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INTENSIVÃO AGU/DPU Disciplina: Direito Penal Prof.: Gustavo Junqueira Data: 14/12/2008

INTENSIVÃO AGU/DPU Disciplina: Direito Penal Prof.: Gustavo Junqueira Data: 14/12/2008

Material do Professor

Crimes contra a Fé Pública

Fabrico

“Comete crime de fabricação de moeda falsa, quem é encontrado com cédulas, primitivamen- te autênticas, despidas de assinaturas por processo químico e destinadas ao fabrico de outras falsas (TFR – AC – Rel. Cunha Melo – RT 225/564).

Não é necessário colocar em circulação

Os crimes contra a fé pública são crimes de perigo, formais, onde se tutela imediatamente a fé pública e apenas mediatamente o patrimônio particular. O que se exige é a potencialidade lesi- va do objeto material do falso e não a ocorrência de lesão efetiva. A consumação do crime in- depende da introdução da moeda falsa em circulação, a mera ação de ‘adquirir’ ou ‘guardar’ a cédula, tendo ciência de sua inautenticidade, já configura o delito” (TRF 4.ª R. – Ap. 97.04.09631-3 – Rel. Fábio Bittencourt da Rosa – j. 09.03.99 – RT 765/732).

Insignificância

No que diz respeito à alegação concernente ao pequeno valor da cédula falsa encontrada com o réu, tal fato não interfere na tipificação ou na consumação do delito de moeda falsa, previsto no art. 289 do CP, eis que o objeto jurídico primordialmente tutelado pelo tipo penal é a fé pública” (TRF 3.ª R. – 5.ª T. – AP 14.029 – Rel. Ramza Tartuce – j. 15.04.2003 – JSTJ-LEX 169/492).

STF reconhece insignificância

EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. MOEDA FALSA. FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. CONDUTA ATÍPICA. ORDEM CONCEDIDA. A apreensão de nota falsa com valor de cinco reais, em meio a outras notas verdadeiras, nas circunstâncias fáticas da presente impetração, não cria lesão considerável ao bem jurídico tutelado, de maneira que a conduta do paciente é atípica. 4. Habeas corpus deferido, para trancar a ação penal em que o paciente fi- gura como réu. - HC 83526 / CE . Rel Joaquim Barbosa - 16/03/2004

Indiferente o número de pessoas atingidas

“O delito de moeda falsa consiste em infração penal cujo bem jurídico atingido é a fé pública, ou seja, a segurança da sociedade em relação à circulação monetária. O sujeito passivo desse crime é o Estado e a coletividade. A lesão ao bem protegido não pode ser mensurada pela quantidade de cédulas introduzidas em circulação pelo sujeito ativo, nem pelo número de lesio- nados pela conduta criminosa. Portanto, qualquer que seja o montante da falsificação ou o nú- mero de pessoas atingidas, há ofensa ao bem jurídico, o qual não é quantificado. Assim sendo, não há falar em aplicação do princípio da insignificância em relação ao crime de circulação de moeda falsa” (TRF 4.ª R. – 6.ª T. – AP 2001.04.01.037286-0 – Rel. Fábio Bittencourt da Rosa – DJU 21.05.2002, p. 670).

Idoneidade

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INTENSIVÃO AGU/DPU Disciplina: Direito Penal Prof.: Gustavo Junqueira Data: 14/12/2008

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“A idoneidade de meios no crime de moeda falsa é relativa. Não é necessário que a falsificação seja perfeita, mas basta que apresente possibilidade de ser aceita como verdadeira” (TFR – AC

– Rel. Henrique D’Ávila – RF 158/344).

Imitatio veritatis

“Em tese, a simples imperfeição da cédula falsificada não desfigura o crime definido no art. 289 do CP, pois, como ensina Magalhães Noronha, no crime de falsificação necessária a imitatio ve- ritatis, contudo, não se exige perfeição na imitatio veri, sendo tão-só preciso, conforme Manzi- ni, citado pelo mesmo autor, que a coisa falsificada apresente os caracteres específicos exterio- res da moeda ou do papel-moeda, tendo assim a idoneidade de induzir a engano um número indeterminado de pessoas (Direito Penal, 3.ª ed., 1/148). Esse engano, não alcançado em luga- res mais adiantados do país, pode ser atingido em outros, apesar de grosseira a falsificação, eis que o público de uma região não é o mesmo de outra, como ressalta Teodolindo Castiglione (Código Penal Brasileiro, Comentários, 1956, 10.1.89)”

Falsificação grosseira afasta o crime

Atestando o laudo pericial ‘reprodução gráfica a cores de péssima qualidade’, o que significa falsidade de fácil descoberta se empregados o discernimento e atenção do homem médio, efeti- vamente não se mostrava a cédula apta a ofender a fé pública” (TRF 3.ª Reg. – Rec. 97.03.036918-9 – Rel. Peixoto Jr. – j. 19.10.1999).

Súmula 73 STJ

“A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelio- nato, da competência da Justiça Estadual” (Súm. 73/STJ).

Prova do dolo

“Age com dolo aquele que tenta colocar em circulação a moeda falsa, utilizando-se da mesma

como pagamento de coisa de valor econômico irrisório, demonstrando que o objetivo é a obten- ção de troco da moeda legal e não a aquisição da coisa propriamente dita” (TRF 3.ª R. – 1.ª T.

– AP 1999.03.99.103754-0 – Rel. Roberto Haddad – j. 19.02.2002).

Consumação

“O delito descrito no § 1.º do art. 289 do CP é de mera conduta, independendo para sua con- sumação de dano material à vítima, bastando a potencialidade lesiva para consumar-se. O deli- to em exame protege a fé pública, e não o patrimônio alheio

“Considera-se consumado o delito de moeda falsa previsto no art. 289, § 1.º, do CP com a sim- ples guarda pelo agente de notas de reais inautênticas, sendo desnecessária introduzi-las em circulação, mormente quando o réu não explica o modo como foram adquiridas” (TRF 3.ª R. – Ap. 97.03.072261-0 – Rel. Casem Mazloum – j. 17.02.98 – RT 753/724).

Tentativa - admissibilidade

Saliente-se a propósito, que é possível configurar-se nesse ilícito a tentativa, como leciona Heleno Cláudio Fragoso, “já que a falsificação permite um desdobramento do processo executi-

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vo” (Lições de Direito Penal, 1959, 3/776). Mas esse é aspecto pertinente a questão de fato, que só no curso da instrução criminal poderá ficar esclarecido” (TFR – HC – Rel. Décio Miranda – RTFR 32/328).

Tentativa - inadmissibilidade

“No crime de fabrico de moeda falsa não se pune a idéia, nem a exteriorização inacabada. De- lito formal que é, não se harmoniza, em regra, com a tentativa” (TFR – AC – Rel. Henrique D’Ávila – RF 138/240

Pluralidade de cédulas e crime único

No delito de falsificação existe uma infração única, qualquer que seja o número de cédulas fal- sificadas” (TFR – Rev. – Rel. Godoy Ilha – RF 216/293 e 214/265).

Confronto art. 289 e 290

Alterar moeda-papel, com aposição de fragmentos de uma cédula sobre outra, para aparentar maior valor, é delito punido pelo art. 289 e não pelo art. 290 do CP” (STF – RE – Rel. Victor Nunes Leal – RTJ 33/506).

Diferença entre art. 289 e 290

A diferença entre o crime definido no art. 290 e o art. 289 é que, naquele, se cogita de moeda recolhida ou já inutilizada, e, neste, de fabricação ou adulteração de moeda circulante. Ao falsi- ficador se equipara, para os efeitos da penalidade, todo aquele que por conta própria ou alheia, importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação mo- eda falsa, ressalvadas as hipóteses previstas nos §§ 2.º e 3.º do mesmo artigo, que não são de aplicar-se no caso julgando” (TFR – AC – Rel. Sampaio Costa – RJTFR 1/11).

Moeda falsa absorve estelionato

Aquele que adquire bens utilizando como meio de pagamento dinheiro falso deve responder somente pelo crime de moeda falsa, previsto no art. 289, § 1.º, do CP, ficando o estelionato absorvido naquele pela aplicação do princípio da consunção, uma vez ser incompatível o reco- nhecimento do concurso formal entre essas duas figuras delitivas” (TRF 4.ª Reg. – Ap. 96.04.65531-0 – Rel. Fábio Bittencourt da Rosa – j. 04.11.1997 – RT 751/702).

Moeda Falsa não absorve estelionato

Fazer circular moeda falsa, introduzindo-a no mercado e utilizando-a para aquisição de veículo, induzindo terceiro de boa-fé em erro, configura o concurso formal dos delitos de introdução de moeda falsa e estelionato” (TRF 3.ª R. – AC 95.03.062979-9 – Rel. Célio Benevides – RT

728/671).

Impossível concurso do caput com §1º no mesmo contexto

O ilustre julgador singular afastou o concurso material apontado na denúncia (guarda de moeda falsa e introdução de moeda falsa em circulação). Para assim fazê-lo, considerou que o crime previsto no § 1.º do art. 289 do CP se constitui de ação múltipla, penalizando-se, apenas, uma das condutas. Considerou, então, a conduta de introdução de moeda falsa em circulação, que

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era o objetivo dos réus ao empreenderem a viagem. Esse posicionamento não merece qualquer

censura, pois não há concurso material entre as condutas tipificadas em um mesmo dispositivo legal. A intenção do legislador é a de dar maior garantia ao bem jurídico penalmente tutelado.

O agente somente será punido por uma das modalidades do crime de ação múltipla. Nesse sen-

tido o entendimento de Julio Fabbrini Mirabete e Paulo José da Costa Júnior, citados pelo ilustre julgador” (TRF 4.ª R. – Ap. 96.04.66401-8 – Rel. Jardim de Camargo – j. 26.06.97 – JSTJ e TRF

103/550).

Condutas equiparadas §1º

Guarda

“Comete o crime de guarda de moeda falsa o agente que tem a posse da moeda falsa, ou a tem

à sua disposição, desde que tenha consciência da sua falsidade (TRF 5.ª R. – 1.ª T. – AP 2003.05.00.023488-9 – Rel. Ubaldo Ataíde Cavalcante – j. 30.06.2005 – RT 845/707)

Condutas equiparadas

trazer consigo

Trazendo a acusada consigo duas cédulas comprovadamente falsas e não produzindo qualquer prova de que pretendia consultar um entendido para confirmar se eram ou não autênticas, re- conhece-se como configurado o crime do art. 289, § 1.º, do CP” (TRF 4.ª R. – 7.ª T. – AP 2002.04.01.00449-9 – Rel. Vladimir Freitas – j. 21.04.2002 –

Condutas equiparadas §2º

“Comprovado nos autos que o réu, tendo recebido moeda falsa de boa-fé, ao perceber a inau- tenticidade, agiu livre e conscientemente com o fim de reintroduzi-la em circulação para evitar prejuízo, sendo de rigor a manutenção do decreto condenatório. Consumação do tipo previsto no art. 289, § 2.º, do CP com a recolocação da cédula falsa em circulação, mediante a entrega da nota inautêntica a terceira pessoa” (TRF 3.ª R. – 1.ª T. – AP 2001.60.000696-0 – Rel. Luiz Stefanini – j. 30.11.2004 – DJU 24.01.2005, Sec. 2).

Destinação especial

Trata-se de critério objetivo, e não da especial intenção do agente.

A expressão “especialmente destinado” do art. 291 há de ser entendida no sentido estrito de destinação objetiva, peculiar a falsificação, não se concebendo ao objeto outra aplicação” (TJSP

– AC – Rel. Joaquim de Sylos Cintra – RT 167/147).

Consumação e tentativa

Não há necessidade de alguma fabricação ou produção de moedas. Basta a posse do aparelho ou material:

Moeda falsa – Posse do material adequado à falsificação – “O crime de moeda falsa se integra pela simples posse de material destinado à falsificação” (TFR – Rel. Macedo Ludolf – RF 1

18/542).

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Conto da guitarra

“É indispensável à perfeição do delito previsto no art. 291 do CP a inequivocidade do destino do maquinismo, aparelho ou instrumento destinado à falsificação. Visando o petrecho não especifi- camente a contrafação da moeda, mas sim a prática de fraudes, como, por exemplo, o ‘conto da guitarra’, somente se poderá cogitar de eventual estelionato” (TACRIM-SP – HC – Rel. Ricar- do Couto – JUTACRIM 19/249).

Competência

Em regra da Justiça Federal.

Competência. Petrechos para falsificação de moeda. Art. 291 do CP – “Se os petrechos ou ins- trumentos apreendidos não se prestam apenas para a contrafação de moeda, já que podem ser utilizados para a prática de outras fraudes, como por exemplo, o ‘conto do paco’, a competência da ação penal é da Justiça Estadual” (STJ – 3.ª T. – CC 76.820-0 – Rel. Anselmo Santiago – DJU 05.12.94).

Súmulas

Súmula 62: compete a justiça estadual processar e julgar o crime de falsa anotação na carteira de trabalho e previdência social, atribuído a empresa privada. (Ex: empresa anota tempo de trabalho superior ao real para passar impressão de experiência suficiente, sem buscar qualquer benefício previdenciário – STJ CC 46029).

Súmulas

Súmula 107: compete a justiça comum estadual processar e julgar crime de estelionato prati- cado mediante falsificação das guias de recolhimento das contribuições previdenciárias, quando não ocorrente lesão a autarquia federal. (exemplo é a apropriação de valores por administrado- ra que recebia valores de condomínio para pagar contribuições previdenciárias, falsificando gui- as de recolhimento para prestar contas (CC 62405)

Súmulas

Súmula 104: compete a justiça estadual o processo e julgamento dos crimes de falsificação e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.

Sujeito ativo ou passivo

DTZ1052641 - INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 327 DO CÓDIGO PENAL - O artigo 327 do Código Penal equipara a funcionário Público servidor de sociedade de economia mista. Essa equiparação não tem em vista os efeitos penais somente com relação ao sujeito ativo do crime, mas abarca também o sujeito passivo. (STF - HC 79.823-3 - RJ - 1ª T. - Rel. Min. Moreira Alves - DJU 02.02.2001)

Médico do SUS é funcionário

(majoritário)

II. O médico de hospital credenciado pelo SUS que presta atendimento a segurado, por ser considerado funcionário público para efeitos penais, pode ser sujeito ativo do delito de

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concussão. III. A simples leitura do conceito de funcionário público adotado antes mesmo da complementação realizada pela Lei n.º 9.983/00, revela que todos aqueles que, embora transitoriamente e sem remuneração, venham a exercer cargo, emprego ou função pública, estão incluídos no conceito de funcionário público para fins penais. Precedentes. IV. Recurso desprovido. (STJ - REsp 762.249 - RS - 5ª T. - Rel. Min. Gilson Dipp - DJU 06.03.2006, p. 436)

Médico do SUS não é funcionário

(minoritário)

Na seara do Direito Penal, a extensão do conceito de funcionário público encontra-se vinculado à noção de função pública, que pressupõe o desempenho, em caráter profissional e ainda que por pessoas estranhas à Administração, de quaisquer atividades próprias do Estado direcionadas à satisfação de necessidades ou conveniências de interesse público. Os administradores e médicos de estabelecimentos hospitalares privados credenciados pelo SUS que prestam atendimento aos beneficiários da seguridade social não se enquadram no conceito de funcionário público definido no art. 327, do CP, para efeitos de crime de concussão, por desempenharem atividade privada, a eles entregues pelo próprio ordenamento constitucional. Inexistindo justa causa para a ação penal, por ausência de elemento normativo subjetivo do

(STJ

tipo, impõe-se a concessão do habeas corpus para fazer cessar o constrangimento ilegal - RHC 8.267 - RS - 6ª T. - Rel. Min. Vicente Leal - DJU 17.05.1999, p.240)

Dirigente de autarquia federal profissional

1. As entidades de fiscalização das profissões têm sido consideradas como autarquias federais profissionais, estando os seus dirigentes, para fins penais, incluídos no conceito de funcionário público, conforme preceitua o art. 327, parágrafo único do Código Penal. 2. Denegação da ordem de habeas corpus. (TRF1ª R. - HC 1998.01.00.084233-6 - BA - 3ª T. - Rel. Juiz Olindo Menezes - DJU 26.03.1999, p.93)

Necessário que se valha do cargo

“Constitui circunstância elementar do tipo penal descrito no art. 312 do CP que o agente se va- lha da facilidade que sua qualidade de funcionário lhe proporciona. Comprovado que o acusado, na condição de atendente dos correios, apropriou-se indevidamente de valor referente a reem- bolso postal, impõe-se a sua condenação.” (TRF 5.ª R. – 4.ª T. – Ap. 2001.83.00.013603-0 – Rel. Des. Alberto Gurgel de Faria – j. 04.11.2003 – DJU 09.12.2003 e RT 822/738).

Uso de dinheiro e apropriação

“A doutrina tem por assente que o dinheiro público é sagrado. Por uma fictio juris, considera-se infungível. O funcionário que o recebe não passa de longa manus da Administração, jamais podendo considerar-se como mutuante ou depositário irregular” (TJSP – AC – Rel. Humberto da Nova – RJTJSP 18/399-400).

Bem Jurídico

“O crime de peculato é contra a Administração Pública e não contra o patrimônio. O dano, na espécie, necessário e suficiente para a sua integração, é o inerente à violação do dever de fide- lidade para a mesma administração. E o animus restituendi é irrelevante para o peculato dolo- so, influindo a reposição tão-somente nos casos de apropriação indébita e de peculato culposo” (TJSP – AC – Rel. Felizardo Calil – RJTJSP 68/405).

Não se aplica insignificância

Consoante pacífica jurisprudência deste Regional, tendo em vista que o objeto jurídico do delito de peculato é a probidade administrativa, visando a tutela da Administração Pública, tanto do

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ponto de vista patrimonial quanto moral, não se aplica o Princípio da Insignificância nessa espécie de crime, uma vez que a caracterização da tipicidade independe do montante apropriado. 3 - Estagiário que desempenha funções em entidade parestatal, para fins penais, é equiparado à funcionário público, nos termos do art. 327, § 1º, do Código Penal. (TRF4ª R. - ACrim. 2001.71.00.002428-1 - RS - 8ª T. - Rel. Des. Federal Luiz Fernando Wowk Penteado - DJU 16.06.2004)

Impossível falar de adequação da conduta

Configura-se o crime de peculato capitulado no art. 312, caput, do CP, quando o agente se apropria de numerário pertencente a órgão estatal, no exercício de função pública, não se podendo falar que a sua conduta é atípica, sob a alegação de que o seu proceder constituía praxe admitida dentro da repartição pública, uma vez que referida praxe não contém o atributo da legalidade, mas, pelo contrário, amolda-se perfeitamente ao tipo penal encartado no art. 312, caput, do CP.

Necessária prova do dolo

PECULATO - PROFESSORA - INEXISTÊNCIA DE PROVA SEGURA DA APROPRIAÇÃO - Professora que fica, sob sua guarda, com importância em dinheiro, proveniente de receita de festa escolar. A versão da ré, de que esqueceu do dinheiro num dos armários da escola, deve ser aceita, inexistindo prova segura de que o objeto material teria sido retirado da escola e levado para outro local. Não havendo ato revelador de animus domini, e de ter-se como não ocorrida a apropriação, ação física do delito de peculato. Apelo do Ministério Público, improvido. (TJRS - ACrim. 70005096250 - 4ª C.Crim. - Rel. Des. Gaspar Marques Batista - J. 24.10.2002)

Não há peculato-desvio se segue para a administração

Não se configura o delito de peculato-desvio quando o agente público destina verba pública para outro elemento que o determinado por lei. 2. Verba para o FUNDEF que foi emprestada ao Estado para resolver déficit de caixa. 3. Ausência de configuração do tipo previsto na parte final do art. 312 do CP. 4. Denúncia rejeitada. (STJ - APen 391 - MS (200401661228) - C.Esp. - Rel. Min. José Delgado - DJU 25.09.2006)

Não há peculato-desvio se segue para a administração

Peculato. Art. 312 do CP. Verba pública – “Longe fica de configurar crime de peculato o empre- go de verba pública em obra diversa da programada, fazendo-se ausente quer a apropriação, quer o desvio em proveito próprio ou alheio” (STF – TP – APO 375-2 – Rel. Marco Aurélio – j.

27.10.2004).

Ex. Peculato-desvio

PENAL. PECULATO-DESVIO. AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS. ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO: DOLO ESPECÍFICO. 1. Comete peculato-desvio o patrulheiro rodoviário federal que, em razão da função de agente público, deixa de recolher a motocicleta (objeto de furto), apreendida nas proximidade do posto policial, por falta de documentação, e passa a utilizá-la em suas atividades pessoais como se sua fosse, vindo a devolvê-la ao legítimo proprietário somente após descoberta a ilicitude, meses depois. Provadas a autoria, a materialidade do crime e o dolo específico, não socorre ao apelado a alegação de ter cometido mera irregularidade administrativa, invocando a figura do peculato-uso, não contemplada em nosso ordenamento. 2. Apelação provida. (TRF1ª R. - ACr 9301012588 - MG - 3ª T. - Rel. Des. Olindo Menezes - DJ 24.02.2006, p. 41)

Peculato de uso

Peculato de uso insustentável. V.v. - Crime contra a Administração Pública. Peculato - Definição legal do tipo fundamental. Caso de peculato-desvio. Motocicleta apreendida em processo-crime.

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INTENSIVÃO AGU/DPU Disciplina: Direito Penal Prof.: Gustavo Junqueira Data: 14/12/2008

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Utilização em favor da administração pública. Pressuposto subjetivo do tipo. Proveito próprio ou alheio. Dolo específico ausente. Serviços particulares. Utilização momentânea ou eventual. Ausência do animus domini. Delito não configurado. (TJRJ - Ação Penal Pública 3/93 - J. em 17/03/97 - D.J. 19.12.1998 - Rel. Des. Fernando Whitaker)

Peculato de uso é crime para prefeitos

[

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PECULATO DE USO - CRIME DE RESPONSABILIDADE - ART. 1º, INCISO II, DO DECRETO -LEI N. 201/67 - UTILIZAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS EM PROVEITO PRÓPRIO - PREFEITO MUNICIPAL QUE EM CONCURSO COM OS SECRETÁRIOS DO MEIO RURAL E DO PLANEJAMENTO UTILIZA-SE DE MAQUINÁRIO E SERVIDORES DA PREFEITURA NA CONSERVAÇÃO DE ESTRADAS DA PROPRIEDADE PARTICULAR DE SEU PAI, SEM AUTORIZAÇÃO LEGAL PARA TANTO - AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS - DENÚNCIA PROCEDENTE - CONDENAÇÃO PENA APLICADA NO MÍNIMO LEGAL - ADVENTO DO PRAZO PRESCRICIONAL ENTRE A DATA DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E O PRESENTE MOMENTO - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE QUE SE IMPÕE (TJSC - ProcCr 2004.012406-6 - 2ª C. Crim. - Rel. Des. Torres Marques - DJSC 09.08.2005)

Prova do dolo é necessária

Tendo as missões existido e ambos os réus delas participado, sua conduta de não pernoitar, algumas vezes, no local da missão não se amolda à descrição de peculato, na modalidade furto, ante a inexistência do dolo da subtração. Portanto, a absolvição é medida que se impõe. III - Recurso do Ministério Público desprovido. (TRF1ª R. - ACrim 200039010005193 - PA - 3ª T. - Rel. Des. Fed. Cândido Ribeiro - DJU 14.01.2005, p. 31)

Peculato-furto - ex

Comete o crime do art. 312, § 1º, do CP, na modalidade peculato-furto, o agente que, embora não tendo a posse do dinheiro, o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em proveito próprio, benefício previdenciário de segurado falecido, utilizando-se da facilidade que o cargo ocupado à época dos fatos lhe oferecia. 5. Escorreita a dosimetria da pena. (TRF1ª R. - ACrim 199701000203300 - MG - 4ª T. - Rel. Des. Fed. Hilton Queiroz - DJU 26.10.2004, p. 23) PECULATO. CONCURSO DE PESSOAS. CP, ART. 312, § 1º C/C ART. 29. A prática, por parte de gerente da CEF, mediante ação própria, de manobras fraudulentas com a finalidade de subtrair valores desviados configura, de forma cristalina, crime de peculato-furto, que nada mais é do que o furto cometido pelo funcionário público, valendo-se de sua qualidade (o núcleo do tipo é "subtrair") o delito, no caso, consumou-se no momento em que o objeto material foi retirado da posse e da disponibilidade do ofendido que, a partir daí, não mais pode exercer as faculdades inerentes à sua propriedade. Apelação improvida. Sentença confirmada. (TRF2ª R. - ACr 97.02.42161-6 - ES - 4ª T. - Rel. Des. Fed. Frederico Gueiros - DJU 25.02.1999)

Diferença entre peculato furto e apropriação

Agiu com acerto o MM. Juízo a quo ao abraçar os argumentos apresentados pelo Procurador da República, em alegações finais, imputando ao ora apelante o tipo de peculato furto, espécie do gênero crime funcional impróprio, na forma tentada e não peculato tipo fundamental, vez que o sujeito ativo não tinha posse ou detenção das agulhas em razão do cargo. Portanto, ao ser supreendido quando tentava se ausentar do nosôcomio, o apelante tinha o dolo de subtrair a coisa com a intenção de obter proveito. (TRF2ª R. - ACR 3181 - PROC 200202010059718 RJ - 5ª T. - Rel. Juiz Fed.Raldênio Bonifacio Costa - DJU 11.06.2003, pg. 183 e 184)

Peculato culposo - ex

1. Ocorre o peculato-culposo previsto no § 2º, do artigo 312, do Código Penal, quando o funcionário, por negligência, imprudência ou imperícia, permite que haja apropriação ou desvio, subtração ou concurso para esta (TRF1ª R. - ACrim. 2000.01.00.003914-4 - RR - 4ª T. - Rel. Des. Federal Mário César Ribeiro - DJ 05.02.2003)

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INTENSIVÃO AGU/DPU Disciplina: Direito Penal Prof.: Gustavo Junqueira Data: 14/12/2008

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PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. PECULATO CULPOSO. ART. 312, PARÁG. 2o. DO CPB. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. NEGLIGÊNCIA NA GUARDA DA SENHA. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE PELO PAGAMENTO DE PARTE DO DANO SOFRIDO PELA CEF. ART. 312, PARÁG. 3o. DO CPB. O RESTANTE DO PREJUÍZO NÃO PAGO NÃO AUTORIZA A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE. APELAÇÃO IMPROVIDA. 1.Apesar da existência de fortes indícios contra o acusado, não há nos autos prova irrefutável que justifique a sua condenação, sobrepondose- lhe o princípio in dubio pro reo. 2.A negligência na guarda de senha autoriza a condenação pelo crime de peculato culposo, previsto art. 312, parág. 2o. do CPB, por facilitar a conduta criminosa de terceiro. 3.O pagamento de parte do dano sofrido pela CEF extingue a punibilidade somente dos fatos que deram causa à dívida paga; o restante da dívida, que não foi paga, não autoriza a extinção da punibilidade (art. 312, parág. 3o. do CPB). 4.Apelação improvida. Vistos, relatados e discutidos estes autos de ACR 4.068-PE, em que são partes as acima mencionadas. (TRF5ª R. - ACR 4068 - PE - 200283000090459 - 2ª T. - Rel. Des. Fed. Napoleão Nunes Maia Filho - DJU 13.12.2005)

Peculato-estelionato

Peculato mediante erro de outrem Art. 313. Apropriar-se de dinheiro ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem:

Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.

Se há induzimento configura estelionato

“A funcionária pública que, induzindo a erro caixa de agência bancária, obtém vantagem eco- nômica ilícita com desconto de cheque que havia subtraído da entidade em que era vinculada, pratica o delito de estelionato qualificado previsto no art. 171, § 3.º, do CP e não de peculato- estelionato previsto no art. 313, também do CP” (TRF 5.ª Reg. – 3.ª T. – AC 95.05.31954-1 – Rel. Geraldo Apoliano – j. 27.08.1998 – RT 760/757).

“Se o recebimento do dinheiro apropriado não cabia ao agente, a tipificação é no art. 313 e não no art. 312 do CP” (TFR – AC – RTFR 71/143).

“Recebimento de valores, no exercício do cargo, ocorrido por erro de terceiro. Configurado o delito pela apropriação do dinheiro destinado a vales postais, cujo recebimento, porém, não cumpria ao acusado, o tipo a considerar é o do art. 313 do CP, e não o do art. 312 do mesmo diploma. Desclassificação, consentânea com o disposto no art. 383 do CPP” (TFR – AC – Rel. José Dantas – DJU 7.5.80, p. 3.166).

Consumação

O núcleo é apropriar, e não receber (Noronha) Momento em que pratica ato de proprietário, como disposição ou negativa de restituição:

Inexistência de justa causa. Peculato mediante erro de outrem. Professora que recebeu mais do que o devido. Reposição da diferença aos cofres públicos tão logo apurado o fato no inquérito administrativo. Constrangimento ilegal caracterizado. o momento consumativo do delito se verifica quando, chamado a dar conta do alcance, cai em mora e não o entrega” (TJSP – HC – Rel. Ítalo Galli – RT 521/355).

Corrupção passiva. Caracterização. Advogado conveniado com o Poder Público. Equiparação a funcionário público para efeitos penais. Ordem denegada (TJSP – 5.ª C. Crim. – HC 278.097-3 – Rel. Dante Busana – j. 13.05.99 – JTJ-LEX 220/344).

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“A corrupção passiva somente se perfaz quando fica demonstrado, mesmo através de indícios, que o funcionário procurou alienar ato de ofício” (TFR – AC – Rel. Jesus Costa Lima – DJU 16.12.82, p. 13.063).

• “A simples solicitação de quantia em dinheiro feita por fiscais da Fazenda, para regularizar escrita de contribuinte, configura o crime de corrupção passiva (art. 317, CP)” (TFR – AC – Rel. William Patterson – EJTFR 76/

“Se a recompensa não foi exigida mas solicitada pelo funcionário para deixar de cumprir ato de ofício, o delito cometido é o de corrupção passiva e não o de concussão” (TJSP – AC – Rel. Pau- la Bueno – RT 388/200).

“Em se tratando de hipótese de crime bilateral (os corruptores passivos teriam recebido indevi- da vantagem, dada pelos corruptores ativos), não é possível a condenação dos corruptores passivos, quando os ativos foram absolvidos por decisão com trânsito em julgado” (STF – Rec.

– Rel. Barros Monteiro – DJU 26.11.71, p. 6.690).

“A existência de um crime de corrupção passiva não importa, necessariamente, na existência de outro de corrupção ativa” (TJSP – AC – Rel. Acácio Rebouças – RT 395/93).

“Excluem-se da incriminação de corrupção pequenas doações ocasionais, recebidas pelo funcio- nário, em razão de suas funções. Em tais casos não há de sua parte consciência de aceitar re- tribuição por um ato funcional, que é elementar ao dolo no delito, nem haveria vontade de cor- romper” (TJSP – AC – Rel. Humberto da Nova – RT 389/93).

“Não caracteriza o delito de corrupção passiva a solicitação a outrem de irrisória importância para reembolso de despesas de combustível gasto pelo solicitante, comissário de menores, em sindicância realizada para subsídio a pedido de adoção de menor” (TJSP – AC – Rel. Dirceu de Mello – RT 579/306).

Corrupção passiva. Caracterização. Policial rodoviário que percebe continuadamente pequenas propinas para abster-se de lavrar multas diante de irregularidades comprovadas. Condenação mantida (TJSP – AC – Rel. Djalma Lofrano – RJTJSP 42/353-356).

Competência

“A concussão ou a corrupção passiva praticadas por funcionário estadual são graves violações do dever fundamental de probidade, cujo sujeito passivo primário é a entidade estatal à qual a relação funcional vincula o agente, no caso, o Estado-membro; não o converte em delito contra

a administração pública da União a circunstância de ser o sujeito passivo secundário da ação

delituosa um condenado pela Justiça Federal, que, por força de delegação legal, cumpre pena em estabelecimento penitenciário estadual” (STF – 1.ª T. – RE 211.941-5 – Rel. Sepúlveda Per- tence – j. 09.06.98 – RT 758/486).

“O crime de corrupção passiva se consuma com a simples solicitação de vantagem indevida” (TJSP – RHC – Rel. Thomaz Carvalhal – RJTJSP 4/259-260).

De acordo com o § 1.º do art. 317 do CP, se o corrupto pratica o ato com infração do dever funcional, constitua ou não esse ato, por si só, um outro delito ou não, terá sua pena agravada de um terço, operando o fato como qualificador do crime de corrupção passiva que, repita-se,

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se exaure com o simples fato de o funcionário público solicitar, receber ou aceitar vantagem in- devida” (TJSP – EI – Rel. Cavalcanti Silva – RJTJSP 12/398).

“O delito de advocacia administrativa consiste em patrocinar valendo-se o agente da qualidade de funcionário, interesse alheio perante a Administração Pública. O sujeito ativo somente pode ser funcionário público, salvo a hipótese de co-autoria” (TACRIM-SP – RHC – Rel. Camargo Ara- nha – RT 467/356).

“Não comete crime contra a administração pública, previsto no art. 321, parágrafo único, do CP, pela atipicidade da conduta, os vereadores que, por força de seus mandatos, agem em no- me próprio com o intuito de resolver problemas sociais, oriundos da desapropriação de imóvel pelo Poder Público” (TJSP – HC – Rel. Marcial Hollanda – RT 740/605).

Caracteriza-se a advocacia administrativa pelo patrocínio (valendo-se da qualidade de funcioná- rio) de interesse privado alheio perante a Administração Pública. Patrocinar corresponde a de- fender, pleitear, advogar junto a companheiros e superiores hierárquicos, o interesse particu- lar” (TJSP – AC – Rel. Silva Leme – RJTJSP 13/443-445).

“Para que se configure o crime do art. 321 do CP, não basta que o agente ostente a condição de funcionário público, mas é necessário e indispensável que ele pratique a ação aproveitando- se das facilidades que a sua condição de funcionário lhe proporciona” (TACRIM-SP – Rev. – Rel. Cunha Camargo – RT 400/316).

“Para que se verifique o crime de prevaricação, é necessário que o funcionário seja responsável pela função relacionada ao fato ou pelo fato relacionado à função” (TAPR – AC – Rel. João Cid Portugal – RT 486/357).

“Não pratica o delito de prevaricação o funcionário público que, ao deixar de praticar ato de ofí- cio, não se encontra no exercício de suas atividades” (TACRIM-SP – AC – Rel. Rocha Lima – JU- TACRIM 71/90).

“Já tendo sido reconhecida a legalidade da determinação judicial, com a observação de que o recolhimento em cela especial, uma vez impedida a convivência com outros presos, satisfaz plenamente a finalidade da prisão especial, comete, em tese, o delito de prevaricação, o dele- gado de polícia que deixa de cumpri-la, permitindo que o investigador a ela submetido tivesse livre trânsito pelas dependências de delegacia, facilitando-lhe com isso a fuga, em satisfação de sentimento pessoal” (TJSP – RHC – Rel. Goulart Sobrinho – RT 445/348).

“Às vezes, o delegado de polícia, consciente da irrelevância da notitia criminis ou da inocuidade do procedimento inquisitorial, fecha os olhos à interpretação ortodoxa da lei, para imprimir uma solução prática em cada caso. Tal conduta não deixa de ser reprovável. Contudo, não pode eri- gir-se em prevaricação, que importa a vontade livre e consciente de se opor ao dever funcional” (TJSP – Rec. – Rel. Fernando Prado – RT 543/342).

“Inexiste crime de prevaricação na conduta da autoridade impetrada, em mandado de seguran- ça, que, argumentado a existência de dúvida e contradição na sentença, deixa de dar cumpri- mento a esta, interpondo tempestivamente embargos de declaração, sendo irrelevante o fato de que estes não possuem efeito suspensivo” (TACRIM-SP – HC 130.316 – Rel. Correa Dias).

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“O sentimento pessoal do agente, por mais nobre e respeitável que seja, não elide a configura- ção do delito previsto no art. 319 do CP, pois não afasta o dolo genérico exigível para o mesmo, representado pela consciência da antijuridicidade da ação” (TACRIM-SP – AC – Rel. Abreu Sam- paio – RT 369/207).

“Omite ato de ofício, incidindo nas cominações do art. 319 do CP, o funcionário que, movido a princípio por comodismo e depois pelo prazer do mandonismo e da prepotência, se recusa a a- tender, durante o horário normal de expediente, os contribuintes que desejavam recolher, tem- pestivamente, seus débitos fiscais” (TACRIM-SP – AC – Rel. Lauro Malheiros – RT 397/286).

Preguiça não

Prevaricação. Delito não caracterizado. Oficial do Registro Civil que, por preguiça, realiza vários casamentos sem o prévio processo de habilitação. Mera negligência. Procedimento, portanto, apenas culposo. Infração punível, entretanto, somente a título de dolo. Absolvição mantida. In- teligência do art. 319 do CP – “Não se pode reconhecer o crime de prevaricação na conduta de quem omite os próprios deveres por preguiça e sem que este seja ou pareça ser a finalidade úl- tima do agente” (TACRIM-SP – AC – Rel. Azevedo Júnior – RT 422/302).

Preguiça sim

• “Considera-se configurado o delito de prevaricação, capitulado no art. 319 do CP, pelo fato de ter o agente, no exercício da função de oficial de Justiça, emitido certidões de citação e inti- mação não condizentes com a verdade, por comodismo, para satisfazer interesse ou sentimen- to pessoal, deixando, pois, de praticar diligências ordenadas pelo juízo” (TJMG – 2.ª C. – Ap. 223.598-4/00 – Rel. Reynaldo Ximenes Carneiro – j. 21.06.2001 – DOE 06.02.2002).

“Ninguém pode ser compelido a, no âmbito de um direito penal-liberal, desvelando-se, agravar

a própria situação criminal. Destarte, por não apurar fato ocorrido em sua administração e pra-

ticado por funcionário, o que poderia lhe prejudicar, preferindo cobrir o alcance dado pelo ser-

vidor aos cofres públicos, não comete o Prefeito, sequer em tese, o delito de prevaricação” (TJSP – RHC – Rel. Cavalcanti Silva – RT 487/279).

“Ninguém tem a obrigação, mesmo o policial, de comunicar à autoridade competente fato típico

a que tenha dado causa, porque nosso ordenamento jurídico garante ao imputado o silêncio e até mesmo a negativa da autoria” (TACRIM-SP – AC – Rel. Renato Talli – RT 526/395).

Questões Processuais

Denúncia deve narrar qual o sentimento pessoal.

“No crime de prevaricação, inepta a denúncia que não especifica o sentimento pessoal que a- nima a atitude do autor” (STF – RHC – Rel. Décio Miranda – RTJ 111/288).

Prevaricação imprópria

Art. 319-A. Deixar o Diretor de Penitenciária e/ou agente público, de cumprir seu dever de vedar ao preso o acesso a aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo:

Pena: detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano.

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Legítima defesa putativa

“Se o acusado supunha ser injusta a agressão que o irmão sofria por parte de terceiro e o auxi- liou, ignorando que este era policial e executava prisão legal, resistida por aquele, não pode ser considerado partícipe do delito de resistência, em face da legítima defesa putativa” (TJSP – AC – Rel. Cunha Bueno – RT 536/309).

Ato ilegal

“Quem procura desvencilhar-se de uma prisão injusta não resiste, porque o elemento caracteri- zador do crime de resistência é a legalidade do ato contra o qual se opõe o acusado” (TACRIM- SP – Rec. – Rel. Hoeppner Dutra – RT 439/376).

Funcionário incompetente

“A guarda civil municipal, nos termos do art. 144, § 8.º, da CF, tem competência para a pro- teção dos bens, serviços e instalações do Município, ficando a segurança pública a cargo das polícias elencadas nos vários incisos do citado artigo, razão pela qual não comete o crime de resistência o agente que, após receber voz de prisão de guarda municipal, sem a concorrência de um funcionário competente para tanto, atira contra servidor municipal a fim de evitar sua detenção” (TJSP – 1.ª C. – RSE 263.033-3/0 – Rel. Cerqueira Leite – j. 31.05.2000 – RT

783/608).

Funcionário competente

“O guarda municipal detém a autoridade para efetuar prisões, consistindo a oposição, exercida mediante violência ou grave ameaça, à sua atuação legítima, o crime de resistência” (TACRIM- SP – AC – Rel. Ricardo Andreucci – JUTACRIM 82/427). Idem: RT 611/381.

Resistência passiva

A ação passiva de não obedecer, de não atender, não se identifica com a violência ou ameaça indispensável à configuração do crime de resistência” (TACRIM-SP – AC – Rel. Adalberto Spag- nuolo – RT 562/357). No mesmo sentido: RT 516/366, 522/441, 532/329, 548/323, 523/461 e

525/442.

Ausência de violência

“O elemento ‘violência’ exigido pelo crime de resistência se refere tão-somente à vis compulsi- va, ou seja, à força empregada contra a pessoa. Assim, inexiste o delito quando alguém, notifi- cado por oficial de justiça, a sua frente, amassa a contra-fé oferecida” (TACRIM-SP – AC – Rel. Prestes Barra – JUTACRIM-SP 20/59).

Lesão leve absorvida

“As lesões corporais leves, provocadas nos policiais que executavam o ato legal, são absorvidas pelo delito de resistência, porque representam crime-meio para a consecução do objetivo espe- cífico” (TJMG – AC – Rel. Alves de Andrade – j. 21.08.97 – RT 750/691).

Lesão leve absorvida

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Lesão corporal de natureza leve. Delito não caracterizado. Acusado que, resistindo à sua pri- são, agride o policial que a efetuava. Infração, todavia, absorvida pela do art. 329 do CP. Inte- ligência do art. 129 do mesmo diploma – “A agressão a autoridade policial, visando a livrar-se da prisão, caracteriza o crime de resistência, que a absorve, não podendo, assim, influir na condenação” (TAMG – AC – Rel. Lamartine Campos – RT 463/416).

Lesão leve não absorvida

“Pune-se a lesão corporal decorrente da resistência em concurso material, frente ao que dispõe o § 2.º do art. 329 do CP” (TAMG – AC – Rel. Gudesteu Biber – RT 601/381).

Dois sujeitos passivos

– crime único

“O fato de ter sido a resistência oposta pelo réu a dois militares, que efetuaram sua prisão, não configura o concurso formal, porque o sujeito passivo do delito em questão é a Administração Pública como um todo, ou seja, o Estado” (TJSP – AC – Rel. Onei Raphael – RT 577/342).

Resistência e roubo - absorve

Concurso material de delitos. Não caracterização. Roubo e resistência. Emprego de violência contra policial que tencionava impedir a consumação do crime. Conduta englobada pelo tipo complexo de roubo. Recurso parcialmente provido (TJSP – AC 218.917-3 – Rel. David Haddad –

j.19.05.97).

Resistência e roubo - não absorve

Concurso formal de delitos. Caracterização. Roubo e resistência. Impossibilidade do segundo crime ser considerado como integrante do de roubo, uma vez que o primeiro já se encontrava consumado. Recurso não provido (TJSP – AC 238.312-3 – Rel. Debatin Cardoso – j. 02.04.98

Embriaguez – não afasta

“Dispondo a lei penal que a embriaguez voluntária ou culposa do agente não exclui a responsa- bilidade penal, não se pode, com base nela, absolver o acusado do delito de resistência. Mesmo porque nem dolo específico exige o crime, contentando-se com o genérico” (TACRIM-SP – AC – Rel. Machado Araújo – JUTACRIM 46/270-271).

Embriaguez - afasta

“A intoxicação alcoólica obsta que o agente tenha condições de aferir a legalidade ou não da ordem contra ele emanada e, portanto, de opor-se à sua execução” (TACRIM-SP – AC – Rel. Silva Franco – JUTACRIM 75/411).

Embriaguez afasta se afasta autodeterminação

“Não impede a caracterização dos delitos de desacato e de resistência o fato de o agente haver bebido ou se achar embriagado; a embriaguez só elide a presença do dolo específico quando in- firme a consciência das atitudes” (2.º TARJ – AC – Rel. Rebello de Mendonça – ADV 3.199).

Concurso de crimes

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INTENSIVÃO AGU/DPU Disciplina: Direito Penal Prof.: Gustavo Junqueira Data: 14/12/2008

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“O delito de resistência absorve os crimes de ameaça, desacato e desobediência, quando prati- cados em um mesmo episódio” (TACRIM-SP – AC – Rel. Machado Alvin – Juricrim-Franceschini IV/134 n. 5.928).

Falta de dolo

“Ignorando o acusado a qualidade de Comissário de Menores da vítima, que não se identificou ao interpelá-lo, não se configura o delito do art. 330 do CP, que supõe a intenção inequívoca de desobedecer” (TACRIM-SP – AC – Rel. Lauro Malheiros – RT 449/431).

Não pode ser funcionário

“Os dirigentes de entidade integrante da Administração Pública indireta, no exercício de suas funções, não cometem o crime de desobediência, pois tal delito pressupõe a atuação criminosa do particular contra a Administração” (STJ – 6.ª T. – RHC 9.066 – Rel. Vicente Leal – j.

14.12.99 – RSTJ 128/507).

Não pode ser funcionário

“O crime de desobediência só ocorre quando é praticado pelo particular contra a Administração e, assim, nele não incorre o funcionário público no exercício de suas funções legais” (TACRIM- SP – Rec. – Rel. Castro Garms – RT 395/315).

Se funcionário há prevaricação

“Quando funcionário público, no exercício de suas funções, descumpre ordem legal, comete crime de prevaricação, e não de desobediência” (TACRIM-SP. – 13.ª C. – HC 265.036/8 – j.

22.11.94 – Rel. Teixeira de Freitas – RJD 24/423).

Pode ser funcionário

“Expedida ordem judicial concessiva de mandado de segurança, o seu destinatário, que é ne- cessariamente uma autoridade, tem a obrigação de cumpri-la, mormente se imprescindível sua atuação, sob pena de cometer o crime de desobediência, previsto no art. 330 do CP, se não restar provado que agiu para satisfazer interesse ou sentimento pessoal, quando, em tese, pra- tica a conduta típica do crime de prevaricação, art. 319 do mesmo diploma.” (STJ – 5.ª T. – HC 12.008 – Rel. Félix Fischer – j. 06.03.2001 – RT 791/562).

Pode ser funcionário

“O funcionário público que deixa de cumprir ou posterga o cumprimento de ordem judicial pra- tica o crime de desobediência, previsto no art. 330 do CP, pois se despe da qualidade de servi- dor público, desafiando o princípio da efetividade das decisões judiciais, em frontal ofensa ao bem jurídico penalmente tutelado, traduzido no princípio da autoridade” (TRF 2.ª R. – 6.ª T. – HC 2001.01.01.010918-3 – Rel. Poul Erik Dyrlund – j. 09.05.2001 – RT 796/721).

Ordem legal

“Um dos requisitos para a configuração do crime de desobediência é a legalidade da ordem. As- sim, se o juiz que a expediu não tinha competência para fazê-lo, não se tipifica, sequer em te- se, o delito em apreço” (STF – RHC – Rel. Francisco Rezek – RT 591/422).

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Deve ter dever de cumprir a ordem

“O tipo legal pressupõe a obrigação de cumprimento da ordem expedida, isto é, que o destina- tário esteja juridicamente obrigado a obedecer a ela; se não o estiver, a desobediência não se configura” (STJ – 6.ª T. – HC 16.045-0 – Rel. Nilson Naves – j. 16.08.2004 – RSTJ 182/89).

Ordem dirigida diretamente

Desobediência – “A imputação de desobediência não pode dar lugar a abusos, nem servir para constrangimento ilegal por parte da autoridade. Assim, não haverá tipicidade quando não hou- ver ordem dirigida concretamente, com cominação expressa” (TACRIM-SP – AC 293.401 – Rel. Andrade Cavalcanti).

Configura crime desobedecer edital

“O art. 330 do CP não inclui expressamente no seu conteúdo a transgressão a editais ou porta- rias, mas não impede que se reconheça em tais casos o crime, desde que se prove a inequívoca ciência da norma pelo agente, que obra com dolo genérico, isto é, livre vontade de desobedecer à ordem legal, sabendo-a expedida ou executada por funcionário competente” (TACRIM-SP – AC – Rel. Edmond Acar – RT 427/424). No mesmo sentido: JUTACRIM-SP 31/354-355.

Não configura crime desobedecer edital

“A inobservância pura e simples de um edital ou portaria equipara-se à inobservância da lei e a simples infração legal, como é óbvio, não importa em crime de desobediência” (TACRIM-SP – AC – Rel. Lauro Malheiros – JUTACRIM-SP 11/175-177). No mesmo sentido: JUTACRIM-SP 7/223; 1-2/36 e 11/175.

A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que não há crime de desobediência quan- do a inexecução da ordem emanada de servidor público estiver sujeita à punição administrati- va, sem ressalva de sanção penal. Hipótese em que o paciente, abordado por agente de trânsi- to, se recusou a exibir documentos pessoais e do veículo, conduta prevista no Código de Trân- sito Brasileiro como infração gravíssima, punível com multa e apreensão do veículo (CTB, art. 238). Ordem concedida” (STF – 2.ª T. – HC 88.452 – Rel. Eros Grau – DJU 19.05.2006 e Rev. Jur. 344/173).

“A negativa do réu ao exame para a pesquisa e dosagem de álcool de seu sangue gera presun- ção em seu desfavor, mas não tipifica a infração prevista no art. 330 do estatuto repressivo” (TARS – AC – Rel. Sebastião Adroaldo Pereira – RT 435/413).

“A negativa em submissão à qualificação e interrogatório não implica crime de desobediência, já que está implícito na amplitude do direito de defesa, de índole até mesmo natural, o silêncio do indiciado, reservando-se a exercitá-lo no momento processual mais adequado, suportando, evidentemente, as conseqüências de seu retardo ou omissão” (TACRIM-SP – AC – Rel. Renato Mascarenhas – JUTACRIM 77/400).

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