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A Responsabilidade Socio-ambiental da Produção Agropecuária Brasileira

Eder Zanetti. Eng Florestal, doutorando.

Robson Zanetti. Advogado, Msc.

Conservador é o que conserva; favorável a manutenção de uma


determinada situação, quem se opoe a mudanças radicais.
Conservadorismo é a defesa da manutenção da ordem social ou ordem
política existente,
em contraposição às forças que buscam a inovação.
A atitude conservadora também pode ser entendida como uma reação
defensiva,
visando à preservação do status quo,
em oposição às tentativas de mudança ou ruptura.

Na parábola dos talentos, Jesus Cristo ensinou a humanidade a


necessidade de aproveitar os benefícios concedidos por Deus, para fazer produzir
e multiplicar seus efeitos. Na oportunidade, ele demonstrou com maestria que
daquele que não fizer uso dos talentos, para realizar tudo o que estiver ao seu
alcance de forma a contribuir para vicejar os dons divinos: “tirar-se-lhe-á mesmo o
que pareça ter; e seja esse servidor inútil lançado nas trevas exteriores, onde
haverá prantos e ranger de dentes" ( Mateus, 25 :14 a 30 ).

A discussão atual na política rural brasileira, principalmente referente ao


Código Florestal, remete de forma incisiva para essa realidade. O Brasil tem uma
enorme responsabilidade socioambiental com o restante da humanidade, e está
deixando ela de lado em nome de um conservadorismo exacerbado. Vejamos o
quadro em que se insere a produção agropecuária brasileira.
Do ponto de vista global, temos hoje 1 bilhão de pessoas que passam
fome, em uma população de 6,7 bilhões. O crescimento populacional acelerou depois
da revolução agrícola e industrial, considerando o modelo de fertilidade média, a
população mundial vai atingir 9,4 bi em 2050. A população mundial deve continuar
crescendo até 2200, chegando a estabilização com 10,7 bilhões de habitantes.

Em consequencia disso, dos quase 8 ha que haviam disponíveis para cada


habitante do mundo, hoje restam 1,7 ha / hab, e serão 1,6 ha /hab em 2050. Para
a agricultura, eram 1,1 ha / hab em 1960, e em 2030 serão menos de 0,3 ha / hab.
O mundo encolheu, o que exige muito mais critério e responsabilidade na sua
utilização, um compromisso com a humanidade.
Em diversos locais do mundo a restrição causada por esse encolhimento já
são evidentes, falta terra para cultivar alimentos e falta água, pilares fundamentais
para a sobrevivência das pessoas. O mundo hoje tem 3,4 bilhões ha de pastagens
naturais e cultivadas e, pouco mais de 1,4 bilhões ha que são formados de terras
aráveis, plenamente utilizáveis para agricultura. Outros 30% (3,9 bilhões ha), são
ocupados por florestas, dos quais algo como 140 milhões ha de plantações, o
restante são áreas naturais. Ou seja, a área disponível para a agricultura é uma
pequena fração (cerca de 30%), do que há de florestas naturais. A capacidade de
produzir alimentos é fundamental para a seguridade da sociedade e manutenção
ambiental. Se não puder utilizar as áreas agriculturáveis, a população tende a
buscar as áreas com restrições, normalmente frágeis do ponto de vista ambiental
e com baixa produtividade, comprometendo a sustentabilidade financeira e social
da atividade.

Países como Índia já utilizaram toda a sua área disponível para agricultura,
enquanto a Argentina, China e Europa possuem reservas de menos de 10% em
seus territórios (Europa 60 milhões ha, Argentina 44 milhões ha e China 38
milhões ha), enquanto a Rússia e EUA menos de 15% (Rússia 88 milhões ha e
EUA 81 milhões ha). O Brasil é o único país do mundo que ocupou até hoje
apenas de 16% dos seus quase 400 milhões de terras aráveis, mantendo um
estoque de 332 milhões ha – 52% de toda a área passível de utilização para esse
fim no planeta. Vale lembrar que o Brasil tem uma cobertura de florestas naturais
de quase 60% do seu território, são 500 milhões ha para essa finalidade, com
apenas algo como 6-7 milhões ha de plantações florestais.

Além disso, o nosso país é ainda privilegiado com a maior abundância de


água no planeta (12-18%), sendo um dos 9 países que detem 60 % de toda a
água doce do mundo. A água das chuvas é responsável por 80% de toda
produção agropecuária do mundo, e no Brasil por mais de 90%.

Portanto, temos Terra e Água de sobra para nosso país, e para contribuir
para o balanço da produção de alimentos do mundo. Além de contarmos com a
maior cobertura florestal e biodiversidade do planeta. São “talentos” naturais,
fornecidos por Deus para os homens do Brasil. Do ponto de vista dos impactos
ambientais, é muito melhor causar impactos em áreas de abundância de recursos
naturais (com estoques grandes de biodiversidade, água e Terra, por exemplo), do
que em áreas já consolidadas e convertidas. O impacto nas segundas é muito
maior, enquanto o impacto nas primeiras é perfeitamente absorvido pela natureza.

O Brasil possui grande parcela da população incapaz de atender às suas


necessidades básicas e a distribuição de renda é uma das mais desiguais do mundo. O
Coeficiente de Gini do Brasil – que mede a distribuição de renda, é melhor apenas
que a Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africa, Serra Leoa, Botsuana,
Lesoto e Namíbia. A concentração de renda permaneceu praticamente inalterada
durante as últimas quatro décadas, com seus índices oscilando dentre as 10
últimas posições do mundo.

Sobre a conversão de áreas de florestas naturais para outros usos, mais de


74% ocorrem por substituição para usos mais rentáveis (agropecuária e
plantações florestais, por exemplo), 14% pelo excesso de exploração de madeira
e 11% pelo uso energético da biomassa. Ou seja, converter florestas para outros
usos é uma forma de contribuir e aumentar a renda da população, em 100% dos
casos.

O Agricultor foi o primeiro ecologista que apareceu no mundo. Foi ele que
aprendeu a observar os ciclos naturais das chuvas, as estações do ano e o
comportamento das plantas e animais, para então passar a cultivá-los. Foi assim
que a agricultura e pecuária contribuiram para tirar a humanidade da sina de
coletores e caçadores, sem residência fixa, que migravam para onde houvesse
alimento e água, e permitiu que hoje 50% da população viva nas cidades. Não há
cidades sem agricultura.

Deixar que um grupo de conservadores, que ainda estão na infância do


entendimento da natureza, inadivertidamente atente contra a produção
agropecuária brasileira, é o equivalmente a permitir que sejam enterrados os
talentos nacionais. Sem usar os talentos da maneira adequada, estamos
comentendo um pecado contra a humanidade e, de acordo com os ensinamentos
bíblicos, nos colocando à mercê da dominação por aqueles que sabem utilizar
desses talentos com maior propriedade.

Dessa forma, artifícios como Reserva Legal, que destitui da produção


agropecuária parcelas significativas das propriedades rurais, combinando com
ações contra o desmatamento, são formas de evitar que seja praticada a justiça
social, ambiental e economica. A produção não pode mais ser encarada com uma
forma de destruir a natureza, ao contrário, ela precisa ser reconhecida e
estimulada como a melhor forma de construir uma natureza que seja ambiental,
social e economicamente justa para todos.

O conservadorismo que o país emprega como motivo para deixar de


produzir, gera pressões nos preços mundiais de alimentos e um baixíssimo
coeficiente de uso da água disponível, além de diminuir oportunidades para que a
nossa própria população possa alcançar uma melhor distribuição de renda.