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Asma

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O que é asma?
A asma é uma doença crónica e heterogénea provocada por inflamação das vias aéreas.
É caracterizada pela existência de sintomas respiratórios, tais como: sibilância, falta de ar,
aperto no peito e tosse, que variam ao longo do tempo e de intensidade, associados a uma
limitação do fluxo aéreo expiratório variável (medido através de um exame que se chama
espirometria). Veja mais informação em sintomas de asma.

A asma, também denominada de asma brônquica ou bronquite asmática, é das


doenças respiratórias crónicas mais comuns em todo o mundo e com maior aumento de
incidência nos últimos trinta anos. Estima-se que uma em cada vinte pessoas sofra de
asma.

Asma - causas
A asma é provocada por uma complexa relação entre factores genéticos e ambientais, tais
como: infeções víricas, alérgenos e agentes ocupacionais que influenciam não só o seu
aparecimento como a sua progressão.

As causas ou “gatilhos” que desencadeiam frequentemente as crises são as seguintes:

 Infeções víricas (constipações);


 Exercício físico;
 Exposição a alérgenos;
 Mudanças no clima;
 Risos;
 Substâncias irritantes (fumo, poluição ou cheiros fortes).

Asma infantil, no adulto


Habitualmente descrevemos três tipos de asma infantil:

1. Pieira infantil transitória que ocorre durante os primeiros meses de vida, mas não
se prolonga além dos três anos. Estas crianças não têm história familiar de atopia e têm um
bom prognóstico;
2. O segundo tipo é a pieira não atópica em bébé, em idade pré-escolar, após uma
infeção respiratória;
3. O terceiro tipo de asma na criança é a sibilância atópica persistente em crianças
que continuam com pieira após os 10 anos e têm alergias e hiperreatividade brônquica.

Muitas crianças têm uma evolução favorável com remissão espontânea na adolescência,
mas pode surgir novamente na idade adulta. Este tipo de asma no adulto é uma asma
predominantemente alérgica.

Tipos de asma
A asma é uma doença heterogénea com diferentes processos subjacentes. O conjunto de
características demográficas, clínicas e/ou fisiopatológicas são frequentemente chamadas
de fenótipos de asma. No entanto, até à data, não foi estabelecida uma relação forte entre
as características patológicas específicas e os padrões clínicos específicos com a resposta
ao tratamento. São necessárias mais pesquisas para que a classificação fenotípica na
asma tenha utilidade clínica.

Muitos fenótipos foram identificados, alguns dos mais comuns incluem:

Asma alérgica

A asma alérgica ou asma atópica é o fenótipo de asma mais facilmente reconhecido, que


muitas vezes começa na infância – (asma infantil), e está associada a história do passado
e/ou familiar de doença atópica, tal como o eczema, rinite alérgica ou alergia a alimentos
ou medicamentos.

O exame da expectoração induzida desses doentes, antes do tratamento, muitas vezes,


revela inflamação eosinofílica das vias aéreas. Os doentes com este tipo da asma
geralmente respondem bem ao tratamento com corticosteróides inalados (popularmente
denominados de “bomba para asma”).

Este tipo de asma também foi denominada de asma extrínseca. A divisão entre asma
intrínseca e asma extrínseca foi efectuada pela primeira vez em 1947 por Rakeman, no
entanto, atualmente são termos que caíram em desuso.

Asma não alérgica

Alguns adultos têm asma que não está associada com a alergia. O perfil celular da
expectoração desses doentes pode ser neutrofílica, eosinofílica ou conter apenas algumas
células inflamatórias. Os doentes com asma não alérgica, muitas vezes, não respondem
tão bem ao tratamento com corticosteróide inalado. Este tipo de asma é também
denominada asma intrínseca.

Asma de inicio tardio (adulto)

Alguns adultos, especialmente mulheres, apresentam-se com asma, pela primeira vez na
idade adulta. Na maioria dos casos, tende a ser não-alérgica, e muitas vezes necessitam
de doses mais elevadas de corticoides ou são relativamente refratários a este tratamento.

Asma com obstrução fixa

Alguns doentes com asma de longa data desenvolvem limitação fixa do fluxo aéreo, devida
à inflamação persistente e consequente “cicatrização” da parede das vias respiratórias.

Asma e obesidade

Alguns doentes obesos (excesso de peso) com asma têm sintomas respiratórios
proeminentes e pouca inflamação eosinofílica das vias aéreas.

Asma ocupacional

A asma ocupacional ou asma laboral, ou seja, adquirida no local de trabalho pode ser


induzida ou (mais frequentemente) agravada pela exposição a alérgenos ou outros
agentes sensibilizadores no trabalho. A rinite ocupacional pode preceder a asma um ano
antes. Estima-se que 5-20% dos novos casos de asma de início no adulto possa ser
atribuído à exposição ocupacional. Deste modo, a asma de início na idade adulta requer
uma investigação sistemática da história profissional e exposições, incluindo hobbies.

Na asma ocupacional, os seus sintomas melhoram quando o doente está afastado do local
de trabalho (fins de semana ou férias). Isto é importante para confirmar o diagnóstico de
asma ocupacional, pois pode levar o doente a mudar a sua profissão, o que pode ter
implicações legais e socioeconómicos. Geralmente, é necessária a monitorização da
função pulmonar no trabalho e afastado do mesmo para confirmar o diagnóstico.

Asma induzida pelo exercício físico

O exercício físico é um importante estímulo para desencadear sintomas de asma e


habitualmente a broncoconstrição e a sintomatologia pioram logo após terminar o exercício
(asma de esforço). Esta entidade é aplicada apenas quando os sintomas de asma se
relacionam exclusivamente com o exercício físico. Daí que, o diagnóstico de asma em
atletas deve ser confirmado por testes de função pulmonar, geralmente com teste de
provocação brônquica, dado existirem certas doenças que podem imitar ou estarem
associadas à asma de exercício, como rinite, distúrbios da laringe (por exemplo, disfunção
das cordas vocais), respiração disfuncional, doenças cardíacas e o excesso de treino.

Saiba, de seguida, quais são os sintomas de asma.

Asma - sintomas
Existem sinais e sintomas respiratórios típicos de asma e quando presentes, aumentam a
probabilidade de estarmos na presença de um doente asmático:

 Mais de um sintoma (sibilos, falta de ar, tosse, aperto no peito), especialmente em


adultos. Os sibilos são popularmente denominados de “pieira”, “chiadeira”, “gatos”,
“farfalheira”, entre outros;
 Os sintomas, muitas vezes, pioram à noite ou no início da manhã; daí ser muitas
vezes denominada por asma nocturna;
 Os sintomas variam ao longo do tempo e de intensidade;
 Os sintomas são desencadeados por infeções víricas (constipações), exercício
físico, exposição a alérgenos, mudanças no clima, risos e substâncias irritantes (fumo,
poluição ou cheiros fortes).

Todavia, as características que a seguir apresentamos reduzem a probabilidade de que se


tratem de sintomas respiratórios associados à asma:

 Tosse isolada, sem outros sintomas respiratórios;


 Produção crónica de expectoração - a tosse asmática é caracteristicamente seca;
 Falta de ar associada a tonturas, sensação de desmaio ou formigueiro nas mãos e
nos pés (parestesia). Esta situação associa-se mais a asma emocional ou crise histérica;
 Dor no peito;
 Dispneia induzida pelo exercício com a inspiração ruidosa (diferente da asma
induzida pelo exercício físico).

Asma - diagnóstico
O diagnóstico da asma é baseado na identificação da associação de um padrão
característico de sintomas respiratórios como pieira, falta de ar (dispneia), aperto torácico
e tosse, com a documentação de uma limitação do fluxo aéreo expiratório variável (através
de um exame de espirometria).

Se possível, a espirometria de apoio diagnóstico de asma deve ser efetuada quando


surgem os sintomas iniciais, pois os sintomas de asma, de uma forma geral podem
melhorar espontaneamente ou com tratamento. Torna-se mais difícil confirmar o
diagnóstico de asma quando o doente já iniciou o tratamento. 

A asma em idosos é de mais difícil diagnóstico devido à má percepção da limitação do


fluxo aéreo. Além disso, existe uma aceitação da dispneia como sendo “normal” na
velhice, associada à redução da atividade física. A presença de outras doenças também
complica o diagnóstico, ou seja, os sintomas de pieira, falta de ar e tosse que pioram no
exercício ou à noite, podem ser causados por doença cardiovascular ou insuficiência
ventricular esquerda, que são comuns nesta faixa etária – denominada asma cardíaca.
Neste grupo etário, uma história clínica cuidadosa e um bom exame objetivo,
complementado com um Raio x (RX) de Tórax e um electrocardiograma (ECG), irão
auxiliar o médico no diagnóstico. Nesta faixa etária, a asma é muitas vezes confundida
com a Doença Pulmonar Obstrutiva crónica (DPOC).

Asma é contagiosa?
A asma não é contagiosa, ou seja, não se “pega” ou não é transmitida de pessoa para
pessoa.
No entanto, existe uma forte componente genética familiar na transmissão da asma. Ou
seja, a doença poderá ser transmitida de pais para filhos.

Embora não se verifique em todos os tipos de asma, um início de sintomas respiratórios na


infância, uma história de rinite alérgica ou eczema, ou uma história familiar de asma ou
alergia, aumenta a probabilidade de os sintomas respiratórios serem devidos a asma.

Asma - gravidade, complicações


A classificação da gravidade da asma tem como base a frequência e a gravidade dos
sintomas, a função pulmonar antes de iniciar tratamento, e o nível de tratamento
necessário para controlar a doença. A asma é uma doença que quando mal medicada ou
não tratada pode tornar-se muito grave em termos sintomáticos e com um elevado risco
de morte relacionado com a asma.

Perante uma asma não tratada, em que o doente já teve uma crise grave com
necessidade de cuidados intensivos, ou recorreu à urgência no último ano com agudização
ou problemas psiquiátricos existe um risco acrescido de ataque de asma fatal. Além das
crises de asma as consequências de uma asma mal controlada centram-se sobretudo na
qualidade de vida, qualidade laboral, prática desportiva, no sono. Uma das complicações
da asma mal controlada por longos períodos e com múltiplas agudizações centra-se no
agravamento irreversível da função respiratória.

Asma tem cura?


A asma não tem cura, apesar da asma ser uma doença crónica e poder cursar sem
sintomas durante longos períodos.

Um bom controlo da asma caracteriza-se pela presença mínima de sintomas durante o


dia e à noite, pouco uso de medicação de alívio (Beta 2 agonista - salbutamol ou
terbutalina), ausência de exacerbações, ausência de limitações na atividade física e uma
normal função pulmonar (espirometria). Este controlo total, pode não ser conseguido nos
casos de uma asma grave (asma severa) ou moderada.

Saiba, de seguida, como tratar a asma.

Asma - tratamento
Atualmente, o tratamento da asma é feito com base no controlo dos sintomas,
necessidade de tratamento com broncodilatadores em SOS (Beta 2 agonista de curta
acção) e na melhoria da função respiratória. Estes objetivos são atingidos quando se
estabelece uma relação de equilíbrio entre a prescrição dos fármacos pelo médico e a
correção da sintomatologia e da função respiratória do doente.

Deste modo, o médico deve ajustar a terapêutica e os inaladores às preferências do


doente, não devendo o doente em caso algum automedicar-se, seguindo sempre o
plano de ação efectuado pelo médico especialista em pneumologia (pneumologista).

Nos doentes com poucos sintomas, boa função respiratória e sem risco de exacerbações,
(asma leve ou ligeira) o tratamento incide nos beta2 agonistas de curta acção em SOS.
O tratamento medicamentoso (medicamento ou remédio) com corticóides inalados em
baixa dose (ICS) é altamente eficaz na redução dos sintomas de asma, na prevenção de
exacerbações, hospitalizações e mortes relacionadas com a doença.

Nos doentes com sintomas persistentes e/ou exacerbações ainda que se esteja a efetuar
tratamento com corticoides inalados, deve tentar-se a resolução de problemas comuns,
como a técnica de inalação, a adesão ao tratamento, a exposição a alergenios persistente
e comorbidades. (O refluxo gastroesofágicopode desencadear agudizações de asma,
sendo uma das causas de mau controlo da doença. O mecanismo não está bem definido
mas presume-se que a irritação da mucosa esofágica condicione broncospasmo). Caso tal
não se consiga, na asma de adultos e adolescentes, o tratamento step-up preferido é o
corticoide inalado em combinação beta2-agonista de ação prolongada (LABA). Nas
crianças 6-11 anos, o aumento da dose ICS é preferível à associação ICS/LABA.

No caso de existir um bom controlo da asma com recurso à medicação descrita


anteriormente durante cerca de 3 meses, pode tentar reduzir-se a dosagem dos
medicamentos para tentar encontrar o mínimo tratamento que controle os sintomas e as
exacerbações. Por vezes, não é possível a correção de toda a sintomatologia e o
restabelecimento da função respiratória apesar da terapêutica (asma severa ou asma
grave) devendo, por isso, ser equacionados outros tipos de tratamentos.

É essencial um bom ensino no manuseamento dos inaladores (“bombas”) para que os


medicamentos sejam eficazes e identificar e tratar os fatores de risco modificáveis (por
exemplo deixar de fumar).

A maior parte dos inaladores podem ser utilizados com segurança na gestação, sendo
importante alertar a grávida para o facto da asma na gravidez correr o risco de
agravar (aproximadamente um terço). O risco de uma crise asmática imediatamente após
o parto é elevado.

Nas asmas alérgicas em que a evicção do alergénio é difícil pode ponderar-se o recurso a
imunoterapia (vacina para as alergias).

Crise ou “ataque de asma”


Existem vários sinónimos para uma asma agudizada ou agudização asmática: “ataque
de asma” ou “crise asmática”, são os mais utilizados.

As exacerbações de asma são uma causa frequente de emergência médica. Estes


“ataques” ou “crises” de asma são caracterizados por alguns sintomas como um aumento
progressivo de dispneia (“falta de ar”), tosse e pieira. Habitualmente, este agravamento
decorre durante horas ou dias, mas por vezes é rápido e requer tratamento imediato. As
infeções respiratórias, especialmente virais e o contacto com alergénios são as causas
que habitualmente precipitam estas crises.

O tratamento de um “ataque ou crise de asma” tem por base a correção da causa


subjacente (eventualmente antibiótico no caso de infeção). Não devendo ser prescritos,
por rotina, broncodilatadores (?2 agonistas) e a redução da inflamação brônquica
(corticosteroides). O tipo de tratamento e a forma de o administrar vai depender da
gravidade da exacerbação (endovenoso, comprimidos, Xarope...). Apenas em situações
muito graves deve ser utilizada a forma de aerossol por nebulizadores.
Perante uma “crise de asma” o doente deve fazer o estipulado no plano de ação escrito
efectuado pelo seu médico pneumologista. Neste plano, deve constar o número de
inalações de SOS e os sinais de alarme para telefonar ou recorrer à consulta urgente.

Prevenção da asma
Atualmente, as recomendações mais credíveis, de forma a prevenir ou evitar a asma,
centram-se sobretudo na evicção tabágica durante a gravidez e no primeiro ano de vida,
parto por via vaginal, amamentação com leite materno, e caso possível a evicção do
paracetamol e antibióticos no primeiro ano de vida.

Sabe-se também que a exposição aos ácaros na infância se relaciona com um incremento
em 5x do risco de vir a ter asma.

A melhoria das condições de isolamento das casas contribui para um maior crescimento
dos ácaros, daí que o melhor “tratamento caseiro” ou natural, consista na construção de
um ambiente o mais ”lavável” e ventilado possível, reduzindo carpetes, bibelôs, peluches,
colchas, entre outros, que não sejam passiveis de ser lavadas a temperaturas elevadas
frequentemente.

Os doentes com asma alérgica aos ácaros devem ter em conta que ambientes mais
húmidos e a menor altitude são mais favoráveis ao crescimento dos ácaros e
consequentemente podem levar ao agravamento dos sintomas.
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