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A MULTA PREVISTA NO CAPUT DO ART.475-J, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, E SUA APLICAÇÃO

A MULTA PREVISTA NO CAPUT DO ART.475-J, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, E SUA APLICAÇÃO NO PROCESSO DE EXECUÇÃO TRABALHISTA

Letícia Nardi do Nascimento

Pós-Graduada em Direito Processual Civil pela ABDPC – Academia Brasileira de Direito Processual Civil. Advogada Trabalhista.

RESUMO

Considerando as significativas alterações que a Lei nº 11.232/2005 trouxe ao Código de Processo Civil, especialmente no que diz respeito à criação da multa de 10% prevista no caput do art.475-J, e a divergência doutrinária e jurisprudencial acerca da aplicabilidade deste dispositivo à execução trabalhista, o presente artigo propõe a seguinte questão: afinal, o caput do art.475-J, do Código de Processo Civil, se aplica à execução trabalhista? Para responder a este questionamento faz-se uma análise dos requisitos previstos no art.769 da CLT sobre a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil ao processo de execução trabalhista. Além disso, também se demonstra que a aplicação do art.475-J, do Código de Processo Civil, à execução trabalhista gera insegurança jurídica às partes e aos seus respectivos procuradores. Não obstante, levando em consideração que as reformas advindas da Lei nº 11.23/2005 visavam tornar mais célere e efetiva a prestação jurisdicional, o presente artigo se propõe a demonstrar que a execução trabalhista já era mais célere e efetiva antes mesmo destas alterações. Ainda, muito embora exista divergência jurisprudencial e entre os juízes de primeiro grau sobre a aplicabilidade do art.475-J, do CPC, à execução trabalhista, o Tribunal Superior do Trabalho tem adotado a tese da inaplicabilidade deste artigo ao processo do trabalho. Em suma, fazendo uma

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análise sobre os diversos aspectos apontados, procura-se verificar que a multa prevista no caput do

análise sobre os diversos aspectos apontados, procura-se verificar que a multa prevista no caput do art.475-J não se aplica à execução trabalhista.

INTRODUÇÃO

A Lei nº 11.232/2005, de 22 de dezembro de 2005, alterou, de

forma significativa, o Código de Processo Civil quanto à execução de título judicial. Incluiu um capítulo, o de número X, no livro do processo de conhecimento, que faz referência ao cumprimento de sentença.

A partir de sua vigência 1 surgiram diversas dúvidas acerca da

aplicabilidade dos dispositivos, especialmente no que diz respeito à multa prevista no caput do art.475-J, do Código de Processo Civil, à execução trabalhista.

Tanto a doutrina quanto a jurisprudência divergem sobre o assunto. Inclusive, em virtude desta divergência, muitos artigos foram escritos com o intuito de uniformizar o entendimento sobre a matéria. Ao que tudo indica, ainda não há um consenso sobre a aplicação da multa do art.475-J, do Código de Processo Civil, ao processo do trabalho.

Pois bem, muito embora as modificações já tenham ocorrido a algum tempo, na esfera trabalhista persiste a celeuma acerca da aplicabilidade da multa prevista no caput do art.475-J, do Código de Processo Civil, à fase de execução trabalhista.

Levando em consideração que muitos Juízes do Trabalho e Tribunais Regionais do Trabalho vem aplicando dispositivos do Código de Processo Civil que foram inseridos pela Lei 11.232/2005, notadamente a multa prevista no caput do art.475-J, é importante que se retome a discussão acerca da aplicabilidade

1 A Lei 11.232/2005 passou a viger a partir de 24 de junho de 2006.

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deste artigo à execução trabalhista, principalmente em virtude da insegurança jurídica que gera a sua

deste artigo à execução trabalhista, principalmente em virtude da insegurança jurídica que gera a sua aplicação.

E é exatamente sobre a possibilidade de aplicar o art.475-J, do

Código de Processo Civil, à execução trabalhista, tema que tem tormentado o dia-a- dia das partes, procuradores e magistrados, que versa este artigo.

Sem a pretensão de esgotar o assunto, pretende-se apresentar algumas reflexões com o intuito de contribuir para o término desta discussão, e assim, trazer a tão almejada segurança jurídica.

1. LEI Nº 11.232/2005: CAPUT DO ART.475-J, DO CPC

A execução, no processo civil, fundada em título judicial ou extrajudicial, operava-se por meio de processo autônomo, distinto do processo de conhecimento.

A partir da Lei nº 11.232/2005, surgiram significativas alterações

no Código de Processo Civil, principalmente no que diz respeito à execução de título judicial que reconhece a existência de obrigação de pagar quantia certa.

Com efeito, o caput do art.475-J, do Código de Processo Civil reflete uma das principais mudanças proporcionadas pela Lei 11.232/2005, qual seja, a extinção da execução de título executivo judicial como processo autônomo e a criação em seu lugar da fase de cumprimento da sentença, desenvolvida naquela mesma relação processual que originou o título executivo judicial.

A referida lei, portanto, eliminou especificamente para a sentença que condena ao pagamento de quantia certa, a necessidade de ação de execução de título. Isto significa dizer que o processo de execução de títulos judiciais

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não foi extinto, mas sim incorporado à fase de conhecimento, de maneira complementar, sem a

não foi extinto, mas sim incorporado à fase de conhecimento, de maneira complementar, sem a necessidade de instaurar um processo autônomo de execução.

) hoje

o princípio do sincretismo entre cognição e execução predomina sobre o princípio da autonomia, e a incidência deste princípio tende a ficar restrita à execução fundada em título extrajudicial.” 2

Então, com a inovação advinda da Lei nº 11.232/2005, “(

Outra modificação significativa advinda da Lei nº 11.232/2005, diz respeito à incidência da multa prevista no caput do artigo 475-J, do Código de Processo Civil, em caso de descumprimento da obrigação.

Em princípio, a norma impõe de modo taxativo que o valor da multa será de dez por cento sobre o valor da condenação e incidirá automaticamente no caso de descumprimento da obrigação, independentemente de decisão judicial.

Na sistemática anterior, vigente até 2 de junho de 2006, após o julgamento da liquidação, o credor promovia a execução citando pessoalmente o devedor para pagar ou nomear bens à penhora no prazo de 24 horas.

Agora, segundo se infere do art.475-J, do Código de Processo Civil, o executado não é mais intimado para pagar ou nomear bens à penhora, mas simplesmente para cumprir a obrigação. Ou seja, finalizada a liquidação, o devedor deverá cumprir a obrigação a que foi condenado, no prazo de 15 dias, sob pena de multa e imediata expedição de mandado de penhora e avaliação, a requerimento do credor.

Resta saber se a multa prevista no caput do art.475-J, inserida pela Lei nº 11.232/2005 se aplica ao processo de execução trabalhista.

2 Luiz Rodrigues Wambier; Teresa Arruda Alvim Wambier; José Miguel Garcia Medina. Breves Comentários à Nova Sistemática Processual Civil. 2006, p. 143.

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2. A MULTA DO ART.475-J E SUA APLICABILIDADE À EXECUÇÃO TRABALHISTA Segundo o art.769 da

2. A MULTA DO ART.475-J E SUA APLICABILIDADE À EXECUÇÃO TRABALHISTA

Segundo o art.769 da CLT, a aplicação de dispositivos do processo comum ao processo do trabalho só é possível se atendidas duas condições: houver omissão na legislação trabalhista e houver compatibilidade entre as normas do processo civil e do processo do trabalho.

A CLT, por sua vez, disciplina expressamente nos artigos 876 a 892 normas acerca da execução trabalhista. Sendo assim, a aplicação de dispositivos do processo civil somente é permitida caso as normas estabelecidas na Lei 6.830/80, cuja aplicação subsidiária preferencial é ditada pelo art.889 3 da CLT, não se mostrem suficientes ao tratamento da matéria.

Como se vê, a CLT não é omissa no tocante ao processo de execução. Justamente porque a CLT não é omissa é que a aplicação do caput do art.475-J, do CPC, ao processo de execução trabalhista é equivocada.

Nesse sentido, inclusive, manifesta-se o ilustre jurista LEITE, “Como o processo do trabalho possui regramento próprio a respeito da execução por quantia certa, haverá o obstáculo do art.769 da CLT para a aplicação subsidiária do novel art.475-J do CPC.” 4

Assim, uma vez não preenchido o primeiro requisito (omissão) previsto no art.769 da CLT para a aplicação de normas do processo civil à execução trabalhista, não há necessidade de analisar o segundo requisito (compatibilidade de normas).

3 Aos tramites e incidentes do processo da execução são aplicáveis, naquilo em que não contravierem ao presente Título, os preceitos que regem o processo dos executivos fiscais para a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal. 4 Carlos Henrique Bezerra Leite. Curso de Direito Processual do Trabalho. 2006, p.835.

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Ocorre que alguns juízes insistem em aplicar o caput do art.475-J, do CPC, à execução

Ocorre que alguns juízes insistem em aplicar o caput do art.475-J, do CPC, à execução trabalhista justamente porque analisam os requisitos do art.769 da CLT de forma invertida.

Como bem salienta TEIXEIRA FILHO, os juízes que aplicam as disposições do caput do art.475-J ao processo do trabalho

antes de fazê-lo devem ter indagado a si mesmos se essa

norma seria compatível com o processo do trabalho – acabando por responder afirmativamente à indagação feita. Se assim agiram, cometeram erro grave, tumultuário e inescusável, consistente em colocar o requisito da compatibilidade à frente do da omissão. Expliquemo-nos. Todos sabemos que o art.769, da CLT, permite a adoção supletiva de normas do processo civil, desde que: a) a CLT seja omissa quanto à matéria; b) a norma do CPC não apresente incompatibilidade com a letra ou com o espírito do processo do trabalho. Não foi por obra do acaso que o legislador trabalhista inseriu o requisito da omissão antes do da compatibilidade: foi, isto sim, em decorrência de um proposital critério lógico-axiológico. Desta forma, para que se possa cogitar da compatibilidade, ou não, de norma do processo civil

) (

com a do trabalho é absolutamente necessário, ex vi legis, que, antes disso, se verifique se a CLT se revela omissa a respeito da matéria. Inexistindo omissão, nenhum intérprete estará autorizado a perquirir sobre a mencionada compatibilidade. 5

De qualquer sorte, ultrapassada a análise do primeiro requisito do art.769 da CLT, ainda assim a multa prevista no caput do art.475-J, do CPC, não poderá ser aplicada ao processo de execução trabalhista, pois encontra obstáculo no segundo requisito.

Observa-se que enquanto o caput do art.475-J, do CPC, determina o pagamento da dívida em 15 dias, sob pena de multa de 10% sobre o valor da execução, o art. 880 da CLT determina a citação do devedor para pagar em 48 horas ou garantir o juízo, sob pena de penhora. Singela análise destes dispositivos, portanto, permite constatar a incompatibilidade de normas processuais, mas especificamente a incompatibilidade de procedimentos.

5 Manoel Antonio Teixeira Filho. Processo do Trabalho. Embargos à Execução ou Impugnação à Sentença? (A Propósito do Art.475-J, do CPC).Revista LTr. vol.70, nº10. 2006, p.1180.

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Em suma, pelo simples fato da CLT possuir regramento próprio para a execução trabalhista, não

Em suma, pelo simples fato da CLT possuir regramento próprio para a execução trabalhista, não há razão para aplicar regras do processo civil, quiçá quando incompatíveis com o processo do trabalho.

Deste modo, a aplicação do caput do art.475-J, do Código de Processo Civil, à execução trabalhista, implicaria a derrogação dos dispositivos da CLT que disciplinam o procedimento da execução. Mesmo diante destes robustos argumentos, muitos juízes têm aplicado o art.475-J, do Código de Processo Civil, ao processo de execução trabalhista. E o que é pior, de uma forma totalmente equivocada.

Alguns magistrados utilizam o art.475-J na íntegra, inclusive o prazo de 15 para impugnar o título (oferecer embargos à execução); outros aplicam de maneira parcial, no mandado de citação consta que o devedor disporá de 15 dias para pagar a dívida, sob pena de multa de 10%, mas não estabelecem o prazo para oferecimento dos embargos à execução (15 dias, art.475-J ou 5 dias, art.884 da CLT).

Salvo melhor juízo, a aplicação do art.475-J, do CPC, à execução trabalhista, seja de maneira integral ou parcial, gera insegurança jurídica, pois não há como a parte ou seu advogado saber quando será aplicado o referido artigo, ou, na hipótese de aplicação, qual será a interpretação dada pelo Tribunal na hipótese de recurso sobre o assunto.

Em princípio, ao que tudo indica, a jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho caminha para o entendimento da inaplicabilidade da multa do art.475-J, do Código de Processo Civil ao processo de execução trabalhista.

Tanto a 3ª, quanto a 4ª e a 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em recentes julgados, têm defendido a tese da inaplicabilidade do caput do art.475-J, do CPC, conforme se verifica nos arrestos a seguir colacionados: 6

6 Julgados. Disponível em www.tst.gov.br. Acessado em 27/fev/2009.

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RECURSO DE REVISTA. MULTA DO ART. 475-J DO CPC. INCOMPATIBILIDADE COM O PROCESSO DO TRABALHO.

RECURSO DE REVISTA. MULTA DO ART. 475-J DO CPC. INCOMPATIBILIDADE COM O PROCESSO DO TRABALHO. REGRA PRÓPRIA COM PRAZO REDUZIDO. MEDIDA COERCITIVA NO PROCESSO TRABALHO DIFERENCIADA DO PROCESSO CIVIL. O art. 475-J do CPC determina que o devedor que, no prazo de quinze dias, não tiver efetuado o pagamento da dívida, tenha acrescido multa de 10% sobre o valor da execução e, a requerimento do credor, mandado de penhora e avaliação. A decisão que determina a incidência de multa do art. 475-J do CPC, em processo trabalhista, viola o art. 889 da CLT, na medida em que a aplicação do processo civil, subsidiariamente, apenas é possível quando houver omissão da CLT, seguindo, primeiramente, a linha traçada pela Lei de Execução fiscal, para apenas após fazer incidir o CPC. Ainda assim, deve ser compatível a regra contida no processo civil com a norma trabalhista, nos termos do art. 769 da CLT, o que não ocorre no caso de cominação de multa no prazo de quinze dias, quando o art. 880 da CLT determina a execução em 48 horas, sob pena de penhora, não de multa. Recurso de revista conhecido e provido para afastar a multa do art. 475-J do CPC. Processo: RR - 2223/2007-020-21-40.0 Data de Julgamento: 11/02/2009, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, 6ª Turma, Data de Publicação: DJ 20/02/2009.

MULTA DO ART. 475-J DO CPC - INAPLICABILIDADE AO

PROCESSO DO TRABALHO. I - A aplicação subsidiária do Código de Processo Civil na Justiça do Trabalho, a teor do art. 769 da CLT, está vinculada à harmonia com a sistemática adotada no processo trabalhista. II - Na Justiça do Trabalho, para o início da execução, o juiz ordenará que se extraia mandado de citação, a fim de que o executado pague a quantia devida em quarenta e oito horas ou garanta a execução, sob pena de penhora, a teor do art. 880 da CLT. III - A unidade e coesão interna da norma do art. 475-J contrapõe-se às normas

do Capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho (arts. 876

a 892), mormente no que se refere à citação do executado para

pagar a quantia devida no prazo de quarenta e oito horas. IV -

O intuito de imprimir celeridade à fase de execução nos

julgados trabalhistas não pode se contrapor aos preceitos legais que regulam a execução no Judiciário Trabalhista, sob pena de afrontar o espírito do legislador e transformar a ordem jurídica em uma série de fragmentos desconexos. V - Recurso provido. Processo: RR - 393/2007-391-06-00.0 Data de Julgamento: 03/12/2008, Relator Ministro: Antônio José de Barros Levenhagen, 4ª Turma, Data de Publicação: DJ

12/12/2008.

3. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. MULTA DO ART. 475-J DO

CPC. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO DO TRABALHO. 1.

O art. 475-J do CPC dispõe que o não pagamento pelo

devedor em 15 dias de quantia certa ou já fixada em liquidação

a que tenha sido condenado gera a aplicação de multa de 10%

sobre o valor da condenação e, a pedido do credor, posterior execução forçada com penhora. 2. A referida inovação do

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Processo Civil, introduzida pela Lei 11.232/05, não se aplica ao Processo do Trabalho, já que

Processo Civil, introduzida pela Lei 11.232/05, não se aplica ao Processo do Trabalho, já que tem regramento próprio (arts. 880 e seguintes da CLT) e a nova sistemática do Processo Comum não é compatível com aquela existente no Processo do Trabalho, onde o prazo de pagamento ou penhora é apenas 48 horas. Assim, inexiste omissão justificadora da aplicação subsidiária do Processo Civil, nos termos do art. 769 da CLT, não havendo como pinçar do dispositivo apenas a multa, aplicando, no mais, a sistemática processual trabalhista. 3. Cumpre destacar que, nos termos do art. 889 da CLT, a norma subsidiária para a execução trabalhista é a Lei 6.830/80 (Lei da Execução Fiscal), pois os créditos trabalhistas e fiscais têm a mesma natureza de créditos privilegiados em relação aos demais créditos. Somente na ausência de norma específica nos dois diplomas anteriores, o Processo Civil passa a ser fonte informadora da execução trabalhista, naqueles procedimentos compatíveis com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT). 4. Nesse contexto, merece reforma o acórdão recorrido, para que seja excluída da condenação a aplicação do disposto no art. 475-J do CPC. Recurso de revista parcialmente conhecido e provido- (Min. Ives Gandra Martins Filho). Recurso de revista conhecido e provido. 4. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ALCANCE. MULTAS DOS ARTIGOS 467 E 477 DA CLT E DE 40% SOBRE O FGTS. A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços alcança todos os direitos trabalhistas assegurados pelo ordenamento jurídico, inclusive às multas do art. 477, § 8º, da CLT e de 40% sobre o FGTS. Recurso de revista conhecido e desprovido. Processo: RR - 160/2007-021-21-00.0 Data de Julgamento: 08/10/2008, Relator Ministro: Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, 3ª Turma, Data de Publicação: DJ

14/11/2008.

Analisando os recentes julgados do Tribunal Superior do Trabalho é possível ter esperança de que em breve aja uma uniformização da jurisprudência sobre a inaplicabilidade desta multa à execução trabalhista.

Em celeridade e da efetividade.

última

análise,

cumpre

ainda

verificar

a

questão

da

Com efeito, as reformas ocasionadas pela Lei nº 11.232/2005 visavam tornar mais célere e efetiva a prestação jurisdicional. Resta saber se a aplicação do caput do art.475-J, do CPC, torna a execução trabalhista mais célere e efetiva.

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Para tanto, é importante verificar se o processo do trabalho já não possui norma que,

Para tanto, é importante verificar se o processo do trabalho já não possui norma que, embora regulando a matéria de maneira diversa, seja mais eficaz que as novidades trazidas pela Lei nº 11.232/2005.

Na Justiça do Trabalho há muito tempo é utilizada a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, que permite que os atos executórios alcancem os bens particulares quando verificada a insuficiência do patrimônio societário.

Via de regra, para a aplicação desta teoria, é necessário que além da insuficiência de patrimônio por parte do executado, seja comprovada a violação à lei, fraude, falência, estado de insolvência ou mesmo encerramento ou inatividade da empresa, provocados por má administração.

No entanto, o Tribunal Superior do Trabalho, entende que esta teoria deve ser aplicada de forma ampla, ou seja, em todos os casos em que se verificar a ausência de patrimônio da empresa para honrar os débitos trabalhistas.

Isso significa dizer que, uma vez constatado que a empresa não possui bens para garantir o cumprimento da obrigação, a execução é redirecionada para os sócios, que deverão responder com seus patrimônios pelas dívidas trabalhistas da sociedade.

Muito embora esta teoria esteja prevista expressamente no artigo 28, § 5º, do Código de Defesa do Consumidor, com razão SARAIVA ao dizer que

a regra insculpida no art.28 da Lei 8.078/1990 está em

consonância com os princípios da celeridade, proteção ao trabalhador hipossuficiente, da efetividade da execução trabalhista e do privilégio do credito laboral, merecendo plena

aplicação ao processo do trabalho. 7

) (

7 Renato Saraiva. Curso de Direito Processual do Trabalho. 2006, p.548.

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Contam, ainda, os magistrados trabalhistas com o sistema da Penhora On Line , instituído pelos

Contam, ainda, os magistrados trabalhistas com o sistema da Penhora On Line, instituído pelos Provimentos 01 e 03 de 2003 da Corregedoria da Justiça do Trabalho.

Os referidos Provimentos contem instruções para utilização do sistema Bacen Jud. Tal sistema, decorrente do Convênio firmado entre o Tribunal Superior do Trabalho e o Banco Central do Brasil, permite que o juiz do trabalho, previamente cadastrado e com senha pessoal e intransferível, encaminhe as instituições financeiras ofícios eletrônicos contendo solicitações de informações sobre a existência de contas correntes e aplicações financeiras.

De posse destas informações, poderão os magistrados efetuar a respectiva penhora on line de numerário existente nessas contas e aplicações no intuito de garantir o pagamento da execução trabalhista.

Não há dúvidas que a penhora on line possibilitou ao juiz da execução o cumprimento dos seus julgados com maior agilidade e efetividade.

Em suma, a aplicação da multa do art.475-J não daria uma maior efetividade ou celeridade à execução trabalhista, pois antes mesmo da reforma proporcionada pela Lei nº 11.232/2005, a execução já era mais efetiva e célere em virtude da penhora on line, da desconsideração de personalidade jurídica do executado e do reduzido prazo para pagar ou nomear bens (48 horas).

CONCLUSÃO

O art.769 da CLT diz que se houver omissão e compatibilidade entre as normas do processo civil e do processo do trabalho, poderá ser utilizado o direito processual comum como fonte subsidiária do direito processual do trabalho.

Ocorre que a CLT não é omissa, uma vez que disciplina

há uma

expressamente normas

acerca da

execução

trabalhista.

Além disso,

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incompatibilidade de normas, pois os procedimentos estabelecidos pelo art.475-J, do CPC, e art.880 da CLT,

incompatibilidade de normas, pois os procedimentos estabelecidos pelo art.475-J, do

CPC, e art.880 da CLT, são totalmente distintos.

Assim, diante destas considerações, é possível concluir que

havendo regramento específico na CLT sobre a execução e não havendo

compatibilidade do caput do art.475-J, do CPC, com as normas procedimentais

trabalhistas, não tem o referido dispositivo qualquer aplicação no processo de

execução trabalhista.

BIBLIOGRAFIA

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SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Reflexos das Alterações do Código de Processo Civil no Processo do

SOUTO MAIOR, Jorge Luiz. Reflexos das Alterações do Código de Processo Civil no Processo do Trabalho. Revista LTr. vol.70, nº 8, p.920-930. Editora Revista dos Tribunais, agosto de 2006.

TEIXEIRA FILHO, Manoel Antonio. Processo do Trabalho – Embargos à Execução ou Impugnação à Sentença? (A propósito do art.475-J, do CPC).

Revista LTr. v.70, nº 10, p. 1179-1182. Revista dos Tribunais, outubro de

2006.

WAMBIER, Luiz Rodrigues; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; MEDINA, José Miguel Garcia. Breves comentários à nova sistemática processual civil 2. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006.

FONTES ON LINE

BRASIL Tribunal Superior do Trabalho. Disponível em: www.tst.gov.br. Acessado em 27/fev/2009.

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