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UMA PERSPECTIVA CRÍTICA DAS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A PARTIR DAS REPERCUSSÕES DAS PRÁTICAS E

UMA PERSPECTIVA CRÍTICA DAS POLÍTICAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A PARTIR DAS REPERCUSSÕES DAS PRÁTICAS E DISCURSOS AMBIENTALISTAS NA VIDA DAS AGRICULTORAS NORTE-MINEIRAS

Ana Louise de Carvalho Fiúza*

Resumo: Este artigo enfoca as contradições presentes nos projetos e políticas de desen- volvimento sustentável, no que diz respeito às representações sociais de gênero, as quais enfatizam uma condição essencialista da mulher na agricultura e face aos recursos na- turais. Objetivou-se construir uma perspecti- va crítica destas concepções naturalizadoras do papel social da mulher rural, buscando-se evidenciar sua condição de sujeito, revelada nas escolhas e julgamentos que faziam das estratégias, práticas e experiências que con- sideravam mais proveitosas e aceitáveis nes- tes projetos, e qual o lugar ocupado por elas, de fato, dentro dos mesmos. Para melhor compreendermos a forma como as concep- ções sobre relações de gênero que informam as políticas e projetos de desenvolvimento sustentável interferem na vida da mulher ru- ral, na sua carga de trabalho, oportunidade de inserção social, autonomia econômica, re- alização pessoal e, principalmente, na forma como elas próprias interpretam suas vivências com práticas auto-sustentáveis e definem sua identidade, faremos um estudo de caso na zona rural de Porteirinha, Vale do São Fran- cisco, norte de Minas Gerais. Esta micro-re-

* Doutora em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Professora Substituta da Universidade Federal de Juiz de Fora e Professora da Universidade Presidente Antônio Carlos (MG).

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gião apresenta uma característica distintiva em relação ao contexto regional mais amplo dentro do qual

gião apresenta uma característica distintiva em relação ao contexto regional mais amplo dentro do qual está inserida, no que diz res- peito ao crescimento populacional no meio rural. Tal fato não pode ser entendido ape- nas em decorrência da presença de projetos de desenvolvimento sustentável nesta micro- região, tampouco pelo caráter sazonal e re- gular da seca que faz renascer a cada estação das águas a esperança de uma colheita farta, mas deve, antes, ser visto associado às estra- tégias reprodutivas construídas pelas mulhe- res rurais, com base em relações sociais tecidas a partir das práticas vinculadas ao Dom e Contra-Dom.

Palavras-chave:

Introdução

Ao argumento de que a defesa de um desenvolvimento alternativo, baseado em uma agricultura diversificada e auto-

sustentável, constituir-se-ia numa resposta

à crise do modelo de desenvolvimento

ocidental, tido como destrutivo e masculino, promotor da “mercadorização” da mulher, bem como da natureza e do trabalho das pessoas que vivem nos países do Terceiro Mundo, Bina Agarwal (1991), em sua recente análise da experiência indiana com a crise ambiental, faz uma pertinente discussão, afirmando que as mulheres são tanto vítimas da crise ambiental, no modo específico do gênero, quanto um importante ator na sua recuperação. Mas a autora conclui sua análise enfatizando a defesa feminista mais

do que a posição ambientalista-feminista natural. Agarwal acredita ser necessária uma pressão para haver transformação, quanto aos termos do gênero, mais do que para um modelo de desenvolvimento econômico. Agarwal chama a atenção para

o perigo na propagação da idéia da mulher como conhecedora e manejadora privilegiada do meio ambiente, o que,

generalizadamente, poderia levar à manutenção de uma ideologia de gênero contraprodutiva. Segundo essa autora, colocar a recuperação do meio ambiente a cargo da mulher não resolve o problema ambiental, porque as razões para a crise são múltiplas e podem acabar mantendo inalterada a condição de submissão da mulher. A autora considera problemático endossar na sociedade rural tradicional a noção de mulher como “naturalmente” destinada a cuidar das coisas da casa, do quintal, das variedades nativas, pois isso poderia significar, para ela, viver sob uma fatigante sobrecarga de trabalho, que inclui deveres no âmbito da casa e da roça.

Campillo (1993) é outra autora que ressalta essa mesma preocupação quando afirma que, frente à questão ambiental, é impossível perder de vista as desigualdades sociais. Para essa autora, não se pode camuflar a desigualdade vivenciada pelas mulheres no acesso a serviços e bens sociais:

o analfabetismo é maior entre as mulheres; devido à discriminação há dificuldade em participarem como sócias ativas nas

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cooperativas; há diferenças na ingesta nutricional; há a exclusão das mulheres com relação à capacitação técnica etc. Insiste Campillo, também, em uma dimensão econômica para enfocar uma realidade como a da agricultura centro- americana, que não obedece somente a reivindicações de igualdade no plano das relações entre os gêneros, mas também à necessidade de superar restrições à eficiência interna das pequenas unidades de produção, limitações quanto ao

crescimento e modernização da agricultura

e ao manejo mais adequado dos recursos

naturais. As observações de Agarwal e

Campillo são fundamentais para se pensar

a forma como têm sido encaminhadas as

políticas e projetos de desenvolvimento rural

sustentável para as populações do Terceiro Mundo. Para melhor compreendermos as ressonâncias dessas políticas, retrataremos

a atuação, em nível regional, de duas das

principais correntes de interpretação da

sustentabilidade presentes nos fóruns internacionais: a da agroecologia, defendida por expressivo segmento das ONGs ambientalistas, e a pensada e proposta pelas Nações Unidas.

Metodologia

A fim de levantarmos subsídios para melhor refletirmos sobre as diferenças de posicionamento dessas duas vertentes ambientalistas, 1 escolhemos como cenário de nossa análise uma região do norte de Minas, no Vale do São Francisco, em que

há a atuação do PNUD em parceria com a

EMATER, e de uma ONG ambientalista. A atuação da EMATER e do PNUD tem como perspectiva o direcionamento para o mercado, inclusive de consumo. Segundo estas duas instituições, a máxima do

desenvolvimento sustentável não deve ser

o limite ao crescimento, mas sim o

não deve ser o limite ao crescimento, mas sim o crescimento dos limites, sendo necessário se

crescimento dos limites, sendo necessário se aprender a reconhecer e viver dentro dos limites de impacto social para além dos quais a degradação dos ecossistemas, dos recursos e, por conseguinte, do bem-estar humano, é inevitável e progressiva (MACNEIL; WINSEMIUS, YAKUSHIJI, 1992). Em contrapartida, o CAA (Centro

de Agricultura Alternativa), juntamente com

o STR (Sindicato dos Trabalhadores Rurais),

a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), tem como perspectiva o direcionamento da

força de trabalho para a auto-subsistência. Percebe-se nas técnicas e práticas agrícolas propostas pelo Centro de Tecnologia Alternativa (CAA) uma concepção que nega

a dominação instrumental e a exploração

da natureza, tendo como fundamento criar formas de intervenção adaptadas ao ambiente. Em vez de optar por tecnologias que impliquem sua transformação, essas

organizações investem em técnicas visando

à convivência com a seca, concebida como

um desafio, e não como um obstáculo à reprodução das condições de existência. Do ponto de vista teórico, as concepções que embasam este tipo de padrão tecnológico

manifestam uma grande valorização e expectativa frente ao trabalho desenvolvido pela mulher na agricultura. Primeiro, pelo fato de se tomar como certo que os seus padrões de seleção para cultivo não são do mesmo tipo que os adotados pelo homem. Enquanto a mulher plantaria uma determinada qualidade de milho ou feijão, levando em consideração seu sabor, tempo de cozimento e até mesmo o aspecto estético, os homens estariam enquadrados dentro de uma racionalidade mais voltada para o mercado. Desta forma, a mulher é percebida tendendo a estar mais próxima de uma racionalidade preservacionista que

o

homem, por fazer parte de sua educação

o

aprendizado de práticas e hábitos da

cultura local, transmitidos por suas mães,

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tias, avós, enquanto o homem é percebido estando mais à mercê dos ventos da modernização

tias, avós, enquanto o homem é percebido estando mais à mercê dos ventos da modernização, por adotar procedimentos que visam à produtividade e ao lucro.

Pretendemos com este trabalho destacar a relação da população local com os projetos de desenvolvimento sustentável que chegam até elas e, particularmente,

evidenciar as estratégias de reprodução das mulheres rurais, em virtude de ser expressivo nesta região o fenômeno das “viúvas da seca”, viúvas de marido vivo, mulheres de famílias que vivenciam o deslocamento sazonal do homem, de abril

a setembro, em busca de emprego no Sul.

Uma característica importante da sazonalidade norte-mineira é o fato de ela ser marcada pela concentração da precipitação pluviométrica em quatro meses do ano, o que é suficiente para transformar de forma regular, mas radicalmente, a paisagem da caatinga. O crescimento abrupto da vegetação faz

parecer que não se esteve no mesmo lugar quando a ele se volta menos de um mês após o “início das águas”. O ritmo acelerado de transformações da natureza delimita contrastes, também, no que diz respeito à forma como se estabelecem os laços sociais

e as relações de trabalho em cada uma das

estações. O período da seca é representado, quase exclusivamente, de forma negativa, como um período em que a paisagem é

feia, a poeira abunda e suja tudo; uma época de escassez de alimentos, de pouco “trabalho”, um período em que as pessoas ficam mais tristes.

Um aspecto importante a ser destacado é que a identidade dos agricultores com as “práticas alternativas” se constrói em oposição às idéias e práticas difundidas pela EMATER. Embora, em meados da década de 1990, tenha havido

por parte da EMATER uma aproximação dos métodos de trabalho que o CAA e o

STR desenvolvem com os pequenos agricultores, os quais realizam seu trabalho fundamentados no discurso da participação de todos, a EMATER ainda é reconhecida pelos pequenos agricultores por sua forma de atuação marcadamente guiada pelos ideais de modernização e produtividade da “revolução verde”, pregando a adoção do pacote de insumos químicos, mecanização, híbridos e tecnologia de ponta. Importa chamar a atenção, por ora, para o fato de que a identidade com os ideais agroecológicos, por parte expressiva dos pequenos agricultores da zona rural de Porteirinha, se constrói negando e se contrapondo às práticas e imposições dos pacotes financiados pelo governo, que vinculava o crédito a ser concedido ao produtor rural à obrigatoriedade de adoção das práticas difundidas pela EMATER, sementes e insumos vendidos por grandes agroindústrias. Por se constituir na instituição que mediava este conjunto de procedimentos junto ao pequeno produtor, a imagem da EMATER ficou marcada perante eles como a de uma empresa que atua junto e para os “grandes”. Esta percepção só vai se alterar, um pouco, em fins da década de 1990, quando a EMATER passa a atuar em parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), que traz em seu discurso e metodologia a preocupação com

a participação, integração e organização do pequeno produtor.

Todo este processo contrastivo de

construção da identidade do “pequeno agricultor” face às práticas das instituições governamentais, como a EMATER e o Banco do Nordeste, não fica restrito apenas

à prática agrícola. A Igreja, o CAA e o STR 2 trabalham buscando “capacitar” os

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trabalhadores rurais a fazerem uma leitura crítica da conjuntura nacional e também internacional. Um mecanismo utilizado nesse sentido é a tentativa de constituir quadros de lideranças nas comunidades

rurais, através da realização de cursos de formação, geralmente divididos em vários módulos, concentrados nos finais de semana. A estratégia utilizada para essa leitura crítica da conjuntura nacional e internacional é procurar caracterizar para

os agricultores a sociedade capitalista como

um elo, uma engrenagem, em que uma alteração de postura e de comportamento

em nível local pode fazer emergir da base

a força necessária para impulsionar as

transformações das políticas macrosociais.

Partindo desta perspectiva de organização da base, os cursos de formação de lideranças se estruturam com o intuito de despertar nos agricultores a necessidade de eles unirem forças para pressionar as instituições públicas para que estas forneçam condições estruturais básicas que tornem possível o desenvolvimento de suas atividades econômicas também de forma coletiva. Mas toda esta postura de engajamento no mundo público é despertada a partir de um processo de formação da consciência de cidadania nestes agricultores. O principal trabalho, nesse sentido, nos cursos de formação, ocorre devido ao objetivo de criar o sentimento de dignidade e orgulho nos agricultores face ao seu próprio trabalho. Esta altivez e valorização são ressaltadas através de números e gráficos, mas, pricipalmente, através de um olhar sobre

as próprias feiras realizadas semanalmente

em Porteirinha, onde seus produtos

representam uma parte significativa do que

é comercializado. Esta busca pela auto-

estima do agricultor é considerada o ponto fundamental para que ele se sinta uma

considerada o ponto fundamental para que ele se sinta uma pessoa com direitos iguais aos de

pessoa com direitos iguais aos de todas as outras pessoas e capaz de não se submeter às formas políticas de pressão dos coronéis locais.

Dentro do propósito de procurar desenvolver um trabalho conjunto com os pequenos agricultores rurais, a partir do caminho e do trabalho iniciado pelas CEBs, de leitura crítica da realidade, dos problemas que são enfrentados coletivamente pela comunidade e individualmente por cada unidade produtiva, é que o STR, o CAA e o CPT começaram a promover os cursos de formação de lideranças. Estes cursos têm por intuito despertar o agricultor para a necessidade de ele assumir um posicionamento consciente frente às coisas que o cercam, tentando mostrar-lhe o lugar que elas ocupam dentro da engrenagem capitalista e qual a melhor e mais eficaz forma de intervir sobre esta engrenagem. Utilizam-se como recursos metodológicos para provocar esta reflexão acerca das condições socioeconômicas vigentes a apresentação de filmes críticos à dinâmica capitalista, os quais evidenciam a questão da exclusão social, do lucro, da propriedade privada, da expropriação do homem do campo de sua terra e da sua conseqüente migração rumo à cidade, onde vive a realidade da exploração do trabalho no corte de cana, bem como outras formas espúrias de assalariamento. Os filmes são sempre precedidos de palestras vinculadas ao tema e seguidos de debates, com o intuito de aproximar a problemática em questão da realidade de vida do pequeno agricultor. O recurso mais explorado dentro dos cursos de formação, para criar uma atmosfera de aproximação do agricultor face ao tema discutido, é a representação, por parte deles próprios. Nesta forma de dinâmica de grupo, os ditos temas são interpretados a

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partir de situações ocorridas na realidade que eles experienciam. Assim, parte-se de um levantamento da

partir de situações ocorridas na realidade que eles experienciam. Assim, parte-se de um levantamento da “vida na comunidade”, passando-se pelo “município”, até se chegar à vida na “sociedade”. Neste escalonamento analítico, muitos dos problemas levantados em uma das instâncias se repetem em outra. Mas o objetivo é procurar fazer os agricultores perceberem que há um ponto comum entre a maior parte dos problemas levantados nas três esferas – comunidade, município e sociedade –, estando eles relacionados à impossibilidade de eles atuarem sobre estes problemas de forma isolada.

É neste sentido que a tônica desses cursos de formação promovidos pelo STR, pela CPT e pelo CAA procura chamar a atenção para a importância do fortalecimento da sociedade civil (sindicatos, “associações”, 3 Igreja, partidos políticos, movimentos populares etc.) para intervir em questões de cunho mais estrutural e que se refletem em problemas que estão bem próximos deles, como a falta de política de preços para os produtos agrícolas; o desmatamento por parte das mineradoras de áreas tradicionalmente usadas para a coleta de frutos e caça de pequenos animais; a migração, etc. Uma diferença importante entre a valorização da organização dos pequenos agricultores e a Igreja, o CAA e o STR, de um lado, e a EMATER, PNUD, Banco do Nordeste, do outro, é que, para o primeiro grupo, a organização dos pequenos agricultores é uma forma de fortalecer a sociedade civil para cobrar do Estado a extensão da cidadania a todos os brasileiros, inclusive em relação àqueles que vivem na zona rural e em regiões com baixo investimento social, como o norte de Minas. Assim, o ideal da cidadania é encarado como uma

forma de organização da população para exigir do Estado a prestação de serviços sociais básicos. Já para o segundo grupo de instituições, a cidadania é encarada como uma forma de organizar os pequenos produtores rurais para terem autonomia a fim de gerarem, por si mesmos, os meios

necessários para viabilizarem seus projetos

e

investimentos. Sob esse ponto de vista,

o

cidadão não deve ter uma perspectiva

paternalista do Estado, esperando que este lhe forneça bens e serviços que ele próprio pode suprir, através das formas de associativismo, em que a livre iniciativa de cada indivíduo se torna a força propulsora para se alcançarem as metas por ele próprio estabelecidas. Dentro desta concepção de cidadania veiculada pelo trabalho da EMATER/PNUD, as associações de pequenos produtores rurais têm um papel fundamental, sendo instrumentos para a introjeção de uma mentalidade empreendedora e de uma postura autônoma por parte do produtor agrícola, mas sua postura produtiva e comercial é elaborada dentro de uma dinâmica associativa com outros pequenos produtores.

Podemos ver, em ambas as vertentes

de inserção das instituições sociais no meio rural, uma ênfase em torno da necessidade de organização dos agricultores, mas esta meta tem objetivos bem diferentes. A organização dos “trabalhadores rurais” almejada pela CPT, pelo CAA e pelo STR é herdeira de toda uma linha de movimentos sociais no campo, que foi se fortalecendo no transcorrer das lutas ocorridas por todo

o Brasil (Pernambuco, São Paulo, Acre, Sul,

dentre outros). O crescimento das reivindicações por desapropriação de terras, por parte daqueles que delas precisam para trabalhar, foi sedimentando a “noção de um direito à manutenção de uma determinada relação com a terra”

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(MEDEIROS, 1989, p. 40). A legitimação ideológica desse “direito de uso da terra” e do questionamento em torno da validade da propriedade privada da terra por parte daqueles que nela não produziam, mas apenas especulavam, foi a marca indelével trazida pela Igreja Católica, principalmente através da CPT, constituindo-se num importante mecanismo de fortalecimento da luta pela terra, por parte dos movimentos sociais que atuavam no campo nos anos 80 e 90. A organização proposta pela CPT pelo CAA e pelo STR aos pequenos agricultores em Porteirinha é pautada numa perspectiva de uma sociedade mais justa, igualitária, construída dentro de uma perspectiva alternativa da relação do homem com a natureza. A organização proposta pela EMATER pelo PNUD e pelo Banco do Nordeste é uma forma de potencializar os recursos humanos e naturais dos pequenos “produtores” para alcançar autonomia sobre sua própria vida e seus investimentos. Esta perspectiva de cidadania voltada para a auto-iniciativa empreendedora tem um conteúdo bastante diferenciado daquele veiculado pela Igreja, pelo STR e pelo CAA. Estas instituições têm nas Comunidades de Base e nos cursos de formação por elas próprias promovidos seus principais vetores de introjeção de uma mentalidade participativa e de interferência nas políticas públicas. Contudo, embora no plano reconhecidamente político estas duas concepções tenham diferenças marcantes no direcionamento dos seus projetos junto aos pequenos agricultores, no plano das relações sociais de gênero estas contradições tendem a se transformar em convergência de perspectiva e conduta. Vejamos tal situação a partir das associações existentes em Porteirinha.

a partir das associações existentes em Porteirinha. Associativismo e relações de gênero O processo de

Associativismo e relações de gênero

O processo de formação das associações de pequenos produtores na

zona rural de Porteirinha se deu a partir da iniciativa da EMATER, que, em parceria com

o PNUD desenvolveu, desde meados da

década de 1980, um trabalho com o intuito de promover a “organização” dos

pequenos produtores rurais, objetivando

sua melhor estruturação produtiva e de comercialização. A constituição das associações beneficiou-se, entretanto, de um trabalho anterior, desenvolvido pela

Igreja Católica, em fins da década de 1960. Nesses anos, também no meio rural começa a ser desenvolvido o trabalho das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base). A idéia de “comunidade” então difundida parece vir a ocupar um espaço que não substitui e nem desaparece com a antiga denominação “Fazenda”, que era a forma como as pessoas se referiam às suas localidades de origem. Na verdade, ela veio

a ocupar um espaço diferenciado desta

terminologia, que fica, então, restrita a situações de caráter formal com o “mundo lá de fora”, geralmente vinculadas a informações pedidas pelo Estado, impostos etc. Ao explicarem o porquê de a nomenclatura “comunidade” ter substituído a de “Fazenda”, as pessoas justificam que é porque o primeiro termo significa, também, ter os mesmos ideais, partilhar as mesmas dificuldades e projetos para o futuro, ter, enfim, uma mesma identidade, construída face à figura do “pequeno” e “pobre”. Tem-se, então, uma delimitação que é dada pelo pertencimento não mais a um mesmo território, mas a um mesmo ethos, envolvendo uma sociabilidade vivida através de práticas e crenças comuns.

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Os laços comunitários que se tecem a partir da religião fornecem a possibilidade de as

Os laços comunitários que se tecem

a partir da religião fornecem a possibilidade

de as pessoas estabelecerem relações de solidariedade e ajuda mútua, o que torna mais fácil a resistência face às dificuldades trazidas pela seca e pela migração sazonal do homem. Mas este ideário comunitário não encobre apenas aqueles excluídos de religiões não-católicas, que vão buscar estabelecer seus laços de solidariedade e ajuda mútua fora dos limites de sua localidade geográfica com seus iguais de fé. Contudo, as fronteiras comunitárias se manifestam para além do critério seletivo da religião, como no jogo político das disputas de interesse, que ocorrem entre os vários grupos existentes na localidade. Nem todos os pequenos proprietários da

localidade fazem parte da Associação de Pequenos Produtores, podendo, inclusive, haver mais de uma associação numa mesma comunidade, concorrendo entre si por verbas, projetos e espaços de inserção pública. Benefícios como luz, água encanada e projetos de melhoria de banheiros e da própria residência não se estendem a todas as casas de uma determinada comunidade. Além disso, a forma como os beneficiados são escolhidos deixa à mostra as fissuras da “comunidade”, que se tornam muito mais visíveis quando vêm à tona as disputas

políticas e os laços hierárquicos de lealdade

a um “cacique local”. O ideário comunitário

camufla, portanto, critérios de inclusão e exclusão, que ficam, assim, encobertos sob

o manto ideológico do pertencimento a um

todo, à comunidade. Estratégias de cooptação política face às benesses do Estado, além da construção de parcerias entre pessoas da “comunidade” e instituições rivais, acabam, enfim, por delinear um cenário que se distancia muito da harmonia e confraternização presentes no ideário da comunidade. 4

Na zona rural de Porteirinha, participam das associações de pequenos produtores majoritariamente os homens; às mulheres resta a condição de substitutas,

seja no status de viúvas de fato ou da seca. Recentemente, as mulheres incentivadas por entidades de assistência rural também criaram suas associações, o que reforçou a característica masculina da associação dos pequenos produtores já existente. E é para elas que são direcionados os projetos de geração de renda. As associações das mulheres, quando se propõem a elaborar propostas de trabalho, visando à geração de renda, assumem um caráter de atividade complementar à dos homens. Desta forma,

a grande maioria acaba por fracassar, haja

vista o investimento de tempo das mulheres nestas atividades estar na dependência do tempo disponível após a realização dos afazeres domésticos. Um fato que chama

a atenção na associação de mulheres diz

respeito, justamente, à sua caracterização

em relação à “dos homens”. Enquanto a deles é concebida como “de produtores”

– o que não designa algo em si –, a delas

é denominada como “de mulheres”, revelando uma expectativa previamente definida, face ao que se espera que realizem, como se o fato de pertencerem ao sexo feminino traga embutido, na sua “natureza”, um tipo de atividade específica.

Tanto as associações de pequenos produtores rurais como as de mulheres se constituem em núcleos utilizados pelas instâncias de assistência tecnológica do Estado, como também por aquelas que financiam projetos na linha agroecológica ou de geração de renda, para difundirem suas propostas e projetos. Podemos observar, contudo, que, seja do ponto de vista dos projetos de desenvolvimento da EMATER/ PNUD, seja dentro da perspectiva de desenvolvimento dos projetos propostos pelo

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CAA, pelo STR e pela Igreja existentes em Porteirinha, à mulher é imposto um status

que a vincula ao mundo privado e lhe nega

a identidade de trabalhadora rural de fato.

Todas estas instituições trabalham de forma natural, sem nenhum estranhamento ou projeto de transformação face à divisão sexual do trabalho praticada nas associações. Em virtude do não-questionamento dessa divisão social do trabalho entre homens e mulheres, perpetua-se a identificação da “Associação dos Produtores Rurais” como estritamente masculina, negando-se à mulher a sua condição de agricultora, trabalhadora rural e, mesmo, militante política.

Cabe antes, à mulher, participar de uma associação que é específica para ela,

seguindo as normas e papéis sociais ligados à família e desenvolvendo tarefas tipicamente femininas, como o bordado, por exemplo, que ocupa um lugar secundário na geração de renda, e cuja execução se dá dentro de uma perspectiva temporal de complementaridade, já que ocorre após a jornada de trabalho, na casa

e na roça, ou nos intervalos entre uma e

outra obrigação. Grande parte das associações de mulheres funciona nestes moldes. Assim, reproduzem-se, no âmbito das instituições públicas, as concepções

culturais tradicionais relativas aos papéis de homens e mulheres. Desta forma, enquanto

o homem vivencia a construção de uma

identidade voltada para a participação fora dos limites da família, cujas relações não se estabelecem entre indivíduos hierarquizados, mas entre indivíduos de direitos e deveres iguais, ainda que tal situação seja aparente e ideológica, as mulheres são estimuladas a constituir uma associação, não com um status produtivo autônomo, mas de caráter complementar

à do homem. O que se nota, portanto, é

complementar à do homem. O que se nota, portanto, é que as instituições difusoras de tecnologia,

que as instituições difusoras de tecnologia,

e mesmo os movimentos sociais ligados

aos trabalhadores rurais, transferem para as suas políticas as representações sociais de gênero. Não se percebe a mulher como possuidora de um status de agricultora de fato, o que pode ser vislumbrado ao se verificar a insignificância numérica da mulher nos bancos, à procura de crédito para o plantio, ou mesmo nas próprias escrituras das terras em áreas de assentamento, onde, recentemente, se legalizou a propriedade da terra. No Vale do São Francisco esta situação ganha contornos graves, pois são as mulheres que permanecem por todo o ano no meio rural, enquanto os homens partem para a migração sazonal, passando boa parte do ano fora da região. Mas, ainda assim, as

instituições de assistência tecnológica não

as consideram, de fato, como trabalhadoras

rurais, na mesma medida em que o fazem com os homens, revelando, na sua forma de se relacionar com as mulheres rurais, a

perspectiva de um status, que as mantém vinculadas a papéis do mundo privado. 5

Todavia, se, do ponto de vista das instituições que atuam no meio rural, prevalecem uma perspectiva e uma prática diferenciada em relação a homens e mulheres, o que na prática se traduz pelo estabelecimento de modelos de associações com objetivos e propostas específicas e divergentes para ambos os sexos, por outro lado, as expectativas das próprias mulheres estão em consonância com o que é proposto em termos de modelo associativo. 6 Veremos, mais adiante, que são as contingências que levam algumas mulheres a romperem com este padrão associativo de atividades com caráter complementar ao do homem. Entretanto, em geral, as próprias mulheres procuram organizar suas associações, com o objetivo

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de ganhar “algum dinheiro”, a fim de alcançar maior autonomia face à forma como, na

de ganhar “algum dinheiro”, a fim de alcançar maior autonomia face à forma como, na maior parte dos casos, o homem gerencia a aplicação do dinheiro, podendo, então, aplicá-lo em projetos próprios, como a aquisição de móveis e eletrodomésticos para a casa, roupas para os filhos etc. Esta mentalidade que permeia o processo de implantação das associações de mulheres acaba por inviabilizá-las, em seu propósito de geração de renda. Nem mesmo a ajuda recebida em termos da oferta dos meios produtivos, através de “projetos a fundo perdido”, em que o pagamento, face ao investimento feito, se torna simbólico, se mostra um fator decisivo para a autonomia das associações de mulheres.

O caso da Associação de Mulheres de Riachinho é emblemático neste sentido. Formalizou-se a existência da associação em cartório, elegeu-se uma diretoria, houve a venda dos equipamentos e instrumentos necessários para a produção de doces em caráter de “fundo perdido” por parte do Estado, através da EMATER. No entanto, esta associação não se tornou geradora de renda após três anos de sua implantação. Um grupo de cerca de 20 a 25 mulheres trabalha seguindo uma escala flexível, com possibilidade de troca de dias e horários entre elas, ou mesmo de compra e venda de dias e horários de trabalho. O grande número de componentes da associação, bem como o critério flexível quanto à troca de horários e dias, foram pensados no sentido de se adequar à realidade de trabalho e obrigações das mulheres na esfera privada. Elas não vêem sua atuação na fábrica de doces como um trabalho. O que querem, de fato, é “ganhar algum dinheiro” para suprir as necessidades, surgidas no dia-a-dia, durante o período de migração do homem. É, portanto, prioritariamente, visando a complementar

a renda necessária para suprir, também,

aquelas pequenas eventualidades do dia-a- dia que essas mulheres dedicam parte de seu tempo à associação de produtoras de doces.

Há, contudo, nessa mesma região,

o caso de outras duas associações de

mulheres com características bem diversas quanto ao que foi relatado anteriormente; nestas, há a autonomia de gestão e a geração de renda. Em ambas as associações geradoras de renda, uma de costura e outra de processamento de café, produção de doces, pães, biscoitos e picolés, a grande motivação para as

mulheres dedicarem maior tempo a estas

atividades foi a necessidade de sustentar a casa, tendo em vista a impossibilidade de

o homem conseguir emprego durante a

migração. Contudo, o que mais interessa não é o que motivou esta situação, mas o que a diferenciou das demais e tornou possível sua autonomia econômica. Sem dúvida, este fator diferenciador diz respeito ao fato de que, em todas as outras associações não-geradoras de renda, as mulheres não se propuseram a criar uma disciplina em termos de tempo de dedicação às atividades extradomésticas, como também não especificaram as funções e atribuições de cada qual, de maneira fixa. Mas, se por um lado, esta auto-regulação e esta autodisciplina para o trabalho têm ligação com a falta de êxito dos homens durante o período migratório, por outro lado há de se estranhar o grau de infortúnio, em potencial, dos homens dessa localidade específica, se comparado ao dos demais, de toda a região, que também podem ter problemas com emprego durante a migração, mas não o demonstra de forma tão concentrada, como nessa localidade, na qual existem essas duas associações. Chama a atenção

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de qualquer visitante que tenha andado pela região existente o número de homens vistos nas poucas ruas dessa vila rural, durante o período da seca, quando a migração dos mesmos é intensa.

Pode-se levantar como hipótese para tal situação o fato de que, da mesma forma que a falta de êxito dos homens durante a migração sazonal se constituiu num importante fator motivador para que essas duas associações de mulheres rompessem com a racionalidade ligada à esfera doméstica e ao modelo tradicional das relações de gênero – do homem provedor do lar e da mulher guardiã dos valores domésticos –, também o êxito das mulheres produziu a fixação dos homens em suas próprias localidades, durante o período da seca. Este mesmo fenômeno, aliás, pode ser observado em Itinga, situada no Vale do Jequitinhonha, próxima ao Vale São Francisco, no norte de Minas. 7 Nessa localidade, há uma associação composta de 17 mulheres, administrando uma padaria. Apenas três maridos das mulheres que compõem esse grupo ainda migram, o que reforça a hipótese não só de que a oferta de trabalho se tornou mais escassa para os homens, mas também a de que a procura masculina por trabalho fora de casa se tornou menos emergencial, face a remuneração conseguida pela mulher.

Um outro aspecto a ser destacado nessas experiências de geração de renda por parte das associações de mulheres é o fato de elas terem sido financiadas por instituições que tinham por objetivo desenvolver trabalhos especificamente com mulheres. Esta prerrogativa para o financiamento e execução dos projetos tem se mostrado estratégica e involuntariamente importante como reserva de trabalho para as mulheres, visto que é muito comum

de trabalho para as mulheres, visto que é muito comum acontecer de os homens ocuparem o

acontecer de os homens ocuparem o lugar das mulheres, quando estas obtêm êxito em seus empreendimentos ou uma remuneração pequena, mas mais expressiva que a deles próprios. Entretanto, mesmo em experiências exitosas, desenvolvidas por associações de mulheres, fica claro que, embora possa haver projetos com financiamento direcionados para elas, não se tem um trabalho por parte dos organismos que atuam no meio rural no sentido de discutir, sistemática e criticamente, as questões de gênero, a fim de potencializar experiências, nas quais se alcançou autonomia e geração de renda.

Se, por um lado, as mulheres buscam nas associações formas complementares de obtenção de renda, em virtude de o orçamento doméstico ser gerenciado pelo homem, o que acaba por se constituir em um fator restritivo para se alcançar a autonomia da associação, por outro lado a

participação na associação pode significar

a oportunidade de obter algumas dessas

“benesses” do Estado, visto que as associações no meio rural se constituem, nos anos 90, em organizações privilegiadas

pelo Estado, para desenvolver suas políticas públicas junto aos pequenos produtores. É esta condição, ou seja, a imposição quanto

à formalização e legalidade da associação,

para que a mesma possa vir a receber melhorias, que explica o porquê de as mulheres terem uma ânsia tão grande em registrar a associação, mesmo antes de terem uma sede para seu funcionamento e os meios materiais necessários para desenvolver seus projetos. Na verdade, elas têm a esperança de conseguir receber algum benefício por parte do Estado, como projetos pro-habitação, iluminação etc., para os quais é exigida a formalização das associações.

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É interessante chamar a atenção, entretanto, para o fato de que a expectativa de obtenção

É interessante chamar a atenção,

entretanto, para o fato de que a expectativa de obtenção de melhorias para a comunidade ou para a própria associação cria uma nova forma de inserção social para

a mulher e, mais importante ainda, uma

nova forma de ela atuar no jogo político do clientelismo. Agora, ao reivindicar benesses, ela o faz não para sua família, mas para sua comunidade ou associação, dando um caráter mais impessoal, tanto para quem pede, pois o faz em nome de uma determinada associação, como também para a finalidade do pedido, que passa a ser pensada de forma mais coletivizada. Além deste caráter mais

generalizante na representação de interesses

e na atuação política, construído a partir

de sua inserção na associação, a própria esfera pública se amplia para a mulher, na medida em que as associações se constituem em instâncias de igual caráter representativo, sendo convocadas, indistintamente, para participar de fóruns de desenvolvimento e outros tipos de encontros, em que são discutidos projetos em nível local e regional.

Portanto, se, por um lado, as representações de gênero que perpassam

a prática de atuação das instituições de

assistência técnica não contribuem para uma mudança nas relações de gênero na zona rural de Porteirinha, por outro lado a constituição de uma instância legal de atuação para as mulheres, aberta a partir da atuação destas mesmas instituições, proporcionou-lhes uma nova forma de inserção social, abrindo-lhes a possibilidade de engajamento no mundo público, ampliando de alguma forma a sua presença nos espaços sociais, restritos pelo essencialismo de sua identidade doméstica. Como vimos anteriormente, mesmo no caso das mulheres da fábrica de

processamento de café, que conseguiram criar as condições de trabalho necessárias para seu exercício profissional, esta experiência não se concretizou dentro de uma busca coletiva das mulheres, objetivando remover os obstáculos para seu engajamento socioeconômico. Estas mulheres venceram, através de seu empenho pessoal, os obstáculos mais emergenciais que lhes foram impostos para tornarem seu empreendimento realmente gerador de renda. Contudo, há muitos outros obstáculos, desde o direito ao crédito até a assistência técnica, por exemplo, que se tornam barreiras comuns a todas as mulheres desta região e que, para serem vencidos, precisam de um movimento organizado. A ausência de uma organização das mulheres, promovida pelas instituições de assistência técnica, a fim de discutirem as questões relativas aos seus empreendimentos econômicos e a seus direitos sociais, mantém-nas alheias a uma identidade construída para além da esfera privada. Como o movimento de mulheres no Sul mostrou e o do Nordeste vem mostrando, é apenas quando se organizam, reconhecendo umas nas outras problemas comuns, que as mulheres forjam uma nova identidade e se fazem reconhecer não só no âmbito público, mas também no privado.

Resultados

O que transparece, portanto, na forma como as instituições norte-mineiras atuam no meio rural (EMATER, CAA, STR, CPT, Pastorais da Igreja), é uma percepção do trabalho da mulher como “complementaridade”. Estas instituições, quando se lembram da mulher rural, é para prestar assistência nos problemas típicos da dona de casa, mãe e esposa. Assim, designam-lhe “uma técnica” para o ensino

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dessas “miudezas”, enquanto os técnicos vão se reunir junto aos agricultores para tratar de assuntos relativos à produção. O fato de se “reconhecer” que o trabalho da mulher é importante para a subsistência da família já é uma prova de que as mulheres não são invisíveis. O reconhecimento por parte dos técnicos e técnicas destas instituições quanto à importância do trabalho da mulher já é considerado suficiente para assegurar que não estão se esquecendo de “valorizá-la”, como insistem em recomendar seus instrutores nos cursos de treinamento, que enfatizam a importância do papel da mulher na busca de um “desenvolvimento sustentável”. É interessante observar que este “muro das representações sociais de gênero”, que impede os técnicos e técnicas das instituições que prestam assistência no meio rural de atuarem de forma articulada em seu trabalho com homens e mulheres, começa a se delinear na própria instituição, na forma como hierarquizam o trabalho do técnico, dando-lhe mais importância que ao da “técnica”. 8 São os primeiros que decidem as comunidades e casas a serem visitadas de acordo com as prioridades que têm a atingir. A técnica vai de carona e com a missão de levar conhecimentos de higiene, melhor aproveitamento dos alimentos e formas de geração de renda “complementares” às do marido.

Deste modo, atuando de acordo com suas próprias representações de gênero, técnicas e técnicos perdem a oportunidade de potencializar as atividades produtivas desenvolvidas por homens e mulheres no meio rural, visto estarem distantes dos seus horizontes, por exemplo, fazer um estudo que revele quais são as atividades desenvolvidas por homens e mulheres nas unidades produtivas que podem ter melhores oportunidades de comercialização

que podem ter melhores oportunidades de comercialização e rentabilidade. Por exemplo, as miudezas produzidas pela

e rentabilidade. Por exemplo, as miudezas produzidas pela mulher vêm tendo um

importante papel na economia familiar, após

a queda do algodão, o que é também

muito visível nas feiras. Contudo, não há nenhum estudo dimensionando esta produção, não se percebem as atividades da mulher como portadores de um potencial produtivo, são apenas “miudezas”. Assim, os lugares que a mulher vai ocupando no espaço público, mesmo que gerados a partir da iniciativa dessas instituições, se configuram de uma forma não-intencional, visando a outros fins que não os associados a seu potencial

econômico. Com esta via de acesso à esfera pública fechada, a mulher rural norte- mineira permanece com sua “identidade de mulher”, suas associações de mulheres,

e sua cidadania se restringe aos direitos

previdenciários de aposentada, algo que ela

vai experimentar no final da vida. A ausência de uma percepção da mulher rural como cidadã e trabalhadora rural pode ser bem evidenciada na recente demarcação das terras do assentamento Tapera. Embora o STR e o CAA tenham tido uma participação relevante para a sua efetivação, uma única mulher recebeu os documentos como proprietária da terra, assim mesmo porque seu marido foi considerado fora de seu “juízo mental” para assumir tal responsabilidade. Desta forma, sem contar com a iniciativa das instituições que atuam no meio rural para promover sua organização, visto que elas próprias não as reconhecem, de fato, como trabalhadoras

e cidadãs plenas, elas permanecem sem

perceber a forma como se constituíram os seus problemas – que não estão restritos somente a elas – e, também, como poderiam se articular para enfrentá-los.

Mas não é apenas a identificação de obstáculos e interesses em comum que

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importa para que as mulheres consigam ampliar sua esfera de ação e sua própria identidade.

importa para que as mulheres consigam ampliar sua esfera de ação e sua própria identidade. Mesmo as mulheres do Sul do Brasil, muito engajadas e participativas em sindicatos, pastorais e diversos movimentos sociais, dão depoimentos das dificuldades que enfrentam para se imporem, enquanto trabalhadoras e líderes rurais, perante os homens em tais espaços públicos. 9 Esta situação pode ser analisada à luz do que foi dito por DaMatta (1997), ao afirmar que, no Brasil, somos mais dominados pelos papéis que desempenhamos, os quais estão construídos com base nos costumes, do que por uma identidade de validade geral, ligada a leis e formas igualitárias de tratamento dos indivíduos. Mesmo nos sindicatos e nos partidos políticos de esquerda, notam-se as “marcas de posição” destinadas a cada sexo e a hierarquização entre homens e mulheres. As representações acerca das posições e papéis que homens e mulheres devem ocupar na família e na comunidade são transferidas para estas instâncias. Assim, fica mais claro compreender por que são as contingências que mais contribuem para o surgimento de formas alternativas de atuação social por parte das mulheres.

Conclusão

O pano de fundo sobre o qual se desenvolveram as questões levantadas neste trabalho foi o que mostra a reabilitação do rural não exclusivamente como espaço agrícola, mas como espaço físico valorizado por sua proximidade com a natureza intocada. Este contexto, face ao qual se planejam as políticas e os projetos de desenvolvimento rural sustentável, é de reinvenção do campo como arquétipo da vida tradicional, pensado enquanto um espaço destinado à conservação de uma

ordem social idealmente imutável e resistente à dinâmica da sociedade moderna, frente à qual o pequeno agricultor e a mulher rural são concebidos com um papel fundamental. Diante deste cenário de proposta de resgate de antigos modos de vida e de preservação de uma natureza que se deseja o mais intocada possível, a mulher recebe a atribuição de guardiã dos valores e da biodiversidade.

Neste momento histórico de tentativa de preservar alguns espaços socioambientais fora das transformações impostas pelo homem, este artigo procurou problematizar questões relativas às representações de gênero presentes nos projetos das instituições que atuam no meio rural. A análise destas representações de gênero se deu a partir da busca por compreender o lugar e a finalidade destinados à mulher nos fóruns ambientais,

a partir do questionamento da própria noção

de degradação da natureza pelo homem, procurando situá-la em um contexto sociopolítico, dentro do qual esta questão se constitui como uma preocupação. Objetivando, portanto, desmistificar a pretensa propensão natural e cultural da mulher e dos pequenos agricultores para a preservação ambiental, procuramos

contrapôr estas idealizações analisando uma situação concreta e específica: o Vale do São Francisco, no norte de Minas Gerais. Ficou evidenciado, através do estudo das relações socioambientais nesta região, que não se confirma, nesta realidade concreta,

a especificidade da percepção e da relação

diferenciada da mulher face à natureza, quando comparada ao homem. Neste sentido, ficou claro que, muito mais do que uma oposição entre eles, o que existia, de fato, era uma “complementaridade hierarquizada”. O fato de ter atribuições diferenciadas no âmbito da divisão sexual

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2,2,2,2,2, n.1,n.1,n.1,n.1,n.1, p.p.p.p.p. 85-113,85-113,85-113,85-113,85-113, 2.2.2.2.2. sem.sem.sem.sem.sem. 20012001200120012001

do trabalho não evidenciou que a mulher tivesse, de fato, uma percepção da natureza diferente daquela manifestada pelo homem, nem que, ao assumir todas as atribuições domésticas, no período em que ele migrava, ela agisse de forma diferenciada, em função de uma suposta especificidade na forma de perceber e se relacionar com a natureza.

É importante perceber que a idealização de um modelo emblemático de mulher rural, ao mesmo tempo mãe de família, guardiã da diversidade genética e trabalhadora rural, constrói-se em meio à valorização de um modo de vida e de um espaço, o rural-naturalizado, que lhe oportuniza a saída do anonimato social, mas conserva uma imagem presa a um papel tradicional. O que se pode perceber em meio a esse contexto de valorização das tradições passadas, diante do qual é

delegado à mulher rural, preferencialmente,

o espaço doméstico, reduto dos valores

herdados das gerações passadas e cujo

patrimônio cultural deve ser preservado, é

a construção de um movimento histórico

contraditório: ao mesmo tempo em que esta valorização de um modo de vida arraigado às práticas herdadas dos antepassados propicia à mulher rural a constituição de uma identidade política e a ocupação de um espaço social, isto ocorre em nome da preservação do lugar que ela ocupa dentro de uma ordem social tradicional, onde sua importância está circunscrita à esfera doméstica.

Entretanto, mesmo considerando que este seja um processo de elaboração de uma identidade construída de forma independente e sem a participação das agricultoras, elas passam a figurar nas políticas e projetos destinados ao meio rural, e não mais a estar inclusas apenas na

ao meio rural, e não mais a estar inclusas apenas na categoria família, passando, assim, a

categoria família, passando, assim, a ser percebidas também de forma

individualizada. No entanto, ao se analisar

o lugar destinado às mulheres rurais, neste contexto social de reinvenção do campo, como espaço resguardado dos impactos socioambientais trazidos pela modernização, percebemos que as questões relativas aos problemas especificamente enfrentados por elas na condição de agricultoras e chefes de família não- reconhecidas, bem como aqueles referentes

à sua sobrecarga de trabalho, não fazem

parte da construção identitária de seu papel de preservadora ambiental.

Porém, mais importante do que constatar esta ausência de ênfase, por parte das instituições que atuam no meio rural, sobre os problemas que afligem em particular as mulheres, foi identificar as formas como elas interagem com os projetos desenvolvidos em nível local, nos quais sua participação, embora decisiva, permanece por trás da fachada ocupada pelo “chefe de família”, o homem. Esta perspectiva teórica, reveladora da face interativa da mulher rural, diante de situações que se apresentam sexistas e assimétricas para elas, propiciou a percepção das formas de mobilidade social por elas construídas, ainda que de forma silenciosa e sem uma intenção explicitamente direcionada para a contestação das discriminações que lhes eram impostas, dentro de um ordenamento social marcadamente patriarcal. Constatou- se, no decorrer desta pesquisa, que a ampliação da mobilidade social da mulher rural do mundo privado para o público ocorreu tanto em decorrência de fatores socioeconômicos que atuaram sobre as relações sociais em nível local, provocando uma rearticulação das suas estratégias de reprodução social, como também através

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dos projetos elaborados pelo Estado e por ONGs, movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda.

dos projetos elaborados pelo Estado e por ONGs, movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda. No primeiro caso, destaca-se como fator ampliador da inserção social das mulheres rurais na esfera pública a migração sazonal dos homens, que acaba por proporcionar às mulheres rurais, mesmo que de forma não- intencional e desejável, maiores oportunidades de inserção social no espaço público. As opções de emprego com remuneração fixa, exercendo a profissão de professoras e serventes nas escolas rurais, bem como a de domésticas nas casas de família e de balconistas no comércio local, constituem-se, também, em fatores de reestruturação das relações sociais na família e na comunidade. Ainda que não se revelem, por si mesmas, ruptivas das assimetrias sociais vivenciadas pelas mulheres, essas opções contribuem para a ampliação de seus espaços de inserção social e de seu papel dentro da família. Notamos, contudo, tanto nas situações de ampliação da mobilidade social da mulher, motivadas por fatores socioeconômicos, como naquelas criadas através da implantação de projetos de desenvolvimento rural sustentável, uma ausência de intencionalidade acerca da promoção de condições sociais menos discriminatórias para a mulher. No caso dos projetos de desenvolvimento sustentável,

a mulher alcança visibilidade social tendo

a função de preservacionista, condição que,

por si, não implica conquista na esfera da

cidadania, considerada em termos da igualdade de direitos sociais nas esferas pública e privada. Contudo, é importante destacar que, mesmo as associações de mulheres, com toda a sua concepção sexista, mostraram-se geradoras de oportunidades de ampliação da mobilidade social da mulher rural norte-mineira, propiciando o surgimento de novos arranjos

reprodutivos na família, bem como a reorganização do espaço público ocupado por homens e mulheres da zona rural de Porteirinha.

O que buscamos, de fato, neste trabalho foi nos despojarmos do discurso politicamente correto da sustentabilidade, e analisar os impactos dos projetos de desenvolvimento sustentável e das condições socioeconômicas sobre as relações sociais de gênero numa região específica, permitindo que se revelasse, nesta trajetória analítica, a situação das mulheres rurais, que não estão nem dentro de um quadro de irremediável submissão, nem de emancipação completa, em virtude de práticas e de discursos políticos pró ou contra o capitalismo. O que nos interessou foi tentar perceber aquelas situações e experiências que, mesmo sem uma intenção explícita, conseguiram ampliar a possibilidade de participação da mulher nos espaços públicos, bem como lhes fornecer maior poder para influenciar, no âmbito privado, os direcionamentos voltados para a reprodução social da família e da unidade produtiva.

Dentro desta perspectiva, assinalamos a maneira como, mesmo sem almejar romper os limites sociais tradicionais, e se vendo na condição de mãe, esposa e dona de casa, a mulher foi ocupando de forma cada vez mais expressiva os espaços públicos, participando dos encontros promovidos pelos mediadores que atuam junto aos pequenos agricultores no meio rural e ampliando sua inserção nas feiras semanais em virtude da migração sazonal do homem. Mesmo objetivando, prioritariamente, aproveitar as oportunidades que lhe eram apresentadas para assegurar melhores oportunidades de reprodução social para a sua família e a

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sua unidade produtiva, ela foi remodelando seu espaço social. Desta forma, mostramos que, ainda que reproduzindo uma identidade marcada por uma aparente subalternidade nas relações sociais estabelecidas na família e na sociedade, ela reelaborou os limites da domesticidade, inserindo-se mais intimamente no mundo público. Mas, se por um lado, independentemente da sua não- intencionalidade em ampliar seu espaço social, ela o vai ampliando, em função, principalmente, das imposições criadas pela racionalidade capitalista, que impõe novas estratégias para a reprodução da unidade produtiva, por outro, a manutenção de uma identidade ligada ao seu papel tradicional de mãe e esposa torna os obstáculos por ela enfrentados, de forma individualizada, muito mais difíceis de serem transpostos do que se os mesmos fossem parte de uma luta coletiva. Podemos perceber também, face a estes obstáculos culturalmente constituídos e enfrentados de forma inconsciente pelas mulheres, que nem sempre a valorização das tradições locais constitui-se em conquistas sociais para elas.

A manutenção da identidade da mulher, restrita aos papéis tradicionais de mãe e esposa, não lhe retira a possibilidade de participar do mundo público, muitas vezes até a impulsiona a participar de lutas políticas, em prol da defesa de melhores condições de vida para seus filhos. No entanto, esta identidade tradicional não modifica a representação social frente à qual as potencialidades da mulher rural são interpretadas como já estando definidas, em decorrência de atributos culturais que associam o sexo biológico a papéis sociais instituídos dentro de uma perspectiva hereditária. Enquanto a identidade de agricultora exige a construção social de uma profissão, a identidade de mulher não,

social de uma profissão, a identidade de mulher não, ela já está “naturalmente” dada pelo simples

ela já está “naturalmente” dada pelo simples cumprimento de seus deveres de mãe e esposa. Neste sentido, a forma como se constitui o modelo de associativismo no meio rural de Porteirinha deixa claro o essencialismo e a naturalização com que são percebidas as mulheres rurais. A associação de pequenos produtores, que possui uma identidade profissional direcionada para a realização de empreendimentos voltados para a agricultura, é pensada como algo destinado ao homem. A mulher só participa dela em virtude da impossibilidade daquele de comparecer, visto que sua associação é outra: a de mulheres. Não é como agricultora, bordadeira, tecelã ou outra identidade profissional qualquer, que se erguem as associações formadas pelas mulheres rurais de Porteirinha. Na verdade, a associação de mulheres não se constrói com base na organização de uma identidade profissional, mas a partir de uma identidade sociobiológica da mulher como mãe e administradora do lar. A preocupação, tanto dos mediadores que atuam no meio rural, quanto das próprias mulheres nestas associações, é gerar uma fonte de renda para ajudar o homem. Contudo, no dia-a- dia da unidade produtiva, são elas que vivem, por todo o ano, a condição de agricultoras e trabalhadoras rurais, enquanto o homem migra, sazonalmente, para o sul. Assim, é delas que depende a concretização dos projetos elaborados nas associações de pequenos produtores rurais, destinadas aos homens.

Desta forma, percebemos que o modelo de associativismo construído dentro do direcionamento imposto pelos projetos de desenvolvimento sustentável, em Porteirinha, invisibiliza e inviabiliza a construção de uma identidade profissional por parte das mulheres rurais. Sem possuir

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o status e o reconhecimento social relativos à profissão que desempenham, elas se transformam em

o status e o reconhecimento social relativos à profissão que desempenham, elas se transformam em representantes dos homens nos projetos que, muitas vezes, são elas que levam a cabo. Assim, pode-se compreender todo o peso que recai sobre

a mulher rural dentro deste modelo bipolar

de associativismo, no qual ela não aparece na fachada dos projetos de geração de renda, mesmo empenhando-se na sua realização. O que fica patente é que, embora sejam as mulheres agricultoras e trabalhadoras rurais de fato, não o são de direito. Não é a elas que o gerente do banco oferece financiamento, nem o cartório de registro de propriedade, nem a direção dos sindicatos de trabalhadores rurais e dos partidos de esquerda, nem é a ela que se

dirige o técnico agrícola. Enfim, enquanto

a dinâmica da sociedade capitalista impõe

a necessidade da organização profissional

aos trabalhadores, para que eles lutem por seus direitos, as mulheres rurais

permanecem alheias a este movimento, se reunindo enquanto mulheres nas associações a elas destinadas. Até mesmo

o direito à aposentadoria como trabalhadora

rural acaba sendo percebido como decorrência da sua idade, e não como decorrente do exercício de uma profissão. Em raríssimos contextos sociais, como é o caso do movimento de mulheres trabalhadoras rurais do sul do Brasil, ela constrói uma identidade profissional que lhe permita superar as barreiras sociais que enfrenta de forma específica, e não apenas

como pertencente à categoria dos trabalhadores rurais.

Podemos observar, neste sentido, seja nos projetos de desenvolvimento sustentável da EMATER/PNUD, seja dentro da perspectiva de “des-envolvimento” dos projetos propostos pelo CAA/STR/Igreja, existentes em Porteirinha, que a mulher

permanece com um status vinculado ao mundo privado, não sendo percebida como possuidora de uma identidade que vá além daquela que se define com base em uma justificativa sociobiológica. Dessa forma, perpetua-se a identificação da Associação dos Produtores Rurais como pertencente aos homens, negando-se à mulher sua

condição de agricultora, trabalhadora rural e, mesmo, militante política. Analisando as fontes bibliográficas produzidas e utilizadas pela EMATER/PNUD e aquelas do CAA, STR e CPT, observamos que a reivindicação de condições produtivas para

a mulher esteve praticamente ausente. Ela

é sempre valorizada em relação à sua “importância para”, nunca em si mesma.

É interessante notar que, quando se faz

referência a ela em alguma publicação destas instituições ou de outras às quais elas estão ligadas, é sempre de forma a adjetivá-la, ou seja, a qualificar uma condição que lhe é própria: mulher- agricultora ou mulher-trabalhadora rural. Ao homem nunca há uma referência desta mesma forma, homem-agricultor ou homem-trabalhador rural; utiliza-se simplesmente o termo agricultor ou

trabalhador rural. Neste sentido, se do ponto de vista das instituições que atuam no meio rural prevalece uma perspectiva e uma prática diferenciadas em relação a homens

e mulheres, o que na prática se traduz pelo

estabelecimento de modelos de associações com objetivos e propostas específicas e divergentes para ambos os sexos, por outro

lado as expectativas das próprias mulheres estão em consonância com o que é proposto em termos deste modelo associativo. Elas próprias procuram criar associações, objetivando ganhar “algum dinheiro” para ajudar o marido, ou porque esperam receber alguma ajuda do governo ou outra instituição de financiamento.

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2,2,2,2,2, n.1,n.1,n.1,n.1,n.1, p.p.p.p.p. 85-113,85-113,85-113,85-113,85-113, 2.2.2.2.2. sem.sem.sem.sem.sem. 20012001200120012001

Mesmo as duas únicas associações de mulheres, em Porteirinha, que imprimiram outra finalidade aos seus empreendimentos, fizeram-no dentro desta mesma concepção identitária sociobiológica. Ao organizar o funcionamento da associação, elas não só criaram as condições para seu exercício profissional, estabelecendo uma disciplina no que se refere ao tempo de dedicação às atividades na associação, como também especificaram as funções e as atribuições de cada qual de maneira fixa. Mas, ainda assim, esta auto-regulação e esta autodisciplina para o trabalho não se deram de maneira a criar uma identidade profissional. A justificativa para o desempenho de suas funções se dá em torno da necessidade que têm de sustentar

a família, haja vista a dificuldade do homem para conseguir emprego nos períodos de migração para o Sul. É, ainda, vinculadas à identidade sociobiológica de mães e esposas que elas exercem suas tarefas dentro de um padrão profissional.

Contudo, um aspecto que acabou se

mostrando benéfico nesta dissociação entre

a associação dos pequenos produtores dos homens e a associação das mulheres diz respeito ao fato de que, quando as associações de mulheres recebem um

financiamento de alguma instituição para desenvolver um projeto, há interesse que

o mesmo seja desenvolvido por elas. Esta

prerrogativa para o financiamento e a execução dos projetos tem se mostrado estratégica e involuntariamente importante como reserva de trabalho para as mulheres, visto que é muito comum os homens ocuparem o lugar destinado às mulheres no caso de um empreendimento se tornar lucrativo. No entanto, mais do que assegurar o investimento em estratégias que visem à geração de renda, os projetos de

que visem à geração de renda, os projetos de desenvolvimento rural sustentável necessitam romper com a

desenvolvimento rural sustentável necessitam romper com a reprodução dos padrões tradicionais de relação de gênero dentro das suas próprias concepções de desenvolvimento e difusão de tecnologia, visto que, ao reproduzirem tais modelos culturais, eles deixam de perceber que são as mulheres que têm ampliado a geração de renda da família, através do comércio das miudezas, após a crise do algodão, devendo, portanto, ser incluídas nos objetivos desenvolvidos por tais projetos.

É interessante observar que esta “fronteira das representações sociais de gênero”, que impede a visibilidade do caráter produtivo de muitos dos empreendimentos executados pelas mulheres, tem sua configuração na própria divisão sexual do trabalho nas empresas difusoras de tecnologia. O homem ocupa cargos ligados ao universo da produção, como agrônomo e técnico agrícola, e a mulher cargos ligados à esfera da assistência social no âmbito da casa e da família. Tais funções se definem também com base em um caráter complementar e hierárquico, em que o homem, agrônomo ou técnico agrícola, define o roteiro das visitas e a mulher, assistente de bem-estar, vai de carona com ele, seguindo o cronograma de trabalho por ele definido. Mesmo nos sindicatos e nos partidos políticos de esquerda, notam-se as “marcas de posição” destinadas a cada sexo e à hierarquização entre homem e mulher. Percebe-se, assim, que as representações acerca das posições e papéis que homens e mulheres devem ocupar na família e na comunidade são transferidas para estas instâncias do mundo público.

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Abstract : This paper, although focusing on the contradictions presented in sustainable development projects regard

Abstract: This paper, although focusing on the contradictions presented in sustainable development projects regard to gender relations which, on one hand emphasize that women are essencial in agriculture and in handling natural resources and, on another, they end up reproducing old patterns of gender concept, contributing for them to remain marginal in researches and development programs, aims, however, not to support these statments but really show, through a case study, the strategies, practices and experiences that women judge more profitable and acceptable in these projects and which role they take on in embodying or rejecting those proposals. For a better understanding of the resonance from the ru- ral development policies for the women cau- se, we did a case study in the rural area of Porteirinha in the São Francisco Valley in the north of Minas Gerais state, Brazil. In this region, not only can the action of the rural development projects explain the population increase, but one of the small farmer economic alternatives to guarantee their reproduction is the regular seasonal migration. During the mens’s absence period, the women, the so called “Drought Widows”, are essential to understand the demographic situation in this region. The work done by them considering the land property when taking care of the farm and the animals as well as outside it when selling the goods made by themselves at the open-air markets, is essential to assure the continuity of the small land activities until the men come back.

Keywords:

Notas

1 Para maiores informações sobre as diferenças de

posicionamento nas políticas desenvolvimento sus- tentável, ver Fiúza (2001, p. 85-118).

2 Um aspecto importante quanto à atuação da

CPT/Igreja com o STR é que ela não se dá num contexto, de disputa pela hegemonia das categorias de trabalhadores rurais presentes no campo, como

foi muito comum na década de 1980, quando a forma de atuação dos sindicatos rurais ainda estava muito pautada pelo legalismo. Embora existam posicionamentos divergentes em relação a alguns pontos, o que veremos no próximo capítulo, ocor- re, inclusive, um trânsito dos componentes de uma para outra instituição.

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2,2,2,2,2, n.1,n.1,n.1,n.1,n.1, p.p.p.p.p. 85-113,85-113,85-113,85-113,85-113, 2.2.2.2.2. sem.sem.sem.sem.sem. 20012001200120012001

3 Em relação a elas, são feitas muitas ressalvas, pelo de, nessas regiões castigadas pela

3

Em relação a elas, são feitas muitas ressalvas, pelo

de, nessas regiões castigadas pela seca, a mulher ser

fato de terem surgido sob a orientação da EMATER,

a

presença mais constante no meio rural.

mas veremos isto com maior detalhamento no pró- ximo capítulo.

6

É interessante observar que dentro das próprias

4 Tepicht é um dos autores que dessacralizam a

compreensão de comunidade como envolta em uma aura de solidariedade, chamando a atenção para formas de individualismo presente entre os peque- nos agricultores familiares. Cf. Jerzi Tepicht (1973).

5 Em várias apostilas trabalhadas pelo PNUD junto

à EMATER, durante cursos de treinamento para seus técnicos, a preocupação com a mulher era lembra- da, mas invariavelmente fora da esfera produtiva. Um exemplo muito significativo pode ser notado na apostila do II Encontro de nivelamento da Região Sul, promovido pelo PNUD, em Salvador, em 1998. Neste material, é dado destaque ao tema “resgate do valor da mulher”, junto aos itens “melhoria habitacional” e “saneamento”, incluídos no subtema “Cadeia de melhoria humana” Quer dizer, a proble- mática que atinge a mulher é tratada de forma dissociada da totalidade da dinâmica da vida na pro- priedade. Isto se torna ainda mais gritante pelo fato

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7 Alexandra e Cláudio, CPT (Comissão Pastoral da

Terra). Organização de Mulheres de Itinga. 1997.

8 Mesmo que ambos, técnico e técnica, tenham

curso superior, o fato de o homem ser agrônomo e

a mulher assistente social já o investe de um status

superior, visto que a percepção que se tem é a de que o curso de agronomia prepara seus profissionais

para atuarem no campo da produção e o de assis- tência social para a esfera do bem-estar doméstico.

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