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APRESENTAÇÃO

“O uso da energia e sua sustentabilidade, tem sido a grande preocupação do homem no último século. Racionamentos e apagões tem sido a rotina de muitos povos ao longo dos últimos anos. Para isso, é de suma importância o desenvolvimento e aplicação de alternativas para uso sustentável dessa fonte imprescindível á sobrevivência da vida humana. O objetivo dessa disciplina é apresentar de que forma o uso da energia pode ser maximizado nos projetos elétricos para edificações prediais e industriais. Nós, como profissionais da área de eletrônica, podemos e devemos trabalhar na elaboração de projetos para tornar o uso da energia mais racional através da pesquisa e aplicação dos nossos conhecimentos”.

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Sumário

1. Noções de Eletricidade

6

1.1 Energia e Energia Elétrica

6

1.2 Tensão e Corrente Elétrica

7

1.3 Resistência Elétrica – Lei de Ohm

8

1.4 Potência e Energia Elétrica

8

1.5 Aparelhos de Testes

9

1.6 Aparelhos de Medição

10

1.7 Corrente Alternada

12

1.8 Potência em Corrente Alternada (CA)

12

1.9 O Fator de Potência

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2. Os Circuitos Elétricos Residenciais e Diagramas de Ligações

15

2.1 Tipos de Instalações Elétricas

15

2.2 Símbolos e Convenções

17

2.3 Dimensionamento de Carga

17

2.4 Divisão de Circuitos e Seção Mínima dos Condutores

18

2.5 Interruptores e Tomadas

20

2.5.1

Número de Tomadas por Cômodo

20

2.6 Esquemas de Ligações

21

2.7 “Three Way” (paralelo) e “Four Way” (intermediário)

21

2.8 Cálculo de Corrente

22

2.9 Outros Circuitos

23

3. Dimensionamento de Condutores

23

3.1 Tipos de Condutores

23

3.2 Maneiras de Instalar

25

3.3 Cálculo dos Condutores

27

3.3.1 Limite de Condução de Corrente

27

3.3.2 Limite de Queda de Tensão

30

3.4 Exemplos de Cálculos de Condutores

33

4. Proteção dos Circuitos Elétricos

34

4.1 Elementos Básicos

34

4.1.1 O Neutro

35

4.1.2 O Aterramento

35

4.1.3 Distúrbios nas Instalações Elétricas

36

4.1.4 Fugas de Corrente – Perdas – Sobrecarga

36

4.1.5 Curto – Circuito

37

4.2 Equipamento de Proteção

37

4.2.1

Dimensionamento da Proteção

39

4.3 Dispositivo Diferencial Residual

40

4.3.1 Contato Direto

40

4.3.2 Contato Indireto

40

4.3.3 Fuga de Corrente

40

5. Projeto das Instalações

42

5.1 Importância do Projeto

42

5.2 O Traçado do Diagrama – Convenções

43

5.3 Exemplo de Projeto

43

5.4 Circuitos Especiais

51

4

6. Execução das Instalações Residenciais

6.1 Instalações em Linhas Aéreas

6.2 Instalações em Eletrodutos

6.3 Algumas Observações Importantes sobre Instalações Elétricas

7. Segurança

7.1 Prevenção

7.2 Tensão de Contato

7.2.1 Choque Elétrico

7.3 Isolação e Classes de Proteção

7.3.1 Condutores de Proteção

7.4 Situações nas quais as Pessoas possam estar Imersas

8. Conservação de Energia Elétrica na Residência

8.1 Medidas de Conservação de Energia Elétrica na Residência

8.2 Iluminação

8.3 Recomendações Úteis para Utilização Adequada das Lâmpadas

8.4 Geladeira ou Freezer

8.5 Aquecimento de Água

8.6 Televisor

8.7 Ferro Elétrico

8.8 Condicionador de Ar

8.9 Máquina de Lavar Louça

8.10 Máquina de Lavar Roupa

8.11 Secadora de Roupa

8.12 Horário de Ponta ou Pico

8.13 Leitura e Controle do Consumo de Eletricidade

8.14 Dicas de Segurança

Bibliografia

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1. Noções de Eletricidade

1.1 Energia e Energia Elétrica

Energia é a capacidade de produzir trabalho e apresenta-se sob várias formas.

Energia Térmica;

Energia Mecânica;

Energia Elétrica;

Energia Química;

Energia Atômica, etc.

Uma das mais importantes características da energia é a possibilidade de sua transformação de uma forma para outra. Por exemplo, a energia térmica pode ser convertida em energia mecânica (motores de explosão), energia química em energia elétrica (pilhas) etc. Entretanto na maioria das formas em que a energia se apresenta, ela não pode ser transportada, ela tem que ser utilizada no mesmo local em que é produzida.

Energia Elétrica

A energia elétrica é uma forma de energia que pode ser transportada com facilidade. Para chegar à sua casa,

às ruas, ao seu trabalho, ela percorre um longo caminho desde a usina. A energia elétrica passa pelas seguintes fases:

Geração: A energia elétrica é produzida a partir da energia mecânica de rotação de um eixo de uma turbina que movimenta um gerador. Esta rotação é causada por diferentes fontes primárias, como a força de água

que cai (hidráulica), a força do vapor (térmica) que pode ter origem na queima do carvão, óleo combustível ou, ainda, na fissão do urânio (nuclear).

A CEMIG valendo-se das características do Estado de Minas-Gerais onde são inúmeras as quedas d’água

tem, na força hidráulica, a sua fonte de energia primária. Portanto, as nossas usinas são hidroelétricas.

Transmissão: As usinas hidroelétricas nem sempre se situam próximas aos centros consumidores. Por isto é preciso transportar a energia elétrica produzida nas usinas até os locais de consumo: cidades, indústrias e fazendas. Para realizar este transporte é que são construídas as subestações e as linhas de transmissão.

Distribuição: Nos centros consumidores, são construídas as subestações transformadoras. Sua função é baixar a tensão do nível de transmissão (muito alto) para o nível de distribuição. A rede de distribuição recebe

a energia em um nível de tensão adequado à sua distribuição por toda a cidade, porém inadequada para sua

utilização imediata. Assim, os transformadores instalados nos postes das cidades fornecem a energia elétrica diretamente para as residências, para o comércio e outros locais de consumo no nível de tensão adequado a utilização.

de consumo no nível de tensão adequado a utilização. A energia gerada através da força da

A energia gerada através da força da água nas turbinas é levada para as subestações e distribuída através de linhas de transmissão, composta de torres, postes e cabos de cobre e alumínio até as residências.

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1.2 Tensão e Corrente Elétrica

Chamamos de elétrons as partículas invisíveis existentes nos fios, que estão em constante movimento desordenado. Para que estes elétrons se movimentem de forma ordenada nos fios é necessário ter uma força que os empurre. A esta força chamamos de tensão elétrica (U).

os empurre. A esta força chamamos de tensão elétrica (U). Este movimento ordenado de elétrons, provocado

Este movimento ordenado de elétrons, provocado pela tensão, forma então uma corrente de elétrons. A esta corrente de elétrons chamamos de corrente elétrica (I).

corrente de elétrons chamamos de corrente elétrica (I). Para fazermos idéia do comportamento da corrente elétrica,

Para fazermos idéia do comportamento da corrente elétrica, podemos compará-la com uma instalação hidráulica. A pressão que a água faz depende da altura da caixa. A quantidade de água que flui pelo cano vai depender desta pressão, da grossura do cano, e da abertura da torneira.

De maneira semelhante, no caso da energia elétrica, temos: A pressão da energia elétrica é chamada tensão

e sua unidade é o Volt (V): a corrente elétrica que circula pelo circuito e que depende da tensão e da

resistência, tem como unidade o Ampére (A): e a resistência que o circuito oferece à passagem da corrente

é medida em Ohms ( ).

A energia elétrica é transportada sob a forma de uma corrente elétrica e esta se apresenta sob duas formas:

CORRENTE CONTÍNUA – CC CORRENTE ALTERNADA – CA

A corrente contínua é aquela que mantém sempre a mesma polaridade, fornecendo uma tensão constante,

como é o caso das pilhas e baterias. Temos um pólo positivo e um negativo. A corrente alternada tem a sua polaridade invertida certo número de vezes por segundo. Ao número de variações que a corrente faz por segundo dá-se o nome de freqüência e a sua unidade é Hertz (Hz).

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Um Hertz corresponde a um ciclo completo de variação da corrente, daí ser comum falar em “ciclo por segundo” ao invés de Hz. Dependendo do tipo de trabalho que temos de executar, podemos necessitar de corrente continua (CC) ou corrente alternada (CA). A maioria dos equipamentos elétricos funciona em corrente alternada (CA), como os motores de indução, os eletrodomésticos, iluminação, etc. A corrente continua (CC) é pouco utilizada. Como exemplo, temos: sistema de segurança, equipamentos que funcionam com pilhas ou baterias, motores de corrente continua, etc.

com pilhas ou baterias, motores de corrente continua, etc. Corrente alternada 1.3 Resistência Elétrica – Lei

Corrente alternada

1.3 Resistência Elétrica – Lei de Ohm

Corrente alternada 1.3 Resistência Elétrica – Lei de Ohm Corrente contínua Chamamos de resistência elétrica a

Corrente contínua

Chamamos de resistência elétrica a oposição que o circuito oferece à circulação da corrente elétrica. Lei de Ohm

Assim chamada devido ao físico que a

de 1V, cuja resistência seja de 1 , a corrente que c Assim:

descobriu, estabelece que: Se aplicarmos a um circuito, uma tensão

I =

U

R

irculará pelo mesmo será de 1A.

desta relação podemos tirar outras como:

1.4

U = R x I e R =

U

I

Potência e Energia Elétrica

Potência Elétrica (P): é calculada através da multiplicação da tensão pela corrente elétrica de um circuito. Deste modo, uma lâmpada ao ser percorrida por uma corrente elétrica se acende e se aquece. A luz e o calor produzido nada mais são do que o resultado da potência elétrica que foi transformada em potência luminosa (luz) e potência térmica (calor). Então: P = U x I

 

U

Como U = R x I e R =

, podemos calcular a potência P dos seguintes modos:

 

I

P = (R x I) x I P = R x I 2 e P = U x

U R
U
R

P = U 2 / R

Energia Elétrica (E): é a potência vezes o tempo de utilização (em horas, por exemplo). E = U x I x h ou E = P x h

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Quando se tratar de circuito alimentado por corrente continua ou de circuito composto somente de resistência, alimentado por corrente alternada, a potência encontrada é medida em Watts (W). Sendo que 1W equivale a 1V x 1A. Outras unidades de potência, também muito usadas, são o HP (Horse Power) que equivale a 746W e o cv (Cavalo Vapor) que equivale a 735,5W. A unidade de energia elétrica é o Wh (Watt – hora). Todas as unidades citadas até o momento, possuem múltiplos e submúltiplos. Todas as unidades de medidas elétricas possuem múltiplos de submúltiplos, que já foram estudados em eletricidade I.

1.5 Aparelhos de Testes

Antes de falarmos sobre os aparelhos que medem as grandezas elétricas vejamos alguns instrumentos simples, que nos ajudam a verificar defeitos em instalações elétricas assim como nos auxiliam a identificar o fio fase (tais aparelhos não medem os valores das grandezas elétricas, mas simplesmente testam a existência ou não das mesmas).

Teste da Lâmpada

Para identificarmos os fios fase e neutro de uma instalação elétrica, podemos fazê-lo através de uma lâmpada incandescente de 220 volts. Um dos seus terminais é posto em contato com um dos fios e o outro terminal é posto em contato com um condutor devidamente aterrado (uma haste de terra cravada no chão). Se a lâmpada acender significa que o fio utilizado é o fio fase. Caso contrário, se a lâmpada permanecer apagada, significa que o fio utilizado é o neutro. Importante: a lâmpada incandescente utilizada tem que ser para a tensão de 220V, pois pode ser que os dois fios sejam fase-fase (220V) ou que o transformador que alimenta a instalação elétrica seja de 220V entre fase e neutro. Daí, se a lâmpada for de 127V, ela poderá estourar no teste, provocando um acidente com o eletricista.

Lâmpada néon

Trata-se de uma lâmpada que tem a característica de acender quando um dos seus terminais é posto em contato com um elemento energizado e outro é posto em contato com a terra. Normalmente, é apresentada sob a forma de uma caneta ou chave de parafusos onde um dos terminais é a ponta da caneta (ou da chave) e o outro faz terá através do corpo do próprio operador. Devido a grande resistência interna da lâmpada, a corrente circulante não é suficiente para produzir a sensação de choque, entretanto seu uso é restrito a circuito de baixa tensão. A grande vantagem deste instrumento é a sua robustez e o fato de indicar, de maneira simples, a presença de tensão no local pesquisado. Um exemplo de sua utilização é a pesquisa de fase em uma instalação, em sistemas de neutro aterrado (quando se encosta a ponta na fase, a lâmpada acende e o neutro não).

Lâmpada série

É um instrumento de fabricação caseira que serve para verificar a continuidade de um circuito ou equipamento elétrico, sua construção é a representada na figura, sendo recomendada a utilização de uma lâmpada de potência bem baixa (no máximo 10 à 15W), a fim de limitar os valores da corrente, evitando danos ao equipamento sob teste. Nota: o equipamento a ser testado deverá estar desernegizado quando do uso da lâmpada série.

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1.6 Aparelhos de Medição

Os aparelhos de medição são instrumentos que, através de escalas, gráficos ou outros recursos semelhantes (por ex.: dígitos), nos fornecem os valores numéricos das grandezas que estão sendo medidas. As ligações desses medidores são feitas de duas maneiras: em série com a carga, quando se deseja saber a corrente (A) circulante (amperímetro): e em paralelo com a carga, quando se deseja conhecer a tensão (V) aplicada (voltímetro).

se deseja conhecer a tensão (V) aplicada (voltímetro). Obs.: O uso do instrumento de medida deve
se deseja conhecer a tensão (V) aplicada (voltímetro). Obs.: O uso do instrumento de medida deve

Obs.: O uso do instrumento de medida deve obedecer todos os procedimentos operacionais a fim de evitar possíveis danos materiais. A medição de potência elétrica (W) é feita por um aparelho, o wattímetro, que associa as funções do voltímetro e do amperímetro (este aparelho tem indicações de qual deve ser o terminal comum que deve ser ligado ao lado da carga). As figuras abaixo mostram o esquema de ligação:

da carga). As figuras abaixo mostram o esquema de ligação: Os aparelhos de medição, segundo a

Os aparelhos de medição, segundo a maneira de indicar os valores, podem ser:

Indicadores

São aparelhos que, através do movimento de um ponteiro em um quadrante com escala (ou de uma tela digital), nos dão os valores instantâneos das grandezas medidas. Estes instrumentos possuem uma bobina que, ao ser percorrida por uma corrente, provoca a deflexão de um ponteiro (a deflexão é proporcional a corrente que passa). Este sistema é adotado tanto para medir corrente, como para medir tensão, sendo que, para cada caso utilizam-se resistências em série ou em paralelo com a bobina de tal forma que só circula na mesma, no máximo, a corrente máxima que a (bobina) suporta. O wattímetro é uma aplicação do mesmo principio somente que neste caso, a deflexão do ponteiro se deve a duas bobinas (uma de tensão e outra de corrente) ligadas convenientemente. Um tipo desses instrumentos, largamente utilizado, é o medidor de corrente e tensão, tipo alicate. Ele possui garras que abraçam o condutor onde passa a corrente elétrica a ser medida. Essas garras funcionam como núcleo de um transformador em que o primário é o condutor, o qual estamos realizando a medida, e o secundário é uma bobina enrolada que está ligada ao medidor propriamente dito, conforme indica a figura. Obs.: O amperímetro deverá abraçar apenas o(s) fio(s) da mesma fase. No caso de se medir tensão, esse instrumento possui dois terminais nos quais são conectados os fios que serão colocados em contato com o local a ser medido. Nota: esse instrumento possui escalas para corrente e tensão. Deverá ser ajustado antes de ser feita a medição. Geralmente a escala de corrente esta escrita na cor preta e a escala de tensão na cor vermelha. Se não temos uma idéia do valor da corrente ou da tensão a ser medida, devemos ajustar o aparelho para a maior escala de corrente ou tensão e se for o caso, ir diminuindo a escala para efetuarmos a medição corretamente.

1 0

Registradores

Têm o principio de funcionamento idêntico ao dos instrumentos indicadores, tendo sido adaptada à extremidade do ponteiro uma pena, onde se coloca tinta: sob a pena corre uma tira de papel com graduação na escala conveniente: a velocidade da tira de papel é constante e dada por um mecanismo de relojoaria. Deste modo, teremos os valores da grandeza medida a cada instante e durante o tempo que quisermos. Alguns instrumentos deste tipo utilizam um disco ao invés de tira (rolo) de papel, neste caso o tempo da medição é limitado a uma volta do disco.

Integradores

São aparelhos que somam os valores instantâneos e dão, a cada instante, os resultados acumulados em um sistema registrador que pode ser de ponteiros ou de ciclômetro (o medidor tem janelinhas onde aparecem os números) um exemplo, são os medidores de energia de nossas residências. O medidor convencional de energia elétrica compõe-se de duas bobinas: uma de tensão, ligada em paralelo com a carga e uma de corrente, ligada em série com a carga. As duas bobinas são enroladas sobre o mesmo núcleo de ferro. Um disco colocado junto ao núcleo, por força dos campos magnéticos formados (de tensão e de corrente) quando a carga esta ligada, passa a girar com velocidade proporcional a energia consumida. Através de um sistema de engrenagens, a rotação do disco é transportada a um mecanismo integrador. Nesses medidores o valor relativo a certo período de tempo corresponde à diferença entre as duas leituras realizadas, uma no final e outra no inicio do respectivo período. A leitura destes medidores é feita seguindo a seqüência natural dos algarismos, ou seja, se forem quatro ponteiros, ou quatro janelas, o primeiro a esquerda indica os milhares, o segundo as centenas e assim por diante. Deve-se tomar cuidado, entretanto, no caso dos medidores de ponteiro: uma vez que cada ponteiro gira quase sempre em sentido inverso ao de seus vizinhos. Nota: o número que se deve considerar é aquele pelo qual o ponteiro acabou de passar, isto é, quando o ponteiro esta entre dois números, considera-se o de menor valor. Obs.: Quase todos os medidores existentes se baseiam em um dos tipos citados com adaptações no seu sistema de ligações. Por exemplo, o ohmímetro (medidor de resistência), nada mais é do que um medidor de corrente ligado em série com uma pilha. Observe a figura abaixo:

ligado em série com uma pilha. Observe a figura abaixo: Como temos a tensão constante, a

Como temos a tensão constante, a corrente vai variar de acordo com a resistência que ligarmos ao circuito. Assim, para cada valor de resistência, circulará certa corrente no circuito (I = U/R) de tal forma que basta construir a escala convenientemente e, quando ligarmos uma resistência ao circuito, teremos o seu valor em ohm ( ) na escala. O ohmímetro também é frequentemente usado para se verificar a continuidade de um circuito, podendo neste caso, ser substituído pela “lâmpada série” uma vez que os circuitos internos são semelhantes e na verificação de continuidade não nos interessam valores de corrente.

1.7 Corrente Alternada (CA)

Até agora os raciocínios foram feitos considerando-se somente a corrente continua, entretanto, a forma mais comum em que a corrente elétrica se apresenta é a corrente alternada. Os circuitos de corrente alternada são, nas instalações residenciais, de modo geral, monofásicos e circuitos de duas fases e neutros, impropriamente chamados de bifásicos.

Circuitos Monofásicos

Se tivermos um gerador com uma só bobina que ao funcionar gera uma tensão entre seus terminais, chamamos a este gerador de “gerador monofásico”. Nos geradores de corrente alternada monofásicos convencionou-se chamar um dos terminais deste gerador de neutro (N), e o outro de fase (F). Se ligarmos este gerador a um circuito, teremos um circuito monofásico. Portanto, um circuito monofásico é aquele que tem uma fase e um neutro (F e N) e a tensão no circuito é igual à tensão entre fase e neutro, também chamada de tensão de fase (V FN ou V F ).

Circuitos Trifásicos

Quando temos um gerador com três bobinas, ligadas conforme a figura, ele é um gerador trifásico e da origem a um circuito trifásico. Podemos ter os circuitos trifásicos a três fios (F 1 , F 2 e F 3 ) e a quatro fios (F 1 , F 2 , F 3 e N). No circuito trifásico aparecem, com relação às tensões, a tensão entre fase e neutro, ou tensão de fase (V FN ou V F ) e a tensão entre fases ou tensão de linha (V FF ou V L ). Demonstra-se que:

V L

=

linha (V F F ou V L ). Demonstra-se que: V L = 3 × V

3 ×

V

F

ou V

F

V L = 3
V
L
=
3

sendo que

3
3

=

1,732

Os circuitos trifásicos são mais usados em indústrias e grandes instalações. Obs.: Usa-se chamar os geradores de corrente alternada de “alternadores”.

1.8 Potência em Corrente Alternada

Quando fazemos passar por uma bobina uma CC, verificamos que praticamente não há queda de tensão, a não ser a queda devido à resistência do fio com que foi construída a bobina ( U = RI. Entretanto, quando circula pela bobina o mesmo valor de CA verifica-se uma queda de tensão. Se substituirmos a bobina por um condensador ou capacitor, verificaremos que não haverá nenhuma circulação de CC: entretanto, quando ligamos a CA aparecerá uma corrente circulando por ele (pode-se demonstrar que, quanto maior a capacidade, maior a corrente alternada circulante). Verifica-se, então, que as bobinas e capacitores se comportam de maneira diferente em relação à CA. A esta oposição à passagem da corrente dá-se o nome de reatância indutiva, quando se tratar de bobinas, e reatância capacitiva, quando se tratar de capacitor. A soma vetorial das reatâncias com a resistência, dá-se o nome de “impedância” (Z). Assim temos:

Resistência

Reatância Indutiva (bobinas)

R

X

L

Reatância Capacitiva (capacitores) Impedância (soma vetorial)

X

C

Z

12

A reatância capacitiva opõe-se à indutiva. Assim a reatância total do circuito (X) é dada
A
reatância capacitiva opõe-se à indutiva. Assim a reatância total do circuito (X) é dada pela diferença entre
X L e X C (o maior destes dois valores determina se o circuito é indutivo ou capacitivo).
X
= X L - X C
X L > X C
X C > X L
Circuito Indutivo
Circuito Capacitivo
Os valores da resistência, das retas e da impedância podem ser representados graficamente através de um
triangulo retângulo, como abaixo:
Onde:
Z: impedância do circuito
R: resistência do circuito
X: reatância total do circuito (que é igual à X L - X C ou X C - X L )
Z
X
R
Uma carga ligada a um circuito de corrente alternada é, quase sempre, constituída de resistência e reatância,
ou seja, temos sempre uma impedância. Assim, a expressão de potência W = U x I, em geral não é válida
para circuitos de corrente alternada, devendo ser acrescida à expressão um outro fator, conforme veremos.
Pela Lei de Ohm, temos que a potência desenvolvida em um circuito é:
R x I 2 = W (Watts)
Por outro lado se substituirmos na expressão acima a resistência pela reatância total, termos:
X x I 2 = VA
Expressão da potência reativa desenvolvida no circuito e que depende das reatâncias existentes.
Ao produto V x I (ou Z x I 2 ) = VA chamamos de potência aparente, que é a soma vetorial das duas potências
ativa e reativa.
Assim temos:
W
= R x I 2
Var = X x I 2
VA = Z x I 2 = U x I
Onde:
W
= potência ativa (ou kW, que corresponde a 1000W)
VAr = potência reativa (ou kVAr, que corresponde a 1000Var)
VA = potência aparente (ou kVA, que corresponde a 1000VA)
Assim como no caso anterior, podemos tomar as três acima e construir um triangulo com seus valores, ou
seja:
kVA
kVAr
Este triângulo é chamado, normalmente de “triângulo das
potências”, o ângulo Ø é o ângulo do fator de potência (cos Ø = FP).
Partindo do triângulo das potências, podem-se obter as seguintes
expressões matemáticas:
90°
Ø
kW
kVA 2 = kW 2 + kVAr 2
cos Ø = kW / kVA
tg Ø = kVAr / kW
kVA = kW 2 + kVAr 2
kW = kVA x cos Ø
kVAr = kVA x sen Ø
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Obs.: 1 – os valores de cos, sen e tg podem ser obtidos através de uma tabela de funções trigonométricas. 2 – anexo uma tabela com formas utilizadas para calculo das grandezas elétricas mais comuns.

1.9 O Fator de Potência

A potência ativa (kW) é a que efetivamente produz trabalho. A potência reativa (kVAr), ou magnetizante, é utilizada para produzir o fluxo magnético necessário ao funcionamento dos motores e transformadores. Para termos uma idéia do que vem a ser as duas formas de energia, vamos fazer uma analogia com um copo de cerveja. Num copo de cerveja temos uma parte ocupada só pelo liquido e outra ocupada só pela espuma. Se quisermos aumentar a quantidade de liquido teremos que diminuir a espuma. Assim, de maneira semelhante ao copo de cerveja, a potência elétrica solicitada, por exemplo, por um motor elétrico comum, é composta de potência ativa (kW) que corresponde ao liquido, e potência reativa (kVAr) que corresponde a espuma. A soma vetorial (em ângulo de 90°), das potências ativa e reativa á a potência aparente (kVA) que corresponde ao volume do copo (liquido mais espuma). Assim como o voluma do copo é limitado, também a capacidade em kVA, de um circuito elétrico (fiação, transformadores, etc.) é limitada de tal forma que, se quisermos aumentar a potência ativa em um circuito, temos que reduzir a potência reativa.

O fator de potência é o quociente da potência ativa (kW), pela potência aparente (kVA), que é igual ao coseno do ângulo Ø do triângulo do item 1.8.

FP = cos Ø

FP = kW / kVA

Para ilustrarmos a importância do fator de potência (FP), vejamos o seguinte exemplo:

Qual a potência do transformador, necessária para se ligar um motor de 10kW com FP = 0.50 e qual a corrente que circula pelo circuito para a tensão igual a 220V? (Calcular também para FP = 1.00)

 

1ºCaso:

 

2ºCaso:

Para FP = 0.50

Para FP = 1.00

P kVA = PkW / cos Ø

P kVA = PkW / cos Ø

P

kVA

= 10 / 0.50

P

kVA

= 10 / 1.00

P kVA = 20kVA I = P VA / V

P kVA = 10kVA I = P VA / V

I

= 20.000 / 220 I = 90A Resposta:

I

= 10.000 / 220 I = 45A Resposta:

Transformador de 20 kVA Corrente de 90A

Transformador de 10kVA Corrente de 45A

Pelo exemplo, verifica-se que quanto menor o FP mais problemas trará o circuito transformadores maiores, fiação mais grossa, etc. Logo, é interessante corrigirmos o fator de potência de uma instalação para os valores mais próximos possíveis da unidade (as companhias de energia elétrica cobram um ajuste sobre o FP, quando o mesmo é inferior a 0.92, de acordo com a legislação do FP). As causas mais comuns do baixo FP são:

Nível de tensão elevado acima do valor nominal.

Motores que, devido a operações incorretas, trabalham a vazio desnecessariamente durante grande parte

do seu tempo de funcionamento. Motores super dimensionados para as respectivas máquinas.

Grandes transformadores de força sendo usados para alimentar, durante longos períodos, somente pequenas cargas.

Lâmpadas de descarga fluorescentes, vapor de mercúrio, etc.: sem a necessária correção individual do FP.

Transformadores desnecessariamente ligados a vazio por períodos longos.

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Exercícios:

1. Qual a potência do transformador necessária para se ligar um motor de 7,5cv com FP = 0.6, e qual a corrente que circula pelo circuito para tensão igual a 220V?

2. Um transformador de 15kVA trabalhava a plena carga (100%), alimentando uma carga de 7,5kW. Qual o fator de potência do sistema?

2. Os Circuitos Elétricos Residenciais e Diagramas de Ligações

2.1 Tipos de Instalações Elétricas

As instalações elétricas de baixa tensão são regulamentadas pela Norma Brasileira NBR – 5410/90 “Instalações Elétricas de Baixa Tensão” da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. As concessionárias de energia elétrica, por sua vez, classificam os consumidores de acordo com a carga instalada, de conformidade com a legislação sobre “Condições Gerais de Fornecimento” (Portaria DNAEE – Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica), que estabelecem os seguintes limites para atendimento:

Tensão secundaria de distribuição: quando a carga instalada na unidade consumidora for igual ou inferior a 50kW:

Tensão primaria de distribuição: quando a carga instalada na unidade for superior a 50kW e a demanda contratada ou estimada pelo concessionário para o fornecimento for igual ou inferior a 2500kW:

Tensão de transmissão: quando a demanda contratada ou estimada pelo concessionário para o fornecimento for superior a 2500kW.

Obs.:

1. O atendimento poderá ser feito fora dos limites requeridos, desde que atenda a conveniências especificas do concessionário e/ou do consumidor e que seja obtida autorização do DNAEE. 2. Para efeito da classificação acima, são considerados os seguintes limites:

Tensão secundaria de distribuição:

V < 600V 2300V V < 34.000V V 34.000V

Tensão primaria de distribuição:

 

Tensão de transmissão:

As unidades consumidoras ligadas em baixa tensão podem ser atendidas das seguintes maneiras:

A dois fios (uma fase e um neutro)

A três fios (duas fases e um neutro)

A quatro fios (três fases e um neutro).

Fornecimento a dois fios

- uma fase e um neutro

- tensão de 127V

Fornecimento a três fios

- duas fases e um neutro

- tensões de 127 e 220V

- tensões de 127 e 254V

15

Fornecimento a quatro fios - três fases e um neutro - tensões de 127 e 220V

A norma da CEMIG ND – 5.1 – “Fornecimento de Tensão Secundaria – Rede de Distribuição Aérea” – ND/90 classifica os consumidores em 6 tipos de acordo com a tabela a seguir:

Tipo

 

Especificações

 

Ligação

Carga

 

Não Pode Constar

 

Fases

Fios

   

Motores monofásicos com potência superior a 2cv.

     

A

Até

10kW

Máquina de solda a transformador com potência superior a

2kVA.

1

2

   

Aparelhos vedados a consumidores tipo A, se alimentados em tensão fase-neutro (127V) Motores monofásicos, alimentados em 220V ou 254V, com potência superior a 5cv. Máquina de solda a transformador, alimentadas a 220V ou 254V com potência superior a 9kVA

   

Entre

B

10kW e

2

3

15kW

 

Entre

Aparelhos vedados ao fornecimento tipo A, se alimentados em 127V. Motores monofásicos com potência superior a 5cv, alimentados a 254V.

   

C

10kW e

2

3

20kW

   

Aparelhos vedados ao fornecimento tipo A, se alimentados em 127V. Motores monofásicos com potência superior a 5cv, e alimentados em 220V.

   

Motores de indução trifásicos com potência superior a 15cv. Máquina de solda tipo motor-gerador, com potência superior

D

Até

75kW

a 30kVA.

Máquina de solda a transformador com potência superior a 15kVA, alimentada em 220V – 2 fases ou 2220V – 3 fases em ligação V - v invertida. Máquina de solda a transformador com potência superior a 30kVA e com retificação em ponte trifásica alimentada em 220V – 3 fases.

3

4

 

Até

Aparelhos vedados ao fornecimento tipo A, se alimentados em 127V. Motores monofásicos com potência superior a 12.5cv, e alimentados em 254V.

   

E

37.5kW

2

3

(rural)

 

Até

Motores de indução trifásicos com potência superior a 50cv.

   

F

75kW

Motores

monofásicos

com

potência

superior

a

10cv,

3

4

(rural)

alimentados em 220V.

 

Uma vez pronto o padrão de entrada estando ligados o medidor e o ramal de serviço, a energia elétrica entregue pela concessionária estará disponível para ser utilizada. Essa entrada de energia fornecida pela concessionária e denominada de ENTREGA DE ENERGIA.

16

2.2 Símbolos e Convenções

A tabela a seguir mostra a simbologia utilizada nas instalações prediais:

mostra a simbologia utilizada nas instalações prediais: 2.3 Dimensionamento de Carga A carga pode ser considerada

2.3 Dimensionamento de Carga

A carga pode ser considerada a potência elétrica de cada aparelho elétrico. Para determinar a carga de uma instalação elétrica residencial, deve-se somar a carga prevista para as tomadas de corrente, a potência das lâmpadas e dos equipamentos elétricos. As tomadas de corrente deverão ser consideradas como sendo de 100VA cada, com exceção das tomadas ligadas a um circuito especial que deverá atender: cozinha, copa, área de serviço, lavanderia (com carga de 600VA por tomada, até 3 tomadas, e 100VA por tomada para as excedentes). Para as tomadas de uso especifico deve-se considerar a potência nominal do aparelho a ser alimentado. A carga de iluminação deve ser calculada de acordo com a NBR-5413/92 – Iluminação de Interiores. Entretanto, a titulo de referencia, poderão ser utilizados os valores da tabela a seguir:

17

Local

Carga Mínima de Iluminação (W/m 2 )

Incandescente

Fluorescente

Salas

25

-

Quartos

20

-

Escritórios

25

4

Copa

20

4

Cozinha

20

4

Banheiro

10

3

Dependências

10

3

Exemplo:

Qual a potência mínima de iluminação incandescente a ser instalada num quarto de 3m de largura e 4m de comprimento? Área do quarto: 3m x 4m = 12m 2 Iluminação mínima: 20W/m 2 (tabela acima) Potência total de iluminação: 20 x 12 = 240W

2.4 Divisão de Circuitos e Seção Mínima dos Condutores

A norma NBR 5410/90 – Instalações Elétricas de Baixa Tensão, determina que os circuitos elétricos de tomada, iluminação e equipamentos de corrente nominal superior a 10A (1270W em 127V) como chuveiros elétricos, fornos, etc. devem ter seus circuitos elétricos independentes. Divide-se uma instalação elétrica em circuitos parciais para facilitar a manutenção, para que a proteção possa melhor dimensionada e para reduzir as quedas de tensão. Sabe-se que o disjuntor (ou fusível) é calculado para toda a carga dói circuito. Ora, se temos um só circuito, teremos um disjuntor de grande capacidade e um pequeno curto-circuito não será percebido por ele. Entretanto, se tivermos vários circuitos, com vários disjuntores de capacidades menores, aquele curto poderá ser percebido por um desses disjuntores que desligará somente o circuito parcial onde estiver ocorrendo um curto-circuito (ver item 4.3). A seção mínima dos condutores deverá ser especificada de acordo com as referencias abaixo:

Iluminação

1,5mm

2

Tomadas de correntes em quartos, salas e similares Aquecedor de água (boiler)

2,5mm

2

2,5mm

2

Chuveiro elétrico

 

4,0mm

2

Aparelhos de ar condicionado Fogões elétricos

 

2,5mm

2

 

6,0mm

2

Nos cordões flexíveis para ligação de aparelhos eletrodomésticos, abajures, lustres e aparelhos semelhantes, pode ser usado um condutor de 0,75mm 2 . Nos circuitos de controle e sinalização (campainha) a bitola do condutor pode ser reduzida até 0,5mm 2 . Os circuitos deverão partir de um quadro de distribuição, onde serão instalados os dispositivos de proteção (independentes para cada circuito).

Quadro de distribuição de circuitos (QDC) é o centro de distribuição de toda a instalação elétrica de uma residência.

18

Modelos de QDC

 

Seccionador geral

Quant. máx. módulos

nenhum

18

Modelo QDC-18

Bipolar

16

Tripolar

15

Interruptor DR

15

 

Seccionador geral

Quant. máx. módulos

nenhum

24

Modelo QDC-24

Bipolar

22

Tripolar

21

Interruptor DR

21

 

Seccionador geral

Quant. máx. módulos

nenhum

32

Modelo QDC-32

Bipolar

30

Tripolar

29

Interruptor DR

29

Deverá haver um condutor neutro para cada circuito, não podendo ser o neutro seccionado para instalação de proteção ou para qualquer outro fim. O desenho abaixo mostra um circuito elétrico de uma residência com seus pontos de carga.

ou para qualquer outro fim. O desenho abaixo mostra um circuito elétrico de uma residência com

19

2.5 Interruptores e Tomadas

Como foi explicado anteriormente, todo produto deve estar em conformidade com as normas da ABNT. Para exemplificar, iremos relacionar alguns testes que o interruptor tem que se submeter para comprovar que esta dentro das normas da ABNT e receber a marca de conformidade do Instituto Nacional de Metrologia e Qualidade Industrial – INMETRO.

Os organizadores vão reconhecer a fábrica, analisam as máquinas, laboratórios e a equipe técnica. Após aprovarem tudo, iniciam as provas nos produtos.

2) Isolamento e rigidez elétrica: o interruptor tem que resistir a 2000V, sem deixar passar corrente, com resistência superior a mínima aceitável, que é de 5megaohms – NBR nº6271. 3) Elevação de Temperatura: ligam um condutor apertando um pouco o parafuso do borne do interruptor, durante 1h, passando 35% da corrente nominal e o interruptor não pode aquecer mais de 45°C – NBR nº6278.

1)

4)

Sobrecorrente e durabilidade: primeiro o interruptor tem que resistir a 200 mudanças de posição,

5)

ou seja, 100 liga-deslida com tensão 10% e corrente 25% superior a nominal, alem de um fator de potência extramente desfavorável (0.3): segundo, interruptor passa por mais de 40.000 mudanças de posição, com corrente e tensão e tensão nominal, ou seja, 220V e 10A – NBR nº6269. Resistência mecânica: recebe o impacto de um martelo de 150g a uma altura de 10cm, e o produto não pode apresentar rachadura por onde pudesse ter acesso as partes energizadas do produto – NBR nº6275.

6) Resistência ao calor: o produto em uma estufa a 100°C, sem umidade, durante uma hora e não

pode apresentar deformações – NBR nº6266. Prova de resistência ao calor anormal ou fogo: em fio incandescente a 850°C, que provoca que provoca fogo é colocado sobre o produto e embaixo deste é colocado um papel de seda a uma altura de 20cm. Retira-se o fio em menos de 30s e o papel de seda são deve inflamar com o gotejamento – NBR nº6272.

7)

Como podemos observar, o interruptor tem que resistir a 40.000 mudanças de posição (manobras), com tensão e corrente nominal, bornes enclausurados, evitando contatos acidentais e a resistência a impactos. Tomadas – 10.000 mudanças de posição (inserção e retirada do plugue), bornes enclausurados, evitando contatos acidentais, resistência a impactos. Plugues monoblocos – 10.000 mudanças de posição (inserção e retirada da tomada) prensa cabo que não permite que o cabo solte quando puxado. Disjuntor – 20.000 mudanças de posição (manobras), sendo 12.000 com corrente e tensão nominal 8.000 em vazio (sem carga), atuação imediata contra curto-circuito.

2.5.1 Numero de Tomadas por Cômodo

Cada cômodo de uma residência deverá ter tantas tomadas quantos forem os aparelhos a serem instalados dentro do mesmo. Uma sala de estar, por exemplo, deve ter tomadas para: televisor, aparelho de som, vídeo, abajures, enceradeira, etc. A norma NBR 5410/90 determina as seguintes quantidades mínimas para instalação de tomadas:

1 tomada por cômodo para área igual, ou menor que 6m 2 .

1 tomada para cada 5m, ou fração de perímetro, para áreas maiores que 6m 2 .

1 tomada para cada 3,5m, ou fração de perímetro, para copas, cozinhas, sendo que acima de cada bancada de 30cm, ou maior, deve ser prevista uma tomada.

1 tomada em subsolos, sótãos, garagens e varandas.

1 tomada junto ao lavatório, em banheiros.

20

Nota: o perímetro de um cômodo, e calculado somando o comprimento de cada lado deste cômodo.

2.6 Esquemas de Ligações

As ilustrações a seguir mostram alguns exemplos de instalações elétricas:

seguir mostram alguns exemplos de instalações elétricas: Ligação de duas lâmpadas incandescentes Ligação de duas

Ligação de duas lâmpadas incandescentes

elétricas: Ligação de duas lâmpadas incandescentes Ligação de duas lâmpadas incandescentes e uma tomada

Ligação de duas lâmpadas incandescentes e uma tomada bipolar

O fio neutro deve estar sempre ligado à boquilha da lâmpada, e o fio fase ao interruptor. Esta medida evita

que você tome choque quando for tocar a lâmpada, mesmo que o interruptor esteja ligado.

T – Terra

F – Fase

N – Neutro

Consideremos um cômodo tem o interruptor ao lado da porta com uma tomada abaixo dele (a 30cm do piso)

e uma tomada adicional. O fio fase nunca deve ser ligado à lâmpada e sim ao interruptor. Isto se faz em

obediência à norma (NBR5410) que diz que o neutro nunca deve ser seccionado. Com defeito, se uma instalação em eletrodutos metálicos aterrada houver um curto circuito, ao energizarmos o circuito, a lâmpada permanecerá acesa, mesmo com o interruptor desligado. Este curto circuito pode ocorrer quando ao enfiar os fios na tubulação, o fio raspa na entrada do tubo danificando o isolamento e fazendo o contato e o condutor e o eletroduto.

2.7 “Three Way” (paralelo) e “For Way” (intermediário)

Às vezes tem-se a necessidade de controlar uma ou varias lâmpadas de mais de um ponto. Por exemplo, numa escada é bom que haja um interruptor em cada extremidade, ligados à mesma lâmpada, para que possamos acendê-la quando chegarmos e apaga-la quando atingirmos a outra extremidade da escada. Nestes casos utiliza-se um conjunto de interruptores “Three Way” (paralelo) ou em conjunto “Four Way” (intermediário).

21

“Three Way” (paralelo) Esquema de instalação de um sistema “Three Way” para acionamento de uma lâmpada incandescente

Three Way ” para acionamento de uma lâmpada incandescente “Four Way” (intermediário) É usado quando se

“Four Way” (intermediário) É usado quando se deseja usar uma lâmpada, ou conjunto de lâmpadas de mais de dois pontos. Funciona invertendo as ligações entre dois interruptores no sistema “Three Way” que ficam nas extremidades.

no sistema “Three Way” que ficam nas extremidades. Os esquemas representam as ligações de lâmpadas

Os esquemas representam as ligações de lâmpadas incandescentes

2.8 Cálculo da Corrente total do circuito em função da potência das cargas

Como sabemos, a corrente de um aparelho é determinada pela fórmula:

I = VA / U Para determinarmos a corrente de um circuito, somamos toda a carga ligada ao mesmo (lembre-se que, num circuito comum, cada tomada corresponde a uma carga de 100VA) e dividirmos pela tensão.

Exemplo de calculo de corrente:

Alimentação da rede elétrica: 127V - Lâmpadas: 100 + 60 + 100 + 60 + 60 = 380VA Corrente 11 = 380VA / 127V = 3,0A - Tomadas: 4 x 100 = 400VA Corrente 12 = 400VA / 127V = 3,2A

22

2.9 Outros Circuitos

Em uma instalação residencial podem existir outros circuitos tais como telefone, fax, TV a cabo, interligação de computadores, antenas para televisão, etc. Para execução desses circuitos, deverão ser consultadas as normas e instruções dos concessionários dos serviços, ou dos fabricantes dos aparelhos. Esses circuitos deverão ser instalados com fiação / tubulação diferente dos demais circuitos elétricos.

Exercício:

Dimensionar a carga de iluminação de uma sala de 4,5m de largura por 6,0m de comprimento. Calcular a corrente dessa carga.

3. Dimensionamento de Condutores

3.1 Tipos de Condutores

Todo metal é condutor de corrente de corrente elétrica. Entretanto, alguns conduzem melhor que outros, ou seja, alguns oferecem menor resistência à passagem de corrente elétrica.

A resistência de um condutor depende de 4 fatores: material, comprimento, área de seção e temperatura.

Onde:

 

Unidade

R

= Resistência

mm 2 /m m mm 2

r = Resistividade (varia com o material empregado)

L

= Comprimento do condutor

 

S

= Seção (área) transversal do condutor

 

Nos metais, a resistividade aumenta com a temperatura, sendo essa variação expressa pela formula:

p2 = p1 [1 + α 2 1 )]

sendo p2 a resistividade à temperatura 2 . p1 a resistividade à temperatura 1 e α 1 o coeficiente de temperatura relativo a 1 . normalmente a resistividade é referida a 20°C.

A condutividade σ é definida como o inverso da resistividade, sendo medida em siemens por metro (s/m).

1

P

Os metais mais usados para condução de energia elétrica são:

Prata - utilizada em pastilhas de contato de contatores e reles; Resistividade – 0,016 mm 2 /m a 20°C Cobre – utilizado na fabricação de fios em geral e equipamentos elétricos (chaves, interruptores, tomadas, etc.); Resistividade – cobre duro 0,0179 mm 2 /m a 20°C cobre recozido 0,0172 mm 2 /m a 20°C Bronze – liga de cobre e estanho, utilizada em equipamentos elétricos e linhas de tração elétrica; Resistividade – bronze silício 0,0246 mm 2 /m a 20°C Latão – liga de cobre e zinco, utilizada em aparelhagem elétrica; Resistividade – aproximadamente a mesma do cobre. Alumínio – utilizado na fabricação de condutores para linhas e redes por ser mais leve e de custo mais baixo. Os fios e cabos de alumínio podem ser de:

CA – alumínio puro CAA – alumínio enrolado sobre um fio ou cabo de aço (alma de aço) Resistividade – 0,028 mm 2 /m a 20°C

23

σ =

(

s

/

m

)

Os fios e cabos utilizados em instalações elétricas podem ser de alumínio ou cobre, com isolação normalmente feita por compostos orgânicos. De acordo com o tipo de isolante utilizado os condutores podem ser:

Tipo de Condutor

Isolação

 

Características

Vo / V

t

PVC / A

Cloreto de polivinila

0,6 / 1

70

PVC / B

Cloreto de polivinila

12

/ 20

70

PE

Polietileno Termoplástico

12

/ 20

70

 

Borracha Etileno-

   

EPR

Propileno

27

/ 35

90

XLPE

Polietileno reticulado quimicamente

27

/ 35

90

Onde:

Vo = tensão entre o condutor e a terra (kV)

V = tensão entre condutores (kV)

t = temperatura máxima de operação continua (°C)

de acordo com a construção, os condutores podem ser formados por um único fio sólido, nas seções menores (até 16mm 2 ), ou por um encordoamento de fios sólidos, formando um cabo. Sobre o condutor assim

formado é aplicada uma camada de isolação, seja por termoplásticos como o PVC e o PE, seja por termofixos (vulcanização) como o EPR e o XLPE.

È

“Isolação” é um termo qualitativo referindo-se ao produto que cobre o condutor “isolamento” é quantitativo,

referindo-se à tensão para a qual o condutor foi projetado. Os condutores são construídos em dois tipos: “à prova de tempo” e para instalações embutidas. Os primeiros só podem ser utilizados em instalações aéreas, uma vez que a sua isolação não tem a resistência mecânica necessária para a sua instalação em dutos. Os outros podem ser usados em qualquer situação. A escala de fabricação dos condutores adotada no Brasil é a “serie métrica” onde os condutores são representados pela sua seção transversal (área) em mm 2 . Normalmente são fabricados condutores de

0,5mm 2 a 500mm 2 (para transporte de energia). As normas brasileiras só admitem, nas instalações residenciais, o uso de condutores de cobre, salvo para o caso de condutores de aterramento e proteção, que tem especificações próprias.

A NBR – 5410/90 prevê em instalações de baixa tensão o uso de condutores isolados, cabos unipolares,

cabos multipolares, cabos multiplexados e cabos nus. Um condutor isolado é constituído por um fio ou cabo recoberto apenas por isolação.

conveniente aqui estabelecer a diferença entre os termos isolação e isolamento.

- Condutores isolados (fios)

termos isolação e isolamento. - Condutores isolados (fios) Cabo isolado por borracha - Condutores isolados (cabos)

Cabo isolado por borracha

- Condutores isolados (cabos)

Cabo isolado por borracha - Condutores isolados (cabos) Cabo múltiplo blindado com trança metálica Cabo múltiplo

Cabo múltiplo blindado com trança metálica

Condutores isolados (cabos) Cabo múltiplo blindado com trança metálica Cabo múltiplo blindado com fita de alumínio

Cabo múltiplo blindado com fita de alumínio

24

- Condutores isolados (cabos flexíveis)

Um unipolar é constituído, em sua forma mais simples, por um condutor isolado recoberto por uma cobertura (também de material isolante, usada para proteger a isolação. Um cabo multipolar é constituído, em sua forma mais simples, por dois ou mais condutores isolados envolvidos por uma capa interna (de material isolante, que da a forma redonda a seção do cabo) e com uma cobertura, conforme mostramos na ilustrações anteriores.

Cabos uni e multipolares (0,6 / 1kV)

anteriores. Cabos uni e multipolares (0,6 / 1kV) 3.2 Maneiras de Instalar A NBR 5410/90 estabelece

3.2 Maneiras de Instalar

A NBR 5410/90 estabelece as maneiras de instalar, permitidas nas instalações elétricas de baixa tensão, como mostra a tabela abaixo:

Ref.

Descrição

 

1

Condutor isolados, cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto em parede termicamente isolante.

A

2

Cabos unipolares ou cabo multipolar embutido(s) diretamente em parede isolante

3

Condutores isolados, cabos unipolares ou multipolar em eletroduto contido em canaleta fechada.

 

1

Condutores isolados ou cabos unipolares em eletroduto aparente

2

Condutores isolados ou cabos unipolares em calha

B

3

Condutores isolados ou cabos unipolares em moldura

4

Condutor isolados, cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto contido em canaleta aberta ou ventilada.

 

5

Condutores isolados, cabos unipolares ou cabo multipolar em eletroduto embutido em alvenaria.

6

Cabos unipolares ou multipolar contido(s) em blocos alveolados

 

1

Cabos unipolares ou cabo multipolar diretamente fixados em parede ou teto

2

Cabos unipolares ou cabo multipolar embutido(s) diretamente em alvenaria

C

3

Cabos unipolares ou multipolar em canaleta aberta ou ventilada

4

Cabo multipolar ou eletroduto aparente

5

Cabo multipolar em calha

 

1

Cabos multipolares ou cabo multipolar em eletroduto enterrado no solo

D

2

Cabos unipolares ou cabo multipolar enterrado(s) diretamente no solo

3

Cabos unipolares ou cabo multipolar em canaleta fechada

E

-

Cabo multipolar ao ar livre

F

-

Condutores isolados e cabos unipolares agrupados ao ar livre

G

-

Condutores isolados e cabos unipolares agrupados ao ar livre

H

-

Cabos multipolares em bandejas não perfuradas ou em prateleiras

J

-

Cabos multipolares em bandejas

K

-

Cabos multipolares em bandejas verticais perfuradas

L

-

Cabos multipolares em escadas para cabos ou em suportes

M

-

Cabos unipolares em bandejas ou prateleiras

N

-

Cabos unipolares em bandejas perfuradas

P

-

Cabos unipolares em bandejas verticais perfuradas

Q

-

Cabos unipolares em escadas para cabos ou em suportes

25

A seguir apresentamos as definições e comentários relativos aos componentes das chamadas “linhas

elétricas”.

Conduto (elétrico) – canalização destinada a conter condutores elétricos. A NBR 5410/90 prevê, nas instalações elétricas de baixa tensão, o uso de vários tipos de condutos, a saber, (eletrodutos, calhas, molduras, blocos alveolados, canaletas, bandejas, escadas para cabos, poços e galerias).

Linha elétrica – conjunto constituído por um ou mais condutores, com os elementos de sua fixação e suporte e, se for o caso, de proteção mecânica, destinado a transportar energia elétrica ou a transmitir sinais elétricos. As linhas elétricas podem ser constituídas apenas por condutores com os respectivos elementos de fixação e/ou de suporte, como é o caso de condutores fixados em paredes ou tetos e de condutores fixados sobre isoladores (em postes ou mesmo em paredes ou tetos). Podem também ser constituídos por condutores contidos em condutos.

Eletroduto – elemento de linha elétrica fechada, de seção circular ou não, destinado a conter produtos elétricos, permitindo tanto a enfiação, como a retirada destes por puxamento. Na pratica o termo se refere tanto ao elemento (tubo), como ao conduto formado por diversos tubos. Os eletrodutos podem ser metálicos (aço, alumínio) ou de material isolante (PVC, polietileno, fibra-cimento, ferro, etc.), são usados em linhas elétricas embutidas ou aparentes. Deve ser evitado o uso do termo conduite.

Os eletrodutos podem ser rígidos, curváveis, transversalmente elásticos ou flexíveis, como definimos a seguir.

Eletroduto curvável – eletroduto que pode ser curvado com a mão, usando uma força razoável, mas sem qualquer outra ajuda. Eletroduto transversalmente elástico – eletroduto curvável que, deformado sob ação de uma força transversal aplicada durante um curto intervalo de tempo, retoma sua forma original logo após a cessação da força. Eletroduto flexível – eletroduto curvável que pode ser dobrado com a mão, com uma força razoavelmente reduzida, mas sem a ajuda de um outro meio e que é destinado a ser frequentemente dobrado em serviço.

Eletroduto rígido – eletroduto que não pode ser curvado, a não ser com ajuda mecânica.

Numa linha elétrica constituída por condutores contidos em eletrodutos encontra-se alem das curvas (de 45°

e 90°), usadas como eletrodutos rígidos, caixas de derivação (também usadas em linhas com calhas e molduras), conduletes, luvas, buchas, arruelas e boxes, como definimos a seguir.

Caixa de derivação – caixa (metálica ou isolante) utilizada para passagem e/ou ligação de condutores entre si e/ou com dispositivos nela instalados, tais como interruptores e tomadas de corrente.

Condulete – caixa de derivação usada em linha aparente e dotada de tampa própria.

Luva – peça cilíndrica rosqueada internamente, usada em eletrodutos rígidos destinada a unir dois tubos

ou um tubo e uma curva. Bucha – peça de arremate das extremidades dos eletrodutos rígidos, instalada na parte interna da caixa de derivação, destina-se a evitar danos à isolação dos condutores por eventuais rebarbas, durante o puxamento.

Arruela – peça rosqueada internamente (porca), colocada na parte externa da caixa de derivação, complementando a fixação do eletroduto a caixa.

Box – peça destinada a fixar um eletroduto flexível a uma caixa de derivação ou a um eletroduto rígido.

Duto – eletroduto utilizado em linhas subterrâneas.

Calha – conduto fechado utilizado em linhas aparentes, com tampas desmontáveis em toda a sua extensão, para permitir a instalação e a remoção de condutores.

26

As calhas podem ser metálicas (aço, alumínio) ou isolantes (plásticos) suas paredes podem ser maciças ou perfuradas e a tampa pode ser simplesmente encaixada ou fixada com auxilio de ferramenta.

Canaleta – conduto com tampas, ao nível do solo, removíveis e instaladas em toda sua extensão,

podendo ser maciças e/ou ventiladas. Bandeja – suporte de cabos constituído por uma base continua com rebordos e sem cobertura, podendo

ou não ser perfurada; é considerada perfurada se a superfície retirada da base for superior a 30% do total. Escada para cabos – suporte constituído por uma base descontinua, formada por travessas ligadas a duas longarinas longitudinais, sem cobertura. As travessas devem ocupar menos de 10% da área total da base.

As bandejas, bem como as escadas para cabos, são em geral metálicas (aço, alumínio). Os termos “leito de (para) cabos” e “eletrocalha”, ambos não constantes da terminologia oficial, e usado muitas vezes para designar bandejas ou escadas para cabos, devem ser retirados.

Poço – conduto vertical formado na estrutura do prédio.

3.3 calculo dos condutores

A Norma NBR 5410/90 define, para a determinação da seção dos condutores, dois critérios básicos a serem

observados:

Limite de condução de corrente;

Limite de queda de tensão.

Após a analise, observados os dois critérios separadamente, deverá ser adotado o resultado que levou ao condutor de maior seção.

Observe que a seção mínima admissível, para instalações prediais, é aquela definida no item 2.4, portanto, caso chegue a um condutor mais fino do que aquele, deverá ser adotado o fio ali indicado.

A seção dos condutores só poderá ser inferior a 1,5mm 2 nos seguintes casos:

Nos cordões flexíveis para a ligação de aparelhos domésticos e aparelhos de iluminação (nas ligações internas dos lustres), a seção dos condutores poderá ser reduzida, de acordo com a potência exigida, ate 0,75mm 2 ; Nos circuitos de sinalização e controle (campainhas, etc.) onde poderão ser utilizados condutores de 0,5mm 2 .

Nos casos de redução da seção, os dispositivos de proteção deverão estar dimensionados de forma a operar (abrir o circuito), no caso de um defeito, antes de causar danos aos condutores.

3.3.1 Limite de Condução de Corrente

Quando a circulação de corrente em um condutor, o mesmo se aquece, e o calor gerado é transferido ao ambiente ao redor, dissipando-se. Se o condutor está instalado ao ar livre a dissipação é maior, ou seja, o condutor tenderia a se resfriar mais depressa quando a corrente deixasse de circular pelo mesmo. Se o condutor está instalado em um eletroduto a dissipação é menor. Quando existem vários condutores no mesmo eletroduto, as quantidades de calor, geradas em cada um deles, se somam, aumentando ainda mais a temperatura. Os condutores são fabricados para operar dentro de certos limites de temperatura, a partir dos quais começa

a haver uma alteração nas características do isolamento, que deixa de cumprir a sua finalidade.

27

A NBR 5410/90 define que os condutores com isolamento termoplástico, para instalações residenciais, sejam especificados para uma temperatura de trabalho de 70°C (PVC/70°C) e as tabelas de capacidade de condução de corrente são calculadas tomando como base este valor e a temperatura ambiente de 30°C. A tabela seguinte dá a capacidade de condução de corrente para condutores instalados em eletrodutos, condutos, calhas, etc. e ao ar livre ou em instalações expostas. Limites de Condução de Corrente

Seção Nominal

Eletrodutos aparentes embutidos em alvenaria, pisos, lajes, paredes

Ao ar livre

mm

2

2 condutores

3 condutores

2 condutores

3 condutores

 

carregados

carregados

carregados

carregados

1,0

13,5

12,0

15,0

13,5

1,5

17,5

15,5

22,0

18,5

2,5

24,0

21,0

30,0

25,0

4,0

32,0

28,0

40,0

34,0

6,0

41,0

36,0

51,0

43,0

10,0

57,0

50,0

70,0

60,0

16,0

76,0

68,0

94,0

80,0

25,0

101,0

89,0

115,0

101,0

35,0

125,0

111,0

148,0

126,0

50,0

151,0

134,0

181,0

153,0

70,0

192,0

171,0

232,0

196,0

95,0

232,0

207,0

282,0

238,0

120,0

269,0

239,0

328,0

276,0

Condutores de cobre com isolamento de PVC, temperatura 70°C no condutor

Quando o número de condutores instalados no mesmo eletroduto for superior a 3 e/ou a temperatura ambiente for superior a 30°C os valores da tabela de limites de condução de corrente (coluna “2 condutores carregados”) deverão ser multiplicados pelos seguintes fatores de redução indicados:

Temperatura Ambiente (°C)

Fator de Redução

35

0,94

40

0,87

45

0,79

50

0,71

55

0,61

60

0,50

Nºde condutores no mesmo conduto

Fator de Redução

4

0,65

6

0,55

8

0,50

10

0,50

12

0,45

14

0,45

16

0,40

28

O número de condutores a considerar num circuito é o dos condutores efetivamente percorridos por

correntes. Assim temos:

Circuito trifásico sem neutro = 3 condutores carregados

Circuito trifásico com neutro = 4 condutores carregados

Circuito monofásico a 2 condutores = 2 condutores carregados

Circuito monofásico a 3 condutores = 3 condutores carregados

Circuito bifásico a 2 condutores = 2 condutores carregados

Circuito bifásico a 3 condutores = 3 condutores carregados

Notas:

1. Quando num circuito trifásico com neutro as correntes são consideradas equilibradas, o condutor neutro

não deve ser computado, considerando-se, portanto, 3 condutores carregados.

2. Serão aplicados simultaneamente os dois fatores (temperatura e número de condutores) quando as duas

condições se verificarem ao mesmo tempo.

Exemplo:

Determinar o condutor capaz de transportar, com segurança, uma corrente de 35 A nos três casos indicados

a seguir:

a - dois condutores instalados em eletroduto e temperatura ambiente de 30ºC;

b - seis condutores instalados em eletroduto e temperatura ambiente de 30ºC;

c – seis condutores instalados em eletroduto e temperatura ambiente de 45°C.

a – 35A – 2 condutores no eletroduto – 30°C

Trata-se de aplicação direta da tabela da pagina 39, assim, consultando a primeira coluna “2 condutores

carregados”, verifica-se que o fio de 6mm 2 é suficiente.

b – 35A – 6 condutores no eletrodo a 30°C;

neste caso deve ser aplicado o fator de redução correspondente ao número de condutores, o que se faz

dividindo a corrente a ser transportada pelo fator de redução considerado:

6 condutores

I =

35A

0,55

fat. red. = 0,55

= 63,6A

Consultando agora a mesma tabela, verifica-se que é necessária a utilização do fio de 16mm 2 (poderia ser feita também a multiplicação do fator de redução pelos valores tabelados, ate se obter um número compatível com a corrente a ser transportada, entretanto, este método é mais trabalhoso);

c

– 35A – 6 condutores no eletroduto – 45°C:

6

condutores

fat. red. = 0,55

45°C

fat. red. = 0,79

 

35A

35A

I =

=

= 80,5A

 

0,55 x 0,79

0,435

Consultando agora a tabela, ainda na mesma coluna verifica-se que o condutor apropriado é o de 25mm 2 .

Ao

final deste volume encontra-se uma tabela para condutores em eletrodutos, na qual já foram considerados

os

fatores de redução relacionados ao número de condutores.

29

3.3.2 Limite de Queda de Tensão

Como vimos no inicio deste capitulo, todo condutor tem certa resistência e quando circula corrente por uma resistência há uma dissipação de potência em forma de calor e, consequentemente, uma queda de tensão no condutor. Se em um circuito alimentado por uma tensão V tiver um trecho (A-B), onde o condutor for mais fino que o traçado total, haverá uma queda de tensão neste trecho. Observe a ilustração

A B V (tensão)
A
B
V (tensão)

Segundo a lei de Ohm, a queda de tensão no trecho A – B é dada por:

U AB = U = RI

A potencia dissipada (perda de potencia) no trecho A – B é:

W AB = UI = (RI)I W AB = W = RI 2 Onde a tensão aplicada à carga será igual a U = U. como a potência é determinada pelo produto de corrente pela tensão aplicada, teremos na carga:

W = (U - U)I Ou seja, um valor menor que a potencia obtida, se não houvesse a queda de tensão U.

Exemplo numérico: Consideraremos o mesmo circuito anterior, com dois aspectos:

O

primeiro com o fio mais fino (resistência R = 1Ohm); o segundo com todos os condutores de seção grossa

(sem resistência). A tensão aplicada é U = 100V e a corrente I = 10A.

1 - com condutor fino:

2 – com condutor grosso:

U = RI U = 1 x 10 U = 10V W = RI 2 W = 1 x (10) 2 W = 100W

Como o condutor grosso praticamente não tem resistência, não há queda de tensão ( U) e, portanto, perda de potência ( W). A potência na carga será então:

W = UI W = 100 x 10 W = 1000W

W

= (U - U)I

W

= (100 – 10)10

W

= 90 x 10

W

= 900W

A

resistência dos condutores depende de uma serie de fatores, tais como, qualidade do material, espessura

do

fio, temperatura de trabalho, freqüência da rede, etc.

Na tabela, anexa, de características dos condutores, encontra-se os valores de resistência dos tipos mais comuns de condutores utilizados em instalações prediais.

Queda de Tensão Percentual

A queda de tensão é, normalmente, expressa em percentagem (%) e seu valor é calculado da seguinte

maneira:

U de entrada – U na carga x 100%

U (%) =

U de entrada

30

No exemplo anterior tinha-se:

U de entrada = 100V U na carga = 10V U na carga = 1000 – 10 = 90V

A queda de tensão:

100 – 90 x 100

U (%) =

100

= 10%

A NBR 5410/90 determina que a queda de tensão entre a origem de uma instalação e qualquer ponto de

utilização não deve ser maior que 4% para as instalações alimentadas diretamente por um ramal de baixa

tensão a partir de uma rede de distribuição pública de baixa tensão. Esses 4% de queda de tensão admissíveis serão assim distribuídos:

Ate o medidor de energia: 1%

Do medidor ate o quadro de distribuição dos circuitos (QDC): 1,0%

A partir do QDC: 2,0%

O calculo da queda de tensão através dos dados do circuito é relativamente complexo, envolvendo fatores que nem sempre estão definidos no mesmo. Para maior facilidade foram organizadas tabelas que, para uma dada tensão aplicada ao circuito (U de entrada) e considerando-se a queda de tensão admissível (%), dão os valores do momento elétrico para cada condutor.

Momento elétrico (Me) é igual ao produto da corrente (A) que passa pelo condutor, pela distancia, (m) desde

o ponto de entrada de energia ate o final do circuito:

Me = A.m As tabelas a seguir foram calculadas para condutores com isolamento em PVC/70°C. para instalações elétricas e em eletrodutos.

Momento elétrico (A.m) – Condutores em instalações aéreas

Condutor

127V – monofásico

220V – monofásico

220V – trifásico

(mm

2 )

1%

2%

4%

1%

2%

4%

1%

2%

4%

1

37

74

149

65

130

259

75

150

299

1,5

55

110

221

96

192

383

111

222

443

2,5

91

182

363

157

314

628

179

358

715

4

141

282

564

244

488

977

282

564

1127

6

218

436

871

357

714

1427

412

824

1648

10

332

664

1327

574

1148

2297

666

1332

2664

16

498

996

1992

863

1726

3451

995

1990

3981

25

726

1452

2903

1257

2514

5028

1457

2914

5828

35

941

1882

3763

1630

3260

6519

1880

3760

7521

50

1176

2352

4704

2037

4074

8148

2340

4680

9361

70

1494

2988

5976

2588

5176

10353

3014

6028

12055

95

1841

3682

7363

3188

6376

12753

3667

7334

14667

 

31

Momento elétrico (A.m) – Condutores em eletrodutos

Condutor

127V – monofásico

220V – monofásico

220V – trifásico

(mm

2 )

1%

2%

4%

1%

2%

4%

1%

2%

4%

1

37

74

149

65

130

259

76

152

304

1,5

55

110

221

96

192

383

110

220

440

2,5

91

182

363

157

314

628

183

366

733

4

146

292

584

253

506

1012

293

586

1173

6

219

438

876

379

758

1517

431

862

1725

10

363

726

1451

395

790

1581

733

1466

2933

16

552

1104

2208

957

1914

3867

1128

2256

4513

25

847

1694

3386

1467

2934

5867

1732

3464

6929

35

1146

2292

4586

2000

4000

8000

2316

4632

9263

50

1530

3060

6121

2651

5302

10603

3056

6112

12223

70

2082

4164

8328

3607

7214

14427

4151

8302

16604

95

2702

5404

10809

4681

9362

18724

5366

10732

21464

Exemplo de utilização das tabelas de momentos elétricos:

A – determinar a bitola dos condutores aéreos a serem ligados a uma carga trifásica situada a 130m de

distancia e cuja corrente é de 20A, sabendo-se que a tensão do circuito é de 220V e a queda de tensão não pode ultrapassar a 4%.

Solução:

O momento elétrico neste caso é:

20A x 130m = 2600A.m Consultando a tabela de “condutores em instalações aéreas” na coluna referente a circuitos trifásicos, 220V e 4% de queda de tensão, verifica-se:

Fio de 6mm 2 – momento elétrico = 1648A.m

Fio de 10mm 2 – momento elétrico = 2664A.m

O valor calculado (2600A.m) esta situado entre estes dois, o que nos obriga a escolher o condutor mais

grosso, ou seja, o fio de 10mm 2 .

B – determinar a queda de tensão percentual que realmente ocorre no caso acima.

Solução:

Como o momento elétrico calculado (2600A.m) é menor que o do circuito utilizado (2664A.m) a queda de tensão será menor e, para determinar o seu valor, basta realizar uma regra de três:

Me do cond.

2664A.m

V% = 4%

Me calculado

2600A.m

V% = ?

V% =

2600 x 4

2664

= 3,90%

32

3.4 Exemplos de Cálculos de Condutores

Como foi explicado no irem 3.2, “deverá sempre ser adotado o resultado que levar o condutor de maior seção”. Assim, para o dimensionamento de condutores de um circuito, deve ser determinada a corrente (A) que circulara pelo mesmo, e o seu momento elétrico (A.m). Consultando as tabelas de “limites de condução de corrente” e “momentos elétricos”, escolhem-se os condutores que deverão ser utilizados. Os exemplos que se seguem, explica de maneira mais clara o processo de calculo:

Exemplo 1:

Uma residência, com carga a seguir, deverá ser alimentada através de uma rede monofásica de 127V. Dimensionar e escolher os condutores para o ramal aéreo de 5m.

Carga da residência:

 

RAMAL

1

chuveiro:

4400W

10 lâmpadas de 60W

600W

1 ferro elétrico:

1000W

5m

 

1 TV:

100W

Outros:

600W

 

Total:

6700W

Calculo da corrente:

 

W

6700

I =

I =

= 52.8A

 

U

127

Calculo do momento elétrico:

M = A x m

M = 52.8 x 5 = 264 Ampéres x metros

Consultando a tabela de momentos elétricos (127V – 1%), verifica-se que o fio indicado é o de 10mm 2 . Consultando a tabela de limites de condução de corrente, verifica-se que a corrente máxima admissível para o fio de 10mnm 2 , em instalação ao ar livre (2 condutores carregados) é de 70A, portanto, superior a 52.8A, que é a corrente que a instalação irá apresentar, calculada acima. Desta forma, o fio 10mm 2 satisfaz perfeitamente. Resposta: 10m de fio de 10mm 2 , com isolamento a prova de tempo.

Exemplo 2:

Uma instalação de carga trifásica, de 14kW, 220V, deve ser ligada a partir do QDC, por um alimentador situado a 10m de distancia, devendo a fiação ser instalada em um eletroduto. Dimensionar os condutores.

U = 2% Carga: 14kW = 14000W

c
c

10m

Calculo da corrente:

W

3 x U

14000

3 x 200

33

I =

I =

= 36.8A

Calculo do momento elétrico:

M = A x m

M = 36.8 x 10 = 368 Ampéres x metros

Consultando a tabela “condutores em eletrodutos” do momento elétrico, verificamos que o fio indicado é o de 4,0mm 2 . Entretanto, pela tabela de limites de condução de corrente, a corrente máxima admissível para o fio de 4,0mm 2 instalado em eletroduto é de 28A. Para a corrente calculada (36.8A) deveremos utilizar o fio de 10mm 2 , cuja corrente máxima admissível é de 50A. Resposta: 30m de fio de 10mm 2 .

Exercícios

1 – Determinar o condutor capaz de transportar ema corrente de 50A nos 3 casos a seguir:

a) dois condutores instalados em eletroduto e temperatura ambiente 30°C;

b) oito condutores instalados em eletroduto e temperatura ambiente 30°C;

c) oito condutores instalados em eletroduto e temperatura ambiente 40°C.

2 – Determinar a bitola dos condutores aéreos a serem ligados a uma carga trifásica localizada a 80m de distancia e cuja corrente é de 15A. Sabe-se que a tensão é de 220V e a queda de tensão não pode ultrapassar 4%.

a)

determinar a queda de tensão que realmente ocorre no caso acima.

3

– Dimensionar os condutores que deverão atender uma instalação com uma carga trifásica de 20kW, 220V.

A

carga deverá ser ligada a um alimentador situado a 18m de distancia devendo a fiação ser instalada em

eletroduto. Queda de tensão máxima de 1%.

ALIM. C 18m
ALIM.
C
18m

4. Proteção dos Circuitos Elétricos

Uma instalação elétrica esta sujeita a acidentes de toda natureza e, para tanto, é necessária a existência de um sistema de proteção, a fim de danos maiores.

A Norma NBR 5410/90 estabelece os critérios básicos para proceder na determinação da proteção a ser

utilizada em uma instalação, proteção esta que pode ser do circuito (sobrecargas, curto – circuitos) ou de terceiros (incêndios, choques elétricos).

4.1 Elementos Básicos

Para um funcionamento eficiente dos dispositivos de proteção, dois elementos básicos da instalação devem ser bem dimensionados e distribuídos:

O neutro;

O aterramento.

34

4.1.1 O Neutro

O

não poderá ser seccionado por chaves, fusíveis ou de qualquer outra forma.

condutor neutro é o elemento do circuito que estabelece o equilíbrio de todo o sistema, assim, o mesmo

estabelece o equilíbrio de todo o sistema, assim, o mesmo A figura acima mostra a conexão

A figura acima mostra a conexão correta do neutro e da fase em interruptores

O neutro, como sabemos, é aterrado. Se a tubulação for metálica e aterrada, haverá um ponto comum entre a tubulação e o condutor neutro. Se houver uma passagem de corrente (fio desencapado) entre o condutor e a tubulação, conforme o indicado em A, quando desligarmos a lâmpada, o circuito se fará entre os pontos A, B e C, mantendo-a acesa. Devera haver um condutor neutro para cada circuito parcial, partindo do quadro de distribuição.

4.1.2 O Aterramento

Denomina-se aterramento a ligação intencional com a terra, isto é, com a massa condutora da Terra. Todo equipamento elétrico devera, por razões de segurança, ter o seu corpo aterrado. Também as instalações (eletrodutos metálicos, caixas, quadros de derivação, etc.) deverão ser bem aterradas. Isto é necessário porque poderá haver circulação de corrente entre a parte elétrica e a parte mecânica do aparelho (o caso mais comum é o do fio desencapado encostado na estrutura). Estando o aparelho aterrado esta corrente será desviada para a terra e poderá operar o dispositivo de proteção do circuito, mas se o aparelho não estiver aterrado, o caminho mais fácil para esta corrente poderá ser o corpo do próprio operador, causando danos às vezes irreparáveis. Dois são os tipos de aterramento a considerar:

O aterramento do sistema ou aterramento por questões funcionais;

O aterramento do equipamento ou aterramento por questão de proteção.

Um sistema aterrado possui o neutro ou outro condutor intencionalmente ligado a terra, diretamente ou através de uma impedância (resistência ou reatância).

O aterramento de um equipamento de uma instalação elétrica consiste na ligação a terra, através dos

condutores de proteção, de todas as massas (condutos metálicos, armações de cabos, carcaças de motores, caixas metálicas de equipamentos, etc.) e dos elementos condutores estranhos a instalação. Algumas maquinas elétricas portáteis vem com uma tomada de 3 pinos (um para aterramento), sendo comum

colocar um adaptador que elimina o pino de aterramento. Isto não deve ser feito porque o aterramento, como

foi dito anteriormente, evita que o operador venha a se acidentar quando utilizar o aparelho.

Os aterramentos são efetuados com eletrodos de aterramento que podem ser: hastes, perfis, barras, cabos

nus, fitas, etc. O termo eletrodo refere-se sempre ao condutor ou ao conjunto de condutores em contato com

a terra e, portanto, abrange desde uma simples haste isolada até uma completa “malha de aterramento”, constituída pela associação de hastes com cabos.

35

O “padrão” devera ser aterrado através de haste de terra de comprimento não inferior a 2,4m observadas as instruções da Norma ND – 5.1 – “Fornecimento em Tensão Secundária – Rede de Distribuição Aérea”.

4.2 Distúrbios nas Instalações Elétricas

Os principais distúrbios de natureza elétrica que podem ocorrer em uma instalação são:

Fugas de corrente, perdas e sobrecargas;

Curto – circuito

4.2.1 Fugas de corrente – Perdas – Sobrecarga A seta indica um ponto do circuito onde existe um mau isolamento.

Ponto de baixa isolação

Proteção

um mau isolamento . Ponto de baixa isolação Proteção Carga Fugas de corrente: Se numa instalação

Carga

Fugas de corrente:

Se numa instalação uma fase estiver mal isolada e fizer contato com a terra (a tubulação, por exemplo), por esse ponto fluirá uma corrente de fuga que poderá causar problemas a instalação. Se, por exemplo, numa instalação tivermos uma fuga de corrente entre a proteção e a carga, a corrente de fuga se somara a corrente de carga e poderá fazer com que a proteção atue, desligando o circuito. Para verificarmos se existem fugas de corrente em uma instalação devemos desligar todos os equipamentos elétricos ligados ao circuito e verificar se circula, ainda, alguma corrente (isto pode ser feito através do próprio medidor de energia). Verifique se o disco do medidor continua girando. Se estiver, é porque existe fuga de corrente na instalação elétrica. Procedendo desta maneira e desligando os circuitos parciais gradualmente, conseguimos determinar em qual circuito e em que ponto esta acontecendo a fuga. Uma das causas mais comuns de fugas são as emendas, por isso não se deve passar em uma tubulação fios emendados, as emendas deverão ser feitas nas caixas próprias e deverão ser isoladas. Também deverão ser verificados os bornes de ligação dos aparelhos e equipamentos, para evitar a possibilidade de contato com partes metálicas.

Perdas:

As perdas de energia se caracterizam por só surgirem quando há carga ligada ao circuito, ou seja, quando há circulação de corrente. Assim, quando circula por um condutor uma corrente, o mesmo aquece e o calor despendido por ele será a perda, que é igual a R x I 2 (R = resistência ao condutor). Quando a queda de tensão R x I for superior ao limite admissível, deve-se redimensionar o condutor para evitar que a perda assim provocada tenha valor significativo. Quando os terminais de um aparelho não estiverem firmemente ligados ao circuito, poderá haver um faiscamento, com conseqüente produção de calor e, portanto, perda de energia.

Sobrecarga:

Se ligarmos a um circuito cargas acima do limite para o qual o mesmo foi dimensionado, a sobrecorrente que circulara, produzira perdas e danificara os equipamentos (interruptores, tomadas, etc.) existentes e, se a proteção não estiver bem dimensionada poderá criar problemas como perdas de energia, queda de tensão, mal funcionamento dos aparelhos ligados ao circuito. A solução, neste caso, seria: ou retirar as cargas em excesso ou redimensionar o circuito.

36

4.2.2 Curto – Circuito

O curto – circuito é como o próprio nome indica um caminho mais curto (ou mais fácil) para a corrente elétrica.

Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga
Carga

Carga

Carga
V
V

Na primeira figura a corrente que circulava pela carga, passa a circular pelo ponto onde houve o curto – circuito; na segunda figura, a corrente que circulava pelas duas lâmpadas colocadas em serie, passa somente

a circular somente pela segunda lâmpada, como indicam as setas. Em ambos os casos, a corrente passou a circular pelo caminho de menor resistência.

Corrente curto – circuito

A corrente de um circuito é determinada pela expressão I = U / R, assim a corrente de curto – circuito tem o

seu valor limitado pela resistência do circuito por onde ela passa (resistência dos condutores, resistências dos

contatos e das conexões, etc.).

No circuito da figura anterior, se a instalação fosse feita com fio de 0,5mm 2 , cuja resistência é igual a 27,8 /km, tem-se:

Icc = U / R

R do fio: 27,8 /km

Comprimento do circuito: 2 x 5m = 10m

Resistência total do circuito: 27,8 /km x 10m / 1000 = 0,278

Corrente de curto – circuito: Icc = 127V / 0,278 = 457A

Esse valor de curto – circuito para o cabo de 0,5mm 2 implica na sua fusão com os riscos de incêndio. Deve-se observar que os efeitos elétricos de um curto – circuito só atinge a região entre o local do curto e a fonte de energia. Assim, um curto – circuito na rede de distribuição da rua, não atinge a instalação elétrica do consumidor. Para se evitar a possibilidade de curto – circuito deve-se manter a instalação sempre em bom estado, evitando-se emendas malfeitas, ligações frouxas, etc. Também, o dispositivo de proteção deverá estar bem dimensionado, a fim de, quando ocorrer o curto – circuito, ser desligada a energia elétrica.

4.3 Equipamento de Proteção

Os equipamentos de proteção normalmente utilizados em instalações elétricas residenciais são

seccionadores (chave faca) com fusíveis e disjuntores, pois, quando utilizados corretamente protegem a instalação contra curto – circuito e sobrecorrente. Quando acontece um curto – circuito, os fusíveis acoplados

a uma chave faca “queimam” necessitando serem substituídos. No caso de ser um disjuntor, acontece

apenas o desarme e para religá-lo basta acionar a alavanca. Assim, a utilização dos disjuntores é muito mais eficiente. No padrão de entrada a CEMIG só permite a utilização de disjuntores.

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- Fusíveis

São elementos de proteção contra curto – circuitos. O elemento fusível é constituído de um material mais fraco do que o circuito onde o mesmo esta ligado e quando ocorre o curto – circuito a corrente circulante provoca o aquecimento e consequentemente, a fusão do elemento fusível interrompendo o circuito. Se lançarmos em um gráfico o tempo que o fusível gasta para abrir um circuito para determinados valores de corrente, teremos a curva “Tempo x Corrente” do mesmo. Os fabricantes de fusíveis fornecem estas curvas, em catálogos de seus produtos, de tal maneira que podemos especificar a proteção de um circuito através das mesmas.

- Disjuntores

São dispositivos “termomagnéticos” que fazem a proteção de uma instalação contra um curto – circuito e contra sobrecargas.

contra um curto – circuito e contra sobrecargas. Componentes de um disjuntor de proteção - Contato

Componentes de um disjuntor de proteção

- Contato fixo

- Contato móvel

- Corpo ou encapsulamento isolante

- Mola

- Trava

móvel - Corpo ou encapsulamento isolante - Mola - Trava Acionador O disjuntor pode ser dividido

Acionador

O disjuntor pode ser dividido em duas partes:

a) disparador térmico – consiste em uma lâmpada bimetálica (dois metais de coeficientes de dilatação diferentes), que ao ser percorrida por uma corrente elevada aquece e entorta, destravando a alavanca do contato móvel, que é puxado pela mola, desligando o circuito.

b) disparador magnético – é formado por uma bobina intercalada ao circuito, que ao ser percorrida por uma corrente, atrai a trava, liberando a alavanca do contato móvel.

A combinação dos disparadores protege o circuito contra correntes de alta intensidade e de curta duração, que são as correntes de curto – circuito (disparador magnético) e contra as correntes de sobrecarga (disparador térmico). Uma das vantagens evidentes do disjuntor sobre o fusível é a durabilidade (quando o mesmo opera, desligando o circuito, basta liga-lo novamente). Em contrapartida o seu preço é mais elevado que o do fusível. As curvas “tempo x corrente” dos disjuntores são semelhantes as dos fusíveis e também são fornecidas pelo fabricante. Características de atuação com partida a frio a uma temperatura ambiente de a = 20°C. Disjuntores de 10 a 60A. Características de atuação com partida a frio a uma temperatura ambiente de a = 40°C. Disjuntores de 70 a

100A.

I = corrente efetiva IN = corrente nominal do disjuntor

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Observações:

Os fusíveis e disjuntores deverão ser instalados em painéis, de tal forma que se possa identificar rapidamente qual o equipamento desligado;

Os fusíveis queimados deverão ser substituídos por outros iguais e nunca “consertados”. Isso porque se o fusível for substituído por outro de capacidade maior, poderá causar danos ao circuito que ele esta protegendo;

Nos dispositivos porta – fusíveis só poderão ser colocados os fusíveis de capacidade recomendada e nunca de capacidade superior.

4.3.1 Dimensionamento da Proteção

Numa instalação, os dispositivos de proteção (disjuntores, fusíveis, etc.) têm por finalidade principal proteger os condutores dos respectivos circuitos contra sobrecargas (correntes de sobrecarga e correntes de curto – circuito) e, por extensão, os equipamentos de utilização ligados ao circuito. Nessas condições, tais dispositivos devem ser dimensionados de acordo com os dispositivos e condutores a proteger. A proteção de uma instalação deverá ser coordenada de tal forma que atuem em primeiro lugar as proteções mais próximas às cargas e as demais seguindo a seqüência. Caso contrário um problema em um ponto da instalação poderá ocasionar uma interrupção no fornecimento geral de energia. Assim, não poderemos ter no quadro de distribuição de um circuito de uma residência disjuntores de 50A, se o disjuntor geral instalado no “padrão” for de 40A. Nas instalações residenciais são usados em geral disjuntores em caixa moldada, calibrados a 20 ou 40°C, instalados em quadro de distribuição. Neles a temperatura ambiente (interna) é geralmente superior a do local onde estão instalados os condutores; como regra básica admiti-se uma diferença de 10°C. Assim, se os condutores forem considerados a 30°C, o quadro será considerado a 40°C. A tabela a seguir da as correntes nominais dos disjuntores que atendem à NBR 5361 em função de temperatura ambiente. A tabela abaixo nos informa, por exemplo, que um disjuntor unipolar de 30A, que é calibrado a 20°C, se instalado num quadro a 40°C atuará a partir de 27A. Por outro lado, um disjuntor tripolar de 70A, que é calibrado a 40°C, se instalado num quadro de 30°C, atuará a partir de 72,8A e se instalado num quadro a 50°C, a partir de 67,9A.

Correntes Nominais em Função da Temperatura Ambiente

Temperatura

 

20

 

30

 

40

 

50

Ambiente (°C)

 

Unipolar

Multipolar

Unipolar

Multipolar

Unipolar

Multipolar

Unipolar

Multipolar

 

10

9,5

9,6

9,0

9,2

8,5

8,8

 

15

14,3

14,4

13,5

13,8

12,8

13,2

 

20

19,0

19,2

18,0

18,4

17,0

17,6

 

25

23,8

24,0

22,5

23,0

21,3

22,0

Correntes

 

30

28,5

28,8

27,0

27,6

25,5

26,4

Nominais, In

 

35

33,3

33,6

31,5

32,2

29,8

30,8

(A)

 

40

38,0

38,4

36,0

36,8

34,0