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RECURSOS EM ESPÉCIE

1) Agravo de Instrumento

Diferentemente do CPC/73, agora só cabe Agravo de Instrumento de decisão


interlocutória que estiver prevista no rol do art. 1.015, sendo irrelevante se há ou não perigo
de dano/urgência. Vejamos as hipóteses de cabimento:
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
I - tutelas provisórias;
II - mérito do processo;
III - rejeição da alegação de convenção de arbitragem;
IV - incidente de desconsideração da personalidade jurídica;
V - rejeição do pedido de gratuidade da justiça ou acolhimento do pedido de sua revogação;
VI - exibição ou posse de documento ou coisa;
VII - exclusão de litisconsorte;
VIII - rejeição do pedido de limitação do litisconsórcio;
IX - admissão ou inadmissão de intervenção de terceiros;
X - concessão, modificação ou revogação do efeito suspensivo aos embargos à execução;
XI - redistribuição do ônus da prova nos termos do art. 373, § 1o;
XII - (VETADO);
XIII - outros casos expressamente referidos em lei.

Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas
na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no
processo de inventário.

Dessa maneira, a regra é que as decisões interlocutórias que não estiverem previstas
como agraváveis (nesse rol acima ou em outra previsão legal) são irrecorríveis DE IMEDIATO.
No CPC/73, podíamos usar o Agravo Retido, mas esse recurso foi ABOLIDO do nosso sistema
no novo CPC, como vocês sabem.

O NCPC consagrou, assim, a irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias1,


que só se aplica, atenção, no PROCESSO DE CONHECIMENTO (v. parágrafo único). Perceba que
a irrecorribilidade é apenas imediata; isto quer dizer que a decisão não é irrecorrível em
absoluto, pois ela poderá ser recorrida na forma do art. 1009 §1º, isto é, quando da
interposição da Apelação contra a decisão final.
§ 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar
agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de
apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões .

Veja um resumo sobre as principais hipóteses de cabimento do AI:

1
A irrecorribilidade imediata de decisões intermediárias é uma característica de procedimentos que se
pretendem mais céleres, razão pela qual já era adotada no Processo do Trabalho e no procedimento dos
Juizados Especiais, por exemplo.
Etapa/processo Decisão Recurso cabível
LIQUIDAÇÃO ou CUMPRIMENTO DE QUALQUER decisão interlocutória Agravo de Instrumento
SENTENÇA,
PROCESSO DE EXECUÇÃO ou
PROCESSO DE INVENTÁRIO ->
PROCESSO de CONHECIMENTO - Decisão interlocutória prevista Agravo de Instrumento
nos incisos do art. 1015
- Outras decisões previstas em leis
esparsas (art. 1015, XIII)
- Julgamento parcial conforme o
estado do processo (art. 354, §ú)
- Julgamento parcial de mérito (art.
356, §5º)
- art. 1037, §13, I (também se
aplica no caso do art. 982, I –
Enunciado 557 FPPC)
- art. 1027, §1º (recurso ordinário
2
no STJ)
- Decisão interlocutória não Irrecorrível de imediato, só por
PROCESSO de CONHECIMENTO prevista no art. 1.015 e sem preliminar de Apelação ou
qualquer outra previsão legal contrarrazões, nf. art. 1009 §1º
expressa de cabimento de AI

Peças Obrigatórias e Facultativas:

No agravo de instrumento o recorrente terá que instruir o seu recurso com cópias de
peças dos autos do processo. O recorrente formará um “instrumento” para que o tribunal
conheça da causa. Essas cópias que formam o instrumento podem ser divididas em:

- Obrigatórias: são aquelas impostas por lei (art. 1017, I). Nesse ponto, importante destacar
que o NCPC, seguindo a jurisprudência do STJ, passou a admitir que outros documentos oficiais
pudessem servir para comprovar a tempestividade do recurso, para além da certidão de
intimação da decisão agravada.

Ademais, o NCPC ampliou o rol, passando a prever como cópias obrigatórias também a petição
inicial, a contestação e a petição que ensejou a decisão agravada.

NCPC, Art. 1.017. A petição de agravo de instrumento será instruída:


I - obrigatoriamente, com cópias da petição inicial, da contestação, da petição que ensejou a
decisão agravada, da própria decisão agravada, da certidão da respectiva intimação ou outro
documento oficial que comprove a tempestividade e das procurações outorgadas aos advogados
do agravante e do agravado;

- Facultativas: são cópias opcionais, sendo faculdade do agravante a sua juntada.

No CPC73, a falta de cópias obrigatórias levava à INADMISSÃO do recurso, não


podendo ser suprida a posteriori.

No NCPC, o art. 1017, §3º prevê que, na falta da cópia de QUALQUER PEÇA, deve o
relator aplicar o art. 923, PU, que traz a importante regra de que, antes de inadmitir o recurso,

2
Embora esse artigo remeta novamente ao art 1015, o Código fez questão de frisar, por isso
reproduzimos.
deve ser dado um prazo de 5 dias para a correção do vício de admissibilidade ou
complementação de documentos. Assim, até mesmo a falta de peças obrigatórias poderia ser
sanada.

Outra novidade é o art. 1017, §5º, que prevê que quando os autos forem eletrônicos
fica dispensada a apresentação de cópias do agravo de instrumento.

§ 3o Na falta da cópia de qualquer peça ou no caso de algum outro vício que comprometa a
admissibilidade do agravo de instrumento, deve o relator aplicar o disposto no art. 932,
parágrafo único.
§ 4o Se o recurso for interposto por sistema de transmissão de dados tipo fac-símile ou similar, as
peças devem ser juntadas no momento de protocolo da petição original.
§ 5o Sendo eletrônicos os autos do processo, dispensam-se as peças referidas nos incisos I e II do
caput, facultando-se ao agravante anexar outros documentos que entender úteis para a
compreensão da controvérsia.

O art. 1018 do NCPC ainda prevê a comunicação da interposição do agravo de


instrumento ao juiz de 1º grau no prazo de TRÊS DIAS.

Art. 1.018. O agravante poderá requerer a juntada, aos autos do processo, de cópia da petição
do agravo de instrumento, do comprovante de sua interposição e da relação dos documentos
que instruíram o recurso.
§ 2o Não sendo eletrônicos os autos, o agravante tomará a providência prevista no caput, no
prazo de 3 (três) dias a contar da interposição do agravo de instrumento.

O fundamento dessa exigência é o de possibilitar o juízo de retratação pelo órgão


prolator da decisão, uma vez que o AI é recurso dotado de efeito regressivo.

Não cumprida essa exigência, qual a consequência jurídica?


No CPC73, a falta de comunicação levava à inadmissão do recurso, desde que arguido
e provado pelo agravado. O NCPC, no entanto, menciona que o agravante PODERÁ requerer a
juntada do comprovante de inadmissão. Pelo caput do art. 1018 não haveria um dever de
comunicação, sob pena de inadmissão. No entanto, o §2º menciona que, não sendo os autos
eletrônicos, haveria um dever. Ademais, o §3º estabelece que a falta dessa providência, se
arguida pela parte, levará à inadmissão do recurso. Desse modo, no processo eletrônico essa
exigência não irá levar à inadmissão do recurso. A exigência só levaria à inadmissão nos
processos físicos, e desde que arguido pela parte.

2) Apelação

A regra geral de cabimento continua a mesma: Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.

Mas cabe Apelação de decisão interlocutória? SIM, na forma do art. 1009 §1º, quando o
vencido na demanda apela impugnando decisão interlocutória não agravável proferida
anteriormente no processo.
§ 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar
agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de
apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões.
§ 2o Se as questões referidas no § 1o forem suscitadas em contrarrazões, o recorrente será
intimado para, em 15 (quinze) dias, manifestar-se a respeito delas. – contrarrazões das
contrarrazões.
Efeitos SUSPENSIVO na Apelação

A regra da apelação continua sendo o duplo efeito, tendo efeito suspensivo ope legis,
por força de regra expressa do art. 1012, caput. No entanto, o §1º traz algumas exceções,
casos em que a apelação será recebida somente em seu efeito devolutivo, podendo haver o
pedido de cumprimento provisório logo após a publicação da sentença.
Art. 1.012. A apelação terá efeito suspensivo.

§ 1o Além de outras hipóteses previstas em lei, começa a produzir efeitos imediatamente após a
sua publicação a sentença que:
I - homologa divisão ou demarcação de terras;
II - condena a pagar alimentos;
III - extingue sem resolução do mérito ou julga improcedentes os embargos do executado;
IV - julga procedente o pedido de instituição de arbitragem
V - confirma, concede ou revoga tutela provisória;
VI - decreta a interdição.

§ 2o Nos casos do § 1o, o apelado poderá promover o pedido de cumprimento provisório depois
de publicada a sentença.

Não obstante, nestes casos em que a apelação será recebida sem efeito suspensivo,
poderá haver a concessão de efeito suspensivo “ope judicis”, quando houver: (i) requerimento
da parte nesse sentido ao relator ou ao tribunal; (ii) probabilidade de provimento do recurso e;
(iii) da decisão puder resultar dano grave ou de difícil reparação.
§ 3o O pedido de concessão de efeito suspensivo nas hipóteses do § 1o poderá ser formulado por
requerimento dirigido ao:

I - tribunal, no período compreendido entre a interposição da apelação e sua distribuição,


ficando o relator designado para seu exame prevento para julgá-la;

II - relator, se já distribuída a apelação.

§ 4o Nas hipóteses do § 1o, a eficácia da sentença poderá ser suspensa pelo relator se o apelante
demonstrar a probabilidade de provimento do recurso ou se, sendo relevante a fundamentação,
houver risco de dano grave ou de difícil reparação.

Efeito DEVOLUTIVO na Apelação:

O efeito devolutivo pode ser dividido em 2 espécies:


- Efeito devolutivo horizontal (no plano da extensão)
- Efeito devolutivo vertical (no plano da profundidade)

Os efeitos sobre as matérias devolvidas no plano vertical são diferentes dos efeitos
sobre as matérias devolvidas no plano horizontal.

Mas quais matérias são enviadas pelo tribunal no efeito devolutivo horizontal e quais são
enviadas no devolutivo vertical?
No plano da extensão, devolvem-se ao tribunal os PEDIDOS formulados pelo autor. No
plano da profundidade, devolvem-se ao tribunal os ARGUMENTOS das partes sobre esses
pedidos.
Ex: Ação pleiteando dano moral e dano material.
São 2 pedidos, e cada um deles tem seus argumentos (Ex: dano material 
responsabilidade civil subjetiva alegada pelo autor e culpa exclusiva da vítima alegada pelo
réu).

No plano da extensão, devolvem-se os pedidos (dano moral e dano material). Já no


plano da profundidade, devolvem-se os argumentos (responsabilidade civil subjetiva e culpa
exclusiva da vítima).

E qual a importância disso?


No plano da extensão quem define quais são os pedidos devolvidos ao tribunal é o
APELANTE. Se ele recorrer do dano moral e dano material, o tribunal aprecia os 2. Mas se ele
recorrer só do dano material, o tribunal não pode apreciar o dano moral.

Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada.

Em outras palavras, o tribunal só pode conhecer do que está na apelação. É o princípio


do “tantum devolutum quantum appellatum”, segundo o qual só se devolve ao tribunal o que
foi impugnado na apelação. Mas CUIDADO: esse princípio só vale para o efeito devolutivo
HORIZONTAL.

No efeito devolutivo VERTICAL quem define os argumentos devolvidos é a própria LEI.


E a lei diz que todos os argumentos são devolvidos ao tribunal, desde que relativos ao capítulo
impugnado.

§ 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas
e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao
capítulo impugnado.
§ 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um
deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais.

Por isso é importante distinguir o efeito horizontal do vertical. No exemplo, ainda que
só se recorra do dano material, os argumentos são devolvidos por inteiro. Todos os
argumentos suscitados para o pedido de dano material são devolvidos ao tribunal, ainda que
não tratados na sentença ou na apelação.

Teoria da Causa Madura

É a possibilidade de apreciação do mérito da demanda diretamente em grau de


apelação, quando a causa estiver em condições de imediato julgamento. O art. 1013, §3º do
NCPC trouxe algumas mudanças na sistemática da teoria da causa madura. Em primeiro lugar,
o NCPC deixa de exigir que a demanda seja exclusivamente de direito. Basta que o processo
esteja “em condições de imediato julgamento”, esteja ele tratando de matéria fática ou de
direito.

Ademais, são ampliadas as hipóteses de aplicação da teoria da causa madura. Não é


mais requisito que a sentença seja terminativa, mas apenas que se enquadre nas hipóteses do
§3º e 4º do art. 1013:
§ 3o Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o
mérito quando:

I - reformar sentença fundada no art. 485;


II - decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa
de pedir;
III - constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgá-lo;
IV - decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação.

§ 4o Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível,


julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de
primeiro grau.

O inciso I traz a já conhecida hipótese de sentença terminativa, que continua sendo um


caso de cabimento da teoria da causa madura.
O inciso IV trata da questão da nulidade de sentença por falta de fundamentação.
Nesse caso, é possível a aplicação da teoria da causa madura para que haja a sanatória desse
vício, de modo que a apelação leve à reforma da sentença, e não à sua anulação.
Os incisos II e III tratam de situações correlatas, relativas a vícios de congruência
(sentença que não se atém ao pedido e à causa de pedir ou quando há omissão em algum dos
pedidos  nesse último caso, é possível que haja o julgamento do pedido faltante
diretamente pelo tribunal).

Por fim, o §4° ainda traz uma outra hipótese: a sentença que reconhece decadência ou
prescrição também pode ser reformada por um acórdão de mérito, sem necessidade de
anulação para o julgamento da pretensão em 1º grau.

A teoria da causa madura aplica-se ao julgamento de agravo de instrumento?


Tal teoria sempre foi pensada no caso de julgamento da apelação, até mesmo por se
encontrar disciplinada no capítulo referente a este recurso. Contudo, a doutrina e o STJ
entendem pela aplicabilidade da teoria da causa madura também ao julgamento do agravo de
instrumento (vide o recente REsp 1.215.368-ES, noticiado no Informativo nº 590). Sobre o
tema, colhem-se a precisas lições de Daniel Assumpção:

"Conforme se nota da expressa previsão do art. 1.013, § 3.º, I, do Novo CPC, a norma diz
respeito à apelação, sabidamente uma das espécies recursais. Ocorre, entretanto, que parcela
considerável da doutrina entende ser a regra pertencente à teoria geral dos recursos. Dessa
forma, defende-se a aplicação da regra em todo e qualquer recurso, em especial no agravo de
instrumento (...)" (NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo CPC comentado. Salvador:
Juspodivm, 2016, p. 1.680).

A aplicação da teoria da causa madura pode desrespeitar o princípio da “non reformatio in


pejus”?
A aplicação da teoria da causa madura PODE sim gerar reforma para pior. Ela pode
gerar uma piora da situação do apelante, sendo uma exceção ao princípio da “non reformatio
in pejus”.
Quando a sentença era sem resolução de mérito na 1ª instancia, o pretenso apelante
poderia propor a ação novamente, em virtude de inexistir coisa julgada material, mas tão
somente formal.
Mas se ele apela dessa sentença e o tribunal julga diretamente o mérito com base na
teoria da causa madura, haverá coisa julgada material e o sujeito não poderá propor
novamente a ação.
A teoria da causa madura pode ser aplicada sem pedido expresso do apelante, de ofício pelo
tribunal?
1ª corrente: Didier defende que não, pois a teoria da causa madura pode piorar a situação do
apelante. Por isso, ele precisa ter pedido o julgamento de mérito pelo tribunal. Se ele só pediu
a anulação da sentença, não poderia o tribunal adentrar ao mérito.
2ª corrente: Já Alexandre Camara e Dinamarco entendem que pode sim, pois ainda que o
apelante não tenha feito pedido expresso, a lei (no art. 1013, §3º) impôs o ônus da parte de
suportar essa possibilidade.

O STJ adota essa segunda corrente e entende pela possibilidade de aplicação de ofício
da teoria da causa madura (AgRg no REsp: 1192287 SP).

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSOESPECIAL. EMBARGOS À


EXECUÇÃO. ICMS. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃOCONFIGURADA. SENTENÇA PROFERIDA
SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. ARTIGO 515,§ 3º, DO CPC. APLICABILIDADE DA TEORIA DA CAUSA
MADURA. (...). 2. Ademais, consoante entendimento pacífico do STJ, extinto o processo sem
julgamento de mérito, o Tribunal pode de imediato julgar o feito, ainda que inexista pedido
expresso nesse sentido, caso a controvérsia trate de questão de direito, tese conhecida como
teoria da causa madura. 3. Agravo regimental não provido. (STJ - AgRg no REsp: 1192287 SP
2009/0101676-4, Relator: Ministro BENEDITO GONÇALVES, Data de Julgamento: 03/05/2011, T1
- PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/05/2011)

3) Agravo Interno

É o recurso cabível em face das decisões monocráticas do relator. Enquanto o Agravo de


Instrumento só cabe de determinadas decisões interlocutórias (art. 1015), o Agravo Interno,
ao menos pela literalidade do NCPC, cabe em face de qualquer decisão proferida pelo
RELATOR. (v. art. 1021.). Para a doutrina majoritária, o cabimento do Agravo Interno não mais
se limita às decisões monocráticas que negam seguimento ou dão provimento ao recurso,
conforme previa o CPC73.
Art. 1.021. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão
colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal.

§ 1o Na petição de agravo interno, o recorrente impugnará especificadamente os fundamentos


da decisão agravada.

§ 2o O agravo será dirigido ao relator, que intimará o agravado para manifestar-se sobre o
recurso no prazo de 15 (quinze) dias, ao final do qual, não havendo retratação, o relator levá-lo-á
a julgamento pelo órgão colegiado, com inclusão em pauta.

§ 3o É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada para


julgar improcedente o agravo interno.

O NCPC ainda estabelece uma MULTA para o caso de agravo interno reconhecido
como manifestamente inadmissível ou improcedente, a ser fixada no valor de 1 a 5% do valor
da causa. Para tanto, exige-se que a votação pela inadmissão ou improcedência tenha sido
unânime.

§ 4o Quando o agravo interno for declarado manifestamente inadmissível ou improcedente em


votação unânime, o órgão colegiado, em decisão fundamentada, condenará o agravante a pagar
ao agravado multa fixada entre um e cinco por cento do valor atualizado da causa.
O §5º do art. 1021 prevê ainda que o depósito da multa em juízo é condição para a
interposição de outros recursos. O NCPC, no entanto, excepciona a fazenda pública e o
beneficiário da justiça gratuita, que farão o recolhimento da multa ao final do processo.

§ 5o A interposição de qualquer outro recurso está condicionada ao depósito prévio do valor da


multa prevista no § 4o, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça,
que farão o pagamento ao final.

 ATENÇÃO  Súmula 568 do STJ: “O relator, monocraticamente e no Superior


Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver
entendimento dominante acerca do tema”

O CPC não prevê essa hipótese (entendimento dominante) de decisão monocrática do


relator, mas o STJ admite decisão proferida no seu âmbito com base apenas nisso, nos termos
do art. 34 do Regimento Interno, já com a redação atualizada ao novo Código.

 Sustentação oral - agora é possível em agravo interno, mas somente em três


situações, previstas no art. 937, §3º.

 É vedado ao relator limitar-se à reprodução dos fundamentos da decisão agravada


para julgar improcedente o agravo interno. Em outras palavras, o relator não pode
“copiar e colar” a decisão agravada. Sobre o tema, veja o Informativo 592 do STJ:
“É vedado ao relator limitar-se a reproduzir a decisão agravada para julgar
improcedente o agravo interno. Cingiu-se a controvérsia a decidir sobre a invalidade
do julgamento proferido, por ausência de fundamentação, a caracterizar violação do
art. 489, § 1º, IV, do CPC/2015. Sustentou-se que tribunal de origem, ao julgar o agravo
regimental que interpusera, limitou-se a reproduzir a decisão monocrática do relator,
sem enfrentar os argumentos deduzidos, capazes de alterar o resultado do
julgamento. Conquanto o julgador não esteja obrigado a rebater, com minúcias, cada
um dos argumentos deduzidos pelas partes, o novo Código de Processo Civil,
exaltando os princípios da cooperação e do contraditório, impõe-lhe o dever, dentre
outros, de enfrentar todas as questões capazes de, por si sós e em tese, infirmar a
sua conclusão sobre os pedidos formulados, sob pena de se reputar não
fundamentada a decisão proferida (art. 489, § 1º, IV). Ademais, conforme prevê o §
3º do art. 1.021 do CPC/2015, é vedado ao relator limitar-se a reproduzir a decisão
agravada para julgar improcedente o agravo interno, ainda que “com o fito de evitar
tautologia”.

4) Embargos de Declaração:

Conforme já estudado no início da apostila, os Embargos de Declaração possuem a


finalidade de esclarecimento ou de integração da decisão, e não de reforma ou anulação.
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a
requerimento;
III - corrigir erro material.
Os EDs são um recurso de fundamentação vinculada, pois deverá se fundamentar nos
vícios previstos em lei:

- Omissão (quando o judiciário deixa de se pronunciar sobre algo que deveria ter sido
enfrentado).

O art. 1022 do NCPC fala inclusive em omissão quanto às questões cognoscíveis de


ofício, que o judiciário teria o dever de enfrentar (Ex: manifestação sobre falta de condição da
ação, prescrição etc), mesmo sem a alegação das partes. Também pode ser uma omissão
quanto a um pedido de demanda (Ex: sentença citra petita)

O p.ú. do art. 1022 também considera como omissa a decisão que deixa de se
manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou incidentes de assunção
de competência aplicáveis ao caso (o juiz, ao decidir, tem o dever de enfrentar a questão, seja
para aplicar o precedente ou seja para rejeitá-lo), bem como a decisão que incorrer em alguma
das condutas previstas no §1º do 489 (que trouxe exigências para que qualquer decisão
judicial seja considerada fundamentada)
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:

II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a
requerimento;

Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:

I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em


incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento;

II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1o .

- Obscuridade: quando a decisão judicial é ininteligível, incompreensível (Ex: dispositivo não


menciona de forma clara se é procedente ou improcedente o pedido).

- Contradição: quando há um conflito interno na decisão judicial (não é conflito com um outro
argumento deduzido no processo ou contradição com a legislação -> isso, em verdade, seria
um mero inconformismo). Ex: a fundamentação vai toda pela procedência e o juiz julga
improcedente.

O NCPC ainda traz uma 4ª hipótese de cabimento de EDs: para corrigir erro material. É
aquele erro não intencional e que não compromete o sentido da decisão (Ex: erro no nome da
parte ou no número do processo).

Prazos nos EDs:

5 dias (úteis) para a oposição, como regra. No caso de litisconsortes ou de pessoa ou órgão
com prerrogativa de prazo (a exemplo da fazenda pública e do MP), o prazo é contado em
dobro.

Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz,
com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo.
§ 1o Aplica-se aos embargos de declaração o art. 229.
No caso de embargos com efeitos modificativos, a parte contrária deve ser intimada
para manifestar-se em 5 dias.

§ 2o O juiz intimará o embargado para, querendo, manifestar-se, no prazo de 5 (cinco) dias,


sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão
embargada.

Nos tribunais, os EDs opostos em face de decisão do relator poderão ser recebidos
como Agravo Interno. Para tanto, deve o recorrente ser intimado para complementar as
razões recursais no prazo de 5 dias.
Art. 1024, § 3o O órgão julgador conhecerá dos embargos de declaração como agravo interno se
entender ser este o recurso cabível, desde que determine previamente a intimação do recorrente
para, no prazo de 5 (cinco) dias, complementar as razões recursais, de modo a ajustá-las às
exigências do art. 1.021, § 1o.

Outro prazo importante e que pode gerar confusão é o do art. 1024, §4º, de 15 dias,
para que o embargado complemente as razões de recurso já interposto, no caso de
acolhimento dos EDs com efeitos modificativos. Trata-se de aplicação concreta do PRINCÍPIO
DA COMPLEMENTARIDADE.
§ 4o Caso o acolhimento dos embargos de declaração implique modificação da decisão
embargada, o embargado que já tiver interposto outro recurso contra a decisão originária tem o
direito de complementar ou alterar suas razões, nos exatos limites da modificação, no prazo de
15 (quinze) dias, contado da intimação da decisão dos embargos de declaração.

“Pelo princípio da complementaridade, consagrado expressamente no art. 1.024, § 3º, do Novo


CPC, a parte recorrente poderá complementar as razões de recurso já interposto sempre que no
julgamento dos embargos de declaração opostos pela parte contrária for criada uma nova
sucumbência. Essa complementação, entretanto, será limitada à nova sucumbência, de forma
que, sendo parcial o recurso já interposto, não poderá o recorrente aproveitar-se do princípio
para impugnar parcela da decisão que já deveria ter impugnado originariamente” (NEVES,
Daniel Amorim Assumpção. Manual de Processo Civil)

Por fim, destaque-se que se os EDs forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do
julgamento anterior, não há necessidade de ratificação do recurso outrora interposto, de
modo que houve a SUPERAÇÃO DA SÚM. 418 STJ.3
Art. 1024.
§ 5o Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a conclusão do
julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação do julgamento
dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente de ratificação.

OBSERVAÇÃO: Agora, nos Juizados Especiais da Lei 9099/95, os ED também interrompem o


prazo para o recurso (arts. 1026 e art. 1066).
Art. 1.026. Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para
a interposição de recurso.

3
Em sessão do dia 01/07, o STJ cancelou a sua Súmula 418, a qual dizia que seria "inadmissível o recurso especial
interposto antes da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação", texto que havia
se tornado prejudicado com o NCPC. Na mesma oportunidade, o tribunal aprovou a recentíssima Súmula 579, com
o seguinte texto: "Não é necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência do julgamento dos
embargos de declaração quando inalterado o julgamento anterior”.
Efeito suspensivo nos EDs:

Os EDs não possuem efeito suspensivo, mas o juiz poderá suspender a eficácia da
decisão se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a
fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação (efeito suspensivo “ope
judicis”).

§ 1o A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou
relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a
fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação.

Multa por EDs protelatórios:

Para coibir o exercício abusivo dos EDs, o art. 1026, §2º do NCPC estabelece que o juiz
condenará o embargante ao pagamento de multa de até 2% em caso de embargos
protelatórios.

§ 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em


decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a
dois por cento sobre o valor atualizado da causa.

O recolhimento dessa multa, diferentemente do que ocorre com o agravo interno, não
é considerado condição para interposição de outros recursos. Apenas na REITERAÇÃO dos
embargos protelatórios é que essa multa será majorada até 10% e seu recolhimento passará a
ser considerado condição (art. 1026, §3º).

§ 3o Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada


a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará
condicionada ao depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário
de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final.(*)

(*) Contrariando entendimento anterior do STJ, agora a Fazenda não está condicionada ao
pagamento da multa nesse caso; a multa é devida sim, mas não impede interposição de
recurso.

§ 4o Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido
considerados protelatórios. – O 3º ED protelatório será inadmitido.

5) Recursos Especial e Extraordinário:

De acordo com Barbosa Moreira, seriam espécie do gênero “Recursos Extraordinários”,


que buscam a análise de direito objetivo, e não rever a justiça da decisão diretamente. O
objetivo desses recursos é a análise de ofensa a normas jurídicas pela decisão recorrida.
Assim, teríamos duas espécies de “Recursos Extraordinários”:
- Recurso Especial: buscando verificar eventual ofensa à lei federal.
- Recurso Extraordinário: proteção à Constituição.

Esses recursos possuem algumas características comuns:


- Efeito devolutivo RESTRITO: tais recursos possuem efeito devolutivo limitado à análise de
questões de direito.
- Vedação ao reexame de matéria fática. Nesse sentido, temos as súmulas 7 do STJ e 279 do
STF, entendendo que não cabe o reexame de provas ou de fatos no âmbito desses recursos.

OBSERVAÇÃO: O STJ, em sede de recurso especial, admite 2 exceções, em que, para o


tribunal, não seria reexame de matéria fática, mas sim controle da qualificação jurídica dos
fatos. São os casos de:
. indenizações por dano moral exorbitantes ou irrisórias.
. multas coercitivas para o cumprimento de obrigação (astreintes), que poderiam ser reduzidas
em sede de Resp, quando muito elevadas.
Seriam questões de política judiciária para evitar a indústria do dano moral ou o
enriquecimento sem causa.

- Vedação à interpretação de cláusula contratual (súmulas 5 do STJ e 454 do STF).


Nestes casos, a ofensa à Constituição ou a lei seria meramente indireta.

- Necessidade de esgotamento das instâncias ordinárias para a sua interposição.


Essa característica decorre da excepcionalidade desses recursos, que devem ser a última
hipótese para o jurisdicionado.
Essa característica é retirada do art. 102, III e 105, III da CF, que colocam o cabimento do Rext e
Resp contra decisão de única ou última instância.
Desse modo, da decisão monocrática de relator, como cabe agravo interno, não será cabível
recurso extraordinário ou especial.

- Necessidade de interposição simultânea dos recursos se o acórdão recorrido tiver


fundamento suficiente tanto em lei federal como na Constituição. (Súmula 126 do STJ)
Seria uma exceção à unirrecorribilidade dos recursos. Se apenas um dos recursos for
manejado, esse recurso será insuficiente para atacar a decisão, pois o outro fundamento, por
si só, tem o condão de levar à manutenção ou reforma da decisão.

SÚMULA 126: É inadmissível Recurso Especial, quando o acórdão recorrido assenta em


fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só,
para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta Recurso Extraordinário.

Nesse caso, o primeiro recurso a ser analisado, como regra, é o especial, conforme art.
1031.

Art. 1.031. Na hipótese de interposição conjunta de recurso extraordinário e recurso


especial, os autos serão remetidos ao Superior Tribunal de Justiça.
o
§ 1 Concluído o julgamento do recurso especial, os autos serão remetidos ao Supremo
Tribunal Federal para apreciação do recurso extraordinário, se este não estiver
prejudicado.

Contudo, se o relator do recurso especial considerar que o recurso extraordinário é


prejudicial àquele, poderá sobrestar o julgamento do Resp e, em decisão irrecorrível remeter
os autos ao STF. Diante disto, o relator do Rext poderá negar que existe tal prejudicialidade
(também em decisão irrecorrível), devolvendo os autos ao STJ para julgamento do recurso
especial. Veja que a última palavra sobre a existência de prejudicialidade ou não é do STF, por
meio do relator do Rext.
o
§ 2 Se o relator do recurso especial considerar prejudicial o recurso extraordinário, em
decisão irrecorrível, sobrestará o julgamento e remeterá os autos ao Supremo Tribunal
Federal.
o o
§ 3 Na hipótese do § 2 , se o relator do recurso extraordinário, em decisão irrecorrível,
rejeitar a prejudicialidade, devolverá os autos ao Superior Tribunal de Justiça para o
julgamento do recurso especial.

Indo além, os arts. 1032 e 1033 trazem uma espécie de fungibilidade caso a parte
interponha o recurso incorreto. No entanto, a fim de evitar que tal fungibilidade se torne
inócua diante de uma futura inadmissão, o recorrente deve ser intimado para adequar o
recurso. Assim, por exemplo, se o relator do Resp entender que é caso de Rext, deve conceder
prazo à parte para que demonstre a repercussão geral e se manifeste sobre a questão
constitucional.

Art. 1.032. Se o relator, no Superior Tribunal de Justiça, entender que o recurso


especial versa sobre questão constitucional, deverá conceder prazo de 15 (quinze) dias
para que o recorrente demonstre a existência de repercussão geral e se manifeste
sobre a questão constitucional.
Parágrafo único. Cumprida a diligência de que trata o caput, o relator remeterá o
recurso ao Supremo Tribunal Federal, que, em juízo de admissibilidade, poderá
devolvê-lo ao Superior Tribunal de Justiça.

Art. 1.033. Se o Supremo Tribunal Federal considerar como reflexa a ofensa à


Constituição afirmada no recurso extraordinário, por pressupor a revisão da
interpretação de lei federal ou de tratado, remetê-lo-á ao Superior Tribunal de Justiça
para julgamento como recurso especial.

Prequestionamento:

Não possui previsão expressa em lei, sendo uma construção feita pela jurisprudência
dos tribunais superiores. Para a doutrina majoritária (Ex: Marinoni), o prequestionamento
consiste na necessidade de a parte ventilar, nas instâncias ordinárias, a matéria que será
objeto de recurso especial ou extraordinário. É um ônus da parte trazer para discussão na
instancia ordinária aquela questão de lei federal ou norma constitucional que será objeto do
recurso futuro.

A jurisprudência clássica do STF e do STJ, no entanto, entende que o


prequestionamento consiste na exigência de que a questão objeto do recurso especial ou
extraordinário tenha sido decidida nas instâncias ordinárias. O fundamento seria a redação da
própria Constituição, que fala em “causas DECIDIDAS em única ou última instância”.

Para a doutrina, então, o prequestionamento seria efetivado por uma conduta da


PARTE. Porém, para os tribunais superiores, o presquestionamento dependeria de uma
conduta do JUDICIÁRIO.

Diante desse raciocínio dos tribunais superiores, temos 2 espécies de


prequestionamento que são admitidas pelos tribunais superiores:

- Prequestionamento explícito: é aquele que é realizado através da manifestação do tribunal


recorrido sobre a questão objeto do recurso excepcional, com expressa menção ao dispositivo
legal ou constitucional supostamente violado.

Ex: acórdão do TJ trata, dentre outras coisas, da taxa de juros aplicável à condenação da
fazenda. O acordão menciona que deve ser aplicada a taxa prevista no Código Civil, pois a taxa
de juros prevista no art. 1º-F da L9494 seria inconstitucional. Nesse caso, estaria cumprido o
prequestionamento explícito.

- Prequestionamento implícito: é aquele que se considera realizado pela manifestação do


tribunal recorrido na decisão sobre a questão objeto do recurso excepcional, mas sem menção
ao dispositivo legal ou constitucional supostamente violado.

Ex: no caso acima, o acordão recorrido apenas fala que seria inconstitucional aplicar outra taxa
prevista em lei especial, que não a do Código Civil. Nesse caso, teria havido um
prequestionamento implícito.

O STF, em alguns precedentes, ainda admite uma 3ª espécie de prequestionamento,


que seria o prequestionamento FICTO, que se considera realizado pela mera oposição de
embargos de declaração pelo jurisdicionado.

O STJ, no entanto, não aceitava o prequestionamento ficto, à luz do CPC/73. Assim,


para o STJ, a parte precisaria interpor RESP alegando violação ao antigo art. 535 do CPC/73,
buscando a anulação do acórdão dos embargos. Tal raciocínio sempre foi criticável, pois
ofendia a duração razoável do processo e a economia processual.

O Novo CPC, no entanto, no art. 1025, consagra o prequestionamento ficto,


considerando incluídos no acordão os elementos que o embargante suscitou para fins de
prequestionamento, ainda que os EDs venham a ser inadmitidos ou rejeitados.

Art. 1.025. Consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para
fins de pré-questionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou
rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou
obscuridade.

Qual a natureza jurídica do prequestionamento?


Para uma primeira corrente, o prequestionamento é exigido como um requisito
ESPECÍFICO de admissibilidade dos recursos.
No entanto, José Miguel Garcia Medina defende que o prequestionamento se insere
no cabimento dos recursos extraordinários, de modo que estes só serão cabíveis se atenderem
ao prequestionamento. Adotando uma corrente ou outra, o prequestionamento está no
âmbito da ADMISSIBILIDADE desses recursos.

Repercussão Geral:

É a exigência de que o recurso extraordinário supere os interesses puramente


subjetivos de recorrente e recorrido. Como o recurso é excepcional, deve transcender ao
interesse das partes. A EC45 trouxe essa exigência no art. 103, §3º a fim de tentar combater a
“crise dos tribunais superiores” (incapacidade de os tribunais superiores darem uma solução
para os recursos que chegam até eles em tempo hábil).

CRFB, Art. 103, § 3º No recurso extraordinário o recorrente deverá demonstrar a repercussão


geral das questões constitucionais discutidas no caso, nos termos da lei, a fim de que o Tribunal
examine a admissão do recurso, somente podendo recusá-lo pela manifestação de dois terços de
seus membros.
No NCPC, está regulamentada a partir do art. 1035. Neste dispositivo são previstas 2
“espécies” de repercussão geral:

- Repercussão geral necessária: é aquela que independe de juízo de valor por parte do STF (art.
1035, §3º). Presente uma das hipóteses listadas em lei, o STF terá que admiti-la, como se fosse
um repercussão geral presumida.
o
§ 3 Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar acórdão que:
I - contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal;
II - tenha sido proferido em julgamento de casos repetitivos;
II – (Revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência)
III - tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal, nos termos do art. 97
da Constituição Federal.

Com a revogação do inciso II, temos hoje 2 casos de repercussão geral


presumida: (I) contrariedade à súmula ou jurisprudência dominante do STF; (II)
reconhecimento de inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal pela decisão recorrida.

- Repercussão geral por relevância e transcendência (art. 1035, §1º): se dá em virtude de haver
no recurso questão relevante do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico.
Ademais, deve haver a chamada transcendência (o recurso deve ultrapassar o interesse das
partes). Marinoni traz 2 espécies de transcendência: quantitativa e qualitativa; na primeira, a
questão ultrapassa os interesses subjetivos da causa por ter um EFEITO MULTIPLICADOR sobre
outras demandas (Ex: demandas de massa, como demandas previdenciárias ou de servidores).
Já na transcendência qualitativa, a questão ultrapassa os interesses subjetivos por possuir uma
fundamentalidade para a coletividade.

A repercussão geral é um requisito de admissibilidade que deve ser analisado


exclusivamente pelo STF (art. 102, §3° -> a repercussão geral só pode ser negada por decisão
de 2/3 dos membros do STF).

No entanto, o art. 1035, §2º prevê a necessidade de o recorrente demonstrar o


requisito da repercussão geral, de modo que os tribunais locais podem fazer um controle
formal, podendo inadmitir o recurso pela fala de demonstração do requisito. Eles não podem
avaliar se a repercussão geral existe ou não, mas apenas se a parte cumpriu a exigência de
demonstração.

A decisão sobre a repercussão geral terá eficácia para outros recursos extraordinários
que tratem da mesma questão (eficácia panprocessual). Nesse sentido, temos o art. 1035, §8º,
que prevê a inadmissão dos recursos extraordinários que tratarem da mesma questão, quando
negada a existência de repercussão geral.
o
§ 8 Negada a repercussão geral, o presidente ou o vice-presidente do tribunal de origem negará
seguimento aos recursos extraordinários sobrestados na origem que versem sobre matéria
idêntica.

Em virtude dessa importância, é possível a intervenção de amici curiae (art. 1035, §4º
do NCPC).
o
§ 4 O relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros,
subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal
Federal.

De acordo com o NCPC (art. 1035, §5º), o relator do Rext no STF, reconhecendo a
repercussão geral, irá determinar a suspensão de todos os processos individuais e coletivos
pendentes sobre a matéria que tramitem no país. É uma inovação, pois antes a existência de
Rext ou Resp repetitivos só levaria à suspensão de outros RECURSOS que tratavam da matéria,
conforme literalidade do CPC/73. A ideia é tentar trazer uma cultura de precedentes,
conferindo igualdade de tratamento para causas que tratem da mesma questão de direito.
o
§ 5 Reconhecida a repercussão geral, o relator no Supremo Tribunal Federal determinará a
suspensão do processamento de todos os processos pendentes, individuais ou coletivos, que
versem sobre a questão e tramitem no território nacional.

No entanto, essa suspensão se dará por no máximo 1 ano e o julgamento terá


preferência sobre outros processos, salvo os que envolverem réu preso e habeas corpus
(§9º). Ocorre que o §10º, que previa que a suspensão cessava automaticamente com o
decurso desse prazo de 1 ano, foi revogado pela L13256/16.
o
§ 9 O recurso que tiver a repercussão geral reconhecida deverá ser julgado no prazo de 1 (um)
ano e terá preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os
pedidos de habeas corpus.
§ 10. Não ocorrendo o julgamento no prazo de 1 (um) ano a contar do reconhecimento da
repercussão geral, cessa, em todo o território nacional, a suspensão dos processos, que
retomarão seu curso normal.
§ 10. (Revogado).

Ademais, primando pela celeridade e pela economia processual, o §6º prevê a


possibilidade de um requerimento ao presidente ou vice-presidente do tribunal local para que
este exclua da decisão de sobrestamento os recursos que forem INTEMPESTIVOS. Como tais
recursos sequer seriam admitidos, revela-se correta a previsão, facultando-se à parte que tiver
o recurso inadmitido a interposição de Agravo Interno (§7º).
o
§ 6 O interessado pode requerer, ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal de origem, que
exclua da decisão de sobrestamento e inadmita o recurso extraordinário que tenha sido
interposto intempestivamente, tendo o recorrente o prazo de 5 (cinco) dias para manifestar-se
sobre esse requerimento.

§ 7º Da decisão que indeferir o requerimento referido no § 6º ou que aplicar entendimento


firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos caberá
agravo interno.

Efeito Suspensivo nos Recursos Extraordinários:

O RE e o RESP são recursos dotados somente de efeito devolutivo, de modo que o


efeito suspensivo somente pode ser “ope judicis”.

A quem deve ser pedido o efeito suspensivo? Ao tribunal superior ou ao tribunal


recorrido? Ao relator ou ao Presidente? Vejamos as regras, que sofreram alterações com a
L13256/16.
o
§ 5 O pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso extraordinário ou a recurso especial
poderá ser formulado por requerimento dirigido:
I – ao tribunal superior respectivo, no período compreendido entre a publicação da decisão de
admissão do recurso e sua distribuição, ficando o relator designado para seu exame prevento
para julgá-lo; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016)
II - ao relator, se já distribuído o recurso;
III – ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal recorrido, no período compreendido entre a
interposição do recurso e a publicação da decisão de admissão do recurso, assim como no caso
de o recurso ter sido sobrestado, nos termos do art. 1.037. (Redação dada pela Lei nº
13.256, de 2016) (Vigência)

Em suma, o pedido de efeito suspensivo só será dirigido ao tribunal superior caso o recurso já
tenha sido admitido. Vejamos um quadro esquemático, para facilitar.

PERÍODO: O PEDIDO DEVE SER DIRIGIDO A(O):


Entre a interposição do recurso e a publicação da Presidente ou Vice-presidente do
decisão de admissão Tribunal recorrido (o tribunal local).
Entre a publicação da decisão de admissão do Tribunal Superior
recurso e sua distribuição
Após a distribuição Relator do recurso
Se o recurso estiver sobrestado Presidente ou Vice-presidente do
tribunal recorrido.

Exemplo: O Estado do Rio de Janeiro, vencido em segundo grau, interpõe recurso especial
alegando violação de lei federal pelo acórdão. Ainda não houve decisão sobre a
admissibilidade do recurso. Com isso, pretendendo evitar a produção de efeitos da decisão
que lhe foi desfavorável, o pedido de efeito suspensivo deve ser dirigido ao Presidente ou
Vice-Presidente do TJ-RJ.

Exemplo 2: O Estado do Rio de Janeiro, vencido em segundo grau, interpõe recurso especial
alegando violação de lei federal pelo acórdão. Contudo, o STJ afetou a questão tratada no
recurso como uma questão repetitiva, nos termos do art. 1037, e determinou a suspensão de
todos os RESp que versavam sobre a matéria. Diante disto, pretendendo evitar a produção de
efeitos da decisão que lhe foi desfavorável, o pedido de efeito suspensivo também deve ser
dirigido à 3ª Vice-Presidência, uma vez que o recurso do Estado está sobrestado.

Admissibilidade dos Recursos Extraordinários:

Originalmente, o CPC/15 também previu a ideia de juízo uno de admissibilidade aos


recursos especiais e extraordinários, que deveria ser realizado somente pelos tribunais
superiores. Contudo, a L13256/16 restaurou o duplo juízo de admissibilidade para o Resp e
RE, conforme veremos a seguir.

Em síntese, após apresentação das contrarrazões pelo recorrido, o Resp ou RE será


encaminhado ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal local, que poderá:

(I) negar seguimento ao recurso, quando:


- O Rext discuta questão constitucional à qual o STF não tenha reconhecido a
existência de repercussão geral.
- O acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgamento do STF em sede de
repercussão geral.
- O acórdão recorrido estiver em conformidade com o julgamento do STF ou do STJ em
sede de recursos repetitivos.

(II) encaminhar o processo ao órgão julgador para realização do juízo de retratação, se o


acórdão recorrido divergir do entendimento do STF ou STJ em julgamentos em RG ou recursos
repetitivos.

(III) sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo ainda não decidida
pelo STF ou STJ.

(IV) selecionar o recurso como representativo de controvérsia constitucional ou


infraconstitucional, nos termos do § 6º do art. 1.036.

(V) realizar o juízo de admissibilidade e, se positivo, remeter o feito ao STF ou STJ, desde que:
a) o recurso ainda não tenha sido submetido ao regime de repercussão geral ou de
julgamento de recursos repetitivos;
b) o recurso tenha sido selecionado como representativo da controvérsia; ou
c) o tribunal recorrido tenha refutado o juízo de retratação.

Qual o recurso cabível da decisão do Presidente do Tribunal?


DEPENDE. No caso dos incisos I e III (negativa de seguimento e sobrestamento do
recurso), será cabível agravo INTERNO, objetivando levar a questão para o Plenário do tribunal
LOCAL.
Já no caso do inciso V (decisão acerca do juízo de admissibilidade), caberá, como regra,
Agravo ao tribunal SUPERIOR, que será julgado na forma do art. 1042 (próximo recurso que
estudaremos).

§ 1º Da decisão de inadmissibilidade proferida com fundamento no inciso V caberá agravo ao


tribunal superior, nos termos do art. 1.042. (Incluído pela Lei nº 13.256, de
2016) (Vigência)
§ 2º Da decisão proferida com fundamento nos incisos I e III caberá agravo interno, nos termos
do art. 1.021. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência)

6) Agravo contra decisão que inadmite RE/RESP:

Trata-se de recurso voltado a combater a decisão de inadmissibilidade do RE/RESp pelo


Presidente do tribunal recorrido.
Art. 1.042. Cabe agravo contra decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal recorrido
que inadmitir recurso extraordinário ou recurso especial, SALVO QUANDO fundada na aplicação de
entendimento firmado em regime de repercussão geral ou em julgamento de recursos repetitivos.
(Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016)

OBSERVAÇÃO: Nas duas hipóteses finais não caberá o Agravo do art. 1042, mas
ainda poderá caber o Agravo Interno, nos moldes do art. 1021.

Procedimento:
A petição do agravo em RE/RESP será dirigida ao presidente ou ao vice-presidente do tribunal
de origem, mas o juízo de admissibilidade é feito pelo tribunal superior competente. (v.
art .1042 § 4º). Veja, portanto, que quem julga o Agravo do art. 1042 é o tribunal SUPERIOR,
não podendo este recurso ser confundido com o Agravo Interno dos arts. 1030, §2º e art. 1021
(julgado pelo tribunal local, como visto).

OBSERVAÇÃO: Na hipótese de interposição conjunta de recursos extraordinário e especial, o


agravante deverá interpor um agravo para cada recurso não admitido.

7) Embargos de Divergência:

Trata-se de recurso que tem por objetivo a uniformização da jurisprudência nos tribunais
superiores.

Para tanto, o acórdão recorrido deve ser comparado com um acórdão paradigma, de
modo a demonstrar uma similitude fática entre os mesmos. Em outras palavras, a divergência
entre o acórdão a ser objeto dos embargos e o paradigma (com o qual será feito o cotejo, a
comparação) não basta ser alegada, devendo ser comprovada. Neste sentido, clara é a
previsão do art. 1043, §4º:
o
§ 4 O recorrente provará a divergência com certidão, cópia ou citação de repositório oficial ou
credenciado de jurisprudência, inclusive em mídia eletrônica, onde foi publicado o acórdão
divergente, ou com a reprodução de julgado disponível na rede mundial de computadores,
indicando a respectiva fonte, e mencionará as circunstâncias que identificam ou assemelham os
casos confrontados.

As hipóteses de cabimento estão previstas no art. 1043 do CPC/15, o qual sofreu


alterações com a L13256/16:

Art. 1.043. É embargável o acórdão de órgão fracionário que:


I - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro
órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, de mérito;
II - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro
órgão do mesmo tribunal, sendo os acórdãos, embargado e paradigma, relativos ao juízo de
admissibilidade; (Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016)
III - em recurso extraordinário ou em recurso especial, divergir do julgamento de qualquer outro
órgão do mesmo tribunal, sendo um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido do
recurso, embora tenha apreciado a controvérsia;
IV - nos processos de competência originária, divergir do julgamento de qualquer outro órgão do
mesmo tribunal. (Revogado pela Lei nº 13.256, de 2016)

De início, frise-se que a comparação pode se dar tanto entre acórdãos de mérito
(inciso I) quanto entre um acórdão de mérito e outro que não tenha conhecido o recurso, mas
que tenha apreciado a controvérsia (inciso II). Assim, verifica-se a necessidade de ambos os
acórdãos ao menos terem apreciado a controvérsia, não bastando que sejam, por exemplo,
relativos ao juízo de admissibilidade, uma vez que inciso II foi revogado.

Ademais, com a revogação do inciso IV, não são mais cabíveis os embargos de
divergência nos processos de competência originária dos tribunais. Assim, os embargos de
divergência são sempre ajuizados contra decisões colegiadas em julgamento em recurso
especial ou extraordinário, não cabendo também em face de decisões monocráticas.
No entanto, nada impede que as teses jurídicas a serem confrontadas estejam em um
acórdão em julgamento em ações de competência originária! Cuidado com o §3º do art. 1043:
o
§ 1 Poderão ser confrontadas teses jurídicas contidas em julgamentos de recursos e de ações
de competência originária.

Cabem embargos de divergência em julgamento de Agravo?


SIM. A Súmula 599 do STF foi cancelada, devendo hoje prevalecer a redação da Súmula 319 do
STJ: “Cabem embargos de divergência contra acórdão que, em agravo regimental, decide
recurso especial.” O restante do parágrafo está correto

É cabível embargos de divergência entre acórdãos oriundos da mesma turma?


SIM. À luz do CPC/73 o STJ entendia pela impossibilidade de o acórdão recorrido e o
paradigma serem da mesma turma, ainda que a sua composição tivesse sido alterada
(Informativo 457). Contudo, a partir do CPC/15, o art. 1043 passou a prever que a divergência
pode se dar em relação a qualquer outro órgão do mesmo tribunal. Ademais, o §3º do mesmo
artigo trouxe regra expressa sobre o tema, mencionando ser cabível divergência em face de
acórdão da mesma turma, desde que sua composição tenha sido alterada em mais da metade
de seus membros.
o
§ 3 Cabem embargos de divergência quando o acórdão paradigma for da mesma turma que
proferiu a decisão embargada, desde que sua composição tenha sofrido alteração em mais da
metade de seus membros.

A divergência pode se dar sobre questão meramente processual?


SIM. Nos termos do §2º do art. 1043, a divergência que autoriza a interposição de embargos
de divergência pode verificar-se na aplicação do direito material ou processual.
o
§ 2 A divergência que autoriza a interposição de embargos de divergência pode verificar-se na
aplicação do direito material ou do direito processual.

OBSERVAÇÃO: o art. 1.043, § 5.º, do Novo CPC vedava ao órgão jurisdicional a inadmissão do
recurso com base em fundamento genérico de que as circunstâncias fáticas são diferentes,
sem demonstrar a existência da distinção. Havia, portanto, uma dupla exigência: uma voltada
ao recorrente, que deve demonstrar a similitude fática entre os acórdãos, e outra voltada ao
órgão julgador, que deveria fazer a distinção dos acórdãos comparados pelo recorrente para
poder inadmiti-los. Contudo, tal previsão foi revogada pela L13256/16, que retirou o dever
judicial de devidamente fundamentar a inadmissão do recurso por ausência de similitude
fática entre o julgamento recorrido e o paradigma.

OBSERVAÇÃO²: a divergência, que será objeto do recurso de embargos de divergência, deve


necessariamente ser ATUAL (vide AgRg no EResp 507). Se o entendimento do acórdão
paradigma já tiver sido superado pela jurisprudência mais recente do tribunal, não será cabível
o recurso de embargos de divergência.

 Por fim: cadê os Embargos Infringentes?

R: Não estão mais previstos no NCPC. Em substituição aos Embargos Infringentes, tem-se hoje
a técnica de ampliação de colegiado, que será agora aprofundada.
O NCPC extinguiu os embargos infringentes, mas trouxe a técnica de ampliação de colegiado
(art. 942) para algumas hipóteses de julgamentos proferidos nos tribunais.

Art. 942. Quando o resultado da apelação for não unânime, o julgamento terá prosseguimento
em sessão a ser designada com a presença de outros julgadores, que serão convocados nos
termos previamente definidos no regimento interno, em número suficiente para garantir a
possibilidade de inversão do resultado inicial, assegurado às partes e a eventuais terceiros o
direito de sustentar oralmente suas razões perante os novos julgadores.

§ 1o Sendo possível, o prosseguimento do julgamento dar-se-á na mesma sessão, colhendo-se os


votos de outros julgadores que porventura componham o órgão colegiado.

§ 2o Os julgadores que já tiverem votado poderão rever seus votos por ocasião do
prosseguimento do julgamento.

§ 3o A técnica de julgamento prevista neste artigo aplica-se, igualmente, ao julgamento não


unânime proferido em:

I - ação rescisória, quando o resultado for a rescisão da sentença, devendo, nesse caso, seu
prosseguimento ocorrer em órgão de maior composição previsto no regimento interno;
II - agravo de instrumento, quando houver reforma da decisão que julgar parcialmente o mérito.

§ 4o Não se aplica o disposto neste artigo ao julgamento:

I - do incidente de assunção de competência e ao de resolução de demandas repetitivas;


II - da remessa necessária;
III - não unânime proferido, nos tribunais, pelo plenário ou pela corte especial.

Pelo caput, quando o julgamento da apelação não for unânime, será continuado o
julgamento em outra sessão, com a presença de um número de julgadores que possam
reverter o julgamento (Ex: se o resultado foi 2x1, precisaria de mais 2 desembargadores para
tentar reverter o julgamento). Nessa nova sessão haverá inclusive a possibilidade de uma nova
sustentação oral, para tentar convencer os outros desembargadores, que atuarão como vogais
(só tomam conhecimento do processo na hora do julgamento). Em outras palavras, não haverá
um recurso, mas sim uma automática ampliação do colegiado (no exemplo, de 3 para 5
desembargadores).

O 942, §3º ainda traz outros dois casos em que será aplicável a técnica:
- Quando houver julgamento não unanime de ação rescisória, que tenha como resultado a
rescisão da sentença. Nesse caso, o julgamento deverá seguir em órgão colegiado de maior
composição (Ex: órgão especial), conforme previsto em regimento interno.
- Em caso de julgamento não unanime de AGRAVO DE INSTRUMENTO, quando houver reforma
da decisão que julgar parcialmente o mérito.

A doutrina tem discutido a previsão do caput, que fala em julgamento não unânime de
apelação, mas sem mencionar a necessidade de julgamento pela reforma (como ocorria no
cabimento dos Embargos Infringentes, no CPC/73).
Só que como o §3º fala na necessidade de julgamento pela reforma para o agravo de
instrumento, defende-se que também seja necessário o julgamento não unânime pela reforma
no caso da apelação. Assim, não seria todo julgamento não unanime de apelação que levaria à
aplicação dessa técnica, mas tão somente o julgamento pela reforma, interpretando-se o
caput sistematicamente com o §3º.
O §4º traz hipóteses de DISPENSA da técnica de ampliação:
- Julgamento não unanime proferido pelo PLENÁRIO ou CORTE ESPECIAL.
- Julgamento de Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas e de incidente de assunção
de competência. São incidentes próprios para formação de precedentes e que, via de regra, já
são julgados por órgão de maior composição no tribunal, em um procedimento diferenciado.
- Reexame necessário: como não se trata de um recurso, o legislador afastou a aplicação da
técnica de ampliação de colegiado.
Importante mencionar que, à luz do CPC/73, o STJ já havia pacificado o entendimento (Sumula
390) no sentido de que não caberia embargos infringentes de acórdão em reexame necessário.

OUTROS PONTOS IMPORTANTES SOBRE RECURSOS:

 Houve a extinção da figura do revisor nos Tribunais no NCPC! Neste sentido, a banca CESPE
considerou INCORRETA a seguinte assertiva, na prova da PGM-BH: “O papel do revisor no
julgamento de apelação foi ampliado com o advento do novo CPC”

Contudo, o STJ entende que a figura do ministro revisor continua a existir nas AÇÕES
RESCISÓRIAS de sua competência originária, pois continua em pleno vigor o artigo 40 da Lei
8.038/90. De acordo com o STJ, “Embora o CPC/2015 tenha suprimido a revisão como regra
geral no processo civil e tenha também revogado explicitamente diversos preceitos da Lei
8.038/90, não o fez quanto ao artigo 40, que permanece em vigor e, por isso, as ações
rescisórias processadas e julgadas originalmente no Superior Tribunal de Justiça continuam a
submeter-se a tal fase procedimental” (STJ. CORTE ESPECIAL. AR 5241. Rel. Min. Mauro
Campbell Marques. Julg. 05.04.2017)