Sei sulla pagina 1di 301

ISIS SEM VEU

UMA CHAVE-MESTRA

PARA OS

MISTERIOS DA CMNCN E DA TEOLOGIA

ANTIGAS E MODERNAS

de

H. P. BLAVATSKY

FUNDADoRA DA- socrEDAoe, reosóprce

VOLUME III - TEOLOGIA

Ísrs snu vÉu

VOLUME III - TEOLOGIA

A AUTORA

DEDICA ESTA OBRA

À

SOCIEDADE TEOSOFICA,

QUE FOI FUNDADA EM NOVA YORK, tio ANO DE 1875,

A FIM DE ESTUDAR OS ASSUNTOS NELA ABORDADOS.

Digitalizado por:

Digitalizado por: Os filhos de Hermes

Os filhos de Hermes

PREFÁCIO

SUMÁRIO

l1

Sra. Elizabeth Thompson e Baronesa Burdett-Coutts.

A "INFALIBILIDADE" DA RELIGIÃO

CAPÍTULO I. A IGREJA: oNDE ESTÁ ELA?

As estatísticas da Igreja

"Milagres" católicos e "fenômenos" espiritistas

t3

As crenças cristãs e pagãs comparadas

A magia e a feitiçaria praticadas pelo clero cristão

A teologia comparada - uÍna nova ciência

Tradições orientais concernentes à Biblioteca de Alexandria Os pontífices romanos, imitadores do Brahmâtma hindu Dogmas cristãos derivados da filosofia pagã

A doutrina da Trindade de origem pagã

Querelas entre os Gnósticos e os Padres da Igreja

Anais sangrentos do Cristianismo

CAPÍTULO II. CRIMES CRISTÃOS E VIRTUDES P.{GiS

As bruxarias de Catarina de Médicis

Artes ocultas praticadas pelo clero A queima de bruxas e os autos de fé das crianças

As mentiras dos santos católicos

As pretensões dos missionários na Índia e na China

Os artifícios sacrflegos do clero católico

São Paulo, um cabalista

São Pedro não foi o fundador da Igreja romana

As vidas exemplares dos hierofantes pagãos O caráter elevado dos "mistérios" antigos

Os faquires hindus relatados por Jacolliot

60

Simboüsmo cristão derivado do culto fálico

A doutrina hindu dos Pitris

A comunhão bramânica dos espíritos

Os perigos da mediunidade não adestrada

CAPÍTULO III. AS DIVISÓES ENTRE OS CRISTÃOS PRIMITIVOS

116

Semelhança entre o cristianismo primitivo e o budismo

São Pedro nunca esteve em Roma

O significado de Nazar e Nazareno

Batismo, um direito derivado

Znroastto, um nome genórico? Os ensinamentos pitagóricos de Jesus

O Apocalip s e cabaÍstico

Jesus considerado como um adepto por alguns filósofos pagãos e por

alguns cristãos primitivos

A

doutrina da transmutação

O

significado do Deus Encarnado

Dogmas dos Gnósticos

As idéias de Marcion, o "heresiarca" Os preceitos de Manu Jeová, idêntico a Baco

CAPÍTULO IV. AS COSMOGONIAS ORIENTAIS E OS RELATOS

BÍBLICOS

r53

As discrepâncias do Pentateuco Comparação entre os sistemas indiano, caldeu e ofita Quem eram os primeiros cristãos?

Cristos e Sophia-Akhamôth

A doutrina secreta ensinada por Jesus

Jesus jamais afirmou ser Deus

As narraúvas do Novo Testamento e as lendas hindus

A antiguidade do Logos e do Cristo

A adoração da Virgem comparada

CAPÍTULO V. OS MISTÉRIOS DA CABALA

L9t

Ain-Soph e as Sephirôth

A primitiva religião da sabedoria

O livro da Gênesis, uma compilação das lendas do Mundo Antigo

A Trindade da Cabala

Os sistemas gnóstico e nazareno contrastados com os mitos hindus

O cabalismo no livro de Ezequiel

A história da ressurreição da filha de Jairo encontrada na história de Krishna

Os falsos ensinamentos dos primeiros Padres

O seu espírito persecutório

CAPÍTULO VI. AS DOUTRINAS ESOTÉRICAS DO BUDISMO

PARODIADAS NO CRISTIANISMO

223

As decisões do Concílio de Nicéia, como se chegou a elas?

O assassínio de Hipatia

A origem do símbolo vishnuíta do peixe

A doutrina cabalística da Cosmogonia

Diagramas dos sistemas hindu e caldaico-judeu

Os dez Avatâras míticos de Vishnu

A

trindade do homem ensinada por São Paulo

A

alma e o espírito segundo Sócrates e Platão

O

que é o verdadeiro Budismo

CAPÍTULO VII. AS PRIMEIRAS HERESIAS E AS SOCIEDADES SECRETAS

Nazarenos, ofitas e drusos modernos

Etimologia de IAÔ

Os "Irmãos Herméticos" do Egito

O verdadeiro significado do Nirvâna

A seita jaina

Cristãos e Crestáos

Os Gnósticos e os seus detratores

Buddha, Jesus e Apolônio de Tiana

256

PREFÁCIo À pARrB 1 [Xì

Se fosse possível, manteúamos esta obra fora do alcance de muitos cristáos,

aos quais a sua leitura náo faria nenhum bem e para os quais ela náo foi escrita.

Referimo-nos àqueles cuja em suas respectivas igrejas é pura e sincera, e cujas vidas imaculadas refletem o glorioso exemplo do Profeta de Nazaré, por cuja boca o espírito da Verdade falou veementemente aos homens. Em todas as épocas existiram pessoas como essas. A História preserva o nome de muitas delas como heróis, filó-

sofos, Íllantropos, mártires e homens e mulheres santos; mas quantas mais náo

viveram e morreram desconhecidas de todos, salvo os conhecidos mais íntimos, náo abençoados senão por seus humildes beneficiários! Elas enobreceram a cristandade,

mas teriam irradiado o mesmo brilho sobre qualquer outra fé que tivessem profes-

sado - pois elas são maiores do que o seu credo. A benevolência de Peter cooper e ELizabeth rhompson, da América, que não são cristãos ortodoxos, não é menos cristã

do que a da Baronesa Ângela Burdett-Coutts, da Inglaterra, que o é. No entanto,

em comparaçáo com milhares de pessoas que se dizem cristãs, esses sempre forma-

ram uma pequena minoria. Encontramo-los hoje no púlpito e nos bancos da igreja,

nos palácios e nas cabanas; mas o materialismo crescente, a prolixidade e a hipocri-

sia lhes têm reduzido o número. A sua caridade, a sua simples e ingênua na infalibili-

dade de sua Bíblia, de seus dogmas, e de seu clero, movimentam todas as virtudes de que é dotada a natvÍeza humana. Conhecemos pessoalmente tais sacerdotes e

clérigos tementes a Deus, e sempre evitamos debater com eles, por receio de ferir-lhes

os sentimentos; e tampouco despojaríamos um único leigo de sua cega confiança, se

esta lhe permite viver santamente e morrer em paz.

Uma anáüse das crenças reügiosas em geral, este volume dirige-se particu-

larmente contra o cristianismo teológico, o principal adversário da liberdade

de pensamento. Não contém nenhuma palavra contra os puros ensinamentos de

Jesus, mas denuncia impiedosamente a sua degradaçáo nos perniciosos sistemas

*

Há alguma evidência de que esse breve Prefácio do vol. U, t- I, Je 1---s seta téu possivelmente

tenha sido escrito em parte pelo Dr. Alexander Wilder e muito provarelnrente

rado pela própria H. P. B. Numa carta de 6 de dezembro de i 876, enriada ao D:.

corrisido ou alte- \\'iÌder. ela diz:

"Caro Doutor, o Senhor poderia fazer o favor de escrereÍ rei: :á=::. Je aÌgo como

uma 'Profissão de Fé' para ser inserida na primeira página ou enÌre as

Apenas para dizer breve e eloqüentemente que não é contra Cristo ou a

;::e:- d: Parte ÌI?

-":jl

:e Cruro que

mas

eu batalho. E que também não batalho conha

qualquer religião s.nccr;-;,'.-:*'j;

contÍa a teologia e o catolicisrno pagão. Se o Senhor a escrever, eu sabere: ;,c=r :;er \ aria-

ções

sobre esse tema sem me tomar culpada de notas falsas aos seus o5.-* e à rj-rlsr 6s

.)". (N. do OrS.

Bouton. Por favor, escreva-a; pode fazê-la em três minutos

n

eclesiásticos que são ruinosos à crença do homem em sua Imortalidade e em seu

Deus, e subversiva a toda restrição moral.

Desafiamos os teólogos dogmáticos que procuram escravizar a história e a

ciência; e especialmente

a quase toda a

ao Vaticano, cujas despóticas pretensões se tornaram odiosas

cristandade esclarecida. À parte o clero, somente o lógico, o investiga-

dor e o explorador infaúgável deveriam imiscuir-se com livros como este. Esses

pesquisadores da verdade sustentam corajosamente as suas opiniões'

t2

c.q,PÍTULo r

"Sim, chegará o tempo, em que todo aquele que vos rìatar pensará que está a serviço de Deus."

Evange lho s e gundo São J oiio, Xy l, 2.

"Que haja ANÁTEMA

.) para aquele que disser que as ciências

humanas deveriam ser seguidas com tal espírito de liberdade que seria

permitido tomat as suas asserções como verdadeiras mesmo quando

opostas às doutrinas reveladas."

ConcíIio Ecwnêüco de 1870.

"GLOUCESTER. - A lgreja! Onde esú ela?"

SHAKESPEARE,King HenryVI, parre I, ato i, cena i, linha 33.

Nos Estados Unidos da América, sessenta mil homens (60.428) recebem salá-

rios para ensinar a ciência de Deus e as Suas relaçóes com as Suas criaturas.

Esses homeris comprometem-se, por contrato, a transmitiÍ-nos o conheci-

mento que trata da edstência, carâteÍ e atributos de nosso Criador; Suas leis e Seu governo; as doutrinas em que devemos acreditil e as obrigações que precisÍìmos

praticar. Cinco mil desses teólogos (5.141)1, com o auxíio de 1.273 estudantes,

ensinam esta ciência a cinco milhões de pessoas, de acordo com a fórmula prescrita

pelo Bispo de Roma- Cinqüenta e cinco mil (55.287) ministros fixos e itinerantes,

representando quinze diferentes denominações2, cada uma contradizendo todas as outras, no que toca a questões teológicas maiores ou menores, instruem, em suas

respectivas doutrinas, outras trinta e três milhões (33.500.000) de pessoas. Muitos

desses ensinam de acordo com os cânones do ramo cisatlântico de um estabeleci- mento que reconhece uma filha do falecido Duque de Kant como seu chefe espiri- tual. Existem algumas centenas de milhares de judeus; alguns miìhces de fiéis orientais

de todas as espécies; e uns poucos que pertencem à Igreja grega- Lm homem de

Salt Lake City, com dezenove esposas e mais de uma centena de ilhos e netos, pois os mórmons são polígamos, assim como politeístas, é o mentor esprim"r_ suiremo de noventa mil seguidores, que acreditam que ele está em freqüente c,ünra:o :cn os

deuses e seu deus principal é apresentado como habitante de um planeta a cÈÊ ;Lrn:m

Kolob.

O Deus dos unitaristas é um celibatáio:. a Divindade dos presbiterianos,

metodistas, congregacionistas e as outras seitas protestantes ortodoxas, é um Pai

sem esposa com um Filho idêntico ao próprio Pai. No esforço de se superarem umas

às outras na ereção de suas Sessenta e duas mil e tantas igrejas, casas de oração e

salas de reunião em que se ensinam essas conflitantes doutrinas teológicas, gas-

tou-se a soma de 354.485.581 dólares. Somente o valor dos presbitérios protestantes,

nos quais se abrigam os pastores e as suas famílias, é estimado em cerca de

54.t14.297 dólares. Dezesseis milhões (16.179.387) de dólares sáo destinados todo ano para cobrir as despesas correntes apenas das seitas protestantes. Uma igreja

presbiteriana em Nova York custa cerca de um milháo de dólares; um altar católico, um quarto de milháo! Não mencionaremos a multidão de seitas menores, de comunidades e de

extravagantes

outro, como os esporos de cogumelos, após um dia chuvoSo. Não nos

pequenas heresias originais desse país, que nascem num dia para

morrer no

deteremos, também, para considerar os pretensos milhões de espiritistas, pois à

maior parte deles falta a coragem de escapar-se de suas respectivas seitas religiosas. Eles são os nicodemos clandestinos.

Pois bem, perguntaremos como Pilatos, "O que é a verdade?" onde devemos

procurá-la, no meio dessa multidão de seitas em guerra? Cada uma delas pretende

basear-se na revelação divina, e cada uma afirma possuir as chaves das portas do

céu. Estará qualquer uma delas na posse dessa rara Verdade? Ou devemos exclamar como o filósofo budista, "Há apenas uma verdade sobre a Terra' e ela é imutável;

ei-la: - aVerdade náo está taTerral"

Embora tenhamos a intenção de trilhar por um caminho que foi exaustiva- mente batido pelos sábios eruditos que demonstraram que todo dogma cristão tem a

sua origem num rito pagão, náo obstante oS fatos que eles exunÉram desde a eman-

cipação da ciência, nada perderão se forem repetidos. Além disso, propomo-nos a examinar esses fatos de um ponto de vista diferente e talvez original: o das antigas

filosofias esotericamente compreendidas. Referimo-nos' de passagem' a elas em

nosso primeiro volume. Vamos utilizá-las como o modelo para a comparação dos

cristãos e dos milagres, com as doutrinas e fenômenos da magia antiga, e da

dogmas

ÍÍìoderna "Nova Revelação", como o Espiritismo é chamado por seus devotos.

Como os materialistas negam os fenômenos Sem investigá-los, e como os teólogos,

o

admitindo-os, oferecem-nos a pobre escolha de dois manifestos absurdos -

Demônio e os milagres

realÍnente ajudar-nos a lançar uma grande luz sobre um assunto muitíssimo obscuro.

pouco perderemos recorrendo aos teurgistas, e eles podem

-,

o prof. A. Butlerof,

da universidade Imperial de são Petersburgo, observa

intitulado Maniftstações mediúnicas, o seguinte: "Que os

fatos ldo Espiritismo moderno] pertençam, se quiserdes, ao número daqueles que

eram mais ou menos conhecidos pelos antigos; que eles sejam idênticos àqueles que

nas épocas sombrias deram importância ao ofício do sacerdote egípcio ou do áugure romano; que eles formem ainda a base da feitiçaria de nosso xamã siberiano;

.)

num opúsculo recente,

que eles sejam tudo isso, e, se são fatos reais, não é nossa tarefa decidi-lo. Todos os

fatos da Natureza pertencem à ciência, e todo acréscimo ao depósito da ciência a enriquece em vez de empobrecê-la. Se a Humanidade admitiu outrofa uma verdade e depois, na cegueira de seu orgulho, a negou, voltar a compreendê-la é um passo à

frente, náo para trás".

t4

Desde o dia em que a ciência moderna deu o que se pode considerar o golpe de misericórdia na teologia dogmática, deixando por assente que a religião está cheia

de mistérios, e que o mistério é anticientífico, o estado mental das classes instruídas

tem apresentado um aspecto curioso. A sociedade parece manter-se em equilíbrio, apoiada numa única perna sobre uma corda invisível estendida do universo visível ao

universo invisível, temerosa, se a ponta presa à fé, não romperá de súbito, precipi-

tando-a na aniquilação final.

A grande massa dos que se dizem cristãos pode ser dividida em três partes

desiguais: materialistas, espiritistas e cristãos propriamente ditos. Os materialistas e os espiritistas pelejam em comum contra as pretensões hierárquicas do clero; o qual, em retaliação, os denuncia com igual aspereza. os materialistas harmonizam-se tão pouco entre si quanto as próprias seitas cristás - sendo os comtistas, ou como eles se

chamam, os positivistas, execrados e odiados em grau extremo pelas escolas de

pensadores, uma das quais Maudsley representa, com honra, na Inglaterra. o positivis-

mo, convém lembrar, é a "religião" do futuro, contra cujo fundador o próprio Huxley se insurgiu indignado em sua famosa conferência Á base flsica da vida.E Maudsley sentiu- se obrigado, para benefício da ciência, a expressar-se nos seguintes termos: "Não nos

espantemos se os homens de ciência estão ansiosos para rejeitar Comte como seu legisla- dor, e para protestar contra a imposiçáo de um tal rei para governar sobre eles. Não tendo nenhum compromisso pessoal com os seus escritos - e reconhecendo que até certo ponto

comte falseou o espírito e as pretensões da ciência - , eles repudiam a vassalagem que

os discípulos entusiastas daquele procuram impor-lhes, e que a opinião pública está pro-

pensa a acreditar como uma coisa natural, Eles fariam bem em emitir uma oportuna afir-

mação de independência, pois, se esta não for feita a tempo, será muito tarde para fazê-lo

convenientemente"3. Quando uma doutrina materialista é repudiada tão firmemente por

dois materialistas como Huxley e Maudsley, devemos pensar que ela é de fato absurda,

Entre os cristãos nada há senão desacordo. As suas várias igrejas representam

todos os graus de crença religiosa, desde a onívora credulidade da fé cega até a

condescendência e a deferência altamente moderada pela Divindade que mascara

tenuamente uma evidente convicção de sua própria sabedoria divina. Todas essas

seitas acreditam mais ou menos na imortalidade da alma. Algumas admitem a rela-

ção entre os dois mundos como um fato; outras tratam o assunto como uma questão

de opiniáo; algumas positivamente a negam; e apeníìs umas poucÍrs mantêm uma

atitude de atençáo e expectativa.

Mordendo o freio que a retém, desejando o retorno dos dias sombrios, a

Igreja romana desaprova as manifestaçóes diabóticas, e dá a entender o que faria a esses campeões, se ainda detivesse o poder de outrora. Se não fosse evidente o fato

de que ela própria foi posta em julgamento pela ciência, e que está algemada, a Igreja estaria pronta para num dado momento repetir, no século XIX, as cenas re-

voltantes dos séculos passados. Quanto ao clero protestaÍìte, táo furioso é o seu ódio comum contra o Espiritismo, que um jornal secular assinalou judiciosamente: "Eles

parecem estar dispostos a minar a fé pública em todos os fenômenos espiriústas do passado, tais como são relatados na Bíblía, que não vêem senão a pestilenta here-

sia moderna instalada no coração das gentes"a.

Retornando às leis mosaicas há múto esquecidas, a Igreja romana pretende possuir o monopóüo dos milagres, o direiúo de julgá-los, por ser a sua única herdeira

por direito de sucessão contínua. o velho Testamento, proscrito por colenso, seus

predecessores e contemporâneos, é chamado de seu exúio' Os profetas, que Sua

Santidade o Papa

distância respeitávels, foram espanados e limpos. A lembrança de todo

o abracadabra demoníaco é novamente evocada. Os honores blasfemos perpetrados

menos a uma

consente enflm em colocar, se náo no seu próprio nível' pelo

pelo Paganismo,

os sacrifícios

seu culto fálico, os prodígios taumatúrgicos executados por Satã,

humanos, os encantamentos, a bruxaria, a magia e a feitiçaria são

relembrados e o DEMONISMO é confrontado com o Espíritismo para reconheci- mento e identificaçáo mútuos. Nossos modernos demonólogos esquecem-se conve-

nientemente de uns poucos detalhes insignificantes' entre os quais a inegável pre-

sença

desse

Máe de Deus; e pode-se igualmente apontaf um elemento físico do mesmo

na adoração fetichista dos santos membros de Sáo cosme e Sâo Damião, em

do falicismo pagão nos símbolos cristáos. um poderoso elemento espiritual

culto pode ser facilmente demonstrado no dogma da Imaculada conceição da

virgem

culto

Isérnia, nas proximidades de Nápoles, com cujos ex-votos em cera o clero, anual-

mente,

promovia um rendoso comércio, não mais do que cinqüenta anos6'

É portanto

Em

insensato os autores catóücos despejarem a sua bílis em frases

inúmeros pagodes, a pedra

fálica assume com freqüência, como

)

o Mahâdeva"7.

indecente do linga (

como estas:

o baetylos

Antes de

grego, a forma brutalmente

macularem um símbolo, cujo sentido metafísico é por demais profundo

os modernos campeóes dessa religiáo do sensualismo par excellence, o Catoli-

para

cismo romano, eles deveriam destruir as suas igrejas mais antigas e modificar a for-

ma da cúpula

de seus próprios templos. O Mahâdeva de Elefanta, a Torre Redonda

de Bhagalpur, os minaretes do Islão - redondos ou pontudos - são os modelos ori- ginais do òampanile de São Marcos, em Veneza, da Catedral de Rochester, e do mo-

derno Duomo de Milão. Todos esses campanários,

cristãos reproduzem

Catedral de São

a idéia primitiva do lithos, o

torrinhas, zimbórios e templos

falo ereto. "A torre ocidental da

Paulo, em Londres", diz o autor de The Rosicruciarc, um dos

dois litóides que sempre se encontram na frente de todos os templos, sejam cristãos

ou pagãos."

protestantes,

vidência Mosaica são colocadas sobre o altar, disposta em díptico, como uma única

Além disso, em todas as igrejas cristãs, "particularmente nas Igrejas

onde figuram de modo mais conspícuo, as duas tábuas de pedra da Pro-

pedra, cuja

àsquerda,

A da direita é masculina, a da

feminina"B. portanto, nem os católicos, nem os protestantes têm o direito

parte superior é arredondada. (

)

de falar das "formas indecentes" dos monumentos pagãos, visto que eles ornamen-

tam as suas próprias igrejas com seus símbolos do linga e do yoni' e até mesmo

escrevem as leis de seu Deus sobre eles.

Outro detalhe que não honra de forma particular o clero cristão poderia ser traduzido pela palavra Inquisição. As torrentes de sangue humano derramadas por

essa instituiçã o cristã e o número de seus sacrifícios humanos não têm paralelo nos

anais do Paganismo.

seus mestres, os

negra, em seu verdadeiro e real sentido, mais exercida do que no vaticano. Mesmo

outro ponto ainda mais importante em que o clero superou os

pagáos, é afeitiçaria. De fato, em nenhum templo pagão foi a magia

praticando

atenção

çaria,

o exorcismo como uma importante fonte de rendas, eles deram tanta

à Magia quanto os antigos pagãos. É. facl provar q.oe o sortílegium, ot fe\ti-

foi amplamente praticado pelo clero e pelos monges até o século passado, e

ainda hoje o é, ocasionalmente.

Anatematízando todas as manifestaçóes de nattxeza oculta que não ocorrem

l6

no ârnbito da Igreja, o clero - náo obstante as provas em contrário - qualifica-as de "obra de Satã", "armadilhas dos anjos caídos", que "sobem e descem no abismo sem

fundo", mencionados por São Joáo em seu Apocalipse cabalístico, "do qual sai uma fumaça como a fumaça de uma imensa fornalha". "lntoxicados por suas emn-

nações, milhões de espiritistas se reúnem diariamente ao redor desse buraco para

adorar o Abismo de Baal."

Mais arrogante, obstinada e despótica do que nunca, agora que foi subjugada pela pesquisa moderna, não ousando haver-se com os poderosos campeões da ciên- cia, a lgreja latina vinga-se nos fenômenos impopulares. Um déspota sem vítimas é

um contra-senso; um poder que não procura fazer-se reconhecer por efeitos exte-

riores e bem calculados corre o risco de, ao final, ser posto em dúvida. A Igreja não tem intenção alguma de cair no esquecimento dos mitos antigos ou de permitir que sua autoridade seja tão fortemente questionada. É por essa razáo que ela prossegue,

tanto quanto lhe permite o tempo, a sua política tradicional. Lamentando a forçada extinção de sua aliada, a Santa Inquisiçáo, ela faz da necessidade uma virtude. As

únicas vítimas ao seu alcance, no momento, sáo os espiritistas da França. Os últimos acontecimentos demonstram que a dócil esposa de Cristo não desdenha tirar a forra

sobre vítimas indefesas.

Tendo exercido com sucesso o seu papel de Deus ex machina sob os auspícios

do Tribunal Francês, que não teve escrúpulos em prostituir-se por ela, a Igreja de

Roma põe mãos à obra e mostra, no ano de 1876, aquilo de qre é capaz. Das mesas

girantes e dos lápis dançantes do Espiritismo profano, o mundo cristáo é instado a

voltar-se aos "milagres" divinos de Lourdes. Entrementes, as autoridades eclesiásti-

cas empregarì o seu tempo para providenciar triunfos mais fáceis, planejados para

aterrorizar os supersticiosos. Assim, agindo sob ordens, o clero brada anátemas

dramáticos, se não impressionantes, de todas as dioceses católicas; ameaça por todos os lados; excomunga e pragueja. Percebendo, enfim, que mesmo os seus raios dirigi-

dos contra as cabeças coroadas caem de modo tão inofensivo conlo os relâmpagos

jupiterianos das Calchas de Offenbach, Roma volta-se em sua fúria impotente con-

os desafortunados búlgaros e

sérvios. Impassível diante das evidências e do sarcasmo, intocado pelas provas, "o

cordeiro do Vaticano" divide imparcialmente a sua iÍa entre os liberais da ltâlia,

"esses ímpios cujo hálito exala o fedor dos sepulcros"e, os "sarmatas russos cismáti- cos", e os heréticos e os espiritistas "que praticam seu culto no abismo sem fundo

tra os pobres protégés do Imperador da Rússia -

onde o grande Dragão espreita de emboscada".

O Rev. Gladstone deu-se ao trabalho de catalogar o que ele chama de "flores de retórica", disseminadas pelos discursos papais. Colhamos alguns poucos termos

utüzados por esses representantes d'Aquele que dizia "todo aquele que chamar seu irmáo de louco será réu do fogo do inferno" (Mateus,5,22).Foram selecionadas de

discursos autênticos. Os que se opóem ao Papa são "lobos, fariseus, ladrões, menti-

rosos, hipócritas, filhos edematosos de Satã, fiÌhos da perdição, do pecado e da corrupção, satélites de Satá em carne humana, monstros do inferno, demônios

encarnados, cadáveres nauseabundos, homens saídos dos abismos do inferno, trai- dores e judas guiados pelo espírito do inferno; filhos dos abismos mais profundos do

inferno; etc., etc. Todo esse piedoso vocabuliirio foi recolhido e publicado por Don

Pasquale di Franciscis. que Gladstone chamou, com perfeita propriedade, "um per-

feito professor de senilisrno nas coisas espirituais"t0.

T7

Visto que Sua Santidade o Papa possui um vocabuliírio táo rico de invectivas, não nos devemos surpreender se o bispo de TouÌouse não tem escrúpulos em emitir as mais indignas falsidades contra os protestantes e espiritistas da América - pessoas duplamente odiosas a um católico - num sermáo à sua diocese: "Nada" - observa ele - mais comum, numa era de descrença do que ver uma .falsa revelaçao subs- tituir a verdadeira, e as mentes negligenciarem os ensinamentos da Santa lgreja, para devotarem-se ao estudo da adivinhaçáo e das ciências ocultas". Professando o desdém episcopal pelas estatísticas, e confundindo estranhaÍnente, em sua memória, as audiências dos evangelizadores Moody e Sankey e os diretores das sombrias salas

de sessões, ele pronuncia a asserção falsa e injustificada de que "está provado que o Espiritismo, nos Estados unidos, causou a sexta parte de todos os casos de suicídio

e insanidade". Ele diz que náo é possível que os espíritos "ensinem uma ciência

exata, porque estes sáo demônios mentirosos, ou uma ciência útil, porque o caráter

do mundo de satã, como o próprio Satá, é estéril". Adverte aos seus queridos col/a-

borateurs que "os escritos em favor do Espiritismo estáo sob anátema", e deixa bem claro para eles que "a frequência aos círculos espiritistas com a intenção de aceitar a

doutrina constitui uma apostasia da santa Igreja, correndo risco de excomunhão".

Finalmente, diz: "Divulgai o fato de que nenhum ensinamento de um espírito deve prevalecer sobre o do púlpito de Pedro, que é o ensinamento do Próprio E,spírito de

Deus!1"

conhecendo os inúmeros falsos ensinamentos que a Igreja romana atribui ao

criador, preferimos não dar crédito à última afirmação. o famoso teólogo católico Tillemont assegura-nos em