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Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento.


ISSN 1981-9919 versão eletrônica
P e r i ó d i c o d o I n s t i t u t o B r a s i l e i r o d e P e s q u i s a e E n si n o e m F i s i o l o g i a d o E x e r c í c i o
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CIRURGIA BARIÁTRICA: UMA OPÇÃO DE TRATAMENTO PARA A OBESIDADE MÓRBIDA

BARIATRIC SURGERY: A WAY TO TREAT MORBID OBESITY


1
Andreia Monteiro ,
1
Isabella de Angelis

RESUMO
ABSTRACT

A obesidade mórbida é uma doença crônica,


de etiologia multifatorial, que acarreta Morbid obesity is a multifactorial and chronic
prejuízos importantes à saúde do indivíduo e disorder associated with great damage to
pública. Devido à sua gravidade e difícil individual and public health. Due to its severity
manejo clínico, novas estratégias de and difficult management, new treatment
tratamento têm sido propostas, dentre as strategies are being proposed, with special
quais, destaca-se a cirurgia bariátrica. O attention to bariatric surgery. The objective of
objetivo deste trabalho é discorrer sobre as this study is to present an overview of the
indicações e contra-indicações deste indications and control indications of this
procedimento, as técnicas cirúrgicas utilizadas, procedure, surgical techniques, possible
possíveis complicações clínicas e metabólicas, clinical and metabolic complications, and
assim como os resultados obtidos com os results obtained with each technique.
diferentes procedimentos cirúrgicos.

Palavras-chave: Obesidade; cirurgia Keywords: Obesity; bariatric surgery;


bariátrica; acompanhamento multidisciplinar; multidisciplinary approach; metabolic
complicações metabólicas. complications.

1- Programa de Pós-graduação Lato Sensu Endereço para Correspondência:


em Obesidade e Emagrecimento da Nome: Isabella de Angelis
Universidade Gama Filho – UGF Endereço: Rua Prof. João Arruda, 134, ap. 33,
Perdizes. 05012-000. São Paulo-SP.
E-mail: isabella.angelis@hotmail.com

Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo v. 1, n. 3, p. 19-26, Mai/Jun, 2007. ISSN 1981-9919.
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INTRODUÇÃO oxidação dos mesmos (Garrido, 2004). Devido


a essa etiologia multifatorial, pode ser
Durante um longo período da História, classificada em dois grandes contextos:
a obesidade era sinônimo de beleza, bem- - exógena: influenciada por fatores
estar físico, riqueza e poder. Atualmente, externos de origens comportamental, dietética
constitui um importante problema de saúde e/ou ambiental, os quais representam em
pública, tanto em países desenvolvidos quanto torno de 95% ou mais dos casos;
em desenvolvimento. Considerada epidemia - endógena: relacionada a
global pela Organização Mundial de Saúde componentes genéticos, neuropsicológicos,
(OMS), tornando-se a principal causa de morte endócrinos e metabólicos, os quais
evitável, juntamente com o tabaco (Viuniski, representam, aproximadamente, 5% dos
2003). casos (Dâmaso e colaboradores, 2003).
O número de pacientes que buscam o O parâmetro utilizado para
tratamento cirúrgico, assim como a indicação classificação da obesidade, segundo a
médica para a realização de tal procedimento, Organização Mundial de Saúde (OMS) é o
têm aumentado muito nos últimos anos. Tal Índice de Massa Corporal (IMC), de acordo
fato ocorre em virtude da redução da com o risco de mortalidade associada. Desta
qualidade e da expectativa de vida acarretada forma, IMC ≥ 30 Kg/m², é caracterizado como
pela obesidade mórbida, e dos sucessivos obesidade grau I. IMC ≥ 35 Kg/m² e ≥ 40 Kg/
fracassos dos tratamentos conservadores m², são classificados como obesidade grau II e
(dietéticos, farmacológicos e atividade física) grau III, respectivamente (Fandiño e
(Cordás, Lopes e Segal, 2004). colaboradores, 2004).
O tratamento cirúrgico objetiva o Na América Latina, a obesidade e
emagrecimento, melhoria da qualidade de vida suas comorbidades (diabetes mellitus,
e metabólica. Para tanto, a redução na hipertensão arterial, dislipidemias, doenças
ingestão energética e disciplina dietética são cardiovasculares, entre outras) são
fatores fundamentais (Fandiño e responsáveis pelo falecimento de,
colaboradores, 2004). Porém, a intervenção aproximadamente, 200 mil indivíduos a cada
cirúrgica vem sendo utilizada como uma ano (Coutinho e colaboradores, 1998). No
“solução milagrosa” para todos os problemas e Brasil, a prevalência desta patologia está
complicações referentes à obesidade (Garrido, aumentando, causando grande impacto na
2004). saúde pública (Monteiro, 1998).
Em virtude da importância e gravidade
deste assunto, o presente trabalho tem como
objetivo expor as reais indicações da cirurgia Tratamento cirúrgico da obesidade
bariátrica para o tratamento da obesidade,
relatar alguns resultados encontrados em A indicação da intervenção cirúrgica
pesquisas científicas realizadas em diferentes no tratamento da obesidade vem aumentando
técnicas cirúrgicas e discorrer sobre as nos últimos anos, em virtude da melhora
principais complicações metabólicas resultante em múltiplos aspectos da vida do
decorrentes desses procedimentos. paciente (Segal e Fandino, 2002). Fandino e
colaboradores, (2004), observaram melhora
dos parâmetros cardiorrespiratórios (dor
REVISÃO DA LITERATURA torácica, dispnéia, apnéia do sono e
hipertensão) e metabólicos, oriundos da
Obesidade substancial redução do peso, favorecendo
melhora na qualidade de vida destes
A obesidade é uma doença crônica pacientes.
caracterizada pelo acúmulo excessivo de Em contrapartida, os obesos
gordura corporal, conseqüência de uma passaram a considerar o ato cirúrgico como
ingestão calórica superior ao gasto energético uma “solução milagrosa”, capaz de resolver
(Fandiño e colaboradores, 2004). Contudo, a todos os seus problemas (Garrido, 2004).
gênese da obesidade é influenciada por Com o intuito de evitar indicações
fatores genéticos e ambientais, assim como errôneas para este procedimento, o paciente a
maior capacidade de síntese lipídica e menor

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ser submetido ao ato cirúrgico deve preencher orientando-os sobre a nutrição pós-cirúrgica,
os seguintes critérios: exercícios físicos, dietas e detecção precoce
• IMC ≥ que 40 Kg/m²; de complicações metabólicas e quadros
• IMC ≥ 35 Kg/m², associado a comorbidades; psiquiátricos, com o objetivo de propiciar
• tempo mínimo de 5 anos de evolução da adequado e satisfatório resultado cirúrgico e
obesidade; de perda do excesso de peso.
• história de falência do tratamento Entretanto, na prática clínica, observa-
convencional realizado por profissionais se que muitos pacientes acreditam estar bem,
qualificados; não desejam continuar o acompanhamento
• ausência de dependência de drogas ilícitas multidisciplinar, e acabam não recebendo esse
ou alcoolismo; suporte (Kenler, Brolin e Cody, 1980). Para
• ausência de quadros psicóticos ou que a evolução cirúrgica ocorra de maneira
demências graves ou moderadas; adequada, o paciente deve receber este
• ser capaz de se cuidar ou dispor de pessoas acompanhamento, inclusive em longo prazo
ou instituições que garantam seu (Fandiño e colaboradores, 2004).
acompanhamento pós-operatório adequado
com equipe multidisciplinar, por toda a vida Técnicas cirúrgicas
(National Institutes of Health Consensus
Development Conference Statement, 1992). O tratamento cirúrgico da obesidade
surgiu na década de 50 e com o passar dos
A taxa de mortalidade aceitável da anos as técnicas foram sendo aperfeiçoadas
cirurgia bariátrica está entre 0,5 e 1,5%. (Garrido, 2004). Atualmente, as mais utilizadas
Porém, a realidade é um pouco diferente, são as restritivas (balão intragástrico,
sendo este valor de, aproximadamente, 1,9%, gastroplastia vertical bandada e banda
decorrente do maior risco anestésico, devido à gástrica ajustável) e as mistas (cirurgia mista
obesidade e suas comorbidades. Além disso, com maior componente restritivo e cirurgia
pacientes operados por cirurgiões mista com maior componente disabsortivo)
inexperientes estão 4,7 vezes mais (Resolução CFM, 2005).
predispostos ao óbito (Scheier, 2004). As cirurgias disabsortivas não são
O paciente deve receber tratamento mais utilizadas, em virtude da elevada
pré e pós-cirúrgico, orientado por equipe incidência de complicações metabólicas e
multidisciplinar (psiquiatra, endocrinologista, nutricionais em longo prazo. Nesta técnica,
nutricionista, psicólogo, educador físico e grande parte do intestino torna-se não
cirurgião bariátrico) (Garrido, 2004). Estes funcionante, acarretando intensa perda de
profissionais devem atuar nos períodos pré e nutrientes através das fezes, além de
pós-cirúrgicos, esclarecendo dúvidas, complicações digestivas, como diarréia,
discutindo e adequando as expectativas do cirrose e pneumatose intestinal, devido a
paciente às limitações do tratamento cirúrgico, ocorrência de um supercrescimento bacteriano
elaborando um adequado planejamento (Resolução CFM, 2005).
alimentar, investigando sobre possíveis
alterações psíquicas e sugerindo outras fontes Balão intragástrico
de prazer, que não apenas o ato de comer
(Cordás, Lopes e Segal, 2004). O paciente Em 1982, Nieben e Harbol
também deve participar ativamente do apresentaram um tratamento alternativo à
tratamento para atingir resultados positivos e cirurgia para obesidade mórbida. A proposta
minimizar as possíveis complicações consistia na utilização de uma prótese, que
cirúrgicas e metabólicas (Garrido, 2004). preenchia e restringia a cavidade gástrica,
Cordás, Lopes e Segal (2004) causando sensação de saciedade e
sugerem a formação de grupos de suporte diminuindo o volume residual disponível para o
pós-cirúrgico que incluiriam pacientes, pais e alimento (Resolução CFM, 2005).
cônjuges. Durante as reuniões, seriam O balão intragástrico é uma prótese de
abordadas as dificuldades da família e silicone com formato cilíndrico, ligado a uma
utilizadas técnicas de aconselhamento e sonda de preenchimento, por onde é insuflado
resolução de problemas. Estes grupos visam a com líquido e 10% de Azul de Metileno. É
melhora da aderência ao tratamento, introduzido no paciente pela cavidade oral,

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através de endoscopia, e sua capacidade de Gastroplastia vertical bandada


preenchimento é de 400 a 700ml. Trata-se de
um método provisório, devendo ser retirado Esta técnica consiste na restrição
em até seis meses (Resolução CFM, 2005). mecânica à ingestão de alimentos e no
retardamento do esvaziamento gástrico,
Indicação: provocando a sensação de saciedade com
● pacientes com IMC ≥ que 35kg/m² pequena ingestão alimentar (Garrido, 2004).
com doenças associadas, que não obtiveram Por meio de laparoscopia, faz-se uma
sucesso com o tratamento clínico da sutura na região da cárdia, originando um
obesidade e que apresentam contra- pequeno reservatório gástrico, com
indicações para o tratamento cirúrgico; capacidade de, aproximadamente, 20ml, cujo
● preparo de pacientes com IMC ≥ que fluxo é regulado por um anel de polipropileno
50kg/m² para a cirurgia de restrição gástrica; (Resolução CFM, 2005).
● redução do risco anestésico para
outras cirurgias (Garrido, 2004). Indicação:
Esta técnica cirúrgica é indicada para
Contra-indicação: pacientes não compulsivos, que não tenham o
Pacientes com esofagite de refluxo, hábito de ingerir doces e líquidos
hérnia hiatal, cirurgia gástrica ou intestinal de hipercalóricos em grandes quantidades
ressecção, doença inflamatória intestinal, em (Resolução CFM, 2005).
uso de antiinflamatórios e anticoagulantes,
álcool ou drogas, e pacientes grávidas não Contra-indicação:
devem ser submetidos a esta técnica Pacientes que possuem grande
(Resolução CFM, 2005). preferência por doces ou bebidas alcoólicas e
portadores de esofagite de refluxo não devem
Complicações clínicas: ser submetidos a esta técnica (Garrido, 2004).
Durante o tratamento o paciente pode
apresentar refluxo gastroesofágico, úlcera Complicações clínicas:
péptida, esvaziamento espontâneo do balão, O paciente pode apresentar fístula
oclusão intestinal por migração do balão, gástrica, maior ocorrência de vômitos,
colonização do balão por fungos, possibilidade de deiscência das linhas
deslocamento do balão, aderências ao grampeadas, seguida de complicações intra-
estômago e vômitos. Há ainda relatos de abdominais, embolia pulmonar,
pacientes que apresentaram quadro de bulimia esplenectomias, infecções da ferida
durante o tratamento, ocasionando distúrbios operatória, trombose venosa profunda,
hidroeletrolíticos (Garrido, 2004). alongamento e migração da banda (Garrido,
2004).
Acompanhamento: Transtornos alimentares também
O paciente deve comparecer às podem ocorrer. Yale e Weiler (1991)
consultas com a equipe multidisciplinar após identificaram bulimia nervosa ou síndrome do
15, 30, 60, 90, 120 e 180 dias. Após 15 dias, a comer noturno em 32% de seus pacientes.
atividade física deve ser estimulada e iniciada.
Caso ocorram vômitos ou dor, o paciente deve Acompanhamento:
ser submetido a uma endoscopia digestiva, e Não foi encontrada nenhuma
ser orientado a observar a coloração de sua recomendação específica para o pós-
urina e fezes, relatando qualquer alteração ao operatório de pacientes submetidos a esta
cirurgião (Garrido, 2004). técnica cirúrgica. Assim sendo, o
acompanhamento preconizado para a cirurgia
Resultados: bariátrica, em geral, deve ser seguido.
Em estudo realizado por Garrido
(2004), o balão intragástrico proporcionou Resultados:
emagrecimento de 23 a 50% do peso inicial, e Através deste procedimento, os
a recidiva da obesidade após 18 meses foi de pacientes reduzem, em média, 30% de seu
45%. peso inicial nos primeiros anos (Resolução
CFM, 2005). Garrido (2004), observou que a

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perda média foi de 19,7% do peso inicial, após


acompanhamento durante cinco anos dos Acompanhamento:
pacientes não reoperados por recidiva ou falha Não foi encontrada nenhuma
da técnica. Esses indivíduos estavam recomendação específica para o pós-
satisfeitos com o resultado da cirurgia. operatório de pacientes submetidos a esta
É comum haver redução da perda de técnica cirúrgica. Assim sendo, o
peso após alguns anos. Tal fato é decorrente acompanhamento preconizado para a cirurgia
do “aprendizado” dos pacientes em selecionar bariátrica, em geral, deve ser seguido.
e ingerir alimentos líquidos hipercalóricos (milk
shake, leite condensado) que possuem uma Resultados:
passagem rápida pelo estômago (Resolução A média de perda de peso é de,
CFM, 2005). aproximadamente, 35,8% do peso inicial, em
dois anos, sendo que a perda é maior no início
Banda gástrica ajustável e diminui gradualmente (Garrido, 2004).

Uma prótese de silicone é introduzida, Cirurgia mista com maior componente


por videolaparoscopia, na porção alta do restritivo
estômago, fazendo com que este órgão
adquira a forma de uma ampulheta. O Esse grupo de cirurgias compreende
diâmetro interno da banda é regulado por as diversas modalidades de derivação gástrica
injeção de líquido no reservatório (Resolução (bypass gástrico) com reconstituição do
CFM, 2005). trânsito intestinal em Y de Roux, envolvendo
Trata-se de um método reversível, maior restrição da capacidade gástrica, com
pouco agressivo, que permite ajustes menor componente disabsortivo. As técnicas
individualizados, com baixas complicações mais empregadas são a de Fobi e Capella, e
nutricionais e morbimortalidade cirúrgica, além de Wittgrove e Clark (Resolução CFM, 2005).
de retorno rápido às atividades rotineiras. Um Estas técnicas consistem em reduzir o
fator dificultador é o elevado custo desta volume do estômago a não mais do que 50 ml
técnica (Resolução CFM, 2005). e conectá-lo ao intestino. Além de reduzir o
volume gástrico também diminui sua
Indicação: velocidade de esvaziamento, pois é colocado
A indicação desta técnica segue as um pequeno anel de contenção. O
mesmas indicações para o tratamento procedimento pode ser por via laparoscópica
cirúrgico da obesidade (NIH Conference ou através de uma incisão abdominal (Garrido,
Development Panel, 1991): 2004).
● pacientes com IMC ≥ que 35kg/m² Além da restrição mecânica à ingestão
com comorbidades; de alimentos, em virtude da bolsa gástrica,
● pacientes com IMC ≥ que 40kg/m². também ocorre restrição alimentar por meio de
um mecanismo fisiológico do tipo Dumping
Contra-indicação: (náuseas e vômitos provocados pela ingestão
Inadequada para pacientes que de alimentos líquidos ou pastosos
ingerem muito doce, que apresentam esofagite hipercalóricos), e ainda pela exclusão do
de refluxo e hérnia hiatal, sem condição trânsito alimentar de grande parte do
anestésico cirúrgica, com retardo mental e/ou estômago. Tal fator diminui a produção de
doenças psiquiátricas, dependência química e grelina, um hormônio gástrico, produzido sob
doenças auto-imunes (NIH Conference estímulo da chegada do alimento, e que
Development Panel, 1991). provoca aumento no apetite (Fobi, Lee e
Fleming, 1989).
Complicações clínicas: Segundo Kenler, Brolin e Cody (1980),
Podem ocorrer migração intragástrica este procedimento cirúrgico é atualmente o
da banda, complicações com o reservatório, mais popular para o tratamento da obesidade
hemorragias, febre, peritonite e necrose mórbida, por provocar maior perda de peso e
gástrica, assim como riscos inerentes ao uso menos complicações em longo prazo.
permanente de um corpo estranho (Fin e
colaboradores, 1999).

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Indicação: Este procedimento é fundamentado na


De acordo com a Resolução CFM derivação gastroileal e gastrectomia, sendo
(2005), estas cirurgias são eficientes para esta última a responsável pela redução do
pacientes com elevada ingestão de doces, em volume do recipiente gástrico, agindo como
virtude da ocorrência de Síndrome de fator restritivo e acessório (Resolução CFM,
Dumping após a ingestão destes alimentos. 2005).
Scopinaro foi o primeiro a descrever a
Contra-indicação: derivação biliopancreática, atualmente
Nenhuma contra-indicação específica denominada derivação biliopancreática com
foi relatada na literatura. As contra-indicações gastrectomia distal (Buchwald, 2002).
são as mesmas da cirurgia bariátrica em geral. Nessas técnicas, há menor restrição
da capacidade gástrica, com predomínio do
Complicações clínicas: componente disabsortivo, permitindo maior
Com o uso desta técnica cirúrgica ingestão alimentar (Resolução CFM, 2005).
podem ocorrer complicações como deiscência O intestino delgado é seccionado a
de suturas e Síndrome de Dumping, cerca de 250 cm da válvula ileocecal. O
caracterizada por náuseas, vômitos, rubor, dor segmento distal é anastomosado ao estômago
epigástrica e sintomas de hipoglicemia e o segmento proximal é anastomosado ao
(Kenler, Brolin e Cody, 1980). Cordás, Lopes e íleo a 50, 100 ou 150 cm da válvula ileocecal,
Segal (2004) observaram que 40% dos dependendo da técnica escolhida (Marceau e
pacientes apresentaram episódios bulímicos. colaboradores, 2001).
Este tipo de cirurgia apresenta
Acompanhamento: vantagens como a não restrição na ingestão
Garrido (2004) orienta o retorno pós- de alimentos, eficácia em relação à perda de
operatório a cada 2, 4, 6, e 12 meses, e a peso e manutenção em longo prazo, e
cada 6 e 12 meses subseqüentes. reservatório gástrico completamente acessível
aos métodos de investigação. Porém, está
Resultados: mais sujeito a complicações nutricionais e
A redução de peso ocorre de forma metabólicas de difícil controle (Resolução
progressiva, inicialmente, e diminui entre o 12º CFM, 2005).
e 24º mês. Em longo prazo, a redução é de
aproximadamente 35%, com melhora das Indicação:
comorbidades, qualidade de vida e auto- Esta técnica cirúrgica é indicada para
estima dos pacientes (Garrido, 2004). pacientes que desejam ter uma acentuada e
A cirurgia de bypass em Y de Roux sustentável perda de peso, comer maiores
provoca maior perda de peso quando volumes de alimentos, quando o estômago
comparada com outras técnicas cirúrgicas. Tal operado tiver doenças que devem ser
fato é decorrente não apenas da redução na monitorizadas, para refazer outras operações
ingestão de alimentos, mas também bariátricas mal sucedidas e em pacientes com
decorrente da má absorção de gorduras comportamento bulímico de purgação
devido à exclusão do duodeno, síndrome de (Garrido, 2004).
dumping e mudanças no estilo alimentar
(Kenler, Brolin e Cody, 1980). Contra-indicação:
Kenler, Brolin e Cody (1980), Nenhuma contra-indicação específica
observaram que a perda de peso nos foi relatada na literatura. As contra-indicações
primeiros seis meses foi semelhante com à da são as mesmas da cirurgia bariátrica em geral.
utilização da banda gástrica ajustável. Porém,
com a técnica de bypass em Y de Roux, a Complicações clínicas:
perda de peso foi maior após 12, 18 e 24 O uso desta técnica pode provocar
meses. hemorróidas, fissuras anais, abscessos
perianais, acne, furunculose, cegueira noturna,
Cirurgia mista com maior componente dumping, artrite, halitose, hiperoxalúria,
disabsortivo desmineralização óssea, úlcera de boca
anastomótica e aumento no número de

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evacuações diárias com fezes e flatos fétidos Mudanças no hábito alimentar na fase
(Resolução CFM, 2005). pós-cirúrgica também contribuem para o
surgimento das deficiências de vitaminas e
Acompanhamento: minerais. A carne vermelha, grande fonte de
Não foi encontrada nenhuma ferro, é o alimento mais difícil de ser
recomendação específica para o pós- consumido depois de qualquer técnica
operatório de pacientes submetidos a esta restritiva, e o leite e seus derivados, grandes
técnica cirúrgica. Assim sendo, o fontes de B12, são os alimentos mais
acompanhamento preconizado para a cirurgia intolerados após a técnica de bypass
bariátrica, em geral, deve ser seguido. (Marceau e colaboradores, 2001).
Segundo Mason, Jalagani e Vinik
Resultados: (2005), a deficiência de vitamina D também é
De acordo com Garrido (2004), muito freqüente na cirurgia de bypass em Y de
aproximadamente 64% do peso excessivo é Roux, provocando perda de massa óssea.
eliminado. Após o uso das técnicas mistas, o
alimento ingerido é jogado para dentro do
Complicações Metabólicas jejuno cerca de 10 a 15 minutos após a
ingestão, tempo insuficiente para a correta
Os tipos e severidade das digestão e liberação gradual do quimo, e
complicações metabólicas resultantes da começa a sofrer hidrólise tornando o meio
cirurgia bariátrica, dependem da técnica mais concentrado. Em resposta, é retirado
cirúrgica utilizada. Todas as complicações líquido do plasma para equilibrar o meio mais
metabólicas em longo prazo são incompletas concentrado, ocasionando queda do volume
devido ao pobre acompanhamento dos sanguíneo que leva à diminuição do
pacientes no período pós-cirúrgico e/ou dados rendimento cardíaco, taquicardia, suor,
incompletos sobre as complicações (Mason, fraqueza e outros sintomas como náuseas,
Jalagani e Vinik, 2005). vômito e cólicas abdominais seguidas por
A banda gástrica vertical apresenta diarréia (Mahan e Stump, 1998).
menos complicações do que as outras Todos os médicos cirurgiões
técnicas. Deficiência de vitamina B12, tiamina especialistas na técnica de cirurgia bariátrica
e desmineralização óssea são as deveriam saber do grande potencial que os
complicações metabólicas mais freqüentes pacientes submetidos a este tratamento têm
(Mason, Jalagani e Vinik, 2005). de desenvolverem complicações metabólicas
Garrido (2004) relata que ao utilizar a e ajudar a diagnosticar, prevenir e tratá-las
técnica acima, geralmente, não é necessária durante toda a vida dos mesmos.
suplementação de vitaminas. Entretanto,
recomenda o acompanhamento das
concentrações séricas de ácido fólico, CONSIDERAÇÕES FINAIS
transferrina, ferritina e vitamina B12.
A técnica de bypass em Y de Roux
provoca deficiência de pelo menos um A cirurgia bariátrica consiste em uma
micronutriente na maioria dos pacientes, importante alternativa para o tratamento da
durante o longo período de acompanhamento. obesidade mórbida. Entretanto, é primordial
A absorção do ferro encontra-se diminuída em que as orientações e indicações clínicas pré-
virtude da menor secreção de ácido gástrico e determinadas para este procedimento sejam
da não exposição deste nutriente no duodeno respeitadas, para que os abusos atuais
e jejuno proximal, onde é absorvido. Assim deixem de ocorrer, onde obesos engordam
sendo, a anemia ocorre com grande ainda mais para se enquadras nos critérios
freqüência e pode se tornar um problema para realização da cirurgia. Estes indivíduos
persistente. Ocorre deficiência de vitamina não consideram quaisquer complicações
B12 e folato, também em virtude da ressecção metabólicas, assim como não estão dispostos
gástrica, que provoca diminuição da secreção a modificar seu estilo de vida.
de ácido gástrico e fator intrínseco (Mason, A recidiva de ganho de peso ainda é
Jalagani e Vinik, 2005). muito elevada, e um dos fatores causais é a
inexistência do acompanhamento pré e pós-

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ISSN 1981-9919 versão eletrônica
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operatório adequados. Há a necessidade de 10- Marceau, P.; Hould, F.S.; Lebel, S.; e
conscientização destes pacientes sobre a colaboradores. Malabsorptive obesity surgery.
necessidade de mudar seus hábitos Surg Clin N Amer, v. 81, 2001, p.113-1127.
alimentares e psicológicos, para que o objetivo
de redução do peso corporal seja alcançado e 11- Mason, M.E.; Jalagani, H.; Vinik, A.I.
mantido. Para tanto, o trabalho da equipe Metabolic Complications of Bariatric Surgery:
multidisciplinar durante todo o Diagnosis and Management Issues.
acompanhamento destes pacientes é de Gastroenterol Clin N Am, v. 34, 2005, p. 25-33.
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Recebido para publicação: 21/03/2007


Aceito: 04/05/2007

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