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Diego Schneider DIMENSIONAMENTO DE LAJES

PRÉ-MOLDADAS UNIDIRECIONAIS

2010

UNIVERIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS UNISINOS CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS CURSO DE ENGENHARIA CIVIL

DIEGO SCHNEIDER

DIMENSIONAMENTO DE LAJES PRÉ-MOLDADAS UNIDIRECIONAIS

SÃO LEOPOLDO

2010

DIEGO SCHNEIDER

DIMENSIONAMENTO DE LAJES PRÉ-MOLDADAS UNIDIRECIONAIS

Monografia apresentada ao curso de graduação de Engenharia Civil da Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Engenharia Civil.

Orientador: Prof. M.Sc. Paulo Roberto Cunha de Almeida.

SÃO LEOPOLDO

2010

DIEGO SCHNEIDER

DIMENSIONAMENTO DE LAJES PRÉ-MOLDADAS UNIDIRECIONAIS

Monografia apresentada ao curso de graduação de Engenharia Civil da Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Engenharia Civil.

Aprovado em 06 de dezembro de 2010.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Paulo Roberto Cunha de Almeida (ORIENTADOR)

Prof. Ms. Volnei Pereira da Silva (UNISINOS)

Prof. Esp. Antonio Luiz Piccoli (UNISINOS)

AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente aos meus pais, que me deram a oportunidade de estudar e acreditaram no meu esforço. Agradeço ao Professor Paulo Roberto Cunha de Almeida, orientador desta monografia, pela paciência e a ajuda oferecida. Agradeço aos funcionários do Laboratório de Materiais de Construção da Unisinos pela disponibilidade e dedicação prestados durante a fase experimental. Agradeço ao meu irmão Jhonatan Schneider pela ajuda oferecida na fase experimental deste trabalho. Agradeço a Ciarte Lajes Pré-moldadas pela doação das vigotas de concreto armado e das tavelas cerâmicas. Agradeço a todos que me ajudaram de alguma forma para que eu concluísse este trabalho.

RESUMO

Este trabalho mostra as principais recomendações para a utilização das lajes nervuradas pré-moldadas de concreto armado unidirecionais, abordando os principais critérios e modelos empregados para o dimensionamento e verificações dos estados limites últimos e de serviço, levando em conta a não linearidade física do concreto, respeitando as recomendações das normas técnicas vigentes. O comportamento estrutural de lajes pré-moldadas de concreto armado foi avaliado experimentalmente através do ensaio de seis lajes em forma de vigas T, biapoiadas, submetidas a ensaio de flexão seguindo as prescrições da NBR 6118 (2003), avaliando sua validade. Chegou-se a conclusão que para o cálculo da armadura de flexão de lajes pré-moldadas unidirecionais, as prescrições da NBR 6118 (2003) são bastante coerentes, mas para o estado limite de deformação excessiva elas se mostraram um pouco conservativas.

Palavras chave: Laje pré-moldada. Laje unidirecional. Vigota de concreto. Dimensionamento de lajes.

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Sistema pré-moldado Monier, (Vicnet)

13

Figura

2

- Sistema

Coignet

14

Figura 3 Laje formada por vigotas de concreto (VC)

17

Figura 4 - Laje formada por vigotas protendidas (VP)

17

Figura 5 - Laje formada por vigotas treliçadas (VT)

17

Figura

6

-

Pré-laje

18

Figura

7

-

Laje Bidirecional

19

Figura 8 - Fabricação da laje de concreto, (Lajes Forte)

21

Figura 9 - Pista de protensão com fôrmas deslizantes, (Cerâmica Kaspary)

21

Figura 10- Paredes apoiadas sobre lajes pré-moldadas

24

Figura 11 Comportamento de laje como diafragma (FERREIRA, 1999 apud RIOS,

 

27

Figura 12 Dimensões da laje pré-moldada

Figura 13

34

34

Figura 14

Elementos de enchimento Vãos efetivos, (NBR

38

Figura 15 Largura da mesa colaborante

47

Figura 16 Comportamento da seção transversal de uma viga de concreto armado

48

Figura 17 Diagrama de tensões no concreto no estado-limite último (CARVALHO E

FIGUEIREDO F°,

Figura 18 Domínios de deformação no estado-limite último de uma seção

transversal (NBR

Figura 19 Diagramas de deformações e tensões na seção solicitada pelo momento

53

de cálculo M d

Figura 20 Seção T dividida em duas seções retangulares (CARVALHO E

(adaptada de MONTOYA, 1991 apud CARVALHO E FIGUEIREDO F°, 2009)

51

51

FIGUEIREDO F°,

54

Figura 21 Seção T com momento negativo

56

Figura 22 – Seção transversal em forma de “T” (CARVALHO E FIGUEIREDO F°,

62

Figura 23 – Seção transversal em forma de “T” no estádio II puro (CARVALHO E

Figura 24 Viga de concreto armado simplesmente apoiada em situação de serviço

(FLÓRIO, 2004)

 

66

Figura

25

Seção típica das séries

72

Figura

26

Esquema estrutural das lajes ensaiadas

73

Figura

27

Fôrmas de madeira

73

Figura 28 Dimensões das vigotas (cm)

75

Figura 29 (a) Estrutura aporticada para ensaios; (b) Detalhe dos

76

Figura 30 (a) Aparelho de aço para transmissão da carga; (b) Defletômetro

77

Figura 31 - Gráfico CARGA X DESLOCAMENTO experimental e teórico Laje L1.79 Figura 32 - Gráfico CARGA X DESLOCAMENTO experimental e teórico Laje L2.79 Figura 33 - Gráfico CARGA X DESLOCAMENTO experimental e teórico Laje L3.80 Figura 34 - Gráfico CARGA X DESLOCAMENTO experimental e teórico Laje L4.80 Figura 35 - Gráfico CARGA X DESLOCAMENTO experimental e teórico Laje L5.81 Figura 36 - Gráfico CARGA X DESLOCAMENTO experimental e teórico Laje L6.81

Figura 37 Configuração das fissuras das lajes

82

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Diâmetro mínimos e máximos das armaduras

32

Tabela 2 Altura total (h) dimensões em centímetros

33

Tabela 3 Designação da altura padronizada da laje

33

Tabela 4 Intereixos mínimos padronizados

34

Tabela 5 Dimensões e tolerâncias para elementos de enchimento

35

Tabela 6 Capa mínima resistente para as alturas totais padronizadas

35

Tabela 7 Coeficientes γ f = γ f1 . γ f3

41

Tabela 8 Valores do coeficiente γ f2

41

Tabela 9 – Características geométricas da seção “T”, no estádio I, sem considerar a

63

Tabela 10 - Características geométricas da seção “T”, no estádio I, com armadura

presença de

longitudinal A s

63

Tabela 11 Tipos de carregamento, vinculação e valor de α c

68

Tabela 12 Traço do concreto

71

Tabela 13 - Resistência à compressão média do concreto em cada laje

71

Tabela 14 Características do aço CA-50

72

Tabela 15 - Cargas últimas teóricas e experimentais

77

Tabela 16 Cargas teóricas e experimentais para a flecha limite

78

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

10

1.1. OBJETIVOS

11

1.2. JUSTIFICATIVAS

11

1.3. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

11

2. HISTÓRICO

13

3. LAJES NERVURADAS PRÉ-MOLDADAS

16

3.1. FABRICAÇÃO

20

3.2. ESCORAMENTO

22

3.3. MONTAGEM

22

3.4. SITUAÇÕES ESPECIAIS

 

24

3.4.1.

Paredes sobre as lajes

24

3.5. DESEMPENHO ACÚSTICO

25

3.6. FUNÇÕES ESTRUTURAIS DAS LAJES

26

4. REQUISITOS GERAIS DISPOSTOS EM NORMA

29

4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

29

4.2. REQUISITOS

DA

NBR

6118 (2003)

29

4.3. REQUISITOS

DA

NBR

14859-1 (2002)

30

4.4. REQUISITOS

DA

NBR

9062 (2006)

35

5. ANÁLISE ESTRUTURAL DE LAJES UNIDIRECIONAIS

37

5.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

37

5.2. PRÉ-DIMENSIONAMENTO

37

5.3. VÃOS EFETIVOS

37

5.4. CARGAS ATUANTES NAS LAJES

38

5.4.1. Ações Permanentes (g)

 

38

5.4.2. Ações Variáveis (q)

39

5.5.

AÇÕES DE CÁLCULO

39

5.5.1.

Coeficientes de ponderação

40

5.6.

COMBINAÇÃO DAS AÇÕES

42

5.6.1. Combinações

últimas

42

5.6.2. Combinações

de serviço

43

6.

DIMENSIONAMENTO DE LAJES UNIDIRECIONAIS

46

6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

46

6.2. CÁLCULO DA ARMADURA DE FLEXÃO

46

6.2.1.

Cálculo da largura colaborante

46

6.2.2.

Processo de colapso de vigas sob tensões normais

48

6.2.3.

Hipóteses básicas

50

6.2.4.

Cálculo da armadura longitudinal necessária

53

6.2.4.1.

Equações de equilíbrio

53

6.2.4.2.

Posição da linha neutra

55

6.2.4.3.

Quantidade de área de aço

55

6.2.4.4.

Armadura mínima

56

6.3. DIMENSIONAMENTO EM RELAÇÃO AO CISALHAMENTO

57

6.4. Nervuras de travamento

59

6.5. VERIFICAÇÃO DO ESTADO-LIMITE DE DEFORMAÇÃO

EXCESSIVA

60

6.5.1.

Deslocamento-limite

60

6.5.2.

Cálculo de deslocamento

61

6.5.2.1.

Características geométricas de seções (Estádios I e II)

61

6.5.2.2.

Efeito da fissuração na rigidez

65

6.5.2.3.

Flecha diferida no tempo

68

7. ANÁLISE EXPERIMENTAL DE LAJES PRÉ-MOLDADAS

UNIDIRECIONAIS

70

7.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

70

7.2. PROCEDIMENTO E DADOS DO ENSAIO

70

7.2.1. Metodologia

70

7.2.2. Concreto

70

 

7.2.3. Aço

71

7.2.4. Dimensões

72

7.2.5. Fôrmas

73

7.2.6. Armaduras

74

7.2.7. Vigotas utilizadas

74

7.2.8. Equipamentos empregados no ensaio

76

7.3.

RESULTADOS

77

8.

CONCLUSÃO

84

9.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

85

9.1.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

86

10

1. INTRODUÇÃO

Na construção civil, as evoluções arquitetônicas impõem o aumento considerável dos vãos, tornado assim o uso das lajes maciças praticamente inviáveis, devido ao elevado custo das fôrmas e peso próprio. Além disso, prazos apertados e necessidade de diminuição de custos são desafios cada vez maiores aos projetistas. A solução para estes casos consiste na utilização de lajes nervuradas, onde podem ser constituídas por vigotas de concreto pré-moldado ou moldadas totalmente “in loco”. As moldadas no local apresentam algumas desvantagens, como por exemplo, a elevada necessidade de fôrmas e escoramentos assim como uma quantidade maior de mão de obra. As lajes constituídas de vigotas de concreto pré-moldado, juntamente com elementos de enchimento e concreto moldado no local, apresentam maior vantagem, pois eliminam a necessidade de formas e diminuem consideravelmente a quantidade de escoramento. Outro aspecto conveniente é a facilidade de execução e a possibilidade de industrialização, reduzindo assim desperdícios e aumentando a produtividade. O fato de estas lajes terem o seu uso pouco difundido nas décadas anteriores ao ano 2000, segundo Droppa Jr. (1999), foi a falta de informações técnicas a respeito do comportamento destas lajes. Além disso, empresas de pequeno porte, instaladas geralmente de forma artesanal, produziam este tipo de laje, mesmo não tendo conhecimento técnico, qualidade e responsabilidade, comprometendo assim a segurança e propiciando problemas estruturais à estrutura, como deformações excessivas e fissuras. Estudos mais aprofundados sobre lajes pré-moldadas iniciaram em 1995, e os principais autores são: Bocchi Jr (1995), Gaspar (1997), Caixeta (1997), Droppa Jr (1999) e Flório (2004).

11

1.1. OBJETIVOS

Este trabalho tem por objetivo avaliar experimentalmente o comportamento estrutural de lajes pré-moldadas unidirecionais de concreto armado, mediante ensaios de flexão levando em conta a não linearidade física do concreto, comprovando a validade da NBR 6118 (2003) para o dimensionamento de lajes pré- moldadas unidirecionais.

1.2. JUSTIFICATIVAS

São duas as justificativas para a escolha do tema, a saber:

Na região metropolitana de Porto Alegre, no Vale dos Sinos e no Vale do Caí a utilização de lajes pré-moldadas, principalmente as unidirecionais, são amplamente utilizadas, isso devido ao elevado número de fabricantes existentes na região;

Devido ao aquecimento do setor da construção civil, principalmente na área de casas e edifícios, onde a cada dia exige-se mais agilidade e menores custos para as edificações.

1.3. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

Este trabalho é dividido em 8 capítulos. A seguir apresenta-se sucintamente o conteúdo dos capítulos:

Os segundo capítulo apresenta um breve histórico sobre as lajes pré- moldadas; O terceiro capítulo expõe as principais vantagens e desvantagens, características, métodos de fabricação e montagem de lajes pré-moldadas; O quarto capítulo trata das normas técnicas vigentes a serem adotadas para o dimensionamento das lajes pré-moldadas; No quinto capítulo são apresentadas as ações de cálculo a serem consideradas e a análise estrutural de lajes pré-moldadas;

12

O sexto capítulo apresenta o dimensionamento de lajes pré-moldadas em concreto armado, levando em conta o efeito da fissuração do concreto e a flecha diferida no tempo; No sétimo capítulo será apresentado um ensaio com lajes pré-moldadas, comparando os resultados teóricos com os valores experimentais. No oitavo capítulo são apresentadas as conclusões sobre o tema da pesquisa.

13

2. HISTÓRICO

A ideia de associar barras metálicas à pedra artificial ou argamassa para aumentar a resistência das peças deriva dos Romanos segundo Vasconcelos (1992). Durante a recuperação das ruínas das termas de Caracalla em Roma notou- se a existência de barras de bronze entre a argamassa, com a finalidade de vencer vãos maiores. Como na época não existia o concreto, as barras eram introduzidas em furos executados artesanalmente nas peças de pedra lavada, e os espaços vazios eram preenchidos com argamassa de cal. O cimento portland foi descoberto em 1824, e a primeira peça de concreto armado cimento armado como era conhecido até 1920 foi produzida pelo engenheiro Francês Joseph Louis Lambot, que nada mais era do que um barco. Depois de Lambot, Joseph Monier, Thaddeus Hyatt, e François Coignet continuaram com pesquisas sobre a técnica do concreto armado. Na segunda metade do século XIX, J. Monier iniciou a fabricação das primeiras lajes pré-moldadas utilizando perfis metálicos em forma de I como armadura principal entre placas de concreto armado (figura 1), e este sistema era conhecido como sistema pré-moldado Monier.

este sistema era conhecido como sistema pré-moldado Monier. Figura 1 - Sistema pré-moldado Monier, (Vicnet) 1

Figura 1 - Sistema pré-moldado Monier, (Vicnet) 1

1 fonte: <http://home.vicnet.net.au/~aholgate/jm/misc/misc01.html> acessado em:

14

Também nesta época, F. Coignet apresentou um trabalho sobre cimento armado, enfatizando lajes constituídas por nervuras e barras de aço (figura 2), sendo esta técnica nomeada como sistema Coignet.

2), sendo esta técnica nomeada como sistema Coignet. Figura 2 - Sistema Coignet 2 . Conforme

Figura 2 - Sistema Coignet 2 .

Conforme Bruna (1976), este sistema teria sido utilizado no Cassino de Biarritz, na França, em 1891, sendo esta possivelmente a primeira obra a utilizar elementos pré-moldados de concreto armado. Foi baseado nestes sistemas que os alemães começaram a fabricar suas próprias lajes, constituídas de vigotas pré-moldadas de concreto armado, elementos cerâmico de enchimento e uma posterior camada de concreto. O sistema era semelhante ao utilizado nos dias atuais. O concreto pré-fabricado desempenhou um papel importante na Europa depois da Segunda Guerra Mundial, pois agilizava o processo de construção e não dependia de uma elevada quantidade de mão de obra, já que o continente sofria de um forte déficit habitacional. No Brasil, o retardamento da técnica de utilização de pré-moldados se deu pela abundância de mão de obra barata constituída de migrantes rurais. As necessidades de elevar a renda familiar e reduzir o valor das habitações fizeram com que a indústria dos materiais tomasse novos rumos.

2 SEGURADO, 1947 apud DROPPA JR., 1999

15

De acordo com Droppa Jr. (1999), as lajes treliçadas são utilizadas no Brasil desde 1974, porém foram utilizadas em larga escala somente a partir de 1990.

16

3. LAJES NERVURADAS PRÉ-MOLDADAS

Entende-se por lajes pré-moldadas, segundo Bocchi Jr. (1995), aquela em que parte da laje é fabricada fora do local definitivo. Droppa Jr. (1999) completa que estas lajes são compostas de uma seção resistente de concreto pré-moldado e de concreto moldado no local, além de elementos de enchimento dispostos sobre as vigotas. A laje nervurada pode ser vista como uma alternativa da laje maciça, com a qual se procura eliminar o concreto abaixo da linha neutra, criando-se vazios e podendo, assim, aumentar a altura da laje sem o aumento do consumo de concreto. Rios (2008), diz que as vigotas pré-moldadas devem ser capazes de suportar seu peso próprio, além das cargas acidentais da construção, dispensando o uso do tabuleiro da fôrma tradicional e necessitando apenas de escoramentos intermediários. Segundo Borges (1997 apud RIOS, 2008), a pré-fabricação é um processo industrial onde os elementos são fabricados em série, onde a montagem é executada posteriormente na obra. As principais vantagens deste sistema é a redução do tempo de construção, redução de fôrmas e cimbramentos, redução de peso da estrutura e consequentemente o custo final da obra. Estas lajes são formadas por vigotas ou por painéis, e devido a sua geometria são consideradas como lajes nervuradas (DROPPA JR., 1999). Elas também podem ser consideradas como lajes mistas de acordo com Souza & Cunha (1998 apud RIOS, 2008) se o material de enchimento entre as nervuras participar da resistência mecânica, contribuindo na região comprimida da peça sujeita a flexão. As lajes pré-moldadas são divididas em dois grupos, as unidirecionais e as bidirecionais. As lajes unidirecionais são constituídas por vigotas longitudinais dispostas numa única direção, segundo a NBR 14859-1 (2002), e podem ser divididas em três grupos:

Vigotas de concreto (VC), figura 3;

Vigotas protendidas (VP), figura 4;

Vigotas treliçadas (VT), figura 5.

17

17 Armadura de distribuição Capa de concreto Armadura Principal Vigota de concreto Bloco vazado de concreto

Armadura de distribuição

Capa de concreto

Armadura Principal

Vigota de concreto

Bloco vazado de concreto ou cerâmica, ou

bloco de E.P.S.(isopor)

Figura 3 Laje formada por vigotas de concreto (VC)

Figura 3 – Laje formada por vigotas de concreto (VC) Armadura de distribuição Capa de concreto

Armadura de distribuição

Capa de concreto

de concreto (VC) Armadura de distribuição Capa de concreto Armadura pré-tracionada Vigota protendida de concreto Bloco

Armadura pré-tracionada

Vigota protendida de concreto

Bloco vazado de concreto ou cerâmica, ou

bloco de E.P.S.(isopor)

Figura 4 - Laje formada por vigotas protendidas (VP)

Capa de concreto Armadura de distribuição Vigota treliçada de concreto
Capa de concreto
Armadura de distribuição
Vigota treliçada de concreto

Armadura Adicional

Bloco vazado de concreto ou cerâmica, ou bloco de E.P.S.(isopor)

Figura 5 - Laje formada por vigotas treliçadas (VT)

18

As duas primeiras têm a geometria geralmente em forma de T invertido, onde as armaduras estão totalmente envolvidas por concreto. A última é constituída por uma armadura treliçada e somente a armadura inferior é envolvida por concreto. Elas podem ainda ser formadas por elementos chamados de pré-laje (figura 6), assim definida pela NBR 14860-1 (2002), sendo dividida em treliçada e protendida.

Capa de concreto Armadura de distribuição Pré laje de concreto Pré laje de concreto treliçada
Capa de concreto
Armadura de distribuição
Pré laje de concreto
Pré laje de concreto
treliçada
protendido
Bloco de E.P.S.(isopor)
Armadura Adicional
Armadura treliçada

Figura 6 - Pré-laje

Lajes nervuradas bidirecionais são constituídas de vigotas longitudinais e nervuras transversais moldadas no local. Segundo a NBR 14859-2 (2002), as lajes pré-moldadas bidirecionais devem somente ser executadas com vigotas treliçadas, pois estas permitem a passagem da armadura transversal (figura 7). Desta maneira forma-se um sistema estrutural altamente eficiente, constituído por um conjunto de nervuras dispostas em uma ou duas direções com espaçamentos regulares entre si. Segundo Andrade (1983 apud RIOS, 2008), em zonas de momento fletor negativo também se faz necessário à presença de mesa inferior. Neste caso destacam-se os painéis pré-moldados, pois estes constituem de mesa superior e inferior. Na maioria dos casos ocorre a dificuldade de execução de mesa inferior, optando-se assim manter estas regiões totalmente preenchidas de concreto.

19

19 Figura 7 - Laje Bidirecional As principais vantagens em relação a lajes maciças de se

Figura 7 - Laje Bidirecional

As principais vantagens em relação a lajes maciças de se utilizar lajes pré- moldadas conforme Muniz (1991 apud RIOS, 2008) são:

- Diminuição do peso próprio da laje e o consequente alívio sobre as fundações;

- A possibilidade de embutir todas as instalações elétricas entre a capa de concreto e a base de concreto pré-moldado;

- Em função do bom acabamento e regularidade superficial dos elementos pré-moldados, na face inferior é requerida apenas uma fina camada de regularização;

- Redução significativa de fôrmas;

- Sensível redução do escoramento das lajes;

- Em lajes contínuas, o uso de vigotas com armação treliçada permite a

continuidade estrutural pela colocação de armadura negativa sobre os apoios, sem que isto signifique qualquer problema para a sua fixação;

- Eliminam-se as perdas das pontas dos vergalhões utilizados na preparação

da armadura no canteiro decorrente da armação treliçada ser fabricada a partir de

rolos de fios de aço trefilado CA-60;

20

- Reduz a quantidade de estoque e movimentação de materiais e pessoas no

canteiro de obras, diminui a mão de obra de ferreiros, armadores e carpinteiros e aumenta a rapidez da construção da estrutura.

Droppa Jr.(1999) complementa:

- economizar

fôrmas

totalmente deles;

e

escoramentos

na obra, podendo até prescindir

- possibilitar maior rapidez de execução;

- economizar mão de obra no local;

- diminuir o peso (carga permanente) da estrutura.

E as principais desvantagens são:

- em geral não possui um comportamento monolítico com o restante da

estrutura, o que pode ser inconveniente sob o ponto de vista do contraventamento da edificação (exceção feita às vigotas com armadura em treliça);

- as vigotas de concreto armado e as vigotas protendidas são, às vezes,

muito pesadas para manuseio, exigindo equipamentos para transporte e montagem no local.

3.1. FABRICAÇÃO

As vigotas são produzidas no tamanho desejado definido pelo projeto, sendo utilizadas as vigotas de concreto para vão menores a cinco metros e vigotas protendidas para vãos menores a dez metros. As vigotas treliçadas são utilizadas para vãos menores a 12 metros. De acordo com Droppa Jr. (1999), as lajes protendidas e treliçadas vencem maiores vãos, mas deve-se antes fazer uma análise criteriosa em casos de considerações de vãos muito grandes, principalmente no que diz respeito à deformação da laje e o efeito da força cortante. As vigotas de concreto armado são produzidas com formas metálicas (figura 9), em pequenas unidades de produção e instalações físicas simples (DROPPA JR.,

1999).

21

As vigotas de concreto protendido são produzidas em pistas de protensão, sendo elas com fôrmas fixas ou fôrmas deslizantes (figura 10), sendo a última similar ao processo de fabricação de lajes alveolares (DROPPA JR., 1999). Já as partes em concreto das vigotas treliçadas segundo Droppa Jr. (1999) são fabricadas em forma metálica tipo U, com espessuras variando entre 2 e 3 cm, usando geralmente para estes casos o microconcreto.

e 3 cm, usando geralmente para estes casos o microconcreto. Figura 8 - Fabricação da laje

Figura 8 - Fabricação da laje de concreto, (Lajes Forte) 3 .

8 - Fabricação da laje de concreto, (Lajes Forte) 3 . Figura 9 - Pista de

Figura 9 - Pista de protensão com fôrmas deslizantes, (Cerâmica Kaspary) 4 .

3 Fonte: <http://www.lajesforte.com.br/> acessado em: 19/05/2010.

4 Fonte: <http://www.ceramicakaspary.com.br/> acessado em: 19/05/2010.

22

A armadura da vigota de concreto, segundo Carvalho e Figueiredo F°(2009),

é composta por barras retas colocadas na parte inferior desta. No caso da vigota

treliçada, a armadura é uma treliça espacial composta por três banzos paralelos e diagonais laterais de forma senoidal, soldadas por processo eletrônico aos banzos.

A fabricação das treliças deve ser feita de acordo com a NBR 14862 (2002).

Geralmente para a fabricação das peças pré-moldadas utiliza-se o cimento CP-V de Alta Resistência Inicial (ARI), pois nestes casos é necessário que a peça adquira rapidamente a resistência necessária para poder ser transportada e, dependendo dos casos, já ser disposta diretamente em seu lugar definitivo. Para aumentar ainda mais o ganho de resistência, muitas vezes utiliza-se a cura a vapor, pois segundo Carvalho e Figueiredo F°(2009), mantém-se assim o ambiente saturado e com temperatura elevada, o que é favorável ao aumento da resistência.

3.2. ESCORAMENTO

O escoramento é uma estrutura de suporte provisório composto por um

conjunto de elementos que apoiam as vigotas e as fôrmas horizontais das vigas, suportando as cargas atuantes (peso próprio do concreto, movimentação de operários e equipamentos, etc.) e transmitindo-as ao piso ou ao pavimento inferior.

É de suma importância que seja feito, juntamente com o projeto estrutural da

laje, o projeto de escoramento, pois é nesta fase que ocorre a maioria dos acidentes

na construção civil (CIMENTO ITAMBÉ, 2009), além de deformações indesejáveis nos elementos estruturais. O projeto de escoramento deve seguir a NBR 13696, que tem por objetivo fixar os procedimentos e condições que devem ser obedecidos na execução das estruturas provisórias que servem de fôrmas e escoramentos, para a execução de estruturas de concreto moldadas in loco.

3.3. MONTAGEM

A montagem desta laje é executada geralmente em sete etapas, de acordo

com Carvalho e Figueiredo F°(2009):

23

etapa 1: nivelamento e acerto do piso e execução do escoramento,

normalmente composto por pontaletes e “guias mestre”, as quais devem ser colocadas em espelho; nessa etapa ainda deverão ser executadas as contraflechas quando necessárias; etapa 2: colocação das vigotas, posicionando os elementos de enchimento

nas extremidades como gabarito do espaçamento entre as vigotas; duas situações são possíveis:

- apoio das vigotas sobre estrutura de concreto armado: as vigotas

devem apoiar-se sobre as fôrmas, após estas estarem alinhadas, niveladas, escoradas e com a armadura colocada e posicionada; devem penetrar nos apoios pelo menos 5 cm e no máximo a metade da largura da viga; a concretagem das vigas deve ser simultânea à execução da capa;

- apoio das vigotas diretamente sobre alvenaria: neste caso, deve-

se respaldar a alvenaria e distribuir uma ferragem sobre ela de modo a formar uma cinta de solidarização; as vigotas devem penetrar nos apoios de forma semelhante ao anterior, e a concretagem da cinta também deve ser simultânea à da capa;

etapa 3: colocação dos elementos de enchimento, tubulação elétrica, caixas de passagem etc.; os blocos da primeira carreira podem ter um dos lados apoiados diretamente sobre a parede e o outro sobre a primeira linha de vigotas; etapa 4: colocação das armaduras de distribuição e negativas (quando

necessário), conforme indicação fornecida pelo projetista ou fabricante; a armadura negativa deve ser apoiada e amarrada sobre a armadura de distribuição. etapa 5: limpeza cuidadosa da interface entre as nervuras e o concreto a

ser lançado, evitando-se a presença de areia, pó, terra, óleo ou qualquer substância que possa prejudicar a transferência de esforços entre as superfícies de contato; deve ser sempre feito o umedecimento da interface antes da concretagem, sem que, entretanto, haja acúmulo de água; etapa 6: concretagem da capa de concreto, que deve ser acompanhada de

alguns cuidados:

- colocação de passadiços de madeira para evitar que as lajotas se

quebrem;

- adensar o concreto suficientemente para que ele penetre nas juntas entre as vigotas e os elementos de enchimento;

24

- efetuar boa cura, molhando bem a superfície da laje de concreto durante pelo menos três dias após a concretagem; e etapa 7: retirada do escoramento, que deve ocorrer aproximadamente após 15 dias do lançamento do concreto. Nos edifícios de múltiplos pavimentos, o escoramento do piso inferior não deve ser retirado antes do término da laje imediatamente superior. Deve ser verificada a resistência do concreto na data da retirada.

3.4. SITUAÇÕES ESPECIAIS

3.4.1. Paredes sobre as lajes

Há casos em que certas particularidades de projeto não permitem a execução de vigas retangulares de concreto armado para a sustentação de paredes, obrigando que estas sejam apoiadas diretamente sobre as lajes pré-moldadas (GASPAR, 1997). As paredes podem estar dispostas na mesma direção das vigotas ou transversalmente a estas. No primeiro caso, segundo Gaspar (1997), justapõem-se duas ou mais vigotas para resistir aos esforços solicitantes na faixa de laje ocupada pela parede (figura 10). No segundo caso, devem-se analisar os efeitos desse carregamento em cada vigota e dimensioná-las adequadamente.

desse carregamento em cada vigota e dimensioná-las adequadamente. Figura 10- Paredes apoiadas sobre lajes pré-moldadas
desse carregamento em cada vigota e dimensioná-las adequadamente. Figura 10- Paredes apoiadas sobre lajes pré-moldadas

Figura 10- Paredes apoiadas sobre lajes pré-moldadas

25

3.5. DESEMPENHO ACÚSTICO

O conceito de conforto acústico sugere uma sensação de bem-estar, de tranquilidade emocional e de satisfação em momentos de trabalho e lazer. É interessante salientar que em diversas situações a sensação de conforto não é percebida pelas pessoas, mas o incômodo causado pela sua falta logo gera insatisfação (ORAL et al., 2004 apud CORNACCHIA, 2009). Segundo Cornacchia (2009), os sons gerados por pisadas e quedas de objetos sobre as lajes, exemplos de maior destaque dos chamados ruídos de impacto, provocam grande desconforto em edifícios de apartamentos por serem ouvidos claramente em outros ambientes. Pereyron (2008) compara o isolamento sonoro ao ruído de impacto entre lajes, onde se pode destacar a comparação de uma laje pré-moldada de concreto armado com 4 cm de capa, 12 cm de espessura total e concreto com f ck 15 MPa e uma laje maciça de concreto armado com 12 cm de espessura e concreto com f ck 20 MPa, todas em “osso”. No estudo, a primeira apresenta um nível de pressão sonoro de impacto ponderado (L’ nT,w ) de 69 dB, e a segunda apresenta um L’ nT,w de 60 dB. Para as lajes pré-moldadas o autor afirma que este fraco desempenho é devido à baixa massa que a mesma apresenta, uma vez que seus elementos estruturais são as vigotas pré-fabricadas de perfil esbelto e à fina camada de concreto armado que esta recebe como recobrimento”. Classificando os dois tipos de lajes de acordo com a NBR 15575 (2008), a laje pré-moldada se enquadraria como sendo de nível mínimo (M) e a laje maciça como sendo de nível intermediário (I). Muitos fabricantes de lajes pré-moldadas afirmam que o EPS (isopor) é uma boa alternativa de isolamento térmico e acústico quando utilizado como enchimento. Porém, segundo Viveiros (2006), o EPS não é um bom isolante acústico. A autora

diz que “uma das possíveis razões do isopor ser interpretado como material de isolamento acústico reside no fato dele ser bom isolante térmico. Como há materiais que são utilizados como recheio de componentes duplos, tanto para isolamento térmico quanto acústico, como a lã de vidro, por exemplo, a generalização termina por incluir

todos os materiais e o isopor ganha adjetivo indevido”.

precisam,

principalmente, ter capacidade de isolar o ruído estrutural, normalmente proveniente do

As

lajes

de

edifícios,

de

acordo

com

Viveiros

(2006),

26

caminhar, da queda de objetos e de alguns eletrodomésticos. Uma menor transmissão sonora será obtida com amortecimento desses impactos sobre a estrutura, normalmente com a utilização de „piso flutuante‟, onde o elemento que recebe o impacto está estruturalmente desconectado da laje através de uma camada de material resiliente”.

Conforme Viveiros (2006), isolamento relaciona-se com transmissão sonora, portanto, o isolamento oferecido pela laje é a sua capacidade de restringir a transmissão sonora, que depende de quatro fatores principais: massa, rigidez, amortecimento e conexão estrutural. Então, quanto mais denso for o elemento, mais dificuldade haverá de impor a vibração, dificultando a irradiação de energia acústica para o lado oposto. Portanto, pode-se afirmar que as lajes pré-moldadas, constituídas tanto de tavelas cerâmicas quanto de EPS, não tem bom isolamento acústico, necessitando de algum tratamento acústico para ter um bom nível de desempenho.

3.6. FUNÇÕES ESTRUTURAIS DAS LAJES

Os carregamentos sobre as lajes geram cargas verticais perpendiculares a sua superfície, fazendo com que elas recebam e transmitam as cargas para os apoios, conferindo assim o comportamento de placa à laje. Segundo Rios (2008), o arranjo das armaduras geralmente é determinado em função dos esforços de flexão relativos ao comportamento de placa, porém a simples desconsideração dos outros esforços pode ser equivocada. Isto porque as lajes atuam como chapas ao receber ações ao longo de seu plano. Funcionando como um diafragma horizontal infinitamente rígido, elas distribuem as ações horizontais atuantes entre os pilares e as vigas (Figura 11).

27

27 Figura 11 – Comportamento de laje como diafragma (FERREIRA, 1999 apud RIOS, 2008). A NBR

Figura 11 Comportamento de laje como diafragma (FERREIRA, 1999 apud RIOS, 2008).

A NBR 6118 (2003) define placas como “elementos de superfície plana sujeitos principalmente a ações a se plano” e chapas como “elementos de superfície plana, sujeitos a ações contidas em seu plano”. Portanto, conforme Rios (2008), o comportamento de chapa é fundamental para a estabilidade global da estrutura, principalmente nos edifícios altos. É através das lajes que os pilares contraventados se apoiam nos elementos de contraventamento, garantindo a segurança da estrutura em relação às ações laterais. Conforme Goulart (2008), a consideração da rigidez à flexão da laje é fundamental para a comprovação da estabilidade global da estrutura. Martins (1998 apud GOULART, 2008), verificou a importância da contribuição da rigidez à flexão das lajes na estabilidade global em teoria de segunda ordem. Foram feitas análises de uma estrutura convencional, e foram encontradas diferenças sensíveis no comportamento da estrutura com e sem a consideração da laje. Além da diferença de esforços significativa nos elementos estruturais, os deslocamentos laterais diminuem sensivelmente quando se considera a rigidez à flexão das lajes.

28

Segundo Dias (2004), em edificações muito elevadas a utilização de lajes pré- moldadas, principalmente se não possuem grande rigidez no próprio plano como as lajes confeccionadas com elementos cerâmicos e vigotas “tipo trilho”, não devem ser consideradas como elementos colaborantes no enrijecimento lateral. De acordo com Goulart (2008), ao desprezar a rigidez à flexão da laje para o contraventamento da estrutura, a distribuição de esforços é alterada e os deslocamentos são maiores, porém estes são, em geral, admissíveis comparados aos limites de norma e a estabilidade da estrutura não é muito prejudicada.

29

4. REQUISITOS GERAIS DISPOSTOS EM NORMA

4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Com o intuito de padronizar a confecção de projetos, garantindo a segurança e a qualidade do produto final, a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT regulamenta os procedimentos a serem empregados por meio de normas específicas. No caso de lajes nervuradas as normas que devem ser utilizadas são:

NBR 6118 (2003): Projeto de estruturas de concreto Procedimento; NBR 6120 (1980): Cargas para cálculo de estruturas de edificações Procedimento; NBR 14859-1 (2002): Laje pré-fabricada Requisitos Parte 1: Lajes unidirecionais; NBR 14859-2 (2002): Laje pré-fabricada Requisitos Parte 2: Lajes bidirecionais; NBR 9062 (2006): Projeto e execução de estruturas de concreto pré-moldado Procedimento.

4.2. REQUISITOS DA NBR 6118 (2003)

A NBR 6118 (2003) refere-se às lajes nervuradas como sendo lajes executadas com nervuras, na qual a zona de tração para momentos positivos está localizada nas nervuras entre as quais pode ser colocado material inerte. No item 13.2.4.2 a norma ainda impõe alguns limites de dimensões para estas lajes:

- A espessura da mesa, quando não houver tubulações embutidas, deve ser

maior ou igual a 1/15 da distância entre as nervuras e não menor que 3 cm;

- O valor mínimo absoluto deve ser 4 cm, quando existirem tubulações embutidas de diâmetro máximo 12,5 mm;

- A espessura das nervuras não deve ser inferior a 5 cm.

- Nervuras com espessura menor que 8 cm não devem conter armadura de compressão.

30

Para o projeto das lajes nervuradas devem ser obedecidas ainda as seguintes condições:

a) Para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras menor ou igual a 65 cm, pode ser dispensada a verificação da flexão da mesa, e para a verificação do cisalhamento da região das nervuras, permite-se a consideração dos critérios de laje.

b) Para lajes com espaçamento entre eixos de nervuras entre 65 cm e 110 cm, exige-se a verificação da flexão da mesa e as nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento como vigas; permite-se essa verificação como lajes se o espaçamento entre eixos de nervuras for até 90 cm e a largura média das nervuras for maior que 12 cm;

c) Para lajes nervuradas com espaçamento entre eixos de nervuras maior que 110 cm, a mesa deve ser projetada como laje maciça, apoiada na grelha de vigas, respeitando-se os seus limites mínimos de espessura.

Quando satisfeitas, as lajes unidirecionais devem ser calculadas segundo a direção das nervuras desprezadas a rigidez transversal e a rigidez a torção. Já as lajes bidirecionais, os esforços solicitantes devem ser calculados conforme NBR 14859-2, porém este assunto não será abordado neste trabalho. Para o efeito de força cortante, se V Sd ≤V Rd1 , as lajes nervuradas podem prescindir de armadura transversal, caso contrário, deve-se seguir os critérios do item 19.4.2.

4.3. REQUISITOS DA NBR 14859-1 (2002)

A NBR 14859-1 (2002) define as armaduras complementares como:

longitudinal ( s ct ): armadura admissível apenas em lajes treliçadas, quando da impossibilidade de integrar na vigota treliçada toda a armadura passiva inferior de tração (sat) necessária; transversal ( s T ): armadura que compõe a armadura das nervuras transversais (NT);

31

de distribuição ( s d ): armadura posicionada na capa nas direções transversal e longitudinal, quando necessária, para a distribuição das tensões oriundas de cargas concentradas e para o controle da fissuração; em lajes treliçadas, o banzo superior pode ser considerado como armadura de distribuição; superior de tração ( s st ): armadura disposta sobre os apoios nas extremidades das vigotas, no mesmo alinhamento as nervuras longitudinais (NL) e posicionada na capa. Proporciona a continuidade das nervuras longitudinais (NL) com o restante da estrutura, o combate à fissuração e a resistência ao momento fletor negativo, de acordo com o projeto da laje; outras: armaduras especificadas caso a caso, utilizadas para atender às necessidades particulares de cada projeto.

A armadura de distribuição deve ser colocada na laje, considerando uma área mínima de aço de 0,9 cm²/m para aços CA-25 e de 0,6 cm²/m para aços CA-50, CA- 60 e tela soldada, contendo três barras por metro pelo menos. As bitolas mínimas e máximas, para fins de utilização para lajes pré-moldadas encontram-se na tabela 1.

32

Tabela 1 Diâmetro mínimos e máximos das armaduras

Produto

Norma

Diâmetro nominal mínimo

Diâmetro nominal máximo (mm)

(mm)

Barras/fios de aço CA 50/CA 60

NBR 7480

6,3 (CA 50) 4,2 (CA60)

20,0 (CA 50) 10,0 (CA60)

Tela de aço eletrossoldada

NBR 7481

3,4

-

Fios de aço para protensão

NBR 7482

3,0

-

Cordoalhas de aço para protensão

NBR 7483

3 x 3,0

-

   

Diagonal (sinusóide): 3,4 Banzo superior:

Diagonal (sinusóide):

Armadura treliçada eletrossoldada

7,0

NBR 14862

6,0

Banzo superior: 12,5 Banzo inferior: 12,5

 

Banzo inferior:

4,2

 

O concreto que compõe as vigotas deverá atender como resistência característica à compressão o que for estabelecido pelo projeto, porém deverá ser exigido no mínimo classe C20, que corresponde a resistência característica à compressão aos 28 dias, de 20 MPa. Em função das alturas padronizadas dos elementos de enchimento, as alturas totais das lajes pré-moldadas devem ser as indicadas na Tabela 2.

33

Tabela 2 Altura total (h) dimensões em centímetros

Altura do elemento de enchimento (he)

Altura total da laje (h)

7,0

10,0; 11,0; 12,0

8,0

11,0; 12,0; 13,0

10,0

14,0; 15,0

12,0

16,0; 17,0

16,0

20,0; 21,0

20,0

24,0; 25,0

24,0

29,0; 30,0

29,0

34,0; 35,0

Segundo o item 4.1.3, “a designação da altura padronizada da laje deve ser composta por sua sigla (LC, LP ou LT), seguida da altura total (h), da altura do elemento de enchimento (h e ), seguida do símbolo “+” e da altura da capa (h c ), sendo que todos os valores são expressos em centímetros”, conforme tabela 3.

Tabela 3 Designação da altura padronizada da laje

Genérico

Exemplos

LC h (he + hc)

LC 11 (7 + 4)

LP h (he + hc)

LP 12 (8 + 4)

LT h (he + hc)

LT 30 (24 + 6)

hc h intereixo(i) be he i = be + bv h = he + hc
hc
h
intereixo(i)
be
he
i = be + bv
h = he + hc
hv
bv

34

Figura 12 Dimensões da laje pré-moldada

O valor de intereixo mínimo varia em função do tipo de vigota, conforme tabela 4. A Norma estabelece ainda que “no caso da utilização de vigotas treliçadas e h ≤ 13,0 cm, permite-se adotar intereixo mínimo de 40,0 cm”.

Tabela 4 Intereixos mínimos padronizados

Tipo de vigota

Intereixos mínimos padronizados

(cm)

VC

33,0

VP

40,0

VT

42,0

Os elementos de enchimento devem ter as dimensões padronizadas de acordo com a figura 13 e tabela 5. Estes podem ser compostos por elementos maciços ou vazados, sendo constituídos por materiais leves, mas que sejam suficientemente rígidos. Devem suportar uma carga em sua meia distância de, no mínimo, 0,7 kN para elementos com altura menor que 8 cm, e de 1,0 kN para elementos com altura maior ou igual a 8 cm. Os elementos ainda são divididos em materiais com ruptura frágil e dúctil, sendo o concreto, a cerâmica e o concreto autoclavado materiais de ruptura frágil, e o EPS material de ruptura dúctil.

autoclavado materiais de ruptura frágil, e o EPS material de ruptura dúctil. Figura 13 – Elementos

Figura 13 Elementos de enchimento

35

Tabela 5 Dimensões e tolerâncias para elementos de enchimento

Altura (h e ) nominal

7,0 (mínima); 8,0; 9,5; 11,5; 15,5; 19,5; 23,5; 28,5

Altura (b e ) nominal

25,0 (mínima); 30,0; 32,0; 37,0; 39,0; 40,0; 47,0;

50,0

Comprimento (c) nominal

20,0 (mínimo); 25,0

Abas de

(a v )

3,0

encaixe

(a h )

1,5

A capa de concreto complementar da laje deve ter como espessura mínima 3 cm. Quando da existência de tubulações, a espessura mínima da capa de compressão acima destas deve ter no mínimo 2 cm, e quando necessário deve ser complementada com armadura devido à perda de seção resistente. Os limites estabelecidos encontram-se na tabela 6.

Tabela 6 Capa mínima resistente para as alturas totais padronizadas

Altura da laje (cm)

10

11

12

13

14

16

17

20

21

24

25

29

30

34

Espessura mínima da capa resistente

3

3

4

4

4

4

4

4

4

4

5

5

5

5

(cm)

4.4. REQUISITOS DA NBR 9062 (2006)

A NBR 9062 (2006) no item 5.2.1.4 diz que para peças pré-moldadas, a

análise deve ser efetuada considerando todas as fases que possam passar os

aos

elementos,

estados limites últimos e de utilização. Seguem as principais etapas que devem ser

suscetíveis

de

apresentarem

condições

desfavoráveis

quanto

verificadas:

de fabricação;

de manuseio;

de armazenamento;

de transporte;

de montagem;

36

de serviço (preliminar e final).

O item 6.3.1 diz que o cálculo deve levar em conta as tensões existentes na parte pré-moldada da peça antes do endurecimento do concreto aplicado na segunda etapa, as propriedades mecânicas do concreto pré-moldado e do concreto moldado posteriormente, a redistribuição de esforços decorrentes da retração e da fluência e a incidência dessas ações sobre o esforço de deslizamento das superfícies em contato. Os cobrimentos das armaduras devem seguir as prescrições da NBR 6118, podendo ser adotado o valor c = 5 mm.

37

5. ANÁLISE ESTRUTURAL DE LAJES UNIDIRECIONAIS

5.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Entende-se como solicitação qualquer esforço (momento fletor, força normal, força cortante), ou conjunto de esforços, decorrente de diversas ações, que possam atuar na estrutura. Todos os assuntos abordados neste capítulo seguem, na sua maioria, as prescrições da NBR 6118 (2003). Assuntos que seguirem outras normas farão referência às mesmas.

5.2. PRÉ-DIMENSIONAMENTO

O pré-dimensionamento deve ser feito devido à necessidade de se considerar o peso próprio da estrutura na obtenção dos esforços. A determinação das dimensões das lajes nervuradas pode ser feita pelos conhecimentos adquiridos pelo engenheiro de estruturas, com base na experiência profissional, ou seguindo recomendações indicadas em normas, devendo-se sempre respeitar as dimensões mínimas exigidas. Ainda podem ser montadas tabelas com estimativas de vãos máximos de acordo com a altura da laje e carregamento, facilitando e agilizando os trabalhos. A Norma Brasileira NBR 6118 (2003) não faz nenhuma recomendação com relação à estimativa da altura em função dos vãos efetivos das lajes nervuradas.

5.3. VÃOS EFETIVOS

Para o cálculo do momento fletor precisamos inicialmente identificar o vão efetivo, isto é, o comprimento l que será levado em consideração. Os vãos efetivos das lajes e vigas podem ser calculados seguindo a seguinte expressão:

(1)

l

ef

= l

0

+ a

1

+ a

2

38

onde l 0 é a distância entre os apoios, a 1 e a 2 devem ser o menor valor entre (0,3 . h)

ou (0,5 do valor de t 1 ou t 2 ), conforme figura 14.

(0,5 do valor de t 1 ou t 2 ), conforme figura 14. Figura 14 –

Figura 14 Vãos efetivos, (NBR 6118:2003).

5.4. CARGAS ATUANTES NAS LAJES

As cargas atuantes em lajes podem ser concentradas, lineares ou distribuídas, podendo estas, ainda ser divididas em ações permanentes e ações variáveis. Ainda existem ações excepcionais, porem dificilmente estas atuam em lajes.

5.4.1. Ações Permanentes (g)

As cargas que ocorrem praticamente durante toda a vida útil da construção são denominadas de ações permanentes. Estas ações podem ser divididas em diretas e indiretas. As ações permanentes diretas em lajes são constituídas do peso próprio da laje, isto é, do peso da vigota pré-moldada, elementos de enchimento e capa de concreto complementar, além das ações permanentes adicionais que são cargas decorrentes de alvenarias, revestimentos superiores e inferiores, ou outras que

39

serão parte integrante da carga da laje. O peso dos elementos que constituem estas cargas é definido pela NBR 6120. As ações permanentes indiretas são formadas por deformações devido à retração e fluência do concreto, deslocamentos de apoios e protensão.

5.4.2. Ações Variáveis (q)

As cargas que sofrem significativas variações durante a vida útil da construção são denominadas de ações variáveis. Estas ações podem ser divididas em diretas e indiretas. As ações variáveis diretas são as constituídas de cargas de diversos tipos, constituídas por móveis, pessoas, e objetos destinados ao pleno funcionamento do ambiente previsto no projeto arquitetônico. Também se encaixam aqui as ações do vento, e da chuva. Para simplificação do cálculo, estas cargas diversas são substituídas, salvo casos especiais, por cargas uniformemente distribuídas, que dão lugar a solicitações de mesma ordem de grandeza que as originadas pelas cargas reais. A NBR 6120 apresenta uma tabela com valores mínimos de sobrecargas para vários tipos de locais e ambientes. Esta norma também fornece pesos específicos de vários materiais de armazenagem, para o caso de estimação da carga para depósitos. As ações variáveis indiretas são constituídas pela ação da temperatura e também por ações dinâmicas.

5.5. AÇÕES DE CÁLCULO

As ações são quantificadas por seus valores representativos, que podem ser característicos, convencionais excepcionais e reduzidos. Os valores característicos (F k ) são definidos em função de suas variabilidades. Os valores específicos de ações variáveis são aqueles têm probabilidade 25% a 35% de serem ultrapassados no sentido desfavorável durante um período de 50 anos. Todos estes valores estão definidos em normas específicas, como a NBR 6120.

40

Os valores convencionais excepcionais são arbitrados para ações excepcionais e não podem ser normatizados, pois dependem de cada caso particular. Os valores reduzidos são definidos em função da combinação das ações para verificações de estados-limites últimos e de serviço. No primeiro caso a ação considerada é combinada com a principal, e reduz-se o valor admitindo uma probabilidade muito baixa de ocorrência simultânea de seus valores característicos. No segundo caso os valores reduzidos a partir dos valores característicos, por expressões que estimam valores frequentes e quase permanentes de uma ação que acompanha a ação principal. Os valores de cálculo (f d ) são obtidos a partir dos valores representativos, multiplicando-os por coeficientes de ponderação.

5.5.1. Coeficientes de ponderação

O coeficiente de ponderação é obtido pelo produto de três outros:

..

f

f1

f2

f3

onde:

γ f1 considera a variabilidade das ações;

(2)

γ f2 Considera a simultaneidade de atuação das ações;

γ f3 considera os possíveis erros de avaliação dos efeitos das ações, seja por

desvios gerados nas construções, seja por deficiência do método de cálculo empregado.

Os valores base para a verificação são os apresentados na tabela 7, para γ f1

e γ f3 , e na tabela 8 para γ f2 .

41

Tabela 7 Coeficientes γ f = γ f1 . γ f3

   

Ações

 

Combinações

Permanentes

   

Recalques de

de ações

(g)

Variáveis (q)

Protensão(p)

apoio e

retração

D

F

G

T

D

F

D

F

Normais

1,4

1,0

1,4

1,2

1,2

0,9

1,2

0

Especiais ou

               

de

0

construção

1,3

1,0

1,2

1,0

1,2

0,9

1,2

Excepcionais

1,2

1,0

1,0

0

1,2

0,9

0

0

D é desfavorável, F é favorável, G representa as cargas variáveis em geral e T é a temperatura.

Fonte: NBR 6118 (2003)

Tabela 8 Valores do coeficiente γ f2

 

Ações

 

γ

f2

 
 

ψ

0

ψ

1

ψ

2

Cargas

Locais em que não há predominância de pesos de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, nem de elevadas concentrações de pessoas

0,5

0,4

0,3

acidentais de

Locais em que há predominância de pesos de equipamentos que permanecem fixos por longos períodos de tempo, ou de elevadas concentrações de pessoas

     

edifícios

0,7

0,6

0,4

Biblioteca, arquivos, oficinas e garagens

0,8

0,7

0,6

Vento

Pressão dinâmica do vento nas estruturas em geral

0,6

0,3

0

Temperatura

Variações uniformes de temperatura em relação à média anual local

0,6

0,5

0,3

Fonte: NBR 6118 (2003)

As tabelas 7 e 8 podem ser modificadas em casos especiais, de acordo com a NBR 8681.

42

5.6. COMBINAÇÃO DAS AÇÕES

Um carregamento é definido pela combinação das ações que têm probabilidades não desprezíveis de atuarem simultaneamente sobre a estrutura durante um período pré-estabelecido. A combinação das ações deve ser feita de forma que possam ser determinados os efeitos mais desfavoráveis para a estrutura. O valor das ações permanentes, em todos os casos, deve ser tomado em sua totalidade e para as ações variáveis, devem ser tomadas apenas as parcelas que produzem efeitos desfavoráveis para a segurança.

5.6.1. Combinações últimas

Uma combinação última pode ser classificada como normal (relacionam-se aqui somente as referentes ao esgotamento da capacidade resistente para elementos de concreto armado), especial ou de construção e excepcional. Numa combinação normal devem estar incluídas as ações permanentes e a ação variável principal com seus valores característicos, as demais ações variáveis são caracterizadas como secundárias, e atuam com seus valores reduzidos de combinação, conforme a seguinte equação:

sendo:

F

d

=

g

.F

gk

+

sg

.F

sgk

+

q

.(F

q1k

+

0j

.F

qjk

) +

 

sq

.

0s

.F

sqk

(3)

F d valor de cálculo das ações para combinação última;

F gk representa as ações permanentes diretas

F εk representa as ações indiretas permanentes como retração F εgk e variáveis

como a temperatura F εqk ;

F qk valor representa as ações variáveis diretas, das quais F q1k é escolhida a

principal;

γ g, γ εg, γ q, γ εq expressos na tabela 8;

43

No caso de combinações especiais ou de construção vale a mesma combinações das normais, no qual os termos têm o mesmo significado. A diferença

é que ψ 0 pode ser substituído por ψ 2 quando a atuação da ação principal F q1k tiver

duração muito curta.

Nas combinações últimas excepcionais o ψ 0 também pode ser substituído por

ψ 2 quando a atuação da ação principal F q1exc tiver duração muito curta. Nesta

combinação enquadram-se, entre outros, sismos, incêndio e colapso progressivo.

5.6.2. Combinações de serviço

As combinações de serviço são classificadas como quase permanentes, frequentes e raras, de acordo com seu tempo de permanência na estrutura. Conforme a NBR 6118 (2003) as combinações devem ser feitas da seguinte

forma:

Combinações quase permanentes de serviço (CQP): todas as ações

variáveis são consideradas com seus valores quase permanentes ψ 2 F qk como

segue:

onde:

F

d,ser

= F

gik

+

2j

F

qj,k

F d,ser

= valor de cálculo das ações para combinações de serviço.

(4)

Combinações frequentes de serviço (CF): a ação variável principal F q1 é

tomada com seu valor frequente ψ 1 F q1k e todas as demais ações variáveis são

tomadas com seus valores quase permanentes ψ 2 F qk como segue:

F

d,ser

= F

gik

+F

1

q1,k

F

2j

qj,k

(5)

44

onde:

F q1,k

= valor característico das ações variáveis principais diretas.

Combinações raras de serviço (CR): a ação variável principal F q1 é

tomada com seu valor característico F q1k e todas as demais ações variáveis são

tomadas com seus valores frequentes ψ 1 F qk como segue:

F

d,ser

= F

gik

+ F

q1,k

F

1j

qj,k

5.7. OBTENÇÃO DOS ESFORÇOS

(6)

O modelo matemático para o cálculo da laje a ser adotado conforme Carvalho e Figueiredo F°(2009) é o de um conjunto de “vigas” paralelas que trabalham praticamente independentes, podendo ser adotada uma seção transversal em forma de “T”. Portanto, para a obtenção dos esforços, utiliza-se a analogia de grelha, onde a distância entre as barras é igual ao intereixo das nervuras. Como descrito anteriormente, sabe-se que a seção transversal resiste melhor ao momento fletor positivo, isto é, que tracionam as fibras inferiores, pois a área de concreto na mesa é bem maior do que na parte inferior da laje, ou seja, nas nervuras. Por isso em lajes contínuas nem sempre é possível que a peça resista ao momento fletor de cálculo. Mas neste caso há uma solução que consiste em substituir, próximo aos apoios em um trecho preestabelecido por cálculo, o material de enchimento por concreto moldado in loco, tornando este trecho em uma laje maciça. Também, pode ser utilizada a redistribuição dos momentos fletores, onde se supõe que um momento fletor em um apoio seja limitado a um determinado valor. A NBR 6118 (2003) não trata de redistribuição dos esforços de forma específica para lajes nervuradas, mas é possível utilizar as considerações de esforços referentes a estruturas lineares. O problema deste método é a impossibilidade de verificar de maneira segura o Estado-Limite de Deformação Excessiva. A norma espanhola EF-

45

96, permite uma redistribuição plástica dos momentos fletores correspondente a 15%, ou no máximo igualar os momentos positivos e negativos em cada tramo. Quando é difícil garantir o posicionamento correto das armaduras negativas em obras de pequeno porte é vantajoso considerar as lajes pré-moldadas simplesmente apoiadas. Caso contrário pode-se considerar lajes contínuas, porém deve-se ter um bom controle de execução.

46

6. DIMENSIONAMENTO DE LAJES UNIDIRECIONAIS

6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

As verificações dos estados limites últimos e de serviço devem ser atendidas para todos os elementos estruturais, segundo a NBR 6118 (2003). O Estado Limite Último de capacidade resistente das seções sob flexão e cisalhamento e o Estado Limite de Utilização para Deformação Excessiva são, em geral, determinantes no dimensionamento de lajes nervuradas pré-moldadas.

O Estado Limite Último (ELU) é o estado limite relacionado ao colapso, ou

qualquer outra forma de ruína estrutural, que determine a interrupção do uso da estrutura, enquanto que o Estado Limite de Deformação Excessiva (ELS-DEF) é o estado que as deformações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal.

6.2. CÁLCULO DA ARMADURA DE FLEXÃO

O dimensionamento é feito no estado-limite último de ruína, impondo que na

seção mais solicitada sejam alcançadas as deformações-limite específicas dos

materiais, ou seja, o estado-limite último pode ocorrer tanto pela ruptura do concreto comprimido quanto pela deformação excessiva da armadura tracionada.

O estudo das seções de concreto armado tem por objetivo comprovar que,

sob solicitações de cálculo, a peça não supera os estados-limites, supondo que o concreto e o aço tenham, como resistências reais, as resistências características minoradas. Os métodos apresentados aqui são referentes apenas para armaduras passivas.

6.2.1. Cálculo da largura colaborante

Como descrito anteriormente, a seção transversal adotada para o cálculo das lajes unidirecionais é em forma de “T”, portanto, é necessário calcular a largura b f

47

(mesa colaborante) da capa de concreto que contribui para resistir os esforços de compressão. Pelo fato das tensões de compressão na parte superior da viga (mesa) não ser uniforme e o procedimento de cálculo ser muito complexo, a NBR 6118 (2003) item 14.6.2.2 apresenta soluções simplificadas a favor da segurança, onde a largura colaborante b f (figura 15) será:

onde,

b

1

   0,5 b

2

0,10 a

b

f

b

b

 

w

w

b

0,10

2

1

a

A distância a pode ser estimada em função do comprimento do tramo considerado:

a = (viga simplesmente apoiada);

a = 0,75 . (tramo com momento em uma só extremidade);

a = 0,60 . (tramo com momento nas duas extremidades);

a = 2 . (viga em balanço).

bf b1 b2 bw h hf
bf
b1
b2
bw
h
hf

Figura 15 Largura da mesa colaborante

48

6.2.2. Processo de colapso de vigas sob tensões normais

Considerando uma viga de concreto armado sujeita a um momento fletor (M) crescente que varia de zero até um valor que leve o elemento ao colapso, passa por três níveis de deformação denominados estádios, os quais determinam o comportamento da peça até sua ruína. Na figura 16 estão representadas as deformações e tensões no aço e no concreto, assim como as resultantes dessas tensões.

e no concreto, assim como as resultantes dessas tensões. Figura 16 – Comportamento da seção transversal

Figura 16 Comportamento da seção transversal de uma viga de concreto armado (adaptada de MONTOYA, 1991 apud CARVALHO E FIGUEIREDO F°, 2009)

Seguem então caracterizados os três estádios de uma viga de concreto na flexão normal simples:

Estádio I (estado elástico) sob a ação de um momento fletor M I de pequena intensidade, a tensão de tração no concreto não ultrapassa sua resistência característica de tração (f tk ):

diagrama de tensão normal ao longo da seção é linear;

as tensões nas fibras mais comprimidas são proporcionais às deformações, correspondendo ao trecho linear do diagrama tensão- deformação do concreto;

não há fissuras visíveis.

49

Estádio II (estado de fissuração) com o aumento do momento fletor para M II > M r, as tensões de tração na maioria dos pontos abaixo da linha neutra (LN) terão valores superiores ao da resistência característica do concreto a tração (f tk ):

considera-se que apenas o aço passa a resistir aos esforços de tração;

admite-se que a tensão de compressão no concreto continua linear;

as fissuras de tração no concreto na flexão são visíveis.

Estádio III aumenta-se o momento fletor até um valor próximo ao de ruína

(M u ):

a fibra mais comprimida do concreto começa a escoar a partir da deformação específica de 0,2% (2,0), chegando a atingir, sem aumento de tensão , 0,35% (3,5‰);

diagrama de tensões tende a ficar vertical (uniforme), para deformações superiores a 2,0, ou seja, com quase todas as fibras trabalhando com sua tensão máxima;

a peça encontra-se bastante fissurada, com as fissuras se aproximando da linha neutra; supõe-se que a distribuição de tensões no concreto ocorra segundo um diagrama parábola-retângulo (figura 17).

Simplificadamente pode-se dizer que:

Estádio I e II: correspondem às situações de serviço; Estádio III: corresponde ao estado-limite último, que só ocorre em situações extremas. O dimensionamento nas estruturas de concreto armado é feito, geralmente, no estado-limite último (estádio III), pois seu principal objetivo é projetar estruturas que resistam aos esforços de forma econômica, sem chegar ao colapso. As situações de serviço são importantes, porém pode-se dizer que muitas vezes o próprio cálculo no estado-limite último e o bom detalhamento da armadura conduzem às verificações destas, que são feitas quando necessário.

50

Cabe destacar que no caso de lajes nervuradas pré-moldadas em muitos casos o limite de deformação excessiva passa a ser determinante no cálculo.

6.2.3. Hipóteses básicas

As hipóteses básicas para a análise dos esforços resistentes no estado-limite último das lajes pré-moldadas encontram-se no item 17.2.2 da NBR 6118 (2003), como segue:

a) As seções transversais se mantém planas após a deformação;

b) As tensões de tração do concreto, normais a seção transversal, são desprezadas obrigatoriamente na ELU;

c) Admite-se solidariedade perfeita entre a armadura e o concreto, fazendo com que a deformação da armadura, em tração ou compressão, seja igual à deformação específica do concreto adjacente;

d) O encurtamento máximo do concreto (ε cu ) para o estado-limite último é

de 3,5(3,5 x 10 -3 ) nas seções não inteiramente comprimidas (flexão);

e) O alongamento máximo para a armadura tracionada (ε su ) é de 10

(10,0 x 10 -3 ), para prevenir deformação plástica excessiva.

Admite-se que a distribuição das tensões no concreto ocorra segundo um diagrama parábola-retângulo, com tensão máxima de 0,85·f ck . É permitida a substituição do diagrama parábola retângulo por um retângulo de altura y, onde y é 80% de x (0,8· x), e x é a profundidade real da linha neutra (figura 17), onde temos

a seguinte tensão:

0,85 f

cd

0,85 f

ck

c

(7)

51

51 Figura 17 – Diagrama de tensões no concreto no estado-limite último (CARVALHO E FIGUEIREDO F°,

Figura 17 Diagrama de tensões no concreto no estado-limite último (CARVALHO E FIGUEIREDO F°, 2009).

A ruína da seção transversal fica caracterizada pela deformação específica de

cálculo do concreto (ε cu ), na fibra mais comprimida, e do aço (ε su ), próximas da

borda mais tracionada, em que uma delas ou ambas atinjam os valores últimos das deformações específicas dos materiais. Os diversos casos possíveis de distribuição das deformações do concreto e do aço na seção transversal definem os domínios de deformação, indicados na figura 18.

os domínios de deformação, indicados na figura 18. Figura 18 – Domínios de deformação no estado-limite

Figura 18 Domínios de deformação no estado-limite último de uma seção transversal (NBR

6118:2003).

52

Nas lajes nervuradas podem ocorrer somente os domínios 2, 3 e 4 e se caracterizam da seguinte forma:

Domínio 2: flexão simples ou composta

o estado-limite último caracteriza-se pela deformação ε su =10

(grandes deformações);

o concreto não alcança a ruptura (ε cu <3,5);

a reta de deformação gira em torno do ponto A.

Domínio 3: flexão simples (seção sub armada) ou composta

o estado-limite último caracteriza-se pela deformação ε cu =3,5

(deformação de ruptura do concreto);

a reta de deformação gira em torno do ponto B;

a ruptura do concreto ocorre simultaneamente ao escoamento da armadura;

a ruína ocorre com aviso (grandes deformações).

Domínio 4: flexão simples (seção superarmada) ou composta

o estado-limite último caracteriza-se pela deformação ε cu =3,5

(deformação de ruptura do concreto);

a reta de deformação gira em torno do ponto B;

a deformação da armadura é inferior a ε yd , ou seja, não atinge a tensão

de escoamento;

a ruína ocorre sem aviso por esmagamento do concreto.

O domínio ideal para um elemento de concreto armado é o domínio 3, pois os dois materiais atingem sua capacidade máxima e são aproveitados integralmente. Já o domínio 4 deve ser evitado, pois além de ser antieconômico, não há grandes deformações nem fissuração que sirvam de advertência antes da ruína da peça.

53

6.2.4. Cálculo da armadura longitudinal necessária

O cálculo da quantidade de armadura longitudinal é feito de maneira simples quando são conhecidos a resistência do concreto (f ck ), as dimensões da seção, a altura útil (d) e o tipo de aço (f yd ), a partir do equilíbrio das forças atuantes.

6.2.4.1. Equações de equilíbrio

A seção considerada em lajes pré-moldadas unidirecionais, como apresentado anteriormente, é em forma de T. Então, neste caso, podem ocorrer duas situações, onde a linha neutra se situa na mesa e onde a linha neutra se situa na alma. No primeiro caso, a seção considerada é retangular, com largura b f , e esta é a situação mais adequada para lajes comuns. O segundo caso pode ser utilizado no caso de lajes treliçadas, pois a resistência do concreto da capa é igual à resistência do concreto da alma, já que são concretados simultaneamente. As equações de equilíbrio de cada caso são apresentadas a seguir:

- 3,5‰ ec 2 3 eyd 10‰
- 3,5‰
ec
2
3
eyd
10‰

fc

fs

0,85fcd y x d z h Md
0,85fcd
y
x
d
z
h
Md

Figura 19 Diagramas de deformações e tensões na seção solicitada pelo momento de cálculo M d .

54

Caso 1: Linha neutra passando na mesa (seção retangular).

substituindo,

M

Md F   0 .Fc .Fc d   Fs 0,5  y 0 Md 0

0,850,85f

cd

f b   b y d y 0,5  As y f   Md 0 0

cd

f

f

yd

Caso 2: Linha neutra passando na alma.

(8)

(9)

(10)

(11)

yd Caso 2: Linha neutra passando na alma. (8) (9) (10) (11) Figura 20 – Seção

Figura 20 Seção T dividida em duas seções retangulares (CARVALHO E FIGUEIREDO F°,

2009).

F M   0 Md .Fc   Fc Fs   d 0   h Fc d   y Md 0

.

1

0,5

f

2

0,5

substituindo,

0,85f

cd

0,85f

cd

b b

w

h

f

f

b b h

f

w

f

 d 0,85 0,5f h b 0,85y As f f b   y 0 d 0,5y Md 0

cd

f

w

cd

yd

w

(12)

(13)

(14)

(15)

55

6.2.4.2. Posição da linha neutra

A posição da linha neutra é obtida isolando-se o y nas equações 11 e 15, dependendo do caso. As equações da linha neutra são as seguintes:

Caso 1:

y d   1

 

Caso 2:

 

Md

 

1
1

0,425

b

f

d

2

f

cd

 

d

2

2  

Md

 

   b

f

1

h

d

0,5

h

 

0,85 f

cd

b

w

b

w

f

 

f

y

d

6.2.4.3. Quantidade de área de aço

a) Armadura positiva

(16)

(17)

A área de aço é obtida isolando-se o A s nas equações 10 e 14, dependendo do caso. As equações resolvidas são as seguintes:

Caso 1:

f

cd

b

f

y

 

f

yd

0,85 f

cd

b

 

f

0,85

f

yd

As

Caso 2:

As

b

w

h b

f

w

 

(18)

y

(19)

56

b) Armadura negativa

Para achar a posição da linha neutra utiliza-se a equação 16, pois este trecho

é considerado como uma viga retangular, conforme figura X:

é considerado como uma viga retangular, conforme figura X: Figura 21 – Seção T com momento

Figura 21 Seção T com momento negativo

A equação para a obtenção da área de aço para um momento fletor negativo

é semelhante à equação 18, porém deve-se trocar b f por b w , como segue:

As

0,85 f

cd

b

w

y

f yd

6.2.4.4. Armadura mínima

(20)

Depois de calculada a área de aço da armadura de flexão, deve-se verificar se esta não se encontra abaixo das prescrições da NBR 6118 sobre armaduras mínimas. Para calcular a armadura mínima em lajes pré-moldadas pode-se utilizar a tabela 17.3 da NBR 6118 (2003), lembrando que esta se refere a aços CA-50. Pode- se também calcular a quantidade mínima de aço utilizando as expressões a seguir:

a) Momento positivo (mesa comprimida):

min

0,024

f

cd

f

yd

(21)

57

em que:

A s ,min

A

s

,min

= Armadura mínima de flexão;

min

A

c

(22)

A

c

= Área de concreto da alma acrescida da mesa.

b) Momento negativo (mesa tracionada):

min

0,031

A

s

,min

min

f

cd

f

yd

A

c

(23)

6.3. DIMENSIONAMENTO EM RELAÇÃO AO CISALHAMENTO

A NBR 6118 (2003) permite que, se o espaçamento entre eixos das nervuras não ultrapassar 65 cm ou quando este espaçamento for maior que 65 cm e menor que 90 e a largura das nervuras não ultrapassar 12 cm, considerar os critérios de lajes para verificar o cisalhamento na região das nervuras. Nas lajes pré-moldadas o emprego de armadura de cisalhamento é muito incomum, isso porque as vigotas geralmente apresentam pequena altura, dificultando a execução. De acordo com o item 19.4.1 da NBR 6118 (2003), as lajes podem prescindir de armadura de cisalhamento desde que a força cortante solicitante de cálculo (V Sd ) for menor ou igual à resistência de projeto ao cisalhamento (V Rd1 ), ou seja:

em que:

Rd

f

ctk

,inf

0,25

f

ctd

0,7 f

ct m

,

V Sd ≤ V Rd1 =

0,25 f

ctk ,inf

;

c

;

Rd

k

1,2

40

1

b

w

d

(24)

58

f ct m

,

0,3

f

ck 2 3

( f

ct m

,

e f

ck

k = (1,6- d) 1;

expressos em MPa);

1

A

s

1

b d

w

0,02;

d é a altura útil das nervuras;

A s1

, nas lajes com vigotas pré-moldadas, pode ser tomada como a armadura

longitudinal total de todas as nervuras existentes no trecho considerado;

b

w é a soma das larguras das nervuras no trecho considerado;

A verificação da compressão diagonal do concreto em elementos sem armadura de cisalhamento é feita comparando a força cortante solicitante de cálculo (V Sd ) com a resistência de cálculo (V Rd2 ), representada por:

sendo:

v1

f cd

=

=

V Rd2 =

0,5

v 1

f

cd

b

w

0,9

d

(0,7

f

ck

/ 200) 0,5

(

f

ck

em MPa);

f ck

 d (0,7  f ck / 200)  0,5 ( f ck em MPa); f

1,4

é a resistência de cálculo do concreto.

(25)

A instrução espanhola EF-96 permite que as diagonais de vigotas treliçadas colaborem na resistência ao esforço cortante, desde que a barra superior estiver localizada a menos de 4 cm da face superior da laje. Para determinar qual a área de aço necessária das diagonais, a NBR 6118 (2003) item 17.4.2 prescreve dois modelos de cálculo, o Modelo I e o Modelo II. Será aqui apresentado somente o Modelo I, como segue:

V Sd ≤ V Rd3 = V c + V sw

onde:

V sw = A

sw

V c = V c0 =

s 0,9 0,6 f ctd
s 0,9
0,6 f
ctd

d f ( sencos)

ywd

b

w

d

(26)

59

f ywd

= 250 MPa para lajes com espessura até 15 cm e 435 MPa para lajes com

espessura maior que 35 cm; para lajes entre estes valores é permitida a interpolação linear;

 f  f ctd ctk ,inf c ;  0,7  f f ctk
 f
f ctd
ctk
,inf
c
;
 0,7  f
f ctk
,inf
ct m
,
;
0,3
 f
( f
f ct m
,
ck 2 3
ct m
,

onde:

e

f

ck

expressos em MPa);

b w largura da alma da seção transversal da vigota;

d

altura útil da seção transversal da peça;

A

sw área da seção transversal dos estribos;

s

espaçamento entre elementos de armadura transversal;

f ywd é a tensão na armadura transversal passiva; α é a inclinação da armadura de cisalhamento em relação ao eixo longitudinal

da vigota, podendo-se tomar o valor de 45º ≤ α ≤ 90º, dependendo do tipo de treliça empregada.

6.4. NERVURAS DE TRAVAMENTO

A NBR 6118 (1980) estabelecia que nas lajes nervuradas unidirecionais, eram necessárias nervuras transversais sempre que houvesse cargas concentradas para distribuir ou quando o vão teórico fosse superior a 4 metros, e exigia duas nervuras, no mínimo, se esse vão ultrapassasse 6 metros. A NBR 6118 (2003) não faz nenhuma menção à utilização de nervuras transversais. Com a introdução de nervuras transversais tem-se um aumento de rigidez do sistema, e Droppa Jr. (1999) completa que no caso de cargas concentradas (parede de alvenaria), as nervuras desempenham um papel fundamental que é reduzir os deslocamentos relativos entre as nervuras vizinhas com carregamentos diferentes. Portanto a utilização, ou não, da nervura de travamento fica a critério do projetista, mas é importante ressaltar que estas nervuras somente são executáveis em vigotas treliçadas, pois estas permitem a passagem da armadura.

60

6.5. VERIFICAÇÃO DO ESTADO-LIMITE DE DEFORMAÇÃO EXCESSIVA

De acordo com a NBR 6118 (2003), o estado-limite de deformações excessivas é o estado em que as deformações atingem os limites estabelecidos para a utilização normal de construção, expressos abaixo.

aceitabilidade sensorial: o limite é caracterizado por vibrações indesejáveis ou efeito visual desagradável. efeitos específicos: os deslocamentos podem impedir a utilização adequada da construção; efeitos em elementos não estruturais: deslocamentos estruturais podem ocasionar o mau funcionamento de elementos que, apesar de não fazerem parte da estrutura, estão a ela ligados; efeitos em elementos estruturais: os deslocamentos podem afetar o comportamento do elemento estrutural, provocando afastamento em relação às hipóteses de cálculo adotadas. Se os deslocamentos forem relevantes para o elemento considerado, seus efeitos sobre as tensões ou sobre a estabilidade da estrutura devem ser considerados, incorporando-as ao modelo estrutural adotado. Para a verificação do estado-limite de deformações excessivas, devem ser analisadas, além das combinações de ações a ser empregadas, as características geométricas das seções, os efeitos de fissuração e fluência do concreto e as flechas limite.

6.5.1. Deslocamento-limite

Conforme o item 13.3 da NBR 6118 (2003), Deslocamentos limites são valores práticos utilizados para verificação em serviço do estado-limite de deformações excessivas da estrutura. Na NBR 6118 (2003), os deslocamentos limites estão descritos na tabela 13.2, e variam de acordo com o tipo de efeito e a razão da limitação. A Norma permite ainda que a flecha pode ser compensada com uma contraflecha, porém esta não pode ocasionar um desvio do plano maior que l / 350.

61

Para atender aos limites prescritos, deve-se considerar para o cálculo de deslocamentos o menor vão, e no caso de lajes em balanço, o vão equivalente a ser considerado deve ser o dobro do comprimento do balanço.

6.5.2. Cálculo de deslocamento

Nas estruturas de concreto armado o cálculo da flecha é complexo devido à existência da armadura que provoca características de não homogeneidade do material, e da possibilidade do concreto abaixo da linha neutra fissurar, mesmo sob ações de serviço, diminuindo a rigidez das seções nesta região. Além da não linearidade proveniente da fissuração, há também a não linearidade provocada pela Fluência do concreto, portanto, carregando-se de maneira constante uma peça de concreto armado, esta sofre uma deformação imediata e, com o passar do tempo há um aumento deste deslocamento, causado pela fluência.

6.5.2.1. Características geométricas de seções (Estádios I e II)

Inicialmente determinam-se as características geométricas da seção no estádio I, considerando que o aço e o concreto trabalham solidariamente. Assim, o centro de rotação e a rigidez da seção dependem do posicionamento da armadura, então, neste caso, deve ser feita a homogeneização da seção, que consiste em considerar no lugar de A s , uma área de concreto equivalente. Nesta situação, vale a lei de Hooke, onde se supõe que há linearidade entre tensão e deformação e, devido às deformações do aço e do concreto serem iguais por causa da aderência, tem-se:

R

s

A A E A E

s

s

s

s

s

s

c

sendo,

R

A

E

s

s

s

= força;

= área da armadura;

= módulo de deformação longitudinal do aço;

s

(27)

62

A área de aço deve ser substituída por uma área de concreto equivalente, ou

seja:

R

A E

 

s

c eq

,

c

c

(28)

Obtém-se a área de concreto equivalente igualando a equação de

resultando na seguinte equação:

A

c , eq

A

s

E

s

E

c

R

s

,

(29)

Chamando de

e

a relação entre os módulos de deformação longitudinal do

aço e do concreto

E E

e

s

longitudinal do aço e do concreto    E E e s c  ,

c

, a área equivalente é expressa por:

A c , eq

A

s

e

(30)

Ao calcular uma laje nervurada pré-moldada, a princípio não se conhecem as dimensões da peça nem a área de aço, dessa forma, arbitram-se inicialmente as dimensões. Então, para a determinação das características da seção, é usual e permitido pela NBR 6118 (2003), considerar as seções compostas somente por concreto, desconsiderando a presença da armadura. Neste caso, as equações para uma seção “T” (figura 22) estão na tabela 09.

para uma seção “T” (figura 22) estão na tabela 09. Figura 22 – Seção transversal em

Figura 22 – Seção transversal em forma de “T” (CARVALHO E FIGUEIREDO F°, 2009).

63

Tabela 9 – Características geométricas da seção “T”, no estádio I, sem considerar a presença de armadura.

   

Equação

   

Área (seção

geométrica)

 

A

g

b

f

b

w

h

f

b

w

h

 

(31)

Centro de

 

b

f

b

w

h

f

2

2

b

w

h

2

2

(32)

gravidade

 

y

 

   

cg

 

A

g

Momento de

I

b

f

b

w

h

f

3

b

w

h

3

b

 

b

h

y

cg

h

f

2

 

inércia a

 

g

 

12

 

12

f

w

 

f

2

 

(33)

flexão

b

h

y

 

h

 

2

 

w

cg

2

Quando a área transversal da armadura é conhecida, pode-se trabalhar com a seção composta por aço e concreto usando o processo de homogeneização, conforme fórmulas da tabela 10:

Tabela 10 - Características geométricas da seção “T”, no estádio I, com armadura longitudinal A s .