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Tratado Prático de

Enfermagem

Coordenadores Nébia Maria Almeida de Figueiredo Dirce Laplaca Viana Wiliam César Alves Machado

Nébia Maria Almeida de Figueiredo Dirce Laplaca Viana Wiliam César Alves Machado BlogEnfermagem.com 2 a edição

2

a edição

Copyright © 2008 Yendis Editora Ltda. Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem a autorização escrita da Editora.

Editor: Maxwell M. Fernandes Coordenação editorial: Anna Yue Projeto gráfico e editoração eletrônica: Francisco Lavorini Capa: Eduardo Bertolini Imagem de capa: istockphotos.com

As informações são de responsabilidade dos autores. A Editora não se responsabiliza por eventuais danos causados pelo mau uso das informações contidas neste livro.

Impresso no Brasil Printed in Brazil

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Tratado prático de enfermagem / coordenadoras Nébia Maria Almeida de Figueiredo, Dirce Laplaca Viana . – São Caetano do Sul, SP : Yendis Editora, 2008.

Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-85-7728-052-0 (obra completa) ISBN 978-85-7728-053-7 (volume 1) ISBN 978-85-7728-054-4 (volume 2)

1. Enfermagem 2. Enfermagem - Estudo e ensino I. Figueiredo, Nébia Maria Almeida de. II. Viana, Dirce Laplaca.

CDD-610.7307

06-2188

NLM-WY 100

Índices para catálogo sistemático:

1. Enfermagem : Estudo e ensino

610.7307

sistemático: 1. Enfermagem : Estudo e ensino 610.7307 Yendis Editora Av. Guido Aliberti, 3069 – São

Yendis Editora Av. Guido Aliberti, 3069 – São Caetano do Sul – SP – 09581-680 Tel./Fax: (11) 4224-9400 yendis@yendis.com.br www.yendis.com.br

BlogEnfermagem.com

Nébia Maria Almeida de Figueiredo

Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Uni- versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Li- vre-docente em Administração de Enfermagem pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Professora Titular de Fun- damentos de Enfermagem da Escola de Enfer- magem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAP/UNIRIO). Pesquisadora do Conselho Nacional de Desen- volvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UNIRIO gestão 2006-2008. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de En- fermagem – UNIRIO-CNPq.

Dirce Laplaca Viana

Mestre em Ciências da Saúde pelo Departamen- to de Enfermagem Pediátrica da Escola Paulis- ta de Medicina da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp-EPM. Especialista em Pediatria pelo Instituto da Criança do Hospital das Clíni- cas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – HC-FMUSP e em Administra- ção Hospitalar pela Faculdade de Saúde Pública

Coordenadores

da Universidade de São Paulo – USP. Especialis- ta em Administração em Serviços de Saúde pela Faculdade de Saúde Pública da USP. Docente no curso de especialização em Enfermagem Hospi- talar à Criança e ao Adolescente e no curso de especialização em Enfermagem em Cuidados Intensivos e Emergência à Criança e ao Adoles- cente no Instituto da Criança do HC-FMUSP. Enfermeira do Serviço de Educação Continuada do Instituto da Criança do HC-FMUSP.

Wiliam César Alves Machado

Doutor em Enfermagem pela Escola de Enferma- gem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEAN-UFRJ). Professor Adjunto do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Univer- sidade Federal do Estado Rio de Janeiro (EEAP- UNIRIO). Professor Titular da Faculdade de Ciências da Saúde de Juiz de Fora, Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC). Pesqui- sador da Fundação Nacional de Desenvolvimen- to do Ensino Superior Particular (FUNADESP). Área de atuação/produção: Enfermagem Funda- mental, Cuidado de Enfermagem, História da Enfermagem, Reabilitação, Inclusão Social das pessoas com deficiência.

Alacoque Lorenzini Erdmann

Doutora em Filosofia da Enfermagem pelo Programa de Pós-graduação em Enfermagem (PEN) da Univer- sidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora Titular do Departamento de Enfermagem e do PEN/ UFSC. Pesquisadora 1A do CNPq. Coordenadora Adjunta da área da Enfermagem na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CA- PES). Coordenadora do Grupo de Estudos e Pesqui- sas em Administração de Enfermagem e Saúde (GE- PADES) da UFSC.

Alessandra Budsiz Franza

Enfermeira. Especialista em Enfermagem Obstétrica. Docente do Instituto Educacional São Paulo (IN- TESP).

Carlos Roberto Lyra da Silva

Doutorando em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP- UNIRIO). Área de atuação: Cuidados em Terapia Intensiva e Semiologia. Membro do Grupo de Pes- quisa de Enfermagem – UNIRIO/CNPq.

Cecília Maria Izidoro Pinto

Mestre em Tecnologia Educacional para as Ciências da Saúde (NUTES/UFRJ). Professora Assistente do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Área de atuação/produção: Enfermagem Cirúrgica e de Centro Cirúrgico e Clínica da Dor

Autores

volume 1

Denise Zanquetta

Enfermeira. Especialista em Enfermagem Pediátrica. Docente do Instituto Educacional São Paulo (IN- TESP).

Eva Maria Costa

Mestre em Enfermagem pela UNIRIO. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Área de atuação: Enfermagem Fundamental e Semiotécnica. Coordenadora do Programa de Exten- são Fábrica de Cuidados.

Fernanda Jacques Calçado

Enfermeira. Especialista em Formação Pedagógica habilitada em Enfermagem Cardiológica. Docente do Instituto Educacional São Paulo (INTESP).

Fernando Porto

Professor Assistente do Departamento de Enferma- gem Materno Infantil da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Mestre em Enfer- magem pela UNIRIO. Área de atuação/produção:

Enfermagem Pediátrica e Obstétrica.

Ilda Cecília Moreira da Silva

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Coordenadora do Curso de Graduação do UFOA. Área de atuação: Metodologia da Enfermagem, Ad- ministração Hospitalar e Gerência de Serviços.

Tratado Prático de Enfermagem - volume 1

Inês Maria Meneses dos Santos

Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Áreas de atuação: Enfermagem em Neonatologia e Saúde da Mulher. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de Enfermagem – UNI- RIO-CNPq.

Iraci dos Santos

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Livre-docente/ professora titular em Pesquisa de Enfermagem pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Área de atuação/produção: Administração de Enfer- magem e Pesquisa Sociopoética.

Isaura Setenta Porto

Doutora em Enfermagem pela Escola de Enferma- gem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Médico-cirúrgica da Editora da Revista da Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Pesquisadora do CNPq. Área de atuação/produção: Cuidados de Enfermagem e En- sino de Graduação e Pós-graduação em Enfermagem Hospitalar, Hospital, Tecnologia e Enfermagem Hos- pitalar, Enfermagem Hospitalar e seus Pro fi ssionais.

Joséte Luzia Leite

Enfermeira aposentada pelo Hospital dos Servidores do Estado (HSE). Ex-chefe do CTI e da Unidade de Cirurgia Cardiovascular. Doutora em Enferma- gem pela UNIRIO. Professora Emérita da UNIRIO. Membro da Diretoria do Núcleo de Pesquisa Edu- cação, Gerência e Exército Profissional da Enfer- magem (NUPEGEPEn) da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Membro do Núcleo de Pesquisa da História da Enfermagem Brasileira (NU- PHEBRAS) da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Membro do Grupo de Estudos de Estudos de Pesquisa e Comunicação (GEPECOPEn) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP- USP). Representante da Área de Enfermagem no CNPq. Membro do Sigma Theta Thau Internacio- nal. Pesquisadora 1A do CNPq.

Kaneji Shiratori

Doutora em Enfermagem pela USP. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de Enfermagem – UNIRIO-CNPq.

Leila Rangel da Silva

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Área de atuação: Enfermagem Materno-In- fantil. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de Enfermagem – UNIRIO-CNPq.

Lucia Helena S. C. Lourenço

Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Área de atuação/produção: Enfermagem Fundamen- tal.

Lucia Marques Viana

Doutora em Fisiologia da Nutrição. Professora Ad- junta da Escola de Nutrição da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Lucio Sleutjes

Coordenador da Faculdade de Minas (Faminas), pro- fessor adjunto de Anatomia da Faculdade Metodista Granbery, professor da pós-graduação de Anatomia da Universidade Gama Filho, diretor acadêmico da Faculdade Qualitas, diretor geral da Vértice Ensino Superior, doutorando em Cinesiologia, mestre em Ciência da Motricidade, especialista em Anatomia Humana, editor geral da revista Informa Saúde, só- cio-proprietário da Clínica Saúde-Clin.

Luis Carlos Santiago

Doutor em Enfermagem pela USP/Ribeirão Preto. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Área de atuação: Enfermagem Fundamental, Semiologia e Tecnologias da Informa- ção. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de En- fermagem – UNIRIO-CNPq.

Márcia de Assunção Ferreira

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Professora Ti- tular do DEF da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Coordenadora do programa de pós- graduação da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Área de atuação: Teorização em Fun- damentos do Cuidado.

Marcio Petenusso

Enfermeiro Especialista em Unidade de Terapia In- tensiva pela Universidade Bandeirante de São Paulo. Enfermeiro Especialista em Fisiologia pela Faculdade de Medicina do ABC (FU-ABC), Santo André. Mes- trando em Ciências da Saúde pela Faculdade de Me- dicina do ABC (FU-ABC), Santo André. Professor da disciplina de Fundamentos do Processo de Cuidar do Centro Universitário de Santo André (UNIA). Professor da Disciplina de Unidade de Terapia Inten- siva do Instituto de Ensino Nível de Santo André. Professor da Disciplina de Fundamentos do Proces- so do Cuidar, Saúde Coletiva e Gerenciamento do Processo de Cuidar do Centro Universitário de Santo André (UNIA).

Maria Lúcia T. Polônio

Professora Assistente da Escola de Nutrição (UNI- FERJ).

Osnir Clauidiano da Silva Junior

Doutor em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Áreas de atuação: Enfermagem Fundamental e História. Membro do Grupo de Pesquisa – LAPHE- UNIRIO-CNPq.

Autores

Roberto Carlos Lyra da Silva

Doutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ). Mestre em Enferma- gem pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor As- sistente da Disciplina de Semiologia nos cursos de gradua-ção e pós-graduação lato sensu do Departa- mento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAP/UNIRIO).

Teresa Tonini

Enfermeira. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAP-UNIRIO). Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ). Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Ja- neiro (EEAN-UFRJ). Especialista em Administração dos Serviços de Saúde. Área de atuação/produção:

Fundamentos de Enfermagem e Saúde Coletiva; Ad- ministração do Cuidado de Enfermagem; Gestão em Saúde.

Zainet Nogimi

Enfermeira. Especialista em Formação Pedagógica habilitada em Enfermagem Cardiológica. Docente do Instituto Educacional São Paulo (INTESP).

Sumário

 

volume 1

Apresentação

XIII

Capítulo 2 – Sistema

Introdução

XV

Nervoso

81

 

Introdução

83

Capítulo 1 – Anatomia e Fisiologia

Avaliação do sistema nervoso

83

Humanas

1

Complicações do sistema nervoso

113

Introdução

3

Conceitos

3

Capítulo 3 – Sistema

O corpo humano

3

Respiratório

123

Sistema esquelético

9

Sistema articular

19

Introdução

125

Sistema muscular

25

Avaliação do sistema respiratório

130

Sistema tegumentar

31

Complicações do sistema respiratório

149

Sistema nervoso

33

Sistema cardiovascular

39

Capítulo 4 – Sistema

Sistema hematológico

47

Cardiovascular

163

Sistema respiratório

49

Sistema digestório

58

Introdução

165

Sistema urinário

65

Avaliação do sistema cardiovascular

167

Sistema genital

69

Complicações do sistema

Sistema endócrino

75

cardiovascular

172

Sistema sensorial (órgãos dos sentidos)

78

Tratado Prático de Enfermagem - volume 1

Capítulo 5 – Sistema Hematológico

203

Capítulo 10 – Sistema Genital Feminino

289

Introdução

205

Introdução

291

Alterações do sistema hematológico

 

206

Genitália externa

 

291

 

Genitália interna

 

291

Mamas

294

Capítulo 6 – Sistema

 

Digestório

.

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211

Ciclo reprodutivo feminino

 

295

 

Avaliação das mamas

 

300

Introdução

213

Avaliação da genitália feminina

 

302

Avaliação do sistema digestório

 

215

Complicações do sistema genital

 

Manifestações do sistema digestório

 

230

feminino

 

303

Capítulo 7 – Sistema

 

Capítulo 11 – Planejamento

 

Endócrino

.

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245

Familiar

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309

Introdução

247

Introdução

311

Complicações do sistema endócrino

 

249

Métodos contraceptivos: regulando a fertilidade

 

311

Capítulo 8 – Sistema Urinário

257

Capítulo 12 – Gestação e Parto .

325

Introdução

259

Gravidez

327

Avaliação do sistema urinário

263

Parto

350

Alterações do sistema urinário

265

Complicações do sistema urinário

268

Capítulo 13 – Fundamentos de Enfermagem

363

Capítulo 9 – Sistema Genital Masculino

277

História da enfermagem

365

Introdução

279

Administração das ações de enfermagem

379

Avaliação da genitália masculina

284

Prevenindo acidentes

388

Complicações do sistema genital

Segurança e conforto

408

masculino

284

Unidade de internação e unidade

do cliente

413

Posicionamento do cliente

423

Higiene do cliente

436

Balanço hídrico

446

Alimentação

451

Controle dos sinais vitais

462

Cateterismo vesical

482

Sondagem nasogástrica (SNG)

485

Lavagem intestinal

486

Referências Bibliográficas

486

Sumário

Adriana Lemos Pereira

Professora Assistente do Departamento de Enferma- gem em Saúde Pública da Escola de Enfermagem Al- fredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Doutoranda em Saú- de Coletiva. Enfermeira Sanitarista. Área de atuação/ produção: Enfermagem gênero, sexualidade e saúde.

Angelina Maria Aparecida Alves

Professora Assistente do Departamento Materno Infantil da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Doutoranda em Enfermagem. Área de atuação/produção: Enfermagem Pediátrica.

Barbara Audara de Almeida

Graduação pela Escola de Arquivologia – UNIRIO.

Beatriz Guitton Renaud Baptista de Oliveira

Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professora Adjunta do Departamento de Fundamentos de Enfermagem e Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF). Área de atuação/produção: Enfermagem e Sociedade, Identidade Profissional, Fundamentos de Enfermagem Médico-Cirúrgica.

Autores

volume 2

Carlos Roberto Lyra da Silva

Doutorando em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP- UNIRIO). Área de atuação: Cuidados em Terapia Intensiva e Semiologia. Membro do Grupo de Pes- quisa de Enfermagem – UNIRIO/CNPq.

Claudia de Carvalho Dantas

Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Membro do Núcleo de Pesquisa Educação, Gerência e Exercí- cio Profissional da Enfermagem (NUPEGEPEn).

Débora Esteves

Enfermeira. Especialista em Enfermagem Pediátrica e em Formação Pedagógica. Docente do Instituto Educacional São Paulo (INTESP).

Denise Figueiredo Restivo

Enfermeira. Especialista em Saúde Pública. Docente do Instituto Educacional São Paulo (INTESP).

Elaine Cristina de Oliveira Souza

Enfermeira pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ).

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Enirtes Caetano Prates Melo

Doutora em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública/FIOCRUZ. Professora Adjunta do Departa- mento de Enfermagem de Saúde Pública da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Mes- tre em Saúde Pública. Enfermeira Sanitarista. Área de atuação/produção: Saúde Pública/Coletiva.

Fátima Terezinha Scarparo Cunha

Professora Assistente do Departamento de Enferma- gem em Saúde Pública da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Doutora em Saú- de Pública/Coletiva. Enfermeira Sanitarista. Área de atuação/produção: Planejamento em Saúde,

Fernando Porto

Professor Assistente do Departamento de Enferma- gem Materno Infantil da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Mestre em Enfer- magem pela UNIRIO. Área de atuação/produção:

Enfermagem Pediátrica e Obstétrica.

Inês Maria Meneses dos Santos

Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EE- AP-UNIRIO). Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de Enfermagem – UNIRIO-CNPq. Áreas de atuação:

Enfermagem em Neonatologia e Saúde da Mulher.

Joséte Luzia Leite

Enfermeira aposentada pelo Hospital dos Servidores do Estado (HSE). Ex-chefe do CTI e da Unidade de Cirurgia Cardiovascular. Doutora em Enferma- gem pela UNIRIO. Professora Emérita da UNIRIO. Membro da Diretoria do Núcleo de Pesquisa Edu- cação, Gerência e Exército Profissional da Enfer- magem (NUPEGEPEn) da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Membro do Núcleo de Pesquisa da História da Enfermagem Brasileira (NU- PHEBRAS) da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Membro do Grupo de Estudos de Estudos de Pesquisa e Comunicação (GEPECOPEn) da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP- USP). Representante da Área de Enfermagem no

CNPq. Membro do Sigma Theta Thau Internacio- nal. Pesquisadora 1A do CNPq.

Joyce Mathias Fonseca

Enfermeira pela Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ).

Julia Peres Pinto

Mestre em Ciências da Saúde pelo Departamento de Enfermagem Pediátrica da Unifesp-EPM. Docente na Universidade Anhembi Morumbi e no Centro Universitário São Camilo. Integrante da Diretoria da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras (SOBEP). Área de atuação/produção: Saúde da Criança e do Adolescente.

Laura Johanson

Mestranda pela Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Enfermeira pela Escola de Enfer- magem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Enfermeira da Maternidade Escola/UFRJ e do Hospital Univer- sitário Pedro Ernesto (HUPE-UERJ).

Leila Rangel da Silva

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Área de atuação: Enfermagem Materno-In- fantil. Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de Enfermagem – UNIRIO-CNPq.

Luciana de Paula Carvalho

Enfermeira, docente do Instituto Educacional São Paulo (INTESP).

Márcio Tadeu Ribeiro Francisco

Doutor em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medi- cina Social (IMS/UERJ). Docente da Faculdade de Enfermagem da UERJ. Coordenador Geral do Curso de Graduação de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida – UVA. Áreas de atuação: Administração e Planejamento de Serviços de Saúde. Consultor do programa Nacional de DST-AIDS-MS.

Maria Aparecida de Luca Nascimento

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Membro do Grupo de Pesquisa Cuidado de Enfermagem – UNIRIO-CNPq.

Maria das Graças de O. Fernandes

Mestre em Ciência da Saúde pelo Departamento de Enfermagem Pediátrica da Unifesp-EPM. Docente na Universidade de Guarulhos (UnG). Área de atu- ação/produção: Saúde da Criança e do Adolescente, Fundamentos de Enfermagem.

Maria Filomena Pereira Vancellote Almeida

Professora Adjunta do Departamento Materno Infantil da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNIRIO). Área de atuação/produção: En- fermagem Pediátrica, Mestre em Enfermagem.

Maria Xavier de Souza

Enfermeira. Especialista em Enfermagem Pediátrica, Administração Hospitalar e em Formação Pedagógi- ca. Docente do Instituto Educacional São Paulo (IN- TESP).

Marluci Andrade Conceição Stipp

Doutora em Enfermagem pela UFRJ. Professora Ad- junta do Departamento de Metodologia da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN-UFRJ). Mem- bro do Núcleo de Pesquisa em Educação, Gerência e Exercício Profissional em Enfermagem (NUPEGE- PEn). Áreas de atuação/ produção: Administração de Enfermagem e Enfermagem Cardiovascular.

Paula Rosenberg de Andrade

Mestre em Ciências da Saúde pelo Departamento de Enfermagem Pediátrica da Unifesp-EPM. Enfermei- ra do Centro Assistencial Cruz de Malta.

Autores

Roberto Carlos Lyra da Silva

Doutor em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ). Mestre em Enferma- gem pela Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Professor As- sistente da Disciplina de Semiologia nos cursos de gradua-ção e pós-graduação lato sensu do Departa- mento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAP/UNIRIO).

Teresa Tonini

Enfermeira. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem Fundamental da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (EEAP-UNIRIO). Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social (UERJ). Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Ja- neiro (EEAN-UFRJ). Especialista em Administração dos Serviços de Saúde. Área de atuação/produção:

Fundamentos de Enfermagem e Saúde Coletiva; Ad- ministração do Cuidado de Enfermagem; Gestão em Saúde.

Wellington Mendonça de Amorim

Doutor em Enfermagem pela UFRJ. Docente da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP-UNI- RIO). Área de atuação: Saúde Pública e História da Enfermagem. Membro do Grupo de Pesquisa – LA- PHE-UNIRIO-CNPq.

Zainet Nogimi

Enfermeira. Especialista em Formação Pedagógica habilitada em Enfermagem Cardiológica. Docente do Instituto Educacional São Paulo (INTESP).

Apresentação

XI

Introdução

XIII

Capítulo 1 – Administração e Cálculo de Medicamentos

1

Introdução

3

Reações adversas

3

Interações medicamentosas

4

Vias de administração de medicamentos

4

Incompatibilidade entre medicamentos

27

Administração de hemoderivados

29

Cálculos e diluições

31

Sistemas de medidas e equivalência das medidas

36

Medicação em solução

37

Particularidades

38

Cálculo de gotejamento de soro

42

Rediluição de medicação

44

Transformação de soluções

46

Sumário

volume 2

Capítulo 2 – Enfermagem em Centro Cirúrgico e Clínica Cirúrgica

53

Introdução

55

Localização

55

Características físicas

55

Sala de cirurgia

57

Paramentação cirúrgica

59

Posições para cirurgia

62

Princípios de microbiologia

63

Situações cirúrgicas

70

Enfermagem em clínica cirúrgica

87

Capítulo 3 – Saúde Pública

119

Introdução

121

Políticas de saúde pública no Brasil

121

Sistema Único de Saúde (SUS)

128

Doenças transmissíveis

134

Imunização

196

Programas de atenção à saúde

204

Resíduos dos serviços de saúde

213

Isolamento

220

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Capítulo 4 – Enfermagem no Atendimento a Emergências

223

Introdução

225

Atividades da enfermagem na unidade de emergência

226

Transporte do cliente crítico

227

Principais emergências

235

Capítulo 5 – Enfermagem

Pediátrica

.

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259

Introdução

261

Crescimento e desenvolvimento da criança

 

264

Crescimento e desenvolvimento durante a adolescência

271

Brincadeiras na infância

 

274

Hospitalização

 

281

Administração de medicamentos em pediatria

 

302

Alterações do sistema respiratório

321

Alterações gastrintestinais

 

334

Estatuto da Criança e do Adolescente

 

348

Direitos da criança e do adolescente hospitalizados

351

Capítulo 6 – Enfermagem em Neonatologia

353

Introdução

355

Conceitos

355

Classificação do recém-nascido

355

Assistência de enfermagem em sala de parto

356

Assistência no período inicial pós-parto

361

Assistência de enfermagem na unidade de internação neonatológica

361

Medidas antropométricas

362

Assistência de enfermagem na maternidade

368

Registro de nascimento

380

Alta hospitalar

380

Atendimento em UTI neonatal

381

Patologias em recém-nascidos

385

Recém-nascido pré-termo

390

Recém-nascido traumatizado

392

Controle de infecção no berçário

392

Cuidados de enfermagem ao recém-nascido grave

392

Capítulo 7 – Enfermagem em Psiquiatria

395

Introdução

397

Epidemiologia dos transtornos mentais

399

Transtorno impulsivo para dependência química

399

Transtorno bipolar do humor

401

Esquizofrenia

403

Transtorno obsessivo-compulsivo

404

Transtornos alimentares

405

Transtornos somatoformes

407

Assistência de enfermagem na administração de drogas psicotrópicas

408

Emergência psiquiátrica

412

Referências Bibliográficas

417

A idéia deste livro surgiu do desejo de de- senvolver uma obra ampla que abrangesse vários temas importantes para o aprendizado de Enfermagem e que reunisse profissionais enfermeiros envolvidos na área acadêmica a fim de suprir as necessidades de aprendizado de alunos e profissionais. Para fins de organização e apresentação dos temas, este tratado foi estruturado em capí- tulos, iniciando pela revisão de anatomia e fisiologia humanas, cujo texto faz uma abor- dagem direta e objetiva no intuito de relem- brar e destacar alguns pontos importantes do corpo humano e de seu funcionamento. Os capítulos subseqüentes abordam cada sistema de forma detalhada, incluindo prin- cipais doenças, sinais e sintomas, tratamento e assistência de enfermagem, destacando o processo de cuidar e incluindo estratégias e instrumentos necessários para desenvolvê-lo. Algumas especialidades como pediatria, centro cirúrgico e saúde pública também foram abordadas por serem consideradas de

Apresentação

fundamental importância para o amadureci- mento profissional.

A administração e o cálculo de medicamen-

tos completam esta obra e trazem exercícios práticos e de grande utilidade nos estudos e no dia-a-dia profissional. Este tratado reúne textos importantes voltados para a formação e para a educação continuada dos membros da equipe de en-

fermagem, esse conjunto articulado de forma organizada e aperfeiçoada tenta aproximar a ciência da prática e assim tornar o aprendiza- do mais significativo.

A ciência é um meio indispensável para que

os sonhos sejam realizados. Sem a ciência não se pode nem plantar nem cuidar do jardim

Mas há algo que a ciência não pode fazer. Ela não é capaz de fazer os homens desejarem plantar jardins. Ela não tem o poder de fazer sonhar (ALVES, R. Entre a ciência e a sapiên­ cia: o dilema da educação. 7. ed. São Paulo:

Loyola, 2002).

Introdução

A questão da formação do profissional de enfermagem dentro de uma prática embasa- da na ciência em favor do cliente que busca cuidados de qualidade é a temática central em torno da qual gira este texto. Elaborar um livro que abordasse o maior número de assuntos e promovesse aos profissionais subsídios para a capacitação e para o aprimoramento profissio-

do profissional que deve se entregar de uma forma verdadeira à sua capacitação profissio- nal. Não só o professor, mas também o profis- sional têm a função de formador. Formar é vivenciar cenas do cotidiano, pois sabemos que a mais antiga forma de aprender é ob- servar os fatos que ocorrem ao nosso redor,

nal não foi uma tarefa fácil, buscou-se incluir

o

que nos permite arquivar conhecimentos

assuntos importantes e fundamentais para a prática e embasados em teoria científica. Por outro lado, abordar todos os temas rele- vantes para a enfermagem foi se tornando um objetivo complexo e distante porque a cada passo dado percebia-se o quanto ainda era ne- cessário caminhar. Dessa forma nos detivemos em alguns temas que considerávamos primor- diais pois nossa finalidade principal é formar e, para nós, formar é muito mais do que pura-

para as ações futuras. Estamos todos envolvi- dos no processo de ensinar e aprender; somos responsáveis por tudo que nos circunda. A linguagem prática e direta foi estabele- cida para favorecer o aprendizado e o enten- dimento dos assuntos abordados gerando, assim, aquisição de conhecimento de forma prazerosa e confortável. Esta obra incorpora uma análise de saberes fundamentais à prática de enfermagem e aos

mente treinar no desempenho de destrezas.

quais esperamos que o leitor crítico acrescen-

Formar é somar o conhecimento apresen-

te

alguns que não puderam ser inseridos nes-

tado à visão crítica e crescentemente curiosa

te

dado momento.

Capítulo 6

Enfermagem em Neonatologia

Angelina Maria Aparecida Alves Débora Esteves Inês Maria Meneses dos Santos Leila Rangel da Silva Maria Xavier de Souza

Alves Débora Esteves Inês Maria Meneses dos Santos Leila Rangel da Silva Maria Xavier de Souza
Alves Débora Esteves Inês Maria Meneses dos Santos Leila Rangel da Silva Maria Xavier de Souza

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Introdução

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Conceitos

Em meados dos anos de 1970, o avanço da ciência aliado a tecnologia de exames e

diagnósticos possibilitou a formação da espe- cialidade pediatria. A neonatologia atende o recém-nascido (RN) nas 4 primeiras semanas de vida (28 dias de vida). Dentro das inova- ções, a normatização da presença de médi- co neonatologista na sala de parto contribui para reduzir muito as estatísticas de óbitos pós-parto, principalmente em caso de parto de risco.

O nascimento de um bebê é um momen-

to mágico para os pais e também para os profissionais que cuidam da mãe e do RN. Durante o nascimento, a situação do feto é influenciada por muitos fatores, principal-

mente analgesia e a anestesia obstétrica. Na sala de parto, ao receber o RN, o profissional que realiza o parto deve dobrar sua atenção para sinais de depressão e complicações res- piratórias, especialmente ao RN de parto de risco.

O enfermeiro ou o técnico de enfermagem

que recebe o bebê das mãos do obstetra ou do enfermeiro obstetra deve ser hábil e saber identificar anormalidades. Em caso de sofri- mento e se houver necessidade de reanima- ção, deve fazê-la imediatamente. Todo hospital com sala de parto deve ter uma equipe de reanimação capacitada e equi- pamento apropriado disponível para prestar atendimento eficaz ao RN.

Nascido vivo: criança que apresenta bati- mentos cardíacos, movimentos respiratórios e pulsações no cordão. Óbito fetal: de acordo com a OMS é a morte de um produto da concepção antes da expulsão ou de sua retirada do corpo materno, independentemente da duração da gestação. Natimorto: óbito fetal após a 28 a semana de gestação.

Classificação do Recém-nascido

Conforme o Peso

• RN pequeno para a idade gestacional (PIG): pesa menos de 2.500 g, abaixo do 10 o percentil ou 2 desvios-padrão abaixo da média, como resultado de crescimen- to intra-uterino retardado (CIUR).

• RN com peso apropriado para a idade ges- tacional (AIG): pesa entre 2.500 e 4.000 g.

• RN grande para a idade gestacional (GIG):

pesa mais de 4.000 g, está no 90 o percentil ou 2 desvios-padrão acima da média.

Conforme a Idade Gestacional

• RN pré-termo (RNPT): é o RN que pode ser viável e nasce até completar 37 semanas e pode ser:

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355

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

– RNPT limítrofe: entre 35 e 36 sema- nas (está próximo de atingir o termo) muitas vezes não apresenta intercor- rências e não necessita de cuidados especiais; ficará em alojamento con- junto com sua mãe;

– RNPT moderado: entre 30 e 34 se- manas;

– RNPT extremo: abaixo de 30 sema- nas (apresenta grande imaturidade dos seus órgãos e necessita de cuida- dos altamente especializados).

• RN a termo: RN que nasce entre 37 semanas completas até 42 semanas. A criança nascida com essa idade gestacio- nal possui características anatômicas e fisiológicas que permitem sua adaptação perfeita ao meio externo.

• RN pós-termo: nascido após 42 semanas de gestação pode ter sinais de perda de peso com insuficiência placentária.

Peso ao nascer: qualquer criança nasci- da viva pesando 2.500 g ou menos é clas- sificada como baixo peso. São chamadas de muito baixo peso as nascidas com menos de 1.000 g.

Assistência de Enfermagem em Sala de Parto

No período pós-parto, o recém-nascido apresenta alterações biofisiológicas e com- portamentais complexas, resultantes da tran- sição para a vida extra-uterina.

Os cuidados de enfermagem ao RN apóiam-

se no conhecimento das alterações e o impac- to do recém-nascido na unidade familiar. As primeiras horas pós-parto apresentam um período de ajustamento fundamental para o RN. Os cuidados imediatos devem-se cen- trar na atenção ao estado do recém-nascido.

O ideal é que o RN receba os cuidados

imediatos de um profissional treinado, pre- ferencialmente médico ou enfermeiro com capacitação em reanimação neonatal, porque em parto de risco pode ser necessária a intu- bação traqueal do neonato.

Cuidados com Atenção Especial

1. A desobstrução de vias aéreas deve ser feita com a cabeça em nível inferior ao restante do corpo (Trendelenburg a 20°), virada para o lado, pois esta posição im- pedirá que muco, líquidos, coágulos ou mecônio penetrem nas vias respiratórias.

2. Na avaliação do RN, deve-se observar e anotar o instante em que o RN chora e respira.

3. Fazer a ligadura do cordão umbilical dei- xando-se um coto com cerca de 3 cm de comprimento. A secção do cordão umbi- lical é feita (deixar pulsar 1 minuto sem ordenha) pelo obstetra ou enfermeiro obstetra que realizou o parto.

4. Após ligadura do cordão umbilical e exa- me do cordão, envolver o RN em campo aquecido, estéril e apresentar a mãe.

5. Estabelecer e manter uma via aérea pér- via e o suporte às respirações.

356

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6. Manter o aquecimento e prevenir a hipo- termia.

7. Verificar o Apgar do 1 o e do 5 o minuto, estabelecidos pelo médico ou pela enfer- meira obstetra.

8. Certifique-se de que foram coletadas amostras de sangue do cordão para de- terminar o grupo sangüíneo e Rh, além de todas as determinações que o pediatra julgue oportunas.

9. Coloca-se o bebê em contato com a mãe (a enfermagem deverá entregar o RN à mãe, abrindo o campo para que ela observe seu corpo inteiro), e em seguida estimular a amamentação no seio materno.

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

10. Fazer a identificação do RN e da mãe, usar pulseiras de plástico no pulso ou tornozelo (colocado na mãe e no filho, coleta-se a impressão digital dos dedos da mãe e plantar do filho). Deve constar na identificação: nome da mãe (“filho de” ou “RN de”), sexo do RN, número do quarto, do leito materno e data. 11. Administração de vitamina K para pre- venção da doença hemorrágica do RN (2 mg por via oral ou 1 mg por via IM no vasto lateral/coxa). 12. Aplicação de credê ocular: nitrato de prata a 1% para a prevenção da oftalmia purulenta.

de prata a 1% para a prevenção da oftalmia purulenta. Figura 6.1 – Pulseira de identificação

Figura 6.1 – Pulseira de identificação do RN.

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357

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Observação: O profissional deve se prote- ger com luvas, pois o bebê estará envolto em líquido amniótico e sangue, que podem estar contaminados. Utilizar um campo aquecido, segurar o bebê pelos pés e pelo dorso.

Objetivos específicos

1. Oferecer a todos os recém-nascidos con- dições para adaptação imediata à vida ex- tra-uterina.

2. Proteger a criança contra os riscos do meio ambiente.

3. Efetuar procedimentos e prestar cuida- dos ao RN.

4. Atentar para os problemas que ocorrem e solucioná-los.

Método de Credé

O obstetra vienense Credé, em 1881, desco-

briu o uso do nitrato de prata, hoje difundido mundialmente. O colírio de nitrato de prata 1% promove a profilaxia da oftalmia gonocó- cica (transmissão de gonorréia da mãe para o bebê no momento do parto), eliminando uma das causas de cegueira no neonato.

O procedimento deve ser feito logo após o

nascimento. Pode-se, contudo aguardar uma ou duas horas para permitir o contato visual entre mãe e bebê. De fato, o medicamento arde e o recém-nascido não conseguirá abrir os olhos, impedindo que aproveite o período de alerta após o parto para interagir com sua mãe.

1. Instilar duas gotas de nitrato de prata 1% no saco conjuntival. (Motivo: se instila-

do diretamente sobre a córnea pode cau- sar traumatismo ou lesão.)

2. Manipular cuidadosamente as pálpebras para espalhar a gota.

3. Retirar o excesso de nitrato de prata 1% das pálpebras e da pele ao redor com gaze embebida com água esterilizada. (Moti- vo: se o excesso de solução não for remo- vido, produz-se uma mancha marrom ou preta na pele ao redor dos olhos.) Nunca utilizar soro fisiológico. (Motivo: soro precipita os sais de prata, provocando queimadura na pele.)

4. Não lavar os olhos. (Motivo: deve-se dei- xar o nitrato de prata 1% agir logo após a instilação, para que seja eficaz.)

5. Para armazenar os frascos de nitrato de prata 1%, use um vidro de cor escura (âmbar), com tampas bem ajustadas, conservando ao abrigo da luz e do calor. (Motivo: a medicação é fotossensível.) Atente para o prazo de validade indica- do; habitualmente o farmacêutico da ins- tituição fornece doses fracionadas. (Mo- tivo: evita que a solução sobrenadante perca sua ação terapêutica. No final do frasco, o produto terá maior concentra- ção de nitrato de prata devido aos sais precipitados, podendo causar conjunti- vite química no recém-nascido.)

Administração de Vitamina K (Kanakion ® )

A função da vitamina K é catalisar a sínte- se de protrombina no fígado, necessária para a coagulação sangüínea. A administração de

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vitamina K ajuda na prevenção da doença he- morrágica do RN, causada por uma deficiên- cia dos fatores de coagulação (dependentes da vitamina K) que se instala geralmente en- tre o primeiro e o quinto dia de vida. Normalmente, a vitamina K é sintetizada pela flora intestinal. No entanto, o intestino do RN é estéril ao nascimento, e só será co- lonizado após a amamentação (o leite ma- terno, porém, contém níveis baixos de vita- mina K). Logo, o suprimento é inadequado nos primeiros 3 ou 4 dias. Também há ima- turidade hepática, com pouca produção de fatores sangüíneos.

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

1. Administra-se uma única dose (0,5 mg para RN pré-termo e 1 mg para RN a termo) na primeira hora de vida, por via intramuscular.

2. Normalmente aplica-se no músculo vas- to lateral da coxa. (Motivo: ausência de outra massa muscular bem desenvolvi- da.) A aplicação em outros sítios poderá ocasionar necrose, por não haver tecido para absorver o medicamento.

3. Padronizar o lado – por exemplo, sem- pre no esquerdo. (Motivo: para posterior controle em caso de intercorrências, uma vez que há outra injeção intramuscular).

A

uma vez que há outra injeção intramuscular). A Figura 6.2 – Aplicação intramuscular de vitamina K

Figura 6.2 – Aplicação intramuscular de vitamina K (Kanakion ® ).

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

B

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2 B Figura 6.2 – (continuação) Aplicação intramuscular de vitamina

Figura 6.2 – (continuação) Aplicação intramuscular de vitamina K (Kanakion ® ).

4. Quanto à armazenagem, a vitamina K deve ficar ao abrigo da luz e calor. Con- servar as ampolas na caixa até o momen- to do uso; depois de aberta, a medicação pode ser utilizada em até 12 horas se pro- tegida da luz. (Motivo: a medicação é fo- tossensível; após 12 horas, a vitamina K oxida.)

Avaliação da Vitalidade do Recém-nascido

O método utilizado para avaliação do RN foi criado em 1952 por Virgínia Apgar. Rea- liza-se a avaliação aos 60 segundos e aos 5 minutos, atribuindo-se, para cada sinal ava- liado, notas de zero a dois e no final faz-se o somatório, que dará um total de zero a dez. Aqueles que, no quinto minuto de vida, estiverem com baixas notas (deprimidos), receberão assistência específica (oxigenação, reanimação etc.).

360

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Tabela 6.1 – Avaliação da vitalidade do recém-nascido (Apgar)

Sinais

0

1

2

Freqüência cardíaca

Ausente

Abaixo de 100 bpm

Acima de 100 bpm

Esforços

Ausente

Choro fraco

Respiração regular, choro forte

respiratórios

Tônus muscular

Flácido

Flexão das extremidades

Movimentação ativa

Irritabilidade reflexa

Ausente

Careta

Choro, espirro

Cor da pele

Cianose ou palidez

Corpo róseo, acrocianose

Completamente róseo

Significado das notas obtidas na Avaliação de A pgar:

- 0 a 3: asfixia grave;

- 4 a 6: asfixia moderada;

- 7 a 10: boa vitalidade, boa adaptação à vida extra-uterina

Assistência no Período Inicial Pós-parto

Depois dos devidos cuidados no primeiro momento em sala de parto, conforme proto- colo do hospital e autorização médica, o RN deverá ser encaminhado para sala de reani- mação para o atendimento de enfermagem. Devemos:

1. Garantir um ambiente seguro e prevenir acidentes ou infecção.

2. Identificar problemas atuais que possam requerer atenção imediata.

3. Transportar para sala de reanimação, sen- do colocado em berço aquecido (32 °C) em discreto Trendelenburg (45°).

4. Colocá-lo com a cabeça voltada para quem vai dar os cuidados.

5. Aspirar VAS com sonda (n. 6 ou 8) pri- meiro a boca, depois as narinas e o estôma- go por último (se houver muito líquido).

6. Fazer oxigenação através de máscara: oxi- gênio úmido (2 l/min).

7. Realizar credeização: caso não tenha sido feito em sala de parto.

8. A ligadura é feita com “Cord Clamp”. Verifique o sangramento e faça anti-sep- sia com álcool iodado ou álcool a 70%, envolvendo com gazes estéreis.

9. Preencher devidamente os impressos.

10. Depois da avaliação do neonatologista, encaminhá-lo ao berçário ou, em caso de complicações, encaminhá-lo à Unidade de Terapia Intensiva.

11. Pesar o RN.

Assistência de Enfermagem na Unidade de Internação Neonatológica

O RN vai se acomodando mediante um processo de adaptação. Experimenta altera- ções físicas e estabiliza funções importantes para seu futuro. Técnicas de enfermagem ga-

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

rantem que esse processo decorra de forma adequada. Ao receber o RN, o técnico de en- fermagem ou o enfermeiro deve:

1. Conferir os papéis com o RN.

2. Encaminhar para a sala apropriada.

3. Colocá-lo em berço aquecido sem rou- pas.

4. Observar suas características (temperatu- ra, coloração e respiração).

5. Administrar vitamina K (1 mg IM no vasto lateral da coxa), caso não tenha sido feito em sala de parto.

6. Pesar, medir estatura e perímetros (PC, PT, PA).

7. Fazer exame físico do bebê – exclusivo para enfermeiros.

8. Fazer a primeira limpeza – banho.

9. Iniciar a hidratação (SG a 5%), geral- mente após 4 horas de nascimento ou conforme conduta; protocolo institu- cional;

10. Fazer as devidas anotações (choro, elimi- nações, respiração, sucção, deglutição).

11. Verificar temperatura e pulso.

12. Realizar exame corporal (clínico). O mé- dico e o enfermeiro farão este exame de- talhado entre 10 e 12 horas de vida, para não resfriar o bebê. Observam-se sinais vitais, coloração da pele, condições do coto umbilical, a presença de traumatis- mo e malformações do coto e se há ou- tras malformações etc.

13. Anotações: as anotações variam de acor- do com os impressos de cada hospital. Os dados referentes à mãe e à criança deverão ser preenchidos antes da trans- ferência.

Assistência de Enfermagem na UTI-Neo

1. Cumprir as normas e a hierarquia da UTI-Neo e do hospital.

2. Colaborar com o ensino e a pesquisa conforme as atribuições profissionais.

3. Cientificar atribuições, rotinas e escalas a ser cumpridas.

4. Prestar cuidado ao RN de acordo com a prescrição e checá-lo no prontuário.

5. Administrar medicamentos ou realizar procedimentos somente quando houver delegação do enfermeiro.

6. Comunicar ao enfermeiro alterações e si- tuações de emergência.

7. Registros e passagem de plantões confor- me rotina.

8. Zelar e cuidar dos equipamentos.

9. Dar atenção aos pais e fornecer somente informações autorizadas pelo enfermeiro.

10. Participar de cursos e reuniões de serviço.

Medidas

Antropométricas

Peso

O peso é a medida mais importante para a avaliação do crescimento e estado nutricio- nal. A criança está em constante processo de crescimento e sempre deve estar ganhando peso. A criança dobra o peso de nascimento até os 6 meses, triplica-o aos 12 meses e qua- druplica-o entre 2 e 3 anos.

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Técnica de pesagem

1. Lavar as mãos.

2. Despir a criança.

3. Colocar toalha de papel sobre a bandeja da balança ou sobre o assoalho, em caso de crianças maiores.

4. Colocar delicadamente a criança deitada ou sentada na cesta da balança; manter uma das mãos sobre seu corpo sem tocá-lo; em caso de crianças maiores, solicite que suba na balança e fique em seu centro.

5. Fazer a leitura do peso e registrar no prontuário.

6. Vestir a criança.

7. Lavar as mãos após o procedimento.

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Altura

A altura é a medida fiel do crescimento muscular e esquelético da criança. É influen- ciada pelas condições de nascimento e ges- tação, hereditariedade, alimentação, doenças crônicas, mentais e hormonais e tende a ser constante, aproximadamente até os 18 anos. A alteração do posicionamento corporal da criança pode alterar o resultado. Até os 2 anos, a criança é medida na po- sição deitada, utilizando-se régua antropo- métrica, que tem uma extremidade fixa no zero e um cursor. Após essa idade, a criança é medida na posição vertical, com régua tipo mural.

é medida na posição vertical, com régua tipo mural. Figura 6.3 – Verificação do peso do

Figura 6.3 – Verificação do peso do RN.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Técnica de mensuração

1. Lavar as mãos.

2. Despir a criança.

3. Colocá-la em decúbito dorsal, com as per- nas estendidas e a cabeça em linha reta.

4. Colocar a régua com a parte fixa em con- tato com a cabeça e mover a outra parte até a planta dos pés.

5. Manter os joelhos juntos e pressionados delicadamente para baixo, para que as per- nas fiquem completamente estendidas.

6. Fazer a leitura do valor obtido.

7. Vestir a criança.

Perímetro Cefálico

O perímetro cefálico (PC) é a medida da circunferência do crânio. Esta aumenta ra- pidamente no primeiro ano de vida, para se adaptar ao crescimento do cérebro. Quando o PC está muito abaixo ou muito acima do esperado, é indicativo da presença de alguma alteração, como microcefalia ou hidrocefalia, respectivamente.

como microcefalia ou hidrocefalia, respectivamente. Figura 6.4 – Verificação da estatura do RN. 364

Figura 6.4 – Verificação da estatura do RN.

364

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Técnica de mensuração

1.

Lavar as mãos.

2

Posicionar a criança deitada no berço ou sentada no colo da mãe.

3.

Colocar a fita métrica passando pelas par- tes mais salientes da região frontal (acima das sobrancelhas) e occipital (a fita deve- rá estar ligeiramente folgada).

4.

Anotar o valor obtido em centímetros.

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Tabela 6.2 – Valores normais de perímetro cefálico

Idade

PC aproximado (cm)

Nascimento

35

3

meses

40,4

6

meses

43,4

9

meses

45,5

1

ano

46,6

1,5 ano

47,9

2 anos

48,9

3 anos

49,2

4 anos

50,4

5 anos

50,8

Enfermagem

pediátrica. 2 ed Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1989

Fonte: Adaptado de Whaley, L F; Wong, D L

Koogan, 1989 Fonte: Adaptado de Whaley, L F; Wong, D L Figura 6.5 – Mensuração do

Figura 6.5 – Mensuração do perímetro cefálico do RN.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Perímetro Abdominal

O perímetro abdominal (PA) é o valor da circunferência abdominal, conferindo parâmetros sobre o crescimento abdominal anormal. Não é medido rotineiramente, só no momento do nascimento e em situações especiais prescritas.

Técnica de mensuração

Mede-se o PA colocando-se a fita métri- ca em volta do abdome, na altura da cicatriz umbilical.

ca em volta do abdome, na altura da cicatriz umbilical. Figura 6.6 – Mensuração do perímetro

Figura 6.6 – Mensuração do perímetro abdominal do RN.

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Perímetro Torácico

O perímetro torácico (PT) é a medida da circunferência torácica e confere parâmetros sobre o crescimento anormal do tórax, indi- cando anomalias pulmonares e cardíacas, en- tre outras. Também não faz parte da rotina de mensurações, sendo verificado apenas no mo- mento do nascimento ou quando prescrito.

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Técnica de mensuração

Mede-se o PT colocando-se a fita métrica em volta do tórax, na altura dos mamilos.

a fita métrica em volta do tórax, na altura dos mamilos. Figura 6.7 – Mensuração do

Figura 6.7 – Mensuração do perímetro torácico do RN.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Assistência de Enfermagem na Maternidade

Desde o primeiro momento em que é re- cebido, o RN é submetido a procedimentos

e cuidados que deverão ser repetidos durante

os dias em que permanecer no hospital, a fim de facilitar e comprovar sua adaptação à vida

extra-uterina. Algumas dessas técnicas são ex- clusivas de enfermagem, como a higiene, as- piração, verificação da permeabilidade anal,

a

administração de vacina contra hepatite B

e

BCG, punção de capilar para coleta de san-

gue para glicemia capilar e bilirrubinemia, TSH e PKU entre outras tantas atividades.

Higiene

Técnica do banho

A água deve estar entre 37 e 38 °C. Usar bo- las de algodão ou lenços descartáveis macios para secar os olhos, a face e a parte externa dos ouvidos. Os olhos são limpos e secos do canto interno para fora. Usar sabão neutro. Lavar a cabeça do bebê usando movimentos circulares delicados e após lavar, secar e em seguida descobrir o corpo. Inclinar cabeça para trás, a fim de limpar o pescoço; depois coloque-o na banheira segurando com firme- za (não demore muito no banho). Enxugue o bebê com movimentos delicados, coloque a fralda e faça curativo do coto umbilical com álcool a 70% e termine de vestir o bebê.

Hidratação e Alimentação

Material Necessário

Banheira, termômetro de banho, mesa auxiliar, toalha de banho suave, sabonete lí- quido neutro, luva de banho, gaze regal ou bolas de algodão, água morna, roupa de ber- ço, fraldas, avental para proteção para o pro- fissional, saco de lixo etc. Para o curativo do coto umbilical: cotonete e álcool a 70%.

Descrição

Verificar a temperatura axilar do RN (tem- peratura do ambiente deve ser de 24 a 27 °C). Despir o RN e pesá-lo; em seguida, cobri-lo com lençol.

Para que o RN esteja devidamente hidra- tado e alimentado, é importante que nas pri- meiras horas de vida tenha sido estimulado. Vale ressaltar que as condutas utilizadas va- riam de acordo com os protocolos adotados em cada instituição. Devem ser usadas mamadeiras de água ou de soro glicosado (SG) a 5%. Ao redor de 4-6 horas de vida, verifique a capacidade de sucção da criança, estimulando-a a partir desse momento, oferecendo-lhe líquidos a cada 3 horas. Para manter uma boa hidratação, com o RN semi-sentado, introduzir o bico da ma- madeira de água ou SG a 5% na boca, fazen- do pequenos movimentos com o bico para estimular a sucção.

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A
A

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

B
B

Figura 6.8 – Técnica do banho: (A) lave a cabeça com movimentos circulares delicados, (B) segure o bebê com firmeza.

Para aleitamento materno, utilizar com- pressas esterilizadas, soro fisiológico (SF) 0,9% ou água, uma cadeira de costas alta e reta, de preferência uma poltrona confortá- vel. Nas primeiras horas pós-parto, a mãe pode ficar na cama com a cabeceira elevada para amamentar o RN, deve estar sentada com apoio nas costas; limpar os mamilos com compressas esterilizadas e molhadas de água ou SF 0,9% e manter a criança semi- sentada no seu colo. Com o braço livre, aper- tar o mamilo e introduzi-lo na boca, sobre a língua, estimulando a sucção. Inicialmente

a mamada deve durar 10 minutos em cada mama, devendo sempre começar pelo último seio da mamada anterior para facilitar o es- vaziamento completo. Depois das primeiras mamadas vai se acrescentando o tempo de sucção do bebê (15-20 minutos cada seio). A mãe deve limpar os mamilos no final. Não obrigue o bebê a ingerir grande quan- tidade de líquido durante as primeiras horas de vida, administre pequenas quantidades fre- qüentemente, para que ingira o que necessita. Pode-se colocar a criança ao peito, mesmo na sala de parto. Quanto mais cedo se fizer,

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

melhores serão os resultados na instauração do aleitamento. Para aleitamento artificial ou comple- mentar, com a criança na mesma posição, coloca-se o bico da mamadeira na sua boca, depois de verificar a temperatura do leite. Na metade da mamada e no final, faz-se um descanso para facilitar a eructação; após as mamadas o bebê deve ser colocado em posi- ção para eructação.

Perda ponderal: todos os bebês perdem até 10% de seu peso, desde o nascimento até por volta do 3 o ou 4 o dia de vida. Essa perda é causada pela diminuição do edema, pela eli- minação de mecônio e urina e pela pequena ingestão fisiológica de alimentos nos primei- ros dias de vida.

A criança apresenta 3 reflexos que facili-

tam a amamentação: reflexo da rotação, re- flexo da sucção e reflexo da deglutição. Nos 3 primeiros dias, a produção do leite é endó- crina. Após 3 dias, a produção é exócrina. A alimentação do RN prematuro que não pode se alimentar no seio materno será discutido no item Recém-nascido pré-termo. Em caso de impossibilidade de aleitamen- to materno (da sua própria mãe), porque a mãe é portadora de HIV/Aids, por exemplo, o bebê receberá fórmulas lácteas ou leite hu- mano do banco de leite.

O leite humano proveniente de banco de

leite passa por análise, não oferecendo risco de contaminação. Prazos e validade do leite materno: tempe- ratura ambiente (8 horas); geladeira (2 a 8 °C por 24 horas); freezer (-18 a -15 °C por um

mês) e pasteurizado (freezer por 6 meses).

Tipos de leite

Leite materno, leite de banco, fórmulas lácteas (Pré Nan®, Aptamil Pré®).

Leite materno

O leite materno (LM) é um fluido bio- lógico complexo constituído por proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas, minerais

e células (leucócitos, linfócitos, neutrófilos

e células epiteliais). Sabe-se que o leite pro- duzido por mães saudáveis é suficiente para suprir todas as necessidades nutricionais do RN de termo durante os primeiros seis meses de vida. O LM possui composição nutricional balanceada, que inclui todos os nutrientes essenciais, aproximadamente 45 tipos dife-

rentes de fatores bioativos; muitos desses fa- tores parecem contribuir para o crescimento

e desenvolvimento do RN, bem como para

a maturação de seu trato gastrintestinal. Por isso é importante que o RN permaneça em aleitamento materno exclusivo durante esse período de sua vida. Dentre os inúmeros benefícios estão: fato- res antimicrobianos, agentes antiinflamató- rios, enzimas digestivas, vários tipos de hor- mônios e fatores de crescimento.

Vantagem nutricional

Composição química balanceada: equi- líbrio quantitativo e qualitativo de todos os nutrientes necessários à criança.

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Vantagem imunológica

Proteção contra infecções (principalmen- te gastrintestinal). O LM previne a diarréia porque tem os fatores bífidos (meio do in- testino fica ácido) que faz com que bactérias patogênicas não penetrem no organismo; a criança fica menos ictérica pela eliminação de bilirrubina. A IGA serve como barreira patogênica (adere na mucosa).

Outros benefícios

Promove contato íntimo entre mãe e filho, desenvolvimento da inter-relação afetiva e profunda, favorecendo o desenvolvimento físico e mental adequado. Favorece o desenvolvimento da estrutural facial e de suas funções: mastigação, fala, ali- nhamento de dentes, respiração. Ausências de fenômenos alergênicos; redução da mor- talidade infantil e da desnutrição. Não requer mistura, aquecimento ou esterilização, sendo prático e econômico.

Avaliação dos Aspectos Essenciais do Recém- nascido

Principais categorias de dados coletados

• História e cuidado materno pré-natal;

• tipo sangüíneo materno e fator Rh, his- tória de isoimunização (serão discutidos adiante);

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

• resultados dos exames de investigação materna (por exemplo, pesquisa do HIV, titulação para rubéola etc.);

• história do trabalho de parto: início, du- ração, complicação;

• rompimentos de membranas: quantidade de líquido, presença de mecônio, relação com a hora do parto;

• registro da monitoração fetal (por exem- plo, evidência de sofrimento fetal);

• história do parto: duração, medicações e anestésicos (quantidade e quando admi- nistrados).

Avaliação geral

Na avaliação deve-se dar ênfase para os as- pectos normais e anormalidades que possi- velmente estejam presentes no RN. A avalia- ção detalhada do RN deve ser feita dentro de 24 horas após o nascimento.

Aparência geral

1. Postura: no RN a termo, a postura deve ser aquela de flexão completa como con- seqüência da posição intra-uterina, cha- mada posição fetal: a cabeça flexionada e o queixo repousando sobre a porção su- perior do tórax, os braços fletidos com as mãos fechadas, as pernas flexionadas nos joelhos e nos quadris. Observar sonolên- cia, irritabilidade.

2. Pele: coloração, vernix caseosa, marcas de nascença:

• pletora (cor rósea-avermelhada pro- funda): é mais comum em RN com

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

policitemia, mas pode ser observada em um RN hiperoxigenado ou hipe- raquecido;

• cianose central (pele e mucosas azula- das, incluindo a língua e os lábios);

• cianose periférica (pele azulada com língua e lábios rosados);

• acrocianose (apenas mãos e pés azu- lados).

3. Lesões cutâneas extensas (equimoses, he- matomas).

4. Esforço respiratório.

5. Cabeça: observar o formato geral. Na face, verificar anomalias:

• nariz: com a sonda nasogástrica obser- var a passagem, se houver suspeita de atresia de coanas unilateral ou bilate- ral. Batimento de asas do nariz indica sofrimento respiratório. Presença de corisa é típica de sífilis congênita;

• boca: observar lesões, ulcerações, co- loração, presença de dentes;

• olhos: observar cor, secreções. A es- clera normalmente é branca. Pode ter um tom azulado em lactentes prematuros.

6. Abdome: defeitos podem incluir onfalo- cele, gastrosquise (o defeito é geralmente localizado à direita do umbigo, e os in- testinos não são cobertos por peritônio):

• umbigo: normalmente, o umbigo tem duas artérias e uma veia, envolto pela geléia de Wharton. A presença de apenas 1 artéria e 1 veia pode in- dicar problemas renais ou genético. Observar se há secreção, edema etc.;

• genitália: qualquer genitália ambígua (quando o sexo de um lactente não

é prontamente definido ao exame da genitália externa) não deve ser re- gistrada até que tenha sido realizada uma avaliação endocrinológica;

• genitália masculina: verificar hipos- pádia; comprimento normal do pê- nis é de 2 cm ao nascer. RN mascu- lino sempre têm fimose importante. Hidroceles são comuns e geralmente desaparecem por volta de um ano;

• genitália feminina: observar os lá- bios e o clitóris, secreção vaginal (co- mum). Anotar e comunicar ao médio ou ao enfermeiro anormalidades;

• ânus e reto: verificar imperfuração anal (teste com sonda retal ao nas- cimento) e comunicar se houver re- sistência; verificar posição do ânus, eliminação de mecônio até 48 horas após nascimento.

Avaliação dos sinais vitais

Esta avaliação deve ser realizada quando a criança estiver calma e quieta.

Freqüência respiratória

A respiração é abdominal, e a média é de 40 nos RNT e até 60 nos RNPT (contagem das respirações por 1 minuto, antes de de- terminar a FC apical). É importante obser- var também o movimento do tórax, bem como os movimentos abdominais. Anotar com exatidão a profundidade e a qualidade da respiração (costal ou abdominal) e se há suspeita de dispnéia quando o RN apresenta respiração costal.

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Freqüência cardíaca

Pulso apical é aferido com o auxílio de um estetoscópio e auscultando o batimento api- cal na região precordial, dois dedos abaixo do mamilo esquerdo; contar por 60 segundos; a FC normal varia entre 120-160 bpm e 70-80 bpm durante o sono.

Temperatura axilar

A temperatura do corpo representa equilí- brio entre o calor produzido pelo corpo e o calor perdido por ele. Deve-se registrar a tem- peratura e o método empregado. Indicar se a temperatura é retal (usualmente 1 °C a mais

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

do que a temperatura oral) ou axilar (usual- mente 1 °C a menos).Normalmente a tempe- ratura do RN normal varia de 36,5 a 37 °C. É preciso informar sobre qualquer elevação ou redução anormal e tomar medidas de enfer- magem indicadas para a condição do bebê.

Pressão arterial

Embora não seja uma medida de rotina verificada ao nascimento, a PA avaliada pelo ultra-som Doppler é o método mais preciso no RN. Mede a pressão sistólica, diastólica e média; a pressão arterial ao nascimento é em média 80/46 mmHg (PA é mais comumente verificada em RN na UTI).

80/46 mmHg (PA é mais comumente verificada em RN na UTI). Figura 6.9 – Verificação do

Figura 6.9 – Verificação do pulso apical: deve ser aferido com auxílio de estetoscópio.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2 Figura 6.10 – Verificação da temperatura axilar do RN.

Figura 6.10 – Verificação da temperatura axilar do RN.

Figura 6.10 – Verificação da temperatura axilar do RN. Figura 6.11 – Manguito para aferição de

Figura 6.11 – Manguito para aferição de PA em RN.

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Perímetros, comprimento e peso

Perímetro cefálico (PC)

O formato da cabeça varia conforme o tipo de parto e duração. A medida da circun- ferência occipitofrontal varia de 33 a 37 cm no bebê a termo. O PC é igual ou excede em 2 cm o tórax. Se for 4 cm maior que o tórax, avaliar a exis- tência de macrocefalia.

Avaliação das extremidades

Observar braços, pernas e dedos.

1. Sindactilia: fusão anormal dos dedos (dos pés ou das mãos).

2. Polidactilia: dedos supranumerários (pés ou mãos).

3. Talipes equinovarus (pé torto): é mais co- mum em meninos (o pé é virado para baixo e para dentro). Mais detalhes no item Malformações congênitas.

Perímetro torácico

Média de 35 cm, comumente 2 a 3 cm menor que o da cabeça.

Perímetro abdominal

Média de 35 cm.

Comprimento

Deve medir de 48 a 52 cm de altura (e atinge ± 75 cm com 1 ano).

Peso

De 2.700 a 4.000 g; perde 10% do peso corporal (mais ou menos 30 g) até o quinto dia e recupera no decorrer da segunda sema- na. Deve ganhar diariamente, até o quinto mês, mais ou menos 30 g, ou seja, uns 700 gramas por mês (dobra de peso aos 5 meses e triplica aos 12 meses).

Avaliação do tronco e da coluna

Verificar manchas pilosas sobre a parte in- ferior das costas.

Avaliação do sistema nervoso central (SNC)

Observar na criança a presença de qualquer movimento anormal (convulsão) ou irritabi- lidade excessiva e, em seguida, o tônus. Verificar sinais indicativos de alterações neurológicas:

• hipotonia, hipertonia;

• irritabilidade (hiperexcitabilidade);

• reflexos de sucção e deglutição pobres;

• respirações: superficiais, irregulares, apnéia;

• apatia, olhar fixo;

• atividade conclusiva (sucção ou mastiga- ção da língua, piscamento, movimentos oculares, soluços);

• reflexos ausentes, deprimidos ou exage- rados; assimétricos.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Malformações Congênitas

Anomalia congênita é qualquer defei- to morfológico, bioquímico ou de conduta produzido em qualquer etapa da gestação e descoberto ao nascer ou depois. As malfor- mações desse tipo podem ser visíveis ao exa- me físico ou microscópico, visíveis na super- fície do corpo ou em seu interior; podem ser hereditárias ou não, simples ou múltiplas e podem causar invalidez ou mesmo a morte do RN se não forem tratadas precocemente. Na maioria das vezes o tratamento inicial é cirúrgico e pode haver seqüelas ou não, de- pendendo do tipo de malformação congêni- ta. Entre as malformações congênitas podem

ser citados: lábio leporino, atresia de esôfago

e hérnia diafragmática. Cabe ressaltar que drogas, agentes infec- ciosos, radiação, fatores mecânicos e alimen- tação deficiente ou inadequada da mãe po- dem levar às malformações. Os principais sinais na criança que suge- rem alguma afecção cirúrgica são: cianose; icterícia; vômito; excesso de saliva na cavi- dade oral; distensão abdominal; massas ab- dominais; ausência de micção; alteração na eliminação de mecônio; abaulamento da re- gião inguinal; aumento do perímetro cefálico com hipertensão de fontanela entre outras.

Anencefalia

É uma condição na qual considerável porção dos hemisférios cerebrais, do crânio

e do couro cabeludo que os recobre está fal- tando. É incompatível com a vida. O Proje-

to de Lei n. 4.403 de 2004 – que pretende a legalização da interrupção da gestação de fe- tos com anencefalia – deverá ser votado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em meados de 2007. Enquanto isso não ocorre, as ins- tâncias inferiores da justiça vão permitindo que as gestantes, mediante solicitação legal, interrompam a gravidez nesses casos.

Hidrocefalia

Caracteriza-se pela presença de uma quan- tidade anormal de líquido cérebro-espinhal (LCE) nos ventrículos ou nos espaços suba- racnóides. Pode ser causada por malforma- ções congênitas e está freqüentemente asso- ciada à espinha bífida. Evidências de hidrocefalia são: aumento anormal do tamanho da cabeça; fontanelas protrusas e tensas; separação da estrutura do crânio; crescimento rápido da cabeça, onde se observa aumento do perímetro cefálico; fontanela anterior tensa e abaulada, olhar de sol poente (olhar deprimido); vômitos e con- vulsões. Suas principais causas são: hereditariedade; malformações do desenvolvimento cerebral; cistos benignos; tumores congênitos; infec- ção intracraniana; traumatismos; infecção intrauterina; hemorragia perinatal. Na maio- ria das vezes, o tratamento é cirúrgico.

Mielomeningocele

Conhecida como espinha bífida, é uma malformação congênita devida a um defeito na fusão do tubo neural (na fase embrioná-

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

ria). É considerada um dos defeitos mais se- veros. A cirurgia é realizada tão logo a criança esteja estável (12 a 18 horas de vida). Requer assistência de enfermagem intensiva tanto no pré quanto no pós-operatório.

gogástrica (esfíncter esofágico). Pode provo- car broncopneumonia (BCP) de repetição por broncoaspiração de alimentos. A criança deve ser colocada em decúbito elevado, prin- cipalmente após as refeições.

Atresia de coanas

É uma deformidade congênita que consis-

te num septo membranoso ou ósseo entre o

nariz e a faringe causada pela incapacidade

da membrana buconasal de se romper duran-

te a sétima semana de gestação. Pode ser uni

ou bilateral. O RN tem crises de sufocação e

não consegue respirar durante as mamadas;

quando dorme necessita de respiração nasal.

O RN alimentase por sonda orogástrica e é

necessário favorecer a respiração por via oral até o momento da correção.

Atresia de esôfago

É uma anomalia relativamente comum,

que consiste na interrupção total da continui- dade da luz do esôfago. Pode vir com: atre-

sia sem fístula traqueoesofágica (7%); atresia

com fístula traqueoesofágica proximal; atresia com fístula distal (87%); atresia com fístula traqueoesofágica proximal e distal (0,7%) ou pode ser fístula traqueoesofágica sem atresia (4,2%). Nesse caso, não alimentar o RN e manter aspiração oral contínua. A correção deve ser feita cirúrgica e precocemente.

Obstrução intestinal

Se a sonda chegar ao estômago do RN, é importante medir o aspirado gástrico. Uma

quantidade superior a 20 ml de líquido di- gestivo denuncia uma obstrução intestinal.

A síndrome obstrutiva representa 90% dos

quadros de abdome agudo do RN. A crian-

ça que vomita tem obstrução gastrintestinal

até que se prove o contrário. Não alimentar a criança e passar uma sonda nasogástrica em

sifonagem até confirmar o diagnóstico.

Gastrosquise

Defeito congênito da parede abdominal que se manifesta de uma ou mais vísceras – intestino delgado, colo proximal e porção do estômago – para uma abertura lateral ao anel umbilical (normalmente à direita). Outras malformações podem vir associadas, como atresias, defeito da estrutura intestinal e má rotação. O tratamento é certamente cirúrgi-

co, realizando o retorno das vísceras à cavida-

de abdominal.

Apêndice pré-auricular

Refluxo gastroesofágico

Consiste no retorno gástrico para o esôfa-

go devido à incompetência da junção esofa-

Pequenas formações cutâneas salientes si- tuadas anteriormente ao pavilhão auricular. Retirada para resultado estético.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Artéria umbilical única

Em alguns casos, pode ser observada ape- nas uma artéria e uma veia, definindo o qua- dro de artéria umbilical única (AUU). Hei- fetz et al. (1984) observaram 0,5 a 2,5% de AUU em RN sadios; nas perdas gestacionais e nos fetos com aneuploidia, a ocorrência foi de 1,5 a 11%. Existe possibilidade de altera- ções cromossômicas, com maior freqüência as trissomias do 13 e do 18. Artéria umbilical única denuncia um defeito mesodérmico an- tes da 3 a semana de vida embrionária e está relacionada à maior incidência de anomalias estruturais, particularmente urológicas e car- díacas, assim como maior incidência de cres- cimento intra-uterino retardado.

Fimose

É um estreitamento na abertura do prepúcio

que pode tornar impossível sua retratação. Fre- qüentemente não interfere na micção, porém a abertura pode ser tão pequena que seja neces- sário esforço para o esvaziamento da bexiga.

dro leva a hipertensão pulmonar, e em 85 a 90% dos casos, o lado esquerdo é o afetado.

Ocorre uma protusão das vísceras abdominais em vários graus para a cavidade torácica.

A etiologia é desconhecida. A literatura

aponta para origem genética, como, por exem- plo, nas trissomias do 13 e do 18. Segundo especialista em pediatria, em um levantamen- to com 166 RN de alto risco (sintomáticos nas seis primeiras horas de vida), foi observa- do que aproximadamente 40% das crianças eram portadoras de uma ou mais malforma- ções congênitas associadas à HDC, exemplo:

comunicação interatrial, comunicação inter- ventricular, canal atriovenoso comum e atre- sia de esôfago com fístula gastrintestinais.

Hipospadia

É uma anomalia na qual a uretra não se es- tende ao longo de todo o pênis; em vez disso, abre-se em sua superfície inferior, em algum lugar atrás da glande.

Imperfuração anal

Hemangiomas

Manchas escuras benignas caracterizadas pela dilatação de vasos sangüíneos.

Hérnia diafragmática congênita (HDC)

É uma falha no fechamento do canal pleu-

roperitoneal, primariamente defeito diafrag- mático, favorecendo a passagem de conteúdo abdominal para o interior do tórax. Esse qua-

Pode ser causada pela persistência de uma membrana acima da abertura do ânus com um ânus normal logo acima dela ou pode ser constituída por uma ausência completa do ânus, com o reto terminando em fundo cego alguns centímetros acima.

Lábio leporino e fenda palatina

O lábio leporino é uma fissura no lábio

superior ao lado da linha média, e a separa-

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

ção pode variar de discreta à completa, es- tendendo-se até as narinas. Pode ser uni ou bilateral.

A fenda palatina é uma fissura na linha mé-

dia do teto da boca. Essas condições podem

ocorrer sozinhas ou aparecer juntas.

causas. A condição é em geral bilateral. O diagnóstico é algumas vezes difícil, porque o pé do recém-nascido freqüentemente se mos- tra numa posição semelhante à do pé torto.

Síndrome de Down

Língua presa

É uma condição na qual a prega vertical de membrana mucosa (freio) que se encon- tra sob a língua, que normalmente é peque- na no recém-nascido, estende-se até o final ou quase até o final da língua. Pode limitar a movimentação da mesma, o que se evidencia quando o bebê chora, porém, em geral, não interfere na sucção e não requer tratamento.

Luxação congênita do quadril

É um deslocamento da cabeça do fêmur do

acetábulo. O reconhecimento precoce permi-

te o tratamento imediato e é importante para evitar o deslocamento total. A observação da incapacidade de abduzir completamen-

te a perna deve ser comunicada ao médico.

A aplicação de várias fraldas, de maneira a

afastar as pernas, é um método utilizado para manter a posição de abdução.

Pé torto (talipos)

É o resultado de uma desigualdade na musculatura, produzindo uma deformidade na qual o pé é virado segundo um ângulo anormal. A posição intra-uterina ou o dese- quilíbrio muscular são considerados possíveis

Alteração genética também conhecida como trissomia do cromossomo 21. Nessa condição existe um retardo mental grave e são freqüentes defeitos no desenvolvimento de outros tecidos. Algumas das características físicas no in- divíduo com síndrome de Down são: crânio pequeno, olhos afastados com presença de pe- quenas dobras de pele no canto interno, língua protusa, nariz curto com base chata, hiperes- tensibilidade das articulações, tônus muscular deficiente e malformações cardíacas.

Testículos retidos

Fazem com que a bolsa escrotal pareça pe- quena. Se somente um dos testículos não des- ceu, a diferença de tamanho entre os dois lados da bolsa escrotal é visível. Os testículos desen- volvem-se no abdome e normalmente descem para a bolsa escrotal em algum momento du- rante os dois últimos meses de vida fetal. Podem, entretanto, permanecer no canal inguinal ou mesmo na cavidade abdominal por um tempo maior. A descida é em geral espontânea durante as primeiras semanas de vida ou em qualquer ocasião até a puberdade. Os testículos retidos podem estar associados a uma hérnia. Além dessas malformações citadas existem outras que podem estar presentes no recém-

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

nascido. Algumas requerem tratamento ci- rúrgico.

Registro de Nascimento

O registro de nascimento é muito impor- tante para o bebê. A certidão de nascimento é

necessária por várias razões e precisa ser retida por toda a vida. A seguinte lista de razões é parcial, porém demonstra a importância desse documento: prova o local de nascimento; pro- va a paternidade e a dependência legal; prova

a idade no momento da entrada na escola; as-

segura o direito do voto, o direito de se casar,

o seguro social; prova o direito de herdar uma

propriedade; obter passaporte; e serve para ou- tros propósitos legais. Os pais devem conhe- cer sua responsabilidade quanto ao registro de nascimento e como proceder para fazer a certidão de nascimento.

Alta Hospitalar

A alta hospitalar é um dos momentos mais importantes para os pais, pois a responsabili- dade não mais será dividida entre a equipe de saúde e as dúvidas e inseguranças aumentam. Daí a importância da orientação adequada pela equipe de enfermagem. Na alta hospita- lar é preciso:

1. Certificar a alta médica no prontuário do bebê.

2. Comunicar à mãe a alta do recém-nasci- do.

3. Vestir o RN, orientando a mãe nos cui- dados gerais em casa:

• cuidados com alimentação do bebê e a importância do aleitamento mater- no;

• cuidados com o coto umbilical;

• higienização do ambiente domici- liar.

4. Transmitir com clareza a receita médica e demais tratamentos.

5. Perguntar se a criança já foi registrada; caso não tenha sido, orientar os pais quanto à importância do registro de nas- cimento no tempo hábil; encaminhar ao serviço social para orientação se for o caso.

6. Esclarecer a necessidade do acompanha- mento ambulatorial ou retorno para con- sulta com o pediatra.

7. Explicar a importância das imunizações, os benefícios da vacina para a criança e orientar como ela deverá proceder. As vacinas prioritárias nos primeiros dias de vida são BCG e a primeira dose contra hepatite B. Explicar-lhe do exame do pezinho: o resultado deverá ser entregue em casa e o deverá ser levado na próxima consulta com o pediatra.

8. Anotar horário e data da saída no Relató- rio de Enfermagem e no relatório geral.

9. Conduzir ambos até a recepção.

10. Realizar desinfecção, limpeza geral e ter- minal da incubadora (se utilizou).

11. Organizar o prontuário.

12. Encaminhar o prontuário para secretária da unidade e daí para o arquivo médico.

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Atendimento em UTI Neonatal

Intervenção no Ambiente Físico

Os berços e/ou incubadoras devem estar distantes de pias, fones, rádios, janelas e locais de grandes atividades ou passagem. É impor- tante que haja espaços entre os berços para evitar que se esbarre neles, provocando mu- dança no estado comportamental do RN.

Orientações aos Familiares

Personalizar o bebê colocando etiqueta com seu próprio nome e os nomes de seus pais. Incentivar o toque leve e carinhoso quando estiverem próximos do RN. Favorecer o vín- culo dos familiares com o bebê. Incentivar os pais a falarem sobre a saúde de seu filho. Fornecer informações sobre aleitamento ma- terno, lavagem das mãos antes e após sair da UTI e os horários de visitas.

Prevenção de Transmissão de Microrganismos Multirresistentes em Recém-internados

Objetivo: prevenir disseminação de pató- genos multirresistentes aos antibióticos.

Entende-se por multirresistentes: estafilo- cocos resistentes à oxacilina, bactérias G-re- sistentes aos aminoglicosídeos, enterococos resistentes à vancomicina e teicoplanina. População-alvo: recém-nascidos admitidos nas UTIs, provenientes de outra instituição de saúde, com passagem pela UTI da mesma instituição ou que tenham sido submetidos a quaisquer procedimentos invasivos, como cirurgias, inserção de cateteres, intubação orotraqueal, entre outros, independente de diagnóstico infeccioso. RN nascido na mes- ma instituição deve também receber cuida- dos especiais que visem à prevenção de in- fecção.

Ações no Ato da Internação do Recém- nascido com Suspeita de Infecção

Médicos: providenciar a troca de cateteres intravasculares com sinais de infecção local ou daqueles sabidamente inseridos na emer- gência. Solicitar coleta de cultura de secreção traqueal, ponta de cateteres IV e de qualquer drenagem ou coleções. Enfermagem: instalar o RN em quarto privativo com banheiro e sob precauções de contato, conforme normas de isolamento n. 363. Atentar para o protocolo da instituição quanto às medidas contra infecção, principal- mente em caso de doença infectocontagiosa. Manter o RN sob precaução de contato até avaliação do Centro de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). Notificar o CCIH sobre internação desses RN.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

CCIH: fazer as recomendações necessárias sobre a manutenção ou suspensão do isola- mento, após resultados de culturas.

Equipamentos de UTI

Incubadora

Indicada para internação do RN que pre- cisa de condições clínicas especiais como:

suporte de O 2 , manutenção da temperatura, pós-operatório e isolamento. O equipamento possui uma câmara interna protegida por uma cúpula de acrílico trans- parente com portinholas laterais para acesso, tendo ainda uma pressão interna maior que a do ambiente para evitar a entrada de ar ex- terno em seu interior. Sua manutenção requer higienização com água e sabão neutro a cada 5 dias; todas as peças móveis são removidas e lavadas. Poderá ser realizada a troca do filtro quando necessá- rio, por exemplo, após alta do RN.

instaladas por baixo. Na parte superior há um refletor em forma de arco para ação na parte superior do corpo. Este equipamento tem de- monstrado eficiência superior no tratamento da icterícia neonatal por meio da fototerapia.

Bilispot

Também utilizado em fototerapia, porém com proteção elíptica sobre a superfície cor- pórea do RN; a vantagem é a mobilidade que o equipamento fornece podendo ser utilizado em uma enfermaria de maternidade ou PSI.

Oxímetro e capnógrafo

Utilizado para medir percentual de oxi- gênio (oxímetro) e de dióxido de carbono (capnógrafo) presente na circulação perifé- rica. Esses equipamentos são indispensáveis na observação da capacidade respiratória e cardiovascular do RN.

Óxido nítrico

Incubadora de transporte

Utilizada em remoção mantendo as ca- racterísticas da incubadora estacionária, mas com adaptações para encaixe do trilho da ambulância e cilindro de O 2 , iluminação in- terna e bateria para 3 horas.

Biliberço

Equipamento utilizado para fototerapia. Possui colchão de silicone, e as lâmpadas são

Trata-se de um gás cada vez mais utiliza- do no tratamento de hipertensão pulmonar provocada por cardiopatias congênitas e as- piração de fluidos, como mecônio. Apesar de poder gerar toxicidade, quando instalado por um profissional habilitado, pode ofere- cer grandes benefícios devido a melhora na circulação sangüínea pela vasodilatação em capilares alveolares pulmonares. A dosagem e a prescrição são feitas pelo médico especialista em UTI-Neo. Em casos de prematuridade também melhora o fluxo sangüíneo nos capilares evitando o apareci-

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia Figura 6.12 – Bilispot: utilizado em fototerapia. A luz incide

Figura 6.12 – Bilispot: utilizado em fototerapia. A luz incide sobre o recém-nascido.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Tratado Prático de Enfermagem - volume 2 Figura 6.13 – Sistema de óxido nítrico: indicado no

Figura 6.13 – Sistema de óxido nítrico: indicado no tratamento da hipertensão pulmonar, deve ser adaptado ao aparelho de ventilação mecânica.

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

mento da enterocolite necrosante. Sua insta- lação é feita por meio de uma adaptação no circuito do aparelho ventilador.

Aparelho respirador

A atenção dada ao respirador deve ser vol- tada à sua montagem uma vez que os parâ- metros são regulados pelo médico assistente conforme a evolução do diagnóstico. Alguns parâmetros devem ser mantidos quando o parelho ficar de sobreaviso:

• Blender (FiO 2 ) = 60%;

• Peep (pressão expiratória final) = 5 mmH 2 O;

• Pinsp (pressão inspiratória final) = 12 mmH 2 O;

• Tinsp (tempo inspiratório) = 0,4 s;

• FR (freqüência respiratória) = 20/min;

• Modo SIMV (ventilação mandatória in- termitente sincronizada).

• Sedação e analgesia.

• Cardiopatias congênitas cianóticas: per- sistência do canal arterial (PCA), insufi- ciência cardíaca, arritmias cardíacas.

• Distúrbios metabólicos: distúrbios do me- tabolismo da glicose, do sódio, do cálcio e do magnésio (ver a seguir).

• Icterícia neonatal.

• Enterocolite necrosante.

• Distúrbios respiratórios:

– apnéia;

– taquipnéia transitória;

– síndrome do desconforto respirató- rio do RN (membrana hialina);

– síndrome de aspiração de mecônio;

– hipertensão pulmonar persistente;

– displasia broncopulmonar.

Distúrbio do Metabolismo de Glicose

Hipoglicemia

Patologias em Recém-nascidos

Anormalidades e Patologias do Recém- nascido

• Distúrbios hematológicos: policitemia, síndromes hemorrágicas.

• Distúrbios neurológicos: encefalopatia hipóxico-isquêmica (EHI), convulsões, hemorragia intracraniana, distúrbios re- nais IRA, hipertensão arterial.

A hipoglicemia é uma queda do nível de gli- cose sangüínea em relação aos níveis de nor- malidade. A hipoglicemia pode ser definida também como baixa concentração de glicose compatível com a função cerebral.

• No RN prematuro < 20 mg/dl;

• no RN termo < 30 mg/dl;

• após a 1a semana < 40 mg/dl.

O quadro clínico não é específico, po- dendo ter variações. Os sintomas mais fre- qüentes são: tremores, cianoses, convulsões, apnéia, apatia, choro agudo ou débil, atonia,

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

hipotonia, anorexia, má sucção, hipotermia e instabilidade térmica.

Recém-nascido de mãe diabética

No filho de mãe diabética, a etiologia é o hiperinsulinismo fetal secundário devido aos prolongados estímulos pré-natal das ilhotas pancreáticas (de Langerhans) como resulta- do da hiperglicemia materna que facilmente atravessa a placenta. Com o corte do cordão umbilical há uma diminuição dos estímulos das ilhotas, contu- do a normalização da produção de insulina não é imediata; levará de 8 a 24 horas. Logo, para esses recém-nascidos, o período mais vulnerável da hipoglicemia seria o re- presentado pelas primeiras semanas de vida, assim a hipoglicemia do RN de mãe diabéti- ca é precoce, intensa e de curta duração.

Fenilcetonúria

A fenilcetonúria (PKU) é uma doença metabólica, genética de forma autossômica recessiva; é um erro inato do metabolismo protéico, causado pela deficiência, em dife- rentes graus da enzima fenilalanina hidroxi- lase, que converte a fenilalanina em tirosina. Na ausência da enzima, a fenilalanina não é convertida em tirosina, acumula-se nos teci- dos (neurais) e é eliminada na urina na for- ma de fenilcetonas. A fenilalanina é um aminoácido essencial ao crescimento, porém qualquer excesso in-

gerido precisa ser degradado normalmente pela conversão em tirosina. Na fenilcetonú- ria, existe um retardo mental progressivo, a menos que a quantidade de fenilalanina ofe- recida aos tecidos seja limitada àquela essen- cial. Um controle dietético precisa começar precocemente para prevenir lesão cerebral. Na PKU o nível sérico de fenilalanina se ele- va rapidamente após o parto, à medida que o bebê recebe leite.

Hiperfenilalaninemia

(HPA)

Nome genérico dado ao elevado nível de fenilalanina (Phe) no sangue. Pode ser cau- sada pela deficiência da enzima hepática fe- nilalanina hidroxilase ou das enzimas que sintetizam ou reduzem a coenzima tetraidro- biopterina (BH4).

É importante detectar erros inatos do me- tabolismo, principalmente a fenilcetonú- ria, pois o diagnóstico precoce e o início da dietoterapia previnem retardo mental grave

e hipotireoidismo congênito (deficiência na

função tireoideana) que também pode levar

a retardo mental grave. O sangue, para dosagem da fenilalanina e da tetraiodotironina (T4) neonatal, pode ser colhido em uma única ficha de exame.

Exame do pezinho

Coleta do sangue do calcanhar através de papel-filtro; colete-se o sangue no “pezinho” para o exame PKU.

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Valor normal

• Fenilalanina: até 4 mg %;

• tetraiodotironina (T4): acima de 6,5 mcg %.

Material

• Algodão, gaze estéril, luvas para procedi- mento, papel-filtro estéril;

• lanceta de 2 mm para RN < 1.500 g;

• lanceta de 4 mm para RN > 1.500 g;

• ficha de exames.

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

Assistência de Enfermagem

1. Encostar o verso do papel-filtro na gota de sangue, impregnar os círculos até que o sangue atravesse o papel e preencha to- talmente os círculos na parte da frente.

2. Deixar o papel filtro secar à temperatura ambiente.

3. Envolvê-lo em papel prateado e em saco plástico bem vedado e mantê-lo em gela- deira até ser encaminhado à APAE.

e mantê-lo em gela- deira até ser encaminhado à APAE. Figura 6.14 – Coleta do sangue

Figura 6.14 – Coleta do sangue do calcanhar para o exame PKU.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

Doença Hemolítica do Recém-nascido

Anemia hemolítica

A anemia hemolítica do feto e do recém-nas- cido ocorre quando o sangue da criança contém antígeno ausente no sangue materno e estimula

a formação de anticorpo materno contra os eri-

trócitos do filho. Existem quatro grupos sangü-

íneos principais: A, B, AB e O, que constitui o sistema ABO. Em condições normais, um indivíduo não forma anticorpos contra os antígenos de suas próprias células.

O aglutinogênio é um antígeno, e a aglu-

tinina é um anticorpo. De forma que se as células de um indivíduo forem transfundidas

para outra pessoa irão desenvolver anticorpos contra todos os antígenos que não sejam pró- prios do sangue do receptor. Assim surge a doença hemolítica do re- cém-nascido, que pode ser transmitida pelo sistema ABO e pelo sistema Rh.

O risco existe quando o pai é Rh(+), a mãe

é Rh(–) e o filho é Rh(–).

Avaliação inicial

Deve-se pesquisar a história da grávida, efetuado o exame objetivo e determinar o grupo sangüíneo e o fator Rh.

Incompatibilidade ABO

É uma doença hemolítica benigna. Quan- do o tipo sangüíneo paterno é A ou B e o ma- terno é O, a criança produz antígeno A ou B que penetra na corrente sangüínea materna, fazendo a mãe produzir anticorpos A ou B. Estes anticorpos retornam à corrente sangüí- nea do recém-nascido e provocam a hemólise das hemácias; esses casos são predominantes no grupo A com o grupo O.

A icterícia, que se instala dentro de 48

horas, é um sintoma da incompatibilida- de ABO. O recém-nascido apresenta ligeira

anemia, com o teste de Coombs direto nega- tivo ou baixo.

O tratamento é feito por meio da foto-

terapia. Em caso de elevação da bilirrubi-

na acima de 20 mg por 100 ml de sangue, providenciar imediatamente a exsanguineo- transfusão.

Tabela 6.3 – Grupo sangüíneo, antígeno e anticorpo

Grupo

Hemácias (aglutinogênio)

Plasma (aglutinina)

A

A

Anti-B

B

B

Anti-A

AB

A e B

O

Anti-A e anti-B

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O cuidado de enfermagem inclui observar diariamente a evolução ou a involução da ic- terícia.

Doença hemolítica do recém-nascido por Rh (eritroblastose fetal)

Somente indivíduos pertencentes ao fator Rh negativo geram anti-Rh. Acidentalmente, a placenta pode sofrer ruptura, desfazendo-se o isolamento da cir- culação materno-fetal e ocorrer mistura de sangue; geralmente ocorre no final da ges- tação. Se a criança for Rh positivo e seu sangue misturar com o da mãe que é Rh negativo, determinará a formação de anti-Rh na mãe. Dificilmente ocorrerá com o primeiro filho. Numa segunda gravidez, se ocorrer nova troca sangüínea e a mãe tiver sido sensibi- lizada na primeira gravidez, afetará o feto. Somente se uma mulher fator Rh negativo receber uma transfusão sangüínea Rh positi- va (incompatível) produzirá anti-Rh; assim, quando esta mulher engravidar, o primeiro filho já poderá sofrer eritroblastose fetal.

Icterícia Fisiológica do Recém-nascido

Coloração amarelada da pele e das escleró- ticas, e hiperbilirrubinemia freqüentemente em recém-nascido nos 5 primeiros dias de vida e que desaparece dentro de 7 a 14 dias. É geralmente benigna e autolimitante, em-

Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

bora nos prematuros a hiperbilirrubina possa ser mais grave. A fototerapia é a forma de terapêutica física especial que utiliza as propriedades da luz. Fototerapia especial consiste em expor um recém-nascido normal ou prematuro com icterícia intensa à fonte luminosa azul ou branca (8 tubos de 20 watts cada), acar- retando uma fotocomposição da bilirrubina livre nos dois milímetros mais superficiais da pele. A luminosidade do sistema deve variar entre 100 e 300 footcandles (unidade de ilu- minação), sendo o maior efeito fotoquímico observado na faixa azul (ultravioleta), 380 a 480 milimera.

Assistência de enfermagem

1. Durante a exposição aos banhos de luz, a criança deve ficar completamente des- pida, com proteção ocular (máscaras ou óculos negros) cuidadosamente posicio- nada.

2. Controlar a temperatura e o estado de hidratação (verificar a temperatura a cada 3 horas e oferecer água ou leite materno por meio do estímulo à amamentação, nos intervalos das mamadas).

3. Mudar de decúbito com freqüência, para expor maior superfície corpórea possí- vel.

4. Conservar o aparelho (fototerapia) a uma distância de 40 cm, quando na incuba- dora, e de 60 cm, quando no berço.

5. Estimular a alimentação, considerando que é uma das formas de prevenção da hiperbilirrubinemia.

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

6. As lâmpadas devem ser substituídas após 200 horas de uso.

Observações

1. Testar o aparelho para verificar as condi- ções de segurança mecânica e elétrica.

2. Observar a coloração das escleróticas e da pele, presença de erupções e queimadu- ras.

3. Informar aos pais sobre a indicação da fototerapia, os procedimentos e a impor- tância terapêutica.

4. Registrar as alterações observadas e os horários dos banhos de luz.

5. Apesar da importância da fototerapia no recém-nascido prematuro, sua aplicação promove efeitos colaterais como:

• aumento do número de evacuações; as fezes apresentam-se amolecidas e esverdeadas;

• urina mais escura;

• aumento da perda hídrica pela pele;

• erupção cutânea devida à fotossensi- bilização da pele aos raios de luz;

• hipertermia;

• irritabilidade;

• bronzeamento.

Caracterização

• Peso: menor que 2.500 g;

• estatura: menor que 47 cm;

• PC: menor que 33 cm;

• fontanela bregmática ampla;

• fontanela lambdóide aberta;

• face pequena de aspecto senil;

• lanugem densa;

• tecido celular subcutâneo escasso;

• unhas reduzidas.

Peculiaridades

Anatomofuncionais

• Respiração e hematose;

• controle defeituoso da temperatura cor- poral;

• função renal;

• deficiência nutricional por sucção fraca e deglutição imperfeita;

• imaturidade hepática;

• tendência a hemorragias;

• menor resistência a infecções;

• maior suscetibilidade a analgésicos e anestésicos de uso obstétrico.

Recém-nascido

Pré-termo

Prematuridade é a condição do RN an- tes do termo, nascido antes de 37 semanas. Avalia-se a idade gestacional do RN pelo método Capurro.

Alimentação

Objetivos: suprir necessidades nutricio- nais, promover um desenvolvimento e cres- cimento adequado. Tipo de leite: LM, leite de banco, fórmulas lácteas (Pré Nan®, Aptamil Pré®). Métodos de alimentação: gavagem (inter- mitente, contínua), seio materno, mamadei-

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

ra. Em caso de impossibilidade de aleitamen-

to materno, o bebê receberá fórmulas lácteas.

A gavagem será feita a partir de sondagem

orogástrica em prematuros com peso inferior a 1.800 g ou idade gestacional menor que 35 semanas, naqueles em que a deglutição ou sucção é insuficiente ou naqueles impossibi- litados de sugar.

Técnica de sondagem orogástrica

Material

• Sonda gástrica n. 6;

• seringa de 3 ml;

• seringa de 10 ml;

• esparadrapo ou micropore;

• linha grossa (linha n. 10 de pipa);

• ampola de água destilada;

• estetoscópio;

• recipiente com a dieta prescrita;

• luva de procedimento.

Etapas

1. Lavar as mãos.

2. Preparar o material.

3. Medir o comprimento da sonda a ser in- troduzida.

4. Passar a sonda pela via oral (mais indicada).

5. Verificar o posicionamento da sonda por meio da aspiração do conteúdo gástrico, utilizando a seringa de 3 ml.

6. Fixar a sonda.

7. Confirmar o volume da dieta.

8. Administrar a dieta de preferência no colo da mãe.

Se a criança puder realizar esforço, estimu-

lar a sucção com o dedo mínimo enluvado,

durante a descida do leite (estimulando o desenvolvimento da musculatura oral e faci- litando a transição da sonda para sucção); la- var a sonda após o término da gavagem com 3 ml de água destilada (evitar obstrução da luz diminuta da sonda por resíduos de lei- te). Após a dieta, posicionar o RN em semi- fowler, decúbito lateral direito ou decúbito ventral (facilitando o esvaziamento gástrico e

a eructação, diminuindo episódios de regur-

gitação e vômitos e evitando agravamento do

distúrbio respiratório, se presente).

Doença Pulmonar de Membranas Hialinas

A doença pulmonar de membranas hiali-

nas (DPMH) é uma das causas mais freqüen- tes de insuficiência respiratória do RN.

A DPMH constitui um dos problemas

mais comuns de um serviço de neonatologia

e uma das principais causas de mortalidade

entre RN de pré-termo, ocorrendo de 0,5 a

1,0% em todos os nascimentos.

Os fatores predisponentes são prematurida-

de; sexo masculino; anóxia perinatal; história materna de hemorragias; diabetes materno; segundo gemelar; RN anterior afetado; parto

cesáreo; hipotermia.

O quadro clínico inclui insuficiência respi-

ratória nas primeiras horas de vida; dispnéia; aumento progressivo da freqüência respira-

tória; retração esternal importante; tiragem intercostal; cianose central; gemido expira- tório; crises de apnéia; palidez; hipotermia;

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Tratado Prático de Enfermagem - volume 2

edema e oligúria; hipotensão, hipotonia e hipoatividade. As medidas gerais são aquecimento; mo- nitoração da FC e FR; controles laborato- riais; radiografia de tórax; fornecimento de líquidos e calorias – alimentação enteral ou parenteral, se for preciso; controle rigoroso de peso; correção do equilíbrio ácido-básico; prevenção de infecções; oxigenoterapia.

Recém-nascido

Traumatizado

Apesar do avanço tecnológico e científico,

são comuns as lesões atribuídas aos traumatis- mos obstétricos, como: bossa serossangüínea, céfalohematoma, hematoma do músculo es- ternocleidomastóideo, fraturas obstétricas.

• Fraturas obstétricas:

– fratura da clavícula;

– fratura de úmero;

– fratura do fêmur.

• Paralisias obstétricas:

– paralisia facial periférica;

– paralisia do plexo braquial;

– paralisia do nervo frênico.

• Lesões do sistema nervoso:

– sinais vegetativos: dificuldade de ter- morregulação, perturbações vasomo-

toras;

– sinais clínicos: choro gemido, pausas ou irregularidades respiratórias, per- turbações da sucção, hipotonia, con- vulsões (às vezes).

Controle de Infecção no Berçário

1. Esterilização de mamadeiras.

2. Evitar aglomeração nos berçários, limi- tando o número de recém-nascidos em cada sala. Nunca colocar mais que uma criança em cada incubadora. Cada incu- badora deve ocupar de 2,5 a 2,8 m 2 .

3. Isolamento de todos os RN com infec-

ções cutâneas, gastrintestinais, respirató- rias ou processos febris.

4. A entrada de estranhos deverá ser restrita, só estimular a entrada da mãe e do pai.

5. Profilaxia das infecções de origem ma- nual – lavagem cuidadosa das mãos e antebraço antes da entrada na unidade, antes e após o manuseio de cada RN.

6. Profilaxia das infecções de origem aérea

– climatização e filtração do ar.

7. Limpeza terminal e constante da unidade

e dos materiais como berço, incubadora,

aparelho de fototerapia, respiradores.

8. Troca de filtros de ar das incubadoras a

cada 60 dias.

Cuidados de Enfermagem ao Recém-nascido Grave

Assistência de Enfermagem Imediata

1. Conferir identificação.

2. Pesar.

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Capítulo 6 - Enfermagem em Neonatologia

3. Colocar em incubadora aquecida.

4. Manter oxigenação de acordo com a orientação médica.

5. Fazer higiene.

6. Realizar curativo umbilical.

7. Monitorar FC, FR e temperatura.

8. Fazer lavagem gástrica.

9. Instalar oxímetro de pulso, se necessá- rio.

10. Puncionar veia periférica para administra- ção de soro e medicamentos prescritos.

11. Preparar material e auxiliar em cateteris- mo umbilical ou venodissecação.

12. Instalar controle de diurese.

Assistência de Enfermagem Mediata

1. Controle e manutenção da temperatura corporal:

• incubadora de paredes duplas;

• saco plástico;

• algodão.

2. Observação constante dos parâmetros cardiorrespiratórios:

• bradicardia;

• apnéia e/ou taquidispnéia;

• respiração superficial.

3. Atenção para sinais de hipoglicemia e hi- pocalcemia:

• tremores;

• sudorese;

• hipoatividade;

• palidez.

4. Controles hídrico e eletrolítico:

• infusões;

• perdas;

• edemas;

• hidratação;

• pesos.

5. Observação dos níveis de oxigenação:

• ventilação mecânica;

• capuz de oxigênio;

• oxigênio com bandeira vermelha na posição horizontal ou vertical.

6. Manutenção de cateteres, quando pre- sentes:

• curativos;

• observação de hiperemia, sangra-

mento ou secreções.

7. Uso de técnicas rigorosamente assépti- cas.

8. Cuidados com alimentação:

• jejum nas primeiras horas;

• água glicosada;

• leite materno ou específico a cada 2- 3 horas:

– via oral > 34 semanas;

– SOG < 34 semanas;

– transição SOG e VO a partir de 34 semanas;

– RN com pesos < 1.000 g ou en- terocolite necrosante.

9. Nutrição parental:

• via venosa profunda ou periférica;

• soluções glicoprotéicas;

• técnica asséptica;

• controle de peso, glicosúria, balanço de perdas e infusões;

• observar sinais de infecção e trombo- se da veia cava superior.

10. Realizar exames de rotina:

• USG crânio;

• fundo de olho;

• radiografia de ossos longos.

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