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Materiais Cerâmicos Cerâmicos Tradicionais e Técnicos e suas Propriedades Rodrigo Riccó 10/21/2010

Materiais Cerâmicos

Cerâmicos Tradicionais e Técnicos e suas Propriedades

Rodrigo Riccó

10/21/2010

Graduação em Engenharia Mecatrônica

Materiais Cerâmicos: Cerâmicos Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades

Sumário

e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Sumário Resumo 4 Introdução 5 Materiais Cerâmicos

Resumo

4

Introdução

5

Materiais Cerâmicos

6

Cerâmicos Amorfos

7

Vitrocerâmicos

7

Cerâmicos Tradicionais

8

Cerâmicos Técnicos

9

Propriedades Mecânicas

11

Densidade

11

Módulo de elasticidade

11

Módulo de Rutura

13

Tração e Resistência à Compressão

15

Dureza

16

Choque Térmico

16

Influência da porosidade

17

Propriedades Térmicas

18

Capacidade Térmica

18

Expansão Térmica

18

Condutividade Térmica

19

Propriedades Elétricas

21

Condução Elétrica

21

Resistividade

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Materiais Cerâmicos: Cerâmicos Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades

Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Tensão de Colapso 23 Propriedades Dielétricas 23

Tensão de Colapso

23

Propriedades Dielétricas

23

Conclusão

24

Bibliografia

25

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Resumo

e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Resumo Os materias cerâmicos são materiais inorgânicos, formados

Os materias cerâmicos são materiais inorgânicos, formados por elementos

metálicos e não metálicos, ligados quimicamente entre si através de ligações iônicas

e/ou covalentes.

Estes materiais podem ser divididos em vários tipos, entre eles,

os cerâmicos

tradicionais e os cerâmicos técnicos, base deste trabalho.

Os materiais cerâmicos apresentam um alto ponto de fusão e uma grande

estabilidade química e, são normalmente isolantes térmicos e elétricos devido a ausência

de elétrons de condução, embora possam existir certos materiais cerâmicos

semicondutores, condutores e até mesmo supercondutores.

Sob condições ambientais severas são comumente estáveis. E, geralmente, estes

materias são duros, frágeis e com baixa ductilidade.

As propriedades dos materiais cerâmicos variam muito devido às características

das ligações químicas presentes nos diferentes tipos de materiais.

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Introdução

e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Introdução As fases da evolução da humanidade são divididas em

As fases da evolução da humanidade são divididas em função dos tipos de

materiais utilizados: idade da pedra, do bronze, do ferro etc

As atuais necessidades tecnológicas têm levado os cientistas a estudar e a

compreender o comportamento dos materiais de uma forma mais científica.

É essencial que se compreenda a inter-relação entre os seguintes três aspectos: a

estrutura dos materiais, as suas diversas propriedades e as respetivas tecnologias de

processamento. Este conhecimento é fundamental no desenvolvimento de novas

tecnologias, escolha de um projeto, seleção de materiais, indicação de custo-benefício,

entre outros.

Os materias cerâmicos são materiais inorgânicos, não metálicos, constituídos

por elementos metálicos e não metálicos (diamante, quartzo), ligados quimicamente

entre si através de ligações iônicas e/ou covalentes.

O termo “cerâmica” deriva da palavra grega Keramikos, que significa “material

queimado”, o que indica que as propriedades desejadas destes materiais são obtidas

através de um processo de tratamento com altas temperaturas.

A argila foi o primeiro material inorgânico a adquirir propriedades

completamente novas, resultado de uma operação intencional realizada por seres

humanos.

Esta operação, denominada de “queima” (sinterização), tornou possível a

obtenção de potes, panelas e outros utensílios cerâmicos com um impacto enorme na

vida e nos hábitos do Homem. Segundo Kranzberg e Smith, este foi talvez o começo da

engenharia de materiais. Supõe-se que tenha ocorrido por volta do 8º milénio a.C

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Materiais Cerâmicos

Técnicos e suas Propriedades Materiais Cerâmicos Os materiais cerâmicos podem ser divididos em:  Amorfos

Os materiais cerâmicos podem ser divididos em:

Amorfos (Vidro)

Vitrocerâmicos

Cerâmicos Tradicionais

Cerâmicos Técnicos

Estes materiais são duros e frágeis, com pouca tenacidade e ductilidade, devido à

existência de planos de deslizamento independentes, ligações iônicas e/ou covelentes,

isto é, ausência de deformação plástica.

Por aplicação de forças elevadas ocorre uma fratura frágil, devido à separação

das ligações entre pares de elétrons.

A ausência de elétrons livres torna os materiais cerâmicos bons isolantes

térmicos (coeficiente de condutibilidade térmica é cerca de 0,002 cal.cm/ºC.cm 2 .s) e

elétricos.

As suas temperaturas de fusão são, normalmente, bastante elevadas e possuem

uma grande estabilidade química, que lhes confere uma boa resistência à corrosão.

A sua tensão de rutura é variável (0,69 MPa 700 MPa) e possuem uma baixa

resistência ao impacto (ligação iônica - covalente).

No que diz respeito à compressão, a sua resistência é elevada, pode variar entre

2 MPa para tijolos de barro cozido até 200 MPa para as porcelanas, enquanto nas

cerâmicas vermelhas varia entre 20 a 80 MPa.

Nos materiais cerâmicos há ausência de plasticidade durante o carregamento

cíclico, devido às ligações iônicas e covalentes entre átomos. Devido a isso, a fratura

por fadiga nestes materiais é rara.

O choque térmico nestes materiais é um fenómeno frequente devido às elevadas

temperaturas e à sua fragilidade. A sua sensibilidade a este choque aumenta com a

diminuição da condutividade térmica e com o aumento do coeficiente de expansão

térmica.

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Cerâmicos Amorfos Os materiais cerâmicos amorfos (vidro),

Cerâmicos Amorfos

Os materiais cerâmicos amorfos (vidro), são materiais inorgânicos fundidos e

arrefecidos sem cristalizar, tendo o seu ponto de fusão indefinido e uma elevada

viscosidade.

Os vidros são constituídos fundamentalmente por sílica (que tem um ponto de

fusão elevado), soda caústica e cal, para além de outros óxidos metálicos em

quantidades menores, para baixar o ponto de fusão.

O ponto de fusão do vidro ocorre a cerca de 1500ºC e, o seu ciclo de tratamento

é composto por um aquecimento de cerca de 1h e um arrefecimento lento de cerca de

2h. Este arrefecimento tem que ser lento porque as tensões criam linhas de refração.

que ser lento porque as tensões criam linhas de refração. Fig. 1 Vitrocerâmicos Os materiais vitrocerâmicos

Fig. 1

Vitrocerâmicos

Os materiais vitrocerâmicos apareceram há pouco mais de 40 anos. Eles são

produzidos a partir da cristalização controlada de materiais vítreos. Essa cristalização é

um fenómeno que ocorre quando o vidro (contendo um agente nucleante dissolvido) é

submetido a temperaturas que variam entre os 500 e os 1100ºC.

Estes materiais são lisos e muito mais resistentes que o vidro. Para além disso,

podem ter uma baixa condutividade elétrica e dilatação térmica quase nula que os

tornam bons isolantes térmicos.

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Cerâmicos Tradicionais

Técnicos e suas Propriedades Cerâmicos Tradicionais Os cerâmicos tradicionais são obtidos a partir de três

Os cerâmicos tradicionais são obtidos a partir de três componentes básicos:

Argila (silicato de alumínio hidratado (Al 2 O 3 .SiO 2 .H 2 O), ferro e

magnésio);

Sílica (SiO 2 )

Feldspato (K 2 O.Al 2 O 3 .6SiO 2 )

Argila

A argila é composta por partículas coloidais de diâmetro inferior a 0,005mm,

constituídas por arranjos tetraédricos, com elevada plasticidade quando úmidas e, com

dificilmente desagregáveis pela pressão dos dedos quando secas.

Sílica

A sílica é o silicato quimicamente mais simples (SiO 2 ).

A sua estrutura consiste numa rede tridimensional gerada quando cada átomo de

oxigênio do vértice do tetraedro é compartilhado pelo tetraedro adjacente.

Quando os tetraedros são estruturados de forma ordenada, forma-se uma

estrutura cristalina.

A sílica pode-se apresentar de três formas cristalinas distintas:

Quartzo

Cristobalite

Tridimite

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Cerâmicos Técnicos Os cerâmicos técnicos ou avançados

Cerâmicos Técnicos

Os cerâmicos técnicos ou avançados são aqueles que apresentam propriedades

úteis ao desenvolvimento de novas tecnologias. Essas propriedades podem ser elétricas,

óticas, magnéticas ou combinação de todas elas.

As propriedades dos cerâmicos técnicos são ou, têm potecial para serem

utilizados em motores de combustão ou turbina, dispositivos eletrônicos, ferramentas de

corte, etc.

Os

cerâmicos técnicos são geralmente formados por compostos puros, ou quase

puros, tais como:

Óxidos

Alumina (Al 2 O 3 ) placas de circuitos integrados, implantes,

sensores, velas de ignição.

Óxido de magnésio (MgO) diodos, dissipadores de calor

Zircónia (ZrO 2 )

Nitretos

Nitreto de silício (Si 3 N 4 ) motores (turbinas)

Nitreto de boro (BN) ferramentas

Nitreto de titânio (TiN) revestimento de ferramentas

Carbonetos

Carboneto de silício (SiC)

Carboneto de tungsténio (CW)

A zircónia juntamente com a alumina numa liga, traduz-se na melhoria à

resistência ao desgaste e na diminuição dos custos.

A

alumina possui resistência à compressão superior e grande resistência à

corrosão.

O carboneto de silício possui níveis de porosidade pequenos (cerca de 3%), é o

mais duro dos abrasivos e tem uma excelente resistência à oxidação a temperaturas

elevadas.

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades O nitreto de silício mantém as suas propriedades até

O nitreto de silício mantém as suas propriedades até 1000ºC, possui maior

resistência ao choque térmico, tem um baixo coeficiente de expansão térmica e a sua

rigidez é 50% superior à do aço.

Cerâmica Tradicional vs Cerâmica Técnica

 

Matérias

     

Cerâmica

Primas

Propriedades

Processamento

Aplicações

 

Naturais,

     

Tradicional

(Silicatos)

minerais

industriais

Mecânica,

estética

Olaria, colagem,

prensagem,

extrusão,

Construção,

produtos

(< de 98%

domésticos

pureza)

queima

   

Elétrica,

   

Produtos

magnética,

Prensagem,

Eletrônica,

químicos

nuclear, ótica,

Técnica

moldagem por

estrutural,

industriais

mecânica,

(alto desempenho)

(> 98% de

térmica,

injeção,

química,

pureza)

química,

sinterização

refratários

biológica

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Propriedades Mecânicas Muitos materiais estão sujeitos a

Propriedades Mecânicas

Muitos materiais estão sujeitos a pressões e cargas na sua utilização, como por

exemplo, a liga de alumínio utlizada na criação de asas de aviões e o aço utilizado nos

eixos dos automóveis. Nestas situações é necessário saber as características dos

materiais utilizados e desenhados de forma a que a deformação seja mínima e que não

ocorra nenhuma fratura. O comportamento mecânico dos materiais reflete a relação

entre a sua deformação e a carga ou força aplicada.

As propriedades dos materiais cerâmicos são fortemente influenciadas pelos

fortes laços interatômicos que prevalecem.

Os materias cerâmicos são de certa forma limitados na sua aplicação pelas suas

propriedades mecânicas. O principal factor é a tendência para a fraturar, de uma forma

frágil, com pouco absorção de energia.

Densidade

A massa por unidade de volume de um material é a sua densidade. O termo é

frequentemente utilizado como sinônimo de gravidade específica.

Módulo de elasticidade

O fenómeno do coeficiente de temperatura de expansão (TCE) tem sérias

implicações nas aplicações de substratos cerâmicos.

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Fig. 2 Coeficiente de Temperatura de Expansão dos
Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Fig. 2 Coeficiente de Temperatura de Expansão dos

Fig. 2 Coeficiente de Temperatura de Expansão dos Materiais Cerâmico

Quando uma amostra de material tem uma extremidade fixa, o que pode ser

considerado como resultado de uma ligação a outro material que tem um TCE muito

menor, a malha de alongamento da extremidade mais quente por unidade de

comprimento, ou por tensão (E), do material é calculada por

ou por tensão (E), do material é calculada por Onde E é a tensão no comprimento/comprimento

Onde E é a tensão no comprimento/comprimento e

temperatura através da amostra.

comprimento/comprimento e temperatura através da amostra. é o diferencial de O alongamento desenvolve na amostra uma

é o diferencial de

O

alongamento

desenvolve

na

amostra

uma

tensão

comprimento que é dada pela Lei de Hooke:

uma tensão comprimento que é dada pela Lei de Hooke: (S) por unidade de Onde (N/m

(S)

por

unidade

de

Onde

(N/m 2 ).

pela Lei de Hooke: (S) por unidade de Onde (N/m 2 ). é a tensão em

é a tensão em psi/in (N/m 2 /m) e

Onde (N/m 2 ). é a tensão em psi/in (N/m 2 /m) e é o módulo

é o módulo de elasticidade em lb/in 2

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Quando a tensão total , calculada multiplicando a

Quando a tensão total , calculada multiplicando a tensão/unidade de

comprimento pela dimensão máxima da amostra, excede a resistência do material,

formar-se-ão fraturas mecânicas na amostra que se poderão propagar até ao ponto de

separação. O pequeno alongamento que ocorre antes da falha é denominado

deformação plástica.

ocorre antes da falha é denominado deformação plástica . Fig. 3 Propriedades Mecânicas de Cerâmicas Selecionadas

Fig. 3 Propriedades Mecânicas de Cerâmicas Selecionadas

Módulo de Rutura

Os testes normais de tensão-deformação não são geralmente utilizados para

testar substratos cerâmicos, uma vez que não apresentam comportamento elástico de

grau elevado. Como teste alternativo, utiliza-se o teste do módulo de rutura. Uma

amostra da cerâmica, circular ou retangular, é suspensa em dois pontos, é aplicada força

no centro e o alongamento da amostra é medido. A tensão é calculada por

alongamento da amostra é medido. A tensão é calculada por Em que a tensão em MPa,

Em que

da amostra é medido. A tensão é calculada por Em que a tensão em MPa, o

a tensão em MPa,

medido. A tensão é calculada por Em que a tensão em MPa, o momento máximo de

o momento máximo de flexão em N-m,

é aque a tensão em MPa, o momento máximo de flexão em N-m, distância entre o centro

distância entre o centro e a superfície exterior em m e

o momento de inércia em N-m 2 .

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Fig. 4 Sistema de carregamento de três pontos para
Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Fig. 4 Sistema de carregamento de três pontos para

Fig. 4 Sistema de carregamento de três pontos para medir o comportamento tensão-deformação e resistência à flexão de cerâmicas frágeis

e resistência à flexão de cerâmicas frágeis Fig.5 Amostra padrão de tração com seção transversal

Fig.5 Amostra padrão de tração com seção transversal circular

Amostra padrão de tração com seção transversal circular Fig. 6 Representação esquemática do aparelho usado para

Fig. 6 Representação esquemática do aparelho usado para conduzir testes de tração de tensão-deformação

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Tração e Resistência à Compressão Forças aplicadas a

Tração e Resistência à Compressão

Forças aplicadas a um substrato cerâmico numa direção tangencial pode

produzir tração ou forças de compressão. À medida que a força aumenta, passando um

valor denominado resistência à tração, a rutura ocorre. Quando uma força é aplicada na

direcção oposta cria forças de compressão até atingir um valor denominado resistência

à compressão, o ponto de rutura também ocorre. A resistência à compressão das

cerâmicas é, geralmente, maior que a resitência à tração.

é, geralmente, maior que a resitência à tração. Fig.7 Resistência à Fratura de materiais selecionados A

Fig.7 Resistência à Fratura de materiais selecionados

A resistência à tração das cerâmicas é muito inferior ao esperado, isto porque,

existem defeitos no materiais, concentradores de tensão: poros, fronteiras de grãos,

trincas e riscos superficiais.

σ m = 2σ 0

a ρ t
a
ρ
t

σ m = tensão máxima aplicada na trinca

σ 0 = tensão nominal aplicada

a = comprimento superficial da trinca

ρ t = raio de curvatura da extremidade da trinca

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Dureza As cerâmicas estão entre as substâncias mais duras

Dureza

As cerâmicas estão entre as substâncias mais duras conhecidas, e a sua dureza é

difícil de medir. A maioria dos métodos dependem da capacidade de um material riscar

o outro, e a medição é apresentada numa escala relativa. Dos métodos disponíveis, o

método Knoop é o mais utilizado. A superfície é altamente polida, e um estilete de

diamante sob uma carga leve é usado para criar impato no material. A profundidade da

reentrância formada pelo estilete é medida e convertida para uma escala qualitativa,

chamada escala Knoop ou HK.

para uma escala qualitativa, chamada escala Knoop ou HK. Fig. 8 Dureza Knoop para materiais selecionados

Fig. 8 Dureza Knoop para materiais selecionados

Choque Térmico

O choque térmico ocorre quando o material é exposto a temperaturas extremas

num curto espaço de tempo. Sob estas condições, o material não se encontra num

equilíbrio térmico e, uma tensão interna pode ser o suficiente para causar uma fratura.

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Influência da porosidade Para algumas técnicas de

Influência da porosidade

Para algumas técnicas de fabricação de cerâmicas, o principal material é em

forma de pó. Subsequente à compactação ou formação destas partículas de pó nas

formas desejáveis, poros ou espaços vazios irão existir entre elas.

Os poros reduzem a área de seção reta, através da qual uma carga é aplicada.

Actuam como concentradores de tensão e 10% do seu volume reduz em 50% a

resistência à flexão.

e 10% do seu volume reduz em 50% a resistência à flexão. Fig. elasticidade de óxido

Fig.

elasticidade de óxido de alumínio em temperatura ambiente

Influência da porosidade no módulo de

9

ambiente Influência da porosidade no módulo de 9 Fig. 10 Influência da porosidade na resistência à

Fig. 10 Influência da porosidade na resistência à flexão de óxido de alumínio em temperatura ambiente

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Propriedades Térmicas

Técnicos e suas Propriedades Propriedades Térmicas Propriedade térmica significa, a resposta do material à

Propriedade térmica significa, a resposta do material à aplicação de calor.

Enquanto um sólido absorve energia, a sua temperatura sobe e a sua dimensão aumenta.

A capacidade térmica, a expansão térmica e a condutividade térmica, são

propriedades frequentemente críticas na utilização prática dos sólidos.

Capacidade Térmica

A capacidade térmica é a propriedade que é indicativa da capacidade de um

material absorver calor de uma envolvente externa. Representa a quantidade de energia

necessária para produzir um aumento de temperatura em uma unidade.

Na maioria dos sólidos, a forma de assimilação de energia térmica é através do

aumento na energia vibracional dos átomos.

Expansão Térmica

A maioria dos materiais sólidos se expandem com o calor e se contraem quando

são arrefecidos.

expandem com o calor e se contraem quando são arrefecidos. Fig. 11 Tabela de Propriedades Térmicas

Fig. 11 Tabela de Propriedades Térmicas para as Cerâmicas

Ligações interatômicas relativamente fortes são encontradas em muitos materiais

cerâmicos, o que se reflecte, comparativamente, nos baixos coeficientes da expansão

térmica; os valores encontram-se entre 0.5 X 10 -6 e 15 X 10 -6 (ºC) -1 .

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Os materiais cerâmicos que estão sujeitos a alterações

Os materiais cerâmicos que estão sujeitos a alterações de temperatura devem ter

coeficientes de expansão térmica relativemente baixos. Se não acontecer desta forma, os

materiais podem sofrer fraturas como consequência de alterações dimensionais não

uniformes, denominadas choque térmico.

Condutividade Térmica

A condução térmica é o fenómeno através do qual o calor é transportado de

regiões de elevada a baixa temperatura de uma substância. A propriedade que

caracteriza a capacidade de um material transferir calor, tem o nome de condutividade

térmica.

Existem dois mecanismos que contribuem para a condutividade térmica:

O movimento de elétrons livres;

Vibrações da rede, ou fônons

Quando um material é aquecido localmente, a energia cinética dos elétrons livres

nas proximidades da fonte de calor aumenta, fazendo com que os elétrons migrem para

áreas mais frias.

Na cerâmica, o fluxo de calor é devido, principalmente, à geração de fôtons e, a

condutividade térmica é, geralmente, inferior à dos metais. Estruturas cristalinas, como

a alumina, são condutores de calor mais eficientes do que estruturas amorfas, como o

vidro.

Impurezas e outros defeitos estruturais nas cerâmicas tendem a baixar a

condutividade térmica.

na

condutividade térmica. Na realidade, muitas cerâmicas que são utilizadas para

isolamentos térmicos são porosas.

A porosidade

nos

materiais

cerâmicos

tem

uma

grande

influência

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Fig. 12 Dependência da condutividade térmica na
Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Fig. 12 Dependência da condutividade térmica na

Fig. 12 Dependência da condutividade térmica na temperatura para vários materiais cerâmicos.

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Propriedades Elétricas

Técnicos e suas Propriedades Propriedades Elétricas As propriedades elétricas das cerâmicas representam uma

As propriedades elétricas das cerâmicas representam uma importante tarefa para

o funcionamento dos circuitos eletrônicos.

Condução Elétrica

Lei de Ohm

Uma das características mais importantes dos materiais sólidos é a

facilidade com que se transmite corrente elétrica. A Lei de Ohm relaciona o

tempo de passagem de carga (I) com a voltagem aplicada (V):

V=RI

Onde R é a resistência do material através da qual a corrente passa. As

unidades para V, I e R são, respectivamente, volts (J/C), amperes (C/s) e ohms

(V/A). O valor de R é influenciado pela configuração da amostra. A resitividade

ρ é independente da geometria da amostra, mas relacionada com R, através da

expressão:

da amostra, mas relacionada com R, através da expressão: I é a distância entre dois pontos

I é a distância entre dois pontos onde a voltagem é medida, e

A

é

a

área

transversal perpendicular à direção da corrente. As unidades para ρ são ohm-meters

(Ω - m).

corrente. As unidades para ρ são ohm -meters (Ω - m). Fig. 13 Representação esquemática do

Fig. 13 Representação esquemática do aparelho usado para medir a resistividade elétrica.

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Resistividade Muitos polímeros e cerâmicas iônicas são

Resistividade

Muitos polímeros e cerâmicas iônicas são materiais isolantes à temperatura

ambiente. Muitos materiais são utilizados tendo por base a sua capacidade para isolar e,

uma elevada resistividade elétrica é desejável.

A resistividade elétrica de um material é uma medida da capacidade do material

transportar carga sob a influência de um campo elétrico aplicado.

carga sob a influência de um campo elétrico aplicado. Fig. 14 Condutividade Elétrica Com a subida

Fig. 14 Condutividade Elétrica

Com a subida da temperatura, os materiais isolantes experenciam um aumento

na condutividade elétrica.

Tanto os cátions como os ânions nos materiais iônicos possuem uma carga

elétrica e, como consequência, são capazes de migração ou difusão quando um campo

elétrico está presente. Claro que, as migrações dos ânions e cátions são feitas em

direções opostas. A condutividade total de um material iônico (σ total ) é igual ao

somatório das contribuições elétrônicas e iônicas:

σ total = σ eletrônico + σ iônico

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Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Tensão de Colapso Enquanto as cerâmicas são, normalmente,

Tensão de Colapso

Enquanto as cerâmicas são, normalmente, muito boas isolantes, a aplicação

excessiva de alto potencial pode expulsar elétrons da órbita com energia suficiente que

lhes permita expulsar outros elétrons da órbitra, criando assim um efeito avalanche. O

resultado é o colapso das propriedades de isolamento do material, permitindo que a

corrente flua.

Propriedades Dielétricas

Dois condutores próximos com uma diferença no potencial têm a capacidade de

atrair e armazenar carga elétrica. Se colocar um material com propriedades dielétricas

entre eles, aumenta esse efeito. O materila dielétrico tem a capacidade de formar dipolos

elétricos (deslocamentos de carga elétrica) internamente.

Equação da constante dielétrica:

elétrica) internamente. Equação da constante dielétrica: ou Em que C é a constante de proporcionalidade –

ou

internamente. Equação da constante dielétrica: ou Em que C é a constante de proporcionalidade –

Em que C é a constante de proporcionalidade capacitância (coulomb,volt ou

farad).

– capacitância (coulomb,volt ou farad). Em que ε 0 é a permitividade do espaço livre =

Em que ε 0 é a permitividade do espaço livre = 8.854x10 -12 F/m

Colocando no espaço livre um material dielétrico (isolante):

no espaço livre um material dielétrico (isolante): A resistência dielétrica traduz-se na capacidade do

A resistência dielétrica traduz-se na capacidade do material guardar energia a

elevadas voltagens.

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Materiais Cerâmicos: Cerâmicos Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades

Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Conclusão As cerâmicas encontram-se num estágio bastante

Conclusão

As cerâmicas encontram-se num estágio bastante dinâmico de desenvolvimento

devido, ao seu significante aumento. Isto coloca uma variedade de demandas no

processamento das cerâmicas: melhorar as suas propriedades, maior uniformidade e

reprodutibilidade e, em uma escala maior, uma produção mais eficiente.

O aumento da utilização e a diversidade de formas especiais de cerâmicas,

contribui para a diversidade de tecnologias de processo a serem utilizadas.

Os cerâmicos tradicionais atingiram um elevado estado de amadurecimento,

prevendo-se que, futuramente, sejam alvo de aplicações com designs cada vez mais

arrojados e sistemas de distribuição do produto mais rentáveis.

Os cerâmicos técnicos ou avançados têm vindo a ser aplicados em situações

cada vez mais exigentes, devido aos avanços tecnológicos que têm permitido a obtenção

de propriedades mecânicas melhores.

Outubro 2010

Araraquara

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Graduação em Engenharia Mecatrônica

Materiais Cerâmicos: Cerâmicos Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades

Tradicionais e Cerâmicos Técnicos e suas Propriedades Bibliografia Barsoum, Michael W. , “Fundamentals of

Bibliografia

Barsoum, Michael W., “Fundamentals of Ceramics”, IOP Publishing, 2003

Harper, Charles A., “Handbook of Ceramics, Glasses, and Diomonds”, McGraw-Hill,

2001

Sergent, Dr. Jerry E., “Chapter 7 - Ceramics and Ceramics Composite”

Jr., William D. Callister, “Fundamentals of Materials Science and Engineering”, John

Wiley & Sons Inc, 2001, 5ª Ed.

Outubro 2010

Araraquara

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