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A DINÂMICA DOS AGROTÓXICOS NO MEIO AMBIENTE

1. A INSTABILIDADE DOS AGROECOSSISTEMAS

Os agrotóxicos são substâncias químicas naturais ou sintéticas, utilizadas para matar, controlar ou combater de algum modo as pragas, doenças e ervas invasoras das lavouras. Os agrotóxicos são um dos meios mais importantes utilizados pelo ser humano para exercer o controle sobre os agroecossistemas. É um insumo moderno que integra o pacote tecnológico decorrente da chamada “revolução verde”. Como se sabe, os ecossistemas naturais são dotados de elevada biodiversidade. As

espécies integrantes dos vários níveis da cadeia trófica estão sob controle por mecanismos como os que dependem da densidade. Isto é, a presença de espécies predadoras que controlam o adensamento das espécies presas, como a de carnívoros que controlam os herbívoros.

A substituição dos ecossistemas naturais, de elevada biodiversidade e estabilidade, por

ambientes de natureza sócio-econômica, resulta na criação de sistemas altamente dependentes da constante intervenção humana e, portanto, de frágil equilíbrio ecológico. Na escala de alteração dos ecossistemas, os agroecossistemas e os ecossistemas urbanos, representam sistemas profundamente alterados em relação à complexidade, diversidade e estabilidade dos sistemas naturais. Os sistemas agrícolas atuais são implantados e mantidos funcionais através de mecanismos que contrariam as leis naturais, priorizando as espécies pioneiras e impedindo a sucessão ecológica que se desenvolve naturalmente nos ambientes. O processo da sucessão ecológica se dá através de uma seqüência de organismos, na qual uma comunidade simples e instável (imatura) formada por organismos pioneiros, é substituída por organismos secundários e terciários, evoluindo para uma comunidade madura, complexa e estável (climax). As espécies pioneiras são dotadas de certas características especiais, por serem altamente produtivas e de rápido crescimento, desenvolvendo elevada capacidade dispersiva e colonizadora. Por estas características, elas são selecionadas e utilizadas pelo homem nos sistemas

agrícolas. Contudo, pesquisadores como Paschoal (1979) 1 argumentam que é a diversidade que

conduz à estabilidade dos ecossistemas e, reciprocamente, é a simplificação dos sistemas agrícolas que resulta na instabilidade dos mesmos.

A tabela 1 ilustra a diminuição da diversidade e da estabilidade dos agroecossistemas em

relação aos ecossistemas naturais. Numa floresta, o número de espécies existente em cada nível trófico, – produtores, herbívoros, carnívoros –, é superior em comparação ao que existe num ambiente de

pastagem ou de culturas, onde este número é muito menor. A intervenção humana, portanto, causa muitas diferenças estruturais e funcionais entre os sistemas naturais e cultivados. Para se manter a produtividade dos sistemas agrícolas modernos é necessário desenvolver controles artificiais à base da importação de muita energia. Com isto, a produtividade se mantém alta por curto prazo, mas a sustentabilidade, a eqüidade (custo social da produção) e a estabilidade são baixas.

Tabela 1 – Diferenças estruturais e funcionais entre agroecossistemas e ecossistemas naturais.

Características

Agroecossistemas

Ecossistemas

 

naturais

Produtividade líquida

Alta

Média

Cadeias tróficos

Simples, linear

Complexas

Diversidade de espécies

Pequena

Grande

Diversidade genética

Pequena

Grande

Ciclos minerais

Abertos

Fechados

Estabilidade

Baixa

Alta

Palestra proferida no “Seminário Tratamento e Destinação de Embalagens Vazias de Agrotóxicos”, promovido pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAGRO), nos dias 26-27/08/2002, no Auditório da SEAGRO. 1 ALTIERE, M. A. Agroecologia: As Bases Científicas da Agricultura Alternativa; tradução de Patrícia Vaz. 2 a . ed. Rio de Janeiro: PTA/FASE, 1989. 240 p.

Controle humano

Definido

Não necessário

Entropia

Alta

Baixa

Permanência temporal

Curta

Longa

Heterogeneidade de habitat

Simples

Complexa

Fenomenologia

Sincronizada

Sazonal

Maturidade

Imaturo (Com. Pioneira)

Maduro (Com. Climax)

Fonte: Altiere (1989, p. 59).

O grau de controle ambiental varia de acordo com os sistemas de produção, decrescendo

da monocultura moderna, onde ele é alto, passando por um grau intermediário na produção orgânica, até um nível inferior na produção tradicional (figura 1). Dentre os principais efeitos dos agrotóxicos estão o controle de espécies pioneiras indesejáveis, tidas como ervas daninhas, através dos herbicidas, que atuam sobre os mecanismos da fotossíntese; ou de controlar as pragas, - insetos herbívoros que danificam as lavouras -, através dos praguicidas, que atuam sobre os mecanismos existentes nos animais, como a respiração.

ALTO

BAIXO

x x x Monoc. Prod. Prod. Moderna Orgânica Tradicional Grau de Controle Ambiental
x
x
x
Monoc.
Prod.
Prod.
Moderna
Orgânica
Tradicional
Grau de Controle Ambiental

Figura 1 – Grau de controle ambiental para a manutenção de níveis médios de produtividade em três diferentes sistemas de produção (Altiere, 1989, p. 61).

Contudo, vários são os efeitos indesejáveis da ação dos agrotóxicos. Dentre eles, cita-se o aumento do número de pragas, a contaminação ambiental, a intoxição das pessoas, a elevação dos custos de produção.

2. OS EFEITOS INDESEJÁVEIS DO USO DOS AGROTÓXICOS

2.1. O aumento do número de pragas

A literatura científica registra que tem ocorrido um aumento do número de pragas após o

advento do uso dos praguicidas. Os dados encontrados apontam para uma correlação positiva entre

estas duas variáveis, como ilustra a figura 2, evidenciando que o aumento do número de inseticidas tem causado o aumento do número de pragas. Cientistas do Departamento de Agricultura Norte-americano afirmam que “a maioria dos herbicidas e inseticidas pode realmente destruir os microorganismos do solo ou suprimir atividades se

aplicados em doses excessivas. Quando aplicados nas doses recomendadas (

é improvável que eles

causem quaisquer problemas reais. Com um aumento da dose e freqüência de aplicação, é possível que aumente a persistência de alguns desses problemas e/ou degradação de seus produtos. Neste caso, por causa de resíduos químicos, é possível que apareçam efeitos desfavoráveis na microflora do solo, bem como efeitos fitotóxicos em algumas culturas” (Estados Unidos, 1984, p. 52) 2 .

)

2 ESTADOS UNIDOS. Department of Agriculture. Grupo de Estudos Sobre Agricultura Orgânica. Relatório e recomendações sobre agricultura orgânica; trad. de Iara Della Santa. Brasília: CNPq, 1984, 128 p.

450

400

350

300

250

200

150

100

50

0

450 400 350 300 250 200 150 100 50 0 N.º de espécies resistentes N.º de

N.º de espécies resistentes

N.º de inseticidas existentes

N.º de espécies resistentes N.º de inseticidas existentes Figura 2 – Evolução do número de inseticidas

Figura 2 – Evolução do número de inseticidas e de espécies resistentes

Pesquisadores brasileiros conceituados atestam que “até por volta de 1967 os problemas de resistências de fungos a fungicidas, em condições de campo, se limitam a alguns relatos e que, com o desenvolvimento dos fungicidas sistêmicos, estes relatos assumiram grandes proporções e estão em constante ascensão” (Galli et al., 1978, p. 370) 3 . Pelo exposto, constata-se que existe um risco potencial de contaminação do meio físico por agrotóxicos, mesmo com a aplicação dos produtos na dosagem tecnicamente recomendada, por

dos produtos na dosagem tecnicamente recomendada, por 1935 1940 1945 1950 1955 1960 1965 1970 1975

1935

1940

1945

1950

1955

1960

1965

1970

1975

1980

causa do aumento da resistência das pragas e doenças aos produtos químicos usados para combate-las, exigindo dosagens cada vez mais elevadas e aplicações mais freqüentes, com repercussões sobre a cadeia alimentar e conseqüentemente sobre a saúde humana. São três os mecanismos através dos quais a aplicação de inseticidas tem causado um efeito oposto ao desejado, isto é, o aumento do número de pragas: ressurgência, explosão de pragas secundárias e resistência química (Samways, 1989) 4 .

2.1.1. Ressurgência

O uso de inseticidas de largo espectro é capaz de matar um número maior de inimigos naturais do que da própria praga contra a qual eles são aplicados. A praga então, livre de seus predadores, aumenta novamente e reinvade a área pulverizada, atingindo proporções maiores do que antes da aplicação do veneno.

Aplicação de pesticida C A Prejuízo econômico acima deste nível 3 GALLI, F. et. ali.
Aplicação de
pesticida
C
A
Prejuízo econômico
acima deste nível
3
GALLI, F. et. ali. Manual de Fitopatologia - princípios e conceitos. v. l, 2. ed. São Paulo: Ceres, 1978, p. 370/371.
4
SAMWAYS, M. J. Controle biológico de pragas e ervas daninhas. Tradução de Regina Célia Mingnone Neto. São Paulo:
Log do n.º de indivíduos

EPU, 1989.

Log do n.º de indivíduos

B

Tempo

Figura 3 – O princípio da “ressurgência de pragas” (Seg. Samways, op. cit.)

2.1.2. Explosão de pragas secundárias

De acordo como o autor citado, a aplicação de um inseticida visando eliminar uma “praga primária” promove a destruição dos inimigos naturais. Sem os agentes naturais de controle, tanto a “praga primária” como novos insetos antes inofensivos retornam em proporções maiores. Os insetos antes inofensivos, sem o controle natural, aumentam a sua população alcançando a condição de “praga secundária”, ocasionando danos econômicos juntamente com a “praga primária”.

Aplicação de pesticida Pragas: C primária A secundária Prejuízo econômico acima deste nível B Log
Aplicação de pesticida
Pragas:
C
primária
A
secundária
Prejuízo econômico
acima deste nível
B
Log do n.º de indivíduos

Tempo

Figura 4 – O princípio da “explosão secundária de pragas” (Seg. Samways, op. cit.)

2.1.3. Resistência química

Após a aplicação de um agrotóxico, devido a eliminação dos inimigos naturais, a praga combatida sempre volta, exigindo nova aplicação do veneno. Aplicações posteriores têm impacto e freqüência cada vez menores, até que o produto não tenha mais efeito no controle da praga.

Aplicações de inseticidas 1ª 2ª 3ª 4ª Prejuízo econômico acima deste nível Tempo
Aplicações de inseticidas
Prejuízo econômico
acima deste nível
Tempo

Figura 5 – O princípio da resistência química (Seg. Samways, op. cit.)

2.2. A intoxicação humana

O uso indiscriminado destes venenos é a terceira maior causa de intoxicações humanas em todo o mundo. O Brasil é o terceiro maior consumidor destes produtos no globo, com um mercado envolvendo cifras anuais que superam a U$ 1,5 bilhões. A política agrícola estimula o uso intensivo de agroquímicos como parte do pacote tecnológico de produção agropecuária. A ação tóxica generalizada e persistente dos agrotóxicos sobre a saúde do homem, com efeitos colaterais carcinogênicos, mutagênicos e teratogênicos, se deve à incorporação dos princípios ativos na cadeia alimentar e às exposições aos produtos. No 3º Mundo, as estatísticas apontam para cerca de 400 mil casos anualmente, com 10 mil mortes por intoxicações com agrotóxicos. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde/Fiocruz, no ano de 2000 foram registrados 72.786 casos de intoxicações

humanas, sendo 7,04% por agrotóxicos. Nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná foram registrados 8 mil casos com 500 mortes em meados da década de 80. Em Goiás, o Centro de Informações Toxicológicas (CIT) realiza as notificações das ocorrências registradas. Em 1988, foram notificados quase duas centenas de casos, com o percentual de mortandade na casa dos 5%. Em Nerópolis, o CIT constatou um índice de 20,7% de intoxicação entre os agricultores levantados, sendo que menos de 5% receberam assistência médica. Apenas 20% dos produtores usavam o Receituário Agronômico, situação agravada considerando que 80% possuem baixo nível de escolaridade. No ano de 2001, no território goiano, foram notificados 246 e 132 casos de intoxicações por agrotóxicos de uso agrícola e de uso doméstico, correspondendo respectivamente a 7,2% e a 3,94% do total das ocorrências registradas no CIT.

2.2.1. Ação dos inseticidas

Dentre os agrotóxicos amplamente utilizados na atualidade encontramos os princípios ativos dos clorofosforados (chorpiriphos, trichorfon), fosforados não sistêmicos (malathion), fosforados sistêmicos (metamidofos e monocrotofos), carbamatos (tiodicarbe e carbaril) e do grupo do endossulfan. O princípio ativo do endossulfan é o resultado de uma mistura de dois isômeros, cujo efeito residual é superior ao BHC, um organoclorado banido oficialmente do comércio mundial pelos seus efeitos carcinogênicos, mutagênicos e teratogênicas (Monteiro & Nogueira, 1983, p. 105/106) 5 . Segundo o autor supra mencionado, o endossulfan é um inseticida que se comporta como os organoclorados, amplamente distribuídos no ambiente, pouco solúveis em água e encontrados como contaminantes dos alimentos, com a capacidade de acumular-se nos organismos vivos. Afirma ainda que, graças ao potencial de risco do endossulfan e dos organoclorados, estes inseticidas foram incluídos em avaliações criteriosas realizadas pela Comissão Conjunta para Estudos dos Resíduos de Pesticidas da FAO/OMS. A avaliação cancerígena dessas substâncias químicas foi considerada positiva.

2.2.2. Ação dos fungicidas

Por sua vez, o tratamento de sementes contra fungos atualmente está centrado no uso dos fungicidas sistêmicos. Os mais largamente usados pertencem ao grupo dos benzimidazóis (tiofanatometílico, carbendazim, benomyl), dos quais o benomyl (nome comercial benlate) é usado no controle de brusone e mancha estreita - doenças fúngicas do arroz. Estes fungicidas degradam-se na planta, formando um metabólito chamado metil-benzimidazol-carbamato (MBC) que, combinando com as aminas e os nitratos - transformados no organismo humano em nitrosaminas - formam um composto cancerígeno, o MBC-Nitrosamina (Pinheiro et al., 1984, p. 28) 6 . Igualmente, os fungicidas ditiocarbamatos (maneb, mancozeb, zineb, propineb, thiram, ziram, metiran, ferban), dos quais maneb e mancozeb são usados no controle de brusone, mancha preta e mancha estreita do arroz. Estes fungicidas degradam-se no armazenamento, no solo, na planta, através de cozimento e, no metabolismo humano, formando o etileno-tio-uréia (ETU). Este, identicamente ao MBC, reage com nitrito, formando o ETU-Nitrosamina, também cancerígeno (Pinheiro, S. et al., op. cit.). O 2,4 D Amina e o Paraquat são herbicidas recomendados pela pesquisa agronômica atual no controle de doenças em culturas de arroz e milho, que também foram considerados positivos nas provas sobre carcinogênese (Monteiro & Nogueira, op. cit., p. 107).

2.3. A contaminação ambiental

2.3.1. O descarte das embalagens de agrotóxicos

Em todo mundo o descarte de embalagens vazias contaminadas por resíduos agroquímicos representa uma séria ameaça de poluição ambiental e risco à saúde das pessoas. No Brasil, são produzidos mais de 126 milhões de vasilhames correspondendo a 127,405 mil toneladas de resíduos potencialmente perigosos. O Estado de Goiás gasta anualmente 26,4 mil toneladas de

5 MONTEIRO, A. F. & NOGUEIRA, D. P. (Coord.). Meio Ambiente e Câncer. São Paulo: T. A. Queiroz / CNPq, l983, p. 63. 6 PINHEIRO, S. et. ali. Agropecuária sem veneno. 3. ed. Porto alegre: LPM Editora, 1985.

agroquímicos em suas lavouras, gerando mais de 9 milhões de embalagens que pesam 2,3 mil toneladas.

Daí a importância, neste aspecto particular, de se dar uma destinação adequada às embalagens vazias, em cumprimento a Lei n.º 9.974 de 06/06/00 e ao Decreto n.º 3.550 de 27/07/00. Em Goiás estão sendo implantados 25 postos e 6 centrais de recepção, numa parceria envolvendo governo, produtores, fabricantes e comerciantes de agrotóxicos, com a intermediação do Ministério Público.

2.3.2. A biocumulação dos agrotóxicos

Os agrotóxicos, especialmente os fungicidas organo-mercuriais são fontes de contaminação ambiental por metais pesados. O cobre, zinco, chumbo, arsênio, cádmio, níquel, mercúrio, magnésio são exemplos de metais pesados que se enquadram como substâncias não biodegradáveis, que não sofrem decomposição natural por microorganismos, principalmente bactérias, que participam dos ciclos biogeoquímicos. Assim, a liberação no ambiente de tais substâncias resulta num envenenamento progressivo da biota, via cadeia alimentar. As substâncias não biodegradáveis possuem algumas propriedades bastante nocivas do ponto de vista ecológico, como a estabilidade da estrutura molecular; a excreção e metabolização lentas; e a acumulação nas gorduras dos organismos que as assimilam. A magnificação biológica é um mecanismo que permite a concentração destas substâncias nos sistemas biológicos, devido ao fato de que, enquanto a biomassa diminui regularmente de um nível trófico para outro, a quantidade delas permanece constante, resultando num aumento da concentração na cadeia alimentar: fitoplancto zooplancto peixes homem. A proporção entre a concentração de uma substância não biodegradável no organismo e no ambiente é dada pelo fator de concentração. Algumas espécies, como exemplifica Dajoz (1979) 7 para o caso de moluscos, podem concentrar o mercúrio no seu organismo a um fator de 210 em relação ao teor deste metal pesado na água. Os metais pesados têm propriedades tóxicas, seja em estado de elemento, seja em estado combinado, interferindo no funcionamento neurológico dos vertebrados. Em estado de elemento, estão presentes em pequenas quantidades no ambiente, sendo pouco absorvidos pelos animais e vegetais (meio biótico). Em estado combinado, formam compostos que são facilmente absorvidos pelos seres vivos.

Para Ricklefs (1996) 8 , fatores antrópicos podem sobrecarregar o ambiente com metais pesados. Em conseqüência, o meio biótico absorverá quantidades excessivas, podendo causar intoxicações, redução da diversidade biológica e da produtividade natural dos ecossistemas. Estes poluentes são introduzidos no ambiente de diversas formas, como fungicidas e através da queima de combustíveis contendo chumbo, como refugo de mineração e beneficiamento de minérios, como produto de rejeito de processos de manufaturação. Várias espécies do fito e zooplancto que estão na base da cadeia alimentar, de moluscos, crustáceos e peixes comestíveis, possuem a capacidade de concentrar metais pesados presentes no ambiente. Assim, os seus efeitos tóxicos podem se manifestar, mesmo a partir de lançamentos em pequenas doses (isto é, em teores abaixo dos valores máximos permitidos). Esta situação configura uma situação de risco ambiental causada pela poluição mineral. No homem, o limite de toxicidade é tanto mais baixo quanto menos útil for o elemento. Alguns metais são nutrientes requeridos pelos organismos, como o ferro que é um componente estrutural da hemoglobina e de muitas enzimas; o zinco, das desidrogenases; o magnésio, das

peptidases. Segundo Dajoz (op. cit.), os metais pesados mais tóxicos são o chumbo, que prejudica o crescimento dos organismos e destruindo o glóbulo vermelho dos peixes; o zinco que é um cancerígeno lento, mas poderoso e o cobre pode possuir uma toxicidade elevada; o cádmio que causa no homem a doença de Itai-Itai, embora se destaque que ele não é bioacumulativo; e o mercúrio que causa a doença de minamata, com paralisia e morte, sendo bioacumulativo e se constitui num poluente mineral em todas as partes do mundo.

7 DAJOZ, R. O panorama da poluição. In: CHARBONNEAU, et. al. Enciclopédia de ecologia. São Paulo: EPU, 1979, p. 158-

250.

8 RICKLEFS, R. A economia da natureza. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996, 470 p.

Goiânia, agosto de 2002.

Osmar Pires Martins Júnior 9 Eng. Agr. CREA/GO3957/D, Biol. CFB 4050

M.Sc. em Biologia/Concentração Ecologia

9 Bacharel em Biologia/Modalidade Ecologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG/1980); Engenharia Agronômica (UFG/1985); Licenciatura em Biologia pela Universidade Católica de Goiás (UCG/1992); Especialista em Engenharia de Irrigação (UFG/1989); Pós- graduado em Administração de Cooperativas (UCG/1992); Mestre em Biologia/Concentração Ecologia (UFG/2001); Aprovado e classificado no concurso para Fiscal Arrecadador do Estado de Goiás (Portaria n.º AAA/2283, 75-AS, publicada no D.O. de 21/11/75); Aprovado e classificado no concurso para Biólogo da FEMAGO (publicado no D.O. n.º 15.175 de 20/02/87); Chefe da Divisão de Associativismo da Superintendência de Cooperativismo Rural da Secretaria da Agricultura (1987-92); Secretário Municipal do Meio Ambiente de Goiânia (1993-96); Membro dos Conselhos de Defesa do Meio Ambiente do Município de Goiânia e do Estado de Goiás (1993-6); Membro do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de Goiânia (1993-6); Diplomado pela União Brasileira dos Escritores (UBE-Go) com o troféu Tiokô de Ecologia (1995-6); Autor do livro "Uma cidade ecologicamente correta", publicado pela AB Editora, 1996, 224 p.; Comendador, pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, da Comenda dos Ipês, integrante do Troféu Altamiro de Moura Pacheco (2001).