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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E
UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E NATURAIS
DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS
LUDMILLA SANTOS
LUDMILLA SANTOS
CLASSIFICAÇÃO DO LITORAL DE MARATAIZES, ES
QUANTO À VULNERABILIDADE EROSIVA
CLASSIFICAÇÃO DO LITORAL DE MARATAIZES, ESPÍRITO SANTO,
QUANTO À VULNERABILIDADE EROSIVA
Monografia apresentada ao Curso de Oceanografia
do Centro de Ciências Humanas e Naturais da
Universidade Federal do Espírito Santo, como parte
dos requisitos necessários para a obtenção do título
de Bacharel em Oceanografia.
VITÓRIA
2005
VITÓRIA
0
2005

LUDMILLA SANTOS

CLASSIFICAÇÃO DO LITORAL DE MARATAIZES, ESPÍRITO SANTO, QUANTO À VULNERABILIDADE EROSIVA

Monografia apresentada ao Curso de Oceanografia do Centro de Ciências Humanas e Naturais da Universidade Federal do Espírito Santo, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Oceanografia.

VITÓRIA

2005

LUDMILLA SANTOS

CLASSIFICAÇÃO DO LITORAL DE MARATAIZES, ESPÍRITO SANTO, QUANTO À VULNERABILIDADE EROSIVA

COMISSÃO EXAMINADORA

Profª. Drª. Jacqueline Albino Orientadora - DERN/UFES

Prof. Dr. Alex Cardoso Bastos Examinador Interno – UFES/DERN

Prof. Dr. Gilberto Fonseca Barroso Examinador Interno – UFES/DERN

Vitória, 16 de novembro de 2005

A Everson e Shirley, que me deram a vida e possibilitaram a minha chegada até aqui.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para que eu conseguisse chegar até aqui, mas não posso deixar de citar, primeiramente Deus, pois sem a permissão dele não poderia estar neste planeta e em segundo lugar, mas não menos importantes, os meus pais que sempre estiveram ao meu lado em todos os momentos da minha vida, me dando bons exemplos, me apoiando e acreditando na minha capacidade, até nos momentos em que eu mesma duvidava dela. Minhas irmãs, Priscilla e Gabriella, também merecem lugar de destaque, da mesma forma que meus amigos, uma ênfase maior será dada a Danielle e Nayla, sem as quais minha estada aqui em Vitória tornar-se-ia insuportável, pois elas, principalmente a última, sempre estiveram ao meu lado tanto nos momentos de glória quanto nos de derrota. Meus queridos familiares, que me acolheram em sua casa de braços abertos merecem compartilhar os louros da vitória, da mesma maneira que meus colegas e amigos de graduação admitindo que eles já são parte de minha história.

Serei eternamente grata à minha tia Cris e minha avó Dica que sempre contribuíram para a minha educação.

Faço uma ressalva especial à minha falecida avó Maria Flôr de Maio dos Santos e ao meu querido avô Flávio Tocafundo que por motivo de força maior não estão mais entre nós, mas que em nenhum momento deixaram de me incluir em suas preces, pedindo para que meus sonhos fossem realizados.

Enfim, agradeço a todos, desde os funcionários do Departamento de Ecologia e Recursos Naturais até a minha orientadora a Profª. Drª. Jacqueline Albino e meus colegas, Bruno, Renata, Nélio, Diogo, Paulo Veronez e Alexandre, sem os quais tudo, certamente, seria diferente.

Aos que não foram citados peço desculpas, mas deixo enfatizada a minha eterna gratidão.

Mar português

Fernando Pessoa

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos,quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador. Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

LISTA DE TABELAS

TABELA 2.1: Peculiaridades dos setores que compõe o litoral do Estado do Espírito

Santo segundo as observações feitas

por

Martin

et

al.

(1996)

20

TABELA 2.2: Estágios evolutivos de sedimentação litorânea, por mecanismos eustáticos e paleoclimáticos, desde o fim do Terciário até os dias

atuais

25

TABELA

5.1:

Caracterização

das

Estações

identificadas,

bem

como

a

suas

delimitações, o local a que se referem, observações proeminentes e registro

fotográfico

51

TABELA 5.2: Recuo da linha de costa, segundo sugerido por Bruun (1962), para

uma elevação do nível o mar de 30 e 50 cm

74

TABELA 5.3: Parâmetros utilizados para se obter o Recuo da linha de costa (R) dos

compartimentos representados por praias ou outras feições precedidas de praia

75

LISTA DE FIGURAS

15

FIGURA 2.2: Setor 5 da compartimentação do litoral do Estado do Espírito Santos

conforme proposto por Martin et al. (1996)

FIGURA 2.3: Falésias vivas da Formação Barreiras intercaladas por falésias vivas precedidas por praias estreitas com baixa declividade encontradas no litoral de

Marataízes (ES)

FIGURA 2.4: Costão rochoso encontrado próximo à desembocadura do rio Itapimirim

23

(ES)

FIGURA 2.1: Localização do município de Marataízes

21

22

FIGURA 2.5: Distribuição dos depósitos terciários da Formação Barreiras ao longo

do litoral do estado do Espírito Santo, modificado por Amador & Dias

24

FIGURA 2.6: Planície Litorânea encontrada próximo ao litoral de Marataízes

(ES)

FIGURA 3.1: Estados morfodinâmicos das praias segundo Wright et al. (1979) 30 FIGURA 3.2: Limites mínimos da orla segundo as características morfológicas do

(1978)

25

litoral FIGURA 4.1: Organograma das atividades realizadas pelo presente trabalho

litoral FIGURA 4.1: Organograma das atividades realizadas pelo presente trabalho

34

38

FIGURA 4.2: Levantamento dos perfis topográficos praiais pela aplicação do método

proposto por Emery

46

FIGURA 5.1: Perfil topográfico do Compartimento I

51

FIGURA 5.2: Praia da Barra (ES)

51

FIGURA 5.3: Plataforma de abrasão rochosa que representa o compartimento

II

52

FIGURA 5.4: Perfil topográfico referente ao Compartimento III

53

FIGURA 5.5: Praia da Barra (ES), ambiente praial ocupado por quiosque

53

FIGURA 5.6: Plataforma de abrasão rochosa situado na Ponta das Arraias

(ES)

54

FIGURA 5.7: Perfil topográfico representando o Compartimento V

55

FIGURA 5.8: Praia da Cruz (ES), com construções feitas bem próximo à linha de

55

FIGURA 5.9: Plataforma de abrasão rochosa representando o compartimento VI e

preamar

seu respectivo perfil topográfico

 

56

FIGURA

5.10:

Representação

gráfica

do

perfil

topográfico

realizado

no

compartimento VII

 

57

FIGURA 5.11: Praia das Arraias (ES)

 

57

FIGURA 5.12: Perfil topográfico

58

FIGURA

5.13:

Compartimento

praial

circundado

por

pequena

formações

rochosas

 

58

FIGURA 5.14: Enroncamento presente no o compartimento IX

59

FIGURA

5.15:

O

quadro

vermelho

destaca

a

pequena

formação

praia

que

representa o compartimento X

 

60

FIGURA 5.16: Praia dissipativa localizada em uma pequena região de embaiamento

e sua representação gráfica

61

FIGURA 5.17: Costão rochoso representando o compartimento XII

62

FIGURA 5.18: Perfil topográfico compartimento XIII

63

FIGURA 5.19: Praia de Marataízes , sem as contenções

63

FIGURA 5.20: Perfil topográfico

64

FIGURA 5.21: Registro fotográfico do compartimento XIV e os problemas causados

pela urbanização feita de forma errônea

 

64

FIGURA 5.22: Perfil topográfico da praia de Marataízes (ES)

65

FIGURA 5.23: Praia de Marataízes (ES)

65

FIGURA

5.24:

Sucessão

fotográfica

mostrando

a

barra

da

Lagoa

do

Siri

(ES)

66

FIGURA 5.25: Perfil topográfico do comprtimento XVII

67

FIGURA 5.26: Praia do Siri (ES)

67

FIGURA 5.27: Perfil topográfico do compartimento XVIII

68

FIGURA 5.28: Praia de Suruí (ES)

68

FIGURA 5.29: Falésia viva ao fundo representando o compartimento XIX

69

FIGURA 5.30: Perfil topográfico do compartimento XX

70

FIGURA 5.31: Praia de Cações (ES) com ocupação feita de forma errônea

70

FIGURA 5.32: Falésia viva representando o compartimento XXI

71

FIGURA 5.33: Perfil topográfico do compartimento XXII

72

FIGURA

5.34:

Cordão

litorâneo

precedido

de

praia,

com

estrada

destruída

interrompendo o tráfego local

 

72

FIGURA 5.35: Compartimentos que compõem o litoral de Marataízes (ES) em

porcentagem

FIGURA 5.36: Taxa de recuo da linha de costa e Grau de vulnerabilidade de cada

compartimento que compõe o litoral de Marataízes

FIRGURA 5.37: Erosão em quiosques construídos sobre as dunas frontais na praia

de Marataízes (ES)

FIGURA 5.38: Areias praias depositadas por ação eólica sobre a via de acesso à

73

79

80

praia da Barra (Marataízes, ES)

80

FIGURA 5.39: Edificações feitas sobre a praia de Arrais, em Marataízes (ES)

81

FIGURA 5.40: Quiosques ocupando as margens da Lagoa do Siri (Marataízes,

ES)

81

FIGURA 5.41: Análise de Cluster dos compartimentos identificados, recuo da linha de costa e diagnóstico de uso e ocupação

82

FIGURA 5.42: Mapa de vulnerabilidade do litoral de Marataízes (ES), evidenciando

os compartimentos de I a XIV

FIGURA 5.43: Mapa de vulnerabilidade do litoral de Marataízes (ES), evidenciando

85

FIGURA 5.44: Mapa de vulnerabilidade do litoral de Marataízes (ES), evidenciando

os compartimentos de XIV a XVII

84

os compartimentos de XVII a XXII

86

LISTA DE SIGLAS

A.P. – Antes do Presente

CIRM – Comissão Interministerial para Recursos do Mar

CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente

DHN - Diretoria de Hidrografia e Navegação

EMCAPA – Empresa Capixaba de Pesquisa Agropecuária

ES – Espírito Santo

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

INPH – Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias

IPCC - Intergovernmental Panel of Climate Change

Gerco – Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro

GI-Gerco – Grupo de Integração do Gerenciamento Costeiro

MMA – Ministério do Meio Ambiente

MP - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão

PIB – Produto Interno Bruto

RJ – Rio de Janeiro

Sigerco - Sistema Nacional de Informações do Gerenciamento Costeiro

SPU - Secretaria do Patrimônio da União

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

14

1.1 APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA

14

1.2 OBJETIVOS

15

1.2.1 Objetivo geral

15

1.2.2 Objetivos específicos

15

2. ÁREA DE ESTUDO

16

2.1 LOCALIZAÇÃO E ASPECTOS SÓCIO – ECONÔMICOS

16

2.2 ASPECTOS CLIMÁTICOS E OCEANOGRÁFICOS

18

2.3 ASPECTOS GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS

18

2.3.1 Os afloramentos e promontórios cristalinos pré-cambrianos

22

2.3.2 Os tabuleiros da Formação Barreiras

23

2.3.3 As planícies costeiras quaternárias

24

3. VULNERABILIDADE EROSIVA

27

3.1

COSTEIRA

CONCEITO,

APLICAÇÃO

E

CONTRIBUIÇÃO

PARA

A

GESTÃO

27

3.2 CLASSIFICAÇÃO E CRITÉRIOS MORFODINÂMICOS PARA O

ESTABELECIMENTO DE LIMITES DA ORLA COSTEIRA

28

3.2.1 Feições Costeiras

28

3.2.2 Critérios Morfodinâmicos para o Estabelecimento de Limites da Orla

Costeira

32

3.2

AÇÕES

34

4. MATERIAIS E MÉTODOS

37

4.1

ESTUDOS PRELIMINARES

39

4.2

DADOS

IDENTIFICAÇÃO

DOS

COMPARTIMENTOS

COSTEIROS

E

COLETA

39

DE

4.3

DIAGNÓSTICO DO USO E OCUPAÇÃO

41

4.4 TAXA DE RECUO E DETERMINAÇÃO DOS LIMITES SEGUROS DE

OCUPAÇÃO

42

4.4.1 Praias

43

4.4.2 Plataforma de abrasão rochosa

47

4.4.3 Falésias vivas e falésias precedidas de praias

48

4.4.4 Desembocadura fluvial

48

4.5 DETERMINAÇÃO DA VULNERABILIDADE EROSIVA

49

4.6 CONFECÇÃO DOS MAPAS DE VUNERABILIDADE EROSIVA

49

4.7 IDENTIFICAÇÃO DAS LEIS APLICÁVEIS QUE CONTRIBUEM PARA UMA

MELHOR GESTÃO COSTEIRA

50

5.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

50

5.1

IDENTIFICAÇÃO DOS COMPARTIMENTOS

50

5.2 DETERMINAÇÃO DO LIMITE SEGURO DE OCUPAÇÃO DA LINHA DE COSTA 73

5.2.1 Praias dissipativas e intermediárias e falésia precedidas de praia . 74

5.2.2 Plataformas de abrasão rochosa

76

5.2.3 Falésias vivas

76

5.2.4 Desembocadura Fluvial

78

5.3 VULNERABILIDADE EROSIVA DO LITORAL DE MARATAÍZES

78

5.4 APLICABILIDADE DOS CRITÉRIOS DE USO E OCUPAÇÃO

ADOTADOS PELO PROJETO ORLA PARA FAIXA DE SEGURANÇA DO

LITORAL DE MARATAÍZES

 

87

5.5

LEIS

APLICÁVEIS

QUE

CONTRIBUEM

PARA

UMA

MELHOR

GESTÃO COSTEIRA

 

87

6. CONCLUSÕES

 

90

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

92

ANEXOS

96

RESUMO

A região costeira vem ao longo dos anos sofrendo um grande processo de urbanização e esta, por sua vez, nem sempre é feita de forma correta, assim, ocupações impróprias oferecem riscos diversos e são fontes potenciais de perdas econômicas, sociais e, até mesmo, culturais. Com o intuito de classificar o litoral de Marataízes (ES) quanto à vulnerabilidade erosiva, para isso utilizou-se as proposições feitas por Muehe (1998) para se fazer o Macro-Diagnósticos das zonas costeiras para identificar as feições fisiográficas presentes no litoral em estudo, da mesma forma que se fez uso das idéias propostas por Muehe (2001a) e adotadas pelo Projeto Orla Marítima do Ministério do Meio Ambiente para a determinação da faixa de segurança para a ocupação urbana. Observou-se, que o litoral de Marataízes é composto por 5 feições fisiográficas, sendo as praias as mais abundantes, e o mais agravante é que são estas as feições mais urbanizadas e, por conseqüência, as mais vulneráveis à ação erosiva. O mais interessante é que já existem leis que regem o ambiente costeiro, mas estas estão sendo cumpridas. E com a tendência expansionista que o exige que um plano gestor seja efetivamente instalado para evitar perdas mais significativas.

1. INTRODUÇÃO

1.1 APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA

A orla costeira, ou simplesmente orla, é a estreita faixa de contato da terra com o

mar na qual a ação dos processos costeiros se faz sentir de forma mais acentuada e potencialmente mais crítica à medida que os efeitos erosivos ou construtivos possam alterar sensivelmente a configuração da linha de costa. Além disso, torna-se necessário saber que essa região representa, também, uma faixa na qual a degradação ambiental por destruição da vegetação e construção de edificações se torna extremamente evidentes por modificar, geralmente para pior, a estética da paisagem e até mesmo intervir no processo de transporte sedimentar, tanto eólico quanto marinho, provocando desequilíbrios no balanço sedimentar e, conseqüentemente, na estabilidade da linha de costa. Assim, tanto no sentido do estabelecimento de uma zona de proteção costeira contra fenômenos erosivos, quanto no de preservação da paisagem, torna-se importante a definição de critérios para a fixação de limites oceânicos e terrestres, legalmente aceitos, para que se possa orientar ações de controle e restrição de atividades que venham alterar de forma negativa as características ambientais, estéticas e de acessibilidade à orla (Muehe, 2001a).

Sabendo que o ajustamento de uma linha de costa, a uma elevação do nível do mar,

depende das características geomorfológicas e petrográficas da mesma, podendo os efeitos variar entre nenhum (costão rochoso, praias arenosas, falésias sedimentares)

e grandes inundações (áreas baixas freqüentemente ocupadas por manguezais ou

marismas). Logo, para o estabelecimento da largura da faixa de proteção costeira, os

critérios mais adotados consideram a tendência erosiva ou progradacional da costa em questão, expressa pela taxa de retrogradação/progradação anual prevista por efeito de elevação do nível relativo do mar e aspectos estéticos-paisagísticos (Muehe, 2001a).

Devido às inúmeras ocupações irregulares encontradas ao longo do litoral brasileiro, torna-se clara, a relação direta existente entre a modificação do nível do mar e as conseqüências indesejáveis que tal acontecimento pode gerar nas construções a

beira mar. As características morfológicas da praia influem bastante na magnitude dos efeitos que a variação do nível do mar pode provocar na região litorânea.

Utilizando todas as características já citadas e transportando-as para o cenário composto pelo litoral sul capixaba, Albino et al. (no prelo) destacam que a região apresenta características geológicas e geomorfológicas com forte tendência erosiva, com presença de falésias vivas e planícies costeiras estreitas. Muitas vezes o processo erosivo é intensificado pela tipologia das praias e pelo uso e ocupação a que as mesmas estão submetidas.

O estudo do comportamento morfológico quanto á variabilidade e capacidade de adaptação de um litoral a uma subida do nível do mar, mesmo que esta elevação seja de curta duração e esteja associada à intensificação das condições oceanográficas, é uma ferramenta importante para o manejo costeiro e para a tomada de decisões referentes àquele espaço.

Admitindo que a vocação turística da região de Marataízes (ES) vem sofrendo o impacto de uma intensa erosão costeira com destruição das instalações comerciais e residências, a presente proposta de estudo é de suma importância no sentido de sinalizar trechos potenciais de desequilíbrios morfodinâmicos baseados na compartimentação do litoral quanto à vulnerabilidade erosiva do mesmo.

1.2 OBJETIVOS

1.2.1 Objetivo geral

Classificar e mapear o litoral de Marataízes (ES) quanto à vulnerabilidade erosiva.

1.2.2

Objetivos específicos

Identificar as micro-unidades geomorfológicas que compõem o litoral de Marataízes (ES).

Fazer um levantamento e diagnóstico referente à ocupação das micro- unidades geomorfológicas identificadas.

Discutir a aplicabilidade dos critérios de uso e ocupação adotados pelo Projeto Orla Marítima (MMA), para a faixa de segurança, no litoral de Marataízes.

Destacar a legislação aplicável que contribui para uma melhor gestão costeira do litoral estudado, evidenciando quais delas não estão sendo respeitadas.

Elaborar material técnico com texto e mapas de fácil leitura cuja utilização será de fundamental importância para os órgãos gestores.

2. ÁREA DE ESTUDO

2.1 LOCALIZAÇÃO E ASPECTOS SÓCIO – ECONÔMICOS

Marataízes é um dos mais destacados balneários da região austral do Estado do Espírito Santo. O município foi criado em 14 de janeiro de 1992, passando a existir efetivamente a partir de 1° de janeiro de 1997. Segundo os dados fornecido, no ano de 2000, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade possui uma área territorial de 135 km 2 , uma população de aproximadamente 30 mil habitantes e uma densidade populacional de 223,95 hab/km 2 . Distancia-se de Vitória, capital do estado, 110 km. O município faz fronteira ao norte e a oeste com a cidade de Itapimirim, a sul com Presidente Kennedy e a leste com o Oceano Atlântico (Marataízes, 2005). O território oficial do município pode ser visualizado na Figura 2.1.

Atividades como agricultura, comércio, construção civil e pesca são detentoras de 50% dos empregos encontrados na cidade, este dado contribui para enquadrar Marataízes, num cenário onde existe um conflito claro entre o antigo e o moderno, pois atividades tradicionais coexistem com atividades modernas voltadas para o turismo e para o veraneio. Semelhante situação se observa nos dados referentes ao Produto Interno Bruto (PIB) por setor: cerca de 11% é obtido pelo setor primário e

88% pelo setor terciário da economia, portanto, as principais atividades geradoras de divisa são aquelas voltadas para setor turístico e agropecuário (Cometti, 2005).

para setor turístico e agropecuário (Cometti, 2005). FIGURA 2.1: Localização do município de Marataízes.

FIGURA 2.1: Localização do município de Marataízes. Adaptado CEPEMAR, Monitoramento Marinho da Baía do Espírito Santo, suas Imediações e Região de Praia Mole, 2003.

Do total de domicílios ocupados, 80,31% têm abastecimento de água feito pela rede geral e 74,78% têm lixo regularmente coletado. Esses índices apontam para uma infra-estrutura urbana razoável, mas que apresenta problemas de saturação em épocas de alta temporada, quando inúmeros turistas ocupam a cidade, sendo a grande maioria provinda dos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro (Cometti,

2005).

2.2

ASPECTOS CLIMÁTICOS E OCEANOGRÁFICOS

A área estudada situa-se em zona caracterizada por abundantes chuvas tropicais

durante o verão e por um prolongado período de estiagem que se estende do outono

ao inverno. Contudo, durante o período de seca, que ocorre entre os meses de

março e agosto, precipitações frontais associadas à passagem de massas polares

podem ser registradas com certa freqüência. A temperatura média anual é de 22º C, ficando a média das máximas entre 28º C e 30º C, enquanto que as mínimas giram

em torno de 15º C (Albino, 1999).

Dados fornecidos pela EMCAPA (1981) demonstram que os ventos de maior freqüência e maior intensidade são os provenientes dos quadrantes NE-ENE e SE, respectivamente. Os primeiros estão associados aos ventos alísios, que sopram durante a maior parte do ano, em contrapartida os ventos de SE estão relacionados às frentes frias que chegam periodicamente à costa capixaba (Albino, 1999).

Medidas referentes à altura e ao período das ondas obtidas pelo INPH (Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias), entre março de 1979 e setembro de 1980, nas imediações do porto de Tubarão, em Vitória, revelam que a altura significativa das ondas para o litoral ultrapassa 1,5 m, sendo as alturas de 0,9 m e 0,6 m as mais freqüentes. O período freqüente está em torno de 5 e 6,5 s, sendo o máximo encontrado de 11 s (Albino, 1999).

O litoral capixaba possui um regime micromareal, cuja amplitude de maré, segundo a

Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) (1994), varia 1,40 m e 1,50 m, atingido, durante a maré de sizígia a amplitude de cerca de 1,70 m.

2.3 ASPECTOS GEOLÓGICOS E GEOMORFOLÓGICOS

A plataforma continental defronte à área de estudo sofre um progressivo

alargamento em direção à bacia de Campos (RJ). A isóbata de 20 m que na altura

de Vitória se distanciava da linha de costa cerca de 3 a 5 km e acompanhava a

configuração da linha de costa passa a se afastar consideravelmente para mar adentro. Na altura de Ubu (ES) a distância de tal isóbata já está por volta de 30 a 40

km e apresenta bruscas inflexões, devido à presença de paleovales e bancos isolados (Albino, 1999). Essas anomalias não são registradas pela disposição da isóbata de 50 m. A mesma, entretanto, mostra a presença de uma fissura estrutural muito estreita, com 30 km de comprimento, 1 km de largura e profundidade média de 20 m, que avançou para dentro da plataforma interna, em direção a Guarapari (ES) (Muehe, 1998).

O recobrimento sedimentar da plataforma continental interna, segundo Kowsmann e

Costa (1979), é de areia terrígena até a isóbata de 20 m e de cascalhos e areias de

briozoários recifais, em profundidades maiores. A exploração de algas calcáreas foi realizada, em nível experimental, numa pequena área a sudeste da barra do Itapimirim, em profundidades em torno de 15 m (Dias, 1989).

Ao que tange os aspectos geomorfológicos do litoral do Estado do Espírito Santo, Martin et al. (1996) reconhecem três unidades principais cada uma possuidora de características marcantes que deixam bem claras as distinções entre elas, assim

tem-se:

1. Os afloramentos e promontórios cristalinos pré-cambrianos;

2. Os tabuleiros terciários da Formação Barreiras;

3. As planícies costeiras quaternárias.

A descrição de cada uma dessas unidades será feita mais à frente em tópicos

específicos para cada uma delas.

A partir da distribuição destas unidades ao longo do litoral do estado do Espírito

Santo Martin et al. (1996) propuseram a divisão do mesmo em 5 setores, cujas peculiaridades estão dispostas na tabela abaixo.

TABELA 2.1: Peculiaridades dos setores que compõe o litoral do Estado do Espírito Santo segundo as observações feitas por Martin et al. (1996).

Setor

Características relevantes

Setor 1

Estende-se desde o limite territorial com o Estado da Bahia e a cidade de Conceição da Barra (ES), sendo as características mais relevantes as estreitas planícies costeiras, associadas às desembocaduras dos rios Itaúnas e São Mateus, localizadas ao sopé da Formação Barreiras.

Setor 2

Corresponde à planície deltaica do rio Doce cujas cidades limites são Conceição da Barra e Barra do Riacho. Este é o trecho do litoral capixaba onde os depósitos quaternários atingem o seu desenvolvimento máximo, cuja distância entre as falésias mortas da Formação Barreiras, situadas mais ao interior do continente, e a linha de costa é de aproximadamente 38 km.

Setor 3

Estende-se de Barra do Riacho até a Ponta de Tubarão na Baia do Espírito Santo. A característica marcante é o fraco desenvolvimento dos depósitos quaternários ao sopé das falésias da Formação Barreiras. Observam-se, ainda, locais onde as falésias da Formação Barreiras estão em contato direto com a praia. Os depósitos flúvios-marinhos são mais pronunciados ao longo dos vales dos rios Piraquê- Açu, Reis Magos e Santa Maria de Vitória.

Setor 4

Está compreendido entre a Baía do Espírito Santo e a foz do rio Itapimirim. Caracteriza-se pelos afloramentos de rochas cristalinas pré-cambrianas em contato com os depósitos quaternários intercalados pelos afloramentos da Formação Barreiras precedidos de praia como é o caso das praias de Maimbá e Ubú, ambas em Anchieta. O litoral mostra-se bastante recortado, sendo observados trechos salientes sem condições de deposição de areias e trechos com significativo desenvolvimento das planícies costeiras cuja existência é favorecida pela presença de obstáculos tais como promontórios e ilhas, pela divergência das ortogonais das ondas e pelos aportes fluviais localizados.

Setor 5

Estende-se da foz do rio Itapimirim até a margem norte da desembocadura do rio Itabapoana, limite territorial com o Estado do Rio de Janeiro (Figura 2.2). Vale salientar que o município de Marataízes, local de realização do estudo, situa-se neste setor. Caracterizado por estreitos depósitos quaternários limitados pelas falésias vivas da Formação Barreiras intercaladas por falésias vivas precedidas por praias estreitas com baixa declividade (Figura 2.3). Uma extensa planície quaternária é verificada no vale fluvial do rio Itabapoana. Acrescenta-se, ainda, que a tipologia das praias que compõe a região é classificada como dissipativa e intermediária. Faz jus mencionar que o litoral do setor em questão vem sofrendo um progressivo processo erosivo.

20

FIGURA 2.2: Setor 5 da compartimentação do litoral do Estado do Espírito Santos conforme proposto

FIGURA 2.2: Setor 5 da compartimentação do litoral do Estado do Espírito Santos conforme proposto por Martin et al. (1996). FONTE: Guia 4 Rodas, 1990).

FIGURA 2.3: Falésias vivas da Formação Barreiras intercaladas por falésias vivas precedidas por praias estreitas

FIGURA 2.3: Falésias vivas da Formação Barreiras intercaladas por falésias vivas precedidas por praias estreitas com baixa declividade encontradas no litoral de Marataízes (ES). Foto: ALBINO,

13/11/2004.

2.3.1 Os afloramentos e promontórios cristalinos pré-cambrianos

Conforme as observações feitas por Coutinho (1974) a região serrana, na porção norte do estado do Espírito Santo, é composta por duas grandes unidades de rochas pré-cambrianas, uma composta por gnaisses migmatíticos e rochas graníticas e a outra composta por gnaisses kinzigíticos e núcleos charnoquitos. Do ponto de vista geológico, pode-se afirmar que tais rochas estão associadas à região serrana, constituindo terras altas submetidas a intenso processo erosivo (Albino, 1999).

Eventualmente, podem-se perceber plataformas de abrasão rochosas próximas à linha praial as quais formam os popularmente conhecidos costões rochosos (Figura

2.4).

Costão rochosos
Costão
rochosos

FIGURA 2.4: Costão rochoso encontrado próximo à desembocadura do rio Itapimirim (ES). Foto:

Albino, 13/11/2004.

2.3.2 Os tabuleiros da Formação Barreiras

Formação Barreiras é a designação que comumente é dada aos sedimentos inconsolidados, de origem continental, que, atualmente, se encontram dispostos em uma estreita faixa ao longo da região costeira. Esta Formação se estende do Estado do Pará ao estado do Rio de Janeiro (Figura 2.5) (Bigarella & Andrade, 1964).

A Formação Barreiras estende-se ao longo de todo o litoral podendo estar hoje na paisagem na forma de falésias vivas, falésias mortas e terraços de abrasão marinha. Os terraços de abrasão encontram-se distribuídos aleatoriamente nas regiões submersas praiais, sendo expostos durante a maré baixa, e na plataforma continental interna nos trechos onde, conforme sugerido por King (1956), uma estrutura monoclinal íngrime poderia ter ocasionado o soerguimento da superfície terciária, em relação ao nível do mar, durante o Terciário médio (Albino et al., 2001).

FIGURA 2.5: Distribuição dos depósitos terciários da Formação Barreiras ao longo do litoral do estado

FIGURA 2.5: Distribuição dos depósitos terciários da Formação Barreiras ao longo do litoral do estado do Espírito Santo, modificado por Amador & Dias (1978).

A Formação Barreiras encontra-se distribuída ao longo de todo o litoral capixaba, sendo sua presença mais pronunciada na porção centro-norte do estado e sofrendo um decréscimo de largura rumo ao sul.

2.3.3 As planícies costeiras quaternárias

No litoral de Marataízes as planícies costeiras são inexistentes ou, quando presentes, apresentam-se muito estreitas, com as praias limitadas pelos tabuleiros da Formação Barreiras e pelos promontórios rochosos pré-cambrianos (Figura 2.6) (Albino et al., 2001).

FIGURA 2.6: Planície Litorânea encontrada próximo ao litoral de Marataízes (ES). FONTE: Albino, 13/11/2004. Dominguez

FIGURA 2.6: Planície Litorânea encontrada próximo ao litoral de Marataízes (ES). FONTE: Albino,

13/11/2004.

Dominguez et al. (1981) ao estudarem a costa leste do Brasil, identificaram os estágios evolutivos que resultaram na sedimentação nas planícies litorâneas cuja formação está intimamente ligada às variações do nível relativo do mar ocorridas durante o Quaternário. Os estágios que deram origem ao processo em questão podem ser descritos de forma sucinta na Tabela 2.2.

TABELA 2.2: Estágios evolutivos de sedimentação litorânea, por mecanismos eustáticos e paleoclimáticos, desde o fim do Terciário até os dias atuais (Dominguez et al., 1981).

Estágio de desenvolvimento

Estágio A

Foi esta a fase em que os sedimentos que constituem a Formação Barreiras foram depositados. O período geológico correspondente era o Plioceno (3 a 4 milhões de anos A.P.), assim, o nível do mar encontrava-se mais baixo que o atual e as condições climáticas eram secas com chuvas escassas

assim, o nível do mar encontrava-se mais baixo que o atual e as condições climáticas eram
 

Estágio B

  Estágio B  
 

A deposição da Formação Barreiras foi interrompida, pois o clima passou a adquirir condições úmidas, havendo, portanto uma pequena elevação do nível relativo do mar.

 

Estágio C

  Estágio C  
 

Neste período ocorreu a transgressão marinha antiga e a formação das falésias em sedimentos terciários. Após ter ocorrido o máximo da transgressão e durante a regressão que se seguiu, o clima voltou a adquirir características semi-áridas, o que resultou na formação de novos depósitos continentais na forma de leques aluviais.

 

Estágio D

  Estágio D  
 

Nível máximo alcançado pela última transgressão, ocorrida há aproximadamente 120.000 anos A.P. correspondendo à Transgressão Cananéia. Parte dos sedimentos continentais foi erodida e houve formação de falésias e estuários.

 

Estágio E

  Estágio E

Este estágio é marcado pela regressão do nível do mar que sucedeu

transgressão citada no estágio anterior. Ressalta-se, também, que neste estágio formaram-se os terraços marinhos pleistocênicos.

à

 

Estágio F

  Estágio F  
 

Período em que o fato de maior relevância foi a última transgressão, Transgressão de Santos, ocorrida há aproximadamente 5.000 anos A.P. A elevação do nível do mar promoveu a erosão e o afogamento das planícies costeiras bem como a escavação de vales na Formação Barreiras o que resultou no desenvolvimento de estuários

e

ilhas barreiras.

Estágio G

Na área posterior ás ilhas barreiras formadas do estágio anterior instalaram-se sistemas lagunares nos quais as desembocaduras fluviais deram origem a deltas intralagunares.

fluviais deram origem a deltas intralagunares. Estágio H O abaixamento do nível relativo do mar, que

Estágio H

O abaixamento do nível relativo do mar, que sucedeu ao máximo transgressivo, ocorrido há aproximadamente 5.100 anos A.P., traduziu-se na forma de terraços marinhos, a partir da ilha barreira original, com a progradação da linha de costa.

barreira original, com a progradação da linha de costa. 3. VULNERABILIDADE EROSIVA 3.1 CONCEITO, APLICAÇÃO E

3. VULNERABILIDADE EROSIVA

3.1 CONCEITO, APLICAÇÃO E CONTRIBUIÇÃO PARA A GESTÃO COSTEIRA Ferreira (1986) em Novo Dicionário da Língua Portuguesa define:

Erosão – (Do latim erosione). S.f. 1. Ato de carcomer e corroer a pouco e pouco. 2. Trabalho mecânico de desgaste realizado pelas águas correntes, e que também pode ser feito pelo vento (erosão eólica), pelo movimento das geleiras e, ainda, pelos mares.

Vulnerável – (Do latim vulnerabile). Adj. 2 g. 1. Que pode ser vulnerado. 2. Diz-se do lado fraco de um assunto ou de uma questão, ou do ponto pelo qual alguém, ou algum local, pode ser atacado ou ferido.

Assim, entende-se por vulnerabilidade erosiva de um litoral, o quão frágil uma região é à ação dos processos erosivos.

Embora razoáveis conjeturas possam ser feitas a respeito dos efeitos que várias propriedades da costa contribuam ou desfavoreçam a erosão, a precisão de cada efeito ainda é pouco conhecida. Quando se fala de substrato consolidado como é o caso dos populares costões rochosos ou afloramentos cristalinos como um todo, a natureza das rochas, sua dureza, sua vulnerabilidade intempérica e a freqüência das

imperfeições que tal rocha pode ter são considerados fatores relevantes. Agora quando o assunto se refere à falésia, sua altura deve ser considerada, pois quanto mais alta a falésia for, maior a quantidade de sedimento que poderá ser erodido. Finalmente, a orientação da costa em relação às ondas dominantes conjugado com o seu grau de entalhe e o perfil natural que a mesma possui parecem exercer papéis importantes no processo erosicional (Sparks, 1986).

Abrindo espaço agora para a aplicação do assunto em ambientes praias, Albino (1993) afirma que estes locais são uma forma ajustada de equilíbrio dinâmico de sedimentação costeira, representando a melhor proteção para o continente da ação erosiva das ondas. Sua estabilidade, portanto, depende da energia das ondas incidentes no local e do balanço sedimentar da região.

Tendo em vista os prejuízos que a erosão costeira pode causar, o estudo detalhado da mesma pode prevenir problemas que tomem uma magnitude incontornável.

Identificar os pontos vulneráveis de uma costa é de fundamental importância para a gestão costeira, pois evita o surgimento de prejuízos tanto no campo econômico quanto social, cultura e ecológico.

3.2 CLASSIFICAÇÃO E CRITÉRIOS MORFODINÂMICOS PARA O ESTABELECIMENTO DE LIMITES DA ORLA COSTEIRA

3.2.1 Feições Costeiras A região costeira é composta por um mosaico de feições fisiográficas. Cada uma dessas feições responde de alguma forma à elevação do nível do mar. Para um melhor entendimento das feições costeiras abordadas neste estudo, buscou-se a definição de cada uma delas se restringindo exclusivamente àquelas encontradas na área de estudo, assim o leitor terá uma idéia exata das sub-divisões a que o ambiente costeiro foi submetido, assim:

Costão Rochoso (beach rock) - Denominação generalizada dos

ecossistemas do litoral, onde não ocorrem manguezais ou praias e que são

constituídos por rochas autóctones - inteiras ou fragmentadas por intemperismo - que formam o hábitat de organismos a ele adaptados. Sua parte superior, sempre seca, está geralmente revestida por líquens, por vegetação baixa e por vegetação arbóreo-arbustiva. Na parte emersa, freqüentemente borrifada pelas ondas, é constante a presença de moluscos e de crustáceos. A parte submersa sustenta comunidades bióticas mais complexas onde podem estar presentes algas, cnidários, esponjas, anelídeos, moluscos, crustáceos, equinodermas, tunicados e outros organismos inferiores, servindo de base alimentar para peixes e outros vertebrados (FEEMA, 1990).

Praias (beach) – Zona perimetral de um corpo aquoso (lago, mar ou oceano),

composto de material inconsolidado, em geral arenoso (0,062 a 2 mm) ou mais raramente compota de cascalho (2 a 60 mm), conchas de moluscos, etc., que se estende desde o nível de baixa-mar, média (profundidade de interação das ondas com o substrato) para cima, até a linha de vegetação permanente (limite de ondas de tempestades), ou onde há mudança na fisiografia, como as zonas de dunas ou de

falésias marinhas (sea cliffs). Quando esta zona não apresentar material inconsolidado, mas substrato rochoso tem-se o terraço de abrasão por ondas (wave- cut terrace) (Suguio, 1998).

As praias podem apresentar diferentes estados morfodinâmicos, segundo Wright et al. (1979) estes estados podem ser divididos em 6, sendo um dissipativo um refletivo e 4 estágios intermediários.

Wright et al. (1979) destacam que o estado dissipativo é representado por praia emersa e zona de surfe larga de baixa declividade, submetida à ação de ondas deslizantes (spilling) e com sedimentos de granulometria fina.

O estado morfodinâmico refletivo é representado por parais de alta declividade, praticamente sem zona de surfe, submetidas a ondas ascendentes (surging ou collapsing) sendo constituídas predominantemente por sedimentos de granulometria grossa. Os processos dinâmicos praiais são intensificados com a formação de cúspides (Wright et al.,1979).

Os quatro estados intermediários exibem simultaneamente características refletivas e dissipativas. Dentre estes existem os estados morfodinâmicos com barra e calha longitudinal (longshore bar ou trough), com barra e praia rítmicos (rhythmic bar and beach), com barra transversal e corrente de retorno (transverse bar and rip) e com terraço de baixa-mar (low tide terrace). A visualização dos estados definidos por Wright et al. (1979) podem ser vistos na Figura 3.1.

por Wright et al . (1979) podem ser vistos na Figura 3.1. FIGURA 3.1: Estados morfodinâmicos

FIGURA 3.1: Estados morfodinâmicos das praias segundo Wright et al. (1979). Aqui é possível se observar os estados dissipativos, intermediários de banco e calha longitudinal, banco e praia de cúspides, bancos transversais, terraço de baixa mar e refletivo. Fonte: Wright et al. (1979).

Dunas frontais (Foredune) – Duna situada logo após a praia rumo ao

continente que, em geral, é pouco desenvolvida, isto é, apresenta dimensões reduzidas. Este tipo de duna também é conhecido como anteduna. Alguns autores estabelecem distinções entre as espécies vegetais estoloniformes e duna frontal estabelecida, que seria gerada pela colonização de duna frontal insipiente por espécies vegetais em esteira, tufo e arbusto (Suguio, 1998).

Planícies costeiras - De maneira geral, a Planície Costeira é uma extensa

área de terras baixas e planas, situada ao longo do litoral, possuindo 620 km de comprimento e cerca de 100 km de largura. Sua formação remonta ao Cretáceo Inferior, época de formação do Oceano Atlântico. Dois sistemas deposicionais são os responsáveis pela formação de todo o pacote sedimentar que constitui a Planície

Costeira:

1. Sistema de Leques Aluviais - que cobre boa parte da região oeste da planície, próximo às terras altas representadas pelas litologias do embasamento cristalino. São formados por leques proximais e distais ligados à erosão hídrica, sob clima semi-árido das unidades pré- cambrianas que predominavam nesta região (FEEMA, 1990).

2. Sistema de Laguna-Barreira - que ocupa a parte central e leste da planície, incluindo a atual linha de costa, sendo constituído por um conjunto de quatro ciclos transgresso-regressivos ocorridos durante o Quaternário (FEEMA, 1990).

Falésias Sedimentares (sea cliff) – Alcantilado de faces abruptas formado pela

ação erosiva (abrasão) das ondas sobre as rochas. Do mesmo modo que a palavra precipício (bluff ou precipice), o termo falésia (cliff) não está necessariamente relacionado à região costeira. Diversidades litológicas e estrutural, incluindo atitudes dos planos de estratificação, além de vegetação, clima, regime de ondas, etc, dão origem a escarpas marinhas de formas muito variáveis. Quando se encontra em contínuo processo de erosão tem-se uma falésia marinha ativa (active sea cliff) ou falésia viva, enquanto falésia marinha inativa (inactive sea cliff) ou falésia morta é aquela na qual o processo erosivo cessou (Suguio, 1998).

Estuário (estuary) – Corpo aquoso litorâneo de circulação mais ou menos

restrita, porém ainda ligado a um oceano aberto (open ocean). Muitos estuários correspondem a desembocaduras fluviais afogadas e, desta maneira, sofrem diluição significativa de salinidade em virtude do fluxo de água doce. Sob o ponto de vista geológico, os estuários são feições transitórias, que normalmente acabam sendo preenchidas por depósitos de mangues, deltas e marés. Refere-se ao ambiente de sedimentação próprio dos estuários, bem como os depósitos aí formados. Os sedimentos de estuário são de granulação variável e de estratificação mais irregular na porção central, tornando-se mais homogêneos para as bordas (Suguio, 1998).

3.2.2 Critérios Morfodinâmicos para o Estabelecimento de Limites da Orla Costeira Para a definição do limite em função de uma elevação do nível do mar, pode-se adotar o cenário mais pessimista elaborado pelo Intergovernmental Panel of Climate Change (IPCC), que admite uma elevação de 1 m, até o ano de 2.100, devendo a faixa de absorção desse impacto ser estabelecida no sentido de evitar a perda de propriedades em função desta elevação. Mesmo que este cenário não venha a se concretizar até aquela data, conforme sugerem as projeções mais recentes, a adoção de uma elevação de 1 m ainda é bastante razoável, considerando o elevado grau de incerteza relativo às tendências climáticas de longo prazo (Muehe, 2001a).

Buscando uma convergência entre o estabelecimento de uma faixa mínima de proteção e de manutenção da estética da paisagem Muehe (2001a) propôs os seguintes limites mínimos para a orla conforme descrição abaixo e esquema da Figura 3.2.

Zona submarina - Isóbata de 10 m podendo ser modificado desde que, no caso de redução da profundidade, haja um estudo ambiental comprovando a localização do limite de fechamento do perfil praial em profundidades menores.

Orla terrestre urbanizada - Limite de 50 m contado a partir do limite da praia ou a partir da base do reverso da duna frontal, quando existente.

Orla terrestre não urbanizada - Limite de 200 m contado a partir do limite da praia ou a partir da base do reverso da duna frontal, quando existente.

Falésias sedimentares - Limite 50 m a partir da borda da falésia; em lagunas ou lagoas costeiras 50 m contados a partir do limite da praia ou da borda superior da margem; em estuários 50 m contados a partir do limite da praia ou da borda superior em ambas as margens e ao longo das mesmas até onde cessa a penetração da água do mar.

Falésias ou costões em rochas duras - Limite a ser definido segundo plano diretor do município, estabelecendo uma faixa de segurança de pelo menos 1 m acima do limite máximo de ação das ondas de tempestade.

Áreas inundáveis - Tomando como exemplo os rios e estuários, o limite definido proposto seria uma isolinha localizada a uma cota de pelo menos 1m acima do limite da área atualmente alcançada pela preamar de sizígia.

Restrições – A construção de imóveis sobre substrato sedimentar como os cordões litorâneos, ilhas barreiras ou pontais com largura inferior a 150 m deve ser evitada devido ao risco de erosão e transposição pelas ondas, já que esta largura é insuficiente para estabelecimento de uma faixa de proteção capaz de absorver os efeitos de uma elevação do nível relativo do mar ou de efeitos decorrentes de um balanço sedimentar negativo. Áreas próximas á desembocaduras fluviais também riscos de erosão associados à própria instabilidade das mesmas. A definição da extensão destas zonas de não ocupação deve ser feita a partir de conhecimento de eventos erosivos pretéritos ou através de estudos específicos de evolução costeira.

Mangues, charcos, marismas
Mangues,
charcos,
marismas

Inundação

Cota 1 m acima do limite máximo da preamar de sizígia ou de inundação
Cota 1 m acima do
limite máximo da
preamar de sizígia
ou de inundação
Mecanismo de alteração da linha de costa
Mecanismo de
alteração da
linha de costa
Erosão 50 m a partir do limite da praia ou da base do reverso da
Erosão
50 m a partir do
limite da praia ou
da base do reverso
da duna frontal
quando presente
Sim
Sim
Litoral arenoso?
Urbanizado?
Não
Não
Não
Falésias
erodíveis ?
200 m a partir do
limite da praia ou da
base do reverso da
duna frontal quando
presente
Sim
50 m a partir do
topo da falésia

Estabelecimento de limites de segurança para a orla

Faixa de segurança 1m acima do limite máximo das ondas de tempestade. Urbanização definida por legislação específica

FIGURA 3.2: Limites mínimos da orla segundo as características morfológicas do litoral. FONTE:

MUEHE (2001a).

A diminuição dos limites mínimos poderá ser feita quando houver tendência progradacional da linha de costa, também expressa em taxas anuais ou o local se situar em áreas abrigadas, desde que justificado tecnicamente, sem prejuízo da competência estadual ou municipal para estabelecer medidas mais restritivas (Muehe, 2001a).

3.2 AÇÕES A crescente ocupação do espaço costeiro e sua utilização econômica que resultam em impactos, cuja somatória tende a provocar alterações levando à degradação da

paisagem e dos ecossistemas, podendo chegar à própria inviabilização das atividades econômicas, vêm da pesquisa científica e de ações de gerenciamento costeiro, monitoramento e educação ambiental, encontrar uma situação de equilíbrio entre uso e preservação do meio ambiente (Muehe, 1998a).

A história do gerenciamento em áreas costeiras mostra uma surpreendente evolução

ao longo dos últimos 30 anos, assim ele passa a considerar muitos fatores que por muito tempo se mantiveram esquecidos como a ênfase direcionada para o ecossistema, seus múltiplos usos e suas interdependências (Cincian – Sain &

Vinecht, 1998).

As primeiras considerações sobre o assunto foram desenvolvidas pelas nações costeiras que utilizam a zona costeira de forma inapropriada e cujo plano de gestão era pobremente elaborado. Os Estados Unidos da América foi o primeiro país a formalizar o gerenciamento costeiro com o Ato de Gerenciamento da Zona Costeira (Coastal Management Act) em 1972 (Cincian – Sain & Vinecht, 1998).

A preocupação do governo brasileiro com a utilização dos recursos marítimos e dos

espaços costeiros emergiu, nos anos setenta, paralelamente, ao aparecimento de uma ótica ambiental no planejamento estatal realizado no país. Em 1973 foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente da Presidência da República. No ano seguinte, foi institucionada a Comissão Interministerial dos Recursos do Mar (CIRM), também como órgão de assessoria direta da Presidência da República. Cada um desses órgãos trabalhou desarticuladamente na concepção de diretrizes e políticas para a sua área de atuação (Moraes, 1999).

Os resultados que cada um dos órgãos supracitados atingiu acarretaram na “Política Nacional de Recursos do Mar”, instituída em 1980, e na “Política Nacional do Meio Ambiente”, aprovada em 1981. A primeira política minimiza o enfoque ambiental ao presidir sua visão de como fazer o manejo ambiental focada numa ótica predominantemente utilitarista. A segunda, por sua vez, não prioriza com a devida atenção os ambientes costeiros e marítimos. Entretanto, a existência das instituições mencionadas e a explicitação de suas diretrizes de atuação, constituiu o patamar sob

o qual foi gerado o Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro (Gerco) (Moraes,

1999).

Em 1987, a CIRM estabeleceu o “Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro” (Gerco), especificando a metodologia de zoneamento e o modelo institucional para a sua aplicação. Foram escolhidos, também, seis estados para dar início à adoção do programa, sendo eles: Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No ano seguinte, na Lei 7.661 foi instituído o “Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro” (PNGC) (Moraes, 1999).

O PNGC, que se constitui na base legal fundamental do planejamento ambiental da zona costeira do Brasil previa três instrumentos de ação. Antes de demonstrá-los faz jus mencionar que se considera a zona costeira como sendo ”um espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renováveis ou não”. Esta definição indica que o ambiente costeiro é objeto de gestão conjunta, ou seja, as águas doces e salinizadas são tratadas de maneira integrada para efeito do gerenciamento ambiental (Filet e Sena, 1997).

Os três instrumentos de ação do PNGC são:

A criação de um Sistema Nacional de Informações do Gerenciamento Costeiro (Sigerco), composto de um banco de dados georreferenciado e da constituição de uma rede on line articulando todos os dezessete estados litorâneos;

A implementação de um programa de zoneamento da zona costeira, executado de forma descentralizada pelos órgãos de meio ambiente estaduais, coordenados pelo governo federal;

A elaboração, também descentralizada e participativa, de planos de gestão e programas de monitoramento para atuação mais localizada em áreas críticas ou de alta relevância ambiental na zona costeira (Moraes, 1999)

Um dos projetos realizados com o intuito de cumprir as metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC) é o Projeto Orla Marítima que partiu de uma iniciativa do Grupo de Integração do Gerenciamento Costeiro (GI- GERCO), da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), tendo

como coordenadores o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP), buscando alcançar os seguintes objetivos específicos:

Fortalecer a articulação dos diferentes atores do setor público para a gestão integrada da orla, aperfeiçoando o arcabouço normativo para o ordenamento de usos e ocupação desse espaço;

Desenvolver mecanismos de mobilização social para a gestão integrada da orla;

Estimular o desenvolvimento sustentável na orla (Projeto Orla Marítima, MMA).

Segundo as palavras utilizadas pelos proponentes do Projeto Orla Marítima, a “orla marítima” não está até o presente momento regulamentada como figura jurídica ou administrativa, sendo, portanto, a proposta de sua delimitação uma inovação na gestão da zona costeira. Foi construída tendo por referência internacional sobre a matéria e avaliação do conhecimento existente sobre a dinâmica costeira do litoral brasileiro. Trata-se, assim, de proposta que assimila o “princípio da precaução” em localidades cuja dinâmica ambiental não esteja suficientemente estudada, como é o caso o espaço em tela.

Para suprir as metas citadas anteriormente Muehe (2001a) desenvolveu um estudo fundamentado no intuito de determinar os critérios morfodinâmicos para o estabelecimento de limites da orla costeira para fins de gerenciamento.

Para preencher, ainda, as lacunas encontradas pelo Programa Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), Albino et al. (2001) desenvolveram um Atlas de Erosão e Progradação Costeira do Litoral do Espírito Santo, em vias de publicação, o que contribuiu significativamente para a compreensão da zona costeira tanto do estado em questão quanto da nação com um todo.

4. MATERIAIS E MÉTODOS

As atividades realizadas seguiram em conformidade com o organograma abaixo (Figura 4.1).

Estudo preliminares

Estudo preliminares Identificação dos compartimentos costeiros e coleta de informações Praia Diagnostico do uso e
Identificação dos compartimentos costeiros e coleta de informações Praia Diagnostico do uso e ocupação Taxa
Identificação dos compartimentos costeiros e coleta de informações
Praia
Diagnostico do uso e ocupação
Taxa de recuo da linha de costa e Faixa de
segurança
Falésia Viva
Plataforma de
abrasão rochosa
Determinação da Vulnerabilidade Erosiva
Legislação pertinentes as feições encontradas

FIGURA 4.1: Organograma das atividades realizadas pelo presente trabalho.

4.1 ESTUDOS PRELIMINARES

Antes de se realizar a saída de campo foi realizada uma visualização prévia das fisiografias que compõe o litoral de Marataízes, para tal fez-se uso de duas cartas topográficas (SF-24-H-I-1 folha 1 e SF-24-H-I-1 folha 1.2) na escala de 1:50.000, Mapa Geológico do Quaternário Costeiro do Estado do Espírito Santo, na escala de 1:200.000 e carta náutica Nº 1.400 publicada , na escala natural de 1:296.385, buscas bibliográficas em material base também foi feita.

4.2 IDENTIFICAÇÃO DOS COMPARTIMENTOS COSTEIROS E COLETA DE DADOS

A compartimentação foi feita seguindo os critérios propostos por Muehe (1998), segundo esse autor a classificação geológica da linha de costa deve seguir os seguintes critérios:

I. Macro unidade Morfológica

a) Costão rochoso cristlino

b) Falésia em rocha sedimentar (Grupo Barreiras e outros)

c) Cabo Inconsolidado

d) Delta

e) Planície de cristas de praia

f) Planícies de maré lamosa

g) Planície de maré arenosa

II. Meso unidade morfológica

a) Cordão litorâneo largo

b) Cordão litorâneo sob efeito de transposição e ondas

c) Pontal

d) Dunas Parabólicas

e) Dunas barcanas ou barcanóides

f) Dunas Transversais

g) Manguezal

III. Unidade morfodinâmica

a) Falésia viva

b) Praia refletiva

c) Praia intermediária

d) Praia dissipativa

e) Dunas frontais

f) Plataforma de abrasão rochosa

g) Substrato sub-horizontal recoberto de concreções lateríticas

h) Falésia precedida de praia

i) Falésia precedida de terraço de abrasão

j) Desembocadura fluvial

k) Recifes de arenito de praia

l) Recifes de coral

Além disso, o autor cita ainda que a classificação deva ser acrescida da informação Exposto (E), Semi-exposto (S) e Abrigada (A) e deva ser lida da feição

de menor tamanho para a de maior hierarquia. Exemplo: Ic-IIb-IIIe-E Praia refletiva

exposta de cordão litorâneo estreito sob efeito de transposição associado a um

cabo inconsolidado.

Como os compartimentos identificados correspondem unicamente á unidades morfodinâmicas, o presente trabalho se ateve utilizar exclusivamente a classificação III proposta por Muehe (1998).

Em assim sendo, a equipe executora do projeto dirigiu-se para o litoral em estudo

e identificou os sucessivos compartimentos que compõe a área de estudo

tomando o cuidado de georeferênciar, os pontos limites de cada compartimento, por meio de GPS Gramin 12, utilizando Sistema de Coordenadas Geográficas e o Córrego Alegre como Datum. Cada compartimento identificado recebeu um algarismo romano como identificador, ou seja, o primeiro compartimento recebeu o nome de I, o segundo de II e assim sucessivamente.

É importante mencionar, ainda, que a compartimentação foi feita ininterruptamente

de norte para sul, respeitando a disposição da linha de costa do litoral em questão.

4.3 DIAGNÓSTICO DO USO E OCUPAÇÃO

O presente trabalho utilizou uma adaptação da proposta feita pelo Projeto Orla

para a determinação do grau de urbanização que cada compartimento identificado apresentava, isso foi feito porque o Ministério do Meio Ambiente propõe uma classificação para grandes áreas costeiras, mas a essência da classificação pode ser perfeitamente aplicada em regiões menores, como é o caso dos compartimentos que compõem o litoral de Marataízes, fazendo, então, uma adequação à menor magnitude da área abrangida pelo compartimento quando comparado à orla marítima como um todo. Assim, o Ministério do Meio Ambiente, fazendo uso do Projeto Orla Marítima define que a cobertura urbana ou urbanização deve ser avaliada pelos seus principais elementos da paisagem e estruturas da cobertura (forma, configuração paisagística e distribuição espacial), assim como pelos tipos de ocupação existentes. Tendo em vista a natureza dessa variável e as características das classes genéricas, sua incidência em orlas da classe A será sempre a mais baixa, na classe B média e na classe C alta.

Classe A – Pode ser isolada em fragmentos ou formando corredores, com seu elemento paisagístico constituído de urbanização de pequeno porte (até 20.000 habitantes), com cobertura predominantemente horizontal. Pode apresentar configuração paisagística rústica, comum ou bairro-jardim; possui cunho histórico, cultural ou de forte apelo turístico. Área ocupada por pequenas vilas ou localidades isoladas, com habitações horizontais e mais de 50% da área ocupada por vegetação nativa preservada.

Classe B – Apresenta-se em manchas, forma corredores ou constitui-se em uma matriz; seu elemento paisagístico está baseado na urbanização de médio porte, com cobertura horizontal (densa) mista. Pode apresentar configuração rústica, comum ou bairro-jardim; possui caráter habitacional ou turístico, na qual a vegetação ocupa 50% da área existente, podendo ter um caráter histórico cultural. Ocupada por loteamentos/balneários horizontais ou mistos, isolados entre si, entremeados por áreas cobertas por vegetação nativa e/ou plantações (uso misto – predominantemente residencial). Pequenos centros urbanos horizontais e mistos.

Classe C – Apresenta mancha urbana contínua e convencional, formando corredor ou matriz, com urbanização de grande porte; cobertura predominantemente vertical pode apresentar configuração comum ou bairro- jardim; ocupa grande porção de território, com atividades não prioritariamente turísticas. Ocupação exclusivamente habitacional; ou predominantemente habitacional; ou mistos habitacionais, comerciais, serviços, industriais, ou ocupada exclusivamente por estabelecimentos públicos ou privados de interesse social, como escolas, hospitais, asilos, prisões, etc.

Ressalva-se, ainda, que todos os compartimentos identificados foram fotografados com a finalidade de demonstrar o grau de urbanização do mesmo.

4.4 TAXA DE RECUO E DETERMINAÇÃO DOS LIMITES SEGUROS DE

OCUPAÇÃO

O critério morfodinâmico considera essencialmente a capacidade de mobilização

dos sedimentos do fundo marinho por ação das ondas e seu deslocamento ao longo de um perfil perpendicular à costa e a resposta morfológica da porção emersa do litoral aos efeitos de erosão, transporte e acumulação resultante desse processo de mobilização sedimentar (Muehe, 2001a).

A amplitude da resposta a esses processos depende, por sua vez, do clima de

ondas e do grau de exposição do segmento costeiro considerado, além das

características geológicas do mesmo, podendo-se distinguir entre litorais constituídos por sedimentos não consolidados formando praias e feições morfológicas associadas (cordões litorâneos, ilhas barreira, pontais, planícies de cristas praiais, tombolos), rochas sedimentares consolidadas (falésias) e rochas duras (costões) (Muehe, 2001a).

Quanto ao estabelecimento da largura da faixa de proteção costeira, os critérios adotados consideram a tendência erosiva ou progradacional expressa pela taxa de retrogradação/progradação prevista por efeito de elevação do nível relativo do mar e aspecto estético-paisagístico (Muehe, 2001a).

Os limites estabelecidos para a segurança da ocupação humana foram dispostos em mapa.

4.4.1 Praias

Em direção à retroterra, o limite de praia é extremamente reduzido, principalmente se considerarmos um cenário de elevação do nível do mar. A definição de um limite mais interiorizado deverá, pois, considerar dois aspectos: o alcance do processo morfodinâmico atual, a tendência erosiva baseada em taxa de erosão anual e que expressem uma tendência pelo menos decanal e o efeito de uma elevação do nível do mar. O limite dinâmico da praia subaérea será o do alcance máximo do processo deposicional de sedimentos provenientes da praia, independente de o processo ser por ação das ondas ou do vento. No primeiro caso o limite será a porção mais interiorizada do berma mais elevado ou, no caso de cordões litorâneos, ilhas barreira ou pontais submetidos à transposição por ondas, o limite do reverso dessas feições. No segundo caso, o do transporte eólico, o limite será à base do flanco reverso das dunas frontais (Muehe, 2001a).

A determinação da largura da faixa de segurança em praias, considerando apenas os efeitos de uma elevação do nível do mar, foi feita através da aplicação da lei de Bruun (Brunn, 1962) expressa pela equação:

onde:

R =

SLG

H

(1)

R = recuo erosivo da linha de costa devida à elevação do nível do mar (m).

S = elevação do nível do mar (m), que o presente trabalho adotou como sendo igual a 0,3

m para representar a elevação do nível médio do mar no caso de entrada de frente fria.

L

= comprimento do perfil ativo (m).

H

= altura do perfil ativo (m).

G = Proporção de material erodido que se mantém no perfil ativo, o presente trabalho admitiu este parâmetro como sendo igual a 1, uma vez que se trata de uma praia arenosa onde todo o material erodido é retrabalhado e redistribuído ao longo do perfil, não havendo, portanto, perda de sedimento do sistema.

O comprimento e a altura do perfil ativo foram obtidos pelo levantamento do perfil

topográfico e pela obtenção da profundidade de fechamento do perfil, que determina qual a profundidade onde o ambiente deixa de ser considerado praial.

O perfil topográfico é uma representação gráfica do relevo. No caso de uma praia

o perfil é um traçado perpendicular à linha de costa que tem início nas suas dunas

ou numa calçada, ou rua, e vai até a linha do máximo recuo da onda, podendo ser feita também a zona submersa, como colocado por Muehe (2001b) que considera como ideal no levantamento de um perfil estendê-lo para a zona submarina até a profundidade correspondente ao fechamento do perfil, isto é, até a profundidade em que a variabilidade topográfica do perfil tende a zero, sendo, portanto condicionado pelo clima das ondas.

Suguio (1973) afirma que o perfil transversal de uma praia varia com o ganho ou perda de areia, onde a variação da energia das ondas é determinante. De acordo

com as alternâncias entre tempo bom (engordamento) e tempestades (erosão) a praia adapta seu perfil e assim servindo de proteção contra a erosão marinha.

O método de Baliza de Emery (1961) é um método simples de ser utilizado e suficientemente preciso para os objetivos deste trabalho, abrangendo uma margem de erro de aproximadamente 4 a 5%, permitindo assim bastante segurança na sua confecção (Muehe, 2001b).

Cada baliza corresponde a uma estaca de madeira, com 1,5 m de comprimento, graduada em milímetros nos primeiros 70 cm, sendo o zero situado no topo da baliza.

À medida que as leituras foram sendo feitas, o perfil foi sendo traçado, os dados

coletados foram anotados em uma planilha de campo (Anexo A), tomando-se o cuidado de anotar o horário em que se realizou a leitura no máximo recuo, para que o ajuste de topografia pela maré pudesse ser feito de acordo com Bigarella (1962 apud Muehe et al., 2001b), que em condições de tempo bom oferece resultados satisfatórios. A identificação dos pontos urbanos onde os perfis foram amarrados e seus respectivos rumos podem ser vistos no Anexo B.

A granulometria predominante do sedimento praial exposto também foi umas das

atividades desenvolvidas em campo.

FIGURA 4.2: Levantamento dos perfis topográficos praiais pela aplicação do método proposto por Emery (1961).

FIGURA 4.2: Levantamento dos perfis topográficos praiais pela aplicação do método proposto por Emery (1961). Foto: Albino, 13/11/2004.

O traçado dos perfis foi feito depois de se consultar a tábua de maré referente ao Terminal de Ubu (Anchieta, ES) fornecida pelo Departamento de Hidrografia e Navegação (DHN) da Marinha do Brasil, a fim de se trabalhar nas condições de baixa-mar. De modo que o perfil obtido tivesse sido levantado até a região do máximo recuo, possibilitando a correção das cotas dos perfis, dando a eles uma maior verossimilhança. Assim, para o dia 13/11/2003, data do levantamento dos perfis, a maré era de 1,5 m às 2:54, 0,1 m às 9:36 e 1,4 m às 15:04. O nível do mar para o Terminal de Ubú (ES) fornecido por esta mesma instituição é de

0,75m.

Para o cálculo da profundidade de fechamento do perfil foram utilizados os parâmetros propostos por Hallemeier (1981):

onde,

d

l ,1

2

H s +

11σ

(2)

d l,1 = profundidade de fechamento do perfil (m),

H s = altura média significativa anual das ondas em águas profundas (m), que para a

região de estudo é igual a 1,20 (m) segundo os dados fornecidos pela DHN.

σ = desvio padrão anual das ondas significativas, adotar-se-á no trabalho, conforme as orientações de Muehe (2001a), como sendo igual a 0,38.

Para determinação d a largura do perfil ativo (distância da costa á profundidade de fechamento do perfil) foi utilizada carta náutica Nº1400 cuja escala é de 1:296.385. Como a carta náutica, na escala disponível, não permite a determinação razoavelmente precisa das profundidades calculadas para o fechamento do perfil, utilizou-se a isóbata de 6, 7 e 8 m como limite oceânico, para o litoral, o que é uma boa aproximação prática aos valores de d l,1 encontrados.

4.4.2 Plataforma de abrasão rochosa

Para estas feições a taxa de recuo adotada segue a proposta que Muehe (2001a) determina, anteriormente citada no item 3.2.2 do presente trabalho. Assim, o limite de ocupação a ser definido neste trabalho estabeleceu uma faixa de segurança de 1 m acima do limite máximo de ação das ondas de tempestades, lembrando que na região estudada as marés máximas atingem 1, 70 m segundo as informações fornecidas pela DHN.

A determinação da distância horizontal de terra requerida para o estabelecimento da proposta acima citada, foi feita através dos perfis topográfico levantados, em campo, pelo método das Balizas de Emery (Emery, 1961), nos representantes

mais alto e no mais baixo das feições aqui estudadas. Acrescentou-se, ainda o alcance máximo da maré de sizígia, para que o estabelecimento do limite seguro de ocupação fosse feito em conformidade com a referência bibliográfica supracitada.

4.4.3 Falésias vivas e falésias precedidas de praias

As falésias precedidas de praias foram submetidas à mesma metodologia adotada para ambientes praiais, sendo os critérios adotados para estimar a taxa de recuo da linha de costa o mesmo sugerido para as praias segundo aborda Muehe

(2001a).

As falésias vivas, por outro lado, apresentam um comportamento que deve ser analisado caso a caso, porque, em geral, estas feições apresentam um longo lapso de reação ao processo erosivo e uma grande quantidade de sedimentos liberados para o ambiente o que dificulta a utilização da equação (1), isso faz com que a taxa de retrogradação seja freqüentemente pequena (Muehe, 2001a).

Para o estabelecimento do limite de ocupação seguro destas feições o presente trabalho adotou que a ocupação só poderá ser feita a partir de 50 m da borda da falésia (Muehe 2001a).

4.4.4 Desembocadura fluvial

Segundo Muehe (2001a), a construção de imóveis sobre substrato sedimentar como cordões litorâneos, ilhas barreira ou pontais com largura inferior a 150 m deve ser evitada devido ao risco de erosão e transposição pelas ondas, já que esta largura é insuficiente para estabelecimento de uma faixa de proteção capaz de absorver os efeitos de uma elevação do nível relativo do mar ou de efeitos decorrentes de um balanço sedimentar negativo. Áreas próximas a desembocaduras fluviais também apresentam riscos de erosão associados à própria instabilidade das mesmas.

4.5

DETERMINAÇÃO DA VULNERABILIDADE EROSIVA

Fazendo uma sobreposição entre o tipo dos compartimentos identificados, o diagnótico do uso e ocupação e a taxa de recuo da linha de costa determinou-se a vulnerabilidade erosiva do litoral de Marataízes.

Utilizou-se o Programa computacional Statistica Graf 5.0 para se obter os clusteres que agruparam os compartimentos semelhantes entre si, segundo as 3 variáveis acima citadas.

O produto destes estudos resultou no mapa de vulnerabilidade erosiva do litoral em estudo.

4.6 CONFECÇÃO DOS MAPAS DE VUNERABILIDADE EROSIVA

Por meio do programa computacional Arcgis 9.0 as coordenadas referentes aos limites da cada compartimento foram plotadas sobre o mapa base georeferenciado da região em estudo. A plotagem da vulnerabilidade erosiva foi feita no programa computacional fornecido pela Micro Soft, Paint Brush utilizando-se as ferramentas de recortar e colorir as figuras aberta no mesmo.

A escala de cores utilizada para a determinação da vulnerabilidade erosiva foi feita de seguinte maneira, os compartimentos intitulados menos preocupantes foram aqueles cujo diagnóstico de uso e ocupação corresponde a Classe A e que a faixa de segurança estabelecida por Muehe (2001a) pôde ser aplicada. Os compartimentos preocupantes foram aqueles cujo diagnóstico de uso e ocupação corresponde a Classe B sendo que a faixa de segurança estabelecida por Muehe (2001a) não pôde ser aplicada totalmente devido à presença de algumas construções na região de entorno. Os compartimentos preocupantes foram aqueles em que os problemas erosivos já se fazem sentir, correspondendo a Classe C do diagnóstico de uso e ocupação e cuja faixa de segurança proposta por Muehe (2001a), não pode ser aplicada devida à intensa ocupação.

4.7 IDENTIFICAÇÃO DAS LEIS APLICÁVEIS QUE CONTRIBUEM PARA UMA MELHOR GESTÃO COSTEIRA

Mediante material técnico específico sobre as leis ambientais existentes tanto a nível nacional quanto a nível estadual pôde-se identificar os pontos em que a ocupação do litoral em estudo, não obedeceu aos critérios dispostos na lei, devendo, portanto, serem tomadas medidas corretivas e mitigadoras nos pontos em que a ocupação foi feita de forma errônea e medidas preventivas nos locais em que a mesma ainda não aconteceu, mas devido ao grande potencial de crescimento da região, essa pode vir a acontecer em um futuro não muito distante.

Utilizou-se como material base para busca de informações o CD-Room intitulado Meio Ambiente e Direito disponível na biblioteca do Instituto Estadual do Meio Ambiente do estado do Espírito Santo, neste material foi feita uma minuciosa busca com o intuito de se encontrar leis, decretos e resoluções existentes no âmbito nacional e no âmbito estadual referentes ao uso e ocupação da região costeira, bem como material referente às feições ali encontradas.

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 IDENTIFICAÇÃO DOS COMPARTIMENTOS

Ao longo de todo a área de estudo, foram identificados 22 compartimentos, os características mais relevantes dos mesmos, seus registros fotográficos e o diagnóstico de uso e ocupação foram dispostos na tabela abaixo bem como as observações pertinentes ao grau de urbanização. As coordenadas geográficas que delimitam os compartimentos identificados podem ser observadas no Anexo C deste trabalho.

TABELA 5.1: Caracterização das Estações identificadas, bem como a suas delimitações, o local a que se referem observações proeminentes e registro fotográfico.

Identificação do compartimento, segundo os critérios sugeridos por Muehe (1998)

I – Praia da Barra

(Foz do Rio Itapimirim), praia dissipativa

Caracterização dos compartimentos e grau de urbanização segundo os critério sugeridos pelo Projeto Orla Marítima, destacados em azul

Altura (cm)

Praia arenosa composta por areias médias à grossa com presença de carbonatos e depósitos de minerais pesados.Perfil topográfico referente a este compartimento pode ser observado na Figura 5.1 e o registro topográfico na Figura 5.2. Segundo os critérios propostos este local se enquadra na Classe B, com muitas construções próximas á praia incluindo estradas pavimentadas.

Praia da Barra (ES)

600

400

200

0

estradas pavimentadas. Praia da Barra (ES) 600 400 200 0 0 10 20 30 40 Distância

0

10

20

30

40

Distância (m)

50

FIGURA 5.1: Perfil topográfico do Compartimento I.

50 FIGURA 5.1 : Perfil topográfico do Compartimento I . FIGURA 5.2: Praia da Barra (ES).

FIGURA 5.2: Praia da Barra (ES). Foto: Albino,

13/11/2004.

11/2004.

Formação rochosa (costão rochoso) com edificações localizadas a uma certa distância da linha de preamar
Formação rochosa (costão rochoso) com edificações localizadas a uma certa distância da linha de
preamar tal situação é confirmada pela Figura 5.3 que se segue. Este compartimento enquadra-se na
Classe B.
II – Plataforma de
abrasão rochosa
(popularmente
conhecidos como
costões rochosos)
FIGURA 5.3: Costão Rochoso com seu respectivo. Foto: Albino, 13/11/2004

III – Praia da Barra, praia dissipativa

Altura

(cm)

Este é mais um dos compartimentos correspondentes à ambiente praial, onde as areias médias predominam na composição. O perfil topográfico desse seguimento da Praia da Barra pode ser observado na Figura 5.4, já o registro fotográfico encontra-se disposto na Figura 5.5. O grau de ocupação deste seguimento é bastante elevado, sendo possível detectar quiosques construídos sobre a areia, escassez de vegetação litorânea, via pavimentada bem próxima à praia sendo expressiva a quantidade de areia retirada da praia por ação eólica e depositada sobre as vias urbanas proximais. Segundo o Projeto Orla Marítima este setor corresponde à Classe C.

Praia da Barra (ES)

1000 500 0
1000
500
0

0

20

40

Distância (m)

60

FIGURA 5.4: Perfil topográfico referente ao Compartimento III.

5.4 : Perfil topográfico referente ao Compartimento III . FIGURA 5.5: Praia da Barra (ES), ambiente

FIGURA 5.5: Praia da Barra (ES), ambiente praial ocupado por quiosques. Foto: Albino, 13/11/2005.

Costão rochoso situado na Ponta das Arraias. A Figura 5.6 mostra parte deste local. Segundo
Costão rochoso situado na Ponta das Arraias. A Figura 5.6 mostra parte deste local. Segundo os
critérios a serem seguidos este local corresponde à Classe A sendo que neste local a ocupação
urbana ainda não é significativa.
IV – Ponta das Arraias,
Plataforma de abrasão
rochosa
FIGURA 5.6: Ponta das Arraias (ES). Foto: Albino, 13/11/2005.

V – Praia da Cruz, praia dissipativa

A ltura (cm)

Sedimento composto predominantemente por areias com granulometria que varia de média a fina sendo visível a grande quantidade de minerais pesados aflorados. A ocupação urbana é crítica com casas construídas bem próximas à região banhada pelas marés mais elevadas, Classe C, segundo os critério adotados. A representação gráfica do perfil topográfico deste seguimento pode ser vista na Figura 5.7 e o registro fotográfico na Figura 5.8.

400

300

200

100

0

Praia da Cruz (ES)

na Figura 5.8. 400 300 200 100 0 Praia da Cruz (ES) 0 10 20 30

0

10

20

30

40

Distância (m)

50

FIGURA 5.7: Perfil topográfico do Compartimento V.

50 FIGURA 5.7: Perfil topográfico do Compartimento V . FIGURA 5.8: Praia da Cruz (ES), com

FIGURA 5.8: Praia da Cruz (ES), com construções feitas bem próximo à linha de preamar. Foto: Albino, 13/11/2005.

VI – Plataforma de abrasão rochosa

Plataforma de abrasão rochosa situada em uma região de embaiamento. Classe A, com o grau
Plataforma de abrasão rochosa situada em uma região de embaiamento. Classe A, com o grau de
urbanização baixo como pode ser visualizado na Figura 5.9.
Plataforma de abrasão
rochosa
400
200
0
0
10
20
30
40
50
Distância (m)
FIGURA 5.9: Plataforma de abrasão rochosa representando o compartimento VI e seu perfil topográfico. Foto: Albino,
13/11/2004.
Altura (cm)

Praia com sedimento composto predominantemente por areias finas sendo detectada também a presença de areias médias. A urbanização deste local é bem significativa com inúmeros quiosques construídos no ambienta praial, enquadra-se, portanto, na Classe B. O perfil topográfico pode ser visualizado na Figura 5.10 da mesma forma que o registro fotográfico na Figura 5.11.

Praia das Arraias (ES)

400 300 200 100 0 0 10 20 30 40 50 A ltura (cm)
400
300
200
100
0
0
10
20
30
40
50
A ltura (cm)

Distância (m)

FIGURA 5.10: Representação gráfica do perfil topográfico.

13/11/2005.

Representação gráfica do perfil topográfico. 13/11/2005. FIGURA 5.11: Praia das Arraias (ES). Foto: Albino, VII –

FIGURA 5.11: Praia das Arraias (ES). Foto: Albino,

VII – Praia das Arraias – praia dissipativa

VIII – Praia das Arrais, praia dissipativa

A ltura (cm)

Este compartimento é circundado por plataforma de abrasão rochosa (Figura 5.13). Por ser uma região onde as formações praiais são expressivas foi levantado perfil topográfico (Figura 5.12) para ilustrar estas formações. O grau de urbanização é irrisório, assim este compartimento corresponde á Classe A.

Praia das Arraias (ES)

300

200

100

0

á Classe A . Praia das Arraias (ES) 300 200 100 0 0 10 20 Distância

0

10

20

Distância (m)

30

FIGURA 5.12: Perfil topográfico.

0 10 20 Distância (m) 30 FIGURA 5.12: Perfil topográfico. FIGURA 5.13: Compartimento praial circundado por

FIGURA 5.13: Compartimento praial circundado por pequenas formações rochosas praiais. Foto: Albino, 13/11/2005.

Sobre esta feição foi construído um enroncamento com o intuito de proteger a região contra
Sobre esta feição foi construído um enroncamento com o intuito de proteger a região contra a ação
das ondas visto que no local existe uma região de atracação de barco de pescadores (Figura 5.14).
Apesar da modificação feita para a construção do enroncamento o grau de urbanização é baixo,
Classe A.
IX - Plataforma de
abrasão rochosa
FIGURA 5.14: Enronacmento presente no compartimento IX. Foto: Albino, 13/11/2005.
Pequena formação praial (Figura 5.15). Neste local não foi realizado perfilagem topográfica, uma vez que
Pequena formação praial (Figura 5.15). Neste local não foi realizado perfilagem topográfica, uma vez
que a formação praial ali existente é de pequeno porte sendo sua proteção feita pelas planícies de
abrasão rochosa que a circundam onde os sedimentos arenosos ainda estão recobrindo as formações
rochosas em assim sendo o recuo da linha de cota adotado será o mesmo das planície de abrasão
rochosas adjacentes. O grau de urbanização é baixo, enquadrando-se como Classe A.
X – Praia dissipativa
FIGURA 5.15: O quadro vermelho destaca a pequena formação praia que representa o compartimento X. Foto: Albino,
13/11/2005.

XI – Praia dissipativa

Altura (cm)

Praia dissipativa situada numa pequena região de embaiamento (Figura 5.16). Região localizada bem próximo ao Iate Club de Marataízes. A urbanização nesta região pode ser considerada de médio porte com casas construídas próximas ao ambiente praial, corresponde à Classe B.

Praia (ES)

300

0
0

200

100

0

10

20

30

Distância (m)

B . Praia (ES) 300 0 200 100 0 10 20 30 Distância (m) FIGURA 5.16:

FIGURA 5.16: Praia dissipativa localizada em uma pequena região de embaiamento e sua representação gráfica. Foto:

Albino, 13/11/2005.

Plataforma de abrasão rochosa (Figura 5.17). Apesar de estar significativamente urbanizado este compartimento não é muito preocupante pois as construções foram feitas longe da linha de preamar. Este setor pode ser considerados como sendo pertencente à Classe B.

Plataforma de abrasão rochosa

390 290 190 90 -10 0 10 20 30 A ltura (cm)
390
290
190
90
-10
0
10
20
30
A ltura (cm)

Distância (m)

190 90 -10 0 10 20 30 A ltura (cm) Distância (m) FIGURA 5.17: Plataforma de

FIGURA 5.17: Plataforma de abrasão rochosa representando o compartimento XII e seu respectivo perfil topográfico. Foto:

Albino, 13/11/2005.

XII – Plataforma de abrasão rochosa

Praia com sedimento composto predominantemente por areias médias. A representação gráfica do perfil topográfico realizado neste compartimento pode ser visualizado na Figura 5.18. já o registro fotográfico deste compartimento pode ser visto na Figura 5.19. Segundo os critérios de classificação proposto, este setor corresponde à Classe C, onde o grau de urbanização é bastante expressivo.

Praia de Marataízes (ES)

400 300 200 100 0 0 5 10 15 20 25 A ltu ra (cm
400
300
200
100
0
0
5
10
15
20
25
A ltu ra (cm )

Distância(m)

FIGURA 5.18: Perfil topográfico compartimento XIII.

FIGURA 5.18: Perfil topográfico compartimento XIII . FIGURA 5.19: Praia de Marataízes , sem as contenções.

FIGURA 5.19: Praia de Marataízes , sem as contenções. Foto: Albino, 13/11/2005.

XIII – Praia de Marataízes sem as contenções de sedimento, praia dissipativa

XIV – Praia de Marataízes com as contenções de sedimento, praia dissipativa

ltura

A (cm)

Sedimento composto predominantemente por areias médias. O grau de urbanização deste compartimento é extremamente elevado, sendo uma região muito preocupante, pois como a ocupação foi feita de forma errônea os prejuízos causados por este erro já se fazem sentir, segundo a classificação proposta pelo Projeto Orla Marítima este setor corresponde à Classe C. Isto pode ser observado na Figura 5.21 que se segue, da mesma forma que o perfil topográfico (Figura 5.20).

Praia de Mataízes (ES) entre as contenções

1000

500

0

Praia de Mataízes (ES) entre as contenções 1000 500 0 0 10 20 Disntância(m) 30 40

0

10

20

Disntância(m)

30

40

FIGURA 5.20: Perfil topográfico.

20 Disntância(m) 30 40 FIGURA 5.20: Perfil topográfico. FIGURA 5.21: Registro fotográfico do compartimento XIV e

FIGURA 5.21: Registro fotográfico do compartimento XIV e os problemas causados pela urbanização feita de forma errônea. Foto: Albino, 13/11/2005.

XV – Praia de Marataízes, praia intermediária

A ltura (cm)

As areias predominantes possuem uma granulometria fina com regiões onde há bastantes minerais pesados expostos e dunas frontais bem erodidas. A representação gráfica do perfil topográfico pode ser vista na Figura 5.22 e o registro fotográfico na Figura 5.23. A maior parte deste comprimento ainda não é urbanizada, mas alguns pontos pode-se perceber a construção de quiosques feita sobre o ambiente praial, tal quiosques vêm ao longo do tempo sofrendo processos erosivos. Este setor pode ser enquadrado na Classe B segundo a classificação proposta pelo Projeto Orla.

800

600

400

200

0

Marataízes (ES)

pelo Projeto Orla. 800 600 400 200 0 Marataízes (ES) 0 10 20 Distância (m) 30

0

10

20

Distância (m)

30

40

FIGURA 5.22: Perfil topográfico da praia de Marataízes (ES).

5.22: Perfil topográfico da praia de Marataízes (ES). FIGURA 5.23: Praia de Marataízes (ES). Foto: Albino

FIGURA 5.23: Praia de Marataízes (ES). Foto: Albino

13/11/2005.

Barra arenosa construída em na foz da Lagoa do Siri (Figura 5.24). A ocupação sobre
Barra arenosa construída em na foz da Lagoa do Siri (Figura 5.24). A ocupação sobre a barra
propriamente dita não é existente, mas nas regiões que circundam a lagoa pode-se perceber a
presença de inúmeros quiosques. Classe A.
XVI – Lagoa do Siri,
desembocadura fluvial
FIGURA 5.24: Seqüência fotográfica mostrando a barra da Lagoa do Siri (ES). Foto: Albino, 13/11/2005.
 

Areia com cordão vegetado extenso, sedimento composto predominantemente por granulometria média. A urbanização é bastante expressiva, com diversas construções feitas sobre o ambiente praial, setor corresponde à Classe B. A representação gráfica do perfil topográfico pode ser visto na Figura 5.25 e o registro fotográfico na Figura 5.26.

 

Praia do Siri (ES)

 
  Praia do Siri (ES)  

XVII – Praia do Siri, praia intermediária

A ltu ra (cm )

600

400

400  
 

200

0

 

0

20

40

60

 

Distância(m)

FIGURA 5.25: Perfil topográfico do compartimento XVII.

FIGURA 5.26: Praia do Siri (ES). Foto: Albino, 13/11/2005.

XVIII – Praia de Suruí, falésia precedida de praia

A ltura (cm)

Sedimento composto predominantemente por areias finas. A urbanização deste compartimento é irrisório sendo o grau de preservação bastante elevado com preservação da vegetação nativa e da vegetação de dunas, Classe A. Perfil topográfico Poe ser visto na Figura 5.27 e o registro topográfico na Figura 5.28.

300

200

100

0

Praia de Suruí (ES)

na Figura 5.28. 300 200 100 0 Praia de Suruí (ES) 0 10 20 Distância (m)

0

10

20

Distância (m)

30

40

FIGURA 5.27: Perfil topográfico do compartimento XVIII.

FIGURA 5.27: Perfil topográfico do compartimento XVIII . FIGURA 5.28: Praia de Suruí (ES). Foto: Albino,13/11/2005.

FIGURA 5.28: Praia de Suruí (ES). Foto: Albino,13/11/2005.

Falésia Viva (Figura 5.29). Não se observam estradas nem edificações construídas sobre a mesma, Classe
Falésia Viva (Figura 5.29). Não se observam estradas nem edificações construídas sobre a mesma,
Classe A.
XIX – Falésia Viva
FIGURA 5.29: Falésia viva ao fundo representando o compartimento XIX. Foto: Albino, 13/11/2005.

Sedimento composto predominantemente por areias médias. A ocupação deste ambiente foi feita de forma errada com casas construídas sobre o ambiente praial suprimento a vegetação, apesar do grau de urbanização ser de médio porte, corresponde, portanto, à Classe B. Perfil topográfico pode ser visualizado na Figura 5.30 e o registro fotográfico na Figura 5.31.

Praia de Cações (ES)

300 200 100 0 0 10 20 30 A ltu ra (cm )
300
200
100
0
0
10
20
30
A ltu ra (cm )

Distância(m)

FIGURA 5.30: Perfil topográfico do compartimento XX.

FIGURA 5.30: Perfil topográfico do compartimento XX . FIGURA 5.31: Praia de Cações (ES) com ocupação

FIGURA 5.31: Praia de Cações (ES) com ocupação feita de forma errônea. Foto: Albino, 13/11/2205.

XX – Praia dos Cações , falésia precedida de praia

Falésia Viva, a visualização deste compartimento pode ser visto ao fundo de registro fotográfico (Figura
Falésia Viva, a visualização deste compartimento pode ser visto ao fundo de registro fotográfico
(Figura 5.32) que se segue. O grau de urbanização é irrisório, visto que neste compartimento não há
casas construídas sobre a falésia, a única modificação que este ambiente apresentou é uma pequena
estrada de terra que passa na região superior da mesma, mas longe de suas margens, enquadrando-
se, assim, na Classe A.
XXI –Lagoa do Mangue,
falésia viva
FIGURA 5.32: Falésia viva representando o compartimento XXI. Foto: Albino, 13/11/2005.

Cordão litorâneo precedido de praia, na época em que foi feito o levantamento de dados a estrada de terra que passava sobre esta região foi destruída impedindo o tráfego no local como pode ser observado na Figura 5.34. Como o ambiente possui uma formação praial foi levantado perfil topográfico (Figura 5.33). Segundo os critérios propostos pelo Projeto Orla Marítima, o compartimento corresponde à Classe A.

Lagoa do Mangue (ES)

600 400 200 0 0 10 20 30 40 A ltura (cm )
600
400
200
0
0
10
20
30
40
A ltura (cm )

Distância(m)

FIGURA 5.33: Perfil topográfico.

ltura (cm ) Distância(m) FIGURA 5.33: Perfil topográfico. FIGURA 5.34: Cordão litorâneo precedido de praia, com

FIGURA 5.34: Cordão litorâneo precedido de praia, com estrada destruída interrompendo o tráfego local. Foto: Albino, 13/11/2005.

XXII – Lagoa do Mangue, Falésia precedida de praia

De acordo com os dados até o presente momento apresentados pode-se afirmar que

Marataízes (ES) apresenta um litoral composto predominantemente por praias, que representam aproximadamente 49% de todos os compartimentos determinados, seguido de plataforma de abrasão rochosa (23%) e falésias precedidas de praia (14%), as falésias vivas representam 9% e as desembocaduras fluviais 5% do litoral. A representação gráfica da porcentagem que cada segmento representa pode ser vista

na Figura 5.35.

Compartimentos que compõem o litoral de Marataízes (ES)

14%

5% 9% 23%
5%
9%
23%
que compõem o litoral de Marataízes (ES) 14% 5% 9% 23% Praia dissipativa e intermediaria Plataforma

Praia dissipativa e intermediariaPlataforma de abrasão rochosa Falésia precedida de praia Falésia viva Desembocadura fluvial

Plataforma de abrasão rochosaPraia dissipativa e intermediaria Falésia precedida de praia Falésia viva Desembocadura fluvial

Falésia precedida de praiaPraia dissipativa e intermediaria Plataforma de abrasão rochosa Falésia viva Desembocadura fluvial

Falésia vivaPraia dissipativa e intermediaria Plataforma de abrasão rochosa Falésia precedida de praia Desembocadura fluvial

Desembocadura fluvialPraia dissipativa e intermediaria Plataforma de abrasão rochosa Falésia precedida de praia Falésia viva

49%

FIGURA 5.35: Compartimentos que compõem o litoral de Marataízes (ES) em porcentagem.

5.2 DETERMINAÇÃO DO LIMITE SEGURO DE OCUPAÇÃO DA LINHA DE COSTA

A definição da extensão destas zonas de não ocupação deve ser feita a partir do conhecimento de eventos erosivos pretéritos ou através de estudos específicos de evolução costeira (Muehe, 2001a).

A diminuição dos limites mínimos poderá ocorrer quando houver tendência

progradacional da linha de costa, também expressa em taxas anuais ou o local se

situar em áreas abrigadas, desde que justificado tecnicamente, sem prejuízo da

competência estadual ou municipal para estabelecer medidas mais restritivas (Muehe,

2001a).

5.2.1 Praias dissipativas e intermediárias e falésia precedidas de praia

Segundo as observações feitas por Brunn (1962), a praia responde às alterações morfodinâmicas impostas por modificações no clima de onda mais recorrente, elevação do nível do mar, déficit de sedimentos, entre outros.

A elevação do nível do mar resulta na maioria das vezes em recuo do berma e erosão

das dunas frontais, caso elas existam. Para entrada de frentes frias Bruun sugere que

o acréscimo de água seja 30 cm acima do nível atua. Agora quando se trata de

elevação global do nível do mar, o presente trabalho adotou um acréscimo de 50 cm conforme explicado anteriormente.

Aplicando a equação (1) para se obter o recuo da linha de costa para os valores propostos e utilizando os dados dispostos na Tabela 5.3, alcançados pela aplicação da equação (2), e acrescentando, ainda, a faixa de segurança estabelecida por Muehe (2001a) de 50 m para orlas urbanizadas e 200 m para orlas não urbanizadas, pôde-se obter os valores presentes na Tabela 5.2.

TABELA 5.2: Recuo da linha de costa, segundo sugerido por Bruun (1962), para uma elevação do nível o mar de 30 e 50 cm.

Compartimento

Recuo da linha de costa para uma elevação de 30 cm

Faixa de Segurança

correspondente

I

27,04 m

77,04 m

III

37,55 m

87,55 m

V

19,57 m

69,57 m

VII

12,63 m

62,63 m

VIII

26,64 m

76,64 m

XI

39,98 m

89,98 m

XIII

33,58 m

83,85 m

XIV

23,98 m

73,98 m

XV

74,58 m

124,58 m

XVII

3,42 m

53,42 m

XVIII

80,41 m

280,41 m

XX

128,26 m

328,26 m

XXII

108,69 m

308,69 m

TABELA 5.3: Parâmetros utilizados para se obter o Recuo da linha de costa (R) dos compartimentos representados por praias ou outras feições precedidas de praia.

Compartimento praial correspondente

Comprimento do perfil ativo (L)

Altura do perfil ativo (H)

I

936,56 m

10,39 m

III

1441,93 m

11,52 m

V

639,18 m

9,8 m

VII

431,4 m

10,25 m

VIII

828,52 m

9,33 m

XI

1243,46 m

9,33 m

XIII

1058,83 m

9,46 m

XIV

926,54 m

11,59 m

XV

3291,36 m

13,24 m

XVII

126,55 m

11,11 m

XVIII

1428,09 m

8,88 m

XX

2395,81 m

9,34 m

XXII

2399,89 m

11,04 m

Analisando os perfis topográficos das praias estudadas nota-se sua tipologia varia entre praias intermediárias e dissipativas, segundo a classificação feita por Wright et al. (1979). Isso é um agravante pois o estado morfodinâmico dissipativo responde

prontamente a qualquer modificação, seja uma elevação relativa do nível do mar,

alteração na incidência de ondas ou qualquer outro parâmetro que fuja das condições a que elas estão freqüentemente submetidas. Diante dos resultados expostos pode-se afirmar, de antemão, que tanto o recuo que representa a subida relativa do nível do mar quanto o que representa a subida absoluta possuem valores consideráveis e a situação é preocupante, pois o espaço horizontal requerido pela maioria das praias em muitos casos é inexistente.

A urbanização neste litoral, em muitos casos não obedece os limites de ocupação

propostos por Muehe (2001a), principalmente nas áreas urbanizadas cuja ocupação de ser feita depois de 50 m contados a partir do limite da praia ou a partir da base do reverso da duna frontal, quando existente, o que vem a ser um problema.

5.2.2 Plataformas de abrasão rochosa

Plataformas de abrasão rochosa não respondem, em termos de erosão, a uma elevação do nível do mar, isto quando se considera uma escala de tempo compatível com o planejamento do uso do solo. Assim, os mesmo podem ser considerados estáveis, devendo sua ocupação, quando prevista por um plano diretor ou não impedida por legislação específica, ser orientada em função da exposição e, conseqüentemente, do alcance máximo das ondas acrescido de pelo menos 1 metro acima deste alcance atual (Muehe, 2001a).

Por meio dos perfis topográficos realizados nos representantes mais alto e mais baixo destas feições fisiográficas, pôde-se calcular o a distância horizontal requerida para que a proposta de limite de ocupação sugerida por Muehe (2001a) fosse cumprida. As distâncias encontradas foram de aproximadamente 9,57 m para a plataforma de abrasão rochosa mais elevada e de 8,84 m para a mais baixa, o que vem a ser uma distância muito pequena quando comparada ao espaço requerido pelos compartimentos praiais presentes na mesma região de estudo.

5.2.3 Falésias vivas

As falésias em rochas sedimentares, como ocorre no contato do Grupo Barreiras com

o mar, à aplicação da metodologia sugerida para os compartimentos referentes às

praias arenosas se torna difícil, tanto pelo longo lapso de reação ao processo erosivo, quanto pela elevada quantidade de sedimentos liberados, fazendo com que a retrogradação seja freqüentemente pequena. Em geral, as taxas de retrogradação são tão ínfimas que o cálculo teórico das mesmas se torna sem sentido. O correto a se fazer é uma análise caso a caso, considerando a posição de testemunhos deixados pela retrogradação, registros fotográficos e iniciando, sempre que for possível, um monitoramento das falésias ativas. Estas taxas de retirada de sedimento quanto corretamente definidas, ou seja, para um período de tempo suficientemente longo para caracterizar uma tendência, deverá ser incorporada na fixação da largura de proteção da orla (Muehe, 2001a).

Nascimento e Silva (2005) estudaram a taxa de retrogradação de 6 falésias na Ponta do Retiro, no estado do Rio de Janeiro, região vizinha ao litoral de Marataízes. Os resultados obtidos por eles foram surpreendentes pois ao longo dos 11 meses de monitoramento eles encontraram recuos que variaram entre 1 e 3,5 m por ano, o que em uma simples estimativa, aponta uma atividade erosiva expressiva. Estes mesmos autores também acreditam que o processo de retrogradação da linha de costa em Ponta do Retiro para um período de 26 anos (entre 1976 e 2002), chegou a 80 m nas falésias que sofriam ação direta do mar. Estudos com este vêm confirmar a necessidade de monitoramentos efetivos, pois nem todas respondem da mesma maneira aos processos marinhos e subaéreos a que estão submetidas.

Dentre os processos que resultam em erosão, os marinhos são os mais atuantes e os principais responsáveis pelas grandes perdas de material das falésias, a atuação dos processos subaéreos é expressiva no recuo das porções superiores (Nascimento e Silva 2005).

Por falta de monitoramento na falésia presentes no litoral de Marataízes o presente estudo adotou o limite de ocupação seguro de 50 m medidos à partir do topo da falésia, mas este limite pode ser falho, pois se as falésias da Ponta do Retiro sofrem uma taxa de retrogradação muito grande, conforme descrito por Nascimento e Silva (2005), é possível que as presentes na região estudada também possuam taxas de recuo elevadas.

Quando se compara a ação do recuo das falésias vivas com as precedidas de praia é possível notar que a praia atua como um agente amortizador da ação marinha, pois nas últimas Nascimento e Silva (2005) observaram que o recuo das mesmas foram inferiores a 45 m para o mesmo período de 26 anos.

5.2.4 Desembocadura Fluvial

A faixa de segurança estabelecida para este tipo de feição segue a sugestão proposta

por Muehe (2001a).

5.3 VULNERABILIDADE EROSIVA DO LITORAL DE MARATAÍZES

A Figura 5.36 exprime a relação existente entre a taxa de recuo da linha e costa e o grau de ocupação de cada compartimento.

Ao se analisar o gráfico da figura 5.36 e relacioná-lo com as observações feitas em campo percebe-se que a presença de construções inadequadas ao longo do litoral de Marataízes (ES) é notória e, em alguns trechos, merece atenção especial por parte dos gestores responsáveis. Os pontos mais vulneráveis são os compartimentos praiais, pois eles apresentam recuos da linha de costa consideráveis e são os locais mais densamente ocupados, a situação é mais crítica nos compartimentos III, XI, XIII, XIV, e em alguns trechos do compartimento XV, processos erosivos já são observados nestes compartimentos e as perdas econômicas são bastante significativas. As figuras 5.21, 5.37, 5.38 e 5.39 mostram bem a abrangência do problema. Os demais compartimentos praiais não estão num estado tão crítico quanto

os anteriormente citados, mas também exigem atenção, pois ocupações futuras, feitas

sem um plano gestor adequado, podem acarretar em danos.

FIGURA 5.36: Taxa de recuo da linha de costa e Grau de vulnerabilidade de cada
FIGURA 5.36: Taxa de recuo da linha de costa e Grau de vulnerabilidade de cada

FIGURA 5.36: Taxa de recuo da linha de costa e Grau de vulnerabilidade de cada compartimento que compõe o litoral de Marataízes.

Os compartimentos referentes a plataformas de abrasão rochosa não apresentam significativos problemas, pois a maioria não é ocupada, como é o caso dos compartimentos IV e VI, ou, quando há construções sobre os mesmos, estas são feitas longe da linha d’água e respeitam o limite de 1 metro acima do limite máximo de ações das ondas de tempestade proposto por Muehe (2001a), como acontece nos compartimentos II, IX e XII. Todas essas situações são confirmadas pelas Figuras 5.3, 5.6, 5.9, 5.14 e 5.17.

O recuo que as falésias sedimentares requerem é elevado, mas estes compartimentos atualmente não apresentam problemas, pois ainda não são ocupados pela população, salvo em alguns casos onde se têm pequenas estradas não pavimentadas passando sobre estas feições, mas situadas longe das suas margens superiores.

79

FIRGURA 5.37: Erosão em quiosques construídos sobre as dunas frontais na praia de Marataízes (ES).

FIRGURA 5.37: Erosão em quiosques construídos sobre as dunas frontais na praia de Marataízes (ES). Foto: Albino, 13/11/2004.

na praia de Marataízes (ES). Foto: Albino, 13/11/2004. FIGURA 5.38: Areia da praia depositada por ação

FIGURA 5.38: Areia da praia depositada por ação eólica sobre a via de acesso à praia da Barra (Marataízes, ES). Foto: Albino, 13/11/2004.

FIGURA 5.39: Edificações feitas sobre a praia de Arrais, em Marataízes (ES). Fonte: 13/11/2004. As

FIGURA 5.39: Edificações feitas sobre a praia de Arrais, em Marataízes (ES). Fonte: 13/11/2004.

As falésias precedidas de praia possuem recuos muito elevados, mas a ocupação nestes compartimentos pode ser considerada inexistente, a única exceção é o compartimento XX que possui uma pequena vila de pescadores próxima ao ambiente praial que antecede as falésias (Figura 5.31).

O compartimento que podem vir a apresentar problemas futuros, caso medidas mitigadoras não seja tomadas, é o XVI, que corresponde à desembocadura da Lagoa do Siri. Alguns quiosques já são construídos em suas margens (Figura 5.40) e por ser um local de beleza expressiva pode ser ocupado pela população, o que poderia gerar danos levando em consideração a instabilidade deste tipo de feição.

em consideração a in stabilidade deste tipo de feição. FIGURA 5.40: Quiosques ocupando as margens da

FIGURA 5.40: Quiosques ocupando as margens da Lagoa do Siri (Marataízes, ES). Foto: Albino,

13/11/2004.

Utilizando a análise de Cluster (Figura 5.41) para agrupar os compartimentos semelhante com relação ao recuo da linda de costa e ao diagnóstico de uso e ocupação, observou-se que os compartimentos mais semelhantes entre si são os compartimentos I, V e VIII; XI, XIII e XV ; XVI, XVIII e XX, ou seja, de acordo com os dados utilizados como variáveis estes compartimentos são os que apresentam comportamento semelhantes, por outro lado os compartimentos mais distintos entre si são I e XXI, segundo a análise feita.

Tree Diagram for 17 Cases Single Linkage 1-Pearson r

0.14 0.12 0.10 0.08 0.06 0.04 0.02 0.00 Linkage Distance
0.14
0.12
0.10
0.08
0.06
0.04
0.02
0.00
Linkage Distance

C_21 C_19 C_14 C_22 C_20 C_16 C_18 C_15 C_13 C_11 C_3 C_17 C_7 C_12 C_8 C_5 C_1

FIGURA 5.41: Análise de Cluster dos compartimentos identificados, recuo da linha de costa e diagnóstico de uso e ocupação.

A representação qualitativa dos compartimentos que compõem o litoral de Marataízes (ES) pode ser vista nas figuras abaixo, onde se pode perceber os compartimentos bombas, ou seja, aqueles mais problemáticos, que necessitam de uma atenção especial e aqueles em que a ocupação, até o presente momento, é menos alarmante,

mas que exige um plano gestor adequado para evitar que danos futuros possam vir a ocorrer.

Mapa de Vulnerabilidade erosiva do Litoral de Marataízes (ES)

Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante
Legenda
Pouco preocupante
Preocupante
Muito preocupante
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.42: Mapa de vulnerabilidade do litoral de
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.42: Mapa de vulnerabilidade do litoral de
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.42: Mapa de vulnerabilidade do litoral de

FIGURA 5.42: Mapa de vulnerabilidade do litoral de Marataízes (ES), evidenciando os compartimentos de I a XIV.

Mapa de Vulnerabilidade erosiva do Litoral de Marataízes (ES)

Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante
Legenda
Pouco preocupante
Preocupante
Muito preocupante
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.43: Mapa de vulnerabilidade do litoral de
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.43: Mapa de vulnerabilidade do litoral de

FIGURA 5.43: Mapa de vulnerabilidade do litoral de Marataízes (ES), evidenciando os compartimentos de XIV a XVIII.

Mapa de Vulnerabilidade erosiva do Litoral de Marataízes (ES)

Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante
Legenda
Pouco preocupante
Preocupante
Muito preocupante
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.44: Mapa de vulnerabilidade do litoral de
Legenda Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante FIGURA 5.44: Mapa de vulnerabilidade do litoral de

FIGURA 5.44: Mapa de vulnerabilidade do litoral de Marataízes (ES), evidenciando os compartimentos de XVII a XXII.

5.4 APLICABILIDADE DOS CRITÉRIOS DE USO E OCUPAÇÃO ADOTADOS PELO PROJETO ORLA PARA FAIXA DE SEGURANÇA DO LITORAL DE MARATAÍZES

Os critérios de uso e ocupação propostor por Muehe (2001a) e adotados pleo progeto orla são bem aplicáveis para a orla de Marataízes exceto em dois casos:

orla urbanizada e falésia.

Os 50 m estipulados como faixa de segurança para a ocupação de orla urbanizadas se mostra um pouco inviável na região mais crítica de Marataízes, pois a ocupação é muito densa e a indenização para os proprietários seria muito inviável para o munícipio devido a sua onerosidade.

A estiamtiva de 50 m após o topo da falésia, não é muito eficiente para a área estudada pois acredita-se que as taxas erosiva que estas feições sofrem estão bem próximas às encontradas por Nascimento e Silva (2005) no litoral norte do Rio de Janeiro, região vizinha à Marataízes. Assim propõe-se que a faixa de segurança para esse tipo de feiçõse seja extendida para, no mínino, 100 m.

5.5 LEIS APLICÁVEIS QUE CONTRIBUEM PARA UMA MELHOR GESTÃO COSTEIRA

Da legislação aplicável que contribui para a gestão costeira do litoral em estudo pode-se destacar: Resolução CONAMA 303/02, Resolução CONAMA 341/03 e Lei Federal N° 7661/88, Lei Estadual N° 5816/98, Lei Estadual N° 7.943/04 e Decreto 5300/04, cada uma dispõe sobre:

Resolução CONAMA 303 de 20/03/2002 - Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente (Meio Ambiente e Direito, 2005).

Resolução CONAMA 341 de 25/09/2003 - Dispõe sobre critérios para a caracterização de atividades ou empreendimentos turísticos sustentáveis como de interesse social para fins de ocupação de dunas originalmente desprovidas de vegetação, na Zona Costeira (Meio Ambiente e Direito, 2005).

Lei Federal N° 7661/88 – Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências (Meio Ambiente e Direito, 2005).

Lei Estadual 58165/93 – Institui o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro do Espírito Santo (Meio Ambiente e Direito, 2005).

Lei Estadual N° 7.943/04 - Dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e dá outras providências (Meio Ambiente e Direito, 2005).

Decreto 5300/04 - Regulamenta a Lei N° 7661, de maio de 1988, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC, dispõe sobre as regras de uso e ocupação da zona costeira e estabelece critérios de gestão da orla marítima, e dá outras providencias (Meio Ambiente e Direito, 2005).

O texto completo de todas a leis e resoluções citadas acima está presente nos anexos D, E, F ,G, H e I.

Se os Planos Federal e Estadual de Gerenciamento Costeiro, assim como o Decreto N° 5300/04, fossem cumpridos, grande parte dos problemas observados na região de estudada seriam evitados, além destes existem outros pontos da legislação que são violados e negligenciados, como é o caso da resolução CONAMA 303 é violada no seu Art. 3°, incisos IX (alínea b) e XI, quando a presente legislação determina que são áreas de preservação permanente as restingas em qualquer localização ou extensão, quando cobertas por vegetação com função fixadora de dunas e em dunas propriamente ditas. Durante a visita a campo pôde-se notar que em alguns locais a vegetação que recobre as dunas foi danificada ou suprimida. Em outros locais as próprias dunas frontais foram ocupadas ou, em alguns casos as areias que as constituem foram retiradas.

Art. “

3º Constitui Área de Preservação Permanente a área situada:

IX

– nas restingas:

b)

em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por vegetação

com função fixadora de dunas ou estabilizadora de mangues.

XI – em duna;”

No que tange a Resolução CONAMA 341 a violação da legislação se dá em vários âmbitos, os mais relevantes são Art. 2° (parágrafos 1° e 2°) e Art. 3°.

Art. “

procedimento administrativo específico aprovado pelo Conselho Estadual

2º Poderão ser declarados de interesse social, mediante

de

Meio Ambiente, atividades ou empreendimentos turísticos sustentáveis

em

dunas originalmente desprovidas de vegetação, atendidas as diretrizes,

condições e procedimentos estabelecidos nesta Resolução

§ 1º A atividade ou empreendimento turístico sustentável para serem

declarados de interesse social deverão obedecer aos seguintes requisitos:

I – ter abastecimento regular de água e recolhimento e/ou tratamento e/ou disposição adequada dos resíduos;

II – estar compatível com Plano Diretor do Município, adequado à legislação vigente;

III – não comprometer os atributos naturais essenciais da área,

notadamente a paisagem, o equilíbrio hídrico e geológico, e a

biodiversidade;

IV – promover benefícios socioeconômicos diretos às populações locais

além de não causar impactos negativos às mesmas;

V – obter anuência prévia da União ou do Município, quando couber;

VI – garantir o livre acesso à praia e aos corpos d’água;

VII – haver oitiva prévia das populações humanas potencialmente afetadas

em

Audiência Pública; e

VIII

– ter preferencialmente acessos (pavimentos, passeios) com

revestimentos que permitam a infiltração das águas pluviais.

§ 2º As dunas desprovidas de vegetação somente poderão ser ocupadas

com atividade ou empreendimento turístico sustentável em até vinte por

cento de sua extensão, limitada à ocupação a dez por cento do campo de

dunas, recobertas ou desprovidas de vegetação

Já Lei Estadual N°7943 não é cumprida no seu Art. Capítulo I.

9° incisos V, VII

e

X

do

“ Art. 9º Não será permitido o parcelamento do solo:

V - em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação; VII - em unidades de conservação e em áreas de preservação permanente, definidas em legislação federal, estadual e municipal, salvo parecer favorável do órgão estadual de conservação e proteção ao meio ambiente; X - nas pontas e pontais do litoral e nos estuários dos rios, numa faixa de 100 m (cem metros) em torno das áreas lacustres ”

6. CONCLUSÕES

Diante dos resultados obtidos pode-se concluir que o litoral de Marataízes é composto por 5 feições fisiográficas, sendo as praias predominantes, devido à intensa urbanização, são estas as feições que apresentam maior vulnerabilidade erosiva. Os costões rochosos ou plataformas de abrasão rochosa e as falésias vivas são as feições secundárias com menor grau de vulnerabilidade erosiva, contudo, foram verificadas ocupações inadequadas e áreas potenciais de erosão, caso ocorram um aumento do nível do mar e/ou uma expansão urbana. Assim, constata-se que o litoral estudado, apresenta trechos cuja ocupação foi feita de forma totalmente aleatória, não respeitando as regras de ocupação dispostas por Lei e nem os estudos feitos por pesquisadores conhecedores do assunto, como Muehe (2001), por exemplo. Nestes trechos os problemas já se fazem presentes e as perdas econômicas são bastante significativas.

Para os compartimentos cujo grau de vulnerabilidade erosiva varia entre pouco preocupante e preocupante, aconselha-se que medidas mitigadoras sejam adotadas com urgência, fazendo inclusive vigorar as leis já existentes. A urgência se deve à grande promissoriedade de crescimento do litoral com o advento da

exploração do novo campo de extração de petróleo no litoral sul do estado do Espírito Santo.

A legislação, embora tímida, já existe para algumas das feições costeiras

encontradas na área estudada. O que falta são órgãos fiscalizadores que façam

com que as leis sejam efetivamente aplicadas e estudos que regulamente leis novas.

O investimento no planejamento de ocupação urbana pode ter um retorno

financeiro em longo prazo que justifique o gasto, pois quando se trata de meio ambiente sai muito mais barato prevenir do que remediar. As complexas

interações que regem os ecossistemas são difíceis de serem reparadas e sua valoração em muitos casos é incalculável, principalmente para o município de Marataízes cujas atividades econômicas se baseiam no turismo, assim um processo erosivo como o que acontece atualmente, afasta os turistas e gera perdas de capital o que prejudica o crescimento da região.

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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13) DOMINGUEZ, J.M.L.; BITTENCOURT, A.C.S.P.; MARTIN, L. Esquema evolutivo da sedimentação quaternária nas feições deltáicas do rio São

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18) FILET, M.; SENA, L.B.R. Gerenciamento Costeiro e Gerenciamento de Bacias Hidrográficas. A experiência de São Paulo. In: Interfaces de Gestão de Recursos Hídricos. São Paulo: Premius, 1997, p. 240-253.

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20) HALLERMEIER, R.J. A profile zonation for seasonal sand beaches from wave climate. In: Coastal Engineering, 1981.

21) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Censo demográfico 2000: agregados preliminares. Rio de Janeiro, 2000.

22) KING, L. A geomorfologia do Brasil Oriental. Geografia. v.18, n. 2, p. 147-265, 1956.

Revista Brasileira de

23) KOWSMANN,

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Sedimentação

quaternária

24) MARATAÍZES. Apresenta textos informações relevantes ao município de Marataízes cuja importância fundamental é destinada aos turistas. Disponível em: <www.marataizes.tur.br/marataizes/marataizes.html. Acesso: 01 jun. 2005.

25) MARTIN, L.; SUGUIO, K.; FLEXOR, J.M. As flutuações de nível do mar durante o Quaternário superior e a evolução geológica de “deltas” brasileiros. In: Boletim IG – USP, São Paulo, 1993, v. 15. 186 p.

26) MEIO AMBIENTE E

DIREITO. Produção:

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27) MORAES, A. C. R. Contribuições para a Gestão da Zona Costeira do Brasil: Elementos para uma Geografia do Litoral Brasileiro. São Paulo:

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28) MUEHE, D. O Litoral Brasileiro e sua compartimentação. In: Guerra, A.J.T &. Cunha, S.B. da (orgs). Geomorfologia: do Brasil. Rio de Janeiro:

Editora Bertrand do Brasil, 1998, p. 273-349.

29) MUEHE, D. Critérios Morfodinâmicos para o Estabelecimento de Limites da Orla Costeira para fins de Gerenciamento. Revista Brasileira de Geomorfologia, v. 2, n. 1, 35-44, 2001a.

30) MUEHE, D. Geomorfoloia Costeira. In: GUERRA, A.J.T. & CUNHA, S.B. da (orgs.). Geomorfologia uma atualização de bases e conceitos. Rio de Janeiro: Bertrant Brasil, 4 a ed. 2001b. 31) MUEHE, D.; ROSO, R. H.; SAVI, D. C. Avaliação de método expediti de determinação do nível do mar como datum vertical para amarração de

perfis de praia. Revista Brasileira de Geomorfologia, 2003, ano 4, n°1, 53-

57.

32) NASCIMENTO, K. E.; SILVA, C. G. Caracterização do processo de erosão marinha nas falésias da Ponta do Retiro, litoral norte do RJ. In:

CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS DO QUATERNÁRIO, X, 2005,

Guarapari. Anais

Guarapari: CD, 2005.

33) PROJETO ORLA MARÍTIMA, proposto pelo Ministério do Maio Ambiente (MMA) e pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP).

34) SPARKS, B.W. Geomorphology. 3ed. Nova Iorque: Longman, 1986.

35) SUGUIO, K. Introdução à Sedimentologia. São Paulo: Edgard Blucher,

1973.

36) SUGUIO, K. Dicionário de geologia sedimentar e áreas afins. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

37) WRIGHT, L. D.; CHAPPEL, J.; THOM, B. G; BRADSHAW, M.P; COWELL, P. Morphodynamics of refletive and dissipative beach and inshore systems: Southeastern Australia. Marine Geology. 32: 105-140, 1979.

ANEXOS

Anexo A

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E RECURSOS NATURAIS

Levantamento topográfico pelo método das balizas de Emery (1961)

PERFIL:

horário: ( ) verão ( ) normal

LOCAL:

DATA :

rumo: referências: distância (m) altura (cm) observações horário do término: máximo recuo ( )sim (
rumo:
referências:
distância (m)
altura (cm)
observações
horário do término:
máximo recuo ( )sim ( )não
perfil submerso ( )
ondas
Hb (m) :
lua :
α ( ° ) :
vento :
tipo
:
t (s)
:
maré :

Anexo B

Compartimento praial correspondente

Rumo

Referência e alinhamento do perfil topográfico

geográfico

I

140° SE

Margem sul do poste de eletricidade localizado em frente ao restaurante Minas Gerais, situado à margem sul da ponte que ´parra sobre o rio Itapimirim (ES).

III

141° SE

Segundo poste de eletricidade situado depois da margem sul da ponte que passa sobre o rio Itapimirim (ES).

V

125° SE

Margem norte do poste de eletricidade alinhado com a ponta do telhado da Pousada Pontal da Barra.

VII

146° SE

O levantamento do perfil foi feito bem próximo à parede do bar presente neste compartimento.

VIII

147° SE

Margem sul do poste de eletricidade situado ao lado de uma casa.

XIII

163° SE

Margem sul de uma casa de três andares que possui uma varanda azul.

XIV

147° SE

Margem norte da Pousada portal do Sol.

XV

150° SE

O local de levantamento do perfil fica na rua paralela a praia (que vai p/ lagoa do Siri). Margem sul do poste, entrada transversal

XVII

120° SE

Margem sul da cerca do Camping do Siri.

XVIII

150° SE

Árvore.

XX

165° SE

Muro localizado próximo á cerca que delimita a propriedade.

XXII

170° SE

Poste de eletricidade situado no meio da estrada de terra que atravessa o local, sendo que esse mesmo poste está situado na região mediana da lagoa.

Anexo C

Compartimento

Coordenadas em UTM referentes ao início do compartimento com o datum referente ao Córrego Alegre (MG)

I

0312243

7676025

II

0312124

7675877

III

0312020

7675654

IV

0311620

7673190

V

0311471

7672893

VI

0311352

7672878

VII

0311234

7672819

VIII

0310922

7672299

IX

0310714

7672107

X

0310640

7672032

XI

0310580

7671988

XII

0310477

7671869

XIII

0310358

7671884

XIV

0309690

7671029

XV

0309393

7669487

XVI

0307716

7664676

XVII

0307656

7664542

XVIII

0307463

7664076

XIX

0307196

7662792

XX

0307060

76622447

XXI

0306362

7662062

XXII

0305531

7661538

Anexo D

RESOLUÇÃO CONAMA Nº 303 DE 20.03.2002 – DOU 13.05.2002 Dispõe sobre parâmetros, definições e limites de Áreas de Preservação Permanente.

O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso das competências que lhe são conferidas pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, e tendo em vista o disposto nas Leis nºs 4.771, de 15 de setembro e 1965, 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e o seu Regimento Interno, e Considerando a função sócio-ambiental da propriedade prevista nos arts. 5º, inciso XXIII, 170, inciso VI, 182, § 2º, 186, inciso II e 225 da Constituição e os princípios da prevenção, da precaução e do poluidor-pagador; Considerando a necessidade de regulamentar o art. 2º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, no que concerne às Áreas de Preservação Permanente; Considerando as responsabilidades assumidas pelo Brasil por força da Convenção da Biodiversidade, de 1992, da Convenção Ramsar, de 1971 e da Convenção de Washington, de 1940, bem como os compromissos derivados da Declaração do Rio de Janeiro, de 1992; Considerando que as Áreas de Preservação Permanente e outros espaços territoriais especialmente protegidos, como instrumentos de relevante interesse ambiental, integram o desenvolvimento sustentável, objetivo das presentes e futuras gerações; Considerando a conveniência de regulamentar os arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, no que concerne às Áreas de Preservação Permanente; Considerando ser dever do Poder Público e dos particulares preservar a biodiversidade, notadamente a flora, a fauna, os recursos hídricos, as belezas naturais e o equilíbrio ecológico, evitando a poluição das águas, solo e ar, pressuposto intrínseco ao reconhecimento e exercício do direito de propriedade, nos termos dos arts. 5º, caput (direito à vida) e inciso XXIII (função social da propriedade), 170, VI, 186, II, e 225, todos da Constituição Federal, bem como do art. 1.299, do Código Civil, que obriga o proprietário e posseiro a respeitarem os regulamentos administrativos; Considerando a função fundamental das dunas na dinâmica da zona costeira, no controle dos processos erosivos e na formação e recarga de aqüíferos. Considerando a excepcional beleza cênica e paisagística das dunas, e a importância da manutenção dos seus atributos para o turismo sustentável, resolve:

Últimos considerandos acrescidos pela Resolução CONAMA nº 341, de 25.09.2003, DOU 03.11.2003, em vigor desde sua publicação. Art. 1º Constitui objeto da presente Resolução o estabelecimento de parâmetros, definições e limites referentes às Áreas de Preservação Permanente. Art. 2º Para os efeitos desta Resolução, são adotadas as seguintes definições:

I

– nível mais alto: nível alcançado por ocasião da cheia sazonal do curso d’água perene ou

intermitente;

II – nascente ou olho d’água: local onde aflora naturalmente, mesmo que de forma intermitente, a água subterrânea;

III – vereda: espaço brejoso ou encharcado, que contém nascentes ou cabeceiras de cursos

d’água, onde há ocorrência de solos hidromórficos, caracterizado predominantemente por renques

de

buritis do brejo (Mauritia flexuosa) e outras formas de vegetação típica;

IV

– morro: elevação do terreno com cota do topo em relação a base entre cinqüenta e trezentos

metros e encostas com declividade superior a trinta por cento (aproximadamente dezessete graus)

na linha de maior declividade;

V – montanha: elevação do terreno com cota em relação a base superior a trezentos metros;

VI – base de morro ou montanha: plano horizontal definido por planície ou superfície de lençol

d’água adjacente ou, nos relevos ondulados, pela cota da depressão mais baixa ao seu redor;

VII – linha de cumeada: linha que une os pontos mais altos de uma seqüência de morros ou de

montanhas, constituindo-se no divisor de águas;

VIII – restinga: depósito arenoso paralelo a linha da costa, de forma geralmente alongada, produzido por processos de sedimentação, onde se encontram diferentes comunidades que recebem influência marinha, também consideradas comunidades edáficas por dependerem mais

da natureza do substrato do que do clima. A cobertura vegetal nas restingas ocorrem mosaico, e

encontra-se em praias, cordões arenosos, dunas e depressões, apresentando, de acordo com o estágio sucessional, estrato herbáceo, arbustivos e abóreo, este último mais interiorizado;

IX – manguezal: ecossistema litorâneo que ocorre em terrenos baixos, sujeitos à ação das marés,

formado por vasas lodosas recentes ou arenosas, às quais se associa, predominantemente, a

vegetação natural conhecida como mangue, com influência flúvio-marinha, típica de solos limosos

de

regiões estuarinas e com dispersão descontínua ao longo da costa brasileira, entre os estados

do

Amapá e Santa Catarina;

X

– duna: unidade geomorfológica de constituição predominante arenosa, com aparência de

cômoro ou colina, produzida pela ação dos ventos, situada no litoral ou no interior do continente, podendo estar recoberta, ou não, por vegetação;

XI – tabuleiro ou chapada: paisagem de topografia plana, com declividade média inferior a dez por

cento, aproximadamente seis graus e superfície superior a dez hectares, terminada de forma abrupta em escarpa, caracterizando-se a chapada por grandes superfícies a mais de seiscentos

metros de altitude;

XII – escarpa: rampa de terrenos com inclinação igual ou superior a quarenta e cinco graus, que

delimitam relevos de tabuleiros, chapadas e planalto, estando limitada no topo pela ruptura positiva

de declividade (linha de escarpa) e no sopé por ruptura negativa de declividade, englobando os

depósitos de colúvio que localizam-se próximo ao sopé da escarpa;

XIII – área urbana consolidada: aquela que atende aos seguintes critérios:

a)

definição legal pelo poder público;

b)

existência de, no mínimo, quatro dos seguintes equipamentos de infra-estrutura urbana:

1.

malha viária com canalização de águas pluviais;

2.

rede de abastecimento de água;

3.

rede de esgoto;

4.

distribuição de energia elétrica e iluminação pública;

5.

recolhimento de resíduos sólidos urbanos;

6.

tratamento de resíduos sólidos urbanos.

c)

densidade demográfica superior a cinco mil habitantes por km².

Art. 3º Constitui Área de Preservação Permanente a área situada:

I – em faixa marginal, medida a partir do nível mais alto, em projeção horizontal, com largura mínima, de:

a) trinta metros, para o curso d’água com menos de dez metros de largura;

b) cinqüenta metros, para o curso d’água com dez a cinqüenta metros de largura;

c) cem metros, para o curso d’água com cinqüenta a duzentos metros de largura;

d) duzentos metros, para o curso d’água com duzentos a seiscentos metros de largura;

e) quinhentos metros, para o curso d’água com mais de seiscentos metros de largura.

II – ao redor de nascente ou olho d’água, ainda que intermitente, com raio mínimo de cinqüenta metros de tal forma que proteja, em cada caso, a bacia hidrográfica contribuinte;

III – ao redor de lagos e lagoas naturais, em faixa com metragem mínima de:

a) trinta metros, para os que estejam situados em áreas urbanas consolidadas;

b) cem metros, para as que estejam em áreas rurais, exceto os corpos d’água com até vinte hectares de superfície, cuja faixa marginal será de cinqüenta metros.

IV – em vereda e em faixa marginal, em projeção horizontal, com largura mínima de cinqüenta

metros, a partir do limite do espaço brejoso e encharcado;

V – no topo de morros e montanhas, em áreas delimitadas a partir da curva de nível

correspondente a dois terços da altura mínima da elevação em relação a base;

VI – nas linhas de cumeada, em área delimitada a partir da curva de nível correspondente a dois

terços da altura, em relação à base, do pico mais baixo da cumeada, fixando-se a curva de nível para cada segmento da linha de cumeada equivalente a mil metros;

VII – em encosta ou parte desta, com declividade superior a cem por cento ou quarenta e cinco graus na linha de maior declive;

VIII – nas escarpas e nas bordas dos tabuleiros e chapadas, a partir da linha de ruptura em faixa nunca inferior a cem metros em projeção horizontal no sentido do reverso da escarpa;

IX – nas restingas:

a) em faixa mínima de trezentos metros, medidos a partir da linha de preamar máxima;

b) em qualquer localização ou extensão, quando recoberta por vegetação com função fixadora de

dunas ou estabilizadora de mangues.

X

– em manguezal, em toda a sua extensão;

XI – em duna;

XII – em altitude superior a mil e oitocentos metros, ou, em Estados que não tenham tais

elevações, à critério do órgão ambiental competente;

XIII – nos locais de refúgio ou reprodução de aves migratórias;

XIV – nos locais de refúgio ou reprodução de exemplares da fauna ameaçadas de extinção que

constem de lista elaborada pelo Poder Público Federal, Estadual ou Municipal;

XV – nas praias, em locais de nidificação e reprodução da fauna silvestre.

Parágrafo único. Na ocorrência de dois ou mais morros ou montanhas cujos cumes estejam

separados entre si por distâncias inferiores a quinhentos metros, a Área de Preservação Permanente abrangerá o conjunto de morros ou montanhas, delimitada a partir da curva de nível correspondente a dois terços da altura em relação à base do morro ou montanha de menor altura do conjunto, aplicando-se o que segue:

I – agrupam-se os morros ou montanhas cuja proximidade seja de até quinhentos metros entre seus topos;

II – identifica-se o menor morro ou montanha;

III – traça-se uma linha na curva de nível correspondente a dois terços deste; e

IV – considera-se de preservação permanente toda a área acima deste nível.

Art. 4º O CONAMA estabelecerá, em Resolução específica, parâmetros das Áreas de Preservação

Permanente de reservatórios artificiais e o regime de uso de seu entorno. Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se a Resolução CONAMA 004, de 18 de setembro de 1985.

Anexo E RESOLUÇÃO CONAMA Nº 341 DE 25.09.2003 – DOU 03.11.2003 Dispõe sobre critérios para a caracterização de atividades ou empreendimentos turísticos sustentáveis como de interesse social para fins de ocupação de dunas originalmente desprovidas de vegetação, na Zona Costeira.

O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA, no uso das competências que lhe são conferidas pelos arts. 6º e 8º da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, e tendo em vista o disposto nas Leis nºs 4.771, de 15 de setembro de 1965, 9.433, de 8 de janeiro de 1997, e no seu Regimento Interno, Anexo à Portaria nº 499, de 18 de dezembro de 2002, e Considerando o disposto no art. 1º, § 2º, inciso V, da Medida Provisória nº 2.166-67/2001, que define interesse social; Considerando o disposto na Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988, que estabelece o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), e dá outras providências, em especial o art. 3º onde diz que o PNGC deverá prever o zoneamento de usos e atividades da Zona Costeira e dar prioridade à conservação e proteção das dunas, entre outros bens; Considerando que as dunas desempenham relevante papel na formação e recarga de aqüíferos; Considerando a fundamental importância das dunas na dinâmica da zona costeira e no controle do processo erosivo; Considerando a necessidade de controlar, de modo especialmente rigoroso, o uso e ocupação dunas na Zona Costeira, originalmente desprovidas de vegetação, resolve:

Art. 1º Acrescentar à Resolução CONAMA nº 303, de 20 de março de 2002, publicada no Diário Oficial da União de 13 de maio de 2002, Seção 1, página 68, os seguintes considerandos:

“Considerando a conveniência de regulamentar os arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, no que concerne às Áreas de Preservação Permanente; Considerando ser dever do Poder Público e dos particulares preservar a biodiversidade, notadamente a flora, a fauna, os recursos hídricos, as belezas naturais e o equilíbrio ecológico, evitando a poluição das águas, solo e ar, pressuposto intrínseco ao reconhecimento e exercício do direito de propriedade, nos termos dos arts. 5º, caput (direito à vida) e inciso XXIII (função social da propriedade), 170, VI, 186, II, e 225, todos da Constituição Federal, bem como do art. 1.299, do Código Civil, que obriga o proprietário e posseiro a respeitarem os regulamentos administrativos; Considerando a função fundamental das dunas na dinâmica da zona costeira, no controle dos processos erosivos e na formação e recarga de aqüíferos. Considerando a excepcional beleza cênica e paisagística das dunas, e a importância da manutenção dos seus atributos para o turismo sustentável.” Alterações já realizadas no texto legal.

Art. 2º Poderão ser declarados de interesse social, mediante procedimento administrativo específico aprovado pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente, atividades ou empreendimentos turísticos sustentáveis em dunas originalmente desprovidas de vegetação, atendidas as diretrizes, condições e procedimentos estabelecidos nesta Resolução.

§ 1º A atividade ou empreendimento turístico sustentável para serem declarados de interesse social deverão obedecer aos seguintes requisitos:

I – ter abastecimento regular de água e recolhimento e/ou tratamento e/ou disposição adequada

dos resíduos;

II – estar compatível com Plano Diretor do Município, adequado à legislação vigente;

III – não comprometer os atributos naturais essenciais da área, notadamente a paisagem, o

equilíbrio hídrico e geológico, e a biodiversidade;

IV – promover benefícios socioeconômicos diretos às populações locais além de não causar

impactos negativos às mesmas;

V

– obter anuência prévia da União ou do Município, quando couber;

VI

– garantir o livre acesso à praia e aos corpos d’água;

VII

– haver oitiva prévia das populações humanas potencialmente afetadas em Audiência Pública;

e

VIII

– ter preferencialmente acessos (pavimentos, passeios) com revestimentos que permitam a

infiltração das águas pluviais.

§ 2º As dunas desprovidas de vegetação somente poderão ser ocupadas com atividade ou

empreendimento turístico sustentável em até vinte por cento de sua extensão, limitada à ocupação

a dez por cento do campo de dunas, recobertas ou desprovidas de vegetação.

§ 3º A declaração de interesse social deverá ser emitida individualmente para cada atividade ou empreendimento turístico sustentável, informando-se ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA em até dez dias após a apreciação final pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente, de

que trata o caput deste artigo.

Art. 3º As dunas passíveis de ocupação por atividades ou empreendimentos turísticos sustentáveis

declarados como de interesse social deverão estar previamente definidas e individualizadas, em escala mínima de até 1:10.000, pelo órgão ambiental competente, sendo essas aprovadas pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente.

§ 1º A identificação e delimitação, pelo órgão ambiental competente, das dunas passíveis de

ocupação por atividade ou empreendimento turístico sustentável declarados de interesse social

deverão estar fundamentadas em estudos técnicos e científicos que comprovem que a ocupação

de tais áreas não comprometerá:

I – a recarga e a pressão hidrostática do aqüífero dunar nas proximidades de ambientes estuarinos, lacustres, lagunares, canais de maré e sobre restingas;

II – a quantidade e qualidade de água disponível para usos múltiplos na região, notadamente a consumo humano e dessedentação de animais, considerando-se a demanda hídrica em função da dinâmica populacional sazonal;

III – os bancos de areia que atuam como áreas de expansão do ecossistema manguezal e de

restinga;

IV – os locais de pouso de aves migratórias e de alimento e refúgio para a fauna estuarina; e

V – a função da duna na estabilização costeira e sua beleza cênica.

§ 2º A identificação e delimitação mencionadas no caput deste artigo deverão ser apreciadas pelo

Conselho Estadual de Meio Ambiente com base no Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro,

quando houver, e de acordo com o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, nos termos da Lei

nº 7.661, de 16 de maio de 1988.

Art. 4º Caracteriza-se a ocorrência de significativo impacto ambiental na construção, instalação, ampliação e funcionamento de atividade ou empreendimento turístico sustentável declarados de interesse social, de qualquer natureza ou porte, localizado em dunas originalmente desprovidas de vegetação, na Zona Costeira, devendo o órgão ambiental competente exigir, sempre, Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EIA e Relatório de Impacto Ambiental – RIMA, aos quais dar-se-á publicidade. Parágrafo único. O EIA/RIMA deverá considerar, em cada unidade de paisagem, entre outros aspectos, o impacto cumulativo do conjunto de empreendimentos ou atividades implantados ou a serem implantados em uma mesma área de influência, ainda que indireta. Art. 5º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Anexo F

LEI N° 7.661, de 16 de maio de 1988

Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e dá outras providências

O Presidente da República. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a

seguinte Lei:

Artigo 1° - Como parte integrante da Política Nacional para os Recursos do Mar - PNRM e da Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA, fica instituído o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro - PNGC.

Artigo 2° - Subordinando-se aos princípios e tendo em vista os objetivos genéricos da PNMA, fixados respectivamente nos Artigos 2° e 4° da Lei 6.938, de 31 de Agosto de 1981, o PNGC visará especificamente a orientar a utilização racional dos recursos na Zona Costeira, de forma a contribuir para elevar a qualidade da vida de sua população, e a proteção do seu patrimônio natural, histórico, étnico e cultural.

Parágrafo Único - Para os efeitos desta Lei, considera-se Zona Costeira o espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renováveis ou não, abrangendo uma faixa marítima e outra terrestre, que serão definidas pelo Plano.

Artigo 3° - O PNGC deverá prever o zoneamento de usos e atividades na Zona Costeira e dar prioridade à conservação e proteção, entre outros, dos seguintes bens:

I - recursos naturais, renováveis e não renováveis; recifes, parcéis e bancos de algas; ilhas costeiras e oceânicas; sistemas fluviais, estuarinos e lagunares, baías e enseadas; praias; promontórios, costões e grutas marinhas; restingas e dunas; florestas litorâneas, manguezais e pradarias submersas;

II -

permanente;

sítios

ecológicos

de

relevância

cultural

e

demais

unidades

naturais

de

preservação

III - monumentos que integrem o patrimônio natural, histórico, paleontológico, espeleológico,

étnico, cultural e paisagístico.

Artigo 4° - O PNGC será elaborado e, quando necessário, atualizado por um Grupo de Coordenação, dirigido pela Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar - SECIRM, cuja composição e forma de atuação serão definidas em decreto do Poder Executivo.

§ 1° - O Plano será submetido pelo Grupo de Coordenação à Comissão Interministerial para os Recursos do Mar - CIRM, a qual caberá aprová-lo, com audiência do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA.

§ 2° - O Plano será aplicado com a participação da União, dos Estados, dos Territórios e dos

Municípios, através de órgãos e entidades integradas ao Sistema Nacional do Meio Ambiente -

SISNAMA.

Artigo 5° - O PNGC será elaborado e executado observando normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio ambiente, estabelecidos pelo CONAMA, que contemplem entre outros, os seguintes aspectos: urbanização; ocupação e uso do solo, do subsolo e das águas; parcelamento e remembramento do solo; sistema viário e de transporte; sistema de produção, transmissão e distribuição de energia; habitação e saneamento básico; turismo, recreação e lazer; patrimônio natural, histórico, étnico, cultural e paisagístico.

§ 1° - Os Estados e Municípios poderão instituir, através de lei, os respectivos Planos Estaduais o Municipais de Gerenciamento Costeiro, observadas as normas e diretrizes do Plano Nacional e o disposto nesta Lei, e designar os órgãos competentes para a execução desses Planos.

§ 2° - Normas e diretrizes sobre o uso do solo, do subsolo e das águas, bem como limitações e

utilização de imóveis podendo ser estabelecidas nos Planos de Gerenciamento Costeiro, Nacional, Estadual e Municipal, prevalecendo sempre as disposições de natureza mais restritiva.

Artigo 6° - O licenciamento para parcelamento e remembramento do solo, construção, instalação, funcionamento e ampliação de atividades, com alterações das características naturais da Zona Costeira, deverá observar, além do disposto nesta Lei, as demais normas específicas federais, estaduais e municipais, respeitando as diretrizes dos Planos de Gerenciamento Costeiro.

§ 1° - A falta ou o descumprimento, mesmo parcial das condições do licenciamento previsto neste artigo serão sancionados com interdição, embargo ou demolição, sem prejuízo da cominação de outras penalidades previstas em lei.

§ 2° - Para o licenciamento, o órgão competente solicitará ao responsável pela atividade a

elaboração do estudo de impacto ambiental e a apresentação do respectivo Relatório de Impacto Ambiental - RIMA, devidamente aprovado, na forma da lei.

Artigo 7° - A degradação dos ecossistemas, do patrimônio e dos recursos naturais da Zona Costeira implicará ao agente a obrigação de reparar o dano causado e a sujeição às penalidades previstas no Artigo 14 da Lei 6.938, de 31 de Agosto de 1981, elevado o limite máximo da multa ao valor correspondente a 100.000 (cem mil) Obrigações do Tesouro Nacional - OTN, sem prejuízo de outras sanções previstas em Lei.

Parágrafo Único - As sentenças condenatórias e os acordos judiciais (VETADO), que dispuserem sobre a reparação dos danos ao meio ambiente pertinentes a esta Lei, deverão ser comunicados pelo órgão do Ministério Público ao CONAMA.

Artigo 8° - Os dados e as informações resultantes do monitoramento exercido sob responsabilidade municipal, estadual ou federal na Zona Costeira comporão o Subsistema “Gerenciamento Costeiro”, integrante do Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente - SINIMA.

Parágrafo Único - Os órgãos setoriais, seccionais e locais do SISNAMA, bem como universidades

e demais instituições culturais, científicas e tecnológicas encaminharão ao Subsistema os dados

relativos ao patrimônio natural, histórico, étnico e cultural, à qualidade do meio ambiente e a estudos de impacto ambiental, da Zona Costeira.

Artigo 9° - Para evitar a degradação ou o uso indevido dos ecossistemas, do patrimônio e dos recursos naturais da Zona Costeira, o PNGC poderá prever a criação de unidades de conservação permanente, na forma da legislação em vigor.

Artigo 10 - As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido, ressalvados os trechos considerados de interesse de segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica.

§ 1° - Não será permitida a urbanização ou qualquer forma de utilização do solo na Zona Costeira que impeça ou dificulte o acesso assegurado no caput deste artigo.

§ 2° - A regulamentação desta Lei determinará as características e as modalidades de acesso que garantam o uso público das praias e do mar.

§ 3° - Entende-se por praia a área coberta e descoberta periodicamente pelas águas, acrescida da

faixa subseqüente de material detrítico, tal como areias, cascalhos, seixos e pedregulhos, até o

limite onde se inicie a vegetação natural, ou, em sua ausência, onde comece um outro ecossistema.

Artigo 11 - O Poder Executivo regulamentará esta Lei, no que couber, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias.

Artigo 12 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Artigo 13 - Revogam-se as disposições em contrário.

Anexo G O GOVERNADOR DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, faço saber que Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei: 58165/93 DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º - Fica instituído o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro do Espírito Santo - PEGC/ES,

seus objetivos, instrumentos e mecanismos de formulação, aprovação e execução.

Art. 2º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:

I. ZONA COSTEIRA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO (ZCES): na faixa terrestre,

compreendendo o espaço geográfico delimitado pelo conjunto dos territórios municipais costeiros, abrangendo 19 (dezenove) municípios, que se defrontam diretamente com o mar, influem ou recebem influência marinha ou fluviomarinha; que não se confrontam com o mar, mas que se localizam na região metropolitana da Grande Vitória; que estejam localizados próximo ao litoral, até 50 (cinqüenta) quilômetros da linha de costa, mas que aloquem, em seu território, atividades ou infra-estruturas de grande impacto ambiental sobre a Zona Costeira do Estado; na faixa marítima, pelo ambiente marinho, em sua profundidade e extensão, definido pela totalidade do Mar Territorial e a Plataforma Continental imersa, distando 12 (doze) milhas marítimas das Linhas de Base estabelecidas de acordo com a Convenção das

Nações Unidas.

II. PLANO ESTADUAL DE GERENCIAMENTO COSTEIRO (PEGC): o conjunto de ações

estratégicas e programáticas, articuladas e localizadas, elaboradas com a participação da sociedade civil, que visam orientar a execução do Gerenciamento Costeiro no Estado do Espírito

Santo. CAPÍTULO I ZONA COSTEIRA Art. 3º - A Zona Costeira do Espírito Santo, para fins do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro, apresenta a seguinte setorização:

I. Litoral Extremo Norte, compreendendo os municípios de Conceição da Barra, São Mateus e

Jaguaré, em seus respectivos limites territoriais, além do Mar Territorial e a Plataforma Continental adjacente;,/p>

II. Litoral Norte, compreendendo os municípios de Linhares, Sooretama e Aracruz, em seus

respectivos limites territoriais, além do Mar Territorial e a Plataforma Continental adjacente;

III. Litoral Centro, compreendendo os municípios de Fundão, Serra, Vitória, Cariacica, Vila Velha e

Viana, em seus respectivos limites territorial, além do Mar Territoriais e a Plataforma Continental adjacente;

IV. Litoral Sul, compreendendo os municípios de Guarapari, Anchieta e Piúma, em seus

respectivos limites territoriais, além do Mar Territorial e a Plataforma Continental adjacente;

V.

Litoral Extremo Sul, compreendendo os municípios de Marataízes, Itapemirim, Cachoeiro de

Itapemirim e Presidente Kennedy, em seus respectivos limites territoriais, além do Mar Territorial e

a Plataforma Continental adjacente.

§ 1º - Faz parte integrante dessa Lei o mapa na escala aproximada de

1:2.000.000, que constitui referência básica para a setorização do Plano Estadual Gerenciamento Costeiro mencionada neste artigo.

§ 2º - Os Setores Costeiros serão delimitados e caracterizados nos respectivos zoneamentos.

§ 3º - Os novos municípios criados, após aprovação desta Lei, dentro dos limites estabelecidos para a Zona Costeira do Espirito Santo, serão automaticamente considerados como componentes da Zona Costeira estadual. CAPÍTULO II OBJETIVOS

Art. 4º - O Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro tem por objetivo:

I. orientar e estabelecer a ocupação do solo e a utilização dos recursos naturais da Zona Costeira;

II. promover a melhoria da qualidade de vida das populações locais;

III. conservar os ecossistemas costeiros, em condições que assegurem a qualidade ambiental;

IV. determinar as potencialidades e vulnerabilidades da Zona Costeira;

V. estabelecer o processo de gestão das atividades sócio-econômicas na Zona Costeira, de forma

integrada, descentralizada e participativa, com a proteção do patrimônio natural, histórico, étnico e

cultural;

VI. assegurar o controle sobre os agentes que possam causar poluição ou degradação ambiental,

em quaisquer de suas formas, que afetem a Zona Costeira;

VII. assegurar a mitigação dos impactos ambientais sobre a Zona Costeira e a recuperação de

áreas degradadas;

VIII. assegurar a interação harmônica da Zona Costeira com as demais regiões que a influenciam

ou que por ela sejam influenciadas;

IX. implantar programas de Educação Ambiental com as comunidades costeiras;

X. definir a capacidade de suporte ambiental das áreas passíveis de ocupação, de forma a

estabelecer níveis de utilização dos recursos renováveis e não renováveis;

XI. estabelecer normas referentes ao controle e manutenção da qualidade do ambiente costeiro.

CAPÍTULO III

AÇÕES

Art. 5º - Visando a consecução dos objetivos do Plano Estadual de

Gerenciamento Costeiro serão implementadas, entre outras, as seguintes ações:

I. definir, em conjunto com os municípios, o Zoneamento Ecológico-Econômico e as respectivas normas e diretrizes para o planejamento ambiental da Zona Costeira;

II. promover o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro - PEGC/ES,

envolvendo ações de diagnóstico e monitoramento ambiental, com a integração do Poder Público Estadual, Municipal, Sociedade Civil Organizada e a Iniciativa Privada;

III. implantar o Sistema de Informações do Gerenciamento Costeiro - SIGERCO;

IV. promover o fortalecimento das entidades diretamente envolvidas na

execução do Gerenciamento Costeiro, com atenção especial para capacitação técnica;

V. implantar o Sistema Estadual de Monitoramento Ambiental da Zona Costeira - SEMA - ZC, com

vistas à conservação, controle e fiscalização e recuperação dos recursos naturais dos setores Costeiros;

VI. implementar programas visando a manutenção e a valorização das atividades econômicas

sustentáveis nas comunidades tradicionais da Zona Costeira;

VII. sistematizar a divulgação das informações e resultados obtidos na execução do PEGC/ES,

ressaltando a importância do Relatório de Qualidade Ambiental da Zona Costeira - RQA-ZC.

CAPÍTULO IV

INSTRUMENTOS Art. 6º - Constituem instrumentos do PEGC/ES:

I. Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro - ZEEC: instrumento básico de planejamento que estabelece, após discussão pública de suas recomendações técnicas, a nível estadual e municipal, as normas de uso, ocupação do solo e de manejo dos recursos naturais da costa, em zonas específicas, definidas a partir de suas caraterísticas ecológicas e sócio-econômicas; II. Sistema de Informações do Gerenciamento Costeiro - SIGERCO: instrumento do PEGC que terá a função de armazenar, processar e atualizar dados e informações do Programa, servindo de fonte de consulta rápida e precisa para a tomada de decisões;

III. Plano de Gestão da Zona Costeira - PEGZC: concebido pelo conjunto de ações e programas

setoriais, integrados e compatibilizados com as diretrizes estabelecidas no Zoneamento Ecológico- Econômico, envolvendo a participação das entidades civis e dos setores organizados da

sociedade;

IV. Monitoramento Ambiental da Zona Costeira - MAZC: constituído de uma estrutura operacional

de coleta de dados e informações, de forma contínua, de modo a acompanhar os indicadores de

qualidade sócio-ambiental da Zona Costeira e propiciar o suporte permanente do Plano de Gestão;

V. Relatório de Qualidade Ambiental da Zona Costeira - RQA-ZC: procedimento de consolidação

periódica dos resultados produzidos pelo Monitoramento Ambiental e, sobretudo, de avaliação da eficiência das medidas e ações desenvolvidas a nível do PEGC/ES.

CAPÍTULO V SISTEMA DE GESTÃO Art. 7º - Compõe o Sistema de Gestão da Zona Costeira:

a) o Governo do Estado;

b) o Colegiado Costeiro;

c) as Coordenações Executivas Setoriais.

Art. 8º - A coordenação do Sistema de Gestão da Zona Costeira será exercida pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente - SEAMA, em estreita colaboração com os municípios costeiros, a sociedade civil organizada e a iniciativa privada. Art. 9º - O Colegiado Costeiro constituir-se-á no fórum consultivo, que tem por objetivo a discussão e o encaminhamento de políticas, planos, programas e ações destinadas à gestão da Zona Costeira. Parágrafo único - O colegiado Costeiro será integrado de forma paritária por:

a) representantes do Governo do Estado;

b) representantes do Governo Federal;

c) representantes de cada um dos Setores Costeiros, no âmbito do Poder Público Municipal;

d) representantes da sociedade civil organizada, com atuação na Zona Costeira estadual;

e) representantes da iniciativa privada, com atuação na Zona Costeira estadual.

Art. 10 - As Coordenações Executivas Setoriais, a serem implantadas em cada um dos Setores

Costeiros, constituem-se em grupos executivos e de gerenciamento das ações de gestão dos Setores Costeiros. Parágrafo único - As Coordenações Executivas Setoriais, vinculadas a Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente - SEAMA, serão integrados por:

a) representantes do Poder Público Estadual;

b) representantes do Poder Público Federal;

c) representantes do Poder Público Municipal;

d) representantes da sociedade civil organizada, com atuação no Setor Costeiro;

e) representantes da iniciativa privada.

Art. 11 - As Coordenações Executivas Setoriais ficam subordinadas ao Coordenador Geral do PEGC/ES, indicado pelo titular da SEAMA. § 1º - Ao Coordenador Geral caberá o gerenciamento das ações de execução, implementação e acompanhamento do PEGC/ES. § 2º - O apoio e os recursos necessários ao desempenho das atividades e funções dos representantes nas Coordenações Executivas Setoriais serão de responsabilidade dos segmentos que os indicaram. Art. 12 - A composição, organização e funcionamento do Colegiado Costeiro serão estabelecidos em regulamento. CAPÍTULO VI COMPETÊNCIAS Art. 13 - Visando a consecução dos objetivos previstos nesta Lei, compete à SEAMA a coordenação executiva do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro - PEGC/ES, cabendo-lhe adotar, entre outras, as seguintes medidas:

a) estruturar e consolidar o Sistema Estadual de Informações do Gerenciamento Costeiro - SIGERCO;

b) estruturar, implantar, executar e acompanhar os programas de

monitoramento, cujas informações devem ser consolidadas em Relatório Anual de Qualidade

Ambiental da Zona Costeira (RQA-ZC);

c) promover a articulação intersetorial no nível estadual;

d) promover a ampla divulgação do PNGC e do PEGC/ES;

e) promover a estruturação do Colegiado Estadual;

f) promover o fortalecimento das entidades envolvidas no Gerenciamento Costeiro, mediante apoio

técnico e metodológico; g) consolidar o processo de Zoneamento Ecológico-Econômico dos Setores Costeiros,

promovendo a sua atualização, quando necessário. Art. 14- Incluem-se entre as competências do Colegiado Costeiro:

I. referendar os Zoneamentos Ecológicos-Econômicos dos Setores Costeiros e suas revisões; II. propor políticas, planos, programas e ações destinadas à gestão da Zona Costeira;

III. propor normas, critérios, parâmetros para uso e ocupação do solo,

urbanização e aproveitamento dos recursos naturais da Zona Costeira. Art. 15 - Incluem-se entre as competências das Coordenações Executivas Setoriais:

I. colaborar e supervisionar a elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico e suas revisões;

II. encaminhar propostas para aplicação de recursos financeiros em serviços de obras de interesse para o desenvolvimento da Zona Costeira;

III. acompanhar a aplicação da política de desenvolvimento da Zona Costeira.

CAPÍTULO VII PLANO DE GESTÃO Art. 16 - O Plano de Gestão da Zona Costeira - PGZC, deve compatibilizar as políticas públicas

que incidam sobre a Zona Costeira, devendo conter:

a) área e limite de atuação;

b) objetivos;

c) metas;

d) projetos de execução;

e) custos;

f) fontes de recursos.

Art. 17 - Para execução do Plano de Gestão serão alocados recursos provenientes do orçamento da SEAMA, bem como oriundos de órgãos de outras esferas da federação e contribuintes da iniciativa privada, mediante a celebração de convênios e/ou contratos. CAPÍTULO VIII ZONEAMENTO ECOLÓGICO-ECONÔMICO Art. 18 - O Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro - ZEEC tem como objetivo identificar as unidades territoriais que, por suas características físicas, biológicas e sócio- econômicas, bem como por sua dinâmica e contrastes internos, devam ser objeto de disciplina

especial, com vistas ao desenvolvimento de ações capazes de conduzir ao aproveitamento, à manutenção ou à recuperação de sua qualidade ambiental e do seu potencial produtivo. Parágrafo único - O ZEEC definirá normas e metas ambientais e sócioeconômicas, relativas aos meios rurais, urbanos e aquáticos, a serem alcançadas por meio de Programas de Gestão

Ambiental. Art. 19 - As unidades territoriais de que trata o artigo anterior serão enquadradas nas seguintes zonas características:

I. Zona de Proteção Ambiental (ZPA) - Zona dedicada à proteção dos ecossistemas e dos recursos naturais, representando o mais alto grau de preservação das áreas abrangidas pelo PEGC/ES, caracterizada pela predominância de ecossistemas pouco alterados, encerrando, localmente, aspectos originais da Mata Atlântica e de seus ecossistemas associados, constituindo remanescentes florestais de importância ecológica regional e/ou municipal;

II. Zona de Recuperação Ambiental (ZRA) - Constituída por áreas degradadas, desmatadas e

fragmentos florestais reduzidos e dispersos, cujos componentes originais sofreram fortes alterações, principalmente pelas atividades agrícolas e extrativas, representando áreas de

importância para a recuperação ambiental em virtude das funções ecológicas que desempenham na proteção dos mananciais, estabilização das encostas, no controle da erosão do solo, na manutenção e dispersão da biota e das teias alimentares;

III. Zona de Uso Rural (ZUR) - Compreende as áreas onde os ecossistemas originais foram

praticamente alterados em sua diversidade e organização funcional, sendo denominadas por atividades agrícolas e extrativas, havendo, ainda, presença de assentamentos rurais dispersos;

IV. Zona de Desenvolvimento Urbano (ZDU) - São áreas efetivamente utilizadas para fins urbanos

e de expansão, em que os componentes ambientais, em função da urbanização, foram

modificados ou suprimidos;

V. Zona Marinha (ZM) - Compreende o ambiente marinho, em sua profundidade e extensão,

definido pela totalidade do Mar Territorial e a Plataforma Continental imersa, distando 12 (doze) milhas marítimas das Linhas de Base estabelecidas de acordo com a Convenção das Nações Unidas;

VI. Zona Litorânea (ZL) - Compreende a área terrestre adjacente à Zona Marinha, até a distância

de 100 metros do limite da praia ou, na sua ausência, das Linhas de Base estabelecidas pela Convenção das Nações Unidas. Parágrafo único - Para efeito desta Lei, entende-se por praia a área coberta e descoberta periodicamente pelas águas, acrescida da faixa subsequente de material detrítico, tal como areias, cascalhos, seixos e pedregulhos, até onde se inicie a vegetação natural ou, em sua ausência, onde comece um outro ecossistema. Art. 20 - Na Zona de Proteção Ambiental (ZPA) serão permitidas as atividades científicas, educacionais, recreativas e de ecoturismo, observadas as normas vigentes das Áreas Naturais Protegidas e as constantes nos Zoneamentos Ecológicos-Econômicos Setoriais.

Art. 21 - Na Zona de Recuperação Ambiental (ZRA) serão toleradas atividades que não provoquem danos a fauna e flora remanescentes ou que não gerem perturbações aos processos de regeneração natural ou de recuperação ambiental com o emprego de tecnologias. Art. 22 - Na Zona de Uso Rural (ZUR) serão permitidas atividades de

agricultura, pecuária intensiva e extensiva, silvicultura, aqüicultura, industriais e quaisquer outras, desde que localizadas adequadamente, observando-se, ainda, a legislação ambiental e as normas específicas constantes dos Zoneamentos Ecológicos-Econômicos Setoriais. Art. 23 - Na Zona de Desenvolvimento Urbano (ZDU) serão permitidos os assentamentos urbanos, serviços e comércio; instalação de complexos industriais e de terminais rodoviários, ferroviários, portuários e aeroportos; turismo e infraestrutura de transporte, de energia e de saneamento ambiental, estabelecidos de acordo com os parâmetros urbanísticos e ambientais definidos em normas vigentes. Art. 24 - Na Zona Marinha (ZM) serão permitidas atividades compatíveis com a conservação dos recursos e a manutenção das características naturais da Zona Costeira. Art. 25 - Na Zona Litorânea (ZL) deverão ser implantadas normas e diretrizes de usos e urbanização específicas, voltadas a evitar a degradação dos ecossistemas, do patrimônio natural e paisagístico e dos recursos naturais.

§ 1º - Na Zona Litorânea não será permitida a urbanização ou qualquer outra forma de utilização do solo que impeçam ou dificultem o livre e franco acesso as praias e ao mar, ressalvados os trechos considerados de interesse à segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica.

§ 2º - As áreas em que a Zona Litorânea apresentar predominância de

ecossistemas pouco alterados, ou encerrar aspectos originais da Mata Atlântica ou de seus ecossistemas associados, deverão ser enquadradas nas mesmas normas adotadas para a Zona de Proteção Ambiental (ZPA). CAPÍTULO IX DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 26 - As normas e critérios estabelecidos através do Zoneamento Ecológico- Econômico Costeiro servirão para instruir e fundamentar os procedimentos de licenciamento e fiscalização ambiental. Art. 27 - O licenciamento para parcelamento e remembramento do solo, construção, instalação, funcionamento e ampliação de atividades, com alterações das caraterísticas naturais da Zona Costeira, deverá observar, além do disposto nesta Lei, as demais normas específicas federais, estaduais e municipais, respeitando-se, ainda, as normas e diretrizes estabelecidos nos Zoneamentos Ecológico-Econômico Setoriais. Art. 28 - Os empreendimentos ou atividades regularmente existentes na data de publicação desta Lei, que se revelarem desconformes com as normas e diretrizes estabelecidas através do

Zoneamento Ecológico Econômico Costeiro, deverão se adequar as mesmas, dentro do prazo estabelecido pelo órgão competente. Art. 29 - A regulamentação dos Setores Costeiros, após a conclusão dos estudos de Macrozoneamento, deverá ser baixada por Decreto. Art. 30 - Os municípios poderão instituir, através de Lei, os respectivos Planos Municipais de Gerenciamento Costeiro, observadas as normas e diretrizes do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro e o disposto nesta Lei, designando os órgãos componentes para a sua execução. Art. 31 - Sem prejuízo da obrigação de reparar os danos causados ao meio ambiente, os infratores das disposições desta Lei e das normas regulamentares, dela decorrentes, ficam sujeitas às penalidades previstas na Lei nº 3.582, de 03/11/83, no Decreto nº 2.299 N, de 09/06/86, na Lei nº 4.701, de 01/12/92, no Decreto nº 3.513-N, de 23/04/93, no Decreto nº 3.045-N, de 21/09/90, no Decreto nº 4.344-N, de 07/10/98, na Lei nº 5.361, de 30/12/96 e no Decreto nº 4.124-N, de

12/06/97.

Art. 32 - As despesas decorrentes da aplicação da presente Lei correrão por conta das dotações orçamentárias consignadas no orçamento do Estado para a Secretaria de Estado para Assuntos do Meio Ambiente - SEAMA, suplementadas se necessário. Art. 33 - A Coordenação Executiva do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro promoverá, sempre que necessário, a revisão do Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro - PEGC/ES, e a atualização dos Zoneamentos Ecológicos- Econômicos Setoriais, ouvido o Colegiado Costeiro e o CONSEMA. Art. 34 - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação e, a partir daí, será regulamentada no prazo de até 180 (cento e oitenta) dias.,/p> Art. 35 - Revogam-se as disposições em contrário. Ordeno, portanto, a todas as autoridades que a cumpram e a façam cumprir como nela se contém. A Secretária de Estado da Justiça e da Cidadania faça publicá-la, imprimir e correr. Palácio Anchieta, em Vitória, 22 de dezembro de 1998. VITOR BUAIZ Governador do Estado (D.O. 23/12/98)

LEI Nº 7.943/04

Anexo H

O GOVERNADOR DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

Dispõe sobre o parcelamento do solo para fins urbanos e dá outras providências. Faço saber que a Assembléia Legislativa decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º O parcelamento do solo para fins urbanos será disciplinado por esta Lei, na ocorrência das seguintes condições:

I - quando o parcelamento localizar-se em áreas de interesse especial;

II - quando o parcelamento localizar-se em áreas limítrofes dos municípios, ou quando parte do parcelamento pertencer a outro município; III - quando o parcelamento abranger área superior a 1.000.000 m² (um milhão de metros

quadrados);

IV - quando o parcelamento localizar-se na Região Metropolitana da Grande Vitória. Art. 2º Consideram-se de interesse especial:

I - as áreas compreendidas no entorno das Lagoas Juparanã e Juparanã-Mirim ou Lagoa Nova,

situadas nos Municípios de Linhares, Sooretama e Rio Bananal, com a seguinte descrição dos seus limites:

a) Lagoa Juparanã: começa na Rodovia ES 358, num ponto em frente à Igreja Nossa Senhora das

Graças, na localidade de Comendador Rafael; segue por esta, em direção sul até o entroncamento

com a antiga estrada Linhares - São Mateus; segue por esta estrada, em direção sul até o entroncamento com a Rodovia Federal BR - 101; segue por esta Rodovia, em direção sul até o Km 144; daí segue contornando a Lagoa mantendo a distância de 02 km (dois quilômetros) de sua margem até encontrar a Rodovia ES 358 nas proximidades da localidade Nativo do Pombo; segue por esta Rodovia, em direção sul até o ponto inicial;

b) Lagoa Juparanã-Mirim ou Lagoa Nova: a faixa de 02 km (dois quilômetros) em torno de suas

margens;

II

- a área dos atuais distritos localizados ao longo do litoral do Estado:

a)

no Município de Conceição da Barra:

1.

Distrito-Sede;

2.

Distrito de Itaúnas;

b)

no Município de São Mateus:

1.

Distrito-Sede;

2.

Distrito de Barra Nova;

c)

no Município de Linhares:

1.

Distrito de Regência;

d)

no Município de Aracruz:

1.

Distrito de Riacho;

2.

Distrito de Santa Cruz;

e)

no Município de Fundão:

1.

Distrito de Praia Grande;

f)

no Município de Guarapari:

1.

Distrito-Sede;

g)

no Município de Anchieta:

1.

Distrito-Sede;

h)

no Município de Piúma:

1.

Distrito-Sede;

2.

Distrito de Aghá;

i)

no Município de Itapemirim:

1.

Distrito-Sede;

2.

Distrito de Itaipava;

j)

no Município de Marataízes:

1.

Distrito-Sede;

k)

no Município de Presidente Kennedy:

1.

Distrito-Sede;

III - a área dos municípios da região de montanha:

a) Afonso Cláudio;

b) Alfredo Chaves;

c) Castelo;

d) Conceição do Castelo;

e) Domingos Martins;

f) Marechal Floriano;

g) Santa Leopoldina;

h) Santa Maria de Jetibá;

i) Santa Teresa;

j) Vargem Alta;

k) Venda Nova do Imigrante.

Art. 3º Consideram-se localizados em áreas limítrofes os loteamentos ou desmembramentos que estiverem, no todo ou em parte, na faixa contínua de 01 km (um quilômetro) ao longo da divisa municipal. Art. 4º A Região Metropolitana da Grande Vitória é o território constituído pelos Municípios de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Guarapari e Fundão.

Art. 5º As áreas especiais, referidas nos incisos II e III do artigo 2º desta Lei, compreendem o território dos atuais distritos e municípios e não serão reduzidas pela sua eventual divisão. Art. 6º O parcelamento do solo para fins urbanos procede-se sob a forma de loteamento e desmembramento.

§ 1º Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificações, com a

abertura de novas vias de circulação, logradouros públicos, modificação ou ampliação das vias

existentes. §2º Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes destinados a edificações, com aproveitamento de sistema viário existente, desde que não implique abertura de novas vias e logradouros públicos, nem prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes.

§ 3º Considera-se lote o terreno servido de infra-estrutura básica cujas dimensões atendam aos

índices urbanísticos definidos pelo plano diretor ou lei municipal para a zona em que se situe. §4ºConsideram-se infra-estrutura básica os equipamentos urbanos de escoamento das águas

pluviais, iluminação pública, redes de esgoto sanitário e abastecimento de água potável e de energia elétrica domiciliar e as vias de circulação pavimentadas ou não.

§ 5º A infra-estrutura básica dos parcelamentos situados em zonas habitacionais declaradas por lei como de interesse social - ZHIS consistirá, no mínimo, de:

I - vias de circulação;

II - escoamento de águas pluviais;

III - rede para o abastecimento de água potável; e

IV - soluções para o esgotamento sanitário e para a energia elétrica domiciliar.

Art. 7º Em função do uso a que se destinam são os loteamentos classificados nas seguintes

categorias:

I - loteamentos para uso residencial são aqueles em que o parcelamento do solo se destina à

edificação para atividades predominantemente residenciais, exercidas em função de habitação, ou

de

atividades complementares ou compatíveis com essas;

II

- loteamentos para uso industrial são aqueles em que o parcelamento do solo se destina

predominantemente à implantação de atividades industriais e de atividades complementares ou compatíveis com essas;

III - loteamentos destinados à edificação de conjunto habitacional de interesse social são aqueles

realizados com a interveniência ou não do Poder Público, em que os valores dos padrões urbanísticos são especialmente estabelecidos na construção de habitação de caráter social, para

atender às classes de população de menor renda;

IV - loteamentos para urbanização específica são aqueles realizados com objetivo de atender à

implantação dos programas de interesse social previamente aprovados pelos órgãos públicos competentes, com padrões urbanísticos especiais, para atender às classes de população de baixa renda.

Art. 8º Somente será admitido o parcelamento do solo para fins urbanos em zonas urbanas, ou de expansão urbana delimitadas pela lei municipal de perímetro urbano. Art. 9º Não será permitido o parcelamento do solo:

I - em terrenos alagadiços ou sujeitos à inundação, salvo parecer favorável do órgão estadual de conservação e proteção do meio ambiente;

II - em terrenos de mangues e restingas, antes de parecer técnico favorável do órgão estadual de proteção e conservação do meio ambiente;

III - em terrenos que tenham sido aterrados com lixo ou material nocivo à saúde pública, sem que

sejam previamente saneados;

IV - em terrenos com declividade igual ou superior a 30% (trinta por cento), salvo se atendidas as

exigências da autoridade competente;

V - em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação;

VI - em áreas onde a poluição impeça condições sanitárias suportáveis, até sua correção;

VII - em unidades de conservação e em áreas de preservação permanente, definidas em

legislação federal, estadual e municipal, salvo parecer favorável do órgão estadual de conservação

e proteção ao meio ambiente;

VIII - em terrenos que não tenham acesso à via ou logradouros públicos;

IX - em sítios arqueológicos definidos em legislação federal, estadual ou municipal;

X - nas pontas e pontais do litoral e nos estuários dos rios, numa faixa de 100 m (cem metros) em

torno das áreas lacustres. CAPÍTULO II DOS REQUISITOS URBANÍSTICOS PARA O LOTEAMENTO Seção I Disposições Gerais Art. 10. Salvo quando a legislação municipal determinar maiores exigências, o loteamento deverá atender aos requisitos urbanísticos estabelecidos neste Capítulo. Art. 11. A porcentagem de áreas públicas destinadas ao sistema de circulação, à implantação de equipamentos urbanos e comunitários, bem como aos espaços livres e de uso público não poderá

ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) da gleba, salvo quando o plano diretor ou a lei

municipal de zoneamento estabelecer dimensões inferiores para a zona em que se situem. Art. 12. No loteamento ou desmembramento não poderá resultar terreno encravado, sem saída direta para via ou logradouro público. Art. 13. Na implantação dos projetos de loteamento ou desmembramento, dever-se-ão preservar as florestas e demais formas de vegetação natural dos estuários de rios e áreas lacustres, bem como a fauna existente. Art. 14. Ao longo das faixas de domínio público das rodovias, ferrovias, linha de transmissão de energia elétrica de alta tensão e dutos, será obrigatória a reserva de uma faixa “non aedificandi” de 15 m quinze metros) de cada lado, salvo maiores exigências da legislação específica.

Art. 15. As vias do loteamento deverão articular-se com as vias adjacentes oficiais, existentes ou projetadas, e harmonizar-se com a topografia local. Seção II Do Loteamento Subseção I Das Áreas de Proteção das Lagoas e dos Mananciais Art. 16. Nas áreas consideradas de proteção ao entorno das Lagoas Juparanã e Juparanã-Mirim e de proteção aos manancias, os loteamentos deverão observar os seguintes requisitos:

I - os lotes terão área mínima de 1.000 m2 (mil metros quadrados) e frente mínima de 20 m (vinte

metros);

II - a porcentagem de áreas públicas não poderá ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) da

gleba;

III - reserva de faixa marginal “non aedificandi” de, no mínimo:

a) 150 m (cento e cinqüenta metros) no entorno das Lagoas Juparanã e Juparanã-Mirim;

b) 100 m (cem metros) no entorno das lagoas, lagos e reservatórios naturais ou artificiais que

forem utilizados como mananciais atuais e futuros, para captação de água potável;

c) 30 m (trinta metros) ao longo das margens dos rios ou outro curso d’àgua qualquer, contribuintes

dos mananciais, observadas ainda as exigências da legislação ambiental; IV - implantação, no mínimo, dos seguintes equipamentos urbanos:

a) sistema de escoamento das águas pluviais;

b) sistema de coleta, tratamento e disposição de esgoto sanitário;

c) sistema de abastecimento de água potável;

d) rede de energia elétrica;

e) vias de circulação.

Parágrafo único. Nas áreas referidas no “caput” deste artigo, só será permitida a implantação de loteamento para uso residencial. Art. 17. Não será permitida a deposição de esgotos sanitários, lixo e resíduos nas lagoas e nos mananciais. Art. 18. Na implantação dos projetos de loteamento, serão obrigatórios a manutenção da vegetação existente, protegida pela legislação florestal vigente, e o respeito às características da topografia local, não se permitindo movimento de terra, cortes e aterros que possam alterar predatoriamente as formas dos acidentes naturais da

região. Art. 19. Aplicam-se aos projetos de desmembramento as disposições urbanísticas exigidas para loteamento estabelecidas nesta subseção, excetuando-se desta exigência o inciso II do artigo 16 desta Lei. Subseção II Das Áreas de Interesse Especial

Art. 20. Nos loteamentos da área de interesse especial, referente aos distritos litorâneos e municípios da região de montanha, definidos nos incisos II e III do artigo 2º desta Lei, deverão ser observados os seguintes requisitos:

I - os lotes terão área mínima de 200 m² (duzentos metros quadrados) e frente mínima de 10 m

(dez metros), prevalecendo em qualquer hipótese às disposições da lei municipal, se existir; II - quando o loteamento se destinar à edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, o lote terá área e testada mínima de 125 m² (cento e vinte e cinco metros quadrados) e 5 m (cinco metros), respectivamente, salvo maiores exigências da legislação municipal;

III - a porcentagem de áreas públicas destinadas ao sistema de circulação, à implantação de

equipamentos urbanos e comunitários, bem como aos espaços livres e de uso público não poderá ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) da gleba, salvo quando o plano diretor ou lei municipal

de

zoneamento estabelecer dimensões inferiores para a zona em que se situem.

IV

- implantação, no mínimo, dos seguintes equipamentos urbanos:

a)

sistema de coleta, tratamento e disposição de esgoto sanitário;

b)

sistema de escoamento das águas pluviais;

c)

sistema de abastecimento de água potável;

d)

rede de energia elétrica;

e)

vias de circulação.

Art. 21. Não será permitida a disposição de esgotos sanitários, lixo e resíduos nas praias, nos manguezais, na orla dos cursos d’água e nos canais. Art. 22. Nos projetos de loteamento, na área litorânea, o sistema de circulação deve assegurar o domínio predominante do pedestre junto à orla, observando provimento de área para estacionamento de veículos e impedimento de vias de tráfego nesses locais. Art. 23. Aplicam-se aos projetos de desmembramento as disposições urbanísticas exigidas para loteamento estabelecidas nesta subseção, excetuando-se desta exigência o inciso III do artigo 20 desta Lei. Subseção III Das Áreas Limítrofes

Art. 24. Quando o loteamento estiver localizado em área limítrofe de município ou pertencer a mais

de um município, observar-se-ão:

I - os requisitos urbanísticos exigidos para as áreas de interesse especial;

II - as ruas ou estradas existentes ou projetadas que compõem o sistema viário do município onde

se pretende implantar o loteamento deverão articular-se com as do

município vizinho, mantendo as mesmas características;

III - quando a divisa intermunicipal não for curso d’água, é obrigatória a execução de uma via de

circulação na divisa, acompanhando o traçado desta. Subseção IV Da Região Metropolitana da Grande Vitória

Art. 25. Nos loteamentos da Região Metropolitana da Grande Vitória, deverão ser observados os seguintes requisitos:

I - os lotes terão área mínima de 200 m² (duzentos metros quadrados) e frente mínima de 10 m

(dez metros), em qualquer hipótese, prevalecendo às disposições de lei municipal, se existir;

II - quando o loteamento se destinar à edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, o lote terá área e testada mínima de 125 m² (cento e vinte e cinco metros quadrados) e 5 m (cinco metros), respectivamente, salvo maiores exigências da legislação municipal;

III - a porcentagem de áreas públicas destinadas ao sistema de circulação, à implantação de

equipamentos urbanos e comunitários, bem como aos espaços livres e de uso público não poderá

ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) da gleba, salvo quando o plano diretor ou a lei municipal de zoneamento estabelecer dimensões inferiores para a zona em que se situem;

IV - implantação, no mínimo, dos seguintes equipamentos urbanos:

a) sistema de abastecimento de água potável;

b) sistema de coleta, tratamento e disposição de esgoto sanitário;

c) sistema de escoamento das águas pluviais;

d) rede de distribuição de energia elétrica;

e) vias de circulação.

Art. 26. Aplicam-se aos projetos de desmembramento as disposições urbanísticas exigidas para loteamento estabelecidas nesta subseção, excetuando-se desta exigência o inciso III do artigo 25

desta Lei. Subseção V Dos Loteamentos com Área Superior a 1.000.000 m² Art. 27. Os loteamentos oriundos de gleba com área superior a 1.000.000 m² (um milhão de metros quadrados), assim registrada no registro de imóveis, à data de vigência desta Lei, e a serem implantados fora das áreas especiais referidas nesta Lei, deverão observar os seguintes requisitos:

I - os lotes terão área mínima de 200 m² (duzentos metros quadrados) e frente mínima de 10 m

(dez metros), em qualquer hipótese, prevalecendo às disposições da lei municipal, se existir;

II - quando o loteamento se destinar à edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, o

lote terá área e testada mínima de 180 m² (cento e oitenta metros quadrados) e 10 m (dez metros), respectivamente, salvo maiores exigências da legislação municipal;

III - a porcentagem de áreas públicas destinada ao sistema de circulação, à implantação de

equipamentos urbanos e comunitários, bem como aos espaços livres e de uso público não poderá

ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) da gleba, salvo quando o plano diretor ou a lei municipal de zoneamento estabelecer dimensões inferiores para a zona em que se situem;

IV - implantação dos seguintes equipamentos urbanos:

a) rede de abastecimento de água potável;

b) rede de distribuição de energia elétrica;

c) sistema de escoamento de água pluvial;

d)

sistema de coleta, tratamento e disposição de esgoto sanitário.

Art. 28. No sistema de vias de circulação do loteamento deverá ser prevista uma via de circulação

de veículos, com faixa de domínio, alinhamento a alinhamento, mínima de 26 m (vinte e seis

metros), a cada 1.500 m (mil e quinhentos metros). Art. 29. Deve ser prevista no projeto de

loteamento uma área destinada ao tratamento de esgotos sanitários. Art. 30. No loteamento localizado nas áreas referidas nos incisos I, II e IV do artigo 1º desta Lei, deverão ser observadas as exigências específicas estabelecidas para cada área, sem prejuízo dos artigos 28 e 29 desta Lei. Subseção VI Dos Loteamentos Industriais Art. 31. Os loteamentos destinados a uso industrial deverão ser localizados em zonas reservadas à instalação de indústrias definidas em esquema de zoneamento urbano, aprovado por lei, que compatibilize as atividades industriais com a proteção ambiental. Parágrafo único. As zonas a que se refere este artigo deverão:

I - situar-se em áreas que apresentem capacidade de assimilação de efluentes e proteção

ambiental, respeitadas quaisquer restrições legais ao uso do solo;

II - quando o loteamento se destinar à edificação de conjuntos habitacionais de interesse social, o

lote terá área e testada mínima de 180 m² (cento e oitenta metros quadrados) e 10 m (dez metros), respectivamente, salvo maiores exigências da legislação municipal;

III - localizar-se em áreas cujas condições favoreçam a instalação adequada de infra-estrutura de

serviços básicos necessária a seu funcionamento e segurança;

IV - dispor, em seu interior, de áreas de proteção ambiental que minimizem os efeitos da poluição,

em relação a outros usos;

V - prever locais adequados para o tratamento dos resíduos líquidos provenientes de atividade

industrial, antes de esses serem despejados em águas marítimas ou interiores, superficiais e

subterrâneas;

VI - manter, em seu contorno, anéis verdes de isolamento capazes de proteger as áreas

circunvizinhas contra possíveis efeitos residuais e acidentes;

VII

- localizar-se em áreas onde os ventos dominantes não levem resíduos gasosos, emanações

ou

radiações para as áreas residenciais ou comerciais existentes ou previstas.

Art. 32. Nos loteamentos destinados ao uso industrial deverão ser observados os seguintes

requisitos:

I - a porcentagem de áreas públicas destinadas ao sistema de circulação, à implantação de

equipamentos urbanos e comunitários, bem como aos espaços livres e de uso público não poderá

ser inferior a 35% (trinta e cinco por cento) da gleba, salvo quando o plano diretor ou a lei municipal de zoneamento estabelecer dimensões inferiores para a zona em que se situem;

II - implantação, no mínimo, dos seguintes equipamentos:

a) sistema de abastecimento de água;

b) sistema de coleta, tratamento e disposição de esgotos industriais e sanitários, nos termos da

legislação vigente;

c) sistema de escoamento de águas pluviais;

d) rede de energia elétrica;

e) pavimentação adequada das vias e assentamento de meios-fios.

CAPÍTULO III DA APROVAÇÃO DO PROJETO DE LOTEAMENTO E DESMEMBRAMENTO Art. 33. O projeto de loteamento e desmembramento deverá ser aprovado pela Prefeitura Municipal, a quem compete também a fixação das diretrizes estabelecidas na lei federal de parcelamento do solo. Art. 34. A aprovação do projeto de loteamento e desmembramento, pela Prefeitura Municipal, será precedido da expedição, pelo Estado, de laudo técnico do órgão florestal e de licenciamento ambiental. Art. 35. Caberá ao órgão florestal estadual competente, a caracterização da cobertura florestal

existente na área do projeto de loteamento, com objetivo de estabelecer as diretrizes florestais. Art. 36. Caberá ao órgão ambiental competente avaliar:

I - normas e restrições legais quanto ao uso e ocupação da área pretendida afetas à unidade de conservação, proteção e conservação da fauna e da flora; II - sistema de esgotamento sanitário;

III - sistema de drenagem pluvial superficial;

IV - sistema de abastecimento de água potável;

V - sistema de controle de emissões atmosféricas provenientes de atividades de terraplanagem;

VI - sistema de coleta e disposição de resíduos sólidos.

Art. 37. Caberá ao órgão técnico metropolitano, quando instituído, o exame e a anuência prévia à aprovação dos projetos de parcelamento do solo nos municípios integrantes da Região Metropolitana. CAPÍTULO IV DO REGISTRO Art. 38. Para os efeitos do artigo 50 da Lei Federal nº 6.766, de 19.12.1979, o Ministério Público Estadual fiscalizará a observância das normas complementares estaduais, em especial, desta Lei. Art. 39. Os Oficiais de Registro de Imóveis, no atendimento do artigo 19 da Lei Federal nº 6.766/79, deverão abrir vistas dos autos, no prazo referido no citado artigo 19, obrigatoriamente, sempre ao

representante do Ministério Público, independentemente da existência de impugnação de terceiros que, se oferecida, merecerá o processamento estabelecido em lei. Art. 40. Nas alterações de uso do solo rural para fins urbanos, deverá ser observado o disposto no artigo 53 da Lei Federal nº 6.766/79. CAPÍTULO V DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Art. 41. As transgressões a qualquer dispositivo desta Lei sujeitarão o infrator às sanções penais, cíveis e administrativas, na forma da Lei Federal nº 6.766/79. Art. 42. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 43. Fica revogada a Lei nº 3.384, de 27.11.1980. Ordeno, portanto, a todas as autoridades que a cumpram e a façam cumprir como nela se contém. O Secretário de Estado da Justiça faça publicá-la, imprimir e correr. Palácio Anchieta, em Vitória, em 16 de dezembro de 2004.

Anexo I DECRETO FEDERAL Nº 5.300 DE 7 DE DEZEMBRO DE 2004 Regulamenta a Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988, que institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro - PNGC, dispõe sobre regras de uso e ocupação da zona costeira e estabelece critérios de gestão da orla marítima, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,

inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 30 e no § 4º do art. 225 da

Constituição, no art. 11 da Lei nº 7.661, de 16 de maio de 1988, no art. 5º da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, nos arts. 1º e 2º da Lei no 8.617, de 4 de janeiro de 1993, no Decreto Legislativo

nº 2, de 1994, no inciso VI do art. 3º da Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997, nos arts. 4º e 33 da

Lei nº 9.636, de 15 de maio de 1998, e no art. 1º do Decreto nº 3.725, de 10 de janeiro de 2001,

DECRETA:

CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Art 1º Este Decreto define normas gerais visando a gestão ambiental da zona costeira do País, estabelecendo as bases para a formulação de políticas, planos e programas federais, estaduais e municipais.

Art 2º Para os efeitos deste Decreto são estabelecidas as seguintes definições:

I - colegiado estadual: fórum consultivo ou deliberativo, estabelecido por instrumento legal, que busca reunir os segmentos representativos do governo e sociedade, que atuam em âmbito estadual, podendo abranger também representantes do governo federal e dos Municípios, para a discussão e o encaminhamento de políticas, planos, programas e ações destinadas à gestão da zona costeira;

II - colegiado municipal: fórum equivalente ao colegiado estadual, no âmbito municipal;

III - conurbação: conjunto urbano formado por uma cidade grande e suas tributárias limítrofes ou

agrupamento de cidades vizinhas de igual importância;

IV - degradação do ecossistema: alteração na sua diversidade e constituição física, de tal forma

que afete a sua funcionalidade ecológica, impeça a sua auto-regeneração, deixe de servir ao desenvolvimento de atividades e usos das comunidades humanas ou de fornecer os produtos que

as

sustentam;

V

- dunas móveis: corpos de areia acumulados naturalmente pelo vento e que, devido à

inexistência ou escassez de vegetação, migram continuamente; também conhecidas por dunas

livres, dunas ativas ou dunas transgressivas;

VI - linhas de base: são aquelas estabelecidas de acordo com a Convenção das

Nações Unidas sobre o Direito do Mar, a partir das quais se mede a largura do mar territorial;

VII - marisma: terrenos baixos, costeiros, pantanosos, de pouca drenagem, essencialmente

alagados por águas salobras e ocupados por plantas halófitas anuais e perenes, bem como por plantas de terras alagadas por água doce;

VIII - milha náutica: unidade de distância usada em navegação e que corresponde a um mil,

oitocentos e cinqüenta e dois metros;

IX - região estuarina-lagunar: área formada em função da inter-relação dos cursos fluviais e

lagunares, em seu deságüe no ambiente marinho;

X - ondas de tempestade: ondas do mar de grande amplitude geradas por fenômeno

meteorológico;

XI - órgão ambiental: órgão do poder executivo federal, estadual ou municipal, integrante do

Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, responsável pelo licenciamento ambiental, fiscalização, controle e proteção do meio ambiente, no âmbito de suas competências;

XII - preamar: altura máxima do nível do mar ao longo de um ciclo de maré, também chamada de

maré cheia;

XIII - trecho da orla marítima: seção da orla marítima abrangida por parte ou todo da unidade

paisagística e geomorfológica da orla, delimitado como espaço de intervenção e gestão; XIV - trecho da orla marítima de interesse especial: parte ou todo da unidade paisagística e geomorfológica da orla, com existência de áreas militares, tombadas, de tráfego aquaviário,

instalações portuárias, instalações geradoras e transmissoras de energia, unidades de conservação, reservas indígenas, comunidades tradicionais e remanescentes de quilombos;

XV - unidade geoambiental: porção do território com elevado grau de similaridade entre as

características físicas e bióticas, podendo abranger diversos tipos de ecossistemas com interações

funcionais e forte interdependência. CAPÍTULO II DOS LIMITES, PRINCÍPIOS, OBJETIVOS, INSTRUMENTOS E COMPETÊNCIAS DA GESTÃO DA ZONA COSTEIRA Seção I Dos Limites Art 3º A zona costeira brasileira, considerada patrimônio nacional pela Constituição de 1988, corresponde ao espaço geográfico de interação do ar, do mar e da terra, incluindo seus recursos renováveis ou não, abrangendo uma faixa marítima e uma faixa terrestre, com os seguintes limites:

I - faixa marítima: espaço que se estende por doze milhas náuticas, medido a partir das linhas de base, compreendendo, dessa forma, a totalidade do mar territorial;

II - faixa terrestre: espaço compreendido pelos limites dos Municípios que sofrem influência direta

dos fenômenos ocorrentes na zona costeira.

Art 4º Os Municípios abrangidos pela faixa terrestre da zona costeira serão:

I - defrontantes com o mar, assim definidos em listagem estabelecida pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE;

II - não defrontantes com o mar, localizados nas regiões metropolitanas litorâneas;

III - não defrontantes com o mar, contíguos às capitais e às grandes cidades litorâneas, que

apresentem conurbação;

IV - não defrontantes com o mar, distantes até cinqüenta quilômetros da linha da costa, que

contemplem, em seu território, atividades ou infra-estruturas de grande impacto ambiental na zona costeira ou ecossistemas costeiros de alta relevância;

V - estuarino-lagunares, mesmo que não diretamente defrontantes com o mar;

VI - não defrontantes com o mar, mas que tenham todos os seus limites com Municípios referidos

nos incisos I a V;

VII

- desmembrados daqueles já inseridos na zona costeira.

O Ministério do Meio Ambiente manterá listagem atualizada dos Municípios abrangidos pela

faixa terrestre da zona costeira, a ser publicada anualmente no Diário Oficial da União.

2º Os Estados poderão encaminhar ao Ministério do Meio Ambiente propostas de alteração da

relação dos Municípios abrangidos pela faixa terrestre da zona costeira, desde que apresentada a devida justificativa para a sua inclusão ou retirada da relação.

3º Os Municípios poderão pleitear, junto aos Estados, a sua intenção de integrar a relação dos

Municípios abrangidos pela faixa terrestre da zona costeira, justificando a razão de sua pretensão.

Seção II Dos Princípios Art 5º São princípios fundamentais da gestão da zona costeira, além daqueles estabelecidos na Política Nacional de Meio Ambiente, na Política Nacional para os Recursos do Mar e na Política Nacional de Recursos Hídricos:

I - a observância dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na matéria;

II - a observância dos direitos de liberdade de navegação, na forma da legislação vigente;

III - a utilização sustentável dos recursos costeiros em observância aos critérios previstos em lei e

neste Decreto;

IV - a integração da gestão dos ambientes terrestres e marinhos da zona costeira, com a

construção e manutenção de mecanismos participativos e na compatibilidade das políticas

públicas, em todas as esferas de atuação;

V - a consideração, na faixa marítima, da área de ocorrência de processos de transporte

sedimentar e modificação topográfica do fundo marinho e daquela onde o efeito dos aportes terrestres sobre os ecossistemas marinhos é mais significativo;

VI - a não-fragmentação, na faixa terrestre, da unidade natural dos ecossistemas costeiros, de

forma a permitir a regulamentação do uso de seus recursos, respeitando sua integridade;

VII

- a consideração, na faixa terrestre, das áreas marcadas por atividade socioeconômico-cultural

de características costeiras e sua área de influência imediata, em função dos efeitos dessas

atividades sobre a conformação do território costeiro;

VIII

- a consideração dos limites municipais, dada a operacionalidade das articulações necessárias

ao

processo de gestão;

IX

- a preservação, conservação e controle de áreas que sejam representativas dos ecossistemas

da

zona costeira, com recuperação e reabilitação das áreas degradadas ou descaracterizadas;

X - a aplicação do princípio da precaução tal como definido na Agenda 21, adotando-se medidas

eficazes para impedir ou minimizar a degradação do meio ambiente, sempre que houver perigo de

dano grave ou irreversível, mesmo na falta de dados científicos completos e atualizados;

XI

- o comprometimento e a cooperação entre as esferas de governo, e dessas com a sociedade,

no

estabelecimento de políticas, planos e programas federais, estaduais e municipais.

Seção III Dos Objetivos Art 6º São objetivos da gestão da zona costeira:

I - a promoção do ordenamento do uso dos recursos naturais e da ocupação dos espaços

costeiros, subsidiando e otimizando a aplicação dos instrumentos de controle e de gestão da zona

costeira;

II - o estabelecimento do processo de gestão, de forma integrada, descentralizada e participativa,

das atividades socioeconômicas na zona costeira, de modo a contribuir para elevar a qualidade de

vida de sua população e a proteção de seu patrimônio natural, histórico, étnico e cultural;

III - a incorporação da dimensão ambiental nas políticas setoriais voltadas à gestão integrada dos

ambientes costeiros e marinhos, compatibilizando-as com o Plano Nacional de Gerenciamento

Costeiro - PNGC;

IV - o controle sobre os agentes causadores de poluição ou degradação ambiental que ameacem a

qualidade de vida na zona costeira;

V - a produção e difusão do conhecimento para o desenvolvimento e aprimoramento das ações de

gestão da zona costeira. Seção IV Dos Instrumentos

Art 7º Aplicam-se para a gestão da zona costeira os seguintes instrumentos, de forma articulada e

integrada:

I - Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro - PNGC: conjunto de diretrizes gerais aplicáveis nas diferentes esferas de governo e escalas de atuação, orientando a implementação de políticas, planos e programas voltados ao desenvolvimento sustentável da zona costeira;

II - Plano de Ação Federal da Zona Costeira - PAF: planejamento de ações estratégicas para a integração de políticas públicas incidentes na zona costeira, buscando responsabilidades compartilhadas de atuação;

III

- Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro - PEGC: implementa a Política Estadual de

Gerenciamento Costeiro, define responsabilidades e procedimentos institucionais para a sua

execução, tendo como base o PNGC;

IV - Plano Municipal de Gerenciamento Costeiro - PMGC: implementa a Política Municipal de

Gerenciamento Costeiro, define responsabilidades e procedimentos institucionais para a sua execução, tendo como base o PNGC e o PEGC, devendo observar, ainda, os demais planos de

uso e ocupação territorial ou outros instrumentos de planejamento municipal;

V - Sistema de Informações do Gerenciamento Costeiro - SIGERCO: componente do Sistema

Nacional de Informações sobre Meio Ambiente - SINIMA, que integra informações

georreferenciadas sobre a zona costeira;

VI - Sistema de Monitoramento Ambiental da Zona Costeira - SMA: estrutura operacional de coleta

contínua de dados e informações, para o acompanhamento da dinâmica de uso e ocupação da zona costeira e avaliação das metas de qualidade socioambiental;

VII - Relatório de Qualidade Ambiental da Zona Costeira - RQA-ZC: consolida, periodicamente, os

resultados produzidos pelo monitoramento ambiental e avalia a eficiência e eficácia das ações da

gestão;

VIII - Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro - ZEEC: orienta o processo de ordenamento

territorial, necessário para a obtenção das condições de sustentabilidade do desenvolvimento da zona costeira, em consonância com as diretrizes do Zoneamento Ecológico-Econômico do território

nacional, como mecanismo de apoio às ações de monitoramento, licenciamento, fiscalização e

gestão;

IX - macrodiagnóstico da zona costeira: reúne informações, em escala nacional, sobre as

características físico-naturais e socioeconômicas da zona costeira, com a finalidade de orientar

ações de preservação, conservação, regulamentação e fiscalização dos patrimônios naturais e culturais.

Art 8º Os Planos Estaduais e Municipais de Gerenciamento Costeiro serão instituídos por lei,

estabelecendo:

I - os princípios, objetivos e diretrizes da política de gestão da zona costeira da sua área de

atuação;

II - o Sistema de Gestão Costeira na sua área de atuação;

III - os instrumentos de gestão;

IV - as infrações e penalidades previstas em lei;

V - os mecanismos econômicos que garantam a sua aplicação.

Art 9º O ZEEC será elaborado de forma participativa, estabelecendo diretrizes quanto aos usos

permitidos, proibidos ou estimulados, abrangendo as interações entre as faixas terrestre e marítima

da zona costeira, considerando as orientações contidas no Anexo I deste Decreto.

Parágrafo único. Os ZEEC já existentes serão gradualmente compatibilizados com as orientações contidas neste Decreto.

Art 10. Para efeito de monitoramento e acompanhamento da dinâmica de usos e ocupação do território na zona costeira, os órgãos ambientais promoverão, respeitando as escalas de atuação, a identificação de áreas estratégicas e prioritárias. 1º Os resultados obtidos no monitoramento dessas áreas pelos Estados e Municípios serão encaminhados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis- IBAMA, que os consolidará e divulgará na forma do RQA-ZC, com periodicidade bianual.

2º O monitoramento deverá considerar indicadores de qualidade que permitam avaliar a dinâmica e

os impactos das atividades socioeconômicas, considerando, entre outros, os setores industrial, turístico, portuário, de transporte, de desenvolvimento urbano, pesqueiro, aqüicultura e indústria do

petróleo.

Seção V

Das Competências

Art 11. Ao Ministério do Meio Ambiente compete:

I - acompanhar e avaliar permanentemente a implementação do PNGC, observando a

compatibilização dos PEGC e PMGC com o PNGC e demais normas federais, sem prejuízo da competência de outros órgãos;

II - promover a articulação intersetorial e interinstitucional com os órgãos e colegiados existentes em âmbito federal, estadual e municipal, cujas competências tenham vinculação com as atividades do PNGC;

III - promover o fortalecimento institucional dos órgãos executores da gestão da zona costeira,

mediante o apoio técnico, financeiro e metodológico;

IV - propor normas gerais, referentes ao controle e manutenção de qualidade do ambiente costeiro;

V - promover a consolidação do SIGERCO;

VI - estabelecer procedimentos para ampla divulgação do PNGC;

VII - estruturar, implementar e acompanhar os programas de monitoramento, controle e

ordenamento nas áreas de sua competência. Art 12. Ao IBAMA compete:

I - executar, em âmbito federal, o controle e a manutenção da qualidade do ambiente costeiro, em estrita consonância com as normas estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente -

CONAMA;

II - apoiar o Ministério do Meio Ambiente na consolidação do SIGERCO;

III - executar e acompanhar os programas de monitoramento, controle e ordenamento;

IV - propor ações e projetos para inclusão no PAF;

V - executar ações visando a manutenção e a valorização de atividades econômicas sustentáveis

nas comunidades tradicionais da zona costeira;

VI - executar as ações do PNGC segundo as diretrizes definidas pelo Ministério do

Meio Ambiente;

VII

- subsidiar a elaboração do RQA-ZC a partir de informações e resultados obtidos na execução

do

PNGC;

VIII

- colaborar na compatibilização das ações do PNGC com as políticas públicas que incidem na

zona costeira;

IX

- conceder o licenciamento ambiental dos empreendimentos ou atividades de impacto ambiental

de

âmbito regional ou nacional incidentes na zona costeira, em observância as normas vigentes;

X

- promover, em articulação com Estados e Municípios, a implantação de unidades de

conservação federais e apoiar a implantação das unidades de conservação estaduais e municipais

na zona costeira.

Art 13. O Poder Público Estadual, na esfera de suas competências e nas áreas de sua jurisdição, planejará e executará as atividades de gestão da zona costeira em articulação com os Municípios

e com a sociedade, cabendo-lhe:

I - designar o Coordenador para execução do PEGC;

II - elaborar, implementar, executar e acompanhar o PEGC, obedecidas a legislação federal e o

PNGC;

III - estruturar e manter o subsistema estadual de informação do gerenciamento costeiro;

IV - estruturar, implementar, executar e acompanhar os instrumentos previstos no art. 7o, bem

como os programas de monitoramento cujas informações devem ser consolidadas periodicamente

em RQA-ZC, tendo como referências o macrodiagnóstico da zona costeira, na escala da União e o

PAF;

V - promover a articulação intersetorial e interinstitucional em nível estadual, na sua área de

competência;

VI - promover o fortalecimento das entidades diretamente envolvidas no gerenciamento costeiro,

mediante apoio técnico, financeiro e metodológico;

VII - elaborar e promover a ampla divulgação do PEGC e do PNGC;

VIII - promover a estruturação de um colegiado estadual.

Art 14. O Poder Público Municipal, observadas as normas e os padrões federais e estaduais,

planejará e executará suas atividades de gestão da zona costeira em articulação com os órgãos estaduais, federais e com a sociedade, cabendo-lhe:

I - elaborar, implementar, executar e acompanhar o PMGC, observadas as diretrizes do PNGC e

do PEGC, bem como o seu detalhamento constante dos Planos de

Intervenção da orla marítima, conforme previsto no art. 25 deste Decreto;

II - estruturar o sistema municipal de informações da gestão da zona costeira;

III - estruturar, implementar e executar os programas de monitoramento;

IV - promover o fortalecimento das entidades diretamente envolvidas no gerenciamento costeiro,

mediante apoio técnico, financeiro e metodológico;

V - promover a compatibilização de seus instrumentos de ordenamento territorial com o

zoneamento estadual;

VI

- promover a estruturação de um colegiado municipal.

CAPÍTULO III DAS REGRAS DE USO E OCUPAÇÃO DA ZONA COSTEIRA Art 15. A aprovação de financiamentos com recursos da União, de fontes externas por ela avalizadas ou de entidades de crédito oficiais, bem como a concessão de benefícios fiscais e de outras formas de incentivos públicos para projetos novos ou ampliação de empreendimentos na zona costeira, que envolvam a instalação, ampliação e realocação de obras, atividades e empreendimentos, ficará condicionada à sua compatibilidade com as normas e diretrizes de planejamento territorial e ambiental do Estado e do Município, principalmente aquelas constantes dos PEGC, PMGC e do ZEEC. Parágrafo único. Os Estados que não dispuserem de ZEEC se orientarão por meio de outros instrumentos de ordenamento territorial, como zoneamentos regionais ou agrícolas, zoneamento de unidades de conservação e diagnósticos socioambientais, que permitam avaliar as condições naturais e socioeconômicas relacionadas à implantação de novos empreendimentos.

Art 16. Qualquer empreendimento na zona costeira deverá ser compatível com a infra-estrutura de saneamento e sistema viário existentes, devendo a solução técnica adotada preservar as características ambientais e a qualidade paisagística. Parágrafo único. Na hipótese de inexistência ou inacessibilidade à rede pública de coleta de lixo e de esgoto sanitário na área do empreendimento, o empreendedor apresentará solução autônoma para análise do órgão ambiental, compatível com as características físicas e ambientais da área. Art 17. A área a ser desmatada para instalação, ampliação ou realocação de empreendimentos ou atividades na zona costeira que implicar a supressão de vegetação nativa, quando permitido em lei, será compensada por averbação de, no mínimo, uma área equivalente, na mesma zona afetada.

1º A área escolhida para efeito de compensação poderá se situar em zona diferente da afetada,

desde que na mesma unidade geoambiental, mediante aprovação do órgão ambiental.

2º A área averbada como compensação poderá ser submetida a plano de manejo, desde que não

altere a sua característica ecológica e sua qualidade paisagística. Art 18. A instalação de equipamentos e o uso de veículos automotores, em dunas móveis, ficarão sujeitos ao prévio licenciamento ambiental, que deverá considerar os efeitos dessas obras ou atividades sobre a dinâmica do sistema dunar, bem como à autorização da Secretaria do Patrimônio da União do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão quanto à utilização da área de bem de uso comum do povo. Art 19. A implantação de recifes artificiais na zona costeira observará a legislação ambiental e será objeto de norma específica. Art 20. Os bancos de moluscos e formações coralíneas e rochosas na zona costeira serão identificados e delimitados, para efeito de proteção, pelo órgão ambiental.

Parágrafo único. Os critérios de delimitação das áreas de que trata o caput deste artigo serão objeto de norma específica. Art 21. As praias são bens públicos de uso comum do povo, sendo assegurado, sempre, livre e franco acesso a elas e ao mar, em qualquer direção e sentido, ressalvados os trechos

considerados de interesse da segurança nacional ou incluídos em áreas protegidas por legislação específica.

1º O Poder Público Municipal, em conjunto com o órgão ambiental, assegurará no âmbito do

planejamento urbano, o acesso às praias e ao mar, ressalvadas as áreas de segurança nacional

ou áreas protegidas por legislação específica, considerando os seguintes critérios:

I - nas áreas a serem loteadas, o projeto do loteamento identificará os locais de acesso à praia, conforme competências dispostas nos instrumentos normativos estaduais ou municipais; II - nas áreas já ocupadas por loteamentos à beira mar, sem acesso à praia, o Poder Público Municipal, em conjunto com o órgão ambiental, definirá as áreas de servidão de passagem, responsabilizando-se por sua implantação, no prazo máximo de dois anos, contados a partir da publicação deste Decreto; e

III - nos imóveis rurais, condomínios e quaisquer outros empreendimentos à beira mar, o

proprietário será notificado pelo Poder Público Municipal, para prover os acessos à praia, com

prazo determinado, segundo condições estabelecidas em conjunto com o órgão ambiental.

A Secretaria do Patrimônio da União, o órgão ambiental e o Poder Público Municipal decidirão

os

casos omissos neste Decreto, com base na legislação vigente.

As áreas de domínio da União abrangidas por servidão de passagem ou vias de acesso às

praias e ao mar serão objeto de cessão de uso em favor do Município correspondente.

4º As providências descritas no § 1º não impedem a aplicação das sanções civis, administrativas e

penais previstas em lei. CAPÍTULO IV

DOS LIMITES, OBJETIVOS, INSTRUMENTOS E COMPETÊNCIAS PARA GESTÃO DA ORLA

MARÍTIMA

Seção I Dos Limites Art 22. Orla marítima é a faixa contida na zona costeira, de largura variável, compreendendo uma porção marítima e outra terrestre, caracterizada pela interface entre a terra e o mar. Art 23. Os limites da orla marítima ficam estabelecidos de acordo com os seguintes critérios:

I - marítimo: isóbata de dez metros, profundidade na qual a ação das ondas passa a sofrer

influência da variabilidade topográfica do fundo marinho, promovendo o transporte de sedimentos;

II - terrestre: cinqüenta metros em áreas urbanizadas ou duzentos metros em áreas não

urbanizadas, demarcados na direção do continente a partir da linha de preamar ou do limite final

de ecossistemas, tais como as caracterizadas por feições de praias, dunas, áreas de escarpas,

falésias, costões rochosos, restingas, manguezais, marismas, lagunas, estuários, canais ou braços

de mar, quando existentes, onde estão situados os terrenos de marinha e seus acrescidos.

1º Na faixa terrestre será observada, complementarmente, a ocorrência de aspectos geomorfológicos, os quais implicam o seguinte detalhamento dos critérios de delimitação:

I - falésias sedimentares: cinqüenta metros a partir da sua borda, em direção ao continente;

II - lagunas e lagoas costeiras: limite de cinqüenta metros contados a partir do limite da praia, da linha de preamar ou do limite superior da margem, em direção ao continente;

III - estuários: cinqüenta metros contados na direção do continente, a partir do limite da praia ou da

borda superior da duna frontal, em ambas as margens e ao longo delas, até onde a penetração da

água do mar seja identificada pela presença de salinidade, no valor mínimo de 0,5 partes por mil;

IV - falésias ou costões rochosos: limite a ser definido pelo plano diretor do

Município, estabelecendo uma faixa de segurança até pelo menos um metro de altura acima do limite máximo da ação de ondas de tempestade;

V - áreas inundáveis: limite definido pela cota mínima de um metro de altura acima do limite da

área alcançada pela preamar;

VI - áreas sujeitas à erosão: substratos sedimentares como falésias, cordões litorâneos, cabos ou

pontais, com larguras inferiores a cento e cinqüenta metros, bem como áreas próximas a desembocaduras fluviais, que correspondam a estruturas de alta instabilidade, podendo requerer estudos específicos para definição da extensão da faixa terrestre da orla marítima.

2º Os limites estabelecidos para a orla marítima, definidos nos incisos I e II do caput deste artigo,

poderão ser alterados, sempre que justificado, a partir de pelo menos uma das seguintes

situações:

I - dados que indiquem tendência erosiva, com base em taxas anuais, expressas em períodos de

dez anos, capazes de ultrapassar a largura da faixa proposta;

II - concentração de usos e de conflitos de usos relacionados aos recursos ambientais existentes

na

orla marítima;

III

- tendência de avanço da linha de costa em direção ao mar, expressa em taxas anuais; e

IV

- trecho de orla abrigada cujo gradiente de profundidade seja inferior à profundidade de dez

metros. Seção II Dos Objetivos Art 24. A gestão da orla marítima terá como objetivo planejar e implementar ações nas áreas que

apresentem maior demanda por intervenções na zona costeira, a fim de disciplinar o uso e ocupação do território. Seção III Dos Instrumentos

Art 25. Para a gestão da orla marítima será elaborado o Plano de Intervenção, com base no reconhecimento das características naturais, nos tipos de uso e ocupação existentes e projetados,

contemplando:

I - caracterização socioambiental: diagnóstico dos atributos naturais e paisagísticos, formas de uso

e ocupação existentes, com avaliação das principais atividades e potencialidades

socioeconômicas;

II - classificação: análise integrada dos atributos naturais com as tendências de uso, de ocupação ou preservação, conduzindo ao enquadramento em classes genéricas e à construção de cenários compatíveis com o padrão de qualidade da classe a ser alcançada ou mantida;

III - estabelecimento de diretrizes para intervenção: definição do conjunto de ações articuladas,

elaboradas de forma participativa, a partir da construção de cenários prospectivos de uso e ocupação, podendo ter caráter normativo, gerencial ou executivo. Parágrafo único. O Plano de Intervenção de que trata o caput será elaborado em conformidade

com o planejamento federal, estadual e municipal da zona costeira.

Art 26. Para a caracterização socioambiental, classificação e planejamento da gestão, a orla marítima será enquadrada segundo aspectos físicos e processos de uso e ocupação predominantes, de acordo com as seguintes tipologias:

I - abrigada não urbanizada: ambiente protegido da ação direta das ondas, ventos e correntes, com baixíssima ocupação, paisagens com alto grau de originalidade natural e baixo potencial de

poluição;

II - semi-abrigada não urbanizada: ambiente parcialmente protegido da ação direta das ondas,

ventos e correntes, com baixíssima ocupação, paisagens com alto grau de originalidade natural e baixo potencial de poluição;

III - exposta não urbanizada: ambiente sujeito à alta energia de ondas, ventos e correntes com

baixíssima ocupação, paisagens com alto grau de originalidade natural e baixo potencial de

poluição;

IV

- de interesse especial em áreas não urbanizadas: ambientes com ocorrência de áreas militares,

de

tráfego aquaviário, com instalações portuárias, com instalações geradoras de energia, de

unidades de conservação, tombados, de reservas indígenas, de comunidades tradicionais ou remanescentes de quilombos, cercados por áreas de baixa ocupação, com características de orla

exposta, semi-abrigada ou abrigada;

V - abrigada em processo de urbanização: ambiente protegido da ação direta das ondas, ventos e

correntes, com baixo a médio adensamento de construções e população residente, com indícios de ocupação recente, paisagens parcialmente modificadas pela atividade humana e médio potencial

de

poluição;

VI

- semi-abrigada em processo de urbanização: ambiente parcialmente protegido da ação direta

das ondas, ventos e correntes, com baixo a médio adensamento de construções e população

residente, com indícios de ocupação recente, paisagens parcialmente modificadas pela atividade humana e médio potencial de poluição;

VII - exposta em processo de urbanização: ambiente sujeito à alta energia de ondas, ventos e

correntes com baixo a médio adensamento de construções e população residente, com indícios de

ocupação recente, paisagens parcialmente modificadas pela atividade humana e médio potencial

de

poluição;

VIII

- de interesse especial em áreas em processo de urbanização: ambientes com ocorrência de

áreas militares, de tráfego aquaviário, com instalações portuárias, com instalações geradoras de

energia, de unidades de conservação, tombados, de reservas indígenas, de comunidades

tradicionais ou remanescentes de quilombos, cercados por áreas de baixo a médio adensamento

de construções e população residente, com características de orla exposta, semi-abrigada ou

abrigada;

IX

- abrigada com urbanização consolidada: ambiente protegido da ação direta das ondas, ventos

e

correntes, com médio a alto adensamento de construções e população residente, paisagens

modificadas pela atividade humana, multiplicidade de usos e alto potencial de poluição sanitária, estética e visual;

X - semi-abrigada com urbanização consolidada: ambiente parcialmente protegido da ação direta

das ondas, ventos e correntes, com médio a alto adensamento de construções e população residente, paisagens modificadas pela atividade humana, multiplicidade de usos e alto potencial de

poluição sanitária, estética e visual;

XI - exposta com urbanização consolidada: ambiente sujeito a alta energia de ondas, ventos e

correntes, com médio a alto adensamento de construções e população residente, paisagens modificadas pela atividade humana, multiplicidade de usos e alto potencial de poluição sanitária, estética e visual;

XII - de interesse especial em áreas com urbanização consolidada: ambientes com ocorrência de

áreas militares, de tráfego aquaviário, com instalações portuárias, com instalações geradoras e transmissoras de energia, de unidades de conservação, tombados, de reservas indígenas, de comunidades tradicionais ou remanescentes de quilombos, cercados por áreas de médio a alto adensamento de construções e população residente, com características de orla exposta, semi- abrigada ou abrigada. Art 27. Para efeito da classificação mencionada no inciso II do art. 25, os trechos da orla marítima serão enquadrados nas seguintes classes genéricas:

I - classe A: trecho da orla marítima com atividades compatíveis com a preservação e conservação das características e funções naturais, possuindo correlação com os tipos que apresentam baixíssima ocupação, com paisagens com alto grau de conservação e baixo potencial de poluição;

II - classe B: trecho da orla marítima com atividades compatíveis com a conservação da qualidade

ambiental ou baixo potencial de impacto, possuindo correlação com os tipos que apresentam baixo

a médio adensamento de construções e população residente, com indícios de ocupação recente, paisagens parcialmente modificadas pela atividade humana e médio potencial de poluição;

III - classe C: trecho da orla marítima com atividades pouco exigentes quanto aos padrões de

qualidade ou compatíveis com um maior potencial impactante, possuindo correlação com os tipos

que apresentam médio a alto adensamento de construções e população residente, com paisagens modificadas pela atividade humana, multiplicidade de usos e alto potencial de poluição sanitária, estética e visual. Art 28. Para as classes mencionadas no art. 27 serão consideradas as estratégias de ação e as formas de uso e ocupação do território, a seguir indicadas:

I - classe A: estratégia de ação preventiva, relativa às seguintes formas de uso e ocupação:

a) unidades de conservação, em conformidade com o Sistema Nacional de

Unidades de Conservação da Natureza - SNUC, predominando as categorias de proteção integral;

b) pesquisa científica;

c) residencial e comercial local em pequenas vilas ou localidades isoladas;

d) turismo e lazer sustentáveis, representados por complexos ecoturísticos isolados em meio a

áreas predominantemente nativas;

e) residencial e lazer em chácaras ou em parcelamentos ambientalmente planejados, acima de

cinco mil metros quadrados;

f) rural, representado por sítios, fazendas e demais propriedades agrícolas ou extrativistas;

g) militar, com instalações isoladas;

h) manejo sustentável de recursos naturais;

II - classe B: estratégia de ação de controle relativa às formas de uso e ocupação constantes da classe A, e também às seguintes:

a) unidades de conservação, em conformidade com o SNUC, predominando as categorias de uso

sustentável;

b) aqüicultura;

c) residencial e comercial, inclusive por populações tradicionais, que contenham menos de

cinqüenta por cento do seu total com vegetação nativa conservada;

d)

residencial e comercial, na forma de loteamentos ou balneários horizontais ou mistos;

e)

industrial, relacionada ao beneficiamento de recursos pesqueiros, à construção e reparo naval

de

apoio ao turismo náutico e à construção civil;

f) militar;

g) portuário pesqueiro, com atracadouros ou terminais isolados, estruturas náuticas de apoio à

atividade turística e lazer náutico; e

h)

turismo e lazer;

III

- classe C: estratégia de ação corretiva, relativa às formas de uso e ocupação constantes da

classe B, e também às seguintes:

a) todos os usos urbanos, habitacionais, comerciais, serviços e industriais de apoio ao desenvolvimento urbano;

b) exclusivamente industrial, representado por distritos ou complexos industriais;

c) industrial e diversificado, representado por distritos ou complexos industriais;

d) militar, representado por complexos militares;

e) exclusivamente portuário, com terminais e marinas;

f) portuário, com terminais e atividades industriais;

g) portuário, com terminais isolados, marinas e atividades diversas (comércio, indústria, habitação

e serviços); e

h) turismo e lazer, representado por complexos turísticos.

Art 29. Para execução das ações de gestão na orla marítima em áreas de domínio da União, poderão ser celebrados convênios ou contratos entre a Secretaria do Patrimônio da União e os Municípios, nos termos da legislação vigente, considerando como requisito o Plano de Intervenção

da orla marítima e suas diretrizes para o trecho considerado. Seção IV Das Competências Art 30. Compete ao Ministério do Meio Ambiente, em articulação com o IBAMA e os órgãos estaduais de meio ambiente, por intermédio da Coordenação do PEGC, preparar e manter atualizados os fundamentos técnicos e normativos para a gestão da orla marítima, provendo meios para capacitação e assistência aos Municípios. Art 31. Compete aos órgãos estaduais de meio ambiente, em articulação com as Gerências Regionais de Patrimônio da União, disponibilizar informações e acompanhar as ações de capacitação e assistência técnica às prefeituras e gestores locais, para estruturação e implementação do Plano de Intervenção. Art 32. Compete ao Poder Público Municipal elaborar e executar o Plano de Intervenção da Orla Marítima de modo participativo com o colegiado municipal, órgãos, instituições e organizações da sociedade interessados. CAPÍTULO V DAS REGRAS DE USO E OCUPAÇÃO DA ORLA MARÍTIMA Art 33. As obras e serviços de interesse público somente poderão ser realizados ou implantados em área da orla marítima, quando compatíveis com o ZEEC ou outros instrumentos similares de ordenamento do uso do território. Art 34. Em áreas não contempladas por Plano de Intervenção, o órgão ambiental requisitará estudos que permitam a caracterização e classificação da orla marítima para o licenciamento ambiental de empreendimentos ou atividades. CAPÍTULO VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E COMPLEMENTARES

Art 35. Para efeito de integração da gestão da zona costeira e da orla marítima, os estudos e diretrizes concernentes ao ZEEC serão compatibilizados com o enquadramento e respectivas estratégias de gestão da orla, conforme disposto nos Anexos I e II e nas seguintes correlações:

I - as zonas 1 e 2 do ZEEC têm equivalência de características com a classe A de orla marítima; II - as zonas 3 e 4 do ZEEC têm equivalência de características com a classe B de orla marítima; III - a zona 5 do ZEEC tem equivalência de características com a classe C de orla marítima. Parágrafo único. Os Estados que não utilizaram a mesma orientação para o estabelecimento de zonas, deverão compatibilizá-la com as características apresentadas nos referidos anexos. Art 36. As normas e disposições estabelecidas neste Decreto para a gestão da orla marítima aplicam-se às ilhas costeiras e oceânicas. Parágrafo único. No caso de ilhas sob jurisdição estadual ou federal, as disposições deste Decreto serão aplicadas pelos respectivos órgãos competentes. CAPÍTULO VII DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Art 37. Compete ao Ministério do Meio Ambiente, em articulação com o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR e a Secretaria do Patrimônio da União, desenvolver, atualizar e divulgar o roteiro para elaboração do Plano de Intervenção da orla marítima. Art 38. Compete ao Ministério do Meio Ambiente, em articulação com o IBAMA, definir a metodologia e propor ao CONAMA normas para padronização dos procedimentos de monitoramento, tratamento, análise e sistematização dos dados para elaboração do RQA-ZC, no prazo de trezentos e sessenta dias a partir da data de publicação deste Decreto. Art 39. Compete ao Ministério do Meio Ambiente, em articulação com o IBAMA, elaborar e encaminhar ao CONAMA proposta de resolução para regulamentação da implantação de recifes artificiais na zona costeira, no prazo de trezentos e sessenta dias a partir da data de publicação deste Decreto. Art 40. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 7 de dezembro de 2004; 183º da Independência e 116º da República. LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA José Alencar Gomes da Silva Nelson Machado Marina Silva Walfrido Silvino dos Mares Guia