Sei sulla pagina 1di 12

ENGENHARIA DE APLICAÇÃO PARA VÁLVULAS DE CONTROLE

Fábio Lazzarine Peruchi, Metso Automation do Brasil Ltda, Aracruz, Brasil

RESUMO
Este trabalho visa apresentar casos de estudos de aplicações, para válvulas automáticas, realizados
com o objetivo de recomendar soluções de problemas originados por falhas de aplicação em
equipamentos, indicando válvulas, atuadores e instrumentos de acordo com a sua função no
processo, fluido, segurança e aspectos preditivos de manutenção.
O objetivo central é tratar os vários fatores para um bom desempenho das válvulas no que se diz
respeito a sólidos em suspensão, gases em altas velocidades, altos diferenciais de pressões,
erosividade, ruído elevado, cavitação, flashing e ataques químicos, além de aspectos de controle
como banda morta, velocidade de resposta, histerese, entre outros. Para que esses problemas
possam ser resolvidos da melhor forma possível, é muito importante o papel da engenharia de
aplicação para minimizá-los, com base nos materiais que serão utilizados para construção do corpo e
internos da válvula, além dos acessórios instalados para obtermos um controle rigoroso no processo.
Além disto, é de grande importância a utilização de ferramentas preditivas que permitem a
monitoração de diversas variáveis diferentes como posição atual da válvula, set point de posição,
fator de carga, pressão diferencial no atuador e etc., sabendo que a ferramenta mencionada na
aplicação para monitoramento, têm como objetivo determinar a performance da válvula e apresentar
diagnósticos referentes ao processo. No desenvolvimento do trabalho serão citados casos específicos
e reais que tiveram os problemas acima mencionados durante seu processo e foram solucionados
com a utilização das ferramentas e acessórios corretos, além dos resultados alcançados com
sucesso.

ABSTRACT
This paper aims to present case studies of applications for automatic valves, made with the aim of
recommending solutions to problems caused by failures in equipment for the application, indicating
valves, actuators and instruments according to their function in the process, fluid, and security aspects
of predictive maintenance.
The central objective is to address the various factors to a performance valve as relates to suspended
solids, gases at high speeds, the high differential pressure, erosivity, high noise, cavitation, flashing
and chemical attacks, and aspects of dead band as control, speed of response, hysteresis, and
others. For these problems can be solved in the best possible way, is very important the role of
engineering application to minimize them, based on the materials to be used for construction of the
valve body and internal, in addition to the accessories fitted to obtain a control rigorous in the process.
Furthermore, it is of great importance the use of predictive tools that allow monitoring of different
variables such as current position of the valve, set point of position, load factor, the differential
pressure actuator and so on., Knowing that the tool mentioned in the application for monitoring, are
designed to determine the performance of the valve and provide for the diagnostic process. In
developing the work will be cited specific cases that have real problems mentioned above during their
process and have been solved with the use of correct tools and accessories, in addition to the results
achieved with success.

Palavras chave: estudo, aplicação, válvula, controle, dimensionamento.


Key words: study, application, valve, control, design.

1. INTRODUÇÃO
Por definição, uma válvula é um acessório destinado a bloquear, restabelecer, controlar ou
interromper o fluxo de uma tubulação. As válvulas de hoje podem, além de controlar o fluxo, controlar
o nível, o volume, a pressão, a temperatura e a direção dos líquidos e gases nas tubulações. Essas
válvulas, por meio da automação, podem ligar e desligar, regular, modular ou isolar. Podem ser
fabricadas em linhas de produção, em bronze fundido, muito simples e disponível em qualquer loja de
ferramentas ou até ser o produto de um projeto de precisão, com um sistema de controle altamente
sofisticado, fabricada de uma liga exótica de metal para serviço em um reator nuclear.
As válvulas podem controlar fluidos de todos os tipos, do gás mais fino a produtos químicos altamente
corrosivos, vapores superaquecidos, abrasivos, gases tóxicos e materiais radioativos. Podem
suportar temperaturas criogênicas à de moldagem de metais, e pressões desde altos vácuos até
pressões altíssimas.
Uma válvula de controle consiste basicamente de dois conjuntos principais o corpo e o atuador. O
corpo e a parte da válvula que executa a ação de controle permitindo a passagem do fluido no seu
interior, conforme a necessidade do processo. O conjunto do corpo divide-se basicamente em corpo
propriamente dito e internos. Sendo o conjunto do corpo, a parte da válvula que entra em contato
direto com fluido, deve satisfazer os requisitos de pressão, temperatura e compatibilidade química
com o fluido.

2. TIPOS DE CORPOS
Existe uma grande variedade de válvulas, e, em cada tipo, existem diversos subtipos, cuja escolha
depende não apenas da natureza da operação a realizar, mas também das propriedades físicas e
químicas do fluido considerado, da pressão e da temperatura a que se achará submetido, e da forma
de acionamento pretendida. Podemos agrupar os principais tipos de válvulas em deslocamento linear
e deslocamento rotativo. Define-se por válvula de deslocamento linear, a válvula na qual a peça
móvel vedante descreve um movimento retilíneo, acionada por uma haste deslizante, enquanto que
uma válvula de deslocamento rotativo é aquela na qual a peça móvel vedante descreve um
movimento de rotação acionada por um eixo girante. Para cada tipo de processo ou fluido sempre
temos pelo menos um tipo de válvula que satisfaça os requisitos teóricos de processo, independente

2
da consideração econômica. Cada um desses tipos de válvulas possuem as suas vantagens,
desvantagens e limitações para este ou aquele processo.
3. MATERIAIS PARA A CONSTRUÇÃO DE UMA VÁLVULA DE CONTROLE
A seleção do adequado material para construção de uma válvula é um fator de fundamental
importância. A sua escolha depende das propriedades e características do fluido em processo como
pressão, temperatura, corrosividade e erosividade.
É costume utilizar como guia de orientação, as diversas tabelas publicadas em compêndios técnicos,
quanto a capacidade de resistência à corrosão dos diversos materiais. Toda orientação neste sentido
não deve ser considerada como definitiva, já que é praticamente impossível, catalogar com absoluta
certeza as inúmeras aplicações, face às variações que a pressão, temperatura e concentração,
exercem sobre a característica corrosiva do fluido.
As partes internas que incluem obturador, anel da sede, haste do obturador e partes da caixa de
gaxetas, apresentam uma maior variedade de possibilidades técnicas e econômicas de materiais para
construção. A seleção dos materiais para internos é geralmente definida levando em consideração
parâmetros como corrosividade, erosão e temperatura do fluido.

4. ATUADORES PARA VÁLVULAS DE CONTROLE


O atuador constitui-se no elemento responsável em proporcionar a necessária força motriz ao
funcionamento da válvula de controle. O atuador em si, é um dispositivo que em resposta ao sinal
enviado pelo controlador, produz a força motriz necessária para movimentar o elemento vedante da
válvula de controle. O atuador utilizado em aplicações de controle modulado, baseado no meio de
produção de sua força motriz, classifica-se basicamente em cinco principais tipos:
Atuador pneumático tipo mola e diafragma
O atuador pneumático tipo mola e diafragma é o atuador que utiliza um diafragma flexível, conforme
fig. 1, sobre o qual age uma pressão de carga variável em oposição à força produzida por uma mola.
O diafragma é alojado entre dois tampos, formando duas câmaras, uma das quais totalmente
estanque, por onde entra o sinal da pressão de carga. A força motriz é obtida pelo produto da pressão
de carga, que é o sinal proveniente do controlador ou do posicionador, pela área útil do diafragma.

Fig.1 – Atuador pneumático tipo mola e diafragma


3
Atuador pneumático tipo pistão
O princípio de funcionamento do atuador tipo pistão é idêntico ao tipo mola e diafragma, visto que a
única diferença entre os mesmos é a troca do diafragma por um pistão, conforme mostrado na fig. 2.

Fig.2 – Atuador pneumático tipo pistão

Atuador elétrico
Os atuadores elétricos consistem de um motor com um conjunto de engrenagens, que disponibiliza
uma elevada faixa de torque de saída, para operação tanto de válvulas com deslocamento linear
quanto de deslocamento rotativo.

Atuador eletro-hidráulico
Este tipo de atuador consiste de uma unidade de bombeamento de óleo a altas pressões e de uma
bobina, que ao ser sensibilizada por um sinal de corrente, gera um campo magnético que faz o
deslocamento de uma palheta provocando a obstrução maior ou menor de um bocal, através do qual
escoa óleo a uma alta pressão. O escoamento deste óleo para o pistão origina o deslocamento do
mesmo e produz uma elevada força motriz.

Hidráulico
Utilizam óleo como fluido sob pressão para produzir energia mecânica.

5. POSICIONADORES INTELIGENTES
A grande diferença entre um posicionador eletro-pneumático comum e um posicionador inteligente
está na possibilidade de se ter diferentes curvas para abertura e fechamento de uma válvula de
controle. Aliados a isso temos uma tecnologia digital, calibração via teclado ou programador, e em
alguns modelos a realimentação da posição da válvula é feita por sensores magnéticos ao invés de
link mecânico. Atualmente alguns fabricantes incorporaram ao posicionador inteligente, interfaces
inteligentes para válvulas, que possuem sensores de posição e de pressão incorporados que
permitem funções de diagnóstico de performance da válvula de controle.

4
6. SELEÇÃO DE UMA VÁLVULA DE CONTROLE
Nos tópicos precedentes foram abordados assuntos referentes aos tipos de válvulas de controle,
materiais para construção e atuadores. Agora focalizaremos de forma objetiva os diversos e principais
fatores que orientam a correta seleção de uma válvula de controle.

6.1 Fatores que definem a seleção de uma válvula de controle


O procedimento para a seleção da válvula de controle mais adequado para uma determinada
aplicação, baseia-se num conjunto de dados e informações muito importantes como as condições de
operação e as informações referentes ao processo e fluído. É a partir desses dados que o próprio
usuário ou fabricante da válvula poderá selecionar de forma correta a melhor válvula para uma
determinada aplicação. Tal procedimento de seleção, embora não seja de todo fácil, é bastante
facilitado se realizarmos uma análise por etapas dos diversos e principais fatores que influenciam na
escolha de uma válvula. Tais fatores são:
1) Considerações quanto ao tipo de controle;
2) Considerações quanto ao tipo de válvula;
3) Considerações quanto ao custo da válvula;
4) Considerações quanto a pressão e queda de pressão;
5) Considerações quanto a temperatura;
6) Considerações quanto ao fluido;
7) Considerações quanto ao nível de vazamento;
8) Considerações quanto a característica de vazão;
9) Considerações quanto aos materiais do corpo e internos;
10) Considerações quanto ao dimensionamento;
11) Considerações quanto a cavitação e “flashing”;
12) Considerações quanto a erosão;
13) Considerações quanto ao nível de ruído.

6.1.1 Considerações quanto ao tipo de controle


Existem basicamente dois tipos de sinais: (1) duas posições (controle biestável) e (2) analógico
(controle modulado). Válvulas de controle para funcionarem num sistema de controle biestável,
podem ser comandadas por simples contatos “abre-fecha” provenientes de chaves elétricas, eletro-
pneumáticas ou pneumáticas. É o tipo mais simples de controle automático, possibilitando a utilização
de uma válvula simples e de baixo custo. No caso de controle modulado, entretanto, onde a válvula
vai posicionar-se em função do valor do sinal analógico, a aplicação requer uma maior complexidade
e tecnologia, exigindo adequado desempenho por parte da válvula de controle, que deverá
posicionar-se precisamente e a tempo, em resposta ao sinal do instrumento.

6.1.2 Considerações quanto ao tipo de válvula


De todos os tipos de válvulas de controle apresentados, alguns apresentam características de
aplicabilidade particularizadas, enquanto que outros tipos são utilizados em uso geral. É nesse grupo

5
de válvulas de utilização mais geral, que residem as principais dúvidas quanto a decisão da escolha,
pois alguns desses modelos são conflitantes e concorrentes entre si. Nesse grupo encontram-se as
válvulas globo, borboleta, esfera, segmentada e de obturador excêntrico rotativo.

6.1.3 Considerações quanto ao custo da válvula


O custo unitário direto e indireto (manutenção) deve ser levado em consideração durante o
procedimento da seleção do tipo de válvula. O custo poderá ser um fator decisivo no caso de, por
exemplo, mais de um tipo de válvula ser considerado como adequado para uma determinada
aplicação.

6.1.4 Considerações quanto à pressão e queda de pressão


A maioria das válvulas de controle comercial preenche os requisitos quanto à pressão do ANSI
(“Americam National Standards Institute”), os quais estabelecem diversas classes de pressão em
função da pressão e temperatura do fluído e do respectivo material de construção. Desta forma, em
função da necessária classe de pressão da válvula, podemos realizar uma das primeiras etapas no
procedimento da seleção de uma válvula de controle.
Outro aspecto, no que diz respeito à pressão, é a queda de pressão através da válvula. Dependendo
do tipo de construção, umas apresentam maior capacidade de suportar altas quedas de pressão do
que outras. Um exemplo disso, o temos entre a válvula globo e a válvula borboleta.
A válvula globo, como também a globo gaiola, possuem uma alta capacidade de funcionamento
mesmo sob altas quedas de pressão estática, enquanto que a válvula borboleta é muito mais limitada.
As construções mais recentes e mais elaboradas tecnicamente têm apresentado resultados de maior
capacidade da queda de pressão do que o apresentado pelas válvulas borboleta convencional,
porém, mesmo assim, suportam quedas de pressão inferiores à linha de válvulas globo.

6.1.5 Considerações quanto à temperatura


A temperatura do fluído é outra importante consideração operacional. As precauções quanto à
seleção da válvula em função de sua capacidade de suportar determinada temperatura do fluído são
duplamente extremas: altas temperaturas e baixas temperaturas.

6.1.6 Considerações quanto ao fluído


O tipo de fluído de escoamento deve, sem dúvida alguma, entrar em considerações na escolha do
tipo de válvula. As propriedades corrosivas, erosivas, abrasivas e viscosas do fluído são altamente
significativas na determinação da válvula.

6.1.7 Considerações quanto ao nível de vazamento


Ao lado da temperatura e fluido, outro fator de importância na especificação do tipo de internos é a
capacidade de estanqueidade da válvula. O nível de vazamento apresentado quando a válvula está
totalmente fechada varia de tipo para tipo de válvula. Assim, dependendo da necessidade de
estanqueidade que o processo em questão requer, é que deve basear-se o procedimento da escolha
do tipo de construção de internos ou tipo de válvula.
A classe de vazamento para cada tipo de válvula é obtida conforme normas específicas.
6
6.1.8 Considerações quanto à característica de vazão
O principal objetivo e função da característica de vazão de uma válvula de controle é variar o ganho
da válvula para compensar as variações do ganho do processo face às flutuações da demanda. O
ganho da válvula indica sensibilidade da sua saída (vazão) conforme as variações da sua entrada
(sinal de comando no atuador). Portanto, uma válvula de alto ganho exibe uma grande variação da
sua vazão para uma pequena variação do seu curso, enquanto que o inverso ocorre para uma válvula
de baixo ganho.

6.1.9 Considerações quanto aos materiais do corpo e internos


A adequada seleção dos materiais é, uma importante etapa a ser considerada no procedimento da
seleção de uma válvula de controle. A escolha do material referente ao corpo da válvula procede-se
em função das condições do fluído quanto à pressão e temperatura, além das propriedades inerentes
ao tipo de fluído, como corrosão, abrasão, etc. De uma forma geral, o ferro fundido e os não ferrosos,
são materiais destinados à fabricação de corpos para aplicações leves em serviços auxiliares. Aço
carbono e aços ligados, destinam-se a grande parte das aplicações industriais não corrosivas. Aços
aos cromo-molibdênio e os aços inoxidáveis austeníticos (da série 300), constituem-se em soluções
adequadas para aplicações erosivas, corrosivas e à altas temperaturas. Outras ligas especiais como
Monel, Alloy 20, Hastelloy B e C, etc., destinam-se para certas aplicações altamente corrosivas, nas
quais materiais como os aços inoxidáveis 304 ou 316 não foram tecnicamente aceitáveis.
Determinados tipos de válvulas que permitem a possibilidade de um revestimento das paredes
internas do corpo com materiais sintéticos, vidros, etc., são soluções econômicas utilizadas em
aplicações corrosivas, erosivas e abrasivas. Para a fabricação das partes internas da válvula
convenciona-se a utilização de materiais nobres, resistentes à ação corrosiva e erosiva do fluído. Os
materiais mais amplamente utilizados são os aços inoxidáveis austeníticos 304 e 316, os
martensíticos 410, 416 e 440C, Stellite, 17-4PH, Monel, etc.

6.1.10 Considerações quanto ao dimensionamento


O procedimento do cálculo do diâmetro de uma válvula de controle constitui-se numa etapa
importantíssima e que deve ser executada após termos já selecionado o tipo da válvula e a sua
característica de vazão. O procedimento do dimensionamento consiste em determinar o diâmetro da
válvula que melhor se adapte para controlar o processo em questão. Ela não deverá nem ser
demasiadamente pequena, de tal forma a não permitir a passagem da requerida quantidade de fluxo,
nem demasiadamente grande, a ponto de operar numa posição muito fechada, o que irá, sem dúvida
alguma, provocar desgastes prematuros das partes internas, problemas de estabilidade do controle,
além de ser desnecessariamente onerosa.

6.1.11 Considerações quanto a cavitação e “flashing”


No escoamento de fluídos líquidos através de uma válvula de controle, existem três tipos diferentes
de regime de escoamento: não cavitante, cavitante e “flashing”. Cada um deles deve ser considerado
quando da escolha e especificação de uma determinada válvula, face aos diferentes potenciais de
tolerância a danificar mecanicamente a válvula e de produção de ruído. No caso de líquidos não
cavitantes e com formação de “flashing”, os níveis de ruído produzidos são geralmente baixos e
7
portanto não se constituem em grandes problemas. Quanto ao aspecto da formação do “flashing”,
este deve ser apenas previsto e proceder ao adequado dimensionamento, limitando-se a queda de
pressão efetiva, o que implica no cálculo de uma válvula um pouco maior, fato esse perfeitamente
lógico, pois o líquido, ao passar pelo orifício da válvula e vaporizar-se aumenta o seu volume
específico, necessitando, portanto, uma maior área de passagem para dar escoamento a mesma
quantidade de vazão. O principal problema produzido pelo “flashing” é o da erosão, requerendo
portanto materiais de especial dureza. Realmente é no escoamento cavitante que se encontram os
principais problemas decorrentes do escoamento de líquidos através de válvulas de controle. A
cavitação deve ser combatida e evitada. O resultado do surgimento do fenômeno da cavitação numa
válvula de controle consiste na produção de excessivos níveis de ruído hidrodinâmico e de
prematuros desgastes das partes da válvula, localizadas logo após o orifício de passagem, além da
tubulação adjacente à jusante. A cavitação deve, portanto, receber uma grande consideração quando
da seleção de uma válvula.

6.1.12 Considerações quanto a erosão


O procedimento de combate a erosão está mais amplamente ligado a escolha dos materiais dos
internos, do que dos materiais do corpo da válvula. Assim de uma forma geral, quando da utilização
de uma válvula de controle numa aplicação erosiva, deve-se especificar com muito critério os
materiais referentes aos internos, selecionando-se materiais mais duros quanto maior for a ação
erosiva, podendo nesse caso, operarmos inclusive com altas quedas de pressão. A utilização de
válvulas com revestimento interno de forros de elastômeros é mais propriamente indicada para
aplicações erosivas a moderadas quedas de pressão.

6.1.13 Considerações quanto ao nível de ruído


O nível de ruído é normalizado pela OSHA, devemos conhecer o porque do surgimento do ruído
numa válvula de controle, pois o melhor método para combatê-lo talvez seja combater a sua causa. O
ruído numa válvula pode ser provocado por três fatores: (1) ruído mecânico, devido à vibração das
partes internas; (2) ruído hidrodinâmico, produzida pelas colisões das bolhas de vapor durante o
fenômeno da cavitação nos líquidos e (3) ruído aerodinâmico, produzido pelo turbulento processo da
compressão e expansão dos gases e vapores através da válvula.

7. ANÁLISE DE PERFORMANCE
Utilizamos um ferramenta que consiste num software baseado na tecnologia FDT(Field device tool) e
DTM(Device type manager), para análise de performance on-line/off-line em válvulas com
posicionadores inteligentes, através de uma seqüência de testes de abertura e fechamento da válvula
de 0 a 100%. Os testes fornecem informações como valores de desvios, contadores de cursos e
reversões, fator de carga e travamento. Essas informações sobre mensagens de erro e tendência de
falha indicam a necessidade de inclusão do equipamento na lista de manutenção a executar.

8. ESTUDO DE APLICAÇÃO PARA UM FLARE


Nesta parte do trabalho vamos abordar um caso de alta complexidade sobre um flare na Venezuela.

8
O flare é um dispositivo de segurança utilizado em vários tipos de indústrias, como petroquímicas,
refinarias, siderúrgicas e plataformas de produção de petróleo para receber e queimar os gases
provenientes do processo industrial nas situações de emergência.

8.1 Estudo de caso FMT 100 mmsfcd


Este caso é de alta complexidade em termos de dimensionamento de válvulas, inclusive com adição
de elementos resistores para controle de alta velocidade em gases, com flashing em condição
extrema em um diferencial de pressão em torno de 900 psi.
Este estudo de caso foi realizado para aplicação de válvula de controle em flare na PDVSA Gás, onde
foi obtido grande sucesso em 2004, inclusive com a implementação da solução.
Nesta aplicação severa com gás natural em alta velocidade para flare, de acordo com as máximas
condições de fluxo, foi selecionada uma válvula de controle completa, e, juntamente com a válvula foi
necessário dimensionar componentes como placa atenuadora A-plate e placa de orifício, conforme
ilustrado na fig. 3. A aplicação em si trata-se de uma linha de flare de gás natural com fluxo de 100
mmsfcd numa linha de 6” até a tubulação principal do flare com 26”. Neste ponto da linha deveria ser
instalada uma válvula para manter a pressão de saída e garantir a segurança do sistema. Este flare é
o maior da Venezuela situado na região oriental do país próximo da cidade de Maturín no Complexo
de compressão de gás natural de Muscar.
Esta posição já vinha apresentando muitos problemas onde foram testadas várias válvulas sem
sucesso. Isto foi o que motivou um estudo detalhado do sistema.

100 mmsfcd flow line


6” 6”

flare 26”
Pipe to

QX-T5 Downstream Orifice


4” A-plate 6” Plate 6”

Fig.3 – Esquema do caso do Flare FMT 100.

Porém deve ser prestada especial atenção sobre a seleção de válvula. É por isso que foi indicada a
utilização de uma válvula esfera com design robusto e com atenuador de ruído, que consiste numa
esfera multicanal que é capaz de suportar as estirpes do processo dando alto desempenho na
melhoria do nível sonoro. Este design especial com placas atenuadoras tem o objetivo de eliminar os
efeitos do flashing, reduzindo o nível de ruído e eliminando desgastes por arraste de material.
Especificação técnica da válvula para linha 100 mmscfd
• Válvula esfera modelo QX-T5FE04DDY02
• Atenuador de ruído multicanal QX para aplicações de gás
• Passagem reduzida, flangeadas, sede única, face a face IEC 534-3 e ANSI / ISA S75.03-1985
• Classe de pressão ANSI 600#

9
• Construção padrão, mancais PTFE, Faixa de temperaturas de -50 a +230 ° C
• Válvula de 4”
• Corpo WCB e internos CF8M + NiBo
• Contra sede, vedações da haste e da tampa top entry em grafite, mancais em PTFE
• Esfera com face plana para balanço de pressão e sede especial ejetora com revestimento de
CrC para aplicações de controle em altos diferenciais de pressão.
A escolha dos materiais com internos em CF8M + Nibo também foram influenciadas pelo fluido que
tinha neste caso residual de H2S e partículas sólidas.

8.2 Estudo de caso FMT 300 mmsfcd


Este é outro caso de alta complexidade, porém mais complicado que o primeiro devido ao aumento
de fluxo considerável e linhas de maiores diâmetros, também com adição de elementos resistores
para controle de alta velocidade em gases, com flashing em condição extrema também com
diferencial de pressão em torno de 900 psi.
Este estudo de caso foi realizado para aplicação de válvula de controle em outro flare na PDVSA Gás
no mesmo sistema citado no caso anterior, onde também foi obtido grande sucesso em 2004,
inclusive com a implementação da solução no mesmo ano.
Nesta aplicação também com gás natural em alta velocidade para flare, foi selecionada uma válvula
de controle similar a anterior, porém com mais componentes como placas atenuadoras A-plate na
saída da válvula e na linha de 20”, além de placa de orifício, conforme ilustrado na fig. 4.
A aplicação em si trata-se de uma linha de flare de gás natural com fluxo de 300 mmsfcd numa linha
de 20” até a tubulação principal do flare com 26”. Neste ponto da linha também deveria ser instalada
uma válvula para manter a pressão de saída e garantir a segurança do sistema, porém de maior
capacidade que a anterior.
Esta posição também vinha apresentando muitos problemas onde foram testadas várias válvulas sem
sucesso. Isto também motivou um estudo detalhado do sistema para que se chegasse a uma solução
única para todo o complexo.

300 mmsfcd flow line


Pipe

flare
26”
to

20”
20”

A-plate 10” Downstream


Original upstream QXA-T5 10” Original
integrated in A-plate 20”
Orifice Orifice
valve flow
Inner diameter plate
port
3 11/16”

Fig.4 – Esquema do caso do Flare FMT 300


10
A válvula deste caso tem as mesmas características técnicas da anterior, porém leva uma placa
atenuadora na saída da mesma, além da placa atenuadora da tubulação principal antes da placa de
orifício, como elemento resistor final para queda gradativa de pressão eliminando os efeitos
destrutivos do flashing.
Neste último caso, devido ao alto diferencial de pressão, o atuador foi dimensionado com duplo
cilindro para ter capacidade plena de atuação da válvula.

9. CONCLUSÃO
Em ambos os casos as válvulas originais apresentavam grandes níveis de desgaste e ruído em torno
de 110 dBA. Com a implementação da solução reduziu-se para níveis em torno de 85 dBA com
internos especiais e instalação de resistores como placas atenuadoras e placas de orifício. Somente
através desta ação, foi possível solucionar o problema e evitar perdas em termos financeiros e de
segurança.
As válvulas originais eram substituídas anualmente ou em algumas campanhas de produção mais
altas, se perdiam as válvulas em até 8 meses.
Com a solução implementada, até o momento não houve problemas com as válvulas instaladas
desde 2004. Além disto, foi reduzido significativamente o impacto ambiental em termos de ruído neste
sistema.
Devemos sempre levar em consideração que o dimensionamento de uma válvula envolve uma
quantidade muito grande de variáveis e que nenhuma delas deve ser negligenciada, com pena de se
gerar perda do equipamento, grandes problemas para o controle de processo, o que facilmente se
reverte em grandes perdas financeiras.

11
Referências Bibliográficas

METSO, Metso Automation do Brasil Ltda. Neles FieldCare. Informações referentes ao software
Fieldcare, Disponível em: <http://www.metsoautomation.com>.
METSO, Metso Automation do brasil Ltda. Nelprof Valve Selection Program. Disponível em:
<http://www.metsoautomation.com>.
SENAI-ES/CST(Companhia Siderúrgica de Tubarão). Elementos Finais de Controle. Apostila do
curso de programa de certificação de pessoal de manutenção, Espírito Santo, 1999.
NELES, Neles Automation. Flow Control Manual. Dados referentes a dimensionamento de válvulas
de controle. Helsinki, 1997.
ISA-ES, The Instrumentation, Systems and Automation Society. Válvulas de Controle. Apostila do
curso válvulas de controle: tipo, seleção e especificação, Espirito Santo, maio de 2008.
METSO, Metso Automation do Brasil Ltda. Válvula Esfera Série T5. Catálogo. Helsinki. 10p.
ZATTONI, Célio Carlos, Materiais para Tubulação, Válvulas e Acessórios. V. 3, São Paulo, 2005.

12