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Sindicato Patronal do Comércio de Contagem e Ibirité

Quebra de Caixa

QUEBRA DE CAIXA

Quebra de caixa é a verba destinada a cobrir os riscos assumidos pelo empregado


que lida com manuseio constante de numerário.

Usualmente, é paga aos caixas de banco, de supermercados, agências lotéricas,


etc.

OBRIGATORIEDADE

Não há, na legislação, obrigatoriedade de pagamento do "Adicional de Quebra de


Caixa".

Porém, é comum que os Acordos ou Convenções Coletivas de Trabalho fixem tal


obrigatoriedade, em relação àqueles empregados sujeitos ao risco de erros de
contagem ou enganos relativos à transações de valores monetários.

Há empresas que adotam tal verba, em função de Regulamento Interno, ou,


simplesmente, pagam-na por mera liberalidade.

VALORES

O adicional é fixado em função do documento coletivo entre sindicato e empresas.

Observe-se que o Precedente Normativo do TST n.º 103 dispõe que sobre a
Gratificação de Caixa é de 10% sobre o salário do trabalhador que exerce a
função de caixa permanentemente, nestes termos:

"Precedente Normativo n.º 103 - Gratificação de caixa (positivo) - Concede-se ao


empregado que exercer permanentemente a função de caixa a gratificação de 10%
sobre seu salário, excluídos do cálculo adicionais, acréscimos e vantagens
pessoais."

Exemplo

Empregado com salário mensal de R$1.200,00, recebe quebra de caixa de 10%:

Quebra de caixa = salário x 10%


Quebra de caixa = R$1.200,00 x 10%
Quebra de caixa = R$120,00

INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO

A tendência jurisprudencial é no sentido de que se a verba de quebra de caixa é


paga com regularidade, independentemente de ter havido perda de numerário ou
não, este valor integra a remuneração para todos os efeitos legais. Entretanto,
terá caráter de ressarcimento e não de salário, se o pagamento for feito apenas
quando ocorrer o prejuízo.

Para os empregados que exerçam funções semelhantes às dos bancários deve ser
observado o disposto no Enunciado TST n.º 247, adiante reproduzido:
TST Enunciado n.º 247: "A parcela paga aos bancários sob a denominação
quebra-de-caixa possui natureza salarial, integrando o salário do prestador dos
serviços, para todos os efeitos legais."
Portanto, se pago com habitualidade, sem depender da ocorrência de prejuízo, o
adicional de quebra de caixa tem natureza salarial, devendo constar nas verbas
trabalhistas, como férias, 13º salário, verbas rescisórias etc.

HORAS EXTRAS E ADICIONAL NOTURNO

O adicional de quebra de caixa, quando pago por liberalidade da empresa ou por


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força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, integra o salário para efeito


de cálculo de horas extras e adicional noturno.

Por ser parte intrínseca à função, o adicional de quebra de caixa deve ser
calculado e somado ao salário para compor a base de cálculo.

Exemplo

Empregado, operador de caixa, recebe salário mensal R$1.200,00 e realizou no mês


de novembro/07 15 (quinze) horas extras a 50% e 80 (oitenta) horas de adicional
noturno a 20% (vinte por cento).

Quebra de caixa = R$1.200,00 x 10% ’ R$120,00

Base de cálculo (Bc) para hora extra e adicional noturno = R$1.200,00 + R$120,00
’ R$1.320,00

Cálculo hora extraCálculo Adicional Noturno


h.extra = Bc : 220 x n.º h.extra + % acréscimo
h.extra = R$1.320,00 : 220 x 15 + 50%
H. Extra = R$6,00 x 15 + 50%
H. Extra = R$90,00 + 50%
H. Extra = R$135,00Adic.Noturno = Bc : 220 x n.º hrs.noturnas x % acréscimo
adic.noturno = R$1.320,00 : 220 x 80 x 20%
adic.noturno = R$6,00 x 80 x 20%
adic.noturno = R$480,00 x 20%
adic.noturno = R$96,00

Descanso Semanal Remunerado - DSR

Para calcular o DSR precisamos identificar quantos dias úteis e quantos domingos
e feriados há no mês.
Outubro/07 = 24 (vinte e quatro) dias úteis
06 (seis) domingos e feriados.

Para maiores esclarecimentos sobre o cálculo do DSR, acesse o tópico Descanso


Semanal Remunerado.

Utilizando as duas formas de calcular o DSR conforme demonstrado no tópico


acima, temos:
Valor h.extra com acréscimo = 1.320,00 : 220 + 50% ’ R$6,00 + 50% = R$9,00
Valor h.noturna = 1.320,00 : 220 x 20% ’ R$6,00 x 20% = R$1,20

1ª Forma de cálculo (Separado)2ª Forma de cálculo (Simplificado)


DSR¹ = (n.º total h.extras) x dom./fer. x vlr he com acréscimo
n.º dias úteis

DSR¹ = ( 15 ) x 6 x R$9,00
24
DSR¹ = 0,625 x 6 x R$9,00
DSR¹ = R$33,75

DSR² = (n.º total h.noturnas) x dom./fer x vlr hora noturna


n.º dias úteis

DSR² = ( 80 ) x 6 x R$1,20
24
DSR² = 3,333 x 6 x R$1,20
DSR² = R$24,00DSR = (Vlr total He e AdNot) x domingos/feriados
n.º dias úteis

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DSR = (R$135,00 + R$96,00) x 6


24
DSR = (R$231,00) x 6
24
DSR = R$9,625 x 6
DSR = R$57,75

Total DSR h.extra e adic.noturno = R$33,75 + R$24,00


Total DSR = R$57,75DSR = R$57,75

Nota: Na 1ª forma, foram feitos os cálculos em separado do DSR sobre o total das
horas extras e depois sobre o total das horas noturnas, somando os subtotais no
final. Na 2ª forma, partindo do valor total das horas já calculadas, apurou-se o
DSR em um único cálculo, de forma mais simplificada.

CONDIÇÕES PARA DESCONTO DO EMPREGADO

As possibilidades de descontos nos salários do empregado estão previstos no


artigo 462 da CLT, o qual veda ao empregador efetuar qualquer desconto, salvo
quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou convenção
coletiva de trabalho.

A jurisprudência entende que somente poderá haver o desconto de "furos de caixa"


ou "diferenças de caixa", se o empregador pagar o adicional de quebra de caixa e
se tal valor integrar a base para cálculo de adicionais.

Como a legislação dispõe, todo e qualquer desconto nos salários além de estar
previsto na legislação, acordo ou convenção coletiva de trabalho, deverá haver a
anuência do empregado.

Portanto, prudente por parte do empregador que eventuais "diferenças de caixa"


ou "furos de caixa" sejam apuradas no ato do fechamento e na presença do
empregado, coletando sua assinatura e concordância do referido desconto.

Se as diferenças são apuradas sem a sua presença, ainda que tenha sido coletada
a assinatura no final do mês do referido desconto, a Justiça do Trabalho pode
não reconhecer como válido, já que não se prescinde de prova de que as
diferenças verificadas no caixa ocorreram efetivamente por culpa ou dolo do
empregado.

INCIDÊNCIAS

IR FONTE

Incide o Imposto de Renda sobre a verba paga a título de quebra de caixa,


conforme o art. 639 do RIR e o Decreto n.º 3.000/99.

INSS

Por não estar expressamente relacionada nas parcelas que não incidem INSS, como
é o caso das previstas no art. 28, § 9º, da Lei n.º 8.212/91, a parcela paga a
título de quebra de caixa deve integrar a remuneração do trabalhador para
efeitos de incidência providenciaria.

FGTS

A parcela paga a título de quebra de caixa está sujeita à incidência do FGTS,


conforme disposto no art. 15, § 6º, da Lei n.º 8.036/90.

JURISPRUDÊNCIA

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QUEBRA DE CAIXA - NATUREZA JURÍDICA - COMERCIÁRIO. A parcela paga sob a denominação de quebra de caixa,
prevista em norma coletiva, em decorrência do exercício de função de maior responsabilidade, tem natureza salarial e,
por força do disposto no art. 457, § 1º, da CLT, integra o salário para todos os efeitos legais. A motivação para a edição da
Súmula n.º 247 do C. TST persiste no caso do empregado comerciário que recebe gratificação sob o mesmo "nomen
iuris não apenas para ressarcir eventuais perdas, haja vista que o seu pagamento independe da verificação de prejuízo,
mas para remunerar a maior
responsabilidade. Aplicação analógica do citado verbete sumular. Embargos não
providos. PROCESSO TRT 15ª REGIÃO N.º 01514-2005-071-15-00-0. Relator JUIZ JOSÉ
ANTONIO PANCOTTI. Decisão N° 052854/2006.

GRATIFICAÇÃO QUEBRA DE CAIXA - NATUREZA JURÍDICA. Tratando-se de verba colocada


à disposição do empregado com a finalidade de cobrir diferenças eventualmente
verificadas nas operações e atividades de cobrança, a gratificação quebra de
caixa assume o caráter de garantia, ainda que unilateralmente limitada, da
intangibilidade salarial. Logo, se paga com habitualidade, tem ela natureza
salarial, passando a integrar o salário do empregado, para todos os efeitos
legais, sendo sua natureza jurídica salarial e não indenizatória. (inteligência
da Súmula n.º 247 do C. TST). Recurso Provido. PROCESSO TRT 15ª REGIÃO N.º 01514-2005-071-15-00-0. Relator
Juiz JOSÉ ANTONIO PANCOTTI. Decisão N° 039276/2006.

EMENTA: QUEBRA DE CAIXA " PAGAMENTOS EFETIVADOS PELO RECORRENTE "


IRREDUTIBILIDADE DE SALÁRIO. Alega o reclamante que os descontos salariais,
passíveis de ser realizados, estão fixados no artigo 462 da CLT, não se
justificando a compensação das diferenças de caixa com a verba recebida pelo
obreiro a título de quebra de caixa, tendo em vista a diversidade de suas
naturezas. Tem-se que o reclamante foi promovido a função de caixa a partir de
01-11-2002, momento em que passou a receber gratificação de caixa, fato
incontroverso, diante da afirmação do autor na inicial. A gratificação de caixa
foi estabelecida na cláusula 12 do instrumento coletivo da categoria, in verbis:
"CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA " GRATIFICAÇÃO DE CAIXA " Fica assegurado aos
empregados que efetivamente exerçam e aos que venham a exercer, na vigência da
presente Convenção, as funções de Caixa e Tesoureiro o direito à percepção de
R$175,02 (cento e setenta e cinco reais e dois centavos) mensais, a título de
gratificação de caixa, respeitando-se o direito dos que já percebem esta mesma
vantagem em valor mais elevado." Ressalte-se que a referida gratificação visa
ressarcir possível prejuízo que o autor viesse a sofrer em razão de constatação
de diferença no caixa de sua responsabilidade. Desta forma, independentemente de
se questionar acerca de dolo ou culpa, o desconto é legítimo, não se
vislumbrando transferência para o obreiro do risco do empreendimento. Processo
00216-2005-114-03-00-2 RO. Relator JUIZ BOLÍVAR VIÉGAS PEIXOTO. Belo Horizonte,
20 de setembro de 2005.

EMENTA - DESCONTOS - QUEBRA DE CAIXA A intangibilidade a que alude o artigo 462,


da CLT, consiste em evitar-se a abusividade de possível artifício empresarial em
reduzir o salário do empregado com a prática de utilizar-se dessa via para
transferir os riscos da atividade econômica ao trabalhador. Quando o empregado é
beneficiado pela verba "quebra de caixa", mês a mês, e ocorrendo a diferença no
caixa, não se configura afronta à referida norma legal o desconto proporcional à
diferença ocorrida. Processo RO - 10766/01. Relator Emília Facchini. Belo
Horizonte, 02 de outubro de 2001.

EMBARGOS. GRATIFICAÇÃO DE QUEBRA DE CAIXA. DESCONTOS SALARIAIS EFETUADOS A


TÍTULO DE DIFERENÇAS DE NUMERÁRIO NO CAIXA. ARTIGO 462 DA CLT. O artigo 462 da
CLT, que contempla o princípio da intangibilidade do salário, dispõe que o
empregador pode efetuar o desconto nos salários em caso de dano provocado pelo
empregado que agiu dolosamente no exercício de suas funções. Autoriza ainda os
descontos se o ato praticado foi culposo, ou seja, feito com negligência,
imprudência ou imperícia, sendo exigida nesta hipótese a prévia e expressa
autorização do empregado. Conclui-se, pois, ante tais premissas, que a simples
percepção da comissão de caixa, que o Regional entende como "quebra de caixa"
não autoriza, por si só, que sejam procedidos os descontos no salário do
empregado, porque não prescinde de prova de que as diferenças verificadas no
caixa ocorreram por culpa ou dolo do empregado. TST - ERR NUM: 465569 ANO: 1998
REGIÃO: 09 - DJ DATA: 30-05-2003
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DIFERENÇA DE CAIXA. A gratificação de caixa constitui "plus" financeiro


decorrente do trabalho e verba paga diretamente pelo empregador e com
habitualidade. Assim, a natureza salarial da gratificação emerge imperiosa, nos
termos do § 1º do artigo 457 Consolidado. Remuneração cuja intangibilidade é
garantida a exceções das hipóteses enumeradas em lei ou autorizadas via
negociação coletiva - artigo 462 da CLT. A responsabilidade do Obreiro, também
se legitima mediante apuração de cometimento de ato culposo ou doloso que
acarrete prejuízo ao empregador, esta a luz do direito comum, fonte subsidiária
na regência do contrato de trabalho. TST - RR NUM: 499316 ANO: 1998 REGIÃO: 02 -
DJ DATA: 08-11-2002.

QUEBRA DE CAIXA. NATUREZA JURÍDICA. COMERCIÁRIO. A parcela paga mensalmente, em


valor ou percentual fixo, a título de quebra de caixa, constitui acréscimo
destinado a remunerar a maior responsabilidade que se exige do empregado, no
exercício da função que a enseja. O móvel que conduziu à edição do Enunciado n.º 247 do TST remanesce, mesmo quando
se cogita de comerciário, eis que o título sob apreço, ressalvadas restrições em sua origem, ostente natureza salarial,
nada indenizando. TST - RR NUM: 665147 ANO: 2000 REGIÃO: 02 - DJ DATA:
06-06-2003.Fonte: Guia Trabalhista

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