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Foto: Divulgação / Abimaq – SP

Foto: Divulgação / Abimaq – SP ENTREVISTA Luiz Aubert Neto é um grito de alerta: o

ENTREVISTA

Luiz Aubert Neto

é um grito de alerta: o Brasil está sob o sério risco de viver um processo

de desindustrialização, minando as possibilidades de desenvolvimento e crescimento e voltando a ter uma rela- ção de colônia com o resto do mundo. A mensagem tem sido repetida pelo presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), Luiz Aubert Neto, que tem uma longa atuação na Abimaq (onde exerceu diversos cargos e foi vice-presidente nas duas últimas ges- tões) e está há mais de 25 anos no se- tor. Engenheiro mecânico de produção, graduado pela Faculdade de Engenha- ria Industrial – FEI e pós-graduado em Administração Financeira e Contábil pela CEAG/FGV, é diretor da Aubert Engrenagens, empresa criada em 1950 por seu avô.

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Presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)

Esta experiência acumulada o fez colo- car a entidade em estado de atenção diante do avanço da China no mercado de bens de produção mecânico brasi- leiro. De forma inédita, a Abimaq entrou com cinco salvaguardas contra o país asiático no Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério de De- senvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), e já prepara outras 17. “Foi uma forma de dizer que não dá mais para suportar esta situação. Como o Brasil não tem nenhuma política de proteção industrial tivemos de fazer a nossa parte”. Para falar sobre este alerta, Aubert re- cebeu a Revista da SBCC. Acompanhe.

alerta, Aubert re- cebeu a Revista da SBCC . Acompanhe. Revista da SBCC: A ABIMAQ tem

Revista da SBCC: A ABIMAQ tem

Luciana Fleury

alertado as instâncias públicas sobre o perigo da desindustrialização brasileira. Que dados indicam que o Brasil corre este risco? Luiz Aubert Neto: Basta olhar para nossa pauta de exportações e de im- portações. O Brasil é o maior produtor de café do mundo, mas é a Alemanha quem mais vende café industrializado; somos um dos maiores produtores de algodão e vendemos a maior parte para a China, para depois comprarmos de volta, em forma de camisas. Nossa produtividade em celulose é três vezes maior do que do principal concorrente, porém exportamos 93% da produção

e, assim, 50% do papel consumido no

Brasil é importado. Isso acontece com

a soja, com o minério de ferro e com

tantas outras commodities. Estamos

entregando nossas riquezas para o

mundo e fazendo com que o Brasil se torne novamente colônia, desta vez uma colônia chinesa. No caso da in-

dústria de bens de capital mecânicos,

o total de máquinas importadas vem há

muito superando o de máquinas expor- tadas. Ano passado o déficit do setor foi de US$ 15 bilhões.

Vendem-se milhares de carros, mas os setores de fundição e ferramentaria estão morrendo no Brasil

de fundição e ferramentaria estão morrendo no Brasil Revista da SBCC: Mas a importação de máquinas

Revista da SBCC: Mas a importação de máquinas não indica aquecimento

portados. Isso mata uma indústria que

 
Revista da SBCC: Mas a importação de máquinas não indica aquecimento portados. Isso mata uma indústria

do setor industrial?

de

carros, mas os setores de fundição

Luiz Aubert Neto: Sim, a indústria

e

de ferramentaria estão morrendo.

automobilística continua indo bem, a indústria de bebidas também, e assim por diante, mas com equipamentos im-

agrega valor, que é a que desenvolve

Fala-se em geração de emprego, mas é preciso avaliar que tipo de emprego, está sendo gerado. O salário médio no nosso segmento é de R$ 2.800,00 sem encargos, com trabalhadores com, no

a

engenharia, tecnologia e acaba com

mínimo, nove anos de estudo.

toda sua cadeia. Vende-se milhares

Procure um país forte em máquinas

Vende-se milhares Procure um país forte em máquinas e equipamentos que seja pobre. Não existe país

e equipamentos que seja pobre. Não

existe país desenvolvido sem um setor

de máquinas forte. E com a globali- zação, não importa onde a empresa esteja produzindo, o que importa é o mercado. Existem poucos mercados com potencial de crescimento, e o Bra- sil é um deles. Porém, estamos sendo atacados pela Alemanha, pela Itália e, principalmente, pela China que pegam nosso mercado. Estrategicamente isso

é péssimo. Virar um país exportador de

commodities é péssimo, pois a conta não fecha. Vamos continuar comprando bens de maior valor, importando peças de carro. Isso não gera emprego nem desenvolvimento, nem nada de bom.

Revista da SBCC: Isto traz, então, im- pactos para o setor de inovação.

emprego nem desenvolvimento, nem nada de bom. Revista da SBCC: Isto traz, então, im- pactos para
ENTREVISTA Luiz Aubert Neto: Claro. A palavra má- gica de qualquer setor de máquinas e

ENTREVISTA

Luiz Aubert Neto: Claro. A palavra má-

gica de qualquer setor de máquinas e

equipamentos é inovação tecnológica.

É isso que dá perenidade nesta indús-

tria. A Alemanha é a maior fabricante

de máquinas e equipamentos do mun-

do porque investe bilhões em inovação

tecnológica. Se não há demanda, se

tudo vem de fora, pesquisa e desen-

volvimento acabam e ficamos sempre

dependentes de soluções e perdendo

conhecimento, formação, valorização

da mão de obra. Uma coisa puxa a

outra.

Ninguém duvida da qualidade de um

carro alemão e de toda a tecnologia

acoplada. Já um carro chinês deixa

dúvidas. Mas é só questão de tempo.

O Japão passou por isso há 30 anos,

mas ganhou mercado, investiu e hoje

CACR Engenharia e Instalações Ltda. Av. dos Imarés, 949 • Indianópolis 04085-002 • São Paulo
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a Toyota é a maior do mundo. O Brasil

poderia ir por este caminho, mas não

está indo. Para desenvolver indústria é

preciso inovar e para inovar é preciso

incentivar o investimento e não tributá-

lo. Pois para quem tem o recurso finan-

ceiro, é melhor aplicar do que correr os

riscos inerentes ao processo de inova-

ção, que pode ou não dar certo, e que

tem um tempo longo para ocorrer.

Revista da SBCC: Quais as ações

precisariam ser tomadas para se evitar

este processo?

Luiz Aubert Neto: Não é preciso inven-

tar nada. Só manter o chamado tripé

mágico do desenvolvimento: o primeiro

apoio é ter um câmbio justo, o segundo

é desonerar o investimento e o terceiro

é ter linhas de financiamento a longo

prazo com juros civilizados. Mas o que

faz o Brasil? Nós temos o câmbio mais

valorizado do mundo; a maior carga

tributária do mundo, inclusive somos o

único país que tributa quem investe; e

ainda temos a maior taxa de juros do

mundo. Com isso, não vamos sair do

lugar. Estamos entregando nosso mer-

cado de bandeja para nossos concor-

rentes. E esse não é um pedido para

beneficiar os fabricantes de máquinas.

Este é um pedido para o País como um

todo, para todos os setores.

Revista da SBCC: E as reivindicações

específicas para o setor, como elas es-

tão sendo trabalhadas?

Luiz Aubert Neto: Estamos participan-

do de vários debates e temos várias

conquistas, como a isenção de IPI que

já é realidade para 95% do setor. PIS e

COFINS, que pagávamos 48,5%, já es-

tão em 12%. Estamos acompanhando a

questão da desoneração da Folha, com

muita expectativa de que seja aprova-

da. Ela irá acabar com os 20% da con-

tribuição patronal em troca de aumento

de 1% na PIS e COFINS. Em termos

de arrecadação é trocar seis por meia

dúzia, como se diz. Mas é positivo, pois

faz com que a empresa não “exporte”

mais este custo. Como não há cobran-

ça de PIS e COFINS na exportação, a

venda para o exterior fica favorecida. E

também estimula a contratação formal

e traz equilíbrio para o mercado, pois se

uma empresa paga de maneira formal e

outra não, gera uma concorrência des-

leal. Também acredito que haverá um

fim na guerra fiscal entre os estados.

Revista da SBCC: A entidade apresen-

tou ações de salvaguarda transitória

contra a China. O que motivou isso e

que desdobramento é esperado?

Luiz Aubert Neto: Já entramos com

salvaguardas para chave de fenda,

válvulas tipo borboleta, correntes,

caminhão-guindaste e bombas, produ-

tos para os quais a situação está mais

aguda e está claro o prejuízo para o

mercado local. Mas temos mais 17

processos em andamento. É um grito

de alerta, é para dizer que não dá mais

para suportar esta situação. Sabemos

que apresentar e dar sustentação a

salvaguardas dá trabalho, foi preciso

contratar gente para fazer e estamos

trabalhando muito intensamente. Mas a

Abimaq tem obrigação moral de fazer

isso. Não dá para aceitar máquina chi-

nesa chegando aqui a seis, sete dólares

por quilo, entrando assim livremente.

Também estamos atacando pelo lado

técnico: as máquinas brasileiras pre-

cisam seguir normas de segurança,

como, por exemplo, possuir sensores

de segurança para proteger o operador.

Agora quem exige isso do vendedor

chinês? O comprador precisa escolher

entre uma máquina brasileira que custa

100 e segue todas as recomendações

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e boas práticas de fabricação e uma

chinesa que custa 10. Mesmo em uma eventual fiscalização e aplicação de

multa ainda vai sair mais barato. O que eu espero é que tenhamos uma respos-

ta favorável e que estes produtos sejam

proibidos de entrar no Brasil.

Revista da SBCC: As indústrias têm se mostrado cada vez mais preocupadas em ações voltadas para a preservação do meio ambiente. Como a ABIMAQ se posiciona diante disso? Luiz Aubert Neto: Somos defensores de que a sustentabilidade é um grande diferencial competitivo e fomentamos

a área ambiental brasileira do setor in- dustrial de máquinas e equipamentos. Em 2009 lançamos o Projeto Carbono Zero, com o intuito de promover um

O tripé mágico do desenvolvimento é formado por câmbio justo, desoneração do investimento e linhas de financiamento com juros competitivos

e linhas de financiamento com juros competitivos novo modelo de gestão a ser adotado pelas empresas

novo modelo de gestão a ser adotado pelas empresas associadas e favorecer a diminuição de emissão de carbono. Como representante das empresas associadas, a ABIMAQ firmou, por

representante das empresas associadas, a ABIMAQ firmou, por meio deste projeto, o compromisso de responsabilidade

meio deste projeto, o compromisso de responsabilidade ambiental, reconhe- cendo que o meio ambiente deve ser alvo contínuo de intervenções e ações em prol da sua conservação.

Revista da SBCC: Qual a expectativa do senhor com relação ao Governo da presidente Dilma Rousseff? Luiz Aubert Neto: Eu estou acendendo

cinco velas por dia para ela ser ilumina- da e tomar as melhores decisões. Co- ragem, sabemos que ela tem. Basta ver

o histórico dela, de quem lutou contra a

ditadura e até lutou contra uma doença

e se recuperou. Não falta coragem, é

só colocar estas questões em prática. E

ela tem capital político para isso, pois é

primeiro presidente do Brasil que tem maioria no Congresso e no Senado.

o

E ela tem capital político para isso, pois é primeiro presidente do Brasil que tem maioria
E ela tem capital político para isso, pois é primeiro presidente do Brasil que tem maioria