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Discipulado

Crise de Identidade
Por Rev. José Kleber Fernandes Calixto

Texto: Atos 2: 44- 3:10

Introdução:

Meus irmãos, a palavra crise em um dos dialetos chineses é escrita com dois caracteres: O primeiro,
significa abismo; o segundo, oportunidade.

E esta é uma verdade indirimível da vida. Todo tempo de crise, é um momento, ou de abismo ou de
oportunidade.

Para alguns, a crise se configura sempre em momentos de abismo. Estes são aqueles que diante destes
momentos sombrios da história, deixam-se ser engolidos pela crise.

Para outros, a crise se configura, se consubstancia sempre em momentos de grandes oportunidades.

Nós somos uma geração em crise, somos filhos de uma geração que vive mergulhada numa grande e
toldante crise.

E a minha proposta nesta noite, é como não fazer da crise desta geração um abismo para nós, mas ao
contrário, fazer da crise que sufoca, que engessou esta geração, uma oportunidade para nossas vidas.

O que é que a Palavra de Deus tem para nos dizer neste texto, afim de que o tempo de crise vivido por nós
não venha a ser o nosso abismo, mas uma oportunidade?

Bem, eu creio que a primeira tarefa para se vencer as crises de nossa geração é nós identificarmos quais são
essas crises que estão diante de nós.

Quais são as crises que nós temos que encarar neste momento histórico da igreja?

Bem, os temas dos estudos a serem dados, já nos falam significativamente, acerca das crises que nós
enfrentamos nesse começo de 3º milênio.

Hoje, nós vamos abrir essa série de estudos tocando e mexendo, creio eu, na principal crise de nossa geração
e a mãe de todas as outras, que é a crise de identidade.

Nossa geração é uma geração mergulhada numa crise de identidade.

Ou seja, fica difícil, hoje dizer com uma certa precisão quem verdadeiramente é um crente e quem não é.

Quem é crente? Quem não é crente? – a gente não sabe dizer? Por que? Porque a coisa está tão toldada, tão
misturada que hoje fica difícil dizer com um certo grau de certeza aquele que é ou não crente. Coisa que não
acontecia a 20, 30 anos atrás.

E vocês sabem por que isso está acontecendo?

É simples. Porque a igreja perdeu o seu referencial de identidade – o seu parâmetro de identidade.
O referencial de identidade que a igreja usava para determinar quem era e quem não era crente, era o
estereótipo, ou seja, as características, as marcas comumente usadas para descrever um crente.

Ou seja, quem eram os crentes 40 anos atrás? Então tínhamos um estereótipo de crente com muita
facilidade. Crente é aquele que ia na igreja de paletó e gravata, andava com a Bíblia debaixo do braço, não
bebia, não fumava, não ia as festas mundanas..., e assim por diante – 40, 20 anos atrás, quem quisesse saber
se uma era crente, geralmente, observar estes clichês na pessoa. Esses eram os referencias de identidade. O
que era, diga-se de passagem, parâmetros absolutamente paupérrimos, para se julgar de modo confiável, a
conversão e a fé de uma pessoa.

E mesmo que estes referenciais não fossem absolutamente confiáveis para se determinar a fé de uma pessoa,
eles davam à igreja alguma luz, embora fosca. De modo que a linha que separava os crentes dos não crentes
era bem mais larga e perceptível do que a que se tem hoje.

Só que com o passar do tempo, a igreja foi perdendo esses estereótipos. Hoje a Bíblia, não é mais uma
exclusividade dos crentes. Todo mundo anda e usa a Bíblia. Bem ou mal, todos a usam.

Hoje, ninguém que tem um pouco de bom senso, e um pouco de bom gosto, vai de paletó e gravata à igreja,
exceto claro, o pastor, por ossos do oficio, e outros em ocasiões especiais.

E por fim, não são poucos aqueles crentes que bebem, e fumam e vão às festas mundanas.

Em contraposição, os católicos cantam os nossos corinhos, falam em línguas como os pentecostais,


entregam o dizimo, batem palma nas missas, e os padres já pregam com os trejeitos de pastor.

De modo que no meio desse milk-shake religioso, fica difícil dizer quem é, e quem não é na história.

Então perdidos esses estereótipos de crentes, temos que buscar na Palavra de Deus quais são as verdadeiras
características do verdadeiro crente. Quais são os referenciais, os verdadeiros parâmetros que a Bíblia nos dá
para nós identificarmos os verdadeiros cristãos?

O texto que nós lemos, nos fornece três características daquela igreja de Atos – que em razão de ser a
comunidade dos Apóstolos, servem-nos de referencial para traçarmos o perfil bíblico de um verdadeiro
cristão.

I. E a primeira característica que Atos apresenta do verdadeiro cristão é o amor. Isto pode ser facilmente
percebido nos versículos 44-46.

Vejam o que acontecia nesta igreja. Todos os que criam estavam juntos. Tinham tudo em comum. Vendiam
as suas propriedades e bens – e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um.

Então irmãos, qual é a característica, qual é a marca indelével, qual é o estereótipo do cristão cristalizado
naquela igreja do livro de atos? O Amor.

Portanto, vejam que o crente se demonstra não é pelo seu largo conhecimento doutrinário, não é pelo
assentimento de verdades teológicas e pelo papagaiar das mesmas; o verdadeiro cristão não se demonstra
pela sua assiduidade aos cultos, nem pelo seu nome no rol de membros da igreja ou qualquer outro critério.

O verdadeiro cristão se credencia, se autentica, se deixa perceber pelo seu amor que ele reparte com os
demais irmãos.

Vocês sabem qual é o sinal da besta? Sabem? Eu sei que vocês sabem: 666.

E qual é o sinal do Cristão? Qual? O sinal do cristão é 13.35. quer ver? João 13:35. Abra a sua Bíblia: o que
é que diz? "nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros".
Se vos amardes – este é o sinal do cristão. "nisto". Jesus está dizendo assim: "é aí, que vão conhecer vocês.
É nisto, não é noutra coisa".

Vocês sabem qual é o grande drama da igreja hoje? é que a igreja não consegue ser ouvida pela sociedade.
Ninguém quer mais ouvir o que a igreja, o crente tem a dizer. Por que?

Porque a igreja tem caído no descrédito. Vocês sabem o que um grande segmento da população pensa de
nós?

Pros universitários, nós não passamos de gente simplória bitolada, com uma mente intransitiva.

Pra grande parte dos políticos, nós somos massa de manobra – somos aqueles de quem eles compram votos
– eles compram os nossos votos com um alvará de prefeitura, com bancos novos ou com telha, tijolos. Basta
dar umas telhas pro pastor, que ele dá os votos todos par você. Essa é a idéia que eles têm de nos.

Nos mestrados de sociologia, nós somos uma seita exótica, um povo esquisito..., nos mestrados de
sociologia nós somos seitas esquisitas – eles pra gente com canto de olho. Uns bichos esquisitos é o que
somos.

Pros (sic) comunistas – turma socialista progressista – nós somos "cordeiros pacificados pela burguesia
dominante – para quem a religião diz sempre amém. Essa é a idéia que têm de nós. A mentalidade burguesa
está calando a boca de um grande segmento chamado evangélicos.

Esse negócio de Deus, vida eterna, isso é coisa de gente alienada com mente devastada pelo ópio da religião.

Já, os capitalistas, que é outro extremo, sabe qual é a idéia que eles têm da igreja? É que nós somos os
derrotados pelo sistema e que precisam da muleta da religião para atravessar a vida. Essa é a idéia que eles
tem de nós: uns derrotados; que não têm capacidade de vencer e por isso precisam da muleta da religião.

Então vejam, que o grande desafio que nós como igreja, temos hoje, é o seguinte: como que a igreja pode
encurtar os espaços com esse grande segmento da população que não quer nada conosco?

E sabe quando isso vai acontecer? Quando eles conseguirem identificarem em nós o amor de Jesus. aí, eles
vão querer nos ouvir. Quando eles conseguirem ver em nós essa marca do verdadeiro cristianismo: amor,
então, como disse Jesus: nisto eles vão de dobrar.

Porque o grande problema nosso é que nós reduzimos o cristianismo, a conceitos, a uma meia dúzia de
verdades que nós assentamos na mente, e subtraímos dele o seu maior tesouro que é o amor.

E mundo está cansado de ouvir palavras – gente papagaiando verdades, conceitos abstratos – o que o mundo
precisa e quer ver é amor nas atitudes.

Por isso enquanto nós não deixamos de ser uma comunidade de auditório, e passarmos a ser uma
comunidade de Deus, onde sentimos as dores uns dos outros, assumimos responsabilidade com o próximo, e
o próximo assume responsabilidade conosco, nós não teremos a menor chance de sermos ouvidos por essa
geração.

Porque o mundo quer ver atitudes e não palavras. E quando ele olha para as nossas vidas dentro de nossas
igrejas, eles só conseguem ver palavras, falta o principal que nós identifica com Jesus: o amor. Só vê gente
brigando, falando mal uns dos outros, criticando. Aí, o mundo diz: "não, é tudo igual. É só blábláblá".

II. beleza espiritual.

A segunda característica da igreja de Atos com a qual nós podemos identificar o verdadeiro cristão é a
Beleza espiritual.
Vejam que naquela igreja havia beleza espiritual. Nós podemos perceber isso das palavras de Pedro no
versículo de nº 4, do capítulo 3: "Pedro, fitando-o, juntamente com João disse: olha para nós".

Meus irmãos, que coisa maravilhosa. Aquela igreja não tinha nada. Ela não tinha dinheiro, não tinha
instrumentos, não tinha bancos, na verdade não tinha nem templo. Mas uma coisa ela tinha: uma vida bonita
de se vê e olhar. Era uma igreja que podia dizer para as pessoas de fora: olha para minha vida.

Aquela igreja tinha uma beleza espiritual. Olha para minha vida, e vê em mim o que Deus pode fazer por
você.

E se há uma marca, um clichê, uma qualidade que caracteriza o verdadeiro crente é essa: beleza espiritual.

E isso não era só uma característica particular de Pedro. Vejam que quando, ele fala no versículo 4,
chamando a atenção do coxo, ele coloca a fala no plural: nós: "olha para nós". Já quando ele ordena que o
coxo fosse curado ele coloca a frase no singular eu: eu não possuo; mas que eu tenho; eu te dou. Vejam que
no momento da cura é só ele. Por que?

É simples. Porque a beleza espiritual era uma virtude de toda igreja – não era só dele. Era de todos, inclusive
João - uma vida bonita de se vê. Mas curar não, era um dom particular de Pedro. É sabido que João não
tinha o dom da cura. Em nenhum texto da Bíblia, por exemplo, você vai ver João curando.

O que mostra que ninguém é obrigado a ter os mesmos dons. Ninguém deve ser julgado por não ter um
determinado dom. mas se você se diz cristão, como Pedro e João e não pode dizer pro seu vizinho, para sua
família, pro seu patrão: olha para minha vida, veja o que Deus pode fazer por você, alguma coisa está
tremendamente errada. Porque essa era uma marca inamovível do verdadeiro cristão. O verdadeiro cristão é
aquele que pode dizer: olha para minha vida.

Aplicação:

E aqui está um dos grandes problemas da igreja de nossos dias, que vive a sua crise de identidade. Existem
muitos crentes, mas poucos têm em sua vida essa marca da igreja primitiva: Beleza espiritual. São poucos
aqueles que podem dizer para o vizinho, para a esposa, para os filhos não-crentes: olha para mim.

III. Nós temos algo de diferente para oferecer que o mundo não tem. V.6

Outra característica indelével daquela igreja que é autentica o verdadeiro cristão, é que ela tinha algo
diferente para oferecer que o mundo não tinha.

Vejam o versículo de nº 6: "não possuo prata e nem ouro; mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus
Cristo, o nazareno, levanta e anda".

Em outras palavras, Pedro estava dizendo o seguinte: "o que o mundo tem, (Prata e ouro) nós não temos;
mas o que nós temos, (poder de Deus), o mundo não tem, e isso te dou: em nome de Jesus, o nazareno,
anda".

Aquela igreja tinha algo de diferente para dar que o mundo não tinha. O que o mundo tinha ela não tinha.
Não tinha, dinheiro, posição social, não tinha templo. Mas uma coisa ela tinha e que o mundo não tinha;
poder de Deus.

E foi isso que fez com que aquele coxo entrasse no templo. Porque pela primeira vez, na vida, ele viu algo lá
dentro do templo que o motivasse entrar. Pela primeira vez, ele viu algo diferente, que o mundo não tinha
para o oferecer. Diz o texto que ela tinha 40 anos. 40 anos na porta do templo e nunca ele viu nada lá dentro
que compensasse entrar. Mas quando ele encontrou com Pedro e João, diz o texto ele imediatamente entrou
no templo.
Eu gosto de uma passagem em que São Tomás de Aquino e o papa conversavam a respeito desta passagem.
O papa, contabilizando as suas riquezas, disse pra São Tomás: Pedro – aludindo ao que Pedro disse para o
coxo – não pode dizer mais; não tenho prata e nem ouro. Ao que respondeu São Tomás: "é realmente, Pedro
não pode mais dizer não possuo prata e nem ouro, mas também não pode mais dizer: em nome de Jesus
levanta e anda".

Sabe irmãos, a sensação que eu tenho hoje é essa: O que o mundo tem, hoje, nós temos. Mas o que o mundo
não tem, nós também não temos mais.

E talvez seja esta a razão porque os coxos hoje, pararam de entrar na igreja. Porque eles não conseguem ver
nada lá dentro que seja melhor do que eles têm lá fora: "ah, pra que entrar, é tudo igual mesmo. O que
acontece lá, acontece, aqui".

Aplicação.

O interessante é que diz o texto que aquele coxo deu salto e entrou no templo louvando a Deus.

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