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EXCELENTISSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO

DA _____ VARA DA COMARCA DE AQUIRAZ (CE).

AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA COM PEDIDO DE


TUTELA ANTECIPADA

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, brasileiro, divorciado,


bancário aposentado, portador da Cédula de Identidade RG: 92002072051, e
inscrito no CPF/MF sob nº 042.716.373-00, residente e domiciliado na Avenida
XXXXXXXXXXX, nº 578, Bairro Centro, cidade de xxxxxxxx, Estado do xxxxxx,
CEP xxxxxxxxxx, por seu advogado que esta subscreve instrumento
procuratório anexo (doc. 01), vem respeitosamente à presença de V. Exa,
com fulcro nos arts. 13 e 15 da Lei 5478/68, combinado com os arts. 1699 da
Lei n° 10.406/02 (Código Civil), bem como o art. 273 e incisos do Código de
Processo Civil, propor a presente;

AÇÃO DE EXONERAÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA COM PEDIDO DE


TUTELA ANTECIPADA

em face de xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx, brasileira, divorciada, professora


aposentada, residente e domiciliada na Rua xxxxxxxxxxxx n° 55, apto. xxx,
Bairro xxxxxxxxxxxxxx, CEP xxxxxxxxxx, cidade de xxxxxxxxx, Estado do
xxxxxxx, pelas razões de fato e de direito que passa a expor:

I – PRELIMINARMENTE.

DOS BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA

O Alimentante está passando por sérias dificuldades financeiras, de forma


que requer, desde já, sejam concedidos os benefícios da justiça gratuita,
conforme declaração anexa.
Nesse sentido, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça tem consolidado o
entendimento de que para a concessão da justiça gratuita basta apenas a
declaração do próprio interessado, conforme notícia abaixo transcrita e
extraída do site daquele Tribunal, a saber:

"ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA NÃO NECESSITA DE


COMPROVAÇÃO, DIZ STJ.”
Para obtenção do benefício da assistência judiciária gratuita não é necessária
comprovação de dificuldade financeira, apenas a afirmação de que o autor do
pedido vive em estado de pobreza e que necessita do auxílio. O
entendimento é da 3ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que rejeitou
um recurso do Banco do Brasil contestando a concessão do benefício a uma
ex-bancária.
Segundo os ministros, o benefício pode ser negado ou cassado apenas na
hipótese de a parte contrária ao requerente da assistência judiciária
apresentar prova incontestável de que a parte solicitante não precisa da
gratuidade, podendo arcar com os custos do processo.

“PARA A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO, ‘BASTA REQUERIMENTO EM QUE


AFIRME A SUA POBREZA, CUMPRINDO À OUTRA PARTE QUE DESEJE
CONTESTAR A CONCESSÃO DA ASSISTÊNCIA GRATUITA PROVAR O
CONTRÁRIO”, CONCLUÍRAM OS MINISTROS." (grifos nossos)

De outro lado, a concessão dos benefícios da justiça gratuita não trará


prejuízos ao Poder Judiciário, tampouco à parte contrária, porque caso esta
vier a entender que o autor não preenche os requisitos para ter o benefício,
poderá questionar tal situação nos termos da Lei nº 1.060/50, aplicando-se o
contraditório e a ampla defesa. A respeito veja-se o disposto no artigo 4.º, da
Lei nº 1.060/50, no sentido de que:

“[...] Art. 4.º A parte gozará dos benefícios da assistência judiciária,


MEDIANTE SIMPLES AFIRMAÇÃO, NA PRÓPRIA PETIÇÃO INICIAL, DE
QUE NÃO ESTÁ EM CONDIÇÕES DE PAGAR AS CUSTAS DO PROCESSO
E OS HONORÁRIOS DE ADVOGADO, SEM PREJUÍZO PRÓPRIO OU DE
SUA FAMÍLIA [...]”. (grifos nossos)

Ademais, tanto o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, quanto o Excelso


Supremo Tribunal Federal pacificaram o entendimento de que o artigo 5º, da
Constituição Federal de 1998 recepcionou o artigo 4º, da Lei nº 1.060/50,
senão vejamos:

“PROCESSUAL CIVIL -AÇÃO DE INDENIZAÇÃO -PEDIDO DE


ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA -PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA
DECLARAÇÃO DE HIPOSSUFICIÊNCIA -RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO.”

1 - O V. ACÓRDÃO, AO EXAMINAR O CASO, AFASTOU O BENEFÍCIO DA


JUSTIÇA GRATUITA, ESSENCIALMENTE, SOB O ARGUMENTO DE QUE O
ARTIGO 4º, DA LEI 1.060/50 NÃO TERIA SIDO RECEPCIONADO PELO
PRECEITO CONTIDO NO ARTIGO 5º, INCISO LXXIV, DA CONSTITUIÇÃO
FEDERAL. ENTRETANTO, EQUIVOCOU-SE O DECISUM HOSTILIZADO.
COM EFEITO, O STF JÁ DECLAROU QUE O REFERIDO DISPOSITIVO
LEGAL FOI RECEPCIONADO.

2 - ASSIM SENDO, ESTA CORTE JÁ FIRMOU ENTENDIMENTO NO


SENTIDO DE QUE TEM PRESUNÇÃO LEGAL DE VERACIDADE A
DECLARAÇÃO FIRMADA PELA PARTE, SOB AS PENALIDADES DA LEI,
DE QUE O PAGAMENTO DAS CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS
ENSEJARÁ PREJUÍZO DO SUSTENTO PRÓPRIO OU DA FAMÍLIA. [...]

3 - RECURSO PROVIDO, PARA, REFORMANDO O V. ACÓRDÃO


RECORRIDO, CONCEDER AO RECORRENTE OS BENEFÍCIOS DA
ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA”. (Disponível em: Resp n.º 682.152
DJ. 04.05.2005 – Ministro Relator: Jorge Scartezzini -4.ª Turma – STJ – grifos
nossos)

Com base no entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça e do


Excelso Supremo Tribunal Federal e na declaração de hipossuficiência que
ora se junta (doc. 02), o Alimentante requer a CONCESSÃO DOS
BENEFÍCIOS DA GRATUIDADE PROCESSUAL, tendo em vista que não
possui condições financeiras para arcar na atual circunstancias com o
pagamento de custas e despesas processuais, sem prejuízo do sustento
próprio e familiar.

Assim, REQUER digne-se Vossa Excelência conceder-lhe os benefícios da


Justiça Gratuita.

DOS FATOS

I – DA PENSÃO ALIMENTICIA

Em sentença prolatada pelo M.M. Juízo da Comarca de Crateús, Estado do


Ceará, desde os anos de 1980, o alimentante contribuí com 40% dos
vencimentos brutos, descontados os encargos obrigatórios (copia do oficio
comunicando ao Banco do Brasil referido desconto, doc. 03) em favor dos
alimentados, descontos esses, feitos em sua folha de pagamento de salário
até o ano de 2004 quando em acordo firmado nesse juízo conseguiu uma
pequena redução de 10%, passando a um desconto de 30% até presente
data.

II – DA SENTENÇA DE DIVORCIO

Posteriormente, em virtude de acordo firmado pelas partes em Ação de


Divorcio Consensual, a qual transitou em julgado no ano de 1996 (doc. 04), o
Requerente ratificou os alimentos em 40% dos seus vencimentos líquidos,
para o cônjuge virago e filhos do casal, dois ainda menores: “Alimentos: o
varão pagará 40% (quarenta por cento) dos vencimentos líquidos
para o virago e filhos” (doc. 04), ademais, fora feita a partilha dos bens,
quando coube para o cônjuge virago o apartamento financiado pela PREVI em
que o cônjuge varão teve de dar continuidade ao pagamento das prestações
vincendas até sua quitação e transcrição do imóvel ao cônjuge virago.
Somente em 27 de fevereiro de 2004, tendo em vista a maioridade de dois de
seus filhos, com ambos tendo concluído o nível superior, e tendo suas vidas
independentes, o Alimentante conseguiu junto aos Alimentados homologar
neste juízo (doc. 05) um novo acordo firmado pelos divorciados, com redução
dos alimentos em 10% (dez por cento), ficando ainda fixado o desconto de
30% (trinta por cento) sobre os vencimentos líquidos da VERBA P300 Previ
Beneficio da folha de pagamento do agora funcionário aposentado (doc. 06).

Conforme se observa o Requerente vem efetuando o pagamento de pensão


desde 1980, ou seja, a praticamente há 30 anos, e o faz pontualmente, haja
vista que o desconto se dá em folha de pagamento de salário.

III – DA MUDANÇA NA CONDIÇÃO DAS PARTES:

Durante todo esse período o Alimentante constituiu nova família, o qual teve
duas filhas, o que por si só já modificaria e bastante a sua condição de
alimentante; contudo, permaneceu efetuando os pagamentos de pensão a
sua ex esposa e filhos, sem nunca haver questionado os referidos descontos,
e o fez por entender, que mesmo sendo sua ex esposa funcionaria publica,
hoje aposentada, carecia de ajuda para refazer sua vida, e educar os filhos,
que hoje todos são formados e possuem vida própria; vejamos:
xxxxxxxxxxxxxxxxxx, nascido em 02/01/1974, hoje com 36 anos, é solteiro
exercendo a profissão de jornalista tendo sua vida independente;

xxxxxxxxxxxxxxxxxx, nascida em 05/05/1978, hoje com 32 anos, é casada,


professora, morando atualmente no Rio Grande do Sul, com seu marido que é
da marinha, também com vida própria;

xxxxxxxxxxxxxxxxxx, nascido em 31/12/1985, hoje com 25 anos, formado


em ciência da computação, fazendo curso de pós-graduação no Canadá,
também com vida própria.

Como se pode ver, todos os filhos da requerida são maiores, bem situados na
vida, tendo vida própria, quanto a Requerida, hoje é aposentada, vive em
casa própria, tendo apenas de cuidar de si, já que seus filhos não necessitam
mais de ajuda, ajuda esta, que o Requerente o fez por longos 30 anos para
que nunca sofressem qualquer tipo de privação, nunca questionando antes
desta data os valores pagos mensalmente a titulo de pensão, mesmo porque
o desconto de 40% durante 24 anos e 30% durante esses últimos seis anos,
diga-se de passagem, são bem maiores do que costumeiramente se aplicam
nos dias atuais.

Ocorre que, apesar de sua situação financeira ter se modificado


vertiginosamente após o crescimento de sua doença, percebeu também que
a situação da Requerida também se modificou porem para melhor, tendo em
vista a não ter mais necessidade de ajuda aos filhos.

É importante destacar, que 30 anos de pensão é mais do que suficiente para


que uma pessoa possa enfim, refazer-se de um divorcio e continuar a prover-
se por seus próprios recursos.
No momento atual o Alimentante, vem passando por serias dificuldades
financeiras, não por ter seu salário diminuído, mais pelo gasto que esta tendo
com a implacável doença hereditária que lhe perturba e que não tem cura,
que já levou a morte dois de seus irmãos, e uma terceira irmã que já se
encontra em estado terminal, trata-se de doença neurológica denominada
heredo-degenerativa grave e progressiva (SCA7), lhe restando, portanto
poucos anos de vida, conforme declaração do HOSPITAL DAS CLINICAS DA
FACULDADE DE MEDICINA DE RIBEIRÃO PRETO DA UNIVERSIDADE DE SÃO
PAULO (doc. 07).

A cada ano seu corpo vem perdendo a sua coordenação motora, inclusive
tendo dificuldades para falar, a doença caminha numa velocidade
estarrecedora, deixando o paciente consciente de tudo ao seu redor mais
impotente para esboçar qualquer reação, quando nesse estagio precisará de
toda a assistência clinica e psicológica para suportar a morte de seu corpo
sem dor, mais imóvel em cima de uma cama, veja alguns artigos publicados
na internet:

1. A Degeneração espinocerebelar é uma doença que células nervosas do


cerebelo, tronco cerebral e a medula espinhal são destruídas, aos poucos,
porém o cérebro mantém-se.
Características
A cada 100.000 pessoas, 4 ou 5 são afetadas por essa doença, sem restrição
de etnia, gênero ou profissão.
A doença aparece, sobretudo a partir na meia idade, porém pode começar
nos primeiros anos de vida. A característica principal é que os sintomas
avançam muito lentamente, mas varia entre a situação do paciente, pois
cada pessoa terá um estágio de desenvolvimento diferente sobre a doença, e
também irá variar de sua medicação, mas no caso em que o procedimento da
doença seja lento irá variar de 10 a 20 anos para os sintomas progredirem
gradualmente.
As células nervosas do cerebelo, tronco cerebral e a medula são destruídas
aos poucos, porém, o cérebro mantém-se. A pessoa continua consciente de
tudo, entendendo todos perfeitamente. Portanto, diferente da demência ou
da doença de Alzheimer, os pacientes reconhecem claramente o declínio
gradual das funções do corpo.
O maior problema, na maioria das vezes, é do paciente aceitar sua doença,
pois ela se manifesta em pessoas que podem ser saudáveis ou não. Sofrem
porque irão perder os seus movimentos, e, não poderão escrever, comer, até
o dia em que fiquem paralisados numa cama, até acabar por falecer. Ainda
não existe cura.
Já existe em alguns lugares uma forma de comunicação para pessoas com
essa doença (a partir de quando se perde a fala): uma placa com letras do
alfabeto na qual o paciente irá formar as palavras e frases para que possam
se comunicar.
A série japonesa (dorama) "1 Litro de Lágrimas" - "Ichi Rittoru no Namida"
apresenta fielmente a vida de um portador de degeneração espinocerebelar,
retratando a história real de uma adolescente portadora da doença sendo
baseada em seu diário no qual mostra o ponto de vista do portador.

Tipos:
Caso isolado: Atrofia Cortical cerebral Atrofia de múltiplos sistemas
(olivopontocerebellar atrophy)

Hereditário:

1 Herança autossômica dominante

Ataxia espinocerebelar tipo 1 (SCA1)


Ataxia espinocerebelosa tipo 2 (SCA2)
Ataxia espinocerebelar tipo 3 (SCA3, Vulgo: Doença de José Machado)
Ataxia espinocerebelar tipo 6 (SCA6)
Ataxia espinocerebelar tipo 7 (SCA7)
Ataxia espinocerebelar tipo 10 (SCA10)
Ataxia espinocerebelar tipo 12 (SCA12)

Até o presente momento foram descobertas até a ataxia espinocerebelar tipo


17

Dentatectomy red body nuclear pallidotomy Louis atrophy (DRPLA)

2 Herança autossômica recessiva


ataxia Friedreich (FRDA)
síndrome da deficiência única de vitamina E (AVED)
apraxia dos oculomotores, baixa albumina sanguínea e doenças associadas
com ataxia cerebelar de início precoce (EOAH)
Principais sintomas:
Perda dos movimentos;
Perda da fala
Disartria
Disfagia
Diplopia
Falta de equilíbrio
Rigidez muscular em membros inferiores;
Cãibras
Formigamento nos pés

2-CENTRO DE ESTUDOS DE GENOMA HUMANO – Cidade Universitária –


São Paulo

Ataxias progressivas

A ataxia, que significa a perda de coordenação dos movimentos musculares


voluntários, é um sintoma que faz parte do quadro clínico de numerosas
doenças que comprometem o sistema nervoso. A perda de coordenação pode
afetar os membros, a fala, os movimentos dos olhos ou de outras regiões do
corpo. Os sintomas geralmente decorrem de disfunções do cerebelo (parte do
cérebro responsável pela coordenação motora), lesões na medula espinhal,
neuropatia periférica ou de uma combinação desses fatores. As ataxias
podem ser hereditárias ou adquiridas. As ataxias adquiridas geralmente
ocorrem em indivíduos que não têm histórico familiar de ataxia e podem ter
causas diversas tais como trauma craniano, alguns tipos de câncer, a
exposição a certas drogas, o alcoolismo ou a deficiência de determinadas
vitaminas. As ataxias hereditárias são causadas por uma anormalidade
genética e são também conhecidas como ataxias progressivas porque os
sintomas costumam se agravar com o passar do tempo.

Existem diversos tipos de ataxias hereditárias, que são classificadas pelo


modo de herança que pode ser autossômico dominante (a doença se
manifesta devido à alteração em um dos dois alelos de um gene);
autossômico recessivo (a manifestação da doença só ocorre na presença de
mutações nos dois alelos do mesmo gene); ligado ao X (o gene alterado está
localizado no cromossomo X) ou mitocondrial (a mutação ocorre no DNA das
mitocôndrias, organelas presentes no citoplasma das células que são
importantes para a respiração celular e possuem seu próprio DNA). As formas
mais comuns são as autossômicas dominantes e as autossômicas recessivas.

Quadro clínico
As ataxias hereditárias são doenças degenerativas que costumam progredir
ao longo dos anos. Os sinais clínicos observados, a idade de início dos
sintomas, a velocidade de progressão da doença e a intensidade do quadro
clínico dependem do tipo de ataxia Entretanto, são freqüentemente
observadas variações entre famílias com o mesmo tipo de ataxia e até
mesmo entre os afetados de uma mesma família. Essas variações, associadas
à freqüente sobreposição de sinais clínicos entre os diferentes tipos de ataxia
hereditária, podem dificultar o diagnóstico clínico em muitos casos.

Tipicamente, os sintomas iniciam com a alteração do equilíbrio e a diminuição


da coordenação motora, que pode afetar os movimentos dos braços e das
pernas e causar dificuldades na articulação das palavras (disartria). A
dificuldade de locomoção manifesta-se pelo modo de andar característico,
com os pés afastados, para compensar a falta de equilíbrio. A falta de
coordenação de braços e pernas pode afetar a capacidade de realizar tarefas
que requerem controle motor mais preciso tais como comer e escrever.
Alterações nos movimentos oculares podem ser observadas em algumas
formas de ataxia. Com a progressão da doença, podem ocorrer dificuldades
na deglutição, total incoordenação motora e incapacidade física.

De um modo geral, os sintomas das ataxias recessivas costumam ter início na


infância, enquanto que as ataxias dominantes comumente se manifestam na
idade adulta. A maior parte das ataxias com herança autossômica dominante
faz parte de um grupo de doenças genéticas neuro-degenerativas
genericamente chamadas de ataxias espinocerebelares, que apresentam
similaridade de quadro clínico e se caracterizam por uma perda progressiva
dos neurônios (células nervosas) do cerebelo, com comprometimento variável
das células da base do cérebro e da medula espinhal.

Nas ataxias com herança autossômica recessiva o quadro clínico típico da


ataxia está geralmente associado a outros sinais clínicos, que variam
conforme a alteração genética presente. Existem diversos tipos de ataxia
recessiva, sendo os tipos mais freqüentes a ataxia de Friedreich e a ataxia-
telangiectasia. Na ataxia de Friedreich, o quadro clínico de ataxia em geral
tem início antes dos 25 anos de idade e está associado à diminuição ou
ausência de reflexos nos membros inferiores, dificuldade em localizar seus
pés e mãos no espaço (senso de posição prejudicado), curvatura da espinha
dorsal (cifoscoliose), cavidade alta nos pés (pés cavus) e dedo do pé em
martelo. Na ataxia telangiectasia, os sintomas iniciam entre um e quatro anos
de idade e estão associados à presença de telangiectasias na conjuntiva,
imunodeficiência e susceptibilidade aumentada ao desenvolvimanto de
câncer, especialmente leucemias e linfomas.

Causas genéticas
Ataxia espinocerebelar
Já foram identificados mais de 25 genes cujas mutações causam as diferentes
formas de ataxia espinocerebelar. Dentro da seqüência de DNA de muitos
desses genes existe uma região em que ocorre uma repetição de
trinucleotídeos (segmento de três nucleotídeos de DNA repetido muitas
vezes). Nos indivíduos afetados, um desses genes pode apresentar um
aumento anormal (expansão) do número de trinucleotídeos, o que causa o
aparecimento dos sintomas. Observou-se ainda que, nas famílias de afetados,
essa expansão pode aumentar de uma geração para outra. Esse aumento da
expansão de trinucleotídeos de uma geração para outra causa um fenômeno
conhecido como antecipação, que consiste na manifestação mais grave e
mais precoce da doença com o passar das gerações.

Ataxia de Friedreich
A ataxia de Friedreich é causada por mutações em ambas as cópias do gene
FXN, que codifica para uma proteína denominada de frataxina. A mutação
presente em cerca de 95% dos casos é uma expansão da repetição de
trinucleotídeos (GAA)n.

Testes genéticos e aconselhamento genético


Ataxia espinocerebelar
Já existem testes moleculares para diversas formas de ataxia
espinocerebelar. Uma vez que a distinção clínica entre as várias formas de
ataxia espinocerebelar é praticamente impossível, a realização desses testes
permite confirmar o diagnóstico e identificar a forma de ataxia
espinocerebelar que o paciente apresenta. Daí a importância de se realizar
esses exames moleculares em todos os pacientes que apresentem sintomas
sugestivos de ataxia espinocerebelar, especialmente naqueles casos em que
a história familial sugerir uma herança autossômica dominante. Assim como
em outras doenças com padrão de herança autossômico dominante,
indivíduos de ambos os sexos são igualmente afetados e o risco de que um
filho ou filha de um afetado apresente a mesma doença é de 50%.

Ataxia de Friedreich
A expansão (GAA)n no gene da frataxina pode ser detectada pela análise do
DNA utilizando a técnica de PCR. Em se tratando de uma doença de herança
autossômica recessiva, o risco de recorrência da ataxia de Friedreich é de
25% para cada gravidez de um casal com um filho afetado.
O Centro de Estudos do Genoma Humano oferece exames moleculares para o
diagnóstico de ataxias progressivas e também aconselhamento genético para
as famílias dos afetados.

3-FACULDADE UNICAMPO

As ataxias espinocerebelares (AEC) formam um grupo heterogêneo de


doenças degenerativas do sistema nervoso central, caracterizadas por
degeneração do cerebelo e suas vias aferentes e eferentes. Clinicamente, a
maior parte dos pacientes com AEC apresentam alterações do equilíbrio e
disartria, que evoluem de forma progressiva. As AEC autossômicas
dominantes se iniciam normalmente na idade adulta. Até o momento,
existem 16 loci mapeados para as formas dominantes de AEC: tipo 1 (SCA1)
no cromossomo (cr) 6p, tipo 2 (SCA2) no cr 12q, tipo 3 ou doença de
Machado-Joseph (SCA3/MJD) no cr 14q, tipo 4 (SCA4) no cr 16q, tipo 5 (SCA5)
na região centromérica do cr 11, tipo 6 (SCA6) no cr 19p, tipo 7 (SCA7) no cr
3p, tipo 8 (SCA8) no cr 13q, tipo 10 (SCA10) no cr 22q, tipo 11 (SCAll) no cr
15q, tipo 12 (SCA12) no cr 5q, tipo 13 (SCA13) no cr 19q, tipo 14 (SCA 14) no
cr 19q, tipo 16 (SCA 16) no cr 8q, tipo 17 (SCA 17) na região TATA- box da
proteína e a atrofia dentatorubropalidoluisiana (DRPLA) no cr 12p. Em sete
formas autossômicas dominantes, cujos genes já foram identificados (SCA1,
SCA2, SCA3/MJD, SCA6, SCA7, SCA12 e DRPLA), a expansão de trinuc1eotídeo
CAG localizada na região codificadora dos genes, foi identificada como a
mutação responsável pela neurodegeneração, já na SCA8 a mutação
respónsavel é uma repetição do trinuc1eotídeo CTG. Algumas evidências
experimentais apontam para um ganho específico de função que levaria a
toxicidade neuronal nas doenças causadas pela expansão do trinuc1eotídeos
CAG. O objetivo principal deste projeto de pesquisa foi a determinação da
freqüência e das características moleculares das mutações responsáveis
pelas diferentes formas de AEC em uma amostra da população brasileira.
Cento e sessenta e três indivíduos com ataxia espinocerebelar progressiva
foram analisados clinicamente e as amostras de sangue periférico foram
coletados para os estudos moleculares. Os 163 pacientes pertenciam a 123
famílias não relacionadas entre si. O DNA genômico foi extraído de cada
indivíduo e as amostras foram genotipadas pela técnica da PCR utilizando
pares de "primer" que flanqueiam as regiões adjacentes aos tripletos
expandidos encontrados nos genes SCA1, SCA2, SCA3/DMJ, SCA6, SCA 7,
SCA8 e DRPLA. Os produtos da PCR foram submetidos a eletroforese em géis
de sequenciamento por aproximadamente 3 horas. A leitura dos alelos foi por
auto-radiografia após 3 diasd de exposição a filmes de raio-X. Na amostra de
123 famílias encontraram-se: 7 indivíduos portadores da mutação SCAJ
(5%),2 indivíduos portadores da mutação SCA2 (2%), 52 indivíduos
portadores da mutação SCA3/DMJ (32%) e 2 indivíduos portadores das
mutação SCA7 (2%). Não se encontrou nenhum indivíduo portador das
mutações: SCA6, SCA8, DRPLA. Observa-se que na população estudada a
forma mais freqüente de AEC é causada pela mutação SCA3/DMJ. Nesse
estudo foi também importante para estabelecer quais as AEC autossômicas
dominantes mais freqüentes em nosso meio e assim orientar o diagnóstico
clínico e molecular.
4- LINHARES, Salomão da Cunha; HORTA, Wagner Goes and
MARQUES JUNIOR, Wilson. Ataxia espinocerebelar do tipo 7 (AEC7):
história, genealogia e distribuição geográfica da família princeps.
Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. 2006, vol.64, n.2a, pp. 222-227. ISSN
0004-282X. doi: 10.1590/S0004-282X2006000200010.

Avaliamos retrospectivamente 320 anos da história e da genealogia de uma


família brasileira portadora de ataxia espinocerebelar do tipo 7 (AEC7). O
casal ancestral é oriundo do Estado do Ceará e a árvore genealógica foi
composta de 577 indivíduos, sendo 217 do sexo masculino (37,6%), 255 do
sexo feminino (44,1%) e 105 de sexo ignorado (18,1%). Até o presente
momento, 118 indivíduos foram acometidos, distribuídos nas gerações IV
(n=2), V (n=28), VI (n=57), VII (n=25) e VIII (n=6) da árvore genealógica.
Entre os doentes atualmente vivos (n=60), 37 deles (61,6%) encontram-se na
região Nordeste, 12 (20%) na região Sudeste, 9 (15%) na região Centro-Oeste
e 2 (3,3%) na região Norte. Uma vez que a reconstituição da árvore
genealógica foi baseada em apenas 4 dos 10 filhos do casal ancestral devido
ao desconhecimento do destino dos outros 6, levantamos a hipótese de que
outras famílias brasileiras com AEC7 possam ter a mesma origem genética.

Keywords : ataxia cerebelar autossômica dominante (ACAD); ataxia


espinocerebelar tipo 7 (AEC7); doença neurodegenerativa; expansão de
trinucleotídeos CAG.

Conforme já visto acima os alimentando hoje se encontrão numa situação


financeira que lhes permitem uma boa condição social, a ex cônjuge possui
residência própria recebida na partilha dos bens no divorcio consensual, é
funcionária publica aposentada com ganhos que lhe possibilitam plenamente
de ter uma vida digna sem mais precisar dessa verba alimentar que hoje faz
por demais falta ao alimentante para pelo menos ter um final de vida mais
tranqüilo.

IV – DA DIMINUIÇÃO DA CAPACIDADE FINANCEIRA DO REQUERENTE

Vários são os fatores que modificam a vida financeira das pessoas: um novo
casamento, o nascimento de novos filhos, o que de fato ocorreu com o
Requerido, casou e teve duas filhas, hoje também independentes, e que
durante todo esse período nunca procurou retirar a pensão a qual foi
condenado a pagar, pois quando saudável e mais novo exercia outras
atividades que lhe dava suporte financeiro para manter bem os padrões
exigidos pelas duas famílias.

Infelizmente um dos fatores que modificou consideravelmente a situação


financeira do Requerente, e que não é desejado por ninguém, é a doença a
que foi acometido, o qual já sabia que mais cedo ou mais tarde iria ocorrer,
mais tinha a esperança de que ocorresse numa idade mais avançada.

Não bastasse a diminuição de sua capacidade financeira pela doença que


hoje enfrenta, e que num futuro muito próximo terá que arcar ainda mais
com um maior volume financeiro na contratação de profissionais
especializados, para que, mesmo sabendo que sua doença não tem cura,
possa pelo menos ter condições de enfrentá-la com mais dignidade, já que foi
um homem sempre cumpridor de seu dever, sempre trabalhando para dar o
de melhor para seus filhos.

Ademais, o direito moderno não mais permite que a obrigação de alimentar


do ex-conjuge seja um castigo eterno, por isso o próprio direito outorga ao
alimentante a possibilidade de rever a pensão sempre que houver
modificação na capacidade de uma das partes, mesmo porque, no caso em
tela o divorcio homologado em sentença decreta a quebra do vinculo
parentesco, portanto, é preciso ficar claro que a condição de ex-cônjuge da
Requerida, não pode ser encarada como profissão.

DIREITO E DOUTRINA

A evolução sociológica na família autoriza o pensamento da Drª. Ana Maria


Vasconcelos, no sentido de que: “– O instituto de casamento não pode ser
considerado como fonte de renda para os cônjuges; não é porque por algum
tempo houve forte vínculo entre as partes, com as suas conseqüências,
inclusive assistência mútua, que ele deve ser considerado como uma
possibilidade ad eternum de sobrevivência, principalmente se houve
rompimento total do vínculo”.

Daí surge sempre à mesma pergunta: Alimentos entre ex-conjuges – até


quando?

Diante das inovações surgidas com a promulgação da Constituição Federal de


1988 e com a entrada em vigor do Novo Código Civil, que alterou
siguinificativamente o cenário do direito de família, a mulher casada deixou,
em definitivo, de ser considerada incapaz para os atos da vida civil.

Ora, as alterações legislativas nada mais fizeram do que positivar a situação


que de fato já se verifica no dia a dia; o da mulher cada vez mais exercer
papeis importantes tanto profissionalmente como também no núcleo familiar,
onde na maioria das vezes prover as necessidades da família assumindo o
papel de chefe. Portanto hoje seria até preconceituoso qualificar a mulher
como hipossuficiente qualificando-a apenas na condição feminina.

Portanto quando da extinção do liame conjugal, conforme estabelece o artigo


1.571, IV, do Código Civil:

Art. 1.571. A sociedade conjugal termina:

IV – pelo divórcio.

Terminando a sociedade conjugal, cessam as relações de parentesco e, por


conseguinte, deixam de ter feitio obrigatório quatro dos cinco deveres
previstos dos cônjuges, dispostos no artigo 1.566 do mesmo diploma legal,
quais sejam:
I - fidelidade recíproca;
II - vida em comum, no domicílio conjugal;
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos
V - respeito e consideração mútuos.

Permanece intocado, apenas e como não poderia deixar de ser, o dever de


sustento, guarda e educação dos filhos, e isso não apenas como imperativo
moral, mas também como exigência legal, conforme artigo 1.579 do CC,
litteris:

Art. 1.579. O divórcio não modificará os direitos e deveres dos pais em


relação aos filhos.

Portanto a lei nos fornece bem os contornos de uma relação havida entre ex-
cônjuges, extinta a sociedade conjugal através do divorcio, extingue-se
qualquer vinculo parentesco entre ex-conjuges, o que poderia justificar o
dever recíproco de prestar alimentos.

Ainda, é lógico, que existam casos em que se admiti o pensionamento entre


pessoas que não guardam entre si qualquer relação de parentesco ou
especial obrigação de manutenção recíproca. Tais fatos só ocorrem por
razões meramente humanitárias e solidárias, essencialmente com o fito de
resguardar ao cônjuge que, em virtude da mantença da sociedade conjugal
por longo período, que não foi o caso, ainda esteja menos preparado (o que
não significa incapacitado) para prover sua própria subsistência, que também
não é o caso.

Oportunamente, vale aqui salientar os pressupostos essenciais da obrigação


de prestar alimentos amparados no art. 1.695 da legislação Civil que assim
dispõe: “São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem
bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria
mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem
desfalque do necessário ao seu sustento”.

Já ficou bastante evidenciado a diminuição da capacidade do Requerente, em


contrapartida o aumento da capacidade da Requerida, por conseguinte não é
justo, não é correto, não é mais possível que o Requerente continue
prestando a obrigação alimentar, afinal o Requerente não é PREVIDENCIA
SOCIAL, e nem tão pouca a pensão pode ser tida como aposentadoria,
prejudicando sobremaneira não o sustento em si mais a própria vida do
Requerente.

Nesse sentido, o art. 1.694 em seu parágrafo 1º da mesma legislação civil,


dispõe: “Os alimentos devem ser fixados na proporção das
necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada”.

Sobre o tema, passemos ao entendimento de Maria Helena Diniz sobre o a


“NEDESSIDADE DO ALIMENTANDO”: “O parente só poderá exigir
alimentos de outro se, além de não possuir bens, estiver impossibilitado de
prover, pelo seu trabalho, à própria subsistência, por estar doente, velho,
invalido ou desempregado. Só a prova do estado de penúria em que se
encontra o autoriza a pleitear judicialmente alimentos”, portanto, o estado de
miserabilidade da pessoa é o pressuposto de exigibilidade da obrigação, data
máxima vênia Excelência, não é o caso da Requerida.

Diante de todo o apresentado, fica evidente que cessa todos os pressupostos


necessários a continuidade da prestação de alimentos a ex-conjuge, já que,
se o direito a prestação de alimentos esta condicionada à necessidade do
alimentando, a capacidade econômica do alimentante e o parentesco, alem
da mudança da situação financeira de quem os supre, art. 1699 da legislação
civil, in verbis: “Se fixados os alimentos, sobrevier mudança na
situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe,
poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstancias,
exoneração, redução ou majoração do encargo”; é obvio que, cessando
esse estado, se extingue, ipso facto, toda a obrigação alimentar, e autoriza ao
Requerente mover a presente demanda.

JURISPRUDÊNCIA

A jurisprudência relacionada ao fato é dominante e bastante clara nesse


sentido.

"Classe do Processo: APELAÇÃO CÍVEL APC3073593 DF Registro do Acórdão


Número: 73733 Data de Julgamento: 18/10/1994 Órgão Julgador: 2ª Turma
Cível Relator: ESTEVAM MAIA Publicação no DJU: 30/11/1994 Pág.: 15.077 (até
31/12/1993 na Seção 2, a partir de 01/01/1994 na Seção 3)
Ementa:
- CIVIL - ALIMENTOS - CÔNJUGES DIVORCIADOS - AUSÊNCIA DE
DIREITO - SENTENÇA MANTIDA - APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. A
CONCESSÃO DE ALIMENTOS ESTÁ CONDICIONADA À NECESSIDADE DE
QUEM OS RECLAMA E ÀS POSSIBILIDADES DAQUELE QUE É OBRIGADO
A PRESTÁ-LOS, O QUE NÃO RESTOU PROVADO, NO CASO. 2. SE O
VÍNCULO MATRIMONIAL ENTRE OS CÔNJUGES ROUMPEU-SE COM A
CONVERSÃO DA SEPARAÇÃO EM DIVÓRCIO, NÃO É LÍCITO A
QUALQUER DELES EXIGIR ALIMENTOS DO OUTRO, POSTO QUE ESSE
DEVER DECORRIA DO CONTRATO QUE NÃO MAIS EXISTE. 3. APELO
IMPROVIDO. Decisão NEGAR PROVIMENTO. UNÂNIME.
Indexação - PENSÃO ALIMENTÍCIA, PAGAMENTO. - FALTA,
COMPROVAÇÃO, ALEGAÇÕES, AUTOR DESNECESSIDADE,
RECEBIMENTO. - CONVERSÃO, SEPARAÇÃO JUDICIAL, DIVÓRCIO,
AUSÊNCIA, DIREITOS.

Classe do Processo: APELAÇÃO CÍVEL APC3710195 DF Registro do Acórdão


Número: 85178 Data de Julgamento: 08/04/1996 Órgão Julgador: 1ª Turma
Cível Relator: VALTER XAVIER Relator Designado: EDUARDO DE MORAES
OLIVEIRA Publicação no DJU: 26/06/1996 Pág.: 10.817 (até 31/12/1993 na
Seção 2, a partir de 01/01/1994 na Seção 3) Ementa
ALIMENTOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - PENSIONAMENTO DE EX-
CÔNJUGE - CF/88 - DESCABIMENTO - Não há falar em cerceamento de
defesa, em razão do julgamento antecipado da lide, se o processo estava
maduro e ocorrentes na espécie os pressupostos do artigo 333, I, do CPC.
Entre os cônjuges não há parentesco físico e com a nova Carta Constitucional,
que proclamou a igualdade entre o homem e a mulher, inconcebível o
pensionamento alimentar recíproco do casal, salvo hipóteses extremas, caso
a caso, mesmo assim antes de rompido o vínculo matrimonial pelo divórcio.
Decisão
CONHECER E IMPROVER O RECURSO, REJEITADA A PRELIMINAR. POR
MAIORIA. Indexação DESCABIMENTO, PENSÃO ALIMENTÍCIA,
CÔNJUGE, POSTERIORIDADE, SEPARAÇÃO JUDICIAL INOCORRÊNCIA,
CERCEAMENTO DE DEFESA, JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE,
DESNECESSIDADE, PROVA. VOTO VENCIDO: DESCABIMENTO, AÇÃO
DE ALIMENTOS, PEDIDO, CÔNJUGE, PENSÃO ALIMENTÍCIA EXTINÇÃO,
PROCESSO CABIMENTO, REVISÃO, CLÁUSULA, SEPARAÇÃO JUDICIAL.
Ramo do Direito
DIREITO CIVIL
Referência Legislativa CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - FED LEI-5869/1973 ART-
460 ART-467 ART-462 ART-267 INC-1 ART-295 INC-5 CÓDIGO CIVIL - FED LEI-
3071/1916
ART-404".

DA TUTELA ANTECIPADA

Preceitua o Código de Processo Civil em seu Art. 273: “O juiz poderá, a


requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela
pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se
convença da verossimilhança da alegação"

Da Prova inequívoca - o Requerente entende a difícil posição de um


magistrado quando se depara com tal conceito: "Prova Inequívoca" vejamos o
que dizem os doutrinadores. "(...) a prova inequívoca é tão robusta que não
permitem equívocos ou dúvidas, infundindo no espírito do juiz o sentimento
de certeza e não da mera verossimilhança". (Freire, Reis, Aspectos
Fundamentais das Medidas Liminares, 3º edição, Ed. Forense Universitária, pg
523), assim entende-se que prova inequívoca é aquela que possibilita uma
fundamentação convincente do magistrado.
Pois bem, a documentação acostada, notadamente os que provam o
rompimento do vínculo conjugal (certidão de divórcio), laudo medico que
comprova a doença que atormenta o Requerido, são deveras "robustos",
além da jurisprudência dominante, pensamos proporcionar e convencer
Vossa Excelência de certeza capaz de autorizar a medida liminar.

Da Verossimilhança - O mesmo autor continua "Convencer-se da


verossimilhança, ao contrário, não poderia significar mais do que imbuir-se do
sentimento de que a realidade fática pode ser como a descreve o autor",
neste ponto não pode muito fazer o Requerente, além do que já foi feito, ou
seja, juntar todas as provas necessárias que comprovam a urgência da
medida, a fim de que Vossa Excelência se convença de que tudo aquilo que
aqui foi alegado pelo Requerente é da mais profunda realidade.

Do Dano Irreparável - Neste quesito, não cabem doutrinas, explicações ou


conceitos; o dano irreparável significa exatamente aquilo que vem a ser.
Trata-se, portanto de matéria fática, ou seja, o dano que sofrerá o
Requerente caso não seja concedida a medida, que neste caso é óbvio. O que
ocorre é que o dano se estenderá não só ao Requerente, mas a toda sua
atual família que já vem sofrendo privações para melhor atender as
necessidades que a doença exige.
Nesse ponto, o Requerente roga pela prudente decisão de Vossa Excelência,
no que tange a concessão da tutela antecipada a fim de que não seja
cometida nenhuma injustiça!

Do Perigo de Irreversibilidade do Provimento - Cumpre deixar claro que


a concessão da tutela antecipada não causará dano algum à Requerida já que
a mesma é aposentada, possui moradia própria e posição econômica estável,
e se ao final da demanda, esta for julgada improcedente, ou seja, não a
perigo de irreversibilidade uma vez que o Requerente pagara todas as
parcelas de pensão que deixaram de ser descontadas em virtude da
concessão da tutela antecipada.
Por fim, cabe dizer que a concessão da tutela antecipada faz-se necessária e
conveniente ante o caráter de urgência de tal medida pelos motivos
expostos.

PEDIDO

Por tudo que foi exposto, é a presente para requerer:

1. Seja julgada totalmente procedente a ação exonerando o Requerente


do pagamento da
Pensão estipulada em 30% (trinta por cento) sobre os vencimentos
líquidos da VERBA P300 Previ.

2. Concessão da tutela antecipada, com a conseqüente expedição do


ofício para a Caixa de
Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, através da Gerencia
do Banco do Brasil
em Aquiraz (CE), no sentido de se fazer cessar os descontos nos
vencimentos do
requerente.

3. Condenação da Requerida ao pagamento das custas e honorários


advocatícios;

Requer, outrossim;

4. A citação da Requerida para que apresente sua contestação sob pena


de sofrer os efeitos
da revelia;
5. Protesta provar o alegado pelas provas documentais, notadamente
pelo depoimento
pessoal do Requerente, oitiva de testemunhas, juntada de
documentos e todas as demais
provas que se façam necessárias para a devida instrução do
processo.
Dá-se a causa o valor de R$ 2.000,00;

Nestes termos,
Requer Deferimento.

Aquiraz (CE), 30 de agosto de 2010.

TARCISIO SARAIVA GONDIM


OAB-CE 17.679