértil.

Como identificar o período fértil:

Marcar no calendário o primeiro dia de menstruação.

Fazer isto durante 8 a 12 meses seguidos, para perceber as alterações dos ciclos.

Passado esse tempo, contar e anotar quantos dias durou cada ciclo, montando um diagrama conforme o exemplo abaixo:

1º dia de cada menstruação

61

4/3 - 31/3 - 28/4 - 29/5 - 27/6 - 25/8 - 27/9

61 4/3 - 31/3 - 28/4 - 29/5 - 27/6 - 25/8 - 27/9 27 28

27 28 31 29 29 30 33

Duração dos ciclos em dias

Verificar nas anotações feitas no calendário qual foi o período mais curto e o mais longo, e aplicar uma regrinha muito fácil que já vem pronta:

Pegar o número de dias do ciclo mais curto e subtrair 18, para obter o início do seu período fértil. Ex.: 27 - 18 = 9º dia.

Pegar o número de dias do ciclo mais longo e subtrair 11, para obter o fim do período fértil. Ex.: 33 - 11 = 22º dia Nesse exemplo, o período fértil corresponde ao período do 9º ao 22º dia. Se o casal não deseja ter filhos/as, deve evitar transar com penetração entre o 9º e o 22º dia do ciclo (ambos os dias, inclusive).

Vale a pena saber

a ovulação sempre ocorre 14 dias antes da menstruação seguinte, independentemente do tamanho do ciclo menstrual. A tabelinha não identifica, com exatidão, o dia em que o óvulo é expulso do ovário.

o tempo de vida dos espermatozóides no interior dos órgãos femininos é, em média, de 72 horas.

o tempo médio de vida do óvulo, depois da ovulação, é de um dia (24 horas).

Atenção!

Não é um método indicado para adolescentes e mulheres que têm o ciclo menstrual irregular.

É muito comum o ciclo menstrual variar de tamanho entre uma menstruação e outra, principalmente na adolescência. Por isso, vale a pena assinalar mensalmente no calendário ou na agenda, o primeiro dia de cada menstruação, para conhecer as variações do ciclo.

Quando houver diferença de mais de sete dias entre o maior ciclo e o menor, a tabelinha não deve ser usada.

Temperatura

É um método que permite identificar o momento da ovulação através da medição diária da

temperatura do corpo da mulher. Quando a mulher ovula, sua temperatura aumenta de 0,3º C a 0,5º C . Como usar:

• Colocar o termômetro sempre no mesmo lugar (por exemplo, na axila), todos os dias, ainda a cama, antes de se levantar, a partir do 1º dia da menstruação.

• Anotar as temperaturas em um caderno.

• Após três meses, é possível montar uma tabela que indique quando ocorre o período fértil. Durante o período fértil, não manter relações sexuais com penetração.

Atenção! O método de temperatura não é recomendado para as adolescentes e mulheres com ciclo menstrual irregular, nem para aquelas que teriam dificuldade de pôr em prática a disciplina exigida pelo método.

Muco

O muco é uma secreção vaginal, produzida pelo colo do útero, que às vezes pode ser vista na

calcinha ou no papel higiênico.

62

O ciclo menstrual apresenta dias secos (sem muco) e dias molhados (com muco). É possível

identificar o período fértil a partir dessas variações. Como usar:

Colocando o dedo na vagina, todos os dias, à mesma hora, vê-se que o muco muda de consistência conforme o período do ciclo:

Dias secos:

- terminada a menstruação, a vagina fica seca por dois ou três dias;

Dias molhados:

- começa com um muco grosso, opaco, que aos poucos vai ficando ralo;

- no período da ovulação, o muco se torna transparente e elástico, como clara de ovo cru;

- depois volta ficar grosso e pastoso; Dias secos:

- a vagina torna a ficar seca por alguns dias antes de descer novamente a menstruação.

O período fértil corresponde aos dias molhados. Evitar ter relações sexuais com penetração

vaginal nesses dias.

Atenção!

Este método não é recomendado para adolescentes e mulheres com ciclos irregulares, pois fica difícil observar as mudanças no muco.

Quando a mulher não se sente à vontade para colocar o dedo na vagina, convém não usar este método.

Corrimento ou infecção vaginal, stress, uso de produtos vaginais ou de lavagens, excitação sexual, são coisas que podem dificultar o reconhecimento do muco.

Coito Interrompido

É uma prática que consiste em retirar o pênis da vagina antes de ejacular. Se a ejaculação ocorre

fora, mas perto da vagina, existe o risco de engravidar, mesmo a garota sendo virgem. Portanto, não é aconselhável porque não é eficaz. Outro motivo para ser desaconselhado como método é porque nem sempre o homem consegue retirar o pênis no momento preciso e ejacular longe da entrada da vagina. Isso pode ocorrer em várias situações, como por exemplo: não percebe o momento em que a ejaculação vai ocorrer, a excitação fala mais alto, a posição dificulta, está sob o efeito de bebida alcoólica ou drogas, tem ejaculação precoce ou inexperiência. Além disso, o vírus da aids está presente nos fluidos sexuais que antecedem a ejaculação.

Métodos Hormonais

São comprimidos ou injeções feitas com hormônios não naturais. Evitam a gravidez porque não deixam o óvulo sair do ovário, engrossam o muco que fica na vagina, não deixando o espermatozóide passar. De maneira geral, os métodos hormonais atuam segundo um princípio comum: interferem no equilíbrio hormonal do corpo, alterando o desenvolvimento do endométrio, o movimento das trompas, a produção do muco cervical e também impedindo que a ovulação ocorra. Antes de adotar um desses métodos, é imprescindível passar por uma consulta médica para receber as orientações necessárias, avaliar o estado geral da saúde da mulher e verificar se ela está em condições de usá-los, pois nem todas as mulheres podem fazer uso da pílula ou de implantes.

63

Pílulas Anticoncepcionais

É um comprimido feito com hormônios não naturais e diferentes dosagens. Aconselha-se às

adolescentes esperar no mínimo 2 anos de menstruação regular para tomar. Este método exige acompanhamento médico, no mínimo, de 6 em 6 meses. Como usar:

Há vários tipos de pílulas. Todas são ingeridas por via oral, diariamente.

A orientação de como tomá-la deve ser feita de forma cuidadosa por profissionais da área de saúde, em consultórios, postos de saúde públicos ou serviços especializados.

Atenção!

As adolescentes, até 18 anos, não têm ainda o metabolismo hormonal plenamente desenvolvido. A ingestão de hormônios sintéticos nessa fase pode não ser indicada.

O acompanhamento médico é importante para evitar prejuízos à saúde e o uso errado da pílula.

Injeções e Implantes

As injeções, como Perlutan ou Depo-Provera, são administradas por via intramuscular de uma só vez e são válidas por um período que varia de 1 a 3 meses.

Os implantes, que aparecem sob o nome de Norplant, são inseridos no corpo através de bastonetes de hormônios colocados sob a pele, geralmente na parte interna do braço. Sua ação pode ser de 3 a 5 anos.

Atenção!

As injeções e implantes são eficazes na prevenção da gravidez, mas podem afetar seriamente a saúde da mulher em qualquer idade, porque provocam alterações menstruais.

Dispositivos Intra-Uterinos - D.I.U.

É um objeto que, colocado no interior do útero através da vagina, evita a concepção. O único

dispositivo utilizado no Brasil é o DIU (dispositivo intra-uterino). Há vários modelos de DIU, com

formatos e tamanhos diferentes. Alguns têm um fio de cobre enrolado, porque esse metal modifica

a acidez do útero e dificulta a sobrevivência dos espermatozóides. Como usar:

O uso do DIU exige cuidados especiais. Antes de colocar, a mulher deve fazer um exame ginecológico completo, ver se há alguma infecção para ser tratada, verificar se está grávida ou não, avaliar o tamanho e a posição do útero e as condições gerais de sua saúde. Isso porque são muitas as contra-indicações para o seu uso.

A colocação é feita em consultório ginecológico por médico/a ou pessoa especialmente treinada para isso.

As mulheres que colocam DIU devem observar rigorosamente seu corpo porque há uma tendência maior para desenvolver doença inflamatória do aparelho genital, gravidez extra- uterina e, em alguns casos, infertilidade causada por essas doenças. Quem usa DIU deve ir à consulta ginecológica no mínimo duas vezes por ano.

O DIU também deve ser retirado por profissionais treinados/as em consultórios que tenham condições adequadas.

Atenção!

O DIU não é recomendado para adolescentes ou mulheres que nunca engravidaram.

Pode ocasionar infecções ginecológicas mais graves, se a mulher não tratar rápida e adequadamente infecções vaginais mais simples, como corrimentos.

Pode aumentar a duração e a quantidade de sangramento menstrual, provocando anemia.

O DIU não evita as doença sexualmente transmissíveis, inclusive aids.

64

Métodos Cirúrgicos ou Esterilização

A esterilização não é exatamente um “método” anticoncepcional, mas uma cirurgia que se realiza

no homem ou na mulher com a finalidade de evitar definitivamente a concepção. A esterilização fe