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CURSOS ON-LINE – DIREITO CIVIL – CURSO REGULAR

PROFESSOR LAURO ESCOBAR

AULA 03

BENS = OBJETO DO DIREITO

(arts. 79 a 103 CC)

Meus Amigos e Alunos. Enquanto no tema “pessoas” estudamos os


sujeitos de direito, ou seja, quem pode ser considerado como um sujeito de
direitos e deveres na ordem civil, neste tema vamos analisar o quê pode ser
objeto do Direito. Assim, a primeira coisa a se fazer, é conceituar o termo BEM.
Alguns autores conceituam coisa como tudo o que pode satisfazer uma
necessidade do homem. Já bem é designado para a conceituação de coisa
material útil ao homem enquanto economicamente valorável e suscetível de
apropriação. Desta forma coisa seria o gênero (tudo que existe na natureza) e
bem a espécie (que proporciona ao homem uma utilidade, sendo suscetível de
apropriação). Os bens são coisas; porém nem todas as coisas podem ser
consideradas como bens. No entanto outros autores fornecem conceitos
completamente inversos de bem e coisa. E ainda há quem diga que mesmo
atualmente, as expressões “coisa” e “bem” sejam sinônimas.
Certo é que o Código Civil anterior não fazia a distinção entre bem e coisa,
usando ora um, ora outro termo, como sinônimos. Já Código atual utiliza apenas
o termo BEM. Portanto, o que nos interessa é o termo Bem. Desta forma,
podemos fornecer o seguinte conceito inicial, sob o ponto de vista do Direito:
bens são valores materiais ou imateriais que podem ser objeto de uma relação
de direito. De qualquer maneira, toda relação jurídica entre dois sujeitos tem
por objeto um bem sobre o qual recaem direitos e obrigações.
Nesta aula vamos estudar uma vasta classificação de Bens e sua
implicação na Parte Especial do Código Civil. Desta forma, esta aula é
importante por si só e também porque tem reflexos na Parte Especial do Código,
especialmente no que toca os Direitos das Coisas (propriedade, posse,
usucapião, penhor, hipoteca...). Assim, nesta aula vou adiantar muitos temas
que serão abordados e aprofundados em aulas posteriores.

A primeira classificação que é realizada sobre os bens não está prevista


expressamente no Código Civil. É a doutrina quem faz esta importante
classificação. Assim, inicialmente, podemos classificar os Bens em:
• Corpóreos, Materiais, Tangíveis ou Concretos ⎯ são aqueles
que possuem existência física; são os percebidos pelos sentidos. Ex:
imóveis, jóias, carro, dinheiro, etc.

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• Incorpóreos, Imateriais, Intangíveis ou Abstratos ⎯ são


aqueles que possuem existência abstrata e que não podem ser percebidos
pelos sentidos. Ex: propriedade literária, o direito do autor, a propriedade
industrial (marcas e patentes), fundo de comércio, etc.
Na prática, os bens corpóreos são objetos de contrato de compra e venda,
enquanto os bens incorpóreos são objetos de contratos de cessão (transferência
a outrem). Mas ambos integram o patrimônio de uma pessoa.
Os bens incorpóreos diferem também dos corpóreos, porque não podem
ser objeto de usucapião.

CLASSIFICAÇÃO LEGAL DOS BENS

De acordo com o Código Civil, os bens podem ser divididos em diferentes


classes, visando facilitar o estudo, aproximando os que apresentam um
elemento comum. Costumo fazer a seguinte classificação inicial:
• Bens considerados em si mesmos
• Bens reciprocamente considerados
• Bens considerados em relação ao titular do domínio
• Coisas fora do comércio
Cada um desses itens possui uma vasta subclassificação. Vejamos cada
uma delas de forma minuciosa.

I – BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS

Quanto a essa primeira classificação os bens se dividem em: móveis ou


imóveis; infungíveis ou fungíveis; inconsumíveis ou consumíveis; indivisíveis ou
divisíveis e singulares ou coletivos. Vamos à primeira delas:

1 – BENS QUANTO À MOBILIDADE

Segundo essa classificação os bens se dividem em móveis e imóveis.

A) BENS IMÓVEIS (arts. 79/81 CC)


São aqueles que não podem ser removidos, transportados, de um lugar
para o outro, sem a sua destruição. Podem ser divididos em:
• por natureza ⎯ é o solo e tudo quanto se lhe incorporar naturalmente
(árvores, frutos pendentes), mais adjacências (espaço aéreo, subsolo).
Lembramos que a propriedade do solo abrange o espaço aéreo e o subsolo.
Pergunto: o dono do solo será, também, o dono do subsolo? Resposta para
o Direito Civil: SIM. O dono do solo é também o dono do subsolo,
especialmente para construção de passagens, garagens subterrâneas,

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porões, adegas, etc. No entanto esta regra pode sofrer algumas limitações.
Pelo artigo 176 da C. F. as jazidas, os recursos minerais e hídricos
constituirão propriedade distinta da do solo, para efeito de exploração ou
aproveitamento, ficando sob o domínio da União. Mas, convenhamos, é
difícil qualquer um de nós comprar um terreno e nele “achar” uma mina de
ouro ou de diamantes ou um lençol petrolífero. No entanto se isso ocorrer,
você não será dono deste recurso mineral. A pesquisa e a lavra de recursos
minerais e o aproveitamento dos potenciais somente poderão ser efetuados
mediante autorização ou concessão da União. Todavia a própria
Constituição garante ao dono do solo a participação nos resultados da
lavra. Portanto, como regra, o dono do solo será também o do subsolo. Mas
se for encontrado algum recurso mineral, o subsolo será destacado do solo
e a União será a proprietária deste recurso mineral.
• por acessão física, industrial ou artificial (acessão quer dizer aumento,
acréscimo de uma coisa a outra) ⎯ tudo quanto o homem incorporar
permanentemente ao solo, não podendo removê-lo sem destruição,
modificação ou dano (ex: sementes plantadas, edifícios, construções –
pontes, viadutos, etc.). É bom que nós acrescentemos: não perdem o
caráter de imóvel (ou seja, continuam sendo imóveis):
a) edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade,
forem removidas para outro local.
b) materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se
reempregarem.
• por acessão intelectual ⎯ o que foi empregado intencionalmente para a
exploração industrial, aformoseamento e comodidade. São bens móveis que
foram imobilizados pelo proprietário. É uma ficção jurídica. Exemplos: um
trator destinado a uma melhor exploração de propriedade agrícola,
máquinas de uma fábrica têxtil, para aumentar a produtividade da
empresa, veículos, animais e até objetos de decoração de uma residência.
O Código Civil atual não acolhe mais essa classificação em relação a bens
imóveis. Seguindo a doutrina moderna sobre o tema, o Código qualifica
esses bens como pertenças, onde a coisa deve ser colocada a serviço do
imóvel e não da pessoa, constituindo, portanto, a categoria de bens
acessórios. Este tema tem caído muito em concursos, portanto voltaremos
a ele mais adiante, quando analisaremos os bens acessórios. A pertença
pode ocorrer também na hipoteca, que abrange os bens móveis dentro de
um imóvel (ex: hipotecar uma fazenda juntamente com os bois). Vejam
que a imobilização não é definitiva neste caso; o bem poderá voltar a ser
móvel, por mera declaração de vontade.

• por disposição legal ⎯ tais bens são considerados como imóveis, para
que possam receber melhor proteção jurídica. São eles (veremos melhor
todos esses temas na aula sobre o Direito das Coisas):

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⎯ os direitos reais sobre os imóveis (ex: direito de propriedade, de


usufruto, uso, a habitação, a servidão, a enfiteuse).
⎯ o penhor agrícola e as ações que o asseguram.
⎯ o direito a sucessão aberta, ainda que a herança seja formada apenas
por bens móveis. É considerada aberta a sucessão no instante da morte do
de cujus; a partir de então, seus herdeiros poderão ceder seus direitos
hereditários, considerados como imóveis.
⎯ as jazidas e as quedas d’água com aproveitamento para energia
hidráulica são considerados bens distintos do solo onde se encontram
(artigos 20, inciso IX e 176 da Constituição Federal), conforme vimos no
item anterior.

B) BENS MÓVEIS (arts. 82/84 CC)


São aqueles que podem ser removidos, transportados, de um lugar
para outro, por força própria ou estranha, sem alteração da substância ou da
destinação econômico-social. Podemos classificá-los em:
• por natureza ⎯ coisas corpóreas são aquelas que podem ser
transportadas sem a sua destruição, por força própria ou alheia. Força
alheia – móveis propriamente ditos - carro, cadeira, livro, jóias, etc. Força
própria – semoventes – bois, cavalos, carneiros, animais em geral.

Observações:
- Os materiais de construção enquanto não forem nela empregados
são bens móveis.
- As árvores enquanto ligadas ao solo são bens imóveis por
natureza, exceto se se destinam ao corte (convertem-se, neste
caso, em móveis por antecipação).

• por antecipação ⎯ a vontade humana pode mobilizar bens imóveis em


função da finalidade econômica; inicialmente o bem é imóvel, mas pode
ser mobilizado por uma intervenção humana. Exemplo: uma árvore é um
bem imóvel; no entanto se ela for cortada e transformada em lenha, se
transforma em móvel (outros exemplos: frutos, pedras e metais aderentes
ao imóvel também são bens imóveis; separados para fins humanos,
tornam-se móveis). A mudança da natureza dispensa os requisitos para a
transmissão da propriedade; não são mais exigidos os requisitos rígidos da
propriedade imóvel para sua transmissão.
• por determinação legal ⎯ direitos reais sobre bens móveis e as ações
correspondentes (ex: propriedade, usufruto, etc.).
- direitos e obrigações e as ações respectivas.

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- energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor econômico


(prevista também no artigo 155, § 3º do Código Penal); da mesma
forma o gás canalizado.
- direito autoral – este é um dos exemplos mais importantes, pois além
de ser classificado como bem móvel, é também considerado como um
bem incorpóreo.
- propriedade industrial – direitos oriundos do poder de criação e
invenção (patentes de invenção, marcas de indústria, etc.).
- quotas e ações de sociedades.

Observação Importante: Os navios e aeronaves são bens móveis ou


imóveis? A doutrina diz que eles são bens móveis sui generis. Sempre que
doutrina não consegue definir algo com exatidão, utiliza essa expressão em
latim: sui generis. No caso dos navios (e também das aeronaves) realmente
não há uma resposta objetiva para eles. Apesar de serem fisicamente bens
móveis (pois podem ser transportados de um local para outro; encaixam,
portanto, no conceito de bens móveis), são tratados pela lei como imóveis,
necessitando de registro especial e admitindo hipoteca. O navio tem nome e
o avião marca. Ambos têm nacionalidade. Podem ter projeção territorial no
mar e no ar (território ficto). Alguns autores os consideram como quase pessoa
jurídica, no sentido de se constituírem num centro de relações e interesses,
como se fossem sujeitos de direitos, embora não tenham personalidade
jurídica. E vocês podem estar pensando... muito bem... e se cair no concurso o
que eu coloco?? Em tese a questão não pode cair assim, de forma direta: “o
navio é um bem móvel ou imóvel”. Aliás, já vi essa questão cair algumas
vezes, mas nunca desta forma direta. Sempre tem algo que deve ser analisado
com maior profundidade, como por exemplo, o fato de recair hipoteca (que é
um instituto típico de imóveis). O conselho que dou é analisar todas as
alternativas com muito cuidado. Dentre as alternativas haverá uma que melhor
se adapte ao que eu estou dizendo. Em resumo os navios e as aeronaves,
fisicamente são bens móveis, mas eles têm uma disciplina jurídica como se
imóveis fossem.

Conseqüência prática da distinção: Imóveis ≠ Móveis. – A


classificação dos bens em imóveis ou móveis tem uma razão de ser. E essa
classificação é de suma relevância, principalmente em relação à Parte Especial
do Código (veremos mais adiante no Direito das Coisas). Assim, os bens imóveis
se distinguem dos móveis pela: forma de aquisição, necessidade de outorga,
prazos de usucapião e os direitos reais. Todos estes temas são muito
importantes. Portanto, vejamos item por item:

1) Formas de aquisição da propriedade

A principal forma de se adquirir a propriedade dos bens móveis é com a


tradição (essa palavra vem do latim tradere, que significa entregar; traditio =

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entrega do bem), ou seja, somente com a entrega do bem, adquire-se a


propriedade dos bens móveis. Outras modalidades: usucapião, achado de
tesouro, ocupação (que é o assenhoramento do bem, como a caça, a pesca, a
invenção, etc). Já os bens imóveis são adquiridos com o Registro ou
transcrição do título da escritura pública no Registro de Imóveis. Lembrem-se
que a alienação de imóveis com valor superior a 30 salários mínimos exigem
escritura pública (vejam o que diz o art. 108 CC).

2) Outorga
Os bens imóveis não podem ser vendidos, doados ou hipotecados por
pessoa casada sem a outorga (uma espécie de autorização ou anuência ou
mesmo ciência) do outro cônjuge, exceto na separação absoluta de bens. Já os
bens móveis não necessitam dessa outorga. Assim, a mulher (ou o marido)
pode vender um carro, jóias, ações de uma sociedade anônima sem autorização
de seu cônjuge.
Vou dar um exemplo que pode causar surpresa em alguns alunos. E este
exemplo costuma cair muito. Digamos que uma mulher solteira tenha comprado
e registrado um imóvel em seu próprio nome. Lógico, este imóvel é só dela!!
Posteriormente ela se casa pelo regime da comunhão parcial de bens (falarei
dos regimes de bens do casamento em aula posterior – Direito de Família). O
imóvel continua sendo só dela!! Passado um ano do casamento ela deseja
vender esse imóvel. Pergunto: Ela precisa da autorização do marido (apesar do
imóvel ser somente dela)? Resposta = SIM!! Ela precisa da chamada... outorga
marital. A lei obriga essa outorga (que somente é dispensável no regime da
separação total de bens, como veremos). Continuo a perguntar: E se o marido
não quiser fornecer a outorga? Resposta = Simples! O imóvel pertence somente
a ela e vai continuar sendo só dela. Mas ela precisa da outorga e o marido não a
fornece. Portanto a mulher, se quiser vendê-lo deve pedir ao Juiz, em uma
petição bem simples, relatando o ocorrido. E o Juiz então dará uma ordem para
que a escritura seja lavrada (e também seja feito o registro posteriormente),
mesmo sem a sua anuência. É o que chamamos de “suprimento da outorga”. E
Se a situação fosse a inversa (o imóvel é do marido e ele precisa vender)? O
fato seria o mesmo, ou seja, o marido também necessitaria da outorga. Só que
neste caso essa outorga é chamada de uxória. Vejam que em cada caso a
outorga recebe um nome diferente. Assim, a outorga pode ser:
• marital ⎯ o marido concede à mulher, ou seja, o bem pertence à
mulher e o marido assina também os documentos anuindo na venda do
imóvel.
• uxória ⎯ a mulher concede ao homem, ou seja, a mulher assina a
documentação para a venda do imóvel, que pertence ao marido (uxor –
em latim quer dizer mulher casada).
Concluindo. Um bem será vendido. Trata-se de um bem imóvel? – Sim.
Trata-se de proprietário casado em regime de bens que não seja separação total
de bens? – Sim. Logo essa pessoa irá necessitar da outorga (uxória ou marital).

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Obs. – Já vi cair em um concurso a expressão “vênia conjugal”, que é


uma expressão mais genérica, abrangendo tanto a outorga uxória quanto a
marital.
3) Usucapião
Tanto os bens imóveis quanto os móveis podem ser objeto de usucapião.
O que vai diferenciar é o prazo para que isso ocorra. Os prazos para se adquirir
a propriedade imóvel por usucapião são, em regra, maiores. Vamos antecipar
um pouco esses prazos. Voltaremos ao assunto quando falarmos sobre o Direito
das Coisas – Usucapião, oportunidade em que aprofundaremos o assunto,
fornecendo muito mais detalhes sobre o tema. Por enquanto vamos ficar só com
um “aperitivo”, tendo em vista o enfoque específico desta aula → a importância
e as diferenças na classificação entre bens móveis e imóveis. Caso fique
qualquer dúvida sobre o tema aguarde a aula específica. Repetindo, aqui estou
mostrando apenas um “aperitivo sobre o tema”. Lembrem-se que atualmente,
tanto a Constituição como o Código Civil referem-se à usucapião como uma
palavra feminina: é a usucapião (embora muitos dicionários ainda falem em o
usucapião ou admitam as duas versões como corretas).

A) Bens Imóveis

1) Usucapião Extraordinária
• 15 anos – sem título, sem boa-fé.
• 10 anos – sem título, desde que resida no local ou tenha realizado obras
produtivas.

2) Usucapião Ordinária
• 10 anos – com título, boa-fé.
• 05 anos – com título, boa-fé, adquirido onerosamente, desde que resida no
local ou tenha realizado investimento de interesse social e econômico.

B) Bens Móveis
• 05 anos – sem justo título e sem boa-fé – usucapião extraordinária.
• 03 anos – com justo título e boa-fé – usucapião ordinária.

A Constituição Federal, o Código Civil e o Estatuto da Terra estabelecem


outras formas de usucapião de bens imóveis, como veremos oportunamente.
Vejamos o que diz a Constituição Federal:

♦ ART. 183 C.F. – Área Urbana


- área do imóvel não pode ser superior a 250 m2
- posse – 05 anos ininterruptos e sem oposição
- destinado a sua moradia ou de sua família
- a pessoa não pode ser proprietária de outro imóvel (seja na
área rural ou urbana)
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- concedido apenas uma vez


- imóveis públicos – proibição de usucapião
♦ ART. 191 C.F. – Área Rural
- área do imóvel não pode ser superior a 50 hectares
- posse – 05 anos ininterruptos e sem oposição
- destinado a sua moradia ou de sua família
- a pessoa não pode ser proprietária de outro imóvel (seja de
área rural ou urbana)
- deve tornar a propriedade produtiva por força de seu trabalho
ou de sua família
- imóveis públicos – proibição de usucapião

4) Direitos Reais
• para bens imóveis ⎯ regra → hipoteca.
• para bens móveis ⎯ regra → penhor.

Qualquer dúvida sobre o tema aguarde a aula específica.


Vejam como o tema “imóveis e móveis é amplo”. Praticamente tudo o que
falamos até aqui se refere apenas a esse primeiro item (imóveis ou móveis) da
primeira classificação (bens considerados em si mesmos). Vamos ao segundo
item.

2 – BENS QUANTO À FUNGIBILIDADE (art. 85 CC)

Essa classificação resulta da individualização do bem, ou seja, de sua


quantidade e da sua qualidade. A pergunta é: um bem pode ser substituído por
outro? Se eu tomar um bem emprestado posso devolver outro? Resposta –
Depende. Por isso classificamos os bens em infungíveis ou fungíveis. Vejamos:

A) INFUNGÍVEIS
São os que não podem ser substituídos por outros do mesmo gênero,
qualidade e quantidade. São bens personalizados, individualizados (ex: imóveis;
carro; um quadro famoso, etc.).

B) FUNGÍVEIS
São os que podem ser substituídos por outros do mesmo gênero,
qualidade e quantidade (ex: uma saca de arroz, uma resma de papel, dinheiro,
etc.).

Para facilitar um pouco nosso estudo, costumo sempre deixar bem claro:
- Os bens imóveis só podem ser infungíveis.
- Os bens móveis podem ser fungíveis ou infungíveis.

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Explicando melhor. Todos os bens imóveis são personalizados (pois há


uma escritura, um número, possuem um registro, etc.), daí serem todos
infungíveis, pois estão totalmente individualizados. Porém, excepcionalmente,
é possível que sejam tratados como fungíveis Ex: devedor se obriga a fazer o
pagamento por meio de três lotes de terreno, sem que haja a precisa
individualização deles; o imóvel nesse caso não integra o negócio pela sua
essência, mas pelo seu valor econômico.
Os bens móveis como regra, são também bens fungíveis. Mas em alguns
casos podem ser considerados como infungíveis. Ex: um selo de carta. Ele é um
bem fungível, pode ser substituído por outro. Mas o selo “olho de boi” é
infungível, pois são raros e caríssimos, para colecionadores. Da mesma forma
uma moeda, que, para colecionares se torna infungível. Outros exemplos: o
cavalo de corrida Furacão ou o cavalo de passeio Sossego; um quadro pintado
por Renoir, etc.
Questão interessante: os veículos automotores são fungíveis ou
infungíveis? Como regra são infungíveis, pois possuem número de chassis, de
motor, etc. que os personalizam, os individualizam e os diferenciam dos demais.
A fungibilidade pode ser da própria natureza do bem ou da vontade
manifestada pelas partes. Ex: uma cesta de frutas é fungível, mas pode se
tornar infungível se ela for emprestada apenas para ornamento de uma festa
(chamamos neste caso: comodatum ad pompam vel ostentationem) para ser
devolvida posteriormente, intacta.
Uma obrigação de fazer pode ser infungível (ex: contrato “Z”, pintor
famoso, para pintar um quadro; a atuação de “Z” é personalíssima – no caso de
recusa, transforma-se em perdas e danos) ou fungível, podendo ser realizada
por qualquer pessoa (ex: engraxar sapato, pintar uma parede, etc.).
Conseqüências práticas
• A locação, o comodato e o mútuo são contratos de empréstimo
(conforme veremos na aula sobre contratos). No entanto: O mútuo é um
contrato que se refere ao empréstimo apenas de coisas fungíveis, ou seja, o
devedor pode devolver outra coisa, desde que seja igual. Já o comodato é um
contrato de empréstimo gratuito de coisas infungíveis. E a locação é um
empréstimo oneroso de bens infungíveis. Nestes dois últimos contratos a pessoa
deve devolver o mesmo bem. Mas, conforme já disse, veremos isso de forma
mais minuciosa na aula sobre contratos.
• O credor de coisa infungível não pode ser obrigado a receber outra coisa,
ainda que mais valiosa (art. 313 do CC); ou seja, ele tem o direito de receber a
mesma coisa que emprestou.
• A compensação (“A” deve para “B”; mas “B” também deve para “A”)
efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas fungíveis entre si. Dinheiro
se compensa com dinheiro; café se compensa com café; feijão se compensa
com feijão, etc. Esses temas serão abordados na aula sobre Obrigações.

3 – QUANTO À CONSUNTIBILIDADE (art. 86 do CC)


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Tal classificação decorre da destinação que será dada aos bens, sendo que
a vontade do homem pode influir. Dividem-se em consumíveis ou
inconsumíveis. Vejamos:

A) CONSUMÍVEIS
São bens móveis, cujo uso importa na destruição imediata da própria
coisa. Admitem um uso apenas (ex: gêneros alimentícios, um maço de cigarros,
giz, dinheiro, gasolina, etc.).
Observação – Há bens que são consumíveis, conforme a destinação. Ex:
os livros, em princípio, são bens inconsumíveis, pois permitem usos reiterados.
Mas expostos numa livraria são considerados como consumíveis, pois a
destinação é a venda. Sob o ponto de vista do vendedor são considerados como
bens consumíveis (assim como outros bens considerados em princípio como
inconsumíveis). Pergunto: Quantas vezes um vendedor pode vender um mesmo
bem? Uma vez! Por isso sob a ótica do vendedor esses bens são consumíveis
(permitem um uso apenas). E é por isso que nós somos chamados de
‘consumidores’.
B) INCONSUMÍVEIS
São os que proporcionam reiterados usos, permitindo que se retire toda
a sua utilidade, sem atingir sua integridade (ex: roupas de uma forma geral,
automóvel, casa, etc.), ainda que haja possibilidade de sua destruição em
decorrência do tempo.
Quando alguém empresta algo (ex: frutas) para uma exibição, devendo
restituir o objeto, o bem permanece inconsumível até a sua devolução (a
doutrina chama isso de ad pompam vel ostentationem).
A consuntibilidade não decorre da natureza do bem, mas da destinação
econômico-jurídica. O usufruto somente pode recair sobre bens inconsumíveis.
Se for instituído sobre bens fungíveis, é chamado pela doutrina de quase-
usufruto ou usufruto impróprio. Também veremos esses temas de forma mais
minuciosas, na aula específica sobre usufruto.
Aqui há uma “pegadinha” interessante: o sapato... é um bem consumível
ou inconsumível? Pelos conceitos fornecidos é um bem inconsumível, pois
permite usos reiterados. Mas alguém pode perguntar: mas o sapato não gasta?
Como disse acima, não é o fato de se gastar ou não o bem. No fundo, no
fundo... tudo gasta. Mas não é isso que é importante. O importante é se eu
posso ou não usá-lo por diversas vezes. E o sapato permite usos reiterados,
portanto é um bem inconsumível.
Por último, não confundir fungibilidade com consuntibilidade. Estas
qualidades podem estar combinadas em um mesmo bem. Um bem pode ser
consumível e ao mesmo tempo infungível (ex: partitura de um compositor
famoso colocada à venda). O bem pode ser também inconsumível e fungível
(ex: uma picareta).

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4 – QUANTO À DIVISIBILIDADE (arts. 87/88 do CC)

Refere-se a possibilidade ou não de se fracionar um bem em partes


homogêneas e distintas, sem alteração das qualidades essenciais do todo:
divisíveis ou indivisíveis.

A) DIVISÍVEIS
São os que podem se partir em porções reais e distintas, formando cada
qual um todo perfeito (ex: papel, quantidade de arroz, milho, etc.). Se
repartirmos uma saca de arroz, cada metade conservará as qualidades do
produto. Já vi cair em um concurso o exemplo do lápis. É divisível ou indivisível?
Em tese é um bem divisível, pois podemos fracioná-lo e em cada um dos
pedaços podemos fazer “uma ponta” e, portanto, teremos dois lápis (lógico que
menores).

B) INDIVISÍVEIS
São os que não podem ser partidos em porções, pois deixariam de formar
um todo perfeito (ex: uma jóia, um anel, um par de óculos ou sapatos, etc.). No
entanto a indivisibilidade pode ser subclassificada:
• por natureza ⎯ um cavalo vivo, um quadro etc.
• por determinação legal ⎯ servidões prediais, módulo rural, lotes
urbanos, hipoteca, etc. (tais temas serão abordados oportunamente).
• por vontade das partes ⎯ o bem era divisível e se tornou indivisível
por contrato. Ex: entregar 100 sacas de café. Em tese é divisível (posso
entregar 50 hoje e 50 na semana que vem). Mas eu posso pactuar a
indivisibilidade: as 100 sacas devem ser entregues todas hoje.

Observações

As obrigações podem ser divisíveis ou indivisíveis segundo a natureza


das respectivas prestações. Estas podem ser pactuadas pelas partes.
O condômino de coisa divisível poderá alienar sua parcela a quem quiser;
se o bem for indivisível não poderá vendê-lo a estranho, se o outro ‘comunheiro’
(ou condômino) quiser o bem para si. Isto porque neste caso ele tem o chamado
‘direito de preferência’.
Se o bem for divisível, na extinção de condomínio, cada comunheiro
receberá o seu quinhão; se indivisível, ante a recusa dos condôminos de
adjudicá-lo a um só deles (indenizando os demais), o bem será vendido e o
preço repartido entre eles.

5 – QUANTO À INDIVIDUALIDADE (arts. 89/91)

Nesta classificação os bens podem ser singulares ou coletivos.

A) SINGULARES

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São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, ou


seja, independentemente dos demais (ex: um cavalo, uma casa, um carro, uma
jóia, um livro, etc.). São consideradas em sua individualidade. As coisas
singulares podem ser simples ou compostas. Simples são as coisas cujas partes
formam um todo homogêneo (ex: pedra, cavalo, folha de papel, etc.).
Compostas são as que têm suas partes ligadas artificialmente pelo homem. Ex:
navio, materiais de construção em uma casa (a janela, a porta), etc.

B) COLETIVOS OU UNIVERSAIS
São as coisas que se encerram agregadas em um todo. São as
constituídas por várias coisas singulares, consideradas em seu conjunto,
formando um todo único (universitas rerum). As universalidades podem se
apresentar:
• Universalidade de Fato ⎯ conjunto de bens singulares,
corpóreos e homogêneos, ligados entre si pela vontade humana.
Exemplos: alcatéia (lobos), cáfila (camelos), biblioteca (livros), pinacoteca
(quadros), hemeroteca (jornais e revistas), panapaná (borboletas), etc.
Acrescenta o Código Civil que esses bens devem ser pertinentes à mesma
pessoa e tenham destinação unitária.
• Universalidade de Direito ⎯ conjunto de bens singulares,
corpóreos e heterogêneos ou até incorpóreos, a que a norma jurídica,
com o intuito de produzir certos efeitos, dá unidade. Exemplos: patrimônio
(conjunto de relações da pessoa incluindo posse, direitos reais, obrigações
e ações correspondentes), espólio (é a herança, o patrimônio - direitos e
deveres - deixado pelo falecido que se transmite aos herdeiros),
estabelecimento comercial, massa falida, etc.

Nas coisas coletivas, se houver o desaparecimento de todos os indivíduos,


menos um, ter-se-á a extinção da coletividade, mas não o direito sobre o que
sobrou.

Com isso terminamos a primeira classificação (Bens Considerados em


Relação a si Mesmos). Vejamos agora as demais classificações.

II - BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS (arts. 92/97 do CC)

Esta forma de classificação é feita a partir de uma comparação entre os


bens. O quê um bem é em relação a outro bem. Segundo ela os bens podem ser
Principais ou Acessórios. Exemplo: uma casa. É um bem principal ou acessório?
Resposta – Depende! Depende do quê? – Depende em relação a quê. A casa em
relação a quê? A casa em relação ao terreno! Neste caso a casa é acessória; o
terreno é o principal. Mas, e se for a casa em relação aos bens móveis que
guarnecem a casa, ou a casa em relação a uma piscina? Neste caso a casa será
o principal e os demais serão acessórios.

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Uma árvore é um bem principal ou acessório? Depende! A árvore em


relação aos frutos é o bem principal. Mas em relação ao solo é acessório.
Acompanhe então a classificação completa:

A) PRINCIPAIS
São os que existem por si, abstrata ou concretamente, independente de
outros (ex: o solo, um crédito, uma jóia, etc.). Exercem função e finalidade
independentemente de outra coisa.

B) ACESSÓRIOS
São aqueles cuja existência pressupõe a existência de um bem principal
(ex: uma árvore em relação ao solo, um prédio em relação ao solo, a cláusula
penal, o contrato de fiança em relação ao contrato de locação, os juros, os
frutos, etc.).

Regra - o bem acessório segue o principal (salvo


disposição especial em contrário) – acessorium sequitur
principale.

Por essa razão, quem for o proprietário do principal, em regra, será


também o do acessório; a natureza do principal será a do acessório. Trata-se do
princípio da gravitação jurídica (um bem atrai o outro para a sua órbita,
comunicando-lhe seu próprio regime jurídico). Isto também se aplica aos
contratos: se o contrato principal for nulo, nula também será a fiança, que é
cláusula acessória (já o contrário não é verdadeiro – se nula a fiança o contrato
principal pode ser válido). O credor que tem direito de receber uma coisa pode
reclamar os seus acessórios.
São Bens Acessórios:
1 – Frutos ⎯ são as utilidades que a coisa produz periodicamente;
nascem e renascem da coisa e cuja percepção mantém intacta a substância do
bem que as gera. Os frutos podem ser classificados em:
- Naturais – própria força orgânica da coisa (ex: frutas, crias de animais,
ovos, etc.).
- Industriais – engenho humano (ex: produção de uma fábrica).
- Civis (ex: juros de caderneta de poupança, aluguéis, dividendos ou
bonificações de ações, etc.).
- Além disso, ainda podem ser: Pendentes (ligados à coisa que os
produziu); Percebidos (já separados); Estantes (armazenados em
depósitos); Percipiendos (deveriam ser, mas não foram percebidos) e
Consumidos (já não existem mais).
2 – Produtos ⎯ são as utilidades que se extraem da coisa, alteram a
substância da coisa, com a diminuição da quantidade até o seu esgotamento,
porque não se reproduzem (ex: pedras de uma pedreira, minerais de uma
jazida, carvão mineral, lençol petrolífero, etc.).

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3 – Rendimentos ⎯ são os frutos civis ou prestações periódicas em


dinheiro, decorrentes da concessão do uso e gozo de um bem (ex: aluguel).
4 – Produtos orgânicos da superfície da terra (ex: vegetais, animais,
etc.).
5 – Obras de aderência ⎯ obras que são realizadas acima ou abaixo da
superfície da terra (ex: uma casa, um prédio de apartamentos, o metrô, pontes,
túneis, viadutos, etc.).
6 – Pertenças – são os bens que, não constituindo partes integrantes
(como os frutos, produtos e benfeitorias), se destinam de modo duradouro, ao
uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro. Exemplos: a moldura de um
quadro; acessórios de um veículo; um trator destinado a uma melhor
exploração de propriedade agrícola, etc. Pertença vem do latim pertinere
(pertencer, fazer parte de). Trata-se de um bem acessório, pois depende
economicamente de outra coisa. É necessário, para caracterizá-lo, o vínculo
intencional (material ou ideal), duradouro, estabelecido por quem faz uso da
coisa e colocado a serviço da utilidade do principal. Segundo a regra do art. 94
CC os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as
pertenças, salvo se o contrário resultar da lei ou da vontade das partes. Assim,
em relação às pertenças, nem sempre pode se usar o adágio de que “o
acessório segue o principal”. Quando se tratar de negócio que envolva
transferência de propriedade que contenha uma pertença é conveniente que as
partes se manifestem expressamente sobre os acessórios (se eles acompanham
ou não o bem principal), evitando situações dúbias posteriores. Ex: quando se
vende um carro deve o vendedor mencionar se o equipamento de som está
incluso ou não no negócio. Só são pertenças os bens que não forem partes
integrantes, isto é, aqueles que, se forem retirados do principal não afetam a
sua estrutura. Exemplo: Uma casa é composta por diversas partes integrantes.
Uma porta ou uma janela são fundamentais para a existência desta casa,
portanto são consideradas como partes integrantes. Já o ar condicionado ou um
quadro desta casa podem ser considerados como pertenças (eles pertencem à
casa, mas não são parte integrantes). Quando se vende uma casa, a porta, a
janela (partes integrantes) acompanham a venda. Já o ar condicionado e o
quadro (pertenças) podem ser vendidos junto ou podem ser retirados da casa
pelo vendedor, não fazendo parte do negócio. Tudo vai depender do que estiver
escrito no contrato. Da mesma forma os instrumentos agrícolas e os animais em
relação a uma fazenda.
7 – Acessões (de modo implícito) – aumento do valor ou do volume da
propriedade devido a forças externas, fatos eventuais ou fortuitos (formação de
ilhas, aluvião, avulsão, abandono de álveo, construções de obras e plantações –
falaremos sobre esses temas nos Direito das Coisas). Em regra não são
indenizáveis.
8 – Benfeitorias ⎯ são obras ou despesas que se fazem em um bem
móvel ou imóvel, para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-lo. Talvez seja item
mais importante em termos de bens acessórios, ao lado das pertenças (sob o

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ponto de vista de concursos públicos). Quanto às benfeitorias precisamos saber:


quais são elas, qual o conceito e exemplos de cada uma delas e o efeito que
elas podem ter no direito possessório que já iremos adiantar aqui. Vamos por
etapas. Dividem-se as benfeitorias em:

a) Necessárias ⎯ são as que têm por fim conservar ou evitar que o bem
se deteriore (ex: reforços em alicerces, restauração de assoalhos, reforma
de telhados, substituição de vigamento podre, desinfecção de pomar,
etc.).
b) Úteis ⎯ são as que aumentam ou facilitam o uso da coisa (ex:
garagem, edículas, instalação de aparelho hidráulico moderno, etc.).
c) Voluptuárias ⎯ são as de mero embelezamento, recreio ou deleite,
que não aumentam o uso da coisa (ex: uma pintura artística,
ajardinamento, piscina, churrasqueira, etc.).

Relevância jurídica da distinção das benfeitorias

Na posse – O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das


benfeitorias necessárias e úteis. Caso não indenizadas, o possuidor tem o direito
de retenção pelo valor das mesmas, isto é, pode reter o bem até que seja
indenizado pela benfeitoria feita. Quanto às voluptuárias não serão indenizadas,
mas elas podem ser levantadas (isto é, retiradas), desde que não haja
danificação da coisa.
Por outro lado, ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as
benfeitorias necessárias. Vejam o quadrinho abaixo que retrata bem o que foi
dito agora sobre as indenizações das benfeitorias.

Benfeitorias Posse de Boa-fé Posse de Má-fé


Necessárias Indeniza Indeniza

Úteis Indeniza Não indeniza

Voluptuárias Não indeniza, Não indeniza


mas podem ser levantadas

No entanto a lei 8.245/91 (sobre locações), dispõe:


Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias
necessárias introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador,
bem como as úteis, desde que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o
exercício do direito de retenção.
Art. 36. As benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis, podendo ser
levantadas pelo locatário, finda a locação, desde que sua retirada não afete a
estrutura e a substância do imóvel.

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Cuidado - Não confundir acessão artificial com benfeitoria

Acessão Artificial ⎯ obra feita na coisa já existente, criando


coisa nova, como as construções e plantações (ex: construção de um
quarto a mais na casa, atelier, etc.).

Benfeitoria ⎯ obra realizada para conservar, melhorar ou


embelezar, sem modificar a substância.

Deixam de ser bens acessórios e passam a ser principais os seguintes


bens:
a) a pintura em relação à tela;
b) a escultura em relação à matéria-prima;
c) a escritura ou qualquer trabalho gráfico em relação à matéria-
prima.

III – BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO TITULAR DO DOMÍNIO

Tal classificação se refere aos sujeitos a que pertencem os bens. De


quem são os bens? Eles podem ser divididos em:
• BENS PARTICULARES ⎯ são os que pertencem às pessoas físicas ou
pessoas jurídicas de direito privado.
• RES NULLIUS ⎯ são coisas de ninguém, coisas sem dono. Ex: animais
selvagens em liberdade, pérolas no fundo do mar, peixes no mar, conchas
na praia, tesouros escondidos, as coisas abandonadas (também chamadas
de ‘res derelictae’), etc.
• BENS PÚBLICOS (res publicae) ⎯ são os que pertencem a uma
entidade de direito público interno: União, Estados, Distrito Federal,
Territórios, Municípios, Autarquias, etc. Os bens públicos possuem uma
classificação legal que veremos adiante.
Observação – atualmente os autores se referem também aos bens
difusos, sendo seu exemplo típico o meio ambiente, protegido pelo art. 225 da
Constituição Federal. Essa proteção visa assegurar a sadia qualidade de vida dos
cidadãos.

Classificação dos Bens Públicos (art. 99 CC)

A) Uso Comum do Povo


Destinados à utilização do público em geral; podem ser usados sem
restrições por todos, sem necessidade de permissão especial (ex: praças,
jardins, ruas, estradas, mares, rios, praias, etc.).

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Não perdem a característica de uso comum se o Estado regulamentar seu


uso, ou torná-lo oneroso (ex: pedágio nas rodovias, fechamento de uma praça à
noite por questão de segurança, etc.).
Curiosidade – o art. 285 da Constituição do Estado de São Paulo prevê:
“Fica assegurado a todos livre e amplo acesso às praias do litoral paulista. §1º -
Sempre que, de qualquer forma, for impedido ou dificultado esse acesso, o
Ministério Público tomará imediata providência para a garantia desse direito”.

B) Uso Especial
Imóveis (edifícios ou terrenos) utilizados pelo próprio poder público para a
execução de serviço público (ex: prédios onde funcionam tribunais, escolas
públicas, hospitais públicos, secretarias, ministérios, etc.). Eles têm uma
destinação especial. O Direito Administrativo se refere a eles como bens
públicos afetados. Afetação quer dizer que há a imposição de um encargo, um
ônus a um bem público. Indica ou determina o fim a que ele se destina ou para
o qual será destinado.

C) Dominicais (ou dominiais ⎯ dominus ⎯ relativo ao domínio, senhorio)


São os bens que constituem o patrimônio disponível da pessoa jurídica de
direito público. Abrange os bens móveis e imóveis. Na verdade são os outros
bens públicos, por exclusão (pois eles não são de uso comum do povo e nem
têm uma destinação especial). São eles (apenas exemplificativamente):
• terrenos de marinha (e acrescidos) ⎯ terrenos banhados por mar,
lagoas e rios (públicos) onde se faça sentir a influência das marés. Estão
compreendidos na faixa de 33 metros para dentro da terra medidos à
linha de preamar média. Pertencem à União.
• mar territorial ⎯ compreende a faixa de 12 milhas marítimas de
largura, de propriedade da União. Além disso, há a zona econômica
exclusiva - de 12 a 200 milhas - onde o Brasil tem direitos de soberania
exclusivos, para fins de exploração econômica, preservação ambiental e
investigação científica.
• terras devolutas ⎯ são terras que, embora não destinadas a um uso
público específico, ainda se encontram sob o domínio público. São terras
não aproveitadas. Como regra pertencem aos Estados, que podem passá-
las aos Municípios; serão da União se indispensáveis à segurança nacional.
• outros bens considerados dominicais: estradas de ferro (se forem
públicas, pois algumas são privadas); títulos da dívida pública; ilhas
formadas em mares territoriais e rios públicos navegáveis; quedas d’água,
jazidas e minérios; terras indígenas; sítios arqueológicos, etc.

Costuma-se dizer que os bens públicos de uso comum do povo e os de uso


especial são bens do ‘domínio público do Estado’. Já os dominicais são do
‘domínio privado do Estado’.
Os bens públicos dominicais podem, por determinação legal, ser
convertidos em bens públicos de uso comum ou especial.
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Características dos Bens Públicos


• inalienabilidade ⎯ os bens públicos não podem ser vendidos, doados
ou trocados, desde que destinados ao uso comum do povo e uso
especial, ou seja, enquanto tiverem afetação pública (art. 100 CC). Os
bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências
legais. Ex: uma praça pública não poderá ser vendida enquanto tiver esta
destinação (uso comum do povo). Caso contrário, o Município poderá, por
lei, alienar o terreno, desde que o faça em hasta pública ou por meio de
concorrência administrativa.
• impenhorabilidade ⎯ impede que o bem passe do devedor ao credor
por força de execução judicial (adjudicação ou arrematação). Também não
pode recair hipoteca sobre esses bens.
• imprescritibilidade (usucapião) ⎯ a Constituição Federal proíbe a
aquisição, por usucapião, de bens públicos.
• conversão ⎯ os bens públicos dominicais podem ser convertidos em
bens de uso comum ou especial. Por meio da afetação o bem passa da
categoria de bem do domínio privado do Estado para a categoria de bem
do domínio público.
Conferir também:
• Bens da União – art. 20 da Constituição Federal.
• Bens dos Estados – art. 26 da Constituição Federal.

IV – COISAS FORA DO COMÉRCIO

Os bens que se acham no comércio podem ser alienados e adquiridos


livremente. Já os que estão fora do comércio não podem ser transferidas de um
acervo patrimonial a outro.

Comércio ⎯ sentido técnico = possibilidade de compra e


venda, doação, ou seja, liberdade de circulação.

São considerados coisas fora do comércio, os bens:


• Insuscetíveis de apropriação ⎯ são bens de uso inexaurível (ex: ar,
luz solar, água do alto-mar, etc.). São chamados de coisas comuns.
• Personalíssimos ⎯ Vida, honra, liberdade, nome, etc.
• Legalmente inalienáveis ⎯ apesar de suscetíveis de apropriação, têm
sua comercialidade excluída pela lei para atender a interesses econômicos-
sociais, defesa social e proteção de certas pessoas. Alguns exemplos:
- bens públicos (uso comum do povo e especial – art. 100 CC)
- bens das fundações (arts. 62 a 69 CC)
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- terras ocupadas pelos índios (art. 231, §4º CF)


- bens de menores (art. 1.691 do CC)
- terreno onde foi construído um edifício de condomínio por andares,
enquanto persistir o regime condominial (art.1.331, § 2º)
- bens de família (*)
- bens gravados com cláusula de inalienabilidade (*)
Observação – os bens móveis e imóveis tombados, cuja conservação
seja de interesse público (fatos históricos, valor arqueológico, bibliográfico,
artístico, etc.), não estão propriamente fora do comércio. Mas a sua
alienabilidade é restrita, não podendo ser livremente transferidos sem
autorização; não podem sair do País, nem ser demolidos ou mudados.
Os bens legalmente inalienáveis poderão ser alienados, com autorização
judicial, em certas circunstâncias excepcionais.
(*) Caros alunos. Como vimos, também são exemplos de coisas fora do
comércio o bem de família e os bens gravados com cláusulas de inalienabilidade.
No entanto, devido a sua importância, destacamos estes itens, com comentários
mais detalhados. Acompanhem:

BEM DE FAMÍLIA

(arts. 1.711 a 1.722 do CC)

CONCEITO
Bem de família é um instituto do direito civil pelo qual se vincula o
destino de um prédio para ser domicílio ou residência de sua família. Originou-
se no direito americano (homestead). O governo da então República do Texas,
com o objetivo de fixar famílias em suas vastas regiões, promulgou um ato em
1.839, garantindo a cada cidadão determinada área de terra, isentas de
penhora.
No Brasil, podem os cônjuges ou entidade familiar (famílias legítimas
ou às uniões estáveis entre homem e mulher), mediante escritura pública ou
testamento, destinar parte de seu patrimônio (desde que não ultrapasse um
terço do patrimônio líquido) para instituir o bem de família. É necessário que
seja imóvel residencial (rural ou urbano, com seus acessórios), não havendo
limite de valor. Admite-se que também sejam gravados valores mobiliários, cuja
renda será aplicada na conservação do imóvel e no sustento da família.
CONSEQÜÊNCIAS
Com a instituição do bem, o prédio se torna inalienável e
impenhorável. E o prédio fica isento de execuções por dívidas posteriores à
instituição, salvo as que provierem de:
• tributos relativos ao prédio (ex: IPTU), ou

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• despesas de condomínio.
Para se constituir um bem de família, é necessária a escritura pública e o
registro no Registro de Imóveis, além de publicação na imprensa local, para
ciência de terceiros.
A condição para que se faça esta instituição é que inexistam ônus sobre o
imóvel bem como dívidas anteriores. É nula a instituição se for feita com fraude
contra credores.
A duração da instituição é até que ambos os cônjuges faleçam, sendo que,
se restarem filhos menores de 18 anos, mesmo falecendo os pais, a instituição
perdura até que todos os filhos atinjam a maioridade. Falecendo um dos
consortes o imóvel não entrará em inventário e nem será partilhado enquanto
viver o outro. Se este também falecer, deve-se esperar a maioridade de todos
os filhos. O prédio entrará em inventário para ser partilhado somente quando a
cláusula for eliminada. Desta forma, a dissolução da sociedade conjugal, por si
só, não extingue o bem de família.
ALIENAÇÃO
Somente haverá a alienação (venda, doação, etc.) do bem de família
instituído quando houver anuência dos dois consortes e de seus filhos, quando
houver. Em havendo, o Juiz irá designar um curador especial e irá consultar o
Ministério Público. A cláusula somente poderá ser levantada por mandado
judicial (mandado de liberação), justificado o motivo relevante. Se foi
solenemente instituído pela família como domicílio desta, não pode ter outro
destino.
Se houver menores impúberes a situação ainda fica mais complicada: a
cláusula não poderá ser eliminada, salvo se houver sub-rogação (substituição
da coisa; transferência das qualidade de uma coisa para outra) em outro imóvel
para a moradia da família.

LEI Nº 8.009/90
Caros Alunos. Não devemos confundir o Bem de Família instituído pelo
Código Civil com o ‘Bem de Família’ previsto em uma lei especial. É muito
comum cair questões confundindo estes temas. E também é comum ainda o
aluno durante o curso fazer confusão entre os dois institutos. Portanto, tomem
cuidado... Vou reforçar bem este assunto.

Atualmente a Lei 8.009/90, dispõe sobre a impenhorabilidade do bem


de família, que passou a ser o imóvel residencial (rural ou urbano) próprio do
casal ou da entidade familiar, independente de inscrição no Registro de
Imóveis. No caso da pessoa não ter imóvel próprio (ex: locação), a
impenhorabilidade recai sobre os bens móveis quitados que guarneçam a
residência e que sejam da propriedade do locatário. Estende-se aos
equipamentos de uso profissional.
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Se o casal ou entidade familiar for possuidor de vários imóveis, a


impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor (salvo se outro tiver sido
registrado).

Repito – não confundir – bem de família (voluntário ou


instituído pelo próprio interessado - arts. 1711/1722 do C.Civil) com
impenhorabilidade do único imóvel do casal (legal ou automático - Lei
8.009/90).

No primeiro caso trata-se afetação de bem imóvel para certa finalidade,


tornando-o impenhorável (exceto por impostos do próprio imóvel e
condomínio), bem como inalienável e insuscetível de ser inventariado ou
partilhado. No segundo caso trata-se de mera impenhorabilidade, não tornando
o imóvel inalienável e nem isento de inventário e partilha.

EXCEÇÕES
Vimos que o bem de família do Código Civil só pode ser penhorado em
duas hipóteses: tributos devidos em relação ao próprio bem imóvel ou
condomínio. Já os bens de que trata a lei 8.009/90 tem um número maior de
exceções, ou seja, de hipóteses em que o bem será vendido para pagar a dívida.
Assim esses bens (da lei 8.009/90), não responderão por dívidas civis,
mercantis, fiscais trabalhistas, etc., salvo se o processo de execução for movido
em razão de:
• crédito de trabalhadores da • condomínio
própria residência • pensão alimentícia
• hipoteca • bem adquirido com produto
• financiamento de crime
• cobrança de impostos • fiança nos contratos de
devidos em função do locação(*)
imóvel

(*) Cuidado com o último exemplo = Fiança nos contratos de locação.


Atualmente, tanto a lei, como a jurisprudência assim dispõem: Se uma pessoa é
proprietário de um imóvel e deseja alugá-lo vai desejar que o locatário
(inquilino) apresente um fiador. Este fiador precisa ter um bem imóvel, para
garantir a fiança. Ou seja, se o locatário (inquilino) não pagar o aluguel o
proprietário (locador) irá acioná-lo. Se este não conseguir pagar, o proprietário
aciona o fiador e este será responsável pela dívida. Poderá o fiador alegar que
aquele é o único bem que dispõe e requerer o chamado “bem de família” para
não pagar a dívida? Resposta: – atualmente (depois de várias idas e vindas)
não. Ou seja, se uma pessoa se dispuser a ser fiador, neste momento está
abrindo mão do chamado bem de família. Não poderá invocar esse benefício
para deixar de pagar a dívida do inquilino. Nos últimos anos essa posição já foi
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mudada diversas vezes. Atualmente é essa a que está vigorando, inclusive com
uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Assim, tomem muito cuidado, não
só com questões em concursos, mas também em nosso dia-a-dia. Devemos
estar bem conscientes de que ao assumirmos o risco de ser fiador, estamos
abrindo mão do bem de família da Lei 8.009/90. Mas isso, é evidente, não se
aplica àquele bem de família previsto no Código Civil, pois neste último caso o
bem foi registrado e se tornou inalienável.

DIFERENÇAS:
1 – Bem de Família (previsto no Código Civil)
a) ato voluntário – deve ser registrado;
b) deve representar no máximo um terço do patrimônio líquido da pessoa
que está registrando;
c) acarreta inalienabilidade e impenhorabilidade do bem;
d) admitem-se apenas duas exceções: dívidas decorrentes de condomínio
e as dívidas tributárias que recaem sobre o bem.
2 – Bem de Família (previsto na Lei 8.009/90) – na verdade não torna a coisa
propriamente em um “bem de família”; esta coisa fica apenas impenhorável,
ou seja, não pode recair penhora sobre ele. Assim:
a) uma família que tem um único imóvel para sua residência – este bem,
de forma automática é considerado bem de família; decorre da lei;
b) acarreta somente a impenhorabilidade (e não a inalienabilidade, ou seja,
o bem não pode ser penhorado por terceiros, mas se o proprietário
quiser, poderá vendê-lo);
c) possui diversas exceções conforme vimos acima.

BENS GRAVADOS COM CLÁUSULA DE INALIENABILIDADE

São aqueles que se tornam inalienáveis pela vontade humana, por meio
de uma cláusula temporária ou vitalícia, nos casos previstos em lei, por ato
inter vivos (ex: doação) ou causa mortis (ex: testamento). Exemplo: um pai,
percebendo que seu filho irá dilapidar o patrimônio, faz testamento, com essa
cláusula especial, a fim de que os bens não saiam do patrimônio do filho,
protegendo esses bens do próprio filho, impedindo que os atos de
irresponsabilidade ou má administração possam levar o filho à insolvência -
dívidas superiores aos créditos. O art. 1.911 do CC determina que “a cláusula de
inalienabilidade, imposta aos bens por ato de liberalidade, implica
impenhorabilidade e incomunicabilidade”. Atualmente essa cláusula tem valor
restrito, pois o testador deverá apontar expressamente a justa causa para essa

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sua decisão de tornar o bem inalienável (art. 1.848 CC), ou seja, deverá
justificar o porquê desta medida.
Observações:
• Terrenos em cemitérios públicos são objeto de concessões, que não podem
ser transferidos, portanto estão fora do comércio. O monumento tumular
(anjos, capelas, etc.) também é impenhorável.
• Embora o corpo humano esteja fora do comércio, há possibilidade de se
dispor do próprio corpo para após a morte, de forma gratuita, servir a fins
científicos ou altruísticos (art. 14 do CC) e de se dispor de órgãos de pessoas
falecidas para transplantes (Lei nº 9.434/97).

Vamos agora apresentar o nosso já famoso quadro


sinótico, que é um resumo do que foi falado na aula de hoje. Esse resumo
tem a função de ajudar o aluno a melhor assimilar os conceitos dados em
aula e também de facilitar a revisão da matéria para estudos futuros.

QUADRO SINÓTICO

OBJETO DO DIREITO – DOS BENS


(arts. 79 a 103 CC)

I – CONCEITO – são as coisas (materiais ou imateriais) enquanto


economicamente valoráveis, satisfazendo a necessidade humana.

II – CLASSIFICAÇÃO LEGAL
1. BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS – arts. 79/91 CC
a) Imóveis – não podem ser removidos, transportados, de um
lugar para o outro, sem a sua destruição. Móveis - podem ser
transportados de um lugar para outro, por força própria
(semoventes) ou estranha, sem alteração da sua substância.
b) Infungíveis – não podem ser substituídos por outros do mesmo
gênero, qualidade e quantidade. Fungíveis - podem ser
substituídos por outros do mesmo gênero, qualidade e
quantidade.
c) Inconsumíveis – proporcionam reiterados usos, permitindo que
se retire toda a sua utilidade, sem atingir sua integridade.
Consumíveis – são bens móveis, cujo uso importa na
destruição imediata da própria coisa. Admitem apenas um uso.

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d) Divisíveis – podem ser partidos em porções reais e distintas,


formando cada qual um todo perfeito. Indivisíveis – não
podem ser partidos em porções, pois deixariam de formar um
todo perfeito (por natureza, por determinação legal e pela
vontade das partes).
e) Singulares – são os que, embora reunidos, se consideram de
per si, independentemente dos demais. Coletivos (ou
Universais) – são as coisas que se encerram agregadas em um
todo.
2. BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS – arts. 92/97 CC
a) Principais – existem por si mesmos.
b) Acessórios – sua existência depende da existência de outro (regra
→ acessório segue o principal). Espécies: frutos, produtos,
pertenças, rendimentos. Benfeitorias: necessárias (conservação do
bem – alicerce da casa), úteis (facilitam o uso - garagem) e
voluptuárias (embelezamento, comodidade - piscina).
3. BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO TITULAR DO
DOMÍNIO – arts. 98/103 CC
a) Particulares – são os que pertencem às pessoas físicas ou pessoas
jurídicas de direito privado
b) Res nullius – coisas de ninguém (ex: peixe no fundo do mar,
coisas abandonadas).
c) Públicos – uso comum do povo (rios, mares, estradas, ruas, etc.)
uso especial (hospitais e escolas públicas, secretarias, ministérios,
etc.) e dominicais (patrimônio disponível das pessoas de direito
público: terras devolutas e terrenos de marinha).

Observação – Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso


especial (afetados) são inalienáveis, enquanto conservarem a sua
qualificação. Os bens públicos dominicais podem ser alienados,
observadas as exigências da lei.

4. COISAS FORA DO COMÉRCIO


a) Insuscetíveis de apropriação – uso inexaurível (ar, luz solar,
etc.)
b) Personalíssimos – vida, integridade física, honra, liberdade, etc.
c) Legalmente inalienáveis – bens públicos, das fundações, terras
indígenas, bem de família e bens gravados com cláusula de
inalienabilidade.

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• Bem de Família – arts. 1.711 a 1.722 CC (voluntário) X Lei 8.009/90


(Impenhorabilidade do único imóvel – legal) – Não confundir os
institutos!! Cuidado, também, com a fiança nos contratos de locação
(aplica-se somente em relação a Lei 8.009/90).
• Bens gravados com cláusula de inalienabilidade – art. 1.911 CC.

TESTES

Lembrando que estes testes já caíram em concursos anteriores e têm a


finalidade de revisar o que foi ministrado hoje, completando a aula. Muitas
informações relativas à matéria, principalmente algumas situações especiais
estão nas respostas dos testes. Algumas dúvidas que o aluno ficou em aula
podem ser esclarecidas com os exercícios. Além disso, o aluno vai “pegando a
malícia dos testes”; o quê exatamente o examinador quer com tal questão. Daí
a importância de fazer os testes e ler todas as respostas com atenção.

01 – Está correto afirmar que:


a) o direito à sucessão aberta pode ser considerado como um bem móvel,
desde que esta sucessão seja formada apenas por bens móveis.
b) um automóvel é considerado como um bem corpóreo ou tangível.
c) as quedas d’água que podem ter aproveitamento para energia hidráulica
constituem propriedade distinta da do solo e pertencem aos Estados
membros.
d) um trator, mesmo quando destinado a um sítio, dele fazendo parte, não
pode ser considerado como bem imóvel.
e) a energia elétrica, por si só, é considerada como sendo um bem imóvel.

02 – Assinale a alternativa incorreta:


a) os bens móveis se adquirem pela transcrição.
b) os direitos do autor são considerados bens móveis por força de lei.
c) o mútuo é um contrato de empréstimo de coisas fungíveis.
d) o módulo rural é um bem indivisível.
e) o comodato é um contrato de empréstimo gratuito de bens infungíveis.

03 – Pela regra “o acessório segue o principal”, podemos afirmar:


a) o principal não existe sem o acessório.
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b) principal e acessório formam sempre um único bem que não poderá ser
desmembrado.
c) a propriedade do principal pertencerá como regra à mesma pessoa que
tem a propriedade do acessório.
d) sendo considerado nulo o acessório (nos contratos), nulo será também o
principal.
e) frutos são considerados como benfeitorias úteis.

04 – Dadas as seguintes afirmações:


I – Os bens podem ser classificados doutrinariamente em: considerados em si
mesmos, reciprocamente considerados, considerados em relação ao titular do
domínio e coisas fora do comércio.
II – Os bens considerados em si mesmos possuem uma vasta subdivisão, sendo
que uma delas é: bens infungíveis ou fungíveis.
III – Os bens reciprocamente considerados podem ser classificados como
Públicos ou Particulares.
Podemos concluir:
a) todas estão corretas.
b) I e III estão corretas.
c) II e III estão corretas.
d) I e II estão corretas.
e) todas estão erradas.

05 – Assinale a alternativa incorreta:


a) as árvores, os frutos pendentes e o espaço aéreo são considerados como
sendo bens imóveis.
b) os prédios de apartamentos podem sem classificados como sendo bens
imóveis por acessão física.
c) os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se
reempregarem são considerados como bens imóveis.
d) os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem nela
empregados, conservam sua qualidade de bens móveis.
e) são considerados bens imóveis: os direitos reais sobre imóveis e as ações
que os asseguram, bem como o usufruto, a hipoteca e o penhor.

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06 – João comprou um relógio e inclusive efetuou parte de seu


pagamento. Ocorre que o vendedor ainda não fez a entrega do bem.
Nesse caso podemos dizer que:
a) João é o proprietário do relógio e pode exigir a sua entrega imediata.
b) João ainda não é o proprietário do relógio, mas o contrato de compra e
venda está perfeito.
c) João somente será o proprietário quando tiver pago a totalidade do valor do
relógio.
d) João apesar de já ser o proprietário, deve exigir a posse para que o contrato
seja reputado perfeito.
e) João somente será reputado proprietário quando houver a transcrição do
bem, ou seja, com a entrega.

07 – São benfeitorias: voluptuária, necessária e útil, na respectiva


ordem:
a) a construção de uma edícula nos fundos da casa, a instalação de uma
piscina na casa e uma pintura artística.
b) a pintura do imóvel para sua impermeabilização, o conserto de um
encanamento rompido e a instalação de uma antena parabólica.
c) o ajardinamento de uma residência, o conserto do telhado da casa e a
construção de uma garagem.
d) a colocação de piso de mármore na casa, a pintura interna do
apartamento e a instalação de uma sauna nos fundos da casa.
e) a construção de uma piscina, o conserto do piso da casa que ameaça
ceder e uma pintura de um mural na casa, com finalidade artística.

08 – Os bens que o Estado pode dispor são os:


a) inalienáveis. d) direitos reais.
b) infungíveis. e) prescricionais.
c) dominicais.

09 – São respectivamente bens fungíveis e infungíveis:


a) um terreno; uma cadeira escolar.
b) um quadro de um pintor famoso; uma motocicleta.
c) certa porção de dinheiro; um automóvel.
d) o cavalo de corrida furacão; um relógio de pulso.
e) um par de sapatos novos produzido em série; a caneta tipo “BIC”.
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10 – Antônio financiou a compra de um terreno. Apenas edificou um muro neste


terreno, mas não quis construir nada no terreno, pois sua intenção era esperar
valorizar e vendê-lo posteriormente. Foi pagando aos poucos e quitou a dívida.
Finalmente foi lavrada a respectiva escritura pública de compra e venda. Neste
caso:
a) Antônio é o verdadeiro proprietário do terreno por já ter sido lavrada a
escritura pública.
b) Antônio não é o proprietário ainda, pois não entrou na posse efetiva do
terreno.
c) Antônio tornou-se proprietário do terreno no momento em que quitou a
dívida, independentemente da posse.
d) Antônio não é o proprietário, pois lhe falta o registro da escritura pública.
e) Antônio ainda não é proprietário, pois necessita da comprovação da
tradição e do pagamento de eventuais impostos: Imposto de Transmissão
Causa Mortis e Doação ou o Inter Vivos (ITCMD) ou Imposto de
Transmissão de Bens Imóveis (ITBI).

11 – Não traduz uma característica do regime jurídico dos bens públicos


no Brasil, uma das seguintes afirmações:
a) os bens públicos afetados são inalienáveis.
b) somente os bens públicos dominiais podem ser penhorados para que se
satisfaça os créditos contra o Poder Público inadimplente.
c) os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
d) os bens públicos desafetados, ao passarem para a categoria de dominiais,
podem, através de lei específica, ser alienados.
e) os bens públicos dominais são os que constituem o patrimônio disponível
da pessoa jurídica de direito público.

12 – Em relação aos bens imóveis, assinale a alternativa correta:


a) os frutos pendentes e as árvores não são bens imóveis.
b) os direitos reais sobre os imóveis não podem ser tidos como imóveis para
efeitos legais.
c) o direito abstrato à sucessão é considerado bem imóvel mesmo que os
bens deixados pelo de cujus sejam todos móveis.
d) todo bem móvel é fungível.
e) os direitos autorais são considerados como bens imóveis.

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13 – Não são considerados bens móveis:


a) o direito à sucessão aberta.
b) as energias que tenham valor econômico.
c) os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem
empregados.
d) os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.
e) os direitos autorais

14 – Marque a alternativa FALSA:


a) a energia eólica que tenha valor econômico, é considerada como um bem
móvel para efeitos legais.
b) as características identificadoras dos bens fungíveis são a espécie, a
qualidade e quantidade.
c) são divisíveis os bens cujo uso importa destruição imediata da própria
substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação.
d) universalidade de direito é o complexo de relações jurídicas, de uma
pessoa, dotadas de valor econômico.
e) Universalidade de fato é a pluralidade de bens singulares que, pertinentes
à mesma pessoa, tenham destinação unitária

15 – Sobre as pertenças, tendo em vista o Código Civil de 2.002, é


correto afirmar que:
a) são bens acessórios e por isso sempre seguem a sorte do principal.
b) constituem parte integrante do bem principal e se destinam ao seu
aformoseamento.
c) são consideradas benfeitorias úteis, pois ampliam o uso da coisa.
d) apesar de serem consideradas como bens acessórios, nem sempre
seguem a sorte do principal.
e) são bens acessórios e equiparados aos frutos e aos produtos.

16 – (ESAF – Procurador do DF – 2004) Assinale a opção correta.


a) as pertenças não seguem necessariamente a lei geral de gravitação jurídica,
por meio da qual o acessório sempre seguirá a sorte do principal, razão pela
qual, se uma propriedade rural for vendida, desde que não haja cláusula que
aponte em sentido contrário, o vendedor não está obrigado a entregar as
máquinas, tratores e equipamentos agrícolas nela utilizados.
b) Uma construção nova em terreno público invadido pode ser considerada
como uma benfeitoria útil.
c) O bem de família legal (Lei 8.009/90) é coisa fora do comércio.

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d) Entende-se como entidade familiar, para fins de aplicação do instituto do bem


de família legal, tão somente o núcleo familiar advindo do casamento com
efeitos civis.
e) Os prédios das universidades públicas são classificados como bens públicos
de uso comum.

17 – O bem de família regulado pelo Código Civil de 2002:

a) não revogou o bem de família criado pela Lei n.º 8.009/90, regulando o bem
de família voluntário imóvel.
b) revogou o bem de família criado pela Lei n.º 8.009/90 (residencial).
c) não revogou o bem de família criado pela Lei n.º 8.009/90, regulando o bem
de família independentemente da vontade (involuntário).
d) não revogou o bem de família criado pela Lei n.º 8.009/90, regulando o bem
de família voluntário móvel.
e) não está em vigor face às disposições da Lei nº 8.009/90 que são especiais
em relação ao Código Civil.

18 – Uma empreiteira mantém contrato com um Município para a construção de


casas populares. Para cumprir tal contrato, adquiriu toda a argila existente no
subsolo de uma propriedade particular, até então inexplorada pelo dono do
imóvel, realizando tal negócio através de contrato de compra e venda. Neste
caso, o contrato da empreiteira com o particular é considerado:

a) perfeitamente válido, mas somente se ele for celebrado por instrumento


público.
b) nulo, porque os minerais do subsolo teriam de ser adquiridos pelo
município, mediante desapropriação para atender a empreiteira.
c) válido, porque a causa do contrato atende um interesse público, que é a
construção de casas populares.
d) anulável, na hipótese de ter sido celebrado por instrumento particular.
e) nulo, porque o proprietário do imóvel não é o proprietário do minerais
encontrados no subsolo.

19 – (Magistratura do Estado do Paraná) Em relação às diferentes


classes de bens e de acordo com as disposições expressas do Código
Civil, pode-se afirmar que:
a) os direitos dos autor, para os efeitos legais são considerados bens imóveis.
b) os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele mesmo se
reempregarem, são considerados bens móveis.
c) consideram-se imóveis para todos os efeitos legais, o direito à sucessão
aberta, os direitos reais sobre os imóveis e as ações que os asseguram.

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d) são infungíveis os móveis que podem ser substituídos por outros da mesma
espécie, quantidade e qualidade.
e) as energias que tenham valor econômico são consideradas como bens
imóveis.

20 – (Magistratura do Trabalho – Rio de Janeiro – 2.004) Aponte a


proposição correta quanto à alienação de bens públicos:
a) podem ser objeto de alienação se perderem a natureza de uso comum ou
especial.
b) a natureza de tais bens impede definitivamente sua alienação.
c) os bens de uso comum não podem jamais ser alienados, o que não ocorre
quanto aos de uso especial, desde que sejam objeto de licitação.
d) dentre os bens públicos, só podem ser objeto de alienação os dominicais e os
de uso especial quando sejam objeto de licitação.
e) os bens de uso comum não podem ser alienados jamais, porque servem
diretamente ao público, mas os de uso especial poderão ser alienados, desde
que passem por processo especial que os coloque na categoria de bens
dominicais.

GABARITO COMENTADO

01 – Alternativa correta – letra “b”. Um automóvel tem corpo, é


percebido pelos sentidos, possui existência física, logo é considerado com um
bem corpóreo, material, concreto ou tangível. O direito à sucessão aberta é
considerado como um bem imóvel (art. 80, II do CC), mesmo que seja formado
somente por bens móveis. Se uma pessoa morre deixando de herança apenas
uma grande importância em dinheiro para ser partilhada entre seus filhos,
mesmo assim esta herança (sucessão aberta) é considerada como um bem
imóvel (letra “a” errada). Segundo o artigo 176 da Constituição Federal, as
jazidas e demais recursos minerais e os potenciais de energia hidráulica
constituem propriedade distinta da do solo e pertencem à União (não aos
Estados-membros, portanto a letra “c” está errada). Alguns bens móveis podem
ser imobilizados pelo proprietário, desde que haja intenção do mesmo em assim
considerá-lo. São as chamadas pertenças. Desta forma um trator pode ser
considerado como bem imóvel em determinadas situações (ex: hipoteca que
abrange a fazenda, juntamente com os bens móveis que nela estão). Mais
adiante comentaremos mais questões sobre as pertenças (letra “d” errada). A
energia elétrica, bem como qualquer energia que valor econômico é considerada
como bem móvel por força de lei (art. 83, I CC) e não imóvel como afirma a
questão (letra “e” errada).

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02 – Alternativa incorreta – letra “a”. Esta foi fácil. Os bens móveis


são adquiridos pela tradição (entrega) e não pela transcrição. As demais
alternativas estão corretas. Acompanhem. Os direitos autorais (não confundir
com a autoria de uma obra, que não pode ser alienada) são considerados como
bens móveis (art. 83, III do CC e Lei 9.610/98 – arts. 3o e 5o). Mútuo é um
contrato de empréstimo, que pode ser gratuito ou oneroso, mas recai sempre
em bens fungíveis. A locação também é um contrato de empréstimo, só que
oneroso e recais sobre bens infungíveis. O comodato é outro contrato de
empréstimo, porém gratuito, recaindo sobre bens infungíveis. O imóvel rural
não é um bem divisível em áreas de dimensões inferior à constitutiva do módulo
de propriedade rural (art. 65 da lei 4.504/64). Ou seja, os imóveis, a princípio
podem ser divididos. Mas o módulo (área rural) e o lote (área urbana) são
indivisíveis.

03 – Alternativa correta – letra “c”. De fato a regra é de que o


acessório acompanha o principal. Portanto o proprietário do principal será,
também, o do acessório. A alternativa está correta, no entanto, trata-se de uma
regra que possui muitas exceções, como por exemplo, as pertenças. As letras
“a” e “d”, possuem afirmações erradas; o correto seria exatamente o inverso do
que foi fornecido na questão. A letra “b” esta errada, pois embora a regra diga
que o acessório segue o principal, há exceções e, portanto, este bem pode ser
desmembrado. Um exemplo disso são as benfeitorias. Fazem parte do principal,
acompanham o principal, mas podem ser desmembradas, separadas ou até
retiradas do principal em algumas hipóteses (retirar o rádio de um carro que
será vendido). Finalmente frutos são bens acessórios, mas não podem ser
considerados como benfeitorias. Frutos são utilidades que a coisa produz
periodicamente, sem alterar o principal. Já as benfeitorias Estas são obras ou
despesas que são feitas em um bem para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-
lo.

04 – Alternativa correta – letra “d”. Trata-se de classificação


doutrinária e legal acerca dos bens. As afirmativas I e II estão corretas. Basta
dar uma rápida olhada no quadro sinótico para se chegar a esta conclusão. Já o
enunciado III está errada, pois os bens reciprocamente considerados se
classificam em Principais e Acessórios.

05 – Alternativa incorreta – letra “e”. Na verdade a única coisa errada


na alternativa é a palavra penhor, que é considerado, como regra, como bem
móvel. Os demais bens citados nesta alternativa realmente são imóveis. E as
demais alternativas também estão corretas. A letra “a” fornece exemplos de
bens imóveis por natureza e a letra “b” de bens imóveis por acessão física
(construções e plantações). A letra “c” está correta (art. 81, II, CC). Da mesma
forma a letra “d” (art. 84, CC).

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06 – Alternativa correta – letra “b”. Na hipótese o contrato de compra


e venda está perfeito, pois o relógio é considerado como um bem móvel (pode
ser transportado de um local para outro sem sua destruição). O contrato de
compra e venda de bens móveis se perfaz com o mero consenso dos
contratantes. Com o consenso, com o acordo das partes, a obrigação já está
assumida; não é necessária a entrega do bem para tornar o contrato perfeito.
Mesmo que o bem ainda não esteja pago, mesmo que ainda não tenha havido a
entrega desse bem. No entanto a propriedade deste relógio (bem móvel)
somente será transmitida com a tradição, que é a entrega do bem. Se fosse um
bem imóvel a propriedade seria transmitida como o registro deste imóvel na
repartição competente.

07 – Alternativa correta – letra “c”. Na prática há muita dificuldade


para se classificar de forma exata as benfeitorias. Por isso os exemplos são bem
estereotipados. Nos exames as questões costumam cair da forma como
colocado nesta questão. Na prática há essa dificuldade por causa da indenização
das benfeitorias. Se serei eu quem irá indenizar, vou alegar que a benfeitoria
realizada (por mais necessária que seja) é voluptuária. Se é você quem está
pedindo a indenização, por mais voluptuária que seja, você vai dizer que ela é
necessária. Além disso, há uma “área cinzenta” em alguns exemplos. A pintura.
Que tipo de benfeitoria é ela? A rigor pode ser qualquer uma delas: é necessária
quando for para uma casa em região muito chuvosa e ela tem a missão de
impermeabilizar o imóvel, evitando a sua deterioração. Pode ser útil, como uma
pintura comum, para melhorar o uso da coisa. Mas uma pintura artística é
considerada como voluptuária. Assim, o conselho é saber o conceito de cada
uma das benfeitorias e os exemplos citados na aula, pois as hipóteses que caem
nos exames são quase sempre os mesmos, como nesta questão.

08 – Alternativa correta – letra “c”. Vimos que os bens públicos são


divididos em: de uso comum do povo, de uso especial e os dominicais (ou
dominiais). Os dois primeiros são inalienáveis enquanto conservarem a sua
qualificação. Já os dominicais podem ser alienados, observadas as exigências
legais (arts 100 e 101 do CC).

09 – Alternativa correta – letra “c”. O dinheiro é um bem fungível (se


eu empresto cem reais, quero receber os mesmos cem reais de volta), podendo,
portanto, ser substituído. Diferentemente de uma nota específica de dinheiro,
pois esta tem um valor determinado, número de série, etc. A nota em dinheiro
somente será considerada infungível para os colecionadores. Já um veículo
(carro, moto, etc.) é considerado, como regra como um bem infungível, pois há
algo nele que irá individualizá-lo, diferenciá-lo dos demais, que é o número do
“chassis”; número do motor, etc. Se empresto o veículo tal, cor tal, número de
chassis tal, quero receber de volta o mesmo veículo e não um outro parecido.
Principalmente por causa da documentação. É essa especialização,
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personalização, individualização que torna um automóvel em um bem


infungível.

10 – Alternativa correta – letra “d”. A transmissão da propriedade dos


bens móveis ocorre com a tradição. No entanto a transmissão da propriedade de
bens imóveis ocorre com o registro da escritura pública. Anteriormente esse
ato se chamava transcrição, palavra que não tem sido mais usada por causa da
Lei de Registros Públicos, mas que ainda pode cair. Vi recentemente essa
palavra (transcrição) cair em um concurso. Por eliminação só poderia ser ela.
Não deveria ter caído... mas caiu! E não foi anulada! No caso em análise o
examinador foi preciso: registro da escritura pública. Notem que quando se
compra um imóvel são realizados dois atos: a escritura pública, feita em um
Tabelião de Notas (que pode ser confeccionado em qualquer lugar do País) e o
registro que é feito no Registro de Imóveis (somente pode ser realizado no local
onde o imóvel estiver situado).

11 – Alternativa correta – letra “b” – Cuidado com a redação dessa


questão, pois ela inicia com uma negativa “Não traduz.....”. Logo deve ser
assinalada a afirmação que está errada, sendo que as demais estão corretas. Na
hipótese a alternativa que não traz uma característica de bem público é aquela
que afirma que os bens dominiais (ou dominicais) podem ser penhorados. Os
bens públicos, sejam eles quais forem, são impenhoráveis e, portanto, também
não podem ser objeto de usucapião (letra “c” correta). Lembrando que os bens
afetados (que têm uma destinação) são inalienáveis e os dominiais podem ser
alienados, dependendo de autorização legislativa (letra “a” correta). Os bens
públicos que possuem uma destinação especial podem ser desafetados. Com
isso se tornam dominicais. E havendo autorização legal podem ser alienados
(letra “d” correta). Finalmente, os bens públicos dominais realmente são os que
constituem o patrimônio disponível da pessoa jurídica de direito público (letra
“e” correta).

12 – Alternativa correta – letra “c”. Para os efeitos legais o direito à


sucessão aberta (a herança, ainda não dividida judicialmente) é considerado
como sendo um bem imóvel (art. 80, II CC), mesmo que os bens deixados pelo
de cujus (falecido) sejam móveis. Os frutos pendentes (ou seja, ainda estão
ligados na árvore) e as árvores são bens imóveis (art. 79); no entanto os frutos
pendentes, apesar de imóveis, podem ser mobilizados (basta arrancar o fruto da
árvore – neste caso ele é chamado de fruto percebido ou colhido – portando a
letra “a” está errada). Os direitos reais sobre os bens imóveis (ex: hipoteca,
usufruto, etc.) são tidos como imóveis para efeitos legais (art. 80, I do CC –
alternativa “b” está errada). Os bens imóveis são sempre infungíveis (não
podem ser substituídos, estão individualizados); já os móveis podem ser
fungíveis (ex: uma caneta tipo “Bic”) ou infungíveis (ex: a caneta que Getúlio
Vargas usou para escrever a “carta testamento”), portanto a letra “d” também
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está errada. Finalmente, como já vimos em questão acima, os direitos autorais


são considerados como bens móveis (art. 83, inciso III CC = letra “e” está
errada).

13 – Alternativa correta – letra “a”. Cuidado com esse tipo de


questão. A questão em si é fácil, mas temos que tomar cuidado com a sua
redação. Vejam que o examinador inicia a questão com a expressão “Não são
considerados...” ou seja, quatro das alternativas estão corretas; o examinador
deseja que se assinale a alternativa errada. Como vimos, o direito à sucessão
aberta é considerado um bem imóvel (art. 80, II CC). As demais alternativas
são bens móveis (confiram os arts. 82/84 CC).

14 – Alternativa incorreta – letra “c”. Esta alternativa fornece o


conceito de bens consumíveis (e não divisíveis), por tal motivo está incorreta.
Observem que o examinador deseja que se assinale a alternativa falsa. Por isso
é esta que deve ser assinalada. A letra “a” está correta: a energia eólica é a
energia produzida pelos ventos. O art. 83 CC prevê que “as energias que
tenham valor econômico” são consideradas como bens móveis; logo a energia
eólica, tendo valor econômico, como mencionado na questão, se encaixa no
conceito fornecido. Letra “b” correta: o art. 85 CC prevê que são fungíveis os
bens que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e
quantidade. As letras “d” e “e” estão corretas, pois são cópias dos arts. 91 e 90
do CC, respectivamente.

15 – Alternativa correta – letra “d”. O Código atual insere as


pertenças na classificação de bens acessórios (art. 93 e 94 CC) e não mais como
“imóveis por acessão intelectual”. Pertenças são bens que, não constituindo
partes integrantes de um bem (como são os frutos, os produtos e as
benfeitorias), se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço da coisa. O
exemplo clássico é o de um trator destinado a uma melhor exploração de uma
propriedade agrícola. Em relação às pertenças, embora seja um bem acessório,
nem sempre pode se usar a regra de que “o acessório segue o principal”. Assim,
quando se tratar de negócio que envolva transferência de propriedade de um
bem que tenha pertenças, é conveniente que as partes se manifestem
expressamente sobre os acessórios, evitando situações dúbias.

16 – Alternativa correta – letra “a”. Vejam a questão anterior que


também fala sobre as pertenças (arts. 93 e 94 CC). A conclusão é a mesma. Só
que esta questão é mais minuciosa sobre o tema. A letra “b” está errada, pois
uma construção nova é chamada de acessão e não de benfeitoria, seja ela da
espécie que for. A letra “c” está errada, pois o bem de família voluntário,
previsto no Código Civil (arts. 1.711 e seguintes) é considerado como coisa fora
do comércio, uma vez que sendo instituído como tal, torna-se inalienável (ou
seja, não pode ser vendido, doado, hipotecado, etc.). Já o “bem de família”

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previsto na Lei 8.009/90 (considerado como legal ou involuntário) não é


classificado como coisa fora do comércio. Ou seja, este bem, embora
considerado “da família” pode ser vendido. O que ocorre é que ele se torna
impenhorável (não pode recair penhora). A letra “d” também está errada, pois a
expressão “entidade familiar”, deve ser usada em seu sentido amplo,
abrangendo não somente o núcleo familiar advindo do casamento com efeitos
civis, com também a união estável entre homem e mulher. Aliás, a própria
Constituição Federal em seu artigo 226, §3º, dispõe que “para efeito de
proteção do Estado é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher
como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”.
Finalmente a letra “e” está errada, pois os prédios das universidades públicas
são classificados como bens públicos de uso especial (e não comum).

17 – Alternativa correta – letra “a”. Conforme vimos, em um grande


tópico da aula, existem duas espécies de Bem de Família: a do Código Civil, que
deve ser registrado pelo interessado (por isso é chamado de voluntário – pois a
pessoa faz se quiser) e o da Lei 8.009/90, que é automático,
independentemente da vontade (por isso é também chamado de legal ou
involuntário). As duas espécies continuam em vigor. Uma completa a outra. Por
isso, as alternativa “b” e “e” estão erradas. A letra “c” está errada, pois afirma
que a espécie do CC é involuntário. Por fim a letra “d” também está errada, pois
afirma que a espécie do CC regulou o bem família voluntário móvel, quando na
verdade o art. 1712 CC prevê que o bem de família consiste em prédio
(qualquer construção imóvel) residencial urbano ou rural, com suas pertenças e
acessórios, destinando-se a domicílio familiar, podendo abranger valores
mobiliários. Portanto a regra é de que o bem deve ser imóvel, mas admite
exceção de bens móveis, quando abrangidos pelo imóvel.

18 – Alternativa correta – letra “e”. Como vimos, o dono do solo é


também o dono do subsolo. No entanto esta regra sofre limitações. O art. 176
da Constituição Federal determina que os recursos minerais (também as jazidas,
recursos hídricos, etc.), constituirão propriedade distinta da do solo, para efeito
de exploração ou aproveitamento, pertencendo tais bens à União. Portanto na
questão (teoricamente falando) a argila pertence à União. O particular vendeu
algo que não é de sua propriedade. Portanto o objeto deste contrato não pode
ser considerado como lícito, pois incidiu sobre bem que não lhe pertencia.
Concluindo, o contrato de compra e venda da argila pactuado como o dono do
solo é nulo de pleno direito.

19 – Alternativa correta – “c”. O direito à sucessão aberta, os direitos


reais sobre os imóveis e as ações que os asseguram, são bens imóveis (art. 80).
A letra “a” está errada, pois os direitos de autor são bens móveis por força de lei
(art. 3º da Lei nº 9.610/98 e art. 83, III do CC). Os materiais provisoriamente
separados de um prédio, para nele mesmo se reempregarem, são considerados
bens imóveis (letra “b” errada – art. 81, II do CC). Os bens que podem ser

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substituídos por outros da mesma espécie, quantidade e qualidade são os


fungíveis (art. 85 CC). Finalmente as energias que tenham valor econômico são
consideradas como bens móveis (art. 83, I CC).

20 – Alternativa correta – “a”. O art. 100 CC determina que os bens


públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis (ou seja,
não podem ser vendidos), enquanto conservarem a sua qualificação. Se
perderem esta qualificação (desafetação), passarão para a categoria de
dominicais (ou dominiais). Já o art. 101 prevê que os dominicais podem ser
alienados, observadas as exigências legais. Exemplo: uma escola pública não
pode ser alienada enquanto escola (é um bem público de uso especial). No
entanto, se a escola for transferida para outro local (havendo a desafetação)
aquele prédio onde funcionava a escola se torna um bem dominical e por isso
pode ser alienado, necessitando de uma lei que autorize essa venda.

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