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VIII-Castro-Brasil-1

COMPARAÇÃO ENTRE O TEMPO DE RETORNO DA PRECIPITAÇÃO MÁXIMA E O TEMPO DE RETORNO DA VAZÃO GERADA PELO EVENTO

Andréa Souza Castro (1)

- Aluna de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Sul;

- Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – IPH/UFRGS

- Engenheira Agrícola – Universidade Federal de Pelotas

Joel Avruch Goldenfum (2)

- Professor Adjunto do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande

do Sul;

- Pós-Doutorado em Engenharia Civil / Hidrologia Urbana - INSA-Lyon

- Doutor em Engenharia Civil/Hidrologia – Imperial College of Science, Technology and Medicine,

University of London

- Mestre em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental – IPH/UFRGS

- Engenheiro Civil – Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Endereço: Avenida do Forte 958 apto 434 – Vila Ipiranga Porto Alegre – RS – Brasil CEP: 91360-001 Tel.: +55 (51) 3347-4862 FAX: (55 51) 3316-7509 e-mail: andreascastro@bol.com.br

RESUMO

O tempo de retorno é de suma importância para a construção de obras hidráulicas, pois

define o risco de uma falha admissível. Sendo assim, esta variável é fundamental para as estimativas de precipitações e vazões máximas. Devido a vários fatores, como condições iniciais de umidade do solo, tipo de solo, cobertura da bacia (vegetação, urbanização ou tipo de plantio), escoamento dos rios e reservatórios, distribuição temporal e espacial da precipitação e influência do lençol freático, é provável que o tempo de retorno da precipitação não seja o mesmo da vazão gerada pelo evento. O objetivo deste trabalho foi comparar os tempos de retorno das precipitações máximas anuais e os tempos de retorno das descargas geradas por estas precipitações. A análise foi feita utilizando dados de precipitações e vazões para duas regiões distintas do Brasil: a bacia Tocantins-Araguaia, que pertence ao estado de Tocantins; e a bacia do Rio Pardo, que pertence ao estado do Rio Grande do Sul. A análise estatística demonstrou que para a bacia do Tocantins- Araguaia a igualdade entre o tempo de retorno da precipitação e o tempo de retorno da vazão só pode ser aceita para baixos níveis de significância, como de 0,1% e 1%. Já para a bacia do Rio Pardo os níveis de aceitação são ainda menores, ficando em 0,03% e 0,39%.

PALAVRAS CHAVES

Período de retorno, precipitação máxima, vazão de projeto.

INTRODUÇÃO

Segundo SILVEIRA (2004), tempo de retorno é definido como o número médio de anos o qual se espera que o evento (precipitação e vazão) analisado seja igualado ou superado.

O tempo de retorno é fundamental em uma obra hidráulica, pois definirá o risco de uma

falha admissível.

A vazão máxima é um parâmetro de projeto para diversas estruturas hidráulicas. Ela é

definida como um valor associado a um risco de ser igualado ou ultrapassado (TUCCI, 1993). Da mesma forma, a precipitação máxima constitui um valor de precipitação associado a uma probabilidade de não excedência e é determinada com base no risco ou tempo de retorno escolhido para o projeto. As vazões máximas associadas a uma determinada probabilidade de não excedência podem não ser provocadas pelas precipitações máximas com esta mesma probabilidade. O efeito que a precipitação provoca na vazão vai depender de vários fatores, tais como condições iniciais de umidade do solo, tipo de solo, cobertura da bacia (vegetação,

urbanização ou tipo de plantio), escoamento dos rios e reservatórios, distribuição temporal e espacial da precipitação e influência do lençol freático na vazão do rio. Por este motivo, o período de retorno da vazão resultante de um evento de chuva não possui necessariamente o mesmo tempo de retorno da precipitação que o gerou. Verificando a importância do tempo de retorno para o projeto de obras hidráulicas, torna-se importante verificar a significância da diferença entre os tempos de retorno da precipitação máxima

e tempo de retorno da vazão que foi gerada por esta precipitação.

O presente trabalho teve o objetivo de efetuar uma análise estatística para evidenciar se há

diferença significativa entre os períodos de retorno de precipitações observadas e das vazões por

elas geradas em duas regiões distintas do Brasil.

METODOLOGIA

Para este estudo foram analisados dados de precipitação e vazão de duas bacias hidrográficas localizada em diferentes regiões do Brasil: nos estados de Tocantins e Rio Grande do Sul. No Tocantins, foram utilizados dados de descarga da sub-bacia do rio Manuel Alves da Natividade (posto Porto Alegre no rio Manuel Alves da Natividade - código ANA: 22190000) que integra a bacia Tocantins-Araguaia. Esta sub-bacia possui área com cerca de 15000 km deságua no rio Tocantins pela sua margem direita. Dados de precipitação foram retirados do posto Porto Alegre do Tocantins (código ANA: 01147003), que possui uma série de dados com 23 anos. No Rio Grande do Sul, foram avaliados dados da bacia do Rio Pardo, que está localizada no centro do estado do Rio Grande do Sul, possuindo uma área de drenagem de 3.749,3 km 2 . Nesta bacia foi utilizada a estação pluviométrica de Botucaraí (código ANA: 02952003) e a estação fluvio- linimétrica Santa Cruz - Montante (código ANA: 85830000)

A análise estatística foi efetuada a partir do ajuste de distribuições de freqüência a séries

e

2

anuais de valores máximos de precipitação e vazão observados nos postos em análise. Foram utilizadas as distribuições Assintótica de Extremos Tipo I (Gumbel) e Empírica. A partir deste ajuste, tornou-se possível associar valores de períodos de retorno para qualquer evento observado. Foram então selecionados eventos de precipitação máxima anual observada e identificados os valores de vazão máxima gerados na bacia para cada um destes eventos. Para cada valor de precipitação

selecionado foi calculado o respectivo período de retorno, utilizando as distribuições ajustadas para

a série histórica de precipitações máximas anuais. Da mesma forma, foram calculados os períodos

de retorno de cada uma das vazões de pico geradas nas bacias, utilizando as distribuições ajustadas para a série histórica de descargas máximas anuais. Foi então determinada a diferença entre os períodos de retorno da precipitação e da vazão gerada em cada evento. O teste t (Student) foi aplicado à série de valores absolutos das diferenças entre períodos de retorno de precipitação e vazão de um mesmo evento, para verificar se há diferença significativa entre estes valores. Foi adotada a hipótese nula (H 0 ) de não haver diferença significativa entre os períodos de retorno de uma precipitação máxima e da vazão por ela gerada. Foi calculado o nível de significância (α) a partir do qual existe evidência estatística suficiente para aceitar a H 0 . Este valor de α representa a probabilidade de ocorrência de uma amostra igual à observada, se a H 0 for observada.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os valores de vazões máximas instantâneas observadas no Posto Porto Alegre no rio Manuel Alves da Natividade são apresentadas na tabela 1.

Tabela 1: Valores máximos instantâneos das vazões em m 3 /s na estação de Porto Alegre no rio Manuel Alves da Natividade.

Ano

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Máx.

1975

             

25,3

25,3

49,6

52,5

110,8

 

1976

83,6

111,8

107,9

151,7

83,6

30,2

26,3

25,3

98,2

115,7

156,5

165,3

165,3

1977

172,5

154,1

156,5

146,8

78,8

39,9

29,7

25,3

34,1

64,2

73,9

166,2

172,5

1978

171,1

214,8

205,1

139,5

93,3

59,3

38,0

29,2

31,1

98,2

78,8

171,1

214,8

1979

180,8

137,1

124,4

112,8

49,6

35,0

30,2

32,1

44,8

54,5

78,8

114,7

180,8

1980

118,6

146,8

137,1

141,9

47,2

34,5

30,7

27,7

43,8

35,5

133,2

141,9

146,8

1981

118,6

78,8

167,2

135,1

41,8

66,6

35,0

29,7

26,3

98,2

148,7

146,8

167,2

1982

156,5

146,8

112,8

88,5

38,0

32,1

29,2

29,2

49,6

59,3

49,6

69,0

156,5

1983

224,5

141,9

112,8

117,6

33,1

29,2

25,8

26,8

23,9

52,0

74,9

97,2

224,5

1984

79,7

136,1

146,8

105,0

44,8

29,7

26,8

26,8

35,0

71,0

57,4

83,6

146,8

1985

156,5

78,8

139,0

180,8

85,6

33,6

30,2

78,8

35,0

74,9

133,2

151,7

180,8

1986

132,2

143,9

106,0

117,6

64,2

34,1

31,1

30,2

29,2

66,1

95,3

119,6

143,9

1987

98,7

148,7

180,8

115,2

51,6

33,1

28,7

27,3

31,1

63,2

88,5

118,6

180,8

1988

171,1

117,6

217,7

72,9

37,0

30,2

27,3

26,3

28,2

87,5

68,1

175,9

 

1989

88,5

109,9

95,3

59,3

48,6

31,1

40,9

33,1

37,0

64,2

47,7

157,5

157,5

1990

107,9

123,5

140,0

91,4

49,6

31,6

30,2

38,9

54,5

69,0

44,8

130,3

140,0

1991

151,7

RS/RC

RS/RC

RS/RC

 

31,6

27,3

26,3

38,9

37,0

122,5

86,1

 

1992

163,8

215,8

73,9

52,0

42,8

28,2

27,3

25,3

 

33,6

104,0

143,9

 

1993

126,9

61,3

86,1

85,1

62,7

27,7

27,3

26,3

35,5

38,9

50,1

81,2

126,9

1994

91,4

123,5

149,2

119,6

38,4

31,1

28,2

26,3

24,3

25,3

106,9

73,4

149,2

1995

110,8

134,2

112,8

142,9

84,1

38,9

34,1

32,1

31,1

57,4

81,2

116,2

142,9

1996

79,3

69,5

107,4

94,3

42,8

33,1

29,7

28,7

27,7

44,3

87,0

105,5

107,4

1997

126,9

90,4

148,2

87,0

131,2

 

33,6

31,6

38,0

48,2

51,6

116,2*

 

1998

74,4

                       

Máx.

224,5

215,8

217,7

180,8

131,2

66,6

40,9

78,8

98,2

115,7

156,5

175,9

224,5

OBS: * = estimado; D = duvidoso; branco = real; AC = acumulado; SO = sem observação; RS/RC = régua seca/caída; - = não coletado; Máx = Valor máximo

Tabela 1: Valores máximos instantâneos das vazões em m 3 /s na estação de Porto Alegre no rio Manuel Alves da Natividade.

Fazendo uma análise dos dados desta tabela verifica-se que os valores máximos absolutos foram observados entre os meses de janeiro e março, enquanto os menores valores absolutos para as descargas ocorrem nos meses de agosto, setembro e outubro. Houve falhas de leitura nos meses de fevereiro e abril de 1991 no posto Porto Alegre localizado no rio Manuel Alves da Natividade, com a anotação de régua seca ou caída (RS/RC). Como estes meses correspondem épocas de cheia para a região, dados de níveis altos foram perdidos, o que prejudica a análise dos valores máximos absolutos observados. Sendo assim os dados deste ano foram descartados. O ano de 1997, também foi descartado devido ao valor estimado de vazão máxima no mês de dezembro. Os valores de vazões máximas anuais utilizados no ajuste de Gumbel e Função empírica para a bacia Tocantins-Araguaia são apresentados na tabela 2. Os dados relativos aos anos de 1988 e 1992 foram complementados utilizando os dados da tabela 1, uma vez que as falhas não ocorrem nos meses críticos.

Tabela 2: Valores adotados para análise de freqüência de vazões máximas instantâneas.

Ano

1976

1977

1978

1979

1980

1981

1982

1983

1984

1985

1986

Qmáx

 

(m

3 /s)

165,26

172,54

214,82

180,81

146,79

167,20

156,51

224,54

146,79

180,81

143,88

Ano

1987

1988

1989

1990

1991

1992

1993

1994

1995

1996

1997

Qmáx

 

(m

3 /s)

180,81

217,73

157,48

139,99

-

215,79

126,87

149,22

142,90

107,43

-

Tabela 2: Valores adotados para análise de freqüência de vazões máximas instantâneas.

A Figura 1 apresenta o ajuste da distribuição de Gumbel às vazões máximas observadas para a bacia Tocantins-Araguaia.

Figura 1: Ajuste da distribuição de Gumbel às vazões máximas instantâneas para a bacia Tocantins-Araguaia.

Vazões X Variável Reduzida (Y)

240 220 200 180 Qmáx = 26,813 Y + 150,27 160 R2 = 0,9487 140
240
220
200
180
Qmáx = 26,813 Y + 150,27
160
R2 = 0,9487
140
120
100
-2,0
-1,0
0,0
1,0
2,0
3,0
4,0
Vazões (m 3 /s)

Variável reduzida (Y)

Figura 1: Ajuste da distribuição de Gumbel às vazões máximas instantâneas para a bacia Tocantins-Araguaia.

Com os dados de precipitação do posto Porto Alegre de Tocantins, foram calculadas as curvas de Intensidade-Duração-Freqüência (Curvas IDF) para local. Para a construção das curvas IDF foi ajustada a distribuição de Gumbel aos maiores valores anuais de precipitação observada. O ajuste da distribuição de Gumbel às precipitações máximas pode ser visualizado através do gráfico apresentado na figura 2.

Figura 2: Ajuste da distribuição de Gumbel às precipitações máximas anuais para a bacia Tocantins-Araguaia.

Precipitação X Variável Reduzida (Y)

140 120 100 80 P = 15,827 Y + 72,35 R 2 = 0,9493 60
140
120
100
80
P = 15,827 Y + 72,35
R 2 = 0,9493
60
40
-1,5
-1,0
-0,5
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
Precipitação (mm)

Variável Reduzida Y

Figura 2: Ajuste da distribuição de Gumbel às precipitações máximas anuais para a bacia Tocantins-Araguaia.

Foi feita uma análise nos dados de precipitação e vazão simultaneamente para identificar qual valor de vazão de pico foi gerado para cada evento de precipitação máxima. A tabela 3 apresenta os valores de precipitação e vazão utilizados, bem como os períodos de retorno (TR) calculados, utilizando os ajustes da distribuição de Gumbel e da distribuição Empírica, e os valores absolutos das diferenças entre estes TR, para cada evento.

Tabela 3: Comparação entre tempos de retorno das duas distribuições para a bacia Tocantins- Araguaia.

 

Distribuição Empírica

 

Gumbel

Ano

TR (Precipitação)

TR (Vazão)

Diferença (Valor Absoluto)

TR (Precipitação)

TR (Vazão)

Diferença (Valor Absoluto)

1975

1,027

1,827

0,800

1,039

1,010

0,028

1976

1,451

1,558

0,107

1,457

1,000

0,456

1977

1,357

3,220

1,862

1,423

1,192

0,231

1978

13,538

8,250

5,288

9,106

1,724

7,382

1979

2,794

2,209

0,584

3,322

1,021

2,301

1980

3,799

2,794

1,005

5,510

1,078

4,431

1981

1,275

13,538

12,263

1,208

1,738

0,530

1982

1,827

5,933

4,106

1,752

1,631

0,121

1983

2,000

2,000

0,000

1,936

1,011

0,925

1984

1,080

1,138

0,058

1,064

1,000

0,064

1985

2,467

1,080

1,388

2,443

1,000

1,443

1986

37,714

1,203

36,512

10,387

1,000

9,387

1987

4,632

4,632

0,000

5,637

1,404

4,233

1988

1,558

37,714

36,157

1,487

2,177

0,691

1989

1,203

1,357

0,155

1,139

1,000

0,139

1992

3,220

3,799

0,579

3,577

1,289

2,288

1993

8,250

1,275

6,975

7,106

1,000

6,106

1994

1,682

1,682

0,000

1,597

1,002

0,595

1995

5,933

2,467

3,465

6,180

1,029

5,151

1996

1,138

1,451

0,313

1,119

1,000

0,119

1997

2,209

1,027

1,182

2,419

1,000

1,419

   

Média

5,371

 

Média

2,288

desv. Padrão

10,723

desv. Padrão

2,748

Variância

114,982

Variância

7,549

Tabela 3: Comparação entre tempos de retorno das duas distribuições para a bacia Tocantins- Araguaia.

O mesmo procedimento foi utilizado na bacia do Rio Pardo. A figura 3 apresenta o ajuste da distribuição de Gumbel às vazões máximas observadas para esta bacia.

Figura 3: Ajuste da distribuição de Gumbel às vazões máximas instantâneas para a bacia do Rio Pardo.

Vazões X Variável Reduzida (Y)

300 250 200 Q máx = 19,235.Y + 216,13 R 2 = 0,9336 150 100
300
250
200
Q máx = 19,235.Y + 216,13
R 2 = 0,9336
150
100
50
0
-1,50
-1,00
-0,50
0,00
0,50
1,00
1,50
2,00
2,50
3,00
3,50
Q
máx (m 3 /s)

Variável Reduzida (Y)

Figura 3: Ajuste da distribuição de Gumbel às vazões máximas instantâneas para a bacia do Rio Pardo.

O ajuste da distribuição de Gumbel às precipitações máximas para a bacia do Rio Pardo,

pode ser visualizado através do gráfico apresentado na figura 4.

Figura 4: Ajuste da distribuição de Gumbel às precipitações máximas anuais para a bacia do Rio Pardo.

Precipitação X Variável Reduzida (Y)

160 140 120 100 80 P = 21,515.Y + 82,252 R 2 = 0,9805 60
160
140
120
100
80
P = 21,515.Y + 82,252
R 2 = 0,9805
60
40
20
0
-1,5
-1,0
-0,5
0,0
0,5
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
Precipitação (mm)

Variável Reduzida (Y)

Figura 4: Ajuste da distribuição de Gumbel às precipitações máximas anuais para a bacia do Rio Pardo.

A tabela 4 apresenta os valores de precipitação e vazão utilizados, bem como os períodos

de retorno (TR) calculados, utilizando os ajustes da distribuição de Gumbel e distribuição Empírica, e os valores absolutos das diferenças entre estes TR, para cada evento na bacia do Rio Pardo.

Tabela 4: Comparação entre tempos de retorno das duas distribuições para a bacia do Rio Pardo.

 

Distribuição Empírica

 

Gumbel

Ano

TR (Precipitação)

TR (Vazão)

Diferença (Valor Absoluto)

TR (Precipitação)

TR (Vazão)

Diferença (Valor Absoluto)

 

1979 2,5230

1,1245

1,3985

1979 2,5230

1,1245

1980 1,1187

1,0248

0,0939

1980 1,1187

1,0248

1981 1,7788

1,0724

0,7064

1981 1,7788

1,0724

1982 15,4315

1,2457

14,1858

1982 15,4315

1,2457

1983 1,1732

1,3166

0,1434

1983 1,1732

1,3166

1984 4,3381

1,4859

2,8522

1984 4,3381

1,4859

1985 1,5501

1,1820

0,3681

1985 1,5501

1,1820

1986 43,0714

1,3961

41,6753

1986 43,0714

1,3961

1987 2,8178

1,5879

1,2299

1987 2,8178

1,5879

1988 1,0238

1,8408

0,8170

1988 1,0238

1,8408

1989 1,0691

2,0000

0,9309

1989 1,0691

2,0000

1990 1,2996

2,7009

1,4013

1990 1,2996

2,7009

1991 9,4219

1,7050

7,7169

1991 9,4219

1,7050

1992 3,6768

2,1894

1,4874

1992 3,6768

2,1894

1993 6,7753

2,4184

4,3569

1993 6,7753

2,4184

1994 5,2895

6,4944

1,2049

1994 5,2895

6,4944

1995 1,9204

5,0702

3,1498

1995 1,9204

5,0702

1996 3,1905

3,5244

0,3339

1996 3,1905

3,5244

1997 1,3736

4,1583

2,7847

1997 1,3736

4,1583

1998 2,0865

14,8205

12,7340

1998 2,0865

14,8205

1999 2,2841

3,0582

0,7741

1999 2,2841

3,0582

2000 1,2331

9,0313

7,7982

2000 1,2331

9,0313

2001 1,6566

41,2857

39,6291

2001 1,6566

41,2857

2002 1,4565

41,2857

39,8292

2002 1,4565

41,2857

   

Média

7,8167

 

Média

3,9350

desv. Padrão

13,1344

desv. Padrão

4,7795

Variância

172,5121

Variância

22,8435

Tabela 4: Comparação entre tempos de retorno das duas distribuições para a bacia do Rio Pardo.

Para cada distribuição ajustada, foi aplicado o teste t de Student para verificar se ocorreu diferença significativa entre os tempos de retorno da precipitação e da vazão. Considerou-se como hipótese nula que as diferenças absolutas entre as médias do tempo de retorno da precipitação e tempo de retorno da vazão fossem zero (H0: média das diferenças dos TR precipitação - média das diferenças TR vazão = 0). Foram calculados as médias, desvio padrão e variância para as diferenças absolutas. Na bacia Tocantins-Araguaia, para o ajuste efetuado com a distribuição de Gumbel, o valor limite de significância a partir do qual existe evidência estatística suficiente para aceitar a hipótese nula foi de α = 0,05 %. Isto significa que, se a H 0 for válida (ou seja, se não houver diferença estatística significativa entre os períodos de retorno das precipitações e vazões de pico de um mesmo evento), o conjunto de dados observado tem uma probabilidade de ocorrência de 0,05 %. Portanto, só há evidência estatística suficiente para aceitar a hipótese nula para níveis de significância inferiores a 0,05 %. Para o ajuste efetuado com a distribuição Empírica, o valor limite de significância foi de α = 1,6 %. Portanto, só há evidência estatística suficiente para aceitar a hipótese nula para níveis de significância inferiores a 1,6 %. Já na bacia do Rio Pardo, para o ajuste efetuado com a distribuição de Gumbel, o valor limite de significância a partir do qual existe evidência estatística suficiente para aceitar a hipótese nula foi de α = 0,03 %. Para o ajuste efetuado com a distribuição Empírica, o valor limite de significância foi de α = 0,39 %. Portanto, só há evidência estatística suficiente para aceitar a hipótese nula para níveis de significância inferiores a 0,03 % com a adoção da Função de Gumbel e para níveis de significância inferiores a 0,39 % com o uso da distribuição Empírica.

CONCLUSÕES

Foi efetuada uma análise estatística para verificar se há diferença significativa entre os períodos de retorno de precipitações observadas e das vazões por elas geradas, utilizando dados de duas regiões distintas do Brasil. A diferença entre os tempos de retorno da vazão e precipitação pode ser causada pelas condições iniciais de umidade do solo, tipo de solo, cobertura da bacia (vegetação, urbanização ou tipo de plantio). Estes fatores contribuem diretamente para uma menor ou maior infiltração, influenciando também a recarga do lençol freático. Os dados analisados indicam que a hipótese nula – igualdade entre o tempo de retorno da precipitação e o tempo de retorno da vazão de um mesmo evento – para o posto da região da bacia Tocantins-Araguaia é aceita para níveis de significância muito pequenos, tanto para adoção da distribuição de Gumbel quanto para a função Empírica. Para esta região, a hipótese nula só é aceita para a função Empírica com níveis de significância inferiores a 1,6 % e para a distribuição de Gumbel com níveis de significância inferiores a 0,05 %. Isto significa que, se a hipótese nula for válida, o conjunto de dados observado tem uma probabilidade de ocorrência muito pequena (equivalente aos níveis de significância calculados). Da mesma forma, para a região da bacia do Rio Pardo, a hipótese nula só e aceita para níveis de significância muito pequenos para ambas distribuições. Nesta bacia, utilizando a função Empírica a hipótese nula só é aceita com níveis de significância inferiores a 0,39 % e para a distribuição de Gumbel com níveis de significância inferiores a 0,03 %. A análise dos dados, utilizando a função Gumbel e Empírica, indica portanto que existe uma diferença significativa entre os tempos de retorno da precipitação e o tempo de retorno da vazão gerada no mesmo evento na região da bacia do Rio Pardo e na bacia Tocantins-Araguaia.

AGRADECIMENTOS

Os autores deste trabalho agradecem o apoio do CNPq, concedido através de bolsa de Doutorado para a primeira autora (Andréa Souza Castro) e bolsa de Produtividade em Pesquisa para o segundo autor (Joel Avruch Goldenfum).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. SILVEIRA, A. L. L. “Ciclo Hidrológico e Bacia Hidrográfica”, in : TUCCI, Carlos Eduardo (coord).

2004. Hidrologia: ciência e aplicação. 3. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ABRH. 943 p.

2. TUCCI, C. E. M. “Vazão Máxima e Hidrograma de Projeto”, in : TUCCI, Carlos Eduardo (coord).

2004. Hidrologia: ciência e aplicação. 3. ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ABRH. 943 p.