- O Paco de Lucia disse, em uma reportagem, que as unhas são a parte mais importante do
corpo do violonista, daí o imenso cuidado que ele tem com elas...
- Para mim, a parte mais importante é o corpo todo. A saúde integral do artista, do ser humano,
vem primeiro. É prioritária a qualquer aspecto técnico do fazer música.
...
O inocente e aparentemente corriqueiro diálogo acima foi o ponto crucial que iniciou uma das mais
intensas buscas pelo conhecimento e pelo auto-aperfeiçoamento da minha carreira artística. Sempre
curioso e atento ao que acontece no universo musical, especialmente na galáxia maravilhosa do
violão, era com a excitação dos pioneiros que eu descobria um dos mais promissores avanços da
técnica: o uso de unhas artificiais.
Recentemente (c. 1998), assistindo a uma entrevista televisiva do concertista Fabio Zanon, fiquei
surpreso com o detalhe – o entrevistador perguntava ao concertista porque suas unhas pareciam
diferentes. E o virtuose esclarecia, com a naturalidade dos grandes, que se tratava de unhas
artificiais, coladas às unhas naturais, para reforço. E que resultava em melhor projeção de som, mais
segurança para o intérprete e menos desgaste durante a longa prática de estudos e peças.
Imediatamente adquiri o produto para experimentar a novidade, visto que a curiosidade é uma das
minhas principais características. Foi como a descoberta do fogo, senti-me como o primata selvagem
do filme do Stanley Kubrick – "2001 – Uma Odisséia no Espaço" – que, após tocar o misterioso
monolito, teve um salto quântico evolucional. Que sonoridade! Que segurança aquilo proporcionava!
Descobri-me tocando horas sem fim, numa espécie de febre, de desabafo, de ânsia não satisfeita por
longos anos e agora finalmente saciada. As unhas finalmente tinham a forma apropriada, o
comprimento, a espessura e resistência ideais, enfim, o paraíso dos contos de fada.
Em um ou dois dias, a unha sintética finalmente se soltou. Aparentemente, a única e pequena gota
do adesivo instantâneo (sugerida pelo fabricante do produto) poderia ser o suficiente para uma garota
atingir o efeito estético desejado, mas definitivamente não era o bastante para a intensa solicitação
que um violonista poderia fazer. Com todo o cuidado para que o excesso de cola não atingisse a pele
dos dedos, consegui uma perfeita adesão da unha sintética por toda a superfície de minhas unhas
naturais. O processo todo acabou por se repetir algumas vezes nos próximos dias. Bastava a unha
sintética se soltar para que a nova camada de cola fosse aplicada. Por fim, minhas unhas naturais
tinham sido reduzidas a uma fina e quebradiça película. Pensei que o constante descolar da unha
sintética provavelmente fosse a causa, e passei a utilizar um produto químico especial disponível no
mercado, que dissolvia as unhas artificiais sem arrancá-las das naturais. Agora, a fina película
acabou perdendo qualquer rigidez, tornando-se mole como uma folha de gelatina.
O que estaria acontecendo? Onde eu estaria errando? Qual seria a minha falha? O que mais eu
poderia fazer? Parei de usar as unhas sintéticas, e resolvi esperar que minhas unhas naturais
crescessem novamente. Tudo parecia estar indo bem: as novas unhas ainda tinham a curvatura
perfeita das sintéticas, e eram ainda mais espessas e resistentes. Um estranho ponto branco surgiu
por debaixo da unha do meu dedo indicador da mão direita. E finalmente compreendi porque as
novas unhas estavam mais espessas: era uma hiperqueratose – uma produção excessiva do
material componente das unhas, em resposta ao fungo que estava se desenvolvendo sob a unha...
Por sorte, minha esposa é uma excelente médica, e cuidou excepcionalmente bem de minhas
unhas, restaurando a saúde original perdida pela minha "angst" de artista.
...
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Certo dia, comprei em uma banca de jornal uma revista sobre CDs de música erudita. Um dos
artigos falava sobre a gravadora EGTA, com maravilhosos lançamentos que enriqueceriam minha
coleção de gravações de violão erudito. Muito entusiasmado, liguei para o número de telefone
publicado para pedir um exemplar de cada título diferente. Quem atendeu foi – nada mais, nada
menos que – o próprio Everton Gloeden.
Como um violonista com Curso Superior em Música – eu havia me formado Bacharel em Violão
aproximadamente uma década antes (1989 – Faculdade de Música Carlos Gomes
http://www.fmcg.com.br ) – eu sabia muito bem com quem estava falando, embora não o conhecesse
pessoalmente. Minha admiração pelo Everton (e pelo seu irmão Edelton) vinha desde meus anos
como estudante de música pré-universitário. Era muito famosa, entre os estudantes de violão erudito
que aspiravam à carreira de concertista, a sua gravação da obra integral de Bach para alaúde – mais
ou menos o equivalente para os violonistas do que seria o estudo e a gravação integral de "O Cravo
Bem Temperado" para os pianistas.
Muito feliz por conhecer alguém a quem admirava há muitos anos, além de adquirir maravilhosas
gravações para a minha coleção, passei a ter aulas com uma das personalidades mais cativantes que
já encontrei na vida.
Estudei com vários dos melhores professores e artistas disponíveis na cidade de São Paulo –
minha cidade natal que nunca deixei por mais de um mês (até o ano 2000) – mas me surpreendi com
a assombrosa qualidade dos ensinamentos que recebi do Everton.
Foi com ele que tive o diálogo com o qual iniciei o texto. O que aprendi com ele era tão
revolucionário quando comparado à técnica que eu possuía, que tive a necessidade interior de parar
tudo o que já tinha feito e humildemente "recomeçar do zero". Foi muito comum para mim, enquanto
estudante universitário de música, observar alunos de canto lírico trocarem de professor(a) e
reiniciarem os estudos de técnica respiratória e de vocalização do zero, do início absoluto, para
corrigirem vícios técnicos e aperfeiçoarem o timbre e sua capacidade de interpretação artística.
Portanto, foi muito natural que eu fizesse o mesmo – não porque o professor assim o indicasse, mas
porque minha experiência o exigia como atitude coerente de quem busca objetivos com a mais
profunda sinceridade de seu coração.
Na primeira aula reparei que o Everton usava um tipo diferente de unha sintética: as chamadas
"unhas de porcelana", que são feitas de uma resina especial, moldada a partir de um pó sobre as
unhas naturais. Ele explicou que este tipo de unha deveria ser aplicado por uma manicure experiente
que renovasse a aplicação a cada quinze dias. Passei então a procurar o produto em lojas de
cosméticos e também alguma boa manicure.
Minha esposa, então, como a médica conscienciosa que é e como alguém que realmente se
importa, me passou um carinhoso porém determinado "pito". E recomendou que estudasse de novo
certos aspectos do meu curso médico (que eu andava negligenciando profundamente durante o
processo emocional de negação do conhecimento clínico e científico, face à maravilhosa perspectiva
de ter unhas perfeitas).
Uma simples e rápida consulta a um Atlas de Dermatologia de minha biblioteca médica pessoal foi
o suficiente para que eu começasse uma campanha contra o uso das unhas sintéticas. Principiei
discretamente desaconselhando o uso das unhas sintéticas em um fórum sobre violão erudito na
Internet. De fato, elas não foram criadas para o uso constante, e o fabricante recomenda nunca usá-
las por mais de 48 horas seguidas. Muitos já haviam testado as unhas sintéticas e chegado às
mesmas conclusões. No entanto, muitos jovens estudantes tiveram reações negativas muito intensas,
pois se sentiram ameaçados em suas crenças e convicções pessoais, na onipotência própria da
juventude.
E eis que o próprio Fabio Zanon, um colaborador constante deste fórum, relatou que usava as
unhas há muitos anos, e que desejava saber mais profundamente sobre a razão dos argumentos que
eu apresentava.
Como residia, na época, grande parte do ano em Londres, onde era Mestre no King's College –
admirado como grande conhecedor e intérprete das obras de Villa-Lobos – Zanon combinou um
encontro em sua residência em uma de suas estadas no torrão natal. Durante o encontro, mostrou-se
uma pessoa incrivelmente paciente, ouvindo com diligência e muita atenção todos os pontos sobre o
assunto, checando-os no Atlas de Dermatologia que levei e fazendo muitas perguntas.
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...
Um par de semanas atrás (na primeira semana de julho de 2001), voltei a me encontrar
pessoalmente com o Everton, que já não usava mais as unhas sintéticas ("unhas de porcelana"),
ostentando unhas saudáveis e perfeitas. Num rápido e intenso diálogo, quando pediu orientações
para fortalecer as próprias unhas – que, segundo ele, são finas demais – acabou por me convencer a
redigir um artigo sério sobre a saúde das unhas, salientando a tremenda carência do meio
violonístico. De fato, poucos autores músicos se ocuparam do tema, e sempre apenas sobre técnicas
de lixamento e polimento da margem livre que produziria o som em contato com as cordas do
instrumento.
Por quatorze dias estudei entre seis e oito horas diárias, findos os quais havia estudado mais de
vinte e seis livros médicos e científicos, resultando em aproximadamente quarenta páginas
datilografadas apenas com notas pessoais para posterior referência, e algumas gravuras e fotos
selecionadas. Há material suficiente para se produzir um livro orientado exclusivamente para
violonistas (um projeto já em pauta), sendo virtualmente impossível esgotar o assunto em um único
artigo.
Porém, não poderia me apoiar na linguagem técnica tão arduamente conquistada nem nas
confortáveis formas pré-estabelecidas que determinam a redação de uma monografia voltada para a
comunidade científica. O desafio está em resumir toda a pesquisa em termos que possam ser
compreendidos por leigos, resultando em uma nova compreensão dos cuidados e conceitos
envolvidos para a preservação da saúde de suas unhas, e finalmente em um comportamento
consciente e maduro que garanta as melhores condições para uma carreira longa e sem percalços.
Tenham sempre em mente que as unhas crescem muito lentamente, e que todo tratamento de
doenças das unhas, portanto, será longo, podendo interferir seriamente com os compromissos,
prazos e oportunidades tão arduamente conquistados por artistas que lutam por um lugar ao sol num
mercado tão restrito e exigente quanto o da música instrumental – seja erudita ou não.
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Matriz da unha: é uma fina e delicada camada de células que formam a unha, à semelhança de
um bulbo capilar formador de pêlo ou cabelo. As células da matriz se dividem, migram para a raiz da
unha e, lá, diferenciam-se, e produzem a queratina da unha. A constante adição de novas células e
sua produção de queratina são responsáveis pelo crescimento da unha. Esta, à medida que vai
crescendo, "desliza" sobre o leito ungueal.
Leito ungueal: é a parte do dedo que podemos visualizar através da transparência da unha, ao
qual a unha é fortemente aderida e que é constituído por células epiteliais que são contínuas com as
camadas superiores da pele, conhecidas como estrato basal e estrato espinhoso da epiderme.
Vale da unha: é o sulco formado entre as laterais da unha e a pele do dedo.
Corpo da unha: é a unha propriamente dita, ou a sua parte aderida através da qual por
transparência visualizamos o leito ungueal.
Raiz da unha: é a porção da unha que fica incluída ("escondida") sob uma dobra da pele. As
células do leito ungueal situadas sob a raiz da unha constituem justamente outra definição da matriz
da unha.
Lúnula: é a "meia-lua" com aspecto de crescente, de tom mais claro, que é totalmente visível nas
unhas dos primeiros dedos (contados a partir do polegar) e que está totalmente coberta nas unhas
dos quintos dedos. A lúnula é descrita como um reflexo da queratinização parcial das células nessa
região.
Margem oculta: é a borda ou limite da unha onde se encontra a raiz.
Margem lateral: são as bordas ou limites laterais da unha, e que "mergulham" na pele do dedo,
formando os vales das unhas. A margem lateral é fortemente aderida sob uma dobra de pele, à
semelhança da raiz da unha.
Margem livre: é a borda ou limite externo da unha – a parte que costumamos lixar e polir segundo
as diferenças anatômicas individuais e objetivos estéticos para a produção do som.
Perioníquio: é o espessamento da epiderme na margem lateral das unhas, especialmente na
proximidade de sua margem livre.
Eponíquio: é a borda da dobra cutânea que recobre a raiz da unha – também conhecida como
cutícula.
Hiponíquio: é o espessamento da epiderme que se une à borda livre da placa ungueal, sob sua
superfície inferior, e que se nota facilmente na mão em que mantemos as unhas curtas para
pressionar as cordas do violão na escala (ou "espelho" do instrumento), facilmente perceptível assim
que as aparamos mais rentemente.
(Fonte das imagens: SOBOTTA, ATLAS DE ANATOMIA HUMANA, vol. 1, 19ª ed., Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1993, p. 254).
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CONSTITUIÇÃO DA UNHA
A unha é constituída essencialmente por escamas córneas compactas, fortemente aderidas umas
às outras, formadas com uma substância protéica chamada queratina. (Às vezes encontramos o
termo "ceratina" em algumas traduções. Embora seja uma tradução mais correta, que deriva da
mesma palavra grega que originou "cinema" – dizemos "cinema" e não "quinema" - o uso consagrou
a forma "queratina", principalmente para distingui-la do grupo das ceras).
Existem mais de vinte queratinas distintas no epitélio humano. Pelo menos oito outras queratinas,
chamadas queratinas duras, são específicas dos cabelos e das unhas. São chamadas às vezes de -
queratinas (alfa-queratinas), para diferenciá-las das queratinas encontradas nas penas das aves,
que têm uma origem evolucionária diferente e cuja estrutura molecular é totalmente diferente,
chamadas de β-queratinas (beta-queratinas).
Dependendo da seqüência de aminoácidos que formarem a molécula protéica das queratinas,
podemos ainda classificá-las em dois tipos: tipo I – queratinas ácidas, e tipo II – queratinas neutras
ou básicas. A estrutura molecular das queratinas é sempre na forma de um filamento simples – o que
a diferencia estruturalmente das estruturas de colágeno – uma importante proteína presente em
praticamente todos os tecidos do corpo humano, e cuja estrutura é semelhante à da molécula de DNA
(porém com três filamentos ao invés de dois).
Constatamos pela experiência pessoal que a maioria dos violonistas brasileiros acredita que a
unha seja feita de colágeno, existindo mesmo aqueles que – vítimas de uma mentalidade mágica –
aderem a estranhas dietas, baseadas em alimentos "ricos em colágeno", para "fortalecer as unhas".
Todo alimento protéico, durante o processo digestivo, é degradado em seus aminoácidos
constituintes. Desta forma, se um indivíduo consumisse "colágeno puro", em hipótese alguma este
"colágeno" permaneceria intacto ou seria assimilado como tal pelas unhas. Os aminoácidos da dieta
poderão ser utilizados pelo organismo na síntese de novas moléculas de colágeno (entre outras), mas
nunca prioritariamente para "fortalecer" as unhas. O organismo utilizaria o alimento segundo suas
próprias necessidades e prioridades metabólicas, e dificilmente a síntese de unhas seria uma
necessidade premente. Tudo o que ingerimos na dieta será "espalhado" pelo corpo todo – podendo
ser encontrados vestígios nas unhas, fato que determina a importância dada ao estudo delas pela
Medicina Legal. São famosos os casos de homicídio por envenenamento descobertos pelo estudo de
resíduos toxicológicos nas unhas das vítimas.
A queratina é rica em enxofre (cerca de 14%), devido às ligações cruzadas do tipo ponte dissulfeto
presentes nas extremidades de suas moléculas, as quais são responsáveis pela insolubilidade desta
proteína. O enxofre é o composto químico responsável pelo cheiro característico que sentimos
quando queimamos unhas ou cabelos. A queratina é, assim, a principal responsável pela
impermeabilidade da pele. No entanto, a unha tem uma estrutura porosa, o que permite a natural e
regular troca de umidade e gases com o meio ambiente. A unha pode, portanto, ficar hiper-hidratada
e amolecida (quando em contato prolongado com a umidade), ou ressecada e quebradiça quando por
um motivo qualquer sofrer desidratação (ou quando for coberta por uma película química
impermeabilizante). Existem queratinas características de células epiteliais em atividade proliferativa -
estas queratinas específicas são muito úteis para o diagnóstico de cânceres epiteliais (carcinomas).
Em todos os organismos vivos, a síntese das proteínas ocorre a partir de um grupo de vinte
aminoácidos distintos, que são idênticos em todas as espécies. Para os seres humanos, oito
destes aminoácidos (nove para o bebê) são essenciais: uma vez que não são sintetizados pelo
organismo, devem ser obtidos através da alimentação. A má nutrição irá causar uma insuficiência
na disponibilidade de aminoácidos, o que poderá ter sérias implicações na saúde do organismo, tais
como severas deficiências na síntese das proteínas constituintes dos órgãos, produção insuficiente
de hormônios, comprometimento grave do sistema imunológico, prejuízo do crescimento e
desenvolvimento das crianças e jovens, e uma infinidade de outras complicações graves. A outra
importante causa de deficiências na síntese protéica é a informação genética herdada dos pais: a
incrível flexibilidade da coluna de acrobatas contorcionistas não se deve a um treinamento físico, e
sim a uma doença genética conhecida genericamente como colagenose.
Além de fornecer os aminoácidos que constituirão as proteínas do corpo, a dieta também deve
suprir o organismo com vitaminas, que são essenciais no metabolismo da síntese protéica. Por
exemplo, a hidroxilação é uma atividade bioquímica importante para a formação de moléculas de
colágeno. A importância da hidroxilação do colágeno torna-se evidente no escorbuto. Todos sabemos
que o escorbuto é causado por uma deficiência dietética de ácido ascórbico (vitamina C). Os primatas
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e as cobaias perderam a capacidade de sintetizar ácido ascórbico, razão pela qual têm que adquiri-lo
da dieta. Há uma maneira bastante prática para se entender e visualizar o processo: qualquer
indivíduo com noções elementares de culinária sabe que se usa sumo de limão para evitar que frutas
(maçã, banana, abacate) e verduras (alcachofra) escureçam por oxidação. O sumo do limão é,
portanto, um antioxidante. O exemplo mais comum de oxidação é a ferrugem. Existe uma enzima
importante na síntese do colágeno, chamada prolil hidroxilase. O ácido ascórbico é um agente redutor
(antioxidante) muito eficaz – ele mantêm a prolil hidroxilase em uma forma ativa, provavelmente por
manter seu átomo de ferro no estado ferroso, reduzido. O colágeno sintetizado na ausência de ácido
ascórbico é insuficientemente hidroxilado e, portanto, tem uma menor temperatura de fusão. Esse
colágeno anormal não pode formar fibras adequadamente, e isso causa as lesões cutâneas e a
fragilidade de vasos sanguíneos, tão destacados no escorbuto.
A dieta adequada deve, desta forma, suprir não só os aminoácidos (proteínas) e vitaminas, mas
também os chamados oligoelementos, como por exemplo os minerais já citados ferro e enxofre, além
de cobre, zinco, magnésio e muitos outros.
Distinguimos assim as doenças genéticas, onde a seqüência correta das unidades estruturais
básicas das proteínas – os aminoácidos – é modificada, alterando assim a conformação final (o
arranjo tridimensional dos átomos da molécula) e a função das proteínas, como resultado de uma
informação genética defeituosa, das doenças por dieta inadequada, onde o fornecimento dos
aminoácidos, vitaminas e oligoelementos é insuficiente para o funcionamento correto do metabolismo
das células, órgãos e tecidos do corpo.
Essenciais também para o nosso sistema imunológico, as proteínas formam uma classe especial
de macromoléculas por serem capazes de reconhecer especificamente moléculas muito diversas e
interagir com elas – esta propriedade das proteínas hoje é famosa devido às campanhas
esclarecedoras sobre AIDS (ou SIDA – Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida). O repertório de
vinte tipos de cadeias laterais (relacionadas com os vinte aminoácidos) permite que as proteínas se
enovelem em estruturas distintas e formem superfícies e fendas complementares (tipo chave-
fechadura). O poder de catálise das enzimas vem de sua capacidade de ligar substratos em
orientações precisas e de estabilizar estados de transição na produção e na quebra de ligações
químicas. Mudanças de conformação transmitidas entre locais distantes nas moléculas protéicas são
a base da capacidade das proteínas de traduzir energia e informação.
PELE E ANEXOS
A pele constitui o revestimento protetor do corpo, sendo também o seu maior órgão. Sua
constituição especial evita o dessecamento do organismo, a perda excessiva da temperatura, a
penetração de agentes patogênicos e protege contra os raios solares. Ao mesmo tempo aproveita
essa ação dos raios solares para a produção de determinadas vitaminas, como a vitamina D.
Na pele, encontram-se alguns dos anexos como: pêlos, unhas, glândulas sebáceas, sudoríparas e
mamárias, que desempenham funções específicas. Basicamente a pele apresenta duas camadas
superpostas: epiderme (externa) e derme (interna). Dependendo da região anatômica, a espessura
das camadas varia.
A epiderme é considerada como um exemplo típico de epitélio pavimentoso estratificado
queratinizado, e não só contém células implicadas na queratinização – os queratinócitos – como
também outros tipos celulares que desempenham funções diversas. Os melanócitos sintetizam a
melanina, as células de Langerhans estão relacionadas com a captação de antígenos e as células de
Merckel com terminações nervosas.
Na derme estão localizadas terminações nervosas e os anexos. A pele, além do que foi acima
mencionado, é um órgão que relaciona o organismo como um todo ao mundo exterior, por intermédio
das terminações nervosas, sendo assim também um importante fator de interação social – outro
detalhe da importância da saúde da pele. O profissional médico especializado nas doenças da pele é
o Dermatologista.
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Assim como o pêlo, a unha é formada por uma invaginação de epiderme para a derme. Desta
forma, tem origem ectodérmica – uma origem "nobre", pois o Sistema Nervoso Central (entenda-se
cérebro e medula espinhal) também se origina de uma invaginação da ectoderme.
Em média, as unhas crescem por volta de 0,1mm (um décimo de milímetro) ao dia, sendo o
crescimento mais rápido no verão do que no inverno, mais rápido nas unhas das mãos do que dos
pés, e mais rápido na mão dominante (mais rápido na mão direito nos destros, mais rápido na mão
esquerda nos canhotos).
As unhas individuais diferem ligeiramente nas velocidades de crescimento. Desta forma, em
circunstâncias normais, as unhas dos dedos das mãos (quirodáctilos) levam cerca de cinco meses
para crescer inteiramente, e as unhas dos dedos dos pés (artelhos ou pododáctilos) levam de 12 a 18
meses, razão pela qual as unhas dos dedos das mãos exigem ser cortadas mais freqüentemente.
A velocidade do crescimento das unhas é a razão pela qual o tratamento de suas doenças é
tão demorado, o que resulta em pouca adesão do paciente ao tratamento, geralmente
abandonado, o que cronifica (perpetua) as doenças das unhas.
Por isso é tão importante a compreensão da natureza e fisiologia das unhas por parte dos
violonistas. Uma parada de cinco meses para tratar unhas doentes ou seriamente danificadas pode
resultar no cancelamento de turnês, contratos de gravação, sociedades camerísticas (duos, trios,
quartetos, etc.), a perda de um ano letivo por ausência em Música de Câmara ou abstinência da
apresentação da suficiência do instrumento (peças e estudos) perante as Bancas Examinadoras das
Faculdades de Música. Pode resultar mesmo na perda da obtenção da uma Bolsa de Estudos
(graduação ou pós-graduação: Especialização, Mestrado, Doutorado) em território nacional ou no
estrangeiro – frustrando desta maneira uma carreira internacional na sua fase mais crítica –
justamente no começo.
As unhas variam no seu aspecto, forma, tamanho e resistência com a idade, não havendo
diferenças no que diz respeito ao sexo. As unhas da criança são mais finas e menores, e com a idade
tornam-se mais grossas.
tambor". Pode ter origem genética (congênita); ou decorrente de falhas da nutrição; ou em quadros
cardíacos ou de câncer. A deformação oposta é a "unha em colher" ou coiloníquia, uma expressão
de alteração metabólica em alguns casos de subnutrição global e em muitos tipos de anemia. O
"sulco de Beau" é um sulco transversal, caminhando da raiz da unha até a borda livre, e as
depressões puntiformes também podem ocorrer em afecções que comprometam a nutrição.
Freqüentemente nestes casos também ocorrem estrias esbranquiçadas ou leuconíquia (manchas de
um branco leitoso). Como a unha também cresce lateralmente e não apenas no sentido do
comprimento, mais ou menos como um leque que se abre, o uso inadequado de unhas sintéticas por
longos períodos pode impedir esta expansão lateral, causando uma invaginação da unha – ou seja,
criando uma deformidade estrutural na forma de um ou mais sulcos, aumentando o risco de
"encravamento". A deformação conseqüente a onicofagia ("comer unha" ou "roer unha") adquire
diversas formas, e exprime a insegurança, o sentimento de inferioridade, a ansiedade excessiva,
enfim, a angústia constante principalmente presente em crianças e nos jovens. A ausência de uma
unha congênita (ou anoníquia) corresponde à falta de elementos genéticos da matriz ungueal.
c) resistência e espessura: a resistência e a espessura são variáveis com a idade, menores na
infância e na velhice, e mais consistentes na idade adulta. As alterações da resistência e espessura
são a paquiníquia (unha grossa), a escleroníquia (unha dura), a onicogripose (unha grossa e
encurvada no sentido longitudinal), a onicorrexis (unha excessivamente frágil e mole), a helconíxia
(destruição da unha deixando à vista o leito ungueal), a onicocauxis (deslocamento da unha a partir
da matriz e por debaixo cresce nova unha que expulsa a antiga) e a coloníquia (adelgaçamento das
unhas). Alguns violonistas acreditam que podem corrigir curvaturas indesejadas aplicando
repetidamente uma certa pressão na borda livre da unha. A prática mostra que não se obterá o efeito
desejado, podendo mesmo se criar deformidades pela manipulação obsessiva (tiques nervosos). O
constante flexionamento da margem livre irá causar a fadiga da estrutura: do mesmo modo que um
pedaço de arame (como um clipe de papel) que irá se romper se for repetidamente entortado no
mesmo ponto, a unha se tornará frágil e propensa a se quebrar ou rasgar. Muitos acreditam que há
vantagem em se colar reforços ou pequenas tiras de esparadrapo na margem livre da unha durante
as longas horas de estudo. É uma ilusão: o tira-e-põe destes "reforços" irá arrancar camadas da
estrutura escamosa da unha, tornando-a fina e quebradiça na parte que mais sofre com o atrito das
cordas. Geralmente não se percebe esta perda de camadas até que o dano seja extenso. O mesmo
se dá quando se utilizam esmaltes com reforço de fibras: estes produtos cosméticos não foram
desenvolvidos para o uso que o violonista faz - técnicas de rasgueado raspam o esmalte, o músico
passa mais um pouco do produto, o resultado é sempre uma maçaroca de camadas diferentes – e o
músico acaba por arrancar mecanicamente o esmalte todo ou recorrendo a solventes como a
acetona, que fragiliza e amolece as unhas. Então o desespero faz com que se apele para
fortalecedores de unha tipo "casco de cavalo": o formaldeído (cancerígeno) e os álcoois destes
produtos realmente enrijece as unhas, porém causam severa desidratação (daí a necessidade de
glicerinas nas fórmulas) e a excessiva rigidez aumenta o risco de quebras ou rasgos. A unha
traumatizada, mais fina, é muito mais suscetível a todos os tipos de doenças, desde infecções
(fungos, bactérias, etc.) até o descolamento do leito ungueal ou um rasgo com hemorragia. Note-se
que a definição clínica de onicólise (destruição da unha) é justamente o descolamento da placa
ungueal de seu leito. Intérpretes de certos estilos musicais, como o "blues", estão sujeitos a este tipo
de traumatismo por forçarem demais um "bend" (técnica de esticar uma corda com a ponta do dedo,
alterando a altura da nota digitada – tipicamente na chamada "blue note"). Neste caso, deve-se
imediatamente manter a unha pressionada contra o leito, com o uso de um curativo tipo bandeide –
obviamente sem permitir que o adesivo entre em contato com a unha, não só para evitar a
descamação, mas também para não arrancar de novo a unha de seu leito. Recomenda-se uma
consulta o quanto antes com um médico, para evitar que a unha deixe de aderir ao leito – um quadro
que pode se tornar irreversível. Geralmente, as alterações de resistência e espessura são
dependentes dos processos inflamatórios de diversas etiologias: micoses, infecções purulentas por
diversas bactérias, sífilis, etc.
d) cutícula: a cutícula normal é um prolongamento da pele da extremidade dos dedos, de
espessura mais fina, e aderente à borda proximal da unha, tendo função protetora desta última. É
ricamente vascularizada, e pela diminuição da espessura é mais sensível à dor. A cutícula pode se
inflamar, constituindo, pela infecção estreptocócica, o panarício ungueal, que poderá ser parcial ou
total. Outras infecções comuns são as micóticas por epidermofíceas, muito comuns em lavradores e
domésticas, principalmente pela umidade quase permanente, constituindo o "habitat" preferido para
as epidermofíceas se desenvolverem.
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CONCLUSÃO
A arte musical não está nas suas unhas, e sim no seu coração – adapte a
técnica para o tipo de unhas que você tem.
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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
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Guanabara Koogan S.A., Rio de Janeiro, 1979.
RAMOS JR., J. SEMIOTÉCNICA DA OBSERVAÇÃO CLÍNICA, reimpressão da 7a. edição, Sarvier Editora de Livros Médicos
Ltda., São Paulo, 1995.
Vários autores. CLÍNICA MÉDICA – PROPEDÊUTICA E FISIOPATOLOGIA, editoria de Marcello
MARCONDES, Duílio Ramos SUSTOVICH e Oswaldo Luiz RAMOS. 3a. edição, Editora Guanabara Koogan S.A., Rio de
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