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Matriz de atividade individual * Módulo: 2 – Juros simples e compostos Atividade: Atividade Individual

Matriz de atividade individual *

Módulo: 2 Juros simples e compostos

Atividade: Atividade Individual

Título: O Valor do Dinheiro no Tempo

Aluno: Laércio da Costa Ribeiro

Disciplina: Matemática Financeira

 

Introdução

Desde os tempos mais primitivos, dinheiro é objeto de desejo da grande maioria dos seres humanos normais.

Não é por acaso que o Mário Sérgio Cortella, citando Millôr Fernandes, afirma que o dinheiro não utiliza, em sua promoção, imagem de mulher nua ou pelo menos sexy. Mesmo sendo formal, careta, feio, sujo, rasgado, colado, o dinheiro é sempre mais sexy do que a Marilyn em seus melhores momentos (MILLOR apud CORTELLA, 2006, p. 60).

Entretanto, tal qual a famosa loura sedutora, o valor do dinheiro pode ser surpreendentemente efêmero e fugaz. Como destaca André Augusto Locatelli, o tempo é o maior inimigo do dinheiro, pois quanto maior o período, maiores serão as influências dos agentes externos em relação ao poder de compra de moeda específica. (LOCATELLI, 2009)

Justificativa

Por isso, a gestão do dinheiro no tempo deve ser objeto de total atenção daquele administrador que não quer e não pode deixar que os fluxos de caixa da empresa sofram por causa da ação degenerativa do tempo.

Aliás, gerenciar o fluxo de caixa é uma das atribuições que mais compromete o tempo dos executivos financeiros das empresas, pois muitas são as variáveis voláteis das quais depende o dimensionamento dos valores disponíveis convenientes à organização, como afirmam Almir Ferreira de Souza e Lucas Ayres B. de C. Barros (SOUZA e BARROS, 2000, p. 1)

Assim, é compreensível o estado de constante apreensão de administradores que têm sob sua responsabilidade direta a gestão do dinheiro no dia-a-dia das empresas. Pois se, por um lado, gerenciar o dinheiro exige tempo e atenção, por outro lado, esse mesmo tempo não para e, enquanto isso, o dinheiro pode estar perdendo seu valor.

Mas não há motivo para desespero. O dinheiro é recurso valioso e útil nas mãos daqueles que conhecem seus segredos. E o maior deles é o mecanismo dos juros, o único instrumento capaz de transformar o dinheiro no tempo. São os juros que harmonizam a convivência entre dinheiro e tempo.

O bom administrador entende a dinâmica dos juros e utiliza esse conhecimento para tomar as melhores decisões na gestão dos seus recursos financeiros. Em suas mãos o tempo pode deixar de ser ameaça para ser aliado do dinheiro da empresa. Quanto maior for o domínio dos conceitos do gestor sobre a aplicação de taxas de juros em operações financeiras, melhor aparelhado ele estará para garantir a melhor performance dos fluxos de caixa da organização. De acordo com Ernesto Puccini, é um conhecimento absolutamente imprescindível, uma vez que os custos dos financiamentos dados e recebidos são peças centrais do sucesso empresarial. (PUCCINI, 2007, p.8).

Desenvolvimento Em primeiro lugar, é necessária que haja clara compreensão a respeito dos regimes de

Desenvolvimento

Em primeiro lugar, é necessária que haja clara compreensão a respeito dos regimes de capitalização simples e compostos , seus princípios elementares e sua utilização no mercado financeiro.

O

regime de capitalização simples, no qual os juros incidem somente sobre o valor

inicial da operação financeira, é utilizado principalmente em operações financeiras

de curtíssimo prazo e nas operações de desconto simples de duplicata, de acordo com o sítio SóMatemática. Este regime apresenta vantagens para o agente tomador, pois o valor futuro da operação será menor já que os juros de um período não são incorporados à base de cálculo dos juros do período seguinte.

O

regime de capitalização composta, aquele em que os juros aferidos ao final do

período de capitalização são incorporados ao valor inicial da operação financeira, acumulando exponencialmente as taxas aplicadas a cada período, é utilizado na

maioria das operações financeiras, como Caderneta de Poupança, financiamentos imobiliários, fundos de renda fixa entre outros. Este regime é mais vantajoso para aquele que aplica, pois o valor futuro da operação será maior.

No dia a dia das empresas, estão presentes os tipos de regime, visto que, em todo momento, podem surgir oportunidades ou necessidades de operações de descontos de duplicatas, investimentos, aplicações ou financiamentos.

Por exemplo, em empresas de fabricação de máquinas gráficas, onde a transação de venda de um único equipamento para um único cliente pode ultrapassar a casa dos milhões de Reais, é comum haver negociações para parcelamentos através de contratos particulares entre comprador e vendedor, ou mesmo a concessão de prazos de faturas e duplicatas (30, 60, 90 dias ou mais). Nestes casos, pode existir a oportunidade para o administrador lançar mão de um crédito futuro, proveniente de duplicatas que vencem no médio e no longo prazo, para receber um valor no presente, que lhe será útil para o fechamento de um negócio importante, provisão de fundos para investimento estratégico, etc. É o caso típico de uma operação de Desconto de duplicatas. Dependendo da taxa de juros e das condições exigidas pela instituição financeira, apresenta-se como uma boa opção para a captação de recursos, que podem ser bastante oportunos para alguma necessidade presente da empresa. Nesta modalidade de operação financeira, normalmente aplica-se o regime de capitalização simples.

Já para empresas que prestam serviços no ramo de telecomunicações no varejo (provedores de internet, operadores de televisão por assinatura, telefonia etc.), percebe-se uma dinâmica diferente, com oportunidades diversas. Nessas empresas, a maior parte dos valores de fluxos de caixa líquidos diários concentra-se em torno de zero (SOUZA e BARROS, 2000, p 20). Entretanto, o negócio de telecomunicações exige investimentos pesados e constantes, a fim de manter a infraestrutura técnica sempre pronta para ofertas diferenciadas e de maior valor agregado para o consumidor final. Isso significa que, periodicamente, haverá necessidade de investimentos pontuais de grande vulto, para aquisições de equipamentos, software ou mesmo o projeto de estruturação de novos canais de atendimento ou vendas.

Portanto, administradores de empresas com esse perfil devem estar constantemente atentos para a gestão dos fluxos de caixa diários, de forma que todo e qualquer dinheiro que, em determinado momento, sobre na operação, possa ser aplicado de maneira rápida, eficiente e rentável, com boas taxas de juros e,

sobretudo, com cronogramas de retiradas / resgates alinhado a um bom planejamento de desembolso diário

sobretudo, com cronogramas de retiradas / resgates alinhado a um bom planejamento de desembolso diário da empresa pois chegará o momento em que todos os recursos disponíveis serão necessários para fazer frente aos compromissos da empresa. Em momentos como esse, entram em cena os fluxos diários de recebimento da operação, eventuais financiamentos junto a alguma instituição financeira comercial ou órgão governamental de fomento de desenvolvimento e uma poupança aplicada e bem remunerada. Tanto nessas operações de financiamento, quanto nas operações de aplicação de dinheiro no mercado financeiro, é utilizado o regime de capitalização de juros compostos.

Conclusão

De certa maneira, a aplicação do regime de capitalização simples parece mais justa para o agente tomador, já que os juros são, em tese, para valorizar o principal da operação no tempo. Ou seja: não fazem parte da operação em si.

Por outro lado, em seu favor, o regime de capitalização composta traz consigo o argumento de que, quem cede o capital poderia, ao final de cada período, resgatar

os

juros devidos para investimento ou aplicação em outras operações mas não o

faz. Como forma de compensar este custo de oportunidade, torna-se justo remunerar juros sobre os juros, incorporando-o ao saldo devedor da operação.

A

discussão sobre a justiça ou não deste e daquele regime, principalmente em

relação à capitalização composta, é antigo objeto de discussão legal desde a promulgação do Código Comercial Brasileiro, em 1850 (artigo 253º). A esse respeito, por exemplo, o Decreto 22.626, de abril de 1933, em seu artigo 4º, proíbe

a

prática do anatocismo (cobrança de juros sobre juros). Em contrapartida, a

Medida Provisória 1.964, de 2000 (reeditada até a MP 2.170-36, de 2001), em seu artigo 5º, torna admissível a capitalização de juros com periodicidade inferior a um

ano, para operações feitas por instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Além desses, há outros diplomas legais, acórdãos e doutrinas sobre a questão, que, muito provavelmente, não chegará a um denominador comum. O fato, entretanto, é que a prática é aceita no mercado financeiro nacional.

Assim, considerando-se a realidade do mercado financeiro e o cotidiano empresarial, o gestor que tem sob sua responsabilidade os recursos financeiros deve aprofundar-se no estudo detalhado da Matemática Financeira e de suas técnicas, da movimentação do mercado financeiro em relação aos produtos que lhe são oferecidos. Atenção dobrada deve ser dedicada às condições contratuais oferecidas especialmente no que diz respeito às taxas de juros e os regimes de capitalização.

De maneira geral, recomenda-se, sempre que possível, captar recursos em regime de capitalização simples e aplicar capital em regime de capitalização composta. Como nem sempre isso é possível, resta ao administrador preparar-se constantemente para, no momento certo, ter a sabedoria para decidir qual é a melhor operação financeira para a saúde da empresa.

Referências bibliográficas

CORTELLA, Mário Sérgio. Não nascemos prontos! : Provocações filosóficas, 1ª. Ed. Petrópolis, RJ, Vozes, 2006

SOUZA, A. e BARROS, A., Propriedades estatísticas dos fluxos de caixa e modelos de gerenciamento de caixa. REGE Revista de Gestão, Vol. 7, no. 2, 2000 PUCCINI, Ernesto Coutinho. Matemática Financeira, 1ª. Ed. Campo Grande, MS,

Ed. UFMS, 2010 BUCHANAN, James M. Cost and Choice: na inquiry in economic theory ,

Ed. UFMS, 2010

BUCHANAN, James M. Cost and Choice: na inquiry in economic theory, 1ª. Ed, Chicago, Il., Marham Publishing Company, 1969

LOCATELLI, André Augusto, Quanto vale o dinheiro no tempo? [online] Disponínvel na Internet via WWW. URL:

tempo/31350/ , publicado em 25/06/2009

SóMatemática, Matemática Financeira [online] Disponível na internet via WWW. URL: http://www.somatematica.com.br/emedio/finan.php

GOUVÊA, Eduardo de Oliveira, O anatocismo sempre esteve no ordenamento jurídico [online] Disponível na Internet via WWW. URL:

ordenamento-juridico , publicado em 03/05/2009

BRASIL, Lei n. 556, de 25 de junho de 1850, Institui o código comercial brasileiro, Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, folha 8, livro 1º. das leis e Resoluções, em 1º de julho de 1850

BRASIL, Decreto 22.626, 7 de abril de 1933, Lei da usura, D.O.U. 8 de abril de 1933, retificado em 17 de abril de 1933

BRASIL, Medida Provisória, 1.963-17, 30 de março de 2000, Dispõe sobre a administração dos recursos de caixa do Tesouro Nacional, consolida e

atualiza a legislação pertinente ao assunto e dá outras providências, D.O.U.

31

de março de 2000, página 21

BRASIL, Medida Provisória, 2.170-36, 23 de agosto de 2001, Dispõe sobre a administração dos recursos de caixa do Tesouro Nacional, consolida e

atualiza a legislação pertinente ao assunto e dá outras providências, D.O.U.

24

de agosto de 2001, página 7

*Esta matriz serve para a apresentação de trabalhos a serem desenvolvidos segundo ambas as linhas de raciocínio: lógico-argumentativa ou lógico-matemática.