Sei sulla pagina 1di 20

WEB-SATELLITE

CENTRAL SATELLITE DE PRODUÇÃO CAPÍTULO 2

CUBO MÁGICO
Uma novela de
JOÃO PEDRO TUSSET
Direção
Ary Coslov e Marcelo Travesso

Direção Geral/Núcleo
Ricardo Waddington

Personagens deste capítulo:


ALBERTO HELENA
ANDRÉ LUÍSA
BRANCA MAURÍCIO
CAMILA MIMI
CÁSSIO NICOLE
CARLÃO PÉRICLES
DANIEL RENATO
DÉBORA RODRIGO
EDGAR SOLANGE
EVA STEPHANIE
FERNANDA VITOR HUGO

Participações especiais:
COUTINHO / MORADORES DA VILA / POLICIAIS / CONVIDADOS DA FESTA

Atenção
“Este texto é de propriedade intelectual exclusiva da WEB-SATELLITE LTDA e por conter informações
confidenciais, não poderá ser copiado, cedido, vendido ou divulgado de qualquer forma e por qualquer meio, sem
o prévio e expresso consentimento da mesma. No caso de violação do sigilo, a parte infratora estará sujeita às
penalidades previstas em lei e/ou contrato.”
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 2

CENA 0/INTRODUÇÃO:

INSERIR LEGENDA: NO CAPÍTULO ANTERIOR DE CUBO MÁGICO... ESTA CENA


FUNCIONA COMO UM COMPACTO QUE INICIA OS CAPÍTULOS, CONTENDO A
ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR, DANDO O CLIMAX PARA A
CONTINUAÇÃO DO ACONTECIMENTO.

ALBERTO NÃO RESPONDE. HELENA BATE O PÉ, SEM PACIÊNCIA.

HELENA – Pára com essa brincadeirinha Alberto, sai daí, anda logo!

HELENA SE APROXIMA DA CADEIRA E A VIRA. INSERIR EFEITO: CÂMERA LENTA. A


CADEIRA VAI SE VIRANDO, DEVAGAR, ATÉ SE MONSTRAR COMPLETAMENTE.
ALBERTO ESTÁ ESCORADO NA CADEIRA, COM UM TIRO CERTEIRO NO PEITO E
MORTO. A AÇÃO VOLTA AO NORMAL.

HELENA – (GRITANDO/CHOCADA) Alberto! Meu Deus!

CLOSE EM HELENA, COM AS MÃOS NA BOCA, MUITO CHOCADA. CLOSE NO CORPO


DESFALECIDO DE ALBERTO.

CORTA PARA:

CENA 1/CUBO MÁGICO/SALA DA PRESIDÊNCIA – INT/NOITE:

CONTINUAÇÃO DA ÚLTIMA CENA DO CAPÍTULO ANTERIOR. SONOPLASTIA:


INSTRUMENTAL SUSPENSE. HELENA ESTÁ EM DESESPERO AO VER O MARIDO
ASSASSINADO. ELA CAMINHA PRA TRÁS, CAMBALEANDO E DERRAMANDO
LÁGRIMAS.

HELENA – (CHORANDO) Quem fez isso meu Deus! (TAMPA OS


OLHOS) Isso não é verdade, não é verdade!

CORTA PARA:

CENA 2/CUBO MÁGICO/CORREDORES – INT/NOITE:

EVA VEM CAMINHANDO, NERVOSA, OUVINDO OS GRITOS DE HELENA. RENATO


TAMBÉM SURGE E OS DOIS VÃO SEGUINDO OS GRITOS.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 3

RENATO – É a mamãe que está gritando? Estava ouvindo lá de baixo.

EVA – Eu também ouvi, por isso vim aqui ver o que tava
acontecendo.

RENATO – O que será que aconteceu...

HELENA ABRE A PORTA DA SALA DE ALBERTO E SAI, SE SEGURANDO NA


PAREDE. ELA ENCONTRA OS FILHOS.

EVA – Mamãe! Você tá bem? Dá pra ouvir seus gritos lá de baixo!

HELENA – Me ajuda Eva, me ajuda!

RENATO – A senhora tá chorando? Por favor fala o que tá acontecendo.

HELENA – O seu pai... O Alberto... (CHORA) Por que tinham que


fazer isso com a nossa família!

EVA E RENATO SE OLHAM SEM ENTENDER.

CORTA PARA:

CENA 3/CUBO MÁGICO/SAGUÃO – INT/NOITE:

O CLIMA FICA PESADO E TODOS ESTRANHAM A MOVIMENTAÇÃO. CORTA


PARA CAMILA, EDGAR, DÉBORA E PÉRICLES.

CAMILA – Eram gritos sim gente! Gritos da minha mãe, eu não to


ficando louca.

EDGAR – Vai ver não foi nada.

CAMILA – Edgar, eram gritos de horror. Alguma coisa estranha tá


acontecendo.

DÉBORA – E o pior é que o clima pesou, o povo tá todo estranhando.

PÉRICLES – Eu vou lá ver o que tá acontecendo e já volto.

CAMILA – Eu vou junto Péricles! Pode ter acontecido alguma coisa


com a mamãe e eu tenho que saber!
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 4

OS QUATRO SEGUEM PRO CORREDOR ONDE FORAM EVA E RENATO. CORTA


PARA LUÍSA, NICOLE E VITOR HUGO.

NICOLE – Literalmente babado, confusão e gritaria minha gente.


Algum bafão forte ocorreu–se lá dentro.

VITOR HUGO – Pior é que é verdade. Os pais da Elisa acabaram de correr


pra lá.

LUÍSA – Eu também to estranhando. Será que aconteceu alguma


coisa de muito grave?

NICOLE – (CHOCADA) Será que morreu alguém?

CORTA PARA:

CENA 4/CUBO MÁGICO/SALA DA PRESIDÊNCIA – INT/NOITE:

EVA E RENATO ABREM A PORTA E ENTRAM. ELES DÃO DE CARA COM


ALBERTO MORTO. EVA QUASE CAI PRA TRÁS, MAS É AMPARADA POR RENATO,
QUE TAMBÉM FICA ABALADO.

EVA – Papai... Ele tá morto! (SEM AÇÃO) Morto!

RENATO – (ENGOLE A SECO) Assassinado.

NISSO CAMILA, EDGAR, DÉBORA E PÉRICLES TAMBÉM CHEGAM NO LOCAL E


TODOS LEVAM UM GRANDE BAQUE AO VER ALBERTO.

CAMILA – (BERRA) Papai! (CHORA) Não! Não papai!

DÉBORA – Mas que horror!

CAMILA TENTA IR PRA CIMA DO PAI, MAS EDGAR A SEGURA.

CAMILA – (CHORANDO MUITO) Me larga Edgar! Eu preciso pegar


nele, eu não acredito que fizeram isso!

EDGAR – (SEGURA) Não Camila!


CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 5

ELA SE ABRAÇA EM EDGAR, ABALADA E ELE TIRA ELA DA SALA. DÉBORA E


PÉRICLES SE OLHAM. EVA FECHA OS OLHOS, SEM ACREDITAR. RENATO
TAMBÉM SAI DA SALA.

CORTA PARA:

CENA 5/CUBO MÁGICO/CORREDOR – INT/NOITE:

HELENA E CAMILA SE ABRAÇAM, CHORANDO. EDGAR ESTÁ JUNTO DAS DUAS,


AFAGANDO. RENATO VAI PARA UM CANTO E PEGA O CELULAR.

RENATO – (TEL.) Alô? É da polícia?

CORTA PARA:

CENA 6/CUBO MÁGICO/SAGUÃO – INT/NOITE:

A FESTA CONTINUA, NUM CLIMA DE SUSPENSE. BRANCA ESTÁ SENTADA


NUMA POLTRONA, BEBENDO UM MARTINI E DEPRIMIDA. NICOLE, VITOR HUGO
E LUÍSA ESPERAM NOTÍCIAS. E QUANDO O DELEGADO CARLÃO E DOIS
POLICIAIS ENTRAM NO LOCAL, DEIXANDO TODOS CURIOSOS. O DELEGADO
APONTA PRO CORREDOR E ELES SEGUEM PRA LÁ.

NICOLE – Olha lá, a polícia!

LUÍSA – Ih, a coisa fedeu...

CORTA PARA:

CENA 7/CUBO MÁGICO/CORREDOR – INT/NOITE:

OS POLICIAIS SAEM DA SALA LEVANDO O CORPO DE ALBERTO ENCIMA DE


UMA MACA E COM O CORPO COBERTO POR UM LENÇOL BRANCO. TODOS
SAEM DA SALA AINDA ABALADOS, HELENA JUNTO DE CAMILA, EDGAR COM
OS PAIS E EVA ABRAÇADA EM RENATO. O DELEGADO CARLÃO TAMBÉM SAI,
COM O CUBO MÁGICO DENTRO DE UM SACO PLÁSTICO.

CARLÃO – Dona Helena, a senhora e mais uma pessoa terão que me


acompanhar até a delegacia para prestar depoimento pelo que
ocorreu aqui.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 6

HELENA – (ABALADA) Se for para descobrir quem fez essa


brutalidade eu vou!

RENATO – Eu sou filho dela, vou junto seu delegado.

CARLÃO – Ótimo. Aos outros, teremos que isolar a área para que a
perícia possa fazer seu trabalho.

EVA – Meu Deus, o que nós vamos dizer para as pessoas! Que...
(SEGURA O CHORO) acabaram com a vida do papai.

EDGAR – Nós resolvemos isso Eva, fica tranqüila

CAMILA – (CHORANDO) Por que fizeram isso com ele! Ele era uma
pessoa tão boa, não merecia isso.

CARLÃO – É o que nós vamos investigar!

CORTA PARA:

CENA 8/CUBO MÁGICO/SAGUÃO – INT/NOITE:

A MÚSICA PAROU, VÁRIAS PESSOAS JÁ FORAM EMBORA. OS POLICIAIS VEM


CARREGANDO ALBERTO COM A MACA, A FAMÍLIA VEM VINDO ATRÁS. TODOS
COMEÇAM A COCHICHAR, PERPLEXOS. A MACA VAI SAINDO DO PRÉDIO,
JUNTO DE HELENA E ALBERTO. NICOLE SE DESESPERA.

NICOLE – Alberto! (GRITA) É o Alberto!

LUÍSA – Mataram ele! Mataram o Alberto!

NICOLE NÃO ACREDITA. A MACA SAI DO PRÉDIO, HELENA E RENATO COM


CARLÃO. OS CONVIDADOS VÃO SAINDO ATRÁS.

CORTA PARA:

CENA 9/VILA – EXT/NOITE:

SONOPLASTIA: DANÇA DA SOLIDÃO – MARISA MONTE & GILBERTO GIL. PLANO


GERAL DA PACATA E SIMPLES VILA, COM CASAS BEM SIMPLES, PESSOAS
PASSANDO PELA CALÇADA, A RUA ILUMINADA...
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 7

CORTA PARA:

CENA 10/CASA DE SOLANGE/COZINHA – INT/NOITE:

SOLANGE E MIMI ESTÃO ARRUMANDO A MESA DA JANTA. SOLANGE VAI


ESTICANDO A TOALHA ENQUANDO MIMI ORGANIZA OS PRATOS. ANDRÉ E
STEPHANIE VÃO CHEGANDO, DE MÃOS DADAS, E SOLANGE OLHA COM CARA
FEIA.

ANDRÉ – E aí? Tá me olhando com essa cara por que? Eu fiz alguma
coisa?

SOLANGE – Fora o fato de ter saído se me avisar? (PENSA) Ó, não,


você não fez nada André.

ANDRÉ – (SEM SACO) Aff mãe, eu sou adulto, não preciso dizer
toda a hora pra onde eu vou.

SOLANGE – É adulto, mas mora nessa casa e come dessa comida.


Enquanto morar aqui eu exijo saber onde você vai.

ANDRÉ – Fala sério! Todo o dia é isso, parece que é um carma na


minha vida.

SOLANGE – Me respeita moleque, fala direito comigo que eu ainda sou a


sua mãe.

STEPHANIE – Vamos André, vamos lá pra dentro que o clima tá quente


aqui.

SOLANGE – É melhor mesmo, mas não quero barulho nenhum naquele


quarto, por que é uma falta de respeito com quem também
mora aqui.

ANDRÉ – Claro que tu tinha que falar alguma coisa. Olha, um dia
vocês vão acordar e vão notar a minha falta. Sabe onde eu
vou estar? Bem longe.

ANDRÉ PUXA STEHANIE E OS DOIS SAEM.


CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 8

SOLANGE – (GRITA) Volta aqui André! Garoto!

MIMI – Deixa ele mamãe.

SOLANGE – Não Mimi! Não tem como, parece que o seu irmão faz de
tudo pra me atacar.

MIMI – E você ainda não se acostumou?

SOLANGE – Não é essa a questão, ele mora aqui, não tem o direito de
desrespeitar a casa inteira.

MIMI – Não se estressa por causa disso. Daqui a pouco o Maurício


chega e ele odeia esse clima.

SOLANGE – (IRRITADA) Urgh!

MAURÍCIO TAMBÉM CHEGA, INDO EM DIREÇÃO À ELAS, SOLANGE DISFARSA.

SOLANGE – Maurício, chegou bem na hora. Eu e Mimi estávamos


colocando a comida na mesa.

MIMI – Senta mano, eu vou chamar o André e a Stephanie.

MAURÍCIO – (SÉRIO) Espera gente.

SOLANGE – Vixe, que cara é essa? Não gosto quando você chega assim.

MAURÍCIO – É que aconteceu uma coisa meio chata sabe, não sei se eu
devia falar...

MIMI – Mas claro que deve.

SOLANGE – Desembucha Maurício, odeio segredos aqui dentro de casa,


você sabe.

MAURÍCIO – É que tem haver com o meu local de trabalho, com os


Castanho.

SOLANGE – Se é pra falar deles, fique quieto. Você sabe que eu nunca
gostei de te ver naquele emprego.

MIMI – Deixa ele falar mamãe!


CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 9

SOLANGE – Tá bom, fala logo!

MAURÍCIO – O Alberto...

SOLANGE – (ESTRANHA) O que tem o Alberto?

MAURÍCIO – Hoje, numa festa que tinha lá no Cubo Mágico ele...

MIMI – (CORTA) Eu fiquei sabendo dessa festa, parece que a


Mariana e a Lorena tão trabalhando lá de copeiras.

SOLANGE – Ué, tinha uma festa? Como assim? Acabou cedo por que?

MAURÍCIO – É que aconteceu uma tragédia na festa, uma coisa terrível.


Acho melhor você se sentar mamãe.

SOLANGE – Não vou me sentar que eu não sou mulher fraca Maurício.

MAURÍCIO – O Alberto, ele foi na sala dele e... (RESPIRA) e foi


encontrado morto... (SÉRIO) assassinado.

MIMI – (PERPLEXA) Assassinado?

SOLANGE PUXA UMA CADEIRA E CAI SENTADA, PÁLIDA E CHOCADÍSSIMA.


MAURÍCIO E MIMI SE OLHAM PREOCUPADOS.

SOLANGE – (COM A MÃO NA BOCA) O Alberto... morto!

CORTA PARA:

CENA 11/CUBO MÁGICO/SALA DA PRESIDÊNCIA – INT/DIA:

A PERÍCIA EXAMINANDO O LOCAL, VERIFICANDO VESTÍGIOS DE ALGUMA


COISA. LÁ FORA, OS POLICIAIS ISOLAM A AREA COM UMA FITA AMARELA. O
DELEGADO CARLÃO E COUTINHO ESTÃO OBSERVANDO A SALA.

CARLÃO – O corpo já foi liberado. A Dona Helena deu depoimento,


mas ajudou pouca coisa.

COUTINHO – A cena desse crime é curiosa...

CARLÃO – Muito curiosa. Um cubo mágico de brinquedo junto ao


corpo, o telefone fora do gancho.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 10

COUTINHO – Vai ver ele recebeu uma ligação antes de morrer.

CARLÃO – Uma ligação que pode ter sido uma ameaça, talvez por
alguma vingança, não tenho certeza.

COUTINHO – Já sabem de onde que veio essa ligação?

CARLÃO – Eu já mandei descobrirem isso, mas se for o assassino, deve


ter ligado de um lugar que não tenha nenhuma relação.

COUTINHO – Tem razão, deve ser alguém muito esperto pra causar tudo
isso.

CARLÃO – Sim, com certeza foi. Não houve nem marcas de agressão...
Foi tiro a queima-roupa, sem que ele pudesse se defender.

COUTINHO – Essa família vai ficar despedaçada...

CARLÃO – Vamos deixar a perícia trabalhar, por que o corpo tem que ir
pro IML. Logo vamos ter conclusões mais precisas sobre o
crime. Me siga policial Coutinho.

COUTINHO CONCORDA E SAI JUNTO DE CARLÃO. A PERÍCIA CONTINUA


TRABALHANDO.

CORTA PARA:

CENA 12/RUA DA CIDADE – EXT/DIA:

SONOPLASTIA: BABY DE BABYLON – LULU SANTOS. CLOSE NUM ANUNCIO


GRANDE DA REVISTA “CHÁ COM PIMENTA” MOVIMENTADA. FOCAR NO
ASSUNTO ESTAMPADO NO ANUNCIO: A MORTE DE ALBERTO CASTANHO – AS
VERDADES E MENTIRAS. NA CAPA DA REVISTA, UMA FOTO DA FAMÍLIA
CASTANHO NA FESTA DO DIA DA MORTE DE ALBERTO. ALGUMAS PESSOAS
VÃO PASSANDO, LENDO A REVISTA. CORTA PARA UMA BANCA DE JORNAL,
LOTADA DA MESMA REVISTA, E ESTA SENDO VENDIDA.

CORTA PARA:

CENA 13/REDAÇÃO DA CHÁ COM PIMENTA – INT/DIA:


CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 11

TODOS ESTÃO TRABALHANDO EM SEUS COMPUTADORES, ALGUNS


FUNCIONÁRIOS CONVERSANDO. CÁSSIO SAI DO ELEVADOR E VAI INDO EM
DIREÇÃO À SUA SALA. MIMI VEM DE SUA MESA E VAI O ACOMPANHANDO.
TODOS OS FUNCIONÁRIOS CORREM PARA SUAS MESAS, COM MEDO DELE.

MIMI – Seu Cássio! Ligou uma jornalista querendo falar com o


senhor. Uma tal de Andréia... (PENSA) Esteves!

CÁSSIO – Andréia, claro! Da TV Fofoca... Conheço! O que ela


queria?

MIMI – Falar sobre a matéria polêmica da revista sobre a morte do


Alberto Castanho.

CÁSSIO SORRI E OS DOIS ENTRAM NA SALA DELE.

CORTA PARA:

CENA 14/REDAÇÃO DA CHÁ COM PIMENTA/SALA DE CÁSSIO –


INT/DIA:

CÁSSIO SE SENTA EM SUA MESA, MIMI FICA DE PÉ NA FRENTE DELE,


FALANDO.

MIMI – Eu confirmo e entrevista ou não?

CÁSSIO – Mas é claro que confirma Mimi. Isso é mídia pro nosso
lado, mais revistas vendendo!

MIMI – Ok, vou ligar pra ela nesse exato momento!

MIMI ABRE A PORTA E SAI. RODRIGO ENTRA LOGO EM SEGUIDA, MUITO


ANIMADO.

RODRIGO – (FELIZ) Eu sabia papai! Sabia que ia dar certo. (RINDO)


Estão todos comentando da nossa matéria.

CÁSSIO – Foi a nossa cartada de mestre Rodrigo. Nossa revista vai


multiplicar nas vendas com a desconstrução da morte do
Alberto e da família Castanho.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 12

RODRIGO – Não, ficou sensacional! Sabe que essa morte do Alberto foi
boa pra Chá com Pimenta?

CÁSSIO – E foi mesmo meu filho. Pimenta nos olhos dos outros é
refresco! (ANIMADO) Vou dar uma entrevista pra TV, é
com aquela Andréia Esteves. Isso com certeza aumentará as
vendas da CCP.

RODRIGO – Só que tem um problema, teve gente xingando no nosso


twitter, muitas críticas.

CÁSSIO – Gente sem ter o que fazer Rodrigo, ignora! Falam mal, mas
compraram a revista pra ler o que a gente escreveu.

RODRIGO – Isso é verdade... E nós vamos no velório?

CÁSSIO – Claro que vamos Rodrigo! Com certeza a sua irmã e o


Daniel já devem estar sabendo lá em Nova Iorque e vão vir
direto pra cá. Devemos comparecer.

RODRIGO – Fernanda tá bem, casada com um dos herdeiros.

CÁSSIO – Muito bem! Isso pode gerar lucro pra nós, e cada vez mais
derrocada praquela família!

RODRIGO – (RINDO) É o que eu mais quero! Ver a reputação dos


Castanho no limbo!

OS DOIS DÃO GARGALHADAS, FELIZES COM A SITUAÇÃO.

CORTA PARA:

CENA 15/CASA DE NICOLE/QUARTO DE NICOLE – INT/DIA:

NICOLE ESTÁ DE ARRUMANDO NA FRENTE DO ESPELHO, TODA E PRETO. LUÍSA


TAMBÉM ESTÁ ALI, SENTADA NA CAMA COM A REVISTA “CHÁ COM PIMENTA”
NO COLO.

LUÍSA – (LENDO A REVISTA) Ninguém mais matou Alberto


Castanho a não ser a própria família. Urubus em torno da
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 13

carne, visando somente a herança do empresário que já estava


mais pra lá do que pra cá.

NICOLE – (REVOLTADA) Um absurdo! Essa revistinha passou de


todos os limites com essa matéria.

LUÍSA – Eles pegaram muito pesado mesmo, inventaram isso só pra


ganhar dinheiro encima da tragédia alheia.

NICOLE – Olha esse Cássio Moretti é ridículo, um dos que eu ia querer


ver fora da face da terra. Se lembra aquela vez que ele fez
uma matéria de 3 folhas sobre os meus escândalos nos
shoppings cariocas?

LUÍSA – (SEM GRAÇA) Quer dizer, ele não mentiu em nada


naquela sua né mamãe.

NICOLE – (DESGOSTO) Sua ingrata!

LUÍSA – O pior de tudo é que o Cássio tá por dentro de tudo da


família, afinal da filha dele é casada com o Daniel.

NICOLE – Outro erro! Essa Fernanda é uma caça–dotes, Alberto ficou


louco quando permitiu que o filho se casasse com ela.

LUÍSA – Coitado do Alberto, não merecia morrer dessa maneira,


assassinado friamente.

NICOLE – (TRISTE) Ele era uma ótima pessoa minha filha, eu o


conhecia há muitos anos e posso afirmar isso. Vai fazer muita
falta.

LUÍSA – A morte dele muda tudo, a vida da família tá despedaçada,


como vai ficar a empresa?

NICOLE – Não sei minha filha, isso nós vamos saber quando abrirem o
testamento, mas a Helena vai abocanhar essa.

LUÍSA – Certeza!
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 14

NICOLE – Por que triste pela morte dele ela não está, pode ter certeza!
(RESPIRA) Eu estou pronta, acho melhor nós irmos.

LUÍSA – O Vitor Hugo não vai?

NICOLE – Não, está dormindo, incomunicável. Queria que ele fosse,


mas fazer o que?

LUÍSA – Bom, vamos...

NICOLE – Antes eu tenho que passar num outro lugar, tem problema
pra você?

LUÍSA – Não, em que lugar?

NICOLE – Eu te explico no caminho.

NICOLE E LUÍSA VÃO SAINDO DO QUARTO.

CORTA PARA:

CENA 16/CASA DE SOLANGE/QUARTO DE SOLANGE – INT/DIA:

SONOPLASTIA: DANÇA DA SOLIDÃO – MARISA MONTE E GILBERTO GIL.


SOLANGE ABRE O SEU GUARDA ROUPAS E TIRA UMA PEQUENA CAIXA DE
MADEIRA DE LÁ DE DENTRO. ELA SE SENTA NA CAMA E ABRE A CAIXA. ELA
VAI TIRANDO ALGUMAS FOTOS ANTIGAS, COM ALBERTO, E VAI OLHANDO,
EMOCIONADA. MAURICIO BATE NA PORTA E ENTRA.

MAURÍCIO – Eu posso entrar, não posso?

SOLANGE – (TRISTE) Claro que pode meu filho, imagina que não.

MAURÍCIO – Só vim avisar que to indo pro velório do seu Alberto, me


sinto na obrigação.

SOLANGE – Vá sim filho, ele devia gostar bastante de você como


motorista.

MAURÍCIO – Olhando fotos antigas? De quem?


CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 15

SOLANGE – Minhas, minhas de quando eu e o Alberto éramos


namorados.

MAURÍCIO – Você ficou muito abalada com a morte dele não ficou
mamãe?

SOLANGE – (EMOCIONADA) Fiquei filho. O Alberto foi o grande


amor da minha vida, não dá pra esquecer assim.

MAURÍCIO – (SE SENTA NO LADO DELA) Calma, as coisas vão


melhorar.

SOLANGE – (CHORANDO) Por que tinham que fazer isso com ele
Maurício? Ele era um homem bom, de caráter, não merecia
morrer dessa maneira.

MAURÍCIO – Eu não sei te explicar, nem eu entendo uma coisa dessas.

SOLANGE – Eu e ele construímos um amor lindo juntos meu filho, uma


coisa que eu nunca tinha sentido antes. Foi muito
maravilhoso.

MAURÍCIO – E por que vocês não continuaram essa história linda?

SOLANGE – A Helena, ela estragou tudo. O Alberto começou a ter


projetos, visando crescer, ele estava muito animado. Quando
ela viu isso, seduziu ele de todas as maneiras e fez ele me
abandonar, como um lixo.

MAURÍCIO – (ENGOLE A SECO) Aquela mulher não presta, nunca


prestou.

SOLANGE – Mas agora não adianta chorar pelo leite derramado. Ele se
foi, o meu amado se foi.

MAURÍCIO – Quem quer que tenha feito isso com ele será pego, pode ter
certeza.

SOLANGE – Foi ela, foi a Helena. Eu tenho certeza que foi ela eu matou
ele, tudo pra ficar com o dinheiro!
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 16

MAURÍCIO – Essa herança sempre foi disputada, mas você acha que a
Helena seria capaz de fazer isso?

SOLANGE – Eu conheço bem aquela mulher. Triste pela morte do


marido ela não deve estar.

CORTA PARA:

CENA 17/MANSÃO DOS CASTANHO – EXT/DIA:

PLANO GERAL DA FACHADA DA MANSÃO.

CORTA PARA:

CENA 18/MANSAO DOS CASTANHO/QUARTO DE ALBERTO E


HELENA – INT/DIA:

HELENA ESTÁ PARADA NA JANELA, TODA VESTIDA DE PRETO, OBSERVANDO


O SOL. ELA SE VIRA E VAI CAMINHANDO PELO QUARTO, PENSATIVA. INSERIR
FLASHBACK: HELENA ENCONTRA O CORPO DE ALBERTO ASSASSINADO.

HELENA – Alberto, Alberto... Você está morto e deixou uma herança


gigantesca e maravilhosa todinha pra mim! Só pra mim!
(BATE PALMAS) Idiota!

HELENA COMEÇA A RIR, COMEMORANDO DA SITUAÇÃO. ELA TENTA SE


CONTROLAR E SE ESCORA NA CAMA, AINDA RINDO.

CORTA PARA:

CENA 19/APARTAMENTO DE RENATO E BRANCA/SALA – INT/DIA:

BRANCA VEM DO QUARTO, VESTIDA DE PRETO E PRONTA PRO VELÓRIO.


RENATO ESTÁ SENTADO NO SOFÁ.

BRANCA – Eu já estou pronta Renato, podemos ir.

RENATO – (SE LEVANTA) Graças a deus, achei que ia demorar mais


meio século se arrumando.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 17

BRANCA – Desculpe, é que eu demorei por que tive que chorar, estou
muito triste pela morte do Alberto.

RENATO – Você? Triste pela morte daquele velho babaca?

BRANCA – (CONSTRANGIDA) Não fala assim Renato, ele era seu


pai!

RENATO – Meu pai uma vírgula, ele sempre me aturou, nunca gostou
de mim. E se você quer saber, estou pouco me importando
por terem matado ele. Foi bem feito.

BRANCA – Cruzes, não sei como uma pessoa consegue ser tão fria
desse jeito.

RENATO – Não sei como você consegue ser tão idiota em não ver que
isso pode ajudar o seu marido, ou seja, eu mesmo!

BRANCA – A morte do Alberto é uma tragédia, não vai ajudar ninguém,


sua família está de luto!

RENATO – Pense comigo Branca... Alberto morto, muito dinheiro um


jogo, herança e uma só herdeira: minha mãe! Com minha mãe
no poder, eu vou estar no lado dela.

BRANCA – Você só pensa em dinheiro, não tem sentimento nenhum!


Um homem bom como ele não merecia acabar assim. E quem
fez isso vai ter que pagar.

RENATO – Ai Branca, você me irrita com essa bondade excessiva, alta


castidade e pureza! Seja realista, essa morte foi lucrativa pra
mim! Já foi tarde aquele velho.

BRANCA – Se for pra pensar assim, não vá ao velório. Só vai causar


mal estar.

RENATO – E perder de ver o corpo dele dentro do caixão? Eu vou sim


minha filha, não perco essa por nada! (RINDO)

BRANCA – Que crueldade Renato, faça–me o favor...


CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 18

RENATO – Ah cala a boca e anda logo, não quero perder o show da


morte do Alberto! Que cena maravilhosa!

CLOSE EM RENATO, REALIZADO. BRANCA OBSERVA PERPLEXA.

CORTA PARA:

CENA 20/NOVA IORQUE/APARTAMENTO DE DANIEL/VARANDA –


INT/NOITE:

DANIEL E FERNANDA ESTÃO JANTANDO NA VARANDA, NUMA MESA


BELÍSSIMA EM CIMA DE UMA VISTA LINDA E ILUMINADA DA CIDADE DE
NOVA IORQUE.

FERNANDA – É lógico que a sua família nunca gostou de mim, nunca


aprovou nosso casamento.

DANIEL – Não Fernanda, isso não é verdade!

FERNANDA – É verdade sim, tudo por que meu pai é dono de uma das
revistas mais polêmicas da cidade e adora alfinetar a empresa
do seu pai.

DANIEL – Mas você não tem nada a ver com isso, isso é problemas pra
eles resolverem.

FERNANDA – Não seja bobo Daniel, sua mãe foi muito contra nós, você
sabe.

DANIEL – Se eles não gostavam de você tiveram de engolir, pois é


você que eu amo e é com quem eu escolhi pra casar.

FERNANDA – (SORRINDO) Ai que lindo! Sorte que eu tive de ter


conhecido um homem legal como você, honesto,
companheiro!

DANIEL – Modéstia sua, você é que é a esposa mais perfeita desse


mundo.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 19

FERNANDA SORRI E OS DOIS SE DÃO UM SELINHO. O CELULAR DE DANIEL


TOCA, ELES INTERROMPEM.

FERNANDA – Ai Daniel, não atende! O clima tava não bom.

DANIEL – (VÊ NA TELA) Ué, é a Eva, minha irmã. Vou ter que
atender.

FERNANDA – (ESTRANHA) A Eva? Mas o que será que ela quer? Nunca
tem costume de ligar pra você.

DANIEL – (ATENDE) Evinha, minha irmã!

EVA – (EM OFF/SÉRIA) Oi Daniel...

DANIEL – (TEL.) Quanto tempo a gente não se fala, tudo bom com
você, com o papai e a mamãe?

EVA – (EM OFF) Eu não te liguei pra dar uma notícia muito boa
não Daniel.

DANIEL – Aconteceu alguma coisa séria?

DANIEL E FERNANDA SE OLHAM.

EVA – (CHOROSA) Sim... (SE CONTROLA) O papai, ele...

DANIEL – (TEL./TENSO) O que houve com o papai? Você tá me


deixando preocupado Eva!

EVA – (COM A VOZ TREMENDO) Ele morreu, Daniel. O papai


morreu (CHORANDO) Mataram ele!

DANIEL – (SEM REAÇÃO) Morto?

DANIEL DEIXA O TELEFONE CAIR, PERPLEXO. FERNANDA PÕE A MÃO NO


ROSTO, TAMBÉM INCRÉDULA. A IMAGEM CONGELA E FORMA AS FACES DE UM
CUBO MÁGICO. UMA MÃO “PEGA” O CUBO DA TELA E COMEÇA A ORGANIZAR
OS LADOS.

CORTA.
CUBO MÁGICO CAPÍTULO 2 PÁG.: 20

(FINAL DO CAPÍTULO)

Os créditos sobem ao som de “Cigano – Alexandre Pires”.

Interessi correlati