Sei sulla pagina 1di 16

CONTABILIDADE NACIONAL

Uma introdução às Contas Nacionais


Bruno Pereira Rezende
1. INTRODUÇÃO

Você está iniciando seus estudos no campo da Macroeconomia, que é o campo da Economia que
estuda as variáveis econômicas agregadas, tendo por objetivo principal determinar quais são os fatores que
influenciam nos níveis de renda e produto na economia. Segundo Gregory Mankiw (2005), os estudos de
Microeconomia e Macroeconomia podem ser definidos como:
• Microeconomia: “o estudo de como famílias e empresas tomam decisões e de como
interagem nos mercados”;
• Macroeconomia: “o estudo de fenômenos que afetam a economia como um todo, inclusive
inflação, desemprego e crescimento econômico”.
Como visto no início do curso, a Economia lida com um problema básico que é a alocação de recursos
escassos. Essa alocação deve se dar de maneira eficiente, de modo que se maximize a produção em função
dos fatores utilizados. Assim, surge aí a necessidade de se registrar os dados da atividade econômica de
modo a permitir que tal análise seja possível. Surge, então, a Contabilidade Nacional (CN), que é, segundo
Bresser-Pereira e Nakano (1972), “o conjunto de estatísticas de ordem econômica, preparadas e
sistematizadas com o objetivo de possibilitar uma visão quantitativa, a mais precisa possível, da economia
de um país. É uma síntese contábil dos fatos que caracterizam a atividade econômica de um país.”
Os primeiros estudos de CN datam de fins do século XVII, quando se introduziu o conceito de renda
nacional. Mas seria somente no século XX que a CN se desenvolveria de maneira mais sistemática,
especialmente após a crise econômica das décadas de 1920 e 1930, seguida pela Segunda Guerra Mundial.
A partir de então, os economistas passaram a perceber a necessidade de criar técnicas que permitissem a
mensuração e avaliação das atividades econômicas, e aí teve origem a CN moderna, também referida como
Contabilidade Social. Trata-se, portanto, de uma técnica que apresenta, por termos quantitativos, o quadro
geral do conjunto da economia de determinada região (seja ela um município, um estado, um país, um
bloco econômico etc.) durante certo período de tempo.
Antes de iniciarmos os estudos de Contabilidade Nacional, é importante distinguir dois tipos de
variáveis utilizadas em pesquisa econômica: as variáveis de fluxo e as variáveis estoques. As primeiras são
medidas ao longo de determinado período de tempo, ou seja, mensuram a produção, o consumo, os
investimentos etc. por unidade de tempo. Já as segundas são medidas num determinado momento, e
exemplos típicos são reservas de dinheiro, montante dívida etc. A CN trabalha essencialmente com
variáveis de fluxo, uma vez que trabalha com períodos de tempo (geralmente um trimestre ou um ano).

1
A CN tem por objetivos básicos a mensuração da atividade econômica (valendo-se de indicadores
como produção, consumo, investimento, rendimento etc.), a comparação ao longo do tempo e do espaço
(o que permite comparar a economia de dois países, por exemplo, com relação ao seu produto), a
elaboração de previsões de caráter econômico e sua utilização como instrumento de política econômica.
Mas a CN também possui limitações. Por só registrar atividades remuneradas, sua mensuração não
considera os setores informais da economia (embora pesquisas recentes venham fazendo estimativas
desse valor), não registra as atividades ilícitas (tais como o tráfico de drogas, armas etc.), não leva em
consideração os danos ambientais ou a importância social dos bens produzidos e não mensura o
autoconsumo. Ao conjunto de atividades, legais ou ilegais, que não são declaradas às autoridades e que,
portanto, não são incluídas na CN, chama-se de “economia subterrânea”.
Existem diversos sistemas de CN, mas nos ateremos à Contabilidade da Renda Nacional ou Sistema
de Contas Nacionais, que se trata do “registro sistemático dos fatos econômicos que realizam as diversas
entidades do país” (BRESSER-PEREIRA e NAKANO, 1972). Preocupa-se, portanto, com a descrição do fluxo
de bens e serviços finais produzidos em uma unidade territorial em certo período de tempo, e pode ser
mensurado segundo três aspectos que permitem, assim, descrever o que se passa em determinada
economia em determinado espaço temporal: produto, despesa e renda.

2. MEDINDO A RENDA NACIONAL

Nos noticiários, estamos acostumados a ouvir constantes referências ao produto interno bruto
(PIB) quando se analisa a renda total obtida na economia. E, dessa maneira, podemos dizer que “o PIB
mede duas coisas ao mesmo tempo: a renda total de todas as pessoas da economia e a despesa total com
bens e serviços produzidos na economia” (MANKIW, 2005). O que explica o fato de o PIB ser capaz de
medir tanto a renda quanto a despesa em uma economia vem da igualdade entre essas duas, ou seja: se
analisarmos a economia como um todo, podemos dizer que a renda deve ser igual à despesa. Mas por quê?
A explicação para tal fato passa pelo diagrama de fluxo circular da renda, que será apresentado abaixo.

2.1 O FLUXO CIRCULAR DA RENDA

Para fins didáticos, imaginemos uma economia bastante simplificada, onde existam apenas as
empresas, produtoras de bens e serviços, e as famílias, consumidoras de bens e serviços e fornecedoras de
fatores de produção (terra, capital e trabalho) às empresas. Desconsideremos as hipóteses de comércio
com o exterior, de intervenção estatal na economia, de produção de bens intermediários e de formação de
estoques. Nesse sistema, as empresas recebem das famílias os fatores de produção e pagam a elas uma
remuneração na forma de renda (salários, aluguéis, lucros e/ou juros). Utilizando esses fatores comprados
das famílias, as empresas produzem bens e serviços que serão vendidos às famílias, que poderão comprar

2
tais produtos com a remuneração recebida pela venda de fatores de produção às empresas. Desse modo, o
que ocorre na economia é um ciclo da renda e da despesa: a renda flui através dos mercados de fatores de
produção, enquanto a despesa flui através do mercado de bens e serviços (veja imagem abaixo).

Setas internas: indicam o fluxo de bens e serviços


Setas externas: indicam o fluxo de dinheiro

O PIB dessa economia pode, dessa maneira, ser calculado de duas maneiras: somando-se a despesa
total das famílias com os bens e serviços vendidos pelas empresas ou somando-se a renda total (isso é,
salários, aluguéis, juros e lucros) paga às famílias pelas empresas.
Evidentemente, as economias na realidade não são tão simples, e uma série de condições foi
imposta acima para que esse fluxo circular seja válido. Na vida real, as famílias não gastam toda a sua
renda, os agentes econômicos realizam transações com o exterior, famílias e empresas pagam impostos ao
governo, nem todos os bens e serviços produzidos são consumidos, há formação de estoques para
consumo futuro, há produção de bens intermediários (que, como você já viu na unidade 1 do curso,
entrarão na composição de um bem final) etc. Entretanto, simplificações são extremamente importantes
para o estudo econômico. Além disso, independente de uma transação envolver governos, empresas ou
famílias, ela possui necessariamente um comprador e um vendedor. E é por isso que, “para a economia
como um todo, a despesa e a renda são sempre iguais” (MANKIW, 2005).

2.2 DEFINIÇÃO DE PRODUTO INTERNO BRUTO

Antes de prosseguir à mensuração do PIB, é necessário definir, em termos formais, o que se


entende por produto interno bruto, e para isso usaremos a definição de Gregory Mankiw:

3
“Produto interno bruto (PIB) é o valor de mercado de todos os bens e serviços finais
produzidos em um país em um dado período de tempo.”

Analisaremos agora cada parte dessa definição separadamente.


Por somar diferentes tipos de bens e serviços em uma mesma medida da atividade econômica (isso
é, não se faz distinção se os produtos ali englobados são iPods, bananas ou cortes de cabelo), utiliza-se para
mensuração do PIB os preços de mercado de cada um dos produtos envolvidos. Assim, ao dizer que o PIB
“é o valor de mercado”, quer-se dizer que engloba o valor total dos produtos em questão, ou seja,
corresponde ao somatório dos valores que as pessoas pagam por esses bens e serviços.
Quanto ao termo “todos”, é necessário fazer uma importante ressalva: o PIB tenta ser o mais
abrangente possível, mas há certas atividades que, como vimos acima, não são incluídas nas contas
nacionais, dada a sua dificuldade de mensuração. Trata-se, sobretudo, das atividades ilegais. Assim, ao
dizer que o PIB equivale ao somatório do valor de mercado de todos os bens e serviços, deve-se ter em
mente que são todos os itens produzidos naquela economia e vendidos legalmente no mercado. Além de
excluir os itens produzidos e vendidos ilegalmente, o PIB também exclui os itens produzidos e consumidos
em casa (autoconsumo). Isso que dizer que, caso você produza um bolo de laranja em casa e o utilize para
consumo próprio, ele não entrará no cômputo do PIB. Mas se você for dono de uma pequena padaria e
vender o bolo para um consumidor qualquer, aí, sim, o valor do bolo será incluído no PIB. Com relação à
moradia, seu valor é incluído no cálculo do PIB por meio da estimativa do valor do aluguel do imóvel. Isso
significa que, ainda que o imóvel seja próprio, o governo estima qual seria o valor do aluguel desse imóvel
para que esse valor (e não o valor total do imóvel) seja incluído no PIB.
Por “bens e serviços”, o que se quer dizer é que o PIB inclui tanto bens tangíveis (por exemplo,
iPods e bananas) quanto serviços intangíveis (cortes de cabelo e ingressos de shows). E são bens e serviços
finais apenas, excluindo-se, portanto, os bens intermediários do cômputo. Isso visa evitar o chamado
problema da dupla contagem, que ocorreria se somássemos tanto o valor dos bens intermediários quanto
o valor dos bens finais. No preço final do iPod, já estão inclusos os valores de todos os itens que entram em
sua composição, ou seja, não é necessário incluir no cálculo do PIB, além do valor do iPod, também o valor
dos bens intermediários utilizados para a sua produção. Caso isso fosse feito, incorrer-se-ia na dupla
contagem, distorcendo-se o valor verdadeiro do PIB. Além disso, dizer que se trata de bens e serviços finais
produzidos envolve apenas aqueles produzidos no presente. Desse modo, um veículo produzido em 2009
entrará no PIB de 2009, independentemente de ele ser ou não vendido no ano em questão. E caso um
veículo produzido e vendido em 2007 seja revendido em 2009, ele não entrará no PIB de 2009, uma vez
que não foi produzido nesse ano, mas apenas recomercializado.
O PIB leva em consideração o espaço geográfico e o horizonte temporal. Com relação ao espaço
geográfico, mede a produção total no interior de determinado país. Se um cidadão brasileiro vai trabalhar
em uma loja de fast food nos Estados Unidos, o valor referente à sua produção entrará no PIB
norteamericano, e não no brasileiro. Da mesma maneira, o valor da produção da rede norteamericana

4
McDonald’s no Brasil é incluído no PIB brasileiro, apesar de sua matriz estar localizada fora do país. O que
se vê aqui é que, quanto às fronteiras geográficas, o PIB envolve o que foi produzido no interior de
determinado território, independentemente da nacionalidade da empresa ou do trabalhador. Com relação
ao horizonte temporal, o PIB mensura a produção em determinado período de tempo específico,
geralmente um ano ou um trimestre. O PIB se trata, portanto, de uma variável de fluxo, e por isso é
mensurado ao longo de determinado tempo.
Quando se fala de PIB trimestral, às vezes se apresenta o “PIB anualizado” ou “a uma taxa anual”.
Isso significa apenas que, grosso modo, multiplicou-se o valor do PIB trimestral por 4, como estimativa de
quanto seria o PIB anual caso se mantivessem as condições de produção no período considerado. Mas para
isso é necessário um ajustamento sazonal, visto que a economia produz mais bens e serviços em
determinadas épocas do ano que em outras (no mês de dezembro, por exemplo, a produção é geralmente
maior devido às festas de fim de ano). Assim, normalmente os dados anualizados do PIB são ajustados
sazonalmente de modo a refletir de maneira mais verossímil qual seria a produção anual da economia em
questão caso se mantivesse o ritmo de produção do trimestre considerado, respeitando-se as variações
sazonais.

2.3 CÁLCULO DO PIB

Como exposto acima na explicação sobre o fluxo circular da renda, a atividade econômica pode ser
medida sob três óticas diferentes: como produto, como renda e como despesa. Como produto,
corresponde à soma total dos bens e serviços finais produzidos no espaço geográfico e período de tempo
considerados; como renda, diz respeito à remuneração paga às famílias pelos fatores de produção que elas
fornecem às empresas; e como despesa, refere-se à despesa total das famílias ao comprar os bens e
serviços produzidos pelas empresas. Passaremos agora ao cálculo do PIB sob cada uma dessas óticas.

2.3.1 ÓTICA DO PRODUTO

De acordo com o esquema do fluxo circular, você viu que o produto coincide com a soma das
vendas das empresas sob a forma de bens e serviços às famílias, supondo que não existam nem bens nem
serviços intermediários (na definição de PIB, você viu que, ao somar os valores de bens finais e bens
intermediários, incorre-se no erro da dupla contagem). A ótica do produto leva em consideração, em
primeiro lugar, o valor bruto da produção do bem final. Isso significa dizer que, se estamos analisando a
contribuição do setor de vestuário para o PIB de determinada economia, não levaremos em consideração
os valores da produção no setor produtor de algodão e no setor de tecidos, que são setores intermediários
na produção de roupas, mas apenas os valores da produção de tecido, que é o bem final em questão. Veja
o exemplo numérico abaixo.

5
Observe o setor produtor de Algodão Tecido Roupa
1
Insumos - 50 120
algodão. Não há valor de insumos, uma vez Valor Adicionado2 50 70 130
que consideramos aqui esse setor como a Valor Bruto da Produção3 50 120 250

primeira do processo produtivo. O valor adicionado (ou valor agregado) nesse setor foi igual a 50 unidades
monetárias (UM). Isso significa dizer que, ao longo da produção nesse determinado setor, agregou-se valor
ao produto em questão (algodão) no valor de 50UM. Como o valor dos insumos é zero, temos que o valor
bruto da produção no setor de algodão corresponde a 0+50=50UM.
Passando ao setor produtor de tecidos, podemos observar que há um valor de insumos igual a
50UM. Isso porque todo o algodão produzido na etapa anterior do processo produtivo foi utilizado para a
produção de tecidos, entrando aí como insumo a essa produção. Ao longo dessa segunda etapa produtiva,
o valor adicionado ao valor já existente (ou seja, o valor adicionado às 50UM correspondentes à produção
de algodão realizada na primeira etapa da produção) foi igual a 70UM. Desse modo, o valor total da
produção nessa etapa corresponde ao somatório do valor agregado especificamente nessa etapa com o
valor de seus insumos. Dessa maneira, temos que o valor bruto da produção de tecido é igual a 120.
Por fim, analisando-se a terceira etapa de produção, que é a de roupas, temos que o valor dos
insumos é igual a 120UM (isso é, assumindo que todo o tecido foi empregado na produção de roupas,
temos que todas as 120UM de tecido foram empregadas como insumo para fabricar roupas). Se o valor
adicionado a essa etapa da produção é igual a 130UM, logo temos que o valor bruto da produção de roupa
é igual a 120+130=250UM. Como dito anteriormente, a ótica de mensuração do PIB pelo produto leva em
consideração o valor bruto da produção do bem final. Dessa maneira, podemos dizer que o valor do
produto para essa economia (ou seja, o PIB dessa economia, considerando que só existem esses três
setores de produção) é igual ao valor bruto da produção de roupas, ou seja, 250UM.
Mas há também outra maneira de se chegar ao valor do PIB pela ótica do produto (repare que não
se trata de uma nova ótica de mensuração, é apenas mais uma maneira de se obter o PIB pela mesma
ótica). Como você deve ter reparado, em cada uma das três etapas produtivas, o valor adicionado
corresponde à diferença entre o que havia de produto antes daquela etapa e o que há de produto ao final
daquela etapa (ou seja, valor bruto de produção menos insumos). Se o valor dos insumos na etapa 1 é igual
a zero, podemos dizer que o valor bruto da produção do bem final, portanto, nada mais é que a soma dos

1
Em Economia, insumo refere-se bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços, sejam eles
matérias-primas, uso de equipamentos, bens intermediários, capital, horas de trabalho etc
2
O valor adicionado corresponde a quanto cada empresa adiciona ao valor dos bens e serviços que ela processa,
correspondendo ao preço pelo qual ela vende seus produtos (isso é, ao valor bruto de sua produção) menos os
insumos (ou seja, os materiais utilizados na produção). Não há necessariamente transformação do produto (o
comércio, por exemplo, pode adicionar valor ao vender um produto mais caro que seu preço de compra, sem que
efetue quaisquer transformações no produto).
3
O valor bruto da produção corresponde ao somatório de insumos e valor adicionado naquela etapa de produção (o
valor adicionado em cada etapa pode ser, portanto, encontrado subtraindo-se os gastos com insumos do valor bruto
da produção em cada etapa produtiva).

6
valores adicionados em cada etapa do processo produtivo. Vejamos os números. Somando-se os valores
adicionados e cada uma das três etapas do processo produtivo acima, temos: 50+70+130=250UM.
Encontramos as mesmas 250UM do valor bruto da produção de roupas! Isso significa que, no cômputo do
PIB pela ótica do produto, tanto faz se observarmos o valor bruto da produção do setor que produz o bem
final (no caso, o setor produtor de roupa) ou se somarmos os valores adicionados em todas as etapas de
produção.
Atenção: não confunda o somatório do valor adicionado com o problema da dupla contagem! O
problema da dupla contagem ocorre quando, além do valor bruto da produção do bem final, também
somamos o valor bruto a produção dos bens intermediários (nesse caso, o valor – errado – do PIB nessa
situação seria igual a 50+120+250=420UM). O somatório do valor adicionado leva em consideração apenas
o que cada setor agregou de valor ao produto em questão (ou seja, do valor bruto da produção de cada
setor, é excluído o valor gasto com insumos: 50-0=50; 120-50=70; 250-120=130). Não há, portanto, dupla
contagem no cálculo do PIB pelo somatório dos valores adicionados.
Podemos, portanto, elaborar outra definição de PIB complementar à outra acima apresentada. O
PIB pode ser tanto “o valor de mercado de todos os bens e serviços finais produzidos em um país em um
dado período de tempo” quanto “a soma dos valores adicionados por cada setor econômico do processo
de produção de bens e serviços finais em um país em um dado período de tempo”. Isso porque, como você
viu acima, ambas as metodologias empregadas levam ao mesmo resultado.
Você acabou de ver como o PIB pode ser mensurado pela ótica do produto. Passaremos agora à
análise dessa mensuração pela ótica da renda, que leva em consideração a remuneração paga aos fatores
de produção.

2.3.2 ÓTICA DA RENDA

A ótica da renda permite que se meça o produto por meio da renda gerada no processo produtivo.
Essa renda corresponde à remuneração dos fatores de produção empregados no processo produtivo, e os
tipos de remuneração existentes são: salários (pagos ao trabalhador, como remuneração pelo fator
trabalho), aluguéis (pagos aos proprietários de bens de capital, como remuneração pelo fator terra), lucros
(pagos como remuneração pelo capital de empréstimo) e juros (pagos como remuneração pelo capital
produtivo). O valor adicionado em cada etapa do processo produtivo corresponde à remuneração dos
fatores de produção envolvidos naquela etapa. Desse modo, podemos estabelecer a igualdade entre
produto e renda, ou seja:
PRODUTO = valor agregado = RENDA = Salários + Aluguéis + Lucros + Juros

7
Tomemos o mesmo exemplo Algodão Tecido Roupa
utilizado acima, agora com alguns dados Insumos - 50 120
Salários 10 20 30
adicionais (veja o quadro ao lado). Incluímos Aluguéis 10 20 20
agora os valores das rendas em cada uma das Lucros 10 10 50
Juros 20 20 30
etapas de produção. Já vimos que o PIB pode
Valor Adicionado 50 70 130
ser calculado, pela ótica do produto, tanto Valor Bruto da Produção 50 120 250
pelo valor bruto da produção do bem final (no caso, roupas) quanto pelo somatório dos valores
adicionados em cada etapa de produção. No parágrafo anterior, afirmou-se que o somatório das rendas em
cada etapa de produção corresponde ao valor adicionado nessa etapa. Vejamos:
Etapa 1 – Algodão – Somatório das rendas = 10+10+10+20=50UM
Etapa 2 – Tecido – Somatório das rendas = 20+20+10+20=70UM
Etapa 3 – Roupa – Somatório das rendas = 30+20+50+30=130UM
Como você pode ver, o valor adicionado a cada etapa de produção corresponde, de fato, ao
somatório das rendas pagas nessa etapa. Se acima você viu que o somatório dos valores agregados em
todas as etapas da produção é igual ao PIB dessa economia, logo podemos dizer que o somatório das
rendas em todas as etapas de produção também corresponde ao PIB dessa economia. Assim, pela ótica da
renda, podemos dizer que:
PIB = Salários + Aluguéis + Lucros + Juros
No exemplo dado, temos que:
∑ Salários = 10+20+30=60UM
∑ Aluguéis = 10+20+20=50UM
∑ Lucros = 10+10+50=70UM
∑ Juros = 20+20+30=70UM
Logo, PIB = 60+50+70+70=250UM (valor igual ao do PIB pela ótica do produto).
Atenção: para fins de exercícios, nem sempre são dados os valores de todos os componentes da
renda (pode-se, por exemplo, omitir os juros). Nesse caso, considere que o valor do componente em
questão foi desprezado por ser igual a zero.

Como você viu até agora, o PIB pode ser calculado tanto pela ótica do produto quanto pela ótica da
despesa, dando em ambos os casos o mesmo resultado final. Veremos agora a última ótica de mensuração
do PIB, a ótica da despesa (ou do dispêndio).

2.3.3 ÓTICA DA DESPESA

A mensuração do PIB pela ótica da despesa permite medir o produto por meio do dispêndio ou da
demanda (compras de bens e serviços finais), ou seja, leva em consideração os possíveis destinos do

8
produto, considerando-se quem os adquire e para quais fins. A ótica da despesa possui quatro
componentes básicos, que são: consumo, investimento, gastos do governo e exportações líquidas. Cada um
deles será discutido separadamente a seguir.
O consumo se refere aos bens adquiridos para satisfação das necessidades pessoais das famílias
por meio da compra de bens e serviços, excetuando-se a compra de imóveis residenciais novos. Segundo
Mankiw (2005), “os ‘bens’ incluem as despesas das famílias em bens duráveis, como carros e
eletrodomésticos, e bens não-duráveis, como alimento e vestuário. Os ‘serviços’ incluem itens intangíveis,
como cortes de cabelo e serviços de saúde. As despesas da família em educação também são incluídas no
consumo de serviços”.
Os gastos em investimento se referem às “despesas em equipamento de capital, estoques e
estruturas, incluindo a compra de novos imóveis residenciais pelas famílias” (MANKIW, 2005).
Correspondem, portanto, à compra de bens que serão, no futuro, utilizados para a produção de bens e
serviços (bens de capital). Os estoques são aqui contabilizados devido ao fato de ser intenção dos
contadores de renda nacional mensurar toda a produção no período em questão, independentemente de
ela ser vendida ou não. Quando se produz um bem que é estocado, considera-se como se a empresa
tivesse “comprado” o produto dela mesma, entrando assim como despesa de investimento da empresa.
Quando a empresa vende o bem que estava estocado, esse valor é então descontado do valor de
investimento, entrando aí com sinal negativo de modo a compensar a despesa positiva de seu comprador
(e evitar que esse valor seja contabilizado outra vez).
Gastos governamentais dizem respeito a às despesas produtivas do governo em todos os âmbitos,
municipal, estadual e federal. Mas nem todos os gastos governamentais são contabilizados no PIB. O PIB
tem o propósito de mensurar a renda e a despesa referentes à produção de bens e serviços. Portanto, o
pagamento de benefícios de seguridade social (chamado de pagamento de transferência), por exemplo,
não é aqui contabilizado como gasto governamental, uma vez que, apesar de afetar a renda das famílias,
não reflete a produção da economia. Mas pagamentos do governo a uma professora de uma escola
pública, por exemplo, são, sim, contabilizados como gastos governamentais para fins de mensuração do
PIB, uma vez que se refere a um pagamento por um serviço efetuado (refletindo, portanto, na produção
dessa economia).
Por fim, as exportações líquidas4 referem-se à diferença entre exportações5 e importações6
(exportações menos importações). A subtração das importações é feita devido ao fato de as importações
de bens e serviços já serem incluídas em outros dos componentes do PIB pela ótica da despesa vistos
acima. Quando você importa um iPod dos Estados Unidos no valor de US$300, essa transação aumenta o

4
Em Economia, o termo “líquido” tem por referência uma operação de subtração. “Exportações líquidas” se refere à
diferença entre exportações e importações (isso é, exportações menos importações); “importações líquidas”, por sua
vez, equivale a importações menos exportações.
5
Exportações referem-se às compras, por estrangeiros, de bens produzidos internamente.
6
Importações referem-se às compras internas de bens estrangeiros.

9
componente consumo em US$300, uma vez que o iPod faz parte das despesas de consumo das famílias.
Entretanto, o objetivo do PIB é mensurar os bens e serviços que são produzidos internamente. Dessa
maneira, os US$300 das importações entram com sinal negativo para compensar o gasto com consumo.
Reduz-se, portanto, as exportações líquidas em US$300. “Em outras palavras, as exportações líquidas
incluem os bens e serviços produzidos no exterior (com sinal negativo) porque esses bens e serviços já
estão incluídos no consumo, no investimento e nas compras do governo (com sinal positivo). Assim sendo,
quando uma família, empresa ou governo adquire um bem ou serviço do exterior, a compra reduz as
exportações líquidas – mas como também aumenta o consumo, o investimento ou as compras do governo,
não afeta o PIB”. Portanto, lembre-se: apesar de estarem inclusas nas exportações líquidas, as importações
não afetam o PIB.
Pela ótica da despesa, temos que o PIB corresponde ao somatório desses quatro componentes:
Y = C + I + G + EL, sendo:
Y=PIB, C=Consumo, I=Investimento, G=Gastos do Governo e EL=Exportações Líquidas.
Essa equação é utilizada para economias abertas (que realizam transações com o exterior, isso é,
exportam e importam bens e serviços). Em uma economia fechada (isso é, uma economia que não realiza
transações com o exterior), não temos nem exportações nem importações. O valor das exportações
líquidas é, portanto, igual a zero, e o PIB pode ser calculado por:
Y=C+I+G
No anexo 1, ao final deste texto, você encontra uma série de dados do IBGE relativos ao PIB
brasileiro desde 195, com sua distribuição setorial na economia, bem como sua divisão entre os diversos
componentes da ótica do dispêndio. Sobre a denominação “PIB a preços de mercado” indicada na tabela,
você verá abaixo, no item 2.6, AS DIVERSAS MEDIDAS DO PRODUTO.

2.4 PIB REAL e PIB NOMINAL

Vimos acima que o PIB mede a despesa total em bens e serviços em uma economia. Se a despesa
aumenta de um ano para o outro (ou seja, se o valor do PIB aumenta), há duas possíveis explicações para
esse fato: em primeiro lugar, pode-se dizer que a economia está produzindo mais, e o valor dos
componentes do PIB aumenta por isso; mas também é possível que a economia tenha produzido o mesmo
tanto, ou até menos, e os preços tenham aumentado. E aí surge um problema na análise do PIB como
indicador da produção de um país: como saber se as alterações do PIB de um período para o outro são
frutos de mais produção ou de uma alteração nos preços? É para isso que os economistas efetuam a
distinção entre PIB real e PIB nominal.
O PIB real avalia a produção de bens e serviços a preços constantes de um ano-base (um ano cujos
preços de mercado são estabelecidos como padrão para mensuração), ou seja, faz-se a seguinte hipótese:
qual seria o PIB no período analisado se os preços do ano-base tivessem se mantido, segundo as

10
quantidades atuais? Desse modo, o cálculo do PIB real não faz nada mais que multiplicar as quantidades
comercializadas de todos os bens no ano corrente (isso é, no ano em análise) pelos preços dos mesmos
bens no ano-base. Você verá abaixo um exemplo numérico. Mas antes disso, vamos definir PIB nominal.
O PIB nominal avalia a produção de bens e serviços a preços correntes, ou seja, considera as
variações de preços ocorridas na economia. O PIB nominal não está preocupado em retirar os efeitos da
inflação da economia (que é o que o PIB real faz), mas sim em avaliar o montante total de produção do
período em questão, quanto de dinheiro “circulou” no fluxo da renda nesse período. O PIB nominal é dado,
portanto, pelo produto de quantidade vendida no ano corrente pelos preços do próprio ano corrente.
Como você pode ver, a única coisa que se altera nas mensurações do PIB real e do PIB nominal são os
preços: no primeiro caso, os preços são do ano-base; no segundo, do ano corrente. E a diferença de valores
entre os dois nos mostra os efeitos da variação de preços total na economia (que você verá, na próxima
unidade deste módulo, tratar-se da inflação). Vejamos agora o exemplo numérico.
Suponha uma economia simples em que existam apenas dois mercados, de batata frita e
refrigerante. Os dados de preços e quantidades dessa economia ao longo dos anos de 2007, 2008 e 2009
estão apresentados na tabela abaixo.
2007 2008 2009
O PIB nominal, como vimos acima, é
Preço da Batata Frita R$4,00 R$5,00 R$5,50
dado pelo produto de preços e quantidades no
Quantidade de Batata 100 80 80
próprio ano em questão. Desse modo, temos
Frita
que: Preço do Refrigerante R$2,00 R$2,50 R$1,20
PIBn2007 = 4x100+2x150 = R$700 Quantidade de 150 120 200
Refrigerante
PIBn2008 = 5x80+2,5x120 = R$700
PIBn2009 = 5,5x80+1,2x200 = R$680
O PIB nominal revela, portanto, que a produção da economia permaneceu constante de 2007 para
2008, sofrendo uma ligeira queda em 2009. Vejamos agora o que o PIB real tem a nos dizer.
Consideraremos como ano-base o ano de 2007.
PIBr2007 = 4x100+2x150 = R$700
Como você pode perceber, o PIB real no ano-base coincidiu com seu PIB nominal. E isso sempre
ocorre, uma vez que os preços tomados para o cálculo do PIB real são os preços do ano-base (que, no caso,
é o próprio ano em questão).
PIBr2008 = 4x80+2x120 = R$560
PIBr2009 = 4x80+2x200 = R$720
Observe agora que, se descontarmos os efeitos das variações de preços (isso é, calculando-se o PIB
real), temos uma situação diferente da mostrada por meio do PIB nominal: o PIB real em 2008 foi menor
que o de 2007 (lembre-se que o PIB nominal de 2007 e 2008 é igual), enquanto o PIB real em 2009 foi
maior que o de 2008 (lembre-se que o PIB nominal de 2009 é menor que o de 2007).

11
Mas então, qual das duas formas é a correta? Não existe forma correta ou errada. Ambas servem
para seus próprios propósitos. Como você viu acima, se você quiser saber qual foi a produção de fato de
um ano, sem deixar que as variações de preços interfiram na sua análise, você deve observar o PIB real; se
você quiser saber qual foi o montante total de dinheiro (ou seja, a despesa total) que circulou na economia,
independentemente de suas variações de preços, aí o recomendável é utilizar o PIB nominal

2.4.1 DEFLATOR IMPLÍCITO DO PIB

Como você viu, o PIB nominal reflete, ao mesmo tempo, os preços dos bens e serviços e as
quantidades comercializadas desse bem no ano corrente, enquanto o PIB real, ao considerar os preços
apenas do ano-base, reflete apenas as quantidades produzidas. Temos, portanto, a seguinte situação:
PIB nominal = preços correntes x quantidades correntes
PIB real = preços do ano-base x quantidades correntes
Se quisermos, portanto, avaliar a variação dos preços ocorrida do ano-base para o ano corrente em
questão, é possível fazê-lo observando os valores do PIB nominal e do PIB real do ano corrente. Se
dividirmos PIB nominal por PIB real, temos:
PIB nominal preços correntes x quantidades correntes preços correntes
= =
PIB real preços o ano-base x quantidades correntes preços do ano-base
Temos, portanto, que a razão entre PIB nominal e PIB real nos dá a relação entre os preços
correntes e os preços do ano-base. Dessa maneira, surge o chamado Deflator Implícito do PIB, “uma
medida do nível de preços calculada como a razão entre o PIB nominal e o PIB real multiplicada por cem”
(MANKIW, 2005). Portanto,
Deflator Implícito = PIB nominal x 100
do PIB PIB real

Como PIB nominal e PIB real no ano-base são iguais, o deflator implícito do PIB para o ano-base é
sempre igual a cem. Para os anos subsequentes, o deflator mede as variações nos preços (e não nas
quantidades), ou seja, ele “mede a variação do PIB nominal a partir do ano-base que não pode ser atribuída
a uma variação do PIB real” (MANKIW, 2005).
Tomemos os exemplos dados acima:
PIBn2007 = R$700; PIBn2008 = R$700; PIBn2009 = R$680
PIBr2007 = R$700; PIBr2008 = R$560; PIBr2009 = R$720
O valor do deflator implícito do PIB para cada um desses anos será, portanto:
Deflator2007 = (700/700)x100 = 100

12
Deflator2008 = (700/560)x100 = 125
Deflator2009 = (680/720)x100 = 94,44
O deflator é, dessa maneira, uma das medidas da variação do nível geral de preços em uma
economia. Você verá no próximo texto outra medida, o Índice de Preços ao Consumidor, e aprenderá as
diferenças básicas entre esse índice e o deflator para a mensuração da alteração de preços. Pelos valores
calculados, podemos chegar ao valor da inflação medida pelo deflator implícito do PIB. Essa variação pode
ser medida da seguinte maneira:

Taxa de Inflação = DIPano 2 - DIPano 1 x 100


DIPano 1
2.5 PIB E BEM-ESTAR ECONÔMICO

O PIB é regularmente utilizado como indicador de bem-estar econômico, seja por indicar a riqueza
total de um país ou pelo PIB per capita (que é obtido pela divisão do valor total do PIB pela população
local). Mas não é um indicador ideal. O PIB per capita, por exemplo, não leva em consideração a
distribuição de renda, o acesso a saúde e educação etc. (o assunto indicadores sociais e desigualdade será
tratado na última unidade do curso). O próprio PIB não indica a preservação do meio ambiente. Um país
pode experimentar um rápido crescimento econômico em detrimento da preservação ambiental, o que
esconderia seus verdadeiros efeitos sobre o “bem-estar” dessa população. O PIB não considera tampouco
as atividades que ocorrem fora dos mercados. Produção doméstica, serviço de dona-de-casa, trabalho
voluntário, horas de lazer perdidas com o aumento do trabalho: nada é computado no PIB. Mas isso não faz
do PIB uma medida desprezível do bem-estar econômico. No fim das contas, pode-se dizer que o PIB é, sim,
uma boa medida do bem-estar econômico, uma vez que nos permite mensurar a renda, a despesa e o
produto totais de uma economia ao longo de um período. Dessa maneira, permite-nos avaliar o
desenvolvimento e o crescimento médios da economia como um todo. Assim, o PIB não se revela uma
medida eficaz do bem-estar econômico para a maioria dos propósitos a que se destina, mas não para
todos.

2.6 AS DIVERSAS MEDIDAS DO PRODUTO

O PIB, como você viu acima, é uma das maneiras de mensuração do produto disponível em
Economia. Mas não é a única. Inicialmente, você já viu que há diferentes óticas de mensuração do PIB, cada
uma analisando diferentes componentes. Dessa maneira, qual será a relação entre o PIB medido pela ótica
da produção, o medido pela despesa e o medido pela renda?
Você deve se lembrar que o PIB pela ótica da despesa reflete os valores que foram pagos no
mercado para compra dos bens e serviços produzidos, dividindo-se entre consumo, investimento, gastos do
governo e exportações líquidas. Dessa maneira, ao calcularmos o PIB pela ótica da despesa, obtemos o

13
chamado PIB a preços de mercado (ou PIBpm), que reflete, portanto, o valor de mercado pago pelos bens e
serviços na economia.
Já o PIB pela ótica da renda mensura a remuneração dos fatores de produção em todas as etapas
do processo de produção, e por isso é chamado PIB a custo de fatores (ou PIBcf). Não deveriam, portanto,
dar o mesmo valor os produtos calculados tanto pela ótica da despesa quanto pela ótica da renda? Apenas
se não houver participação governamental na economia. O Governo pode intervir na economia por meio da
cobrança de impostos indiretos 7e pela concessão de subsídios. Dessa maneira, o valor de mercado dos
bens diferencia-se do custo de seus fatores de produção por esses dois componentes: impostos indiretos e
subsídios. Qual é, então, a relação existente entre o PIB calculado a preços de mercado e o PIB a custo de
fatores? Observe a relação abaixo:
PIBpm – impostos indiretos + subsídios = PIBcf
Ou
PIBcf + impostos indiretos – subsídios = PIBpm
Isso porque, enquanto os impostos indiretos são gastos pelo produtor, sendo portanto adicionados
ao custo de produção para que se componha o preço de mercado do produto, os subsídios funcionam
como auxílio à produção, e seu valor é descontado do custo de produção para formar o preço de mercado.
É essa, portanto, a relação que se estabelece entre PIBpm e PIBcf.
Como você viu acima, o valor PIB pela soma dos valores adicionados (ótica da produção) equivale
ao PIB pela ótica da renda. Dessa maneira, o PIB calculado pela ótica da produção sai, como pela renda, a
custo de fatores.
Veremos agora outras medidas diferentes do PIB, mas antes definiremos alguns conceitos
econômicos importantes:
BRUTO – o “B” de PIB indica que está incluso no valor do PIB os gastos com depreciação, ou seja, a
deterioração dos bens de capital na produção. Os gastos com reparos de máquinas, por exemplo, entram
como depreciação, e a depreciação está inclusa no PIB.
LÍQUIDO – caso se exclua o valor da depreciação com máquinas e equipamentos do produto bruto,
teremos então o produto líquido, que é, portanto, a quantidade total de produção, descontados o valor da
depreciação.
INTERNO – o “I” do PIB indica que se inclui no PIB o valor de todos os bens e serviços produzidos
internamente em um país, independentemente da nacionalidade da empresa ou funcionário que os
produziu. Ainda que uma empresa estrangeira instalada no país remete rendas para o exterior, esse valor é
incluído no produto interno, uma vez que foi produzido dentro dos limites geográficos desse país. Se uma
empresa do país em questão está instalada no exterior, ainda que ela remeta rendas para esse país, suas
rendas não entrarão no produto interno, uma vez que não foi produzida no próprio país.

7
Impostos indiretos são aqueles cobrados por produto. Os impostos diretos correspondem ao imposto de renda.

14
NACIONAL – quando se quer contabilizar não o que foi produzido dentro das fronteiras do país, mas
sim tudo o que foi produzido por empresas e pessoas do próprio país e enviado para o país (afinal, de nada
adianta uma empresa nacional produzir no exterior e manter renda lá fora), utiliza-se o produto nacional.
Ele inclui, portanto, os rendimentos enviados para o país (e exclui os rendimentos enviados para o
exterior)8.

Agora, sim, qual a relação entre essas medidas?


Produto Bruto – depreciação = Produto Líquido
ou
Produto Líquido + depreciação = Produto Bruto

Produto Interno – renda enviada ao exterior + renda recebida do exterior = Produto Nacional
Como você já aprendeu, podemos utilizar o termo “líquido” indicando uma subtração. Nesse caso,
podemos dizer que renda enviada ao exterior – renda recebida do exterior = renda líquida enviada ao
exterior. Assim,
Produto Interno – (renda enviada ao exterior – renda recebida do exterior) = Produto Nacional
Produto Interno – renda líquida enviada ao exterior = Produto Nacional
ou
Produto Nacional + renda líquida enviada ao exterior = Produto Interno

Em resumo, temos:
Produto Bruto – depreciação = Produto Líquido
Produto Interno – renda líquida enviada ao exterior = Produto Nacional
Produto a preços de mercado – impostos indiretos + subsídios = Produto a custo de fatores

As nomenclaturas para os conceitos apresentados acima são: Bruto – B; Líquido – L; Interno – I;


Nacional – N; Preços de Mercado – PM; Custo de Fatores – cf. Desse modo, é possível termos combinações
dessas várias medidas do produto, tais como: PIBpm, PIBcf, PNBpm, PNBcf, PILpm, PILcf, PNLpm e PNLcf.
Para achar o valor de um a partir do outro, basta ver o que muda na nomenclatura de um para a do outro,
e então efetuar as transformações necessárias. Por exemplo: se você tem o PIBpm e deseja encontrar o
PNBpm. A única alteração é do “I” e do “N”, ou seja, você deve transformar o valor interno em valor
nacional. Para fazê-lo, basta seguir conforme explicado acima. Assim,

8
Atenção: Renda enviada e renda recebida não são equivalentes de importação e exportação. Uma empresa brasileira
em Angola que envia rendimentos para sua matriz no Brasil o faz sem comprar qualquer produto em troca. Dessa
maneira, não há relação entre renda líquida enviada ao exterior e importações líquidas. Não confunda!

15
PIBpm – renda líquida enviada ao exterior = PNBpm
Procede-se da mesma maneira quando há mais de uma transformação. Por exemplo, Para
transformar o PIBpm em PNLcf, deve-se fazer o seguinte:
PIBpm – depreciação – renda líquida enviada ao exterior – impostos indiretos + subsídios = PNLcf

2.6.1 O PIB E O PNB

Como o que diferencia PIB e PNB é a renda líquida enviada ao exterior, é de se esperar que o PNB
seja maior naqueles países em que a renda líquida enviada ao exterior seja menor, ou seja, aqueles países
que recebem mais de suas empresas e residentes no exterior do que enviam para o exterior as empresas e
residentes estrangeiros instalados nesse país. É o caso de países como os Estados Unidos. Esses países
possuem, portanto, um PNB maior que seu PIB. Em países como o Brasil, em que a renda líquida enviada ao
exterior é positiva (ou seja, há mais renda de estrangeiros enviada para o exterior do que renda de
empresas e indivíduos brasileiros no exterior enviada para o Brasil), o PIB é, por consequência, maior que o
PNB.
A importância disso reside no fato de qual indicador utilizar como medida da produção nacional. É
evidente que é mais interessante para um país parecer (ao menos nos números) que sua economia é maior,
mais forte e produz mais. Dessa maneira, é de se esperar que os países analisem qual o maior indicador
dentre PIB e PNB e o utilizem com mais predominância. Desse modo, o PIB é a medida do produto mais
utilizada no Brasil, enquanto o PNB é o mais utilizado nos Estados Unidos.

BIBLIOGRAFIA

MANKIW, N.G. Introdução à Economia. Trad. Allan Vidigal Hastings. São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2005
GREMAUD et al. Economia Brasileira Contemporânea. 4ed. São Paulo: Atlas, 2002. Cap. 2
Introdução à Economia – A Representação da Vida Econômica
BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. NAKANO, Yoshiaki. Contabilidade Social. Apostila da FGV/SP : EC-
MACRO-L-9, agosto de 1972.

16