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GRATIDÃO: o agradecimento é a memória do coração

A tradição judaica transmite este ensinamento:


“Aquele que desfruta de um bem qualquer neste mundo sem dizer antes uma oração de gratidão ou
uma benção, comete uma injustiça”.
A ação de graças está no coração mesmo da liturgia e da oração cristãs. A sorte
e a felicidade do cristão
consistem em poder dar graças a Alguém. Nossos dons não
são pequenas fortunas que
se recolhem ao azar, como objetos encontrados. São
presentes, sinais de um amor que
envolve nossa vida. Esquecer de dizer “obrigado” é passar
ao lado daquilo que consti-
tui sua beleza. “Ali onde não há gratidão, o dom fica perdido” (Bruno Forte).
No início de uma carta de S. Inácio a um de seus primeiros companheiros, Simão
Rodrigues, lemos isto:
“À luz da divina bondade me parece que, embora outros possam pensar de modo
diferente, a ingratidão é o mais abominável
dos pecados aos olhos de nosso Criador e Senhor, e de todas as criaturas capazes de
aproveitar-se em sua divina e eterna
glória. Já que é esquecimento das graças, bens e bençãos recebidas; e além disso
aqui se encontra a causa e começo de todos
os pecados e desgraças. Pelo contrário, a gratidão que reconhece as bênçãos e
bens recebidos é estimada e amada não só na
terra senão também no céu” (18 de março – 1542).

A gratidão é a mais agradável das virtudes, e o mais virtuoso dos prazeres.


A gratidão é um segundo prazer, que prolonga um primeiro, como um eco da
alegria à alegria sentida, co-
mo uma felicidade a mais para um mais de felicidade.
“A gratidão é a celebração do vínculo que une aquele que oferece com aquele que recebe” (Van Breemen).
Portanto, não se há de atribuir tanta importância ao dom a ponto de esquecer o
doador.
“Não é com palavras que tenho maior cuidado de cumprir meu dever de gratidão...
mais que
palavras, vive diante de Deus tudo o que fizestes em meu favor, por seu amor e
reverência”.
(S. Inácio – set.
1539).

O que há de mais simples? Prazer de receber, alegria de ser alegre: gratidão.


A gratidão é dom, é partilha, é amor.
A gratidão nada tem a dar, além do prazer de ter recebido.
Que virtude mais leve, mais luminosa, mais humilde, mais feliz!!!
Grandeza da gratidão, pequenez do ser humano.
O egoísta é ingrato não porque não goste de receber, mas porque não gosta de
reconhecer o que deve ao outro, e a gratidão é esse reconhecimento; não gosta
de retribuir, e a gratidão, de fato, retribui com o agradecimento.
O que a gratidão dá? Ela dá a si mesma: como um eco da alegria, pelo que ela é
amor, pelo que ela é par-
tilha, pelo que ela é dom.
A gratidão se regozija com o que aconteceu, ou com o que é; ela é o inverso do
arrependimento ou da
nostalgia (que sofrem com um passado que foi, ou que não é mais).
A gratidão (cháris) é essa alegria da memória, esse amor do passado –
lembrança alegre do que foi. É o
tempo reencontrado.
O reconhecimento é um conhecimento; é por aí que ela
alcança a verdade, que é
eterna e a habita. Gratidão = desfrutar a eternidade.
A gratidão é alegria, a gratidão é amor. É por isso que ela se aproxima da
caridade, que seria como uma
gratidão sem causa, uma gratidão incondicional (cf. André Comte
Sponville – Pequeno trata-
do das grandes Virtudes)

Textos bíblicos: Lc. 17,11-19 1Tim. 1,12-17