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ALEXANDRE DE CASTRO PRADO

CATECISMO
1º ANO
CRISMA

TAUBATÉ
2019

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ÍNDICE

Introdução 5

Aula 01 7

Aula 02 13

Aula 03 19

Aula 04 25

Aula 05 31

Aula 06 37

Aula 07 43

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Aula 08 49

Aula 09 55

Aula 10 61

Aula 11 67

Aula 12 73

Aula 13 79

Aula 14 85

Aula 15 91

Aula 16 97

3
Aula 17 103

Aula 18 109

Aula 19 115

Aula 20 121

Aula 21 127

Aula 22 133

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INTRODUÇÃO

Este é o primeiro livro da série de catequese


sobre a crisma. Após passar pelos três anos da
catequese da primeira comunhão, se está apto,
agora, a enfrentar este novo desafio.
A Igreja, como você já aprendeu, está
baseada no tripé das Escrituras, da Tradição e do
Magistério, um influenciando o outro, um havendo
devido ao outro.
Neste primeiro ano, você irá aprender sobre
a Bíblia - ou seja, as Escrituras - no ano que vem,
aprenderá sobre a Tradição e o Magistério para
que, no último ano, aprenda a história da Igreja.
Lembre-se que, enquanto o batismo nos faz
membros do corpo místico de Cristo, que é a Igreja
Católica, a crisma nos faz guerreiros de Cristo para
defendermos nossa religião e nossa santa fé
católica.

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AULA 1: ALGUMAS
ADVERTÊNCIAS INICIAIS

Parafraseando santo Agostinho, diria que


‘eu não creria na Bíblia, se a isso não me levasse a
Igreja Católica’. Isto porque a Bíblia completa - e a
Bíblia completa só a possui a Santa Madre Igreja -
só existe por causa do Magistério da Igreja que,
pela Tradição, admitiu quais e quantos seriam os
livros sagrados nela acolhidos e escolhidos.
Como a Igreja é o corpo místico de Cristo e
o Espírito Santo a alma que a anima, se sabe que as
decisões da Igreja que afetam tanto o Magistério
quanto a Tradição e, mesmo, as Escrituras, ou seja,
tudo o que se refere à fé, à moral e à doutrina, não é
invenção nem escolha de homens, mas instrução
divina dada ao homem por Deus. Dessa maneira,
embora já houvessem alguns livros sagrados para
os judeus, foi a Igreja que disse quais os livros dos
judeus que fariam parte do Velho Testamento. E foi

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a Igreja que disse quais livros seriam parte do Novo
Testamento.
Principalmente, em relação ao Novo
Testamento, havia dezenas, centenas de escritos
atribuídos aos apóstolos e mesmo outras pessoas
que viveram na mesma época ou depois e que
foram negados pela Igreja por não serem santos,
não serem, verdadeiramente, inspirados.
Como se chegou a isso? Os católicos dos
primeiros séculos, simplesmente, olhavam um livro
e diziam ‘este parece bom, este outro não presta’?
Não, da leitura e meditação sobre o que e como
diziam aqueles livros, o Espírito Santo iluminava a
inteligência dos bispos católicos em comunhão com
o papa para que entendessem e escolhessem os
livros apropriados. Assim surgiu a Bíblia católica.
A Escritura, como se já adivinhou ou se viu,
é a Bíblia.
A Tradição é tudo o que a Igreja recebeu
dos apóstolos e que foi a eles confiado por Jesus
Cristo. Não é, portanto, simples tradição humana.
De certa maneira, pode-se dizer que os costumes da

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Igreja são a Tradição oral, enquanto que a Bíblia é
a Tradição escrita. Algum dos pilares da Tradição
são, por exemplo, o que já se falou: que a Igreja é o
corpo místico de Cristo e que o Espírito Santo a
anima.
Já o Magistério é a forma com se traduz
tanto os ensinamentos da Tradição quanto da
Bíblia. Assim, por exemplo, todos os concílios dos
quais foram proclamados os dogmas. Os dogmas só
puderam ser proclamados porque, ao mesmo tempo
estão de acordo com a Escritura e com a Tradição,
por ação do Espírito Santo, pois só o homem, por
ele mesmo, não seria capaz de a eles chegar.
Da mesma maneira que não há Tradição
nem Magistério sem a Bíblia, não há Bíblia sem a
Tradição e o Magistério, como não há Tradição
sem o Magistério e a Bíblia e não há Magistério
sem a Tradição e a Bíblia, pois são, todos,
interligados e interdependentes. Um não existe sem
o outro, um não tem significado sem o outro.
É impossível e impensável a Tradição sem a
Bíblia e o Magistério, pois, de onde ela tiraria suas

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tradições? Do ar? Não, é a Bíblia e o Magistério
que dão corpo à Tradição.
É impensável um Magistério sem a Bíblia e
a Tradição, pois só pode haver ensinamento
baseado em algo, e este algo é justamente, o que
está escrito e o que está arraigado.
E é impensável a Escritura sem a Tradição e
o Magistério, porque são eles que dizem quais
livros são sagrados. A Bíblia não caiu do Céu nas
mãos humanos, o Espírito Santo precisava de
homens que, primeiro, a escrevessem, depois, de
homens que a recolhessem e, por último, de
homens que a confirmassem.
Por isso a Bíblia é obra da Igreja.
Protestantes e evangélicos não aceitam nem
a Igreja nem a Bíblia completa. E, ainda, no caso
dos protestantes, dizem que a Igreja mente, pois a
Bíblia correta seria a dos judeus, embora, eles
mesmos, se valham dos livros do Novo Testamento
que a Igreja Católica aprovou. Já entre os
evangélicos alguns vão ainda mais longe,
distorcendo a verdade e dizendo que os livros da

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Bíblia só foram, devidamente, escolhidos quando
Lutero disse quais livros fariam parte dela.
Os protestantes e evangélicos não possuem
nem tradição nem magistério, visto que para eles só
importa a Bíblia, por isso só possuem a leitura
literal de sua Bíblia, o que, no entanto, não basta
para entendê-la, o que faz com que,
constantemente, digam bobagens. Apesar disso,
devemos aprender com eles de modo a que
conheçamos melhor os livros da Bíblia, porém,
como se verá, sempre acompanhada de alguma
explicação oficial da Igreja.

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AULA 02: A BÍBLIA,
PALAVRA DE DEUS

A Bíblia é palavra de Deus revelada ao


homem. Quem assim o diz são as próprias
Escrituras, como se pode ler na Segunda Carta a
Timóteo 3:16 (‘toda Escritura é divinamente
inspirada e proveitosa para ensinar, para
repreender, para corrigir, para instruir em
justiça’) e na Segunda Carta de são Pedro 1:20-21
(‘sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma
profecia da Escritura é de particular interpretação.
Porque a profecia nunca foi produzida por vontade
dos homens, mas os homens da parte de Deus
falaram movidos pelo Espírito Santo’). O que
confirmam a Tradição e o Magistério.
Os que creem têm fé que a Bíblia é
inspirada,. Fé, como se lembram do terceiro ano
da catequese para a Primeira Comunhão, é a
confiança que nos faz acreditar que aquilo que
alguém nos diz é verdade (assim, as crianças têm fé

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- confiam - no que os pais a elas falam; os alunos
têm fé - confiam - no que seus professores ensinam,
por exemplo). A fé religiosa e católica é a
confiança de que Deus se revela e revela suas
verdades através das Escrituras, da Tradição e do
Magistério. Assim, como as Escrituras afirmam e a
Tradição e o Magistério confirmam, a Bíblia é
palavra de Deus. A fé, portanto, não é irracional,
ela é a adesão racional às verdades reveladas! A ela
se adere por vontade própria, se valendo de sua
inteligência, devido a sua razoabilidade.
Dito assim, entretanto, parece aos olhos do
mundo (que é contra a Igreja Católica) que se está
‘legislando em causa própria’, ou seja, que se está
buscando justificativas sem comprovação científica
alguma que possa apoiar tal afirmação. Esta crítica
do mundo, porém, não é sem motivo nem inocente.
O mundo (e, quando aqui se diz mundo, se quer
tratar, particularmente, dos filósofos, pois são eles
que influenciam, direta ou indiretamente, todos os
outros tipos de intelectuais, cientistas, a mídia e o
povo) sabe que, em relação à fé católica, a resposta

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não pode ser científica (visto que a ciência só trata
ou do que é natural, material - como a física, a
química e a biologia - ou do número - pela
matemática). Eles sabem que a resposta tem que
ser, obrigatoriamente, filosófica e, a partir desta,
teológica. Eles sabem, mas procuram ou
contradizer a resposta filosófica (com teorias
filosóficas absurdas) ou escondê-la (como se não
existisse), ou, ainda negá-la (com a própria negação
da filosofia). Estes pensadores isso fazem para
satisfazerem o próprio ego e para satisfazerem o
mundo que, assim, pode, despreocupadamente, sem
temer a Deus nem nada, viver a vida como se nada
houvesse: nem Deus, nem moral nem religião. Os
demais pensadores e o povo ou, simplesmente,
acatam o que aqueles dizem com a mesma maldade
ou acatam por ignorância, comportando-se, assim,
como o idiota útil que repete as bobagens
espalhadas e nelas acredita sem pensar direito sobre
o que está falando.
Pela filosofia, pela razão, se aprendeu lá no
Primeiro ano da Catequese para a Primeira

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Comunhão, que se pode entender que há Deus e
porque há Deus, que Deus não é um absurdo ou
uma invenção do homem ou da Igreja.
Relembrando:
 tudo o que há é movido por outro, logo,
deve haver um primeiro motor imóvel que a
tudo move primeiro e a este motor
chamamos Deus.
 tudo o que há possui o que lhe dá causa, é,
portanto, necessário que algo haja que seja a
primeira causa de todas e a esta causa
chamamos Deus.
 do nada, nada pode surgir, logo, deve haver
algo que deu origem a tudo e a este algo
chamamos Deus.
 tudo o que há possui graus variados de
perfeição, há que haver, portanto, o que
tenha todas as perfeições em grau máximo e
a isso que há chamamos Deus.
 tudo o que há pressupõe uma certa ordem e,
se há ordem, há quem ordena e a este

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ordenador que a tudo ordena chamamos
Deus.

Assim, uma vez que se entenda,


racionalmente, filosoficamente, que há Deus - e
Deus não é um problema teológico, mas filosófico,
pois a teologia se preocupa da relação de Deus com
o homem e deste com ele - se consegue entender
porque a Bíblia é, verdadeiramente, inspirada e que
isso não é uma impossibilidade.
A certeza, porém, dessa verdade, não é
científica (como mostrar que a Lua gira ao redor da
Terra), nem é filosófica (como se viu, das provas
da existência de Deus), mas é conseguida pela fé,
por sua plausibilidade, fé esta que se alcança pela
razão, visto que, se há Deus - o que é provado pela
filosofia - então, nada impede de que ele se revele
ao homem, pois, para Deus, nada é impossível, pois
ele tudo pode.
A fé na revelação divina, portanto, está
apoiada tanto na adesão à filosofia quanto na
adesão a Deus.

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AULA 03: A IMPORTÂNCIA
DA BÍBLIA

Deus se nos mostra na Bíblia. Pela fé nela


aprende-se, principalmente, estes ensinamentos:
que há Deus; que ele se preocupa conosco; que ele
veio ao mundo; que ele nos salvou e que Jesus é
Deus.
Os ensinamentos que estão escritos na
Bíblia não foram invenções de homens que a eles
chegaram pela reflexão ao construir estórias, mas
são - como visto anteriormente - inspiração divina.
O fato de as Escrituras serem inspiradas por
Deus e seus ensinamentos serem verdade, não
significa, porém, que tudo o que nela está é,
literalmente, verdade histórica. É o ensinamento
que é importante, mais do que a própria história
contada, e isto é tanto mais verdade quanto mais se
mergulha no tempo (isso será melhor explicado
quando se estudar os sentidos da Bíblia).

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Os homens que escreveram os livros
inspirados por Deus, os escreveram de acordo com
a sua própria possibilidade e de acordo com os
gostos de cada época (os livros que compõem a
Bíblia começaram a ser escritos em torno do ano
1000 antes de Cristo e foram terminados em torno
do ano 90 depois de Cristo).
Deus iluminou os escritores sagrados (que
são também chamados de hagiógrafos) para que
escrevessem a verdade que ele estava a eles
revelando, no entanto, cada um a escreveu de
acordo com as suas possibilidades, de acordo com
os estilos de escrita de suas épocas e de acordo com
seus gostos pessoais.
As obras da Bíblia, assim, não foram
ditadas aos hagiógrafos, como se Deus a eles
dissesse ‘senta e escreve’. Não. A inspiração é a
aceitação, por parte do escritor que, aceitando a
graça do Espírito Santo, foram iluminados a
escreverem os seus textos - textos estes que, muitas
vezes, foram obras de muitas mãos, antes de
chegarem a sua forma definitiva.

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A grande personagem da Bíblia não é
nenhum dos homens que nela aparecem, como
Adão, Abraão, Moisés ou João Batista. A grande
personagem da Bíblia é o próprio Deus.
Ele já se revela nas primeiras palavras do
Gênesis 1:1: ‘No princípio, criou Deus os céus e a
terra’. Deus nem dá tempo para o fiel se situar, já
chega afirmando que ele tanto há quanto é o criador
de tudo o que há. Toda a Escritura, depois, é um
longo processo que vai montando não só a história
da revelação como, também e principalmente, a
história da salvação.
O Antigo Testamento parece, à primeira
vista, uma espécie de história do povo judeu - o que
pode ser desinteressante para muitos, já que a
maioria de nós não é judia - mas se o lermos
atentamente, veremos que o nele se trata não é isso,
que a história dos judeus, ali, tem importância
periférica, secundária. O importante é a afirmação e
confirmação de que Deus há e que ele prepara
terreno para o dia em que virá à terra para nos
salvar. O Antigo Testamento é uma longa profecia

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da salvação. Isso não quer dizer, porém, que as
personagens ali contidas não tenham nenhuma
importância, têm, mas sua importância maior está
em ser ou modelo para os fiéis ou, mais importante
ainda, quando são o que se chama de ‘tipo de
Cristo’ quando sua ação remete, imediatamente, à
Cristo, prefigurando-o (por exemplo, a morte de
Abel remete à morte do inocente, que é Jesus).
Claro que o autor sagrado quando escreveu,
não fazia a menor ideia disso, pois estas coisas só
foram desveladas com o Novo Testamento. O Novo
Testamento, assim, é a confirmação de tudo aquilo
que foi prometido no Antigo: que Deus viria ao
mundo e salvaria o homem de si mesmo e do
demônio. Jesus - que é Deus - cumpriu todas as
velhas profecias, selando o acordo de salvação com
a nova Israel, que é a Igreja Católica.
E encerra-se a Bíblia (e o Novo
Testamento), com o Apocalipse, em que se diz
sobre a escatologia, isto é, sobre o que ocorrerá nos
últimos tempos em que Jesus retornará à terra, não
mais como um ser humano comum, mas com toda

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sua glória divina e em que julgará a todos os vivos
e os que já morreram, dando o céu,
definitivamente, aos bons, agora de corpo e alma e,
aos maus, o inferno, deixando de haver tanto o
purgatório quanto o limbo dos inocentes.

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AULA 04: HISTÓRIA DA
BÍBLIA

As histórias que compõem a Bíblia


começaram a ser escritas por volta do ano 1000
A.C. (antes de Cristo). Porém, só começaram a ser
recolhidas, montadas e inspecionadas em sua
possível inspiração divina à partir do século IV
A.C. na época de Esdras e Neemias, época em que
os judeus, voltados do cativeiro da Babilônia,
começaram a procurar estruturar melhor sua
religião, inclusive, vendo que livros deveriam ou
não ser considerados sagrados. Essa procura e
afirmação do cânon judeu se estendeu até meados
do século I A.C.
Entretanto, por essa mesma época,
Alexandre Magno, rei da Macedônia - país europeu
eslavo, mas de população de língua grega devido a
sua proximidade com a Grécia a qual já havia sido
conquistada por seu pai, Felipe - conquistou todo o
Oriente Médio, inclusive o Egito, sendo que a

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língua culta dessa região passou a ser o grego e a
cidade mais cosmopolita e ideal para o
desenvolvimento das letras e do comércio foi
Alexandria, no próprio Egito. Assim, para lá
acorreram muitos judeus que, com o tempo, já não
sabiam mais falar o hebraico (a língua dos hebreus,
dos judeus). Dessa maneira, passaram todos os
livros que tinham do hebraico para o grego, no que
ficou conhecida como Versão dos Septuaginta
(setenta sábios judeus que teriam traduzido os
escritos sagrados do hebraico para o grego).
Ocorre, porém, que, com o tempo, devido à
Diáspora dos judeus causada pelos romanos no
século I D.C., os próprios judeus acabaram
perdendo seu cânon hebraico original, sendo
mantido, porém, o cânon grego dos Septuaginta
devido a ser a cópia das Escrituras que seguia a
Igreja Católica. O cânon judeu só seria recuperado,
parcialmente, no século X D.C.. Parcialmente, pois
havia livros dos quais não foram resgatadas cópias
em hebraico, apenas em grego e os judeus, assim,

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não reconheceram estes livros (que só possuíam
cópias em grego) como fazendo parte de seu cânon.
A Igreja, porém, acolheu e não mudou o
cânon da Bíblia dos Septuaginta. Estes livros são
chamados de deuterocanônicos, pois a Igreja
precisou reconhecê-los duas vezes, devido às
acusações tanto dos judeus quanto dos protestantes
de que seriam falsos. São eles: Tobias, Judite,
Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc e partes
de Ester e Daniel.
Em relação aos livros do Novo Testamento,
a Igreja desde seus primórdios procurou precisá-
los, sendo que em finais do século II D.C. já estava
estabelecido o seu cânon completo, com seus 27
livros.
Em verdade, os judeus não possuem,
exatamente, uma Bíblia, mas sim, três conjuntos
separados de livros: a Torá (ou lei, que se compõe
dos cinco primeiros livros da Bíblia, que nós,
católicos, chamamos de Pentateuco: Gênesis,
Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio); os
livros proféticos e os outros livros (além do

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Talmude, conjunto de ensinamentos rabínicos,
espécie de magistério judeu).
Foi a Igreja Católica, pela inspiração do
Espírito Santo que fez da Bíblia o que ela é hoje.
Sem a Igreja, de certa maneira, não haveria Bíblia,
apenas escritos sagrados esparsos. Entretanto,
como ainda não existia a imprensa e livros
impressos, mas sim, apenas cópias feitas em papiro
ou peles, a Bíblia era uma coletânia de livros, como
uma pequena biblioteca e poucos eram os lugares
que a tinham completa devido a essa dificuldade.
Só com o advento da imprensa, inventada por
Gutenberg no século XV, com os livros impressos,
é que foi possível colocar toda a Bíblia em um só
livro.
Quando, no século XVI, Martinho Lutero
iniciou a revolta conhecida como Reforma
Protestante, para desdizer a Igreja e mostrar que ela
era errada desde sempre, acolheu o cânon judeu da
Bíblia. Assim, os católicos e, junto com eles, os
ortodoxos, seguem o cânon grego e os judeus,
protestantes e evangélicos seguem o cânon judeu.

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Há, entretanto, que se entender que o que se
considera como escritura sagrada são os livros
escritos em sua língua original ou em língua oficial
da Igreja. Assim, os livros deuterocanônicos e os
livros do Novo Testamento são escrita sagrada em
sua versão original em grego e os demais livros do
Velho Testamento em sua língua original, o hebreu.
Porém, a Igreja também afirma que a tradução em
grego dos Setenta, do Velho Testamento e a
tradução em latim de toda a Bíblia, oficialmente
adotadas pela Igreja, têm o mesmo nível de
autoridade que seus originais. As línguas oficiais da
Igreja são o latim no ocidente e o grego no oriente.
Há outras línguas oficiais, como o copta nos ritos
egípcio e etíope, o siríaco nos ritos siríacos e o
eslavônico para os países eslavos, mas, assim como
as versões da Bíblia em língua comum (como o
português, o inglês ou o alemão), as suas versões
não são consideradas oficiais e, portanto, não são
consideradas escrita sagrada, embora, claro, devam
ser respeitadas por trazerem a tradução da palavra
de Deus.

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AULA 05: SENTIDOS DA
BÍBLIA

A Bíblia é composta por 73 livros, sendo 46


livros do Antigo Testamento e 27 do Novo
Testamento (a lista completa de todos os livros
tanto de um quanto de outro se verá quando se os
estudar separadamente).
Todos estes livros têm em comum o fato de
possuírem 4 sentidos: o sentido literal, o sentido
alegórico, o sentido moral e o sentido escatológico.
Estes quatro sentidos foram assim
entendidos pela Tradição e pelo Magistério com o
passar dos séculos, de acordo com o que os
estudiosos - filósofos, teólogos, papas e outros
escritores da Igreja - como sendo aqueles que
devem ser usados para se entender a Bíblia.
O sentido alegórico, porém, cedo foi
entendido, visto que os próprios gregos dele já se
valiam para estudarem alguns escritos como a
Ilíada e a Odisséia de Homero e, principalmente, o

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escritor judeu Filo de Alexandria dela se valeu
mostrando que este é um importante sentido a ser
usado quando do estudo das Escrituras, no que a
Igreja sempre concordou.
Atualmente, por influência de escritores
protestantes, há um certo estudo que visa entender
tanto o momento histórico no qual cada livro foi
escrito quanto se estuda, também, os estilos
literários para se buscar compreender melhor os
escritos. No entanto, os protestantes os usam
apenas para reforçar a sua leitura literal da Bíblia.
O mesmo não pode ocorrer com o católico. Para
nós, estas maneiras têm a sua validade, no que
ajudam a desvendar os outros sentidos.

SENTIDO LITERAL
É sentido literal aquilo que está escrito. É o
ler e entender o que está no texto. Esse sentido é a
base de todos os outros. Há, porém, que se usar
tanto da Tradição quanto do Magistério para se
saber se o trecho lido deve ser lido ao pé da letra ou
se se deve aplicar um ou mais dos outros sentidos

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para se o entender. Há que se saber, antes de tudo,
sobre o sentido literal, que a Bíblia não é um livro
histórico, como hoje se está acostumado com
história. Ela é, sim, um livro sagrado, inspirado por
Deus, com ensinamentos teológicos relativos tanto
à revelação quanto à salvação. Assim, o sentido
literal nem sempre é o sentido exato para que seja
lida e entendida. Tomar toda a Bíblia em sentido
literal é errado. A Igreja levou séculos para
desvendar todos os seus meandros.

SENTIDO ALEGÓRICO
É o principal sentido da Bíblia,
principalmente, quando se lê o Velho Testamento.
Por ele é que se desvenda e se entende o porquê de
muitas passagens, especialmente, as que se referem
tanto ao Messias, ao Salvador que deveria vir
(como, por exemplo, o servo sofredor de Isaías) e
que veio, como Jesus, como quanto às passagens
que prefiguram Jesus, sendo tipo de Cristo, como
Davi sendo ungido rei, que lembra tanto o batismo
de Jesus quanto o fato de Jesus ser o Rei dos reis e,

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ainda, nos faz entender passagens que, de outro
modo, seriam tomadas como verdades históricas,
embora sejam, isto sim, verdades teológicas, como
a história da criação em seis dias - santo Agostinho
a isso já alertava, pois diz e explica que os seis dias
da criação não são seis dias como entendemos a
passagem do dia para a noite (as 24 horas do dia),
mas sim que significam que Deus é o criador e que
a tudo fez, que os seis dias, portanto, têm, ali,
sentido de alegoria para se contar uma verdade
teológica, não histórica em sentido estrito, ou seja,
não é que as coisas aconteceram como ali estão
descritas, mas sim, que Deus é criador.

SENTIDO MORAL
Muitas vezes, a história contada na Bíblia,
mais que sua possível importância histórica,
contém um fundo moral, como a história de Noé e
do Dilúvio que, ainda que possa haver ocorrido
uma inundação grande no oriente médio em tempos
pré-históricos, não foi nada semelhante a o que está
dito na história do Dilúvio, porém, o importante,

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ali, mais que a história, é o ensinamento: o de que
Deus fez aliança com o homem, que Deus tudo
pode e que o homem, sem Deus, pouco pode.

SENTIDO ESCATOLÓGICO
O sentido escatológico é aquele em que se
vê, em determinadas passagens ou livros, o que a
Bíblia fala sobre o último fim do homem, enquanto
céu aos bons, inferno aos maus e, também sobre os
últimos dias da segunda vinda de Cristo, quando
julgará a humanidade (como já falado).

Ao se ler a Bíblia, não se pode,


simplesmente, tirar suas conclusões por si, tem que
se estar munido de textos da Igreja que expliquem
suas partes para, daí sim, refletir sobre elas (bons
textos são os de santo Agostinho e santo Tomás de
Aquino, por exemplo). Nunca usar, porém, livros
da Teologia da Libertação, que são heréticos ou de
outras religiões.

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AULA 06: A BÍBLIA NA VIDA
CATÓLICA

Nós, católicos, não só podemos como


devemos ler e conhecer a Bíblia, assim como
conhecer as explicações oficiais da Igreja de, pelo
menos, suas principais passagens, principalmente,
sobre os Evangelhos, pois narram a vida e o
ministério de Jesus.
No entanto, essa leitura merece cuidado
para que não tiremos dela conclusões conforme
nossa cabeça, para não se cair em heresia.
Também, nunca se valer de explicações que são de
hereges, pois o que diz uma heresia não importa ao
católico. Pior ainda é se valer de explicações de
autores que se dizem católicos, mas que vão contra
o que manda a Igreja: assim - dada a gigantesca
gama de autores - deve-se dar preferência a o que
escreveram sobre a Bíblia os Doutores da Igreja e,
destes, principalmente, santo Agostinho e santo
Tomás de Aquino - devendo-se fugir, mais que

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tudo, de autores da assim chamada Teologia da
Libertação, que desvirtuam não só a Bíblia, mas
toda a doutrina da Igreja. Autores da Teologia da
Libertação não são católicos, todos estão em
heresia. Há, ainda, autores tradicionalistas, que
estão, praticamente, em cisma e autores
modernistas ou liberais, que estão, praticamente,
em heresia e devem, também, ser evitados.
Por outro lado, lê-se trechos da Bíblia na
missa, seja de partes de livros do Novo ou do
Velho Testamento, a cargo, geralmente, dos
leitores (trechos esses que estão no livro litúrgico
chamado Lecionário) e dos Evangelhos, a cargo do
sacerdote ou do diácono (trechos esses que estão no
livro litúrgico chamado Evangeliário).
Uma pessoa que não seja ou sacerdote ou
diácono não pode ler o Evangeliário na missa e,
muito menos, comentá-lo: só o sacerdote e o
diácono podem ler e comentar as leituras, pois só
eles possuem graus da ordem (como se viu no
segundo ano da catequese da primeira comunhão).

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Entenda que só homens podem ser
sacerdotes ou diáconos, pois Jesus é homem, assim
como o eram seus apóstolos e os diáconos. No caso
do sacerdote, menos ainda, visto que o sacerdote é
ministro de Cristo na vida e um outro Cristo na
missa, principalmente, na consagração. Não pode,
por isso, uma mulher fazer às vezes de homem e,
muito menos, forçar Jesus a ser mulher! Quanto ao
diaconato, é o primeiro passo antes do sacerdócio e,
como visto, só homens podem ser sacerdotes -
ainda que os diáconos casados nunca cheguem a ser
sacerdotes não se pode admitir mulheres entre eles.
O livro do Lecionário, na missa, fica aberto
no púlpito nas passagens do dia, enquanto que o
Evangeliário deve ser trazido na altura do peito
pelo diácono (é na altura do peito, pois deve-se ter
Deus à frente do coração, não é na altura da cabeça,
com o risco de tropeçar e cair e, muito menos,
levantado de tudo, como se fosse um troféu). Se
não houver diácono, deve ser trazido pelo leitor
homem mais velho. Se não houver nem diácono

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nem um leitor homem, deve ser trazido pelo
sacerdote.
Na hora do sermão, o sacerdote ou o
diácono devem pegar um ponto das leituras e
explicá-lo, desde que de acordo com o que explica
e diz a Igreja. Inicia-se com uma pequena
introdução ao assunto, depois dá-se a explicação
teológica e, por fim, se o traduz para algum
exemplo concreto dos dias atuais, sendo que o
sermão, para ser bom, deve durar de 9 a 10
minutos. Não se deve, nessa hora, querer ser
engraçado, cantar, reclamar de política ou
economia ou do povo, se deve, sim, usar o sermão
para catequizar o povo. E essa catequese tem que
ser dita de maneira simples, para que todos
entendam, não de maneira simplória, que ofende
aos fiéis mais esclarecidos e, menos ainda, de
maneira rude, chula ou baixa, que agride a todos
(não se podem falar palavrões nem palavras baixas
na missa).
Não se pode, de jeito nenhum, na hora do
sermão, qualquer outra pessoa que não seja o

40
sacerdote ou o diácono, falarem, seja qual for o
motivo alegado. Muito menos pode-se cantar
músicas e, pior ainda, fazer peça de teatro. Se se
quer catequizar, por exemplo, crianças pequenas,
que o teatro ou as músicas sejam feitos ou antes ou
depois da missa, nunca nela e, muito menos ainda,
durante o sermão.

41
42
AULA 07: A LEITURA
ORANTE DA BÍBLIA

Como dito anteriormente, o católico não


pode tirar conclusões próprias sobre a Bíblia, mas
isso não significa que não possa lê-la. Não só pode,
como deve. Porém, há um modo correto de isso se
fazer e este modo se chama de Lectio Divina ou
Leitura Orante da Bíblia. Assim, se lê, se medita e
se reza sobre a palavra de Deus. Ler a Bíblia não é
decorar a Bíblia, mas entender suas passagens.
Pode-se, claro, ler de outros modos, mas a Lectio
Divina é, de longe, o mais proveitoso. Ela se faz do
seguinte modo:

ORAÇÃO INICIAL
Faz-se a invocação ao Espírito Santo para
que nos dê a graça de aproveitarmos a leitura. Pode
ser, por exemplo, esta oração: ‘Vinde, Espírito
Santo, enchei os corações de vossos fiéis e acendei
neles o fogo de vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso

43
Espírito e tudo será criado e renovareis a face da
terra. Ó, Deus, que instruístes os corações de
vossos fiéis com as luzes do Espírito Santo, fazei
que apreciemos, retamente, todas as coisas e
gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo,
Senhor Nosso. Amém’.

LEITURA DO TRECHO ESCOLHIDO


Ler o trecho escolhido não é abrir a Bíblia
em qualquer lugar e ler como se fosse uma
‘mensagem do dia’, a ‘profecia do dia’ ou o
‘horóscopo do dia’ - a Bíblia não é um livro de
adivinhações. Escolha, preferencialmente, trechos
das leituras ou do Evangelho do dia, pois foram
escolhidos pela Igreja. Se já conhece bem a Bíblia,
pode escolher um trecho que considere mais
interessante, porém, não de maneira aleatória.

MEDITAÇÃO SOBRE O TRECHO


ESCOLHIDO
Aqui, deve-se tomar o cuidado de não cair
na tentação e no erro das heresias protestantes e

44
evangélicas que dizem que qualquer entendimento
que se tenha de trechos da Bíblia, de seus livros ou
dela toda são corretos, pois inspirados pelo Espírito
Santo. É a Bíblia que foi escrita por inspiração, não
somos nós que somos inspirados por lê-la. Só à
Igreja cabe explicar, corretamente, sobre a Bíblia.
Não se pode, simplesmente, sair por aí tirando
quaisquer conclusões acerca da Bíblia sem se saber
o que se está falando e, ainda, correndo o risco de
pecar em heresia.
Assim, após ler, deve-se procurar
complementar a leitura com uma explicação oficial
da Igreja sobre o trecho, seja por comentários de
autores consagrados (como os Doutores da Igreja,
como já mencionado), seja da leitura de sermões
ditos pelo papa, por bispos ou padres, desde que
fiéis a o que manda a Igreja. Isso evitará de se cair
em heresia.
Após, uma vez que se entenda o que o
trecho quis dizer, traduzir para si ou para os outros
(caso se esteja rezando em grupo), o que entendeu
da explicação da leitura e, quando for o caso, no

45
que aquilo pode se traduzir em sua vida ou que
lição pode se tirar daquilo que foi lido.
Depois, meditar em silêncio sobre as
palavras lidas, sobre a explicação recebida e sobre
seu depoimento e dos outros, se houver de modo a
aprendermos mais e mais sobre Deus e suas coisas,
aplicando-se a si mesmo tudo o que se leu e ouviu.

REZAR SOBRE O TRECHO ESCOLHIDO


Agora é o momento de, silenciosamente (e
cada um, se feito em grupo), rezar a Deus, pedindo-
lhe iluminação para entender o que foi lido, para
que se acolha o que foi lido, para que não se
esqueça da lição daquilo que foi lido e que
tenhamos sempre a disposição de cumprir tanto a
palavra de Deus em nossa vida quanto dele nunca
nos afastarmos e que sempre tenhamos conosco a
fé, a esperança e a caridade.

46
CONTEMPLAR A BÍBLIA
Uma vez que se reze, parte-se, agora, para a
contemplação da Bíblia enquanto palavra de Deus,
louvando a Deus por tudo, por nós, pelos nossos,
por nos ter criado, por nos ter salvo, pela graça de
nos ter revelado a si mesmo através das Escrituras.

CONSERVAR A PALAVRA DE DEUS


Por fim, devemos ter conosco a firmeza de
mantermos o que aprendemos e levarmos nossa
vida de acordo com o que aprendemos.

47
48
AULA 08: A IMPORTÂNCIA
DO VELHO TESTAMENTO

Os livros do Velho Testamento são


divididos em:
 Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números, Deuteronômio.
 Livros históricos: Josué, Juízes, Rute, Reis
I, Reis II, Reis III, Reis IV, Crônicas I,
Crônicas II, Esdras, Neemias, Tobias,
Judite, Ester, Macabeus I e Macabeus II.
 Livros poéticos e sapienciais: Jó, Salmos,
Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos
cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.
 e Livros proféticos: Isaías, Jeremias,
Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel,
Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias,
Ageu, Zacarias e Malaquias.

49
A maior importância, porém, do Velho
Testamento, não são as histórias contadas em si -
embora não possam ser descartadas - mas sim, no
que ele anuncia o Novo Testamento, a Boa Nova,
que é Jesus.
Há que se lembrar que, tanto para judeus
quanto para protestantes e evangélicos, a lista dos
livros sagrados é menor e que, em relação aos
judeus, estes aceitam apenas o Velho Testamento.
Os judeus não creem em Jesus Cristo, mas apenas
em Deus do modo que se apresenta no Velho
Testamento - os judeus, ainda, possuem várias
maneiras próprias de interpretar a Bíblia, que não
interessam para nós, sendo uma religião que existe
há uns 4 mil anos.
Quanto a protestantes e evangélicos - com
sua leitura literal da Bíblia - apesar de crerem em
Jesus, não aceitam a unidade (por isso, cada seita é
separada da outra), não aceitam a santidade (para
eles, todos estão salvos crendo em Cristo), não
aceitam a catolicidade (por isso, não creem na
Igreja) nem aceitam a apostolicidade (pois negam

50
que a Igreja tenha sucessão apostólica, dizendo que
eles, sim, têm uma crença próxima a dos primeiros
cristãos) - assim sendo, nenhuma seita protestante
ou evangélica pode dizer ser a Igreja de Cristo,
ainda mais porque os protestantes existem há uns
500 anos e os evangélicos, há 200, enquanto que a
Igreja Católica criou-se com Jesus e existe há 2000
anos!
O Pentateuco são os cinco primeiros livros
da Bíblia. Tradicionalmente, se atribuíam a autoria
desses livros a Moisés. Hoje, dados os estudos
históricos, duvida-se de sua autoria. Como, porém,
o que mais importa nesses escritos é o que neles
está escrito e não, exatamente, seu autor - a maior
parte dos escritos antigos, em qualquer língua,
dificilmente, o autor se nomeia, sendo, em sua
maioria, obras anônimas - então, pouco importa se
foi mesmo Moisés ou não quem os escreveu, visto
que continuam livros sagrados da mesma maneira e
seu autor (ou autores), seja lá quem tenha sido,
continua sendo um hagiógrafo, um escritor sagrado
inspirado por Deus ao escrever aquelas obras.

51
Os livros históricos são os que contam, mais
propriamente, a história dos judeus não mais
apenas enquanto um povo escolhido na procura da
terra prometida (como no Pentateuco), mas como
povo estabelecido em uma região e, depois,
enquanto reino e seu destino.
Os livros poéticos são os Salmos e o
Cântico dos Cânticos nos quais se louvam,
respectivamente, direta ou indiretamente, a Deus e
no que remetem a Jesus e sua vinda e, mesmo, no
que se referem à Igreja. Ao livro dos Salmos, ainda,
se atribui sua autoria a Davi, segundo rei dos
judeus e importante figura histórica na história
daquele povo e, para nós, de especial importância
por ser ancestral de Jesus, tanto do lado de santa
Maria quanto de são José. Da mesma maneira que
com Moisés, duvida-se de sua autoria, embora isso
não seja o que mais importa, como já explicado.
Sapienciais são aqueles livros que possuem
ensinamentos tanto didáticos quanto teológicos e,
até mesmo - para aqueles livros escritos no período

52
helenístico (na época da dominação macedônica),
filosóficos.
Já os livros proféticos são obras,
tipicamente, judaicas que admoestavam o povo
judeu de sua época para manter ou voltar a fé em
Deus e, ainda, mostravam, mais nitidamente, que
viria um salvador para os redimir. Os judeus
consideravam (como ainda hoje consideram), que o
Messias, o Salvador, ainda está por vir e que este só
salvará os judeus que, para eles, ainda é o povo
escolhido. Nós, entretanto, que cremos em Jesus,
sabemos que ele é este Salvador que tanto já veio
quanto, ainda, instituiu a Igreja seu novo povo
eleito, derrogando a aliança com Israel.

53
54
AULA 09: PENTATEUCO

Pentateuco é o nome que se dá ao conjunto


dos cinco primeiros livros da Bíblia, antigamente
atribuídos a Moisés. Hoje, sabe-se que estes livros
foram reunidos por ordem de Josias e que neles
estão mescladas várias narrativas, principalmente,
de quatro fontes diferentes que os estudiosos
chamam de documentos: Javista (J); Eloísta (E);
Deuteronomista (D); e Sacerdotal (P). São eles os
livros do: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e
Deuteronômio.

GÊNESIS
Os primeiros onze capítulos do Gênesis
possuem influência ou fazem parte de um
conhecimento comum dos povos sumérios e de
seus descendentes culturais, os semitas, dos quais
os judeus fazem parte (os sumérios foram o
primeiro povo a inventar a escrita e eram,
culturalmente, avançados para sua época;

55
dominavam outros povos que viviam na região,
entre eles, os semitas que, mais tarde, a eles se
mesclaram e acabaram por substituí-los). A história
da Criação do mundo e do Dilúvio são
compartilhadas por diversos povos do Oriente
Médio devido a isso. A o que escreveram os outros
povos, porém, é certo chamar de mitologia e,
mesmo, de lendas. Entretanto, a o que escreveram
os judeus nestes onze capítulos (e que, portanto,
estão na Bíblia) não se pode dar este nome, mas
sim, de lições teológicas, pois mostram ao fiel a
verdade de que há Deus, que Deus a tudo cria e que
de Deus tudo depende. Esses capítulos possuem
verdade, no entanto, não verdade histórica estrita,
pois, de toda a Bíblia são das passagens que mais
pedem as interpretações alegórica e moral. Adão,
portanto, é figura do homem falível - o oposto de
Jesus, o homem como deve ser - enquanto que Noé
é figura do homem que segue e confia em Deus,
portanto, figura de Cristo que confia no Pai.
Esse livro, porém, gira em torno de Abraão,
nosso pai na fé, pois foi o primeiro homem - após

56
Noé - que Deus mostrou-se como tal e Abraão o
aceitou e teve nele teve fé, ele também, figura de
Cristo. Deus, porém, não diz a ele seu nome, sendo
chamado de El ou Elohim que quer dizer ‘Deus’.
Abraão era, ele mesmo, membro do grupo semita
da raça dos caldeus, morador da cidade de Ur, que
havia sido um antigo reino sumério. Dado o seu
nome, Abrão e, depois, Abraão, não se pode
afirmar que tenha sido figura histórica, embora não
se possa, também, negá-la - o mesmo se podendo
dizer dos demais patriarcas. Isso porque Abrão,
Abraão, significa ‘Pai’, ‘Grande Pai’ e, como ele é
o pai do povo judeu, pode ser alegoria. Após
Abraão, mostra seu filho, Isaac, seu neto, Jacó e
seus bisnetos, com especial atenção para José e na
chegada do povo judeu ao Egito. Foi dos filhos de
Jacó que vieram as doze tribos de Israel (pois eram
doze filhos). Um outro nome de Jacó era Israel e,
assim, seus filhos e descendentes ficaram
conhecidos como israelitas.

57
ÊXODO
Esta obra gira em torno de Moisés, que
comandou a saída dos judeus do Egito (que lá
haviam sido transformados em escravos) e para
quem Deus disse seu nome. E o nome que Deus dá
a si mesmo é Javé, em hebraico, Yahweh, que
significa algo como ‘Eu Sou’, ‘Sou o que Sou’ ou
‘Aquele que É’ - nome que, aliás, filosófica e
teologicamente, diz tudo sobre Deus, pois só Deus
é por ele mesmo, tudo o mais é por criação.
O ápice do livro do Êxodo se dá quando,
para fugir dos egípcios, Deus abre o Mar Vermelho
para os judeus passarem e o fecha em cima de seus
perseguidores e, também, quando Deus dá a Moisés
as tábuas dos Dez Mandamentos. Moisés é, de
longe, a mais importante personagem do Velho
Testamento, protótipo de profeta perfeito e, ainda,
nos remete a Cristo como anunciador de Deus.

58
LEVÍTICO, NÚMEROS E DEUTERONÔMIO
Estes livros mostram, principalmente,
prescrições religiosas dadas por Moisés aos judeus
de acordo com o que aprendera de Deus, com o
pano de fundo da história da procura, pelos judeus,
da Terra Prometida. Embora tenha importância
para se saber o que Deus disse e entender um pouco
mais do que ocorrera com os judeus nos quarenta
anos que vagaram pelo deserto, praticamente, quase
todas as prescrições judaicas foram abolidas com o
cristianismo. Cristo livrou o homem não só do mal,
mas também das prescrições que, inicialmente, se
mostraram vantajosas para educar o seu povo. De
uma religião judaica de preceitos e de normas,
Cristo inaugura uma religião de fé, esperança e
caridade em que ações prescritas (por exemplo,
como comer, como lavar mãos, como lavar
alimentos etc) têm menor importância que as obras
de misericórdia. O Deuteronômio, ainda, finaliza a
história de Moisés, o qual levou o povo até as
portas da Terra Prometida, mas que, porém, não
chegou a entrar, não chegou a conhecer.

59
60
AULA 10: LIVROS
HISTÓRICOS

Os chamados livros históricos tratam do


assentamento do povo judeu na Terra Prometida,
do período dos clãs, dos reinos judeus e de seu
destino. São estes livros: Josué, Juízes, Rute, Reis I,
Reis II, Reis III, Reis IV, Crônicas I, Crônicas II,
Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Macabeus I
e Macabeus II.

JOSUÉ
Josué era o braço direito de Moisés que,
após a morte deste, passou a liderar o povo judeu,
agora na Terra Prometida. Como no período de
Moisés, os judeus continuavam a agir como piratas
do deserto, assaltando, assolando vilas e cidades,
matando e conquistando aquela terra a ferro e fogo.
Esse período de assentamento, durou em torno de
100 anos (1500-1400 a.C.).

61
JUÍZES E RUTE
No tempo dos juízes, as tribos de Israel já
estavam mais ou menos estabelecidas na Terra
Prometida - na região da atual Palestina ou do atual
Israel - não havia, entretanto, um reino judeu, mas
sim, as tribos que formavam clãs de acordo com
sua descendência deste ou daquele filho de Israel.
Apesar de seus ancestrais terem dominado a Terra
Prometida, expulsando, matando e se misturando às
populações locais, foram, eles mesmos, cedo
dominados pelos filisteus, um povo vindo do Mar
Egeu. De especial importância entre os juízes,
pode-se citar Sansão, que foi um herói popular,
mais forte que Hércules, símbolo do poder de Deus.
O livro de Rute, por sua vez, trata da bisavó de
Davi, Rute, que não era judia, mas moabita e que,
devido a sua bondade e santidade mostra-se como
modelo de virtude e fé para o fiel, além de ser, ela
mesma, figura da Virgem Maria e da Igreja,
enquanto a que confia e crê em Deus. O período
dos juízes foi de 1400 a, mais ou menos, 1000 a.C.
REIS

62
Os livros dos Reis discorrem sobre as
histórias dos reis do reino unido de Israel: Saul,
Davi e Salomão. Saul foi ungido o primeiro rei,
mas tornou-se mau e foi contra Deus, o que
acarretou ser destronado e substituído por Davi, um
pastor, considerado o modelo de rei entre os judeus
e figura de Cristo como o Bom Pastor. Salomão,
seu filho, subiu ao trono com a morte do pai e foi
célebre por sua justiça e, também, quem edificou o
Templo de Deus em Jerusalém, sendo figura de
Cristo por sua sabedoria. Após ele, o reino dos
judeus se dividiu em dois: Israel ao norte e Judá ao
sul. Sempre envoltos em lutas e guerras, o reino de
Israel durou 200 anos e teve 19 reis até ser
dominado pelos assírios, sendo Oséias seu último
rei. O reino de Judá durou 340 anos e teve 19 reis e
uma rainha, até ser dominado pelos babilônios,
sendo seu último rei, Zedequias. A destruição dos
dois reinos se deveu, historicamente, aos inimigos
mais poderosos, mas, teologicamente, a que os reis
e grande parte dos povos dos dois reinos
abandonaram a fé em Deus para adorar deuses

63
pagãos, sendo, portanto, castigo de Deus pela
desobediência de seu povo. A era dos reis vai de
em torno do ano 1000 a.C. até 586 a.C.

CRÔNICAS, ESDRAS E NEEMIAS


Os livros das Crônicas retomam relatos dos
livros dos Reis, ao mesmo tempo que detalham
tentativas de se retornar à fé original dos judeus,
sendo sua autoria atribuída a Esdras, escriba e
sacerdote que teria importância capital na
revigoração tanto da fé judaica quanto do reino dos
judeus, pois, foi em sua época que os judeus
puderam voltar do exílio da Babilônia. Neemias,
por sua vez, era um enviado do rei babilônico
encarregado de governar os judeus e que, também,
combateu o paganismo no seu povo. A dominação
babilônica foi de 586 a 538 a.C.

64
ESTER
Nem bem passada a dominação babilônica
os judeus se veem presa do império persa. Os
judeus foram levados cativos para a Pérsia e Ester,
concubina do rei persa Assuero, conseguiu dele que
seu povo pudesse voltar a Israel. O domínio persa
durou de 538 a 333 a.C.

JUDITE, TOBIAS E MACABEUS


Judite e Tobias se passam no período da
conquista macedônica. Judite é figura da Virgem
Maria e da Igreja, por ser fiel a Deus. Tobias é
figura de Cristo por ser homem justo. Já os
Macabeus narram a revolta dos judeus contra os
macedônios. A dominação macedônia durou de 333
a 164 a.C. Os judeus fundaram a dinastia dos
Asmoneus em 164 a.C. e que foi dominada e
destronada pelos romanos, sob o general Pompeu,
em 64 a.C. (só para situar o leitor, em 70 d.C. os
judeus se revoltaram contra os romanos que
arrasaram Jerusalém e dispersaram os judeus por

65
todo o Império; apenas em 1948 d.C. os judeus
voltaram e fundaram a atual Israel).

66
AULA 11: LIVROS
POÉTICOS

Dois são os livros poéticos da Bíblia:


Salmos e Cântico dos cânticos. São ditos poéticos,
pois ou são escritos na forma de cantos, como os
Salmos ou de inspiração poética, como o Cântico.

SALMOS
O livro dos Salmos, como dito
anteriormente, tem sua autoria atribuída ao rei
Davi, que teria escrito as 150 canções/preces que
compõem o Saltério. Cada um dos salmos possui
uma numeração que se inicia no Salmo 1 e vai até o
Salmo 150. Há certa diferença entre a numeração
católica e a judaica (e, com ela, a protestante), mas
que, para nós, é de menor interesse, visto que
seguimos o que manda a Igreja.
Os salmos têm que ser sempre lidos em
chave católica. Explicações judaicas, protestantes e

67
evangélicas dos mesmos devem ser evitadas a
todos custo, exceto se houver, por parte do católico,
o interesse, puramente, de estudioso a fim de
verificar o que aquelas outras religiões defendem -
fora isso, devem ser descartadas, pois o que diz
outra religião não nos interessa.
Os salmos se dividem entre cinco temas
básicos: salmos históricos; salmos que narram o
sofrimento dos justos e a sorte dos maus; salmos
festivos; salmos de maldição; e salmos
messiânicos.
Salmos históricos relatam episódios do
Velho Testamento, principalmente, sobre a
Criação, o Dilúvio, Sodoma e Gomorra e sobre os
patriarcas. Estes salmos, via de regra, cantam a
bondade de Deus e a ingratidão do homem. São
eles, especialmente, os salmos 8, 10, 28, 45, 47, 73,
73, 75, 77,88, 104,105,134, 136.
Os salmos de sofrimento tentam explicar
porque, muitas vezes, os bons sofrem e os maus
prosperam. Possuem, no mais das vezes, a
mentalidade primitiva da época em que foram

68
escritos, de índole materialista, que considerava
que Deus abençoa e pune as pessoas aqui na Terra.
Ainda não haviam sido desenvolvidas nem a
doutrina sobre a Providência Divina nem o
entendimento que Deus dá o que necessita para a
salvação e não bens materiais e, muito menos, que
a recompensa do homem se dá no Céu aos bons e o
castigo aos maus no Inferno. São eles,
principalmente, os salmos 36, 38, 48 e 72.
Os salmos festivos são aqueles que
comemoram certas festas dos judeus. Ao contrário
dos salmos anteriores, em tom de lamento, estes
salmos são alegres. São eles, especialmente, os
salmos 8, 18, 42, 46, 48, 63, 68, 95 e os de 112-117
e os de 119-133.
Os salmos de maldição invocam tanto a ira
de Deus contra os inimigos de Israel quanto
também os amaldiçoam. Enquanto pela
mentalidade judia o mau tem que sofrer e morrer de
maneira miserável, nós, católicos, devemos ter em
mente que Deus odeia o pecado, não o pecador, ao
qual faz tudo para que seja salvo, o qual, se acata as

69
graças de Deus e se arrepende, verdadeiramente, de
seus erros, estará no número dos santos no céu. Há,
ainda, que se notar que para o católico, os inimigos
devem ser entendidos como inimigos da Igreja e
que procuram prejudicá-la. São, especialmente, os
salmos 34, 51, 53, 55, 57, 68, 100, 108 e 138.
Os salmos messiânicos, porém, são aqueles
que têm, para nós, maior importância, pois falam
da vinda de Jesus, mas também sobre o seu
sofrimento e, também, sobre sua ressurreição e sua
glória, inclusive da Igreja enquanto dizem que os
gentios serão convertidos (gentios são como os
judeus chamam as pessoas pertencentes a outros
povos que não o deles). Os principais salmos
messiânicos são os de número 2, 15, 21, 22, 23, 44,
45, 64, 68, 71, 72, 96, 102 e 109.

CÂNTICO DOS CÂNTICOS


À primeira vista o Cântico dos Cânticos
pode parecer, apenas um poema de amor entre o
marido e sua mulher, porém, nós, católicos,
devemos entender que não, que esse poema diz

70
sobre o amor entre Deus e a sua Igreja, entre Deus
e o fiel católico.
O marido, noivo ou namorado ali
apresentado não é nenhum outro que o próprio
Deus, enquanto que a mulher, noiva ou namorada
não é outra se não a Igreja. Também pode ser lido
como o relacionar entre santa Maria e o Espírito
Santo.
Este poema, ao contrário do que acusam
judeus e protestantes, não é mera poesia, mas lição
do amor de Deus para com o homem e como deve
sua Igreja se relacionar com ele.

71
72
AULA 12: LIVROS
SAPIENCIAIS

Os livros sapienciais são aqueles que


possuem ensinamentos e instruções de acordo com
a sabedoria divina. São eles os livros de Jó,
Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria e Eclesiástico.


Jó é o protótipo do perfeito fiel que crê e
entrega tudo a Deus, sem nunca contra ele
blasfemar nem se queixar, quer na riqueza, quer nas
desgraças. Não é um livro histórico, mas de
ensinamento, além de remeter a Jesus que sofreu
em silêncio, entregando-se ao Pai, como devia de
ser. A história de Jó, assim como a da criação e,
principalmente, a do Dilúvio, é conhecida, também,
por outros povos do oriente médio, sumérios e
semitas - inclusive, Jó nem é apresentado na
história como judeu, mas como um gentio piedoso.
No livro de Jó aparece Satã como um personagem

73
da história - embora seja uma personificação do
Diabo, não é ele, visto que o Demônio não tem
acesso a Deus. Na história, Satã aposta com Deus
que qualquer um em meio a desgraças,
amaldiçoaria a Deus. Deus, então, permite que Satã
promova as maiores desgraças na vida de Jó em
que perde família, fortuna e saúde. Porém, por mais
desgraçado que esteja, Jó permanece fiel a Deus
que mostra que não é a fortuna que promove o
louvor a ele, mas a fé e a esperança nele e em sua
Divina Providência. Como dito, é um livro de
ensinamento teológico, não se o leve ao pé da letra,
considerando que Deus aposta nossa sorte com o
demônio.

PROVÉRBIOS
O livro dos Provérbios possui,
especialmente, ensinamentos morais.
Tradicionalmente, atribui-se sua autoria a Salomão,
embora hoje tenha-se que seja uma coletânea de
ensinamentos esparsos recolhidos entre o século X
e o século V a.C. Os ensinamentos deste livro são

74
compostos na forma de máximas, aforismos,
enigmas e algumas reflexões teológicas.
Teologicamente, Provérbios ainda foi escrito sob a
mentalidade primitiva da retribuição do bem e do
mal aqui na Terra - assim, nele, o bom é
recompensado com riqueza e saúde, enquanto que o
mau, com pobreza e doenças. Entretanto, para nós,
cristãos, é seu valor moral e o que ensina sobre o
bem viver consigo e com os outros que constitui o
valor inestimável deste livro. Os provérbios nele
apresentados são divididos entre as assim
conhecidas: Primeira Coletânea de Salomão,
Segunda Coletânea de Salomão, Provérbios de
Agur, Provérbios de Lemuel e outros
independentes.

ECLESIASTES
Também conhecido por Qohélet, este livro
também é, tradicionalmente, atribuído a Salomão,
embora os estudiosos digam que deva ter sido
escrito pouco antes da época dos Macabeus,
portanto, na época da dominação macedônica.

75
Embora ainda desconheça o prêmio aos bons na
vida futura no Céu, assim como o castigo aos maus
no Inferno, questiona a posição de retribuição
terrena corrente em seu tempo. O autor vê que,
muitas vezes, o bom sofre e o mau prospera,
portanto, Deus age de alguma maneira misteriosa
de modo que a fortuna ou o azar não dependem da
pessoa ser boa ou má na Terra. Entretanto, ele não
desespera de Deus, pelo contrário, intui que, de
algum modo, deve o homem, sempre, entregar-se e
entregar tudo nas mãos de Deus, sem deixar, no
entanto, de viver, confiando em sua Providência, ao
mesmo tempo que deve ter profundo temor a ele,
pelo simples fato de ser Deus. O Eclesiastes é o
livro do entregar-se a Deus, do viver de acordo com
a moral exigida por Deus, apesar da injustiça da
prosperidade dos maus e dos absurdos do mundo,
principalmente, da morte.

SABEDORIA
A Sabedoria é atribuída, ela também, a
Salomão, embora, pela linguagem usada, deva ter

76
sido escrita em torno de 150 a 50 a.C. É o livro
predecessor do Novo Testamento por excelência:
nele se mostra que o prêmio aos bons e o castigo os
maus se dá, não na Terra, mas na vida futura.
Assim, o sábio é aquele que sabe que deve seguir a
Deus: por justiça, por nos ter criado; por sua
Providência que cuida de nossa salvação; e por ser
esta a sua vontade, segundo a qual atingiremos,
sendo bons, o prêmio dos justos. A Sabedoria é um
dos livros deuterocanônicos, do qual só se tem a
cópia em grego e que, talvez, tenha sido mesmo
escrita nesta língua, visto que, nela, há várias ideias
tanto vindas do platonismo quanto do estoicismo,
filosofias gregas, que permitem ao fiel melhor
servir a Deus.

ECLESIÁSTICO
Também conhecido por Ben Sira, defende,
principalmente, a unidade e a eternidade de Deus,
assim como seu poder de onisciência, onipresença e
onipotência, com o que governa com justiça e
ordena a criação. É um passo importante do

77
judaísmo de prescrições e de retribuição para um
entendimento mais teológico, precursor do
catolicismo.

78
AULA 13: LIVROS
PROFÉTICOS

Pela sua importância no que dizem sobre o


Salvador, os livros proféticos são alguns dos mais
importantes do Velho Testamento para nós,
cristãos.
Tenha-se que profeta não significa um
vidente, alguém que adivinha o futuro, mas sim,
alguém que professa, que aclama, que proclama a
fé em Deus e que o faz para que o povo judeu se
emende e volte a sua fé em Javé, a qual muitas
vezes ou abandonou ou colocou Deus no mesmo
patamar dos outros deuses - ou seja, colocava Deus
como se fosse mais um demônio.
O se ter o profeta como alguém que vê o
futuro se deve ao fato de que, ao profetizarem,
mesmo sem o saber, aqueles profetas acabavam,
muitas vezes, dizendo da vinda do Messias, do
Salvador - que veio e que é Jesus Cristo - mas eles

79
não faziam isso com esta intenção, faziam, mesmo,
com a intenção de chamar a atenção do povo e,
particularmente, dos reis, para a fé verdadeira de
então que, antes do catolicismo, era o judaísmo.
O judaísmo não é uma religião falsa.
Apenas é uma forma anterior ao catolicismo que
deixou de ter razão de ser, que foi revogada. Antes
de Cristo, a única religião verdadeira, a única fé
verdadeira era a dos judeus. Porém, Cristo revogou
a religião judaica, principalmente, do que ela tinha
de prescrições práticas (como circuncisão, não
comer carne de porco, lavar as mãos antes de
comer etc), para uma religião baseada na fé,
esperança e caridade. Não que os judeus não
tivessem nenhuma dessas virtudes, mas dava-se
valor muito grande para as prescrições, às quais
acreditavam, haviam sido dadas a eles pelo próprio
Deus, através de Moisés.
Os profetas são divididos em dois grupos:
Profetas maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e
Daniel, mais o livro das Lamentações.

80
Profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Obadias,
Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu,
Zacarias, Malaquias e Baruc.
A terminologia maiores e menores não
significa que aqueles têm maior importância que os
outros, mas são chamados maiores, pois seus
escritos são mais longos, enquanto que os dos
outros, são mais curtos.
Apesar disso, indiscutivelmente, é Isaías o
mais importante dos profetas tanto quando diz que
a virgem dará à luz a um filho - prefigurando o
nascimento de Jesus - quanto quando diz sobre o
servo sofredor, que é o anúncio do próprio Messias
e do quanto ele iria sofrer (e sofreu). O livro de
Isaías, porém, não apresenta, ele mesmo, uma
unidade de composição - ou seja, não foi escrito
por um só autor - é a junção de vários livros
proféticos nos quais se coloca o nome de Isaías
como narrador dos fatos. É algo comum nos
escritos antigos, para dar autoridade a o que se
escreveu, atribuí-lo a um personagem consagrado,
no caso, dada a sua importância e popularidade, foi

81
o nome do profeta Isaías o utilizado. Isto, no
entanto, em nada diminui a inspiração divina
recebida pelos seus desconhecidos autores e em
nada diminui as lições analógicas, morais e
escatológicas que estes livros possam conter, pois,
em verdade, os livros da Bíblia têm sua
importância pelas lições que contêm, não por causa
de seus autores.
Certo que, fora Isaías, os profetas mais
conhecidos talvez sejam Daniel, devido ao episódio
da cova dos leões e Jonas, que a tradição popular
entendeu que fora engolido por uma baleia.
Daniel, de certa maneira, prefigura Cristo
enquanto o inocente acusado injustamente. Os
protestantes e evangélicos não aceitam todo o livro
de Daniel, mas partes dele - pois nem todo o seu
texto foi hebreu foi resgatado, considerando, assim,
a parte que apenas existe no texto grego dos
Septuaginta, apócrifa. Já os judeus, embora tenham
o livro de Daniel (só a parte em hebraico), como de
inspiração divina, não o consideram um livro
profético, mas o coloca à parte como ‘escritos

82
diversos’. Daniel não é considerado profeta pelos
judeus devido a sua história ser diferente,
lembrando muito, em certas passagens, a história
de José, filho de Jacó, no Egito.
Agora, em Jonas, tem-se, antes, que o
profeta não pode fugir ao encargo dado a ele por
Deus do que, exatamente, alguma profecia
cristológica.O mesmo que ocorre com o livro de
Daniel entre os judeus, ocorre com o livro de Jonas,
é considerado um ‘escrito diverso’, não um livro
profético. Isto porque Jonas não é um personagem
histórico, não faz parte da história de Israel, não é
um, digamos assim, profeta reconhecido, embora
sua história contenha um grande ensinamento,
como dito acima.

83
84
AULA 14: A IMPORTÂNCIA
DO NOVO TESTAMENTO

Os livros do Novo Testamento são:


 Evangelhos: de são Marcos, de são Mateus,
de são Lucas e de são João.
 Atos dos Apóstolos.
 Cartas de são Paulo: Romanos, Coríntios I,
Coríntios II, Gálatas, Efésios, Filipenses,
Colossenses, Tessalonicenses I,
Tessalonicenses II,Timóteo I, Timóteo II,
Tito, Filémon e Hebreus.
 Cartas católicas: são Tiago, são Pedro I, são
Pedro II, são João I, são João II, são João III
e são Judas.
 Apocalipse de são João.
De toda a Bíblia, para nós, é o que há de
mais importante - isso não significa que o Velho
Testamento não tenha sua validade e importância -
pois, o Velho Testamento é a promessa, mas o
Novo Testamento é o cumprimento da promessa:

85
Deus redimiu o homem, Deus veio para nos salvar.
O que antes era promessa, agora se cumpre. Javé,
nosso Deus, enquanto o Verbo, encarna como o
homem-Deus, Jesus, nosso Senhor e nosso
Salvador. Todas as profecias nele se cumprem.
Esse Jesus que encarna não é uma
expressão ou parte do Verbo, mas é o Verbo todo
que encarna, fazendo-se homem, porém, sem
deixar de ser Deus. Enquanto que o Pai e o Espírito
Santo continuam no que podemos chamar de Céu
de Deus, incomunicável aos anjos, aos santos e aos
homens, Jesus caminhou na Terra como homem
que era e como Deus que era. No entanto, o seu
vínculo divino permaneceu com o Pai e com o
Espírito, pois Deus é um só. Relembrando, toda vez
que Deus age, é a Trindade toda que age, mas cada
pessoa da pessoa da Trindade a sua maneira, sem
deixar de ser Deus uno e sem deixar de ser um só
Deus em três pessoas - como isso se dá, já foi dito,
é mistério.
É devido ao Novo Testamento que se pode
dizer, com certeza absoluta, que a religião dos

86
judeus, o judaísmo, perdeu sua razão de ser, que o
próprio Israel perdeu sua razão de ser e que o
Velho Testamento é a lembrança dos tempos
passados, visto que, agora, há a nova religião de
Cristo, o catolicismo, a nova Israel, que é a Igreja
Católica e a boa nova, que é o Novo Testamento.
No Velho Testamento, Deus fez, primeiro,
uma aliança com Noé, de que o homem iria se
manter na Terra. Depois, reafirmou essa aliança
com Abraão, para que fosse o pai do primeiro povo
de Deus, os judeus. Ainda, séculos mais tarde, a
reforçou com Moisés criando as bases da religião
mosaica, do judaísmo.
Até a vinda de Jesus, aquele povo e aquela
religião corriam do modo como haviam aprendido,
como seguidores de uma religião baseada em
preceitos. Mas, com a vinda de Cristo, o foco muda
e nova aliança é feita. Não mais apenas com os
judeus, mas com toda a humanidade. Jesus é o
Messias anunciado e, com sua morte e ressurreição
não apenas nos salvou da condenação de nunca
mais podermos ver a Deus que é uma espécie de

87
inferno, seja no limbo dos patriarcas (em que os
justos iam, mas não viam a Deus) ou no inferno em
si, em que o fogo do desespero aterra os seus
amaldiçoados.
Com Jesus e até a sua volta - e ele
voltará um dia para julgar os vivos e os mortos - a
religião de Cristo, que é a da Igreja Católica é
aquela que corre em vistas ao bem: pelas virtudes
da fé na palavra de Deus de que há Céu e de que
ele voltará; na esperança de podermos estar com ele
no Céu se formos bons, primeiro como almas após
a morte física e, depois, com corpos ressuscitados
na nova criação que virá; e na caridade, isto é no
amor a Deus que se manifesta nas boas obras feitas
ao homem, pela misericórdia e piedade que
devemos ter de nossos irmãos. Após essa vinda de
Cristo, não mais se precisará de fé, pois teremos a
iluminação direta de Deus, entendendo que ele há
e, ainda, podendo vê-lo enquanto Jesus. Não se
precisará, também, mais da esperança, pois tudo
estará, enfim, cumprido. Porém, a caridade, que
então será perfeita - isto é, amaremos o próximo

88
como Deus nos ama e isso todos com todos - e não
mais a caridade praticada por amor a Deus,
simplesmente, embora esse amor, o amor a Deus
jamais nos abandonará.
Os Evangelhos contam episódios da história
de Jesus, os Atos, os primeiros passos da Igreja e as
cartas contam o que aconteceu a alguns apóstolos e
nos apontam e confirmam ensinamentos teológicos.
Por fim, o Apocalipse nos diz sobre como será
tanto a vida futura quanto o final dos tempos.

89
90
AULA 15: EVANGELHOS
SINÓPTICOS

Quatro são os Evangelhos, porém, três deles


têm o seu desenvolvimento de maneira similar,
como se seguissem um mesmo esquema básico de
apresentação, ou seja, um resumo, uma sinopse
parecida, por isso são chamados de Evangelhos
Sinópticos. São eles os Evangelhos de são Marcos,
de são Mateus e de são Lucas.
De seu conteúdo, podemos dizer que os três
têm cerca de 40% de uma tradição tripla comum.
Entre Marcos e Mateus, cerca de 20% e o mesmo
entre Marcos e Lucas (20%). Entre Mateus e Lucas,
também 20%. Sendo que cada um desses
evangelhos têm em torno de 10% de material
original (porcentagens aproximadas).
O que está nos Evangelhos é, sim, história,
as diferenças de um e de outro se devem,
especialmente, em que pessoas diferentes juntaram
acontecimentos históricos semelhantes através de

91
testemunhos diferentes, para os escrever, o que
acarreta, às vezes, variantes de uma mesma
história, porém, sem deixar de apresentar o que
aconteceu, ainda que o como aconteceu seja
influenciado pelo testemunho de cada um (assim,
por exemplo, Jesus fez milagres, mas as descrições
de alguns deles diferem devido tanto ao tempo
transcorrido como pelo diferente ângulo de vista de
pessoas diversas).
Isto ocorre, via de regra, porque os
evangelistas não presenciaram, eles mesmos, os
acontecimentos. Foram, provavelmente, os
discípulos dos apóstolos são Pedro, são Mateus e
são Paulo que escreveram os seus evangelhos,
tendo recolhido seus argumentos dos próprios
mestres e de outras pessoas que conviveram com
eles e, mesmo, com Jesus.
São Marcos é tido como um discípulo direto
de são Pedro. Como o Evangelho de são Marcos é
o mais antigo, tendo sido escrito, provavelmente,
pelo ano 60 d.C, antes da destruição de Jerusalém
pelos romanos no ano 70 d.C. (o que se depreende,

92
pois nada diz sobre isso, ao contrário dos outros),
deve ter sido a sua base, a sua sinopse que os outros
evangelistas se valeram para escreverem os seus.
Apresenta,desde o início, a boa nova de que Jesus é
o filho de Deus, preferindo mostrar a pessoa de
Jesus (de Deus feito homem) e seus milagres, mais
que seus ensinamentos propriamente ditos. São
Marcos escreve para fiéis de língua grega e, talvez,
ele mesmo tivesse procedência grega, visto que
procura, em seu Evangelho, explicar muitos usos e
costumes judeus, como que os explicando para
quem com eles não estavam familiarizados.
O Evangelho de são Mateus, por sua vez,
deve ter sido escrito pelo ano 70 d.C. Antigamente,
se cria que o próprio apóstolo o havia escrito em
aramaico, sendo que o historiador Eusébio de
Cesaréia chega a mencionar sobre cópias desse
texto nos tempos de Papias (séc. II), porém, se
houve, não chegou até nós. Seja como for, a cópia
que temos é em língua grega e, devido a várias
passagens escritas em grego, mas à maneira da
língua judaica, se creia hoje que seu autor foi

93
alguém do círculo de são Mateus e de origem
judaica, mas de cultura grega. Ao contrário do livro
de são Marcos, não se detém em explicações sobre
os judeus, como se seu leitor já com eles fosse
acostumado. A contar pela forma como foi escrito,
denota pessoa familiarizada com a gramática, com
a lógica e com a retórica, sendo, portanto, pessoa
culta. São Mateus prefere apresentar Jesus,
reiteradamente, como o Messias anunciado.
Já são Lucas, discípulo de são Paulo, pelo
que consta, era médico e homem letrado e com
grande conhecimento do grego e da cultura e da
educação gregas. Tem-se, inclusive, que seu
Evangelho seria a primeira parte de uma obra
maior, que inclui o próprio Ato dos Apóstolos. São
Lucas deve ter escrito seu Evangelho pelo ano 80
d.C. Seus relatos incluem muitas particularidades
sobre a Virgem Maria, o que faz com se acredite
que tenha ouvido, diretamente dela, estes relatos.
Inclusive há a história - não confirmada, porém - de
que teria tido amizade com a Santíssima Virgem e
que, inclusive, teria pintado uma imagem dela. Em

94
seu Evangelho relata, de uma maneira histórica
sequencial - o que o faz ser o mais agradável ao
gosto do leitor de hoje - algo da vida e, depois, do
ministério de Jesus. Enquanto que com os Atos dos
Apóstolos, nos introduz aos primeiros anos da
Igreja e as dificuldades pelas quais ela passou.

95
96
AULA 16: EVANGELHO DE
SÃO JOÃO

Enquanto são Marcos apresenta Jesus como


o filho de Deus, são Mateus como o Messias
anunciado e são Lucas como o Salvador de toda a
humanidade, sempre com o mesmo pano de fundo,
são João o apresenta como o Logos Divino, o
Verbo encarnado, ou seja, como o próprio Deus,
mas o faz com uma sequência diferente, embora
relate, também, algo do ministério e,
principalmente, a morte e, depois, os
acontecimentos após a ressurreição de Jesus,
inclusive, a confirmação de são Pedro como chefe
da Igreja de Cristo.
Como o relatado neste Evangelho é
afirmado ser escrito a partir do ponto de vista de
um dos apóstolos, melhor ainda, do apóstolo que
Jesus amava, a tradição entendeu que não era outro
que não são João Apóstolo o seu escritor.

97
Porém, por ser de família de pescadores e,
também, muito novo na época do ministério de
Jesus - dos 13 aos 16 anos provavelmente - muitos
dizem que ele deveria ser analfabeto. Seja como
for, o Evangelho de são João foi escrito em torno
do ano 90 d.C. e, se não foi são João que o
escreveu, um seu discípulo pode ter transcrito as
suas histórias, o que, de qualquer maneira, o faria o
autor dessa obra - a data tão distante da vida, morte,
ressurreição e subida aos céus de Jesus, se deve
porque, segundo a tradição, são João teve vida
longa e, de todos os apóstolos, foi o único que não
morreu pelo martírio, apesar de ter sido preso até
sua morte na ilha de Patmos.
Por outro lado, tal é o aprofundamento
teológico e, mesmo, filosófico desse Evangelho
que, dificilmente, alguém despreparado teria
conseguido escrevê-lo, principalmente, o seu
famoso prólogo, em que começa já afirmando que
Jesus é o Verbo encarnado, portanto, Deus -
embora Deus possa tê-lo iluminado e lhe dado
conhecimento e entendimento o suficiente para que

98
pudesse ditar ou escrever sua obra em tão alto
nível.
São João, muito mais que contar a história
de Jesus e confirmá-lo o salvador, preocupa-se em
afirmar e confirmar a fé em Jesus que é não só
salvador, mas o próprio Deus encarnado. Mais que
todos, mais explicitamente, confirma a Santíssima
Trindade, assim como a função de Nossa Senhora,
como Mãe de Deus e da Igreja. Para tanto, seu
Evangelho é construído a partir do seguinte
esquema:
 Jesus inicia seu ministério.
 Jesus revela que é Deus.
 Jesus é o pão da vida.
 Jesus é a luz do mundo.
 Jesus é a própria vida.
 Paixão, morte e ressurreição de Jesus.
 Jesus proclama a nova Páscoa (nos
Evangelhos Sinóticos a nova Páscoa
aparece como a instituição da Eucaristia, na
Última Ceia, enquanto que são João não dá
maiores detalhes dessa última reunião de

99
Jesus com os discípulos - talvez por já ter
sido bem explorada e ser bem conhecida
devidos aos outros Evangelhos - e prefere
focar na confirmação da Igreja na Fração do
Pão de Jesus ressuscitado com são Pedro e
outros apóstolos na praia - ou seja, na
última missa documentada que Jesus rezou
com os seus apóstolos antes de subir aos
céus).
Assim como os Evangelhos de são Marcos
e o de são Lucas, aparentemente, o Evangelho de
são João foi escrito para fiéis não só de língua
grega, mas convertidos do paganismo, explicando-
lhes, ao mesmo tempo, costumes e usos judaicos e
dizendo porque o judaísmo, em si, estava superado
pela Igreja.
Apesar de ser o mais teológico e filosófico
dos Evangelhos, são João não descuida da parte
histórica, confirmando várias passagens da vida de
Jesus.
Ao que parece, também, são João
procurava, com este Evangelho, voltar a unificar a

100
Igreja que, por esta época, já sofria devido a várias
heresias gnósticas que foram surgindo do encontro
do cristianismo com o paganismo e,
principalmente, com o docetismo, uma heresia que
insistia que Jesus não era homem, mas sim, um
espírito que teria vindo à Terra para ensinar aos
homens as coisas de Deus e que, assim, nada teria
sofrido nem morrido. São João, no entanto,
confirma que Jesus não só foi, mas que é
verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mostrando a
divindade e a humanidade de Jesus.

101
102
AULA 17: CARTAS
PAULINAS

Enquanto Jesus fundou sua Igreja e são


Pedro foi instituído chefe dessa mesma Igreja, são
Paulo foi o maior divulgador da nova religião não
só entre os judeus que viviam fora da Judéia, mas
também entre os pagãos, como se pode ver tanto
pelos Atos dos Apóstolos quanto por suas cartas.
São Paulo, a o que tudo indica, era um
rabino judeu, extremamente estudioso, de caráter
guerreiro (talvez mesmo tenha sido soldado), que
perseguia os cristãos, sendo que, a caminho de
Damasco, teve a visão que mudaria sua vida: de
perseguidor de cristãos se tornaria no maior
defensor de Cristo e no maior propagador da
religião cristã (como se lê em Atos 9:1-19; 22:4-21
e 26:9-18). As suas cartas foram escritas,
provavelmente, entre os anos 40 a 60 d.C.
Apesar de extremamente letrado e estudado,
preferia agir mais como evangelizador e

103
missionário que como escritor propriamente dito.
Daí que seus escritos, no mais das vezes, foquem
não exatamente temas teológicos gerais, mas sim,
temas doutrinários específicos devido a situações
particulares das diversas populações católicas a que
a ele reportaram pedindo socorro naquelas questões
ou por ele mesmo ter sabido do que ocorria e
tomou, assim, providências para as sanar.
Quatorze são as cartas que fazem parte do
assim chamado ‘Corpus Paulino’, sendo que os
estudiosos, hoje, creem que sete foram mesmo
escritas por ele, outras seis por seus discípulos e
que Hebreus teve outro autor, que é desconhecido.
A lista das cartas paulinas incluem:
a. as proto-paulinas: isto é, as cartas escritas
por ele, que são: Romanos, Gálatas,
Tessalonicenses I, Coríntios I e II,
Filipenses e Filémon.
b. as deutero-paulinas: isto é, as que foram
escritas por seus discípulos: Timóteo I e II,
Tito, Efésios, Colossenses, Tessalonicensses
II.

104
c. a Epístola aos Hebreus.
Com as cartas de são Paulo vemos,
principalmente, que a missa já era realizada (o que
também já se encontra nos Atos dos Apóstolos e no
Evangelho de são João e no de são Lucas) - da qual
há várias passagens que dela tratam - e que,
especialmente, já se tinha, pelo menos desde aquela
época, o entendimento de que as espécies
consagradas na eucaristia (o pão e o vinho
misturado com água) são o corpo e o sangue de
Jesus Cristo (se fala em ser mesmo Cristo, não de
maneira figurada - o que faria com que muitos
romanos, que não conheciam o cristianismo,
acusassem os católicos de comerem carne humana -
não se fala em transubstanciação, pois esta é um
dos desvendamentos teológicos mais importantes
realizados por santo Tomás de Aquino, no séc.
XIII, quando, finalmente, se conseguiu se expressar
por palavras, através da filosofia, o que ocorria para
que pão e vinho se tornassem o corpo e o sangue de
Cristo, a mudança de substância das espécies sem
que, no entanto, sua aparência se transformasse).

105
Ainda são Paulo mostra o papel central de
Cristo não só em nossa religião, mas na sua
responsabilidade em salvar os homens, por ser o
Salvador anunciado. Além de mostrar que, já em
sua época, mesmo com os cristãos ainda se
considerando judeus, que a Igreja já cumpria certa
hierarquia com a presença dos apóstolos, mas
também a de outros bispos, de padres (presbíteros)
e de diáconos - os primeiros para guardar a fé, os
segundos na ajuda ao bispo na distribuição dos
sacramentos e na reza da missa e os terceiros para
auxiliar os outros dois nos afazeres gerais da Igreja
e nas tarefas do dia a dia.
São Paulo, devido mesmo a sua educação
rabínica, remete várias vezes o leitor a trechos e
textos do Antigo Testamento, aproveitando-se,
ainda, para ensinar como e porque Jesus era:
 o novo Adão, pois, se por um homem,
Adão, se perdeu o céu, o paraíso, é por um
homem, Jesus, o verdadeiro homem, o
homem como sempre deveria ter sido,
santo, se recuperou o céu, o paraíso.

106
 o novo Moisés, pois foi por ele que se
conhece a nova, porém, única verdadeira e
derradeira religião, que é a religião católica,
assim como os judeus, por Moisés,
conheceram como deveria ser o judaísmo.
São Paulo, ainda em suas cartas, dá grande
valor à fé em Jesus Cristo e critica as atitudes e atos
preconizados pela religião judaica - às quais chama
de obras - porém, os protestantes e seus
descendentes, os evangélicos, aproveitam e
distorcem suas intenções, de acordo com suas
convicções religiosas para negar que as boas obras
sejam tão, ou mesmo mais, necessárias que a
própria fé - visto que a fé, como diz são Tiago, sem
as obras, é morta.

107
108
AULA 18: CARTAS
JOANINAS

A primeira carta de são João, a mais


extensa, sempre foi atribuída a ele, enquanto a
segunda e a terceira carta, devido tanto a seu menor
tamanho como pelos temas nelas abordados, além
da própria atribuição das cartas pelo seu autor
(dizem terem sido escritas pelo presbítero - que
significa ‘irmão mais velho’ ou ‘ancião’ - sem
mencionar o nome).
Como tem-se que são João viveu muito, por
isso, também é chamado de ‘Ancião’ entende-se
que estas cartas possam ter sido escritas por ele,
não, porém, sem alguma dúvida entre os
estudiosos. Este tipo de dúvida, no entanto, não tira
de nenhuma das três cartas o caráter de escritura
sagrada inspirada por Deus que elas possuem.
Com relação à primeira carta, tem-se
certeza de que foi escrita pelo mesmo autor do
Evangelho de são João, devido tanto ao estilo como

109
quanto pela preferência das palavras utilizadas
(quer tenha sido ou não são João que as tenha
escrito, como se viu).
Considera-se que a primeira carta (e as
outras) tenha sido escrita pelo ano 100 d.C. nela se
notando, principalmente, uma preocupação contra
as heresias gnósticas que iam surgindo em seu
tempo, apesar de já ter alertado sobre elas em seu
Evangelho.
Estes gnósticos, geralmente, atribuíam a
criação do céu pelo Deus bom do Novo Testamento
e da Terra, pelo Deus mau do Velho Testamento -
diziam, ainda, que havia diferença entre o Jesus
histórico e o Cristo da fé (o que lembra algumas
posições modernas, especialmente surgidas em
meios protestantes em inícios do séc. XX e que
alguns católicos, principalmente, os progressistas e
os da teologia da libertação adotaram e, mesmo,
alguns liberais mais radicais, negando a divindade
de Jesus e dizendo que o Cristo da fé é só um
símbolo).

110
Muitas, em verdade, foram as seitas
heréticas gnósticas no início do cristianismo.
Aparecem devido à mistura da religião cristã com
crenças cabalísticas judaicas (uma espécie de magia
judia) e, principalmente, com religiões de mistérios
gregas (como as do culto a Deméter) e persas
(como a do culto a Mitra). Via de regra dizem a
matéria ser má e o espírito ser bom e que, assim, ou
Cristo era puro espírito, ou que Jesus era só um
homem que Cristo (que é espírito) se valia para
poder comunicar sua mensagem, tendo Cristo
abandonado Jesus antes do sofrimento do Calvário,
pois o espírito não pode sofrer - e outras bobagens
e absurdos do gênero, mas que, em sua época,
fizeram bastante sucesso e, por isso, foram
duramente combatidas.
As seitas gnósticas, no entanto, se
mantiveram por todo o primeiro milênio do
cristianismo. São Justino no séc. II, Santo Irineu de
Lyon no séc. III, santo Agostinho no séc. IV
lutavam ainda contra elas (e inúmeras outras
heresias), sendo, finalmente, condenado todo e

111
qualquer tipo de gnosticismo no Concílio de
Calcedônia (na atual Turquia) no séc. V. Porém,
ainda no séc. XI, ainda havia gnósticos,
recuperando maior força com a seita dos albigenses
- que, na verdade, de cristianismo tinha pouco, mas
que foi muito influente no interior da Europa e que
teve que ser destruído por uma sangrenta guerra,
visto que seus seguidores se levantaram em armas
contra a Igreja e contra os reis católicos. O
gnosticismo, de certa maneira, reaparece com Allan
Kardec e o seu espiritismo, embora não seja
religião considerada cristã, mas sim, paganista e
demoníaca. Alguns ramos kardecistas insistem em
se dizerem cristãos - inclusive, muitos espíritas
frequentam, mesmo, a Igreja Católica, como se
suas doutrinas fossem compatíveis.
São João mostra - não sem alguma irritação
- que Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
sendo um só e o mesmo, não havendo diferença,
que não há um Cristo celeste e um Jesus terreno,
mas só Jesus, o Verbo encarnado, filho de Maria
que nela encarnou por obra do Espírito Santo. Em

112
seu prólogo e por todo o seu Evangelho explicita
muito bem a origem divina de Jesus sem descuidar,
em momento algum, de sua origem humana. Ao
mesmo tempo que mostra o quão divino é Jesus,
também mostra o quanto é humano. Sua divindade
se mostra, principalmente, no prólogo, no Céu e no
final, já ressuscitado. Sua humanidade, no trato
familiar com a mãe, com os amigos e discípulos,
além de seu próprio sofrimento.

113
114
AULA 19: CARTAS
PETRINAS

Ao conjunto das cartas de são João, são


Pedro, são Tiago e são Judas dá-se o nome de
Cartas Católicas. Alguns estudioso preferem deixar
o Corpus Joanino de fora desse grupo, devido a se
ter, em nome de são João, fora as suas cartas, ainda
o seu Evangelho e o livro do Apocalipse. Assim,
seriam sete as Cartas Católicas: são João I, II e III;
são Pedro I e II; são Tiago; e são Judas.
Elas são chamadas, genericamente, de
católicas, pois, ao contrário da maior parte das
cartas de são Paulo, que foram escritas para igrejas
específicas sobre casos particulares ou,
diretamente, para determinadas pessoas, estas
cartas se dirigem para toda a Igreja, sem haver um
destinatário em particular, sendo, portanto, de
alcance universal.
Embora em fins do séc.II e inícios do séc.
III a Igreja já tivesse estabelecido o cânon bíblico,

115
tanto do Velho (com a Bíblia dos Setenta), quando
do Novo Testamento, estas cartas - exceto a
primeira carta de são João - foram motivo de
acalorada discussão sobre sua autenticidade, até
que o papa, no séc. IV, pôs fim às discussões,
confirmando-as em sua canonicidade.
De maneira geral, estas cartas tratam de
afastar o fiel das heresias de seu tempo -
principalmente, as que distorciam as ordens da
Igreja (como as seitas judaizantes - que queriam
que os cristãos agissem como judeus - e o
marcionismo, que pregava ser ela a detentora dos
dons do Espírito Santo, mas, especialmente, as
seitas gnósticas). Por isso seu apelo constante a que
os fiéis devam fugir dos falsos mestres e da
necessidade de se guardar a fé verdadeira como
ensina a Igreja. Também já tratam, nelas, das
perseguições aos cristãos movidas tanto pelos
judeus quanto pelos romanos.
Das duas cartas atribuídas a são Pedro, a
primeira sempre foi considerada tanto original
quanto inspirada. Parece ter sido escrita para

116
animar os cristãos vindos do judaísmo, pois ao falar
de perseguições, só pode ser das que promoviam os
judeus contra os cristãos, visto que, se foi mesmo
escrita por são Pedro, o foi antes da diáspora, que
ocorreu no ano 70 d.C. Alguns autores
sugerem que esta carta foi escrita por volta do ano
60a.C., sendo que são Pedro foi morto em 67a.C.
Na verdade, a autoria é considerada de são Pedro
por ele tê-la ditado a seu secretário, Silvano, como
afirma a própria carta. Silvano dominava muito
bem o grego e seu estilo é impecável e elegante -
assim, sendo são Pedro quem ditou, Silvano teria
corrigido e colocado em melhores palavra o que o
santo quis dizer.
Embora haja quem duvide da autenticidade
da carta - o que não retira sua canonicidade - há
alguns poréns que fazem com que se incline a
considerá-la verdadeira, porém, a dúvida quanto a
autenticidade permanece, visto que, embora são
Pedro fosse o bispo de Roma, na carta se diz escrita
a partir de Babilônia, nome pelo qual, no
Apocalipse, se dá a Roma. No entanto, o

117
Apocalipse é posterior à data da morte de são
Pedro.
Coisa semelhante acontece com a segunda
carta que, ao contrário da primeira, são poucos os
que a tem como escrita por são Pedro
verdadeiramente. Os estudiosos a situam,
aproximadamente, tendo sido escrita por algum
discípulo de são Paulo em torno do ano 80 d.C. Isto
porque o autor conhece as cartas e as problemáticas
envolvidas nas cartas de são Paulo, como se o
cânon paulino já estivesse estabelecido.
Ao contrário da primeira carta, seus
destinatários parecem ser cristãos que já conhecem
e reconhecem as cartas paulinas como parte do
cânon bíblico.
Nesta carta se tratam, especialmente, da
inspiração do Espírito Santo na elaboração desta
carta, quando da segunda vinda de Jesus, agora em
glória, afirmando sobre a escatologia - ou seja,
como serão os últimos dias com a volta de Cristo.
Tem essa preocupação, pois, ao que tudo indica
pela carta, já havia quem negasse a segunda vinda

118
de Jesus e que é uma das afirmações basilares da
Igreja Católica sobre o fim dos tempos.
Nela se combate, também e ferozmente, os
falsos mestres que andavam espalhando não só uma
fé herética como, ainda, atentavam, mesmo, contra
a moral.

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AULA 20: CARTA DE SÃO
TIAGO

A carta de são Tiago foi escrita,


provavelmente, antes dos anos 40 d.C. Alguns
autores, porém, a situam nos anos 60 d.C. De
qualquer maneira, a tradição considera este Tiago o
mesmo são Tiago, apóstolo de Jesus - ao contrário
da segunda carta de são Pedro e da segunda e
terceira cartas de são João, nada indica que tenham
sido escrito por alguém que se passe pelo apóstolo.
Parece ter sido escrita para judeus
convertidos ao cristianismo, tal o gosto judeu do
texto, além das inúmeras passagens do Velho
Testamento nela contidos.
Alguns creem que, talvez, não tenha sido,
exatamente, são Tiago que a escreveu, diretamente,
mas que a tenha ditado a algum secretário, visto
que o seu grego é muito culto e elaborado.

121
Alguns, mesmo, chegam a dizer que se
parece mais com uma homilia, uma pregação que
com uma carta propriamente dita.
E há, ainda, os que a têm como um texto
judeu adaptado pelos cristãos - o que é de todo sem
fundamento, visto que a carta, ainda que fale pouco
sobre Jesus, está toda preenchida pelo pensamento
cristão.
Esse preenchimento do cristianismo nesta
carta se deve, especialmente, no que ensina tanto
sobre a caridade cristã quanto sobre as obras de
caridade.É, de todas as cartas, a mais aprofundada,
moralmente falando.
No mínimo dez anos mais velha que as
primeiras de são Paulo, a carta de são Tiago afirma
que as obras, enquanto preceitos religiosos
judaicos, não salvam ninguém, mas sim a fé em
Cristo, porém, ele diz da imperiosidade que é a
ação de boas obras, entendidas como obras de
caridade, para o homem se salvar.
Antes, vai até mais longe, pois em são
Tiago se vê que só ter fé também nada adianta - o

122
Diabo também sabe que Deus existe - e que mesmo
um descrente, ou seja, alguém que não tenha fé em
Cristo, pode, ainda assim, se salvar se praticar boas
obras, se for bom.
Isto não é bobagem, é a mais pura verdade.
Uma pessoa boa não é aquela que apenas tem fé,
mas a que pratica as boas obras - e também, vive as
virtudes - de nada adianta a pessoa dizer que crê em
Jesus e não ajudar ninguém, mesmo que seja
apenas com o bom exemplo. Para ser boa a pessoa
não necessita ser católica - há católicos bons e há
católicos maus - mas a pessoa tem, isso sim, que
aceitar, acatar e por em prática as graças auxiliantes
que recebe de Deus para fazer o bem.
Como diz o próprio são Tiago: ‘a fé, sem as
obras, é morta’. Pode-se morrer de acreditar em
Deus, em Jesus, nos santos, mas se se fica apenas
no crer sem o fazer, isso e nada chega a ser a
mesma coisa. As boas obras trazem em si o anúncio
de que a pessoa que as pratica aceitou as graças de
Deus.

123
E essas boas obras, como aprendido antes,
no terceiro ano do catecismo para a primeira
comunhão, se faz acatando as graças de Deus.
Apesar disso - e também como visto - não se pode
deixar enganar por ações, palavras e pensamentos
que soam como bondosos e melosos, mas que, em
verdade, são obra demoníaca para desviar o homem
de seu caminho, visto que o Demônio também é
capaz de coisas boas se, com isso, consegue
aumentar o mal.
É com são Tiago, ainda, que a Igreja
aprende que as provações nos fortalecem na fé e
que o sofrimento pelo qual passamos serve a nós
como passagem para o céu.
Aquele que se revolta, porém, contra Deus
em meio às adversidades, em verdade, não amava
Deus, mas a si mesmo e, culpando a Deus pelas
suas desgraças, apenas aumenta a culpa pelos
seus pecados.
São Tiago termina a primeira carta de sua
obra, com o recado, o aviso mais correto de toda a

124
Escritura, visto que, mais que nenhum outro,
mostra o que é ser verdadeiro cristão:
‘Se alguém se considera pessoa piedosa,
mas não refreia sua língua, enganando seu
coração, a sua religião é vazia. A religião pura e
sem mácula diante daquele que é Deus e Pai é
esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações e não se deixar contaminar pelo
mundo’.
Nada mais é preciso acrescentar a isso.

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AULA 21: CARTA DE SÃO
JUDAS

Ao que parece, a carta de são Judas não foi


escrita pelo apóstolo Judas Tadeu, pois seu autor se
apresenta como parente de Tiago, o irmão do
Senhor. Os parentes de Jesus - chamados irmãos
devido a que, no hebreu antigo, não havia uma
palavra adequada para designar parentes - durante a
sua vida pública (exceto por Nossa Senhora, pelo
que se tem notícia), não foram seus seguidores,
mas, ao que tudo indica, alguns deles, como aquele
Tiago e esse são Judas. converteram-se ao
cristianismo nascente e são Judas foi tão importante
naqueles primeiros tempos que um de seus escritos
foi admitido no cânon do Novo Testamento - não
se tem, no entanto, maiores informações sobre do
que a própria carta em si.
Essa carta, além de tudo, parece ter sido
escrita antes da segunda carta de são Pedro, pois
esta segunda carta parece copiar o esquema da carta

127
de são Judas - talvez tenha sido, mesmo, escrita
antes da primeira carta de são Pedro, embora,
possivelmente, seja posterior a de são Tiago -
sugere-se que tenha sido escrita entre 40 a 60 d.C.,
o que teria mais sentido, pois se era um parente de
Tiago, era, também, uma parente mais distante de
Jesus e, provavelmente, mais novo que o próprio
Tiago - talvez tivesse sido criança ou adolescente
quando Jesus estava na Terra.
Embora escrito em muito bom grego e
mostrando conhecimento, principalmente, da
gramática, da retórica e da lógica, o autor mostra,
também, grande conhecimento das Escrituras e, até
mesmo, de vários livros apócrifos do Velho
Testamento, como o Primeiro Livro de Henoc e o
Livro da Assunção de Moisés - isto é, livros que
não fazem parte da Bíblia, mas que continham
material que acabavam tratar de assuntos
semelhantes (os livros apócrifos não são inspirados
por Deus, mas nem por isso não podem ser lidos, só
não se pode tê-los como livros sagrados, pois não
são).

128
Ao que tudo indica, sua carta fora escrita
como advertência aos cristãos de fora de Israel,
fossem convertidos do paganismo ou convertidos
do judaísmo, pois, dentre outras coisas, instiga os
fiéis a não se deixarem levar pelos vícios dos povos
pagãos e a não participarem de nada relativo às
suas religiões.
Mas o ponto principal da carta é a defesa
contra as heresias e a luta contra os falsos mestres.
São Judas é claro em sua defesa de se manter a fé
da maneira como recebida dos apóstolos. Como
dito, anteriormente, a Igreja, naqueles primeiros
tempos, era, constantemente, acometida por
heresias de todos os lados e loucos ou
aproveitadores de todo tipo acabavam se
apresentando com suas novidades a fim de angariar
fiéis entre os cristãos desavisados que, devido às
distâncias e à dificuldade de comunicação,
associados a uma má ou deficiente formação e
entendimento do que seja a fé católica, muitas
vezes se deixavam levar por enganadores.

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A heresia, qualquer que seja ela, é pecado
mortal, assim, gravíssimo e o herege deixa a Igreja,
passando a estar em estado de pecado continuado,
portanto, constante, de modo a separar-se de Deus,
de Jesus, para cair nos braços do demônio: a
heresia não vem de Deus, mas do demônio, pois
este, apesar de não poder fazer nada contra Deus,
diretamente, quer atingi-lo usando a sua criatura
mais maravilhosa na Terra, a qual Deus ama, o
homem, que, apesar de tudo, é facilmente
influenciado e levado ao mal, tentando, dessa
maneira, fazer o homem se perder e ganhar o
inferno junto com ele e fazendo Deus perder para
ele, pois todo homem caído é uma vitória do Diabo.
Deus, que não interfere no livre-arbítrio nem do
homem nem do anjo, com tristeza, vê um seu filho
dele afastar-se, porém, não abandona o homem a
sua sorte, mas lhe manda, continuamente, torrentes
de graças para que se emende e volte ao caminho
correto, abandonando a heresia e voltando a
comunhão na sua Igreja. No entanto, não força o

130
homem a aceitar, é o homem que deve acatar as
graças enviadas por Deus e, assim, cair em si.
Falso profetas, falso pregadores sempre
existirão - seja fora ou dentro da Igreja - cabe ao
fiel, seguindo as graças de Deus - saber discernir,
distinguir o joio do trigo e isso se consegue,
principalmente, com o estudo da religião, pois a
ignorância das coisas da Igreja é a maior causa da
perda dos fiéis.

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AULA 22: APOCALIPSE DE
SÃO JOÃO

O livro do Apocalipse foi escrito por volta


do ano 95 d.C. Tradicionalmente, se o atribui a são
João apóstolo, o mesmo que é considerado autor do
Evangelho e, pelo menos, da primeira carta de são
João. Embora seja de tradiconal aceitação esta
autoria, há autores que a negam, pois alegam
problemas de estilo e palavras usadas que não
batem com aqueles outros escritos. Apesar disso,
há tanto argumentos contra quanto a favor das duas
interpretações e não se pode, ainda, se é que um dia
se poderá chegar, À confirmação da autoria. Ocorre
que, como em todo escrito do cânon bíblico, mais
importante que o autor é a canonicidade do escrito
bíblico. O Apocalipse é um escrito sagrado e é isso
que importa, pois foi inspirado por Deus, pois
assim o diz a Igreja pela graça do Espírito Santo.
O tipo de escrito apocalíptico era comum
entre os judeus, principalmente, em épocas de crise.

133
Basta ler alguns livros dos profetas do Velho
Testamento, que possuem estruturas semelhantes,
para se ver que são, também eles, leitura
apocalíptica. Estavam os judeus, nos tempos de
Isaías e Daniel, em profunda crise, com
perseguições, cativeiro, banimentos etc.
Nos tempos do Apocalipse de são João se
inicia a perseguição aos cristãos não mais pelos
judeus - que consideravam os cristãos hereges por
dizerem que um homem, Jesus, era Deus e que
Deus era uno e trino e não apenas uno como o
judaísmo diz - mas pelo Império Romano, além de
outros problemas.
Inicia-se que, embora houvessem sido
expulsos do judaísmo, os cristãos já se entendiam a
Nova Israel e tinham o Templo de Deus em
Jerusalém como a casa especial de Deus, embora
praticassem, desde Jesus em vida (na Última Ceia)
e, depois com ele ressuscitado, continuando a
celebrar após sua subida aos céus, a Santa Missa
que, por essa época, acontecia em casas de fiéis,
pois ainda não se tinham igrejas que só começaram

134
a aparecer como local especial de culto quando
pessoas ricas começaram a se tornar católicas e
doavam habitações para a Igreja que, assim,
começou a ter seus próprios templos, ainda que,
devido mesmo às perseguições, externamente,
essas igrejas parecessem com casas comuns,
embora, por dentro, fossem decoradas com pinturas
e imagens do Antigo Testamento, dos Evangelhos e
dos primeiros mártires, como se vê na cassa-igreja
de Dura Europos, na Turquia, de inícios do séc. II.
Porém, os romanos, com a revolta dos judeus em
70 d.C. destruíram o templo, assim, destruíram a
casa de Deus (e eles sabiam o que estavam fazendo,
pois sabiam da importância do Templo para os
judeus).
Internamente, a Igreja tinha que se digladiar
com as heresias do marcionismo, do nicolaísmo,
além daqueles que, apesar de se dizerem cristãos,
prestavam culto ao imperador. O marcionismo,
inventado por Marcião - filho de um bispo católico
- dizia ser ele o detentor dos dons do Espírito
Santo, além de pregar uma rígida moral e possuir

135
um tom gnóstico, diferenciando o Deus da Lei, que
seria o Javé do Velho Testamento do Deus de
amor, que seria o Pai da Boa Nova, que seriam
inimigos, não o mesmo Deus. Os nicolaítas, por sua
vez, pregavam, principalmente, tanto a poligamia
(um homem poder ter várias mulheres) quanto a
poliandria (uma mulher ter vários maridos),
negando a sacralidade e santidade do casamento.
Fora isso, os romanos começaram a
perseguir os cristãos, com o imperador Domiciano,
porque os católicos se recusavam a prestar culto ao
imperador - considerado pelos romanos como um
deus vivo - muitos católicos, nessa época foram
feitos mártires devido a isso, pois preferiam morrer
a louvar um homem como se fosse um deus, visto
que o católico louva só a Deus. Porém, muitos
católicos, com medo dos sofrimentos, da dor, das
torturas e da morte, acabavam por participar do
culto do imperador - o que é pecado mortal contra o
primeiro mandamento - o que causava a antipatia
daqueles que defendiam a juta fé católica.

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Assim, o Apocalipse, para retratar as
desgraças de seu tempo, além de mostrar o céu,
ainda trata de dizer como será o fim dos tempos,
porém, de maneira profética e apocalíptica que, aos
olhos de hoje, chega a ser confusa, mas que, para o
judeu e para o cristão de então, são, perfeitamente,
entendíveis. O Apocalipse, assim, é cheio de
analogias e de imagens, ou seja, é cheio de
simbolismo e cabe à Igreja, destrinchar a esclarecer
o que cada um de seus símbolos significa.
Há, portanto, que se tomar cuidado da
leitura do Apocalipse, pois se deve, sempre, se
fazer acompanhar de alguma explicação autorizada
da Igreja para não se cair em erro, principalmente,
do milenarismo, que é levar ao pé da letra o que
parece estar escrito neste livro, ou seja, de que
Jesus voltará (o que é verdade) e que reinará mil
anos na Terra antes de fazer o julgamento final (o
que é bobagem) - o milenarismo foi condenado,
oficialmente, pela Igreja logo no séc. III, com santo
Irineu de Lyon, embora sobreviva até hoje nas

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seitas protestantes e evangélicas que leem a Bíblia
literalmente.

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