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COPPE/UFRJ

Trabalho de Conclusão de Curso


Estimativa do Valor Econômico dos Danos
Ambientais Causados por
Desflorestamento no Estado do Rio de
Ja n e i r o

Pós Graduação Executiva em Meio Ambiente

Estudante: Avelino Nogueira da Silva


Coordenador: Márcio S. S. Almeida

Maio de 2010
23ª Turma
ESTIMATIVA DO VALOR ECONÔMICO DOS DANOS AMBIENTAIS CAUSADOS
POR DESFLORESTAMENTO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Avelino Nogueira da Silva

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO


M.B.E/COPPE COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A
OBTENÇÃO DO DIPLOMA DE ESPECIALIZAÇÃO EM M.B.E – PÓS GRADUAÇÃO
EXECUTIVA EM MEIO AMBIENTE.

Aprovada por:

________________________________________________
Prof. Márcio S.S. Almeida, Ph.D.

_______________________________________________
Profº. Suzana Kahn Ribeiro, D.Sc.
Nota: ______________

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL.


MAIO DE 2010
DEDICATÓRIA
A Deus,
energia para qual atribuo tudo aquilo que não entendo e que me fascina; seja ELE quem
for, o que for, se for...

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AGRADECIMENTOS

Aos meus tios José Daniel e Maria Bernadete, que me deram abrigo e condições para que
eu desenvolvesse esta pesquisa enquanto meu apartamento encontrava-se em reforma...
Aliás, nesse momento, ele ainda se encontra em obras... inabitável...

Aos meus ex-professores da UFRuralRJ José de Arimatea e Hugo Amorim, pelas poucas
mas valiosas informações relativas aos inventários florestais brasileiros;

Ao amigo, Eng Florestal responsável pelos projetos de restauração florestal da VALE S/A,
Gilberto Terra Ribeiro Alves e ao Sr. Maurício Ruiz do Instituto Terra Preservação, pelas
informações prestadas a cerca dos custos de restauração florestal no Bioma Mata Atlântica;

Ao professor de Economia Florestal da Universidade Federal do Paraná, João Carlos


Garzel, pelas discussões e críticas correlatas à metodologia desta pesquisa;

Ao amigo, Eng Florestal do INEA/RJ, Telmo Borges, pelo apoio moral e entusiasmo
técnico correspondente ao tema deste estudo que muito me motivou;

Aos amigos do Grupo de Perícias em Meio Ambiente e do Grupo de Perícias Contábeis e


Econômicas do NUCRIM/DPF/SR/RJ, especialmente aos Peritos Criminais Federais Ney,
Rocha, Rosemery, Perrone, Mauro e Leal, pelo incentivo, crédito, sugestões e críticas a
cerca do tema abordado nesta monografia;

À Tatiana Menezes, pela companhia e compreensão correlata a minha ausência quando do


desenvolvimento deste documento;

À COPPE, por proporcionar o contato com profissionais de alto nível, como os professores:
Haroldo, Rosman, Seroa da Motta, Telma, Moacir Duarte, entre outros.

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Resumo do Trabalho apresentado à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários
para a obtenção do Diploma de Especialização em M.B.E. Pós Graduação Executiva em
Meio Ambiente.

ESTIMATIVA DO VALOR ECONÔMICO DOS DANOS AMBIENTAIS CAUSADOS


POR DESFLORESTAMENTO NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Avelino Nogueira da Silva

Este trabalho tem como objetivo estimar o valor econômico dos danos ambientais causados
por desflorestamento no Estado do Rio de Janeiro entre os anos de 2005 e 2010 a partir dos
dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação
SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para tanto, foi
utilizada uma metodologia aprovada pela ABNT (NBR 14653 – Avaliação de bens – Parte
6: Recursos naturais e ambientais, em vigor a partir de 30/06/2008) que consistiu no cálculo
do Valor Econômico do Recurso Ambiental (VERA) perdido com a supressão da
vegetação. Sendo assim, o valor econômico estimado para o dano ambiental por
desflorestamento da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro nos últimos cinco
anos foi de R$ 182.762.653,90 (cento e oitenta e dois milhões, setecentos e sessenta e
dois mil, seiscentos e cinqüenta e três reais e noventa centavos), equivalendo a um
valor médio por hectare de R$ 134.979,80 (cento e trinta e quatro mil, novecentos e
setenta e nove reais e oitenta centavos) ou US$ 73.358,58/ha. Embora não se tenha a
pretensão de esgotar as demandas inerentes à valoração de dano ambiental sobre o Recurso
Flora neste Estado, e reconhecendo a necessidade de constante evolução dessa modelagem,
sugere-se que a metodologia e os dados utilizados nesta pesquisa sirvam como referencial
para discussões técnicas no sentido de tornar mais exeqüível e célere os esforços de
valoração econômica das perícias ambientais associadas aos danos ecológicos decorrentes
dos desflorestamentos ocorrentes na Mata Atlântica Fluminense.

Palavras-chave: Valoração Ambiental, Desflorestamento, Mata Atlântica, Perícias


Ambientais.

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CURRÍCULO RESUMIDO

Dados pessoais:
Avelino Nogueira da Silva - PERITO CRIMINAL FEDERAL/Setor Técnico-
Científico/Departamento de Polícia Federal/Rio de Janeiro.
e-mail: avelinoflorestal@gmail.com

Formação:
Técnico em Agropecuária - UFF;
Eng Florestal - UFRRJ;
Mestre em Sensoriamento Remoto - INPE;
Pós Graduando em Gestão Florestal – UFPR;

Produção Acadêmica:
Aproximadamente 40 trabalhos publicados em eventos técnico-científicos nacionais e
internacionais e periódicos;
02 Prêmios (um de Pesquisa e outro de Desempenho Acadêmico);
Ex- Bolsista do CNPQ e FAPERJ.

Idiomas:
Inglês fluente;
Espanhol intermediário.

Experiência profissional:
Agrolengruber Produtos Agropecuários (Rio de Janeiro);
EIDAI do Brasil Madeiras SA (Pará-Amazônia);
Bahia Sul Celulose e Papel (Bahia);
Kona Queen (Hawaii-USA);
Coordenador do Grupo de Perícias em Meio Ambiente da Polícia Federal/RJ (2007 a 2009).

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ÍNDICE

I. Introdução.........................................................................................................................08
II. Metodologia.....................................................................................................................11
III. Resultados e Discussão...................................................................................................23
IV Conclusões e Recomendações.........................................................................................29
Referências Bibliográficas....................................................................................................30

SSSSS
SSSS

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I. INTRODUÇÃO

De acordo com estimativas das Nações Unidas a população humana mundial alcançou a
marca de seis bilhões de habitantes e mantém-se em contínuo crescimento. Este fato
aumenta a pressão sobre os recursos naturais, cuja intensificação ocorreu após a Revolução
Industrial. Atualmente, os países que detêm as maiores riquezas em termos de diversidade
biológica também são os que possuem as maiores limitações econômicas, deficiências
institucionais e maiores taxas de natalidade, tornando o desafio da conservação da
biodiversidade ainda maior.

Outrossim, assumindo um mundo capitalista, a gestão responsável e eficiente dos recursos


naturais passa, necessariamente, pelo alcance do conhecimento dos limites ecológicos de
sua utilização e os custos do consumo de tais recursos. Neste contexto, à medida que se
pretende compatibilizar o artigo 170 com o artigo 225 da Constituição Federal Brasileira de
1988, torna-se urgente e incontestável a necessidade de se atribuir valor, por meio de uma
medida monetária, aos recursos naturais, tornando possível, por exemplo, estimar
economicamente o valor de um dano ecológico, e disciplinando, assim, a apropriação dos
recursos naturais sob a égide dos princípios do poluidor-pagador, da responsabilidade por
danos e do desenvolvimento sustentável (Derani, 1997).

De acordo com Motta (1998), quando os custos da degradação ecológica não são pagos por
aqueles que a geram, estes custos são externalidades para o sistema econômico; ou seja,
custos que afetam terceiros sem a devida compensação. Desse modo, as atividades
econômicas são planejadas sem levar em conta essas externalidades ambientais e,
conseqüentemente, os padrões de consumo das pessoas são forjados sem nenhuma
internalização dos custos ambientais, tendo como corolário um padrão de apropriação do
capital natural onde os benefícios são providos para alguns usuários de recursos ambientais
sem que estes compensem os custos incorridos por usuários excluídos. Ademais, as
gerações futuras serão deixadas com um estoque de capital natural resultante das decisões
das gerações atuais, arcando com os custos que estas decisões podem implicar.

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Motta (1998) ressalva, ainda, que determinar o valor econômico de um recurso ambiental
pode ser entendido, entre outras abordagens, como a estimativa do valor monetário deste
em relação aos outros bens e serviços disponíveis na economia. Nesta linha de raciocínio,
salienta-se que dentre os argumentos mais contundentes para a conservação da natureza, e
das florestas tropicais em particular, destaca-se sua importância utilitária (ou valor de uso
direto), como fonte de renda e bens de consumo. Se por um lado, o comércio internacional
de madeira tropical, resinas, ceras, óleos essenciais, fibras, entre outros, é gigantesco; por
outro, diversos povos praticam o extrativismo de alimentos, medicamentos, material para
construção, combustíveis, inseticidas, etc. (Whitmore, 1998). Estes últimos, no entanto,
apresentam caráter de subsistência e, conseqüentemente, não são computados no produto
interno dos países envolvidos, subestimando seu impacto nessas economias (Myers, 1988).

Com a evolução do conhecimento ecológico dos sistemas naturais e da economia


ambiental, os modelos de valoração dos recursos naturais passaram a considerar a
contribuição dos serviços prestados pelos ecossistemas (ou valor de uso indireto; exemplos:
proteção edáfica, hídrica, regulação atmosférica, etc.). Vale lembrar que estes benefícios
são ofertados pela natureza de forma discreta, mas ininterrupta. Deste modo, embora a
maioria destes serviços serem difusos e de difícil quantificação, estes não devem ser
negligenciados, pois são essenciais para a manutenção da vida na Terra, além de superarem
os lucros gerados pela exploração tradicional dos recursos naturais (Myers, 1996).

Contudo, os modelos de valoração devem incluir, além dos valores relativos aos usos
diretos e indiretos dos recursos naturais, outros tipos de valores, considerados ainda mais
intangíveis, como, por exemplo, o do uso futuro ou potencial para a fabricação de fármacos
oriundos da biodiversidade (ou valor de opção). Ademais, Tonhasca Jr. (2005) apresenta
uma discussão relevante, citando diversos autores, chamando a atenção para o fato de que o
valor da natureza não pode se resumir apenas aos argumentos utilitários supramencionados,
uma vez que devem ser consideradas, também, questões éticas, morais, religiosas, estéticas,
etc., correlacionadas à conservação da natureza (ou valor de existência). Sendo assim, em
meio à miríade de equações disponíveis para os mais variados objetivos de valoração, o
modelo denominado VERA (Valor Econômico do Recurso Ambiental) merece destaque,

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pois congrega todos os valores supracitados e pode ser utilizado com relativa simplicidade,
cumprindo ressaltar que tal metodologia foi aprovada pela ABNT no ano de 2008 (ABNT,
2008).

Diante deste cenário, entretanto, emerge a necessidade de conservação do Bioma Mata


Atlântica, o qual possui um dos mais elevados índices de biodiversidade do planeta
(MMA/SBF, 2002), sendo um dos mais ameaçados também, restando menos de 10% de sua
cobertura original (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA, 2010).

Neste Bioma, vive, atualmente, cerca de 61% da população brasileira considerando o Censo
Populacional de 2005 (IBGE, 2007). Segundo Dean (1996), desde o início da colonização
européia, com a ocupação dos primeiros espaços territoriais próximos à região costeira e a
exploração do pau-brasil, um gigantesco volume de matéria-prima passou a ser explorado.
Em seguida, vieram os impactos dos diferentes ciclos de exploração, como o do ouro, o da
cana-de-açúcar e o do café. Posteriormente, projetos de desenvolvimento e integração
nacional culminaram no processo de industrialização e, conseqüentemente, de urbanização,
com as principais cidades e metrópoles brasileiras assentadas hoje na área originalmente
ocupada pelo Bioma Mata Atlântica, reduzindo significativamente sua vegetação natural.

Portanto, este trabalho tem como objetivo estimar o valor econômico dos danos ambientais
causados por desflorestamento no Estado do Rio de Janeiro, entre os anos de 2005 e 2010,
pelo método do VERA, a partir dos dados de desflorestamentos oriundos do Atlas dos
Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica
e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Salienta-se que, diante da complexidade do tema, este estudo não tem a pretensão de
esgotar as demandas concernentes à seara da valoração econômica dos danos ambientais
causados por desflorestamento em terras fluminenses, mas sim, iniciar uma discussão
profícua referente à operacionalização destas avaliações, visando tornar mais exeqüível e
célere a execução das perícias ambientais correlatas a este tema por meio da interpretação e
utilização de uma metodologia prática e cientificamente robusta.

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III. METODOLOGIA

Área de estudo

De acordo com o IBGE (2010), o Estado do Rio de Janeiro possui uma área de 43.864,3
Km², com 14.367,225 habitantes (censo demográfico de 2000), sendo o vigésimo quarto em
extensão territorial, e o terceiro em população. O Estado do Rio de Janeiro faz parte da
região mais desenvolvida do país (sudeste) e possui limites territoriais com todos os estados
que compõem a região.

Ao norte limita-se com os estados de Minas Gerais e Espírito Santo; ao sul e a leste com o
oceano Atlântico e a oeste com São Paulo. Os principais limites naturais são: o rio Paraíba
do Sul, o rio Preto e a serra da Mantiqueira, na divisa com Minas Gerais, o rio Itabapoana
na divisa com o Espírito Santo e a Serra do Mar na divisa com São Paulo (IBGE, 2010).

Quanto ao relevo fluminense encontramos três grandes unidades: as terras altas, as baixadas
e os maciços rochosos litorâneos. O Estado do Rio de Janeiro possui um clima tropical
(quente e úmido) variando de acordo com o relevo, a proximidade do mar e a distribuição
das chuvas. Desta forma, a região da baixada apresenta temperatura média anual de 24ºC,
onde o inverno é a estação seca e as chuvas ocorrem principalmente no verão. O clima
tropical de altitude, na região serrana e vale do Paraíba, se caracteriza por temperaturas
mais amenas, devido à altitude. No planalto do Itatiaia, entretanto, são registradas as
temperaturas mais baixas do Estado. E, por fim, o clima tropical úmido aparece na base da
Serra do Mar, onde não existe estação seca (IBGE, 2010).

Com relação à vegetação do Estado, segundo O Mapa de Vegetação do Brasil (IBGE,


2010), o Rio de Janeiro possui dois grandes conjuntos vegetacionais florestais, constituídos
pelas Florestas Ombrófilas Densas (em que não falta umidade durante o ano) e pelas
Florestas Estacionais Semideciduais (em que 20 a 50 % das árvores perdem as folhas no
período seco do ano). Além disso, também ocorrem Formações Pioneiras e uma pequena
macha de Cerrado (Figura 1).

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Mapa da Vegetação do Estado do Rio de Janeiro

Figura 1 - Mapa da Vegetação do Estado do Rio de Janeiro. Notar que área do Estado é delimitada pelas
linhas tracejadas em preto (extraído do site do IBGE em maio de 2010 – adaptado).

Como pode ser verificado na Figura 1, o Estado do Rio de Janeiro encontra-se praticamente
todo inserido no Bioma Mata Atlântica, onde aproximadamente metade de seu território é
coberto pelas Florestas Ombrófilas Densas e a outra metade pelas Florestas Estacionais
Semideciduais.

Atualmente muitos estudos atribuem a elevada biodiversidade da Mata Atlântica às


variações ambientais ocorrentes neste bioma. Um dos fatores mais importantes que
contribui para esta variação é sua extensão em latitude, que abrange 38º. Variações
altitudinais constituem outro importante fator que contribui para a ocorrência de alta
diversidade biológica, dado que as matas podem se estender do nível do mar a uma altitude

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aproximada de 1.800 metros. Além disso, as formações florestais da Mata Atlântica do
interior diferem consideravelmente das formações florestais do litoral, proporcionando uma
maior variedade de hábitats e nichos. Estes fatores em conjunto resultam numa diversidade
única de paisagens, um verdadeiro mosaico complexo e dinâmico, capaz de abrigar uma
extraordinária biodiversidade (RIZZINI, 1997; Fundação SOS Mata Atlântica, 2010).

Para destacar a importância do Bioma supracitado no cenário nacional e internacional,


trechos significativos da Mata Atlântica foram reconhecidos como Patrimônio Mundial pela
ONU e indicados como Sítios Naturais do Patrimônio Mundial e Reserva da Biosfera da
Mata Atlântica pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura). Além disso, é considerada Patrimônio Nacional pela Constituição Federal
Brasileira de 1988 (Fundação SOS Mata Atlântica, 2010).

Embora os números variem um pouco, a comunidade científica brasileira assume que,


atualmente, existem menos de 10% da Mata Atlântica original, ocorrendo principalmente
em remanescentes isolados e dispersos numa paisagem onde predomina a agropecuária.
Apesar disso, a riqueza em biodiversidade da Mata Atlântica ainda é extremamente alta,
apresentando cerca de 20 mil espécies de plantas vasculares, das quais aproximadamente 6
mil são restritas a este bioma. No que tange à fauna, as estimativas também surpreendem,
sendo 250 espécies de mamíferos (55 deles endêmicos, ou seja, que só ocorrem nessa
região), 340 de anfíbios (90 endêmicos), 1.023 de aves (188 endêmicas), 350 de peixes
(133 endêmicas) e 197 de répteis (60 endêmicos) (MMA/SBF, 2002). Outrossim, das 633
espécies de animais ameaçadas de extinção no Brasil, 383 ocorrem nesse bioma, razão pela
qual a Mata Atlântica é reconhecida internacionalmente como um Hot Spot (locais muito
ameaçados e com elevada biodiversidade).

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Materiais

Foram utilizados os seguintes materiais para o desenvolvimento desse trabalho (referente


ao Estado do Rio de Janeiro):
• Mapa dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica – 1039 ha desflorestados no
período 2005 a 2008 – Figura 2 (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica/INPE, 2009 -
internet);
• Mapa dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica – 315 ha desflorestados no
período 2008 a 2010 Figura 3 (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica/INPE, 2010 -
internet);
• Mapeamento e Inventário da Flora Nativa e dos Reflorestamentos de Minas Gerais.
Volume de madeira para Floresta Estacional Semidecidual = 145,32 m3/madeira/ha
= 85,47 mdc/carvão/ha (Fonte: UFLA/IEF – 2003/2005);
• Preço mensal do produto de base florestal carvão entre os anos de 2005 e 2010 para
o Estado do RJ (Fonte: Centro de Inteligência em Florestas, 2010 - internet);
• Taxa de câmbio (dólar comercial) – Dólar/Real – 26 de maio de 2010 = R$1,8461
(Fonte: Banco Central do Brasil, 2010 - internet);
• Compilação de dados referentes ao valor das funções ambientais da Mata Atlântica
Figura 4 (Peixoto e Willmersdorf, 2002), e;
• Planilhas Excel.

A seguir são apresentadas as Figuras 2, 3 e 4, as quais contém os dados utilizados referentes


aos desflorestamentos ocorridos nos períodos avaliados nesta pesquisa (2005 a 2008 e 2008
a 2010), assim como a compilação de dados relacionados aos valores monetários dos
serviços ambientais prestados pelo Bioma Mata Atlântica, respectivamente.

Pode-se notar na Figura 2 que o decremento florestal no Estado do Rio de Janeiro entre
2005 e 2008 foi de 1039 hectares (ha), reduzindo para 315 ha entre 2008 e 2010 (Figura 3).
Salienta-se que o decremento da vegetação de restinga e manguezal não foi utilizado neste
estudo e que as razões que nortearam esta decisão serão discutidas na próxima seção deste
documento (Métodos).

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Figura 2 – Desflorestamento da Mata Atlântica Fluminense – período 2005 a 2008. A vegetação remanescente
é representada em verde e os desflorestamentos em vermelho (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica/INPE,
2009 - adaptado).

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Figura 3 – Desflorestamento da Mata Atlântica Fluminense – período 2008 a 2010. A vegetação remanescente
é representada em verde e os desflorestamentos em vermelho (Fonte: Fundação SOS Mata Atlântica/INPE,
2010 - adaptado).

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Neste trabalho, a estimativa do valor das funções ambientais refere-se à perda dos
benefícios causados pelos desflorestamentos, ou seja, a perda dos serviços fornecidos pelos
ecossistemas através de sua capacidade funcional.

Figura 4 - Compilação de dados relacionados aos valores monetários dos serviços ambientais prestados pelo
Bioma Mata Atlântica (Fonte: Peixoto e Willmersdorf, 2002 - adaptado).

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MÉTODOS

Na literatura científica são encontrados vários métodos de valoração econômica dos


recursos naturais, e relacionadas vantagens e desvantagens de cada um deles. Importantes
trabalhos como o de MAY (2000) e o de SERÔA DA MOTA (1998), apresentam alguns
métodos, exemplificando as diferentes formas de utilização. Existem diversos métodos de
valoração que objetivam captar distintas parcelas do valor econômico do recurso ambiental.
Todavia, cada método apresenta limitações em suas estimativas, as quais estarão quase
sempre associadas ao grau de sofisticação metodológica, a necessidade de dados e
informações, às hipóteses sobre comportamento dos indivíduos e da sociedade e ao uso que
se será dado aos resultados obtidos. Cada abordagem e método apresenta vantagens e
desvantagens, compreender suas limitações e procurar avanços na compreensão dos
fenômenos naturais e do entendimento econômico orientados pelo objetivo maior, que é o
desenvolvimento sustentável, é o desafio presente para todas as correntes de pensamento.

Assim, a escolha do método a ser utilizado e seu grau de validade é função do objetivo da
valoração, das hipóteses assumidas, da disponibilidade de dados, do conhecimento da
dinâmica ecológica do objeto que está sendo valorado, etc.

Este trabalho utilizou a metodologia denominada – VERA (Valor Econômico do Recurso


Ambiental) com o objetivo de estimar o valor do dano ambiental em pecúnia a partir do
valor econômico do recurso ambiental flora perdido com o desflorestamento e, assim,
somar às discussões a cerca da compensação financeira devida pelo dano ambiental
provocado por atividades lesivas ao meio ambiente, fundamentada no princípio da
responsabilidade objetiva do causador do dano ambiental por sua reparação. Ressalva-se
que tal metodologia foi aprovada pela ABNT aos 30 de junho de 2008 (NBR 14653 –
Avaliação de bens – Parte 6: Recursos naturais e ambientais. Fixa diretrizes para a
valoração de recursos naturais e ambientais, em vigor a partir de 30/06/2008).

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A seguir são apresentados alguns aspectos legais da compensação financeira e uma sucinta
explanação do modelo VERA, incluindo a forma com que esta equação foi utilizada neste
estudo, além das justificativas e forma de utilização dos dados.

Aspectos legais da compensação financeira:

• CF/88, art, 225 e seus parágrafos;


• Lei 6.938/81, art. 4º, inciso VII Política Nacional o Meio Ambiente;
• Lei 9.605/98 Lei dos Crimes Ambientais;
• Decreto n. 3.179/99 (Regulamento);
• Lei n. 9.985/00 (SNUC);
• Decreto n.º 4.340, de 22/8/02 (Regulamento).

VERA = Valor Econômico do Recurso Ambiental

VERA = (VUD + VUI + VO) + VE

VUD: Valor de uso direto referente a bens e serviços ambientais apropriados diretamente
da exploração do recurso e consumido no presente: extrativismo madeireiro, não-
madeireiro e ecoturismo;

VUI: Valor de uso indireto referente a bens e serviços ambientais que são gerados através
de funções ecossistêmicas, apropriados e consumidos no presente: estocagem de carbono,
proteção do solo, manutenção do ciclo hidrológico, etc;

VO: Valor de opção que se refere a bens e serviços ambientais de usos diretos e indiretos
(VUD e VUI), a serem apropriados e consumidos no futuro: bioprospecção (fármacos);

VE: Valor de existência ou não-uso presente ou futuro, relacionado a questões morais,


culturais, éticas ou altruísticas: preservação da biodiversidade.

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Para a estimativa do valor de uso direto (VUD) buscou-se seguir tanto o princípio in dubio
pro reo, uma expressão latina que significa, literalmente, na dúvida, a favor do réu; quanto
os pressupostos da razoabilidade e da proporcionalidade e a adequação entre meios e fins
contidos na Lei N 9.784/99; ou seja, optou por uma linha bem conservadora. Salienta-se
que, enquanto a razoabilidade se atém ao aspecto qualitativo (adequação e necessidade) da
relação entre meios e fins (se os meios são adequados a conseguir os fins perseguidos e se
são os meios menos gravosos aos direitos dos administrados), a proporcionalidade se
direciona mais à perquirição sobre o aspecto quantitativo (se os meios foram usados na
medida proporcional aos objetivos juridicamente protegidos).

Sendo assim, como não é possível saber o destino da madeira oriunda dos
desflorestamentos, uma vez que ela pode simplesmente apodrecer no campo ou ser
queimada, como também pode ser vendida como lenha, ser transformada em carvão, ser
serrada, transformada em móveis ou até ser utilizada na confecção de instrumentos nobres
como violinos, etc.; e, ainda, que o valor agregado ao material madeira varia enormemente
com a destinação que se faz dele, optou-se por um uso (VUD) cujo valor econômico
estivesse abaixo da média dos usos possíveis para tal recurso. Por outro lado, o Estado do
Rio de Janeiro apresenta seu território dividido aproximadamente ao meio entre a Floresta
Estacional Semi-decidual e a Floresta Ombrófila Densa. Sabe-se que a Floresta Estacional
Semi-decidual apresenta geralmente um volume de madeira por hectare menor que a
Floresta Ombrófila Densa, razão pela aquela foi escolhida em detrimento desta. Vale
salientar que as florestas não respeitam limites geográficos artificiais criados pelo homem e
que a Floresta Estacional Semi-decidual ocorrente no Estado do Rio de Janeiro avança de
maneira contínua sobre o Estado de Minas Gerais. Outrossim, o Inventário Florestal do
Estado Rio de Janeiro realizado nos anos de 1980 não discerniu com muita precisão as
diferentes formações florestais e seus respectivos volumes de madeira por hectare,
justificando o porquê de ter sido escolhido o recente Inventário Florestal de Minas Gerais
como fonte de dados correlatos ao volume de madeira por hectare utilizado nesta pesquisa.
Recentemente foi fechado um acordo institucional em nível federal para realização de um
novo Inventário Florestal para o Estado do Rio de Janeiro, o qual será de grande valia no
sentido de aumentar a precisão dos esforços de valoração da flora fluminense.

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Alguns danos ambientais são comumente observados quando da ocorrência de
desflorestamentos nas florestas tropicais. Alguns deles são apresentados na Tabela 1, tendo
seu conteúdo baseado em trabalhos citados por Tonhasca Jr. (2005) e Dean (1996).

Tabela 01: Dano ambiental, fato gerador e impactos ambientais associados.


DANO AMBIENTAL FATO GERADOR (CAUSAS DIRETAS OU IMPACTOS AMBIENTAIS
INDIRETAS)
ALTERAÇÃO DA - assoreamento - turbidez da água
QUALIDADE E - aporte de matéria orgânica - variação de temperatura
QUANTIDADE DA ÁGUA - pisoteio de animais - variação de pH
NOS CURSOS D’ÁGUA - desmatamento das áreas de preservação - alterações na DBO, DQO e oxigênio
permanente dissolvido
- uso de defensivos e fertilizantes - mudança do regime de escoamento do
- déficit na recarga hídrica do solo curso d’água
- fezes e urina do gado - diminuição da profundidade média da
- entulhamento por entulhos e aterros de estradas calha e alargamento das margens
- acesso do gado para dessedentação
REDUÇÃO DA - desflorestamento - eliminação de níveis tróficos da teia
BIODIVERSIDADE - caça e pesca alimentar
- fuga e morte da fauna (inclusive micro biota do - impedimento da locomoção por espaços
solo e ictiofauna) abertos de espécies especialistas
- redução no número de abrigos, refúgios e fontes - estresse reprodutivo e fisiológico
de alimentação (tocos, ocos de árvores, flores, - diminuição da taxa de natalidade e
frutos) aumento da mortalidade na fauna
- implantação de monoculturas silvestre
- presença de rebanho bovino (herbivoria da - favorecimento de espécies
regeneração natural) generalistas/pioneiras
- abertura de clareiras e exposição do solo florestal
- uso do fogo como prática de manejo
PERDA DE FERTILIDADE E - exposição do solo às intempéries - erosão laminar
ESTRUTURA DOS SOLOS - abertura de estradas, pátios e “terreiros” - erosão em sulcos
- travessia das estradas sobre cursos d’água - deslocamentos de massa, especialmente
- redes coletoras de águas pluviais não nas margens de estradas e cursos d’água
dimensionadas ao longo das estradas - queda de produtividade agrícola
- trilhas de pastoreio do rebanho - aumento de temperatura
- colheitas de grãos - compactação das camadas superficiais
- uso indiscriminado de fertilização artificial - exportação de nutrientes
- manejo agrícola com utilização do fogo
EFEITO DE BORDA NAS - parcelamento do solo - maiores níveis de incidência de luz
FLORESTAS ADJACENTES - marcação dos lotes solar
- construção de cercas e aceiros - favorecimento de espécies vegetais
- fragmentação florestal heliófitas
- formação de clareiras pela exploração seletiva - redução na capacidade suporte do
- abertura de estradas habitat
- pastoreio livre a partir de pastagens adjacentes - aumento da circulação de espécies da
fauna típicas de ecossistemas abertos,
inclusive do ecossistema agrícola
- redução no revigoramento de plântula,
aumento da queda de folhas
- incidência de novas correntes de vento
- aumento da temperatura no nível do
solo
- pisoteio do sub bosque
ALTERAÇÃO DO MICRO - remoção de corta ventos naturais de vegetação - aumento de temperatura
CLIMA E MACRO CLIMA nativa - maior exposição à luz solar
- implantação de culturas anuais - alteração do ciclo hidrológico
- pequenos barramentos e assoreamento de cursos - alteração de hábitos ecológicos em
d’água espécies estenotérmicas
- remoção do dossel florestal multi-estratificado - influência nas etapas reprodutivas da
biota
- desvios das correntes de ventos
- diminuição da interceptação e
escoamento da precipitação,
-diminuição da evapotranspiração

21
Embora nem todos danos ambientais tenham sido contemplados em sua plenitude, os
valores de uso indireto (VUI), de existência (VE) e de opção (VO) utilizados nesta pesquisa
advêm da compilação de dados efetuada por Peixoto e Willmersdorf (2002) e estão
intimamente relacionados com as perdas referentes aos danos ambientais apresentados na
Tabela 1.

Por fim, ressalta-se que todos os valores do VERA (VUD + VUI + VO + VE) foram
calculados proporcionalmente no tempo e no espaço e que o tempo de recuperação da
floresta foi assumido como sendo de 15 anos. Isso quer dizer que o período total
considerado nos cálculos abrangeu 20 anos (5 anos do desflorestamento – 2005 a 2010 – e
15 anos para recuperação da floresta).

No período de 2005 a 2008 a área desflorestada foi divida em três partes iguais (346,33 ha)
e no período de 2008 a 2010 foi dividida por duas partes iguais (157,5 ha). A partir deste
fracionamento é que a capitalização (6% a.a.) do preço médio anual do carvão (VUD) foi
realizada de maio do ano de 2005 até abril de 2010 e, a partir desse ponto, mais 15 anos
(recuperação da floresta), somando-se no final todo período (total 20 anos). Optou-se por
não capitalizar VUI + VO + VE, mas a evolução em termos de contribuição de área
desflorestada ao longo dos anos foi considerada, assim como foi feito para VUD (total 20
anos).

Os dados de preço do carvão do último ano analisado (05/2008 a 04/2010) ainda não
estavam completos (disponíveis na internet) e foram preenchidos com a média aritmética de
todo período analisado.

A data da cotação do dólar - comercial-venda (26/05/2010) = R$ 1,84 – utilizada foi a


mesma do dia da liberação dos dados concernentes ao segundo período do desflorestamento
aqui estudado (2008 a 2010).

22
RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tabela 2 abaixo são apresentados os valores mensais e suas respectivas médias anuais
do carvão (mdc – metro de carvão) para o Estado do Rio de Janeiro para o período
estudado. As cinco médias anuais foram utilizados para os cálculos do VUD.

Tabela 2: Valores mensais e suas respectivas médias anuais do carvão para o Estado do Rio de Janeiro para o período de 2005 a 2010.

A seguir, na Tabela 3, são apresentados os valores da capitalização do carvão fracionada


por ano e por área desflorestada para o Estado do Rio de Janeiro para o período estudado.
Tais dados foram utilizados para os cálculos do VUD.

Tabela 3: Capitalização do carvão. O ano 20 representa o somatório do tempo de recuperação da floresta (15 anos) mais os
cinco anos relativos aos desflorestamentos ocorrentes do Estado do Rio de Janeiro no período avaliado por este estudo.

Na Tabela 4, são apresentados os valores dos Serviços Ambientais fracionados por ano e
por área desflorestada para o Estado do Rio de Janeiro para o período estudado. Tais dados
foram utilizados para os cálculos do VUI + VO + VE.

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Tabela 4: Somatório dos serviços Ambientais fracionados por ano e por área desflorestada.

Cálculo do Valor do Dano Ambiental

VERA = Valor Econômico do Recurso Ambiental (ABNT, 2008).


VERA = (VUD + VUI + VO) + VE

(VUI+ VO + VE) = Estimativa

a) Vide Figura 4: o somatório = US$ 0,3248/m2/ano;


b) Dólar comercial-venda (26/05/2010) = R$ 1,84 (um real, e oitenta e quatro centavos);
c) 0,3248 X 1,84 = R$ 0,5976,32/m2/ano;
d) R$ 0,5976,32/m2/ano x 10.000 (transformando metro quadrado em hectare) = R$
5.976,32/ha/ano (cinco mil e novecentos e setenta e seis reais e trinta e dois centavos, por
hectare, por ano).
e) Somatório dos serviços Ambientais fracionados por ano e por área desflorestada.
Exemplo: R$ 5.976,32/ha/ano x 346,33 ha x 5 anos (ano 1) e assim regressivamente até o
ano 5 e por fim soma-se 15 anos para recuperação da floresta degradada, obtendo-se desse
modo no ano 20 o valor de R$ 149.040.217,3 (vide Tabela 4).

VUD = Estimativa

a) 145,32 m3 madeira/ha x 1,77 (fator de conversão – metro cúbico para metro estéreo) =
257,22 metros estéreos (st) de lenha/ha;
b) Relação lenha (metro estéreo): carvão é de 3:1;
c) 257,22 metros estéreos de lenha/ha correspondem a 85,74 metros de carvão (mdc)/ha;

24
d) Preços médios anuais do carvão entre 2005 e 2010 (RJ) = R$ 89,04 - 93,54 - 96,08 -
140,92 e 104,08/mdc (vide Tabela 2);
e) Somatório dos preços médios anuais do carvão entre 2005 e 2010 x 85,74 mdc x área
(ha) desflorestada correspondente a cada ano x capitalização proporcional no tempo e no
espaço (6% a.a) + 15 anos para recuperação da floresta degradada também capitalizados
(6% a.a) = R$ 33.722.436,59 (vide Tabela 3);

Logo, a estimativa do valor total do recurso ambiental (flora), considerando a área de 1.354
hectares (área desflorestada na Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro entre 2005 e
2010) e mais 15 anos para recuperação da floresta degradada será:

VERA = VUD + (VUI + VO + VE), onde:


VERA = R$ 33.722.436,59 + R$ 149.040.217,3
VERA = R$ 182.762.653,9

VERA = R$ 182.762.653,90 (cento e oitenta e dois milhões, setecentos e sessenta e dois


mil, seiscentos e cinqüenta e três reais e noventa centavos), equivalendo a um valor
médio por hectare de R$ 134.979,80 (cento e trinta e quatro mil, novecentos e setenta e
nove reais e oitenta centavos) ou US$ 73.358,58/ha.

Em um primeiro momento o valor de R$ 182.762.653,9 pode parecer alto, mas deve-se


lembrar que os cálculos foram conservadores. Para fins de comparação e também para se
ter idéia da magnitude dos valores envolvidos nos esforços de valoração ambiental pode-se
citar o estudo de Constanza et al (1997), os quais dividiram a Terra 16 Biomas e definiram
17 categorias de serviços ambientais, o resultado de sua estimativa foi surpreendente,
alcançou o montante de 33 trilhões de dólares por ano, quase o mesmo valor do produto
nacional bruto mundial.

Mais recentemente, entretanto, o jornal O Estado de S. Paulo (2010) divulgou um relatório


do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), o qual alertava para os
impactos econômicos da perda da biodiversidade no mundo. Em âmbito global, os

25
desmatamentos e a degradação florestal geram um custo anual entre US$ 2 trilhões e US$
4,5 trilhões (R$ 3,6 trilhões e R$ 8,2 trilhões). Ressalta-se que valor é maior do que os
prejuízos provocados pela recente crise financeira mundial.

É importante observar que existem muitos trabalhos publicados sobre valoração de bens e
serviços ambientais, mas a imensa maioria trata de conceitos, metodologias e discussões,
sendo pouquíssimos os que apresentam valores discriminados. Essa contabilidade, no
entanto, é fundamental para se estabelecer parâmetros para a valoração econômica (De
Groot, 1995; Costanza, 1994).

Buscou-se neste trabalho a conformidade com o pressuposto colocado por LIMA & SILVA
(1999) quando da escolha dos fatores de valoração econômica utilizados, os quais destacam
que “a empreitada de valorar bens naturais não é simples, mas nem por isso menos
necessária. Uma boa norma de conduta em modelagem é começar estabelecendo modelos
simples que, embora não sejam tão abrangentes ou realistas quanto seria desejável, podem
ser derivados de início para considerar minimamente a avaliação de impactos. Modelos
assim podem avaliar apenas os danos mais visíveis e óbvios, resultando em valorações
subdimensionadas, ou seja, a valores monetários menores do que aqueles instintivamente
percebidos. Mas isso é um avanço em relação à antiga prática de considerar tanto o
consumo de recursos naturais como a produção de poluição como um custo nulo e,
conseqüentemente, não impondo limites a estas atividades.”

Esse "desafio da valoração", segundo SEROA DA MOTTA (1998), deve ser enfrentado
com a consciência de que os resultados estarão passiveis de críticas e a certeza de que, qual
seja o ponto de vista em que se coloquem seus elaboradores, os cálculos serão reflexos das
múltiplas variáveis que forem utilizadas.

Cabe lembrar que, de acordo com Marques (2005), identificam-se duas áreas de
conhecimento onde os estudos e exercícios sobre valoração têm evoluído – a economia do
meio ambiente e a economia ecológica. Assim, os resultados desta pesquisa foram pautados
e devem ser pensados sob a ótica da ciência denominada economia do meio ambiente,

26
como será visto adiante. Deste modo, os estudos da economia do meio ambiente e dos
recursos naturais baseiam-se no entendimento do meio ambiente como um bem público e
dos efeitos ambientais, como externalidades geradas pelo funcionamento da economia.

Sendo assim, os valores dos bens e recursos ambientais e dos impactos ambientais, não
captados na esfera de funcionamento do mercado, devido a falhas em seu funcionamento,
podem ser estimados, na medida em que se possa descobrir qual a disposição da sociedade
e dos indivíduos a pagar pela preservação ou conservação dos recursos e serviços
ambientais. De forma geral, o valor econômico dos recursos ambientais tem sido
desagregado na literatura da seguinte maneira: Valor econômico total (VET) = Valor de uso
(VU) + Valor de opção (VO) + Valor de Existência (VE) - equivalente ao VERA utilizado
neste estudo.

A Economia Ecológica, por sua vez, constitui-se em uma abordagem que procura
compreender a economia e sua interação com o ambiente a partir dos princípios físicos e
ecológicos, em meio aos quais os processos econômicos se desenvolvem. Em termos
gerais, os métodos de valoração baseados nesta abordagem utilizam o montante de energia
capturada pelos ecossistemas como uma estimativa do seu potencial para a realização do
trabalho útil para a economia. Este processo de valoração, geralmente, utiliza do conceito
de Produção Primária Bruta de um ecossistema (Marques, 2005).

A Produção Primária Bruta é uma medida da energia solar utilizada pelas plantas para fixar
carbono. Assim, a energia solar capturada pelo sistema é convertida em equivalente de
energia fóssil. Posteriormente, faz-se a transformação deste equivalente em energia fóssil
em unidades monetárias, utilizando-se uma relação entre o Produto Interno Bruto e o total
de energia usada pela economia. O método da análise energética propõe definir os valores
ecológicos dos ecossistemas em função dos custos da energia envolvida na sua produção: a
quantidade de energia necessária para a organização de estrutura complexa, como o
ecossistema, pode servir como medida de seu custo de energia, de sua organização e de seu
valor (Marques, 2005).

27
Outro ponto importante na matéria, a ser examinado, é a definição de dano ambiental, uma
vez que não se encontra no ordenamento jurídico brasileiro uma definição expressa para o
referido termo. Destaca-se que a legislação ambiental utiliza as seguintes expressões:
poluidor, degradação ambiental e poluição. A Lei 6.938/81 que dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, estabelece no seu artigo 3, inciso IV que poluidor “é a pessoa
física ou jurídica,de direito público ou privado,responsável,direta ou indiretamente,por
atividade causadora de degradação ambiental”. Ainda, conceitua a degradação ambiental
como a “alteração adversa das características do meio ambiente” (inciso II, do artigo 3 da
citada lei). Assim sendo, é importante mencionar a definição legal de poluição prevista no
artigo I, da Lei 6.938/81: “Poluição-a degradação da qualidade ambiental resultante das
atividades que direta ou indiretamente”:

a) prejudicam a saúde e o bem estar da população;


b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matéria ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos”

Como se vê, a legislação define poluidor como a pessoa (física ou jurídica) causadora da
degradação ambiental, por conseguinte, poluidor é o degradador ambiental ou a pessoa que
altera adversamente as características do ambiente. A Constituição Federal de 1988 no
capítulo dedicado ao Meio Ambiente estabelece como forma de reparação do dano
ambiental três tipos de responsabilidade, a saber: civil, penal e administrativa, todas
independentes e autônomas entre si. Ou seja, com uma única ação ou omissão pode-se
cometer os três tipos de ilícitos autônomos e também receber as sanções cominadas.

Por outro lado, o dano ambiental apresenta características diferentes do dano tradicional,
principalmente porque é considerado bem de uso comum do povo. Trata-se, aqui, de
direitos difusos, em que o indivíduo tem o direito de usufruir o bem ambiental e também
tem o dever de preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

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CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O valor econômico estimado para o dano ambiental por desflorestamento da Mata Atlântica
no Estado do Rio de Janeiro nos últimos cinco anos foi de R$ 182.762.653,90 (cento e
oitenta e dois milhões, setecentos e sessenta e dois mil, seiscentos e cinqüenta e três reais e
noventa centavos), equivalendo a um valor médio por hectare de R$ 134.979,80 (cento e
trinta e quatro mil, novecentos e setenta e nove reais e oitenta centavos) ou US$
73.358,58/ha.
Como forma de, no futuro, aprimorar as estimativas realizadas neste estudo, recomenda-se
refazer os cálculos aqui desenvolvidos tão logo o Inventário Florestal do Estado do Rio de
Janeiro seja executado e disponibilizado ao público. Com tais informações talvez seja
possível refinar as estimativas utilizando volumes de madeira específicos para cada
fitofisionomia (Floresta Ombrófila Densa, Floresta Semidecidual, Restingas, Manguezal,
etc) e estágio de sucessão ecológica (Floresta Pioneira, Secundária Inicial, Secundária
Tardia ou Clímax, etc). Sugere-se, ainda, que estudos futuros incluam a dimensão temporal
nas estimativas, passando de uma medida monetária equivalente ao dano ambiental por
unidade de área (como foi feito neste trabalho), para um resultado que inclua além destas
últimas, também uma unidade de tempo (R$/ha/ano, por exemplo).

29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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diretrizes para a valoração de recursos naturais e ambientais), 2008.

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SITES CONSULTADOS

Todos os sites abaixo foram acessados nos meses de abril, maio e junho do ano de 2010.

http://www.ciflorestas.com.br
http://inventarioflorestal.meioambiente.mg.gov.br
www.sosma.org.br
www.inpe.br
http://www.bcb.gov.br/
Cunha, N. C.; Loures, A. L.. Valoração Ambiental: Estudo de caso. Ministério Público do
Estado de Minas Gerais, 2009. (Disponível em: http://www.pgr.mpf.gov.br/)
Marques, J. F.. Valoração ambiental, 2005. (Disponível em: http://www.cienciahoje.pt/)

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