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A Formação em Psicanálise Adriana Contin

Resumo: neste artigo, faço algumas considerações sobre o processo de vir-a- ser um analista: tanto no sentido formal e institucional como na sua própria subjetividade. A formação em psicanálise implica em mudanças internas no sujeito que a exerce e essas transformações passam pela análise pessoal, pelos seminários clínicos e teóricos e pela supervisão. Nesse percurso, o sujeito em formação se vê implicado, não só em um processo de construção de conhecimento epistemológico, mas também, num processo de transformação de um saber e de um não saber de si.

A Formação em Psicanálise

O processo de formação de um analista é um processo de vir-a-ser. Não somente um vir a ser psicanalista no sentido formal e institucional, mas um vir-a-ser na sua própria subjetividade. A formação em psicanálise implica em mudanças internas no sujeito que a exerce e essas transformações passam pela análise pessoal, pelos seminários clínicos e teóricos e pela supervisão. Nesse percurso, o sujeito em formação se vê implicado, não só em um processo de construção de conhecimento epistemológico, mas também, num processo de transformação de um saber e de um não saber de si.

Tanto no processo de formação de um psicanalista, como na clínica psicanalítica e como no desenvolvimento de um sujeito, o que se privilegia é a mediação do outro através da linguagem, o investimento que é feito no ser desejante. A clínica psicanalítica é pautada pela relação de transferência e contra-transferência entre o par analítico, onde desejos são depositados: da parte do analisando, que aquele lugar seja aonde ele vai se perguntar sobre a sua dor; da parte do analista, que ali seja um lugar onde o sujeito que procura análise possa prover-se de um novo tipo de conhecimento para a inserção em um mundo estrangeiro a ele: o seu inconsciente.

No decorrer de minha formação pude fazer algumas construções de saber, mesmo que provisória, sobre a clínica psicanalítica. E o que eu percebo é que:

A escuta é o que pode fazer com que a transferência se instale;

Não existe um modelo para ser psicanalista; a prática da clínica psicanalítica é o que poderá fazer com que nos tornemos um psicanalista;

Não sabemos nada sobre o paciente e se ele, o paciente, conseguir saber algo sobre si, talvez, saberemos um pouco mais sobre a nossa clínica;

A ética, mais do que a moral, deve reger nossas escutas e intervenções;

Ocuparemos vários lugares na fantasia do analisando, mas não poderemos responder ao analisando a partir desses lugares que ele nos coloca;

O paciente, conscientemente e fantasiosamente, espera que o analista lhe ofereça soluções para o seu sofrimento e acredita que o trabalho está “nas mãos” daquele que lhe escuta;

O paciente deve vir a serviço de si mesmo, estar disposto a encarar seus traumas, suas angústias e medos e, sobretudo, refazer sua trajetória emocional face aos seus fantasmas.

A

fala do paciente orienta o analista a perceber como o paciente se relaciona

com os objetos, de modo que, no decorrer do tratamento, as hipóteses elaboradas pelo analista possam nortear as suas intervenções e que as suas interpretações estejam articuladas no campo da intersubjetividade que impera na relação psicanalítica. Sabemos que um trabalho psicanalítico se faz a dois – o paciente e o analista. Porém, o que me parece complexo nessa relação - assimétrica por natureza - é a posição, o lugar ou lugares que um e outro ocupam durante o tratamento. Em relação ao analisando, este pode ocupar vários lugares e falar de vários lugares, usando várias vozes, de acordo com seus sintomas, projeções, desejos e angústias. Assim, o lugar

ocupado pelo analista, a partir dele mesmo, é que me parece ser a questão central para que uma análise aconteça.

O analista deve estar atento de como se dá a transferência para trabalhar as

resistências de seu paciente e fazer com que um vínculo de cooperação se crie com o analista, aproveitando o que o paciente traz, sem se amarrar nas teorias ou nas suas próprias associações. Para isso, o analista deve se implicar na análise, ou seja, chamar

atenção do paciente para o seu inconsciente, tanto através de suas falas como de seus gestos que fazem parte do seu sintoma, seu modos operandi, num movimento pendular entre o psiquismo do paciente e o seu próprio. A transferência tem a ver com o lugar e tempo – o lugar do analista é aquele de poder fazer com que o paciente entre no seu universo psíquico sem que o analista faça parte disso, ficando numa posição de suspense, sustentando uma posição subjetiva sabendo que ele, pessoalmente, não está implicado no discurso do paciente.

O que é a escuta psicanalítica? Como saber quando estamos ouvindo de fato um

paciente? Quantas vozes há na fala de um paciente? Qual voz escutar? A psicanálise é uma construção mental e lingüística. As questões do inconsciente é seu objeto de análise. Ela trabalha com o singular de cada sujeito e tenta investigar as questões mais profundas e pouco conhecidas. Por associação livre é que podemos investigar e, talvez, desvendar as questões do inconsciente que nos afligem e nos causam dor. A palavra é o meio para isso. É, também, através dos lapsos, atos falhos, do não dito que se localizam as questões do sujeito a serem elaboradas. O foco

do analista e do analisando deve estar em localizar o desejo inconsciente. O paciente

deve estar disposto a correr o risco de fazer uma ou mais escolhas, de mudar os seus padrões. O analista deve dar ouvidos aos conflitos e paradoxos apresentados pelo consciente do seu paciente, pois é a partir disso que ele vai poder dispor de informações para tentar compreender as questões do inconsciente. A psicanálise lida com a alma, com as suas dores e com as partes desconhecidas de nós mesmos. Para que a escuta

analítica cumpra seu papel, então, o analista deve se despir de toda a sua referência, ou seja, deixar de lado sua posição de sujeito e ocupar e sustentar a posição de objeto, abrir mão de sua referência narcísica de modo a se deslocar para uma outra realidade psíquica para sustentar a sessão e usar o amor transferencial, condição sine qua non para que uma análise ocorra, como um instrumento a favor daquele que, ali, busca a sua ajuda. Uma vez que o trabalho analítico se dá a partir das falas do paciente, de encadeamentos de significantes (Lacan), de suas associações livres de um lado e escuta flutuante de outro, da parte do analista, o que se busca são significações que façam sentido para o analisante. Para Freud (1911), a interpretação é o que o paciente vai produzir no analista e este vai devolver para o paciente. A interpretação, segundo Lacan, é um jogo de significantes, onde um significante substitui o outro e esse não tem a ver com a “história” contada pelo paciente, mas sim, o ponto de mudança daquelas “histórias” para algo mais que vem do seu inconsciente. Para Nasio (1999, p.141), o que

define a interpretação “é a sua efetuação

analista e os efeitos que ela gera no paciente.” Para isso, devemos perceber se o analisando está pronto para receber ou não uma interpretação, pois qualquer interpretação do analista, por mais clara e elaborada que ela seja, só fará sentido para o analisante se este estiver pronto para recebê-la. As interpretações, então, devem surgir como falas esperadas pelo analisante. O papel da psicanálise é fazer com que o paciente se distancie do objeto que sustenta a sua verdade, ou seja, seu gozo, com o qual ele tenta tapar sua falta. O “setting” analítico é um lugar onde ele poderá desconstruir suas fantasias e fazer frente aos seus recalques, de modo que ele se aproxime de sua verdade e com ela ele possa conviver. Assim, cabe ao analista, mais do que interpretar, fazer persistir o laço analítico e propiciar que o analisando entre em contato com sua castração. Porém, isso será difícil de acontecer sem que o analista tenha passado por sua própria análise, tendo claro para ele mesmo que ele não poderá ocupar um lugar ideal e, sobretudo, que ele deve guiar-se pelos princípios da ética psicanalítica do bem escutar e do bem dizer. Dessa forma, o lugar de onde o analista escuta e faz suas intervenções deve ser livre de julgamentos, de concordâncias ou de represálias, mantendo uma imparcialidade

condições nas quais ela se produz no

as

que não deve ser confundida com indiferença ou insensibilidade, mas sim estar ligada a um cuidado, a um manejo e acolhimento que permitam que a transferência se instale. Tampouco o analista deve sentir-se com a responsabilidade de dar soluções para aliviar as angústias do seu paciente. Para isso, ele deve manter sua atenção flutuante -, isto é, não se ater a uma história contada pelo paciente, mas sim ao conteúdo emocional e transferencial que a história carrega - o lugar de onde o paciente se coloca em seu relato e o lugar em que ele coloca o analista na sua fala, devendo ele, o analista, através de seu manejo, levar o paciente à auto-interrogação. Se o analista pode se permitir algum lugar nessa relação é o da escuta. Uma escuta que possa amenizar o gozo que constitui o sintoma do paciente para fazê-lo entrar em contato com a castração.

Bibliografia

BLEICHMAR, Hugo. Introdução ao estudo das perversões: Introdução ao estudo das perversões – Teoria do Édipo em Freud e Lacan. Porto Alegre: Artes Médicas, 1988. 84 FREUD, S. O Método da interpretação dos Sonhos in “Interpretação dos sonhos” cap II vol. IV pp. 103- 130, 1900.

 

Sobre

a Psicoterapia. Obras completas. Vol. VII pp 267 – 278, 1905.

Sobre

o início do tratamento. Obras completas. Vol. XII pp 164-187,

1913.

 

A

Dinâmica da Transferência. Obras completas. Vol.XII pp 193 – 203,

1914.

Observações sobre o amor transferencial. Obras completas. Vol.XII pp

208-223, 1915.

O Sentido dos Sintomas. Obras Completas, 1917 Vol. XVI

A sexualidade feminina – 1931 Vol. XXI

A organização genital infantil – 1923 Vol. XIX

A dissolução do Complexo de Édipo - 1924 Vol. XIX

Sobre as teorias sexuais infantis - 1908 Vol. IX

LACAN, J. O seminário, livro 17 “o avesso da psicanálise” (Lacan, 1969-1970).

MANONI, M. Primeira Entrevista em Psicanálise in “A Primeira Entrevista em Psicanálise pp 9-30. NASIO, J.D. “Como Trabalha um Psicanalista”. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1999.