Sei sulla pagina 1di 142

For Blood And Eyes

Fairytale

Pelos olhos e pelo sangue

Gabriella Izzo Felicio

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 1 - Escola

A luz solar bateu no meu rosto e infiltrou através das minhas

pálpebras. Gemi levemente e abri os olhos, com estes sendo automaticamente feridos pelo sol e sendo fechados novamente. Joguei o lençol para fora do caminho e me sentei tendo meu

bocejo sendo seguido pelo do grande Rotwailler deitado na cama comigo. Nós dois nos esticamos em exata sincronia e eu me levantei enquanto abria os olhos novamente, agora longe do foco de luz. Ouvi o bater de patas que indicava que o cachorro havia saído.

O grande espelho do outro lado do quarto me saudou com uma

visão terrível de mim mesma. Suspirei e saí do quarto, me alojando no banheiro do corredor, o qual eu tinha só pra mim agora que minha irmã está na faculdade. Um alívio, e me permite chegar na escola no horário certo. Joguei água no rosto, escovei os dentes e os cabelos, passei desodorante e algum perfume, também permitindo-me passar um gloss meloso cor de rosa que tinha mais brilho que cor. Me movi já mais enérgica para o meu quarto e me pus em jeans negras que ficavam justas nas pernas e uma regata branca alguns números maiores, que ficava caída e expunha o início do meu top. A regata era da minha irmã, que era pelo menos vinte centímetros mais alta e dez quilos mais gorda que eu. Minha solução foi enfiar uma das suas pontas no cós da calça, assim ela não ficava muito cumprida. Pus meus pés em meus velhos e confortáveis coturnos negros, e puxei uma camisa de flanela para a minha cintura, só em caso de esfriar ao decorrer do dia. Vários brincos decoravam minhas orelhas, incluindo um alargador negro em cada, além dos brincos a

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

outra jóia que usava era um anel que minha mãe me deixara no meu aniversário de quinze anos. Peguei minha bolsa e atravessei-a pelo meu corpo antes de sair do quarto, ouvindo os primeiro sinais de vida na casa. Desci as escadas com Lucy, o Rotwailler, me seguindo animadamente babando e balançando o rabo. Ela geralmente dormia comigo e, assim que eu acordava, ela se movia para o quarto de papai, para acorda-lo, e depois descia as escadas

comigo, pois sabia que eu ia deixa-la se aliviar e lhe dar algo pra comer. Chegando ao final das escadas estava a nossa loja, era uma espécie de super-conveniência, o que supria as necessidades de todos na vizinhança quando precisavam de um almoço rápido, suprimentos de ultima hora para uma festa do pijama ou talvez apenas um calmo lugar para ler. Rachel, a funcionária contratada para as manhãs, já tinha tinha assumido seu lugar atrás do balcão, e alguns poucos frequentadores matutinos estavam sentados nas suas mesas bebericando café e lendo o jornal.

- cumprimentei os dois senhores que se

sentavam juntos apenas por uma questão de companhia. -Olá Srta. Jones. - eles disseram, um após o outro, sem sequer levantar os olhos do jornal. Sorri e abri a porta dos fundos para deixar Lucy sair, logo me dirigi para a cafeteria, onde Rachel estava. -Oi Rach, pode me preparar uma mocha dupla de chocolate branco? -Bom dia Ellen, é para já! Rachel tinha quarenta e sete anos, as rugas já marcavam seu rosto, estragando a atitude jovial, mas ainda assim bonito. Tinha o corpo

Gabriella Izzo felicio

-Olá Sr. Wyse, Sr. Joan

For Blood And Eyes

bem estruturado para uma mulher na sua idade, e uma energia que deixava qualquer um pilhado. Sorri mais largamente e fui fechar a porta quando Lucy entrou. -Como está se sentindo com a volta as aulas? - Ela me perguntou enquanto ainda estava de costas, preparando o café. -Bem, infelizmente foi uma semana curta, e a neve nos deixou rápido de mais. Nem mesmo molhou as ruas direito. -Sim, isso é verdade. Apenas dois dias de uma neve rala não é muito comum para cá. Talvez isso signifique algumas mudanças na escola? Algum garoto novo? Me perguntei durante um segundo o que o clima tinha a ver com a

escola, mas era GreenVille, as pessoas eram super-supersticiosas, então talvez houvesse mesmo algo a ver. -Claro, alguém poderia ter se transferido, mas não acho que isso seja possível. Ainda mais para cá, essa cidade é tão pequena que constantemente as pessoas chamam-na de vilarejo. Rachel riu enquanto o Sr. Wyse me dava uma resposta animada. -Bem, ser um vilarejo tem suas vantagens, ouvi dizer que duas famílias se mudaram para cá, alguns parentes dos McDonald’s vieram ficar um tempo, e uma família com o sobrenome de Hyde se mudou na velha casa dos Frankinson’s. -Aquela casa me dá arrepios. - disse Sr. Joan.

-Pare de ser um velho supersticioso Jonah

- e lá se vai os dois

novamente. Quando Rachel voltou com meu café nós duas reviramos os olhos e sorrimos. Agradeci o copo de café, disse adeus para os dois senhores que ainda discutiam sobre a suposta superstição de Jonah e me despedi de Lucy com uns tapinhas na cabeça, ganhando uma lambida na mão por isso.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Uma vez na rua havia prendido meus cabelos no alto da cabeça, numa espécie de coque desmanchado, via-se algumas mechas dos escuros cabelos ruivos (mais para vinho) pela minha visão periférica, o que significava que ele duraria menos de quinze minutos, mas não podia fazer muita coisa, pois tinha que correr para pegar o ônibus. Com o copo na mão, lutando para o café não ser derrubado, mais a bolsa cheia golpeando fortemente minha cintura e mais os obstáculos que a calçada ofereciam quase me fizeram perder o ônibus. Ótimo modo de re-começar o ano. Suada e sem fôlego. Dirigi-me para os acentos no fundo do ônibus, encontrando Sarah batucando no seu caderno ao rítimo do Metal dos seus fones. Quando me sentei ao seu lado ela removeu um dos fones e sorriu para mim. - Bom dia! - ela disse animadamente. Meus olhos devem ter arregalado de horror e confusão, pois ela começou a rir daquele jeito assustador dela. Uma rouca risada que era baixa e tinha o mesmo rítimo da bruxa má da branca de neve. - Devia ter filmado isso. Minha mão foi para o coração e eu mesma comecei a rir. Você certamente percebe que há algo errado quando sua melhor amiga gótica te da bom dia como se o primeiro dia de aula fosse o melhor dia da vida dela. Você com toda certeza do mundo pensa que é o dia do apocalipse, pois essa seria a única coisa que estamparia um sorriso tão grande no rosto dela. - O que há de errado essa manhã? Hittler é um morto-vivo e quer iniciar a terceira guerra mundial? - eu disse e ela rolou os olhos. - Não, algo muito menos complicado que isso. - Uma bomba nuclear destruiu outra cidade no Japão?

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Não! Você é mesmo de Greenville? - a voz dela continha quase tanto sarcasmo quanto eu podia produzir.

- Oh, você está dizendo sobre as novas famílias? Quais delas tem novos garotos góticos com uma incrível inclinação para o vampirismo ou a licantropia que possa ter te interessado.

As duas! - Ela afirmou com um sorriso

cruel subindo por seus lábios pintados de negro.

Ambas tem um príncipe vampiro esperando para ter você

nas suas presas, ou ambas tem um alfa licantropo esperando para tê-la nas suas garras?

- ela rolou os olhos - Pare de ser boba, isso não é

crepúsculo. Há três carinhas interessantes nas nossas vidas. Um deles se chama James, o príncipe da escuridão tem 1.80m, cabelos negros e olhos negros, um sorriso cruelmente sexy e só usa roupas negras até onde tive conhecimento. O outro se chama Kyle, 1.86m, tem a cabeça raspada apesar de as sobrancelhas indicarem um tom escuro de castanho, a pele é morena e os olhos num tom esverdeado de marrom. Já o vi tantas vezes sem camisa que já não resta fôlego em meus pulmões. - ela deu uma pausa na sua fala apressada e animada. Minha amiga era uma gótica, todas as pessoas que a conheciam morriam de medo dela, mas na verdade ela era mais normal que eu.

- isso deu aos seus olhos um brilho insuportável

de se olhar, e um sorriso ainda mais cruel que o que ela já tinha subiu a sua expressão.

- E o terceiro

- Não

- Então

- Essa é a melhor parte

?

- Mac. Eu só tive seu apelido do seu primo Kyle quando ele o chamou na rua. Mac é pouco mais baixo que Kyle, e possui músculos mais magros, sua pele é quase tão branca quanto a de James, seus cabelos são marrons escuros e possui ótimos olhos azuis-esverdeados

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Ok. - interrompi-a - O que mesmo nele te atraiu? Pois da ultima vez que eu me lembre você gostava dos tipos escuros e misteriosos, não os garotos de fazenda.

- Ele não é um garoto de fazenda. - ela rolou os olhos - Não o vi sorrir muito, apenas uma vez sorriu com dentes, e isso mostrou uma ótima higiene bucal. Vi-o com uma camisa verde-musgo e outra negra, a maior parte estava sem camisa jogando basquete com Kyle. O mais sexy é o óculos que ele tem pendurado no seu elegante nariz

- Bem, achei que sua queda por Clark Kent era passado.

- Bem, o super-homem pode ser sexy de vez em quando! - ela rebateu, seu tom um falso irritado que provocou sorrisos em ambos nossos rostos. Um momento de silêncio cômodo se passou por nós antes de eu continuar.

- Imagino que você deve estar apreciando bastante sua nova vizinhança.

- Apreciar não é o bastante para descrever o quão mais animadas minhas tardes de domingo vão ser. É uma pena que o príncipe das trevas não more atravessando a minha rua.

- Ele que se mudou para a casa dos Frankinson’s?

- Sim, ele e sua irmã super modelo. Jessica vai ter concorrência este ano, a garota realmente parece uma super-modelo Europeia.

- São apenas eles e os pais? - perguntei enquanto refazia o coque no topo da cabeça e tomava um longo gole da mocha.

- Ew. - ela disse com o nariz franzido enquanto apontava para o café. Sarah era do tipo de cafés pretos e sem açúcar, enquanto eu preferia algo mais doce. Rolei os olhos e dei mais um gole para irrita-la.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Bem, gostos a parte por aqui

- ela continuou com um tom

zombador - Eles moram com o tio pelo que eu entendi, ele e duas irmãs, a mais velha e uma garotinha de três anos.

- Wow

- eu murmurei de leve com as sobrancelhas arqueadas. -

Deve ser difícil por lá.

- Bem, apesar de ele ser sexy como o inferno eu tampouco me mataria para estar no lugar dele.

- Claro que não faria. - eu ri um pouco e ela rolou os olhos, um mínimo sorriso erguendo os cantos dos seus lábios. Piada interna, isso é o que você ganha por tantos anos de amizade. Ele poderia ser sexy como o inferno, mas o diabo não era a única

opção na mesa aqui. Havia aquele que uivava para a lua e o outro que trocou sua alma por algumas gotas carmesim e a imortalidade.

- Nem sequer relacionada a ele você seria. Da ultima vez que eu me lembro crianças eram coisas especialmente do mal, sem nenhum traço de sentimentos, apenas com o interesse guiando

suas ações

quase como o de um fantasma.

Uhhh

- fiz um barulho como um “uh” prolongado,

- Bem, nós duas quase empatamos nesse quesito. A diferença é que você conhece crianças boas, mesmo assim elas são totalmente sem emoções, guiadas apenas pelo interesse.

- Ok, isso não é inteiramente verdade. - eu pontuei e ela rolou os olhos fazendo um estranho ruído com a garganta e colocando os fones de volta no lugar. Eu sorri minimamente enquanto o ônibus parava. Não era um

grande caminho da escola para casa, eram seis quadras, daria para vir correndo se eu quisesse chegar aqui nojenta e suada. Ela tirou os fones e guardou-os na bolsa.

- Ok, sem mais discussões sobre isso. - ela assinalou e eu ergui minhas mãos em rendição.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Nós duas nos levantamos e eu comecei a andar na frente de Sarah. Em algum momento no meio do caminho ela começou a empurrar minhas costas com urgência, quase me fazendo correr corredor e escadas afora. Quase me dando um pescoço quebrado também.

- Você está louca!? - eu exclamei para ela quando estávamos em terra, e eu estava mais segura.

- Já disse para não discutirmos sobre isso na rua! - disse ela

zombeteira antes de me arrastar, meio correndo meio andando, até atrás de uma árvore.

- O que houve?

- Bem

Talvez um pequeno erro de cálculo. Sabe todas as pessoas

das quais nós estávamos falando lá trás?

- Meu deus

Não

- eu comecei a negar com a cabeça e ela me

deu um olhar de culpa.

- Sim, pois é, todos estavam apenas um pouquinho a nossa frente.

- Sarah! - exclamei e ela ergueu as mãos dessa vez.

- Bem, desculpe-me se eu me perdi um pouco nas músicas de Lenon, não é exatamente minha culpa.

- Oh, então a culpa é minha? - resmunguei e ela negou com a cabeça.

- Claro que não, desculpe, ok? Mas veja pelo lado bom, agora nós já temos um pretexto para chegar a eles

- O que

?

- mas eu já estava sendo puxada.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 2 - Notícias

O momento mais embaraçoso da minha vida, sem dúvida alguma,

foi o intervalo para o segundo período. Como Sarah tinha aula do lado da minha classe eu não pude impedi-la de traçar um plano malévolo durante o meio-tempo. Na verdade, eu fiquei a maior parte do tempo agradecendo sobre nenhum dos “assuntos” estarem na minha classe de inglês avançada. Mesmo assim isso não impediu Sarah de me agarrar quando eu tinha saído da classe.

A cena hilária era uma garota gótica de 1.60m com um salto de

pelo menos 12cm plataforma com meias listradas em preto e branco até o joelho, com um vestido de boneca de porcelana demoníaca em preto com direito a luvas com dedos rasgados e tanta maquiagem que era difícil distinguir o que era rosto e o que era delineador puxando uma garota de 1.58cm com cara de assustada com cabelos ruivos e uma roupa comum. Provavelmente pensaram que ela iria me matar, já que eu gritava rapidamente “Não, Sarah, por favor!”, mas eu sabia que seria bem

pior que isso, ela me envergonharia até a morte, e ela se deliciaria com isso e riria mais tarde. A parada inicial foi em frente a um garoto que dava dois de mim e uma menina tão alta quanto, ambos de pele clara, olhos negros, cabelos negro e corpos definidos.

- ela começou ainda com suas mãos agarrando meu

braço com força. Ela era forte, mas eu era mais. Apenas não queria machuca-la, ao contrário dela, que claramente não se importava com essa possibilidade. - Essa é Ellen, eu sou Sarah, assumo que vocês sejam James e Herin? - ela deixou isso soar

Gabriella Izzo felicio

- Então

For Blood And Eyes

como uma pergunta, mas obviamente todos envolvidos naquela conversa sabiam que não era.

- ela disse, sua voz rouca e um pouco mais alta do que meus

ouvidos gostavam.

- ele dissera, sua voz mais profunda e mais baixa que a da

sua irmã. Seus olhos variavam entre nós duas, como se decidisse

de quem viria a ameaça. Por final ele se focou em Sarah, que era

a que estava falando por enquanto.

- Oi

- Olá

- Bem, fiquei sabendo que sua família se mudou recentemente

para Greenville, só dizendo “bem-vindo” - ela imitou “aspas” com os dedos. - E sobrevivam o quanto puderem as más línguas. Ah, e

a propósito, aquela casa é demais!

- Oh, obrigada. - a irmã dele dissera, apesar de Sarah estar claramente conversando com ele. - Nós estamos aqui enquanto nossos tios reformam o lugar. Sabe, restauradores

- O que? - eu exclamei enquanto via Sarah endurecer. - Vocês vão reformar a casa? Mas

- Não reformar, apenas restaurar, deixa-la mais como era antes,

- ele explicou, dois picos fundos e negros

menos detonada

contra os meus azuis.

- Mas

mim do que para eles, meus olhos fixados num ponto atrás da sua cabeça.

- Se a magia se vai, onde mais haverá um lugar para se venerar? - Sarah finalmente completou, olhando-me de canto de olho, com uma advertência clara nos seus olhos.

- Bem

Sinto muito acabar com seu lugar, mas não há nada que

- eu murmurei mais para

Assim toda a magia se perde

eu possa fazer sobre isso.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Os ombros de Sarah despencaram e eu senti pena por ela. Os irmãos se afastaram com um adeus e demorou cerca de três segundos para ela se revigorar. - Bem, definitivamente no próximo período nós vamos falar com os primos bonitões. Aposto que eles não estão aqui para destruir o sonho de ninguém. - ela pontuou antes de sair batendo os pés furiosamente pelo corredor. Corri para o meu armário guardando aquela situação no fundo da

mente para avaliar depois. Girei a combinação e guardei o livro de inglês, pegando o de Espanhol, outra aula avançada. Fechei a porta do armário e quase desfaleci de susto. - Desculpe por isso “cabeça de cereja”. - disse Andy com um sorriso bobo no rosto. Ele estava encostado contra o armário ao lado com seu próprio livro de espanhol na mão. - Pronta para a aula? Limpei a garganta e acenei para ele. Andy tinha cabelos de trigo e olhos amarelados. Aparentemente ele achava que nós estávamos juntos, ou algo do tipo, depois do acontecido do verão passado. Sempre que tinha oportunidade ele estava atrás de mim. - Ficou sabendo da festa de Noah este fim de semana? Algo como “rebelar-se à escola” - Andy, eu não costumo ser convidada para esse tipo de festa. - eu disse meio com uma desculpa na voz e usando o sarcasmo para

Apenas um

pouco insistente demais para meu gosto. Ele ficou em silêncio pelo resto de tempo que faltou para nós chegarmos a sala, provavelmente pensando no que poderia fazer para me convencer a ir com ele, e para convencer Noah a deixar- me ir. Os corredores estavam quase vazios, apenas traços de alguns alunos, ou alunos atrasados correndo para suas aulas. Nós

Gabriella Izzo felicio

esconder o alívio. Não que Andy fosse feio ou chato

For Blood And Eyes

entramos pouco antes de os dois últimos alunos. Havia sobrado um lugar no meio e outro no fundo. Corri me sentar no fundo, estava cercado ali e geralmente a turma dos góticos ou maconheiros ficava por lá, o que significava silêncio ou pessoas dormindo. Assisti Andy sentar e cumprimentar as pessoas do meu lugar, e permiti-me relaxar um pouco.

- Sabe, se tem alguém te incomodando eu posso dar um jeito pra você. - disse uma voz sussurrada com um forte sotaque, o que me fez pular de susto e olhar para a sua direção. Havia um garoto com dreads esbranquiçados e olhos azuis me

olhando. Ele tinha cílios grandes e um sorriso maldoso nos seus lábios. Não parecia ser alguém que eu conhecia e tampouco batia com as coordenadas de Sarah. Mais alguém tinha mudado para Greenville e Sarah não sabia? Bem, eu não saber não era novidade, por isso eu não me importei muito.

- Uh, oi, sou Ellen. - ofereci-lhe um aceno e ele sorriu.

- Ethan.

- Você é novo aqui? - eu perguntei, tentando esconder a

curiosidade através do livro. Abri-o e colei a cara dentro deste, seguindo as linhas de um texto qualquer com o dedo.

- Sim, meus pais e eu estamos morando na rua do prefeito.

- Oh, é perto da de Sarah. - murmurei distraidamente. Sua voz parecia ter um efeito calmante que era estranho. Sem contar que seu tom era perfeito para meus ouvidos. A simples música sendo falada para fora daqueles lábios maravilhosos recheados de dentes brancos e retos.

- Sarah Grey? - ele disse com curiosidade e eu ergui as sobrancelhas e me virei para ele.

- disse isso com um pouco de confusão e na defensiva.

- Talvez

Então foi uma defesa-confusa, ou uma confusa-defesa?

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Srta. Jones, há algo que queira compartilhar com a classe? - o Sr. Juanito me perguntou em espanhol. - Não senhor, desculpe. - disse em um espanhol perfeito e fluente. Ele acenou e continuou a aula. Após alguns segundos a curiosidade era tão grande que eu não podia mais segura-la dentro de mim. De onde ele conhecia-a? - De onde você conhece Sarah? - exigi num sussurro quase inaudível. Ele não me respondeu. Quando virei-me para olhar ele havia ido.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 3 - Srta. Sarah Grey

- Sarah! De novo não! - gritei um resmungo quando Sarah me apanhou pelo braço na porta da sala, novamente.

- Pare de reclamar querida, dessa vez são dois homens, e nós somos duas mulheres. Entende a linha do meu pensamento? - ela disse com um tom zombador o que me fez rolar os olhos, e tropeçar pouco depois.

- Pelo menos poderia me deixar andar por mim mesma. - reclamei e ela riu enquanto olhava para mim com o canto dos olhos.

- Até parece. Você nunca me seguiria.

- Isso aqui é um capitalismo! Eu tenho plena escolha sobre minhas ações! - resmunguei novamente e ela riu mais uma vez. Decidi que as unhas dela já estavam profundas o suficiente para que eu ficasse reclamando, e se eu continuasse apenas iriam afundar mais. Segui-a resmungando para mim mesma de como essas “amigas vadias” não mereciam ter amigas como eu. Por um momento eu tinha me esquecido do garoto de cabelos loiros, e eu freei com força quando isso voltou a minha mente. As unhas dela se afundaram mais algumas polegadas, mas eu a parei. Agarrei-a pelos seus braços e a puxei para um canto.

Sarah! Havia um carinha na minha sala de inglês, cabelos loiros e um sotaque alemão. Talvez, sem querer, eu deva ter mencionado seu Os olhos da Sarah cresceram quando eu disse “sotaque alemão”.

Se isso não fosse uma ilusão pelo pó, acredito que ela havia ficado ainda mais branca.

- Você mencionou meu nome? Qual? - sua voz estava quebradiça como gelo agora.

Gabriella Izzo felicio

-

nome

For Blood And Eyes

-

Disse Sarah, e ele completou-o.

-

Merda

- ela praguejou baixinho, seus olhos num ponto atrás do

meu ombro e as mãos apertadas em punho.

-

Significa perigo?

-

Não. Espero que não. - ela murmurou e demorou mais três segundos para estralar e estar de volta em si. - Vamos, vamos falar com os nossos novos vizinhos.

E

novamente estávamos no caminho torturante para o embaraço.

Mais tarde eu iria conversar com ela, pois ela sabia quem esse cara era, apenas não podia me dizer aqui na escola. Talvez passasse na casa dela à tarde, e iria descobrir sobre a casa dele também. Demorou um pouco mais para ela os encontrar, e, infelizmente, ambos estavam parados em frente a sala da minha próxima aula, conversando.

O fato de ter demorado um pouco mais resultou com meus braços

seriamente feridos e com o cheiro metálico do sangue queimando minhas narinas. Resmunguei vários palavrões quando nós paramos na frente deles e arranquei meu braço da mão dela. Sorte minha ser imune ao seu

veneno, ou azar, já que era por isso que ela enfiava as unhas tão profundamente em mim.

- Olá. - Sarah disse alegremente, interrompendo a conversa de ambos. Eles a olharam e depois para mim. Eu deveria estar parecendo uma louca falando sozinha e tentando ver quão ruim era o efeito no meu braço.

- Oi. - disse o “lobisomem”.

- Firmeza? - disse o “demônio”.

Eu sorri-lhe com dentes quando seus olhos pousaram em mim, e quando eles ficaram pouco mais de um instante lá Sarah limpou a garganta.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Bem, apenas dizendo “boas

- Olha só, se não é Srta. Boneca Assassina tentando fazer amigos! Adorável. - uma voz enjoada e nasal se estendeu pelos corredores. Aquele som se seguia por um cheiro floral terrível que entupia minhas narinas. Virei-me e olhei para Jéssica, Jae e Anna. Em formação daquele jeito até mesmo pareciam os Power Rangers, só que na moda e com cabelos longos, e macios como seda, invés de capacetes.

- Veja se não é sua amiga “Cabeça de menstruação”! Também tentando fazer novos amiguinhos? Que fofa! - ela e as amigas riram. Minhas sobrancelhas se ergueram. O ar ficou com cheiro de fumaça.

- Não valem a pena Ellen. - a voz de Sarah me puxou ligeiramente

- agora

sua voz era uma advertência, não uma súplica, e ela me chacoalhou. Minha atenção somente se puxou ligeiramente, tão ligeiro que era

quase inexistente. Assisti chamas dançarem nos meus olhos e estes ficarem avermelhados e focados. Logo a imagem de Jéssica foi substituída pelo rosto de Sarah. Minhas pupilas aumentaram ligeiramente, eu voltando a mim aos poucos.

- eu murmurei. Minha cabeça uma confusão de letras e

para o mundo. Mas o ar ainda cheirava a fumaça. - Ell

- O que

?

palavras, que há pouco estavam sendo murmuradas pelos ventos.

- Ei, cabeça de menstruação! Sua aberração! - Jéssica gritou e sua corja mais o pessoal do futebol riram. Ignorei-os. Sarah olhava assustada para mim. Sua face verdadeiramente pálida dessa vez. Alguns insultos mais tarde eu estava de volta ao normal, a confusão se esvaindo, apesar de o momento estar indo junto, como se fosse uma memória antiga se desbotando.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Ela está bem? - disse uma voz atrás de Sarah. Ergui os olhos e encontrei Kyle, o “lobisomem”, em pé atrás dela.

- Melhor. - disse uma voz profunda e masculina que fez tremer meu corpo todo. Meu corpo estava sendo segurado por alguém mais. Decolei fora do alcance deste para encontrar o “demônio” me olhando com um

sorriso ligeiro. Meus olhos se fechando em fendas ligeiramente.

- Hm

- murmurei e limpei a garganta.

- N-nós temos que ir. - Sarah disse antes de se virar e sair correndo. Nós, ela dizia ela e sua outra personalidade. Não escondeu essa muito bem Sarah. Após alguns momentos de comoção criada por ela entre os alunos eu sai para busca-la. Peguei seu rastro no ar, então foi fácil

encontra-la. Estava no esconderijo de sempre, o velho armário do zelador. Estava lá encolhida como uma bola. Me aproximando eu ouvi uma voz dizer:

- Srta. Sarah Grey? - era a voz com o sotaque alemão. Colei-me ao lado da porta, tentando não ser vista.

- Ethan

- disse a voz trêmula da minha amiga. - O que você faz

aqui? Foi você que causou aquilo com a Ellen?

- Ylla está bem Sarah.

- Não fale tão alto! - ela murmurou - Ellen é dos ventos seu estúpido. - resmungou e ouviu-se uma espécie de riso baixinho.

- Você se importa que ela escute? - ele disse com sarcasmo.

- Você tem sorte. - Sarah resmungou.

- Sorte? De que? De ela não saber quem eu sou? Sarah, você guardou-a por muito tempo, ela está a alguns meses dos dezoito, você não acha que está em tempo de ela me conhecer?

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Yian, ela nunca vai aceitar esse acordo. - Sarah murmurou sobre sua respiração. - E é contra as regras! - Nós vamos ver Sierra. - ele disse com desprezo. E de um momento para o outro ele tinha ido.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 4 - Yian Ekstürb

Ethan. Yian. Quem era esse cara? Qual acordo? Rolei na cama e suspirei. Minha mão fazia círculos na barriga rosada de Lucy enquanto classificava minhas perguntas e dúvidas para a próxima vez que visse o alemão com os cabelos descoloridos. Por que ele queria me conhecer? Por que eu não aceitaria tal acordo? Como ele sabia o nome de Sarah? Como ele sabia o meu nome? E por que eu já sabia o seu antes de ele sequer falar? Por que eu explodi daquele jeito ontem na escola? O que há de errado comigo, e o que há com Sarah? Ontem após eu ouvir aquela pequena conversa eu havia entrado e olhado para Sarah. Ela tremia como uma louca e se recusou a falar comigo pelo resto do dia, havia apenas medo nos seus olhos. Medo por mim, e não por praticamente desafiar um teletransportador. Lucy choramingou quando minha mão parou de acaricia-la. Eu me sentei e bufei, bagunçando os cabelos com as mãos. Não sabia por que ser complicado desse jeito. Minha irmã havia conhecido um cara legal no seu ultimo ano e havia ido para a faculdade com ele. E eu? Sequer tinha os olhos em alguém nesse momento. Bem, apesar de os olhos continuarem comigo eu tinha uma boa memória dos braços fortes de um certo garoto novo de óculos agarrando-me contra seu peito. Talvez não fosse má idéia investir no Sr. Óculos e Corpo Sexy.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Claro, depois que eu concertar a merda que está minha vida. E quando digo merda, eu digo que ela já bateu no ventilador e agora está escorrendo pelas paredes. Levantei-me e rodei pelo quarto durante um momento, até decidir num lugar em frente ao espelho. Minhas características tinham um toque irlandês, haviam algumas poucas sardas claras se espalhando pelo meu nariz e pescoço. A pele era quase translúcida e o cabelo num vermelho tão intenso que poderia ter sido pintado. Os olhos eram azuis tão claros que pareciam de vidro, os cílios eram negros e cumpridos alcançando minha sobrancelha quando passava algum rímel. A sobrancelha era reta e curta, apenas uma penugem acima dos olhos. Meus lábios eram cheios, tendo o superior pouco mais cheio que o inferior, quase como uma provocação. O rosto era oval, as bochechas redondas e um pouco proeminentes também ligeiramente fundas pelo fato de eu pesar 48kg. Estava no meu peso ideal, as costelas se sobressaíam mas meu quadril não era ósseo, os braços eram finos, mas não pareciam o cabo de uma vassoura, e minhas pernas eram normais, não finas como gravetos, mas tampouco grossas como toras. A cintura era funda e meus seios também médios. Tirando meu rosto, que era consideravelmente bonito, eu era média. Variava de pequeno para médio em roupas, as calças eram 38 Quero dizer, as roupas que não eram um empréstimo permanente de Melissa, minha irmã mais velha. Oh! É isso! Preciso de um velho e empoeirado livro das fábulas! Talvez lá haja algum contrato antigo na ala Faarica. Algo que envolva meus dezoito anos, já que não podia perguntar para o meu pai, uma vez que ele era humano e minha mãe havia sido banida daqui assim que eu fiz nove anos.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Saltei quarto a fora, encontrando esse piso vazio, já que meu pai

estava na loja. Puxei a escada para o sótão e escalei-a rapidamente. Uma vez com as luzes acesas fui procurar a caixa intitulada “Coisas da mamãe”. Demorou cerca de cinco minutos para eu acha-la, e no meio tempo eu já havia gritado por duas aranhas e uma barata morta, estava assustada pela movimentação no ar que os ratos faziam, mas pelo menos assim eu me mantinha longe deles. Peguei a caixa e levei-a para o centro do sótão, revirando-a sobre o foco da luz de centro e achando finalmente o que eu queria. “Leis Faaricas: A Jurisdição Faarica, Contratos, Como proceder se for uma Faarie recém descoberta”. Equilibrei o livro pesado em uma mão enquanto pegava outros dois, intitulados respectivamente:

“Faaries e o Romance” e “árvore geneológica: Famílias importantes e Nobreza”. Com os livros, que eram bem grossos e pesados, equilibrados nos braços eu tive que chutar a caixa de volta para o lugar.

- Alguma ajuda com isso?

Gritei como uma menininha e deixei um dos livros cair. Era só meu pai. Levei uma mão ao coração. Estava agitado como o de um pássaro.

- Pai! Quase me matou de susto! - reclamei, minha voz fina e estranha. Ele riu e tomou um dos livros da minha mão. Eles haviam sido encantados com Glamour, assim como eu, o livro tinha sua forma humana e sua forma Farie.

- O que você faz com: “Contos e Desencontos romanticos”?

- Estava nas coisas da mamãe, decidi dar uma olhada. - lhe contei a verdade, apenas omiti alguns fatos.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- ele disse enquanto pegava o que havia

caído no chão. - “As cem famílias mais famosas do mundo”, não sabia que gostava desse tipo de leitura.

- murmurei e revirei os olhos, um ato de pura atuação - Sou

uma garota pai, eu tenho que ler sobre isso em algum momento da minha vida. Sem contar que há esse trabalho da escola que está pedindo para nós lermos “Jurisdição: Leis e como proceder”. Um projeto do Sr. Montgamery. - disse enquanto mostrava-lhe o livro que eu carregava. - Deixe que eu me viro. Peguei os livros da sua mão e desci escada abaixo, ele demorou alguns instantes, provavelmente encarando a caixa das coisas da mamãe como sempre. Segui para o quarto, deixando-o com seus fantasmas. Uma vez nele comecei pela arvore genealógica. Tinha que encontrar o tal de Yian. Folheei página por página, encontrando o nome Greyglood, que era o verdadeiro sobrenome de Sarah, e parando sobre o meu. Juanee. Família real. Encontrando o nome Ekstürb ao lado. E uma conexão em flechas vermelhas, escritas por magia da terra, entre o nome MIFFEY e ADONNAE na folha da nossa árvore genealógica. Melissa e Adam. Logo abaixo na linha estava escrito YLLA com uma flecha em roxo, cor do sangue feerico, ligando-me com YIAN. Demorou um instante para eu me recuperar, mas eu puxei o livro “Faaries e o romance”, procurei no sumário das páginas amareladas e gastas e achei “Ligamentos Faaricos”. Cheguei na página 345, e achando o significado das cores das ligações. A marelo- Liga çã o de almas. Almas compartilhadas.

- Bem, me dê mais esse

- Dã

R osa - Liga çã o comercial.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Verde- Liga çã o de An &gos reis e rainhas viúvos. Continuação do

império.

Vermelho- Liga çã o en ( e primog éni*s. Atração eterna.

A zul - Liga çã o en ( e corações.

R oxo- Liga çã o de sangue. Famílias reais (trono).

Ao lado de algumas ligações haviam escrituras em grafite, em vocabulário faarico, provavelmente a letra da minha mãe, complementando as classificações.

Trono. Mas

Peguei o terceiro livro, a jurisdição faarica. No sumário dizia:

O que isso queria dizer?

“Contratos reais”, era o penúltimo capitulo.

Virei o livro até lá, mas havia apenas uma página em preto, e restos de páginas arrancadas com força e violência. Franzi o cenho e guardei o livro novamente.

Eu iria me ligar a Yian

de alguma forma? Bem, provavelmente havia um contrato para fazer disso algo oficial.

De volta ao livro da genealogia voltei à família de Sierra. Lá havia uma linha amarela e trêmula, provavelmente feita por um farie floral, pois havia muitas ramificações e “frufrus” naquela linha, ligando-a com YAMEI CALARRAME. Supus que fosse Jasen Calamarre ou talvez James Calamarre. Os dois cabiam.

Indivíduo. Porém a

linha está trançada com o azul céu, então esta seria uma ligação tanto de alma quanto de coração?. Enquanto a minha escurecia, virando um preto tão profundo que chegava a manchar o papel envelhecido. Não havia aquela cor na lista de ligações. Picava levemente minha curiosidade todo aquele mistério, mas não podia deixar subir a

Então ela teria uma ligação de almas com este

Será que aquela linha roxa significava que

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

cabeça, ainda tinha que descer e ajudar meu pai com a loja e depois rever alguns papéis para a aula de química amanhã. Por sorte eu havia mantido meu parceiro de laboratório, deixando a super-modelo, que tinha aula comigo nesse período, como parceira de Herik. Fechei os livros e os escondi debaixo do travesseiro. Lucy apareceu na porta resmungando por comida pouco depois, então eu desci com ela, uma vez que era meu horário no caixa de qualquer modo.

***

- Um expresso duplo sem açúcar ou adoçante. - uma mulher alta e negra havia entrado a pouco, ela tomava seu café como Sarah e mantinha as unhas grandes e negras. Batia-as furiosamente no tampo de madeira enquanto eu fazia seu café. Por sorte estávamos vazios, pois se houvesse fila ela provavelmente iria fincar sua unha no balcão. Liguei a cafeteira e um líquido negro caiu sobre o copinho de isopor branco. Uma música rodava na minha cabeça enquanto o ping-ping das gotas do café tornavam-a ritmada. Retirei-o quando este estava pronto e levei para a mulher. - Algo mais? - disse educadamente enquanto colocava o café na sua frente. - Você sabe quando o dono está de volta? - ela perguntou enquanto fuçava a sua bolsa. Meu coração bateu um pouco mais rápido. O que uma farie viúva-negra queria com meu pai? Faries venenosas eram usadas para execuções enquanto faries da terra, da água ou do vento eram usadas para mensagens. - Dois e vinte. - disse, ignorando sua pergunta. Ela retirou seu moedeiro e me deu dois dólares e vinte cents.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Guardei-os no caixa e a mulher ficou me olhando durante um momento.

- Você é

Você me lembra uma velha amiga minha.

Minha garganta se fechou ligeiramente e eu resisti da vontade de limpa-la. Sabia que a única coisa que havia puxado do meu pai era seus olhos, então não me surpreendia ela reconhecer-me como a filha da Fada Ecza, princesa das fadas na época que conheceu papai. Só deus sabe o que aconteceu com ela desde oito anos atrás, quando foi banida para dentro do mundo das fadas. - Sério? Dizem que sou bem incomum por aqui. - dei uma enrolada enquanto me virava para limpar o balcão. Ela ficou em silêncio por um momento, mas podia sentir que ela não havia se mexido nem um centímetro. Viúva Negra antiga. Provavelmente era assim que ela conseguia matar, pois após alguns segundos de completo repouso o senso de muitas pessoas passa a escorregar e a ignorar aquele espaço como se fosse um objeto. Não iria deixar aquilo acontecer comigo, então me virei para olha- la. - Você é Ellen Jones por acaso? - ela soltou com rapidez. Pisquei lentamente e respirei fundo. - Ashley, faz tempo que nós não nos vemos.- uma voz disse das minhas costas. Dei um salto e conti um grito. Uma mão no coração outra na garganta. Uma risada foi seguida da minha reação. Olhei para trás e encontrei olhos de vidro, como os meus, me encarando de volta. Yian Ekstürb. Dreads loiro-esbranquiçados, pele branca como papel, olhos azuis como vidro, boa boca, dentes retos, nariz reto e fino, corpo musculoso e pelo menos uns quinze centímetros mais alto que eu.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Engoli em seco e dei um passo longe dele. Perto do jeito que

estávamos seus olhos se tornavam duas piscinas de um mar gélido. - Ethan, o que está fazendo aqui? - a voz da viúva travou e engasgou enquanto falava. Teletransportadores também eram usados para execuções. E eram muito mais eficientes que as viúvas. - Ah, nada, só visitando minha namorada. - seu braço passou pelo meu pescoço e seu corpo se colou no meu braço. Rígidos músculos e duros óssos. Um arrepio de eletricidade correu pelo meu corpo e eu ofeguei baixinho. Senti meus mamilos se

enrigecerem. Foi

Intenso.

- Então, essa é mesmo Ellen Jones? - os olhos da mulher arregalaram e ela começou a dar alguns passos longe de mim, como se re repente eu fosse contagiosa. Tratei de controlar minha reação. - A própria, e a próxima. - a voz de Yian fora escurecendo e enrouquecendo, como se contasse um segredo. Seus lábios eram quentes quando ele baixou um beijo contra minha têmpora. E aqui vai outro contato elétrico! - atue, ela está aqui pelo seu pai. Senti-me congelar por dentro, mesmo que pudesse sentir minha pele ruborizar pelo contato. Uma executora aqui pelo meu pai? Meu braço lentamente passou pela cintura dele e eu ergui a cabeça para lhe dar um beijo no pescoço, um movimento que eu tinha certeza que havia resultado com o seu muito rígido e musculoso corpo sentindo toda a excitação que um pequeno toque dele em mim podia fazer. Houve um breve olhar entre nós antes que eu me virasse para a viúva.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Sou. - disse. Uma única palavra com tanto do meu poder quanto eu podia por.

- Desculpe princesa. Fui mandada pelo rei. Não sabia o que

- a voz da mulher

tremia e ela gaguejava. Fez uma reverência atrapalhada e saiu correndo pela porta.

- Uau

envolvia

Não sabia que você

Que vocês

- murmurei.

Fiquei mais algum tempo parada, ainda encostada a Yian. Se sentia

tão bem

formando nós de eletricidade no meu estômago. Me afastei e limpei a garganta.

- Pode me explicar o que houve?

Ele sorriu.

- Cada resposta tem um preço.

- O que você quer dizer com isso? - exigi e cruzei os braços no peito. Meus seios haviam sido realçados, uma vez que estavam espremidos pelo top e a blusa não escondia muito, o fato de ter cruzado os braços só os fez maiores.

Não me importava, mudar o foco dele poderia distraí-lo ou incita-

lo a me dar algumas respostas.

Sua mão deslizou para minha cintura queimando e

-

Digo que, dependendo do que quiser saber eu quero um prêmio.

-

O que

- comecei, mas fui interrompida.

-

Mas não agora. Tenho algo a fazer.

E

com isso ele desapareceu, deixando-me mais confusa e curiosa

que há alguns segundos atrás. Tinha que saber o que aquela farie queria com o meu pai.

E eu iria descobrir, à qualquer preço.

Não que, aparentemente, isso seja uma dificuldade para o meu corpo, o negócio de qualquer preço

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 5 - Sussurros

Os corredores de Greenville High estavam cheios de sussurros e dedos apontados. Para mim e para Sarah, mas também para um aluno novo, transferido da Alemanha. Yian. Não sabia por que não conseguia mais pensar nele como Ethan, apenas seu verdadeiro nome seguia na minha mente, com seu belo e maldoso sorriso e aqueles olhos vítreos e expressivos. Sarah ainda andava ao meu lado arrastando os pés numa versão muito mais detonada de si mesma. Seus traços orientais pareciam apagados hoje, a maquiagem estava torta e borrada, desconfiava que estava pálida de abatida, não de pó e base, estava com os olhos vermelhos e parecia cansada. Bem, pelo menos deveria ser quase um cadáver quando escolheu sua roupa essa manhã. Estava com uma meia roxa até metade da coxa e uma preta até o joelho. Usava oxfords pretos e uma saia que a faria levar uma suspensão. A saia de prégas rasgada cobria somente sua bunda e a camiseta negra com um zumbi na frente e dizia : “Run, zombies are coming!” estava quase cobrindo toda a saia e era do seu pijama, não havia luvas e ela tinha seus cabelos presos no alto da cabeça, com uma aparência de quem não via um banho em algum tempo. Acontece que viúvas-negras não ficavam feias ou abatidas, seus corações eram duros como pedra e sua aparência impecável para atrair a vítima. Hoje ela não parecia nada com ela mesma. - Sarah, o que houve? - perguntei-lhe pela enésima vez e ganhei o mesmo ruído como resposta.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Um pequeno rosnar, como se sua voz estivesse tentando sair, mas fazê-la raspar pela sua traqueia era tudo o que conseguia. - Pare de rosnar para mim. Ela olhou para mim como se tivesse crescido uma cabeça no meu ombro. Bem, talvez estivesse, já que eu estava brigando com uma viúva- negra de TPM. Isso é pedir por morte e sangue. Ela não me deu uma resposta, ainda ficou olhando para mim como se eu tivesse enlouquecido de vez, enquanto eu continuei olhando ela como se a desafiasse a fazer algo com isso. Qualquer coisa que a animasse um pouco, mesmo que isso envolvesse minha morte e meu sangue. Minha atenção foi momentaneamente desviada pelo nome “Ethan” sendo repetido várias vezes por vozes finas e ridículas. Jéssica, Jae e Anna. Se não fosse por Anna, Jessi e Jae poderiam fazer a nova equipe rocket. Claro, de bolsas e sapatos mais caros que minha casa, mas quem está contando? Ignorei o embrulho no estômago e o leve puxar da minha magia, que agora estava com mais sede de vingança. Quer dizer, outro dia ela me chamava de “cabeça de menstruação”, e a minha amiga de “boneca assassina”, e nós nos conhecemos desde sempre, então como ela conseguia dizer “Ethan” com tanta doçura e desejo sem sequer conhece-lo. Quem tinha problemas para julgar caráter por aqui? Eu que não era! Queria descobrir todo esse negócio que estava rolando entre mim e Yian, mas antes de dormir havia decidido que não havia “preço” para mim. Eu iria descobrir do meu jeito. Passamos por eles, eu tentando reprimir o ódio e Sarah um arrepio, pelo o que eu pude ver. Agora que eu sabia quem Yian

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

era, quer dizer, mais ou menos sabia, entendia por que de ela ter medo dele. Yian era, tipo, “O grande mestre de todas as viúvas- negras”, apenas por que ele era um transporter, que eram extremamente raros e existia apenas um a cada quatrocentos anos. Enquanto eu ainda era atualizada pelo mundo das fadas nós tínhamos dois destes, Yian Ekstürb e Tiath Ekstürb. Claro que esse tampouco era o verdadeiro nome deles, na verdade, quando se sabe o nome da Farie se adquire poder sobre ela, então apenas os pais sabiam sobre isso. E antes da morte, nós mesmos. E como só minha mãe sabia e eu

Bem, seria um pouco difícil para eu ganhar

não a via há oito anos

meu nome. Ela poderia morrer e eu nunca saberia. Nem da sua morte, nem do meu nome. Presa em pensamentos fúnebres me separei de Sarah e entrei na sala de Inglês avançado. Passei por carteiras e mais carteiras e alunos fofoqueiros que lançavam olhares maldosos e dedos apontados. Sentei-me na última carteira da terceira fileira. Coloquei minha bolsa no chão ao meu lado e distribuí o material a

minha frente. Mr. Jenkins estava sentado no tampo de vidro da sua mesa enquanto esperava todos nós nos sentarem. - Para re-iniciar com chave de ouro. - ele começou e todos nós gememos. Ele riu e entregou sete folhetos por mesa. - Sim, um pequeno teste surpresa. Apenas cinco exercícios para testar o que vocês se lembram do decorrer do ano. Os alunos passaram para trás até chegar nas ultimas carteiras. Olhei para a folha e reconheci coisas que me lembrava no ano. Fácil. Ele dera um teste para gabaritar.

- E vocês têm quarenta minutos para fazer a partir de

Agora.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

A sala caiu num silêncio mortal e minha caneta deslizou pelo papel com facilidade, colocando meu nome e número e seguindo pelas questões. Três ou quatro linhas era o que decorava minhas respostas. Estavam resumidas e bem explicadas, já que a prova era fácil e estes exercícios também caíram em provas do passado. Parecia que apenas cinco por cento da sala de trinta pessoas havia conseguido responder a estas, se não me engano. Vinte minutos mais tarde tinha todas minhas questões resolvidas e as revia por erros gramaticais ou informações que eu havia esquecido. Uma cadeira rangeu e um aluno levantou. Era alto, consideravelmente forte, cabelos escuros e a pele clara. Demorou cerca de cinco segundos para eu me tocar que eu estava encarando a nuca de Mac, o “vamp” com lindos olhos e braços fortes. Talvez a minha letargia depois de descobrir que, na verdade, eu tinha alguém dos “assuntos” na minha classe de inglês avançado custou ser pega olhando-o como se fosse um alien que tinha invadido minha fazenda. Ele sorriu para mim enquanto assistia minha cara distraída e inconformada se transformar num rosa intenso de embaraço. Bem, eu havia sido pega, era bom mesmo que eu estivesse envergonhada com isso. Pelo menos eu não havia encarado a bunda dele. Que, do meu ponto de vista, era uma maravilha enquanto ele se virava e saía da sala. Foco! - gritou meu cérebro e eu olhei para prova para encontra-la resolvida. Não conseguia lembrar da onde eu havia parado, mas para mim a revisada já estava de mais. Levantei-me com meu estojo e minha bolsa e entreguei a prova antes de me retirar da sala.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Levei um susto ao encontra-lo do lado de fora encostado contra a parede, como se esperasse alguém. E quando ele se ajeitou e sorriu, bem, ele estava esperando por mim. Por mim!

Por você. - meu cérebro respondeu - Agora se acalme e cale a boca antes que saia alguma merda.

- Oi. - ele disse.

- Hm, oi. - minha voz estava rouca por que não a usava desde

ontem a noite, quando eu fiquei muda e pensativa sobre um certo garoto de cabelos branco e eu e sobre o que nós temos em comum, e claro, sobre minha melhor amiga gótica depressiva.

- Alguns fatos me passam a credibilidade de que você e Jéssica

ainda não fizeram as pazes

- ele disse num tom zombador.

- Melhores amigas como e eu e ela? - o sarcasmo escorria pelas

paredes. - Claro que nós estamos bem. - fiz um gesto de desdém com a mão e ele riu um pouco.

- Bem, ela parece ser alguém difícil de lidar.

- Uou

um pouco de sarcasmo, ganhando um sorriso e um rolar de olhos por isso.

- Bem, depois que eu segurei você e mandei-a calar a boca enquanto ela dizia “Cabeça de menstruação, sua esquisita!” Bem, vamos dizer que os ares não estão mais tão amigáveis.

- disse com mais

Achei que você e ela eram amiguinhos

- Uh, desculpe por isso. - rolei os olhos e comecei a andar. - Mas não acho que ela valha como amiga. - disse sabendo que ele estava logo atrás de mim.

- Bem, eu tenho a vantagem de ser lindo e charmoso, acho que ela vai superar. - ele zombou e eu ri.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Claro, claro. - rolei os olhos. - Jéssica parece esquecer o valor do cérebro por alguns músculos, olhos sexys e uma boa bunda. - disse distraída.

Agora já sei minhas qualidades? - ele falou, usando um

- Bom

tom rouco e consideravelmente mais sexy, enquanto me alcançava e passava a andar ao meu lado

Virei o rosto para esconder um meio-sorriso de flerte.

- Talvez

Depende da reação dela, certo? - fiz-me de

desinteressada, o que fez-o rir.

- Sim, claro. - sua voz era puro zombar. Ele segurou meu antebraço até eu parar. Ergui minhas sobrancelhas e ele sorriu lentamente. Cruelmente. Sexy como o inferno. Sua voz havia baixado muitos decibéis quando ele falou pela segunda vez, e ele havia se aproximado ligeiramente, muito pouco para uma fada que não fosse do ar perceber.

- Eu vi você encarando minha bunda quando eu saía. - ele murmurou e eu tive a decência de corar.

- Devo dizer, trabalho de mestre. - zombei e ele riu. Não. Gargalhou. Talvez pelo modo que eu disse, meio-flerte meio- piada, com as sobrancelhas sendo erguidas repetitivamente, os olhos entre-abertos e o corpo ligeiramente virado.

- Demônio. - ele se apresentou um momento depois. - Você é divertida.

- Fada. - dei-lhe a mão e sorri. - Achei que era um vampiro!

- Não me ofenda. Você também é esquisita.

- Não sou, por que ninguém nunca desconfiou de mim, ok? - zombei e ele sorriu novamente. - Você por outro lado

- Você tem algo para fazer na sexta? - ele disse com aquele maldoso e extremamente delicioso sorriso.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Sou uma menina muito ocupada

- disse brincando uma vez que

não tinha como dizer não para aqueles lábios

E aquele olhar

- Acredito que nós possamos negociar

- Talvez, eu sugiro que você me pague um café as cinco horas no Jones’s para nós conversarmos melhor sobre isso.

- Na sexta?

- Sim.

- Bem, é um encontro então. - ele disse de forma presunçosa.

- Não é. - sorri minimamente. - É eu decidindo se você merece um encontro ou não. Te vejo mais tarde Mac, o demônio. - zombei e sai andando para longe, ganhando mais um sorriso maravilhoso para a memória.

***

No quinto período eu tinha me decidido. Sarah iria me contar exatamente o que raios estava acontecendo com ela. Assim que nós

saímos da aula de história bélica eu agarrei seu braço e a empurrei contra a parede.

- Sarah! - resmunguei numa voz que implorava para que ela parasse com aquele tratamento de silêncio.

- Ellen! - ela resmungou de volta, sua voz antes charmosa, agora

- ela murmurou baixinho e

acabada. - Não posso falar na escola

agarrou minha mão entre as dela.

- No bosque atrás da sua casa depois da escola, pode ser?

Sua cara ficou pensativa e eu esmaguei sua mão entre as minhas.

- Ok, pode ser! Auch

aperto. Uma viúva negra com dor

- ela murmurou enquanto eu afrochava o

Não podia ser boa coisa.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Eu tenho uma solução para nossos problemas. - disse excitada, já me animando com a idéia. Ela aguardou eu responder invés de meter a unha o mais profundo que podia na minha carne. Má noticia.

- Hm, pensei que faz tempo que nós não manifestamos

Ela deu um gritinho de animação e suas unhas se enterraram nos meus antebraços. Boa noticia e ótima reação.

- Veja se não são as lésbicas! Cabeça de menstruação parece ter passado um caminhão por cima da boneca assassina. Saiba que o

Coisa que você chama de roupa. - a

voz nojenta, nasal e fina de Anna foi jogada aos meus ouvidos fazendo-me trincar o maxilar e arreganhar o nariz, uma vez que toda aquela agudez feriu meus tímpanos. Virei-me e ergui uma sobrancelha para a “patty”, que estava

sozinha dessa vez, parecendo muito mais insignificante do que era com as outras duas.

- Muito estúpido da sua parte vir confrontar duas meninas enquanto você está sozinha. Humana e estúpida.

- Huh! - ela fez um som arrogante e ergueu o queixo. - Não estou aqui confrontando, estou aqui conversando.

diretor já foi avisado dessa

- Defina “confrontar”. - Sarah zombou e eu sorri.

- É

- Defina “definir”. - disse com uma risada.

- É

- ela começou e eu interrompi.

É

Vocês vão ver só com a Jéssi!! Hmm, cabeça de

menstruação! - ela saiu batendo os saltos e eu rolei os olhos.

- Quanto drama. - a voz de alguém disse. Não alguém, Yian. Virei-me para ele para encontra-lo ao lado do demônio.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Não acha Ellen? Meus olhos se fecharam em fendas e eu me recusei responder, mesmo com nossos espectadores, que faziam uma espécie de semi- círculo agora, ficando quietos para ouvir o que eu falaria. - Te vejo mais tarde Sarah. - murmurei para ela e saí de lá.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 6 - Verdades

Assim que cheguei perto da casa de Sarah já me enfiei no mato. Se sua mãe soubesse que nós estávamos manifestando em época proibida Bem, de um modo curto e grosso, nós estaríamos fodidas. A mata cheirava fortemente a folhas esmagadas, terra molhada, resquícios de fumaça de uma queimada e a animais selvagens. Tirando os animais, era um cheiro bom. Tirando os insetos eu poderia ficar ali por um tempo. Havia uma mosca zumbindo em algum lugar perto de mais para o

vento trazer seu barulho, havia um grupo de alces pastando perto do riacho que cortava ao lado da clareira onde estava me aproximando, e não havia sinal algum de que Sarah tinha chegado. Viúvas negras tinham um cheiro específico de sedução. Os vampiros vieram dos anjos caídos, mas poderiam muito bem terem vindo das fadas. Uma vez que as Viúvas tem a pele pálida como papel, uma aparência espectacular, um cheiro doce e feito para agarrar sua atenção, os olhos expressavam sempre aquilo que você esperava ver, tinham o corpo de uma super modelo e tinham veneno.

A única diferença era que o veneno ficava nas unhas ou na língua,

e não precisavam viver de sangue humano.

Apesar de que um dos seus alimentos era o sexo, mas quem está

contando?

E sobre a força e velocidade, bem, quem não é mais forte e rápido

que meros humanos? Nossa pele repele balas e facadas, então sim, nós somos um pouco superiores. Claro, há o ferro, mas essa é outra história.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

O chão da floresta começou a mudar sobre meus pés, invés de

terroso agora haviam pedras esbranquiçadas contra meus pés, as pedras do rio para ser mais específica. Estava perto da clareira.

O cheiro dos animais herbívoros era mais forte, e era um cheiro

terrível, o rio mascarava-o ligeiramente com o cheiro de água límpida e doce, o cheiro de folhas esmagadas e fotossíntese foi aumentando, quase chegando ao ponto do insuportável. Mas o cheiro de viúva negra, doce e apimentado, distraiu meus sentidos por um momento. Sarah estava lá. Ótimo. Apressei meus passos para completar o metro que faltava e assim que entrei na clareira o sol feriu meus olhos e os alces correram para longe. Sarah estava parada com seu brilho natural, usando calças de

linho negras e a camisa de seda das fadas. Eu usava minhas calças

de linho rosadas e a blusa branca de seda das fadas, como ela. Era

a melhor roupa para manifestar. Tirei os sapatos e os levei na mão comigo, ela abrindo um grande sorriso quando me viu chegar, suas mãos se torcendo ansiosamente. Ela tinha os cabelos negros e lisos soltos e não havia um pingo de maquiagem no seu rosto, apenas o brilho de sua pele branca, o vermelho dos seus lábios e seus olhos negros. - Pronta? - ela disse, mordendo os lábios e os deixando mais inchados. - Sim, só um minuto. - Meu estômago foi se torcendo de excitação e ansiosidade enquanto eu largava o sapato do lado de um tronco de madeira caído que nós usávamos de banco. Posicionei-me do lado dela e ela agarrou meu antebraço enfiando as unhas profundamente na pele.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Devo dizer, o modo que as viúvas usam pra falar “eu te amo” está deixando hematomas de mais pelo meu corpo. Ainda mais quando, por uma razão misteriosa, eu não morria com seu veneno. - Pronta. - murmurei e ela fez um ruído de excitação. Respirando fundo senti minhas barreiras mentais caírem lentamente, meus ombros relaxarem e um frio invernal gelar minhas veias. Minha respiração ficou irregular quando minha pele começou a puxar sobre meus ossos, meu rosto esticar, minhas orelhas mudarem e meus olhos arderem. Um terrível barulho de rasgar libertou meu poder em sua totalidade, e a forte queimação nas minhas costas fez as asas do vento correrem livres. Os ossos quebraram em terríveis sons, e se movimentaram para alongar e dar forma. Meus pés levantaram do chão por alguns centímetros enquanto a roupa de linho ia se ajustando contra a minha forma de fada. Durou apenas alguns segundos, meus pés estavam no chão e toda a dor se foi. Meu coração era um batimento fraco e regular, apenas bombeando o sangue das fadas pela minha veia, sem mais humaniza-lo. Abri os olhos sem o sol feri-los, tudo estava mil vezes mais claro e os cheiros mil vezes mais aguçados, meus cabelos se mexiam pela brisa invisível que batia contra minha pele, pele esta que havia se tornado uma cor de creme tão clara que podia ser definida como “cor dos ventos”, ou “cor de nada”. Quando abri meus olhos totalmente senti os cílios rasparem contra minhas sobrancelhas, os dentes ligeiramente mais afiados ameaçando cortar minha língua, meus cabelos roçavam a metade das costas numa cor inimaginável, onde vários tons de vermelho formavam uma espécie de vinho escuro e cereja. Coloquei minhas mãos na frente dos

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

meus novos olhos e as vi brancas, dedos cumpridos e veias roxas,

as

unhas estavam maiores e tinham o tom do inverno.

O

linho moldava o corpo de fada, se você não sabe o corpo de fada

tem que ser escondido, por que, assim como o canto da sereia, é demais para os seres humanos. Curvas profundas, os seios

erguidos e redondos, as pernas longas e perfeitas

arredondados e um pescoço elegante

apaixonaria por uma fada transformada, por isso só era permitido para as fadas se manifestarem nos solstícios de inverno e verão. Virei-me para o lado para ver minha amiga que me admirava com um ligeiro sorriso. Viúvas negras eram lindas. Sua pele pálida era agora branca e uniforme, os olhos de um completo negro brilhosos, as bochechas rosadas e os lábios suculentos e vermelhos, seus cabelos negros caíam brilhosos e sem se mover ao lado do seu rosto. Suas orelhas se sobressaiam pelas laterais e a franja quase cobria seus olhos. A roupa de linho ajustou no seu corpo, a blusa negra transparente revelava seus seios cremosos e um grande decote revelava a pele deste, a calça

Toda e qualquer espécie se

Ombros

havia se apertado contra suas longas pernas, revelando tanta carne quando era possível sem deixa-la nua de vez. Suas unhas eram longas e possuíam o mesmo tom brilhoso, porém sem vida, dos seus cabelos. Ela sorriu para mim revelando dentes pontudos e uma língua rosa bifurcada. Sorri de volta. Era muito bom estar manifestada. - Eu trouxe um espelho. - ela disse depois de uns momentos.

- murmurei de volta e assisti-a se afastar para pega-lo na

- Oh

bolsa jogada no chão.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Olhei diretamente para o sol durante um minuto, assistindo a

grande bola de fogo e suas erupções. Bocejei e me estiquei de leve, sentindo meus pés deixarem o chão.

- Sierra reclamou e eu ri um pouco. Era

muito bom estar manifestada. As asas dos ventos eram ramificações tão finas que eram quase invisíveis, só te permitia percebe-las quando estavam nas suas costas. - É a melhor coisa do mundo. - afirmei e peguei o espelho que ela oferecia. - Mas melhor que voar, é voar pelada. Faz cóssegas. Sierra gargalhou, sua língua caindo para fora da boca quando fazia. Viúvas negras ganhavam o nome por causa da aranha, mas tinham muitas características das cobras. Como as escamas nos antebraços. Peguei o espelho e observei o reflexo. Um anjo de olhos negros me olhava de volta. Meus cabelos estavam num tom de vermelho rosado, meus lábios estavam inchados e avermelhados, minhas bochechas mais proeminentes e também rosas, os cílios, tão negros quanto os olhos, seguiam até as sobrancelhas arqueadas. Marcas, ou tatuagens se você preferir, saíam das minhas sobrancelhas, seguiam até minhas têmporas e desciam para as minhas bochechas no tom da noite e do sangue. Meus cabelos eram de um ondulado estranho e natural e se sacudiam para longe da tiara trançada com fios de prata, a qual eu havia ganhado alguns anos atrás, e ela sempre aparecia quando me manifestava, a qual tirava os cabelos e revelava minhas orelhas pontudas e cheias de brincos. A tatuagem descia pelo meu pescoço apenas do lado direito, enchendo de padrões as vezes grosseiros as vezes tão delicados que uma fada floral poderia ter levado anos para desenha-los. Estes desciam pelo meu braço e cintura, agarrando meu seio

- Adoraria poder voar

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

direito com os galhos e se estendendo até meu umbigo, também se perdendo pelas costas até terminar pouco depois das nádegas. Eu me lembrava disso. A blusa branca havia continuado larga, mas também transparente exibindo a tatuagem e meus seios. A calça havia se transformado

numa saia até os pés, a saia da realeza, também transparente apesar de começar realmente a se tornar quase nada mais que pele a partir de uns cinco dedos depois da virilha.

- Parece que sua manifestação está cada vez mais aperfeiçoada. - Sierra disse com um sorrisinho.

- Pois é. É muita informação na minha opinião, mas não é como se eu pudesse mudar minha forma física.

E como eu estou? - ela disse com um

- Bem, está ótimo para mim

giro e um sorriso.

- Linda, e pornográfica. - zombei e ela riu.

- Normal. - ela zombou também.

Flutuei até o tronco cheio de musgo que nós usávamos de banco.

- Me conte tudo. - exigi enquanto me sentava de pernas cruzadas.

- Uh

- ela resmungou e rebolou até o meu lado se jogando de um

modo não desleixado e super sedutor.

Ela ficou em silêncio por um momento estudando a vida das formigas que caminhavam pela terra enfrentando diversos desafios, como pedras ou besouros.

- Desenvolva o seu “uh”. - disse impaciente.

- Ok

- Sierra! - reclamei e ela rolou os olhos.

- Eu estou tentando formular a droga da frase Ylla.

Bem

É

Meu pé passou a se balançar ansiosamente, formando pequenos rodamoinhos de vento ao seu redor.

- Hm

Ok, vou ser curta e grossa. Yian é o meu problema.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Isso é obvio, mas o que ele fez pra você?

- Óbvio? - seu rosto de querubim se enrugou ligeiramente, mostrando confusão.

- Sim, continue, por favor. - disse com elegância, apesar de estar perdendo a paciência.

- Aparentemente ninguém te explicou, mas cada faery real tem um guardião. Como você sabe, toda faery tem um companheiro atribuído, seja por dinheiro ou o que for, a faery é ligada a ele. Eu, como sua guardiã, devo te proteger de namorados humanos

para não infectar seu sangue faery, e cuidar de você até a idade de dezoito anos.

- Não estou entendendo

- Calma. Eu devo te manter pura e preparada até a designação real. A designação é uma cerimonia feita somente para os príncipes e princesas, onde cada um conhecerá o escolhido para cerimonia real.

- Você está dizendo que

- Sh. - ela me calou. - Deixe-me terminar. Até a designação os companheiros não devem se conhecer, e logo que as apresentações são feitas a futura rainha é mandada para a escola de princesas. The Royal Art School. Onde será treinada para ser uma rainha junto com faerys e outras espécies que estão no topo da cadeia alimentar. A escola pra meninos se chama “Drive- Kings”, fazendo piada com “drive-tru”, pois não se precisa muito para se tornar um bom rei, uma vez que a rainha é a verdadeira

Bem, Yian é o meu chefe, como você sabe, mas o

chefe dele é o Rei dos ares, o Rei Charles. Sabe, seu avô e tudo o mais. O seu avô me designou pra você, e

- murmurei

- Yian não está cumprindo a parte dele no acordo num fio de voz.

Gabriella Izzo felicio

em comando

For Blood And Eyes

Então era daquilo que se tratava seu estresse. Ela não sabia o que fazer, se obedecia seu rei ou seu superior. Yian era meu parceiro.

Eu deveria seguir à cerimonia com ele

- A escola de princesas dura cinco anos, e assim que você a termina você e seu príncipe tem um mês para se tornarem fadas de verdade

- O que? - interrompi-a assustada.

- São as fadas, meu amor. - ela disse com pesar e segurou minhas

mãos. - Nós somos ligadas a partir do sexo, e com o sexo que nós nos temos plenamente. Você não é uma fada ainda Ylla, você é uma adolescente com poderes revoltados. Você é uma das únicas na família do ar que não tem domínio apenas sobre os ventos, e sim sobre tudo o que o ar engloba. Yian é tão raro quanto você.

Uma ligação assim

Quer dizer que eu não iria conhece-lo ou saber sobre

isso até daqui três meses, quando eu seria pega no meio da noite, retirada da escola e jogada numa designidação “quebra-gelo”, depois posta numa escola mágica para princesas no Canadá ou na Irlanda, onde ficarei cinco anos sem contato com o meu “parceiro”, para, quando finaliza-la, ser jogada num quarto de hotel com este e ser mandada “procriar” durante um maldito mês?

- Estas são as fadas Ylla, você não deve se acostumar com o sistema humano, você ainda é fada.

- Então

Mas

Requer uma longa data pré-nupcial.

- Meio fada. - resmunguei.

- Não existe meio-fada ou meio-vampiro ou meio-lobisomem, meio-monstro do lago Ness, ou meio-escosses no mundo sobrenatural. Existem inteiros. Seu pai era a designação da sua mãe, o oráculo fez isso, por isso você é tão poderosa. Eles tinham o verdadeiro amor, a linha mais azul da história. Você vai se unir

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

ao Yian com o poder das linhas de sangue e do negro dos olhos Faery, com promessas de um novo herói a se seguir da sua “procriação”. Os pais dele também foram linhas azuis, apesar de mais pálida do que a dos seus.

- Sierra você entende os absurdos que está falando? - disse, ainda amortecida. - Você usou a palavra “procriar”, como se eu fosse uma vaca!

Mas eu já disse o suficiente por um

- Você a usou primeiro Ylla dia.

- Sim, você o fez. - resmunguei. - Apenas disse que eu vou me unir para a eternidade com um cara que eu não conheço e ainda ter que perder a maldita virgindade com ele e que todos tem

Ah, eu vou ter que ter um filho com

ele. Não, você não disse muito por um dia. - zombei acidamente e ela suspirou.

- Nós devemos des-manifestar. Está escurecendo e logo os lobos vão rondar por aqui. Apenas o nosso cheiro já vai enlouquece- los.

- Espero que eles me devorem e acabem com meu sofrimento. - resmunguei e ela me deu um tapa, o que me fez erguer os olhos para os seus. Piscinas negras me olharam com irritação.

- Você sabe exatamente o que aconteceria antes de você morrer, não seja idiota. Venha, vamos nos des-manifestar. Ela me puxou e eu flutuei atrás dela com um bufar. Ela soltou minhas mãos assim que nós estávamos num ponto longe do banco de madeira. Vi-a fechar os olhos e respirar fundo antes de imita-la. Os olhos arderam novamente, a pele puxou sobre os ossos e estes se quebraram e recolocaram. Apenas fadas formadas tinham o glamour, que era quando escondiam sua aparência com mágica não com a transformação tão dolorosa quanto a de um lobisomem. O

Gabriella Izzo felicio

expectativas para tal casal

For Blood And Eyes

coração disparou e eu senti minha pele esquentar novamente, meus cabelos caíram nos meus olhos e nos meus ombros. Abri os olhos para um dia muito mais escuro e disforme que o outro. Não precisava olhar para baixo para saber que minhas roupas também tinham voltado ao normal, e que minha forma não era tão irresistível quanto a anterior. - Vamos. - Sarah, muito menos charmosa e sedutora do que era segundos atrás, me puxou pela mão. Segui-a muito mais desanimada.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 7 - Espelhos

Meu sonho começou assim. Uma sala com reflexão absoluta. Espelhos por toda parte. Cada um revelando uma parte da história. Alguns a história humana, alguns a

história Faarica. Outros o passado, outros o presente, outros o futuro.

O chão era feito de névoa, névoa colorida, espessa, suave. Fazia carícias

e dava um bom espetáculo. Roxo. Azul. Preto. Amarelo. Rosa. As cores das ligações. Sendo o roxo e o preto aqueles que reinavam.

Pus meus olhos num espelho feito de marfim. Tão negro e opaco quanto

os cabelos de Sierra, onde mostrava um pedaço da guerra entre Fadas do

reino do fogo contra Fadas do reino da água. Terrenos congelados. Vulcões em erupção. Acabando com o equilíbrio do mundo. Moldando-o para a próxima fase. Os humanos. Desviei os olhos para outro espelho, este era um azul celeste tão claro que tinha até nuvens vagando por sua moldura. Este mostrava bebês, vários bebês, mas dois também imperavam. Um bebê com duas tatuagens acima das sobrancelhas, olhos negros característicos e expressivos. O outro era um bebê gordinho que parecia ter nascido já com dois anos humanos, uma cabeleira esbranquiçada se espalhava pela sua cabeça, seus cílios negros competiam com os olhos. Olhavam com inocência. Ele também tinha tatuagens. Sabia que era um ele pois estava nu, sabia que era ela pois também estava nua. Fadas tampouco nascem vestidas.Tampouco vivem com muita roupa. As tatuagens dele eram diferentes. Padrões sumiam e reapareciam nos seus ombros, revelando seu propósito. Uma dominadora do ar. Um dominador do tempo. Ambos banhados em sangue real. Ambos banhados em sangue e pronto. Nascidos e amados por seus pais. Um par de braços brancos e delicados ergueram a menina e esta resmungou antes de abocanhar o seio da sua mãe, faminta. Mas sua mãe era uma fada, fadas não amamentam.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Mesmo assim a mãe acariciou a cabeça da garotinha até ela se acalmar e tocou no seu nariz com a ponta da unha vermelha, dando-lhe a magia necessária para o dia que seguiria.

A

garota se aquietou.

O

garoto foi pego por braços masculinos, e recebeu um longo beijo na

face, sendo acariciado e tendo a magia transmitida para ele. Porém ele não parou de chorar. Era magia materna que ele precisava. Mas ele não tinha mãe.

Desviei os olhos novamente, seguindo para o grande espelho no centro do salão. Mármore roxo, assim como era o chão da sala do rei. Assim como era o sangue das fadas. Ali refletia minha mãe e meu pai, piscava e ali refletia Thiaf Ekstürb, piscava e refletia o acordo sendo selado com o sangue dos pais, o compromisso. Piscava e então refletia Yian. Piscava e então refletia-me. Piscava novamente. E refletia nada. O espelho rachou e todos fizeram juntos. Uma voz imponente gritou através das paredes espelhadas, o chão de névoa se tornou nada.

E no nada eu caí.

Caí para outra sala. Esta era totalmente opaca. Havia um garoto no meio. Cabelos brancos, sorriso branco. Vi-o se

aproximar sentindo-me como se mil aranhas passeassem na minha pele. Elétrica, ansiosa, o estômago dando voltas.

O rapaz se aproximou e pegou as minhas mãos.

A cena mudou.

Estava no meio de uma guerra. Então mudou novamente. Agora era um berçário.

E

mudou.

E

mudou.

E

mudou.

Estava passeando pelos espelhos. Histórias. Realizações. Feitos. Futuro. Presente. Passado. Realidade. Fantasia. Mundo humano. Mundo Faarico. Mundo humano. Mundo humano.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 8 - Dia incomum

Acordei com o despertador e dei um salto, respirando pesadamente. Bati no despertador sentindo uma dor de cabeça me alcançar. Sexta-feira. Gemendo saí da cama sem me espreguiçar, apesar de Lucy tê-lo feito. Não era um bom dia. Ainda de olhos fechados tateei pela maçaneta e saí do quarto. Achei o banheiro as cegas e fiz o que tinha que fazer. Me aliviei, escovei os dentes, bocejando uma ou duas vezes, penteei o cabelo, passei desodorante e saí. A caminho do quarto, com um bocejo ou dois, escutei vozes. Ignorei quando ouvi “oh Lucy” e entrei no meu quarto. Abri os olhos e me olhei no espelho. Quase não percebi o pequeno bilhete roxo preso na moldura. Caminhei até lá como um zumbi e agarrei o bilhete nos dedos, abrindo-o lentamente. - “Sonhos estranhos? Prepare-se.” - li em voz alta e franzi o cenho. Sonhos estranhos? Não me lembrava de ter sonhado esta noite. O que me incomodava era quem havia entrado ali, e como. Apostava meu dinheiro em Ethan, já que ele era um transporter. Ainda incomodada pus-me em jeans brancas que ficavam um pouco justas, uma blusa de manga cumprida negra, que ficava enorme em mim, e os coturnos de sempre, esfolados e desbotados. Estava ventando, então coloquei uma jaqueta preta e cinza por cima da blusa e, já que meus cabelos estavam amarrotados, prendi- os num coque no alto da cabeça. Passei o gloss e ignorei as olheiras antes de sair. Peguei a bolsa e desci as escadas aos pulos.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

As vozes anunciavam que o dia começara, e o tilintar de canecas nos seus suportes avisavam sobre a clientela.

Alcancei o piso inferior pouco antes de Lucy, tendo ela nos meus calcanhares. Acariciei sua cabeça e abri a porta para ela.

- Bom dia Ellen.

- Bom dia Rachel. - disse para ela com o mau-humor evidente na minha voz. - Bom dia Sr. Wyse, Sr. Joan.

- Bom dia Srta. Jones.

- Bom dia Ellen. - uma voz inesperada disse. Ajeitei a coluna e me virei lentamente. Ethan me esperava ali com os cabelos cortados numa espécie

quase militar, os olhos brilhando com ironia e prazer, os lábios rasgados num sorriso maroto e malicioso.

O corte conseguira deixa-lo mais sexy que antes. Ou talvez fosse a

blusa cinza ajustada que usava, ou talvez a calça negra.

O que fosse, fez meu coração saltar para a boca.

Oh sim, lembrei o que era.

O fato de que ele era meu “companheiro”.

Limpei a garganta e segui para a sua mesa, onde ele sentava com uma graça propositalmente desleixada.

Sentei-me na sua frente, cruzei as pernas e ergui uma sobrancelha como pergunta.

- Também é um bom dia pra mim. Como você está essa manhã? - ele ironizou e eu bufei em desprezo.

- Vamos pular as convenções sociais. O que você está fazendo aqui e o que aquele maldito bilhete queria dizer?

- Bilhete? - seu sorriso mudou, afrochou, e seus olhos se apertaram. - O que ele dizia?

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Pare de encenar! - disse irritada. TPM faarica. Sempre acontecia no outono, que era quando as folhas mudavam, e assim faziam nossos hormônios.

- Outono, será que eu sou idiota? - ele murmurou para si mesmo.

- Eu ouvi isso. - disse ressentida.

- Ok. - ele rolou os olhos. - Bem, eu recebi um bilhete também. - ele se remexeu na cadeira e tirou um papel roxo, como o meu, dobrado e me passou. “Magia. Sonhos. Comprometimento. Já está com medo?” Devolvi-lhe e fiquei olhando para seu rosto durante um momento. Os olhos eram sérios e a boca estava contraída numa linha fina. Era sério então.

- O meu está lá em cima. Dizia “Sonhos estranhos? Prepare-se”, mas eu não me lembro de ter sonhado. E tampouco há alguém

que possa entrar no meu quarto sem autorização, foi encantado enquanto eu ainda era um bebê.

- Quem tanto tem permissão de entrar no seu quarto?

- Hm

Sarah e meu pai, eu acho.

Ele ficou me olhando durante um momento com as sobrancelhas baixas sobre os olhos e estes entrecerrados num olhar sério.

- Apenas os dois?

- Se estiver preocupado sobre minha “pureza” saiba que eu tive uma guardiã muito competente. Até de mais para o meu gosto. - resmunguei e o rosto dele brilhou num sorriso. Ele se inclinou na cadeira e desfez o cruzar dos meus braços, entrelaçando seus dedos nos meus. O formigar dos nossos poderes se unindo foi reconfortante e eu senti-me relaxar ligeiramente contra a cadeira. Era isso que ligação de sangue significava?

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Não estou preocupado com nada disso. - ele disse com o sorriso

maroto. - Fico feliz que sua amiga tenha decidido te revelar, pelo menos me poupou o trabalho de convence-la disso. Seu polegar fez círculos suaves sobre minha pele.

- E sobre os bilhetes? - murmurei com a voz rouca.

- Bem, eu já tenho por onde começar. Quem enfeitiçou o quarto?

- Minha mãe. - havia um toque de tristeza na minha voz.

Ele apertou minha mão de leve. Ele me entendia, ele também fora separado da sua mãe. Peraí? Como eu sei disso?

- Precisa de carona para a escola? - Sua voz me distraiu.

Virei-me para olhar o relógio, e encontrei os senhores e Rachel nos encarando. Provavelmente a cidade toda saberia da conversa sussurrada e as mãos entrelaçadas. Merda.

- Bem, eu já perdi o ônibus mesmo. - resmunguei e me virei para vê-lo sorrindo. Separou nossas mãos e levantou. Senti o formigar se romper e algo pareceu murchar ligeiramente. Hã? Mas não pude formular um pensamento, já que ele tinha uma mão no meu cotovelo e me ajudava a levantar. Com pensamentos confusos nós saímos para a rua, ele estava segurando minha mão novamente enquanto caminhávamos para seu carro. Demorou alguns segundos para me ligar que ele se dirigia para um BMW X1 negro. Oh, deus.

***

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Acho que estamos sendo vigiadas. - Sarah murmurou durante a aula de História da Arte, que era o quinto período. Tínhamos o terceiro, o quarto e o quinto juntas.

- Hã? - murmurei de volta e ela rolou os olhos e voltou a olhar ao redor com os olhos entrecerrados.

- Sinto que alguém tem olhos em nós. E tenho a sensação que não é de agora. A todo momento desde esta manhã, que você chegou com Ethan naquele carrão, há alguém de olho em você.

- murmurei começando a ficar assustada. Se

- Se você diz

estivesse manifestada provavelmente algumas brisas estariam derrubando folhas por aí.

- Fique atenta a qualquer coisa suspeita ou pessoa suspeita.

Afundei-me na carteira e passei a observar os alunos da sala. Havia um emo que escrevia furiosamente no seu caderno, um maconheiro estava olhando fixamente para a parede branca, outro estava olhando o professor e rindo baixinho, havia uma nerd esquisita que roía unhas sem parar enquanto olhava pela janela O professor virou música de fundo enquanto me enterrava mais no meu medo. Eu havia sentido isso também, desde que eu havia saído da cafeteria com Yian. Virei meus olhos novamente e encontrei Andy cabelos de Trigo, acenando para mim de um modo discreto. Minhas sobrancelhas se juntaram e eu fiz “o que?” com meus lábios. Ele jogou um bilhete na minha direção quando o professor se virou. Desamassei-o imediatamente e inclinei um pouco o livro para esconde-lo. Lá dizia: “O que há entre você e Ethan? Consegui convites para nós amanhã, nos falamos depois da aula.”

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Levantei o olhar para ele, mas ele já estava virado para a frente novamente. Virei-me para Sarah e ela me olhou com um grande ponto de interrogação na sua testa. Assim que o professor foi pegar algo na sua mesa eu passei um bilhete para ela. “Festa do Noah, ele me convidou. Rotina.” - estava escrito. Andy fora um “acidente proposital”, o primeiro cara que eu saí. Acho que Sarah havia decidido que era bom que eu tivesse um pouco de experiência com beijos antes do ato final. Nós havíamos ido passar um fim de semana com ele e alguns amigos dele que ela conhecia no verão, e nós acabamos ficando na sua cabana, quase uma noite inteira juntos, beijos abraços e murmúrios. Ele se apaixonou, eu não. Foi o fim daquilo pra mim, não o vi até o primeiro dia de aula, mas ele agora ficava insistindo nessa história de “nós”, mas não havia nós nenhum. O sinal tocou me despertando da minha viagem. Levantei-me e peguei meu material. O meu livro caiu e um bilhete roxo caiu de dentro dele. Com o cenho franzido eu puxei-o para fora. “Com medo agora? Aviso de amiga - Corra.” Fechei a mão sobre o bilhete e enfiei-o no bolso da calça. Virei-me para ver se Sarah havia percebido. Graças a deus ela estava ocupada de mais observando a bunda do destruidor da história Faarica em Greenville. Aquela casa que iria ser reformada tinha magia nas suas paredes. Quando esta começasse a ter suas paredes substituídas a magia migraria de volta para o mundo das fadas, o que resultaria para nós ficar sem uma recarga de poder mágico além do muito usado GreenPark, uma vez lar da flora Faery que agora fora substituída

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

por plantas humanas mais comuns, como arbustos verdes e não azuis.

Assisti Andy sair da sala olhando para mim e sorrindo e vi James retribuindo o olhar de apreciação da minha amiga com uma secada merecedora do Oscar. Ergui minhas sobrancelhas enquanto observava-a corar ligeiramente enquanto ele saía.

- Ok, o que foi isso? - eu exigi colocando a bolsa pendurada no meu ombro.

- Vem. - ela disse e me puxou pelo braço até o lado de fora da sala, mas ela não pode me contar por que Andy me esperava ali.

- Podemos conversar? - ele disse antes que ela dissesse uma segunda palavra.

- Te conto no almoço. - ela disse antes de se afastar com rapidez. Bufei de irritação e olhei para Andy como se quisesse bater a cabeça dele na parede até esta se separar do pescoço.

O que

- Uh

Hm

Eu consegui convencer Noah a nos convidar

Alguma coisa?

há com você e Ethan Eks

- Andy, eu já estou cansada disso. - disse alcançando meu limite. - Não há nós. Há eu, e há você. E o que acontece ou deixa de acontecer entre eu e outra pessoa não chega a ser nem minimamente da sua conta. - a irritação era evidente na minha voz, e admito que fui muito brusca, mas das outras vezes que tentara desencoraja-lo mais docilmente não funcionaram, e agora eu já estava de saco-cheio. Saí sem deixa-lo dizer mais nada e andei em direção a cafeteria. As pessoas olhavam e me cumprimentavam agora, mas eu as ignorava. Interesseiros. Apenas por que achavam que eu estava namorando com Yian já corriam para minhas graças. Idiotas.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Batendos os pés, eu entrei na cafeteria, que já estava cheia. Era onze e quarenta, nós tínhamos meia hora de almoço e depois as aulas seguiriam até as duas. Achei Sarah na fila segurando sua bandeja e arrastando a minha. Ela sempre fez isso. Segui até ela estudando seu comportamento hoje. Hoje ela estava com meias arrastão negras e com um vestido de mangas cumpridas preto, colado e com um decote generoso. Saltos de boneca, com um salto enorme na frente e outro salto grosso e enorme atrás, negros para completar o visual gótico “boneca assassina” como Jéssica se referia a ela. O seu cheiro de viúva negra estava realçado hoje, um perfume provocante, por isso vários olhares de interesse estavam voltados para ela. Alcancei-a ficando ofuscada por sua roupa muito mais reveladora que a minha. Até gostei disso.

- Obrigada. - disse com certo alivio, já que assim eu matei metade da fila.

- Peguei Pizza vegetariana e coca. - ela disse enquanto passava a bandeja para mim.

- Valeu. Você pode falar agora?

- Te falo na mesa. Vai pegar mais alguma coisa?

- Sim, uma salada.

- Eu vou pegar um cachorro quente. - ela murmurou como se fosse um segredo. Ergui uma sobrancelha e sorri. Andamos quietas até o fim da fila, quando eu já tinha minha salada e ela já tinha o seu cachorro quente. Aquela sensação de ser observada me atacou e eu olhei para a porta. Havia a sombra, mas não tinha ninguém ali. Droga. Virei-me para Sarah e me aproximei.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Discretamente, olhe para a porta. - murmurei.

Ela passou o braço pelo meu pescoço como num meio-abraço e encaixou a cabeça no meu ombro. Senti-a enrijecer contra mim e ajudei-a segurar a sua bandeja.

- Espião real. Provavelmente um novato, já que ainda tem sombra.

Isso não é boa notícia. Onde está Yian? - ela murmurou antes de se afastar. Fingi bocejar e coloquei a mão em frente a boca enquanto sussurrava:

- Tem o segundo horário de almoço.

Ela fez joinha com a mão e nós avançamos para o caixa. Dei para a mulher dez reais enquanto Sarah lhe deu quinze e ela lhe devolveu três. Nós seguimos para uma mesa desocupada encostadas a parede que nos deixaria de cara para o salão. Sentamos nas cadeiras contra a parede.

- Enfim, tensão a parte, me conte. - murmurei assim que decidi relaxar.

Ele não é um vampiro no final das contas. - ela murmurou

- Uh

com a decência de corar ligeiramente. - Ele é um Shadow.

- Uau

- disse com aprovação e a cutuquei com o cotovelo.

Shadow. Tradução: Sombra. Eram raros na população Faarica, e apenas um na família o era. Os comuns eram chamados de Shade, apenas os guerreiros eram chamados de Shadow. São usados em batalha e obtenção de informações já que se transformam numa

espécie de neblina que pode atravessar paredes ou matar pessoas. Ela corou mais um pouco e eu sorri.

- Acha que um Shade está por trás da sombra? - murmurei através dos dentes.

- Pode ser

Pode ser a irmã dele, ela é uma Shade.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Como? - disse com o cenho franzido. Mordi a pizza morna e emborrachada.

- São filhos do mesmo pai. - ela deu de ombros - De mães diferentes.

- Como você sabe de tudo isso? - disse depois de engolir. Ela deu de ombros novamente. Bem, novidades, novidades, novidades. Quando uma Viúva localizava um alvo toda a informação

necessária enchia seu cérebro. Geralmente o alvo de uma Viúva

morria, ou

Yamei Calarrame. James Calamarre. Esse James?

Era seu companheiro.

- Qual é o sobrenome dele?

- Calamarre. - ela murmurou de boca cheia.

Minha boca fez um “oh” e meus olhos se encheram de lágrimas. Agarrei seu antebraço entre as mãos e enterrei as unhas neste antes de murmurar:

- Sarah eu vi no livro de ligações da minha mãe, seu nome ligado ao de James. - minha voz não passava de um fio.

Ela engasgou com o cachorro quente e eu bati nas suas costas para passar. Agora os olhos dela estavam cheios de lágrima por engasgar, e seu rosto estava mais vermelho que um pimentão.

- Qu-que?

Abri a boca para explicar um pouco mais, porém uma movimentação do ar muito próxima da nossa mesa fez-me parar. Ergui o olhar para Jéssica, Jae e Anna. As três usavam terninhos azul-marinho e uma saia palito vermelho. Todas com batom vermelho e rímel, porém este ficava melhor em Jéssica, uma vez que o tom de Anna era azul e de Jae o rosa.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- O que há entre você e Ekstürb? - a voz nasal e enjoativa encheu meus ouvidos com um tom enciumado que fez meu sangue ferver. Sarah pareceu se recuperar do choque e ergueu o olhar para as

três “pattys”. Outro dia Anna reclamou da roupa de Sarah, mas sua saia estava tão curta quanto, se não mais.

- Algo que não é da sua conta. - Sarah respondeu com um tom venenoso. Era um aviso, não sei se para mim ou para elas, mas, apesar de ter se recuperado do choque inicial, ela estava descontrolada. Pus uma mão no seu antebraço para segura-la no lugar. Deixe-me lutar as minhas batalhas, foi o aviso silêncioso. Ergui-me na minha cadeira com um sorriso crescendo na lateral da minha boca e uma sobrancelha se arqueando levemente. OH SIM eu iria zoar dela até a morte.

- Coisas muito além do seu interesse ou do interesse das suas amiguinhas. - pisquei lentamente, absorvendo seus rostos se transformarem de leve irritação a puta-da-vida. Elas pegaram o pequeno duplo sentido que havia jogado na frase, me surpreenderam, uma vez que eu achei que seriam muito burras para isso.

- O que você quer dizer com isso? - A voz de Jae era desafiadora, como se ela não acreditasse que eu diria aquilo alto suficiente para todos ouvirem.

- Apesar de você ter entendido muito bem, eu faço o favor de repetir para seu cérebro de rato. - pequenos comentários entre elas explodiram enquanto eu falava - Eu tenho Ethan, vocês não.

- E será que ele sabe disso? - uma voz masculina zombadora disse. Yian estava logo atrás das meninas super poderosas com as mãos no bolso e um sorriso malicioso.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Paralisei. Esse não era o intervalo dele, então o que ele estava fazendo aqui? Alguns metros atrás dele estava o demônio, com uma cara que podia ser definida como “a do próprio capeta”. Droga. Droga. Droga.

O encontro!

- murmurei baixinho. Sarah levantou com unhas e

dentes desarmados e pronta para arrancar a cabeça de alguém, literalmente. E esse era o problema.

- mordi a

língua quando várias pessoas se viraram para olha-lo, inclusive uma expressão de surpresa passou pelo rosto de Yian. - Sarah. - a voz rouca de Yian foi ouvida sobre as outras, com

poder nela. Provavelmente ele, como superior na guarda, iria dar uma boa bronca na Sarah, uma vez que meu tom foi como se eu tivesse traindo Mac, enquanto Sarah deveria me afastar de homens. Mas esse foi só o começo de toda confusão. Com a sua voz aumentada por magia outras características passaram a aparecer, havia uma tatuagem debaixo do olho esquerdo que começou a piscar. Depois esta passou a se estender pelo pescoço, no mesmo piscar. Então os cabelos dele começaram a mudar e a sua pele a tremeluzir, como se não soubesse em qual época estava.

O pior então aconteceu.

Os olhos.

- Merda

- Merda, Ahm

Eu meio que posso explicar Mac

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Negros e belos. Os cílios longos e anormais. As orelhas cresceram cumpridas e tocaram as laterais do seu crânio. O corpo começou a crescer, ele chegou a quase dois metros de altura com músculos definidos e finos. Era um deus. Assim como os romanos tinham os seus. Mas não, o meu dia tinha que só melhorar. A minha magia correspondeu a dele, que fez a de Sierra entrar em alerta e ela se manifestar, então a do seu Shadow também o fez, uma vez que eles eram ligados, como ele e a irmã dele possuíam o mesmo sangue, ela também se transformou. O caos e a desordem fez as outras faries escondidas se revelarem, umas humanas, outras nem tanto. Então, um por um, cada estudante sobrenatural do colégio GreenVille mostrou sua verdadeira face. Até aqui é apenas um desastre mundial. Mas havia um espião real. Então em questão de segundos, virou um desastre Bi-mundial. - Acalmem-se alunos do GreenVille High, a situação está sob- controle. - uma voz musical e sedutora, características das faaries, atingiu todos no salão. Apenas uma pessoa podia ser tão rápida assim. Eu sabia. Yian Sabia. Sierra sabia. Thieth Ekstürb.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 9 - Corrida pela vida

A situação após revelação foi muito rápida e confusa. Thiet era rápido, mas Yian também era, e ele não tinha vários humanos e faries para lidar. Sua decisão foi rápida e prática, sem obstáculos, uma vez que as três humanas que estavam no seu caminho saíram correndo e gritando com a nossa transformação. Sierra também fora rápida. - Tire ela daqui! - ela gritou enquanto saltava pela mesa e desembainhava a arma da guardiã. Um sabre negro feito do seu próprio veneno.

Então Yian se teletransportou para trás de mim, Thiet teve apenas

a oportunidade de ver ele fazê-lo. E logo estava feito.

Se ele tivesse antecipado seria uma coisa, mas como não fizera Devo dizer, ser teletransportada foi uma sensação quase tão boa

quanto voar, apenas adicionando que sua pele arde como o inferno

e o ar tem cheio de mofo.

Um momento curto estava ali, e então três segundos depois nós estávamos jogados no chão do meu quarto. - Pegue o necessário, muito rápido! Se sua guardiã conseguiu fazer um pequeno estrago com o veneno ele se atrasará dez segundos. - Yian gritou para mim me ajudando a levantar e a combater o jetlag do teleporte. Ele pegou uma mala grande preta de costas e começou a socar dentro coisas que ele achava útil e peças de roupa, como jeans, camisetas e um casaco, também as roupas de linho e seda. Foi para dentro da mala os livros e eu adicionei o iPod e meias.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Quando uma energia adicional começou a se formar no quarto, nós já tínhamos ido novamente. Dessa vez a viagem foi um pouco mais longa e úmida. E o cheiro de mofo apenas sendo aumentado. Caímos diretamente numa GreenVille do século XIX.

***

As ruas estavam encharcadas pela chuva torrencial que atingia o asfalto com vontade. Não tive tempo de me perguntar o que raios estava acontecendo, uma vez que ele me puxou para suas costas como se eu não pesasse mais que a gravidade, o que era verdade, uma vez que eu estava manifestada, e me levou correndo para o fim da rua, pondo-se a bater como um louco numa porta traseira. Uma senhora esbelta e baixa atendeu a porta, primeiro reclamando, mas aí reconheceu Yian, e nos puxou para dentro. Com a chuva sem cair e com um ambiente que cheirava a segurança deixei-me cair no chão com as mãos no estômago. No fim das contas viagens no tempo não eram nem um pouco divertidas. Yian não me seguiu para o chão, apesar de ele ter usado seu poder em nós dois. - Pobrezinha, primeira viagem? Da onde desta vez? Não reconheço suas vestimentas. - a mulher disse-lhe como se ele viesse uma vez por semana com uma mulher diferente. Bem, talvez viesse. Talvez era a ali que ele trazia todas as suas namoradas. Porco hipócrita. Eu poderia estar no meio da primavera aqui, mas meu organismo ainda estava no outono.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

O que significa para as fadas o mesmo de TPM para os humanos. Mas era apenas dois dias do outono. Um era esse, o outro poderia ser no final do mês.

- Infelizmente foi a causadora dessa viagem. - ele resmungou e eu ofeguei, levantando-me leve nos pés, flutuando alguns centímetros.

- Na verdade você começou a ficar todo nervosinho por coisa pouca e desencadeou o dominó de acontecimentos. - disse-lhe de volta.

- Sua guardiã não tomou conta de você direito. - ele respondeu rispidamente.

- Sua mãe não cuidou da tua cara direito. - disse de volta. O sangue ardendo de vergonha, ressentimento e ódio. Principalmente por xingar Sierra, e também pelas “outras meninas”.

- Woa, vamos acalmar os foliões aqui. Vou preparar um chá para vocês dois. Yian, enquanto preparo o chá, você poderia mostrar o quarto para essa bela dama? E depois siga para a cozinha, quero conversar com você. - a voz foi firme e doce. Quase musical. Quase faarica, mas não havia dúvidas que pertencia a uma humana. Yian acenou para a mulher e lhe deu um beijo na bochecha antes de me pegar pelo antebraço, ganhando um rosnar por isso, e me arrastar pelo primeiro andar até as escadas.

- Ei, me solta! Ai! Yian! - reclamei e gritei até ele começar a me arrastar pelos degraus e eu quase cair três vezes e bater o dedo mindinho. Virar fada era uma merda quando se perdia os sapatos. Eles reapareciam magicamente depois, mas mesmo assim.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Vai devagar! Quer que eu tropece e quebre o pescoço? - gritei para ele em fúria. Ele havia percebido há alguns momentos atrás as brisas que não deveriam estar lá. Logo haveria um tufão no meio do corredor. Os últimos degraus chegaram, - finalmente! - e eu pude relaxar sobre meus medos humanos, pois uma mísera escada não iria fazer nem um dano sequer ao meu corpo fary. Provavelmente ele faria dano a escada. Ele parou na primeira porta e escancarou a porta. Um quarto maior que meu apartamento se estendeu. Uma dóssel que dava três da minha cama no centro de uma plataforma, um armário no canto direito, ao lado da janela, uma lareira de pedras brancas com duas poltronas posicionadas à sua frente, uma penteadeira vazia do lado esquerdo, onde havia uma porta branca entreaberta revelando o que parecia ser o banheiro. Ele me soltou e eu levantei o olhar para encara-lo. Como farie eu deveria ter 1,80m, então ele ainda era uns 20cm mais alto que eu. - Vou esquentar a água para você tomar um banho. - ele tentou se afastar, mas eu agarrei seu antebraço com toda a força que eu conseguia. Ele virou para me olhar, desviou o olhar para o antebraço, e me olhou novamente. - Eu posso explicar tudo se você me der uma chance. - disse com súplica. Toda a raiva havia evaporado pela expressão refletida ali. Naqueles belos e transparentes olhos azuis. Havia traição. E dor. - Depois. - ele ergueu a mão e eu me encolhi contra a porta esperando o primeiro golpe. Que nunca veio. Seus dedos desceram levemente sobre a minha pele e ele a acariciou. Abri os olhos pelo ato de carinho. Seus olhos estavam nos meus e seus dedos desceram até minha mandíbula, o polegar roçou nos

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

lábios por alguns instantes. Um arrepio me percorreu. A magia

estava presente. Agora podia senti-la. Uma faísca elétrica que ligava meu corpo ao seu pelo roçar do seu dedo no meu lábio. Meus olhos foram para a sua boca. Senti-o se aproximar lentamente, quase inconscientemente. Como nós saímos de uma questão de ódio para uma de amor? O que raios estava acontecendo aqui?! Eu deveria para-lo antes que Senti sua respiração quente contra a minha boca e eu prendi a minha. Meus olhos se ergueram para os seus. Ele olhou para mim durante um instante e sua mão se deslizou para o meu longo pescoço. Um passo foi dado e nossos corpos estavam quase totalmente colados

- Yian? - uma voz gritou de lá de baixo das escadas.

Acordei e dei um passo para dentro do quarto balançando a cabeça para clarear as ideias. O que raios fora aquilo? A conexão continuava, mesmo com ele

tendo deixado a mão cair do lado do seu corpo. Seu olhar ainda me fazia queimar, mesmo eu não estando retribuindo-o.

- Eu tenho algumas perguntas. - disse por fim, criando coragem e erguendo a cabeça para encara-lo.

- Depois. Eu vou preparar o seu banho, enquanto isso, tome. - ele tirou a mochila dos ombros e esticou-a para mim. - Vou pedir para Eusébia pegar um vestido para você, por aqui você não poderá usar jeans e camiseta. - a ultima frase ele disse com sarcasmo e se virou. Quando chegou no inicio das escadas perguntei.

- Em que século estamos? - tentando lembrar de onde viera o vestido da mulher.

- XIX. - ele disse de volta e passou a descer as escadas. Século XIX. Caralho. Que loucura!

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 10 - Insanidade

Após um banho morno, tinha descoberto que nós não havíamos

pego toalha, e tive de usar uma toalha felpuda que se sentia como as nuvens. Então não foi tão ruim assim, até me fez esquecer o fato do banho estar morno. Ao sair de calcinha e sutiã, enrolada naquela toalha maravilhosa, dei de cara com a tal de Eusébia. Fiquei mais vermelha que um pimentão.

- Oh, desculpe! - ela disse com um sorriso. - Meu filho me disse

que você poderia se assustar comigo, mas não pude ter certeza.

- Ah, ok

Espera. Seu o que? - agarrei a toalha mais fortemente

enquanto meus olhos se arregalavam.

- Meu filho. Ele vem me visitar aqui no passado algumas vezes por mês. Ele sempre escolhe datas próximas. Estamos a duas décadas do seu nascimento. - ela comentou casualmente. Ele tinha um século? O que? Minha cara deve ter demonstrado um choque tão grande que até mesmo a fez rir.

- Pobrezinha, não deve ter te contado nada. Pode deixar, vou faze- lo explicar tudinho para você!

- O-obrigada? - soou como uma pergunta, mas minha boca ainda estava aberta então nem sei se soou como “obrigada” realmente.

- De nada. - outro sorriso maternal e doce. Como eu não havia percebido? Ela olhou para ele dessa forma quando entramos. - Agora deixe-me te ajudar com o vestido, é muito difícil colocar todas essas coisas. - ela apontou para a cama e para um canto na parede direita, onde tinha uma haste de metal segurando o que

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

parecia ser um espartilho e um vestido e ceroulas e meias e um monte de outras coisas.

- Em que ano estamos? - murmurei bobamente e ela sorriu para mim, se levantou da cama e desenrolou a toalha.

- Oh! Nós temos desses

- ela cutucou meu sutiã e eu cobri meus

seios com as mãos. - O que é isso? - ela cutucou o bojo.

- Isso são as roupas íntimas do século XXI. - eu lhe disse. - Pare de cutucar por favor?

- Oh, desculpe. Me diga, como isso é chamado?

- É bojo, serve para deixar o peito maior.

Eu chamaria de facilita-casamento. Você terá que

- Interessante

tirar o sutiã, pois o espartilho já vai segurar suficiente.

- Uh, ok. - corando mais que o demônio no carnaval (acredito que até ele deve se envergonhar sobre essa festividade) tirei o sutiã. Ela fez sons de aprovação e se afastou para pegar a parte um do vestuário. Era um vestido de seda branco com um monte de tecido na saia.

- Coloque. - ela ordenou enquanto ia atrás da liga e das meias. O negócio tinha mangas curtas e quase não cobria meus seios. Ela voltou com as coisas e um espartilho na mão. - Coloque as meias e a liga e depois o espartilho. - ela ordenou.

Assim que as meias e a liga tinham sido colocadas pus o espartilho na altura dos seios e ela ajustou-o para um pouco mais abaixo antes de passar a apertar até eu ficar sem ar.

- Muito apertado. - disse num murmúrio.

- Desculpe, vou relaxar a mão um pouco. - sua voz estava um pouco mais tensa. Ela afrouxou o aperto e eu pude respirar com menos dificuldade. Ela se voltou e parecia que murmurava consigo mesma durante um momento. Não identifiquei a língua. Voltou com um vestido de

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

veludo azul escuro com detalhes em dourado com o que pareciam ser mangas até o cotovelo. Colocou-o pela minha cabeça e o

assentou pelo monte de tecidos da saia, depois ajustou a fita e deu um laço no fim.

- Pode me dizer uma coisa? - a voz da mulher foi baixa e nada mais que um murmúrio preocupado. Tinha perdido o tom musical.

- Sim? - disse com um pouco de confusão.

- Você e Yian vão se casar? A pergunta foi um choque. Virei-me com um pouco de dificuldade para encarar a mulher.

- Nós passaremos pela cerimônia Fary de união. - disse com cuidado.

- Um nó atado bem apertado. - ela murmurou em Galego.

- Nós não escolhemos para isso. - disse na defensiva.

- Oh, não me entenda mal querida. - ela sorriu tristemente. - Não imagino ele vindo frequentemente nos próximos anos do casamento. Ele já fez a faculdade faarica, mas uma vez que a

Não haveria motivos de ele vir ver

cerimônia fosse completada

sua velha mãe.

- Claro que não Eusebia! Se eu puder fazer algo eu não permitirei. - disse fortemente e a mulher agarrou minhas mãos entre as suas. Um pequeno sorriso nos seus lábios. Dentes pontudos. - O que você é? - escapou antes que eu pudesse impedir.

Ela riu e apontou para algo do lado esquerdo do quarto. Virei-me e dei de cara com um espelho, e me assustei. Tinha uma ruiva num vestido azul Royal escurecido com formas em dourado, que cobria o decote e as mangas, indo até os pés.

- Vou prender seu cabelo e passar alguma maquiagem. - ela me puxou até a penteadeira e eu a segui tropeçando na barra do vestido.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Quando eu estava finalmente sentada ela começou a puxar e a

escovar meus cabelos molhados. Esperei para ver se ela falava

alguma coisa, e nada

presos com fivelas, e lhe disse:

Esperei até os caracóis, enrolados a dedo e

- Sério Eusébia, o que é você?

Ela riu um pouco com o tom de curiosidade mórbida da minha voz.

- Você é resistente! Bem, sou um elfo.

- Elfo? Elfos são coisas mitológicas comparadas a fadas.

- Fadas são coisas mitologicas que descenderam dos elfos. Considere-se uma evolução. - sua voz continha diversão.

- Elfos

- murmurei, testando a palavra e a rivalidade atrás dela.

Era como os Ingleses e os Americanos. Nós éramos o que os americanos eram para os ingleses, e vice e versa.

- Sim, eu também testei várias vezes a palavra Fada. Demorou para

Bem,

até Yian me contar mais sobre ele. Sabia que Yian é o nome do meu avô?

- zombei e ela deu um puxão um

pouco exagerado em uma mecha. - Ouch

me acostumar com a idéia de uma fada ter-me como sua

- Não parece um nome Elfico

- Bem, diga-me o que seria um nome elfico?

Para mim seria peido-de-purpurina, ou algo do tipo, mas nunca iria dizer aquilo em voz alta.

Sol poente? Luz da lua? Brilho Lunar? Poeira que cobre o

chão? - sugeri e ganhei outro puxão e uma risada como resposta.

- Meu nome é Liegirre, não é muito diferente dos nomes Faaricos, uma vez que nós somos seus antepassados.

- Hm

- Me chamo Ylla, se Yian já não tiver te contado.

- Ele disse. - ela murmurou e puxou a parte de trás do meu cabelo para cima, prendendo-a numa espécie de coque. Meu cabelo

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

estava disperso em diversos cachos que foram presos no topo da

minha cabeça agora. E ela estava colocando outras coisas para esconder as presilhas.

Penas? Flores e

No final

No topo da cabeça tinha muita informação para condizer com o

vestido e todos aqueles cachos nas laterais da minha cabeça me dava vontade de raspar logo toda essa merda e desistir de um cabelo liso e hidratado.

- resmunguei assim que ela terminou. Minhas mãos foram

ágeis e passaram a tirar e a desmanchar algumas coisas até que estava mais apresentável.

- Melhor? - ela disse e eu vi um sorriso no seu rosto através do espelho.

- Com certeza. - murmurei e tirei um cacho que estava caindo nos meus olhos.

Eu parecia um poodle vomitado. Ok, não tão mal assim.

- Uh

- Agora a maquiagem

- É mesmo necessário? - resmunguei.

- Só um pouco, prometo

***

Eu me sentia uma palhaça descendo aquela maldita escada. Maldita escada. Maldita. Os saltos eram baixos, graças a deus, mas batiam tão fortemente no tampo de madeira que parecia que eu estava com uma furadeira. O vestido tornava minha descida quase impossível com os tecidos, que viviam se metendo debaixo dos saltos e deixando o piso escorregadio e perigoso. Só não caí por que usei a influência da gravidade para me manter em pé, pois se não alguém veria as minhas “ceroulas”.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Ceroulas. Jesus, me sentia com duzentos anos! Não sabia o por que de toda aquela arrumação, não era como se eu pretendesse sair de casa com aquela chuva. Ok, ela tinha diminuído, mas ainda sim Tropecei e quase caí. Maldição. Fiz-me firmar e finalmente atingi o térreo com um suspiro de alívio. Pus uma mão no estômago e murmurei um “ouch”, uma vez que o espartilho estava me matando. - Ethan deve estar na cozinha. - Eusébia disse. Ela havia segurado meu braço para que eu não quebrasse meu pescoço, e agora ela o soltou e começou a guiar o caminho até a cozinha. Fiz como ela mandou. Para andar com aquele tipo de vestido sua coluna deveria estar tão reta como se tivesse um pedaço de madeira nela. Segui um pouco desconfortável, mas ainda assim a dor melhorava um pouco quando se mantinha posturada. Para se chegar a cozinha deveria se passar por uma comunal sala de jantar, com direito a tapete persa, imagens de antepassados nas paredes e um grande candelabro. Para entrar na cozinha havia uma porta de madeira escura estilo “velho oeste” que era empurrada para abrir. Dava para ver o chão de mármore Italiano num tom cremoso antes de entrar, e assim que eu entrei percebi as paredes em tom de ouro, os banquetes de madeira escura, e as pedras de mármore como os balcões. Tudo em cores claras e escuras mistas, formando um ambiente maravilhoso. Ethan estava sentado numa mesa da cozinha, de costas para nós e com uma xícara de chá nas mãos. Ele vestia um terno azul escuro, num tom mais escuro que o do meu vestido, de costas dava para ver que seus cabelos esbranquiçados eram curtos de mais para época, e quando ele se virou percebeu-se uma pequena barba nos seu maxilar.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Ele se levantou num salto.

- Espero que haja mais chá. - Eusébia murmurou para si mesma enquanto ignorava a reação do seu filho e ia buscar uma xícara para nós. Ethan observou desde a delicada renda da barra até os detalhes em ouro que decoravam o profundo decote e as mangas. O fato de o pescoço estar descoberto e os cabelos presos deixou o visual mais clássico na minha opinião, e o fez prender os olhos na pele cremosa do colo.

Limpei a garganta e ele imitou o gesto, se sentando novamente na mesa. -Para que toda essa arrumação? - perguntei por fim quebrando o fio de tensão no ambiente. Fui-me sentar com ele, do outro extremo da mesa.

- Meu pai não costuma viajar no tempo, na verdade ele não tem o poder para isso, então eu me lembro de ter recebido um convite

hoje de manhã quando fui comprar trigo e leite, decidi que seria interessante.

- Hã? - murmurei. Nós chegamos hoje faz umas três horas, como

Ah, viagem no tempo, óbvio. - Por que nós estamos

ele poderia

fugindo? Não é como se nós estivéssemos encrencados

- Meu pai e eu não somos muito próximos, nós não nos veríamos até a cerimônia de apresentação, e você seria castigada pois estava no centro de tudo isso.

- Eu? Mas eu não fiz nada!

- Estava saindo com um demônio, isso é o que considera nada? - ele respondeu irritado. Desafiei-o numa batalha de olhares e senti uma vontade imensa de lhe mostrar a língua.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Nada que lhe interessasse! Eu não tinha saído com ele ainda. - resmunguei num tom assassino.

- Bem, o “não é bem isso Mac” indicava algo

- Você disse que não se import-

- Ok! - a mãe dele gritou e nós dois voltamo-nos um pouco assustados. Durante um momento eu jurava que estávamos

apenas os dois. Percebi que tinha avançado algumas cadeiras na

- ela murmurou se

recompondo enquanto nos serviu chá. Nós ficamos em silêncio, eu a observei terminar de pôr chá para mim e encher a xícara dele depois que pôs uma para si mesma. Puxou uma cadeira e se sentou no meio de ambos.

- É assim que vocês fadas se relacionam? - ela disse num tom irritado e autoritário. - Brigando um com o outro? Acusando a si mesmos sobre algo? Não sei o que aconteceu, por isso não tomarei partidos, mas, pelo amor de deus! Não parecia que estava no quarto com uma fada de cem anos! - ela disse enquanto olhava pra ele. - Se descontrolando como uma adolescente que perdeu o seu par para o baile! E você, uma mulher formada! Não tem vergonha de se portar como uma criancinha irritadiça? Vocês dois deveriam se envergonhar de si mesmos! Tomem o chá, vão ao baile e quando voltarem quero que o motivo para essa briga esteja esclarecido. Ela terminou o sermão com um bufar e um suspirar irritados, bebeu um gole de chá e murmurou alguma coisa antes de se levantar e seguir para a porta, indo para alguma parte da sala. Estava envergonhada. Realmente sabia que havia me deixado levar novamente por toda a tensão do ambiente. Ergui o olhar para ele, minha irritação ganhando força por ele te me acusado de começar com a confusão, mas eu tratei de ignora-la.

Gabriella Izzo felicio

sua direção e voltei a minha posição. - Bom

For Blood And Eyes

Tomei um gole do chá, que estava tão doce quanto mel, e recostei- me na cadeira, esperando ele voltar a falar. Nós nos encaramos durante alguns instante. Olhos de vidro contra olhos de gelo. Ele estava maravilhoso com aquele terno, que por acaso realçava o azul de seus olhos e o vermelho de seus lábios, fazendo-o mais irresistível que os modelos da Abercrombie&Fit.

Devemos ir. A carruagem alugada chegará a qualquer

momento, e não acho que Hélio me deixará chegar atrasado, ele quer conversar sobre negócios, de novo. - Bom para você. - murmurei com ligeiro sarcasmo enquanto me levantava com a xícara na mão para leva-la para a pia. - Depois da festa nós conversamos sobre tudo isso, esclareceremos de vez. - ele disse seriamente. Voltei-me para olha-lo não acreditando no que ele dizia. Seria muito difícil esclarecer os assuntos, uma vez que ele sempre seria o certo com a sua visão de que eu era a errada, enquanto eu também seria a certa e ele o errado na minha visão de mundo. Dei de ombros e permiti-me acreditar naquilo por um momento. Bem, fosse por qual motivo, eu estava animada por estar em 1800, então vamos curtir um pouco.

- Bem

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 11 - Lady Antebellum

Minha pele pinicava e esticava de nervosismo. Nunca havia comparecido há uma festa daquele tamanho ou grandeza, com tantas pessoas envoltas, e todas tão bem arrumadas e cheias de jóias. Sabia que eu tampouco estava feia, mas com certeza haviam mulheres mais bonitas. Levei os dedos enluvados ao couro cabeludo e resmunguei um xingamento ante a dor que os grampos proporcionavam. Um casal de idosos que estava ao meu lado me olhou assustado e

com desaprovação óbvia. Ótimo, agora deveriam pensar que eu era uma prostituta.

O braço de Yian estava firmemente envolvendo o meu, ajudando-

me a passar por entre todos aqueles fofoqueiros, ou melhor, “mexiriqueiros”, o qual era o termo em que se usava na época, apenas com sorrisos e acenos. Bem, ao que seus olhares indicavam eu não era a primeira mulher que Yian levava de acompanhamento, provavelmente pensavam ser outra qualquer, o que me irritou profundamente. Os homens avaliavam minha forma física, principalmente meus seios, enquanto as mulheres analisavam o vestido enquanto suas caras se torciam em desgosto. Provavelmente veludo tinha saído de moda havia algum tempo.

A pior parte foi no salão, a maioria das conversas eram sobre mim, não precisava ser uma fada do ar para saber disso, apenas os olhares risonhos ou os de desejo - eca! - já me informavam sobre

os pensamentos e os dizeres daquele povo.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Ethan! - um homem se aproximou e o saudou como se fossem velhos amigos. Não duvidei no momento em que um sorriso iluminou o rosto de Ethan e ele fervorosamente apertou a mão do homem.

- Anderson! Há anos agora. - ele disse e o amigo riu.

- Precisamente dois anos, caro amigo.

- Vejo que encontrou uma companheira. - Ethan disse e educadamente apontou o queixo para a mulher que o amigo levava à tira colo.

- Ethan, quero que conheça minha mulher, Roseleen, Lady de Foret.

Ethan pegou a mão que a mulher baixinha e redonda lhe ofereceu e plantou um beijo sobre sua luva.

- Encantado. - murmurou enquanto soltava-a.

Sinceramente me sobressaltei com seu comportamento cavalheiresco, e me custou muito engolir o riso histérico que ameaçava deixar minha garganta.

Não sabia o porque daquilo ser tão engraçado, mas apenas parecia ridículo a seus olhos e ouvidos.

- E vejo que você também trás a uma acompanhante. - Anderson disse e apontou para mim do mesmo modo em que Ethan fizera anteriormente.

- Anderson, essa é-

- Sou Lady Antebellum, um prazer conhece-lo. - disse antes que Ethan sequer se propusesse a falar por mim. Certamente seria mais inteligente da minha parte deixar um homem desse tempo falar, porém meu feminismo atacou em cheio minhas articulações quando ouvi-o sequer começar a falar por mim.

- Encantado. - o tom de voz de Anderson foi surpreso e divertido, quase como se escondesse uma risada.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Sou prima de Ethan. - sorri-lhe.

Ethan endureceu ao seu lado com um sorriso pálido estampado

nos seus lábios. Bem, seja lá o que ele estivesse pensando sentia muito, por que não seria, nem que a vaca tossisse, outra “amante qualquer” de um devasso da aristocracia americana. Deus, realmente havia pensado nessa palavra? Poucas horas mais aqui e jajá estaria falando como uma avó. Ou bisavó nesse caso.

- Nunca havia ouvido falar da senhora, Lady Antebellum.

- Somos primos distantes. - disse como se não me importasse.

- Sim

- Ethan murmurou antes que eu pudesse dizer qualquer

outra coisa. - Se você me der licença Anderson. - Ethan fez uma reverência e me arrastou pelo braço até o outro lado do salão. Antes que sequer abrisse a boca para falar uma voz o impediu.

- Oh! Oh! - quero dizer, grunhidos o impediu - Veja se não é Ethan?! - a voz fina e cantada da mulher fez meus tímpanos arderem, e quando suas mãos tocaram os ante-braços e o pescoço de Ethan, minhas sobrancelhas se elevaram até o couro cabeludo.

- Marjory, realmente faz tempo. - Ethan disse de modo encantador e sedutor, o que fez “Marjory” se inclinar numa risadinha cheia de “oh’s e ah’s”, o que expôs seios enormes num vestido minúsculo. Parecia que lhe faltava ar de tão vermelha que a mulher estava. Limpei a garganta e lancei um sorriso amarelo aos lábios. “Marjory” parecia finalmente ter notado minha presença e seus lábios rosados como o resto da sua cara se comprimiram numa linha fina enquanto suas sobrancelhas se juntavam no centro.

- Oh, sim. - Ethan murmurou como se tivesse esquecido da minha presença, obviamente para me irritar e para “Marjory” se sentir a

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

ultima bolacha do pacote. - Margie, essa é minha prima Ellen, Lady Antebellum. - Oh! - a cara de “Margie” se transformou num sorriso amigável, e falso, enquanto ela me avaliava com os olhos. - Um prazer, Margie. - a zombaria ficou no fundo da voz, duvidava que ela perceberia, porém Ethan o fez e me olhou como numa advertência divertida. Ele parecia pensar que ela estava com ciúme pelo modo que a olhava, pois não estava coisíssima nenhuma! - Oh, - disse meio que imitando-a - Porque vocês não vão dançar essa música? Eu vou checar a mesa de aperitivos. - sorri mais largamente quando a cara de Ethan voltava a se fechar para mim. Afastei-me de leve tentando não tropeçar nos sapatos no processo. Achar a mesa de aperitivos foi fácil, era onde haviam vários homens recolhendo copos de vinho ou ponche para suas acompanhantes ou onde todos paravam para um sanduíche de Aparentemente presunto, queixo e azeitona. Bem, quem dizia que os estados unidos tinha evoluído? Com o estômago já roncando de antecipação me aproximei da mesa e lutei por um espaço grande o suficiente para me meter ali e roubar um sanduíche ou dois. Quando tinha na mão um, e não dois, sanduíches, e um copo de ponche fui chutada para fora da batalha por um senhor gordo e bigodudo. Xinguei-o em silêncio enquanto mastigava o mini-sanduíche. Senti mais do que vi uma pessoa se aproximar e pelo modo que cheirava, andava e arrumava suas roupas era um homem. E também pela altura e o fato de eu não ouvir o roçar de um zilhão de tecidos que as roupas femininas faziam.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Engoli o lanche antes que o homem chegasse perto o suficiente para ver-me lambuzar toda.

- Boa noite senhorita. - a voz profunda e com um inconfundível cheiro de whisky chegou até mim. Virei-me com graça e com um sorriso no rosto.

- Boa noite. - lhe disse e inspecionei-o com os olhos de um modo leve e do qual eu havia visto algumas mulheres menos lascivas estavam fazendo.

- Sou o Visconde de Albuquerque, Antony. E a senhorita?

- Ellen, Lady Antebellum. - sorri-lhe docemente. Deus, já me sentia uma garotinha de quinze anos da época da minha bisavó. Provavelmente se estivéssemos no século vinte e um, e não no

dezenove, ele já teria me despido com os olhos completamente e estaria tentando me embebedar para transar comigo.

- Um prazer conhecê-la Lady Antebellum. - ele pegou minha mão

entre as suas e a beijou de leve. - Me acompanharia para esta dança?

- o som que fiz o fez arregalar os olhos ligeiramente e

erguer as sobrancelhas. Tive vontade de rir com sua expressão quase horrorizada por que pudesse levar um fora. - Espere eu levar o copo

- Não se preocupe com isso. - ele sorriu e tirou o copo da minha mão colocando na bandeja do primeiro garçom que passara.

- Hm

- Bem, assim eu não vejo problemas em aceitar seu convite.

- Meu prazer. - ele murmurou sobre o fôlego e ofereceu seu braço para mim. Seu prazer não está nem no início - tive vontade de falar, porém me insuar assim, mesmo que em uma brincadeira, faria as pessoas me chamarem de meretriz, ou apenas prostituta.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Já entrando rodopiando havia me esquecido que eu não sabia dançar de modo algum, porém quando pensei que fosse tropeçar e

ter que deixar o homem em paz para salvar seus pés, vi Ethan de cara fechada, e me lembrei que tinha influência sobre o ar.

A dança foi uma maravilha. Estava poucos centímetros do chão e

ele me guiava completamente. Sem ninguém perceber a pequena manipulação sem dúvidas era a melhor bailarina dali, toda a rodopios e gracejos.

Assim que o pianista parou a melodia uma mão enluvada bateu na mão do meu cavalheiro e uma voz conhecida se referiu a mim.

- Se importa em me dar essa dança, prima? - a cara de Ethan

estava fechada, e a menção de uma discussão no seu tom de voz me fez dizer sim. Discutir com ele era excitante.

Visconde de

Alguma coisa, beijou a minha mão e disse alguma

coisa, que eu tampouco me lembrava, antes de se afastar. A próxima melodia era uma valsa, apenas com os violinos e etc.

Uma das mãos de Ethan encaixou na minha cintura de forma firme

e irritada, o que me deu vontade de rir e me estremecer pelo toque, e logo sua mão enluvada se fechou na minha, e nós estávamos valsando.

Durante o “dois pra lá, dois pra cá” ele havia começado a falar.

- O que raios está fazendo? - ele resmungou.

- Nesse momento? Dançando

Com você por acaso. - zombei e

seus lábios subiram ligeiramente nos cantos, porém ele ainda levava aquele olhar assassino.

- Não isso, estou falando sobre dançar com o Visconde.

- Em todos os livros que eu lera isso não era nenhum crime, tampouco indicava que eu queria me jogar na cama dele só com a roupa de baixo e o espartilho. Algo relampejou nos seus olhos e ele murmurou um gemido.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Me surpreendi e quase parei, mas ele fez-me continuar como se nada houvesse acontecido. Ele havia gemido por uma imagem mental de mim semi-nua?

- Nós temos que conversar chegando em casa. - eu disse momentos depois num tom tão baixo que não tinha certeza de que ele tinha escutado. Pelo seu suspiro sabia que havia.

- Sobre dançar com o Visconde, você é uma Lady, e então, há menos que esteja viúva, não deve dançar com qualquer outro homem.

- Você se considera um réptil? - a pergunta sarcástica saiu um pouco mais alto que o planejado, o que o fez apertar as mãos, uma esmagando minhas costelas e a outra minha mão. Surpreendentemente o ofego foi pela repentina onda de excitação, não por dor. Ainda mais quando eu mal sentia sua mão na minha cintura.

- Tem que parar com isso se quiser que acreditem que ainda é minha prima. - ele dissera isso um pouco mais alto que o necessário, e tinha certeza que aquela senhora alta e magrela rodeada por suas filhas de dezessete anos havia ouvido.

- Não acredito que você faria algo para desonrar minha reputação em frente a toda essa gente. - murmurei mais baixo que um sopro, a provocação era óbvia, e é claro que ele percebera. A música terminou e nós paramos.

- Avise-me quando quiser voltar para casa.

- Vá pegar uma das suas piranhas. - murmurei para ele num tom baixo e com um sorriso. - Sim, te aviso. Ele franziu o cenho e se afastou, o seu olhar prometendo retribuir o insulto mais tarde.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Lady Antebellum? A senhorita permitiria a honra de dançar comigo?

Já me preparando para uma terceira dança, virei-me para meu cavalheiro. Mac. Seu sorriso morreu no mesmo instante que o meu tinha.

- Ellen?

- Uh

- murmurei e senti minhas bochechas corarem.

***

- Bem, isso explica algo. - disse por fim.

- Sim, nós vivemos em um universo paralelo ao tempo, então nós podemos estar em todas as épocas que queremos ao mesmo tempo.

- Isso não é meio confuso?

- As vezes. Ainda quero aquela explicação. - ele disse enquanto tomava um gole do seu Whisky. Bebi um pouco de ponche e respirei fundo.

- Devo supor que sabe algo sobre as fadas?

- Não me insulte. - o seu tom de voz era brincalhão e sarcástico. Sorri-lhe.

- Bem, deve saber sobre as cerimonias. - disse tentativamente e ele acenou para me encorajar. - Quando completamos dezoito anos, nós, bem, somos levados a uma designação, onde nossos parceiros são revelados. Ethan chegou um pouco adiantado. - dei de ombros. Esse era um modo deselegante e muito resumido de dizer que a merda tinha batido no ventilador, escorrido pelas paredes, chegado ao chão e agora vazava para o andar de baixo.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

-

Oh

Isso te impede de sair com outras pessoas, certo? - o copo

 

vazio bateu na mesa e ele cruzou os braços musculosos esperando a resposta.

-

Realmente não sei - disse devagar - Não fui educada no mundo

das fadas, então não sei muito sobre esses assuntos, mas o que sei é que foi por isso que Ethan se revelou e causou aquele desencadeamento de revelações e problemas.

-

Então vocês vieram parar no século dezenove. - ele disse concluindo o pensamento.

-

Sim.

-

E

onde está ele agora?

-

Lá dentro em algum lugar da pista de dança piscando para alguma baronesa viúva ou jovem solteira. Pode até mesmo ser casada. - suspirei e rolei os olhos. - Homens.

-

Nem todos são assim - ele dissera com um sorriso.

-

Pois é, quase certeza que os demônios são piores. - cutuquei-o no peito e ele riu.

-

Assim vou acreditar que está dando em cima de mim Ellen. - seu tom era ligeiramente divertido e provocador ao extremo.

-

Talvez esteja. - disse de volta já sentindo a face corar.

-

No século dezenove isso não é muito comum. - ele indicou e eu dei de ombros.

-

Bem, que me processem então, pois eu sou do século vinte e um. Nem sequer sei o que estou fazendo aqui além de ganhar olhares enraivecidos de mulheres que eu nunca vi na vida, ser convidada

a

dançar por pessoas que eu não quero conhecer, e comer pão

com presunto e queijo.

-

Suponho que estejam fugindo do rei fada. - ele disse, o que me fez ficar com as orelhas de pé para ouvir mais. - O primeiro ato dele seria separar vocês dois até daqui três meses, enquanto

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

separadamente iria castigar a ambos, afinal fora sua comoção que formara todo o rebuliço.

- Não se esqueça que você-

- Mas eu sou um demônio, seu rei não é o mesmo que o meu. E o meu promove a discórdia. Deveria ganhar uma medalha por isso. - ele disse para me provocar e eu lhe dei um soquinho fraco no ombro.

- Uma medalha por arruinar minha vida e me fazer usar esse vestido. E essas presilhas. - gemi de dor quando toquei-as.

- Não se preocupe, a dor vale a pena por quão deslumbrante se encontra nele. Claro, seria melhor sem.

- disse como se fosse óbvio e rolei os olhos. Ele riu e se

- Claaaro

encostou um pouco mais próximo.

- Uma pena você ter um parceiro. - ele murmurou, sério de repente.

- Bem, ele está enfiando a cabeça no peito de algumas mulheres nesse momento. - dei de ombros e ele sorriu.

- Está se oferendo?

- De jeito algum! - exclamei exaltada e ele riu com gosto.

- Você é extremamente puritana para uma fada.

- Cresci entre os humanos, não me culpe. - zombei.

- Não culparei. Veremo-nos alguns séculos a frente, certo?

- Aguardo ansiosamente. - disse e observei-o entrar na festa de novo. Encostei os ante-braços na mureta de mármore branco e suspirei. O ar frio da noite se enrolava ao meu redor e minha respiração fazia nuvens de vapor a minha frente. Não sentia frio algum, como tampouco sentia calor, mas se algum humano me visse assim, praticamente transpirando neve, então descobriria que havia algo errado.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Voltei-me e entrei, pronta para ir embora e ter aquela conversa. Sem ser parada em momento algum encontrar Ethan fora uma tarefa fácil. Ele estava conversando e rindo com um grupo de cavalheiros que usavam ternos ajustados como o dele, todos pretos, com camisas brancas e gravatas borboleta. Todos deveriam ter algo próximo a dezenove ou vinte anos. Aproximei-me devagar e toquei Ethan no ombro.

- Desculpem interromper, cavalheiros. - lhes disse no tom mais dócil que eu podia reproduzir. Os olhos de cada um deles se pousaram com curiosidade na minha face, e na mão que ainda estava no ombro de Ethan. Tirei-a. - Não estou me sentindo bem, será que poderíamos ir?

- Sim, claro. - ele disse prontamente. - Desculpem amigos, vou levar minha prima para casa. - ele dissera a palavra com malícia e zombaria, o que fizera os outros rapazes rirem e eu ficar vermelha, tanto de vergonha quanto de ódio.

- Prima. - eu repeti firmemente. - Não prima.

- O que quiser. - ele disse de modo jovial e enlaçou a minha cintura com o braço, me afastando dali. Pelo seu cheiro havia tido uns dois ou três copos de vinho enquanto não estava por perto. Nós nos afastamos sem nos despedir de ninguém, comigo quieta como um defunto, e ele cambaleando ligeiramente. Fadas eram muito mais sensíveis ao álcool, era como se ele tivesse feito de propósito. Paramos no hall de entrada e aguardamos enquanto o cocheiro trazia nossa carroça. Ele estava deliberadamente jogando seu peso para cima de mim. Passei meu braço pela sua cintura para que meu ombro parasse de doer, claro que mesmo ele estando bêbado um arrepio estúpido se passou pelo meu corpo, me deixando excitada e sem fôlego.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

E é claro que, mesmo estando bêbado, ele percebeu isso. Um sorriso de gato que comeu o canário se instalou nos lábios dele, provocando mais alguns arrepios pela minha espinha. Seus olhos estavam quase transparentes e brilhavam como o céu de 1800, cheio de estrelas. Os lábios estavam tentadoramente rosados pelo vinho, e ele se via belamente amarrotado e bagunçado. Seu aperto na cintura me trouxe mais perto e praticamente colou todas as curvas do meu corpo ao seu, provocando meu bom-senso e minhas terminações nervosas. Sua mão esquerda, que estava livre, acariciou de leve a pele exposta do meu pescoço. Prendi a respiração e engoli um murmurio de deleite. Cara, era um inferno ter um companheiro. Felizmente o cocheiro chegou antes que eu fizesse alguma besteira como agarra-lo ali e tirar suas roupas, pois primeiramente eu o odiava, e em segundo lugar eu nunca iria ficar com ele, por que eu o odiava. Separei-me de Ethan o máximo que podia para ainda lhe dar apoio. Nós fomos lentamente e de modo constrangedor até a carruagem. Minhas bochechas se sentiam quentes e meu corpo pulsava, o esfregar de uma perna com a outra apenas fazia minha irritação e humilhação crescer. Chegar em casa seria uma benção. Pena que estivesse um século distante. Ao chegarem a mansão da mãe de Ethan, mesmo estando escuro, pude finalmente admirar a sua arquitetura. Era constituída de dois andares com pedras em um tom de cinza escuro decorando as paredes, com uma grande porta de madeira escura como entrada, uma escadaria de madeira branca e um caminho de pedrinhas coloridas. O piso da frente, como o do hall, era de mármore branco

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

manchado com estrias negras, o jardim possuía grandes arbustos e alguns pinheiros, deixando o lugar ligeiramente pitoresco. O telhado parecia ter uma cor castanho-avermelhada, mas não tinha como ter certeza. Levara Ethan para dentro em um estado de semi-consciência, porém ele já estava se sentindo bem o bastante para andar com as suas próprias pernas. Passaram pelo hall, o qual estava decorado com várias fotos de antepassados de Ethan, onde se podia capturar uma semelhança ou duas, coberto com um aparador com bebidas, uma mesa de centro decorada com um vaso de flores, duas poltronas em um tom marrom escuro encostadas nas colunas de mármore branco e um grande tapete, provavelmente importado, no centro de tudo. Caminhamos escada a cima, a qual ficava logo depois da entrada, sentindo os meus pés reclamarem pelo salto e pelo rangido insistente que este fazia na madeira perfeitamente polida. O andar de cima continha o mesmo piso frio do de baixo, apenas que eram pedras brancas enormes, quase como grandes tijolos, só que suaves, e as paredes tinham decorações mais pessoais, como uma foto de Eusébia com seus pais e seus irmãos, o cachorro da família, um bebê no colo da irmã mais velha, orelhas pontudas e rostos finos em um tom esverdeado escapando aqui e ali. Escolhi a primeira porta, da qual sabia ser meu quarto, e entrei, esperando que Ethan seguisse para o seu próprio. Tirei os sapatos com um suspiro no momento que pisei no carpete negro. Passei a tirar e a jogar os grampos pelo quarto e, com muito alívio, sentindo o cabelo cair sobre meus ombros e o couro cabeludo formigar levemente. Esfreguei o local antes de quase arrancar os botões do vestido e deixa-lo cair no chão. Estava prestes a despir-me do corpete e ficar praticamente nua quando

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

ouvi um leve grunhir e encontrei Ethan logo atrás de mim. Exibi minha surpresa na forma de um grasnar.

-

O que está fazendo aqui? - exigi com uma voz fina e puxei o vestido para o topo do corpete.

-

Eu moro aqui. - ele disse, zombador. Rolei os olhos.

-

Sim, obviamente, por que aqui nesse quarto?

-

Por que esse é o meu quarto? - ele fez soar como uma pergunta

cheia de sarcasmo. - Não pare, por favor. - ainda zombando tirou

a

gravata e o terno, jogando-os de qualquer modo no chão

enquanto desabotoava a camisa e a tirava para fora da calça.

-

O

que está fazendo?

- Indo dormir. - com a camisa fora seus músculos e estômago definidos ficaram a mostra, mas ele não dera tempo para eu admirar, apenas desatou o cinto e se livrou da calça, ficando como veio ao mundo. Desviei o olhar sentindo-me corar como o inferno.

- Não demore, eu acordo fácil. - ele resmungou enquanto se arrastava para a cama e entrava debaixo dos lençóis. Isso só podia ser brincadeira. Ainda queimando de vergonha tirei minhas roupas ficando apenas de calcinha e peguei uma camiseta da mochila. Iria ser uma longa noite.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 12 - Escapadas

A manhã seguinte foi desastrosa. Acordei aninhada com um Yian

nu e excitado, minha perna estava passando por sua cintura, minha mão espalmada no seu peito enquanto a sua estava me segurando pela bunda enquanto a outra mantinha a minha perna no lugar. Maravilha.

O pior era que ele estava acordado quando eu abri os olhos, ele foi

descarado o suficiente para sorrir para mim. Empurrei-o para longe e saltei para fora da cama. - Bom dia para você também. - Parece ter sido uma noite proveitosa para você. - zombei acidamente enquanto me afastava ainda mais, os resquícios do contado entre nossas peles perturbando minha consciência. - Muito pelo contrario, pelo que pode perceber. - ele disse e apontou para a ereção que se expunha pelo fino lençol. Fadas, todas tão descaradamente pornográficas! - Desculpe, criação humana aqui! - disse rípidamente com as bochechas escárlate. Gargalhando ele pulou para fora da cama e se esticou, ainda nu.

Obviamente que meus olhos - malditos traiçoeiros! - se deslizaram por aquela pele cremosa e perfeitamente delineada até parar no

Naquilo. Se sentira extremamente envergonhada e

seu

impressionada. Não tinha nada com o que comparar, mas se aquilo era um tamanho pequeno não quereria conhecer o grande. - Gosta do que vê Ylla? - sua voz saíra rouca e baixa, um tom perigoso e sedutor. Engoli em seco e subi os olhos para os dele com grande esforço.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Havia uma pequena sugestão de sorriso nos seus lábios, porém seus olhos mostravam-se escuros de desejo. Limpei a garganta e o ignorei. - Talvez nós devemos ter aquela conversa assim que você estiver vestido. Ele me ignorou e se aproximou como um predador chega numa presa. Passos lentos e calculados para não assustar, quase sem ruído, os olhos presos e concentrados em todo e qualquer movimento, pronto para saltar em cima à qualquer movimentação brusca. Não tendo forças para me mover pelo modo que minhas pernas tremiam e com seus olhos se deslizando pela minha pele exposta e coberta, como se fossem suas próprias mãos, não havia conseguido fazer outra coisa que reprimir os ligeiros resmungos e arrepios. Parado na minha frente tive que erguer os olhos aos dele. Ele era vinte centímetros maior que eu tanto nessa forma quanto na outra, o que me fez engolir em seco. - Gosta disso, não? - ele tinha uma sugestão de brincadeira na voz que quebrara um pouco da tensão, apesar de não diminuir minimamente a resposta do meu corpo ao seu. Suas mãos pousaram na base das minhas costas e subiram a minha camiseta até que houvesse contato entre nossas peles. Seus dedos subiram pela minha coluna e desceram, provendo um delicioso arrepio que se espalhou por todas as partes do corpo, e mais importante, fez com que eu tivesse que comprimir as pernas juntas pela súbita dolorosa tensão ali. Enquanto uma mão acariciava minhas costas a outra fez-me erguer o rosto ao dele, uma vez que esse havia caído pelo tesão. - Olhe para mim. - ele exigiu com uma voz tensa.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Olhei-o e surpreendi-me em encontrar carinho misturado com a selvageria que se passava por ali. Sua boca se pressionou contra a minha levemente e quando sua mão se afastava para- Uma batida na porta me fez dar um salto para longe. E para longe eu digo o outro lado do quarto. Sua mãe interrompeu sem mais nem menos e disse um grande “OH” quando encontrou-me toda despenteada e excitava vestindo nada menos que uma blusa apertada que estava no limiar dos seios, enquanto seu filho estava nu e com uma ereção de dar pena. - Oh! - ela murmurou novamente. - Deveria ter batido outra vez. - disse para si mesma. Ela poderia estar arrependida, como seu tom mostrava, mas eu estava extremamente aliviada. Havia salvado-me de cometer uma grande besteira. Puxei a blusa novamente para o lugar disposta a esquecer aquilo que havia ocorrido. E quando Ethan se virou para olhar-me, e viu a resolução estampada no meu rosto, não pode reprimir um grunhido de ódio. Bom.

***

Estava sentada no sofá mais entediada que o demônio num centro de caridade esperando para que Ethan voltasse. O tique-taquear do relógio fazia meus olhos pesarem e meu corpo amolecer. O quarto ou quinto suspiro foi seguido de um grande, largo e barulhento bocejo. Deslizei aos poucos no sofá de couro castanho-avermelhado. Parei apenas quando o corpete do vestido começou a machucar minhas costelas, aí eu levantei e resmunguei, pela quinta vez. Tic-tac-tic-tac-tic-tac

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Escorrega.

Dor.

Levanta.

Resmunga.

Tic-tac-tic-

O barulho da porta rangendo chamou minha atenção. Já não era

sem tempo! Levantei-me num salto, o tédio se dissipando e a irritação

ocupando o seu lugar. No relógio marcava duas horas de atraso, iria matar o filho-da-boa-mãe. Ele entrou com o cabelo todo desalinhado, as bochechas rosadas, o terno estava torto e amassado, a camisa saia desajeitadamente de um ponto da sua calça e seus lábios tinham dobrado de tamanho, provavelmente por beijos muito bem roubados. Ainda mais tinha aquele brilho de alegria e malícia nos olhos. Senti que o sangue parava em mim. Literalmente. Muitas vezes ocorriam isso as fadas por motivos de emoção extrema, nesse caso elas se paralizavam durante tempo indefinido, geralmente até a forte emoção parar. Nem piscava. O ciúme, o ódio e a repulsa me encobriram completamente. Minha pose era perfeitamente a de uma estátua. Havia me checado anteriormente no espelho, então sabia exatamente como estava.

O vestido era de um tom profundo de vinho em seda e brilho, o

corpete deixava minha cintura minúscula, meus seios erguidos e maiores, o decote era baixo o suficiente e tinha mangas curtas. O cabelo estava enrolado num coque cheio de cachos no topo da cabeça e um pequeno chapéu marrom decorava minha cabeça. Deveria parecer uma boneca. Uma boneca assassina. Prima do Chuck. A maquiagem impecável, a postura digna de uma rainha e

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

tanta raiva nos olhos que ameaçava destruí-lo em pedaços e banhar-me no seu sangue rindo e rodopiando.

- ele murmurou. Eu não me mexi, por que, infelizmente

- E-eu

eu não podia.

Ele percebeu isso e fugiu de mim rapidamente.

A raiva aumentou e um ruído irado saiu pelos meus lábios

entrecerrados. Começava a descongelar pois começava a manifestar. Senti a dor como algo bem-vindo nessa transformação, pelo menos desocupava meus pensamentos e arrancava a expressão de satisfação masculina do rosto daquele filho da puta. Tudo o que não era de seda no vestido desapareceu, e este se transformou numa peça rosada que ia até meus pés, expunha meus seios e minhas marcas e mostrava a calcinha de algodão - que havia sido transformada em um tapa-quase-nada-sexo de vigas. Meus pés saíram do chão e eu soltei outro rugido furioso. Não por ele ter saído, e sim por que ele me deixou esperando. Os cabelos bateram com os ventos antes inexistentes, mas estes eram mantidos fora dos meus olhos pela tiara que era meu direito por nascença. E esse direito vai meter o pé na bunda daquele imbecil.

Sem contar a injustiça de tudo isso. Por que ele podia transar com qualquer uma enquanto eu não podia nem sequer trocar olhares?

Se

um dia eu for rainha essa putaria vai acabar.

O

bater das asas - fibras invisíveis a olho humano - chamou

atenção de Eusébia, e ela foi ver onde estava indo quando subia no que podia se descrever como pura fúria. Os ventos convocados por mim e a pressão feita pela gravidade jogou a porta do outro lado do quarto, destruindo a cama no processo.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Claro que quando eu entrei ele também estava manifestado, minha transformação levou a dele por esse maldito elo de ligação. Ele era deslumbrante, devo constatar isso. Ainda mais nu em sua forma de fada. Como disse, as roupas não feitas de seda geralmente desaparecem como mágica e sobram apenas as vigas

para cobrir seu corpo. As vigas são as formas de proteção das fadas quando entram numa batalha. Elas estavam convocadas hoje pois era exatamente o que iria acontecer agora. Guerra.

- O que está fazendo? - ele bramiu irritado. Seus cabelos brancos se sacudiam para cima já muitos centímetros maior. Tudo

destacava com sua forma ligeiramente transparente. As marcas, os

olhos, os cílios, os lábios

Tudo.

- O que você estava fazendo é a verdadeira pergunta. - o tom da minha voz foi frio. Geralmente acontecia. Meus olhos fogo, minha língua gelo ácido. - Me deixar esperando? Sério? Por que você não se teletransportou em um segundo que ela havia olhado para o lado para me avisar? Assim eu não ficaria duas malditas horas sentada naquela maldita poltrona ao lado daquela maldita porta esperando você, seu maldito filho de uma boa mãe.

- Ela? Por que você supõe que eu estava com uma mulher? - seu tom era de descrença.

- Ele então, que seja. O que realmente importa é, primeiro, por que eu não posso ter um caso com algum desconhecido? Segundo, eu não sou nada sua para você me tratar como se eu devesse esperar sua boa vontade para essa maldita conversa. Se você quer saber, eu estou farta daqui. É entediante e as pessoas são maldosas. Eu quero ir para casa e levar chicotadas se isso significar não ficar mais nem um minuto perto de você ou dessa gente. - olhei-o com arrogância. Ele tinha os traços reais faaricos estampados por todo

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

seu corpo. As vigas em tom roxo, as tatuagens roxas, os cabelos erguidos como numa coroa. Tudo. Mas eu seria a rainha, ele apenas seria o meu consorte, apesar de receber o título de rei. Apenas na minha morte ele assumiria. E fadas são muito difíceis de matar.

O desespero e a mágoa passaram pelos olhos dele antes de se

transformarem na mesma casca fria que eu levava.

- Tudo bem. - sua voz fez o meu peito doer. Era maldosa, era fria e espinhosa, desumana, fazia meu coração doer por a quantidade de desprezo colocada naquelas duas palavras. Um grande silêncio se seguiu, e poderia cortar a tensão com uma faca. Ele me observava, eu o observava, ambos medindo a força um

do outro para uma possível batalha pela dignidade.

- Você não tem o direito de ficar assim comigo. - disse por fim,

tanta raiva nessa frase que degelou completamente a fala. - Não sou eu que estava fazendo sei lá o que com um homem ou mulher! Eu fui a que ficou esperando estúpidamente você! E a que, apenas por uma menção de um encontro, fez você arranjar uma briga entre dois mundos! Não tem mesmo o direito de ficar assim comigo! Mesmo!

A postura continuara a mesma, tensa, fria, distante. Sua voz,

porém, deu uma amolecida.

- Ylla. - nome fez-me estremecer de leve. Não estava excitada, como geralmente ficava quando discutíamos, o que, infelizmente, era muito frequente.

- Eu quero ir embora. - disse por fim. Minha voz tremia e lágrimas cristalinas molhavam meus olhos. Sim, super melodramático e intediante todo esse negócio de chorar, mas eu estava magoada por nenhuma razão aparente. Talvez pelo fato de ele não ter

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

negado estar com outra pessoa, ou tentado defender sua dignidade. Em um momento ele estava a um quarto de distância, no outro ele estava na minha frente, me olhando diretamente nos olhos - dessa vez sem eu ter que levantar os olhos, já que eu estava flutuando - o movimento gerou brisas e fez um pedaço de madeira da cama se despedaçar na parede seguinte. Ele tomou as minhas mãos nas suas e me puxou para mais perto. Sem a resistência do ar como estava, isso foi moleza. E eu também estava sensível, e é claro, irritada. E, com ele me segurando cuidadosamente como fazia, não consegui fazer nada para feri-lo. Meu nariz estava quase encostando nos dele, e se eu ainda estivesse na minha forma humana provavelmente estaria ficando vesga por olhar nos olhos dele. O sussurro fora tão baixo que seria inaudível até mesmo para as fadas. Menos para mim. - Eu sou homem, e sou seu. O ocorrido dessa manhã acabou comigo, completamente. Me transformou em um lunático de tal modo que eu não pude me controlar. Saí a rua e tinha vontade de matar a todos por estar sexualmente reprimido. Tive de tomar quatro pessoas para que isso deixasse de me incomodar, e mesmo assim não passou completamente. Ele havia terminado a frase roçando-se contra a minha coxa. Senti a pele farie adquirir o tom rosado da vergonha. Nunca havia tocado naquilo de um homem, e o modo casual que ele se esfregou em mim deixou-me um pouco desconfortável. - Criação com humanos aqui. - murmurei com a voz rouca pela humilhação e pela excitação. Não podia negar que saber que eu podia fazer um homem como ele reagir daquele modo havia me deixado vaidosa e satisfeita comigo mesma.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

O humor brincou com seus olhos negros e os lábios mesuraram um pequeno sorriso. Queria beija-lo de repente, e então limpei a garganta e me transformei novamente. A dor não sendo muito bem vinda dessa vez. Como ele já tinha um século a única coisa que fizera fora se encobrir com o glamour novamente. Um processo sem dor que eu aguardava ansiosamente. De roupas postas novamente já me sentia mais confortável. - Quer ir embora ou quer conversar antes? - seu tom foi calmo e paciente. Amável. - Vamos falar, assim eu decido o que nós faremos. Ele ergueu uma sobrancelha ao meu tom, mas eu comecei a rir e estraguei o terrível modo imperial que havia dito anteriormente. Ele rira junto. A rainha pode mandar, mas nunca no seu rei. Infelizmente.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 13 - Bem me quer, mau me quer

Congelada. Novamente. Duas vezes em um dia, meu novo recorde. Ele me contara sobre as implicações de vir para cá. Primeiro: Ele queria me conhecer melhor sem a interrupção das fadas. Segundo: Se nós não tivéssemos fugido, ambos não se veriam até a cerimonia de reconhecimento. Terceiro: As chances de eu ser tirada do meu pai seriam triplicadas, eu seria jogada no mundo das fadas até o fim dos dezessete anos, viveria longe do reino e da minha mãe e assim que completasse dezoito seria jogada num internato para rainhas. Quarto: Eles deixariam meu pai em paz, pois ele não tem como saber nada, uma vez que nem sabe da existência das fadas mais. Quinto: Deixariam minha guardiã viva, de qualquer modo eles não poderiam mata-la, mas como não podem me encontrar não podem constar minha castidade e nem me chantagear para voltar usando a vida dela. Sexto: Ele me contou o por que de nós termos que ir para a cerimonia virgens. Se nós copulamos com alguém mais além do nosso parceiro nosso sistema reprodutor fica invalidado pela maldição de sangue. Sim, existe isso. É implantado em todas as fadas reais para que não existam filhos sem o completo desempenho que possa ser dado dos pais. Nem mesmo ele poderia me, hum, desvirginar antes da cerimonia, pois assim até ele ficaria invalidado. Claro que, com o consentimento dos acordantes nós poderíamos, mas seria preferível quando ambos atingirmos o clímax dos nossos poderes.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

O que ele não tinha atingido mesmo tendo cem anos. Segundo ele

você só se desenvolve após o início da cerimonia, que é quando a tatuagem se espalha até ter um intrincado tão complexo e vasto que metade de você se torna roxa. As mudanças podem ser sentidas na cerimônia inicial - a de conhecimento - e são completadas no parto do primeiro bebê. Sim, tudo isso fez-me ser paralizada. Principalmente a parte do bebê, onde ele havia pego minha mão e passado a fazer círculos com o polegar, enviando uma carga elétrica enorme até meu centro, e falando de forma macia, rouca e sonhadora.

A outra parte foi a da virgindade. Essas foram as principais do meu

atual estado. Ele observava-me, ainda segurando minha mão, e eu aos poucos voltei a mim. - Isso é interessante. - ele me olhou com carinho. Deus, já parecia que tinha me ganhado! Me sentia sua esposa quando ele me olhava assim, e era um sentimento muito estranho. Não ruim Talvez um pouco. Muito estranho realmente. - N-nós podemos ir agora? Apesar de tudo eu gostaria de sofrer as consequências das minhas ações. Não vou deixar tudo nos ombros de Sarah, nem do meu pai. - as palavras custaram a sair dos lábios que ameaçavam a parar de funcionar. O medo alagava- me agora. Tinha medo de como eu me sentia sobre isso e dele. Do que ele era. Do que ele era para mim sem eu nem mesmo conhece-lo. Do que eu havia falado e da sua reação. Ele havia endurecido e me olhava com certo respeito ou até mesmo admiração.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Claro. Direto para o mundo das fadas então? - o seu tom era brincalhão, e a palavra “mundo das fadas” fez meu coração dar pulos. De repente minha língua estava presa, e eu não sabia o que responder. Sim? Diretamente para o mundo das fadas. O que isso implicaria? Bem, tanto faz. O meu nervosismo a parte, não iria deixar ninguém sofrer as consequências dos meus atos. - Sim, direto para o mundo das fadas. - disse com determinação, e odiando quando minha voz falhou. E então ele tocou meu braço, e aquela sensação de estar sendo rasgada em dois caiu em mim novamente.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 14 - Mundo das Fadas

Deveria ter sabido que não poderia viajar no tempo na minha forma humana. Aquela viagem havia doído como o inferno, uma vez que meu corpo se alongou e se modelou para a forma Faarica e ao mesmo tempo estava tentando não morrer pela viagem no tempo. Caímos no meio de um pátio florido e vazio, vários arbustos azuis com flores vermelhas que se espalhavam em espirais, uma fonte de mármore liso e transparente espirrava água azulada de uma fada com um cetro e uma coroa. Ao redor se juntavam árvores de mais de três metros com folhas verdes escuras, ou amarelo claras formando um grande buquê. Muitas delas tinham frutos dourados, roxos ou vermelhos. O chão era feito de ladrilho cinza polido, até mesmo refletia nossa imagem. A fonte era cercada por esse ladrilho, o qual levava por diversos caminhos entre o labirinto de arbustos, arvores e flores. Minha bunda tinha sido severamente machucada pela queda, já que estava distraída com a transformação no momento em que chegamos. Yian, é obvio, havia caído em pé e se via maravilhoso em um par de calças faery que surgiu do nada. Elas eram de um preto intenso e impossíveis de ultrapassar, apesar de parecer ser feito do mesmo material que era o meu vestido. Sim, eu havia sido mantida com o vestido rosa claro e transparente, pelo menos eu ainda tinha as vigas cobrindo minha menina. Claro, puritanismo típico de uma criação humana. Se alguém me ouvisse falando assim, provavelmente estaria pega numa bela bronca.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Ele inspirou fundo e de olhos fechados enquanto eu praguejava e me levantava. Havia uma claridade branca e suave no céu, que não

era o sol, pois apenas esquentava a nossa pele, sem nos deixar com calor. O céu era de um tom azul muito claro e não haviam nuvens. Olhando para cima eu encontrei o topo de um roxo e grande castelo, que tinha um relógio paralisado naquela torre.

O que não fazia sentido, já que o mundo das fadas não contava

tempo. Nesse momento um pino do relógio moveu e eu enruguei minhas sobrancelhas. Talvez não estivesse parado no fim das contas.

- O relógio parou quando eu me fui. - ele explicou logo antes de uma comunhão de vozes se erguer no ambiente tranquilo. Até mesmo os pássaros, ou o que fossem aqueles bichos, começaram a piar.

- Bem, agora todos já sabem que nós chegamos. - disse por fim e

limpei algo inexistente da seda. Estava tão nervosa que minhas mãos tremiam e as árvores sacudiam com os ventos provocados por mim.

- Se as árvores caírem também saberão sobre você. - ele zombou e eu fiz cara feia.

O sorriso dele murchou quando escutamos passos próximos e as

árvores, mesmo com o tronco grosso daquele jeito, envergaram como bambus ante o vento provocado pelo meu nervosismo. Cabelos brancos como os dele apareceram na entrada do caminho de número 5. O pai dele era sua inscrição. Alto, branco e loiro, cheio de estrias roxas como marcas. A diferença eram as expressões. O pai estava a ponto de separar a cabeça de Yian dos ombros, enquanto ele continuava com um tom arrogante e superior.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Thieth. - Yian cuspiu e eu me surpreendi por ele usar o nome do pai dele. Nunca havia chamado meu pai de Luís na minha vida.

- Yian. Deveria me tratar com mais respeito, ainda mais devido a situação que se encontra.

- E qual seria essa? - a ironia corroeu a beleza do lugar, deixando um gosto amargo na minha boca. Havia muita maldade naquela frase. Apesar de várias outras fadas terem chego, Thieth não deteu sua fala. Vários guardas estavam ali também, e eles mal prestavam atenção em mim. Duvidava que sequer tinham me percebido. Aliviada, os ventos ficaram mais suaves.

- Você raptou a princesa do ar e desapareceu para outra época! O que é estritamente proibido! E deixou nas minhas mãos uma situação parcialmente irreversível naquela escola. Ambos vocês. Tivemos que pegar cada humano das redondezas e apagar suas mentes. Quem sabe quanto dano infringimos? Senti minhas bochechas corarem de humilhação e meus olhos caíram ao chão. Sabia que não teria saído algo bom de tudo aquilo, e infelizmente outras pessoas já tinham pagado por isso.

- Bem, se essas regras não existissem talvez muitas coisas não teriam acontecido. - ele falou com extremo desprezo.

- Quer livre-arbítrio? Vá morar com os demônios! Essas regras com que você trata com tanto desrespeito fazem parte da nossa cultura, e muitas servem para deter catástrofes. Sinceramente espero que você e a Srta. Ylla não tenham feito nada durante esse período. Se eu pudesse ficar mais vermelha me transformaria numa pimenta. Os ventos tinham ficado mais fortes novamente, ainda mais quando eu conseguia ouvir os comentários de todos os

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

guardas ou curiosos. Bem, finalmente tinham me notado, e definitivamente isso não era uma coisa boa. - Yian Ekstürb, você quebrou uma das regras mais sagradas da nossa comunidade, me envergonho de ser seu pai e não vou te defender diante da corte. Levem-os. - a voz do seu pai era fria e dura, e se meu pai falasse assim comigo eu estaria chorando tanto que eu envergonharia uma menininha de cinco anos. Queria pegar a mão de Yian e conforta-lo, mas não sabia como isso seria aceito, e também nunca aconteceria com um par de fadas musculosas e gigantes segurando meus braços e me arrastando o caminho 5 à fora. Eu fui de boa vontade e sem dizer um pio, e assim fez Yian. Durante a escolta fui percebendo diversos animais estranhos, não pareciam como animais, mas se moviam, então não podiam ser pedras. As árvores acenavam ou se inclinava, diversas ninfas e fadas florais se esgueirando para fora dessas, castores, ou algo como isso, de tons diferentes de púrpura se arrastavam e guinchavam pelo chão, os pássaros, que mais pareciam pequenas pessoas, conversavam com as pixies, que são fadas minúsculas que podem verdadeiramente voar. Eu sou uma fada do vento e por causa do meu tamanho a única coisa que eu posso fazer é levitar pelo menos um metro acima do chão. Então quando eu disse arrastada, era literal, uma vez que meus pés não tocavam o chão. O ladrilho se transformava em uma pedra marrom, áspera porém vítrea, já que eu ainda conseguia ver meu reflexo, apenas um pouco distorcido. As árvores se afastavam com cores que iam do amarelo ao roxo, todas fazendo um movimento circular. O caminho cinco se abria para uma grande estrutura de pedra vítrea num tom de violeta. Haviam janelas gigantes, de dois

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

andares, com vidros espelhados e com um toque macabro. Intrincados padrões seguiam por toda a estrutura, cada um representando um tipo de fada, e finalmente cobrindo-a toda de desenhos. Deveria haver uns cinco andares, a porta era de vidro, mas não dava para ver o que tinha através. Na porta estava escrito

diversos nomes de cada dinastia de reis e rainhas, e as inscrições nem haviam chegado a metade da porta, mesmo quando o reino das fadas era anterior ao dos humanos. A porta se abriu para nós como se fosse por mágica. O castelo fez meu coração vibrar e minha cabeça se erguer e procurar. Ele chamava minha energia como uma carícia. Vi que Yian também sentira, uma vez que ele tentava reprimir um arrepio. O ar de dentro do castelo cheirava a ar puro. Maravilhoso. Doce. Frio. As paredes eram feitas de imagens, quase como um slide delas, que iam variando e mudando, como os espelhos no meu sonho, só que o chão era feito de cristal roxo bem escuro, quase negro. O corredor era longo e abria para várias portas do mesmo vidro que a principal. Nós seguimos reto até uma porta de dois andares que pareceu surgir do nada. Essa era feita de vigas roxas, negras, azuis,

De todas as cores possíveis e

vermelhas, amarelas, rosas

imagináveis. Dava até dor de cabeça. Porém não precisamos ficar muito tempo encarando-a. Assim que nos aproximamos novamente ela abriu, e meu coração deu um salto ante a primeira vista do salão. As paredes eram feitas de espelhos e o chão dançava com choques de diferentes cores. Se adicionasse a fumaça seria o quarto que eu havia visto nos meus sonhos. Porém não foi isso que fez meu coração vibrar.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Havia uma mulher sentada num grande trono de mármore branco

e ouro, com o estofado roxo. Ela tinha grandes cabelos vermelhos e

a pele branca marcada por padrões muito parecidos com os meus em azul claro. Tinha uma postura ligeiramente entediada até seus olhos negros se encontrarem com os meus. Minha boca secou e meu estômago contraiu.

A rainha dos ventos.

Merda. Não era assim que eu imaginava nossa re-aproximação. O que eu faria agora? Falaria “oi mamãe, então, desculpe por aparecer assim, mas parece eu que eu fui presa!”, claro. Nós paramos no centro do salão e eu reconheci meu avô na cadeira do rei, uma vez que a minha mãe não era casada. Meu avô tinha os cabelos brancos de um homem beirando os mil anos. Seu rosto ainda era livre de rugas, mas havia envelhecido, de algum modo você percebia isso. Seu corpo descansava no seu trono, que era igual ao da mamãe, como se seus ossos pesassem uma tonelada, mesmo quando ele ainda tinha o mesmo vigor de mil anos atrás.

Era para o vovô ter ido há cem anos, por isso poderia dizer que ele

já não aguentava mais sua própria companhia, e essa era a causa de

ele estar assim. Vovó já havia ido porém, então esse era outro motivo para ele se sentir assim. Por isso pensei ver alegria nos seus olhos quando ele me reconheceu. Assim que todos estavam reunidos eles se ajoelharam. Fiquei perdida durante um momento, mas segui-os logo depois. Uma agradável risada pairou no ar antes que meu avô nos mandasse levantar. - Minha querida. - ele disse assim que meus olhos grudaram com os dele. Se levantou facilmente da cadeira e seguiu para mim.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Minha mãe levantou também. - Soltem-a. - meu avô ordenou com

um sorriso antes de vir e pegar meu rosto entre as mãos. - Você é a cara da sua mãe. - ele disse antes de dar-me um beijo em cada bochecha.

- Faz tempo. - murmurei baixinho já sentindo um nó se formar na minha garganta e lágrimas encherem meus olhos.

- Sim, eu sei, mas no momento em que você escolheu ficar com

Bem, nós não podíamos mais

seu pai para tomar conta dele

visitar você.

- Eu tinha oito anos. - resmunguei. - E não sabia por que me

faziam escolher. Não sabia que nunca mais veria vocês. - o verdadeiro ressentimento transpareceu na minha voz.

- minha mãe murmurou e se aproximou com os pés

mal tocando o chão, como eu estava. Seus longos braços envolveram meu pescoço e ela me agarrou com força. Sentia as lágrimas dela contra minha bochecha e eu agarrei-a de volta.

Ela se afastou para olhar-me nos olhos, o que trouxe mais lágrimas aos dela.

- Você cresceu tanto! - sua voz falhara em cada palavra. E olha que ela estava como fada! Antes que nossa reunião se prolongasse um limpar de garganta foi ouvido e as atenções desviaram à Thieth Ekstürb.

- Rei, rainha. - ele murmurara em um tom respeitoso, mas firme, mostrando que não era hora para esse tipo de atitude.

- Sim, Chefe Ekstürb? - a voz do seu avô foi fria e dura, como metal. Ele e a minha mãe voltaram a suas respectivas posições no trono com uma pose fresca.

- A srta. Ylla Juanee e o Capitão Yian Ekstürb estão aqui por seu comportamento inadequado na presença de humanos, seguido por fuga de seu devido castigo. Capitão Ekstürb infringiu as leis

Gabriella Izzo felicio

- Meu amor

For Blood And Eyes

do tempo quando se moveu à outra época para que não fosse possível para nós rastrea-los. Ainda teremos que checar a Srta. Juanee sobre sua castidade, nesse tempo que estiveram longe não sabemos que poderia ter acontecido.

Dessa vez eu não fiquei vermelha, pois eu já esperava esse tipo de comentário. Apenas fiz um som de repulsa com a garganta. O pai de Yian era um imbecil, realmente. Dava para ver pela minha cara

a palavra grande e brilhosa: “VIRGEM”.

Rolei os olhos ante a estupidez, mas não fiz nada para impedi-lo de prosseguir. - Assim que o processo de verificação for concluído será deixado às mãos da grande autoridade sobre o castigo de ambos. Sinto muito senhores, mas ela é sua parente, então a decisão não caberá a vocês. Ylla Juanee ficará no mundo das fadas até seu aniversário de dezoito anos, daqui a dois meses e uma semana. Assim completado irá para a região da França, cursar a escola para Rainhas. O castigo de ambos será decidido e iniciado amanhã quando o relógio bater meio-dia no mundo humano. A cabeça do meu avô e da minha mãe balançavam em concordância, suas feições mostrando que nada mais poderia ser feito.

- Sua guardiã será livrada de seu castigo quando Ylla for julgada, e ambas viverão juntas durante os meses que seguirão, também irão juntas a escola de rainhas. Yian Ekstürb será escoltado para o escritório de governo agora e passará essa noite nos aposentos da desonestidade.

- Sim, faça-o. Podem ir. - minha mãe falou. - Dyanee, leve minha filha as ruas da comunidade jovem, sim? Mostre tudo a ela enquanto ela não tem sua guardiã consigo, passe a noite por lá e retorne ao meio dia para seu castigo. Pode ir. - a voz de mamãe foi

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

fria e objetiva, seus olhos porém mostravam o quão chateada ela estava por não poder passar mais tempo comigo. Sendo escoltada por Dyanee, a guardiã de mamãe, segui de volta pelo caminho que entrei, já não mais prestando atenção na paisagem, com a cabeça presa na palavra castigo. Não tinha ideia do que aquilo significava, mas no mundo das fadas, um lugar completamente diferente do mundo humano, e muito mais frio e liberal, tudo poderia acontecer. Desde ser acorrentada em praça pública nua e ser espancada por ferro quente cem vezes, a perder dedos da mão apenas para vê-los crescer novamente. Talvez cortassem o fio mágico dos meus cabelos e me deixassem temporariamente sem poderes. Sim, provavelmente fariam isso. Ou se não arrumariam um jeito de me dar uma enfermidade, ou me deixar eternamente excitada mas sem poder acabar com meu incomodo. Uma calcinha escorregadia pela eternidade seria algo que me faria sofrer. Estremeci ante o leque de possibilidades de tortura que se abria na minha mente. Com certeza minha mente era fértil o suficiente para me deixar a noite toda acordada. Percebi que enquanto andávamos Dyanee pegava diversas frutas que as árvores lhe davam e as colocava na capa que usava. Provavelmente era o que chamávamos de ilusionista, por falta de palavra melhor. Ela transformava objetos quaisquer no que ela precisava que eles fossem. Nesse momento usava a capa como depósito, colocando coisas nas suas dobras mesmo quando isso seria impossível. Fascinada durante um momento meus pensamentos sombrios sumiram. Ela me pegou a encarando e eu desviei o olhar para o chão novamente.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Não passara um dia em que sua mãe não falou de você. - ela comentou casualmente enquanto continuava a andar e a colocar alimentos na sua capa.

- Por que está me falando isso? - perguntei confusa.

Ela deu de ombros.

- Apenas tentando deixar claro isso. Sei que muitas meninas da sua idade no mundo humano se sentiriam abandonadas. Nada disso aconteceu por vontade própria, foram as grandes autoridades. Como se tratava de um assunto pessoal para a monarquia eles não puderam optar sobre o melhor nesse caso. Mesmo quando o melhor era obviamente que seus pais ficassem juntos, eles não aceitaram um humano vivendo na sua comunidade.

- Bem, isso ajuda a esclarecer por que tive que escolher entre meus pais quando tinha oito anos. Escolhi meu pai por que sua memória iria ser apagada, e muitas vezes isso resulta em algumas sequelas, eu tinha que cuidar dele. Ele sempre está confuso, pois ele era um humano extraordinário, então sempre recebe fragmentos de pensamentos e memórias que ele não se lembra. Vive se chamando de louco. É uma realidade deprimente.

- Infelizmente não há nada a ser feito. Fiquei quieta e deixei o silêncio erguer entre nós novamente. Ao inferno com o “não há nada a ser feito”, na minha opinião havia sim. Devolver a sua memória e deixar ele e a mamãe juntos de uma vez, e que a “grande autoridade” se foda. Demorou mais algum tempo para nós passarmos do ladrilho a um piso azulado cheio de cristais e polido o suficiente para o meu reflexo aparecer claramente. Será que nada sujava naquele lugar? Mesmo com tanta terra roxa espalhada por todo canto?

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Ainda descrente do mundo das fadas, segui Dyanee através de diversas cabanas feitas das marcas dos seus moradores numa pedra cinza misturada com cristais brancos. As portas ali eram

feitas de vigas invés do vidro transparente, e haviam poucas janelas espalhadas, porém todas com o vidro reflexivo.

Vi várias fadas na sua pura essência. Algumas regavam flores com

água do rio, outras conversavam com as árvores ali perto, outras flertavam com meninos-fada, outros flertavam com meninas-fada, ou meninos com meninos e meninas com meninas. As fadas eram extremamente liberais, a única obrigação entre os casais era

procriar, então depois disso o casal pode ter o parceiro que quiser. Apenas entre a realeza havia a maldição de sangue, então apostava que todas aquelas meninas já conheciam como era ter um homem. Alguns viram-me passar, com os olhos arregalados ante a princesa do ar, mas fizeram pouco caso, afinal eu era apenas uma princesa, e nem sequer tinham certeza de quem eu era. Nós paramos diante uma cabana feita de pedra roxa com cristais polida, assim como todas as outras, apenas que as marcas nessa estavam sendo criadas agora, imitando as minhas. Seguimos casa a dentro.

O piso era morno sobre meus pés e era de vigas roxas escuras, as

paredes eram de cristal branco polido e haviam alguns moveis

espalhados por ali. Um aparelho receptor que captava as atividades do mundo humano, quase como uma televisão, prateleiras cheias de livros, uma cozinha com aparelhos mágicos e estoques cheios, duas portas ao lado da cozinha, uma lareira com fogo azul já

aceso

Não era casa, não cheirava como casa e nem se parecia como casa. Então, consequentemente, não poderia me sentir tranquila e segura nele.

Gabriella Izzo felicio

O lugar era aconchegante, apesar de eu me sentir fria nele.

For Blood And Eyes

- A primeira porta é as acomodações, a segunda tem um chuveiro, uma pia e um espelho, junto de um closet com toda a roupa faery que você precisar. - Dyanee se aproximou da bancada da cozinha e passou a encher uma cesta de cristal transparente com as frutas que as árvores lhe deram. - Vou passar o dia de hoje com você e se quiser te apresentarei à algumas pessoas e ao rio. O chuveiro canaliza apenas a água natural dos rios faery, e então a água é

fresca. Tudo que está na cozinha é natural, então não há riscos de contaminação por parte de fast-food’s, ou o que for. Há um

Como se chama? Computador. Isso, computador. Que

você poderá usar durante sua estadia prolongada, mas não agora. A televisão e o computador estão revogados, se quiser pode ler alguns livros enquanto eu faço o jantar. - quando ela disse “jantar” as luzes do mundo das fadas começaram a vacilar e a escurecer, indicando que a noite chegaria logo.

- Uh, vou tomar um banho então. - disse finalmente e segui para a porta de número dois. Não vi sua reação, mas pareceu que ela acenou com a cabeça. Fechei a porta atrás de mim.

O banheiro era feito de ladrilho frio e paredes de cristal. Havia

uma seleção de roupas de seda e linho nas laterais enquanto no canto esquerdo tinha um chuveiro de vidro e um espelho de corpo inteiro ao lado de uma pia feita de porcelana flutuante. Dirigi-me para o chuveiro, indagando como iria liga-lo se não

havia nada a não ser o grande quadrado de vidro. Tirei as roupas e abri a porta.

A água fria foi derramada de todas as direções em um jato

poderoso. Num primeiro momento eu estremeci com o choque de temperatura, mas foi rápido, uma vez que as fadas tem sangue frio. Não tinha sabonete nem shampoo nas proximidades, então me banhei apenas com a água. O jato durou cerca de dois minutos

Gabriella Izzo felicio

aparelho

For Blood And Eyes

com uma força que não deixava dúvidas sobre minha limpeza. Assim que o fluxo de água parou uma leve névoa se ergueu ao meu redor me deixando seca. Isso sim era eficiência! Saí do banho revigorada e seca, minha pele estava macia e suave como uma bunda de neném, e meus cabelos se enroscavam pelas minhas costas se sentindo mais deliciosos como nunca. Me sentia num comercial de shampoo humano. O espelho de corpo inteiro mostrava que minha pele e cabelo resplandeciam. Satisfeita com o resultado do banho rápido fui selecionar algo adequado para à noite.

Encontrei um vestido de seda negra transparente que ia até os pés

e

uma espécie de tapa sexo de um negro consistente. Coloquei-os

e

me maravilhei com o resultado.

Parecia pronta para uma execução, então imaginei que condizia com meu estado de espirito, uma vez que o castigo não parecia nem um pouco diferente de uma condenação. Saí do banheiro menos animada do que quando saíra do chuveiro. Toda a alegria pela eficiência do banho evaporada de mim, e a depressão por parte dos acontecimentos da tarde colando na minha pele. Encontrei Dyanee diante de um fogão mágico. Ela ergueu o olhar para mim mas logo voltou a comida. Cheirava bem. Segui para a estante de livros ver o que havia. Não tinha o que fazer, então decidi esperar pelo jantar desse modo. Enquanto escolhia um livro Dyanee começou a falar. - Vou te levar conhecer meus filhos hoje, se estiver tudo bem para você. Você brincava com Thobyah quando eram bebês, e Àpthyla já carregou-a no colo. Você e Sohpyè vão se conhecer na escola. Ela também seguiu o ramo de guardiã. - o orgulho de cada um

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

dos seus filhos era ouvido na sua voz, e eu de repente quis ter um irmão.

- Adoraria conhece-los, acho que me lembro de Thobyah. Era ele que vivia comendo a cabeça das minhas Barbies? Dyanee riu e balançou a cabeça, como pude sentir pelo ar.

- Sim, ele mesmo. Ainda bem que não faz mais isso. Durante os meses que ficará aqui não precisará ficar sozinha

- Dyanee, o que eles farão com Yian? - fiz a pergunta que pairou no fundo da minha mente e a qual eu estava tentando evitar pensar. Ela ficou em silêncio durante um momento e eu me virei para

olha-la. Ela havia tirado o recipiente de pedra do fogão e despejava o conteúdo numa vasilha de cristal.

- Não sei, algo bom não será.

- Onde ele está? - a preocupação tingindo meu rosto.

- Passará a noite no que os humanos chamam de cadeia, pelo fato de ter te raptado. Fiquei quieta, pois tinha realmente sido levada contra minha vontade.

- Mas

- Sim, eu sei que você quer protege-lo, mas não há como fazer isso. Você consentiu ir à outra época?

- Mmmm

Não foi bem assim. - o protesto foi suave e quase inaudível.

Não exatamente. Mas ele tampouco perguntou, então

- dei de ombro e ela riu ligeiramente.

- Sim, isso é chamado sequestro. O que vocês fizeram durante esse fim de semana?

- Bem, se você se refere a, hm, sexo, não aconteceu. Ainda sou virgem como um botão de flor.

- Que comparação. - ela disse com diversão e colocou o pote de cristal cheio de algo parecido como macarrão em cima do balcão que tinha as cadeiras.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Enfim. - dei de ombros e fui me sentar com ela. - Quem eles consideram culpado do negócio da cafeteria?

- Ambos. Você o provocou, então consideram você a com a maior

parcela de culpa, mas se ele não tivesse matado aula e perdido a compostura por aquele comentário a escola inteira não teria se manifestado.

- Então eu sou a causadora e ele o efeito dominó.

- Sim, basicamente isso. Ela me deu um garfo e uma faca de prata antes de começar a comer sua comida. Tentei uma primeira garfada. O macarrão tinha um leve gosto de nozes, vinho e carne.

- O que é isso? - disse maravilhada.

- Se eu te contasse, você não comeria.

Recuei e engoli. Encarando-a eu disse cautelosamente:

- O que é isso Dyanee?

Rindo, ela respondeu:

- Fígado de squetchuy.

- O q-que?

- Fígado de esquilo faery.

Saí correndo e lamentei pela primeira vez a falta de uma privada. Enquanto vomitava na pia do banheiro ouvi a risada dela vindo da cozinha. Sim, era muito engraçado, hahahaha, meu estômago estava morrendo de rir.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 14 - Os Dimmytes

Quando já estava completamente escuro, um grupo de homens

bateu a minha porta. Ignorante de onde estava me metendo abri a porta.

- Uh, sim? - disse desajeitadamente.

- Poderíamos entrar Pricesa Ylla?

- Mmm

- eles não esperaram a minha resposta e invadiram. - Ei!

- reclamei em descrença. Eles se olharam e um dos três homens segurou meus braços atrás das costas enquanto outro segurava minhas pernas, e outro arrancava minha “calcinha”. Não vou descrever o que houve, mas sob meus resmungos e gritos de indignação os homem checaram sobre minha castidade. Vermelha como um pimentão de tanta irritação eu dei uma surra em cada um deles após o incômodo. Me sentia estuprada por aqueles estúpidos, e mostrei-os que mexeram com a princesa errada. Havia tanta fúria que a casa quase

caiu em cima de nós pelos tornados que passaram por ali. Privei os três de ar e arranquei seus braços assim que suas mãos saíram da minha calcinha. Só não os matei por que Dyanee chegara a tempo de me impedir.

- Que isso garota! - ela brigou comigo. - Quer ganhar uma punição maior?! Pois se você pensa que a que vai receber não é suficiente você está muito enganada! A grande autoridade tem um histórico de torturas inimaginável, não pense que eles pegarão leve! Se você tivesse matado-os eu nem gostaria de ver o que aconteceria com você! Sua mãe enlouqueceria, com certeza.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Desculpe, mas não estou acostumada com um bando de homens desconhecidos chegando já me desnudando e metendo as mãos em mim! Com certeza agora eles tem a prova da minha castidade. - cuspi a palavra com ódio e nojo. - Ok. Deixe isso. Já passou. - Dyanee respirou fundo, sua pele branca vermelha de raiva. - Vamos para a minha casa, vou te apresentar meus meninos e depois nós vamos dormir. Thobyah sabe fazer um delicioso torta de alleggyo. - Uh

- Alleggyo é a fruta roxa.

- Ah, ok. Saímos de casa logo depois disso conversando sobre banalidades ou falando sobre os filhos dela. Dyanee certamente amava falar sobre eles, e estava completamente encantada por eles. Sua casa ficava fora da “comunidade jovem”, como minha mãe havia chamado aquele lugar. O piso do lugar em que paramos era de mármore branco e as casas davam três das que a comunidade jovem tinha. Cada casa era de uma cor e tinha diversos padrões, cada uma com um jardim natural à sua frente, e com árvores rosa a sua volta. Havia até mesmo um córrego de água cristalina correndo no meio daquele lugar. A terra roxa se espalhava por onde não tinha o mármore e as árvores, arbustos e flores habitavam seu espaço. A casa dela era de um vermelho intenso e com intrincados padrões em vinho, as janelas eram todas brancas com o vidro espelhado, e a porta se igualava a do castelo. - Como se chama essa parte? - perguntei meio abobada pela maravilhosa paisagem que rodava a minha volta.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Quintal dos deuses. - ela disse enquanto a porta se abria e ela

entrava. - Te apresentaria ao meu marido, mas ele está em reunião com seu avô. Thobyah! Àptyla! Meu estômago rosnou enquanto eu seguia para dentro atrás dela.

O cheiro da torta era maravilhoso, fazia-me salivar e eu contive um

gemido de prazer. Se o gosto fosse tão bom quanto o cheiro eu definitivamente morreria.

- Na cozinha, mãe! - uma voz grossa e adulta foi ouvida de algum lugar à esquerda da casa.

- Tô descendo! - uma voz praticamente idêntica veio do andar de cima. O barulho de passos foi ouvido nas escadas de porcelana flutuante. Era o reino dos ares, afinal, o reino mais prático e moderno entre os reinos. Isso não significa que só morem dominadores do vento, uma vez que esses eram escassos. Aqui viviam todos que buscavam esse tipo de conforto. Um homem com cara de vinte e três anos desceu as escadas. Seus cabelos eram do mesmo negro azulado da sua mãe e tinha os olhos

negros comuns das fadas. A pele era mais escura que a de Dyanee

e seus músculos bem definidos. As marcas desciam até onde a

calça negra permitia ver, e ele já tinha um companheiro, uma vez que essas eram tão espessas que metade do seu corpo era vermelho, como Dyanee. O filho e a mãe eram muito parecidos, ambos com o rosto oval com os lábios grossos, sobrancelhas delineadas e arqueadas e olhos puxados. Ele abriu um largo sorriso ao me ver.

- Princesinha! - ele disse alegremente e assim que atingiu a base da escada caminhou com os braços abertos. Aceitei seu abraço.

- Não a chame assim Àptyla.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Ele me afastou e olhou no meu rosto, ignorando a mãe.

- Você cresceu pra caramba! Me lembro de quando você era um bebê pequenininho peso pena. Nasceu com a contagem em gramas e flutuando. - ele balançou a cabeça - Minha mãe não tirava os olhos de você, mesmo quando Thobyah tinha acabado de nascer. Já chamava-a de princesinha. A rainha então! Parecia que sua estrela havia mudado de órbita e se chamava Ylla.

- Pare de amolar ela. - Dyanee rolou os olhos para seu filho, ela mais parecendo irmã dele do que mãe. - Venha, vamos ver Thobyah.

- Não faça isso mamãe, o garoto vai se apaixonar. - Àptyla zombou e eu ri balançando a cabeça numa negativa.

- Ah, claro. - o sarcasmo saiu antes que eu me impedisse.

- Pare de modéstia Princesa, você certamente bate até mesmo sua guardiã no quesito beleza. Parece uma boneca de porcelana.

- Bem, obrigada então. - dei de ombros e ele passou o braço por eles, caminhando comigo para a cozinha e me enchendo de elogios enquanto via Dyanee ao meu lado rolar os olhos e contribuir com comentários sarcásticos ou risadas sobre o que ele falava.

A cozinha cheirava maravilhosamente. Não havia um cheiro que

estivesse na minha memória com o qual eu pudesse comparar, mas certamente chamaria de Ambrósia.

Thobyah estava de costas para nós, e eu via que seu padrão era do lado oposto ao meu num tom de negro profundo que marcava sua pele clara. Chegava até as costelas e parecia sair do ombro e se estender para as costas, não do pescoço para as costelas. Meu estômago escolheu resmungar nessa hora e ele se virou ante

as risadas que explodiam ao meu redor.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Seus olhos negros encontraram com os meus e uma deliciosa surpresa mostrou refletida neles. Ele tinha o rosto quadrado e as maças do rosto altas, os olhos eram grandes e os cílios batiam nas

suas sobrancelhas baixas e retas. Seu nariz era reto e perfeito, os lábios carnudos, mas não muito. O cabelo estava preso com uma faixa negra na nuca e era tão negro quanto o do seu irmão. Ele era alto, mas mais baixo que Àptyla, os ombros largos e os músculos fortes o bastante. Ele sorriu e exibiu dentes pontudos e brancos. Sorri de volta.

- Veja quem está com fome! - ele disse bom-humorado. Quando ele se virou totalmente vi que suas marcas eram diferentes. Elas sombreavam a maça do rosto e desciam pela borda do lado esquerdo, assim desciam pelo pescoço e atravessavam o peito cobrindo o ombro e o braço inteiro, e depois abrigando as costelas.

- Faz tempo Thobyah. - falei ainda com um sorriso estúpido nos lábios.

- Realmente Ylla. Deixe-me ver você. - ele se afastou do fogão e tirou-me dos braços do seu irmão. Dyanee estava quieta enquanto Àptyla fazia diversos comentários zombadores. Nem liguei. Thobyah me girou nos seus braços fazendo um som de aprovação que tingiu minhas bochechas de escarlate e fez minhas sobrancelhas se erguerem em ceticismo.

- Bem, vejamos o que nós temos aqui então. - com um sorriso nos lábios fi-lo virar para admirar seu corpo do modo que fizera com o meu. - Bela bunda.

- Todas falam isso. - seu tom indicou a brincadeira, mas mesmo assim o falso som de gracejo fez-me mais vermelha e eu ri. - Acho que alguém quer torta. - ele mexeu as sobrancelhas.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Vamos ver o que um homem pode fazer na cozinha.

- Soa como uma machista humana para mim. - ele me guiou até a mesa e puxou uma cadeira para eu sentar.

- Prove-me do contrário. - zombei e ele riu indo tirar a torta do forno. Dyanee se sentou com o cenho franzido e Àptyla continuou a sua conversa.

- Faz quantos anos humanos?

- Quase quatorze. Mamãe saiu de casa quando eu tinha oito, isso foi a nove anos atrás.

- Nossa, faz tempo mesmo.

- Sim. Me conte, quem é seu parceiro? - falei me inclinando na mesa e espiando a atividade de Thobyah enquanto conversava com ele.

- Seu nome é Leyon, ele é perfeito. - Àptyla suspirou e eu sorri. - Claro que nós temos a nossa parceira, os homens que são casados sempre tem uma mulher para procriar. Seu nome é Angylee, também é perfeita e está esperando gêmeos.

- Parabéns! - sorri para ele e lhe apertei a mão. - Se eu tiver a oportunidade de conhece-los algum dia, seria um prazer.

- Claro que sim! Se tivesse chego pouco mais cedo eles ainda estariam aqui. Mas Leyon foi levar Angylee para dar uma volta no jardim. A gravidez é algo estressante para ela.

- Imagino que sim. - sacudi a cabeça numa afirmativa.

- E

- como ele prolongou a letra imaginei que fosse falar algo

que me deixasse desconfortável. - Como eu soube, você acabou aqui por causa do seu parceiro.

- Sim. - suspirei e me remexi na cadeira, não querendo falar sobre aquilo realmente. - Amanhã vão me dar algum castigo sobre isso. Nem quero pensar no que poderá ser.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Bem, provavelmente vão tirar de você algo que você queira muito. - Thobyah interveio na conversa enquanto trazia a torta e a pousava num prato de porcelana. Colocou garfos de prata na mesa antes de se sentar.

- Não sei algo que eles possam me tirar que já não tenham tirado. - disse para ele com raiva mal escondida.

Ele ergueu as sobrancelhas enquanto cortava a torta e distribuía os pedaços nos pratos.

- Não sei o que farão Ylla. - Dyanee disse e eu voltei meu olhar para ela, que ainda olhava para o mármore flutuante da mesa com o cenho franzido. - Mas certamente fará você se machucar

muito emocionalmente. Seu pai está fora de questão, então talvez seja com sua mãe. Acho que não deixarão você ver a ela ou ao seu avô durante algum tempo.

- Eles não podem fazer isso. - ofeguei em descrença. - Acabei de vê-los e nós nem falamos por que aquele imbecil do Thiath tirou- me do lugar. Yian certamente não merece tê-lo como pai. - resmunguei com veemencia. Um prato deslizou para minha frente e eu ergui os olhos para Thobyah, que tinha uma expressão séria no rosto, e o maxilar apertado.

- Você está comprometida com Yian Ekstürb?

- Uh

Ele continuou olhando-me durante alguns segundos e depois levantou da mesa, levando consigo o seu prato e resmungando. Ele esqueceu que eu podia ouvi-lo.

- Como todas ela se derrete por aquele imbecil do Ekstürb. Aposto que ela não sabe a primeira metade da maça podre que ele é. Nunca ele mereceria selar o contrato com ela. Nunca chegaria aos pés dela, e por mais imbecil que ele é, é por isso que ele a raptou. Se a guardiã tivesse

- seu tom frio e irritado fez-me vacilar. - Sim

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Mas não, Sierra foi domada antes

disso E os resmungos continuaram, mas foram encobertos pela conversa que ergueu ao meu redor. - Ignore-o, coma. Quero ver sua cara. - Dyanee disse alto e rapidamente. - Promete que não vou vomitar dessa vez? Por que eu não sei onde fica o banheiro nessa casa, e eu não me arriscaria se fosse você. - zombei fazendo como ela mandara, deixando para pensar no que eu ouvi mais tarde. - Prometo. Essa torta é a coisa mais deliciosa que você vai provar um dia. - ela disse com um sorriso e Àptyla, que estava com um pedaço de torta na boca, murmurou um som em concordância. Peguei um pouco com o garfo e coloquei na boca. Soltei um gemido de prazer. Ambrósia. O gosto era delicioso, doce como chocolate, ligeiramente apimentado, fresco como uvas, e não enjoativo. Derretia na língua. A massa era salgada, mas tinha mel

espalhado por sua superfície com grãos de açúcar. Era a coisa mais gostosa que eu já havia experimentado.

- Mmmm

Isso é maravilhoso. Ambos concordaram com seus próprios resmungos de prazer. Assim que abri os olhos encontrei Thobyah me encarando da porta. Seus olhos estavam entrecerrados e os lábios ligeiramente abertos. Meu coração tombou e eu passei a língua pelos lábios. Ele piscou ante a ligeira língua rosada e se tocou que eu havia pego-o. Saiu rapidamente dali. Estava excitada. Meu deus. O que há de errado comigo? Um olhar? Apenas isso? Sacudi a cabeça e voltei a comer torta.

começado a falar com ela sobre ele

- murmurei em êxtasy e me encostei contra a cadeira. -

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 15 - A consequência dos meus atos

Meio-dia chegou rápido de mais. Diferentemente do que pensara, eu dormi muito bem a noite. Havia tocado o maravilhoso travesseiro que parecia feito de nuvens e desmaiado num sono sem sonhos, mas com o nome de Yian e o de Thobyah retumbando na minha mente. Agora mesmo estava vestida com um vestido tomara que caia roxo- escuro que ia até os pés, e com um tapa-quase-nada-sexo característico das fadas, num tom negro. Meus pés não tocavam o chão enquanto era escoltada até a praça principal, que ficava de cara com a torre do relógio. Não reconheci o caminho ou a paisagem ao meu redor. Minha mente estava focada apenas em Yian. Me sentia uma esposa preocupada, o que era o que eu basicamente era. Isso soou confuso? Bem, tanto faz. Não havia visto ele durante mais da metade do dia de ontem, e estava preocupada. Sabia que meu dia havia sido muito bom à partir do momento que escurecera (se excluirmos a hora em que vieram checar minha castidade e a hora da janta), já ele tinha ficado na prisão. Demorou o que pareceu uma eternidade para que as árvores e arbustos floridos abrissem caminho para uma grande praça com o piso de pedra vítrea em cor de ouro com bancos e jardins planejados em volta de um grande palco circular flutuante. Yian estava em cima, e os detalhes já não importavam. Deus, como eu senti saudades! Ele estava com os cabelos maiores, quase roçando a ponta das orelhas. Ainda estava deslumbrante, porém tinha uma pose arcada, de quem havia passado por maus bocados.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Os ventos se tornaram espessos ao meu redor, balançando as árvores e levantando algumas saias, não que houvesse algo a esconder, mas Yian se voltou para mim e um fraco sorriso iluminou sua cara. Meu coração pulsou mais forte. Thobyah, quem? Sorri de volta, mesmo que eu soubesse que iríamos nos foder legal agora. Fui escoltada para o palco sem sequer reconhecer as pessoas ao meu redor, com os olhos presos nos dele. Fui posta ao seu lado e obrigada a olhar para frente, o que foi a única razão de não olha-lo mais. Assim que eu havia chego os murmuros das pessoas que vieram assistir ao castigo - me sentia na era medieval numa típica execução em praça pública - haviam sido abafados ao silêncio e a sua ansiedade me fazia ter o impulso de roer as unhas. Uma voz grossa vinda de trás de mim indicou:

- Começou a atribuição. - nem os pássaros respiravam agora. - Yian Ekstürb, acusado de provocar uma reação de manifestação em massa num colégio público humano, sequestrar a princesa do ar, viajar no tempo e ameaçar a mais antiga regra social das fadas dos ventos, te condeno a cinco anos de isolamento absoluto, mais o corte do seu fio de habilidade por dez anos, também será inabilitado de completar a cerimônia ou sequer ver sua parceira durante os próximos anos em que ela ficar na academia. Um protesto cresceu na minha garganta, mas a mão de Yian esmagou a minha para que eu o contivesse. Alheio a minha revolta e a mão de Yian contra a minha, a autoridade maior continuou. - Ylla Juanee, acusada de ser a causadora da reação do Sr. Yian Ekstürb, de fuga sobre as consequências, de se manifestar num

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

colégio público humano e do aleijamento de duas fadas indicadas para verificar sua fidelidade com a lei de nº 245, te

condeno a dois anos de isolamento com sua família faery, cinco anos sem contato com seu parceiro e está proibida de visitar o mundo humano por pelo menos quinze anos.

- Mas

- Há algo que gostaria de complementar Srta? - a voz arrogante e irritante perguntou.

Soltei a mão de Yian e me voltei para encarar a Faery pálida e meio esverdeada.

- E quanto ao meu pai? Eu tenho que tomar conta dele, e se eu simplesmente desaparecer ele vai

- Não se preocupe com isso Srta.

- Por que não? - exigi já pressentindo o pior.

- Seu pai foi mandado ao Além.

- o protesto escapou e Yian esmagou minha mão.

- Ainda vivo? - minha boca caiu e eu olhei o homem com ódio, profundo ódio. Um choro foi ouvido na platéia.

- Sim. A cerimônia está encerrada e o castigo começa agora. - o homem de olhos frios bateu as mãos juntas e um grupo de guardas veio nos levar. Havia alguém gritando sob os ventos violentos, mas não sabia quem era. O palco se agitava sob minha fúria, as árvores dobravam e as ninfas choravam por isso. As fadas florais se encontravam deitadas nas bases das árvores para segura-las inteiras. Descobri que o grito vinha de mim. O ar tremulava e o chão tremia. Em um momento a pressão atmosférica cresceu tanto que as fadas eram esmagadas, mas continuavam vivas, já que eu não tinha poder suficiente para mata-las simplesmente. Em um momento o mundo das fadas era um caos causado por mim, por minha fúria. No outro tudo explodiu em calmaria. O

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

homem verde batera as mãos juntas novamente e meu poder se encolheu de volta à sua gaiola como um coelhinho assustado. Impressionada e irritada, eu olhei para ele. - Você é uma criança imatura e estúpida. Nunca pense que você pode intimidar uma autoridade maior. Seria burrice de mais até mesmo para uma cria humana. - ele cuspiu as palavras com desprezo. Com outro bater de palmas, ele sumiu. Os murmurios cresceram rapidamente, lembrando-me dos centros lotados do mundo humano. Várias vozes juntas conversavam em voz alta e nem sequer ligavam que nós pudéssemos ouvir.

Eram coisas tão idiotas que nem valia a pena reproduzir. Sei que momentos depois, ainda em choque, mãos fortes agarraram meus braços e me puxaram. Meus olhos se prenderam nos de Yian, que também tinha duas fadas, que antes estavam sobre seu comando (viúvas negras) agarrando seus braços e o arrastando longe.

A angústia deveria ser evidente no meu rosto, por que o dele

refletia a mesma coisa. Cinco anos. Sem ao menos ouvir falar sobre ele. Ok, ok, admito que ontem eu mal lembrei dele, e não existia todo

Sentimento no caminho, mas passar um dia sem ele já fora o

esse

suficiente para vinte anos, quem dirá sobre dez anos sem vê-lo? Ao que me consta os julgamentos faery não podem ser facilmente burlados como os humanos. Se te tão uma sentença de dez anos, você cumprirá mesmo que você balance o rabo e role no chão, sem redução de pena por puxa-saquismo.

Yian desapareceu e eu fiquei ao ponto do desespero, porém deixei

os guardas me levarem, não queria ganhar mais um segundo sem ele só para ter um vislumbre dele.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Eles me arrastaram todo o caminho de volta a minha cabana sem eu sequer me mover. Minha mente trabalhava contra minha

vontade, tentando buscar uma brecha no julgamento para que eu pudesse ver o Yian.

E havia meu pai.

Ele se tornaria uma alma perdida no Além se ninguém o tirasse de

lá logo. E Lucy. Onde estava ela, junto com ele?

Tremia de modo violento e as lágrimas saltavam dos meus olhos. Pelo menos eu me encontraria com Sierra logo, e talvez ela me ajudasse a acabar com todo esse sofrimento. Fui deixada na cabana sozinha, porém eu sabia que as fadas não

haviam saído da porta. Eu podia sentir isso pelos ventos, e é claro que eles nunca iriam me deixar sozinha e sem supervisão dado que eu acabei de ter minha sentença julgada, e fui condenada a cinco anos de desespero + virar orfã de pai. As lágrimas borravam a minha visão, mas eu ainda podia ver o contorno das coisas, então eu flutuei até o quarto ainda tremendo e não querendo chorar. Quase bati de cara com a porta, mas fui bem-sucedida em abri-la na hora em que eu passava. A cama gigantesca me esperava e eu me joguei nela de bom-grado. As lágrimas caíram mesmo eu sem emitir um único som. Fiquei durante o que pareceu muito tempo assim. Chorando. Chorando.

E lágrimas escorrendo dos olhos.

Ou seja. Chorando. Chorei tanto que até esqueci o por que de estar chorando, e quando eu lembrei, eu chorei mais um pouco.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Em fim, entenderam toda a tragicidade - derivado de trágico - do momento. Como eu havia chorado mais do que um humano normal

conseguiria, eu saltei da cama e fui para o banheiro. Talvez outro banho limparia aquela sensação de que um parente havia morrido. Pera aí Bem, basicamente meu pai tinha morrido. Antes que eu pudesse me deprimir mais por isso, ou pelo fato de que iria demorar até eu ver meu Yian de novo, eu entrei no quadrado de vidro e fui assaltada pela água fria. Foi uma benção aqueles jatos, fizeram meus músculos se relaxarem, e a mágica contida nela me deu uma satisfação temporária que acalmou meus nervos. Saí do banho com um sorriso minúsculo nos lábios. Fui me ver no espelho para checar as bolsas de inchaço que ficavam debaixo dos olhos após chorar.

Meu rosto nem sequer estava vermelho mais

Olhei minhas marcas mais de perto. As pontas roxas estavam escurecidas, negras. Não estavam assim antes. Chequei em todas as marcas, e todas estavam começando a escurecer. Como? Passei um dedo na pele lisa e a encontrei ligeiramente estriada, como se as marcas fossem recentes. Tirei o dedo rapidamente quando senti a pele esquentar. Assustada com aquilo decidi esperar Sierra para perguntar para ela sobre isso. Ela deveria estar aqui, certo? Coloquei calças negras transparentes e uma calcinha preta juntamente de uma blusa de mangas cumpridas cobre transparente. Antes que eu sequer saísse do banheiro o ar me avisou que alguém havia acabado de entrar na casa.

Gabriella Izzo felicio

O que?

For Blood And Eyes

Saí e encontrei Sierra com Dyanee na cozinha.

- Ei. - minha voz falhou e estava rouca de tanto chorar. Com isso a água faery não me ajudou.

- Sinto muito Ylla. - Sierra disse com pesar e saltou do banquinho flutuante para me dar um abraço. Abracei-a com força durante um momento. Assim que nós nos separamos Dyanee disse:

- Devo manter um olho em você pela sua mãe. Ela pediu que me fizesse de pombo-correio entre vocês. - ela sorriu antes de continuar - pelo menos vocês vão poder mandar recados uma para outra. Ela mandou eu te dizer que vai conversar com o Peery.

- A autoridade maior de hoje?

- Sim

- Dyanee

- Eu estou vendo.

Sierra colocou um dedo nas marcas acima da minha sobrancelha e afastou-a com rapidez, como se algo a tivesse surpreendido. Dyanee havia se aproximado e agora me olhava com assombro.

- São frescas. - Sierra murmurou.

- O que está acontecendo? - perguntei um pouco confusa.

- Suas marcas estão crescendo, mas você e Yian não completaram a união. Não deveria crescer. - Dyanee murmurou para si mesma.

- Ylla, vá se deitar um pouco, eu e Dyanee vamos fazer algo para você

- Eu não sou uma criança Sierra. - disse com certa frieza. - Não vão esconder nada de mim. Se você e Dyanee precisam conversar, bem, façam na minha frente. Sierra me encarou de volta com os olhos endurecendo aos poucos.

- o cenho de Dyanee se franziu.

- Sierra falou.

comer

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Não posso. Preciso que você descanse Ylla, depois nós conversamos, eu prometo. Mas por enquanto você não pode saber sobre isso, eu ainda não tenho certeza. Suspirei. Obvio que, se eu não dormisse ela iria me colocar para dormir, então eu arrastei meu traseiro empinado para o quarto e me joguei na cama, estando exausta de tanto chorar, eu dormi na hora.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Capitulo 15 - O fim

O sonho começou como o outro. Na sala do trono, a sala dos espelhos.

Apenas que dessa vez ela estava negra. Os espelhos nada refletiam. O chão era de um roxo apagado, violeta.

A fumaça era negra e se reunia em torno da sala redonda, dando a ela

um ar macabro. Em todo o lugar que eu olhava havia uma menina de cabelos vermelhos escuros com mexas roxa e pretas misturadas, dando um tom de vinho ao seu cabelo. Os olhos eram negros, como toda as faerys, e as marcas eram negras também, num padrão intrincado que pegava as sobrancelhas inteiras e

desciam pelas maças do rosto até o pescoço e as costelas. Parava ali. Mostrava que nenhum companheiro ela tinha. Mas nos seus olhos outra coisa se refletia. Depois de um tempo girando em círculos e encontrando apenas aquela menina, supus que ela era eu. Como eu tinha mudado, nem me reconheci! Cansada de rodar em círculos em busca de uma saída, finalmente deixei meu corpo cair no chão, no centro do salão. Acima de mim a infinidade do espaço se mostrava, dando um show de luzes e de escuridão. Era diferente aqui - pensei. No mundo humano nada brilhava. Aqui, tudo brilho era.

A fumaça começou a dançar sobre minha visão, apagando o mundo que

eu vira, sufocando-me, cegando-me. Deixei-a fazê-lo durante um momento. Assim, pulei para longe das suas garras. - Ylla? - uma voz forte, profunda e grossa retombou pelo lugar. Ylla. Essa era eu, certo? - Quem está ai? - respondi a voz. Girei e nada encontrei, girei uma segunda vez e uma negra sombra se mostrou.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

- Sou eu. - a voz sussurrou com um sorriso. A luz da lua o belo rosto dele apareceu. Sorri ao meu amigo de infância.

- Thobyah, é bom vê-lo.

- É bom que você me veja. - ele disse com uma bela risada no fim. Olhei para os cantos, onde sua risada ecoava, e quando voltei-me para olha-lo, ele havia ido, e o silêncio deixara. O sorriso escorreu dos meus lábios aos poucos. O frio glacial dentro de mim me assustou. Girei mais umas tantas vezes, a fim de encontrar o calor. Quando estava pensando em me deitar novamente um risco de cabelos louros-brancos chamou minha atenção. Minha recepção aquela visão foi muito mais amistosa.

- Yian! - gritei e corri ao seu encontro.

- Ei! - ele respondeu rindo enquanto me pegava nos seus braços. - Senti tanto sua falta! - ele disse e cheirou meus cabelos. Não disse nada, invés disso respondi-o com um beijo, longo e apaixonado. Ficamos incontáveis minutos assim, suas mãos na minha pele nua, meus seios contra seu peito, meus lábios nos seus suaves e deliciosos com gosto doce.

Seus dentes agarraram meu lábio inferior e o sugou, arrancando um leve gemido de mim. Abri os olhos para ele. O negror me olhava de volta. Afastei-me para olha-lo. Ele tinha um sorriso triste e murmurou.

- Ylla, nós não veremos durante um tempo, meu amor. Mas prometo-lhe que voltarei assim que tudo tiver acabado. Confusa com suas palavras, nada eu disse. Foi apenas quando sua carne começou a escurecer e o cheiro de queimado alagou meus sentidos que eu comecei a gritar. E o grito dele junto ao meu. Dor. Dor. Dor. Meus dedos queimavam, meus olhos ardiam, tinha vontade de arranca- los para parar aquela dor!

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Tudo em mim ardia e machucava, o cheiro de carne queimada subindo nas minhas narinas, entupindo meu paladar, entupindo meus sentidos. Nada ouvia, meus tímpanos já eram, apenas um chiado insuportável sobrara. Meus olhos nada mais viam, apenas o negror da cegueira. Meus lábios nada diziam, pois já não passavam de carne carbonizada. Mesmo assim reuni forças para um grito final, já caída no chão, em nada mais que carne enegrecida. O grito foi insurdecedor. E foi assim que eu acordei para o meu fim.

***

Acordei chorando tão forte que meu corpo se sacudia e balançava a cama. Tive apenas uma ligeira consciência de Sierra correndo quarto a dentro e me segurando apertado contra seu peito. Mas era como no sonho. Não havia nada além da dor lascidante, do sentimento de perda, do sofrimento que corroía o que sobrara da minha consciência. Não parava de tremer nem de chorar. Percebi que Dyanee chegou após um tempo e me abraçou também. Acho que ela e Sierra choravam comigo, mas não tinha certeza, não estava muito clara as imagens que eu via, minha mente ainda estava colada em Yian se queimando até virar nada mais que cinzas. Senti sua dor, e continuava sentindo de uma forma muito pior. Não me acalmei muito rapidamente, demorou horas até que meu corpo tremesse somente, já com falta de água, meus olhos apenas querendo chorar, sem como fazê-lo. - O que houve? - uma voz conhecida perguntou do quarto. Ergui os olhos esperançosa.

Gabriella Izzo felicio

For Blood And Eyes

Não era Yian. Era Thobyah.

Um ruído de sufoco saiu da minha garganta enquanto eu chorava um choro sem lágrimas, mas cheio do sentimento.

- Ele.

- Quem disse a ela? - sua voz foi assassina.

- Ninguém precisou Thobyah. - Dyanee respondeu e ela se afastou, porém manteve uma mão nas minhas costas, fazendo movimentos circulares de modo que me acalmasse. Não funcionou. Thobyah se aproximou e me puxou para seu colo, ignorando meus

protestos ele me embalou como uma criança, para frente e para trás. Eu agarrei sua roupa e chorei no seu pescoço. O choro sem lágrimas não parava e não aliviava minha dor. Um tempo depois eu relaxei em seus braços, ainda tremendo, ainda com dor, mas já sem forças para demonstrar isso.

- O que houve? - eu perguntei fracamente, minha voz em frangalhos, assim como me sentia emocionalmente.

- Creio que já sabes querida. - Thobyah respondeu enquanto acariciava meus cabelos de forma terna.