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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTITUTO DE TECNOLOGIA FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA

DISCIPLINA: GERAÇÃO DE ENERGIA Prof .a : CARMINDA CÉLIA M. M. CARVALHO

CAPÍTULO 3- MODELOS DE DESEMPENHO ESTÁTICO E DINÂMICO

3.1- INTRODUÇÃO

Em um sistema operando com velocidade constante e sem variação no campo de excitação dos seus geradores, qualquer acréscimo ou decréscimo de carga provocará uma variação na rotação do conjunto máquina motriz-gerador, além de influenciar a tensão dos barramentos. Para que esses parâmetros retornem aos seus valores normais, é necessário adicionar ou retirar mais energia da máquina motriz ou alterar a excitação dos geradores. Em uma máquina síncrona, a freqüência de oscilação da tensão alternada induzida na armadura e da corrente que flui nos seus enrolamentos quando a carga é conectada deve estar em sintonia com a velocidade do rotor acionado pela máquina primária (daí a denominação de Máquina Síncrona). Logo, em um sistema com várias máquinas operando em paralelo, as tensões e correntes do estator de todos os geradores devem possuir a mesma freqüência e a velocidade mecânica dos rotores deve ser igual e estar em sincronismo com essa freqüência. Por outro lado, a natureza e a ordem de grandeza de um distúrbio influenciam o comportamento do sistema de energia elétrica. A sua capacidade de encontrar um novo ponto aceitável de equilíbrio quando submetido a alguma contingência é o que define o seu grau de estabilidade. Pode-se concluir, então, que a estabilidade também é uma condição de equilíbrio entre forças, pois para permanecer a condição normal de operação do sistema existe uma força que é capaz de controlar as pequenas oscilações que ocorrem entre as máquinas e de mantê-las em sincronismo. Quando um distúrbio muito grande acontece, pode ocorrer a perda de sincronismo entre os geradores que, em última instância, pode ser contornada com o desligamento de alguma unidade através da atuação dos equipamentos de proteção. Para modelar o desempenho estático e dinâmico de um sistema gerador (conjunto máquina motriz-gerador), deve-se analisar a sua capacidade de retornar a condição normal de operação na presença de algum distúrbio. O presente capítulo trata da modelagem estática do sistema e da análise do seu comportamento mediante pequenas variações em torno do ponto de operação. As unidades geradoras são aproximadas por fontes de tensão alternada constante, permitindo o emprego de equações linearizadas para substituir as equações algébricas e diferenciais não-lineares do sistema.

3.2- DINÂMICA DO ROTOR E EQUAÇÃO DE OSCILAÇÃO

Considere-se o caso simplificado de um gerador isolado suprindo uma carga, como mostrado na figura 3.1:

T e G T T m
T e
G
T
T m

Fig. 3.1- Máquina motriz + gerador suprindo uma carga isolada

onde:

T m : torque do eixo ou torque mecânico suprido pela máquina primária menos o torque de retardo devido às perdas rotacionais (N-m) T e : torque elétrico ou eletromagnético resultante (N-m)

A equação que descreve o movimento do rotor de uma máquina síncrona é:

com:

e

onde:

J d

m

2

dt

2

θ

= T

a

T a = Jα m

α

2

d θ

m

=

m dt

2

(i)

J: momento de inércia total das massas do rotor (kg-m 2 )

θ m : deslocamento angular do rotor em relação a um eixo estacionário (rad.) t: tempo (s) T a : torque de aceleração resultante (N-m) α m : aceleração angular (rad/s 2 )

O torque de aceleração resultante corresponde a diferença entre o torque mecânico da máquina primária e o torque elétrico do gerador, ou seja:

T a = T m - T e

Em regime permanente: T m = T e e T a = 0, ou seja, não existe aceleração ou desaceleração das massas do rotor, tendo-se como resultado a velocidade síncrona entre as massas do rotor do gerador e da máquina primária e entre as demais máquinas do sistema. Para o gerador síncrono, T m e T e são considerados positivos, sendo o torque elétrico T e correspondente à potência resultante no entreferro da máquina (potência de saída total do gerador + perdas no enrolamento da armadura) e o torque mecânico T m tendendo a acelerar o rotor no sentido positivo de rotação de θ m (figura 3.2-a). No motor síncrono, T m e T e são considerados negativos. T e corresponde à potência no entreferro necessária para acionar o motor e T m representa o torque de oposição da carga e as perdas rotativas, cujo efeito é o de atrasar o rotor (figura 3.2-b).

T m

w T e w T e T m a) b)
w
T e
w
T e
T m
a)
b)

Fig.3.2- Comparação entre as direções de rotação e os torques mecânico e elétrico do rotor de um gerador (a) e de um motor (b).

O deslocamento angular do rotor com respeito a um eixo estacionário, θ m , pode também ser obtido considerando-se o deslocamento do rotor em relação a um eixo de referência que gira com velocidade síncrona (fig.3.3), através da seguinte equação:

onde:

θ m = w sm t + δ m

w sm : velocidade síncrona da máquina (rad mec /seg). δ m : deslocamento angular do rotor a partir do eixo de referência da rotação síncrona (rad mec ).

de referência da rotação síncrona (rad m e c ). δ m θ s = w
δ m θ s = w sm t θ m
δ m
θ s = w sm t
θ m

w

Eixo de referência rotativo

Eixo de referência estacionário

Eixo do rotor

Fig.3.3: Deslocamento do rotor em relação a um eixo que gira com velocidade síncrona

Então:

d θ

m

dt

=

w

sm

+

d

δ

m

dt

Da equação anterior, pode-se concluir que a velocidade angular do rotor (dθ m /dt) é constante e igual a velocidade síncrona somente quando dδ m /dt é zero. Logo:

e

d δ

m

dt

: desvio de sincronismo da velocidade do rotor (rad mec /seg)

d

2

θ

m

dt

2

=

d

2

δ

m : aceleração do rotor (rad mec /seg) 2

dt

2

Substituindo-se a equação acima na equação (i), tem-se:

2 δ

J d

m

2

dt

== TTT

a

m

e

(N.m)

Como o produto do torque pela velocidade angular resulta em potência, multiplicando-se a equação anterior por w m , obtém-se:

com:

w

=

d θ

m

m dt

J w

d

2

δ

m

m dt

2

== PPP

a

m

e

: velocidade angular do rotor (rad/seg)

(ii)

P m : potência de entrada no eixo da máquina menos as perdas rotacionais (HP) P e : potência elétrica no entreferro (W) P a : potência de aceleração (W)

Desprezando-se as perdas rotacionais e as perdas na armadura (I 2 R), tem-se:

P m : potência elétrica suprida pela máquina primária (W) P e : potência elétrica na saída do gerador (W)

O produto Jw m é o momento angular do rotor. Na velocidade síncrona:

Jw sm = M: constante de inércia da máquina (Joule-seg/rad mec )

Logo, a equação (ii) torna-se:

M d

m

2

dt

2

δ

== PPP

a

m

e

(W)

(iii)

Outra constante importante relacionada à inércia das máquinas é a chamada constante H ou constante de tempo de inércia, definida por:

Logo:

H =

energia cinética armazenada em MJ na velocidade síncrona

potência nominal em MVA

 

1

Jw

2

 

1

Mw

H =

2

sm

2

sm

 

=

 

S

maq

S

maq

(MJ/MVA)

S máq : potência mecânica nominal da máquina, em MVA

Então, da equação anterior, obtém-se:

M =

2H

S

w sm

maq

(MJ.seg/rad mec )

(iv)

Substituindo-se a equação anterior na equação (iii), tem-se:

2H

d

2 δ m

P a

P

m

P

e

=

=

w

sm

dt

2

S

maq

S

maq

(v)

Pode-se, então, obter uma forma geral para a equação anterior, ou seja:

onde:

2H d

2

w

s

dt

2

δ ==

PPP

a

m

e

(pu): Equação de Oscilação da Máquina

(vi)

δ m e W sm : referem-se ao uso de unidades mecânicas na equação δ e W s : referem-se ao uso de unidades elétricas na equação

As grandezas mecânicas e elétricas podem ser relacionadas a partir da seguinte

expressão:

 

grandeza

(

)

elé trica

 

(

mecânica

)

=

p

δ

w

α

p

p

;

α

m

=

p

.

.

.

grandeza

p: n o de pares de pólos

Logo:

δ ==; w

mm

Para um sistema com freqüência elétrica em Hz, a equação de oscilação da

máquina fica:

ou

H

d

2

δ

2 == PPP

π

f

dt

a

m

e

H

d

2

dt

δ == PPP

2

a

m

180 f

(δ em radianos elétricos)

e (δ em graus elétricos)

A equação de oscilação da máquina é a equação fundamental que governa as

dinâmicas rotacionais das máquinas síncronas em estudos de estabilidade e pode ser escrita

como duas equações diferenciais de 1 a ordem:

2H dw

w

s

dt

δ =

d

dt

w

=

P

P

w

m

s

e

gráfico que relaciona o ângulo δ com o tempo é denominado de curva de

oscilação da máquina e é através da análise das curvas de oscilação de todas as máquinas do sistema que se obtém a indicação se as mesmas permanecerão em sincronismo após um distúrbio.

O

3.3- OUTRAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A EQUAÇÃO DE OSCILAÇÃO

A constante de tempo de inércia H representa, fisicamente, o período de tempo

durante o qual a máquina girante (gerador + turbina) continuaria a fornecer potência nominal, supondo-se a ocorrência hipotética de corte brusco da energia primária recebida pela mesma. A constante de inércia M varia amplamente com o tamanho e o tipo da máquina, enquanto a constante H assume uma faixa mais estrita de valores. Por isso, a constante M é raramente utilizada na prática e as formas da equação de oscilação envolvendo H são mais freqüentemente encontradas.

O MVA base utilizado na equação (v) para se obter a forma geral da equação

de oscilação dada pela equação (vi) considera a utilização de valores nominais da própria máquina. Deve-se, no entanto, considerar uma expressão que relacione os valores individuais de MVA das máquinas a um valor base comum para todo o sistema. Isso é conseguido utilizando-se a seguinte fórmula de conversão:

H

sist

=

H

maq

S

maq

S

sist

Pode-se também relacionar a velocidade do conjunto turbina-gerador com a variação ocorrida nas potências mecânica e elétrica a partir da equação (iii). Considerando-se o operador constante k definido por:

k =

d

dt

Obtém-se, da equação (iii):

P

a

=

M

d

(

k

δ

dt m

)

E, aplicando-se a Transformada de Laplace à equação anterior, tem-se:

P a (s) = MSk(δ m (s))

e

Mas:

k

δ

m

() =

s

1

MS

P

a

s

()

P a (s) = P m (s) - P e (s) P m (s) = P mo (s) + ΔP m (s) P e (s) = P eo (s) + ΔP e (s)

E, em regime permanente, P mo (s) = P eo (s), logo:

P a (s) = ΔP m (s) - ΔP e (s)

Correspondendo ao diagrama de blocos mostrado na figura 3.4, a seguir:

ΔP e (s) - + 1 ΔP m (s) MS
ΔP e (s)
-
+
1
ΔP m (s)
MS

Fig.3.4- Diagrama de blocos relacionando a velocidade na saída com variações nas potências de entrada

Considerando-se um sistema funcionando sem regulação de velocidade, ou seja, com ΔP m (s) = 0, tem-se:

k

δ

m

() =−

s

1

Δ P

MS e

()

s

Para uma variação brusca de carga, tem-se:

Logo:

Graficamente:

Δ P

e

k

δ

m

(

s

) =

Δ

P

e

S

(aumento de carga)

(

s

) =−

Δ

P

e

MS

2

E, no domínio do tempo:

k

δ

m

=−

Δ P

e

M

t

ΔP e (t) ΔP e
ΔP e (t)
ΔP e

(a)

t

kδ(t) (erro de velocidade ou freqüência)
kδ(t) (erro de velocidade ou freqüência)

(b)

t

Fig.3.5- Erro de velocidade para um sistema [em (b)] considerando uma entrada degrau [em(a)].

3.4- RELAÇÃO ENTRE A CONSTANTE DE INÉRCIA (M) E A CONSTANTE DE TEMPO DE INÉRCIA (H)

A equação que relaciona as constantes M e H é:

M =

2H

w

sm

S

maq

(iv)

Se forem tomados os valores da potência nominal e da velocidade angular como valores base, obtém-se, em p.u.:

onde:

S pu = 1

w pu = 1

M

= 2

H

S pu

w pu

Logo: 2H = M

O valor da constante de tempo de inércia equivalente para o sistema é dado

pela expressão:

H

eq

=

i

H

(

sist i

)

H sist(i) : constante de tempo da máquina i, referida à base do sistema.

3.5- INFLUÊNCIA DA FREQUÊNCIA NA POTÊNCIA ELÉTRICA CONSUMIDA

Conforme citado no capítulo 2, todo sistema de potência está constantemente sujeito a variações na demanda que alteram o perfil da sua freqüência. Existe, no entanto, uma capacidade própria dos sistemas de encontrar um novo estado de equilíbrio “por si só”, denominada de regulação própria, expressa através do parâmetro D (“Damping”), chamado de Coeficiente de Amortecimento. Então:

D =

Δ P

D

Δ f

Considerando-se n geradores acoplados, a variação total de carga nos mesmos

é dada pela expressão:

ΔP

D

=

n

i = 1

ΔP

D i

ΔP Di : variação na carga i devido a uma variação Δf na freqüência.

Logo:

ΔP

D

=

n

ΔfD

i = 1

i

D i : coeficiente de amortecimento da carga i.

Portanto, o coeficiente de amortecimento é uma característica própria que depende do tipo de carga que o sistema possui, ou seja, é uma constante inerente do sistema devido à variação de sua carga com a freqüência.

Define-se por característica de freqüência da carga o parâmetro expresso por:

D

'=

D

P eo

P eo : potência nominal da carga a uma freqüência nominal

Logo:

D '= Δ

P

D

1

Δ f

Δ f

P

eo

Considerando-se P eo = P base e utilizando-se a variação da freqüência em p.u,

fica:

D’ pu = D pu

Considerando-se a freqüência nominal como freqüência base e a carga nominal como valor base de potência, a característica de freqüência da carga representa, em geral, variações de 1 a 2 p.u. na carga do sistema.

Em geral, a carga de um sistema é composta por uma variedade de dispositivos elétricos. Para cargas resistivas, como lâmpadas incandescentes e aquecedores, a potência elétrica consumida é independente da freqüência. No caso de cargas como motores, ventiladores e bombas, a potência varia com variações na freqüência devido a alterações na velocidade do motor. A característica geral de uma carga composta pode, então, ser expressa por:

ΔP e = ΔP L + DΔf

ΔP L : variação de carga do sistema independente da freqüência.

As figuras 3.6 e 3.7 mostram o diagrama de blocos levando em consideração o amortecimento da carga:

ΔP m

+ 1 Δf MS - ΔP e + D + ΔP L
+
1
Δf
MS
-
ΔP e
+
D
+
ΔP L

Fig.3.6- Diagrama de blocos considerando o amortecimento da carga

ou:

ΔP m

ΔP L

- + 1 MS - D
-
+
1
MS
-
D

Δf

Fig.3.7- Diagrama de blocos considerando o amortecimento da carga

De acordo com o Teorema da Superposição:

Δ

f

(

s

) =

1 ( D + MS )
1
(
D
+
MS
)

Δ

()

Ps

m

− Δ

()

Ps

L

Então, o diagrama de blocos equivalente será:

ΔP m

ΔP L - 1 + Δf MS + D
ΔP L
-
1
+
Δf
MS + D

Fig.3.8- Diagrama de blocos equivalente considerando o amortecimento

O termo Δf na saída dos diagramas das figuras 3.6 a 3.8 pôde ser utilizado

porque, em p.u.: kδ m = Δf, pois:

δ m = θ m - w sm t

Então:

 

d δ

m

 

d

θ

m

dt

=

dt

w

sm

kδ

m = w m - w sm = Δw (erro de velocidade)

Logo:

 

kδ

m = 2πΔf

 

E,

em p.u.: kδ m(pu) = Δf (pu)

Considerando-se a não atuação dos reguladores de velocidade das turbinas, ou seja, ΔP m = 0, e supondo-se um impacto de carga aproximado por um degrau (ΔP L /S), tem-se para a variação na freqüência de saída:

(

Δf s

) =−

1

(

S MS

+

D

)

Δ

P

L

E, no domínio do tempo:

Δ f

() =−

t

Δ

P

L

D

(

1

e

D

M

t

)

Que corresponde a curva da figura 3.9, a seguir:

Δf(t) ΔP L D
Δf(t)
ΔP
L
D

t

Fig.3.9- Resposta do sistema no domínio do tempo

3.6- POTÊNCIA ELÉTRICA TRANSMITIDA ENTRE DUAS MÁQUINAS

O diagrama unifilar da figura 3.10 representa duas máquinas ou dois sistemas

equivalentes eletricamente acoplados:

~ ~ . ( i ) ( j ) I . r + jx .
~
~
.
( i )
( j )
I
.
r + jx
.
S
S
.
ij
ji
.
V
V
i
j

Fig.3.10- Representação esquemática de dois sistemas eletricamente acoplados

onde:

&

V

&

V

i

j

=

=

V

V

i

j

∠α : tensão do barramento i ∠β : tensão do barramento j

I & : corrente na linha i-j r: resistência da linha i-j x: reatância da linha i-j

Considerando-se a tensão V i adiantada em relação à tensão V j , a potência S ij transmitida entre os barramentos i e j é:

&

&&

S VI

ij

=

i

Com:

&

I

P

=+

ij

Q

ij

=

V

i

∠− α − ∠− β

V

j

r

jx

Assim, as equações das potências ativa e reativa resultantes são:

P

ij

Q

ij

=

=

1

r

2

+

x

1

2

[

r

2

+

x

2

rV

2

i

[

xV

2

i

rV V

i

j

xV V

i

j

cos δ

+

xV V

i

j

cosδ

rV V

i

j

sen δ]

senδ]

(vii)

Com: δ = α - β: ângulo de carga ou ângulo de potência

A potência S ji transmitida do barramento j para o barramento i é dada por:

&

S

ji

=

&

V

j

(

&

I

)

Logo:

P ji

Q

ji

=

=

1

r

2

+

x

1

2

[

r

2

+

x

2

rV

2

j

[

xV

2

j

rV V

i

j

xV V

i

j

Com: -δ = β - α

cosδ

xV V

i

j

cosδ

+

rV V

i

j

senδ]

senδ]

A perda de potência ativa na linha de transmissão é obtida através da seguinte

equação:

P LOSS = P ij + P ji

3.7- COEFICIENTE DE POTÊNCIA SINCRONIZANTE

Considerando-se a potência de entrada fornecida pela máquina primária P m constante, a potência elétrica na saída P e determinará as condições para que o rotor acelere, desacelere ou permaneça na velocidade síncrona. Deseja-se, agora, analisar a estabilidade de um determinado ponto de operação P eo , δ o e determinar se, nesse ponto, o sistema gerador não perde o sincronismo quando submetido a pequenas alterações na potência de saída. Para isso, consideram-se pequenas variações incrementais em torno do ponto considerado, ou seja:

P e = P eo + ΔP e

δ = δ o + Δδ

Que, substituídos na equação (vi), resultam em:

2H d

2

(

δ

o

+ Δδ

)

w

s

dt

2

(

PP

=−

me

o

+ Δ

P

e

)

(viii)

Desprezando-se a resistência da linha de transmissão, tem-se para a potência

ativa na saída:

 

P e = P máx senδ

Logo:

 

P eo + ΔP e = P máx sen(δ o + Δδ)

P eo + ΔP e = P máx (senδ o cosΔδ + cosδ o senΔδ)

Como Δδ é apenas um pequeno deslocamento incremental em torno de δ o , tem-

se:

 

senΔδ ≈ Δδ

e

cosΔδ ≈ 1

Logo:

P eo + ΔP e = P máx senδ o + P máx cosδ o .(Δδ)

(ix)

Utilizando-se, então, uma igualdade restrita, onde se tem:

P m = P eo = P máx senδ o

E, substituindo-se a igualdade acima na equação (ix), encontra-se:

P m - (P eo + ΔP e ) = -P máx cosδ o .(Δδ)

Substituindo-se o lado direito da equação (viii) pela equação acima, obtém-se:

2H d

2

(

Δδ

)

w

s

dt

2

+

(

P

max

cos

δ

o

)

Δδ =

0

(x)

Onde o termo P máz cosδ o é a declividade da curva de ângulo de potência para o ângulo δ o , mostrada na figura 3.11:

P e P máx P eo δ δ 90 o δ’ o
P e
P máx
P eo
δ
δ
90 o
δ’
o

Fig.3.11- Exemplo de uma curva de ângulo de potência

Deve-se ressaltar que a potência mecânica de entrada é constante e intercepta a curva do gráfico acima no ângulo de operação δ o . Essa é a posição angular inicial do rotor do gerador, correspondente às condições de operação dadas. Então:

dP e d δ
dP
e
d
δ

δ=δ

o

=

P

max

cos

δ o

=

T

Onde T é chamado coeficiente de potência sincronizante ou torque de potência sincronizante e mede a “firmeza elétrica” da linha de transmissão.

A equação (x) pode ser reescrita da seguinte forma:

d

(Δδ) +

dt 2

2

w

s

T

2H

Δδ =

0

(xi)

Tem-se, então, uma equação diferencial linear de 2 a ordem, cuja solução depende do sinal algébrico de T. Quando T é positivo, a solução Δδ(t) corresponde à do movimento harmônico simples, cuja solução gráfica é uma senóide sem amortecimento e de freqüência angular w. Quando T é negativo, a solução Δδ(t) cresce exponencialmente sem limite. Portanto, o ponto de operação (ou ângulo δ o no gráfico da figura 3.11) correspondente ao valor positivo de T é um ponto de equilíbrio estável, sendo a oscilação do rotor limitada quando a máquina é submetida a pequenas oscilações. Por outro lado, quando T é negativo, o ponto correspondente (δ’ no gráfico da figura 3.11) é um ponto de equilíbrio instável, não sendo válido como ponto de operação. Pode-se concluir, então, que a solução da equação (xi) é representada por oscilações senoidais, uma vez que o coeficiente de potência sincronizante deve ser positivo. A velocidade angular das oscilações não amortecidas é dada por:

w

n

=

w T s 2H
w
T
s
2H

(rad. elét. /seg.)

Correspondendo a uma freqüência de oscilação dada por:

f

n

=

1 w T s 2π 2H
1
w
T
s
2H

De acordo com a equação (ix):

P eo + ΔP e = P máx senδ o + P máx cosδ o .(Δδ)

(ix)

Mas, de acordo com a igualdade estrita utilizada anteriormente:

P m = P eo = P máx senδ o

Logo:

 

ΔP e = P máx cosδ o .(Δδ)

ou seja:

 

ΔP e = T(Δδ)

Tomando-se, agora, uma variação angular geral entre duas máquinas, ou seja:

Δδ = Δδ 1 - Δδ 2

Encontra-se:

Δδ = (δ 1 - δ 2 ) - (δ o1 - δ o2 )

com:

δ o1 e δ 1 : ângulos inicial e final da máquina 1. δ o2 e δ 2 : ângulos inicial e final da máquina 2.

Então:

d (

Δδ

)

dt

= δ −δ

k (

1

2

)

Aplicando-se a Transformada de Laplace à equação anterior, encontra-se:

Δδ( ) =

s

()

ksk

δ

1

− δ

2

()

s

S

Logo, a variação de potência elétrica transmitida entre duas máquinas ou dois sistemas interligados [ΔP 12 (s)] pode ser escrita como:

(

ΔP s

12

) =

T

S

[

ksk

1

δ

(

)

δ

2

(

s

)]

Como visto anteriormente, os termos kδ 1 (s) e kδ 2 (s) representam, em p.u., variação em torno da freqüência nominal, logo:

e

Δ Ps () − Δ Ps () m 1 L 1 Δ f ( s
Δ
Ps
()
− Δ
Ps
()
m
1
L
1
Δ f
( s
)
=
1
(
D
1 + MS
)
1
Δ
Ps
()
− Δ
Ps
()
m
2
L
2
f
( s
)
=
Δ 2
(
D
MS
)
2 +
2
A representação, em diagrama de blocos, é:
ΔP L1 (s)
+ -
1
ΔP m1 (s)
Δf 1 (s)
D 1 + MS
-
1
+
ΔP 12 (s)
T
S
-
+
+
1
ΔP m2 (s)
Δf 2 (s)
D
2 + MS
-
2

ΔP L2 (s) Fig.3.12- Diagrama de blocos mostrando a interligação entre duas máquinas

No diagrama da figura 3.12, o intercâmbio de potência entre as máquinas 1 e 2 (ΔP 12 ) é percebido como carga pela máquina 2 e geração adicional pela máquina 1.

3.8-

INFINITA)

SISTEMA

FINITO

INTERLIGADO

A

UM

GRANDE

SISTEMA

(BARRA

Podem acontecer situações onde um sistema de pequeno porte (barramento finito) seja interligado a um grande sistema, em cujo barramento a tensão permanece constante e não existe variação de freqüência, mesmo que ocorram variações na potência de entrada ou na excitação de campo do gerador síncrono a ele ligado (barramento infinito). Portanto, um barramento infinito pode ser considerado como um barramento onde está localizada uma máquina de tensão interna constante, com impedância zero e inércia infinita. O diagrama de blocos considerando o sistema 2 como um barramento infinito é mostrado na figura 3.13. Nesse caso: Δf 2 = 0 e considerando-se ΔP m1 (s)= 0, obtém-se:

Δ f s ) S 1 ( =− Δ Pe () s SMS ( +
Δ f
s
)
S
1 (
=−
Δ Pe
()
s
SMS
(
+
D
)
+
T
1
11
ΔP e1 (s)
+
-
1
ΔP m1 (s)
+ MS
- D 1
1
+
ΔP 12 (s)
T
S
-

Δf 2 (s) = 0

Δf 1 (s)

Fig.3.13- Sistema finito interligado a um barramento infinito

3.9- REFERÊNCIAS

1- Ribeiro, R. R. P., Notas de Aula, Universidade Federal do Pará, 1992.

2- Stevenson Jr., W. D., “Elementos de Análise de Sistemas de Potência”, McGraw-Hill, 2 a edição em português, São Paulo, 1986.