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REVISÃO LITERATURA - ENEM

Literatura Greco-Romana
TROVADORISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

Trovadorismo A Ribeirinha - Paio Soares de - Cantigas de Amor: sofrimento,


1189/1398 Taveirós (primeiro texto em idealização, eu-lírico masculino,
galego-português – amor ambiente da Corte, dama
(Séculos XII a XIV) platônico de plebeu por uma inacessível, caráter análítico-
mulher nobre) discursivo.
Cantigas de Amigo: eu-lírico
Gêneros: cantigas (poesia), feminino, confessional, ambiente
novelas de cavalaria, nobiliários popular, paixão não correspondida,
(livros de linhagem), realista, narrativo-descritiva.
hagiografias (biografia de um Cantigas de Escárnio e Maldizer:
santo). críticas indiretas ou diretas de
pessoas ou fatos de uma época.
Rica fonte de documentação.
HUMANISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

Humanismo Fernão Lopes, guarda-mor - Teatro: em poesia, versa sobre


1418 da Torre do Tombo assuntos profanos ou religiosos;
(cronista). carpintaria teatral rudimentar;
Séculos XIV ao XVI ausência de regras; sem
Gêneros: historiografia, unidade de ação, tempo e
teatro popular, prosa espaço.
doutrinária.
Aspectos críticos de uma
Gil Vicente (teatro) sociedade em transição.
CLASSICISMO
“A Arte da Literatura Renascentista”
(Europa – séc. XV a XVI)
˃ O que é ?

Classicismo é o nome dado ao estilo literário


que surgiu na época do Renascimento (Europa
– séc. XV a XVI). Um período de grandes
transformações culturais, políticas e
econômicas. Momento em que a arte
expressava novos conceitos na visão de mundo.
˃ Contexto Histórico e Cultural:

 Crise da Igreja - era a época da Reforma Protestante, liderada por


Lutero; A ciência passou a questionar os dogmas da igreja;
 Humanismo - a religião não deixou de ser importante mas o homem
passou a se preocupar com si próprio, valorizando a sua vida aqui na
Terra.
 Antropocentrismo - o homem que passava a ser evidenciado, e não
mais Deus;
˃ Contexto Histórico e Cultural:

 Expansão Marítima - com as as grandes navegações o homem


foi além dos limites da sua terra;
 Mercantilismo – crescimento do comércio e das cidades;
 Invenção da Imprensa - que contribuiu muito para a divulgação
das obras de vários autores gregos e latinos (cultura clássica);
˃ Principais Características:

 Resgate dos elementos artísticos da cultura greco-


romana;
 Retomada da mitologia;
 Idealismo - busca pela perfeição estética e pelo amor
platônico e elevado;
 Universalismo - os assuntos pessoais ficaram de lado e
as preocupações universais passaram a ser
privilegiadas;
˃ Principais Características:

 Predomínio da razão - a expressão dos sentimentos


era controlada pela razão;
 Busca pela perfeição das formas - métrica, rima,

correção gramatical, tudo isso passa a ser motivo de


atenção e preocupação;
Associando algumas obras de grandes pintores
às características
da literatura classicista...

Obra: “O Parnaso” (1497) de Andrea Mantegna.


Obra: “Homem Vitruviano” (1492) de Leonardo Da Vinci.

• O classicismo se associa
• a esta pintura pelas
• características:
• - antropocentrismo,
• o homem no centro do universo;
• - perfeição das formas,
• todas as medidas são proporcionais;
• -idealismo, busca pela perfeição
estética;
Obra: “A Criação de Adão” (1511) de Michelangelo Buonarroti.

O aspecto do classicismo que pode ser associado à esta pintura é o


humanismo, o homem passou a acreditar em si mesmo para as mudanças,
valorizando sua vida terrena, o que sugere a questão: “Deus criou o homem
ou o homem criou Deus?”
Obra: “O Nascimento da Vênus” (1863) de Alexandre Cabanel.

O classicismo associa-se à esta obra através dos seguintes


aspectos: mitologia e paganismo, que é a crença em deuses
Não aceitos pela igreja e idealismo do belo, do bem, da
verdade e do amor e busca pela perfeição estética.
• O Classicismo
terminou em 1580,
quando houve a
revolução industrial e
francesa, a passagem
de Portugal ao
domínio espanhol e
também a morte de
Luís Vaz de Camões.
Quinhentismo no Brasil
literatura brasileira
• Embora a literatura brasileira tenha nascido no período colonial.
• Durante o período colonial, ainda não eram solidas as condições
essenciais para o florescimento da literatura.
• Os livros produzidos por escritores nascidos no Brasil eram então
impressos em Portugal e depois trazidos à Colônia.
A Literatura de Informação
“A feio deles e serem pardos, quase
avermelhados, de rostos regulares e
narizes bem feitos; andam nus sem
nenhuma cobertura; nem se importam de
cobrir nenhuma coisa, nem de mostrar
suas vergonhas. E sobre isto são tão
inocentes, como em mostrar o rosto”.
Carta, de Pero Vaz de Caminha
• Esse fragmento pertence ao primeiro texto escrito no Brasil: a Carta,
de Pero Vaz de Caminha, escrivão-mor da esquadra liderada por
Cabral quando do descobrimento oficial do Brasil, em 1500.

• Essa carta e muitos outros textos em forma de cartas de viagem,


diários de navegação e tratados descritivos formam a chamada
literatura de informação.
Principais produções do século XVI

• A Carta, de Pero Vaz de Caminha


• O Diário de navegação, de Pero Lopes de Sousa
• O Tratado da terra do Brasil, de Pero de Magalhães Gandavo
• O Tratado descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa
• Os Dialogos das grandezas do Brasil, de Ambrosio Brandão
• A Historia do Brasil, de Frei Vicente do Salvador
• As Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden
• A Viagem a terra do Brasil, de Jean de Levy
A literatura de catequese:
José de Anchieta
OS JESUÍTAS
• vindos ao Brasil com a missão de catequizar os índios deixaram inúmeras cartas,
tratados descritivos, crônicas históricas e poemas.

• José de Ancheita chegou ao Brasil em 1553 com o padre Manuel da Nobrega.

• Fundou no Planalto de Piratininga, um colégio que se tornou o núcleo da futura


cidade de São Paulo
3º Período
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

1527 1500 (Quinhentismo)


Valorização do homem
Sá de Miranda 1º Documento escrito em (antropocentrismo); paganismo
Classicismo
Introdução da medida terras brasileiras: Carta a D. (maravilhoso pagão);
nova. Manuel. superioridade do homem sobre a
Século XVI natureza; objetividade;
racionalismo; universalidade;
Gêneros: poesia lírica, Gêneros: poesia lírica e épica, saber concreto em detrimento do
épica, teatro e crônicas. teatro e crônicas. abstrato; retomada dos valores
Quinhentismo
greco-romanos; rigor métrico,
Camões (poesia) Pero Vaz de Caminha rítmico e estrófico: equilíbrio e
harmonia.
José de Anchieta
BARROCO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

1580 1601 Arte dos contrastes:


visualização e plasticidade;
Morte de Camões Bento Teixeira: publicação de fugacidade;
Barroco Prosopopeia luta entre o profano e o sagrado.
Culto a elementos evanescentes
Portugal sob o domínio (água/vento). Sentido de
espanhol. Pe. Antônio Vieira (oratória) transitoriedade da vida; carpe diem
(aproveitar o momento); valorização
Gêneros: oratória sacra, Gregório de Matos (poesia) – do presente, movimento ligado ao
espírito da Contra - Reforma; jogos
política e social; boca do inferno – critica a
de metáforas; riqueza de imagens;
igreja católica, padres e freiras.
gosto pelo pormenor; malabarismo
poesia religiosa, satírica e verbal – uso de hipérbato, hipérbole,
lírico-amorosa. metáforas e antíteses.

Pe. Antônio Vieira


(oratória)
O BARROCO

Itália do século XVII

foi uma tendência artística que


se desenvolveu primeiramente
nas artes plásticas
A palavra Barroco tem causado muitas
discussões. Dentre as várias posições, a mais
aceita é a de que a palavra se teria originado
do vocábulo espanhol barrueco, vindo do
português arcaico e usado pelos joalheiros
desde o sec. XVI, para designar um tipo de
pérola irregular e de formação defeituosa
dividido entre duas
mentalidades, duas
formas de ver o
mundo.
CONTEXTO HISTÓRICO
espiritualidade e teocentrismo da racionalismo e antropocentrismo do
Idade Média Renascimento
Lisboa era considerada a capital mundial da
pimenta, a agricultura lusa era abandonada. Com a
decadência do comércio das especiaria orientais
observa-se p declínio da economia portuguesa

Portugal vive uma crise dinástica: D. Sebastião


desaparece em Alcácer-Quibir, na África; dois anos
depois, Felipe II, da Espanha, consolida a unificação
da Península Ibérica
CARACTERÍSTICAS
• Culto da forma
• Arte da contrarreforma: a ideologia é fornecida pela contrarreforma
(fé católica).
• Conflito espiritual
• Fugacidade do tempo: ideias que se contrapõem: nasce x não dura;
luz x noite etc.
• Temas contraditórios: temas opostos
• Efemeridade do tempo e carpe diem: consciência que a vida é
efêmera, passageira, e por isso, é preciso pensar na salvação
espiritual
Hamlet (conflito)
ESTILOS
• Cultismo: linguagem rebuscado, culta, extravagante. Valorização do
pormenor mediante jogos de palavras.
• Influência do poeta espanhol: Luís de Gôngora (gongorismo)
• Abuso no emprego de figuras de linguagem como metáforas,
antíteses, hipérbatos, anáforas, paranomásias etc
"O todo sem a parte não é o todo;
A parte sem o todo não é parte;
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga que é parte, sendo o todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,


E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,
Em qualquer parte sempre fica todo."
(Gregório de Matos)
• Conceptismo: jogos de ideias, de conceito,
seguindo um raciocínio lógico, racionalista,
que utiliza retórica aprimorada.

• Espanhol Quevedo/Quevedismo: buscava a


essência íntima dos objetos, o saber e a
apreensão da face oculta. A inteligência, a
lógica e o raciocínio ocupam o lugar dos
sentidos.
Presença de elementos da lógica formal
a) SILOGISMO: Dedução, premissas, conclusão

Todo homem é mortal (premissa maior)


Eu sou homem (premissa menor)
Logo,
Eu sou mortal (conclusão)
b) Sofisma: argumento que parte de premissas verdadeiras.
Conclusão inadmissível. É um raciocínio falso, elaborado
com a função de enganar.

Muitas nações são capazes de governarem-se por si


mesmas; as nações capazes de governarem-se por si
mesma não devem submeter-se às leis de um governo
despótico. Logo, nenhuma nação deve submeter-se às leis
de um governo despótico.
ARCADISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

1756 1768 Arte do equilíbrio e harmonia;


Cláudio Manuel da Costa: busca do racional, do verdadeiro
Arcadismo
Fundação da Arcádia Obras Poéticas e da natureza; retorno às
Lusitana. concepções de beleza do
Renascimento; poesia objetiva e
Cláudio Manuel da Costa - descritiva; aurea mediocritas: o
Gênero: poesia (poesia lírica e épica). Tomás objetivo arcádico de uma vida
Antônio Gonzaga -(Marília serena e bucólica; pastoralismo;
de Dirceu), (Cartas Chilenas) valorização da mitologia; técnica
Bocage (poesia) – Basílio da Gama (Uraguai) e da simplicidade. Literatura linear
desbocado e erótico Santa Rita Durão e regrada: inutilia truncat (cortar
(Caramuru) - (poesia épica) o inútil).
A grande odalisca - Ingres
A banhista - Ingres
Ingres Da Vinci
Contexto histórico
• Criação da Enciclopédia por Diderot;
• Voltaire escreve Cândido e o otimismo;
• Preferência ao racionalismo à religiosidade cega;
• Iluminismo;
• Também conhecido como Neoclassicismo.
Características
• Simplicidade de temas e linguagem;
• Contato com a natureza;
• Bucolismo (fugere urbem);
• Pastorialismo;
• Retorno do classicismo;
• Objetividade;
• Integração homem-natureza.
Arcadismo no Brasil – Inconfidência Mineira
AUTORES
Cláudio Manuel da Costa: 1729-1789 Tomás Antônio Gonzaga
Pseudônimo árcade: Glauceste 1744-1808 ou 1812
Satúrnio
Nome árcade: Dirceu
Vila Rica
Promoveu a transição entre o arcadismo e o romantismo
Obras Poéticas • Marília de Dirceu
PARTE I
Pastores, que levais ao monte o gado,
Vêde lá como andais por essa serra; Lira I
Que para dar contágio a toda a terra, Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Basta ver se o meu rosto magoado: Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d' expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Eu ando (vós me vêdes) tão pesado; Tenho próprio casal, e nele assisto;
E a pastora infiel, que me faz guerra, Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
É a mesma, que em seu semblante Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
encerra E mais as finas lãs, de que me visto.
A causa de um martírio tão cansado. Graças, Marília bela,
[...] Graças à minha Estrela!
ROMANTISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

1825 1836 1ª Geração: nacionalismo, ufanismo,


Romantismo Almeida Garrett Gonçalves de Magalhães - natureza, religião (cristianismo),
Publicação do poema publicação de Suspiros indianismo/medievalismo.
Camões Poéticos e Saudades 2ª Geração: mal do século, evasão,
Poesia: Gonçalves Dias, solidão, profundo pessimismo, anseio da
Álvares de Azevedo, Casimiro morte.
Gêneros:
de Abreu, Castro Alves. 3ª Geração: condoreirismo - liberdade,
•prosa (romance e novela) oratória de reivindicação, transição para
Prosa: (urbanos) Alencar,
•poesia e teatro. Joaquim Manuel de Macedo, o Realismo literatura social e engajada.
Manuel Antônio de Almeida; Geral: imaginação, fantasia, sonho,
(regionalistas) Alencar, idealização, sonoridade, simplicidade,
Bernardo Guimarães, Taunay; subjetivismo, sintaxe emotiva, liberdade
(indianista-histórico) Alencar criadora.
ROMANTISMO
• O romantismo é todo um período cultural, artístico e
literário;
• Europa no final do século XVIII, espalhando-se pelo
mundo até o final do século XIX.
• O berço do romantismo: Itália, Alemanha e
Inglaterra.
• Na França ganha força e por meio dos artistas
franceses, os ideais românticos espalham-se pela
Europa e pela América.
Fatores históricos decisivos para as
transformações dos séculos XVIII e XIX
• A queda dos sistemas de governo tirânicos.

• Os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade;

• Formação de uma mentalidade nacionalista;

• A consolidação do pensamento liberal;

• A revolução Francesa;

• A Revolução Industrial Inglesa;

• A Declaração Universal dos Direitos Humanos.


Romantismo: A Arte Burguesa
• A burguesia, vitoriosa na Revolução Francesa,
experimentou franca ascensão e, afrontando os
poderes da Monarquia, exigiram seu espaço na
estrutura sociopolítica;
• Valorizaram o trabalho, o comércio, a indústria e
todos os meios capazes de gerar lucro;
• Foi criado o drama para o público burguês, inventou-
se a narrativa em forma de romance, para os leitores
ansiosos por consumir cultura e arte burguesa.
Características Românticas

• Valorização de elementos populares – Intensificaram-se os temas ligados á vida urbana; incentivou-se


público a participar de manifestações culturais;

• Imaginação Criadora - Libertação da arte agora afastada das rígidas regras clássicas;

• Nacionalismo - louvor e exaltação de pátria, resgatava as origens de cada nação, valorizações dos
elementos da terra natal, dos bens e das riquezas nacionais, das paisagens naturais;
❖Ufanismo - Nacionalismo ufanista: pode ser considerado como nacionalismo exagerado ou
exacerbado, é o caso de um orgulho excessivo pelo país onde uma pessoa nasceu.
❖Saudosismo - Nacionalismo saudosista é a admiração excessiva da pátria, porém sobre os aspectos do
passado, desde comportamentos, hábitos, princípios e outros ideais obsoletos e ultrapassados.

• Interação com a natureza – No Arcadismo a natureza era tida como paisagem perfeita e estática. O autor
romântico interage com a natureza, transferindo suas sensações e sentimentos para elementos naturais. A
natureza representa o estado de espírito do autor.
• Subjetivismo - atitude individual e única;

• Egocentrismo - Houve o triunfo absoluto do EU;

• Sentimentalismo - analisa e expressa a realidade por meio de sentimentos;

• Escapismo – Criação de um mundo idealizado, retrata a natureza perfeita como um lugar de paz e
refúgio. Cultiva a solidão;

• Medievalismo – Atração pela Idade Média. A visão de um herói e suas aventuras;

• Supervalorização do amor – O valor supremo na vida.

• Idealização da Mulher - Mulher convertida em anjo, musa, deusa, criatura pura, poderosa. A
mulher, porém, tornava-se perversa, maligna, impiedosa, quando pela recusa arruinava a vida do
galante que a cortejava.
O Romantismo em Portugal
Prosa e Poesia.
Contexto

• Portugal, diferente do Brasil que exaltava a pátria, que estava em crise,


permeado de revoltas.
• Intelectuais que se auto-exilaram na França e na Inglaterra trazem os
novos ideais para Portugal.
• Início = poema “Camões” de Almeida Garret (1825)
Primeira Geração (1825 – 1840):
Almeida Garret e Alexandre Herculano

Almeida Garret - Filho da burguesia portuguesa, um homem


criado em 2 mundos: clássico (referência artistica), romântica (definidade
intelectual e espiritual).
• Publicou Retrato de Vênus e foi processado por obscenidade (1821)
• Foi influenciado por Lord Byron (heroi romântico inglês).
• Em sua obra destacam-se:
- Frei Luís de Sousa (1844) - Teatro
- Viagens da minha terra (1846) Romance
- Folhas caídas (1853) Poesias
Frei Luís de Souza (teatro)
https://www.youtube.com/watch?v=BboJ0y-rsFs
• Fidalga Madalena de Vilhena, casada com dom João de Portugal, dado como morto na batalha de Alcácer-Quibir,
assim como o rei dom Sebastião (1554-1578). Diante disso, Madalena casa-se com Manuel de Sousa Coutinho, nobre
português, por quem se apaixonara quando ainda estava casada. Dessa união nasce uma filha, Maria de Noronha.

• Madalena atormentava-se constantemente com a possibilidade de o primeiro marido ainda estar vivo e retomar da
guerra. Teimo Paes, o escudeiro de dom João, alimentava nela esse temor. De fato, depois de vinte anos, dom João
volta a Portugal.

• O ponto culminante da peça é a revelação da identidade do nobre português e o desespero que toma conta dos
personagens. No desenlace trágico, Manuel Coutinho e Madalena resolvem, para expiação de sua culpa, tomar o
hábito religioso – claustro (se entregar ao convento).

• Durante a cerimônia em que Manuel Coutinho torna-se Frei Luís de Sousa, Maria de Noronha, filha do casal, tomada
pela vergonha e pelo desespero, morre aos pés de seus pais.
Características Românticas:
• Nacionalismo: as personagens falam e agem, demonstrando um patriotismo
ufanista;

• Idealização de personagens femininas;

• Pessimismo;

• Sentimentos e emoções conturbados;

• Escapismo: quando a situação adquire uma carga insuportável de sofrimento


moral e emocional, os protagonistas não enfrentam o repúdio da sociedade e
aceitam o refúgio na vida religiosa.
Viagens na minha Terra

• É um romance histórico que aborda uma viagem do autor de Lisboa a


Santarém.

• Em paralelo à viagem do autor, conta-se a uma novela sentimental em


torno dos personagens Joaninha e Carlos (primos que foram criados
juntos no Vale de Santarém)
• Folhas Caídas: Os últimos anos da vida de Garrett são dominados por
uma paixão fatal por uma senhora casada da alta sociedade lisboeta, Rosa
de Montufar, viscondessa da Luz, a inspiradora das Folhas Caídas (1853).
• O livros escandalizou a sociedade da época, na medida em que revelava,
com exibicionismo, esses amores ilícitos.

Nas Folhas Caídas, Garrett liberta-se completamente da formação


arcádica e compõe uma obra inovadora e moderna, tanto pelo conceito
de amor, como pela métrica, inspirada na poesia popular.
Alexandre Herculano

• O mais conhecido escritor romântico português. Nasceu em Lisboa, leitor


apaixonado e estudante aplicado. Ativo na política, foi exilado na
Inglaterra e França.
• Sua prosa captura o medievalismo e o nacionalismo.
• Importante romance:
Euríco, o presbítero (1843)
Eurico, o presbítero
• Nesse romance, são contadas as aventuras e desventuras do jovem Eurico, um valente cavaleiro, e de Hermengarda, filha
do duque de Fávila. Apaixonado por Hermengarda, Eurico pede sua mão ao duque, que lhe nega, por saber de sua origem
humilde.

• Tendo seu pedido recusado e supondo que sua amada também o rejeitava, Eurico decide tomar-se religioso. Ordena-se
sacerdote, com o título de Presbítero de Carteia. Porém, o espírito de cavaleiro fala mais alto. Assim, disfarçado de
Cavaleiro Negro, luta ao lado de seus antigos companheiros, durante a batalha contra os mouros.

• Unindo-se ao grupo de Pelágio, irmão de Hermengarda, assume a responsabilidade de resgatar sua amada, que se
encontrava em poder dos inimigos.

• No reencontro, ambos confessam seu amor, mas Eurico revela sua condição religiosa: o Cavaleiro Negro e o Presbítero de
Carteia eram uma só pessoa. Diante dessa revelação e do amor impossível, Hermengarda adoece e enlouquece, e Eurico
parte para um combate suicida contra os mouros.
https://www.youtube.com/watch?v=Qyjvq-oZPNo
Segunda Geração – Ultrarromantismo Português :
marcado por uma postura de exagero sentimental

Camilo Castelo Branco

• Teve uma vida muito turbulenta que envolveu:


orfandade, casamento precoce, amantes, raptos,
duelos, prisão e suicídio.
• Escreveu obras:
- Ultra-românticas e Satíricas
• Amor de perdição:

https://www.youtube.com/watch?v=0CFVP9DZE5E
• Amor de Perdição é uma novela romântica inspirada em Romeu e Julieta, de Shakespeare. É considerado uma obra-prima
da ficção de língua portuguesa.
• Simão Botelho e Teresa de Albuquerque estão enamorados, mas suas famílias fazem da separação de ambos uma questão
de honra.
• Simão é enviado para Lisboa e Teresa é presa em um convento por não aceitar o casamento com Baltasar Coutinho, um
fidalgo.
• Simão retorna a Viseu, local onde ocorre o romance, decidido a resgatar Teresa do convento. Escondido na casa de um
ferrador, pois sua família não aceita o romance, Simão, tem a proteção da filha do proprietário da casa, Mariana, que acaba
se apaixonando por ele.
• Mariana, mesma apaixonada por Simão , ajuda na correspondência entre Simão e Teresa. Teresa é destinada a outro
convento e na hora da mudança para o novo convento tenta se encontrar com Simão. Nesse momento, ocorre o assassinato
de Baltasar, que encontrando com Simão, decide convidá-lo para um duelo.
• Simão atira e mata Baltasar que cai aos pés de Teresa. Simão é preso na Cadeia da Relação, no Porto. Teresa vai para o
convento de Monchique, também no Porto. Domingos Botelho, pai de Simão, não ajudava o filho, mas acaba mudando de
ideia e consegue uma comutação da pena e o degredo para as Índias.
• Mariana, apaixonadamente, também decide ir para Índias. Simão vê Teresa, que morre tuberculosa. Nove dias depois de
viajar, Simão acaba morrendo, também doente. Na hora de jogar o corpo de Simão para o mar , Mariana acaba agarrando o
cadáver e morre junto com o corpo no mar.
Terceira Geração
Julio Dinis

• Julio Dinis era seu pseudônimo (medico Joaquim Guilherme Gomes Coelho)
• Seus romances têm como cenário: A vida simples do campo, finais felizes, o amor tudo
suporta.
• Considerado pela crítica como escritor de transição entre o Romantismo e o Realismo,
escreveu também poesia, teatro, mas notabilizou-se como romancista (Filiado ao
movimento romântico, mas realista pela preocupação da verdade em suas descrições, nos
caracteres e na evolução)
• Romances mais importantes: As pupilas do senhor reitor (1867), Uma família inglesa
(1868).
• Uma aldeia portuguesa do século XIX é o cenário ideal para o desenrolar de uma delicada trama: o amor e os desencontros entre as órfãs Clara
e Guida. Cenário este, povoado de tipos humanos cuja bondade só é maculada pelo moralismo quase ingênuo de comadres fofoqueiras,
desenrola-se o drama amoroso.

• Daniel, ainda menino, prepara-se para ingressar no seminário, mas o reitor descobre seu inocente namoro com a pastorinha Margarida (Guida).
O pai, José das Dornas, decide, então, enviá-lo ao Porto para estudar medicina. Dez anos depois Daniel volta para a aldeia, como médico
homeopata. Margarida, agora professora de crianças, conserva ainda seu amor pelo rapaz. Ele, no entanto, contaminado pelos costumes da
cidade, torna-se um namorador impulsivo e inconstante, e já nem se lembra da pequena pastora.

• A esse tempo, Pedro, irmão de Daniel, está noivo de Clara, irmã de Margarida. O jovem médico encanta-se da futura cunhada, iniciando uma
tentativa de conquista que poria em risco a harmonia familiar. Clara, inicialmente, incentiva os arroubos do rapaz, mas recua ao perceber a
gravidade das consequências. Ansiosa por acabar com impertinente assédio, concede-lhe uma entrevista no jardim de sua casa.

• Esse encontro é o ponto culminante da narrativa: surpreendidos por Pedro, são salvos por Margarida, que toma o lugar da irmã. Rapidamente
esses acontecimentos tornam-se um grande escândalo que compromete a reputação de Margarida. Daniel, impressionado com a abnegação da
moça, recorda-se, finalmente, do amor da infância. Apaixonado agora por Guida, procura conquistá-la. No último capítulo, depois de muita
resistência e de muito sofrimento, Margarida aceita o amor de Daniel.
ROMANTISMO NO
BRASIL - PROSA
Contexto Histórico-cultural

A Independência é o principal fato político do século XIX e vai


determinar os rumos políticos, econômicos e sociais do Brasil até a
Proclamação da República (1889). Em janeiro de 1808, Portugal estava
preste a ser invadido pelas tropas francesas comandadas por Napoleão
Bonaparte. Sem condições militares para enfrentar os franceses, o
príncipe regente de Portugal, D. João, resolveu transferir a corte
portuguesa para sua mais importante colônia, o Brasil.
IMPACTOS:
• Abertura dos portos
• Melhoria nas escolas
• Abertura da Imprensa
Régia
• Desenvolvimento de
vida cultural
• Banco do Brasil
• Biblioteca Nacional
Proclamação da Independência - 1822
Marco para a nacionalidade brasileira. Momento no qual
o Brasil se constituiu nação, uma pátria independente. A arte
contribui para a consolidação desse conceito.
Prosa no Romantismo
• Antes do período artístico romântico, as composições em prosa eram
menos frequentes.

• A prosa literária desenvolveu-se no Romantismo.

• A espécie preferida pelo público era o romance de temática sentimental.

• Cultivava-se o gosto pelos folhetins, histórias de amor editadas em jornais


com capítulos publicados em série.
• O primeiro romance romântico brasileiro, datado em 1843, é O
Filho de Pescador, de Teixeira e Souza.

• O romance que impulsionava o apego sentimental do publico foi A


Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, uma historia de
amor convencional, publicada em 1844, que fixa os costumes da
sociedade carioca da época, contaminada por francesismos.
Tipos de Romance em prosa

• Romance Histórico-indianista

• Romance urbano

• Romance regionalista
José de Alencar não só escreveu
diversos romances, como
também elaborou uma espécie
de projeto para a literatura
brasileira, se classificando em
todos os tipos de romances em
prosa.
Suas principais obras são os
romances indianistas e urbanos.
Romance Indianista
No romance indianista de José de Alencar, o índio é visto
em três etapas diferentes:

O Guarani (1857): o índio no cotidiano do homem branco.


(https://www.youtube.com/watch?v=s5G1jiNXY2w)

Iracema (1865): um branco convivendo no meio indígena;


(https://www.youtube.com/watch?v=TxRKLs3pU2g)

Ubirajara (1874): índio antes de ter contato com o branco;


(https://www.youtube.com/watch?v=m9ZDKZjr7P8)

Obs: Análises no email institucional da sala


Romance Urbano
O romance urbano ocupou-se principalmente em
retratar a cidade do Rio de Janeiro, capital do país, centro
político e cultural que agregava o público consumidor da
época.
Esse perfil literário teve início ainda na década de 1830, quando os
moradores da capital do Império passaram a ter outras formas de
entretenimento, como a leitura de romances estrangeiros, sobretudo franceses,
os quais passaram a ser publicados nos jornais na forma de folhetins. De
maneira geral, as obras do romance urbano são marcadas por histórias
melodramáticas com finais quase sempre felizes.
As características principais dos romances urbanos ou sociais são:
• final feliz ou ideal;
• prevalência do amor verdadeiro;
• protagonistas femininas (que refletem um "ideal de feminilidade");
• retrato das relações familiares;
• ambiente doméstico;
• casamentos;
• questões financeiras (heranças, dotes, títulos, falências...);
Joaquim Manuel de Macedo – A moreninha (1843)

O romance A Moreninha conta a história de amor entre Augusto e D. Carolina (a moreninha).


Tudo começa quando Augusto, Leopoldo e Fabrício são convidados por Filipe para passar o feriado
de Sant’Ana na casa de sua avó. Os quatro amigos estudantes de medicina vão para a Ilha passar o
feriado e lá encontram D. Ana, a anfitriã, duas amigas, a irmã de Filipe, D. Carolina e suas primas
Joana e Joaquina. Antes de partirem Filipe havia feito uma aposta com Augusto: se este voltasse da
Ilha sem ter se apaixonado verdadeiramente por uma das meninas, Filipe escreveria um romance por
ter perdido a aposta. Caso se apaixonasse, Augusto é quem deveria escrevê-lo.
Augusto era um jovem namorador e inconstante no amor. Fabrício revela a personalidade do
amigo a todos num jantar, o que faz Augusto ser desprezado pelas moças, menos por Carolina.
Sentindo-se sozinho, Augusto revela a D. Ana, em uma conversa pela Ilha, que sua inconstância no
amor tem a ver com as desilusões amorosas que já viveu e conta um episódio que lhe aconteceu na
infância. Em uma viagem com a família, Augusto apaixonou-se por uma menina com quem brincara
na praia. Ele e a menina ajudaram um homem moribundo e, como forma de agradecimento, o homem
deu a Augusto um botão de esmeralda envolvido numa fita branca e deu a menina o camafeu de
Augusto envolvido numa fita verde. Essa era a única lembrança que tinha da menina, pois não havia
lhe perguntado nem o nome.
O fim de semana termina e os jovens retornam para os estudos, mas Augusto se vê com
saudades de Carolina e retorna a Ilha para encontra-la. O pai de Augusto, achando que isso estava
atrapalhando seus estudos, proíbe o filho de visitar Carolina. Depois de um tempo distantes, Augusto
volta a Ilha para se declarar a Carolina. Mas ela o repreende por estar quebrando a promessa feita a
uma garotinha há anos atrás. Augusto fica confuso e preocupado, até que Carolina mostra o seu
camafeu. O mistério é desfeito, e, para pagar a aposta, Augusto escreve o livro A Moreninha.
José de Alencar – Cinco Minutos (1857)

O livro Cinco Minutos conta a história de um homem, o Protagonista, que se atrasa para pegar um
ônibus e acaba conhecendo uma mulher, que mais pra frente descobre que seu nome é Carlota, no ônibus
seguinte, onde fazem carinhos discretos um no outro, ela usava um véu que cobria sua face, o que despertava
curiosidade no homem, que fez várias suposições de como seria seu rosto, mas ela sai do ônibus sem dar
nenhuma pista de quem era, falando ''nos ti scordar di me'', o que significa, '' não se esqueça de mim '', o que faz
o homem a querer vê-la ainda mais.
Certo dia em um baile, quando estava sozinho, escutou a mesma voz e ficou tentando procura-la,
quando viu uma velha com a voz da mulher que tinha conhecido no ônibus, ficou horrorizado por estar
apaixonado por uma velha, mas feliz por vê-la novamente, mas ao escutar a conversa da velha percebeu que ela
teria uma filha, assim supos que sua filha poderia ser a mulher no qual ele estava apaixonado, tentou segui-la
mas no final não deu certo. Depois de um mês tentando achar sua amada, ele a encontra em uma ópera ( La
traviata), onde se declara mas ela foge, deixando apenas um lenço de lembrança.
Depois de outros desencontros, ele finalmente a conhece. Por carta ela revela que já o observava e o
amava, revela também que tem uma doença incurável, e que prefeiria não prender a vida dele a alguém que não
teria muito tempo. Sua mãe achava que se ela viajasse e se divertisse, ficaria mais alegre e não morreria tão
rápido, ela o comunica por cartas e ele vai atrás dela. Cada vez mais ela estava ficando doente, sua mão estava
cada vez mais gelada e ele a beija, mas de repente acontece algum milagre e Carlota começa a ganhar forças,
daí em diante eles se casam e tem uma vida de casal normal.
José de Alencar – A viuvinha (1860)
Em “A Viuvinha” é narrada a história de Jorge e Carolina. Jorge é órfão de um rico negociante e ainda pequeno é
deixado aos cuidados do tutor Sr. Almeida, amigo da família descrito como inteligente e honrado. Quando chega na maior
idade, depois de terminar seus estudos ele passa a administrar os bens deixados por seu pai. Larga a profissão e acredita que
apenas com a fortuna do pai poderá viver uma vida tranquila, onde poderá aproveitar tudo que desejar. Ele vive por três anos
gozando da fortuna e uma boa vida, até que um dia se cansa e se sente só.
Depois de uma noite de insônia ele decide sair logo pela manhã e ouve os sinos da igreja, acredita que aquilo seria
um sinal. Na missa, se ajoelha mas como não sabe rezar fica olhando ao redor. Até que observa Carolina e fica encantado com
a sua beleza. Jorge começa então a cortejar a moça que se mostra simples e mora com sua mãe D. Maria em uma casa
modesta no morro de Santa Tereza. Depois de dois meses, um dia antes do casamento marcado ele recebe a visita de seu
Almeida que informa a Jorge que ele está falido com dividas e sem saída. Jorge já não possuía mais fortuna.
Ele decide se casar mesmo assim e faz uma cerimônia simples. Na noite de núpcias ele oferece uma bebida a
Carolina que dorme. Jorge vai até um beco onde corpos são encontrados com frequência, ali perto trabalhadores ouvem dois
tiros e correm para ver o que tinha acontecido. Encontram um corpo com rosto desfigurado, uma carteira e um bilhete que
dizia para que o corpo fosse enterrado sem dar parte a família ou amigos. Porém Sr. Almeida havia o seguido e lamentou a
tragédia.
Mas a verdade é que Jorge não se suicidou, ele havia fugido para os Estados Unidos e agora usava o nome de
Carlos. Na América, conseguiu erguer uma pequena fortuna e volta para o Brasil para sanar as dividas que deixou e honrar o
nome de seu pai. Assim que chega ele encontra Carolina, agora conhecida como “viuvinha”, não resiste e passa a se
aproximar dela.
Depois ele tenta seduzir a viuvinha que é fiel à memória de seu marido não tendo mais nenhum outro homem. Então
para que ela o ceda acaba confessando a verdade, eles se beijam e se abraçam, e no final passam a morar em uma fazenda
longe da cidade, com a mãe de Carolina.
José de Alencar – Lucíola (1862)

O livro Lucíola, de José de Alencar, é narrado através de Paulo, personagem que se torna narrador para contar à Sr.ª
G.M. o romance que viveu com uma cortesã chamada Lúcia. Em 1855, Paulo chega ao Rio de Janeiro e vê pela primeira vez
Lúcia. Sem conhecer sua verdadeira vida, apaixona-se à primeira vista, pois enxerga nela uma encantadora menina. Essa
impressão desfaz-se na Festa da Glória, onde Sá, representante dos valores e preconceitos da sociedade, a apresenta como uma
mulher bonita e não como uma senhora. A partir de então, Paulo começa a visitar Lúcia em sua casa.
Na segunda visita, Paulo deixa de lado o tratamento cortês que até então fizera a Lúcia, agarra-a e acontece o
primeiro contato físico. No dia seguinte, há uma festa na casa de Sá onde, além de Paulo e Lúcia, são convidados também
homens boêmios, como Sr. Cunha, Rochinha, Sr. Couto e outras três prostitutas, entre elas Nina. Nessa festa, a cortesã exibe-se
nua diante de todos. Paulo num primeiro momento teve uma repulsão por toda aquela cena. Porém, mostra-se piedoso e
compreensivo e os dois tem uma noite na mata. Esse é o ponto que marca o início da transformação de Lúcia.
Para Lúcia, Paulo é o caminho para chegar à salvação. Na tentativa de se afastar da sociedade e deixar
definitivamente a vida de cortesã para trás, muda-se para uma casa mais simples no interior junto com sua irmã mais nova,
Ana. Nesse momento, não existe mais o amor carnal entre Paulo e Lúcia. Há um amor espiritual – Lúcia chega até a fingir que
estava doente para não mais haver contato. É nesse momento que conta o verdadeiro motivo que a levou à vida de cortesã –
seu primeiro cliente foi Couto, pois sua família estava com febre amarela e sem recursos financeiros para o tratamento. Revela
também que seu verdadeiro nome é Maria da Glória. Lúcia era uma antiga amiga dela que morreu e que tomou emprestado seu
nome; sua família achava que estava morta.
A redenção de Lúcia culmina com a descoberta de sua gravidez e não aceitação dela. Mesmo com o melhor parteiro
afirmando que a criança em seu ventre estaria viva, Lúcia acredita que seu corpo é sujo e morto, e por isso não é capaz de gerar
um filho. Morre, grávida. Paulo, atendendo a um pedido seu, cuida de Ana até que ela se case.
José de Alencar – Senhora (1875)
A obra Senhora, de José de Alencar é dividida em quatro partes. A primeira delas, nomeada de “O preço do casamento”, começa
descrevendo uma jovem moça chamada Aurélia, rica e frequentadora de bailes da alta sociedade. Aurélia, sendo órfã e recebedora de uma
grande fortuna, estava sempre acompanhada de sua parenta D. Firmina e acreditava que todos só se interessavam por ela por causa de sua
beleza e do seu dinheiro. Em um baile de costume, Aurélia começou a se questionar sobre sua educação e seu destino. Escreveu uma carta ao
Sr. Lemos dando-lhe a missão de arrumar seu casamento com o atual noivo de Adelaide Amaral, o Fernando Seixas. Seixas era pertencente a
uma família de situação pouco favorável e pretendia arrumar um casamento com uma moça rica para oferecer melhores condições para sua
mãe e suas irmãs, e também para seus luxos. Lemos faz a proposta de casamento a Seixas, que mesmo sem conhecer a noiva, recebe um
adiantamento do alto dote e aceita o compromisso. Quando foi apresentado à Aurélia, Seixas sente uma profunda humilhação, pois em tempos
passados tinha rompido um noivado com ela para ficar noivo de Adelaide, que era mais rica. Na noite de núpcias, Aurélia chama seu então
marido de homem vendido.
Na segunda parte, chamada “Quitação”, é contada a história de Aurélia. D. Emília era sua mãe e Pedro Camargo, seu pai. Pedro era
filho bastardo de um rico fazendeiro e casou-se com Emília sem conhecimento de seu pai. Anos depois, acaba morrendo e seu pai não conhece
sua neta. D. Emília fica em má situação para criar sua filha. Nesse momento, Seixas se elege como pretendente de Aurélia e assume o
compromisso de se casar com ela. Porém, se arrepende por ter se apaixonado por uma moça pobre e órfã e assume compromisso com
Adelaide, moça rica na sociedade. Perto de falecer, o avô de Aurélia a procura e deixa para ela toda sua fortuna. Após a morte de sua mãe,
Aurélia tem como tutor Sr. Lemos, seu tio, e como acompanhante, D. Firmina.
A terceira parte tem como título “Posse” e descreve a rotina de Aurélia e Fernando enquanto casal. Eles vivem uma vida de
aparência; desfilam de mãos dadas, trocam carinhos e gentilezas diante de bailes ou de amigos. Mas quando estão sozinhos, trocam palavras
ferinas e acusações. Fernando se vê como um escravo de Aurélia, tendo ela como sua dona e a obedece em todos os seus desejos.
Na quarta e última parte, “Resgate”, temos os principais acontecimentos da trama. Os desejos não realizados de Aurélia e Fernando
são passados pelo autor com muito erotismo. Porém, por orgulho, Fernando e Aurélia não se deixam envolver. Podemos notar nessa parte a
visível transformação de Fernando que passa a recusar o luxo que tanto já desejara. Fernando passa então a trabalhar dedicadamente e faz um
negócio importante, em que arrecada um valor e devolve para Aurélia todo o dinheiro do dote. Ele então pede o divórcio. Comprovada a
mudança de Fernando, Aurélia lhe mostra o seu testamento escrito no dia do casamento, onde é deixada para Fernando toda sua fortuna e é
declarado o seu amor por ele. O casamento então se consuma e os dois se tornam um casal de amantes.
Manuel Antônio de Almeida – Memórias de um Sargento de Milícias (1852)

A narrativa, que se apresenta como uma sucessão de aventuras do jovem Leonardo, tem início antes mesmo de seu
nascimento, relatando o primeiro contato entre seus pais, Maria da Hortaliça e Leonardo Pataca, no navio que os traz de
Portugal para o Brasil. Ambos trocam “uma pisadela” e um “beliscão” como sinais de interesse mútuo e passam a namorar.
Maria da Hortaliça abandona o marido e retorna para a terra natal. Pataca, por sua vez, recusa-se a criar o filho, deixando-o
com o padrinho, o Barbeiro, que passa a dedicar ao menino cuidados de pai.
Pataca se envolve com uma cigana, que também o abandona. Para tentar recuperá-la, recorre à feitiçaria, prática
proibida na época. Flagrado pelo Major Vidigal, conhecido e temido representante da lei, vai para a prisão, sendo solto em
seguida. Enquanto isso, seu filho Leonardo, pouco afeito aos estudos, convence o padrinho a permitir que ele frequente a
Igreja na condição de coroinha. O Barbeiro vê ali uma oportunidade para dar um futuro ao afilhado. No entanto, Leonardo
continua aprontando das suas e acaba expulso. Conhece o amor na figura de Luisinha, uma rica herdeira, mas sua
aproximação é interrompida pela ação do interesseiro José Manuel, que conquista e casa com a moça.
O Barbeiro morre e deixa uma herança para o afilhado. Leonardo volta a viver com o pai, mas foge após um
desentendimento. Envolve-se com a mulata Vidinha e passa a sofrer as perseguições do Major Vidigal, caçador dos ociosos
do Rio de Janeiro. Para não ser preso, é forçado a se alistar.
A experiência militar não é menos problemática: continua a participar de arruaças e desobedece seguidamente o
Major. Por isso, acaba preso. Consegue a liberdade graças à ação de uma ex-namorada de Vidigal, Maria Regalada, que lhe
promete, em troca, a retomada do antigo afeto. Leonardo não só é solto, como é promovido a sargento da tropa regular.
Reencontra-se com Luisinha, então recém-viúva, e os dois reatam o namoro. Ainda com a ajuda do Major Vidigal, Leonardo
se torna sargento de milícias e obtém permissão para se casar.
Importância do livro

O romance de Manuel Antônio de Almeida destoa do romantismo convencional. Isso dá um sabor


especial ao livro, menos pelo fato em si, e mais por mostrar a precariedade de certas classificações
excessivamente redutoras. A narrativa tem o poder de ampliar a concepção de literatura romântica, mostrando
que os escritores da estética sabiam explorar tanto o sentimentalismo quanto o humor em suas obras.
Memórias de um Sargento de Milícias promove uma inversão do romantismo convencional. O humor,
presente em narrativas românticas de forma tímida, ocupa o centro, funcionando como eixo condutor da
sucessão de aventuras em que se mete o protagonista. Da mesma forma, as personagens de classes sociais mais
baixas, que, tradicionalmente, ocupavam posições secundárias, constituem o núcleo central da ação. Esse
procedimento é chamado de carnavalização.
O próprio protagonista se apresenta como uma versão carnavalizada do herói romântico. Sua origem é
cômica, já que é descrito como “filho de uma pisadela e de um beliscão”. Crescido, torna-se um malandro,
tentando sobreviver à margem das instituições sociais nas quais não consegue se enquadrar – família, trabalho,
igreja etc. Desta forma, Leonardinho torna-se um anti-herói.
A despeito de tudo isso, o livro pode ser entendido como romântico graças a elementos como o registro
de costumes, o final feliz, as personagens que agem por impulso, a sucessão de aventuras nas perseguições do
Vidigal e, por fim, a história de amor envolvendo Leonardo e Luisinha. Contudo, independente de qualquer
questão referente à classificação da obra, pode-se ver o livro simplesmente como uma sucessão de aventuras
vividas por um protagonista humanizado pelos seus defeitos.
https://www.youtube.com/watch?v=0yeoJsNpWpQ
Romance Regionalista

Bernardo Alfredo José de


Guimarães Taunay Alencar
Romance Regionalista
Bernardo Joaquim da Silva Guimarães (1825-1884)
Obras principais: Lendas e Romances (histórico); Lendas e Tradições da Província de Minas
Gerais; O Ermitão da Glória (regionalista); O Garimpeiro; O Seminarista; A Escrava Isaura.

Alfredo D'Escragnolle Taunay (1843-1899)


Obras principais: Inocência; A Retirada de Laguna; O Encilhamento; Manuscritos de uma
Mulher; Mocidade de Trajano.

José de Alencar (1829 – 1877)


Obras principais:: "O Gaúcho" (1870), "O Tronco do Ipê“ (1871), "Til“ (1872) e "O Sertanejo” (1875) .
• Berta, Inhá ou Til é a personagem central do livro, filha bastarda do fazendeiro Luis Galvão com uma
pobre moça da vila (Besita que foi morta por vingança) foi criada por nhá Tudinha. Berta é uma
adolescente muito bonita, graciosa, com movimentos espontâneos e encantadores, atrai para si o amor
e carinho de todos, É chamada de Inhá por Miguel, e de Til por Brás durante uma aula que dava a
ele, já no fim do livro ela própria se intitula TIL, mostrando uma escolha que fará no romance.

• Trata-se de um romance Regionalista da escola literária do Romantismo, seu autor busca mostrar a
vida do Caipira do interior de São Paulo do século XIX, vocabulário e costumes
da região, as diferenças sociais da época (escravos, capangas, pobres e ricos donos de terras).

• * O Romance é ambientalizado em Campinas, interior de SP, onde há o contraste entre aspectos


sociais, marginalização que sofrem personagens pobres como Miguel (que para casar-se com Linda
teve de ir estudar na capital). Mostra-se também um pouco do namoro da época e festas como a de
São João.
Martins Pena
Martins Pena é considerado o
consolidador do teatro no Brasil com
suas comédias de costumes que até hoje
são representadas.
A primeira representação de uma
peça do autor foi em outubro de 1838, a
peça era “O juiz de paz na roça”, no
Teatro São Pedro.
POESIA ROMÂNTICA - Brasil

• 1ª Geração – Nacionalista

• 2ª Geração – Mal do século

• 3ª Geração - Condoreira
Denominação
Geração Componentes Modelos Temas
1ª Nacionalista Gonçalves de Chateaubriand e - O índio
Magalhães e Lamartine - A saudade da Pátria
Gonçalves Dias - A natureza
- A religiosidade
- O amor impossível
2ª Individualista ou Álvares de Azevedo, Byron e Musset - A dúvida
Subjetivista Casimiro de Abreu, - O tédio
Fagundes Varela e - A orgia
Junqueira Freire - A morte
- A infância
- O medo do amor
- O sofrimento
3ª Liberal ou Social ou Castro Alves Vitor Hugo - Defesa de causas
Condoreira humanitárias
- Denúncia da escravidão
- Amor erótico
Primeira geração - Nacionalista (1836-1840)

O início do romantismo brasileiro caracterizou-se por

religiosidade, misticismo, antilusitanismo, nacionalismo. O

espírito nacionalista levou ao culto da natureza profundamente,

com elevação máxima das belezas naturais do paraíso tropical.

Domingos Gonçalves de Magalhães com a obra “Suspiros

Poéticos e Saudades" .
• A VOZ DE MINHA ALMA

Quando da noite o véu caliginoso


Do mundo me separa,
E da terra os limites encobrindo,
Vagar deixa minha alma no infinito,
Como um subtil vapor no aéreo espaço,
Uma angélica voz misteriosa
Em torno de mim soa,
Como o som de uma frauta harmoniosa,
Que em sagradas abóbadas reboa. (...)
Primeira geração – Nacionalista e
Indianista (1840-1850)
A poesia brasileira é consolidada através do autor Gonçalves Dias,
que fala sobre a pátria, os índios e o amor. Era filho de português com
uma cafuza (negra + índio). Em 1838 ingressa no Colégio das Artes em
Coimbra, onde conclui o curso secundário. Em 1940 ingressa na Universidade de
Direito de Coimbra, onde tem contato com escritores do romantismo português,
entre eles, Almeida Garret, Alexandre Herculano e Feliciano de Castilho. Ainda em
Coimbra, em 1843, escreve seu famoso poema "Canção do Exílio", onde expressa
o sentimento da solidão e do exílio.
• O ritmo e a melodia fazem com que esse poema passe a ser
considerado por muitos uma espécie de hino á pátria, as rimas e a
pontuação favorecem a musicalidade:

“Minha terra tem palmeiras


Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.”

• A utilização da palavra Sabiá grafada com letra inicial maiúscula,


possui um significado especial, simbólico ao pássaro.
• É possível visualizar a simplicidade na construção do poema,

sendo notória a forma como são compostas as rimas, até

com palavras monossílabas:

(...)
Que tais não encontro eu cá;
...
Prazer encontro eu lá;
(...)
Surgiu também o índio, um herói visto com espírito da

civilização nacional e da luta contra a tradição lusitana.

O indígena passou a ser a mais autêntica ilustração para o

Mito do Bom Selvagem, do filósofo francês Rosseau : O homem

nasce puro, belo, bom e assim permanece enquanto estiver em

contato com a natureza. Gonçalves Dias retrata esse índio nos

poemas de I – Juca Pirama, exaltando o povo indígena na

figura de um índio.
I-Juca Pirama significa "aquele que vai
morrer" ou "aquele que é digno de ser morto".

O poema narra o drama de I-Juca Pirama último descendente dos tupi,


que é prisioneiro de uma tribo inimiga. Para não desamparar o pai, velho e
cego, I-Juca Pirama, implora ao chefe dos timbiras pela sua libertação. O
chefe timbira a concede, e o humilha: "Não queremos com carne vil
enfraquecer os fortes." Solto, o prisioneiro reencontra-se com seu pai, que
indignado, o rejeita por ter sido covarde. O filho volta a tribo dos timbiras e
pede para ser morto. Luta com eles e o chefe da tribo reconhece sua brava e
manda soltá-lo, pois este agora era digno de viver.
IV V VIII IX
“(...) “(...) “(...)
Ora não partirei; quero “Tu choraste em Basta! Clama o chefe
Ao velho coitado presença da morte?
De penas ralado, provar-te dos Timbiras,
Na presença de
Já cego e quebrado, Que um filho dos estranhos choraste?
- Basta, guerreiro
Que resta? - Morrer. Tupis vive com honra, Não descende o cobarde ilustre! Assaz lutaste,
Enquanto descreve E com honra maior, se do forte; E para o sacrifício é
O giro tão breve acaso o vencem, Pois choraste, meu filho mister forças. –
Da vida que teve, Da morte o passo não és!
Deixai-me viver! Possas tu, descendente
glorioso afronta. O guerreiro parou,
maldito
caiu nos braços
De uma tribo de nobres
Não vil, não ignavo, Mentiste, que um Tupi guerreiros, Do velho pai, que o
Mas forte, mas bravo, não chora nunca, Implorando cruéis cinge contra o peito,
Serei vosso escravo: E tu choraste!... parte; forasteiros, Com lágrimas de
Aqui virei ter. não queremos Seres presa de via júbilo bradando:
Guerreiros, não coro Aimorés.
Do pranto que choro: Com carne vil "Este, sim, que é meu
Se a vida deploro, enfraquecer os fortes. filho muito amado!
(...)”
Também sei morrer.” (...)”
(...)”
Segunda geração romântica – byronismo ou
ultrarromantismo (1850-1860) – Mal do Século

A geração contaminada pelo “mal do século”: individualismo,


negativismo, pessimismo, insatisfação com o mundo, angústia,
desespero, crise existencial (herança do Barroco) e desejo de morte.
Nessa fase, o sentimentalismo e a emoção romântica atingiram o
auge absoluto. A influência satânica do poeta inglês Lord Byron tem
seu maior exemplar brasileiro no poeta Álvares de Azevedo em sua
obra.
Contexto

• Jovens burgueses estudantes


• Moravam em república
• Menos caráter social
• Reuniões de elite
• Vida Boêmia
• Bebida e drogas
Tinha uma escrita
com versos doces e
meigos, com temas de
saudade. Foi um dos
poetas mais lido e
declamado da 2ª Geração.
Seu olhar para o amor era
ingênuo. Morreu aos 21
anos de tuberculose.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo

É o poeta brasileiro que mais


autenticamente representou o byronismo,
sendo o mais individualista, subjetivo e
sofrido poeta do Romantismo. Autor de
uma poesia confessional que exprime
sentimentos, dores e emoções do eu lírico
ultrarromântico. Morreu aos 21 anos de
tuberculose.
Obras principais: Pedro Ivo, Lira dos Vinte
Anos, Conde Lopo e Noite na Taverna.
Lira dos Vinte Anos

• A Primeira Parte, com um prefácio escrito pelo poeta Bocage, é


composta de 33 poemas intimistas sobre as dores do amor, o medo
da morte, a mulher faceira, entre outros.
• A Segunda Parte é composta por apenas 14 poemas, no qual o
macabro, o cruel e o sarcástico tomam lugar.
• A Terceira Parte, composta por 77 poemas, resgata um eu-lírico
casto e sentimental.
Noite na Taverna
Noite na Taverna é uma coletânea de
narrativas construída em sete partes. Traz
epígrafes e usa os nomes de cada um dos
narradores como subtítulos, antecedendo as
histórias. Os capítulos de Noite na Taverna são
Uma Noite do Século, Solfieri, Bertram,
Gennaro, Claudius Hermann, Johann e Último
Beijo de Amor.
Poesia de Transição

• Poesia com primeiros


sinais de preocupação
com temas sociais –
Escravidão. Morreu
aos 24 anos de
apoplexia.
• Mauro, o Escravo

(Fragmentos de um poema)

A Sentença

(...)

XI

Oh! Mauro era belo! Da raça africana


Herdara a coragem sem par, sobre-humana,
Que aos sopros do gênio se torna um vulcão.
Apenas das faces de um leve crestado,
Um fino cabelo, contudo anelado,
Traíam do sangue longínqua fusão.
Terceira geração romântica – condoreirismo
(1860-1880)
Contexto Histórico
• Lutas sangrentas:
➢Balaiada ( Maranhão)
➢Revolta dos Liberais (São Paulo e Minas Gerais)
➢Farroupilhas (Rio Grande do Sul)
➢Prosperidade do café

• Escravidão
➢Emancipacionistas: Extinção lenta e gradual
➢Abolicionistas: libertação imediata
➢Escravistas: manutenção do sistema
Condoreirismo
Poesia romântica que tratava de temas
relacionados a questão social.
Condor = liberdade
Os condoreiros
participavam de deba
tes sociais – saraus,
bailes. Poeta orador
para atingir mais pú-
blico.
Tem uma poesia social, condoreira, como
“Navio Negreiro”. O Navio Negreiro é um dos
poemas mais significativos do romantismo
brasileiro. Enquanto outros poetas como
Gonçalves Dias, tomam o índio como herói,
Castro Alves tomou o negro, nada estético,
tido como de casta inferior na sociedade, sem
nenhum valor mítico.
VI
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Castro Alves também tem uma poesia
que fala de amor. Podemos perceber na
em seus poemas um diferencial das
outras gerações poéticas do
romantismo, pois ele trata de uma
mulher de “carne e osso”, não mais
idealizada e inatingível, cujo amor nunca
é reciproco ou possível.
“E amamos – Este amor foi um delírio...
Foi ela minha crença, foi meu lírio,
Minha estrela sem véu...
Seu nome era o meu canto de poesia,
Que com o sol – pena de ouro – eu escrevia
Nas lâminas do céu.
“Em teu seio escondi-me ... como a noite
Incauto colibri, temendo o açoite
Das iras do tufão,
A cabecinha esconde sob asas,
Faz seu leito gentil por entre as gazas
Da rosa do Japão”.
(Dalila, p. 130)
Autor um pouco diferente dos demais, devido
aos seus estudos, pois não tinha uma criação
europeia pelo fato de ter ido estudar nos
Estados Unidos Na épca não teve muito
reconhecimento, mas hoje é muito importante
em nossa literatura. Explora o índio como um
ser mutilado e explorado pelo homem branco.
Sua visão indíanista é muito mais critíca e
social do que européia.
REALISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS
Realismo: preocupação com a verdade exata,
Realismo 1865 1881 observação e análise, personagens tipificadas,
preferência pelas camadas altas da sociedade.
Machado de Assis: Objetividade. Descrições pormenorizadas. Linguagem
Parnasianismo Questão Coimbrã: Antero de Memórias Póstumas de Brás correta, no entanto é mais próxima da natural, maior
Quental contra Castilho Cubas/ interesse pela caracterização que pela ação – tese
(Novos x Velhos) Realismo documental.
Naturalismo Naturalismo: visão determinista do homem (animal,
presa de forças fatais e superiores – meio, herança
Gêneros: prosa (romance, Aluísio de Azevedo: genética, fisiologia, momento). Tendência para análise
conto, crônica), poesia, O Mulato dos deslizes de personalidade. Deturpações psíquicas e
crítica. físicas. Preferência pela classe operária. Patologia
Naturalismo - 80 - o cortiço
social: miséria, adultério, criminalidade,– tese
Prosa: Eça de Queirós experimental.
Definição do ideário Parnasianismo: arte pela arte, objetividade, poesia
Poesia: Antero de Quental, Parnasiano. descritiva, versos impassíveis, exatidão e economia de
Cesário Verde, Guerra Prosa: Machado de Assis, imagens e metáforas, poesia técnica e formal, retomada
Junqueiro. Aluísio Azevedo, Raul Pompéia de valores clássicos, apego à mitologia greco-romana.
Poesia: Olavo Bilac, Alberto de
Oliveira, Raimundo Correia,
Vicente de Carvalho.
Origem do Realismo
O realismo foi um movimento artístico
e cultural que se desenvolveu na segunda
metade do século XIX. A característica
principal deste movimento foi a abordagem de
temas sociais e um tratamento objetivo da
realidade do ser humano: miséria, pobreza,
exploração, corrupção entre outros.
Com uma linguagem clara, os artistas
e escritores realistas iam diretamente ao foco
da questão, reagindo, desta forma, ao

subjetivismo do romantismo.
Características do Realismo

• Retrato da sociedade e das suas relações sem idealização;

• Exclui-se da obra tudo o que vier da sorte, do acaso, do


milagre. Tudo é regido por leis naturais;

• Cientificismo – uso de teorias científicas e filosóficas:


determinismo, o evolucionismo, a psicologia, o positivismo;

• Linguagem simples e direta;

• Tempo da narrativa – preferencialmente o presente;


• Personagens caricaturados das pessoas do dia-a-dia, retratando-se
ou o aspecto psicológico ou o biológico;

• Preferência pela individualidade dos personagens;

• Observação direta e interpretação crítica da realidade;

• Objetividade;
• Análise psicológicas dos personagens;

• Materialismo;

• Crítica às instituições burguesas, à monarquia, a religiosidade, às


crendices populares.
REALISMO – PORTUGAL
Questão Coimbrã - 2º semestre de 1865
➢ Consagrado Antônio Feliciano de Castilho, poeta árcade, idoso e cego,
respeitado por sua vasta cultura e profundo conhecimento dos clássicos.

➢ Castilho, ao posfácio elogioso ao livro Poema da mocidade, de seu protegido


Pinheiro Chagas, aproveita para criticar um grupo de poetas de Coimbra, a
quem acusa de exibicionistas e obscurantistas: Teófilo Braga e Antero de
Quental.

➢ Antero responde a Castilho com uma carta aberta, em forma de panfleto,


intitulada Bom senso e bom gosto.

➢ Uma reação do velho contra o novo, do conservadorismo contra o progresso,


da literatura de salão contra a literatura viva e atuante exigida pelos novos
tempos. *Eça de Queirós
As conferências do Cassino e a geração de 70
• 1870, e tendo já concluído os estudos universitários em
Coimbra, o grupo de amigos se reencontra em Lisboa e passa a
travar debates acerca da renovação cultural portuguesa: nasce
a iniciativa ambiciosa das Conferências Democráticas, que
visavam à reforma da sociedade portuguesa - Cassino
Lisbonense, provocando escândalo.
• Após 5 conferências: proibição - “doutrinas e proposições
que atacavam a religião e as instituições do Estado”.
*Realismo
O Realismo é uma reação
contra o Romantismo: O
Romantismo era a apoteose do
sentimento; -o Realismo é a
anatomia do caráter. É a crítica
do homem. É a arte que nos
pinta a nossos próprios olhos -
para condenar o que houve de
mau na nossa sociedade.

(Eça de Queirós)
Comparação com o Romantismo
Realismo em Portugal (1865-1890)

O capitalismo entra em um novo estágio: de um lado,


grande progresso industrial e formação de grandes
empresas; de outro, uma volumosa classe operária fazendo
reivindicações sociais - tensões sociais.

Nesse contexto, a Europa é agitada por novas ideias no


campo da Filosofia e das ciências, o que permite um
conhecimento mais amplo do ser humano.
Prosa (principal autor):

1- Eça de Queirós: é um dos maiores prosadores da língua


portuguesa. Combate as falhas da instituições, satiriza os
costumes com sutileza e graça, num estilo fluente e de vigor
narrativo.

Obras: O crime do padre Amaro


(http://www.youtube.com/watch?v=7HprdIouoMw)O primo
Basílio, A cidade e as serras e outros.
http://www.youtube.com/watch?v=JJMJyvQLVEc
http://www.youtube.com/watch?v=JJMJyvQLVEc
Poesia
1- Antero de Quental: Optou pela poesia filosófica, metafísica, indagadora das
causas dos fenômenos da consciência e da existência.
Obras: Odes modernas, Versos dos vinte anos, Sonetos completos, Raios da
extinta luz.

2- Guerra Junqueiro: Começa como romântico e evolui para o realismo.


Obras: A musa em férias, Os simples, A velhice do Padre Eterno.
A um poeta

Tu que dormes, espírito sereno


Posto à sombra dos cedros seculares,
Como um levita à sombra dos altares,
Longe da luta e do fragor terreno.

Acorda! é tempo! O sol já alto e pleno,


afugentou as larvas tumulares...
Para surgir do seio desses mares,
Um mundo novo espera só um aceno...
Escuta! é a grande voz das multidões!
São teus irmãos que se erguem! são
canções...
Mas de guerra... e são vozes de rebate!

Ergue-te, pois, soldado do Futuro!


E dos raios de luz do sonho puro,
Sonhador, faze espada de combate!
Quental, Antero de. In. Sonetos. 6ª ed. Lisboa. Sá da
Costa, 1979, p.52
Realismo no Brasil
REALISMO: Brasil (1881-1893)
No Brasil, as últimas décadas do século XIX refletem a crise da
monarquia e a urbanização cada vez mais acentuada. O marco inicial
do Realismo foi em 1881, com a publicação de “Memórias Póstumas
de Brás Cubas”, de Machado de Assis, e de “O Mulato”, de Aluísio
Azevedo (Naturalista).
Os ideais do Realismo originaram o movimento: Naturalismo
Na literatura brasileira o realismo manifestou-se
principalmente na prosa. Os romances realistas tornaram-se
instrumentos de crítica ao comportamento burguês e às instituições
sociais.
Muitos escritores românticos começaram a entrar para a
literatura realista. Nessa época Machado de Assis fundou a
Academia Brasileira de Letras (1897), que segundo os críticos,
oficializou a literatura brasileira.
Machado de Assis: Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de
Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de
1908) foi um escritor brasileiro e é amplamente considerado como o
maior nome da literatura nacional.
Escreveu em praticamente todos os gêneros literários. Foi
poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista
e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a
República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator
dos eventos político-sociais de sua época. Em sua maturidade, reunido
a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente por
unanimidade da Academia Brasileira de Letras.
Narrado em primeira
pessoa, seu autor é Brás Cubas,
um "defunto-autor". Nascido
numa típica família da elite
carioca do século XIX, do
túmulo o morto escreve suas
memórias póstumas
começando com uma
Dedicatória: “Ao verme que
primeiro roeu as frias carnes
do meu cadáver dedico com
saudosa lembrança estas
memórias póstumas.”
Dom Casmurro: Seu personagem principal é Bento
Santiago, o narrador da história que, contada em primeira
pessoa, pretende "atar as duas pontas da vida", ou seja, unir
relatos desde sua mocidade até os dias em que está escrevendo o
livro.
Entre esses dois momentos Bento escreve sobre suas
juventude, sua vida no seminário, seu caso com Capitu e o
ciúme que advém desse relacionamento, que se torna o enredo
central da trama.
http://www.youtube.com/watch?v=jJAHJXIU1lc
Aluísio Azevedo: Aluísio Tancredo Belo Gonçalves Azevedo (São Luís, 14 de
abril de 1857 — Buenos Aires, 21 de janeiro de 1913) foi um romancista, contista,
cronista, diplomata, caricaturista e jornalista brasileiro; além de bom desenhista e
discreto pintor.
Em 1881, ano dentre a crescente efervescência abolicionista, publica o
romance O Mulato, obra que deixa a sociedade escandalizada pelo modo cru com
que desnuda a questão racial e inaugura o Naturalismo na literatura brasileira. Nela,
o autor já demonstra ser abolicionista convicto.
O MULATO: O romance nos
fornece uma boa visão do meio
maranhense da época. Raimundo
é mulato, mas ignora a própria
cor e a sua condição de filho de
escravo. Sendo doutor, estudara
na Europa, não consegue entender
as reservas que lhe faz a alta
sociedade de São Luís. O
personagem é dotado de encantos
e poder sedutor junto às
mulheres; o que não deixa de,
pela idealização, aproximá-lo das
personagens romance.
Naturalismo: corrente cientificista do Realismo - movimento
que considera o ser humano como produto biológico profundamente
marcado pelo meio ambiente, pela educação, pelas pressões sociais e
pela hereditariedade. Todos esses fatores determinam sua condição e
comportamento. O primeiro romance naturalista brasileiro foi O
Mulato”, de Aluísio Azevedo, publicado em 1881.
REALISMO NATURALISMO

Origem: França. Origem: França.

Romance documental É um romance experimental, que é apoiado na


experimentação científica.

Acumula objetos ou fotografias da realidade para que Usa somente a imaginação para tirar suas conclusões, e
haja uma impressão de vida real. que não são tiradas apenas pela observação

Desinteresse pela arte. Sua preocupação é com a denúncia, preocupando-se


política e socialmente

A busca da beleza Seu objetivo é deter-se aos aspectos mais degradante


REALISMO NATURALISMO

Faz analises tanto psicológica como física. Sua análise é feita exteriormente, através de gestos, atos
e ambientes.

Tenta entender o ser através da psicologia. Concentra-se mais no social e na patologia.

Usa a crítica das classes dominantes como conteúdo para Retrata as classes inferiores, proletariado, os marginais e
suas obras. etc

Faz com que o próprio leitor tire suas conclusões, ou Sua apresentação é direta, sem dar oportunidade ao
seja, é indireto. leitor de tirar suas próprias conclusões

Bastante preocupação com o estilo. Existe bastante preocupação com a denúncia, e o estilo
fica em segundo plano
AMBOS

• Fundamentação filosófica: positivismo e


determinismo;
• Aplicam as mesmas teorias, porém de modos
diferentes;
• Anticlericais, antirromânticos e antiburguesia;
• Educam e retratam a sociedade.
Naturalismo:
•Ser humano descrito sob a ótica do animalesco e do sensual;
• Linguagem simples;
• Descrição e narrativa lentas
• Impessoalidade;
• Preocupação com detalhes.

Principais autores:
• Aluísio Azevedo: “O mulato”, em 1881: início do Naturalismo no
Brasil; “O Cortiço”,

• Raul Pompéia: “O Ateneu”.


http://www.youtube.com/watch?v=wc6sczUiJ78
O CORTIÇO: Em “O Cortiço” temos uma
gama de personagens trabalhadores, de
diferentes profissões – lavadora, ferreiro,
operário – reflexo das transformações que o
País enfrentava: determinação do fim do
tráfico negreiro (1850) e da escravatura
(1888), decadência da economia açucareira,
industrialização e crescimento das cidades.
Azevedo tenta fotografar o real e traz todos
esses elementos e conflitos para o romance
https://www.youtube.com/watch?v=oBHky_CAkrQ
Raul Pompéia: Ainda menino, mudou-se com a família para o
Rio de Janeiro. Matriculado no colégio Abílio, distinguiu-se
como aluno estudioso e desenhista caricaturista. Na época,
redigia o jornalzinho "O Archote". Prosseguiu seus estudos no
Colégio Pedro II e publicou em 1880 seu primeiro romance, Uma
tragédia no Amazonas. Em 1881, matriculou-se na Faculdade de
Direito de São Paulo, participando das correntes de vanguarda,
materialistas e positivistas, que visavam fundamentalmente à
abolição da escravidão e à República.
http://www.youtube.com/watch?v=Go3Su0aJHm0
Parnasianismo
Ars gratia artis
MOMENTO HISTÓRICO
europeu

O finaldo século XIX caracteriza-se por uma grande transformação nos meios de produção. O
avanço da industrialização torna possível um crescimento econômico jamais experimentado;
o uso da energia elétrica e do petróleo acelera o desenvolvimento das fábricas.
Momento histórico
europeu

Por um lado, a burguesia consolida seu poder, aumenta seus lucros e fortalece suas posições
políticas. De outro lado, vítima da exploração, o proletariado: excluído do processo econômico e
submetido a condições de trabalho desumanas em troca de salários baixíssimos.
Momento histórico
europeu

Movimentos filosóficos como o positivismo e o marxismo somam-se aos


científicos, como o darwinismo, para emprestar uma visão menos idealizada do
mundo, mais objetiva e distanciada do dogmatismo religioso.
Momento histórico
brasileiro

No Brasil, os movimentos abolicionista e republicano ganhavam corpo e


conquistavam importantes objetivos sociais e políticos: o fim da escravidão e a
proclamação da República.
A pátria, Pedro Paulo Bruno, 1919

Momento histórico
brasileiro

O país alinha-se ao pensamento europeu, separa a Igreja do Estado, organiza o


sistema judiciário do país e estabelece um regime de maior participação
popular.
ESTÉTICA PARNASIANA

Apesar de ser contemporâneo ao Realismo e ao Naturalismo, a estética parnasiana


diferencia-se ideologicamente por não se preocupar com a temática social ou
mesmo com a reflexão sobre o homem e sua condição.
ESTÉTICA PARNASIANA

O racionalismo traduz-se em objetivismo, em rejeição aos excessos românticos e em crítica ao


sentimentalismo. A arte não era um simples entretenimento, mas a busca da beleza, a arte
pela arte.
Estética parnasiana

O poeta, alienado socialmente, inspira-se na Antiguidade Clássica, na mitologia greco-latina


como uma forma de negar os princípios do Romantismo e garantir prestígio entre as camadas
mais letradas do Brasil.
Estética parnasiana

O artificialismo é uma de suas principais características, valorizando excessivamente a forma


(os sonetos, as rimas ricas, a métrica perfeita), ostentando um nível vocabular refinado e
grande rigor gramatical.
Estética parnasiana

O nome Parnasianismo tem origem na Grécia antiga: segundo a lenda, Parnaso é o nome de
um monte da Fócida, consagrado a Apolo e às musas. É o monte onde nasceu Castália, a
musa inspiradora dos poetas.
Estética parnasiana

É uma arte excessivamente descritiva, cheia de adjetivos e imagens poéticas


elaboradas. O objetivo maior é o culto à forma na busca de atingir a perfeição.
Estética parnasiana

A mulher no Parnasianismo é vista com objetividade, contrapondo-se às


idealizações românticas. Desta forma, a sensualidade e o amor carnal eram
cultivados pelos parnasianos.
AUTORES
PARNASIANOS

O Parnasianismo fez bastante sucesso em sua época, estendendo-se da década de 80


do século XIX até a Semana de Arte Moderna em 1922. Foi a poesia “oficial” do Brasil
durante longas décadas.
Autores parnasianos
Autores parnasianos
Autores parnasianos
TEXTO PARNASIANO
A Sesta de Nero
Formosa ancila canta. A aurilavrada lira
Em suas mãos soluça. Os ares perfumando,
Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso, Arde a mirra da Arábia em recendente pira.
O palácio imperial de pórfiro luzente
E mármor da Lacônia. O teto caprichoso Formas quebram, dançando, escravas em
Mostra, em prata incrustado, o nácar do Oriente. coréia.
E Nero dorme e sonha, a fronte reclinando
Nero no toro ebúrneo estende-se indolente... Nos alvos seios nus da lúbrica Popéia.
Gemas em profusão do estrágulo custoso
De ouro bordado vêem-se. O olhar deslumbra,
ardente,
Da púrpura da Trácia o brilho esplendoroso. Olavo Bilac
SIMBOLISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

1890 1893 Simbolismo:


Simbolismo reação contra o positivismo, o
Eugênio de Castro - Cruz e Sousa Naturalismo e o Parnasianismo;
publicação de Oaristos individualismo, subjetivismo
psicológico, atitude irracional e
Publicação de Missal (prosa mística, respeito pela música,
Gêneros: poema e prosa. poética) e Broquéis (poesia). atitude irracional e mística,
respeito pela música, cor, luz;
Poesia: Camilo Pessanha Poesia: Cruz e Sousa e procura das possibilidades do
Alphonsus de Guimaraens, léxico.
Pedro Kilkerry, Emiliano
Perneta.
SIMBOLISMO EM PORTUGAL E NO BRASIL

I – CARACTERÍSTICAS

• O Simbolismo, assim como o Realismo-Naturalismo e o


Parnasianismo, é um movimento literário do final do século XIX .
• Para começarmos nossas reflexões veja a próxima imagem:
Essa imagem é uma conhecida tela de Monet, chamada Nenúfares –
Reflexos verdes. Ela nos apresenta uma característica marcante do
Simbolismo: repare que não há uma definição da imagem. O que vemos são
apenas contornos. Monet apenas sugere o que pode ser a realidade.
• No Simbolismo, ao contrário do Realismo, não há uma preocupação com a
representação fiel da realidade, a arte preocupa-se com a sugestão. O
Simbolismo é justamente isso, sugestão e intuição. É também a reação ao
Realismo/Naturalismo/Parnasianismo, é o resgate da subjetividade, dos
valores espirituais e afetivos. Percebe-se no Simbolismo uma aproximação
com os ideais românticos, entretanto, com uma profundidade maior, os
simbolistas preocupavam-se em retratar em seus textos o inconsciente, o
irracional, com sensações e atitudes que a lógica não conseguia explicar. O
leitor não deveria tentar entender os textos, mas se deixar levar pelas
sensações.
Em Portugal, esse movimento literário tem início, em 1890, com a
publicação do poema Oaristos, de Eugênio de Castro. (Oaristo é um termo
grego que significa “diálogo íntimo” ou “diálogo amoroso”).
Entre as principais características simbolistas estão:
• Espiritualismo e Misticismo
• Sugestão
• Imprecisão
• Sinestesias
• Musicalidade
• Maiúsculas alegorizantes
• Espiritualismo e Misticismo: Para os simbolistas a arte era uma forma de
religião. Os textos simbolistas apresentam muitas vezes uma visão cristã. Era
comum a distinção entre corpo e alma e o desejo de purificação, de
sublimação: anulação da matéria para a libertação da alma. Era também
comum a utilização de vocábulos ligados ao místico e ao religioso, como
missal, breviário, hinos, salmos, entre outros.
• Sugestão = Para a arte simbolista mais importante que nomear as coisas era
sugeri-las. Segundo os simbolistas os leitores é que deveriam adivinhar o
enigma de cada poema.
• Imprecisão = Atrelada à característica anterior, a realidade deveria ser
expressa de maneira vaga e imprecisa. O Simbolismo buscava a essência do
ser humano, os estados da alma, o inconsciente.
Sinestesias = Na poesia simbolista era comum a presença de sinestesias. A sinestesia é uma figura
de linguagem que consiste na fusão de várias sensações, sem que necessariamente haja lógica:

“Nasce a manhã, a luz tem cheiro ... Ei-la que assoma


Pelo ar sutil ... Tem cheiro a luz, a manhã nasce ...
Oh sonora audição colorida do aroma!”
Alphonsus de Guimaraens

Musicalidade = A poesia deveria se aproximar da música. Para conseguirem essa aproximação os


simbolistas usaram em grande escala as figuras de linguagem associadas à sonoridade, como as
rima, o eco, a aliteração, entre outras. Daí a expressão simbolista:

“A música antes de qualquer coisa”.

Veja um exemplo de aliteração. Lembre-se de que a aliteração é a repetição de sons consonantais:


“E as cantinelas de serenos sons amenos
fogem fluidas fluindo à fina flor dos fenos”.
Eugênio de Castro
Maiúsculas alegorizantes = Correspondem à utilização de letras maiúsculas
no meio do texto sem que haja alguma razão gramatical para o seu uso. Elas
são usadas para enfatizar as palavras:

“Indefiníveis músicas supremas,


Harmonias da Cor e do Perfume ...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume ...”
Cruz e Souza
II- SIMBOLISMO EM PORTUGAL – AUTORES

Veja os três maiores representantes do Simbolismo português:

* Eugênio de Castro
* Antônio Nobre
• Camilo Pessanha

A importância de Eugênio de Castro para o Simbolismo português deve-se mais ao


fato de ter sido ele o autor do marco inicial do movimento. Antônio Nobre publicou
um único livro, com um nome bem sugestivo Só. Só é um livro marcado pelo
saudosismo e sentimentalismo, além de apresentar uma rica musicalidade
Mas Camilo Pessanha é o grande
representante do Simbolismo português:

Camilo Pessanha morou muito tempo em Macau, colônia portuguesa na


China. Contam os historiadores que ele era viciado em ópio e que retornou a
Portugal para tratar da saúde debilitada. Ele foi um dos poetas que mais
influenciou o Modernismo português. Seus textos apresentavam uma
linguagem moderna e precisa, com temas ligados à fugacidade da vida. Eram
comuns imagens de naufrágios, rios e água. A frequente recorrência à
brevidade da vida, deixou em seus textos um forte pessimismo.
Veja um fragmento de um de seus textos:

“Passou o Outono já, já torna o frio ...


_ Outono de seu riso magoado.
Álgido Inverno! Oblíquo o sol, gelado ...
_ O sol, e as águas límpidas do rio.
Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?(...)”
III – SIMBOLISMO NO BRASIL – AUTORES
No Brasil, o Simbolismo tem início em 1893, com a publicação de Missal (textos em
prosa) e Broquéis (poesias), de Cruz e Souza. Didaticamente, permaneceu no cenário
literário até 1902 quando ocorre a publicação do livro Os Sertões, de Euclides da
Cunha, considerado o texto introdutor do Pré-Modernismo.

Missal é o nome de um livro que contém orações utilizadas nas missas e broquéis vem
de broquel, tipo de um escudo espartano, numa clara aproximação com o
parnasianismo e seu gosto por objetos antigos. O Simbolismo no Brasil não teve
muita aceitação por parte do público leitor. A maior parte dos leitores preferia os
textos parnasianos. Os parnasianos tinham a imprensa como aliada, pois seus
poemas vendiam muito mais. É por isso que se costuma dizer que o Brasil não teve
um momento tipicamente simbolista, ele ficou meio à margem da literatura oficial
da época.
Veja os maiores representantes do Simbolismo
brasileiro:
• Alphonsus de Guimaraens: Seus textos apresentavam uma temática variada: a
fuga da realidade, a natureza, a religiosidade, o amor espiritualizado, a mulher,
muitas vezes comparada à Virgem Maria.

• Cruz e Sousa: é considerado não só o maior poeta do Simbolismo brasileiro, mas


também um dos maiores representantes do Simbolismo mundial: Cruz e Sousa era
chamado de “O cisne negro” ou “Dante negro”. Por ser negro foi vítima de muitos
preconceitos. Partindo de seus sofrimentos enquanto homem negro, alcançou a
dor e o sofrimento do ser humano. Suas poesias eram marcadas por um forte
misticismo e religiosidade, na busca de um mundo mais espiritualizado. Outra
característica interessante de sua obra é a recorrência direta e indireta à cor
branca, vista na maioria das vezes como símbolo da pureza. Cruz e Sousa escrevia
muito sobre “véus brancos”, “neve”, “luar”, “virginais brancores”, entre outras
sugestões.
Veja um fragmento de um de seus textos mais
conhecidos: Violões que choram
Ah! Plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento...
Tristes perfis, os mais vagos contornos,
(...) Bocas murmurejantes de lamento.
Vozes veladas, veludosas vozes, (...)
Sutis palpitações à luz da lua.
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Anseio de momentos mais saudosos,
Vagam nos velhos vórtices velozes Quando lá choram na deserta rua
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas As cordas vivas dos violões chorosos.
(...)” Quando os sons dos violões vão soluçando.
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.
PRÉ-MODERNISMO
ESTILO PORTUGAL BRASIL CARACTERÍSTICAS

- 1902 Pré-Modernismo: tendência


Pré-Modernismo Publicação de Os Sertões, das primeiras décadas do
de Euclides da Cunha; século XX, sentido mais
Canaã, de Graça Aranha. crítico, fixando diferentes
Prosa: Monteiro Lobato, facetas da realidade social,
Euclides da Cunha, Lima política ou alterações na
Barreto, Graça Aranha. paisagem e cor local.
Poesia: Augusto dos
Anjos.
Pré –Modernismo 1902 - 1922
Pré - Modernismo
Foi um período
literário brasileiro,
que marca a
transição entre o
Parnasianismo e
Simbolismo e o
movimento
Modernista seguinte
em Portugal.
O fim do século XIX marca o início da “República do café-com-leite”,
na qual os grandes proprietários rurais exerciam enorme influência.

Caricatura de Osvaldo Storni sobre as eleições de 1910


A urbanização, ainda
incipiente, não produzia
o quadro de tensão no
qual vivia a Europa, mas
já dava sinais de
crescimento
principalmente em São
Paulo. Rua 15 de Novembro - 1915
O ciclo da borracha desloca para o norte a riqueza do país,
acentuando os contrastes sociais: algumas regiões prosperavam em
meio ao atraso irremediável de outras.
A capital, Rio de Janeiro, sangrava seus problemas sociais. A insurreição ao
poder constituído foi desde a Revolta da Vacina – uma rebelião popular contra a
vacinação obrigatória, mas que guardava suas reivindicações sociais – até a
Revolta da Chibata – uma rebelião de marinheiros contra os castigos físicos.

Charge de Leônidas sobre a


Revolta da Vacina
Não se pode dizer que o Pré-modernismo
constitui-se em uma escola literária em si. É,
em verdade, um conjunto de manifestações do
espírito de uma época, que apresentava o
novo, rompia com o velho, mas ainda não
possuía um rumo certo ou uma intenção
estética.
Características

1 - Ruptura com o passado;


2- Denúncia da realidade
brasileira;
3- Regionalismo;
4- Tipos humanos
marginalizados.
Autores pré-modernistas

Monteiro Lobato
Lima Barreto

Augusto dos Anjos Graça Aranha Euclides da Cunha


• Esses novos autores demonstram um grande

interesse pela realidade nacional, contrariando o

universalismo dos modelos realista-naturalistas. O

cotidiano brasileiro passa a ser exposto nas páginas

dos livros, dando espaço a criação de obras de

nítida preocupação social. Os tipos marginalizados,

as lutas inglórias e as mazelas do povo passam a

ser os temas da prosa pré-modernista.


Linguagem simples
A aproximação com a
realidade brasileira traz como
consequência formal a busca
por uma linguagem mais
simples, mais direta, coloquial,
próxima da população. Os
textos apresentam linguagem
jornalística, aproximando-se,
por vezes, mais da realidade
que de um estilo artístico
propriamente dito.
“O sertanejo é, antes
de tudo, um forte.
Não tem o raquitismo
exaustivo dos
mestiços do litoral. A
sua aparência,
entretanto, ao
primeiro lance de
vista, revela o
contrário.”
Os sertões
Euclides
da Cunha

Foi representado
pela minissérie
“Desejo” na Globo
em 1990
Abaixo você encontra um vídeo da minissérie Desejo, escrita por
Glória Perez e produzida pela Rede Globo de Televisão em 1990.
Nos papeis principais, Tarcísio Meira (como Euclides da Cunha),
Vera Fischer (como Anna de Assis) e Guilherme Fontes (como
Dilermando de Assis).
http://www.youtube.com/watch?v=2X-mJ-X2cwk
Principal obra: Os Sertões “A bíblia
da nacionalidade brasileira”
Em pouco mais de 2 meses,
a primeira edição se esgota,
rendendo ao autor 2 contos
e 200 mil réis. Era o sinal
mais claro de que os leitores
desejavam uma mudança de
abordagem em relação aos
http://www.youtube.com/watch?v
=d1m_er9fPlE romances do século XIX.
“E era assim todos os dias, há
quase trinta anos. Vivendo em
casa própria e tendo outros
rendimentos além do seu
ordenado, o Major Quaresma
podia levar um trem de vida
superior ao seus recursos
burocráticos, gozando, por parte
da vizinhança, da consideração e
respeito de homem abastado.”

Triste Fim de Policarpo Quaresma


Lima Barreto: a vida nos subúrbios cariocas.

Era responsável por compor um retrato que a eleite não


se preocupava: os subúrbios cariocas.

Características e estilo literário:


• Escreveu romances, sátiras, contos, textos jornalísticos e
críticas.
• Abordou em suas obras as grandes injustiças sociais;
• Fez críticas ao regime político da República Velha.
• Possuía um estilo literário fora dos padrões da época. Seu
estilo era despojado, coloquial e fluente.
• É um escritor de transição entre o Realismo e o Modernismo.
Principais obras
• Recordações do escrivão Isaías
Caminha (1909)
• Triste fim de Policarpo
Quaresma (1915)
• Numa e ninfa (1915)
• Os bruzundangas (1923)
• Clara dos Anjos (1948)
• Diário Íntimo (1953) https://www.youtube.com/watch?v=aHnWjuB
MKsg
“- Upa! Cavalgo e parto.
Por estes dias de março a natureza acorda
tarde. Passa as manhãs embrulhada num
roupão de neblina e é com
espreguiçamentos de mulher vadia que
despe os véus da cerração para o banho
de sol.
A névoa esmaia o relevo da paisagem,
desbota-lhe as cores. Tudo parece coado
através dum cristal despolido.”
Urupês
O aspecto mais importante da obra de Monteiro Lobato é
sua preocupação em denunciar alguns dos problemas que
marcam a vida das pessoas do interior. O foco do autor é a região
do vale do Paraíba, que entrou em decadência após o
deslocamento das culturas de café.
• Urupês e o nascimento de Jeca Tatu

"Urupês", obra publicada originalmente em 1918, reúne ao todo


14 contos de Monteiro Lobato. Esta obra surgiu do artigo “Velha
praga”, publicado originalmente no jornal O Estado de São
Paulo no ano de 1914.. Além do problema causado pela seca do
inverno, Monteiro Lobato estava exausto das constantes
queimadas praticadas pelos caboclos. Por conta disso, ele
resolveu escrever uma carta de indignação ao jornal, que viu
naquele texto algo muito valioso e o publicou.
“Velha praga” causou grande impacto e polêmica,
fazendo com que Monteiro Lobato publicasse outros
textos que dariam origem ao livro "Urupês".
Um destes textos, cujo título dá nome ao livro
(“Urupês”), dá vida ao que seria sua mais famosa
personagem: o caboclo Jeca Tatu. Se o índio surgira como
modelo ideal do brasileiro para os escritores do Romantismo
da fase indianista, a figura do caboclo aparecia como seu
substituto moderno – ao que Monteiro Lobato chamou de
“caboclismo”.
• Trecho de "Urupês": LOBATO, Monteiro. Urupês. São Paulo:
Brasiliense, 1997. (1. ed. 1918).
(...)
O caboclo é soturno.
Não canta senão rezas lúgrubes.
Não dança senão o cateretê aladainhado.
Não esculpe o cabo da faca, como o cabila.
Não compõe sua canção, como o felá do Egito.
No meio da natureza basílica, tão rica de formas e cores, onde os
ipês floridos derramam feitiços no ambiente e a infolhescência dos
cedros, às primeiras chuvas de setembro, abre a dança do angarás;
onde há abelhas de sol, esmeraldas vivas, cigarras, sabiás, luz, cor,
perfume, vida dionísica em escachôo permanente, o caboclo é o
sombrio urupê de pau podre a modorrar silencioso no recesso das
grotas.
Só ele não fala, não canta, não ri, não ama.
Só ele, no meio de tanta vida, não vive...
https://www.youtube.com/watch?v=iCEhAxPjVhE
Monteiro Lobato é reconhecido também por
sua produção infantil, a qual não era explorada por
autores. O primeiro livro de Monteiro Lobato lançado
em 1921 foi “A menina do narizinho arrebitado”. Sua
literatura voltada ao público infantil tem caráter
pedagógico e sempre tem intenção de passar uma
moral. No entanto, sua obra-prima infantil é o "Sítio
do Pica-Pau Amarelo", o qual retrata em seus
personagens a realidade das figuras brasileiras
https://www.youtube.com/watch?v=PHRAXfN5aqY
CRÍTICA:

• Conceito de família;
• Racismo;
• Dona Benta representa a burguesia agrária;
• Tia Nastácia, que é descendente de escravos, representa o povo brasileiro e a
cultura popular;
• Pedrinho e Narizinho, esses personagens representam a futura elite dirigente
do Brasil, assim, recebem melhor educação para que o poder de governar o
país continue nas mãos da classe dominante, porém mais esclarecida.;
• Tio Barnabé, agregado. Os agregados, assim como a servidão de Tia Nastácia,
representavam formas de dominação do trabalho livre, surgidas no período pós-
abolição;
• Coronel Teodorico – representa os coronéis com poder político local e famintos por
terras, a semelhança dos coronéis da Primeira República;
• Emília - boneca de pano, astuta, insubmissa, irreverente, com grande poder de
persuasão e a mais representativa personagem do Sítio do Picapau Amarelo, visto
que Lobato a utiliza para tratar de temas polêmicos e questionar valores
estabelecidos.;
• Visconde de Sabugosa - sabugo de milho científico, representante da ciência
positivista. Visconde de Sabugosa e Dona Benta são os personagens que ensinam
Geologia e Geografia à turma do Sítio do Picapau Amarelo. Ele também representa a
prudência e a experiência, comportamentos comuns a um adulto e não a uma criança;
• A obra infantil lobatiana, por inserir personagens como a Cuca e o Saci no imaginário
dos seus leitores, pode ser entendida na perspectiva de resgate da relação do ser
humano com a natureza, que foi sendo transformada com a urbanização.
Negrinha - Monteiro Lobato

Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha
escura, de cabelos ruços e olhos assustados.
Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos
cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre
escondida, que a patroa não gostava de crianças.
Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos
padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu.
Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali
bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo.
Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas,
esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo.
Ótima, a dona Inácia.
Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva.
Viúva sem filhos, não a calejara o choro da carne de sua carne, e por isso não
suportava o choro da carne alheia. Assim, mal vagia, longe, na cozinha, a triste
criança, gritava logo nervosa:
• — Quem é a peste que está chorando aí?
Quem havia de ser? A pia de lavar pratos? O pilão? O forno? A mãe da
criminosa abafava a boquinha da filha e afastava-se com ela para os fundos
do quintal, torcendo-lhe em caminho beliscões de desespero.
— Cale a boca, diabo!
No entanto, aquele choro nunca vinha sem razão. Fome quase
sempre, ou frio, desses que entanguem pés e mãos e fazem-nos doer...
Assim cresceu Negrinha — magra, atrofiada, com os olhos
eternamente assustados. Órfã aos quatro anos, por ali ficou feito gato sem
dono, levada a pontapés. Não compreendia a idéia dos grandes. Batiam-lhe
sempre, por ação ou omissão. A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma
palavra provocava ora risadas, ora castigos. Aprendeu a andar, mas quase
não andava. Com pretextos de que às soltas reinaria no quintal, estragando
as plantas, a boa senhora punha-a na sala, ao pé de si, num desvão da
porta.
— Sentadinha aí, e bico, hein?
Negrinha imobilizava-se no canto, horas e horas.
— Braços cruzados, já, diabo! (... )
José Pereira da Graça
Aranha nasceu no dia 21 de junho
de 1868, no Maranhão.
Cursou Direito em Recife e foi
trabalhar como juiz no Rio de
Janeiro e no interior do Espírito
Santo. Em 1902 publicou o romance
Canaã e viajou durante 20 anos
percorrendo a Europa, onde teve
contato com os rumos que a arte
moderna passou a tomar.
Graça Aranha participou da Semana de Arte
Moderna, fevereiro de 1922, São Paulo. Foi um dos
fundadores da Academia Brasileira de Letras em 1897,
porém, não havia publicado nenhuma obra.
Uma característica pré-modernista de sua obra
“Canaã” é o regionalismo. Trata-se do retrato da vida de
uma comunidade de imigrantes alemães que vivem no
Espírito Santo. A história reflete dois pensamentos
distintos através de dois personagens característicos:
Milkau (o qual procura encontrar a terra prometida, ou
seja, Canaã, no Brasil) e Lentz (que acredita na
superioridade germânica
https://www.youtube.com/watch?v=ZZC-8yBnEx4
Versos Íntimos
(...)
Toma um fósforo. Acende teu
cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera
do escarro,
A mão que afaga é a mesma
que apedreja.

Se a alguém causa inda pena


a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te
afaga,
Escarra nessa boca que te
beija!
• Através de uma poesia formalmente trabalhada, numa
linguagem cientificista-naturalista, ao lado de uma
poesia sem rodeios, objetiva, Augusto dos Anjos
atingiu uma popularidade incrível. Nela, ele exprimia
seu “pessimismo”, sua angústia diante dos problemas
pessoais e a inconstância do tema “morte”.
“E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!”
(“Idealização da Humanidade Futura”)
Há quem diga que o poeta fazia poesia com “bula de
remédio” ou com descrições originadas em aulas de Anatomia
Humana. Isso se deve ao fato de o poeta adotar o vocabulário
das ciências biológicas para falar da morte, da decomposição da
matéria, expressando uma versão trágica da existência.

“Ah! Para ele é que a carne podre fica,


E no inventário da matéria rica
Cabe aos seus filhos a maior porção!”
(“O Deus-Verme”)
• A DANÇA DA PSIQUE

A dança dos encéfalos acesos


Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!

E então que a vaga dos instintos presos


- Mãe de esterilidades e cansaços -
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos

Subitamente a cerebral coréia


Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto

Arranco do meu crânio as nebulosas


E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!
Modernismo
O Modernismo
(O que é? Como? Quando? Por quê?)
O modernismo foi um grande
movimento artístico do séc. XX, que
se desenvolveu na Europa,
sobretudo em França. Baseou-se na
ideia de uso de formas tradicionais e
da vida cotidiana de modo a criar
uma nova cultura.
Passou então a existir o objetivo de achar
marcas antigas e substitui-las por formas novas, de
maneira a chegar a um progresso em que as
pessoas passam a adaptar as suas visões do
mundo e a aceitar que o que é novo é também
belo. Em 1905, fauvistas (do francês les fauves, "as
feras", como foram chamados os pintores não
seguidores do cânone impressionista, vigente à
época) libertam a arte das convenções
academicas.
VANGUARDAS ARTÍSTICAS EUROPÉIAS
- “ISMOS” -

• Vanguardas: em termos
artísticos, designa aqueles que
preveem e anunciam o futuro, os
novos tempos.
Vanguardas Europeias
São um conjunto de tendências que, numa determinada
época, se opõem às tendências vigentes, principalmente no
campo das artes. Cronologicamente, tais manifestações
artísticas surgiram em torno da 1º Guerra Mundial,
compreendendo o período que a antecedeu e o período que a
sucedeu - quando então o mundo já se preparava para a 2º
Grande Guerra.

• Cubismo(1907)
• Futurismo(1909)
• Expressionismo(1910)
• Dadaísmo(1918)*
• Surrealismo(1924)
Principais características do período:
1.Belle Époque;

1.Euforia burguesa pelo advento da Era da


Máquina;

2.Culto ao progresso, à velocidade e aos confortos


proporcionados pela tecnologia;

3.Surgimento do cinematógrafo, do automóvel e das


máquinas voadoras.
Características gerais das vanguardas:
• Fundação da modernidade: novas linguagens e
temáticas;

• Enfocam a euforia e o pessimismo;

• Crítica às convenções burguesas;

• Irracionalismo;

• Negação do academicismo;

• Negação das formas fixas;


Situação Histórica:

1.I Grande Guerra Mundial (1914-1918);

2.Ruína econômica dos países europeus;

3.Declínio dos valores e falência dos ideais;

4.Desilusão, desencanto, perplexidade;

5.Descrédito das antigas “certezas” científicas e


religiosas.
Contexto Intelectual:
1.Psicanálise (o inconsciente), de Sigmund Freud;

2.Intuicionismo (fonte do conhecimento), de Henry


Bergson;

3.“A morte de Deus” e a filosofia de Friedrich


Nietzsche ganham espaço;

4.A arte acompanha o colapso do mundo burguês e


reflete a tensão do momento.
Cubismo

A técnica dos cubistas é a da representação da realidade por


meio de estruturas geométricas, desmontando os objetos para
que, remontados pelo espectador, deixassem transparecer uma
estrutura superior, essencial. Os cubistas afirmam que as coisas
nunca aparecem como elas são, mas deformadas em todos os
sentidos.
CUBISMO
O ponto de partida do Cubismo foi a
pintura de Pablo Picasso. O quadro Les
Demoiselles d’Avignon, de 1907
propunha uma nova forma de apreensão
do real. Por meio de formas
geometrizadas, deformadas, Picasso
procura captar o objeto em
simultaneidade, isto é, de vários ângulos
ao mesmo tempo.
Cubismo

Les Demoiselles
d’Avignon (1907), de
Pablo Picasso.
Cubismo
Cubismo na literatura:
• Humor;
• Antintelectualismo;
• Valorização dos cinco sentidos;
• Superposição de planos – frases breves e rápidas –
cinematográficas;
• Ilogismo – mais analógico que lógico.
Cubismo
Na literatura podem ser apontados os seguintes elementos do
estilo cubista:
• a obra de arte não deve ser uma representação objetiva da natureza,
mas uma transformação dela, ao mesmo tempo objetiva e subjetiva.
• a procura da verdade deve centralizar-se na realidade pensada, criada,
e não na realidade aparente.
• a ordem cronológica deve ser eliminada. As sensações e recordações
vão e vêm do presente ao passado, embaralhando o tempo.
• a valorização do humor, a fim de afugentar a monotonia da vida nas
modernas sociedades industrializadas.
• a supressão da lógica; preferência pelo pensamento-associação, que
transita entre o consciente e o subconsciente.
Cubismo
Poeminha cinético

Era um homem bem vestido


Foi beber no botequim
Bebeu muito, bebeu tanto
Que
s a iu
de

a s m.
s i
(Millôr Fernandes)
Cubismo
O Capoeira Oswald foi o inaugurador,
em nossa literatura, da
- Qué apanhá sordado? transposição de técnicas
- O quê? de cinema - "montagem"
- Qué apanha? de cenas, tentativa de
Pernas e cabeças na descontinuidade para
calçada causar a impressão de
"imagens simultâneas" -
(Oswald de Andrade) para o texto literário.
Futurismo
O futurismo é um movimento artístico e
literário, que surgiu oficialmente em 20 de fevereiro de
1909 com a publicação do Manifesto Futurista, pelo
poeta italiano Filippo Marinetti, no jornal francês Le
Figaro. Os adeptos do movimento rejeitavam o
moralismo e o passado, e suas obras baseavam-se
fortemente na velocidade e nos desenvolvimentos
tecnológicos do final do século XIX. Os primeiros
futuristas europeus também exaltavam a guerra e a
violênca.
O Futurismo desenvolveu-se em todas as artes
e influenciou diversos artistas que depois fundaram
outros movimentos modernistas.
Futurismo
Parada amorosa, 1917.
Nesta tela, o cubista
Francis Picabia faz nítida
homenagem à máquina,
realçando a tendência
futurista de “valorizar os
mecanismos que movem o
mundo”, em suas próprias
palavras.
Futurismo - Literatura
• A destruição da sintaxe e a disposição das “palavras em liberdade”;
• O emprego de verbos no infinitivo, com vistas à substantivação da linguagem;
• A abolição dos adjetivos e dos advérbios;
• O emprego do substantivo duplo (burguês-burguês, burguês-níquel) em lugar
do substantivo acompanhado de adjetivo;
• A abolição da pontuação, que seria substituída por sinais da matemática (+) ,
(-) , (=) , (<) , (>) e pelos sinais musicais;
• A destruição do eu , isto é, toda a psicologia;
• Onomatopeias e imagens que incorporam o som das engrenagens da
máquinas.
Futurismo
Ode triunfal
À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da
fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos
antigos.
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim
(...)

(Álvaro de Campos – heterônimo de Fernando Pessoa)


Expressionismo
• A arte não é imitação. É criação subjetiva, livre, é expressão
dos sentimentos;
• A realidade que circunda o artista é horrível e, por isso, ele a
deforma ou a elimina, criando a arte abstrata;
• A razão é objeto de descrédito; A arte é criada sem obstáculos
convencionais, o que representa um repúdio à repressão
social;
• A vivência da dor deriva do sentido trágico da vida e causa uma
deformação torturada;
• A arte se desvincula do conceito de belo e feio e torna-se uma
forma de contestação.
Expressionismo

O grito (1893), de
Edvard Munch;
óleo sobre cartão.
Expressionismo
Expressionismo na literatura:
• Linguagem fragmentada, constituída por frases
nominais (basicamente aglomeração de
substantivos e adjetivos), às vezes até sem sujeito;
• Despreocupação com a organização do texto em
estrofes, com o emprego de rimas ou de
musicalidade;
• Combate à fome, a inércia e aos valores do mundo
burguês.
Poema expressionista
O MEU TEMPO
Cantos e metrópoles, levianas febris,
Terras descoradas, polos sem glória,
Miséria, heróis e mulheres da escória,
Sobrolhos espectrais, tumulto em carris.

Soam ventoinhas em nuvens perdidas.


Os livros são bruxas. Povos desconexos.
A alma reduz-se a mínimos complexos.
A arte está morta. As horas reduzidas.
Wilheim Klem
Dadaísmo

Colagem-espelho,
obra de
Kurt Schwitters,
de 1920.
DADAÍSMO
Surgido em Zurique, na Suíça, com o primeiro manifesto do romeno Tristan Tzara, lido em 1916, o
Dadaísmo foi a mais radical das correntes de vanguarda.
Para os dadaístas, a guerra evidenciava a crise de uma civilização cujos valores morais e
espirituais já não tinham mais razão de serem preservados. Por isso, afirmavam o desejo de
independência, de desconfiança para com a sociedade em geral: “Não reconhecemos nenhuma teoria.
Basta de academias cubistas e futuristas: laboratórios de ideias formais”.
Numa prova dessa liberdade total, o próprio Tristan Tzara explica como surgiu o nome do movimento:
“Encontrei o nome por casualidade, inserindo uma espátula num tomo fechado do Petit Larousse e
lendo jornal, imediatamente, ao abri-lo, a primeira linha que me chamou a atenção: Dada. Meu
propósito foi criar apenas uma palavra expressiva que através de sua magia fechasse todas as portas
à compreensão e não fosse apenas mais um –ISMO”.

Dadaísmo
Faziam parte das propostas dadaístas:

• a denúncia das fraquezas por que a Europa passava.


• a recusa dos valores racionalistas da burguesia.
• a desmistificação da arte: “a arte não é coisa séria”.
• a negação da lógica, da linguagem, da arte e da ciência.
• a abolição da memória, da arqueologia, dos profetas e do futuro.
Dadaísmo

Certos de que a arte não precisa ser compreensível,


os dadaístas inventaram a técnica dos ready made, que
consiste em retirar um objeto do uso corrente de seu
ambiente normal, para criar máquinas impossíveis de
utilização. Marcel Duchamp, um dos mais geniais
criadores do ready made, expôs, entre outras coisas,
uma roda de bicicleta cravada num banco e um urinol.
Pintou também, certa vez, uma Mona Lisa decorada com
bigodes.
A Fonte, de Marcel Duchamp
Entre os mais famosos
Ready-mades está
L.H.O.O.Q. que, em
frânces quando lido,
assemelha-se com Elle a
chaud au cul que,
traduzido fica: Ela tem fogo
no cu, refere-se à Mona
Lisa, obra de Leonardo da
Vinci. Trata-se de um
retrato da Mona Lisa ao
qual Marcel Duchamp
acrescentou bigode e
cavanhaque.
Dadaísmo
Dadaísmo na Literatura:
• Agressividade, improvisação, desordem;
• Rejeição a qualquer tipo de racionalização e
equilíbrio;
• Livre associação de palavras – o acaso substitui a
inspiração, a brincadeira substitui a seriedade;
• Invenção de palavras com base na exploração da
sonoridade.
No último manifesto do movimento (ao todo foram sete), Tzara
dá uma receita para fazer um poema dadaísta:
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu
poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam
esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do
saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade
graciosa, ainda que incompreendido do público.
(Tristan Tzara)
A Batalha
Berr... bum, bumbum, bum...
Ssi... bum, papapa bum, bumm
Zazzau... Dum, bum, bumbumbum
Prä, prä, prä... râ, äh-äh, aa...
Haho! ...
(Ludwig Kassak)
Surrealismo
Neste Rosto de Mae West
podendo ser utilizado como
apartamento surrealista, Salvador
Dalí apropria-se da técnica de
colagem dos dadaístas,
apresentando objetos deslocados
de suas funções: os cabelos de
atriz transformados em cortinas;
os olhos, em quadros; o nariz, em
aparador; os lábios, em poltrona.
CARACTERÍSTICAS DO SURREALISMO:

• Busca de um mundo alucinado, de estranhas associações


e sensações
• Conflito entre a vida vivida e a vida sonhada
• Ilogismo, valorização do inconsciente
• Emprego da imagem liberada: tudo é possível
• Humor negro
• Desejo de redenção do ser humano
Surrealismo

A persistência da memória, de Salvador Dalí.


Surrealismo
Surrealismo na literatura:
•Imagens oníricas - extraídas do sonho,
do imaginário;
•Metáforas surreais – realidade e sonho
se conjugam;
“Para todo o sempre, como sobre a areia
branca do tempo, e graças a este instrumento que
se destina a medi-lo, mas que por ora apenas vos
fascina e esfomeia, para todo o sempre, reduzido a
um infinito fio de leite a escorrer de um seio de
vidro. Perante e contra tudo, manterei que o sempre
é a grande chave. Tudo o quanto amei – quer o
tenha ou não conservado comigo -, sempre haverei
de amá-lo
André Breton. O Amor Louco.
Modernismo em Portugal
Século XX : O mundo de pernas para o ar.

•Notável desenvolvimento científico e tecnológico


(máquinas, progresso, velocidade).

•Conflitos Políticos – Primeira Guerra Mundial


(1914 -1918).
O século XX chega a Portugal
• *1890 Ultimatum inglês
Foi um ultimato do governo britânico - chefiado pelo
primeiro ministro Lord Salisbury - entregue a 11 de Janeiro
de 1890 na forma de um "Memorando" que exigia a
Portugal a retirada das forças militares chefiadas pelo
major Serpa Pinto do território compreendido entre as
colónias de Moçambique e Angola (nos atuais Zimbabwe e
Zâmbia), a pretexto de um incidente entre portugueses e
Macololos.
• Em 1917, um golpe de estado liberado por Sidônio Pais deu início a
um período de ditadura.
• Uma reação burgesa contra a “corrupção” política deu origem ao
golpe militar de 1926.
• Para desenvolver a nova política econômica foi convocado Antônio de
Oliveira Slazar, professor de finanças da universidade de Coimbra.
• 1933 Slazar fez aprovar uma nova Constinuição e deu início à ditadura
do Estado Novo, que só chegaria ao fim em 1974
Modernismo – Geração de ORPHEU
LITERATURA E ARTE – Orpheu 1915
✓Orpheu foi muito mais do que
uma revista - foi um marco:
símbolo do nascimento de uma
geração que trouxe para
Portugal a essência do
movimento modernista.
✓A revista contou com apenas
dois números. A revista foi o
resultado da convivência de
jovens artistas que se reuniam
nos cafés de Lisboa.
Grandes Revelações Literárias do
Século XX
• Fernando Pessoa

• José de Almada Negreiros

Mário de Sá Carneiro
O poeta de muitas faces

Fernando Pessoa – Ele


mesmo.

O “mestre” Alberto Caeiro


(o homem do campo)

Ricardo Reis – lirismo


clássico (o médico)

Álvaro de Campos (O
engenheiro naval)
I - Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho. (...)
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer coisa natural
➢ Saudade – Solidão – Nostalgia
➢ Melancolia-Tédio
José de Almada Negreiros
Almada foi um dos mais ativos e
influentes artistas da geração
Orpheu. Além da literatura e da
pintura a óleo, Almada desenvolveu
ainda composições coreográficas
para “ballet”. Trabalhou em
tapeçaria, gravura, pintura mural,
José de Almada Negreiros,
caricatura, mosaico, azulejo e vitral. Auto-retrato, 1948
‘O Número’, 1958, de Almada Negreiros (1893-1970)
Tribunal de Contas de Lisboa
Ultimatum Futurista
Às gerações portuguesas do século XX

Eu não pertenço a nenhuma das gerações


revolucionárias. Eu pertenço a uma geração construtiva.
Eu sou um poeta português que ama a sua pátria. Eu
tenho a idolatria da minha profissão e peso-a. Eu
resolvo com a minha existência o significado atual da
palavra poeta com toda a intensidade do privilégio.
Eu tenho vinte e dois anos fortes de saúde e de
inteligência.
Almada Negreiros
Mário de Sá Carneiro
• A angústia existencial e o
tema constante e, até
mesmo, obsessivo de sua
obra.

“Perdi-me dentro de mim


Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.” Escultura do poeta – Parque dos
Poetas é um projeto da Câmara
Municipal de Oeiras, que pretende
homenagear a cultura portuguesa.
Ditadura em Portugal
Com a chegada de Slazar ao
poder e o início da ditadura do Estado
Novo, a repressão se inicia também.
É no contexto do início do Estado
Novo que surge a revista Presença,
com a proposta de uma literatura
mais instrospectiva e intimista.
O “interregno” – Interrupção

Os escritores dessa época


demonstram vinculo à tradição
Simbolista/Decadentista:

▪Florbela Espanca
▪Aquilino Ribeiro.
Florbela Espanca - (1894-1930)

Amar
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
▪ Cenários outonais
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente ▪ Horas da tarde
Amar! Amar! E não amar ninguém! ▪ Estados de alma
indefinidos
Recordar? Esquecer? Indiferente!... ▪ Tom decadentista
▪ Dor
Prender ou desprender? É mal? É bem?
▪ Angústia
Quem disser que se pode amar alguém existencial
Durante a vida inteira é porque mente! [...] ▪ Profundo
sofrimento
Aquilino Ribeiro: a importância das tradições

▪Imagem tradicional de escritor português


ligado a terra.
▪Tom provinciano, nacionalista
▪Cuidado com a expressão linguística
▪Culto da religiosidade
▪Valoriazação dos costumes
rústicos
Presencismo – Segunda geração do
modernismo português (1927-1940)
Os objetivos da Revista Presença eram:
Levar adiante o projeto de modernidade, varrer
resquícios de romantismo, historicismo e
decadentismo que ainda perduravam com a geração
anterior. Seus membros defendiam uma literatura
viva (tudo que é original).
Presença, depois de Orpheu, é, efetivamente, a
revista que se sobressai, não apenas pela sua
continuidade - de 1927 a 1940 - saíram 54 números -
mas por uma intenção de reassumir uma
modernidade através de uma consciência crítica.
Os escritores ensimesmados - recolhidos,
voltados para dentro de si mesmos

• Certa alienação social


• Literatura introspectiva
• Divulgação das conquistas da primeira geração
modernista
• Preocupações existenciais – aproximam a literatura das
teorias de Freud.
• Autores: José Régio (principal teórico do grupo), Miguel
Torga, João Gaspar Simões, Adolfo Casais Monteiro e
Branquinho da Fonseca.
A análise interior, a introspecção, era o
caminho para essa forma de expressão.

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu. [...]
3º momento (1940-1947)
O Neorrealismo
• Repúdio à literatura de caráter psicológico e
intimista;
• Proposta de uma literatura engajada;
• Consciência dos problemas enfrentados em
Portugal
• Inspiraram-se em Eça de Queirós
• Autores: Alves Redol, Vergílio Ferreira,
Fernando Namora.
Alves Redol e os trabalhadores da terra

Sua linguagem expressa elevado


grau de visualismo nas descrições das
paisagens ribatejanas e nos gestos e
expressões de suas personagens.
Através da correspondência entre o
discurso verbal e o discurso pictórico,
Alves Redol consegue criar no leitor, a
ilusão de ser um espectador que
assiste a um espetáculo ou a
sensação de estar diante de um
quadro.
Trechos da obra...
Pareciam cercados no trabalho pelo braseiro de um fogo
que alastrasse na Lezíria Grande. Como se da Ponta de Erva ao
Vau a leiva se consumisse nas labaredas de um incêndio que
irrompesse ao mesmo tempo por toda a parte.
O ar escaldava; lambia-lhes de febre os rostos corridos
pelo suor e vincados por esgares que o esforço da ceifa
provocava. O Sol desaparecera há muito, envolvido pela massa
cinzenta das nuvens cerradas. Os ceifeiros não o sentiam
penetrar-lhes a carne abalada pela fadiga. Lento, mas
persistente, parecia ter-se dissolvido no ar que respiravam,
pastoso e espesso.
Trabalhavam à porta de uma fornalha que lhes alimentava
os pulmões com metal em fusão. Quase exaustos, os peitos
arfavam num ritmo de máquinas velhas saturadas de movimento.
Início: Semana de Arte Moderna

Contexto histórico: Fundação do Partido Comunista Brasileiro


• A Revolução de 1930
• Poesia nacionalista.
Espírito irreverente, polêmico e destruidor, movimento contra.
Anarquismo, luta contra o tradicionalismo; paródia, humor.
Liberdade de estética. Verso livre sem uso da métrica. Linguagem coloquial.
MODERNISMO

Destacaram-se:
- Mário de Andrade - Obra: Pauliceia desvairada (Prefácio Interessantíssimo)
- Oswald de Andrade - Obra: Manifesto antropofágico / Pau-Brasil
- Manuel Bandeira - Obra: Libertinagem
MODERNISMO

Primeira geração
1922 a 1930
A exposição de Anita Malfatti

• Principal antecedente da Semana da Arte


Moderna.

• Arte julgada “esquisita” por Lobato.

• Propagação da arte vanguardista.

• Eixo cultural muda do Rio para São Paulo.


O homem amarelo
A mulher de cabelo verde
PARANOIA E MISTIFICAÇÃO

“Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que


veem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte
pura, guardados os eternos ritmos da vida, e adotando para a
concretização das emoções estéticas os processos clássicos dos
grandes mestre.”

“A outra espécie é formada pelos que veem


anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz das teorias
efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas
cá e lá como furúnculos da cultura excessiva.”

Monteiro Lobato
A Semana de Arte Moderna de
1922 – 11 a 18 de Fevereiro
• Centenário da Independência política do Brasil.
• Mecenato paulista (termo que indica o incentivo e
patrocínio de artistas e literatos, e mais
amplamente, de atividades artísticas e culturais).
• O espanto do público.

➢Mário de Andrade publicou “Pauliceia


desvairada”.
➢Oswald de Andrade publicou “Memórias
sentimentais de João Miramar”.
➢Manuel Bandeira apresentou “O ritmo dissoluto”
O projeto literário da primeira
geração modernista

• Inovação linguística.
• Culto ao progresso.
• Autenticidade da obra de arte.
• Publicação de “Klaxon” - Lançada em São Paulo no
mesmo ano que se realiza a Semana de Arte Moderna,
Klaxon (1922-1923) é a primeira revista modernista do
Brasil.
• Modernismo toma conta do centro político e econômico do
país.
• Não havia apoio popular.
Os sapos
(...)
Vai por cinquenta anos
O sapo-tanoeiro,
Que lhes dei a norma:
Parnasiano aguado,
Reduzi sem danos
Diz: - "Meu
A fôrmas a forma.
[cancioneiro
É bem martelado. Clame a saparia
Em críticas céticas:
Vede como primo Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Urra o sapo-boi:
Os termos cognatos. - "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" –
O meu verso é bom "Não foi!".
Frumento sem joio. (...) Manuel Bandeira
Faço rimas com
Consoantes de apoio .
• O texto inicia-se com uma referência do poetas
parnasianos.

• E ironiza o modo perfeito de se fazer arte.


“Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.”

• Logo, o poema “Os sapos” faz uma crítica contundente


ao parnasianismo de modo irônico e sarcástico,
valendo-se do tema e da própria forma poética na
construção poética.
Os manifestos:
• 1924 – Manifesto pau-brasil (Oswald de
Andrade). – poesia ingênua, primitivista

• 1927 –. Manifesto do verde-amarelismo


(Menotti del Piccha) – nacionalismo ufanista

• 1928 – Manifesto antropófago (Oswald de


Andrade) – Oswald propugnava uma
atitude brasileira de devoração ritual dos
valores europeus
AUTORES DA PRIMEIRA
GERAÇÃO MODERNISTA
Oswald de Andrade
Poesia:
Ironia
Humor
Crítica e imenso amor ao país
Irreverência e concisão.
Linguagem simples e ágil (também na prosa)

Prosa:
 Linguagem cinematográfica (Memórias
Sentimentais de João Miramar)
Canto de regresso à pátria
Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares


Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas


E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas


Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra


Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

***
BRASIL
O Zé Pereira chegou de caravela
E perguntou pro guarani da mata virgem
- Sois cristão?
- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
- Sim pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval.
“A Gare”
Tarsila do Amaral
1925
Mário de Andrade
Poesia
Apego a São Paulo
Defesa dos falares regionais
Reflexão sobre nacionalismo
Obsessão pela língua “brasileira”
Liberdade formal

Prosa
”Amar, verbo intransitivo”
”Macunaíma”
Amar, verbo intransitivo
O romance apresenta no próprio título uma contradição gritante,
afinal, o verbo "amar" é transitivo direto e não intransitivo. Se isto já não
bastasse, ainda recebe uma curiosa classificação: é apresentado na capa
como Idílio.

A história, classificada como idílio pelo próprio autor, é sobre a iniciação


sexual do protagonista, Carlos Alberto. Seu pai, Sousa Costa, preocupado
em prepará-lo para a vida, contrata uma profissional para isso, Fräulein
Elza (o grande medo de Sousa Costa é que, se seu filho tivesse sua
iniciação num prostíbulo, poderia ser explorado pelas prostitutas ou até se
tornar toxicômano por influência delas). Oficialmente, ela entra no lar
burguês de Higienópolis para ser governanta e ensinar alemão aos quatro
filhos do casal Sousa Costa, D. Laura.
Macunaíma
"Macunaíma" é fruto do conhecimento reunido por Mario de Andrade
acerca das lendas e mitos indígenas e folclóricos. Dessa forma,
pode-se dizer que a obra é uma rapsódia, que é uma palavra que
vem do grego e designa obras tais como a Ilíada e a Odisseia de
Homero.

O nome Macunaíma, que significa o grande mal, coisa ruim, já é o


primeiro dado da sátira, de crítica, mas por outro lado tem "Herói de
nossa gente", com tom profético ironizando, pois Cristo é o salvador.
Isso aparece como um visão de um herói pícaro ou de um herói às
avessas, pois a caracterização dos heróis em outras obras são
lindos, belos e perfeitos e já em Macunaíma, os seus defeitos estão
mais exaltados, ou seja, mais evidentes do que as suas qualidades.
Manuel Bandeira
Melancolia
Proximidade com a morte
Simplicidade linguística
Descrição do cotidiano
Evocação do passado
Morte como libertação
TESTAMENTO
(...)
Criou-me, desde eu menino,
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
(...)
Alcântara Machado
Prosa urbana
Inovação com reprodução do falar do imigrante italiano
Cotidiano retratado
Caricata

Livros e flores
Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?
Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?
Contexto histórico:

A Era Vargas
• Lampião e o cangaço no sertão
• Destaca-se a prosa regionalista nordestina (prosa neo-realista e neo-naturalista).

MODERNISMO - 2 FASE
Representantes:
- Graciliano Ramos - representante maior, criador do romance psicológico nordestino -
Obras: Vidas Secas; São Bernardo.
- Jorge Amado - Obras: Mar Morto; Capitães da Areia.
- José Lins do Rego - Obras: Menino de Engenho; Fogo Morto.
- Rachel de Queiroz - Obra: O Quinze.
- José Américo de Almeida - Obra: A Bagaceira

Poesia 30/45 - ruma para o universal.


Carlos Drummond de Andrade faz poesia de tensão ideológica.

Fase de Drummond:
- Eu maior que o mundo - poema, humor, piada.
- Eu menor que o mundo - poesia de ação.
- Eu igual ao mundo - poesia metafísica.

Poetas espiritualistas:
- Cecília Meireles - herdeira do Simbolismo.
- Jorge de Lima - Invenção de Orpheu.
- Vinícius de Moraes - Soneto da Fidelidade.
Modernismo –
2ª Fase
(1930 a 1945)

Prosa Regionalista

Cândido Portinari
Principais características:
•Consciência do subdesenvolvimento;
•Neorrealismo;
•Radicalização Ideológica;
•Predomínio da Narrativa Regional;
•Denúncia Social;
•Romance Psicológico.
Contexto Histórico:
• Brasil – um país que cresce com muitos
problemas;
• 2ª Guerra Mundial;
• O Brasil e o mundo
vivem profundas
crises nas décadas
de 30 e 40;

http://www.militaryphotos.net
• Bomba Atômica sobre as cidades de
Hiroshima e Nagasaki; crise da Bolsa de
Nova York; crise Cafeeira; Comunismo.

Em Agosto de 1945
os Estados Unidos da
América entraram
para a história
mundial por ser a
primeira e única
nação a despejar o
terror atômico sobre
enormes populações
de civis.
Características da prosa neorrealista:

• Romances caracterizados pela denúncia social;


• Verdadeiro documento da realidade brasileira;
• O regionalismo ganha força – busca do homem brasileiro
nas diversas regiões;
• Os romances tratam do surgimento da realidade capitalista,
a exploração das pessoas, movimentos migratórios,
miséria, fome, a seca, entre outros temas.
Prosadores Modernistas- geração de 30.

Primeiro Romance Publicado: A Bagaceira (1928) , de José


Américo de Almeida.
A Bagaceira foi o livro com o qual José Américo,
político de grande influência na Paraíba, destacou-se
na literatura. Retrata o nosso nordeste e a dificuldade
dos habitantes em lidar com a seca. A história se
passa entre dois períodos de forte seca, 1898 e 1915.
Nas palavras de Guimarães Rosa, José Américo
de Almeida "abriu para todos nós o caminho do
moderno romance brasileiro". É uma trágica história
de amor que funciona como uma denúncia sobre a
questão social no Nordeste.
Rachel de Queiroz (1910-2003)
Quebrou uma tradição ao tornar-se a primeira
mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

“Na verdade, eu não gosto de escrever e se eu morrer


agora, não vão encontrar nada inédito na minha casa”.
Características de sua obra:
• Falou do Ceará; da seca; do povo que lá vive; da Terra.
• O Quinze, de 1930: tem como tema a grande seca de 1915.

Romances:
- O Quinze (1930)
- João Miguel (1932)
- Caminho de Pedras (1937)
- As Três Marias (1939)
- Dôra, Doralina (1975)
- O Galo de Ouro (1985) - folhetim na revista " O Cruzeiro", (1950)
- Obra Reunida (1989)
- Memorial de Maria Moura (1992)

Escreveu também: Peças de Teatro, Literatura Infantil, Crônicas, além


de inúmeras traduções de obras da literatura universal.

http://www.youtube.com/watch?v=yaimp8ouk0c
GRACILIANO RAMOS (1892 – 1953) -
O MESTRE DO REGIONALISMO NORDESTINO.

“Nada existe fora dos acontecimentos.”


Graciliano Ramos
"O cinema e a
televisão criam
imagens,
a literatura cria
imaginação."
JORGE FURTADO
Características da obra de Graciliano Ramos

• Estilo conciso, linguagem despojada e seca;


• Regionalismo universal;
• O homem e a sociedade em constante desequilíbrio;
• Análise social e psicológica das personagens;
• Animalização do homem versus a humanização dos
animais (Vidas Secas);
• Fidelidade ao real.
• http://www.youtube.com/watch?v=zjkuWv1YQYo
Jorge Amado (1912- 2001)

• Regionalismo baiano, zonas


rurais do cacau e zona urbana
de Salvador;
• Tipos marginalizados;
• Análise da sociedade;
• Utilização em suas obras da “fala do povo”;
• Valorização da figura feminina.
Alguns livros
Romances Proletários: mostram a vida em
Salvador com um retrato social - Suor, O País do
Carnaval e Capitães da Areia.

Ciclo do Cacau: a vida nas fazendas nas


regiões de Ilhéus e Itabuna - Cacau, Terras do
Sem-Fim, São Jorge dos Ilhéus.

Crônicas de Costumes e depoimentos líricos:


novelas, romances com temáticas amorosas. -
Mar Morto, Gabriela Cravo e Canela, A Morte e
a Morte de Quincas Berro D’água.
http://www.youtube.com/watch?v=VTav_7PbnpU
José Lins do Rego (1901- 1957)

• Decadência dos engenhos de cana-de-


açúcar;
• Ciclo da cana-de-açúcar: sua vivência no
engenho;
• O narrador de Menino de Engenho, Carlinhos,
é o reflexo do próprio autor em alguns
momentos;
• Fogo Morto (1943) sintetiza o ciclo e conta a
história de um engenho chamado Santa Fé.
Menino de Engenho – O Filme
Que fascínio e poder de
sedução teve o filme Menino de
Engenho, rodado na Paraíba
em 1965, para atrair cerca de 2
milhões de espectadores,
acumular prêmios no Brasil e
reconhecimento no exterior? O
que explica o encantamento
arrebatador de suas imagens e
narrativa, 40 anos depois?
Onde anda o menino de
engenho Sávio Rolim, símbolo
do filme que já nasceu
clássico? Leia o livro..
Érico Veríssimo (1905-1975)

“Em geral quando termino um livro encontro-me


numa confusão de sentimentos, um misto de alegria,
alívio e vaga tristeza. Relendo a obra
mais tarde, quase sempre penso ‘Não era bem isto o
que queria dizer’.”

(O escritor diante do espelho)


Obras:
1) Romances urbanos: Clarissa, Caminhos
cruzados, Um lugar ao sol, Olhai os lírios do campo,
Saga e o Resto é silêncio.

2) Romances históricos: O tempo e o vento. A


trilogia de Érico Veríssimo procura abranger
duzentos anos da história do Rio Grande do Sul, de
1745 a 1945.

3) Romances políticos: denunciam os males do


autoritarismo e as violações dos direitos humanos -
O senhor embaixador, O prisioneiro e Incidente em
Antares.
http://www.youtube.com/watch?v=wQ8HLPULxmw
Homenagem de Carlos Drummond de Andrade ao amigo
A falta de Erico Verissimo

Falta alguma coisa no Brasil


depois da noite de sexta-feira.
Falta aquele homem no escritório
a tirar da máquina elétrica
o destino dos seres,
a explicação antiga da terra.
Falta uma tristeza de menino bom
caminhando entre adultos
na esperança da justiça
que tarda - como tarda!
a clarear o mundo.
Falta um boné, aquele jeito manso,
aquela ternura contida, óleo
a derramar-se lentamente.
Falta o casal passeando no trigal.
Falta um solo de clarineta.
Dionélio Machado

“O que nos cerca e aprisiona é o infinito,


a falta de horizonte próximo, que marque uma
etapa, como quem diz: uma finalidade... A
ansiedade, porém é a mesma.”
Dionélio Machado
Esquecido pelos historiadores e pela crítica literária
durante décadas.

Em suas narrativas, a análise dos problemas


humanos é feita a partir das pequenas coisas
massacrantes que envolvem o cotidiano das pessoas
comuns e as anulam.

A obra Os Ratos (1935) talvez seja uma das mais


profundas experiências de introspecção na literatura
brasileira.
Modernismo:
2° fase
Poesia de 30
• A poesia nessa época vivia um de
seus melhores momentos, tratava
de um período de maturidade e
alargamento das conquistas dos
modernistas da primeira geração.
E nessa geração os poetas
sentiam-se à vontade tanto para
criar um poema com versos livres
quanto para fazer um soneto. Sem
que isso significasse voltar ao
parnasianismo
Autores da poesia de 30:

•Carlos Drummond de Andrade


•Murilo Mendes
•Jorge de lima
•Cecília Meireles
•Vinicius de Morais
Carlos Drummond de Andrade
• É considerado por alguns críticos o principal poeta
brasileiro do século XX. Formou-se em farmácia,
mas nunca exerceu a profissão, pois dedicou-se ao
jornalismo e ingressou no funcionalismo público.
Foi poeta e prosador(cronista) admirável. Os
primeiros trinta anos dos 56 da carreira poética do
autor, podemos identificá-las como: a fase gauche
(1930); a fase social (1940-1945); a fase não (1950-
1960); e a fase da memória (1970-1980).
a fase gauche (1930)

Tem como características o pessimismo, o isolamento,


o individualismo e a reflexão existencial. Nota-se nesta
fase um desencanto em relação ao mundo.

• Obras
“Alguma Poesia” (1930)
“Brejo das Almas” (1934)

Características dessas obras: ironia, o humor e a


linguagem coloquial.
a fase social (1940-1945)

A 2ª fase, chamada fase social, é marcada pela


vontade do poeta de participar e tentar transformar o
mundo, o pessimismo e o isolamento da 1ª fase é
posto de lado. O poeta se solidariza com os problemas
do mundo.

• Obras
“Sentimento do mundo” (1940)
“José” (1942
“Rosa do Povo” (1945)
a fase não (1950-1960)
A 3ª fase pode ser dividida em 2 momentos: poesia
filosófica e poesia nominal.

• Poesia Filosófica: textos que refletem sobre vários temas de


preocupação universal como a vida e a morte.
Obras
“Claro Enigma” (1951)
“Fazendeiro do ar” (1955)
“Vida passada a limpo” (1959)

• Poesia Nominal: repletas de neologismos e aliterações.


Obras
“Lição de coisas” (1962)
a fase da memória (1970-1980)

• Como o próprio nome já diz, as obras desta fase (década de 70 e


80), são cheias de recordações do poeta. Os
temas infância e família são retomados e aprofundados além dos
temas universais já discutidos anteriormente.
• Obras
“Boitempo”
“Boitempo III”
“As impurezas do branco”
“Amor Amores”

*Drummond também escreveu contos e crônicas

Curiosidade
• Após a sua morte descobriu-se um conjunto de poemas eróticos
que ele mantinha em segredo intitulado “O amor natural”
(1992).
Obras de Carlos Drummond

• Algumas poesias (1930)


• Brejo das almas (1934)
• Sentimento do mundo, José (1942)
• Rosa do povo (1945)
• Claro enigma (1951)
• Fazendeiro do ar (1955)
• Entre outras
Claro Enigma (1951)
• Os 41 poemas desta obra, publicada em 1951, têm
como pano de fundo os sentimentos e as angústias do
homem diante das transformações sociais da primeira
metade do século XX. Diferentemente de sua poesia
anterior, de fundo social, o autor registra o vazio da
vida humana e o absurdo do mundo.

• Contexto: a Guerra Fria e a ameaça de uma bomba


atômica atormentavam um mundo dividido em dois
blocos: o capitalista, liderado pelos Estados Unidos, e o
socialista, encabeçado pela União Soviética
• A esperança no homem politizado é substituída pelo
desencanto em relação ao homem e à vida. As referências
explícitas ao mundo real e concreto, historicamente
localizado, são abandonadas em nome de um universo
filosófico e metafísico, que mergulha no íntimo do ser
humano, excluindo o mundo externo e seu entorno.

• O indivíduo não aparece como o ser isolado (gauche),


característica marcante da primeira fase de sua poesia, nem
voltado para as questões sociais do homem conectado com
as transformações do mundo, como caracteriza seu segundo
momento literário. O indivíduo agora é melancólico e
desiludido como atesta o poema Cantiga de enganar: “O
mundo não vale o mundo, / meu bem. / Eu plantei um pé-
de-sono, / brotaram vinte roseiras. / Se me cortei nelas
todas / e se todas se tingiram / de um vago sangue jorrado /
ao capricho dos espinhos, / não foi culpa de ninguém”.
• A forma:
Em Claro Enigma há uma preocupação com o resgate do
poema clássico. Nesse momento distante da primeira
geração modernista, da qual também fez parte, o poeta
sente-se à vontade para rever os poemas de formas fixas e
de versos rimados. Inclusive, alguns poemas são sonetos –
compostos por 14 versos – e fazem referência à poesia
formal.

• O temas:
Os poemas versam sobre vida, amor, ausência, tempo, sexo
e a própria poesia. Abordam o homem em suas questões
existências em busca da compreensão metafísica dessas
temas.

• Intertextualidade:
A cidade e as serras – Eça de Queirós Conto
Conversa de bois - Guimarães Rosa
• NÃO DEIXE O AMOR PASSAR

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração


parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode
ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo
brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que
você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e
os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe
algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa
pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o
coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor
.Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras
do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O
AMOR.
Murilo Mendes
Seus poemas estão repletos de conteúdos originais e de imagens cotidianas,
tingidas de surrealismo, linguagem religiosa e de preocupação com o social.
Destacam-se, igualmente, os processos surrealistas e de montagem, abrindo
espaço para a "sequência onírica", obtida por meio de combinação associativa.
A justaposição sintática e o emprego do simbólico dão cor e sentido aos
versos.

Obras:
• Bumba-meu poeta (1930)
• Historia do Brasil (1932)
• Tempo e eternidade (1935)
• Contemplação de ouro preto (1940)
• Siciliana, tempo espanhol, convergência são as três ultimas obras de
Murilo Mendes.
• Reflexão nº1

Ninguém sonha duas vezes o mesmo


sonho. Ninguém se banha duas vezes no
mesmo rio. Nem ama duas vezes a mesma
mulher. Deus de onde tudo deriva. E a
circulação e o movimento infinito. Ainda
não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.
Jorge de Lima - “Príncipe dos poetas”
• Fez uma brilhante carreira como médico,além de ingressar
na vida política, se afirmou como poeta. Embora ele seja
conhecido como poeta, sua obra não se restringia à poesia.
Foi também pintor, fotógrafo, ensaísta, biógrafo, historiador
e prosador. Um aspecto marcante de Jorge de Lima nessa
fase é a presença da raça negra. Sua poesia, ao mesmo
tempo que denuncia a condição de exploração e
marginalização a que sempre foram submetidos os negros
no pais, consegue também captar sua linguagem, sua alma,
seu modo de pensar e de agir
Obras de Jorge de Lima
• XIV alexandrinos (1914)
• O mundo do menino impossível (1925)
• Poemas (1927)
• Tempos e eternidade (1935)
• Poemas negros (1937)
• A invenção de Orfeu
• Entres outras
Essa negra fulô
Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!

Essa negra fulô


Ora, se deu que chegou
(isso já faz muito tempo)
no bangüê dum meu avô
uma negra bonitinha,
chamada negra Fulô.
Essa negra Fulô!
Essa negra Fulô!
Cecília Meireles
• A primeira grande escritora da literatura brasileira, é a primeira voz
feminina de nossa poesia moderna. A produção literária de Cecília
Meireles é ampla, embora mais conhecida como poetisa, deixou
contribuições no domínio do conto, da crônica, da literatura infantil e do
folclore. No ponto de vista formal, Cecília foi a mais habilidosa em nossa
poesia moderna, sendo cuidadosa em sua seleção vocabular e forte
inclinação para a musicalidade. A escritora utiliza técnicas literárias
tradicionais para compor seus versos, a estruturação do soneto é um
exemplo. Ainda é importante lembrar que são temas costantemente
retratados em seus poemas a morte, o amor, o eterno e o efêmero.
Obras de Cecília Meireles
• Espectros (1919)
• Nunca mais... E poemas dos poemas
(1923)
• Baladas para El-rei (1925)
• Romanceiro da inconfidência (1953)
• "O Amor...

É difícil para os indecisos.


É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"
Vinícius de morais
• Nasceu no Rio de janeiro, formou-se em letras em 1929 e
em direito em 1933, ano em que publicou seu primeiro
livro de poemas, O Caminho para a Distância, tornou-se
representante do Ministério de Educação junto à censura
cinematográfica. Ele ingressou na vida do jornalismo no
ano de 1940, e nesse período conheceu intelectuais e
artistas de todo o mundo. Como poeta, Vinícius integra o
grupo de poetas religiosos que se formou no Rio de janeiro
entre as décadas de 1930 e 40.
• Tanto no tom exaltado, cheio de ressonâncias, como no
tema e forma, a poesia inicial de Vinícius de Moraes está
impregnada de religiosidade e misticismo neo-simbolistas.
Obras de Vinícius de morais

• Antologia poética (1955)


• Ariana, a mulher (1936)
• Cinco elegias (1943)
• O operário em construção (1956)
• Pra viver um grande amor (1962)
• Para uma menina com uma flor (1966)
GAROTA DE IPANEMA
Vinicius de Moraes e Tom Jobim, sentados em uma
mesa do antigo Bar Veloso - hoje chamado Garota de
Ipanema - observaram Helô Pinheiro, na época com
apenas 17 anos, a caminho da praia de Ipanema. A letra
foi escrita por Vinicius em Petrópolis e era originalmente
chamada de “Menina que passa”.
A melodia foi criada meticulosamente por Tom,
que de início não era destinada para a música, mas sim
para uma peça concebida por Vinicius que nunca saiu do
papel. Posteriormente, quando Tom se encontrou com
Vinicius nasceu a canção por completo. Nasce a canção
“Garota de Ipanema” em 1962, chegando a ser
considerada o hino da Bossa Nova.
• Pela luz dos olhos teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Contexto histórico:

MODERNISMO - 3 FASE
A Redemocratização do Brasil
• A ditadura militar no Brasil
• Continua predominando a prosa.
Representantes:
- Guimarães Rosa - Neologismo - Obra: SAGARANA.
- Clarice Lispector - Introspectiva - Obra: Laços de Família,
onde a autora procura retratar o cotidiano monótono e
sufocante da família burguesa brasileira.
Obs.: Os escritores acima procuram universalizar o romance
nacional. São considerados pela crítica literária, escritores
instrumentalistas.
Poesia concreta:
- João Cabral de Melo Neto - poeta de poucas palavras. Obra
de maior relevância literária: Morte e Vida Severina. Tem
intertextualidade com o teatro Vicentino.
A prosa Pós-Moderna de 45
Na prosa e nos contos a introspecção foi uma das
características mais presentes, além do regionalismo por meio da
recriação de costumes e uso da língua portuguesa no campo;
Guimarães Rosa e Clarice Lispector foram considerados autores
instrumentalistas. Ambos são chamados de instrumentalistas, o que
significa dizer que se preocupavam muito com o trabalho, isto é, com
a melhor elaboração de seus respectivos textos. A diferença mais
evidente entre ambos é que em Guimarães Rosa existe ainda a
manutenção do enredo com suspense, ao passo que em Clarice
Lispector aparece o abandono claro do enredo referencial narrativo
e o mergulho nas profundezas da alma de personagens isolados e
problemáticos.
• - Guimarães Rosa (1908-1967)
Nasceu em 27/06/1908 e
morreu em 19/11/1967. Um dos
maiores nomes da Literatura
Brasileira do século XX.
Guimarães Rosa significa para a
Literatura do século XX, o que
Machado de Assis significou no
século XIX.
Guimarães Rosa conseguiu
renovar e reinventar a linguagem
regionalista (tema explorado por
vários autores da nossa Literatura).
Formou-se em medicina e em 1934
tornou-se diplomata chegando a ser
embaixador.
Era um estudioso das línguas
e da natureza e sua passagem por
vários países só fez aumentar seu
interesse
Características de sua obra
Além das criações de palavras (neologismos)
podemos apontar outras características.
• - Uso de aliterações e onomatopeias no intuito de criar
sonoridade. Temas envolvendo destino, vida, morte,
Deus. A língua falada no sertão está presente em sua obra
(fruto de anotações e pesquisas linguísticas).
• Guimarães Rosa utiliza termos que não são mais usados,
cria neologismos, faz empréstimos de palavras
estrangeiras e explora estruturas sintáticas para recriar e
reinventar a língua portuguesa.
• Além disso, Guimarães Rosa faz uso do ritmo, aliterações,
metáforas e imagens para criar uma prosa mais poética
ficando no limite entre a poesia e a prosa.
Grande Sertão:
Veredas SAGARANA
• Sagarana (1946 – contos e novelas
Veredas é considerada a obra-prima do
regionalistas)
escritor e um dos melhores romances da nossa
literatura. Trata-se de um monólogo do início ao fim do • Obs: se procurarmos no dicionário a palavra

livro. Sagarana, não a encontraremos. Ela foi


Riobaldo (ex-jagunço e chefe de bando, mas inventada pelo autor. Esse processo chama-se
agora vive como fazendeiro) conta para um interlocutor neologismo e foi muito usado pelo escritor.
suas aventuras.
- SAGA (radical germânico): usado para
Os questionamentos de Riobaldo sobre os
designar narrativas em prosa.
mistérios da vida são um reflexo do que todos nós
- RANA (sufixo tupi-guarani): significa “à
sentimos em relação a vida e a existência.
O romance que sugere várias interpretações, semelhança de”

até hoje desafia a critica, o público e os estudiosos da


literatura brasileira.
• - Clarice Lispector (1925-1977) nasceu na Ucrânia,
na aldeia Tchetchenilk, no ano de 1925. Os
Lispector emigraram da Rússia para o Brasil no
ano seguinte, e Clarice nunca mais voltou á
pequena aldeia.
O objetivo de Clarice, em suas obras, é o
de atingir as regiões mais profundas da mente das
personagens para aí sondar complexos mecanismos
psicológicos. É essa procura que determina as
características especificas de seu estilo.
O enredo tem importância secundária. As
ações - quando ocorrem - destinam-se a ilustrar
características psicológicas das personagens. São
comuns em Clarice histórias sem começo, meio ou
fim. Por isso, ela se dizia, mais que uma escritora,
uma "sentidora", porque registrava em palavras
aquilo que sentia. Mais que histórias, seus livros
apresentam impressões.
Pós- Modernismo – Poesia
de 45
Pós- Modernismo
• Fim da Segunda Guerra Mundial.
• Mundo capitalista (Estados Unidos) x Socialista (ex-União
Soviética).
• Escritores como Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz,
Jorge Amado tiveram suas obras queimadas em praça
pública.
• 1946, os militares depõem Getúlio Vargas. A presidência
é assumida pelo general Eurico Gaspar Dutra.
• 1951, Getúlio Vargas retorna.
• Vargas se suicidou. Convocação de nova eleição elegeu
Juscelino Kubitschek.
• Governo de JK, crescimento industrial acelerado.
O pós-modernismo nasce da ruptura com
algumas certezas e definições que sustentavam
conceitos do campo social, político, econômico,
estético, etc.
• Individualidade extrema;
• Solidariedade e busca do bem-estar social são postas
de lados.
Esse movimento teve início em 1945, mas
manteve seu fôlego até 1950 para se realizar mais
plenamente em 1960. A “matéria” ganha destaque. A
arte se alia à mídia e busca atingir o grande público.
O projeto literário da POESIA de 1945

• a busca de mensagens (temas, motivos poéticos)


que dessem ao texto a dimensão de um testemunho
crítico da realidade no plano social, moral e político;

• o desejo de encontrar códigos formais que


trouxessem para o verso estruturas semelhantes às
utilizadas para a comunicação de massa (cores,
símbolos, exploração do formato das letras,
organização gráfica, etc.), elemento essencial da
sociedade contemporânea.
Poesia de 45
• Renovação estética
• Valorização da técnica de
composição
• Ampliação do poder de significação
da palavra e do texto
• Busca de temas relacionados ao
social, moral e político
João Cabral de Melo Neto (1920)
nasceu na cidade de Recife - PE, no
dia 09 de janeiro de 1920. Autor
de "Morte e Vida Severina",
poema dramático que o
consagrou. Foi eleito membro da
Academia Brasileira de Letras. Ele
e Graciliano Ramos possuem o
mesmo grau ético e artístico, que
objetiva com precisão uma prática
poética comum: deram à paisagem
nordestina, com suas diferenças
sociais, uma das dimensões
estéticas mais fortes, cruéis e
indiscutíveis que já se conheceu.
Morte e Vida Severina
• Morte e vida severina (Auto de natal pernambucano) é a obra mais
popular de João Cabral. Nela, o poeta mantém a tradição dos autos
medievais, fazendo uso da musicalidade, do ritmo e das
redondilhas, recursos que agradam o povo. Ela foi encenada pela
primeira vez em 1966 no Teatro da PUC em São Paulo, com música
de Chico Buarque.. O poema narra à caminhada do retirante
Severino, desde o sertão até sua chegada em Recife e, além das
denúncias de certos problemas sociais do Nordeste, constitui uma
reflexão sobre a condição humana.
Morte e Vida Severina
— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
O Concretismo
A publicação, em 1956, da revista Noigandres trouxe à cena
literária brasileira uma proposta radical de experimentação com a
forma que propunha incorporar à poesia os signos da sociedade
moderna, aliando a exploração de aspectos formais e a observação
crítica da realidade.

A poesia concreta pretendia promover a expansão dos


sentidos da poesia, incorporando o signo visual como elemento
carregado de significado, que interage com as palavras criando
novos sentidos e multiplicando as possibilidades de leitura.
A poesia concreta pretendia promover a expansão dos
sentidos da poesia, incorporando o signo visual como
elemento carregado de significado, que interage com as
palavras criando novos sentidos e multiplicando as
possibilidades de leitura.
• Principais representantes
• Augusto de Campos
• Décio Pignatari
• Haroldo de Campos
• Luiz Sacilotto
Neoconcretismo Poema-processo
• o sentido do texto • 1967
nascia no momento da • utilizavam signos gráficos
composição do poema. (figuras geométricas,
• o leitor quem dava perfuração no papel) e
abandonam o livro como
“realidade” ao poema. suporte tradicional.
• uso de dobras e recortes • poesia que podia nem
nas páginas que mesmo ter palavras,
obrigam a interação do atribuindo ao signo verbal
leitor. um lugar secundário.
Neoconcretismo Poema-processo
• - Ferreira Gullar (1930)
Pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de
setembro de 1930) é um poeta, crítico de arte, biógrafo,
tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos
fundadores do neoconcretismo. Sua obra é marcada por
diferentes fases de pesquisa estética, desde o
experimentalismo e o lirismo até a poesia de cordel e a
dicção coloquial.
FASE CONTEMPORÂNEA
Tendências
Contemporâneas

O teatro no século XX
A literatura contemporânea
Da década de 1980 à atualidade.

Alguns poetas, que iniciaram sua produção nos anos


1960 e 1970, atingem a maturidade nas décadas seguintes,
numa ampla variação de registros que inclui a influência da
poesia clássica, da poesia modernista de 22 ou das novas
vanguardas da década de 1950. É grande também o número
dos poetas novos de boa qualidade e, alguns, de grande
originalidade.
Lygia Fagundes Telles

• Linguagem ao mesmo tempo límpida e vigorosa;


• Temática que revela uma percepção sensível da realidade e das
relações sociais;
• Cultiva uma espécie de Realismo que ora se explora o flagrante
de costumes e conflitos psicológicos, ora se mostra sensível às
fantasias;
• Suas obras tematizam a solidão, os amores tempestuosos, os
conflitos familiares, as frustrações, a incomunicabilidade dos seres
e a ambiguidade das relações entre as pessoas;
• Principais obras: Porão e sobrado, Ciranda de Pedra, Histórias do
desencontro, Verão no aquário e sua obra mais discutida As
meninas.
DALTON TREVISAN

•FICOU CONHECIDO COMO “O VAMPIRO DE CURITIBA”, DEVIDO


SEU COMPORTAMENTO POUCO AFEIÇOADO À VIDA PÚBLICA E POR
VIVER ENCLAUSURADO SEM DAR ENTREVISTAS OU AUTÓGRAFOS.
• SUA OBRA TRATA DOS ASSUNTOS DO DIA-A-DIA DE SUA
CIDADE RECRIANDO AS OBSESSÕES, OS DRAMAS E AS MISÉRIAS
DAS PESSOAS COMUNS;
• INSPIRADO NOS HABITANTES DA CIDADE, CRIOU PERSONAGENS
E SITUAÇÕES DE SIGNIFICADO UNIVERSAL, EM QUE AS TRAMAS
PSICOLÓGICAS E OS COSTUMES SÃO RECRIADOS POR MEIO DE
UMA LINGUAGEM CONCISA E POPULAR, QUE VALORIZA OS
INCIDENTES DO COTIDIANO SOFRIDO E ANGUSTIANTE.
RUBEM FONSECA

• ADORAO ANONIMATO, ASSIM COMO DALTON TREVISAN, E É


EXTREMAMENTE RESERVADO, AVESSO A ENTREVISTAS E FOTOS;
• RELACIONADO À VERTENTE DO REALISMO FEROZ, SUA OBRA
FALA DO UNIVERSO DA MARGINALIDADE COM ÊNFASE PARA A
VIOLÊNCIA E A DEGRADAÇÃO HUMANA, POR MEIO DA TÉCNICA
DO IMPACTO E O PREDOMÍNIO DO CENÁRIO URBANO;
• EM SEU GRANDE VIGOR INVENTIVO E ORIGINALIDADE
EMPREENDEU INÚMERAS EXPERIÊNCIAS FORMAIS,
ENVEREDANDO PELA MISTURA DE GÊNEROS;
• SUAS PRINCIPAIS OBRAS SÃO: OS PRISIONEIROS (CONTOS,
1963), A COLEIRA DO CÃO (CONTOS, 1965), LÚCIA MCCARTNEY
(CONTOS, 1967), O CASO MOREL (ROMANCE, 1973),
Lobo Antunes
Médico psiquiatra, transformou-se após passar atrás três
anos em Angola, na fase final da Guerra Colonial. Da
experiência na então colônia portuguesa na África, o escritor
extraiu a matéria que definiria seus romances: o pesadelo da
guerra.
José Saramago - português
Primeiro escritor de língua portuguesa a ser agraciado com o
prêmio Nobel de Literatura, 1998, tornou-se mundialmente famoso
com o romance Memorial do convento, no qual traça um retrato do
Portugal barroco, durante o reinado de D. João IV.
Saramago cria uma obra claramente comprometido com a
ideologia marxista e com a defesa dos direitos humanos.
Prosa brasileira
O conto: motivados pela agitação e rapidez
características da realidade em que vivem, muitos optaram
pelo conto devido a maior facilidade de textos curtos,
explorar a semelhança entre a literatura e a notícia, tratando
de situações anedóticas, que interessam mais ao leitor atual.
A crônica: transitando entre o conto e a notícia, a
crônica é um gênero narrativo muito popular na literatura
contemporânea.
Cronistas

Fernando Sabino Rubem Braga Luís F. Veríssimo Nelson Rodrigues


Cronistas - Contistas
• Fernando Sabino,
• Rubem Braga,
• Luis Fernando Veríssimo,
• Carlos Heitor Cony,
• Carlos Drummond de Andrade,
• Fernando Ernesto Baggio,
• Lygia Fagundes Telles,
• Machado de Assis,
• Max Gehringer,
• Moacyr Scliar,
• Pedro Bial,
• Arnaldo Jabor,
• Clarice Lispector.
Nelson Rodrigues (1912-1980)

Nelson Falcão Rodrigues nasceu na cidade de Recife,


mas mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro.
Trabalhou como jornalista em alguns jornais quando tinha
apenas 13 anos e passou a escrever peças de teatro. Quando
vivia em regiões pobres do estado do Rio, ele observava
personagens que seriam introduzidos em suas obras.
Foi um autor muito pessimista, pois sua vida foi
marcada por tragédias. Quando trabalhou como cronista
esportivo, Nelson Rodrigues escreveu textos inesquecíveis
em relação ao time de futebol Fluminense. Além disso, ele
teve muitas obras adaptadas para a televisão. Era
considerado um homem machista e faleceu em dezembro de
1980.
Luis Fernando Veríssimo (1936)

Escritor brasileiro e filho de Érico Veríssimo, nasceu em


Porto Alegre. Morou e estudou por muito tempo nos Estados
Unidos graças ao trabalho exercido por seu pai. Quando
retornou ao Brasil, trabalhou na Editora Globo e como músico
em uma banda. Foi para o Rio de Janeiro, onde casou-se e teve
três filhos. Quando voltou para o Rio de Grande do Sul,
trabalhou em agências de publicidade e jornais onde escrevia
em colunas.
Seu primeiro livro recebeu o nome de “O Popular” e
recebeu críticas positivas. Escreveu para diversos jornais
impressos como Zero Hora, Jornal do Brasil e O Estado de São
Paulo. É considerado um dos maiores escritores atuais e com
uma vendagem enorme de livros no Brasil e no mundo.
Teatro brasileiro
Ariano Suassuna (1927)

Esse dramaturgo e escritor nasceu em João Pessoa,


na Paraíba. Filho de um ex-governador, o autor perdeu o
pai ainda criança. Na adolescência, mudou-se para a cidade
de Recife e começou a se interessar pelo teatro. Em 1950,
formou-se em Direito e anos mais tarde, também se
graduou em Filosofia.
Em 1955, escreveu a peça “Auto da Compadecida”,
que divulgou seu nome e se tornou um sucesso ainda
maior quando foi adaptada para a TV e para o cinema.
Tornou-se professor na Universidade Federal de
Pernambuco, onde se aposentou. Foi eleito como um dos
membros da Academia Brasileira de Letras desde 1990.
A narrativa africana de língua
portuguesa
• Para os povos africanos, a tradição das narrativas
orais é muito importante. Por meio dos mitos, lendas,
dos contos que passam de geração, os costumes e
os valores dessas culturas são transmitidos e
reforçados. Quando as ex-colônias portuguesas
conquistam sua independência, torna-se necessário
criam textos literários que “narrem” as novas nações.
É no repertório das narrativas orais e na história dos
anos de opressão que os escritores vão buscar os
elementos essenciais para definir a identidade
desses povos.
A África que conta histórias

• Tradição oral, ficção escrita: encontros


necessários.

Oratura e literatura

• Analfabetismo

• Narrativa do povo serve de inspiração para


textos que os escritores escreverão.
Escritores angolanos

• A ficção a serviço da história.

José Mateus Vieira da Graça - Luandino Vieira

Jose Eduardo Agualusa

Ndalu de Almeida – Ondjaki (guerreiro)

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos –


Pepetela
Luandino Vieira
• Escritor que transformou a palavra escrita em arma
contra os opressores portugueses.

• A cidade e a infância – (1957) contos. Os contos dão


vida às ruas, os bairros pobres de Luanda, visto pelos
olhos de uma criança.

• Histórias marcadas por uma divisão social.

• Acredita no papel transformador da literatura. Que de


suas obras possa nascer o espírito de
autodeterminação e desejo de independência política.
Agualusa
• Começou a escrever após a independência de seu
país.

• Nação Crioula – Conexão Brasil - Portugal e Angola

• Livro que faz intertextualidade com um personagem


de Eça de Queirós - o aventureiro Fradique Mendes.

• Através das cartas de tal personagem com Eça de


Queirós, o autor faz uma análise crítica de Portugal
em relação as colônias africanas.
Ondjaki
• A vida que segue - sua filosofia.

• Tem em sua obra um contexto de um país


começando a se organizar após a independência,
“Bom dia camaradas”, uma recriação lírica da vida
em Luanda na década de 1980.

• A liberdade conquistada trouxe etiquetas políticas –


os empregados agora são chamados de
“camaradas”.
• A sociedade angolana ainda tem muito que
conquistar.
PEPETELA
• O contador de histórias ancestrais.

• Nas tradições populares, a essência de um país.

• O romance “Parábola do cágado velho” é um


exemplar do processo de ficção e alegoria que
definem sua obra.

• O autor, em seus romance, promove a reflexão


sobre o presente a partir de um jogo especular
com o passado místico e histórico dos angolanos.
O resultado é um texto literário de grande carga
simbólica.
• Pepetela é o pseudônimo de Artur Carlos Maurício
Pestana dos Santos, um escritor angolano que nasceu
em Benguela, 29 de Outubro de 1941. A sua obra reflete
sobre a história contemporânea de Angola, e os
problemas que a sociedade angolana enfrenta. Durante a
sua adolescência, um tio seu que era jornalista,
introduziu-lhe a uma variedade de pensadores da
esquerda. Durante os seus anos do liceu em Lubango,
Pepetela também foi influenciado por um padre
esquerdista chamado Noronha, que lhe informou sobre a
revolução e outros eventos contemporâneos.
• Pepetela se licenciou em Sociologia e é docente da
Faculdade de Arquitetura da Universidade Agostinho
Neto em Luanda. O autor angolano é de ascendência
portuguesa, porém tornou-se militante do MPLA em 1963
e lutou no movimento para a libertação da sua terra natal
do poderio colonialista dos portugueses.
MAYOMBE
• "Publicado originalmente em 1980, 'Mayombe' foi escrito
durante a participação de Pepetela na guerra de
libertação de Angola, e retrata o cotidiano dos
guerrilheiros do MPLA (Movimento Popular de Libertação
de Angola) em luta contra as tropas portuguesas. O
romance se propõe a abordar não somente as ações, mas
os sentimentos e reflexões daquele grupo, as
contradições e conflitos que permeavam sua organização
e as relações estabelecidas entre pessoas que buscavam
construir uma nova Angola livre da colonização. "
Contexto histórico
• A Guerra de Independência de Angola, também conhecida
como Luta Armada de Libertação Nacional foi um conflito
armado entre as forças independentistas de Angola
(UPA/FNLA, MPLA e UNITA) e as Forças Armadas de Portugal,
que até então dominavam a colônia angolana. A guerra teve início
em 4 de Fevereiro de 1961, durou mais de 13 anos e
terminou com um cessar-fogo em Junho (com a UNITA) e Outubro
(com a FNLA e o MPLA) de 1974. A independência de Angola foi
estabelecida a 15 de Janeiro de 1975, com a assinatura
do Acordo do Alvor entre os quatro intervenientes no conflito.
• Pepetela, que foi militante na guerra, publicou vários romances
durante o período de luta, destes romances Mayombe é o mais
conhecido. O romance retrata a vida guerrilheira do autor nos
anos 70, e explora os pensamentos e as dúvidas dos
personagens, além de ilustrar as ações dos guerrilheiros.
Moçambique – romances e contos
• António Emilio Leite Couto – Mia Couto

• Cria uma obra com semelhança à dois escritores


brasileiros que ele reconhece terem sido de grande
inspiração: João Guimarães Rosa e Manuel de
Barros.

• Tema marcado pela tragédia – “A terra sonâmbula”.

• É emocionante o modo como o narrador apresenta


ao leitor, desde o primeiro parágrafo, uma terra
destruída pelo colonialismo português.