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Revista

Eletrônica

de Psicologia
Ano IV Número 1 ISSN
Edição 7 Revista Científica de Psicologia 1981-7371
Jul./Dez. de 2010 Coordenação Pedagógica do Curso de Psicologia do CESMAC
Periodicidade Maceió - Alagoas - Brasil
Semestral

TOXICOMANIAS E SUAS FACES

Jaciane Brandão
E-mail: jacianebrandaocavalcanti@hotmail.com

Bacharela e estudante de Psicologia do CESMAC,


Bacharela e estudante de em
Capacitação Psicologia do dos Transtornos Mentais
Psicopatologia
CESMAC, Capacitação
(UNCISAL),emEstudante
Psicopatologia
do Núcleo de Estudos e Clínica
dos TranstornosPsicanalítica
Mentais (UNCISAL),
Lacaniana (NECPL) (in curso).
Estudante do Núcleo de Estudos e Clínica
Psicanalítica Lacaniana (NECPL) (in curso).

COMO REFERENCIAR ESTE ARTIGO

RESUMO

A dimensão do vazio e a sensação de abandono que existe psiquicamente no sujeito,


implicam numa formulação de estratégias para elucidar suas frustrações e angústias. O sujeito sente o
desejo de encontrar uma solução rápida, para isto, busca tamponar com uso de substâncias tóxicas,
pois esta lhe dá uma falsa ilusão de prazer, um bem estar, um alívio instantâneo que é proporcionado
por algum tempo, servindo como fuga de sua própria realidade, que é o sofrimento psíquico.

PALAVRAS - CHAVE: Vazio. Abandono. Toxicômano. Angústia.

RESUMÉ

Ce qu'il s'est rendu évident pour moi est à la dimension du vide et de l'abando laquelle
existe psychiquement dans le sujet, en impliquant dans une formulation de stratégies, pour élucider
ces frustrations et anguste, le sujet sent le désir de trouver une solution rapide, pour ceci, chercher
fermer avec l’utilisation des substances toxiques, donc celle-ci donne une fausse illusion de plaisir, un
bien-être, un soulage instantané qui est proportionné pendent quelque temps, agissant comme un vol
de sa propre réalité que c'est la souffrance psychique.

MOT - CLÉ : Vide. Abandon. Toxicomane. Afflige.

INTRODUÇÃO

A história relata episódios em que as substâncias estão ligadas a vários fatores que
impulsionam o homem a usar, como: as festividades e os encontros sociais e um desejo de sentir-se
bem. Os fatos históricos descritos por alguns teóricos dão uma idéia do lugar que a droga chegou a
ocupar na sociedade contemporânea, sendo uma conseqüência imediata da emergência de um novo
utilitarismo.
É importante ressaltar que, o sentimento de abandono e o vazio relatado pelos toxicômanos
se tornam um forte motivo para dar início ao uso de drogas, assim entendo que a teoria analítica vem
no papel da escuta do inconsciente do sujeito, compreendendo seu mal entendido de forma expansiva.
Atualmente o sujeito toxicômano é aquele chamado de adicto, dependente químico, viciado,
que tem uma relação compulsiva com a droga, que sente um desejo pulsional pela necessidade de
satisfazer e preencher o seu vazio, querendo a qualquer custo sentir prazer, não encontrando outra
maneira, a não ser pela droga, pois ela substitui o seu vazio e sentimento de abandono por algum
tempo.
Para a psicanálise o que é viável ao entendimento é a forma como o sujeito funciona
através do seu discurso, dentro de suas limitações do seu inconsciente, em especial aqui o
toxicômano, pois a compreensão subjetiva se dá através da sua estrutura de personalidade e da
relação prazerosa pela compulsão ao uso de droga. Os toxicômanos necessitam de uma escuta mais
apurada, uma vez que seu discurso não sai da referência pela droga. Na prática clínica o que se
percebe é a maneira que o toxicômano mantém em continuar em só falar do prazer que sente ao usar
a droga, não se sentem preparados para falar sobre suas angústias, expressam um medo em refletir
sobre seus conflitos.
Mas, diante disso, ele possa refletir sobre sua situação existencial, pois não querem tomar
uma postura de responsabilidade. A satisfação pelo uso da droga é uma distinção entre necessidade,
demanda e desejo, à mãe ou um substituto confere um sentido à necessidade orgânica, pois o
toxicômano tem um sentimento de abandono, quando relata um vazio sem explicação, a satisfação
obtida pela resposta induz à repetição, e assim o sujeito investe em uma demanda pulsional.
Os toxicômanos não conseguem lidar com suas frustrações, pois existe um sentimento de
melancolia que transporta desde sua infância até a idade adulta, desestruturando todo o seu
psiquismo. O sujeito é estruturado de acordo com os papéis representativos da família, e que neste
mesmo contexto absorve tudo que lhe é ensinado e assim ficando registrado em seu inconsciente, tal
aprendizagem é mais tarde relatado como um sentimento de vazio e abandono pela maneira que foi
tratado pela família.
O fato é que os toxicômanos não conseguem lidar com suas frustrações, dominar seus
conflitos familiares e apaziguar suas angústias pela sensação de abandono para que possa ter êxito.

SOBRE O TOXICÔMANO

O que Freud escreveu sobre a cocaína, foi tido como sendo uma manifestação necessária
para que as investigações sobre a droga tivessem início, e seus estudos sobre a clínica já não fosse
isolada para os toxicômanos.
A dor do psiquismo talvez seja forte demais para determinados sujeitos, e para sanar essa
dor o sujeito constitui uma via de acesso que lhe proporcione prazer imediato, algo que seja substituto
de alguma incapacidade, como se estivesse com uma forte depressão e sentimento de fracasso. “A
depressão, como qualquer outra manifestação neurótica, rebaixa a sensação de energia e de
virilidade: a cocaína restaura”. (FREUD 1884 apud JONES 1975, p.110).
Na Psiquiatria, o diagnóstico de dependência química é dado a partir de uma tríade às
drogas que inclui:

1) a dependência psicológica ou fissura e o conseqüente comportamento


compulsivo de busca pela droga, 2) a dependência fisiológica, no qual se
manifestam os sintomas físicos característicos de cada substância e os sintomas
de abstinência quando do desuso da droga e 3) a tolerância, que se define pela
necessidade cada vez maior de drogas para a obtenção do mesmo efeito.
(CAMINHA et al. 2003, p. 193).

O DSM-IV utiliza a denominação “transtorno” para designar os diferentes quadros clínicos.


No CID – 10 é chamado de “transtornos relacionados a substâncias” e os critérios que permitem
avaliar o transtorno em abuso ou dependência são:
1) Consumo contínuo, apenas de problemas sociais ou interpessoais persistentes ou recorrentes,
causados ou aumentados pelos efeitos da substância;
2) Uso recorrente em situações nas quais isto representa um perigo físico;
3) Uso recorrente que resulta em negligência de obrigações no trabalho, escola ou em casa;
4) Problemas recorrentes relacionados a questões legais.
Para a Psicanálise a toxicomania apresenta-se como uma patologia determinada no
psiquismo, mas deflagrada artificialmente. “A existência de uma relação com a droga é, pois, uma
condição necessária, mas não suficiente, já que, na origem de toda toxicomania, agem fatores
psíquicos particulares”. (SANTIAGO 2001, p. 122).
O não conseguir romper com esse gozo lhe trás frustrações, pois a droga lhe serve como
moderador de um mal-estar e da infelicidade. É obvio que o que causa tranqüilidade para o sujeito
será difícil desvincular do seu pensamento, ele o tem como necessidade básica, para ele não importa
mais a comida, o que importa é tamponar um vazio existencial, psíquico, assim, a droga assume um
caráter de um objeto insubstituível, de valor absoluto.
A forma de procurar estabelecer o equilíbrio emocional se dá pela busca compulsiva do
uso abusivo da droga, e que é caracterizado como sendo uma pulsão, uma vez que a pulsão é uma
representação psíquica de uma fonte de ordens de estimulação e contínua, o toxicômano sente uma
pressão forte demais para buscar o que lhe falta, caracterizando como se fosse uma força para atingir
o que procura, de origem inconsciente e, portanto, difícil de controlar. Essa compulsão leva o sujeito a
se colocar repetitivamente em situações dolorosas. Para certos sujeitos a droga chega a princípio por
curiosidade, talvez uma curiosidade em relação a querer sentir seu efeito como forma de vivenciar a
sensação do prazer, pois seus sentimentos ainda não foram elaborados a respeito de suas angústias,
geralmente sentindo essa necessidade no início da puberdade.
Seria um bom direcionamento, se pudesse perceber por um simples semblante o que
passa interiormente no sujeito e com isso poder solucionar de forma mais eficaz o seu desejo em
relação a sua falta, ao seu vazio, pela sensação de ter sido abandonado, ou a sua angústia por não
conseguir elaborar suas frustrações.
A droga vem como uma desculpa, uma busca pelo encontro de si mesmo, capaz de
minimizar sofrimentos recalcados, tendo por necessidade acabar de vez com o que lhe incomoda e
assim sendo solução imediata.
O sujeito solicita a felicidade como fonte de princípio de prazer e que esta é caracterizada
para ele como uma influência do mundo externo, como as necessidades a serem supridas, precisando
ele de moradia, sustento, tranqüilidade, necessidade de ter algo que lhe satisfaça e preencha
justamente este vazio e essa sensação de abandono, pelo objeto que foi perdido.
Este sujeito participa de um convívio social e todos eles pensam de igual maneira, visto que
se torna mais difícil a saída das drogas, uma interminável busca pelo prazer se torna necessária, pois
para ele está inserido em determinados grupos caracteriza uma necessidade que tem de não se sentir
abandonado, excluído.
Geralmente se encontram presos a situações conflitantes dentro de sua realidade e que
muitas vezes a família não compreende, portanto, acabam deteriorando seu relacionamento social e
familiar, levando assim a procurar alívio mental com o uso de drogas. Essa busca adversa traz
conseqüências oriundas que por ausência de informação e fraqueza emocional se deparam à
problemática do seu universo psíquico.

CONSTITUIÇÃO FAMILIAR

A família vem passando por modificações ao longo dos tempos. A relação afetiva familiar
vem enfrentando muitos desafios como: lidar com as ansiedades e temores frente à violência e ao
desemprego, gerando desta forma uma sociedade sempre em busca de algo, como se houvesse
necessidade em tamponar um vazio e com essa busca os componentes da família acabam por
desenvolver uma angústia.
Entre os grupos que se relaciona, a família se estabelece inicialmente pelo campo biológico,
porque existe uma corrente hereditária costurando o que é natural e sanguíneo, gerando formas de se
comunicarem verbalmente fazendo uma construção coletiva que constitui uma cultura onde influencia
o social e o psiquismo. Sendo transmissor de artifícios que faz o individuo se estruturar através de
experiências afetivas condicionadas pelo meio em que vive cuja produção se estabelece na condição
da descendência psicológica e em suas relações sociais, gerando uma informação pela compreensão
do que é família humana, tendo como objeto as circunstâncias psíquicas e certos complexos.
Para Lacan (1938, p. 11):

A família surge inicialmente como um grupo natural de indivíduos unidos por uma
dupla relação biológica: a geração, que dá os componentes do grupo; as
condições do meio que o desenvolvimento dos jovens postula e que mantém o
grupo na medida em que os adultos geradores asseguram sua função.

É através da família que o sujeito se estrutura, sendo ele rodeado de todas as limitações, o
que lhe é dado de forma instrutiva, de como é feita a construção afetiva entre a relação familiar no
meio em que ele está inserido. De acordo com essa base é importante perceber que a criança será
apenas o adulto que lhe foi oferecido pelos ensinamentos condicionados e isso reflete na sua própria
condição de assimilar e projetar aspectos que são relevantes para a vida futura.
A imago[1] da família revoluciona a psicologia para uma possível definição do que é essa
instituição. Provavelmente tudo o que é ensinado, e apresentado à criança fica registrado em seu
inconsciente e os fenômenos psíquicos acontecem de forma que se possa analisar ou justificar certos
comportamentos.
Em Romances Familiares, Freud (1909 [1908], p. 115) explica que o sujeito está
estigmatizado ao crescimento, “cujo curso de sua trajetória se encontra nas mãos da autoridade dos
pais e seu desenvolvimento se dá através de um rompimento de conhecimentos assimilados”.
Na época de Freud e na cultura atual os pais tinham a difícil tarefa de servir como exemplo
para seus filhos, estes pais se tornavam espelhos de aprendizagens. Assim as crianças em seus
primeiros anos sofriam influências negativas e ou positivas. Os pais são figuras que se tornam
símbolos como ídolos para os filhos, e que mais adiante conforme irão sendo castrados por esses
pais, os filhos tendem a vê-los como figuras cruéis, e conforme a construção de seu desenvolvimento
começam a perceber que existe algo errado nessa relação.
Então, este vínculo familiar, para a criança, é uma fase de elaborar fantasias e desejos, de
tal maneira que a criança passa a ter sentimento de raiva ou vingança e que é desenvolvido através
de suas próprias fantasias podendo comprometer o seu comportamento.
Para Freud, (1905, p. 210) “durante todo o período de latência a criança aprende a amar
outras pessoas que a ajudam em seu desamparo e satisfazem suas necessidades”, e o faz segundo o
modelo de sua relação de lactente com a ama dando continuidade a ele. Conforme essa relação dual
se pode fazer uma analogia acerca das possíveis causas relacionadas à toxicomania, que é uma
possível falha da relação mãe-bebê, da forma como foi elaborada a afetividade e de como marcou a
quebra da amamentação formando, desta maneira um sentimento de abandono que se instala no seu
psiquismo.
Ora, se a relação dual mãe-bebê está marcada pela fase da alimentação e esta sendo
fixada no psiquismo da criança de forma primordial; para a sua garantia de satisfação, entende-se que
a fase do desmame irá lhe proporcionar um trauma, gerando um vazio e a sensação de abandono por
não ter sido saciado e pela falta do prazer que a mãe, no entanto lhe proporcionava.
A expectativa da satisfação postulado por Freud como imagem do objeto externo
satisfatório - a mãe - capaz de dar um fim a tensões internas da fome, é responsável pela construção
do desejo e pela contínua busca do objeto que consiga repetir esta experiência primal.
Fica claro entender porque o sujeito toxicômano sempre busca saciar o que lhe falta,
preencher o vazio que sente, sendo uma conseqüência marcante por uma necessidade da busca por
algo perdido, a droga funciona então como um laço que une o sentimento de abandono do toxicômano
ao encontro do objeto perdido.
É justamente na criança recém nascida que este ciclo é desenvolvido, de forma primitiva na busca
pelo prazer, onde este prazer está contido como forma de objeto externo - a mãe - cujo seio é a
experiência do prazer e quando este lhe é extraído há uma tendência ao sofrimento por causa de sua
origem interna devendo ser saciado, entretanto sua busca ainda é pelo externo o que traz prazer,
sendo assim um efeito do princípio da realidade que deve exercer influências sobre o desenvolvimento
futuro. “Essa satisfação surge com os sinais de maior plenitude com que possa ser preenchido o
desejo humano, por pouco que se considere a criança ligada à mama”. (LACAN, 1938, p. 25).
Fica claro compreender que a relação do externo e do interno da criança recém nascida são
vistos como influência psíquica, e que existe uma ameaça quando a criança experimenta a sensação
do desprazer, de forma que não foi saciada, sendo ponto de partida para diversos distúrbios
patológicos.
A criança busca pela saciação no seio da mãe e a proteção do pai, uma vez que a família
tem como prioridade proporcionar essa necessidade ao sujeito para a formação de sua estrutura.
A imago do seio materno domina toda a vida do homem, isto quer dizer que há uma relação
na fase que a criança está mais ligada à mãe pela necessidade inata, “a lactação”, é neste momento
que lhe é proporcionado o preenchimento, essa idealização faz com que a criança busque sempre
uma fantasia a respeito dessa relação dual.
Falar de toxicômano é falar de uma figura de gozo num sentido amplo. No aleitamento, no
abraço e na contemplação da criança, a mãe, ao mesmo tempo, recebe e satisfaz o mais primitivo de
todos os desejos.
Durante a elaboração da fantasia vem à necessidade de permanecer no gozo, cujo
pensamento evidencia atitudes que o faz apresentar fenômeno singular no interior de seu discurso
emocional, isto quer dizer que, quando a criança constrói em seu pensamento ilusões, diz respeito à
relação dual com sua mãe, pelo desejo de ser desejado por ela e mais tarde tem a sensação de ter
perdido o que lhe preenchia, no caso o seio materno, ficando a sensação da falta. E esta relação do
toxicômano com a droga é uma forma de achar o que foi perdido, então à droga serve como fonte de
alimentação desse desejo.
Na tentativa de querer elucidar um mal-estar, relacionados aos seus sentimentos mais
profundos e a sensação de abandono, evidencia sua frustração diante do seu corpo, tudo gira em
torno de si próprio, se tornando um sujeito propício a ser desequilibrado emocionalmente, como se por
um instante perdesse sua inteligência e razão quando encontra na droga o prazer de ser saciado.

A METÁFORA PATERNA E O FRACASSO DA METÁFORA PATERNA

Há uma relação de ordem metafórica entre o falo, no vértice do ternário imaginário, e o pai,
no vértice do ternário simbólico. A posição do significante paterno no simbólico é fundadora da posição
do falo do plano imaginário.
A criança passa por estágios diferentes para a identificação do falo. O desejo da mãe vai
além do real e para atingir há uma intervenção dada pelo pai na ordem simbólica. A criança passa por
diversas formas de identificação, como: o fetichismo, que mantém certa relação além do desejo
materno, funciona como substituto de um falo e o travestismo onde ela se identifica com o falo
escondido sob as roupas da mãe. (MILLER, 1996).
O pai é aquele que priva a mãe do desejo do seu desejo, desempenhando um papel
fundamental para o desenvolvimento do complexo de Édipo e a criança por sua vez, aceita ou não
essa privação, se existir uma recusa há uma queda no Édipo.
Lacan (1938, p. 47):

O movimento do Édipo se opera, com efeito, através de um conflito triangular do


sujeito; já vimos o jogo das tendências provenientes do desmame produzir uma
formação dessa espécie; também é a mãe, objeto primeiro dessas tendências,
como alimento a absorver, e mesmo como seio onde se reabsorve que se propõe
inicialmente ao desejo edipiano.

Para que haja a possibilidade da castração o pai efetua a privação do falo pela mãe, na
medida em que não aceita a privação, ela mantém uma identificação com o objeto da mãe, um objeto
rival e nessa demanda de aceitar ou não, está o complexo da castração.
Parte dessa premissa, a formação do menino e da menina, ou seja, se torna essencial e
necessário a possibilidade da castração, e que o pai tem o papel fundamental nessa construção.
É importante que a mãe apóie o pai como mediador, aquele que está acima da lei dela, seja
ele quem realmente exerça a lei. Assim a criança aceita ou não o pai como aquele que priva.
Segundo Miller, (1996) para que se possa compreender o complexo de Édipo, deve-se
considerar três tempos: No primeiro tempo (a criança busca como desejo pelo desejo, é poder
satisfazer o desejo da mãe, sendo o objeto de desejo da mãe); no segundo tempo (no plano
imaginário, o pai intervém como privador da mãe. Aquele que desvincula o sujeito de sua identificação
liga-o, ao mesmo tempo, ao primeiro aparecimento da lei. O caráter decisivo do Édipo deve ser isolado
como relação, não com o pai, mas com a palavra do pai. O pai que tem o poder absoluto é aquele que
priva a mãe, no segundo tempo); e por fim no terceiro tempo, o pai pode dar a mãe o que ela deseja,
porque o possui.
Para Door (1989, p. 98), “... o advento de uma promoção estrutural no registro do desejo é,
do mesmo modo, suspenso, afundado em uma organização arcaica onde a criança permanece cativa
da relação dual imaginária com a mãe”.
A relação dual entre mãe e filho acaba gerando um desejo no filho pela mãe, e que este
não é castrado pelo fracasso do pai, situação que gera sentimentos de agressividade pelo pai, dando
partida ao Édipo. A criança será colocada não apenas como um filho de sua genitora mais agora se
rivalizando com seu pai pelo amor de sua mãe, sua angústia maior é então superá-lo, pois a força do
pai concretiza uma revolta por sentir-se castrado.
Aqui houve um fracasso da ordem do pai, como se o direito paterno fosse extinto, perdendo
também seu poder de marido uma vez que a mulher sentiu a necessidade de ter uma profissão,
praticamente o controle ficou dividido, com a ausência paterna e os filhos ficaram sob as ordens da
figura maternal.
Então, conforme essa observação de Lacan é importante frisar que a relação que a criança
tem com a mãe e esta sendo seu primeiro contato como fonte de alimentação favorece o prazer.
Dessa formulação, faz compreender que o toxicômano tenha uma disposição a ir ao
alcance da sensação de preenchimento e completude no momento que ficou sem a mãe e sobre os
efeitos negativos causados pelo Édipo. Portanto, encontrando na droga uma forma de acalmar o
desejo, e de ter passado pela repressão de forma fracassada, utilizando a droga como objeto
indispensável na tentativa de desatar os nós de seus desejos, uma vez que suas fantasias da infância
não tenham sido sublimadas. Para definir no plano psicológico essa gênese da repressão, devemos
reconhecer na fantasia de castração o jogo imaginário que condiciona na mãe o objeto que a
determina.
A função do pai deve ser entendida pela presença paterna, assim como suas imposições
em relação às leis impostas. Essa relação irá quebrar a alienação que a criança tem com a mãe, onde
resulta em perdas e o que se perde é o seio materno, e assim no sujeito se estruturando como falta.
A privação que a criança sofre se dá como uma construção imaginária, onde está
assujeitada a uma falta, e que o processo da metáfora paterna esta ligada ao Édipo e quando este é
fracassado, a metáfora paterna cai.
Para que o processo da metáfora paterna possa ser tomado como uma explicação mais
completa de um inconsciente que se estruture a partir da linguagem, é preciso observar a princípio o
objeto fálico, que é uma constituição pela libido, sendo uma referência ao pai.
Então a criança tende a transformar essa experiência que para ela é negativa e
desagradável, em uma forma de substituir simbolicamente a mãe, sustentada pela metáfora do pai
através do recalque originário que aparece como um processo estruturante através da simbolização da
lei.
Sendo a metáfora paterna uma função estruturante, uma vez que é iniciadora do psiquismo
do sujeito, se vier a ter falhas, há um fracasso no recalque originário, portanto a metáfora paterna não
ocorre.

TAMPONAR O VAZIO, DE QUE FORMA?

As experiências vivenciais do vazio constituem uma indiferença dos ideais do toxicômano,


um conflito psíquico que predomina no seu ego pelo objeto perdido, a mãe. A frustração mal sucedida
tem como conseqüência a sensação do vazio, de que lhe falta algo para lhe completar, o toxicômano
reivindica por sentimentos que estão perdidos, anseia por atingir a satisfação o mais breve possível,
agindo precipitadamente quando vai à busca da droga.
O recurso droga faz-se, pois, como uma ação substitutiva, no momento em que o sintoma
se mostra insuficiente como resposta para o sujeito. Sentimentos como a fragilidade e a melancolia,
produzem no toxicômano o desejo pelo objeto droga, como forma de substituir sentimentos negativos,
por querer obter uma paz imaginária, quando o toxicômano se vê sem ela, sente como se estivesse no
fundo do poço.
A droga se fixa no psiquismo do sujeito com a função de dominá-lo. O toxicômano sente-se
preso à droga como se estivesse num relacionamento amoroso, e quando se refere à droga, sua fala
sempre é colocando-a como a poderosa, que não consegue vencer, que é ela que sempre o chama,
não consegue dizer não, a droga é quem destruiu a sua vida.
Essa relação amorosa é mencionada como sendo seu destino, comparada a uma relação
sexual gerando desta maneira uma satisfação, um gozo. Não encontra forças para mudar ou deixá-la,
chegando a dizer que o gosto da droga na boca lhe traz prazer, bem estar e que é difícil deixar, porque
gosta do seu efeito; o que não gosta é quando passa o efeito, pois fica sonolento e depressivo e para
não continuar com esse sentimento busca novamente, gerando um ciclo vicioso, uma pulsão.
Então, a pulsão[2]·, é uma repetição, diz respeito à libido psíquica, cuja origem é interna
pelas necessidades do sujeito que não consegue reprimir suas angústias e usa artifícios para fugir de
situações externas, sendo uma representação endossomática que fluem continuamente.
Freud (1912. p.171 apud SANTIAGO, 2001) , “supõe que o bebedor não tem nenhuma
necessidade de mudar freqüentemente de bebida, porque se assim fizesse, logo se cansaria dessa
outra, como se fosse à mesma”. A problemática são todas as substâncias devastadoras, como a
maconha, crack, cocaína e o cigarro, entre outros.
Chega a ser uma relação estreita entre a droga e o toxicômano, já que a droga não deseja
nada dele, ele sim que é dependente dela; uma dependência necessária e constante, pois quando os
sentimentos são empobrecidos, surgem com eles à necessidade de sentir o alívio imediato, sentir
prazer a qualquer custo.
Aqui a droga exerce uma função vital, que é de eliminar o trauma relacionado à falta de
maneira veloz. A droga para o toxicômano se torna remédio para seu sintoma, um efeito
phármakon[3]. O sujeito busca no mundo externo soluções que favoreçam o equilíbrio no seu mundo
interno. Ele busca um remédio como resultado de um cuidar de si próprio, substituindo em seu
psiquismo as figuras primárias de sua criação, neste caso a mãe.

A NECESSIDADE DO SUJEITO TOXICÔMANO

A busca pelo prazer no uso da droga, muitas vezes é negada pela família e subestimada
pela sociedade, uma vez que existe um preconceito muito forte acerca dos sujeitos que se drogam e
os valores da família e da sociedade não permitem tal fascínio.
A princípio a droga lhe trará momentos felizes, instantes de prazer, de preenchimento pelo
vazio e pela sensação do abandono que passa a não mais existir por alguns minutos. Segundo
Santiago (2001, p.22), “... a droga aparece como uma figura de apaziguamento e de satisfação, ou
mesmo como imagem de dissipação da dor, da tristeza ou ainda da cólera”.
À medida que o sujeito consome a droga, esta lhe proporciona uma sensação de prazer que
gera uma estimulação a compulsão e a repetição, permitindo um encontro com seu eu, pois
terminantemente se percebe com sentimentos de infelicidade e angústias. O toxicômano sente como
se fosse uma pessoa sem perspectiva de vida nenhuma, sua realidade não é mais interessante e sim
dolorosa, a não aceitação e o não conseguir confrontar com esta realidade lhe empurra a querer mais
a droga.
Encontrar um caminho direto e mais rápido para atingir o seu prazer, é achado na droga,
pela facilidade em comprar e pela rapidez em sentir as sensações que alivia seus sentimentos mais
fortes e destrutivos.
Esses produtos atualmente são comercializados nas ruas pelos traficantes, que a priori não
estão preocupados com as conseqüências que a droga causa e sim pelo poder que ela proporciona.
Sendo assim, a nossa cultura, tende a estigmatizar as pessoas que usam a droga como marginais e
pessoas anormais, pois entende que a droga leva a morte, referindo sempre a essa pergunta: como
uma pessoa normal pode usar droga?
É preciso esclarecer qual o sentido que a droga possui para o toxicômano sem que haja
preconceitos, pois os efeitos que causam são devastadores. É um caminho de ilusão mais curto para
chegar à sensação do prazer, a sensação do distanciamento de sua própria realidade; o sujeito tem
um sentido de satisfação de preenchimento do vazio, uma viagem alucinatória, um sonho, no qual não
quer acordar.
O toxicômano não tem capacidade de suportar as frustrações, essas mesmas frustrações
dificultam colocar seus pensamentos em ordem e as representações verbais ficam retidas. Com esse
comportamento há um processo rápido para a intoxicação, a dependência.
Existe a princípio um bom relacionamento com a droga, trazendo alegria, felicidade, bem
estar, um prazer, um sentido como se fosse para a vida toda, ficando registrados em sua memória
todos esses sentimentos equivocados pelo toxicômano, e ele se fecha no seu mundo, não se interessa
pelo convívio social. É uma forma de regressão no seu mundo imaginário intra-uterino, saboreando o
seu prazer com a droga.
Para Santiago (2001, p. 104):

Entre as técnicas vitais que visam à felicidade e à evitação do sofrimento, figura,


enfim, o uso de drogas. A especificidade desse meio de satisfação evidencia-se
na sua ação sobre o próprio corpo. Ao contrário de outras técnicas vitais, esse uso
caracteriza-se por um procedimento de proteção agindo no plano de aparelho da
sensibilidade.

A droga começa a proporcionar fantasias, depois aparece à dura realidade da dependência,


então, os toxicômanos se sentem presos, sem ter forças para deixar o vício, comparando sua
dificuldade com a chegada no fundo do poço.

CONSIDERAÇÃO FINAL

Ao considerar a predominância da toxicomania, este momento diz respeito a lançar


manifestações sobre os estudos que se pode transcorrer para a contribuição de posteriores trabalhos,
por esse motivo, enfatizo o desafio de reconhecer o mundo interno, o conteúdo subjetivo, ao qual pode
ser explorado de forma pertinente. A importância do ato da clínica do toxicomaníaco e a notória
expressão pela compreensão de suas angústias fazem-se revelar a busca pela felicidade, pelo desejo
de sair do mal-estar, da vontade de preencher o vazio e o sentimento de abandono que lhe atormenta,
criando artifícios na maneira de articular o seu gozo.
Desta forma, é necessário admitir que esses fenômenos subjetivos postulam o
entendimento na figura da analista, aqui como terapeuta. O valor que identifica o toxicômano à droga
se torna possível a partir do entendimento da relação do vazio e o sentimento de abandono, sendo
causa de um efeito significativo que produz a necessidade do gozo, do prazer.
A fragilidade que o sujeito encontra no sentido de não conseguir suportar suas angústias faz
a droga necessária como fonte simbólica e que este lhe dá um sentido pelo encontro do objeto
perdido. E para captar as formas de entrosamento que o toxicômano busca com a droga se faz
entender que o discurso do próprio sujeito irá constituir sua demanda de tratamento.
Em última análise, o efeito da vivência na transferência de uma relação entre o paciente e o
terapeuta favorece a sustentação para uma possível quebra pelo desejo da droga, o toxicômano passa
a dominar seus sentimentos de forma mais segura.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Alegre: Ed. Artes Médicas, 1989.

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______. Edição Standard Brasileiras das Obras Psicológicas Completas: Três Ensaios Sobre a
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LACAN, Jacques. Os Complexos Familiares na Formação do Indivíduo. Rio de Janeiro: Ed. Jorge
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Zahar, 1998.
SANTIAGO, Jésus. A Droga do Toxicômano: uma parceria cínica na era da ciência. Rio de
Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2001.

[1] Termo derivado do latim (imago: imagem) e introduzido por Carl Gustav Jung, em 1912, para
designar uma representação inconsciente através da qual um sujeito designa a imagem que tem de
seus pais. (ROUDINESCO e PLON, 1998, p. 371).
[2] Termo surgido na França em 1625, derivado do latim pulsio, para designar o ato de impulsionar.
Empregado por Sigmund Freud a partir de 1905, definido como a carga energética que se encontra na
origem da atividade motora do organismo e do funcionamento psíquico inconsciente do homem.
(ROUDINESCO e PLON, 1998, p. 628).
[3] O termo grego Phármakon quer dizer droga curativa, remédio, veneno, tintura. Assim encontra-se
para phármakon, significados como encanto, filtro, droga, remédio, veneno, e para phármakos, outros
como mágico, feiticeiro, envenenador, ou seja, aquele que pode ser imolado em expiação das faltas
cometidas na cidade. (E. Boisacz. Dictionnaire etymologique de La langue grecque. SANTIAGO. 2001,
P.198).

Formato Documento Eletrônico (ABNT)

BRANDÃO, Jaciane. Toxicomanias e suas faces. Pesquisa Psicológica


(Online), Maceió, ano 4, n. 1, jul./dez. de 2010. Disponível em:
<http://www.pesquisapsicologica.pro.br>. Acesso em: [--/--/----].

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