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F ernando

Pessoa
poesía v
/ LOS POEMAS DE
Alvaro d e C a m p o s 3
OBRAS

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t í t u lo o r ig in a l: F e r n a n d o Pessoa [Á lvaro d e C a m p o s ] :
• Poesia

© J uana I na rejo s y J uan ba rja , 2013


de la traducción

© J u a n B a rja , 2013, de las notas

© P a tx i L a n c e r o s , 2013, delprólogo

© A b a d a E d it o r e s , s . l . , 2013
de la presente edición
Calle del Gobernador, l8
28014 M adrid
Tel.: 91 429 6882 / fax: 91 429 7507
www.abadaeditores.com

cubierta E st u d io JOAQUÍN G allego

p ro d u cció n G uadalupe G isbert

ISBN 978-84-15289-13-5 [obra com pleta]


ISBN 9 7 8 -84-15289-73-9 [vol. V]
IBIC DGF
depósito legal M -I3 0 5 O -2 O I3

p re im p re s ió n D alubert A l l í

im p re sió n GRÁFICAS VARONA, S.A.


Fernando
Pessoa
poesía v
/ LOS POEMAS DE
A lvaro d e C a m p o s 3

E D IC IO N B IL IN G Ü E D E
J uan Barja y J uana I narejos
PROLOGO D E
Patxi L anceros
NOTAS D E
J uan Barja

«OBRAS»
ABAD A EDITORES
SOBRE TODO... CASI NADA
Extravíos de la palab ra en el d esierto de(l) s e r
Patxi Lanceros

Dedico este pequeño texto a Senén Lanceros,


mi padre: amor, gratitud y recuerdo van con él.
Para siempre.

« Começo a conhecer-me. Não existo» .


«Estou universalmente mal, metaflsicamente mal,
mas o pior é que me doi a cabeça
«Se fico cá, pendem-me para ser social..
A lvaro d e C am pos

«Para mim ser éadmirar-me


De estar sendos.
F e r n a n d o P esso a

L a o b ra de F e rn a n d o Pessoa n o sólo se d i-v ie rte , n o sólo n o s


d i-v ie rte . C ie r to es q u e la o b ra se fra g m e n ta , se tro c e a o se
p a rte ; cierto es q u e, al tr a n s ita r esa o b ra , n o s fra g m en tam o s,
n o s tro c e a m o s o n o s p a rtim o s (n o sie m p re , o n o fre c u e n te ­
m e n te , d e r is a ) . P e ro esa o b r a n i se p a r te n i n o s p a r te e n
dos: se ries o z o n a s gem elas o m ellizas, m ita d e s sim é tric a s y
m u tu a m e n te re fe rid a s q u e, al u n ir s e , f o rm a r ía n u n a fig u ra
c o m p le ta ; y c o m p re n s ib le . L a o b r a d e P esso a —lo q u e c o n
m ayor o m e n o r exceso se atrib u y e a ese h o m b re y n o sie m p re
n i n e c e s a ria m e n te a ese n o m b r e 1—se v ie rte e n u n a m u ltip li-

I Q u iz á sea c o n v e n ie n te u n a b rev e n o ta al resp ec to d e l tr a to c o n los


d e n o m in a d o s « h e te r ó n im o s » e n este p ró lo g o . N o se va a i n t e r r o ­
gar a q u í n i so b re su o rig e n , n i so b re su estatu to . A su m im o s q u e so n
p e rso n a s d e l tex to , p e rso n a s d e l v e rb o . Y su re la c ió n c o n Pessoa (ele
mesmo) es, c o m o lo es e n el caso d e o tro s a u to re s « r e a lm e n te exis-

SOBRE TODO... CASI NADA 5


c id a d in g o b e r n a b le d e re g is tro s y e stilo s q u e d a n cauces
diversos a u n in a g o ta b le cau d al d e im a g e n y p a la b ra , d e s e n ­
sació n . P e ro ta m b ié n , y acaso so b re to d o , de ideas.
Ideas —in siste n te s o fu lg u ra n te s, c o in c id e n te s e n tre sí o
m u tu a m e n te e n fre n ta d a s— im p u ls a n y o r ie n ta n la p o esía de
A lb e rto G a e iro , R ic a rd o R eis, F e r n a n d o Pessoa y A lvaro de
C a m p o s (s in o lv id a r o tra s m e n o s fre c u e n ta d a s , c o m o , p o r
e je m p lo , la de A le x a n d e r S e a rc h ); ideas p o é tic a m e n te c o n ­
fig u ra d a s q u e n o s e c u n d a n n i d is c u te n o tra s (id eas) q u e se
v ie rte n e n p ro sa , q u e a s p ira n a ensayo o tr a ta d o , d e d e n s i­
d a d y estatu to filosóficos e n alg u n o s casos. Los m ism o s a u to ­
res evocados, o alg u n o s d e ellos, f ir m a n esas p ro sas; y o tro s
c o m o B e r n a r d o S o a re s, A n to n io M o ra , R a fa el B a ld a ia o
A lvaro C o e lb o de A thayde, B a ró n de Teive.
Esas ideas, q u e se d e rra m a n sobre todo, q uizá estén v in c u ­
la d as a u n a id e a f u n d a m e n ta l o id e a - f u e r z a 2; q u e n o es
capaz, s in em b arg o , de a rtic u la r u n sistem a, o u n a p ro p u e sta
(filo só fic a ) p e rfe c ta : c e r ra d a o c la u su ra d a , acab a d a, c o m ­
p le ta. P e ro , a p e sa r d el in a c a b a m ie n to , o la im p e rfe c c ió n , o
p re c is a m e n te e n f u n c ió n de esos m ism o s a trib u to s , q u e tal
vez s e a n s u s ta n c ia le s3, la o b r a d e F e r n a n d o P esso a, fra g -

te n t e s » , d e d u c ib le d e las re fe re n c ia s te x tu ales. B asta el h e c h o ,


co n statab le, d e q u e haya d ife re n c ia s de estilo, y d e p ersp ectiv a te ó ­
rica, p a ra c o n ta r c o n esas p e rso n a s: es el texto su fic ie n te g a ra n te de
su existen cia. O tr o s tip o s o g rad o s de existencia n o in te re s a n aq u í.
A l f in y al cabo n o es e n el R egistro C ivil d o n d e recab am os los datos
y los a rg u m e n to s p a ra la h e rm e n é u tic a , el análisis y la crítica: lite ra ­
ria s o filo só fic a s. T a m p o c o n o s in c u m b e n h ip ó te s is , c o m o la de
J o ã o G a sp a r S im õ es, q u e a d v ie rte n , o d e n u n c ia n , e n la.génesis de
lo s h e te r ó n im o s « u n a g ra n m e n tir a » , u n a b r o m a e n la q u e g e n e ­
ra c io n e s d e c rític o s h a b r ía n n a u f ra g a d o . P essoa, d ic e , se estará
r i e n d o d e e llo s. D a d a la escasa p r o p e n s i ó n a la r is a d e F e r n a n d o
Pessoa e n vida, n o está m al c o n v e rtir al p o e ta e n u n a in c e sa n te ca r­
caj ada postmortem. In te n ta re m o s ay u d ar a tal co n v ersió n .
2 N o hay, c o n seg u rid ad , u n a id ea qu e organice la to ta lid a d de la o b ra
d e Pessoa. U n a es la q u e a q u í se e x p lo ra. Y se su g ie re su cap acid ad
p a ra o b r a r co m o im p o rta n te clave de le c tu ra .
3 Es A n to n io M o ra el q u e afirm a: « ...p o r q u e los a trib u to s so n , d es­
p u é s d e to d o , la esencia vista de o tr o m o d o » .

6 PATXI LANCEROS
m e n to de fra g m e n to s, se eleva co m o u n a d e las m ás im p o r ­
ta n tes, de las m ás in q u ie ta n te s —ta m b ié n d e las m ás e n ig m á ­
ticas— d el siglo XX; y a u n d e la lite r a tu r a y d el p e n s a m ie n to
e n g en e ral.
L a id e a - f u e r z a —cuya e x p r e s ió n se c o n fía a d if e r e n te s
voces, se p r e s ta a diversos m a tic es y m o d u la c io n e s — es la d e
u n n ih ilis m o o n to ló g ic o q u e , e x p lo ra d o e n v a ria d o s re g is­
tr o s , p ro y e c ta d if e r e n te s c o r r e la to s ex iste n c ia le s: tím id a ­
m e n te afirm ativ o e n G ae iro , m a tiz a d a m e n te re c o n c ilia d o e n
R ic a rd o R eis —q u e p ro fe sa o p ra c tic a , se g ú n F e r n a n d o P es­
soa, u n « e p ic u re ism o tr is te » —, desasosegado —y acaso desaso­
segante— e n el p au sad o Soares, ag ó n ico e n esa p ieza (o e n ese
p u z le ) m a g istra l q u e es Primeiro Fausto, adversativo y n eg ativ o
e n M o r a y B a ld a ia , n o m in a lm e n te esto ic o y lite r a lm e n te
d esesp erad o e n Teive; o lú c id o , sarcástico, v io le n to y fatal e n
el « a m o r a l, si n o r e a lm e n te i n m o r a l» A lv aro d e C a m p o s,
ta l vez el más inquietante de todos los huéspedes de F e r n a n d o Pessoa:
él m is m o , P essoa (Pessoa ele mesmo), « u n p a g a n o d e c a d e n te ,
d e l tie m p o d e l o to ñ o de la b e lle z a , d e l e n s o ñ a r d e la l i m ­
p ie za a n tig u a , m ístic o in te le c tu a l d e la raza tris te d e lo s n e o -
p la tó n ic o s de A le ja n d r ía » 4 5.
« S e n tir to d o d e to d a s las m a n e r a s » , a firm a A lv aro d e
C a m p o s3, o la voz q u e h a b la e n su p o e m a . Y la e s c ritu ra —de
C a m p o s, p e r o n o só lo d e él—, q u e s ie n te to d o , q u e c o n ­
sie n te to d o , ra s tre a in c e sa n te , sobretodo, las p lu ra le s m u ecas
de u n a ú n ic a a n iq u ila c ió n : sie m p re e n cu rso y n u n c a c o n s u -

4 Las caracterizacio n es e n tre c o m illa d a s de R eis, C a m p o s y Pessoa e n


F e rn a n d o Pessoa, El regreso de los dioses, A c a n tila d o , B a rc e lo n a , 2 0 0 6 ,
p p . 2 0 9 , 195 y 2 4 2 resp ectiv am en te.
5 C o m o regla g e n e ra l, y si n o hay in d ic a c io n e s e n s e n tid o c o n tr a rio ,
to d as las citas a la p oesía de Pessoa r e m ite n a la p re se n te e d ic ió n . E n
este caso, F e r n a n d o P essoa, Poesía TV. Los poemas de Alvaro de Campos 2,
A b a d a , M a d rid , 2 0 1 2 , p p . 57» É>7» I 7 I * E l v erso c ita d o se re p ite ,
p e r o m o d ific a su alcan ce, o v aría su p ersp ec tiv a, e n fu n c ió 'n d e lo
q u e e n cada caso sigue: « t e n e r to d a s las o p i n i o n e s » , « v iv ir to d o
d esd e to d o s la d o s ...» , « s e n tir lo to d o ex cesiv am en te» .

SOBRE TO DO... CASI NADA 7


m ad a. N o « l a » 6 n a d a sin o u n a especie de in c e sa n te n a d ifi-
c a c ió n , o b je tiv a y su b je tiv a , d e la q u e p a r tic ip a n r o s tr o s
diversos: m u e rte y g u e rra , in fa n c ia p e rd id a , f u tu ro y p asado,
re c u e rd o , su e ñ o y lo c u ra ... r o s tro s de n a d a q u e, p o r f id e li­
d a d ex tre m a a la filosofía de Pessoa, se e n tre g a n e n fra g m e n ­
to s, e n c o n a to s , s in f o r m a r f ig u ra c o h e r e n te y c o m p le ta ,
a n u n c ia n d o u n d e c u rs o r u t i n a r i o e in d e f i n id o q u e ta l vez
n u n c a h a lla c o n c lu sió n . S o b re to d o , casi n a d a .
L a r u tin a p e r tin a z d e e m p le a r la p a la b ra nihilismo co m o
d ia g n ó s tic o de ép o c a , y c o m o p r e s u n ta c rític a d e u n a p r e ­
s u n ta p é r d id a de valores, h ac e q u e h o y esa p a la b ra sea p r á c ­
tic a m e n te in u tiliz a b le . A l m e n o s s in reservas. C u a n d o c u a l­
q u ie r d e c e p c ió n , p ú b lic a o p riv ad a, se explica e n f u n c ió n de
u n —e v id e n te p e r o e v id e n te m e n te vago y d ifu so — n ih ilis m o
a m b ie n ta l, es p o sib le q u e haya lleg ad o el m o m e n to d e p r e s ­
c in d ir d e esa categ o ría cuya so b re u tiliz a c ió n h a c o n d u c id o a
u n a flag ran te triv ia lid a d . E n el m e jo r de los casos, y ya es, de
p o r sí, n e fa s to , la d e n u n c ia a c tu a l d e « n i h i l i s m o » se in s ­
crib e e n el ám b ito social o m o ra l (lo q u e v ien e a ser, p a ra los
efe cto s, lo m is m o ); y m ie n ta u n a m e ra escasez d e re c u rs o s
(n o rm a lm e n te m o rales) p a ra e n f r e n ta r los re to s y riesgos del
m e ro p re s e n te . N o es in f re c u e n te q u e la c o n s ta ta c ió n (o la
sim p le sospecha) de la escasa d isp o sic ió n p ú b lic a al esfu erzo ,
la p riv a c ió n o el tra b a jo ; o la c o n s te rn a d a d e s c rip c ió n d e los
h á b ito s d e o cio de la ju v e n tu d , sean p ro p u e sta s co m o signos
o sín to m as —evidentes— de n ih ilis m o .
N a d a tie n e eso q u e v e r c o n las p r o f u n d a s v isio n e s d el
n ih ilis m o , q u e se u b ic a n e n o tr o re g istro , q u e tie n e n o tro s
fu n d a m e n to s y o tras a m b ic io n e s7.

6 « Q u é e r r o r h a b e r d ic h o el e llo » , e s c rib e n D eleuze y G u a tta ri e n la


p r i m e r a p á g in a d e El Anti Edipo. C o m o a llí, ta m b ié n a q u í p o d r ía
p a ra fra s e a rs e : « N a d a f u n c io n a p o r to d a s p a r te s , b i e n s in p a r a r ,
b ie n d is c o n tin u a . N ad a re sp ira , n a d a se calien ta, n a d a co m e. N ada
caga, n a d a b esa. Q u é e r r o r h a b e r d ic h o la n a d a » . C a si n a d a . La
re fe re n c ia q u e a b re la n o ta e n : G ilíes D ele u z e y F élix G u a tta ri, El
Anti Edipo. Capitalismoy esquizofrenia, P aidós, B arcelo n a, 1985, p- n .
7 O b v ia m e n te , n o es éste el lu g ar p a ra u n d e sa rro llo p o rm e n o riz a d o

8 PATX1 LANCEROS
U n im p o r ta n te co e ficie n te de trág ico d esg arro atraviesa
la m e ra so sp e ch a d e n ih ilis m o ; y, o b v ia m e n te , su a n u n c io .
N o el la m e n to , m ás o m e n o s a tr ib u la d o , q u e sig u e a la
d e c e p c ió n p o r u n desvío o u n d e t e r io r o d e d e te r m in a d a s
co n d ic io n e s, sin o el g rito , d esesp erad o , al p e rc ib ir el ab ism o
q u e se a b re , s in f in y s in f o n d o , b ajo n u e s tro s p ies. L a n o t i ­
cia, p a rtic ip a d a p o r u n C risto d e fin itiv a m e n te h u é r f a n o , de
la n o ex istencia d e D io s e n el su e ñ o de J e a n P a u l8, el a n u n ­
cio de la m u e rte de D io s e n el fra g m e n to 125 d e ü-ogoyo cien­
cia, d e N ie tz sc h e , la am e n a z a c o n s ta n te q u e acech a e n cada
ap u esta de K ierk e g aard so n e jem p lo s9, escasos p e r o d e f in iti­
vos, d el á m b ito e n el q u e el n ih ilis m o se in sc rib e . Q u e n o es
o tr o s in o el d e u n a « te o lo g ía n e g a tiv a » , e n u n s e n tid o n o
u sual d el sintagm a. U n a teo lo g ía de la n eg a ció n , d e la a u s e n ­
cia o de la m u e rte : p e ro u n a te o -lo g ía , al f in y al cabo.
C o n e x tre m a e c o n o m ía expresiva p u e d e d e c irse q u e el
n ih ilis m o es el re v e rso d e u n « t o d i s m o » p re v io , p r e e x is ­
te n te o p r e - s u p u e s to . D e u n « t o d i s m o » a b o lid o , a n i q u i-

d e l n ih ilism o co m o categoría filosófica. V algan u n o s breves ap u n tes


q u e se o r ie n ta n hacia la p ersp ectiv a de Pessoa. L a b ib lio g ra fía so b re
él n ih ilis m o es, p o r o tr a p a r te , a b u n d a n te . V éase, p o r e je m p lo :
F ra n c o V o lp i, El nihilismo, S iru e la , M a d rid , 2 0 1 2 ; D ie g o S án ch ez
M eca, El nihilismo. Perspectivas sobre la historia espiritual de Europa, S ín tesis,
M a d rid , 2 0 0 4 ; R e m e d io s Ávila, El desafio del nihilismo. La reflexión metafí­
sica como piedad del pensar, T ro tta , M a d rid , 2 0 0 5 . Y, c o m o f o n d o d el
p r e s e n te tex to : F élix D u q u e , El cofre de la nada. Deriva del nihilismo en la
modernidad, A bada, M a d rid , 2 0 0 6 .
8 V éase el c o m p le to d o ss ie r e d ita d o p o r A d ria n o F abris, Alba del nihi­
lismo, Itsm o , M a d rid , 2 0 0 5 ; el tex to al q u e se h ace re fe re n c ia , p p .
4 4 ss. A u n q u e ta l vez sea o p o r t u n o r e c o r d a r q u e , a n te s q u e u n
C r is to , el h e r a ld o d e la lu c tu o s a n o tic ia fu e u n S h a k e sp e a re . E l
lib ro d e A d r ia n o F abris c o n tie n e ta m b ié n la em b a ja d a sh a k esp ea -
ria n a .
9 A l re sp e c to d e l e je m p lo e n lu g a r d e la d e f in ic ió n o el a rg u m e n to ,
v ie n e a c u e n to u n a frase —c o m o o tra s ta n ta s , g e n ia l— d e A lvaro de
C am p o s: «V oy a d e fin ir esto de la m a n e ra com o se d e fin e n las cosas
in d e fin ib le s : c o n la c o b a rd ía d el e je m p lo » . E n F e rn a n d o Pessoa, El
regreso de los dioses, op. cit, p . 199* R esignados a l a co b ard ía, a p u n ta r e ­
m o s algo (p o co ) m ás e n té rm in o s de (in )d e fin ic ió n .

SOBRE TODO... CASI NADA 9


la d o o (re )n e g a d o ; y q u e , c o m o re s to , n o d e ja alg o : d eja,
p re c isa m e n te , n a d a . O casi n a d a : d o n d e el « c a s i» es, p r o b a ­
b le m e n te , ya el ensayo im p o s ib le d e u n a co n v a le ce n cia , d e
u n r e m o n t e o u n r e ( e ) s ta b le c im ie n to ; in c a p a z , p o r o tr a
p a rte , de tra n sa c c ió n o p a c to : c u a n d o la fra c tu ra , c u a n d o el
fracaso es o n to ló g ic o , de p o c o sirv en los re m e d io s lógicos o
las ad a p ta cio n e s sociológicas.
« T o d o o n a d a » : ésa es la divisa. Excesiva, s in d u d a ,
p a r a u n a é p o c a —la n u e s tr a — a c o s tu m b ra d a a c o n s e n so s y a
to d o tip o d e n e g o c ia c io n e s . P a ra u n a ép o c a , c o n c e d a m o s,
p o s t- m e ta f ís ic a ig u a lm e n te a je n a , u h o s til, a lo s re c la m o s
d e(l) to d o y a las co n v u lsio n es d e (la) n a d a 10.
P ero « to d o o n a d a » es la p u esta, q u e n o a d m ite g ra d a ­
c io n e s y e sta d io s in te r m e d io s , c o n la q u e se h a n id e n t i f i ­
c a d o , a lo la rg o d e lo s siglos, n o só lo , p o r d e s c o n ta d o , la
teo lo g ía, sin o la filosofía, y g ra n p a rte de la g ra n p o esía. P ara
ellas, la d im is ió n o el cese d el T o d o —del to d o - s e r , d el t o d o -
se n tid ó , d e l to d o -v a lo r—d eja u n erial, u n d e sie rto q u e crece
(N ie tz sc h e )11: q u e n a d a c o n tie n e , q u e c o n n a d a lim ita . U n
d e s ie rto e n in c a n sa b le ex p a n sió n . A rro ja d o s a él, a rro ja d o s
e n él, la travesía es n u e s tra ta re a, es n u e s tro d e s tin o . S u jeto s
d e l d e s ie rto su je to s al d e s ie r to 12; su je to s de n a d a , su je to s a
n a d a . C asi n ad a .

10 « N a d ie re b a je a lá g rim a o r e p r o c h e » , co m o d ir ía B orges (Poema de


los dones) esta breve in s in u a c ió n al resp e c to d e n u e s tra m o d e r n id a d
(in )c e s a n te . N o se tr a ta d e u n a c rític a ; sí d e u n d a to (o d o n ) q u e
p u e d e ilu s tra r al resp ec to de la in a d e c u a c ió n d iag n ó stica de té r m i­
n o s d e m á x im a a m b ic ió n o n to ló g ic a c o m o « n i h i l i s m o » ; y los
co rre la tiv o s « to d is m o s » .
11 P ero véase, ta m b ié n , Pessoa; « G ra n d e s so n los d esierto s y ya to d o es
d e sie rto ; / sí, es g ra n d e la vida, y n o vale la p e n a q u e haya v id a » , p .
2 2 5 d e este v o lu m e n ; « L a e sta c ió n d e l d e sie rto está d e s ie r ta » , Poe-
síalV, op. cit, p . II5- V o lv erem o s... al d e sie rto ; p a ra acab a r e n él.
12 Q uizá la co n d ició n de sujeto del desierto —si n o la de sujeto al d e s ie rto -
h a sid o cien cia y ex p e rie n c ia d esd e a n tig u o . P ues se h a co n statad o ,
se h a la m e n ta d o , la c o n d e n a , e s tru c tu r a l o c o y u n tu ra l, a u n e ria l
q u e atraviesa espacios y tie m p o s. E scúchese, al m en o s, a T e rtu lia n o :
« . . . quod sumus nos, nati in saeculis desertis». L os n u e s tro s ta l vez. S in saber
n u n c a , a cien cia cierta, q u é y q u ié n e s som os « n o s o tr o s » .

10 PATXI LANCEROS
E n u n c u rio so texto, fra g m e n ta rio co m o ta n to s o fra g ­
m e n ta r io c o m o (casi) to d o s , titu la d o Erostratus —d e d ic a d o a
e s tu d ia r el te m a y el p ro b le m a d e la fam a—a firm a F e rn a n d o
Pessoa lo sig u ien te : « S ó lo hay d os tip o s de c o n s ta n te d is p o ­
sic ió n c o n los q u e la vida m e re ce ser vivida: c o n la n o b le ale­
g ría d e u n a r e lig ió n o c o n el n o b le d o lo r d e h a b e r la p e r ­
d i d o » 13. H a b la de E ró s tra to , a lg u ie n q u e m o s tró , p o r la vía
de los h ech o s, q u e p a ra g a n a r fam a y p asar a la h is to ria tal vez
sea p re c is o in c e n d ia r alg o . N o es p re c is o , p a re c e , q u e el
in c e n d io sea lite r a l. P e ro si b ie n el a rg u m e n to vale p a r a el
sag rad o , o sacrileg o , p ir ó m a n o g rieg o , vale ta m b ié n , se g ú n
P essoa, c o m o re g la g e n e ra l: m ás allá d e l e sta d o v eg etal, d e
h o n g o , sólo hay v id a e n la r e lig ió n : e n la p ro fe s a d a o e n la
a b a n d o n a d a . D eje m o s, de m o m e n to , al m a rg e n el h e c h o , o
la so sp e c h a , d e q u e la r e lig ió n p r o fe s a d a d e p a re s ie m p re y
n e c e sa ria m e n te alegría o jú b ilo (jqy) y de q u e la re lig ió n p e r ­
d id a o a b a n d o n a d a d e p a re s ie m p re y n e c e s a ria m e n te d o lo r
(sorrow). A m b o s, y eso sí es im p o r ta n te , n o b le s.
P ues p o d r ía ser q u e Pessoa, e n sus varias poesías y e n sus
d if e r e n te s p o é tic a s , así c o m o e n sus div ersas p ro s a s , d é
m u e stras de esa n o b le z a d o b le . Y acaso de los s e n tim ie n to s a
ella aso ciad o s. U n a a le g ría (n o excesiva, e n c u a lq u ie r caso)
q u e se aso cia a u n in s is te n te (n e o ) p a g a n is m o cuya e se n c ia
sólo A n to n io M o ra y R ica rd o R eis p a re c e n h a b e r c o m p re n ­
d id o y sólo A lb e rto G a e iro p a re c e h a b e r c o n s e c u e n te m e n te
p ra c tic a d o : p ervivencia o reg reso d e los dioses q u e a u g u ra el
r e to r n o a u n a a c titu d re c o n c ilia d a c o n la n a tu ra le z a y c o n el

13 « There are only two types o f constant mood with which life is worth living —with the
noblejo j o f a religión, or with the noble sorrow ofhaving lost one». E n F e rn a n d o
Pessoa, Páginas de Estética e deTeoria e Crítica Literarias, A tica, L isboa, 1994,
p . 1 8 0 . E l texto está escrito o rig in a lm e n te e n inglés. L os tra d u c to ­
res al p o rtu g u é s v ie rte n mood c o m o espirito (p . 2 2 8 ) ; lo q u e , e n este
caso, creo q u e p u e d e c o n f u n d ir. E l texto, c o n tin ú a y concluye: « E l
re s to es v e g e ta c ió n , y só lo u n a b o tá n ic a p sic o ló g ic a p u e d e h a lla r
in te ré s e n u n a h u m a n id a d ta n d ilu id a —such diluted mankind— ( u n ta n
g e n e ra l h o n g o ) » .

SOBRE TODO... CASI NADA 11


m u n d o « e n g e n e r a l» 14; o a u n a te o r ía y p rá c tic a d e l o c u l­
tis m o (y las a rte s y c ie n c ia s al o c u ltis m o aso cia d as) q u e
g e n e ra , e n t r e o tra s cosas, la fe sebastianista e n u n se g u ro , e
in m i n e n te , « r e t o r n o d e l r e y » y, c o n él, d e l quinto imperio,
c o n P o rtu g a l a la cabeza c o m o p o te n c ia c u ltu r a l: p r o fe c ía
m e s iá n ic a y q u iliá s tic a q u e P essoa a n u n c ia e n d ife r e n te s
to n o s y estilos. J u n to a esa n o b le alegría está, e in c lu so p r e ­
d o m in a , el n o b le d o lo r a n te u n m u n d o —e n g e n e ra l esta vez,
y e n cada u n a d e sus p a rtic u la rid a d e s—vacío d e se n tid o ; q u e
p are ce te n e r re la c ió n c o n el c ristia n ism o p e r d id o o a b a n d o ­
n a d o , in c lu so c o n el a b a n d o n o de ese « c a to lic ism o d e salva­
je s » q u e , se g ú n P essoa (y n o sólo él), es c a ra c te rístic o d e la
P e n ín su la Ib érica .
N o carece de im p o r ta n c ia el d isc re to jú b ilo aso ciad o al
(n e o )p a g a n ism o de C a e iro : el títu lo de « m a e s tr o » q u e c o n
r e ite r a c ió n re c ib e ta l vez m u e s tre su rele v an c ia p a ra Pessoa;
co m o ta m p o c o carece d e im p o rta n c ia , a u n q u e h o y su ela ser
m ás b ie n o b je to d e sarcasm o , la n o b le e m o c ió n q u e d e p a ra
el c o m p le jo e s o té r ic o -s e b a s tia n is ta . P e ro c re o q u e se
im p o n e la evidencia (así e n C a m p o s, q u e n o e n v an o r e p r o ­
cha a C a e iro el h a b e rle sacado de u n d e s v e n tu ra d o su e ñ o a

14 Las co m illa s se im p o n e n p o r q u e el « o b je tiv is m o a b s o lu to y c o n ­


c r e to » , o el « o b jetiv ism o ab so lu to p e rfe c ta m e n te d e f in id o » (según
ex p resio n es d e R ica rd o R eis y A lvaro de C a m p o s resp ec tiv am en te ),
p r e s u n ta m e n te p ra c tic a d o y e n c u a lq u ie r caso d e f e n d id o p o r
C a e iro , n o a d m ite n n i n g ú n « e n g e n e r a l» : y, p o r ello , n i n a tu r a ­
leza n i m u n d o , p r o p ia m e n te h a b la n d o : « L a n a tu ra le z a , n a t u r a l ­
m e n te , n o se n o s ap a re c e c o m o u n c o n ju n to , sin o c o m o 'm u c h a s
cosas’» . Es A n to n io M o ra q u ie n lo afirm a . V éase El regreso de los dio­
ses, op. c it, p . 37. P ero ta m b ié n , y e n p r im e r lu g ar, el p r o p io A lb erto
C a e iro : « L a N atu raleza es p a rte s s in to d o / ése es q uizá el m iste rio
d e l q u e h a b l a n » , e n Poesía I. Los poemas de Alberto Caeiro 1, A b a d a ,
M a d rid , 2011, p . 1 4 9 ; a u n q u e es p re c iso v er ta m b ié n el s ig u ie n te
verso e n Poesía II. Lospoemas de Alberto Caeiro 2, A bada, M a d rid , 2011, p .
6 l : « ...s i n o de la N atu raleza v erd ad era, m uy p o s ib le m e n te n i to d o
n i p a r te s » .

12 PATXI LANCEROS
u n a falsa vigilia13, o e n Primeiro Fausto, p e r o ta m b ié n , d e o tr o
m o d o , e n 0 Marinheiro, o e n el m ás fam o so Libro del desasosiego,
d e B e rn a r d o S o ares) d e q u e es el c e n so d e (la) n a d a el q u e
p re f e r e n te m e n te o cu p a a Pessoa. N o es irre le v a n te , e n c u a l­
q u ie r caso, q u e la c o n tra p a r te d e (l) to d o ta m b ié n esté p r e ­
sen te e n esa p o é tic a p lu ra l: y q u e esa c o n tra p a rte se c o n te n g a
e n u n a p r o p u e s ta c o m o la d e G a e iro , q u e es la d e u n n i h i ­
lis m o so se g ad o , o u n n ih ilis m o a d a p ta tiv o 1516; o la d e u n a
ac e p ta c ió n ap á tic a (stricto sensu) de lo re a l q u e, d esd e el p r i n ­
cip io y p o r p r in c ip io , evacua to d o s e n tid o y to d o m is te r io .
E nsayo —p o é tic a m e n te ir r e p r o c h a b le — d e a c e p ta c ió n d e lo
q u e hay y de c o n c e n tra c ió n e n el d etalle; ensayo d e r e - c o n ­
cilia ció n c o n el m u n d o e n su d isp e rs ió n m o le cu lar, ató m ica.
V ista y ta cto , o íd o : re la c ió n se n su al c o n las cosas d el m u n d o
e n su d in á m ic a im p a s ib le ; e im p o s ib le d e p r o c e s a r . P u e s,
co m o m ás a d e la n te y e n o tr o (c o n )te x to verem o s, n o es ya el
p e n s a m ie n to —y su m ás elevado e je rc ic io « p r o f e s io n a l» : la
m etafísica17—lo q u e fracasa; sin o el m ism o le n g u aje , la m e ra
p alab ra, al in te n ta r a d h e rirs e a las esquivas cosas. E l esp ectá­
culo p a ra el v er (olhar) es el de u n m u n d o sin s e n tid o o c u lto ,
s in se n tid o ín tim o , s in r e m e d io 18. N o hay, e n G ae iro , r e b e ­
lió n f r e n te al s in s e n tid o ; só lo se a c o m e te la re v e la c ió n d el
m is m o . N o d e f o r m a e n tu s ia s ta , p e r o sí a q u ie s c e n te . La
ac e p ta c ió n de las cosas s in s e n tid o c o n d u c e , a m a b le m e n te , a
u n n ih ilis m o tr a n q u i lo , so se g ad o ; n ih ilis m o d e a n a c o r e ta

15 « M e d e s p e rta s te , sí, p e r o e l s e n tid o d e l se r h u m a n o es só lo d o r ­


m i r » , véase p . 61 d e l p re se n te v o lu m e n . S o n relevantes p a ra n u e s ­
tr o tex to u n o s v erso s a n te r io r e s d e l m ism o p o e m a —y el p o e m a al
co m p leto : « N o , m i c o ra z ó n n o a p re n d ió n a d a . / M i c o ra z ó n n o es
n a d a . / N o , m i c o ra z ó n está p e r d i d o » . Ibid., p . 57-
16 « A sí es y asi s e a » , PoesíasI, op. cit, p . 91; « L o q u e sea, c u a n d o sea, ha
d e se r lo q u e e s » , PoesiasII, op. cit, p . 27-
17 « H a y m eta físic a d e so b ra e n n o p e n s a r e n n a d a » , d ic e G a e iro e n
PoesíaI, op. cit., p . 45-
18 « E l ú n ic o se n tid o ín tim o de las cosas / es qu e ellas n o tie n e n sen tid o
ín tim o a lg u n o » , Poesíal, op. cit., p . 4 7 ; « P o r q u e el ú n ic o se n tid o
o cu lto d e las cosas / es q u e ellas n o tie n e n se n tid o o cu lto n in g u n o » ,
Ibid., p . 131.

SOBRE TO DO... CASI NADA 13


sin tra s c e n d e n c ia a la q u e d ir ig ir , u o fre c e r, el verso: n i h i ­
lism o s in esp eran z a p e ro s in d e sesp e ra ció n .
N ih ilism o m a g istral o m a tric ia l, e n fin , cuya c o n tin u a ­
ció n o reflejo e n R icard o R eis, discíp u lo y albacea d e A lb erto
G a e iro , c o n d u c e a o tr o n ih ilis m o su m iso , o a la a c e p ta c ió n
f in a l d e u n a tr a n q u ila e u ta n a sia : « Nada nos falta, porque nada
somos. / Não esperamos nada / e temosfrío ao sol. >>; «Nada fe a de nada.
Nada somos [...]. Somos contos contando contos, nada».
E l esp acio d e u n n ih ilis m o o n to ló g ic o q u e nada sabe d e
to ta lid a d o c o n ju n to ; q u e nada sabe de f u tu r o o d e s e n tid o 19,
se a b re a u n in te rv alo , o a u n n ic h o clau stro fó b ico , e n el q u e
cabe la vida; y u n a vida ca rc o m id a d esde el in te r io r y acosada
desde el e x terio r. U n a vida q u e se expresa, o ra e n la fo rm a de
la re s ig n a c ió n , o r a e n la f o r m a de la d e s e s p e ra c ió n . Y q u é
a d m ite to d a s u e rte d e e s tím u lo s p a ra lle n a rse —p o r u n in s ­
ta n te , sólo p o r u n in sta n te —de c o n te n id o ; p a ra d esb o rd arse,
p a ra estallar in c lu so . A sí, lo verem os, e n alg u n a d e las piezas
m ás ce le b ra d as d e A lvaro d e C a m p o s. R e p re se n tativ as acaso
de la d o b le {y sin d u d a conexa) n o b le za a la q u e Pessoa hacía
re fe re n c ia ; aq u ella q u e tra sc ie n d e la c o n d ic ió n vegetal y h ace
q u e la vida, p o r su e ñ o , lo c u ra o ficc ió n , m erezca se r vivida.
N o es o c io so , e n este p u n to , a c la ra r q u e c u a n d o d e
n ih ilis m o y m etafísica (u o n to lo g ia ) se tra ta , am bas ca te g o ­
rías, re fe rid a s a Pessoa, tie n e n ta n to u n se n tid o m e ta fó ric o
c o m o u n s e n tid o té c n ic o . P o r m ás q u e su o b r a p o é tic a
so brepase (sin d u d a ta n to e n c a n tid a d co m o e n calidad) a su
o b ra te ó ric a o especulativa, hay u n a te n s ió n de p e n s a m ie n to
( p o r m o tiv o s obv io s r e n u n c io a e s c r ib ir « u n i d a d » ) q u e
atraviesa am bas. Es p o sib le q u e te n g a alg ú n s e n tid o la q u eja
d e u n o d e sus p r im e r o s b ió g ra fo s , el p r ó d ig o —o in c o n t i ­
n e n te —J o ã o G a sp a r S im õ es, c u a n d o se la m e n ta d e q u e la
r e c e p c ió n e x tra n je r a d e P essoa haya in s is tid o « ex c esiv a-

19 V á lid o el a s e rto , c re o , c o m o re g la g e n e ra l p a r a el « u n i( d i) v e r s o
P e sso a » , v erem o s e n a lg ú n m o m e n to o p o r tu n o s m atices. Es válido
ta m b ié n p a ra Pessoa q u e (casi) c u a lq u ie r a firm a c ió n , p o r dogm ática
q u e parezca, se m atiza p o d e ro s a m e n te —o se d e c o n stru y e d rá stic a ­
m e n te —e n y desde la p r o p ia o b ra .

14 PATXI LANCEROS
m e n te » e n su v e r tie n te esp ec u lativ a y haya —esto se d ic e a
finales de los añ o s sesenta d e l pasado siglo—p o ste rg a d o , si n o
ig n o ra d o , su v e rtie n te líric a. T alv ez: p e r o el la m e n to h a b ría
de d irig irse a la escasez de glosa al resp e cto d e la líric a —si es
q u e hay o h u b o tal—y n o al p re s u n to exceso d e c o m e n ta rio al
p e n s a m ie n to d el a u to r.
Y sin d u d a hay q u e estar de a c u e rd o c o n el p r o p io ( ¿ ? )
Pessoa c u a n d o a firm a d e sí m ism o (in c lu so d e sus v ario s « s í
m is m o s» ) q u e él n o es u n filó so fo q u e p o etiza sin o u n p o e ta
c o n p re -o c u p a c io n e s filosóficas. C o n eso basta y a u n d e eso se
trata. Si la filosofía es, co m o suele d ec ir E u g en io T rías, lite ra ­
tu r a de p e n s a m ie n to , o lite ra tu ra de ideas, p o co s h a n p ra c ti­
cado filosofía e n ta n variados registros com o F e rn a n d o Pessoa.
Si la filosofía es, com o suele d e c ir G ilíes D eleuze, lo q u e hace
p e n s a r, p o c o s h a n p ro fe s a d o la p a s ió n filo só fic a c o n el celo
obstin ad o , p ertin az, de F e rn a n d o Pessoa. N o sólo e n los escri­
tos « p r o p ia m e n te » filosóficos20, sin o a través de to d a su p o e ­
sía. E n la q u e el ce n so d e lo s r o s tro s d e la a n iq u ila c ió n se
escribe, se in sc rib e, de todas las m an eras posibles; y e n la q u e
el catálogo d e (la) n a d a es re c o rrid o e n tod as sus d im e n sio n e s;
e incluso atravesado: e n la d irec ció n im posib le —o difícilm en te
p ra c tic a b le — de u n m ás allá a b s o lu to , a n te r io r , p o s te r io r y
su p e rio r a todas las oposiciones pensables; ta n to u n a div in id ad
a n te rio r a D io s y a los dioses co m o u n a p o ste rio rid a d d istin ta
de la m u e rte y de la in m o rta lid a d , o u n a « h ip e rtra s c e n d e n -
c ia » su p e rio r al S er y al N o -S e r. Q u e n o fo rm a n p a rte , com o
p u d ie r a p e n s a rse , de u n a e v e n tu a l « s o lu c ió n » sin o d e u n
in c e sa n te —e in c e s a n te m e n te a lte ra d o — p la n te a m ie n to d el
p ro b le m a .

20 D e lo s q u e hay e d ic ió n , s iq u ie r a p a rc ia l: P essoa, F e r n a n d o , Textos


filosóficos (2 v o ls.), E d . Á tica, L isb o a, 1 994- H a n de verse ta m b ié n :
Textos de crítica e Intervenção, Á tica, L isboa, s.d .; Páginas de Estética é de Teoria
e Crítica Literarias, Á tica, L isboa, 1 994; Ultimátum epáginas de sociología Polí­
tica, Á tica, L isboa, s.d . P ara to d o ello es in te re sa n te el lib ro de L o u -
r e n ç o , E d u a rd o , Pessoa Revisitado. Leitura Estruturante do Drama em Gente,
G rad iv a, L isb o a, 2 0 0 3 . T a m b ié n es p re c iso a p u n ta r q u e los c r ite ­
rio s d e e d ic ió n de las obras p u b licad as e n Á tica so n , c u a n d o m en o s,
d iscu tib les. D esd e to d o s los p u n to s d e vista.

SOBRE TO DO... CASI NADA 15


N iezsch e, desde lu e g o , K afk a, s in d u d a . S o n n o m b re s
que se re c u e rd a n al le e r la poesía de F e rn a n d o Pessoa. Y n o m ­
b re s q u e se c ita n . O tr o s p o d r ía n a ñ a d irse s in esfu erzo y c o n
raz ó n . P ues m ás allá de la e c o n o m ía y ecología de las in flu e n ­
cias, m ás allá de dudo so s o in d u d a b les deslizam ientos d e c o n ­
te n id o y d e (sin )sen tid o , esos y o tro s n o m b re s están ad h erid o s
a, e in d e le b le m e n te m arcados en , la elab o rac ió n de u n a expe­
rien c ia; y de su ciencia. Q u e esa ciencia —de n ad a, so b re to d o
de casi n ad a—re c u rra p re fe re n te m e n te a la lite ra tu ra a la h o ra
de b u sc a r su ex p re sió n ad ecuada, su e x p a n sió n to rtu ra d a , n o
es e x tra ñ o : es n e c e s a rio . P u es sólo la lite r a tu r a llega —c o n
e x tre m a d ific u lta d y r e ite r a d o fracaso — a la d ese sp e ra d a cita
c o n la p alab ra allí d o n d e el se n tid o d im ite, allí d o n d e el signi­
fica d o cesa: e n ese p u n to , d e n o r e to r n o , d esd e el q u e to d o
am enaza c o n tro carse e n insignificancia p u ra .
P re c isa m e n te eso hay q u e c o n ta r. P re c isa m e n te c o n eso
hay q u e c o n ta r. Y e n la arriesg ad a p ir u e ta p a ra c o n ta r (co n )
eso, p a ra c o n ta r c o n ello, p a ra c o n ta r (co n ) lo in c o n ta b le , el
le n g u a je se r e tu e r c e y se te n s a h a s ta e x tre m o s im p o s ib le s;
p a ra , exhausto, se g u ir e m itie n d o m ás allá de los lím ite s d e la
c o m p re n s ió n , m ás allá d e lo s lím ite s de la ce rteza e in c lu so
d e la d u d a ; m ás allá d e la esp eran za. E in c lu so m ás allá d e la
d esesp e ra ció n . Q u izá p o r la in sisten cia, acaso s in esencia, tal
vez s in existencia, de ese —eso, ello—m ás allá ab so lu to al q u e
a p u n ta n , y d isp a ra n , alg u n o s versos de Pessoa. C asi n ad a .
A u sc u lte m o s u n m o m e n to los disjecta membra d e esa o b ra
—p o e m a d ra m á tic o — q u e o c u p ó a Pessoa de f o rm a ( i n i n t e ­
r r u m p id a d u r a n te to d a su vida: Primeiro Fausto. O b r a in c o m ­
p le ta, o b ra in c o n c re ta , q u e m u e stra las cicatrices de u n a ela­
b o r a c ió n to r tu r a d a .
N o só lo e n v ir tu d d e e n v ío s m ás q u e s u f ic ie n te s , q u e
te s tim o n ia n la re la c ió n e n tr e P essoa y G o e th e —q u e p o d r ía
calificarse co m o « a n s io s a » , e n el se n tid o de la cé le b re te o ­
r ía d e la in f lu e n c ia d e H a r o ld B lo o m 21—, s in o p o r m o tiv o s
q u e e l tie m p o h a h e c h o ju s t o s y n e c e s a r io s , el Fausto d e

21 Q u iz á ex cesiv am en te c é le b re . V éase, e n c u a lq u ie r caso, H a r o ld


B lo o m , TheAnxiep oflnfluence, U n iv ersity Press, O x fo rd , 1973*

16 PATXI LANCEROS
P esso a22 se c o n f r o n ta c o n el O tr o . Y el O tr o sie m p re es el
d e G o e th e . H a y o tr o s F a u sto s. P e ro O t r o , só lo h ay U n o .
Q u iz á s ie m p r e y e n to d o , só lo h a y (a ) U n O t r o . L o c u a l,
b ie n p e n s a d o , es u n p ro b le m a . ¿ O t r o m á s? ¿ O el U n ic o ?
N o hay p ró lo g o , n i e n el C ie lo —al q u e p o r m o m e n to s
p a re c e d irig irs e la p a la b ra — n i e n el I n f ie r n o —q u e se evoca
a q u í y allá—; q u iz á n o hay n a d a , n i e n el C ie lo n i e n el
I n fie r n o , q u izá n o hay C ielo n i I n f ie r n o , sin o el d e sg arra d o
p o e m a —el d r a m a — de esta T ie r r a . N o hay p r ó lo g o . Y n o
p u e d e h a b e r lo e n u n a o b r a q u e só lo se m u e s tr a c o m o d is ­
ju n t o fra g m e n ta rio , sin p r in c ip io n i fin . Y es, sin em b a rg o ,
u n a o b ra 23.
U n a o b r a q u e , m ás allá d e l p r o p ó s ito d e su a u t o r 24, se
alza co m o ag ó n ica in d a g a c ió n d el m is te rio d el m u n d o , o d el
m is te r io d e to d o ( 0 mistério de tudo / aproximase tanto do mea
ser...)-, y, a la vez, co m o im p líc ita d e n u n c ia d e la in a n id a d d e
esa m ism a in d a g a c ió n . O c o m o r e n u n c ia y d e r r o ta . C o m o
su ced e, lo v ere m o s, e n alg u n o s p o e m a s d e A lv aro d e C a m ­
p o s, el m is te r io —q u e e n el e x tre m o c o n s iste e n el p u r o
h e c h o d e se r— se tr a d u c e e n h o r r o r , h a s ta e l p u n t o d e q u e
m is te rio , h o r r o r y ex istencia se a lte r n a n y se a lte ra n e n v e r­
sos to r tu r a d o s q u e o r a a f ir m a n el c o m ú n ( s in ) s e n tid o d e
esos té rm in o s , o ra se elevan (es u n d e c ir) co m o in v o c a c ió n
s in d e s tin a ta r io p re c is o , a p o s tro f e a r r o ja d o al vacío e n el
vacío, a u n p o d e r h ip e rtra s c e n d e n te —y acaso tra sc e n d e n ta l—

22 «Primeiro» Fausto: el p r im e ro de u n a se rie de tres. T r in id a d fáustica,


p u es. O b ra am b icio sa de cuyo p r o p ó s ito q u e d a n trazos e n las n o ta s
d e Pessoa.
23 S u jeta a e x p a n s ió n y a m ú ltip le s (re ) o r d e n a m ie n to s e n f u n c ió n de
los hallazgos q u e quizá a ú n d e p a re el u b é r rim o , y al p a re c e r in a g o ­
ta b le , b a ú l q u e c u s to d ia (b a ) lo s m a n u s c rito s p e s so a n o s . N o es
ex trañ o c u a n d o se tra ta de Pessoa: a base de hallazgos sim ilares se ha
c o n fe c c io n a d o el Libro del desasosiego; a b a se d e leves in d ic a c io n e s y
p ro ezas críticas se h a a rm a d o El regreso de los dioses. ¿Y q u é d e c ir de la
p o e sía ? ¿ C o m p le ta ?
24 L a e x p o s ic ió n d e ta l p r o p ó s ito se p u e d e v er, c o m o d o c u m e n to
i n tr o d u c to r io al texto d e Primeiro Fausto, e n F e rn a n d o Pessoa, Poemas
Dramáticos, Á tica, L isboa, 1997, pp - 6 9 ss.

SOBRE TO D O ... CASI N AD A 17


q u e a n u la el p e n s a m ie n to y se revela (o se re b e la ), p re c is a ­
m e n te , co m o h o r r o r :

...falhados pensamentos e sistemas


que, por falharem, só mais negrofa&m
o poder horroroso que os trascende
a todos [sim,] a todos.
Oh horror! Oh mistério! Oh existencia/2526

N o s h a lla m o s, a p a r e n te m e n te , e n el e x tre m o o p u e s to
d e la re ite ra d a y enfática a c ep tac ió n de u n m u n d o (n o h a b ría
o tr o ) s in s e n tid o y s in m is te r io 26 q u e —lo h e m o s in s in u a d o
ya—p a re c e c a racteriza r la p o e sía y la n o - filo s o fía d e A lb e rto
G a e iro (e in c lu s o e n el e x tre m o o p u e s to a la re s ig n a c ió n a
ese m ism o m u n d o —se g u iría s in h a b e r o tr o —s in se n tid o q u e
p a re c e ca ra c te riz a r la p o esía d e R ica rd o R e is). A q u í —e n Pri­
meiro Fausto— se im p o n e , se s o b r e - p o n e el m is te rio . E l h o r r o r
d e u n m u n d o s in - s e n tid o q u e , para el pensamiento, so b rev ie n e
co m o u n v e rtig in o so y a b s u rd o caos de o c u lta c ió n , e n el q u e
n a d a es, n o ya lo q u e p arece, sin o lo q u e es. T o d o es sím b o lo
y an a lo g ía (Ah, tudo ésímbolo e analogía!). Y , e n el ex tre m o , ilu ­
sió n . Y lo q u e o c u rre , n o sólo p a ra Pessoa, es q u e el p e n s a ­
m ie n to es p a ra el h u m a n o , in e lu d ib le .
E l p e n s a m ie n to o la in te lig e n c ia , o la r a z ó n ( to d o ello
c o n o p ta tiv a m ay ú scu la in ic ia l), esas in s ta n c ia s , acaso só lo
u n a , q u e h istó ric a m e n te h a n servido p a ra d e fin ir al h u m a n o ,

25 Op. cit., p . 7 8 .
26 A c e p ta c ió n q u e n o es só lo ta l, sin o q u e se p r e s e n ta c o m o ra d ic a l
d e s c u b rim ie n to . C a e iro h a b ría sido, según c o n fe sió n p r o p ia y r a ti­
f ic a c ió n a je n a , n o ya e l re v e la d o r sin o la m ism a re v e la c ió n d e u n
m u n d o y u n a n a tu ra le z a e n te r a m e n te n u ev o s. Y , p o r e llo , de u n a
e n te r a m e n te n u ev a r e la c ió n c o n el m u n d o y c o n la n a tu ra le z a q u e
co m ien za c o n el p u r o ver (olhar). D isc ip lin a, ésta d e l ver, de la q u e
G aeiro sería, efectivam ente, m a e stro ; o se ría p r in c ip io , p o r fin , de
u n olhar au té n tic o , g e n u in o . Q u iz á p o r ello in clu so O ctavio Paz, e n
lo q u e m e p arece u n exceso h e r m e n ê u tic o o u ii desliz c rític o , c o n ­
s id e ra a C a e iro e l centro d e l « u n i( d i) v e r s o P e ss o a » . S in e m b a rg o ,
c re o , n o hay ta l (c e n tro ).

18 PATXt LANCEROS
p a r a d e - li m ita r su e se n c ia y su e s ta tu to , se h a n tr o c a d o e n
c á m a ra d e t o r t u r a o m u se o d e lo s h o r r o r e s . I n e lu d ib le
m e d ia c ió n , p a re c e , e n t r e el h u m a n o y el m u n d o y lu g a r
ta n to de la a u to - co m o de la h e te ro c o n c ie n c ia (y ta n to d e la
c o n s c ie n c ia c o m o de la c o n c ie n c ia ), e l p e n s a m ie n to estalla
e n la o b ra d e Pessoa. Y n o sólo se co n v ierte, o a ñ o ra co n v e r­
tirse , e n su e ñ o , ilu s ió n o lo c u ra , sin o q u e es el e p ic e n tro de
ese sísm ico horror vacui q u e a fe c ta a to d o , q u e in f e c ta to d o .
P ocas veces, sea e n las d ife re n te s filo so fía s, sea e n las vastas
lite ra tu ra s, se h a llegado a a p u n ta r (y a d isp a ra r) c o n ta l p r e ­
c isió n e n la d ire c c ió n de u n a b s u rd o q u e n o es só lo ex iste n ­
cial sin o o n to ló g ic o : y q u e n o a d m ite salida. A n o se r q u e se
c o n s id e r e c o m o ta l esa divisa, r e ite r a d a e n C a m p o s, q u e
reza: sentir todo de todas ¡as maneras. A tra v e sa r s e n sa c io n e s s in
c u e n ta y s in c u e n to , s in d ir e c c ió n n i s e n tid o , a c u m u la c ió n
v e rtig in o s a (d e la q u e la Oda marítima es e je m p lo o m o d e lo )
q u e, tra s el fre n esí, a u g u ra sólo reg reso . Y v u elta a em p ez ar.
R e to rn o , n i e te r n o n i c e n tro g rav itacio n al, q u e rad icaliza el
d e N ie tz sc h e ; o ló g ic a d e la se n s a c ió n s in s e n tid o . S e n tir
to d o . C asi n a d a .
Y n i s iq u ie ra el re m a n so (e n C a e iro , acaso e n R eis) o el
to r b e llin o (e n C a m p o s) d e la se n sac ió n , q u e s im u la n o f in ­
g e n p r o te g e r , al m e n o s a lo s d o s p r im e r o s , d e l h o r r o r es
b a lu a rte su ficien te p a ra Pessoa, c u a n d o hace h a b la r a Fausto:

Mundo, confranges-mepor existir.


Tenho-te horror porque te sinto ser
e compreendo que te sinto ser
até àsfezes da compreensão.
Bebi a taça [...] do pensamento
até o fim; reconheci-a pois
vazia, e achei horror. Mas eu b e b i-a ^ .

C ie rto es q u e la sensación está m e d ia d a p o r la c o m p re n ­


sió n , cierto q u e está re fe rid a al p e n s a m ie n to y en c astra d a e n 27

27 Op.cít., p . 77.

SOBRE TODO... CASI NADA 19


él, a rro ja d a a él. P ero cierto es q u e n o hay —h u m a n o s s o m o s -
se n sac ió n s in p e n s a m ie n to . P ara b ie n o p a ra m a l —y, seg u ra­
m e n te , p a ra b ie n y p a ra m al—la copa (o taça) h a sido ap u rad a.
H asta las heces. Y, c o n ella, el h o r r o r : quizá n o m ás in te n so
p e ro seg u ra m en te m ás extenso q u e aq u el c o n el q u e se p re c i­
p ita al f in el re la to d e J o s e p h G o n ra d Heart ofDarkness, y q u e
M a rió n B r a n d o e n u n c ia b a e n la p e líc u la , d e F ra n c is F o rd
G o p p o la, Apocalypse Now c o n inig u alab le eficacia: The Horror! The
Horror! L a u ltim a p alab ra: el h o r r o r .
E l h o r r o r in fe c ta to d o ; in c lu so la se n sac ió n . C u a lq u ie r
c o n ta c to c o n el m u n d o , o c o n la v id a, n e c e s a ria m e n te
m e d ia d o e n el p e n s a m ie n to y p o r él, d e p a ra u n sa ld o d e
h o r r o r ; ta n a m p lio co m o el p r o p io m u n d o , ta n p r o f u n d o
co m o el abism o q u e lo acoge:

Formas e ideias eu bebo,


e o misterio e horror do mundo
silentemente recebo
no meu abismo profundo .

E n o tr o ex trem o de la m o d e rn id a d —o e n o tr o d e sus
varios centros, po co im p o rta —el Fausto de Pessoa habla co n voz
d istinta que el Fausto de G oethe. C o n o tra cadencia. O tro s so n
los Cielos a los que se dirige y o tra la T ie rra desde la qu e se eleva
esta voz. Más vacíos, m ás n a d a . M uchas ex p e rien c ias se h a n
h e c h o , m u c h as esperanzas h a n q u e b ra d o e n el e n tre a c to .
C u a n d o F austo —el m ism o , o tr o —a rra n c a a h a b la r, a n a d a , a
n ad ie, n o hay n i pacto, n i D iablo, n i Ideal. N i D ios. F rag m en ­
to s de u n estallid o , d el q u e el p r o p io p o e m a es te s tim o n io y
te sta m en to . T alvez sea cierto , y aq u í de m a n e ra ejem p lar, qu e
« E l p o e m a es lo q u e qu ed a de u n dios d e c a p ita d o » 89.289

28 Op. cit, p . 8 4 . H a de verse to d o el p o e m a , n o sólo lo s citados —c r u ­


ciales—versos.
29 C o n ese c o n tu n d e n te sin tag m a co m ien za Jo s é M a n u e l C u esta A bad
u n m ag n ífic o artíc u lo , del q u e n o s seguirem os sirv ien d o : « E sté tic a
d e la d e s tru c c ió n . R ilk e - B e n ja m in - R ie g l» , e n J u a n B a rja y C é sar
R en d u eles, Mundo escrito. 13 derivas desde Vfalter Benjamín, C írcu lo de Bellas
A rtes, M a d rid , 2013, p- III.

20 PATXI LANCEROS
Es el p o e m a m ism o el q u e se e x h ib e, o b s c e n a m e n te ,
com o el —ta l vez f o rtu ito —resto o re sid u o d e u n estallid o , de
u n a in m e n sa d efla g ra ció n ; es el p o e m a m ism o el q u e in h ib e
el a c a b a m ie n to , la p e r f e c c ió n m a te r ia l y f o rm a l: te stig o
ú ltim o , o p o s tu m o , de la d e s tru c c ió n . Y es to d a la o b r a d e
P essoa la q u e p a r tic ip a d e esa m is m a se ñ a d e id e n tid a d (sit
venia verbo): testigo, te stim o n io y te sta m e n to de u n a m o d e r n i­
d a d (in )c e s a n te q u e h a e x p e rim e n ta d o las m il fo rm a s d e la
d e s tru c c ió n y el c o la p so . O tr o s ta n to s d io ses h a n c a íd o .
Q u iz á d ec ap itad o s. Q u e d a el p o e m a . Y e n el p o e m a m ie m ­
b r o s d esp ed a zad o s, o u n to r s o q u e d e sd e la r u in a —la suya
p r o p ia o la g e n e ra l y to ta l—n o re n u n c ia a la p alab ra: « E n u n
s e n tid o h is tó r ic o - a r tís tic o , el to r s o es el e m b le m a , n o d e l
e s p le n d o r a rru in a d o d el arte an tig u o , sin o d el a rte m o d e rn o
e n su asp ira ció n crítica a u n id eal an ti-clásico . Reflexiva y c rí­
tica, fra g m e n ta ria y c o n tin g e n te , asim b ó lica e inexpresiva, la
o b ra m o d e r n a es cre ad a co m o t o r s o » 30. Y co m o to r s ió n , o
d is -to rs ió n , tras el estallido.
La m ile n a ria aven tu ra h u m a n a y su leyenda rep o sa n , sobre
to d o , e n la fe. N o , o n o n e c e s a ria m e n te , e n la fe o rg an iz ad a
com o religió n. N o . Se trata d e la m ás básica fe e n el sen tid o , en
la posib ilid ad de d a r y re c ib ir sen tid o . E l p en sam ien to y el le n ­
guaje (y el u n o p o r el o tro ) so n erigidos —a u n c o n ocasionales
desmayos o deserciones a lo largo de la h isto ria—com o artefac­
tos del se n tid o . Y a ellos se fía la resp o n sa b ilid ad d e h a c e r (el)
m u n d o g en u in a m e n te habitable. Sólo c o n ellos, sólo p o r ellos,
la vida o la existencia in g resan e n el rég im en d el se n tid o ; ab a n ­
d o n a n , vale decir, el erial o desierto del absu rd o .
E n el u n i(d i)v e rs o P essoa el le n g u a je n u n c a falta. P ero
s ie m p re p a re c e fa lla r. In c lu s o , o s o b re to d o , e n la p o é tic a
se d ice n tem en te reco n ciliad a de G aeiro el len g u aje m u e stra su
im p o te n c ia p a ra a tra p a r la (in ex isten te) esencia estable d e las
cosas. Q u iz á e n v ir tu d d e u n a a s e n ta d a , o m e ra m e n te p r e ­
su n ta , filo so fía p re v ia (o seu heraclitianismo devastador, d ice
E d u a rd o L o u re n ç o 31), las cosas se escap an e n u n p ro c e so d e

30 m , Pp . 132-133-
31 Op. cit., p. 45.

SOBRE TODO... CASI NADA 21


fis ió n a tó m ic a ; las cosas, e n su in c e s a n te , e n su in c le m e n te
p asar, se re sis te n a p asar —o al p asar—p o r el f iltro estab iliza­
d o r d e l le n g u a je . S ó lo cab e, e n el e x tre m o , a c e p ta r el s in ­
se n tid o de ese flu jo y re s p o n d e r, e n el m o d o del n ietzscb ean o
« S í y a m é n » , c o n u n « A sí es y así s e a » : a u n q u e el « e s » se
a n to je flex ió n excesiva. Y p o r q u e ese m ism o « e s » desvela e n
o tro s reg istro s (así e n C a m p o s y e n el Pessoa de Primeiro Fausto)
su in m e n s o , lite r a lm e n te d e s - m e d id o , in c o n m e n s u r a b le ,
p o te n c ia l de h o r r o r .
E n el p o e m a d ra m á tic o es el p e n s a m ie n to el q u e n u n c a
falta; es el p e n s a m ie n to el q u e e s tre p ito s a m e n te falla. Y es,
p rec isam en te , la inevitable co a lic ió n e n tre la in e lu d ib le asis­
te n c ia y la irre p a ra b le im p o te n c ia d el p e n s a m ie n to lo q u e se
p re c ip ita co m o d esolado m is te rio (p. 8 7 ), co m o in ex p licab le
h o r r o r (p. 9 5 ). N o sugiero c o n ello q u e ésa sea la clave —ta n to
tie m p o b uscada y al f in hallada—p a ra u n ific a r, si falta h iciera,
la p o e s ía de P essoa; sí q u e es u n o d e lo s fo co s m a y o res de
ir ra d ia c ió n p o ética . Y d e d esafo rad a d isp e rsió n .
E l p e n s a m ie n to —n o sólo e n Primeiro Fausto— se co n v ierte
e n u n a in e sq u iv a b le in c o n siste n c ia , e n u n a p e r m a n e n te i n ­
q u ie tu d : in-firmitas e n d é m ic a , y, e n el ex tre m o (y el ex trem o ,
e n Pessoa, n u n c a está le jo s), p a n d é m ic a . T o d o se h alla afec­
ta d o , in fe c ta d o , p o r esa e n fe rm e d a d d el p e n s a m ie n to 32, o de
la im p o te n c ia d e l p e n s a m ie n to : q u e a to d o a s p ira y n a d a
alcan za. O , quizás a ú n p e o r , q u e c u a n d o to d o e x p lo ra
alcanza, p rec isam en te , n ad a . T o d o / n ad a, to d o - n a d a .
I n c lu s o D io s, f u e n te y g a r a n tía o t r o r a d e to d a c o m ­
p r e n s ió n adecu ad a, p ad e ce in c o m p r e n s ió n : de sí m ism o :

Deus a si próprio não se compreende.


Sua origem é mais divina que ele,
e ele não tem a origem que as palavras
pensam fazer pensar.. ,33

32 Q u e m u e s tr a su p u n t o á lg id o , su m o m e n to d e crisis o d e m áx im a
g rav ed ad , e n la m etafísica. N u m e ro sa s veces d esig n ad a, so b re to d o
e n la p o esía d e G aeiro , p e r o ta m b ié n e n las p ro sas de Pessoa ( o r tó -
n im o o n o ) , co m o , p re c isa m e n te , e n fe rm e d a d . A v e c e s m ás leve, o
m e n o s p re o c u p a n te , q u e u n d o lo r de cabeza.

22 PATXI LANCEROS
Ja m á s se a lc a n z a (rá ) ese o r ig e n m ás d iv in o q u e D io s y
q u e los dioses. Ese o rig e n e n p e rm a n e n te re tra c c ió n , e n p e r ­
m a n e n te r e tira d a . Q u e es p a la b ra , p e n s a m ie n to in e r m e .
Ja m á s se a lc a n z a rá el o r ig e n , c o m o ta m p o c o el f in ; n i u n a
in n o m b ra b le p e rife ria q u e c irc u n d e , acoja y clau su re la to ta ­
lid a d de lo e n te , o la to ta lid a d de lo n o m b ra b le . M ás allá, e n
u n m ás allá a b s o lu to , b a de h a b e r , tie n e q u e h a b e r —escrib e
Pessoa—, lo in n o m b ra b le . P ero , lo sabem os y lo sab rem o s, el
h a b e r (ser) es el m is te rio , el h o r r o r :

.................................................... não haverá,


a¡ém da morte e da inmortalidade,
qualquer coisa maior? Ah, debe haver
além da vida e morte, ser, não ser,
um inominável supertranscendente,
eterno incógnito e incognoscível/3*

Q u iz á s ese s u p e r tr a s c e n d e n te in n o m b r a b le p u d ie r a
re m e d ia r la an g u stia de ex istir. Q u iz á . P e ro n o p a re c e p r o ­
b ab le: existir es el h o r r o r (p . 87) • E xistir, n o la « e x iste n c ia »
te m á tic a m e n te c o n sid e ra d a , es lo q u e se co n v ierte e n m is te ­
r io y h o r r o r ; n o cada ex iste n cia p o r se r ésta, p r e c is a m e n te
ésta33435, sin o el existir:

Mais que a existencia


é um misterio o existir, o ser, o haver
um ser, urna existencia, um existir—
um qualquer, que não este, por ser este—

33 Op.cít., p . 8 3 .
34 Op. cit., p . 8 2 . O b v ia m e n te , esa coisa maior n o es v id a , n o es v id a
e te r n a o e te r n a su pervivencia. Q u e se ría u n a p r o lo n g a c ió n , o u n a
in s o p o r ta b le c o n c e n tr a c ió n e n u n in s ta n te e te r n o , d e l h o r r o r de
se r, d e l t e r r o r d e p e n s a r. V éan se lo s verso s d e la p á g in a 9 4 : «Abo-
rreço-me da possibilidade / de vida eterna; o tédio/ de viver sempre deve ser imenso. /
Talvez o infinito seja isso... / Já o tédio de o pensar é horroroso.»
35 O casio n es hay s in em b arg o e n las q u e el p o e m a a p u n ta a cada exis­
te n cia co n c re ta , a cada ex isten te p a rtic u la r.

SOBRE TODO... CASI NADA 23


este é o problema que perturba mais.
O que éexistir—nao nósou o m undo-
mas existir em si?6

P ara ese m is te rio , q u e d e rra m a su h o r r o r , p a ra ese m is­


te rio q u e co n siste e n q u e haya m is te rio 3637, n o hay c u ra p o s i­
b le . N i la in v o c a c ió n a u n vacío e n el q u e n i d io s re sp o n d e ;
in v o c a c ió n —n o sólo u n a — e n la q u e la d e m o lic ió n o n to ló ­
gica se (c o n ) v ie r te , c o m o al p r in c i p io se d ijo , e n g e n u in a
« te o lo g ía n e g a tiv a » 38:

Horror supremo! E nao podergritar


a Deus —que Deus nao há—pedindo alivio!
A alma em mim se ironiza sópensando
na de pedir ridicula vaidade...3940

G r ito a b o r ta d o e n el h u e c o d e la a u s e n c ia d e u n d io s
q u e n o r e s p o n d e n i al r e q u e r im ie n t o , im p e ra tiv o , d e e r i ­
girse e n existencia a n tag o n ista:

Deus pessoal, deusgente, dos que creem,


existe, para que eu te possa odiar!
Quero alguém a quem possa a maldição
lançar da minha vida que morri,
e não o vácuo só da noite muda
~ 40
que me nao ouve .

36 Op. cit, p p . 8 8 y s.
37 «....A h, que diversidade, / e tudosendo. 0 mistério do mundo, / o intimo, horroroso,
desolado, / verdadeiro mistério da existencia, / consiste en haver esse mistério». Op.
cit, p . 87.
38 Q u e C a m p o s llevará a u n a cu rio sa (o n o ta n to ) te n s ió n q u e r e p r o ­
d u c e la d o b le , p e r o n o n e c e sa ria m e n te p a ra d ó jic a , n o b leza a la q u e
se re fe ría Pessoa e n su Erostratusi « R e n ie g o . / D e to d o . / Y a ú n m ás
q u e d e to d o . / Sí, a glad io y fin , ren ie g o los D ioses y su n e g a c ió n » .
E n este m ism o v o lu m e n , p . 189.
39 Op. cit, p . 10 2.
40 Op. cit, p . 12 0.

24 PATXI LANCEROS
N o hay e sca p ato ria , n o hay c o a rta d a . N o hay algo o
alguien a q u ie n im p u ta r respo n sab ilid ad , a q u ie n m ald ecir, de
q u ie n b la sfe m a r. H ay, p o r m o m e n to s , el c o n ta c to c o n las
in n u m e ra b le s sen sac io n es: q u e, s in d u d a , p r o lo n g a n el
h o r ro r ; p e ro q u e p rovocan, parece, u n in stan tá n eo alivio p r e ­
cisam ente p o r su incon sisten cia, p o r su alto g rad o d e c o n tin ­
gencia. Hay, ta m b ié n , el su eñ o , la lo cu ra, la eb ried ad . H ay ese
c o n ta c to leve y o b lic u o c o n la existen cia, ese c o n ta c to ta n
b o rro so q u e p arece b o r ra r la m ism a existencia; qu e p arece ser,
e n cada caso y e n to d o s, u n a e n m ie n d a a la to ta lid a d . Y, sin
em bargo, n o lo es. N o p u ed e , a u n q u e q u ie re , serlo.
P ues la vida, la re a lid a d —c o n to d a su carga d e m is te rio y
h o r r o r , c o n to d a su in s o p o r ta b le d e n s id a d d e n a d a — se
im p o n e n , se s o b r e - p o n e n . C o n ese fra g m e n to d e fra g m e n ­
tos q u e es Primeiro Fausto, c o n ese cu e rp o a m p u ta d o q u e exhibe
el g e n ia l p o e m a d ra m á tic o , Pessoa n o sólo alcanza u n g rad o
de excelencia p o é tic a ; establece u n h ito sin g u la r e n la p lu ra l
h is to ria del n ih ilis m o , y se eleva co m o im p re sc in d ib le fig u ra
d e lo q u e , c o n a c ie rto , se h a d e n o m in a d o « d e s a so sie g o
m o d e r n o » 41.
E l h o r r o r n o a rra n c a de la irre a lid a d d e la v id a sin o de
su m ism a re a lid a d . Es la re a lid a d , es la v erd ad , lo q u e se alza
co m o m is te rio e in e x p lic ab le h o r r o r . Y n o hay m ás. N ad a :

0 inexplicável horror
de saber que esta vida é verdadeira,
que é urna coisa real, que é [como um] ser
em todo oseu mistério [...]
realmente real42.

P e ro q u iz á sea e n la p o e s ía d e A lv aro d e C a m p o s —ese


v e c in o , in q u ie ta n te m ás q u e in q u ie to , esa ( in ) c o n s ta n te

41 V éase, al m a r g e n d e P essoa, J a c o b o M u ñ o z , Figuras del desasosiego


moderno. Encrucijadasfilosóficas de nuestro tiempo, A n to n io M achado L ib ro s,
M a d rid , 2 0 0 2 .
42 Op.cit., p . 95-

SOBRE TODO... CASI NADA 25


c o m p a ñ ía d e F e r n a n d o Pessoa*, acaso su s o m b ra , ta l vez su
in m is e ric o rd e lu z43—d o n d e el n ih ilism o estalla, o se rep lieg a
hasta h acerse n u d o existencial p a ra después (o ya an tes) d es­
p le g a rse y v o lc arse c o m o o n to lo g ia y, valga d e m o m e n to la
e x p re sió n , co m o filo so fía de la h is to ria . Ese m o v im ie n to de
e x p a n sió n y r e tra c c ió n , d e sísto le y d iá sto le , im p id e —c re o —
a firm a r ta n to q u e el yo sea el c e n tro de la n a d a , el n ú c le o d el
m is te rio o d el h o r r o r , co m o q u e sea el ser —el h e c h o d e ser,
el h e c h o d e q u e algo sea— « la esfe ra i n f i n i t a » 44, s in c e n tro
visib le n i p e r if e r ia p e r c e p tib le , d e sd e la q u e d im a n a ese
m ism o h o r r o r : q u e a n iq u ila .
E l tem a, m ás q u e el p ro b le m a , de C am p o s n o es q u e (el)
ser lim ite c o n (la) n a d a 45: es q u e s e r- n a d a se c o n - f u n d e ( n ) ,
s o n las dos fases de u n m ism o p ro c e so , o las d o s caras d e u n

4.3 N o se olvide, n i se asum a com o detalle casual o m e n o r, q u e A lvaro de


C a m p o s es e l ú n ic o , e n tr e la n u tr id a « c o m p a ñ ía » de P essoa, q u e
p erm a n e c e e n su vecindad, e n su espacio y a su tie m p o , e n su ciudad,
e n su b a r r i o ; e incluso in te rfie re e n su vida privada: e n sus relaciones
am o ro sa s (re d u c id a s, q u e se sepa, a u n a ) , p o r e je m p lo . E fectiva­
m e n te , el fa lle c im ie n to te m p r a n o , acaso p r e m a tu ro , e x o n e ró a
A lb e rto C a e iro de c o n ta c to p e rs o n a l, c o n tin u a d o , c o n Pessoa; y el
exilio e n B rasil a R ic a rd o R eis. C o n A n to n io M o ra tuvo Pessoa u n
ú n ic o e n c u e n tr o , e n la se m ic la n d e stin id a d d e u n h o sp ita l p s iq u iá ­
tr ic o : la m u e r te fru s tró o tr o s . Y d e l B a ró n de T eive se c o n o c e u n
m a n u s c rito , q u e es algo m ás, q u e n o es sólo —p e ro ta m b ié n es—u n a
co n fesió n d e suicidio; despedida, al cabo. F re n te al p lu ra l ab an d o n o ,
la sin g u lar p e rm a n e n c ia y fid elid a d de C am pos a d q u ie re n m ás valor.
L a p o esía d e am bos, de Pessoa y C a m p o s, se gesta e n p a ra le lo (o e n
o b lic u o , o e n p e r p e n d ic u la r : n o ad v ierto p o s ib ilid a d de d e c id ir al
resp ec to ). Y, casualm ente, parece qu e cesa p o r las m ism as fechas.
44 « E s p a n to s a » , se h a escrito ; y se la llam ó D ios.
45 F ig u ra esa d e l ser lim ita n d o c o n la n a d a , sé in te n te p e n s a r e n t é r ­
m in o s espaciales o b ie n te m p o ra le s, d ifícil, p o r d e c ir lo m e n o s , de
so s te n e r a rg u m e n ta lm e n te . T antas veces cuantas se h a ensayado u n a
e x p o s ic ió n a rg u m e n ta i d e esa in im a g in a b le fig u ra —e s e n c ia lm e n te
p arad ó jica—es el a rg u m e n to el q u e q u ieb ra; y el p e n s a m ie n to el qu e
se ve c o n d u c id o a a p o ria s s in f i n y s in té r m in o . S o sp e c h o s in
e m b a rg o q u e se g u irá sie n d o u n in e lu d ib le r e to . L levar el r e to y el
riesgo a la p alab ra es casi u n a o b lig ació n . Y qu e sea a la p alab ra p o é ­
tica n o es, e n tie n d o , la p e o r elecció n .

26 PATXI LANCEROS
m ism o estad o ; es q u e se r es am en a za , se ñ al o d e ste llo de
n ad a46. Y es que ser —ser aquí, o ser ah í (Da-sein, Dasein: existen­
cia), se r esto o a q u e llo — es p av o ro sa c o n s ta ta c ió n d e n a d a .
P ues n a d a alcanza y e n n a d a se ab ism a el p e n s a m ie n to e n su
inevitable vagar: e n su vacancia y e n su vagancia; e n su e x tra­
vagancia.
As vezes medito, esc rib e A lv aro d e C a m p o s. Y el m e d ita r
c o n d u c e a u n a ca ta ra ta de t e r r o r p á n ic o , a u n im p e n e tra b le
m isterio , velo opaco q u e envuelve cada cosa y el h e c h o m ism o
de q u e cada cosa sea; de q u e se dé algo así co m o el h e c h o de
ser, de q u e haya algo así c o m o el h e c h o de h a b e r: d e h a b e r
algo (así) y n o m ás b ie n n a d a . L a vieja p r e g u n ta d e L e ib -
n iz —c o n leve v a ria c ió n y p o r p o d e re s , la ta m b ié n ya v etu sta
p re g u n ta de H eid e g g er—, la q u e a lie n ta y so stien e la o n to lo ­
gia, se radicaliza e n la p oesía de C a m p o s hasta co n v e rtirse e n
u n la b e rin to te rro rífic o q u e n a d a dice, q u e dice n ad a:

« C a d a cosa —u n a fa ro la a h í e n la e sq u in a , o u n a p ie d r a o u n á rb o l­
es u n a m ir a d a q u e m e o b se rv a d e s d e u n a b is m o in c o m p r e n s ib le ,
y e n to n c e s d e s fila n e n m i c o ra z ó n lo s dioses y las ideas d e lo s dioses.

¡A h, q u e h ay a cosas!
¡A h, q u e h ay a seres!
¡A h , q u e h ay a m a n e r a d e h a b e r se res,
sí, d e h a b e r h a b e r /
y h a s ta d e h a b e r c ó m o h a b e r h a b e r ,
a h , sí, sí, d e h a b e r ! ...
¡P e ro , a h , el e x is tir, e l f e n ó m e n o a b s tra c to d e ex is tir,
d e q u e h ay a c o n c ie n c ia y r e a lid a d ,
sea eso c u a lq u ie r cosa q u e s e a !...
¿ C ó m o p u e d o e x p re s a r e l e s p a n to q u e t o d o eso^m e c a u s a ?
¿ C ó m o p u e d o d e c ir yo c ó m o es e sto p a r a q u e se s ie n ta ?
Y , ¿ c u á l es e l a lm a d e h a b e r s e r ?

46 S u p o n g o q u e a lg ú n a n a lític o , a n t e r i o r o p o s te r io r , p o d r á se g u ir
h a c ie n d o el re p ro c h e q u e e n su d ía se le h izo a H e id e g g e r. P e ro lo
d e C a m p o s es, efectivam ente, poesía.

SOBRE TODO... CASI NADA 27


¡P a v o ro so m is te r io d e q u e ex ista la m á s m ín im a cosa,
p o r q u e es el m is te r io p a v o ro s o d e q u e h ay a d e h e c h o c u a lq u ie r
p a v o ro s o m is te r io d e l h a b e r ! ... » 4^ [cosa,

A vezes medito. Y esa m e d ita c ió n q u e c u e s tio n a r a d ic a l­


m e n te —de diversas fo rm a s p e r o sie m p re c o n la m ism a, v e r­
tig in o sa, in te n s id a d — el h e c h o de ser, el h e c h o d e h a b e r, d e
q u e haya algo (y n o m ás b ie n n a d a ) , c o n d u c e a C a m p o s d el
h o r r o r a (la) n ad a : s in salir n u n c a (o casi n u n c a ) d el h o r r o r ,
sin sa lir ya n u n c a (o casi n u n c a ) de (la) n ad a .
« T o d o o n a d a » , la a p u e sta a la q u e se a lu d e al
c o m ien z o de estas p áginas, es acogida y a p ro p ia d a p o r C a m ­
p o s e n u n m o m e n to c ru c ia l de la ju s ta m e n te fam o sa Saluta­
ción a Walt Whitman: « . . . d a d o q u e "T o d o o N a d a ” p o se e u n
se n tid o p e rs o n a l p a ra m í » ; y a n te la im p o s ib ilid a d —o n to ló ­
gica— de se r T o d o , la ap u e sta se resuelve e n u n verso q u e n o
h a d e s o r p r e n d e r p e r o q u e n o d im ite e n su c a p a c id a d d e
in q u ie ta r:

« Y p o r eso p r e f ie r o la n a d a d e se r só lo ese s e r n a d a Y .

O n to lo g ia y lógica de la a n iq u ila c ió n q u e, c o n te m p la d a
d esde el e s p a c io -n a d a de la ex istencia p a rtic u la r, d e la exis­
te n c ia in d iv id u a l y c o n c re ta 47*49, se e x tie n d e a la to ta lid a d , se
ex tien d e e n el tie m p o y co m o tie m p o p a ra co ngelarse e n u n a
p r e g u n ta (o e n d o s), cuya(s) resp u e sta (s) se in tu y e (n ), y a u n
se s u p o n e n e n la m ism a fo rm u la c ió n :

Si a lg u n a cosa fu e , ¿ p o r q u é n o es?
¿ O q u iz á se r n o es s e r? [...]

47 E n este m ism o v o lu m e n , p . 6 3.
48 Poesía III, op.cit, p . 283.
4g D e u d o ra qu izá, esa m ira d a , d e l « o b je tiv ism o ab so lu to y c o n c re to »
al q u e ya se h a a lu d id o y q u e e n ex p resió n de A n to n io M o ra carac­
te riz a a A lb e rto G aeiro .

28 PATXI LANCEROS
¿ T ie n e a lg u ie n la llave d e la p u e r ta d e l se r, q u e n o tie n e p u e r ta ,
p a r a p o d e r a b r ir m e c o n ra z o n e s la c o m p r e n s ió n d e l m u n d o ? 50 51.

Casi n a d a p u e d e re sp o n d e rse —y n a d a p u e d e o b je tarse—a


las dos p rim e ra s p re g u n ta s. Q u iz á p o r q u e la te rc e ra a p u n ta ,
c e r te r a m e n te , a la im p o s ib ilid a d d e a b r i r c o n r a z o n e s la
c o m p re n s ió n d el m u n d o ; a la im p a sib ilid a d d e u n im p r o b a ­
b le alg u ien , a la in u tilid a d d e u n a llave q u e a b re (o n o ) u n a
. • KI
in e x iste n te p u e r ta .
S ería largo, y ted io so p a ra el le cto r, rep asar el do ssier del
m iste rio , la e x tra ñ e z a y el h o r r o r , o la m e m o ria fra g m en tad a
de u n a c o n fro n ta c ió n q u e n o cesa, q u e re c o rre in m e n sid a d es
de p avor e ig n o ran c ia52, que se refugia e n la lo c u ra , el su e ñ o y
la e b rie d a d (« ¡G ra c ia s a D io s q u e estoy loco! [ ...] G racias a
D ios que, co m o e n la b o rra c h e ra , / esto es ta m b ié n u n a so lu ­
c i ó n » 53). S ería larg o asistir a las m o d u la c io n e s q u e to le ra , o
q u e exige, « e l h o r r o r y el m is te rio d e h a b e r se r / se r v id a y
ro d e a rm e de otras vidas, / de h a b e r casas y cosas a n te m í [...]
so n fantasm as de h a b e r... so n ser ab su rd o , / so n to d o el m is­
te rio e n cada c o s a » 54. T o d o ello p e r m ite , sin d u d a , ensayar

50 Poesía IV, op. cit., p p . 219 y ss.


51 Esa m ism a p u e rta , u o tra , q u e se cita e n u n verso cru cial d e l cru cial
p o e m a Tabacaria (Estanco): « s ie m p re se ré el q u e esp eró a q u e le a b rie ­
r a n la p u e r ta al p ie d e u n m u r o e n el q u e n o h a b ía p u e r t a » , o la
q u e a p a re c e e n o tr o v erso n o m e n o s im p o r ta n te : « . . . p o r a q u e l
c a m in o cuya id e a n o es p o s ib le e n c a r a r de f r e n te , / p o r a q u e lla
p u e r ta p o r la cual, a u n q u e n o s p u d ié ra m o s aso m ar, n o n o s aso m a­
r ía m o s » ; y q u e , c o m o b ie n se ñ a la J u a n B a rja e n o p o r t u n a n o ta ,
evoca la casi vitalicia esp era d e l « c a m p e s in o » a n te otra ( ¿ ? ) p u e r ta
e n el a p ó lo g o d e K afka Ante la ley. L os versos citad o s se p u e d e n ver,
resp ectiv am en te, e n PoesíalV, op. cit, p . 2 9 9 y Poesía III, op. cit, p . 137;
lo s c o m e n ta rio s de J u a n B arja e n esos m ism o s v o lú m e n e s, páginas
2 9 9 s. y 327? y» f in a lm e n te , el c o n o c id o te x to « k a f k ia n o » , e n
F ran z K afka, Obras completas III. Narracionesj otros escritos, G alaxia G u te n -
b e r g / C írc u lo de L ectores, B a rcelo n a, 2 0 0 3 , p p . 192 y ss.
52 « Q u é es h a b e r ser, q u é es h a b e r seres, q u é es h a b e r cosas, / q u é es
h a b e r vida e n g en te y plan tas, [...] an te la ig n o ra n c ia e n la q u e esta­
m o s d e có m o to d o esto p u e d e s e r » . PoesíalV, op. cit, p . 223-
53 E n este m ism o v o lu m e n , p . 91.
54 PoesíalV, op. cit, p . 225-

SOBRE TODO... CASI NADA 29


d e sp e d id a s, ex iliarse o p r e te n d e r lo , d e s e rta r d e l m u n d o ,
d esertar de(l) ser. A sí e n la ya citada Salutación a Walt Whitman, en
la que la cabalgada (¡A rre! ¡arre! ¡adelante!) a n in g u n a p arte , a
n in g ú n f in , in e x iste n te e n c u a lq u ie r caso ( ¡In fin ito ! ¡ U n i­
verso! ¡M eta s in m e ta alguna! ¿ Q u é m e im p o r ta ? ) , in v ita al
ab a n d o n o de « la vacuidad d in ám ica del m u n d o » , de « e l g ran
ab su rd o del m u n d o , la d u ra in e p titu d de cada co sa» :

¡V á m o n o s ya d e Ser!
¡L a r g u é m o n o s d e f in itiv a m e n te , d e u n a vez, d e la a ld e a -V id a ,
f u e r a d e l a r r a b a l - M u n d o d e D io s [ ...]
¡ L a r g u é m o n o s , l a r g u é m o n o s p o r f i n ! 5556.

E l g e n e ra l y to ta l d e s m o ro n a m ie n to , la a b o lic ió n , ta m ­
b ié n , de cada m in ú s c u la p a rtíc u la , sepa o n o d e su c o n d e n a
(in )e x iste n c ia l, alcanza u n clím ax d ifíc ilm e n te su p e ra b le e n
los versos q u e a b re n el p o e m a Estanco, e n los q u e se re g istra n
las d os v e rtie n te s d e u n ú n ic o a n o n a d a m ie n to d iv e rsa m e n te
ex p lo ra d o . P ues al q u e se aloja e n el « y o » y desd e el « y o » se
d e rra m a , c o -re s p o n d e el q u e dicta, sin d ic ta r n a d a , u n D e s­
tin o acaso in d ife re n te , acaso cru el:

N o soy n a d a .
N u n c a s e ré n a d a .
N o p u e d o q u e r e r s e r n a d a . [ ...]

... y c o n e l D e s tin o c o n d u c ie n d o el g r a n c a r r o d e t o d o p o r el
[c a m in o d e n a d a 55.

L a o n to lo g ia de la a n iq u ila c ió n , la ló g ica d e l d e s ie rto ,


in s p ir a n u n a p o esía (n o só lo , ya se h a in d ic a d o , la d e C a m -

55 O , c o n o tr a c o n tu n d e n c ia : « . . . d a d o q u e n a d a h a c e m o s , n a d a
so m o s [...] c o n c o rd e m o s e n m a n d a r al d iab lo (ámerda) el m u n d o y
la vid a / p o r d e b ilid a d d e la m ira d a , p e r o n o p o r d esp rec io o aver­
s i ó n » . V éase la Salutación e n PoesíasIII, op. cit., p p . 2 6 2 y ss.
56 Poesía IV, op. cit., p . 2 9 5 '

30 PATXI LANCEROS
p o s) q u e, tra z a n d o sendas diversas, h alla p u n to s d e c o - in c i-
d e n c ia , n u d o s d e co n v e rg e n c ia ; o e n c ru c ija d a s q u e se c o n ­
v ie rte n e n n ú cleo s (varios, e n c u a lq u ie r caso) d e e x tra o rd in a ­
ria in te n s id a d líric a . D e sd e esas e n c ru c ija d a s , a lg u n a d e las
cuales se h a n re p ro d u c id o aquí, se v ierte el verso e n v e rd a d e ­
ras cataratas: to rre n te s q u e ra stre a n sensaciones, o q u e re c o ­
r r e n la to ta lid a d d e la h is to ria c o n v e rtid a e n u n a ú n ic a g u e ­
rra , e n u n a (d is )c o n tin u id a d destructiva.
P ues, a u n q u e e n tie n d o q u e es la o n to lo g ia d e la n a d a el
e le m e n to n u c le a r d e la p o e s ía d e C a m p o s, c ie rto es q u e la
h is to ria ta m p o c o q u e d a in ta c ta . Q u iz á la c o n te m p la c ió n de
la h is t o r ia —c o n v e r tid a e n u n ú n ic o h o lo c a u s to 57— n o sea
sin o o tra v e rtie n te de (la) n a d a . O tr a p o te n c ia d e la a n iq u i­
la c ió n . Y o tr o ensayo de re la c ió n c o n esa n a d a e n té rm in o s
de se n sació n . « S e n tir to d o de to d a s las m a n e ra s » : vivir to d o
d e s d e to d o s la d o s, s e n tir lo to d o ex c esiv am e n te . Si, p o r
e je m p lo y p o r excelencia, C a m p o s ac o m e te e n la Oda marítima
u n crescendo d e s e n s a c ió n q u e n o d e s d e ñ a la c r u e ld a d o el
h o r r o r , si traz a el desp lieg u e (y el c o n s e c u e n te re p lie g u e ) de
u n to d o - s e n tir , e n el p la n o de la im a g in a c ió n , q u e re v ie rte
e n u n a p a g a m ie n to , e n u n a g o ta m ie n to q u e a p u n ta a n a d a ,
q u e s im u la n a d a , q u e g a ra n tiz a n a d a , e n la m a g n ífic a Oda
marcial lan za esa m ism a lógica p o é tic a —esa m ism a lógica p a té ­
tic a — d e la s e n s a c ió n a la to ta lid a d d e la h is to r ia : q u e se
rev e la c o m o g u e r r a , c r u e ld a d y m u e r t e 58. Q u e se elev an
co m o lo ú n ic o re a l. E m p a c h o d e re a lid a d , d e aq u e lla r e a li­
d a d de la v ida q u e p ro v o ca (b a ) h o r r o r e n Primeiro Fausto y q u e
a h o ra se v ie rte, to rre n c ia l, co m o re a lid a d de la h isto ria , r e a ­
lid a d c ru e l, re a lid a d n a d a , a n iq u ila c ió n :

57 E v id e n te s re s o n a n c ia s filo só fic a s h ay e n la e x p re s ió n . Q u e , s in
em b arg o , es d e Pessoa. Q u ie n ce rtific a así, e n el p la n o h istó ric o , la
c o n v e rs ió n d e to d o e n n a d a , la v e r s ió n d e n a d a e n to d o : « . . . él,
q u e ta n to era p a ra ti, to d o , to d o , to d o ... / m ira , ya n o es n a d a e n el
to ta l h o lo c a u sto de la h is t o r i a ...» , PoesialIJ, op. cit. , p . 259*
58 L a Oda marítima e n Poesía III, op. cit. , p p . 160 y s s .; la Oda marcial e n el
m ism o v o lu m e n , p p . 2 3 6 y ss.

SOBRE TODO... CASI NADA 31


Sí, la g u e r ra , la g u e r ra , la g u e r r a re a lm e n te .
E x cesiv am en te, h o r r o r , r e a l g u e r r a ...
¡ C o n re a lid a d d e g e n te q u e r e a lm e n te vive,
c o n sus estrateg ias r e a lm e n te ap lic a d a s a re a le s e jé rc ito s d e g e n te
[real
y c o n sus reales c o n s e c u e n c ia s , n o las cosas c o n ta d a s e n lo s lib ro s ,
s in o fría s v e rd a d e s , e strag o s r e a lm e n te h u m a n o s , m u e r te s d e
[ q u ie n e s m u e r e n d e v e rd a d ,
y ese so l r e a l ta m b ié n s o b re la t i e r r a q u e t a m b ié n es re a l,
re a le s p u e s e n a c to , y la m is m a m ie r d a e n m e d io d e eso !0

R eal co m o la vida, la h is to ria es ta m b ié n , co m o la vida,


h o r r o r . N a d a e n p ro c e s o , n a d a e n d e s a rro llo , n a d a e n f in .
N a d a . O casi n a d a . P u e s a q u í y allá, y ta n to a q u í co m o allá,
u n d estello equivoca la h is to ria , ir r u m p e e n la vida, o altera
la m e ta físic a . A caso ilu s ió n , acaso s u e ñ o o im a g in a c ió n .
D e ste llo , e n c u a lq u ie r caso, q u e se a tra p a e n el m o m e n to y
se r e fu g ia e n el v e rso . S in m e ta físic a , s in id e a l, s in e s p e ­
ra n z a . T al vez s in c o n s u e lo . P ro n to , so sp ech am o s, será r e a ­
lid a d , vida, to d o , n a d a . P u e d e ser, e n m e d io d e la h is to ria ,
e n m e d io de la g u e rra , « la ja u la d e l c a n a rio e n tu v e n ta n a ,
M a ría , / y el s u s u r r o suave q u e h ac e el agua e n el e s ta n q u e ,
c o r r ie n d o ... » 6°; p u e d e ser, e n m e d io de la calle y a la p u e rta
d el estan co , Esteves, sin m etafísica:

Y , c o m o p o r u n d iv in o i n s t i n t o , E steves se v o lvió y a l f i n m e v io .
M e d ijo a d ió s c o n la m a n o ; yo e n to n c e s g r ité ¡AdiósEsteves!, y el
[u n iv e rs o e n te r o
se r e c o n s tr u y ó e n te r a m e n te , s in id e a l y s in e s p e ra n z a ; y e l D u e ñ o
[d e l e s ta n c o s o n r ió .

* * *59601

59 PoesíaIII, op. cit, p . 2 4 5 '


60 « Agaiola do canario á tuajanela, Maria, / e o susurro suave da agua que gorgoleja no
tanque...». PoesíalII, p p . 2 4 4 y ss*
61 PoesíaIV, p . 307*

32 PATXl LANCEROS
« ¡ Q u i e r o d e s im a g in a rm e d e este m u n d o , h e c h o to d o c o n g a rra s,
d e esta c iv iliz a c ió n h e c h a c o n clavos!

D e sim a g in a c ió n , d esin sta la c ió n . L a p o esía d e Pessoa es


u n to rs o , o u n m u ñ ó n , e n u n a m o d e r n id a d q u e h a e x p e ri­
m e n ta d o todas las fo rm a s de la a n iq u ila c ió n . Es el ro s tro t o r ­
tu ra d o de u n p e n s a m ie n to q u e n o d im ite a u n q u e e n su e r r a r
advierta su n ec esario , su in ev itab le e r r o r . E r r o r d e ser. O es
p a la b ra q u e sie n te to d o , q u e c o n s ie n te c o n to d o , q u e b u sca
to d o . Y n a d a e n c u e n tra , y e n c u e n tra n a d a . O casi n a d a . Casi:
p u e s resiste, s in e sp e ra n z a y s in f in , esa m ism a p a la b ra , esa
m ism a p o esía (in )c e sa n te —co m o la vida, co m o la existencia—
que n ad a halla y n ad a deja, que halla n ad a y deja nada. D esierto
in d e fin id o d e la p a la b ra e n el d esierto in f in ito d e(l) se r53-.

G r a n d e s s o n lo s d e s ie rto s y ya t o d o es d e s ie rto .
[...]
G r a n d e s s o n lo s d e s ie rto s , y las a lm a s s o n d e s ie rta s y g r a n d e s
—d e s ie rta s p o r q u e n o p asa p o r ellas s in o só lo ellas m ism a s ,
g r a n d e s p o r q u e d e s d e ellas se ve to d o , y ya to d o m u r ió —,

¡ G ra n d e s s o n lo s d e s ie rto s , a lm a m ía!
¡ G ra n d e s s o n lo s d e sie rto s !
[...]
... g r a n d e s s o n lo s d e s ie rto s y ya t o d o es d e s i e r t o ;
sí, es g r a n d e la v id a , y n o vale la p e n a q u e h aya v id a.
[...] 623

62 E n este m ism o v o lu m e n , p . 115.


63 D esiertas, o e n la (in )fin ita p ro lo n g a c ió n d e l d e sie rto , c o n tin u a rá n
las p a la b ra s; c o n tin u a r á la p o e s ía su fu g a s in fin , su n a u fra g io , el
n a u fra g io de to d o (s): « D e s ie rta s —e n la so m b ra , e n tre los signos, /
e n la selva de so m b ra de los signos—/ d escen d ían las redes n a u fra g a ­
d a s ...^ . J u a n B arja, fin dejvga> A bada, M a d rid , 2 012. V éase, s ó b r e la
(in )c e sa n te p o esía e n —o tras—la (in )c e s a n te m o d e r n id a d , el su til y
c e r te r o ensayo d e J o s é M a n u e l C u e sta d e d ic a d o a ese m a g n ífic o
p o e m a e n ese, p o r varias razones, excelente lib ro .

. SOBRE TODO... CASI NADA 33


G r a n d e s s o n lo s d e s ie rto s y ya t o d o es d e s ie rto ,
salvo e r r o r , c la ro está.

¡ P o b re d e l a lm a h u m a n a , c o n oasis t a n só lo e n e l d e s ie rto d e al
[lado!

M e jo r s e rá q u e m e h a g a la m a le ta .
F i n 64.

64 E n este m ism o v o lu m e n , p p . 2 2 5 y ss.

34 PATXI LANCEROS
Advertencia

L a p re se n te ed ició n sigue, de m a n e ra fu n d a m e n ta l, la fijació n y


o rd en a ció n de te x to s re a liz a d a p o r T eresa R ita L opes (c it. com o
T R L ), publicad a en L isboa en 2002. Siendo su o rd en estrictam en te
cronológico, se h a suprim ido la división in te rn a - n o te m p o ral, sino
in te le c tu a l y su p u e sta m e n te e v o lu tiv a — p ro p u e sta p o r la e d ito ra
portuguesa. C uando nos separam os de su texto, recogiendo lecturas
(o fra g m e n to s) de la ed ició n de L uís de M o n ta lv o r y Jo ã o G asp ar
Simoes, Á tica, L isboa, 1980 (cit. com o Á tica), lo indicam os en nota.

Signos

[...] L ag u n a en el m a n u scrito original.


[?] L ec tu ra insegura.
F ernando
Pesso
poesía v
A
/ LOS POEMAS DE
Alvaro d e C a m p o s 3
Q u a se sem q u e r e r (se o soubéssem os!) os g ran d e s h o m e n s
[sain d o dos h o m e n s vulgares.
O sa rg e n to acaba im p e r a d o r p o r tran siçõ e s im p ercep tív eis
e m q u e se vai m is tu ra n d o
o co n se g u im e n to co m o s o n h o d o q u e se co n seg u e a seg u ir
5 e o c a m in h o vai p o r deg rau s visíveis, d epressa.
A i dos q u e desde o p r in c ip io vêem o fim !
A i dos q u e asp ira m a sa lta r a escada!
O c o n q u is ta d o r de to d o s os im p é rio s fo i se m p re a ju d a n te de
[g u ard a-liv ro s.
A a m a n te de to d o s os reis — m esm o dos j á m o rto s — é m ãe
[séria e c a rin h o sa ,
io Se assim com o vejo os corp o s p o r fora, visse as almas p o r d e n tro ,

ah, q u e p e n ite n c ia ria os desejos!,


q u e m a n ic o m io o s e n tid o da vida!

38 POESÍA V
Sin q u e re r (¡si lo supiéram os!) salen los g ran d es h o m b res de los
[h o m b res vulgares.
E l sargento acaba em p erad o r tras im perceptibles transiciones
en que se v a m ezclando
ju n ta m e n te el logro con el sueño de lo lo grado a co n tin u ac ió n
5 y así sigue el cam ino, a to d a p risa, a través de visibles escalones.
¡Ay de los que desde el p rin cip io v en el fin!
¡Ay de los que aspiran a saltarse de golpe la escalera!
E l co nquistador de todo im p erio siem pre fue el ay u d an te del
[ten e d o r de libros.
L a am an te de los reyes -in c lu id o s los m u e rto s - es tam b ién
[m ad re seria y cariñosa.
10 Si así com o veo los cuerpos p o r fu e ra v ie ra el alm a p o r d en tro ,

¡qué cárcel serían los deseos!,


¡qué m anicom io el sentido de la vida!

39 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


G a z e t il h a

D o s L loyd G eorges da B a b ilo n ia


n ã o reza a H is to ria n a d a .
D o s B ria n d s da A ssíria o u d o E g ip to ,
dos T rotskys de q u a lq u e r c o lo n ia
S grega o u r o m a n a j á passada,
o n o m e é m o r to , in d a q u e escrito .

Só o p arv o d u m p o e ta , o u u m lo u c o
q u e fazia filosofia,
o u u m g e ó m e tra m a d u ro ,
io sobrevive a esse ta n to p o u c o
q u e está lá p a ra trás n o escu ro
e n e m a H is to r ia já h is to ria .

O g ran d e s h o m e n s d o M o m e n to !
O g ra n d e s g lorias a ferv er
15 d e q u e m a o b sc u rid a d e foge!
A p ro v e ite m sem p e n sa m e n to !
T ra te m d a fam a e d o c o m e r,
q u e a m a n h ã é d os lo u c o s de hoje!

40 POESÍA V
G a c e t il l a

D e u n L loyd Georges de Babilonia


n o re z a la H isto ria nada.
D e u n B rian d de A siria o de E gipto,
o el T ro tsk y de u n a colonia
5 griega o ro m an a , pasada,
h a m u e rto el n o m b re, au n q u e escrito.

Sólo u n p obre poeta, u n loco


que hacía filosofía
o u n g eó m etra m a d u ro ,
10 sobrevive y a a ese poco
que queda atrás en lo oscuro
y n i laH istoria h istoria.

¡G randes h om bres del M om ento!


¡G randes glorias del Poder,
15 de esos que buscan los focos!
¡M edrad, sí, sin pensam iento!
¡Coged fam a y a com er,
que el m a ñ a n a es de los locos!

41 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N o c o n flito escu ro e besta
e n tre a luz e o lo ja m e ,
q u e ao m e n o s lu z se d e rra m e
so b re a v erd a d e, q u e é esta:

5 co m o é u so dos lojistas
a u m e n ta r aos cem p o r c e n to ,
p ro te s ta m c o n tra u m a u m e n to
q u e é reles às suas vistas;

e g rita m q u e é enxovalho
io q u e os g ran d e s, q u a n d o la d rõ e s,
n e m g u a rd e m as tra d iç õ e s
dos g atu n o s de r e ta lh o .

L ojistas, q u e vos o c o rra


r o u b a r d u z e n to s p o r cento!
15 E acaba logo o a rg u m e n to
e n tre a M áfia e a C a m o r ra ...

42 POESÍA V
D el n egro y bestial conflicto
en tre la lu z y las tiendas,
que al m enos lu z se d erram e
sobre la v erd a d , que es ésta:

5 a u m e n ta r al cien p o r cien
ac o stu m b ra n los tenderos,
y es despreciable, a sus ojos,
u n au m en to m ás m odesto;

y g rita n que es u n a ofensa


10 que los grandes, si ladrones,
de los pillos m inoristas
n o g u a rd e n las tradiciones.

¡Usureros, que a ú n querríais


ro b a r doscientos p o r ciento!
15 Así e n tre M afia y C a m o rra
aquí acaba el argum ento.

43 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


E s c r it o n u m l iv r o a b a n d o n a d o e m v ia g e m

V e n h o dos lados de B eja.


V o u p a ra o m e io de L isboa.
N ão tra g o n a d a e n ã o a c h a re i n ad a .
T e n h o o cansaço a n te c ip a d o d o q u e n ã o ach arei,
5 e a sa u d ad e q u e sin to n ã o é n e m d o passado n e m d o f u tu ro .
D eixo escrita n este liv ro a im ag em d o m e u d esíg n io m o rto :
Fui, como ervas, e não me arrancaram.

44 p o e s ía v
E s c r i t o e n u n l i b r o a b a n d o n a d o e n v ia j e

Vengo del lado de Beja.


Voy al ce n tro de Lisboa.
N a d a llevo y n ad a h e de encontrar.
Tengo y a el cansancio anticipado de eso que no h allaré,
5 pero la nostalgia que a h o ra siento no es del pasado o del fu tu ro .
Dejo pues escrita en este libro la im agen m u e rta y a de m i intención:
Fui como hierba, mas no me arrancaron.

45 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A p o s t il a

A p ro v e ita r o te m p o !
M as o q u e é o te m p o , p a ra q u e eu o a p ro v e ite ?
A p ro v e ita r o tem p o !
N e n h u m d ia sem l i n h a ...
5 O tra b a lh o h o n e s to e s u p e r io r ...
O tra b a lh o à V irg ílio , à M ilto n ...
M as é tão d ifícil se r h o n e s to o u ser s u p e rio r!
É tã o p o u c o provável ser M ilto n o u ser V irgílio!

A p ro v e ita r o te m p o !
io T ir a r da alm a os b o ca d o s p reciso s — n e m m ais n e m m e n o s —
p a ra co m eles j u n t a r os cubos ajustados
q u e fazem gravuras certas n a H is tó ria
(e estão certas ta m b é m d o la d o de baix o , q u e se n ã o v ê )...
P ô r as sensações em castelo de cartas, p o b r e C h in a d o s serõ es, ;
15 e os p e n s a m e n to s em d o m in ó , igual c o n tra igual,
e a v o n ta d e e m c a ra m b o la d ifíc il...
Im ag en s d e jo g o s o u d e paciên cias o u d e p assatem p o s —
im ag en s da vida, im ag en s das vidas, Im a g e n d a V id a ...

V e rb a lism o ...
20 S im , verb alism o...
A proveitar o te m p o !
N ão te r u m m in u to q u e o exam e d e co n sciê n cia d e s c o n h e ç a ...

46 POESÍA V
Ap o s t il l a

¡A provechar el tiem po!


M as, ¿qué es el tiem po, p a ra que lo aproveche?
¡A provechar el tiem po!
¡N i u n d ía sin línea!...
5 ¡El trabajo honesto y superior!...,
trab ajo a lo Virgilio o a lo M ilto n —
Pero, ¡es ta n difícil ser así de honesto o superior!
¡Es ta n poco probable el ser M ilto n o el ser Virgilio!

¡A provechar el tiem po!


10 I r qu itan d o del alm a los pedazos justo s - y n i m ás n i m e n o s -
p a ra ju n ta r los cubos ajustados
que h acen perfectos grabados en la H istoria
Cy que son perfectos ig u alm en te p o r el lado de abajo, ese que no
[se v e)...
P o n er las sensaciones en la fo rm a de u n castillo de cartas, pobres
[barcas de C hina,

15 y en dom inó los p ensam ientos, igual c o n tra igual,


la v o lu n ta d en difícil c a ra m b o la -
im ágenes de juegos, de solitarios o de pasatiem pos
-im á g e n e s de vida, de las vidas, Im agen de la V ida...—.

Verbalismo...,
20 sí, v erb alism o —
¡A provechar el tiem po!
N o te n er n i u n m in u to que el exam en de conciencia desconozca—

47 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N ão ter u m acto in d e fin id o n em fa ctício ... <
N ão ter u m m ovim en to d escon form e com p ro p ó sito s...
25 B oas-m aneiras da alm a ... ,,
Elegância de p ersistir...

A proveitar o tem po!


M eu coração está cansado com o u m m en d ig o verdadeiro.
M eu cérebro está p ro n to com o u m fardo p osto ao canto.
30 M eu canto (verbalism o!) está tal com o está e é triste.
A proveitar o tem po!
D esd e que com ecei a escrever passaram cin co m in u tos.
A p r o v eitei-o s o u n ão? I
Se não sei se os aproveitei, que saberei de outros m in u to s?

35 (Passageira que viajavas tantas vezes n o m esm o com p artim en to .


[com igo >
n o com b oio suburbano,
chegaste a in teressar-te p o r m im ? j
A proveitei o tem po olh an d o para ti? j
Q u al fo i o ritm o do n osso sossego n o co m b o io andante? ]
40 Q u al fo i o en ten d im en to que não chegám os a ter? j
Q u al fo i a vida que houve n isto? Q u e fo i isto à vida?) j

A proveitar o te m p o !...
A h , d eix em -m e não aproveitar nada!
N em tem p o, n em ser, n em m em órias de tem po o u de ser!
3
45 D eix e m -m e ser um a folh a de árvore, titilada p or brisas,
a p oeira de um a estrada, involuntária e sozinha,
o regato casual das chuvas que vão acabando,
o vin co deixado na estrada pelas rodas en q uan to não vêm
[outras,
I
o pião do garoto, que vai a parâr,
50 e oscila, n o m esm o m ovim en to que o da Terra, 4
e estrem ece, n o m esm o m ovim en to que o da alma, 1

e cai, com o caem os deuses n o chão do D estin o .

y|
48 POESÍA V
N o te n e r u n sólo acto in definido o facticio...
N o te n er u n m ovim iento disconform e con n u estras intenciones...
25 Buenas m an eras del alm a...
Y la elegancia en el persistir...

¡A provechar el tiem po!


M i corazón se en cu en tra ta n cansado com o u n auténtico m endigo.
M i cerebro, dispuesto com o u n fardo puesto ahí, en el rin có n .
SO M i canto (¡verbalism o 0 ta l com o está, y es triste.
¡A provechar el tiem po!
Desde que em pecé a escribir esto h a n pasado y a cinco m in u to s.
¿Los h e aprovechado o q u iz á no?
M as, si n o sé si los aproveché, ¿qué podré saber de otros m inutos?

35 (Pasajera que viajabas tantas veces conm igo, en m i com partim ento,
ahí, en el m etro ,
¿has llegado q u iz á a in te resa rte p o r mí?
¿Aproveché m i tiem po al ir m irándote?
¿Cuál e ra el ritm o de n u e stro sosiego en el tre n que andaba?
4-0 D im e, ¿cuál sería aquel acuerdo que al fin al n o llegam os a tener?
¿Cuál h a sido la vida que h u b o en esto? ¿Qué le fue esto a la vida?)

¡A provechar el tiem po!...


¡Ah, dejadm e que n o aproveche nada!
¡No, n i tiem po n i ser, n i recuerdos y a de tiem po o ser!
+5 D ejadm e que sea u n a h oja de árb o l tem b lan d o en la brisa,
ser la po lv ared a de u n cam ino, siem pre in v o lu n ta ria y solitaria,
el casual riach u elo de esas lluvias que se v an acabando,
el surco im preso en el cam ino p o r las ru ed as m ie n tras n o vienen
[otras,
la p e o n z a del n iñ o , que se v a a p a ra r ya
50 y oscila con el m ism o m ov im ien to con que lo h ace la T ie rra,
y se estrem ece, con el m ism o m ovim ien to que estrem ece el alm a,
y cae sobre el suelo del D estino, com o caen los Dioses.

49 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


D em ogorgon

N a rua cheia de sol vago há casas paradas e gen te que anda.


Urna tristeza cheia de pavor esfria-m e.
Pressinto u m acon tecim en to do lado de lá das frontarias e dos
[m o v im en to s.

N ão, n ão, isso não!


T u do m en os saber o que é o M istério!
S up erfície do U niverso, ó Pálpebras D escidas,
não vos ergais nunca!
O olhar da Verdade Final não deve p od er suportar-se!

D eix a i-m e viver sem saber nada, e m orrer sem ir saber nada!
A razão de haver ser, a razão de haver seres, de haver tudo,
deve trazer um a loucura m aior que os espaços
entre as almas e entre as estrelas.

N ão, n ão, a verdade não! D eix a i-m e estas casas e esta gente;
assim m esm o, sem mais nada, estas casas e esta g en te...
Q u e b afo h orrível e frio m e toca em olh os fechados?
N ão os quero abrir de viver! O Verdade, esq u ece-te de m im !

POESÍA V
Dem ogorgon

E n la calle llena de sol vago h ay casas p arad as y g en te que anda.


U na triste z a llena de p av o r m e enfría.
P resiento u n acontecim iento al o tro lado de las fachadas y los
[m ovim ientos.

¡No, no, eso no!


5 ¡Todo m enos saber qué es el M isterio!
¡Superficie del U niverso, Caídos Párpados,
n u n c a os levantéis,
pues la m ira d a de la V erdad F in al n o debe p o d er n u n c a
[soportarse!

¡Dejadm e a m í v iv ir sin saber n ad a, y m o rir sin lleg ar a saber


[nada!
10 L a ra z ó n de h ab e r ser, la ra z ó n de h ab e r seres, de h a b e r todo,
debe a c a rre a r u n a lo c u ra m a y o r que los espacios
e n tre las alm as y e n tre las estrellas.

¡No, la v e rd a d no! D ejadm e a m í estas casas y esta gente;


sí, ta l cual e s tá , sin n a d a m ás, estas m ism as casas y esta gente...
15 ¿Qué aliento h o rrib le y frío ro z a ah o ra m is cerrados ojos?
¡N o los quiero a b rir p a ra vivir! ¡O h V erdad, olvídate de mí!

51 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A d ia m e n t o

D e p o is de a m a n h ã , sim , só d e p o is d e a m a n h ã ...
L evarei a m a n h ã a p e n s a r em d ep o is de am an h ã ,
e assim será possível; m as h o je n ã o ...
N ã o , h o je n a d a ; h o je n ã o posso .
5 A p e rsistê n c ia c o n fu sa da m in h a subjectiv id ad e objectiva,
o so n o da m in h a v ida rea l, in te rc a la d o ,
o cansaço a n te c ip a d o e in f in ito ,
u m cansaço de m u n d o s p a ra a p a n h a r u m e lé c tric o ...
E sta espécie de alm a.
Só d ep o is d e a m a n h ã ...
to H o je q u e ro p r e p a ra r- m e ,
q u e ro p r e p a r a r - m e p a ra p e n s a r a m a n h ã n o d ia s e g u in te ...
E le é q u e é decisivo.
T e n h o j á o p la n o tra ç a d o ; m as n ã o , h o je n ã o tra ç o p la n o s ...
A m a n h ã é o d ia dos p la n o s.
15 A m a n h ã s e n ta r - m e - e i à se cretá ria p a ra c o n q u is ta r o m u n d o ;
m as só c o n q u ista re i o m u n d o d ep o is de a m a n h ã ...
T e n h o v o n ta d e d e c h o ra r,
te n h o v o n ta d e de c h o ra r m u ito de r e p e n te , d e d e n tr o ...
N ã o , n ã o q u e ira m sa b er m ais n ad a , é seg red o , n ã o dig o .
20 Só d ep ois de am anh ã...
Q u a n d o era cria n ç a o circo de d o m in g o d iv e rtia -m e to d a a
[sem an a.
H o je só m e div erte o circo de d o m in g o de to d a a sem an a da
[m in h a in f â n c ia ...
D e p o is de a m a n h ã se re i o u tro ,
a m in h a vida tr iu n f a r - s e - á ,

52 POESÍA V
A p l a z a m ie n t o

SÍ, pasado m a ñ an a , sólo pasado m añana...


M a ñ an a he de pasárm elo pensando en pasado m a ñ an a,
así será posible, m as h o y no...
N o , h o y nada; h o y n o puedo.
5 L a confusa persistencia de m i subjetividad objetiva,
el sueño de m i v id a real, intercalado,
el cansancio anticipado e in fin ito ,
u n cansancio de m u n d o s p a ra coger u n tran v ía...
Y esta especie de alm a...
Sólo pasado m añ an a...
10 H oy q uiero p rep a ra rm e ,
cjuiero h o y prep ararm e p ara pensar m a ñ an a en el siguiente día...
E l sí es decisivo.
Tengo y a el p lan trazad o ; pero no, h o y n o tra z o planes...
M a ñ an a será el día de los planes.
15 M a ñ an a m e sentaré al escritorio a co n q u istar el m u n d o ,
po rq u e sólo p o d ría conquistarlo pasado m añ an a...
Tengo m uchas ganas de llorar,
tengo ganas, sí, de llo ra r m u ch o , de rep en te, p o r d en tro ...
N o queráis saber y a n a d a m ás; es u n secreto, lo es, y n o os lo
[digo.
20 Sólo pasado m añana...
Cuando era niño el circo del dom ingo m e divertía to d a la semana.
H oy en cam bio y a sólo m e divierte lo que e ra aquel circo del
[dom ingo de to d a la sem ana de m i infancia...
M as pasado m a ñ a n a seré otro,
y entonces m i v id a triu n fa rá ,

53 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


25 todas as m inhas qualidades reais de in teligen te, lid o e prático
serão convocadas p o r u m ed ita l...
Mas p or u m edital de am an h ã...
H o je quero d orm ir, redigirei am anh ã...
Por h oje, qual é o espectáculo que m e repetiria a infancia?
30 M esm o para eu com prar os b ilhetes am anhã,
que d ep ois de am anhã é que está b em o esp ectácu lo...
A ntes, n ã o ...
D ep o is de am anhã terei a p ose pública que am anhã estudarei.
D ep o is de am anhã serei fin alm en te o que h oje não posso
[nunca ser.
35 Só d ep ois de am anh ã...
T en h o son o com o o frio de u m cão vadio.
T en h o m u ito son o .
A m anhã te direi as palavras, ou d epois de am anh ã...
S im , talvez só depois de am anh ã...

40 O p o rv ir...
Sim , o p orvir...

54 POESÍA V
25 y todas m is reales cualidades de inteligente, y de leído y práctico
v a n a ser convocadas p o r decreto...
P ero p o r u n decreto de m añana...
H oy deseo d o rm ir, pero m a ñ a n a lo redactaré...
E n cu a n to a hoy, ¿cuál es el espectáculo que m e p o d ría rep e tir
[la infancia?
30 P ara c o m p ra r m a ñ a n a las entradas,
que es pasado m a ñ a n a cu ando el espectáculo está bien...
A ntes n o ta n te s no.
M as pasado m a ñ a n a ya p o d ré acceder p ú b licam en te a aquel
[estado que estu d iaré m añ an a.
Sí, pasado m a ñ a n a y a seré lo que h oy n o puedo n u n c a ser.
35 Sólo lo seré al p asar m añana...
A hora tengo sueño, com o el frío de u n p e rro vagabundo.
Tengo m u ch o sueño.
M a ñ an a te d iré u nas palabras, o pasado m añ an a...
Sí, q u iz á ta l v ez sólo pasado m añana...

+0 E l porvenir...
Sí, el porvenir...

55 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


M estre, m eu m estre querido!
C oração do m eu corpo in telectual e in teiro!
V ida da origem da m in h a inspiração!
M estre, q u e é feito de t i n e sta fo rm a d e v id a?

5 N ão cuidaste se m orrerias, se viverias, n em de ti n em de nada,


alm a abstracta e visual até aos ossos,
atenção maravilhosa ao m u n d o exterior sem pre m últip lo,
refúgio das saudades de tod os os deuses antigos,
espírito h u m an o da terra m aterna,
10 flor acim a do dilúvio da in teligên cia subjectiva...

M estre, m eu mestre!
N a angústia sensacionista de tod os os dias sentid os,
na m ágoa quotidiana das m atemáticas de ser,
eu, escravo de tudo com o u m p ó de tod os os ventos,
15 ergo as m ãos para ti, que estás lon g e, tão lo n g e de m im !

M eu m estre e m eu guia!
A quem n en h u m a coisa feriu, n em d oeu , n em p erturbou,
seguro com o u m sol fazendo o seu dia involuntariam ente,
natural com o u m dia m ostrando tudo,
20 m eu m estre, m eu coração não aprendeu a tua serenidade.
M eu coração não aprendeu nada.
M eu coração não é nada,
m eu coração está p erd id o.

M estre, só seria co m o tu se tivesse sido tu .


25 Q u e tris te a g ra n d e h o r a alegre em q u e p r im e ir o te ouvi!

56 POESÍA V
¡M aestro, querido m aestro!
¡C orazón de m i cuerpo in te le ctu a l y com pleto!
¡Vida del o rigen de m i inspiración!
M aestro, ¿qué es de ti en esta fo rm a de vida?

5 N u n c a te ocupaste de si m o rirías o vivirías, n i de ti n i de nada,


alm a abstracta y visual h asta los huesos,
atención m agnífica hacia el m u n d o e x te rio r siem pre m ú ltip le,
refugio de las nostalgias de los dioses antiguos
y esp íritu h u m a n o de la tie rra m a tern a,
10 flo r so brenadando del diluvio de la inteligencia subjetiva...

¡M aestro, m aestro mío!


¡En la angustia sensacionista de los días sentidos,
en la p en a cotidiana de las m atem áticas de ser,
yo, esclavo de todo, com o polvo im pulsado p o r todos los vientos,
15 levanto a h o ra las m anos hacia ti, hacia ti que estás lejos, ta n lejos
[de mí!
¡TÚ, m i m aestro y guía,
tú a q uien n a d a h irió , n i dolió o p ertu rb ó ,
seguro com o u n sol que hace su día in v o lu n tariam en te ,
n a tu ra l com o u n d ía que v a m o stra n d o todo,
20 m aestro, m i co ra zó n n o ap ren d ió n u n c a tu serenidad.
N o , m i co ra zó n no ap ren d ió n ada.
M i co ra zó n n o es nada.
N o , m i co razó n está perdido.

M aestro, sólo sería com o tú si h u b ie ra sido tú .


25 ¡Qué triste vino a ser esa h o ra alegre en la que te oí p o r vez prim era!

57 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


D e p o is tu d o é cansaço n e s te m u n d o subjectiv ad o ,
tu d o é esfo rço n e ste m u n d o o n d e se q u e re m coisas,
tu d o é m e n tir a n e ste m u n d o o n d e se p e n s a m coisas,
tu d o é o u tr a coisa n e ste m u n d o o n d e tu d o se sen te.
30 D ep o is, ten h o sido com o u m m en d igo deixado ao relento
pela in diferença de toda a vila.
D e p o is, te n h o sido co m o as ervas a rran c ad as,
deixadas aos m o lh o s em a lin h a m e n to s sem se n tid o .
D e p o is, te n h o sido eu , sim eu , p o r m in h a desgraça,
35 e eu , p o r m in h a desgraça, n ã o so u eu n e m o u tr o n e m
[n in g u é m .
D e p o is, m as p o r q u e é q u e en sin aste a clareza d a vista,
se n ã o m e p o d ia s e n s in a r a te r a alm a co m q u e a v er clara?
P o rq u e é q u e m e cham aste p a ra o alto d o s m o n te s
se eu , cria n ç a das cidades d o vale, n ã o sabia r e s p ir a r?
40 P o rq u e é q u e m e deste a tu a alm a se eu n ã o sabia q u e fazer dela
co m o q u e m está ca rre g ad o de o u r o n u m d eserto ,
o u ca n ta co m voz d iv in a e n tre ru ín a s ?
P o rq u e é q u e m e a c o rd aste p a ra a sensação e a n o v a alm a,
se eu n ão saberei se n tir, se a m in h a alm a é de sem p re a m in h a ?

45 P ro u v e ra ao D eu s ig n o to q u e eu ficasse se m p re aq u ele
p o e ta d e c a d e n te , e s tu p id a m e n te p re te n sio so ,
q u e p o d e r ia ao m e n o s v ir a ag rad ar,
e n ã o surgisse em m im a p avorosa ciên c ia d e ver.
P ara q u e m e to rn a s te e u ? D eixasses-m e se r h u m a n o !

50 Feliz o h o m e m m arçano,
que tem a sua tarefa q uotidiana norm al, tão leve ainda que
[pesada,

58 POESÍA V
D espués todo es cansancio en este m u n d o ta n subjetivado,
todo es esfuerzo en este m u n d o donde se q u ieren cosas,
todo es m e n tira en este m u n d o donde se p ien san cosas,
todo es o tra cosa en este m u n d o donde se siente todo.
30 Después he sido lo m ism o que u n m endigo dejado a la intem perie
ante la indiferen cia de todo el pueblo entero.
D espués he sido cual hierbas arrancadas,
que son abandonadas en m on to n es, en alineaciones sin sentido.
Y después sin d u d a he sido yo, sí, he sido yo, p o r m i desgracia,
35 y, p o r m i desgracia, yo n o soy y a n i o tro n i nadie.
Después, ¿pero p o r qué m e has educado en la agudeza y claridad
[de vista,
cuando n o podías enseñarm e a poseer u n alm a co n que v erla
[clara?
¿Y p o r qué m e llam aste a lo alto del m o n te
si siendo hijo de la ciudad, del valle, yo allí n o sabía respirar?
40 Y, ¿por qué m e quisiste d a r tu alm a si n o sabía n i qué h ac er con
[ella,
com o quien carga oro en u n desierto
o ca n ta con voz d ivina en tre ruinas?
Y, ¿para qué p o r fin m e despertaste a la sensación y a u n alm a
[nueva,
p o r m ás que yo no h e de saber sentir, y que m i alm a es la m ism a
[siem pre?

45 ¡H iciera el Dios ignoto que yo c o n tin u a ra siendo aquel,


sí, aquel p o eta decadente, ta n estúpidam en te pretencioso,
que al m enos p o d ría llegar a gustar,
p ara que n o surgiera n u n ca en m í la pavorosa ciencia de ese ver!
Pues, ¿para qué m e convertiste en yo? ¡Ay, si m e dejaras ser
[hum ano!
50 Feliz el que es novato,
que tiene su ta re a cotidiana n o rm al, su ta re a ta n leve aun q u e
[pesada,

59 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


q u e te m a sua vida u su al,
p a ra q u e m o p ra z e r é p ra z e r e o re c re io é re c re io ,
q u e d o rm e so n o ,
55 q u e co m e co m id a,
q u e b e b e b e b id a , e p o r isso te m alegria.

A c a lm a q u e tin h a s, d e s te -m a , e f o i-m e in q u ie ta ç ã o .
L ib e rta s te -m e , m as o d e s tin o h u m a n o é se r escravo.
A c o rd a ste -m e , m as o s e n tid o de ser h u m a n o é d o r m ir .

6o POESÍA V
el que tiene su v id a de costum bre,
p a ra q uien el p lacer es el p lacer y el recreo recreo,
que d u erm e sueño,
55 que com e la com ida
y que bebe bebida, y, que p o r eso, tam b ién se en c u e n tra alegre.

L a calm a que tenías, m e la diste, pero m e fue in q u ie tu d .


SÍ, sin d u d a tú m e liberaste, p ero el destino h u m a n o es ser
[esclavo.
M e despertaste, sí, p ero el sentido de ser h u m a n o es sólo dorm ir.

61 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


A s vezes m e d ito ,
às vezes m e d ito , e m e d ito m ais fu n d o , e a in d a m ais fu n d o
e to d o o m is té rio das coisas a p a re c e -m e co m o u m ó leo à
[su p erfície,
e to d o o u n iv e rso é u m m a r de caras de o lh o s fech ad o s p a ra
[m im .
5 C ada coisa — u m can d eeiro de esquina, u m a p ed ra , u m a árvore,
é u m o lh a r q u e m e fita de u m abism o in c o m p re e n sív e l,
e d esfilam n o m e u coração os deuses to d o s, e as id eias dos
[deuses.
A h , hav er coisas!
A h , h av e r seres!
io A h , hav er m a n e ira de h av e r seres
de h av er haver,
de h av er co m o haver haver,
de h a v e r...
A h , o existir o fe n ó m e n o ab stra cto — existir,
15 h av e r co n sciê n cia e rea lid ad e ,
o q u e q u e r q u e isto se ja ...
G o m o p o sso eu e x p rim ir o h o r r o r q u e tu d o isto m e causa?
G o m o p o sso e u d iz e r co m o é isto p a ra se s e n tir ?
Q u a l é alm a de h av er se r?

20 A h , o pav o ro so m is té rio de existir a m ais p e q u e n a coisa,


p o r q u e é o pav o ro so m is té rio de haver q u a lq u e r coisa,
p o r q u e é o pav o ro so m is té rio de h a v e r...

62 POESÍA V
A veces m edito.
sí, a veces m edito; y m edito m ás h o n d o y a ú n m ás h o n d o ,
y así todo el m isterio de las cosas, p o r encim a de la superficie,
[se m e aparece com o aceite,
y todo el u niverso es m a r de ro stro s co n los ojos cerrad o s h acia
[m í.
C ada cosa - u n a farola ah í en la esquina, o u n a p ied ra, o u n
[á rb o l-,
es u n a m ira d a que m e observa desde u n abism o incom prensible,
y entonces desfilan en m i co ra zó n los dioses y las ideas de los
[dioses.
¡Ah, que h ay a cosas!
¡Ah, que h ay a seres!
¡Ah, que h ay a m a n e ra de h a b e r seres,
sí, de h a b e r h ab e r
y hasta de h ab e r cóm o h a b e r haber,
ah, sí, sí, de haber!...
¡Pero, ah , el existir, el fenóm eno abstracto de existir,
de que h ay a conciencia y realidad,
sea eso cu alq u ier cosa que sea!...
¿Cómo p uedo exp resar el espanto que todo esto m e causa?
¿Cómo p uedo d ecir yo cóm o es esto p a ra que se sienta?
Y, ¿cuál es el alm a de h ab e r ser?

¡Pavoroso m isterio de que exista la m ás m ín im a cosa,


po rq u e es el m isterio pavoroso de que h ay a de hech o cu alq u ier
[cosa,
pavoroso m isterio del haber!...

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Na ú ltim a p á g in a d e u m a a n t o l o g i a n o v a

T an to s b o n s poetas!
T an to s b o n s poem as!
São re a lm e n te b o n s e b o n s,
co m ta n ta c o n c o rrê n c ia n ã o fica n in g u é m ,
5 o u ficam ao acaso, n u m a lo ta ria da p o ste rid a d e ,
o b te n d o lugares p o r c a p ric h o d o E m p re s á rio ...
T an to s b o n s poetas!
P ara q u e escrevo e u v ersos?
Q u a n d o os escrevo p a re c e m -m e
io o q u e a m in h a em o ção , co m q u e os escrevi, m e p arece
a ú n ic a coisa g ra n d e n o m u n d o ...
E n c h e o u n iv e rso d e f rio o p av o r de m im .
D ep o is, escritos, visíveis, legíveis...
O r a ... E n e sta an to lo g ia d e p o etas m e n o re s ?
15 T a n to s b o n s poetas!
O q u e é o g é n io , afin a l, o u co m o é q u e se d istin g u e
o g é n io , e os b o n s p o e m a s dos b o n s p o e ta s?
Sei lá se re a lm e n te se d is tin g u e ...
O m e lh o r é d o r m ir ...
20 F echo a a n to lo g ia m ais cansado d o q u e d ó m u n d o —
S o u v u lg a r? ...
H á ta n to s b o n s poetas!
S an to D e u s ! ........

64 POESÍA V
En la Úl t i m a p a g in a d e u n a n u e v a a n t o l o g ía

¡Tantos buenos poetas!


¡Tantos buenos poem as!
Y que son rea lm en te buenos, buenos.
E xistiendo ta n ta com petencia n o h a de q u ed a r nadie,
5 o q u ed a rá al azar, la lo te ría de la p osterid ad ,
obteniendo sus plazas p o r capricho al fin del E m p resario ...
¡Tantos buenos poetas!
¿Para qué escribo versos?
C uando los escribo m e p arecen
10 lo que m e parece la em oción en cuya v ir tu d yo los escribo,
- s í, la em oción, lo único g ran d e que existe en el m u n d o ...-.
E l p av o r de m í llena de frío la to ta lid a d del universo.
D espués, escritos, visibles y legibles...
Pero... ¿y en esta antología de poetas m enores?
15 ¡Tantos buenos poetas!
¿Qué es el genio, pues, después de todo, o fin alm en te cóm o se
[distingue
el genio, y de qué m odo se distinguen los buenos poem as de los
[buenos poetas?
Yo qué sé si realm en te se distingue...
L o m ejo r es dorm ir...
20 C ierro la antología, m ás cansado que lo estoy del m u n d o .
¿Soy vulgar?...
¡Tantos buenos poetas!
¡Santo Dios!...

65 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N o ocaso, so b re L isboa, n o té d io dos dias q u e passam ,
fixo n o té d io d o d ia q u e passa p e r m a n e n te m e n te
m o r o n a vigília in v o lu n tá ria co m o u m fech o d e p o r ta
q u e n ã o fecha coisa n e n h u m a .
5 M e u coração in v o lu n tá rio , im p u lsiv o ,
n a u fra g a a esfinges in d ig e n te s
nas c o n seq u ê n cia s e fin s, a c o rd a n d o n o a lé m ...

66 POESÍA V
Al ocaso, en Lisboa, y en tre el tedio de los días que pasan,
fijo sobre el tedio de ese día que v a pasando p erm a n en te m e n te,
vivo en la vigilia in v o lu n taria, cual cerrojo de p u e rta
que no c ierra nada.
5 M i co ra zó n im pulsivo, in v o lu n tario ,
n au frag a n d o en esfinges indigentes,
en las consecuencias y los fines, y despertando en el m ás allá...

67 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N a n o ite terrível, substância natural de todas as n oites,

re le m b ro , v elan d o em m o d o r r a in c ó m o d a ,
r e le m b ro o q u e fiz e o q u e p o d ia te r feito n a vida.
5 R elem bro, e um a angústia

T od os os outros cadáveres p o d e ser que sejam ilusão.


T od os os m ortos n od e ser au e seiam vivos noutra narte.

[algur
n a ilusão d o espaço e d o te m p o ,
n a falsid ad e d o d e c o rre r.

M as o q u e eu n ão fu i, o q u e e u n ão fiz, o q u e n e m se q u e r so n h
o q u e só ag o ra vejo q u e d everia te r feito ,
IS o q u e só ag o ra c la ra m e n te vejo q u e d everia te r sid o —
isso é que é m orto para além de todos os D euses,
isso — e fo i afinal o m elh or de m im — é que n em os D euses ■
[vi

Se em certa altura
tivesse v o ltad o p a ra a e s q u e rd a em vez de p a ra a d ire ita ;
20 se em certo m om en to
tivesse d ito sim em vez de n ã o , o u n ã o em vez d e sim ;
se em c e rta conversa
tivesse tid o as frases q u e só agora, n o m e io - s o n o , e la b o ro —
se tu d o isso tivesse sid o assim ,
25 seria o u tr o h o je , e talvez o u n iv e rso in te ir o

68 POESÍA V
E n la noche terrib le, sustancia n a tu ra l de to d a noche,
en la noche de insom nio, sustancia p ro p ia de m is noches todas,
yo recuerdo, v elando, am o d o rrad o e inquieto,
recu erd o lo que hice y lo que p u d e h ab e r hech o en la vida.
5 Recuerdo, y la angustia
se extiende p o r m í, com o u n frío del cuerpo o com o u n m iedo.
L o irre p arab le en m i pasado —¡ése sí es el cadáver!
todos los restantes es posible que sean n ad a m ás u n a ilusión.
P orque todos los m u e rto s puede que estén vivos en alg u n a o tra
[parte,
10 y todos m is propios m om en to s pasados pu ed e que ex istan en
[alg ú n lugar,
ahí, en la ilusión de espacio y tiem po,
en la falsedad del tra n sc u rrir.

M as lo que yo n o fui, lo que n o hice y n o soñé siquiera,


lo que sólo ah o ra veo que debí h ab e r hecho,
15 lo que sólo ah o ra veo claram en te que debí h ab e r sido,
eso sí que está m u e rto m ás allá de los Dioses,
a eso - q u e fue lo m ejo r de m í - n i los Dioses p o d ría n d arle v id a...

Si en cierto m om ento
h u b ie ra vu elto a la iz q u ierd a y n o a la derecha;
20 si en cierto m om ento
h u b ie ra d icho sí en vez de no, o n o en vez de sí;
si en m edio de cierta conversación
h u b ie ra acertado con las frases que ah o ra v o y solam ente
[co n fo rm an d o en el en tresu eñ o ,
si todo eso h u b ie ra sido así,
25 h o y sería o tro , y así ta l vez el u niverso en tero

69 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


seria in se n siv e lm e n te levado a ser o u tr o ta m b é m .

M as n ã o v ire i p a ra o la d o irre p a ra v e lm e n te p e r d id o ,
n ã o v ire i n e m p e n s e i em v ira r, e só ag o ra o p e rc e b o ;
m as n ã o disse n ã o o u n ã o disse sim , e só ag o ra vejo o q u e
[n ão disse;
30 mas as frases que faltou dizer nesse m o m en to su rg em -m e
[todas,
claras, inevitáveis, n a tu ra is,
a conversa fech ad a c o n c lu d e n te m e n te ,
a m a té ria to d a re so lv id a ...
M as só ag o ra o q u e n u n c a fo i, n e m será p a ra trás, m e d ó i.

35 O que falhei deveras não tem esperança n en h u m a


em sistem a m etafísico n en h u m .
P o d e se r q u e p a ra o u tr o m u n d o eu possa levar o q u e so n h e i,
m as p o d e r e i e u levar p a ra o u tr o m u n d o o q u e m e esq u eci de
[sonhar?
Esses sim , os s o n h o s p o r haver, é q u e são o cadáver.
40 E n te r r o -o n o m eu coração para sem pre, para to d o o tem p o,
[p ara to d o s os u n iv erso s,
n e sta n o ite em q u e n ã o d u r m o , e o sossego m e cerca
co m o u m a v erd a d e d e q u e n ã o p a rtilh o ,
e lá f o ra o lu a r, co m o a esp eran ç a q u e n ã o te n h o , é invisível
[p ra m im .

70 POESÍA V
se v ería llevado insensiblem ente a ser o tro tam b ién .

M as n o g iré h acia el lado que irre p arab lem e n te se h a perd id o ,


no, n i g iré n i pensé en g irar, sólo ah o ra lo entiendo;
pero n o dije no o n o dije sí, au n q u e sólo a h o ra veo eso que
[no dije;
50 pero las frases que m e faltó d ecir ju sto en ese m o m e n to , su rg en
[todas,
claras, inevitables, n atu rales,
cuando la ch a rla del todo está cerrada,
el asunto resuelto...
A unque, desde luego, sólo a h o ra eso que n o fue n i h a de ser ya
[n u n ca y endo h acia atrás, a m í m e duele.

55 E n lo que de veras fracasé n o h a y esperan za alg u n a


en n in g ú n sistem a m etafísico.
Puede ser que a o tro m u n d o yo m e p u ed a llev ar lo que soñé,
pero ¿podré llevarm e a ese o tro m u n d o lo que olvidé so ñ ar sin
[duda?
Ésos sí, los sueños p o r haber, sí que son el cadáver.
40 L o en tierro p a ra siem pre en m i corazó n , sí, p a ra todo el tiem po
[y p a ra todos los universos,
en esta noche en la que no d u erm o , y el sosiego m e cerca
com o u n a v erd a d que n o com parto,
y ahí afuera el brillo de la luna, com o la esperanza que no tengo,
[es del todo invisible p ara mí.

71 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N uvens

N o d ia triste o m e u co ração m ais tris te q u e o d ia ...


O b rig a ç õ e s m o ra is e civis?
C o m p le x id a d e de deveres, d e c o n se q u ê n c ia s?
N ã o , n a d a ...
’5 O d ia triste , a p o u c a v o n ta d e p a ra t u d o ...
N a d a ...

O u tr o s viajam (ta m b é m viajei), o u tro s estão ao sol


(ta m b é m estive ao sol, o u su p u s q u e estive),
to d o s tê m razão, o u v id a , o u ig n o râ n c ia sin tética,
io vaidade, alegria e so c iab ilid ad e,
e e m ig ra m p a ra v o lta r, o u p a ra n ã o v o ltar,
em navios q u e os tr a n s p o r ta m sim p le sm e n te .
N ão se n te m o q u e h á d e m o r te em to d a a p a rtid a ,
de m is té rio em to d a a chegada,
15 d e h o rrív e l em to d o o n o v o ...
N ã o se n te m : p o r isso são d e p u ta d o s e fin a n c e iro s,
d a n ç a m e são em p re g ad o s n o co m ércio ,
vão a to d o s os te a tro s e c o n h e c e m g e n te ...
N ão se n te m : p a ra q u e h av e riam de s e n tir ?

20 G ad o vestido dos c u rra is dos D euses,


d e ix á -lo passar e n g rin a ld a d o p a ra o sacrifício
sob o sol, álacre, vivo, c o n te n te de s e n tir - s e ...
D e ix a i-o passar, m as ai, v ou co m ele sem g rin a ld a

72 POESÍA V
N ubes

E n el d ía triste m i co razó n , a ú n m ás triste que el día...


¿O bligaciones m orales y civiles?
¿C om plejidad de deberes, consecuencias?
N o , nada...
5 D ía triste y escasa v o lu n ta d p a ra todo...
N ada-

Unos v ia jan (ta m b ié n yo v ia jé), o tros están al sol


(sí, pues ta m b ié n yo estuve al sol, o supuse que estu v e),
todos tie n en ra z ó n , o tie n en vida, o ig n o ran cia sintética,
10 v an id ad , alegría y sociabilidad,
y em ig ran p a ra volver, o bien em ig ran p a ra no volver,
en navios que sim plem ente los tran sp o rta n .
Pero n u n ca sienten lo que siem pre h ay de m u e rte en to d a partid a,
lo que h ay de m isterio en to d a llegada,
15 eso que h a y de h o rrib le en todo lo nuevo...
N o sienten, y p o r eso p u ed en ser diputados y financieros,
d a n z a n y son em pleados de com ercio,
v a n a todos los te atro s y conocen gente...
N o sienten: ¿por qué h a b ría n de sentir?

20 Ese ganado ta n engalanado, g u ard a d o en los corrales de los


[Dioses,
déjalo y a pasar, en g u irn ald ad o p ara el sacrificio,
ta n alegre y vivo bajo el sol, y feliz de sentirse...
¡Sí, dejadlo pasar, pero, ay de m í, que voy co n él, p ero sin
[g u irn a ld a

73 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


p a ra o m e sm o destin o !
25 V o u co m ele sem o sol q u e sin to , sem a vida q u e te n h o ,
v o u co m ele sem d e s c o n h e c e r...

N o dia triste o m eu coração mais triste que o d ia ...


N o dia triste tod os os d ias...
N o dia tão triste...

74 POESÍA V
hacia el m ism o destino!
25 Yo v o y con él sin ese sol que siento, sin la v id a que tengo,
sí, yo v o y con él, sin inconsciencia...

E n el d ía triste m i co razó n , a ú n m ás triste que el día...


E n el d ía triste que es todos los días...
El día tan triste...

75 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A o v o la n te d o C h e v ro le t p e la estra d a de S in tra ,
ao lu a r e ao s o n h o , n a e stra d a deserta,
so z in h o g u io , g u io quase devagar, e u m p o u c o
m e p are ce, o u m e fo rç o u m p o u c o p a ra q u e m e p areça,
5 q u e sigo p o r o u tr a estrad a, p o r o u tr o s o n h o , p o r o u tro
[m u n d o ,
q u e sigo sem hav er L isb o a deixada o u S in tra a q u e ir te r,
q u e sigo, e q u e m ais hav erá em se g u ir se n ão n ã o p a ra r m as
[seg u ir?

V o u passar a n o ite a S in tra p o r n ã o p o d e r passá-la em L isboa,


m as, q u a n d o chegar a S in tra , te re i p e n a de n ã o te r ficad o em
[L isboa.
io S e m p re esta in q u ie ta ç ã o sem p ro p ó s ito , sem n ex o , sem
[co n se q u ên c ia,
se m p re , se m p re , se m p re ,
esta an g ú stia excessiva d o e s p írito p o r coisa n e n h u m a ,
n a e stra d a de S in tra , o u n a estra d a d o s o n h o , o u n a estrad a
[da v id a ...

M aleável aos m eu s m o v im e n to s su b c o n scie n te s n o v o lan te,


15 galga sob m im com igo o au to m ó v el q u e m e em p re sta ra m .
S o rrio d o sím b o lo , ao p e n s a r n e le , e ao v ira r à d ire ita .
E m q u an tas coisas q u e m e e m p re sta ra m eu sigo n o m u n d o !
Q u a n ta s coisas q u e m e e m p re sta ra m gu io co m o m in h as!

76 POESÍA V
Al vo lan te del C hevrolet p o r la c a rre te ra de S intra,
brillo de lu n a y sueño en la c a rre te ra desierta,
voy solo, conduciendo, lo hago casi despacio,
y u n poco parece, o es que m e fu erzo u n poco p a ra que m e
[parezca,
5 que avanzo p o r o tra carre tera, p o r o tro sueño, sí, p o r o tro
[m u n d o ,
que avanzo sin que h ay a Lisboa dejada o S in tra en que dar,
que avanzo, ¿y qué es ir sino n o dejar jam ás de ir?

P orque v o y a p asar la noche a S in tra p o r no h a b e r podido


[pasarla en Lisboa,
pero en cam bio, cuando llegue a S intra, sen tiré n o h ab erm e
[quedado en Lisboa.
10 Siem pre esta in q u ie tu d p o r com pleto caren te de propósito,
[siem pre sin n ex o y sin consecuencias,
siem pre, siem pre, siem pre,
esta angustia excesiva del esp íritu p o r n in g u n a cosa,
en la c a rre te ra de S in tra o en la del sueño, o en la c a rre te ra de
[la vida...

M aleable a m is m ovim ientos subconscientes y puesto al volante,


15 a h o ra salta bajo m í, conm igo, el autom ó v il que alguien m e h a
[prestado.
Y sonrío ante el sím bolo, al p e n sa r en él, y al ir g iran d o a la
[derecha.
¡En cuántas cosas que alguien m e h a p restad o v o y yo p o r el
[m undo!
¡Oh, sí, cuántas cosas que otros m e p re sta ro n guío yo com o
[mías!

77 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


Q u a n to m e em p re sta ra m , ai d e m im ! , e u p r ó p r io sou!

20 A esquerda o casebre — sim , o casebre — à beira da estrada.


À direita o cam po aberto, com a lua ao lon g e.
O autom óvel, que parecia há p ou co d ar-m e liberdade,
é agora um a coisa on d e estou fechado,
que só p osso con d uzir se n ele estiver fechado,
25 que só d o m in o se m e in clu ir n ele, se ele m e in clu ir a m im .

À esquerda lá para trás o casebre m odesto, mais que m odesto.


A v id a ali deve ser feliz, só p orq u e não é a m inh a.
Se alg u ém m e v iu da ja n e la d o casebre, so n h a rá : A q u e le é
[que é feliz.
Talvez à criança espreitando p elos vidros da jan ela do andar
[que está em cim a
30 fiq u ei (com o autom óvel em prestado) com o u m so n h o ,
[um a fada real.
Talvez à rapariga que o lh o u , ou vind o o m otor, pela janela
[da cozinha
n o pavim ento térreo,
sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
e ela m e olhará de esguelha, p elos vidros, até à curva em
[que m e perdi.
35 D eix a rei so n h o s atrás de m im , o u é o au to m ó v el q u e os
[deixa?
E u , g u ia d o r d o au to m ó v el e m p re sta d o , o u o au to m ó v el
[em prestado que eu gu io ?

N a estra d a de S in tra ao lu a r, n a tristeza, a n te os cam p o s e a


[noite,
g u ia n d o o C h e v ro le t e m p re sta d o d esco n so la d am en te ,

78 POESÍA V
¡C uánto de todo cu a n to m e h a n prestad o , ay, p o b re de m í, yo
[m ism o soy!

20 L a casucha a la iz q u ierd a - u n a c a su c h a -, ah í al b orde de la


[carretera.
y a la d erecha el cam po abierto, con lu n a a lo lejos.
Y el autom óvil, que hace poco p arecía d arm e lib ertad ,
es a h o ra u n a cosa donde estoy encerrado,
y que sólo p uedo co n d u cir encerrado en él,
25 y que sólo dom ino si m e incluyo en él, y él m e incluye.

H acia atrás a la iz q u ierd a la m odesta casucha, m enos que


[m odesta.
Allí la v id a debe ser feliz, sólo p o r n o ser m ía.
Si alguien m e vio desde la v e n ta n a de la casucha, soñará: Ése sí
[es feliz.
Y tal vez p a ra el n iñ o atisbando p o r los cristales de la v e n ta n a
[del piso de a rrib a
50 fui (co n m i autom óvil de p re sta d o ) lo m ism o que u n sueño,
[u n h a d a real.
T al v ez p a ra la m u c h ac h a que m iró , al o ír el m o to r, p o r el
[ven tan u co de la cocina,
en el piso de abajo,
tengo algo del prín cip e que es p ropio de to d o co razó n de
[m uchacha.
M e m ira rá de soslayo, p o r los cristales, h asta esa c u rv a en
[que m e perdí.
55 Y dejaré esos sueños tras de m í, ¿o el au to m ó v il es el que los
[deja?
¿Yo, el conductor del prestado autom óvil, o el prestado autom óvil
[que conduzco?

E n la c a rre te ra de S intra, bajo el b rillo de lim a, en la tristeza,


[puesto ante los cam pos y la noche,
conduciendo ese C hevrolet sin rem edio prestado,

79 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


p e r c o -m e n a estra d a f u tu ra , s u m o - m e n a d istân c ia q u e
[a lc a n ç o ,
40 e, n u m desejo te rrív e l, sú b ito , v io le n to , in c o n ce b ív el,
a c e le ro ...
M as o m e u coração fic o u n o m o n te de p e d ra s, d e q ú e m e
[desviei ao v ê -lo sem v ê -lo ,
à p o r ta d o casebre,
o m e u coração vazio,
45 o m e u coração in sa tisfe ito ,
o m e u coração m ais h u m a n o d o q u e eu , m ais exacto q u e a
[vida.

N a estrada de S intra, p e rto da m e ia -n o ite , ao lu a r, ao volante,


n a estra d a de S in tra , q u e cansaço da p r ó p r ia im ag in ação ,
n a estrad a de S in tra , cada vez m ais p e r to d e S in tra ,
50 n a estra d a de S in tra , cada vez m e n o s p e r to de m im ...

80 POESÍA V
m e p ierdo en la fu tu ra ca rre tera, m e h u n d o en la d istan cia a la
[que alcanzo,
40 y, en u n deseo terrib le, inconcebible, súbito, violento,
acelero de p ro n to ...
Pero m i corazón se queda atrás, en el m ontón de piedras que
[be evitado al v erlo sin v erlo ,
a la p u erta , sí, de la casucha,
m i co razó n vacío,
45 sí, m i co ra zó n insatisfecho,
m i corazón m ás h u m a n o que yo m ism o, y h asta m ás exacto que
[la vida.

En la carretera de Sintra, cerca de m edianoche, luna clara, al


[volante,
en la carretera de Sintra, qué cansancio, el de m i propia
[im aginación,
en la carretera de Sintra, y cada vez más cerca de Sintra,
50 en la c a rre te ra de S intra, m enos cerca de m í a cada vez...

8i LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N o c t u r n o d e d ia

... N ã o : o q u e te n h o é s o n o .
O q u ê ? T a n to cansaço p o r causa das resp o n sa b ilid ad es,
ta n ta a m a rg u ra p o r causa d e talvez se n ão se r céleb re,
ta n to d esen v o lv im en to d e o p in iõ e s so b re a im o rta lid a d e ...
5 O q u e te n h o é so n o , m e u velh o , s o n o ...
D e ix e m -m e ao m e n o s te r s o n o ; q u e m sabe q u e m ais te re i?

82 POESÍA V
N o c t u r n o d e d ía

... N o: lo que tengo es sueño.


¿Cómo? T an to cansancio a causa de la responsabilidad,
ta n ta a m a rg u ra a causa, tal vez, de n o ser célebre,
ta n to desarrollo de opiniones a propósito de la in m o rta lid a d ...
5 M as lo que tengo es sueño, es sueño, m i viejo...,
dejadm e p o r lo m enos te n e r sueño; después, ¿quién sabe y a
[qué m ás tendré?

83 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


«T he T im e s »

S e n to u -s e b ê b a d o à m esa e escreveu u m fu n d o
d o « T im e s » , claro , inclassificável, lid o ...,
s u p o n d o (co itad o !) q u e ia te r in flu ê n c ia -n o m u n d o ...

S an to D e u s !... E talvez a te n h a tid o !

84 POESÍA V
« T h e T im es»

Se sentó a la m esa, y a b o rrach o y escribió u n artícu lo de fondo,


u n o del « T im es» , m u y claro, inclasificable y m u y leído...,
suponiendo (¡pobre!) que te n d ría in flu en cia sobre el m u n d o ...

Y, ¡Dios santo!... ¡Tal vez la h ay a tenido!

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


Canção à in g l e s a

C o rte i relações co m o sol e as estrelas, p u s p o n to n o m u n d o .


Levei a m o c h ila das coisas q u e sei p a ra o la d o e p r ò f u n d o .
Fiz a viagem , c o m p re i o in ú til, ac h ei o in c e rto ,
e o m e u coração é o m e sm o q u e fo i, u m céu e u m d e se rto .
5 F alh ei n o q u e fu i, falh e i n o q u e quis, falh e i n o q u e so u b e.
N ão te n h o já alm a que a luz m e d esp erte o u a treva m e ro u b e
N ão so u senão n áu sea, n ã o so u senão cism a, n ã o so u senão
[ânsia,
so u u m a coisa q u e fica a u m a g ra n d e d istân cia.
E v o u , só p o r q u e o m e u se r é có m o d o e p r o fu n d o ,
io co lad o co m o u m esca rro a u m a das ro d a s d o m u n d o .

86 p o e s ía v
Ca n c ió n a l a in g l e s a

Corté relaciones con el sol, las estrellas, y después puse p u n to


[final en el m u n d o .
Y llevé la m o ch ila de las cosas que sé av an zan d o a u n lado, y
[a lo p ro fu n d o .
Así hice m i viaje; a d q u irí lo in ú til, en co n tré lo in cierto ;
m i co razó n es el m ism o que antes fue, u n cielo, u n desierto.
5 F racasé en lo que he sido, fracasé en lo que quise, fracasé en lo
[que supe,
y n o tengo y a alm a que la lu z m e despierte o lo oscuro m e
[oculte.
Yo n o soy sino náusea, sino cavilación, n o soy sino ansia,
sólo soy u n a cosa, esa cosa que queda a u n a e n o rm e distancia.
Y voy, p ero v oy sólo p o r cu a n to m i ser es tra n q u ilo y p ro fu n d o ;
10 com o u n escupitajo v oy ro d an d o , pegado a las ru ed as del
[m u n d o .

87 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N ão te n h o sin c e rid a d e n e n h u m a q u e te d a r.
Se te fa lo , a d a p to in s tin tiv a m e n te frases
a u m s e n tid o q u e m e esqueço d e te r.

88 POESÍA V
N o , yo no tengo sin ceridad que darte.
C uando te h ablo sólo adapto frases de m a n e ra in stin tiv a,
las adapto a u n sentido que h e olvidado tener.

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


O r a até q u e e n f im ..., p e r f e ita m e n te ...
G á está ela!
T e n h o a lo u c u ra exactam en te n a cabeça.

M eu co ração e s to iro u co m o u m a b o m b a de p ataco ,


5 e a m in h a cabeça teve o so b ressalto p e la e s p in h a a c im a ...

G raças a D eu s q u e e sto u d o id o !
Q u e tu d o q u a n to d ei m e v o lto u e m lixo,
e, co m o cuspo a tira d o ao v en to ,
m e d isp e rs o u p e la cara livre!
10 Q u e tu d o q u a n to fu i se m e a to u aos pés,
co m o a sa ra p ilh e ira p a ra e m b ru lh a r coisa n e n h u m a !
Q u e tu d o q u a n to p e n s e i m e faz cócegas n a g arg an ta
e m e q u e r fazer v o m ita r sem e u te r co m id o nada!
G raças a D eu s, p o r q u e , co m o n a b e b e d e ira ,
15 isto é um a solução.
A rre , e n c o n tr e i u m a solução, e fo i p rec iso o estôm ago!
E n c o n tre i u m a v erd a d e, s e n ti- a co m os in te stin o s!

P oesia tra n sc e n d e n ta l, j á a fiz tam bém !


G ra n d e s ra p to s líric o s, ta m b é m j á p o r cá passaram !
20 A o rg an ização de p o em as relativos à vastidão d e cada
[assunto resolvido em vários —
tam bém não é novidade.
T e n h o v o n ta d e de v o m ita r, e d e m e v o m ita r a m im ...
T e n h o u m a n áu sea q u e, se p u d esse c o m e r o u n iv e rso p a ra o
[d esp e jar n a p ia , c o m ia -o .
G o m esfo rço , m as era p a ra b o m fim .

90 POESÍA V
P o r fin..., p erfectam ente...,
¡ya está aquí!
Tengo y a la lo c u ra aquí exactam ente, en la cabeza.

M i co ra zó n estalló com o u n a bom ba de relojería,


5 m ie n tras a m i cabeza el sobresalto le llegó a lo larg o de la
[espina dorsal...

¡Gracias a D ios que estoy loco!


¡Que todo cu a n to di h a re to rn a d o convertido en b asura,
y, com o escupo al viento,
se esparció lib rem en te p o r m i rostro!
10 ¡Que todo cu a n to fu i se ató a m is pies
com o arp illera p a ra em balar n a d a de nada!
¡Que cu a n to pensé m e cosquillea d en tro de la g arg a n ta ,
y m e quiere obligar a v o m ita r sin que hay a com ido!
G racias a D ios que, com o en la borrach era,
15 esto es ta m b ié n u n a solución.
¡Arre, que en co n tré u n a solución, y m e h iz o falta estómago!
¡E ncontré u n a v e rd a d y la sentí con los intestinos!

¡Poesía trascendental, y a hice tam bién!


¡Y grandes raptos líricos, sí, ta m b ié n p o r aq u í y a m e pasaron!
20 O rg a n iz a r poem as relativos a la vastedad de cada asu n to
[-re s u e lto al fin en v a r io s - ,
n o es tam poco n in g u n a novedad.
Tengo n ecesidad de vo m itar, de v o m itarm e a m í...,
y tengo tan tas náuseas que si p u d ie ra co m erm e el u n iv erso p ara
[vaciarlo ahí, en la pila, m e lo com ería.
C on esfuerzo, sí, m as p o r b u en fin.

91 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A o m e n o s e ra p a ra u m fim .
E assim co m o so u n ã o te n h o n e m fim n e m vida.

POESÍA V
P o r lo m enos sería p a ra u n fin.
Pues, com o soy, n o tengo fin n i vida.

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


O soslaio d o o p e rá rio e s tú p id o p a ra o e n g e n h e iro d o id o —
o e n g e n h e iro d o id o fo ra da e n g e n h a ria —.
O so rriso tro c a d o q u e s in to n as costas q u a n d o passo e n tre os
[ n o rm a is ...
( Q u a n d o m e o lh a m cara a cara n ã o os sin to s o r r i r ) .

94 POESÍA V
E l m ira r de soslayo del estúpido o b rero al in g en iero lo c o -
-lo c o ingeniero, apartado de to d a in g e n ie ría -.
L a sonrisa que siento a m is espaldas m ie n tras que paso e n tre los
[norm ales...
ÇEn cam bio, si m e m ira n cara a cara, no los siento r e ír).

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A pontam ento

A m in h a alma p a rtiu -se com o u m vaso vazio.


C aiu pela escada excessivam ente abaixo.
C aiu das m ãos da criada descuidada.
C aiu, fe z -se em mais pedaços do que havia loiça n o vaso.

5 A sneira? Im possível? S ei lá!


T en h o m ais sensações do que tinha quando m e sentia eu.
S ou u m espalham ento de cacos sobre u m capacho p or
[sacudir.

Fiz barulho na queda com o u m vaso que se partia.


O s deuses que há d eb ru çam -se do parapeito da escada,
io E fitam os cacos que a criada deles fez de m im .

N ão se zangam com ela.


São tolerantes com ela.
O que eu era u m vaso vazio?

O lh am os cacos absurdam ente con scien tes,


15 mas con scien tes de si-m esm o s, não con scien tes deles.

O lh am e sorriem .
S orriem tolerantes à criada involuntária.

Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.

96 POESÍA V
Ap u n t e

Se ha quebrado m i alma com o u n jarrón vacío.


Cayó demasiado abajo, en la escalera.
Se le cayó a la criada descuidada.
Se cayó y se h izo más pedazos que la loza que había en el jarrón.

5 ¿Tontería? ¿Imposible? ¡Yo qué sé!


Tengo más sensaciones que las sensaciones que tenía cuando aún
[m e sentía yo.
Soy com o una dispersión de cascos en un felpudo que está por
[sacudir.

Hice un fuerte ruido en m i caída, al igual que un jarrón que se


[partiera.
Los dioses que hay se asoman a la escalera, desde el parapeto,
10 y contem plan los trozos que su criada al fin ha hecho conm igo.

N o se enfadan con ella.


N o , son tolerantes.
¿Es que yo era un jarrón vacío?

M iran hacia los cascos, ciegam ente conscientes,


15 pero están conscientes de sí m ism os, no conscientes de ellos.

M iran y sonríen,
tolerantes hacia la criada involuntaria.

Y se extiende la gran escalinata alfombrada de estrellas.

97 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


U m caco brilha, virado do exterior lu stroso, entre os
[astros.
20 A m in h a obra? A m in h a alma prin cip al? A m in h a vida?
U m caco.
E os deuses o lh a m -n o especialm ente, p ois não sabem
[porque fico u ali.

98 POESÍA V
Ahora brilla un casco, vuelto por el barniz de la parte exterior,
[entre los astros.
20 ¿Mi obra? ¿Mi vida? ¿Mi alma principal?
Tan sólo u n casco.
Y los dioses lo m iran m u y atentos, pues no saben por qué se
[quedó ahí.

99 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Talvez não seja mais d o que o m eu so n h o ...
Esse so rriso será p a ra o u tr o , o u a p r o p ó s ito de o u tro ,
lo u r a d é b il...
Esse o lh a r p a ra m im casual co m o u m c a le n d á rio ...
5 esse agradecer-m e quando a n ão d eixei cair do eléctrico,
u m agrad ecim en to...
P e rfe ita m e n te ...
G osto de lh e ouvir em so n h o o seguim en to que não houve
de conversas que não ch egou a haver,
io H á gen te que n un ca é adulta sem [...]!
C reio m esm o que p ouca gen te chega a ser adulta — p ouca —
e a que chega a ser adulta de facto m orre sem dar p o r nada.

Loura d ébil, figura de inglesa absolutam ente portuguesa,


cada vez que te en con tro le m b r o -m e dos versos que
[esq u eci...
ig E claro q u e n ã o m e im p o r to n a d a co n tig o
n em m e lem b ro de te ter esquecido senão quando te vejo,
mas o en con tra r-te dá som ao dia e ao desleixo,
um a p oesia de superfície,
um a coisa a mais n o a m en os da im proficu idad e da v id a ...
20 Loura d ébil, feliz p orq u e n ão és in teiram ente real,
p orq u e nada que vale a pena ser lem brado é in teiram ente
[real,
e nada que vale a pena ser real vale a pena.

100 p o e s ía v
SÍ, tal v ez no sea ya más que m i sueño...
Esa sonrisa sería para otro, o a propósito de otro,
frágil rubia...
La mirada hacia m í tan casual com o de un calendario...
5 y ese agradecerme no dejarla caer del tranvía,
un agrad ecim ien to-
Perfectamente, sí...
Pero a m í m e gusta oír en sueños la continuación que nunca hubo
de la charla que nunca llegó a haber.
10 Pero es que hay gente que no es adulta sin [...]!
Y creo incluso que m uy poca gente llegará nunca a ser adulta
[-p o c a - ,
y que la que llega a ser adulta m uere de hecho, mas sin darse
[cuenta.

Frágil rubia, del tipo de una inglesa absolutamente portuguesa,


cada vez que te encuentro m e acuerdo de los versos que olvidé...
15 Está claro que no m e preocupo de ti
y no m e acuerdo nunca de haberte olvidado sino cuando te veo,
pero ese encontrarte da sonido al día, al descuido,
poesía de m era superficie,
solamente una cosa más o m enos en lo infructuoso de la vida...
20 Frágil rubia, feliz porque no eres real enteramente,
porque nada que valga la pena recordarse es del todo real,
y que nada que valga la pena ser real vale nunca la pena...

101 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


In s ó n ia

N ão d urm o, n em espero d orm ir.


N em n a m orte espero d orm ir.

E spera-m e um a in só n ia da largura dos astros,


e u m b ocejo in ú til do com p rim en to do m u n d o .

5 N ão d urm o; não posso ler quando acordo de n o ite,


não p osso escrever quando acordo de n oite,
não p osso pensar quando acordo de n o ite —
M eu D eu s, n em posso sonhar quando acordo de noite!

A h, o ó p io de ser outra pessoa qualquer!

10 N ão d u rm o, jazo, cadáver acordado, sen tin d o,


e o m eu sen tim en to é u m p en sam ento vazio.
Passam p o r m im , transtornadas, coisas que m e sucederam
—todas aquélas de que m e arrependo e m e culpo —;
passam p or m im , transtornadas, coisas que m e não sucederam
15 —todas aquelas de que m e arrependo e m e cu lp o —;
passam p o r m im , transtornadas, coisas que não são nada,
e até dessas m e arrependo, m e culpo, e não durm o.

N ão ten h o força para ter energia para acender u m cigarro.


Fito a parede fron teira do quarto com o se fosse o universo,
ao Lá fora há o silên cio dessa coisa toda.

102 POESÍA V
In s o m n io

N o duerm o, n i espero tampoco dormir,


porque yo n i en la m uerte espero dormir.

Me espera un insom nio que posee la anchura de los astros,


y un inútil bostezo largo com o el m undo.

5 N o duermo, y no puedo tampoco leer al despertar de noche,


y no puedo escribir al despertar de noche,
y no puedo pensar al despertar de noche,
¡Dios M ío, si no puedo n i soñar al despertar de noche!

¡Ah, el opio de ser otro cualquiera!

10 N o duermo, sólo yazgo, en tanto que cadáver despierto, sintiendo,


m i sentim iento es un pensar vacío.
Pasan por m í, pero trastornadas, algunas cosas que m e sucedieron
-to d a s aquellas cosas de las cuales m e arrepiento y m e cu lp o-;
pasan por m í, pero trastornadas, algunas cosas que no me
[sucedieron
15 -to d a s aquellas cosas de las cuales m e arrepiento y m e cu lp o -;
pasan por m í, pero trastornadas, cosas que no son nada,
pero hasta de ésas m e arrepiento, y m e culpo y no duermo.

N o tengo la fuerza de tener la energía de encender un pitillo.


Contemplo el frente de la habitación tal com o si fuera el
[universo.
20 Afuera, el silencio de todas las cosas.

103 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


U m g ra n d e silên cio a p a v o ra n te n o u tr a ocasião q u a lq u e r,
n o u tr a ocasião q u a lq u e r em q u e eu p u d esse se n tir.

E sto u escrevendo versos re a lm e n te sim p ático s —


versos a d iz er q u e n ã o t e n t o n a d a q u e dizer,
25 versos a te im a r em d iz e r isso,
versos, versos, versos, versos, versos...
T an to s v e rso s...
E a v erd a d e to d a , e a vida to d a f o ra deles e de m im !

T en h o so n o , não durm o, sin to e não sei em que sentir.


30 S ou um a sensação sem pessoa corresp ond en te,
um a abstracção de au toconsciên cia sem de quê,
salvo o necessário para sentir consciência,
salvo — sei lá salvo o q u ê ...

N ão d u r m o . N ão d u r m o . N ão d u rm o .
35 Q u e g ra n d e so n o em to d a a cabeça e em cim a d o s o lh o s e
[na alma!
Q u e g ra n d e so n o em tu d o excepto n o p o d e r d o rm ir!

O m a d ru g a d a , ta rd a s ta n to ... V e m ...
V em , in u tilm en te,
trazer-m e ou tro dia igual a este, a ser seguido p o r outra
[n oite igual a esta...
40 V em trazer-m e a alegria dessa esperança triste,
p orq u e sem pre és alegre, e sem pre trazes esperança,
segun do a velha literatura das sensações.
V em , traz a esperança, vem , traz a esperança.
O m eu cansaço entra p elo colchão d en tro.
45 D o e m -m e as costas de não estar deitado de lad o.
Se estivesse d e ita d o d e la d o d o ía m - m e as costas d e estar
[deitado de lado.
V em , m a d ru g a d a , chega!

104 POESÍA V
Un enorme silencio aterrador, tal com o sería en cualquier ocasión,
en cualquier ocasión en la que fuera yo capaz de sentirlo.

Pero así escribo versos realm ente simpáticos,


escribo versos que nos van diciendo que no tengo nada que decir,
25 versos obstinándose en decirlo,
versos, versos, versos, versos, versos...
¡Oh, sí tantos versos!...
¡Y toda la verdad, toda la vida al exterior de ellos y de mí!

Tengo sueño y no duerm o, siento mas no sé lo que sentir.


50 Soy solam ente una sensación sin persona que le corresponda,
una abstracción de autoconciencia sin de qué,
salvo lo que perm ite el sentir conciencia,
salvo... mas, salvo qué...

N o duerm o. N o duermo. N o duermo.


55 ¡Qué gran sueño en toda la cabeza y sobre los ojos y en el alma!
¡Oh, qué gran sueño en todo salvo en el hecho de poder dormir!

¡Oh madrugada, tardas tanto... Yen...,


ven, inútilm ente,
a traerme otro día com o éste, seguido de otra noche com o ésta...
+0 ¡Ven para traerme la alegría de esa triste esperanza,
porque siempre tú eres alegre, y porque siempre traes esperanza,
conform e a la vieja literatura de las sensaciones!
¡Ven y trae la esperanza, ven y trae la esperanza!
M i cansancio penetra en el colchón
45 y m e duele la espalda por no estar tumbado de costado.
Si estuviera tumbado de costado m e dolería la espalda por estar
[tumbado de costado.
¡Ven, madrugada, llega!

105 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


Q u e horas são? N ão sei.
N ão ten h o energia para estend er um a m ão para o relógio,
50 não ten h o energia para nada, n em para mais n a d a ...
Só para estes versos, escritos n o dia seguinte.
Sim , escritos n o dia seguin te.
T od os os versos são sem pre escritos n o dia seguinte.

N o ite absoluta, sossego absoluto, lá fora.


55 Paz em toda a Natureza.
A h um anid ad e repousa e esquece as suas amarguras.
Exactam ente.
A h um anid ad e esquece as suas alegrias e amarguras,
costum a d izer-se isto.
60 A h um anid ad e esquece, sim , a h um anid ad e esquece,
mas m esm o acordada a hum anid ad e esquece.
Exactam ente. Mas não durm o.

106 p o e s ía v
Sp

¿Qué hora es? N o sé.


Ya no tengo fuerza de extender la m ano al reloj,
50 ya no tengo fuerza para nada, n i para nada más...
Sólo para estos versos, pero escritos al día siguiente,
sí, al día siguiente.
Porque todos los versos son escritos siempre al día siguiente.

N och e absoluta, calma absoluta, afuera.


55 Y paz com pleta en la Naturaleza.
La hum anidad reposa y se olvida de toda su amargura.
Sí, exactamente.
La hum anidad olvida su alegría con sus amarguras.
Así suele decirse.
60 La hum anidad olvida, la hum anidad olvida,
pero incluso despierta la hum anidad olvida.
Exactam ente. Sí. Pero no duermo.

107 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


O sorriso triste do a n te-d ia que com eçou
platina fria n o engaste de n egro azu lan do-se escuram ente.

POESÍA V
Esa triste sonrisa propia del ante-día que ya com enzó,
platino frío sobre el negro engaste, oscuramente azulándose.

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


A ca so

N o acaso da rúa o acaso da rapariga loira.


Mas n ã o , n ã o é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era ou tro.

P erco -m e subitam ente da visão im ediata,


5 estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
e a outra rapariga passa.

Q u e grande vantagem o recordar intransigentem ente!


A gora ten h o pena de n un ca m ais ter visto a outra rapariga,
e ten h o p en a de afinal n em sequer ter olhado para esta.

io Q u e g ra n d e v antagem tra z e r a alm a v irad a d o avesso!


A o m en os escrevem -se versos.
Escrevem -se versos, passa-se p o r d o id o , e d ep ois p o r g én io ,
[se calhar.
Se calhar, ou até sem calhar,
maravilha das celebridades!

15 Ia eu d izen d o que ao m en os escrevem -se versos...


Mas isto era a respeito de um a rapariga,
de um a rapariga loira,
mas qual delas?
Havia um a que vi há m u ito tem po num a outra cidade,
20 n um a outra espécie de rua;

POESÍA V
Azar

Al azar de la calle el azar de la m uchacha rubia.


Pero no, no es aquélla.

Otra fue, en otra calle, y en otra ciudad, y yo era otro.

Abandono de pronto la visión inmediata,


5 y estoy otra v ez en la otra ciudad y en aquella otra calle;
pasa la otra muchacha.

¡Qué enorm e ventaja recordar con tal exactitud!,


aunque ahora m e apene no haber vuelto a ver nunca a la otra
[muchacha.
Pero luego m e apena no haber n i siquiera mirado hacia ésta.

lo ¡Qué enorm e ventaja, llevar el alma vuelta del revés!


Por lo m enos, así se escriben versos.
Sí, se escriben versos, se pasa por loco, y después por genio, a lo
[mejor.
Sí, a lo mejor, a lo mejor,
¡oh maravilla de las celebridades!

15 Pero iba diciendo que al m enos así se escriben versos...


Pero, claro, esto era sobre una m uchacha,
una m uchacha rubia,
mas, ¿cuál de ellas?
Había una que v i hace m ucho tiem po, pero en otra ciudad,
20 y otra especie de calle;

ni LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


e houve esta que vi há m u ito tem p o n um a outra cidade,
num a outra espécie de rua;
p orq ue todas as recordações são a m esm a recordação,
tudo que fo i é a m esm a m orte,
25 o n tem , h oje, quem sabe se até am anhã?

U m transeunte olha para m im com uma estranheza ocasional.


Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
P ode s e r ... A rapariga loira?
E a m esm a afin a l...
30 T udo é o m esm o afin a l...

Só eu, de qualquer m o d o , não sou o m esm o, e isso é o


[m esm o tam bém afinal.

112 POESÍA V
y hubo ésta que vi hace m ucho tiem po, pero en otra ciudad
y otra especie de calle;
pues todos los recuerdos son el m ism o recuerdo,
todo lo que fue es la m ism a m uerte.
25 Ayer, hoy, mas, ¿quién sabe si mañana?

Un transeúnte m e mira con gesto de extrañeza ocasional.


¿Estaría yo haciendo versos con gestos y muecas?
Podría ser... ¿Y la m uchacha rubia?
Al final es la m ism a...
?0 Sí, porque al final todo es lo m ism o...

Sólo yo no lo soy en cierto m odo, aunque al fin eso sea lo


[m ism o también.

113 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Ah., ab ram -m e outra realidade!
Q u ero ter, com o Blake, a con tiguidad e dos anjos
e ter visões p or alm oço.
Q u ero en con trar as fadas na rua!
5 Q u ero d esim agin ar-m e deste m u n d o feito com garras,
desta civilização feita com pregos.
Q u ero viver, com o um a bandeira à brisa,
sím b olo de qualquer coisa n o alto de um a coisa qualquer!

D ep o is en cerrem -m e on d e queiram ,
io M eu coração verdadeiro con tinu ará velando,
p ano brasonado a esfinges,
n o alto do m astro das visões
aos quatro ventos do M istério.
O N o rte — o que tod os querem
15 o Sul — o que tod os desejam
o Este — de o n d e tud o vem
o O este — aon de tudo finda
— os quatro ventos do m ístico ar da civilização
— os quatro m od os de não ter razão, e de en ten d er o
[m u n d o .

114 POESÍA V
¡Ah, abridme otra realidad!
Quiero tener, com o Blake, la contigüidad de los ángeles,
tener visiones com o único alim ento.
¡Quiero ver las hadas en la calle!
5 ¡Quiero desim aginarm e de este m undo, hecho todo con garras,
de esta civilización hecha con clavos!
¡Quiero vivir igual que una bandera que sacude la brisa,
com o sím bolo ya de cualquier cosa en lo alto tam bién de
[cualquier cosa!

Y, después, ¡encerradme a vuestro gusto!,


10 que m i verdadero corazón continuará velando,
paño blasonado por esfinges,
en el m ástil que alza las visiones
a los cuatro vientos del Misterio.
El norte -q u e es lo que todos q u ieren -,
15 el sur -q u e es eso que desean to d o s-,
el este - s í, de donde todo v ie n e -,
el oeste -d o n d e todo halla su f in - .
Así, a los cuatro vientos del m ístico aire de la civilización,
los cuatro m odos de no tener razón, los cuatro m odos de
[entender el m undo.

115 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


M a r in e t t i, a c a d é m ic o

Lá chegam tod os, lá chegam t o d o s ...


Q u alq uer dia, salvo venda, chego eu tam b ém ...
Se nascem , afinal, tod os para isso ...

N ão ten h o rem éd io senão m orrer antes,


5 não ten h o rem éd io senão escalar o G rande M u ro ...
Se fico cá, p ren d em -m e para ser socia l...

Lá chegam tod os, p orq u e nasceram para Isso,


e só se chega ao Isso para que se n a sc e u ...

Lá chegam to d o s ...
io M arinetti, acad ém ico...

As Musas vingaram -se com focos eléctricos, m eu velho,


p u seram -te p or fim na ribalta da cave velha,
e a tua dinâmica, sempre um bocado italiana, f - f - f - f - f - f - f - f .

116 POESÍA V
M a R IN E T T I, A C A D E M IC O

Hasta ahí llegan todos, hasta ahí llegan todos...


Un día, sin rem edio, llegaré yo también...
Todos, al fin, nacieron para eso...

Yo no tengo rem edio sino m orirm e antes,


no tengo otro rem edio que escalar el Gran M uro...
Si m e quedo m e cogen para hacerm e social...

Hasta ahí llegan todos, para Eso nacieron,


sólo se llega al Eso para el cual se nació...

SÍ, hasta ahí llegan todos...


M arinetti, académico...

Compañero, las Musas se vengaron con sus focos eléctricos.


Te enchufaron por fin las candilejas de su sótano viejo,
y tu dinámica, siempre demasiado italiana, f-f -f - f- f -f -f - f...

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A la luz cruel do estío prematuro
sai com o u m grito do ar da prim avera...
Meus ollios ardem -m e com o se viesse da N o ite ...
M eu cérebro está tonto, com o se eu quisesse justiça...
5 Contra a luz crua todas as formas são silhuetas.

118 POESÍA V
La cruel lu z del estío prematuro
saliendo com o un grito del aire en primavera...
Me arden los ojos com o viniendo de la N o c h e -
M i cerebro está com o atontado, com o si de repente pretendiera
[justicia...
5 Contra esa lu z cruda sólo es silueta toda forma.

119 LOS POEMAS OE ÁLVARO DE CAMPOS 3


M eu coração, m istério batido pelas lonas dos ven tos...,
bandeira a estralejar desfraldadamente ao alto,
árvore misturada, curvada, sacudida pelo vendaval,
agitada com o um a espuma verde pegada a si mesma,

5 Para sempre condenada à raiz de não se poder exprimir!


Q ueria gritar alto com um a voz que dissesse!
Q u eria levar ao m en os a u m outro coração a consciência do
[meu!
Q ueria ser lá fora...
Mas o que S ou? O trapo que fo i bandeira,
io as folhas varridas para o canto que foram ramos,
as palavras socialm ente desentendidas, até p or quem as aprecia,
eu que quis fora a m inha alma inteira,
e ficou só o chapéu do m endigo debaixo do automóvel,
o estragado estragado,
15 e o riso dos rápidos soou para trás na estrada dos felizes...

120 POESÍA V
M i corazón, un m isterio, un m isterio azotado por las lonas del
[viento...,
bandera restallando desatada en lo alto,
m ezclado árbol, curvado, sacudido por el vendaval,
agitado com o una espuma verde que se pega a sí m isma.

5 ¡Condenado por siempre a la raíz de no poder expresarse!


¡Querría gritar alto y con v o z que dijera!
¡Trasladar por lo m enos a otro corazón la conciencia del mío!
¡Querría ser afuera!...
¿Pero qué soy? El trapo que antes fue bandera,
10 y las hojas barridas al rincón que antes fueron ramas,
palabras desentendidas socialm ente, hasta por aquel que las
[aprecia.
Yo, que quise afuera m i alm a entera,
quedó sólo el sombrero del m endigo bajo un autom óvil,
quedó ahí, destrozado,
15 y la risa que viene de los rápidos sonó ahora hacia atrás, en el
[cam ino de los que son felices...

121 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Q u a si

Arrum ar a vida, p ôr prateleiras na vontade e na acção...


Q u ero fazer isto agora, com o sem pre quis, com o m esm o
[resultado;
mas que b om ter o propósito claro, firm e só na clareza, de fazer
[qualquer coisa!

V ou fazer as malas para o D efinitivo,


organizar Alvaro de Campos,
e amanhã ficar na mesma coisa que antes de on tem — um antes
[de on tem que é sem pre...

Sorrio do con h ecim en to antecipado da coisa-n en h u m a que


[serei...
Sorrio ao m enos; sempre é alguma coisa o sorrir.

Produtos rom ânticos, nós to d o s...


E se não fôssem os p rod utos rom ânticos, se calhar não seríam os
[nada.

A ssim se faz a literatura...


C oitadinhos Deuses, assim até se faz a vida!

O s outros também são rom ânticos,


os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,
15 os outros tam bém levam a vida a olhar para as malas a arrumar,

122 POESÍA V
Casi

Para ordenar la vida hay que poner estantes, en la acción y en la


[voluntad...
Quiero hacerlo ahora, siempre quise, siempre con el m ism o
[resultado;
¡pero qué bien tener el propósito claro, tan sólo firm e en la
[claridad, de hacer cualquier cosa!

Voy a hacer las maletas a lo D efinitivo,


5 a organizar a Alvaro de Campos,
y mañana quedarme exactamente com o antes de ayer -a n tes de
[ayer que es siem p re-...

Sonrío por el conocim iento anticipado de la ninguna-cosa que


[seré...
Pero al m enos sonrío, porque sonreír ya es siempre algo.

Sí, productos rom ánticos, nosotros...


10 Pero si no fuéramos productos rom ánticos, puede que, a lo
[mejor, ya no fuéramos nada.

Así se hace la literatura...


¡Pobrecillos Dioses, si así se hace hasta la vida!

Pero es que los otros también son románticos,


no, es que los otros tampoco hacen nada, y son ricos y pobres.
15 N o, también los otros se pasan la vida mirando maletas siempre
[por ordenar.

123 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


os outros também dorm em ao lado dos papéis m eio com postos,
os outros também são eu.

V en dedeira da rua cantando o teu pregão com o u m h in o


[in co n scien te,
rodinha dentada na relojoaria da econom ia política,
20 mãe, presente ou futura, de m ortos n o descascar dos Im périos,
a tua voz ch ega-m e com o um a chamada a parte nenhum a,
[com o o silên cio da v id a ...

O lh o dos papéis que estou pensando em afinal não arrumar


para a janela p or on de não vi a vendedeira que ouvi p or ela,
e o m eu sorriso, que ainda não acabara, acaba n o m eu
[cerébro em m etafísica.

25 D escri de tod os os deuses diante de um a secretária p or


[a rru m a r, .
fitei de frente tod os os d estin os pela distracção de ouvir
[apregoan do-se,
e o m eu cansaço é u m barco velho que apodrece na praia
[deserta,
e com esta im agem de qualquer ou tro poeta fecho a secretária
[e o poem a.

G o m o u m deus, n ão a rru m e i n e m a verdade n e m a vida.

124 POESÍA V
También duerm en los otros junto a unos papeles sólo m edio
[com puestos,
y es que los otros, sí, también son yo.

Tendedora callejera que vienes entonando tu pregón com o un


[him no inconsciente,
ruedecilla dentada en la relojería de la econom ía política,
20 madre, presente o futura, de m uertos al descascarillarse los
[Imperios,
tu voz m e llega igual que una llamada que se dirige a ninguna
[parte, com o el propio silencio de la vida...

M iro, de los papeles que, después de todo, ahora estoy pensando


[no ordenar
a la ventana donde no v i a la vendedora que sí oí que llamaron,
y m i sonrisa, que aún no term inó, term ina en m i cerebro en
[metafísica.

25 D escreído de los dioses todos ante u n escritorio que h ay que


[ordenar,
miré de frente todos los destinos al estar distraído oyendo
[pregones.
Y m i cansancio es un barco viejo que se va pudriendo en la
[playa desierta.
Empleando esta im agen de un poeta cualquiera cierro el poem a y
[hasta el escritorio.

Como un dios, no ordené la verdad n i la vida.

125 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


N ão ter deveres, n em horas certas, n em realid ades...
Ser um a ave hum ana
que passe h aleión ica sobre a intransigência do m u n d o —
ganhando o pão da sua n o ite com o suor da fro n te dos
[outros —
5 faz-tu d o triste
n o coliseu com lágrimas,
e com père antigo, u m p ou co mais cheio que V én us de M ilo,
na in subsistência dos acasos.
E u m p ouco de sol, ao m en os, para os sonhos on d e não vivo.

126 POESÍA V
N o tener deberes ni horas precisas, no tener realidades...
Ser un ave hum ana
que planea, alciónica, en la intransigencia del m undo
-gan an d o el pan de su noche con el sudor de la frente de los
[o tro s-.
5 Triste factótum en el coliseo
derramando lágrimas,
y aun compadre antiguo, un poco más lleno que Venus de Milo,
en la insubsistencia del azar.
Y algo de sol, al m enos, en esos sueños en los que n o vivo.

127 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Ah. a frescura n a face de n ão c u m p rir u m dever!
Faltar é positivam ente estar n o cam po!
Q u e refugio o n ão se p o d e r te r confiança em nós!
R espiro m e lh o r agora que passaram as h o ras dos en co n tro s.
5 Faltei a todos, com u m a deliberação d o desleixo,
fiq u ei esp eran d o a v ontade de i r p ara lá, q u e eu saberia que
[não vinha.
S o u livre, co n tra a sociedade organizada e vestida.
E stou n u , e m e rg u lh o n a água da m in h a im aginação.
É ta rd e p ara eu estar em q u alq u er dos dois p o n to s o n d e estaria
[à m esm a h o ra ,
io d elib erad am en te à m esm a h o r a ...
Está b em , ficarei aqui so n h a n d o versos e s o rrin d o em itálico.
É tão engraçada esta p arte assistente da vida!
A té n ão consigo ac en d e r o cigarro se g u in te ... Se é u m gesto,
fiq u e com os o u tro s, q u e m e esperam , n o d e sen c o n tro qu e é a
[vida.

128 POESÍA V
¡Ah, fre scu ra en la cara al n o cu m p lir u n deber!
¡Faltar es sim plem ente estar en el campo!
¡Qué enorm e descanso, el que y a n o p u ed an co n fiar en nosotros!
Ya respiro m ejor, que y a p asaro n sin rem edio las h o ras de las
[citas.
5 F alté a todas, a todas, con buscado descuido,
y m e quedé esperando las ganas que te n ía de ir a allá, y a sabía
[yo que n o v en d ría.
Soy libre, c o n tra la sociedad o rg an iz ad a y vestida.
SÍ, estoy desnudo, y m e sum erjo en el ag u a de m i im aginación.
Es ta rd e p a ra estarm e y a en cu alq u iera de aquellos dos p u n to s
[donde debí estar a la m ism a h o ra,
10 la m ism a h o ra , deliberadam ente...
E stá bien, m e q uedaré soñando versos, so n rien d o en itálica.
¡Es ta n graciosa esta p arte a u x ilia r de la vida!
N i consigo encender el pitillo siguiente... Si se tra ta de u n gesto,
que se quede con esos que m e esperan en el d esen cu en tro que es
[la vida.

129 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


P oem a de Canção so bre a espera n ça

D á -m e lirios, lirios,
e rosas tam bém .
Mas se n ão ten s lírio s
n e m rosas a d a r-m e ,
5 te m vontade ao m en o s
de m e d a r os lírio s
e ta m b ém as rosas.
B asta-m e a vontade,
q u e tens, se a tiveres,
io de m e d a r os lírio s
e as rosas tam bém ,
e te re i os lírio s —
os m elbores lírio s —
e as m elbores rosas
i5 sem receb er nada.
A n ão ser a p re n d a
da tu a vontade
de m e dares lírios
e rosas tam bém .

130 POESÍA V
Poem a d e c a n c ió n s o b r e l a e s p e r a n z a

D am e lirios, lirios,
y rosas tam bién.
Si n o tienes lirios
n i rosas que d arm e,
te n ganas al m enos
de d arm e los lirios
y tam b ién las rosas.
M e bastan las ganas,
que tienes, si tienes,
de d arm e los lirios
y rosas tam bién.
Y te n d ré los lirios
- lo s lirios m ejores—,
las m ejores rosas
sin rec ib ir n ada,
a no ser la p re n d a
de que tienes ganas
de d a rm e los lirios
y rosas tam bién.

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


II

20 Usas u m vestido
q u e é u m a lem b ran ça
p ara o m e u coração.
U so u -o o u tro ra
alguém q u e m e ficou
25 le m b rad a sem vista.
T u d o n a vida
se faz p o r recordações.
A m a-se p o r m e m ó ria.
C e rta m u lh e r faz-nos te rn u ra
30 p o r u m gesto q u e le m b ra a nossa m ãe.
C e rta rapariga faz-n o s alegria
p o r falar com o a nossa irm ã.
C e rta criança a rra n c a -n o s da desatenção
p o rq u e am ám os u m a m u lh e r p arecida com ela
35 q u a n d o éram os jovens e n ã o lh e falávamos.
T u d o é assim, m ais o u m enos,
o coração an d a aos tram b o lh õ es.
V iver é d ese n c o n tra r-se consigo m esm o.
N o fim de tu d o , se tiver sono, d o rm ire i.
40 Mas gostava de te e n c o n tra r e que falássemos.
E stou certo q u e sim patizaríam os u m co m o o u tro .
Mas se n ão nos e n c o n trarm o s, g u ard arei o m o m e n to
em que p en sei que n o s p o d ería m o s e n c o n tra r.
G u a rd o tu d o ,
45 g u ard o as cartas q u e m e escrevem,
g u ard o até as cartas que n ã o m e escrevem —
S anto D eus, a gente guarda tu d o m esm o q u e n ã o queira,
e o te u vestido azulinho, m e u D eus, se eu te pudesse atra ir
através dele até m im !
50 E n fim , tu d o p o d e se r...
És tão nova — tão jovem , com o d iria o R icardo Reis —
e a m in h a visão de ti explode literariam en te,

132 POESÍA V
Llevas u n vestido
que es u n recuerdo
de m i corazón.
L o llevaba an tañ o
quien se que m e quedó
g rab ad a sin verla.
Todo en la v ida
se hace de recuerdos,
se am a de m em oria.
Así, cierta m u je r nos d a te rn u ra
p o r u n gesto que re c u e rd a a n u e stra m adre.
Y cierta m u c h ac h a nos causa alegría
porqu e nos h ab la com o n u e s tra h erm an a.
C ierta n iñ a nos saca de la d esatención
po rq u e antes am am os a u n a m u je r p arecid a a ella,
cuando éram os jóvenes y n i a u n le hablábam os.
Todo es así, así m ás o m enos,
el co razó n a n d a d ando tum bos,
y v iv ir viene a ser d esencontrarse.
Ya al final de todo, si tu v ie ra sueño, d o rm iré,
pero m e g u sta ría en c o n tra rte y que h abláram os.
E stoy convencido de que sim patizaríam o s u n o y o tro .
Pero, p o r si no nos encontram os, g u a rd a ré ese m o m en to
en que pensé que nos p odríam os encon trar.
Yo lo g u ard o todo,
g u ard o todas las cartas que m e escriben,
y g u ard o incluso las que n o m e escriben
-D io s Santo, g u ard am o s todo, au n q u e n o q u e ra m o s-,
tu vestido azulito, ¡ay, Dios, si p u d ie ra
a tra e rte a través de él h asta mí!
E n fin, q u iz á todo puede ser...
E res ta n fresca - t a n joven, tal com o d iría R icardo Reis -
y m i visión de ti explota ta n literariam en te...

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


e d e ito -m e p ara trás n a p ra ia e rio com o u m elem en tal in fe rio r,
arre, se n tir cansa, e a vida é q u e n te q u an d o o sol está alto.
55 B oa n o ite n a A ustrália!

134 POESÍA V
M e echo atrás en la playa, río cual si fu era elem en tal e in ferio r.
¡Arre, se n tir cansa y la v id a es caliente cu an d o el sol está alto!
55 ¡Buenas noches, A ustralia!

135 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


J á sei: alguém disse a v erd a d e...
A té os cordéis p arecem aflitos,
e n tra neste la r o objectivo.
E cada u m ficou de fora, com o u m p a n o n a corda
S que a chuva apan h a esquecido n a n o ite de janelas fechadas.

136 POESÍA V
L o sé: alguien dijo la p u ra v erdad...
H asta los cordeles se v en afligidos.
E n tra en este h o g ar el objetivo.
Y cada u n o se h a q uedado afuera, com o u n trap o en la cuerda,
5 ése al que la lluvia se e n c u e n tra olvidado en la o scu ra no ch e de
[ventanas cerradas.

137 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N ão se p re o c u p e m com igo: ta m b ém te n h o a verdade.
T e n h o - a a sair da algibeira com o u m p restid ig itad o r.
T am b ém p e rte n ç o ...
N in g u ém co n clu i sem m im , é claro,
e estar triste é te r ideias destas.
O m e u capricho e n tre terraços aristocráticos,
com es açorda em m angas de cam isa n o m e u coração.

138 POESÍA V
N o os preocupéis p o r m í: tengo la v erd ad .
Sí, la tengo saliendo del bolsillo com o si fu era u n m ago.
Y ta m b ié n pertenezco...
N ad ie acaba sin m í, eso está claro,
5 y estar triste es te n e r ideas de éstas.
¡O h m i capricho en aristocráticas terrazas!
¡Sopa de ajo!; en m angas de cam isa la estás com iendo en m i
[corazón.

139 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Ah., n o terrível silêncio do q u arto
o relógio com o seu som de silêncio!
M on o to n ia!
Q u e m m e dará o u tra vez a m in h a infância p e rd id a ?
5 Q u e m m a e n c o n tra rá n ò m eio da estrada de D eus —
p e rd id a definitivam ente, com o u m lenço n o com b o io .

140 POESÍA V
¡Ah, en el te rrib le silencio de m i cu arto ,
el reloj con su sonido de silencio!
¡M onotonía!
¿Q uién p o d rá d evolverm e m i p e rd id a infancia?
5 ¿Q uién p o d ría en c o n trárm e la en el cam ino de Dios,
p a ra siem pre p erd id a, com o u n pañuelo e n el v ag ó n del tren?

141 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


E e u q u e estou b êb ad o de to d a a injustiça d o m u n d o ...
— o dilúvio de D eus e o b eb é lo irin h o b o ia n d o m o rto à to n a
[de água.
E u , em cujo coração a angústia dos o u tro s é raiva,
e a vasta h u m ilhação de existir u m a m o r ta c itu rn o —
5 eu, o líric o que faz frases p o rq u e n ã o p o d e fazer sorte,
eu, o fantasm a d o m e u desejo re d e n to r, névoa fria —
eu n ã o sei se devo fazer poem as, escrever palavras, p o rq u e a
[alm a —
a alm a in ú m e ra dos o u tro s sofre sem pre fo ra d e m im .

M eus versos são a m in h a im p o tên cia,


io O que n ã o consigo, escrevo-o;
e os ritm o s diversos que faço aliviam a m in h a cobardia.

A co stu reira estúpida violada p o r sedução,


o m a rçan o rato preso sem pre pelo rabo,
o com ercian te p ró sp e ro escravo da sua p ro sp erid a d e
15 — n ão distingo, n ão louvo, n ão [...] —
são to d o s bichos h u m a n o s, estu p id am en te sofrentes.

A o se n tir isto tu d o , ao p en sar isto tu d o , ao raivar isto tu d o ,


q u eb ro o m e u coração fatídicam ente com o u m espelho,
e to d a a injustiça do m u n d o é u m m u n d o d e n tro de m im .

20 M eu coração esquife, m e u coração [...[, m e u coração


[cadafalso —.
T odos os crim es se d era m e se p agaram d e n tro de m im .

142 POESÍA V
Y yo que estoy b orrach o y a de to d a la in ju sticia del m u n d o ...
- e l diluvio de D ios y ese bebé ru b ito que v a flo tan d o , m u e rto , a
[flo r de agua.
Yo, en cuyo co ra zó n es ra b ia la angustia qu e sien ten los o tro s
y la vasta h u m illació n del ex istir u n a m o r ta citu rn o ,
yo, el lírico que hace frases p o rq u e n o puede h a c e r suerte,
yo, sí, ese fantasm a de m i deseo red en to r, cual n ieb la fría
- p e r o n o sé si debo h ac er poem as y escrib ir p alabras, p o rq u e el
[alm a,
el alm a in n u m e rab le de los o tros está siem pre su frien d o afu era
[de m í.

M is versos son m i im potencia,


lo que n o log ro , lo escribo;
y los ritm o s diversos que construyo vien en a aliviar m i cobardía.

L a co stu re ra estúpida, v iplada m ed ian te seducción,


el ap re n d iz de ra tó n , que siem pre qued a preso p o r el rab o ,
el com erciante próspero, que se hace esclavo de su p ro sp erid ad ,
yo n o distingo, yo no alabo, n o [...]
todos bichos h u m a n o s , sí estúpidam en te sufridores.

Al se n tir todo esto, al p en sar todo esto, al ra b ia r todo esto,


quiebro m i co razó n com o u n espejo, fatídicam ente,
y to d a la injusticia del m u n d o es u n m u n d o que h ay d e n tro de
[m í.

M i co ra zó n féretro , m i co ra zó n [...], m i co razó n cadalso.


E n m i in te rio r se d ie ro n y p ag a ro n y a todos los crím enes.

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


L acrim ejância in ú til, pieguice h u m a n a dos nervos,
b eb e d eira da servihdade altruísta,
voz com papelotes c h o ra n d o n o deserto de u m q u a rto an d a r
[esq u e rd o ...

POESÍA V
L lo riq u ea r in ú til, ñ o ñ ería h u m a n a de los nervios,
b o rra c h e ra de a ltru ista servilism o.
Y llo ran d o , sí, en el desierto de u n cu a rto piso iz q u ierd a, la voz,
[los papeles...

LOS POEMAS OE ALVARO DE CAMPOS 3


D il u e n t e

A v izin h a d o n ú m e ro catorze ria h o je da p o rta


de o n d e h á u m m ês saiu o e n te rro do filho p e q u e n o .
Ria n a tu ra lm e n te com a alm a n a cara.
Está certo: é a vida.
5 A d o r n ã o d u ra p o rq u e a d o r n ão du ra.
Está certo.
R epito: está certo.
Mas o m e u coração n ão está certo.
O m e u coração ro m ân tico faz enigm as d o egoísm o da vida.

io C á está a lição, ó alm a d a gente!


Se a m ãe esquece o filho que saiu dela e m o rre u ,
q u e m se vai d a r ao trab alh o de se le m b ra r de m im ?
E stou só n o m u n d o , com o u m pião de cair.
Posso m o r re r com o o orvalho seca
15 p o r u m a arte n a tu ra l de natu reza solar.
Posso m o r re r à v ontade da deslem brança,
posso m o r re r com o n in g u é m ...
Mas isto dói,
isto é in d e ce n te p ara q u e m te m c o ra ção ...
20 Isto ...
Sim , isto fica -m e nas goelas com o u m a sanduíche co m lágrim as.
G lo ria ? A m o r? O anseio de u m a alm a h u m a n a ?
A poteose ás avessas...
D ê e m -m e A gua de V idago, q u e eu q u ero esquecer a Vida!

146 POESÍA V
D is o l v e n t e

L a vecina del n ú m e ro catorce se reía h o y ahí, p u esta en la p u e rta


de la cual hace u n m es salió el e n tie rro de su hijo pequeño.
Se reía de m odo n a tu ra l, con el alm a en la cara.
E stá claro: es la vida.
5 E l d o lo r n o d u ra p orque el d o lo r no du ra.
Sí, sin d u d a, está claro.
L o repito: está claro.
M i co razó n , en cam bio, n o lo está.
M i corazón rom ántico hace enigm as sobre el egoísmo de la vida.

10 ¡Esta es la lección, oh alm a del hom bre!


Si la m a d re olvida al h ijo que salió de ella y se m u rió ,
¿quién to m a rá el trab ajo de acordarse de mí?
E stoy solo en el m u n d o , com o u n tro m p o que cae.
Puedo m o rir com o el rocío se seca
15 p o r u n a rte sin d u d a n a tu ra l de n a tu ra le z a solar.
Puedo m o rir de sobra p o r el desrecuerdo.
Sí, m o rir com o nadie...,
pero duele,
y eso es indecente p a ra aquel que tiene corazón...
20 Eso...,
Sí, se m e queda en el gollete com o u n sán d w ich co n lágrim as...
¿Gloria? ¿Amor? ¿El anhelo p ropio de u n alm a h u m an a?
Apoteosis, pero del revés...
¡Dadm e A gua de Vidago, q uiero olvidar la Vida!

147 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


B em sei que tu d o é n atu ra l
m as ain d a te n h o co ra ção ...
B oa n o ite e m e rd a !...
(Estala, m e u coração!).
5 (M erda p ara a h u m a n id a d e in te ira !).

N a casa da m ãe do filho que fo i atro p elad o ,


tu d o ri, tu d o b rin ca .
E h á u m g ran d e ru íd o de b uzinas sem conta a le m b rar.

R eceberam a com pensação:


io b ebé igual a X,
gozam o X n e s te m o m e n to ,
co m em e b eb e m o b eb é m o rto .
Bravo! São gente!
Bravo! São a h um anidade!
15 Bravo: são todos os pais e todas as mães
q u e tê m filhos atropeláveis!
G om o tu d o esquece q u an d o h á d in h e iro .
B ebé igual a X.

C o m isso se f o rr o u a p apel u m a casa.


20 C o m isso se p agou a ú ltim a prestação da m obília.
C o itad ito d o Bebé.
Mas, se n ão tivesse sido m o rto p o r atro p e lam en to , qu e seria
[das contas?
Sim , era am ado.
Sim , era q u erid o ,
25 m as m o rre u .
Paciência, m o rreu !

148 POESÍA V
De sobra sé que todo es n a tu ra l,
m as todavía tengo corazón...
¡Buenas noches y m ierda!
(jC o raz ó n m ío, estalla!)
5 (¡A la m ie rd a la h u m a n id a d en tera!)

E n casa de la m a d re del hijo que h ab ía sido atropellado,


todo ríe, todo juega,
y hasta h a y g ra n ru id o de incontables bocinas, reco rd an d o .

R ecibieron la in dem nización:


10 n iñ o ig ual a X;
g ozan de esa X en este m om ento,
com en y beben ese n iñ o m u e rto .
¡Bravo! ¡Son gente!
¡Bravo! ¡Porque son la h u m an id ad !
15 ¡Bravo: que son todos los p adres y m adres
que tie n en hijos p o r atropellar!
Cóm o se olvida todo si h ay dinero.
N iñ o igual a X.

Con eso fo rra n de papel la casa.


20 Con eso pagan el ú ltim o p lazo de los m uebles.
P obrecito niño.
M as si n o h u b ie ra m u e rto atropellado, ¿qué h u b ie ra sido de las
[cuentas?
Sí, era am ado.
SÍ, era querido,
25 pero se m u rió .
¡M urió, paciencia!

149 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


Q u e p en a , m o rre u !
Mas deixou o com que p agar contas
e isso é q u alq u er coisa.
3° (É claro que fo i u m a desgraça)
m as agora pagam -se as contas.
(E claro q u e aquele p o b re c o rp in h o
fico u tritu ra d o )
m as agora, ao m enos, n ão se deve n a m ercearia.
35 (É p e n a sim , m as h á sem p re u m alivio.)

O b eb é m o rre u , m as o que existe são dez contos.


Isso, dez contos.
P ode fazer-se m u ito (p o b re bebé) com dez contos.
Pagar m uitas dívidas (bebezinho q u erid o )
40 com dez contos.
P ô r m u ita coisa em o rd e m
(lin d o b eb é que m o rreste) com dez contos.
B em se sabe é triste
(dez contos).
45 U m a c ria n cin h a nossa atropelada
(dez contos)
m as a visão da casa rem o d elad a
(dez contos)
de u m la r rec o n stitu íd o
50 (dez contos)
faz esquecer m uitas coisas (com o o choram os!).
D ez contos!
Parece que fo i p o r D eus que os recebeu
(esses dez c o n to s).
55 P o b re b eb é trucidado!
D ez contos.

150 POESÍA V
¡Qué p ena, m urió!
Pero dejó con qué p ag a r las cuentas,
y eso es algo.
JO (E s tá claro que fue u n a desgracia),
pero en cam bio, ah o ra, se p agan las cuentas.
(P arece m u y claro que aquel p obre cuerpo
quedó tr itu ra d o ),
pero ah o ra , al m enos, n o se debe en el u ltra m arin o s.
35 (Sí, es u n a pena, p ero siem pre h a y alg ú n alivio).

M u rió el n iñ o , y lo que existe son diez contos.


Sí, eso, diez contos.
Puede hacerse m ucho, m u c h o (p o b re n iñ o ), co n diez contos.
P agar m uchas deudas (e l querido n iñ o )
40 con diez contos.
Y tam b ién p o n e r m uchas cosas en o rd en
(lin d o n iñ o que has m u e rto ) con diez contos.
B ien se sabe que es triste
(so n diez contos).
45 Un chiquillo n u estro atropellado
(d iez contos, diez contos),
m as la visión de la casa ren o v a d a
(d iez contos, diez contos)
y de u n h o g a r reco n stru id o
5o ( h a n sido diez contos)
hace o lv id ar m uchas cosas (¡cóm o lo lloram os!).
¡Valía diez contos!
Puede que p o r Dios los recibiera
(aquellos diez contos).
55 ¡H an tritu ra d o a u n niño!
SÍ, diez contos.

151 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


D e la m u s iq u e . ..

A h, p o u co a p o u co , e n tre as árvores antigas,


a figura déla em erge, e eu deixo de p e n s a r...

P ouco a p o u co , da angustia de m im vou eu m esm o e m e rg in d o ...

As duas figuras e n c o n tra m -se n a clareira ao p é d o la g o ...

5 ... As duas figuras sonhadas,


p o rq u e isto fo i só u m raio de lu a r e urna tristeza m in h a .
E u m a suposição de o u tra coisa,
e o resultado de existir...

V erdad eiram en te, te r-s e -ia m e n c o n tra d o as duas figuras


10 n a clareira ao p é do lago?
(... Mas se n ão ex istem ?...)

... N a clareira ao pé d o lago.........

152 POESÍA V
D e LA M U SIQ U E ...

Ah, poco a poco, en tre los viejos árboles,


su fig u ra que em erge; dejo de pensar...

Y después, poco a poco, de la angustia de m í v o y yo


[em ergiendo...

Las dos figuras se en c u e n tra n al llegar al claro, ju n to al lago...

5 ... Las dos figuras soñadas,


p o rq u e esto sólo fue u n ray o de lu n a y u n a triste z a m ía,
y u n a suposición a u n de o tra cosa,
y el resultado de existir...

V erdaderam ente, ¿se h a b ría n enco n trad o am bas figuras


10 al llegar al claro, ju n to al lago?
(... Pero, ¿y si n o existen?...)

... Sí, allí, en el claro ju n to al lago..........

153 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


P -H Á

H o je , q u e sin to n a d a a v o n ta d e , e n ão sei q u e d izer,


h o je , q u e te n h o a in te lig ê n c ia sem sa b er o q u e q u ’re r,
q u e ro escrever o m e u e p itá fio : A lvaro d e C a m p o s jaz
a q u i, o re sto a A n to lo g ia grega tr a z ...
5 E a q u e p r o p ó s ito vem este b o c a d o de rim a s?
N a d a ... U m am igo m e u , c h a m a d o (s u p o n h o ) Sim as,
p e r g u n to u - m e n a r u a o q u e é q u e estava a fazer,
e escrevo estes versos assim em vez d e lh o n ã o sa b er d izer.
E r a r o e u rim a r, e é r a r o alg u ém r im a r co m ju íz o ,
io M as às vezes r im a r é p rec iso .
M eu coração faz pá co m o u m saco d e p a p e l socado
co m fo rç a , ch eio de s o p ro , c o n tra a p a re d e d o la d o .
E o tr a n s e u n te , n u m sob ressalto , v o lta -se d e r e p e n te
e e u acabo este p o e m a in d e te rm in a d a m e n te .

154 POESÍA V
¡P a f !

Hoy, que n i tengo ganas n i sé y a qué decir,


hoy, con m i inteligencia sin saber qué pedir,
quiero h a c e r m i epitafio, escribir: aqu í yace
A lvaro de Cam pos, el resto la A ntología griega lo trae...
5 ¿Pero ah o ra , a qué viene este poco de rim as?
A nada... Es que u n am igo, llam ado (c re o ) Simas
m e p reg u n tó en la calle qué es lo que estaba haciendo,
y al no saber decirlo v oy y escribo estos versos.
Es ra ro que yo rim e, que rim e n con juicio,
10 p ero el rim a r a veces nos re su lta preciso.
M i co ra zó n hace p u f com o u n saco aplastado
con fu erza , lleno de aire, en la p are d de al lado.
A sustado, el que pasa se vuelve de repente,
y yo acabo el poem a in definidam ente.

155 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


Esse é u m génio, é o que é novo é [...]
outro é um deus, e as crianças do mundo lhe cospem na cara.
Q u e ria ser u m a p ed ra , n ão aspiro a m ais, q u ero
ser u m a coisa q u e n ão possa te r verg o n h a n e m desespero.
5 F ui re i n o s m eus sonhos, m as n e m sonhos houve, além de m im ,
e a ú ltim a palavra que se escreve n o s livros é a palavra Fim .

156 POESÍA V
Ese es u n genio, es lo que es nuevo, es [...]
j el otro es un d io s,j los hijos del mundo le escupen el rostro.
Yo q u e rría ser piedra, n o aspiro a m ás, q u erría
ser algo que n i v erg ü e n za n i desesperación sentiría.
5 H e sido re y en sueños, p ero n i sueños h u b o m ás allá de m í,
y la ú ltim a p alab ra que se escribe en los libros es la p alab ra F in.

157 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N u n c a , p o r m ais q u e viaje, p o r m ais q u e co n h e ç a
o sair d e u m lu g a r, o ch e g ar a u m lu g a r, c o n h e c id o o u
[d esc o n h ec id o ,
p e rc o , ao p a r tir , ao ch eg ar, e n a lin h a m ó b il q u e os u n e ,
a sensação de a rre p io , o m e d o d o n o v o , a n áu sea —
5 aq u e la n áu sea q u e é o s e n tim e n to q u e sabe q u e o c o rp o te m a
[alm a,
tr in ta dias de viagem , três dias de viagem , três h o ras de viagem —
S e m p re a o p ressão se in f iltra n o fu n d o d o m e u co ração .

158 POESÍA V
N u n ca , p o r m ás que viaje, n i p o r m ás que conozca
el salir de u n lu g a r y el llegar luego a o tro , o conocido o
[desconocido,
pierd o, al p a rtir, al llegar, y en la lín ea m ó v il que u n e am bos,
u n a sensación de escalofrío, m iedo a lo nuevo, náu sea
5 -a q u e lla náusea que es el sentim iento que sabe b ien que el cuerpo
[tiene a lm a - .
T re in ta días de viaje, tres días de viaje, tres h o ras de viaje
y la m ism a opresión que se in tro d u c e en el fondo de m i co razó n .

159 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Passo, n a n o ite da ru a su b u rb an a,
regresso da co n ferên cia co m p e rito s com o eu.
Regresso só, e p o eta agora, sem p erícia n e m engen h aria,
h u m a n o até ao som dos m eus sapatos solitários n o p rin c íp io
[da n o ite
5 o n d e ao longe a p o rta da te n d a ta rd ia se en c o b re co m o ú ltim o
[taipal.
A h, o so m do ja n ta r nas casas felizes!
Passo, e os m eus ouvidos vêem p a ra d e n tro das casas.
O m e u exílio n a tu ra l en te rn e c e -se n o escuro
da r u a m e u lar, da ru a m e u ser, da ru a m e u sangue.
io S er a criança ec o n o m ic am en te garantida,
com a cam a fofa e o so n o da in fân cia e a criada!
O m e u coração sem privilégio!
M in h a sensibilidade da exclusão!
M in h a m ágoa extrem a de ser eu!

15 Q u e m fez le n h a d e to d o o b erço da m in h a in fân c ia?


Q u e m fez trap o s de lim p a r o chão dos m eus lençóis de
[m e n in o ?
Q u e m expôs p o r cim a das cascas e do cotão das casas
n os caixotes de lixo d o m u n d o
as ren d a s daquela cam isa que usei p ara m e b aptizarem ?
20 Q u e m m e v en d eu ao D estin o ?
Q u e m m e tro c o u p o r m im ?

V enho de falar p recisam ente em circunstâncias positivas.

160 POESÍA V
Cruzo la noche de la calle suburbana,
regresando de una conferencia con algunos expertos com o yo.
Vuelvo solo y poeta, sin pericia ya n i ingeniería,
hum ano basta el sonido de m is solitarios zapatos, sonando en el
[principio de la noche
donde, lejos, la puerta de la tienda tardía todavía se cubre con
[la últim a reja.
¡Ah, ese sonido de la cena en las casas felices!
Paso, y m is oídos se deslizan dentro de las casas;
m i natural exilio se enternece en lo oscuro
de la calle m i bogar, de la calle m i ser, de la calle m i sangre.
¡Ser niño, garantizado económ icam ente,
aún con la blanda cama y el sueño de la infancia y la criada!
¡Oh m i corazón sin privilegios!
¡Mi sensibilidad en la exclusión!
¡Mi extrem ada pena de ser yo!

¿Quién h izo leña con la cuna de m i infancia?


¿Quién h izo trapos de lim piar el suelo desgarrando m is sábanas
[de niño?
¿Quién expuso, encim a de los restos y de las pelusas de las
[casas;
dentro de los cubos de basura del m undo,
los encajes que adornaban los faldones que llevé a que me
[bautizaran?
¿Quién m e vendió al Destino?
¿Quién m e cambió por mí?

Vengo ahora de hablar precisam ente, y en circunstancias


[positivas,

LOS POEMAS OE ALVARO DE CAMPOS 3


Pus pontos concretos, com o u m num erador autom ático.
Tive razão com o uma balança.
25 Disse com o sabia.

Agora, a cam inbo do carro eléctrico do térm ino de on de se


[volta à cidade,
passo, bandido, m etafísico, sob a luz dos candeeiros afastados
e na sombra entre os dois candeeiros afastados ten ho vontade
[de não seguir.
Mas apanharei o eléctrico.
30 Soará duas vezes a campainha lá do fim invisível da correia
[puxada
pelas mãos de dedos grossos do condutor por barbear.
Apanharei o eléctrico.
A i de m im ; apesar de tudo sempre apanhei o eléctrico —
sempre, sempre, sem pre...
35 V oltei sempre à cidade,
voltei sempre à cidade, depois de especulações e desvios,
voltei sempre com vontade de jantar.
Mas nunca jantei o jantar que soa atrás de persianas
das casas felizes dos arredores por on de se volta ao eléctrico,
40 das casas conjugais da norm alidade da vida!
Pago o bilhete através dos interstícios,
e o condutor passa por m im com o se eu fosse a Críticada
[RazãoPura...
Paguei o hilhete. C um pri o dever. Sou vulgar.
E tudo isto são coisas que n em o suicídio cura.

162 POESÍA V
puse puntos concretos, tal com o si fuera un numerador automático.
Tuve razón, igual que una balanza.
Hablé com o sabía.

Ahora, yendo al tranvía de la últim a parada, desde donde se


[vuelve a la ciudad,
v oy pasando, bandido y m etafísico, a la luz de farolas separadas,
y en la sombra, entre dos de esas farolas, lo que m e apetece es no
[seguir.
Mas cogeré el tranvía.
Sonará por dos veces la campana, al final invisible de la cinta de
[que vienen tirando
esas dos manos de tan gruesos dedos del conductor aún por afeitar.
Sí, cogeré el tranvía.
¡SÍ, ay de mí; que a pesar de todo siempre cogí el tranvía!,
-siem p re, siempre, siem p re-.
Siempre regresé a la ciudad,
siempre regresé a la ciudad, tras especulaciones y desvíos,
siempre volví con ganas de, cenar.
Pero nunca cené de aquella cena que suena por detrás de las
[persianas
de las casas felices de los alrededores por donde se vuelve hasta el
[tranvía,
¡persianas de las casas conyugales de la vida normal!
Pago el billete a través de la rendija,
y el conductor pasa por m í tal com o si yo fuera la Críticadela
[RazónPura...
He pagado el billete. Ya cum plí m i deber. SÍ, soy vulgar.
Todas estas cosas no se curan ni con suicidarse.

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


H oje que tudo m e falta, com o se fosse o chão,
que m e conheço atrozmente, que toda a literatura
que uso de m im para m im , para ter consciência de m im ,
caiu, com o o papel que em brulhou um rebuçado m au —
5 hoje tenho uma alma parecida com a m orte dos nervos —,
necrose da alma,
apodrecim ento dos sentidos.
Tudo quanto tenho feito, co n h eço -o claramente: é nada.
Tudo quanto sonhei, podia tê -lo sonhado o m oço de fretes,
io Tudo quanto amei, se hoje m e lem bro que o am ei, m orreu há
[m uito.
O Paraíso Perdido da m inha infância burguesa,
m eu É den agasalhando o chá nocturno,
m inha colcha lim pa de m enino!
O D estino acabou-m e com o a u m manuscrito interrom pido.
15 N em altos n em baixos — consciência de n em sequer a ter ...
Papelotes da velha solteira — toda a m inha vida.
T enho um a náusea do estômago nos pulm ões.
G usta-m e a respirar para sustentar a alma.
T enho um a quantidade de doenças tristes nas juntas da vontade.
20 M inha grinalda de poeta — eras de flores de papel,
a tua im ortalidade presumida era o não teres vida.
M inha coroa de louros de poeta — sonhada petrarquicam ente,
sem capotinho mas com fama,
sem dados mas com D eus —,
25 tabuleta de v in h o falsificado n a ú ltim a ta b ern a da esquina!

1Ó4 POESÍA V
H oy que todo m e falta, cual si faltara el suelo,
h oy que atrozm ente m e conozco, y que toda la literatura
que uso de m í para m í, para así conseguir la conciencia de m í,
se cayó, com o el papel donde envolvían un caramelo m alo,
5 h oy poseo un alma parecida a la com pleta m uerte de los nervios,
la necrosis del alma,
podredumbre de todos los sentidos.
Todo cuanto he hecho, lo reconozco claramente, es nada.
Todo cuanto soñé, pudo soñarlo el estibador.
10 Todo cuanto amé, si es que h oy m e acuerdo aún de que lo amé,
[está m uerto hace m ucho.
¡Oh Paraíso Perdido de m i infancia burguesa,
m i Edén agasajando el té nocturno,
m i colcha lim pia de niño!
M i Destino de pronto se acabó como un manuscrito interrumpido,
15 ya ni altos ni bajos - n i conciencia aun de no ten erla...-.
Papelotes de vieja solterona, sí, ya toda m i vida.
Tengo una náusea del estómago que m e sube al pulm ón.
M e cuesta respirar para poder sustentar el alma.
Tengo u n buen núm ero de dolencias tristes entre las juntas de la
[voluntad.
20 ¡Oh, tú, m i guirnalda de poeta!, estabas hecha de flores de papel,
y tu supuesta inm ortalidad era no tener vida.
M i corona de laurel com o poeta - m i corona, soñada
[petrárquicamente,
sin capa por detrás, pero con fama,
y sin dados, sí, pero con D ios—, ^
25 ¡etiqueta de un vino que han aguado en la últim a taberna de la
[esquina!

165 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Há tantos deuses!
São com o os livros — não se p ode ler tudo, nunca se sabe nada.
Feliz quem conhece só u m deus, e o guarda em segredo.
T enho todos os dias crenças diferentes —
5 às vezes n o m esm o dia tenho crenças diferentes —
e gostava de ser a criança que m e atravessa agora
a visão da janela abaixo —
com end o u m b olo barato (ela é pobre) sem causa aparente nem
[final,
animal inutilm ente erguido acima dos outros vertebrados
io e cantando, entre os dentes, um a cantiga obscena de revista...
Sim , há m uitos deuses...
Mas dava eu tudo ao deus que m e levasse aquela criança de aqui
[pra fora...

166 POESÍA V
¡Hay tantos dioses!
Son com o los libros - n o se puede leer todo, nunca se sabe
[n a d a -.
Afortunado el que conoce sólo un dios y lo guarda en secreto.
Tengo todos los días diferentes creencias
5 -in c lu so a veces en el m ism o día tengo varias creencias
[diferentes—,
y m e gustaría ser la niña que se m e atraviesa
cruzando de repente la visión de la ventana inferior,
com iendo un bollo barato (es que ella es pobre), y sin causa
[aparente n i final,
animal erguido inútilm ente encim a de los otros vertebrados
10 y cantando, entre dientes, una obscena copla de revista...
SÍ, hay m uchos dioses...
Pero yo le daría todo al dios que viniera a llevarse a aquella
[niña...

167 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


G esário, que con seguiu
ver claro, ver sim ples, ver p uro,
ver o m u n d o nas suas coisas,
ser u m olhar com um a alma p or trás, e que vida tão breve!
5 Criança alfacinha do U niverso,
b en dita sejas com tudo quanto está à vista!
E n feito, n o m eu coração, a Praça da Figueira para ti
e não há recanto que não veja p o r ti, n o s recantos de seus
[recantos.

168 POESÍA V
Cesário, que logró
ver claro, ver simple, ver puro,
ver el m undo en sus cosas,
ser una mirada con un alma detrás, ¡y qué vida tan breve!,
5 hijo lisboeta de todo el Universo,
¡bendito seas con todo cuanto está a la vista!
He engalanado, en m i corazón, la Plaza da Figueira para ti
y no hay rincón que no vea a través tuyo, en cualquier rincón
[de sus rincones.

169 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


C arry N a t io n

N ão um a santa estética, com o Santa Teresa,


não um a santa dos dogmas,
não um a santa.
Mas urna santa hum ana, maluca e divina,
5 materna, agressivamente materna,
odiosa, com o todas as santas,
persistente, com a loucura da santidade.
O d eio -a e estou de cabeça descoberta
e d o u -lh e vivas sem saber porqué!
10 Estupor am ericano aureolado de estrelas!
Bruxa de boa in tenção...
N ão lh e desfolhem rosas na campa,
mas louros, os louros da glória,
façam os-lhe a glória e o insulto!
15 B ebam os à saúde da sua im o rta lid a d e
esse v in h o fo rte de bêbados.

Eu, que nunca fiz nada n o m undo,


eu, que nunca soube querer n em saber,
eu, que fui sempre a ausência da m inha vontade,
20 eu te saúdo, m ãezinha maluca, sistema sentimental!
Exemplar da aspiração humana!
Maravilha do b o m gesto, dum a grande vontade!

M inha Joana de Arc sem pátria!


M inha Santa Teresa humana!
25 Estúpida com o todas as santas

I 70 POESÍA V
Carry N a t io n

N o una santa estética, com o Santa Teresa,


no una santa de dogmas,
no una santa.
Sino una santa hum ana, y loca y divina,
5 m aterna, sí, materna agresivamente,
y además odiosa, com o todas las santas,
siempre con su locura de santidad.
¡La odio y m e descubro la cabeza ante ella,
y le doy vivas sin saber por qué!
10 ¡Estupor am ericano aureolado de estrellas!
¡Bruja dotada de buenas intenciones!...
¡N o deshojéis rosas en su lápida,
sino laureles, laureles en su gloria,
y ensalcémosla m ientras la insultamos!
15 ¡Bebamos a la salud de su inm ortalidad
ese vino fuerte de borrachos!

Yo, que nunca hice nada en este m undo,


yo, que'nunca supe querer n i saber,
yo, que siempre fui ausencia de m i voluntad,
20 ¡yo te saludo, madrecita loca, sentim ental sistema!
¡Gran ejemplar de aspiración humana!
¡TÚ, la maravilla del buen gesto, con tu gran voluntad!

¡Juana de Arco sin patria!


¡Santa Teresa humana!
25 ¡Estúpida com o son todas las santas

171 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


e m ilitante com o a alma que quer vencer o m undo!
E n o vinho que odiaste que deves ser saudada!
È com brindes gritados chorando que te canonizaremos!

Saudação de inim igo a inim igo!


Eu, tantas vezes caindo de bêbado só por não querer sentir,
eu, embriagado tantas vezes, p or não ter alma bastante,
eu, o teu contrário,
arranco a espada aos anjos, aos anjos que guardam o Eden,
e ergo-a em êxtase, e grito ao teu n om e.

POESÍA V
y m ilitante tal com o es el alma en su deseo de vencer al mundo!
¡En el vin o que odiaste debes ser saludada!
¡Así brindando a gritos y llorando te canonizarem os!

¡Saludo del enem igo al enemigo!


30 Yo, que tantas veces he caído borracho solamente por no
[querer sentir,
yo, que m e he embriagado tantas veces, por no tener suficiente
[alma,
sí, yo, tu contrario,
les arranco a los ángeles la espada, a los ángeles que guardan
[el Edén,
y m e alzo en éxtasis a gritar tu nombre.

173 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Chega através do dia de névoa alguma coisa do esquecim ento.
Vem brandam ente com a tarde a oportunidade da perda.
A dorm eço sem dorm ir, ao relento da vida.

É in ú til d izer-m e que as acções têm consequências.


5 E in ú til eu saber que as acções usam consequências.
Ê in útil tudo, é in útil tudo, é in útil tudo.

Através do dia de névoa não chega coisa nenhum a.

T inha agora vontade


de ir esperar ao com boio da Europa o viajante anunciado,
10 de ir ao cais ver entrar o navio e ter pena de tudo.

N ão vem com a tarde oportunidade nenhum a.

174 POESÍA V
Entre el día de niebla llega algo de olvido.
Viene blandamente con la tarde la ocasión de la pérdida.
Me adorm ezco después sin dormir, al relente que empuja la
[vida.

Es inútil decirm e que las acciones tienen consecuencias.


5 Es inútil que sepa que las acciones llevan consecuencias.
Es inútil todo, es inútil todo, es in útil todo.

Entre el día de niebla nada llega.

Ahora tendría ganas


de acudir a esperar al tren de Europa el viajero anunciado,
10 de ir al m uelle a ver entrar la nave y tener m ucha pena.

Con la tarde no viene ninguna oportunidad que aprovechar.

175 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


Pa r a g e m . Z o n a

Tragam -m e esquecim ento em travessas!


Q uero com er o abandono da vida!
Q uero perder o hábito de gritar para dentro.
Arre, já basta! N ão sei o quê, mas já basta...
Então viver amanhã, h e in ? ... E o que se faz de hoje?
Viver amanhã p or ter adiado hoje?
C om prei por acaso u m bilhete para esse espectáculo?
Q u e gargalhadas daria quem pudesse rir!
E agora aparece o eléctrico — o de que eu estou à espera —
antes fosse ou tro... Ter de subir já!
N in guém m e obriga, mas deixá-lo passar, porquê?
Só deixando passar todos, e a m im m esm o, e ávid a...
Q u e náusea n o estômago real que é a alma consciente!
Q u e son o b om o ser outra pessoa qualquer...
Já com preendo porque é que as crianças querem ser
[guarda-freios...
N ão, não com preendo nada...
Tarde de azul e ouro, alegria das gentes, olhos claros da vida...

POESÍA V
Pa r a d a . Z ona

¡Traedme olvido en bandejas!


¡Quiero com er el abandono de la vida!
Quiero perder el hábito de gritar hacia dentro.
¡Arre, sí, ya basta! N o sé qué, pero ¡basta!...
Y después, vivir mañana, ¿eh?... ¿Pero qué se hace de hoy?
¿Cómo, vivir mañana por tener nuestro h oy aplazado?
¿Compré acaso un billete para ese espectáculo?
¡Qué carcajadas daría quien pudiera reír!
Y ahora viene el tranvía - e l que estoy esperando-
mejor que fuera otro... ¡Tener que subir ya!
Aunque nadie m e obliga, ¿por qué dejar que pase?
Solo si los dejara pasar todos, a m í m ism o, a la vida...
¡Qué náusea en el estómago real que es el alma consciente!
¡Qué buen sueño el de ser otro hombre cualquiera!...
Ya com prendo por qué todos los niños quieren ser guardagujas.
Mas no, no entiendo nada...
Tarde de azul y oro, la alegría en la gente, de ojos claros la vida.

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A n iv e r s á r io

N o tem po em que festejavam o dia dos m eus anos,


eu era feliz e n ingu ém estava m orto.
N a casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
e a alegria de todos, e a m inha, estava certa com um a religião
[qualquer.

5 N o tem po em que festejavam o dia dos meus anos,


eu tinha a grande saúde de não perceher coisa nenhum a,
de ser inteligente para entre a família,
e de não ter as esperanças que os outros tinham p or m im .
Q u and o vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
io Q uando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim , o que fui de suposto a m im m esm o,


o que fui de coração e parentesco,
o que fui de serões de m eia-província,
o que fu i de am arem -m e e eu ser m en in o,
15 o que fu i — ai, m eu D eu s!, o que só hoje sei que fu i...
A que distância!...
(N em o e c o ...)
O tem po em que festejavam o dia dos m eus anos!

178 POESÍA V
A n iv e r s a r io

En esa época en que celebraban aún el día de m i cum pleaños,


era feliz y nadie estaba m uerto.
Ahí, en la antigua casa, hasta el hecho de que y o cumpliera
[años era una tradición de hacía siglos,
y la alegría de todos y la m ía eran tan firm es com o una religión
[cualquiera.

5 En esa época en que celebraban aún el día de m i cum pleaños,


tenía la salud fuerte y robusta de no entender aún ninguna
[cosa,
también de ser m uy listo, pero allí, en familia,
y de no abrigar las esperanzas que los otros sin duda abrigaban
[por m í.
Cuando llegué a abrigar m is esperanzas, no sabía ya cóm o
[abrigarlas.
10 Cuando por fin llegué a m irar la vida, perdí todo sentido de la
[vida.

Lo que fui para m í supuestamente,


lo que fui de corazón y parentesco,
lo que fui de veladas provincianas,
lo que fui de ser amado y niño,
1$ lo que fu i —¡ay, D ios m ío!, lo que h oy pero tan sólo hoy sé yo
[que fui...
¡A qué enorm e distancia!...
(Ya n i el eco...)
¡Y celebraban aún m i cumpleaños!

179 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


O que eu sou h oje é com o a h um idad e n o corredor do fim
[da casa,
20 p on d o grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que m e amaram trem e através
[das m inhas lágrimas),
o que eu sou hoje é terem vendido a casa,
é terem m orrido todos,
é estar eu sobrevivente a m im -m esm o com o um fósforo fr ió ...

25 N o tem po em que festejavam o dia dos m eus a n o s...


Q u e m eu am or, com o um a pessoa, esse tem po!
D esejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
p or um a viagem metafísica e carnal,
com um a dualidade de eu para m im ...
30 C om er o passado com o pão de fom e, sem tem po de m anteiga
[nos dentes!

Vejo tud o outra vez com urna n itidez que m e cega para o que
[ h á a q u i...
A m esa posta com mais lugares, com m elhores desenhos na
[louça, com mais copos,
o aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na
[som bra debaixo do alçado —,
as tías velhas, os prim os diferentes, e tudo era p or m inha causa,
35 n o tem po em que festejavam o dia dos m eus a n o s...

Pára, m e u coração!
N ão penses! D eixa o p en sar n a cabeça!
O m e u D eus, m e u D eus, m e u Deus!
H o je já n ão faço anos.
40 D uro.
S om am -se-m e dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.

180 POESÍA V
Lo que ahora soy es com o la hum edad en el pasillo, al fondo de
[la casa,
20 germ inando ahí en las paredes...
Lo que soy ( y la casa de los que m e amaron tiem bla entre mis
[lágrim as),
lo que soy es que hayan vendido la casa,
que hayan m uerto todos,
que sea u n superviviente de m í m ism o, una fría cerilla...

25 En esa época en que celebraban aún el día de m i cumpleaños...


M i amor, com o una persona, es ese tiempo.
Deseo físico del alma por encontrarse otra v ez allí,
tras un viaje carnal y m etafísico,
con una dualidad de yo a m í...
30 ¡Y com erm e el pasado com o el pan del hambre, sin tiem po de
[mantequilla entre los dientes!

Lo veo otra vez todo con nitidez que ciega respecto a todo eso
[que h ay aquí...
La mesa puesta ahí con más asientos, con mejores dibujos en la
[loza, y también con más vasos,
el aparador con m uchas cosas —dulces, frutas, y el resto en la
[sombra, debajo del a ltillo -,
las viejas tías, los distintos prim os, todo en honor m ío,
35 en esa época en que celebraban aún el día de m i cumpleaños...

¡Corazón, deténte!
¡No pienses! ¡Deja el pensar en la cabeza!
¡Oh Dios m ío, Dios mío!
H oy ya no cumplo años.
40 Duro.
Se sum an días.
Y seré viejo al fin cuando lo sea.
N ada, nada más.

181 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Raiva de n ão te r trazido o passado ro u b a d o n a algibeira!

45 O tem po em que festejavam o dia dos m eus anos!...

182 POESÍA V
¡Qué rabia no haber robado m i pasado y llevarlo oculto en el
[bolsillo!...

45 ¡Celebraban aún m i cumpleaños!...

183 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Estou cansado da inteligência.
Pensar faz mal às em oções.
U m a grande reacção aparece.
C h o ra -se de rep e n te, e todas as tias m o rtas fazem chá de novo
5 n a casa antiga da q u in ta velha.
Pára, m eu coração!
Sossega, m in h a esperança factícia!
Q u em m e dera nunca ter sido senão o m en in o que fu i...
M eu son o b om porque tinha sim plesm ente son o e não ideias
[que esquecer!
io M eu h o riz o n te de q u in ta l e praia!
M eu fim antes do princípio!

Estou cansado da inteligência.


Se ao m enos com ela se percebesse qualquer coisa!
Mas só percebo u m cansaço n o fundo, com o baixam na taça
15 aquelas coisas que o vinho tem e am odorram o vinho.

184 POESÍA V
Estoy cansado de la inteligencia.
Pensar es m alo para las em ociones.
Se produce una intensa reacción.
De repente se llora, y todas las tías muertas hacen el té de
[nuevo.
5 La antigua casa de la vieja quinta...
¡Corazón, detente!
¡Cálmate, esperanza falsa!
¡Ojalá que nunca hubiera sido sino el niño que fui,...
con m i sueño bueno, porque tenía sim plem ente sueño pero no
[ideas que olvidar!
10 ¡Mi horizonte de jardín y playa!
¡Mi final antes del principio!

Estoy cansado de la inteligencia.


¡Pues si con ella se entendiera algo...!
Pero yo sólo entiendo un cansancio de fondo, cóm o van
[descendiendo a través de la copa
15 aquellas cosas que son propias del vino y que lo van m uy
[pronto a adormecer.

185 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


D ia g n ó s t ic o

Pouca verdade! Pouca verdade!


T enho razão enquanto não penso.
Pouca verdade...
Devagar...
5 Pode alguém chegar à vidraça...
Nada de em oções!...
Cautela!
Sim , se m o dessem aceitaria...
N ão precisas insistir, aceitaria...
io Para quê?
Q u e pergunta! A ceitaria...

186 POESÍA V
D ia g n o s t ic o

¡Poca, poca verdad!


Yo tengo razón m ientras no pienso.
Poca verdad...,
despacio...
5 Puede alguno acercarse hasta el cristal...
¡Sin em oción!...
¡Cautela!
Si m e lo dieran, sí, aceptaría...
N o has de insistir, aceptaría...
10 ¿Para qué?
¡Qué pregunta! Aceptaría...

187 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


B ic a r b o n a t o d e soda

Súbita, um a angústia...
A h, que angústia, que náusea do estômago à alma!
Q u e amigos que tenho tido!
Q u e vazias de tudo as cidades que tenho percorrido!
5 Q n e esterco metafísico os m eus propósitos todos!

U m a angústia,
um a desconsolação da epiderm e da alma,
u m deixar cair os braços ao so l-p ô r do esforço...
R enego,
io R enego tudo.
R enego mais do que tudo.
R enego a gládio e fim todos os Deuses e a negação deles.

Mas o que é que m e falta, que o sinto faltar-m e n o estômago e


[na circulação do sangue?
Q u e atordoam ento vazio m e esfalfa n o cérebro?

15 Devo tom ar qualquer coisa ou suicidar-m e?


Não: vou existir. Arre! V ou existir.
E -x is-tir ...
E —xis —tir ...

M eu Deus! Q u e budism o m e esfria n o sangue!


20 Renunciar de portas todas abertas,
perante a paisagem todas as paisagens,

188 POESÍA V
B ic a r b o n a t o d e so d a

Súbita, una angustia...


¡Ah, qué angustia, qué náusea del estómago al alma!
Y ¡qué amigos los que yo he tenido!
¡Qué vacias de todo las ciudades que he recorrido!
5 Y ¡qué estiércol, que estiércol m etafísico la totalidad de mis
[propósitos!

Ahora, una angustia,


una com o sentir un desconsuelo en la epidermis del alma,
un dejar caer los brazos, así, ante la puesta de sol del esfuerzo...
Reniego.
10 De todo.
Y aún más que de todo. -
SÍ, a gladio y fin, reniego los Dioses y su negación.

¿Pero qué es lo que falta, que lo siento faltarme en el estómago e


[incluso faltarme en la circulación de la sangre?
¿Qué vacuo aturdim iento m e abotarga el cerebro?

15 ¿Debo tom arm e algo o suicidarme?


N o: yo v oy a existir. ¡Arre! Yoy a existir.
E -xis-tir...
E - xis - tir...

¡Dios mío! ¡Qué budismo que m e enfría la sangre!


20 Renunciar, sí, teniendo las puertas abiertas
y ante el paisaje los paisajes todos,

189 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


sem esperança, em liberdade,
sem nexo,
acidente da inconsequência da superfície das coisas,
25 m o n ó to n o mas dorm inhoco,
e que brisas quando as portas e as janelas estão todas abertas!
Q u e verão agradável dos outros!

D êe m -m e de beber, que não tenho sede!

I 90 POESÍA V
sin esperanza, en libertad,
sin nexo,
m ero accidente de la inconsecuencia de la superficie de las cosas,
m onótono sin duda, y dorm ilón.
¡Pero qué brisas cuando puertas y ventanas están todas abiertas!
¡Qué agradable verano de los otros!

¡Dadme de beber, no tengo sed!

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


A rapariga inglesa, tão lo u ra, tão jovem , tão b o a
q u e q u e ria casar com igo...
Q u e p e n a eu n ão te r casado co m e la ...
T eria sido feliz
5 m as com o é q u e eu sei se te ria sido feliz?
G o m o é que eu sei q u alq u er coisa a respeito do q u e te ria sido
d o q u e te ria sido, q u e é o q u e n u n c a fo i?

H o je a rre p e n d o -m e de n ã o te r casado com ela,


m as an tes q u e até a h ip ó te se de m e p o d e r a rr e p e n d e r d e te r
[casado co m ela.
io E a s s im é tu d o a r r e p e n d i m e n to ,
e o a rre p e n d im e n to é p u ra abstracção.
D á u m certo d esconforto
m as ta m b ém dá u m certo s o n b o ...

Sim , aquela rapariga fo i u m a o p o rtu n id a d e da m in b a alma.


15 H o je o a rre p e n d im e n to é q u e é afastado da m in h a alm a.
S anto Deus! que com plicação p o r n ão te r casado co m u m a
[inglesa q u e já m e deve te r esq u ecid o !...
Mas se n ão m e esqueceu?
Se (p o rq u e h á disso) m e le m b ra ain d a e é constan te
(escuso de m e achar feio, p o rq u e os feios ta m b ém são am ados
20 e às vezes p o r m ulheres!).
Se n ão m e esqueceu, a in d a m e lem bra.
Isto, realm ente, é já o u tra espécie de arre p e n d im e n to .
E fazer so fre r alguém n ão te m esquecim ento.

206 POESÍA V
A quella chica inglesa, sí, ta n ru b ia , ta n jo v en , ta n b u en a
que se qu ería casar conm igo...
Q ué p en a de n o h ab erm e casado con ella...
H u b iera sido feliz.
5 Pero yo, ¿cómo sé si h u b ie ra sido feliz?
¿Cómo sé cu alq u ier cosa con respecto a lo que h u b ie ra sido,
a lo que h u b ie ra sido, que es lo que n u n c a fue?

Pero h o y m e arrep ie n to de n o h ab erm e casado co n ella,


antes a ú n que h asta de la hipótesis de que m e p u d ie ra a rre p e n tir
[por el hecho de h ab erm e casado con ella.
10 Y así todo es arrep e n tim ien to ,
y el a rrep e n tim ien to es p u ra abstracción.
P roduce cierta incom odidad
m as ta m b ié n cierto sueño...

Sí, aquella chica fue u n a g ra n o p o rtu n id a d p a ra m i alm a,


15 en cam bio h o y es el arrep e n tim ien to el que q u ed a ap artad o de
[m i alm a.
¡Santo Dios! ¡Qué com plicación el n o h ab erm e casado co n u n a
[inglesa que incluso debe h ab erm e y a olvidado!...
¿Y si n o m e olvidó?
¿Y si (p o rq u e h ay algunas de ésas) m e re c u e rd a a ú n y m e es
[constante?
(¡E xcuso en c o n trarm e feo, po rq u e los feos ta m b ié n son am ados,
20 y algunas veces h asta p o r m ujeres!).
Y si n o m e olvidó, a ú n m e recu erd a.
Pero esto, realm ente, se convierte en o tra especie de
[arrep en tim ien to ,
que h ac er s u frir a alguien n o se olvida.

193 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Mas, afinal, isto são conjecturas da vaidade.
25 B em se h á - d e ela le m b ra r de m im , co m o q u a rto filh o n o s
[braços,
d eb ru çad a sobre o Daily Mirror a ver a P rincesa M aria.

Pelo m e n o s é m e lh o r p e n sa r q u e é assim.
E u m q u ad ro de casa su b u rb an a inglesa,
é u m a b o a paisagem ín tim a d e cabelos lo u ro s,
30 e os rem o rso s são som b ras...
E m to d o o caso, se assim é, fica u m b o cado de ciúm e.
O q u arto filh o d o o u tro , o Daily Mirror n a o u tra casa.
O que p o d ia te r s id o ...
Sim , sem p re o abstracto, o im possível, o irre a l m as perverso —
35 o q u e p o d ia te r sido.
G o m em m arm elad e ao p e q u e n o alm oço em In g laterra ...
V in g o -m e e m to d a a b u rg u e sia inglesa de se r u m parvo
[p o rtu g u ê s.

A h , m as ain d a vejo
o te u o lh a r rea lm en te tão sin cero com o azul
4° a o lh a r com o u m a o u tra criança p ara m im ...
E n ã o é com piadas de sal do verso q u e te apago da im agem
que ten s n o m e u coração;
n ã o te disfarço, m e u ú n ic o am o r, e n ão q u e ro n ad a da vida.

194 POESÍA V
Pero, después de todo, son conjeturas de la v an id ad .
25 ¡Cómo se h a b rá de ac o rd a r de m í, con su cu a rto h ijo e n tre los
[brazos,
in c lin a d a sobre el Daily M irro r p a ra m ira r a la p rin cesa M ary!

M as lo m e jo r será p ensarlo así,


com o u n cu ad ro de casa su b u rb an a inglesa,
u n b u en paisaje ín tim o de cabellos rubios,
30 y el rem o rd im ien to sólo som bras...
C laro que, si así es, q u ed an los celos.
E l cu a rto hijo del o tro , y el Daily M irro r en la o tra casa.
L o que p u d o h ab e r sido...
Sí, siem pre lo abstracto, lo im posible, lo irre a l m as perverso,
35 lo que p u d o h ab e r sido.
N o rm alm en te com en m erm elad a en el desayuno, en In glaterra...
M e vengo en to d a la b urguesía inglesa de ser ta n sólo u n to n to
[portugués.

¡Ah, sí!, pero a ú n veo


tu m ira d a rea lm en te a z u l y sincera
40 m irá n d o m e com o si yo fu e ra o tro n iño ...
Y n o es con chistes ácidos del verso com o b o rro tu im agen,
esa que tienes en m i corazón;
n o te reniego, único a m o r m ío; y n o quiero n a d a de la vida.

195 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


C ul de La m pe

P ouco a p o u co ,
sem q u e q u alq u er coisa m e falte,
sem q u e q u alq u er coisa m e sobre,
sem q u e q u alq u er coisa esteja exactam ente n a m esm a posição,
5 vo u an d a n d o p arado,
vo u vivendo m o rre n d o ,
vo u sen d o eu através de u m a q u an tid ad e de g ente sem ser.
V o u sen d o tu d o m e n o s eu.
A cabei.

io P ouco a p o uco,
sem q u e n in g u é m m e falasse
(q u e im p o rta tu d o q u an to m e te m sido d ito n a v ida?),
sem q u e n in g u é m m e escutasse
(que im p o rta q u an to disse e m e ouviram d iz e r? ),
15 sem que n in g u é m m e quisesse
(que im p o rta o que disse q u e m m e disse q u e q u e ria ? ).
M u ito b e m ...
P ouco a p o u co ,
sem n ad a disso,
20 sem n ad a q u e n ão seja isso,
vou p a ra n d o ,
vou p ara r,
acabei.

Q u a l acabei!

196 POESÍA V
Cul de L a m pe

Sí, m u y poco a poco,


sin que n a d a m e falte,
sin que n a d a m e sobre,
sin que n a d a se en cu en tre exactam ente situado en la m ism a
[posición,
5 v oy an d an d o parado,
v oy viviendo m u rie n d o ,
v oy siendo yo a través de u n a g ran can tid ad de personas sin ser,
y así vo y siendo todo m enos yo.
Acabé.

10 Poco a poco,
sin que nadie m e hablara.
(¿Q ué im p o rta todo cu a n to m e h a b rá n d icho en la v id a?),
y sin que n in g u n o m e escuchara.
(¿Q ué im p o rta cu a n to dije y m e o yero n decir?).
15 Sí, y sin que n adie m e quisiera.
(¿Q ué im p o rta lo que dijo quien m e dijo q u erer?).
Sí, m u y bien,...
poco a poco,
pero sin n a d a de eso,
20 pero sin n a d a que n o sea eso,
vo y p ara n d o , voy
a parar.
Acabé.

¡Cómo, p ero cóm o que acabé!

197 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


25 E sto u farto de se n tir e de fin g ir e m pensar,
e n ão acabei aind a.
A in d a estou a escrever versos.
A in d a estou a escrever.
A in d a estou.

30 (N ão, n ão vo u acabar
a in d a ...
N ão v ou acabar.
A cabei.)

S u b ita m e n te , n a ru a transversal, u m a ja n e la n o alto e q u e vu lto


[n ela ?
35 E o h o r r o r de te r p e rd id o a in fân cia em q u e ali n ã o estive
e o ca m in h o vagabundo da m in h a consciência inexequível.

Q u e m ais q u e re m ? A cabei.
N e m falta o canário da vizinha, ó m a n h ã de o u tro tem p o ,
n e m o som (cheio de cesto) do p a d e iro n a escada
40 n e m os pregões q u e n ão sei já o n d e estão —
n e m o e n te rro (ouço as vozes) n a ru a,
n e m o trovão súbito da m a d eira das tab u in h as de d e fro n te n o a r
[d ev erão ,
n e m ... q u an ta coisa, q u an ta alm a, q u an to irreparável!
A final, agora, tu d o cocaína...
45 M eu a m o r infância!
M eu passado bibe!
M eu rep o u so pão com m anteiga b o a à janela!
Basta, q u e j á estou cego p ara o q u e vejo!
A rre , acabei!
50 Basta!

198 p o e s ía v
25 E stoy de veras h a rto de se n tir y de fin g ir pensar,
no acabé todavía.
A ún estoy escribiendo versos.
A ún estoy escribiendo.
A ún estoy.

30 (N o , n o v o y a acabar,
n o todavía...
N o , no v oy a acabar. N o.
Acabé.)

S úbitam ente, en la calle tran sv ersal, u n a v e n ta n a en lo alto,


[pero, ¿qué ro stro en ella?
35 Y de p ro n to el h o r ro r de h a b e r p erd id o aquella in fan c ia en la
[que n o estuve
ju n to con el cam ino v agabundo que tra z a m i conciencia en lo
[im posible.

B ueno, ¿qué m ás queréis? Si y a acabé.


N o falta n i el canario de n u e s tra vecina, o h vieja m a ñ a n a de
[o tro tiem po,
n i el sonido ( a cesto) del p an a d ero , ahí, en la escalera,
40 n i los pregones, que n o sé d ónde están,
n i el e n tie rro (oigo voces) en la calle,
n i el súbito tro n a r de la m a d era de las celosías de ah í en fren te
[en m ita d del aire de veran o ,
n i au n... ¡cuántas cosas, cuán tas alm as, y cu án to irreparable!
Y a h o ra p o r fin, todo cocaína...
45 ¡Mi a m o r infancia!
¡Mi pasado niño!
¡Mi reposo p a n con m a n teq u illa bu en a, a la ventana!
¡Basta, que y a soy ciego a lo que veo!
¡Arre, acabé!
50 ¡Basta!

199 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Sim , é claro,
o U niverso é n eg ro , so b retu d o de n o ite .
Mas eu sou com o to d a a gente,
n ão terdia eu dores de d entes n e m calos e as o u tras d o res passam.
5 C o m as outras dores fazem -se versos.
C o m as q u e doem , g rita-se.

A constituição ín tim a da poesia


ajuda m u ito ...
(com o analgésico serve p ara as d ores da alm a, qu e são fracas...).
io D eix e m -m e d o rm ir.

200 POESÍA V
Sí, sí, está claro,
el U niverso es negro, sobre todo de noche.
M as yo soy com o todos,
p o r lo m enos que n o tenga d o lo r de m uelas n i callos, que o tro
[d o lo r se pasa.
5 Con los o tros dolores se h acen versos.
Y, si te duelen, gritas.

L a ín tim a constitu ció n de la poesía


ayuda m ucho...
(sirve, com o analgésico, p a ra dolores del alm a, que son
[flojos...).
10 ¡D éjenm e d o rm ir!

201 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


C o n tu d o , c o n tu d o ,
ta m b ém houve gládios e flâm ulas de cores
n a p rim avera d o que so n h e i de m im .
T am b ém a esperança
5 o rvalhou os cam pos da m in h a visão invo lu n tária,
ta m b ém tive q u e m ta m b ém m e sorrisse.

H o je estou com o se esse tivesse sido o u tro .


Q u e m fu i n ão m e le m b ra senão com o u m a h istó ria apensa.
Q u e m serei n ã o m e interessa, com o o fu tu ro d o m u n d o .

io C aí pela escada abaixo subitam ente,


e até o som de cair era a gargalhada da queda.
C ada degrau era a te ste m u n h a im p o rtu n a e d u ra
d o rid íc u lo que fiz de m im .

P o b re d o que p e rd e u o lu g ar oferecido p o r n ã o te r casaco lim p o


[com qu e aparecesse,
15 m as p o b re ta m b ém d o que, sendo rico e n o b re ,
p e r d e u o lu g a r d o a m o r p o r n ã o te r casaco b o m d e n tro do
[desejo.
S o u im parcial com o a neve.
N u n c a p re fe ri o p o b re ao rico,
co m o , em m im , n u n c a p re fe ri n ad a a nada.

20 V i sem pre o m u n d o in d e p e n d e n te m e n te de m im .
P o r trás disso estavam as m in h a s sensações vivíssimas,
m as isso era o u tro m u n d o .

202 POESIA V
N o obstante, n o o bstante,
h ab ía espadas y flám ulas de colores
en la p rim a v era que soñé de m í.
M as ta m b ié n la esperanza
5 roció los cam pos de m i visión in v o lu n taria,
y ta m b ié n tuve quien m e sonriera.

H oy estoy com o si ése fu era o tro.


Q u ien yo fu i no m e acuerdo sino sólo com o u n a h isto ria aneja.
Q uién seré y a n o m e interesa, com o n o m e in te resa el fu tu ro
[del m u n d o .

10 De rep en te, caí escalera abajo,


y hasta el sonido de caer e ra la carcajada de la p ro p ia caída,
pues cada escalón e ra el testigo, in o p o rtu n o y d u ro ,
del rid ícu lo que hice y o de m í.

P obre, quien p erdió el p uesto que le d ab a n p o r n o te n e r u n


[abrigo lim pio con el que poderse presen tar,
15 m as ta m b ié n p obre quien, siendo rico y noble,
p erd ió el lu g a r de a m o r p o r n o te n e r b u en abrigo d e n tro del
[deseo.
Soy ta n im p arcial com o la nieve.
N u n c a h e preferid o el p obre al rico,
com o, en m í, n u n c a p referí n a d a a nada.

20 Yo h e visto siem pre el m u n d o ind ep en d ien tem en te de m í


[m ism o.
P o r d etrás de eso estaban m is vivas sensaciones,
pero eso e ra o tro m u n d o .

203 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


C o n tu d o a m in h a m ágoa n u n c a m e fez ver n eg ro o qu e era co r
[de laranja.
A cim a de tu d o o m u n d o externo!
E u que m e aguente com igo e co m os com igos de m im .

p o e s Ia v
Y, n o obstante, m i p en a n u n c a m e h iz o v e r n eg ro lo que e ra sin
[d u d a an aran jad o .
¡Por encim a de todo el m u n d o externo!
25Y yo a ag u a n ta r conm igo y los conm igos de m í.

205 LOS POEMAS DE ÁLVARO OE CAMPOS 3


Gostava de gostar de gostar.
U m m o m e n to ... D á -m e de ali u m cigarro,
d o m aço em cim a da m esa-de-cabeceira.
C o n tin u a ... Dizias
5 q u e n o desenvolvim ento da m etafísica
d e K a n t a H egel
algum a coisa se p erd e u .
C o n c o rd o em absoluto.
Estive rea lm en te a ouvir,
io Nondum amabam et amare amabam (S anto A g o stin h o ).
Q u e coisa curiosa estas associaçõès de ideias!
E stou fatigado de estar p en sa n d o em s e n tir o u tra coisa.
O b rig ad o . D eix a-m e acen d er. C o n tin u a . H eg el...

20Ó POESlA V
Sí, m e g u sta ría el g u starm e gustar.
¡Un m o m e n to , eh!... D am e u n cigarro,
del m a zo que h ay encim a de la m esa de noche.
C ontinúa... Decías
5 que en el d esarrollo de la m etafísica,
de K an t a Hegel,
algo se perdió.
E stoy de acuerdo absolutam ente.
V erdaderam ente h e estado escuchando.
io Nondum am abam et amare amabam (d e San A gustín).
¡Qué curiosas estas asociaciones de ideas!
Pero estoy fatigado de este estar pensando en se n tir o tra cosa.
G racias. P ero, déjam e que encienda. C o n tin ú a. Hegel...

207 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


M eu p o b re am igo, n ão te n h o com paixão q u e te d ar.
A com paixão custa, so b retu d o sincera, e em dias d e chuva.
Q u e ro dizer: custa se n tir em dias de chuva.
S intam os a chuva e deixem os a psicologia p ara o u tra espécie de
[céu.

5 C o m q u e então p ro b le m a sexual?
Mas isso depois dos quinze anos é u m a indecência.
P re o cu p a ção co m o sexo o p o sto (su p o n h a m o s) e a sua
[psicolo g ia —
Mas isso é estúpido, filho.
O sexo o p o sto existe p a ra se r p r o c u r a d o e n ã o p a ra ser
[c o m p re e n d id o ,
to O p r o b le m a existe p a ra estar resolvido e n ã o p a ra
[p re o c u p a r.
C o m p re e n d e r é ser im p o te n te .
E você devia revelar-se m enos.
« L a C o lère de S a m so n » , conh ece?
« L a fem m e, e n fa n t m alade et douze fois im p u re !» .
15 Mas n ão é n ad a disso.
N ão m e m ace, n e m m e o h rig u e a te r pena!
O lh e: tu d o é literatu ra.
V e m -n o s tu d o de fora, com o a chuva.
A m a n e ira ? Se n ó s som os páginas aplicadas de ro m an ces?
20 T raduções, m e u filho.
V ocê sabe p o rq u e está tão triste ? É p o r causa de Platão,
q u e você n u n c a leu.
E u m so n e to de P etrarca, q u e você desco n h ece, s o b ro u -lh e
[erra d o ,

208 POESÍA V
P obre am igo, n o tengo com pasión que d arte.
Pues la com pasión cuesta, sobre todo sincera y en días de lluvia.
Es decir: lo que cuesta es ahí el se n tir en los días de lluvia.
Sintam os pues la lluvia, m ie n tras dejam os la psicología a o tro
[tipo de cielo.

5 ¿Con que, entonces, p ro b lem a sexual?


Pero eso, después de los quince, es u n a indecencia.
P reocupación p o r el sexo opuesto (su p o n g am o s) y su
[psicología...
Es estúpido, chico.
E l sexo opuesto existe p a ra ser logrado, p ero n o, en cam bio,
[p ara co m p ren d erlo .
10 H ay el p ro b lem a p a ra resolverlo, pero n o existe p a ra preocupar.
E l co m p re n d er y a es ser im potente.
Y u ste d debía descubrirse m enos.
« L a Colóre de S am son» ¿no la conoce?
« L a fem m e, en fa n t m alade et douze fois im p u re!» .
15 Pero n o es n ad a de eso.
¡N o fastidie n i q u ie ra d arm e pena!
M ire que todo es lite ra tu ra .
Todo viene de fuera, igual que la lluvia.
¿Que cómo? Vea, vea, som os páginas, páginas aplicadas de
[novelas.
20 Somos traducciones, hijo m ío.
¿No sabe u ste d p o r qué está ta n triste? Eso es p o r cu lp a de
[Platón,
alguien al que u ste d n u n c a leyó.
Y u n soneto de P etrarca, que u ste d desconoce, h a a u m en ta d o el
[equívoco,

209 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


e assim é a vida.
25 A rregace as m angas da cam isa civilizada
e cave terras exactas!
Mais vale isso q u e te r a alm a dos o u tro s.
N ão som os senão fantasm as de fantasm as,
e a paisagem h o je ajuda m u ito p o u co .
30 T u d o é geograficam ente exterior.
A chuva cai p o r u m a lei n a tu ra l
e a h u m a n id a d e am a p o rq u e am a falar n o am o r.

210 POESÍA V
pero así es la vida.
¡A rrem angúese la cam isa civilizada,
cave u n te rre n o exacto!
P orque m ás vale eso que te n e r el alm a de los otros.
N o som os sino fantasm as de fantasm as,
y el paisaje h o y ayu d a poco.
Todo es e x terio r geográficam ente.
L a lluvia cae p o r efecto de u n a ley n a tu ra l
y la h u m a n id a d ta n sólo am a p o r cu a n to que am a el h a b la r de
[am ar.

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


A v id a é p ara os in conscientes (ó Lydia, C elim én e, Daisy)
e o consciente é p ara os m o rto s — o consciente sem a V id a ...
F u m o o cigarro que cheira b e m à m ágoa dos outro s,
e so u rid íc u lo p ara eles p o rq u e os observo e m e observam .
5 Mas n ão m e im p o rto .
D e sd o b ro -m e em G aeiro e em técnico
— técnico de m áquinas, técnico de gente, técnico da m o d a —
e d o q u e d escu b ro em m e u to r n o n ã o so u responsável n e m em
[verso.
O estan d arte ro to , cosido a seda, dos im p ério s de M aple —
io m e ta m -n o n a gaveta das coisas póstum as e b asta...

212 POESÍA V
L a v id a es p a ra los inconscientes (¡vosotras L idia, Daisy,
[C elim énef),
y lo consciente es p a ra los m u e rto s - l o que es consciente sin la
[V id a-...
Yo m e fum o el cigarro, que huele tan to , m o lestan d o a otros,
y resu lto ridícu lo p a ra ellos, p o rq u e los observo y que m e
[observan.
5 Pero n o m e im porta.
M e desdoblo en Gaeiro y en u n técnico
-té c n ic o de m áquinas, de gente, técnico de m o d a -,
y de lo que hallo en to rn o a m í n o soy responsable n i a u n en
[verso.
E l ro to estan d arte, cosido con seda, del im p erio de M aple,
10 m etedlo en el cajón de cosas postum as, m etedlo ahí, que con eso
[basta...

213 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


V e n d i-m e de graça aos casuais d o e n c o n tro .
A m ei o n d e achei, u m p o u co p o r esquecim ento .
F u i saltando de intervalo em intervalo
e assim cheguei a o n d e cheguei n a vida.

5 H o je, re c o rd a n d o o passado
n ão e n c o n tro n ele senão q u e m n ã o f u i...
A criança in c o n scien te n a casa q u e cessaria,
a criança m a io r e rra n te n a casa das tias já m ortas,
o ad o lesc en te in c o n sc ie n te ao cu id ad o d o p r im o p a d re tra ta d o
[p o r tio ,
io o adolescente m a io r enviado p ara o estrangeiro (m an ia do tu to r
[novo).
O jo v e m in c o n scien te estu d an d o n a Escócia, estu d an d o n a
[Escócia...
O jo v e m in c o n scien te j á h o m e m cansado de estu d ar n a Escócia.
O h o m e m in c o n scien te tão diverso e tão estúp id o de d ep o is...
N ão te n d o n ad a de co m u m co m o q u e foi,
15 n ão te n d o n ad a de igual co m o que penso,
n ão te n d o n ad a de co m u m com o que p o d e ria te r sido.
E u ...
V e n d i-m e de graça e d e ra m -m e feijões p o r tro c o —
O s feijões dos jogos d e m esa d a m in h a in fân c ia v arrida.

214 POESÍA V
M e ven d í g ratis a los azares del encuentro.
A m é en d onde hallé, haciéndolo así u n poco p o r descuido.
S altando de in terv alo en intervalo,
así llegué donde llegué en la vida.

P ero hoy, rec o rd an d o m i pasado


en él n o en c u en tro sino a quien no fui...
N iñ o inconsciente en casa que p ro n to dejaría,
n iñ o m a y o r y e rra n te viviendo en casa de tías después m u ertas,
adolescente inconsciente que cuidó el p rim o c u ra tra ta d o de
[tío,
adolescente m ay o r que sería enviado al e x tra n jero (e r a la m a n ía
[del n u ev o tu to r).
Jo v en inconsciente estudiando en Escocia, estu d ian d o en
[Escocia...
Jo v e n inconsciente y ya h o m b re cansado de estu d ia r en Escocia.
Y el h o m b re inconsciente ta n distinto y estúpido que sería
[después...
Y sin n a d a en co m ú n con lo que fue,
sin te n e r n a d a igual a lo que pienso,
y sin n a d a en co m ú n con todo aquello que p o d ría h a b e r sido.
Yo...
M e ven d í g ratis y m e d ie ro n judías a cam bio,
las jud ías usadas en los juegos de m esa de m i in fan cia esfum ada.

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N ão! Só q u e ro a liberdade!
A m o r, glória, d in h e iro são prisões.
B onitas salas? B ons estofos? Tapetes m oles?
A h, m as d eix em -m e sair p a ra ir te r com igo.
5 Q u e ro re sp ira r o a r sozinho,
n ão te n h o pulsações em co n ju n to ,
n ão sin to em sociedade p o r quotas,
n ã o so u se n ão eu , n ã o n asci senão q u e m sou, e sto u ch eio de
[m im .
O n d e q u e ro d o r m ir ? N o q u in ta l...
10 N ada de paredes — ser o g ran d e e n te n d im e n to —
eu e o universo,
e q u e sossego, q u e paz n ã o v er an tes de d o r m ir o esp ec tro do
[g u a rd a -fa to s
m as o g ran d e esp len d o r, n eg ro e fresco de to d o s os astros ju n to s,
o g ran d e abism o in fin ito p ara cim a
x5 a p ô r brisas e b o n d ad e s do alto n a caveira tapada d e carn e qu e é a
[m in h a cara,
o n d e só os olhos — o u tro céu — revelam o g ran d e ser subjectivo.

N ão q uero! D ê e m -m e a U berdade!
Q u e ro ser igual a m im m esm o.
N ão m e capem com ideais!
20 N ão m e vistam as cam isas-de-forças das m aneiras!
N ão m e façam elogiável o u inteligível!
N ão m e m atem em vida!

Q u e ro saber a tira r com essa b o la alta à lua

216 POESÍA V
¡No! ¡Yo sólo quiero libertad!
Am or, gloria, d in ero son prisiones.
¿Bonitas salas?, ¿buenos tapices? o ¿alfom bras suaves?
Ah, dejadm e salir a d a r conm igo.
5 Q uiero re sp ira r el aire solo,
N o te n e r pulsaciones en conjunto,
n o se n tir en sociedad p o r cuotas,
pues n o soy sino yo, n o h e nacido o tro que q uien soy, estoy lleno
[de m í.
¿D ónde quiero dorm ir? E n el ja rd ín ...
10 N o , n ad a de paredes - s e r ta n sólo el g ra n e n te n d im ie n to -.
Yo y el u niverso,
y qué p az , qué sosiego n o te n e r que v e r antes de d o rm ir el
[oscuro espectro del arm a rio
sino el g ra n esplendor, ta n n egro y fresco, de todos los astros,
g ra n abism o in fin ito y hacia a rrib a
15 poniendo brisas y bondades de lo alto en la calavera o cu lta p o r
[la carn e que es sin d u d a m i cara,
donde sólo los ojos - o t r o c ie lo - rev elan lo que es el g ra n ser
[subjetivo.

¡No, no, n o quiero! ¡D adm e libertad!


Q uiero ser igual sólo a m í m ism o.
¡No m e capéis con los ideales!
20 ¡No! ¡Y n o m e vistáis a pesar m ío las cam isas de fu e rz a de las
[buenas m aneras!
¡N o m e hagáis elogiable o inteligible!
¡No m e m atéis en vida!

¡Q uiero saber la n z a r esa pelota b ien alto, a la lim a,

217 LOS POEMAS OE ÁLVARO DE CAMPOS 3


e o u v i-la cair n o q u in ta l d o lado!
25 Q u e r o i r d e ita r - m e n a relva, p e n s a n d o « a m a n h ã v o u
[ b u s c á -la » ...
A m a n h ã v ou b u sc á-la ao q u in ta l ao la d o ...
A m a n h ã v ou b u scá-la ao q u in ta l ao la d o ...
A m a n h ã vou b u scá-la ao q u in ta l
b u sc á-la ao q u in ta l
30 ao q u in ta l
ao la d o ...

218 POESÍA V
Y o ír cóm o cae sobre el suelo en el ja rd ín de al lado!
¡Q uiero ir a tu m b a rm e ahí, en la hierb a, pen san d o en que
[« m a ñ a n a iré a b u scarla» ...
M a ñ an a iré a buscarla al ja rd ín de al lado...
M a ñ an a iré a buscarla al ja rd ín de al lado...
M a ñ an a iré a buscarla a ese ja rd ín ,
a b uscarla al ja rd ín ,
sí, al
de al lado...

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


A lib erd ad e, sim , a liberdade!
A v erdadeira Uberdade!
P ensar sem desejos n e m convicções.
S er d o n o de si m esm o sem in flu ên cia de rom ances!
5 E xistir sem F reu d n e m aeroplanos,
sem cabarets, n e m n a alm a, sem velocidades, n e m n o cansaço!
A lib e rd a d e d o vagar, d o p e n s a m e n to são, d o a m o r às coisas
[n a tu ra is,
a lib erd ad e de am ar a m o ra l que é preciso d a r à vida!
C o m o o lu a r q u an d o as nuvens abrem ,
io a g ran d e lib erd ad e cristã da m in b a infância q u e rezava
e ste n d e d e re p e n te so b re a te r r a in te ir a o seu m a n to d e p ra ta
[p ara m im ...
A lib erd ad e, a lucidez, o racio cín io coerente,
a noção ju ríd ic a da alm a dos o u tro s com o h u m a n a,
a alegria de te r estas coisas, e p o d e r o u tra vez
15 gozar os cam pos sem referên cia a coisa n e n h u m a
e b e b e r água com o se fosse to d o s os vinhos do m u n d o !

Passos to d o s passinhos de cria n ça ...


S o rriso da velha b o n d o s a ...
A p e rta r da m ão do am igo s é rio ...
20 Q u e vida q u e te m sido a m inha!
Q u a n to te m p o de espera n o apeadeiro!
Q u a n to viver p in ta d o em im presso da vida!

220 POESÍA V
¡La lib e rtad , sí, la libertad!
¡L ibertad verdadera!
¡Pensar sin convicciones n i deseos,
ser d ueño de sí m ism o sin su frir la in flu en cia de novelas!
¡E xistir sin F re u d n i aeroplanos,
sin cabarets, tam poco los del alm a, sin velocidad, n i en el
[cansancio!
¡L ibertad de vagar, la que posee el p ensam ien to sano, el a m o r a
[las cosas n atu rales,
la lib e rtad de a m a r esa m o ra l que tenem os que d arle a n u e stra
[vida!
Com o el b rillo de lu n a cu ando se ab re n las nubes,
la lib e rtad cristian a de m i infancia, la lib e rtad del tiem po en
[que rezaba,
tiende de p ro n to sobre la tie rra e n te ra su am plio m a n to de
[plata p a ra m í...
¡L ibertad, lucidez, raciocinio coherente,
y la n oción ju ríd ic a del alm a de los otros en ta n to que alm a
[h u m an a ,
la alegría que viene de te n e r estas cosas, y p o d er n u ev am en te
g o zar los cam pos sin referen cia a n ad a
y beber ag u a ta l com o si fu era todo el v in o del m u n d o !

Todo pasos, pasitos, de los niños...


L a sonrisa de vieja bondadosa...
D arle la m a n o al am igo serio...
¡Qué v id a fue la m ía!
¡Qué la rg a espera en el apeadero!
¡C uánto v iv ir p in tad o en el extenso im preso de la vida!

LOS POEMAS OE ALVARO DE CAMPOS 3


A h , te n h o u m a sede sã. D é e m -m e a liberdade,
d ê e m -m a n o p ú ca ro velho de ao p é d o p o te
25 da casa d o cam po da m in h a velha in fâ n c ia ...
E u b eb ia e ele chiava,
eu era fresco e ele era fresco,
e com o eu n ã o tin h a n ad a que m e ralasse, era livre.
Q u e é d o p ú ca ro e da in o c ên c ia?
30 Q u e é de q u e m eu deveria te r sid o ?
E salvo este desejo de lib e rd ad e e de b e m e de ar, qu e é de m im ?

222 POESÍA V
¡Ah, qué sed m ás sana! ¡Pido que m e deis la libertad!
¡D ádm ela, sí, en la vasija vieja que está al lado del pote
25 de la casa de cam po de m i vieja infancia...
Yo bebía y ella iba sonando,
yo e ra fresco com o lo era ella,
y al n o h a b e r n a d a que m e contrariase, ta m b ié n e ra libre.
¿Qué se h a hecho después de la vasija y de aquella inocencia?
30 ¿Qué es h o y de aquel que yo debí h ab e r sido?
Y salvo este deseo de lib ertad , y de bien y de aire, ¿qué es de
[mí?

223 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
N ão são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes —
5 desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
grandes porque de ali se vê tudo, e tudo m orreu.

Grandes são os desertos, m inha alma!


Grandes são os desertos.

N ão tirei bilhete para a vida,


io errei ap orta do sentim ento,
não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
H oje não m e resta, em vésperas de viagem,
com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
sentado na cadeira em com panhia com as camisas que não
[cabem,
15 hoje não m e resta (à parte o in cóm od o de estar assim sentado)
senão saber isto:
grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida.

A rrum o m elhor a mala com os olhos de pensar em arrumar


20 que com arrumação das m ãos factícias (e creio que digo
[bem ).
A cendo o cigarro para adiar a viagem,
para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

224 POESÍA V
Grandes son los desiertos y ya todo es desierto.
N o , no son algunas toneladas de piedras o ladrillos
[verticalm ente tendidos
lo que disfraza el suelo, ese suelo que es todo.
Grandes son los desiertos, y las almas son desiertas y grandes
-desiertas porque no pasa por ellas sino sólo ellas m ismas,
grandes porque desde ellas se ve todo, y ya todo m u r ió -.

¡Grandes son los desiertos, alma mía!


¡Grandes son los desiertos!

Yo no saqué el billete de la vida.


Equivoqué lá puerta al sentim iento,
y no hubo ocasión ni voluntad que yo no m e perdiera.
H oy no m e resta, en vísperas del viaje,
con la maleta abierta y esperando aplazadamente el ordenarla,
sentado en una silla, en compañía de las pocas camisas que no
[caben,
h oy no m e resta Caparte de la incom odidad correspondiente a
[estar así sentado)
sino ya saber esto:
grandes son los desiertos, y ya todo es desierto;
sí, es grande la vida, y no vale la pena que haya vida.

Hago mejor la m aleta con ojos de pensar en ordenar


que con orden ació n artificial de las m anos Ccreo que está bien
[dicho).
Y m e enciendo un cigarro para aplazar el viaje,
para aplazar todos los viajes,
para aplazar todo el universo.

LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Volta amanhã, realidade!
25 Basta p or hoje, gentes!
A dia-te, presente absoluto!
Mais vale não ter que ser assim.

C om prem chocolates à criança a quem sucedi p or erro,


e tirem a tabuleta porque amanhã é in finito.

30 Mas ten ho que arrumar a mala,


tenho p or força que arrumar a mala,
a mala.
N ão posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim , toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
35 Mas tam bém , toda a vida, ten h o ficado sentado sobre o
[canto das camisas em pilhadas,
a rum inar, com o um b o i que não chegou a Ápis, destino.

T enho que arrumar a mala de ser.


T enho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do m onte.
40 O lh o p a ra o lado, verifico q u e estou a d o rm ir.
Sei só que ten ho que arrumar a mala,
e que os desertos são grandes e tudo é deserto,
e qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já m e
[esqueci.

E rgo-m e de repente todos os Césares.


45 V ou definitivam ente arrumar a mala.
Arre, h e i-d e arrum á-la e fechá-la;
h e i-d e vê-la levar de aqui,
h e i-d e existir independentem ente dela.

226 POESÍA V
¡Vuelve mejor mañana, realidad!
25 ¡Basta por h oy ya, gente!
¡Aplázate presente absoluto!
Es mejor no tener que ser así.

Compradle chocolates a ese niño al que yo he sucedido por error,


y retirad también ese cartel, porque el m añana es infinito.

?0 Pero ahora yo tengo que hacer la maleta,


yo tengo por fuerza que hacer la maleta,
la maleta.
N o puedo llevar camisas en hipótesis y llevar la m aleta en la
[razón.
SÍ, toda la vida yo he tenido que hacer la maleta.
55 Pero es que también, toda la vida, m e he quedado sentado
[junto a las camisas apiladas,
rum iando, com o un buey que no ha llegado a convertirse en
[Apis, m i destino.

Ahora tengo que hacer la m aleta de ser,


tengo que existir haciendo maletas.
Cae la ceniza del cigarro en la camisa que hay sobre el m ontón.
40 Yo m iro hacia un lado y verifico, sí, que estoy durmiendo.
Sé sólo que tengo que hacer la maleta,
y sé igualm ente que el desierto es grande y que todo es desierto;
m e sé alguna parábola al respecto, pero de esa yo ya m e olvidé.

M e levanto de pronto siendo todos los Césares.


45 Voy definitivam ente a hacer la maleta.
¡Arre, que he de hacerla y de cerrarla!
Y aun he de ver cóm o se la llevan de aquí,
he de existir independiente de ella.

227 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


G ran d es são os desertos e tu d o é deserto,
5o salvo e rro , n atu ra lm e n te.

P o b re da alm a h u m a n a com oásis só n o deserto ao lado!

Mais vale a rru m a r a m ala.


Fim .

228 POESÍA V
G randes son los desiertos y y a todo es desierto,
50 salvo erro r, claro está.

¡Pobre del alma hum ana, con oasis tan sólo en el desierto de al
[lado!

Mejor será que m e haga la maleta.


Fin.

229 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


O m esm o Teucro duce e ta u sp ic e Teucro.
E sempre eras — amanhã — que nos faremos ao mar.

Sossega, coração in ú til, sossega!


Sossega, p o rq u e n ad a h á q u e esperar,
5 e p o r isso n ad a que desesperar ta m b é m ...
Sossega... P o r cim a do m u ro da q u in ta
sobe lo n g ín q u o o olival alheio.
A ssim n a in fân cia vi o u tro q u e n ão era este:
n ão sei se fo ra m os m esm os olbos da m esm a alm a qu e o viram ,
io A diam os tu d o , até que a m o rte chegue.
A diam os tu d o e o e n te n d im e n to d e t u d o ,
com u m cansaço antecipado de tu d o ,
co m u rna saudade pro g n ó stica e vazia.

230 POESÍA V
E l m ism o T eucro duce e t a u spice T eucro.
Es siem pre era s - m a ñ a n a - cuando nos h arem o s a la m ar.

¡Cálmate, cálmate, corazón inútil!


Cálmate, porque nada hay que esperar,
5 nada por tanto que desesperar...
Cálmate... Sobre el m uro de la quinta
sube rem oto el olivar ajeno.
Vi así otro en la infancia, no era éste:
y ya no sé si son los m ism os ojos de la m ism a alma que lo vieron.
10 Todo lo aplazamos esperando hasta el m om ento en que la m uerte
[llegue.
Todo aplazamos y el entenderlo todo,
con cansancio de todo anticipado,
con vacía nostalgia que adivina.

231 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


T ra po

O dia deu em chuvoso.


A m an h ã, contudo, estava bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
D esde manhã eu estava u m p ouco triste.
5 A ntecipação? Tristeza? Coisa nenhum a?
N ão sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso.

B em sei: a penum bra da chuva é elegante.


Bem sei: o sol oprim e, por ser tão ordinário, u m elegante,
io Bem sei: ser susceptível às mudanças de luz não é elegante.
Mas quem disse ao sol ou aos outros que eu quero ser elegante?
D êe m -m e o céu azul e o sol visível.
Névoa, chuvas, escuros — isso tenho eu em m im .
H oje quero só sossego.
15 A té amaria o lar, desde que o não tivesse.
C hego a ter sono de vontade de ter sossego.
N ão exageremos!
T enho efectivamente sono, sem explicação.
O dia deu em chuvoso.

20 C arinhos? A fectos? São m em órias...


E preciso ser-se criança para os ter ...
M inha madrugada perdida, m eu céu azul verdadeiro!
O dia deu em chuvoso.

232 POESÍA V
Poso

El día dio en lluvioso.


La mañana, no obstante, estuvo azul.
El día dio en lluvioso.
Ya desde la mañana estaba yo algo triste.
5 ¿Anticipación? ¿Tristeza? ¿Nada de eso?
N o lo sé: al despertar ya estaba triste.
El día dio en lluvioso.

Bien lo sé: la penum bra lluviosa es elegante.


Bien lo sé: el sol oprime al elegante por ser tan ordinario.
10 Bien lo sé: el mostrarse susceptible a los cambios de lu z no
[resulta elegante.
Pero, ¿quién le habrá dicho n i al sol ni a los otros que pretenda
[yo ser elegante?
Dadme cielo azul y sol visible.
N iebla, lluvias, oscuros —ya los poseo en m í—.
Sólo quiero sosiego.
15 Amaría el hogar si no tuviera.
M e da hasta sueño m i ansia de sosiego.
Pero, ¡no exageremos!,
pues tengo sueño, sin explicación.
El día dio en lluvioso.

20 ¿El cariño? ¿El afecto? Son m em oria...


Haría falta ser niño para poder volverlos a tener...
¡Mi madrugada perdida, m i cielo azul auténtico!
El día dio en lluvioso.

233 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


Boca b o n ita da filba d o caseiro,
25 p o lp a de fru ta de u m coração p o r c o m e r...
Q u a n d o fo i isso? N ão se i...
N o azul da m a n h ã ...

O dia d e u em chuvoso.

234 POESÍA V
Linda boca de la hija del casero,
pulpa de fruta de un corazón aun por comer...
Pero, ¿cuándo fue eso? N o lo sé...
SÍ, quizá en el azul de la mañana...

El día dio en lluvioso.

LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


C om eço a co n h e c e r-m e . N ão existo.
S o u o intervalo e n tre o que desejo ser e os o u tro s m e fizeram ,
o u m etade desse intervalo, p o rq u e ta m b ém h á vid a...
S o u isso, e n fim ...
5 A pague a luz, feche a p o rta e deixe de te r b a ru lh o d e chinelos n o
[co rre d o r.
F ique eu n o q u arto só co m o g ran d e sossego de m im m esm o.
E u m universo b arato .

236 POESÍA V
Em piezo a conocerm e. Yo no existo.
Soy estrictam ente el intervalo entre lo que yo deseo ser y lo que
[de m í hicieron otros,
o sólo la m itad de ese intervalo, porque también hay vida...
SÍ, soy eso, en fin...
5 Apagad esa lu z, cerrad la puerta, y que calle el rozar de
[zapatillas ahí, en el pasillo.
Y que m e quede sólo en este cuarto con el gran sosiego de m í
[mismo.
Un barato universo.

237 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


T e n h o escrito m ais versos q u e verdade.
T e n h o escrito p rin c ip a lm e n te
p o rq u e o u tro s tê m escrito.
Se n u n c a tivesse havido poetas n o m u n d o ,
5 seria e u capaz de ser o p rim e iro ?
N unca!
S eria u m indiv íd u o p erfeitam e n te consentível,
te ria casa p r ó p ria e m o ral.
S en h o ra G ertrudes!
io L im p o u m al este q u arto :
tir e -m e essas ideias de aqui!

238 POESÍA V
He escrito más versos que verdad.
Es que y o he escrito sobre todo
porque otros lo hicieron.
Si no hubiera poetas en el m undo,
5 ¿sería yo capaz de haber sido el primero?
¡No! ¡N o lo sería!
Sería u n tipo totalm ente acomodado,
tendría casa propia y tendría moral.
¡Señora Gertrudes!
10 Lim pió usted m al esta habitación:
¡quíteme de aquí esas ideas!

239 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


N o fim de tu d o d o rm ir.
N o fim de q u ê ?
N o fim d o q u e tu d o parece s e r...,
Este p e q u e n o universo p ro v in cian o e n tre os astros,
5 esta aldeola d o espaço,
e n ão só do espaço visível, m as até do espaço total.

240 POESÍA V
Al fin de todo dormir.
¿Al fin de qué?
Al fin de lo que todo parece que es...,
Este pequeño universo provinciano entre astros,
5 esta pobre aldehuela del espacio,
y además ya no sólo del espacio visible, sino incluso en lo que
[hace al espacio total.

241 LOS POEMAS DE ÁLVARO DE CAMPOS 3


A plácida face a n ó n im a de u m m o rto .

A ssim os antigos m arinheiros portugueses,


que tem eram, seguindo contudo, o mar grande do Fim,
viram, afinal, não m onstros n em grandes abismos,
g mas praias maravilhosas e estrelas por ver ainda.

O que é que os taipais do m u n d o escon d em nas m ontras de


[D eus?

242 POESÍA V
Plácido ro stro a n ó n im o de u n m u erto .

Así los antiguos marinos portugueses,


que tem ieron, siguiéndolo no obstante, el m ar grande del Fin,
vieron, después de todo, n i unos m onstruos n i unos grandes
[abism os,
5 sino playas bellísim as, y estrellas que estaban to d av ía p o r ver.

¿Qué será lo que esconden en los escaparates de D ios las


[paredes del mundo?

243 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


T e n h o u m a g ra n d e co n stip a ção ,
e to d a a g en te sabe co m o as g ra n d e s co n stip açõ es
a lte ra m to d o o sistem a d o u n iv e rso ,
z a n g a m -n o s c o n tra a vida,
5 e fazem e s p irra r até à m etafísica.
T e n h o o d ia p e r d id o ch eio de m e assoar.
D ó i- m e a cabeça in d is tin ta m e n te .
T riste co n d iç ã o p a ra u m p o e ta m e n o r!
H o je so u v e rd a d e ira m e n te u m p o e ta m e n o r,
io O q u e fu i o u tr o r a fo i u m desejo; p a r tiu -s e .

A d eu s p a ra se m p re , ra in h a das fadas!
As tuas asas e ra m de sol, e eu cá v o u a n d a n d o .
N ão estarei b e m se n ã o m e d e ita r n a cam a.
N u n c a estive b e m senão d e ita n d o - m e n o u n iv e rso ,
ig Excusezdupeu... Q u e g ra n d e co n stip ação física!
P reciso de v erd a d e e da a sp irin a .

244 POESÍA V
Tengo un gran constipado,
y todo el m undo sabe hasta qué punto los grandes constipados
alteran el sistema del universo,
nos hacen enfadarnos con la vida,
5 y hacen que estornude hasta la metafísica.
Me perdí el día, harto de sonarme.
La cabeza m e duele indistintam ente.
¡Triste condición para un poeta menor!
Pues h oy lo soy, verdaderamente.
10 Lo que fuera antaño fue u n deseo que después se perdió.

¡Adiós por siempre, reina de las hadas!


Tus alas estaban tejidas de sol, mientras yo v o y andando.
H oy no estaré bien sin tum barme en la cama.
N o estuve bien nunca sino tum bándom e en el universo.
15 Excusezdupeu... ¡Qué gran constipado!
Preciso de verdad y de aspirina.

245 LOS POEMAS DE ALVARO DE CAMPOS 3


O X F O R D S H IR E

Q u ero o bem , e quero o mal, e afinal não quero nada.


Estou m al deitado sobre a direita, e m al deitado sobre a
[esquerda
e m al deitado sobre a consciencia de existir.
Estou um versalm ente m al, m etafisicam ente mal,
5 mas o p io r é que m e d ói a cabeça.
Isso é mais grave que a significação do universo.

Urna vez, ao pé de O xford, n u m passeio campestre,


vi erguer-se, de urna curva da estrada, na distância próxim a,
a torre-velha de um a igreja acima de casas da aldeia o u vila.
io F icou -m e fotográfico esse in cid en te n ulo
com o um a dobra transversal escangalbando o vinco das calças.
A gora vem a p ro p ó sito ...
D a estrada eu previa espiritualidade a essa torre de igreja
que era a fé de todas as eras, e a eficaz caridade.
15 D a vila, quando lá cheguei, a torre da igreja era a torre da igreja,
e, ainda p or cima, estava ali.

E -se feliz na Austrália, desde que lá se não vá.

246 POESÍA V
OXFO R D SH IR E

Quiero el bien, quiero el m al, y al final nada quiero.


M e encuentro m al tumbado a la derecha, y también m al
[tumbado hacia la izquierda,
tam bién m al, finalm ente, tum bado en la conciencia de existir,
m e encuentro m al universalm ente y en lo m etafísico,
y lo peor es que m e duele la cabeza,
cosa más grave que la significación del universo.

Una vez, cerca de Oxford, en un paseo campestre,


vi erguirse en una curva de la carretera, a escasa distancia,
la ya vieja torre de una iglesia por sobre las casas de la aldea o el
[pueblo.
Se m e quedó, fotográfico, ese nulo incidente
tal com o si fuera una doblez transversal deform ando la raya de
[los pantalones.
Ahora viene a propósito...
Desde la carretera suponía espiritual la torre de la iglesia,
fe de todas las eras, eficaz caridad.
Desde el pueblo, al llegar, la torre de la iglesia era ya sólo una
[torre de iglesia,
pero además, encim a, estaba allí.

Se es feliz en Australia, con no ir.

LOS POEMAS DE ALVARO OE CAMPOS 3


NOTAS

A d v e r te n c ia . L a p rese n te edición de la P oesía de F e rn a n d o


Pessoa estando globalm ente concebida, hem os p reten d id o
lim ita r la an otación de cada v o lu m e n - e n lo que hace a la
in te rp re ta c ió n - a las v arian tes significativas en el desple­
garse sucesivo de lo que ca d a p o ética su p o n e. E n co n se­
cuencia sólo señalam os lo que nos aparece com o n uevo - o ,
p o r m ejo r decir, d ife re n c ia l- en los textos que fo rm a n este
libro. P a ra asuntos y a vistos en extenso Çen lo que co rres­
p o n d e, e n tre o tro s tem as, a la se x u alid ad , a la v io len cia,
las p o siciones de la su b je tiv id a d , la p e rso n a lid a d o la
po lítica de ‘C am pos’) nos re m itim o s a los dos v o lú m en es
a n te rio re s y a los c o m e n ta rio s de sus p ág in as H l-1 4 8 y
109-125 re sp e c tiv a m e n te . E n o tro o rd e n d e cosas, debo
fin a lm e n te ag ra d e c e r a L u is A lb erto de C u en ca, J o r d i
D oce y M e n c h a N ie to la eficaz a y u d a re c ib id a p a r a la
concepción de algunas notas.

pág. 39 v. 8 . « C o n tin ú a luego de a y u d a n te » . V ariante señalada en


TR L .

v. 11. «¡Ah, qué carcelarios los deseos!». V ariante señalada


en TR L .

41 P ublicado en el n ú m e ro 18 de P resen ça, en en ero de 1929.

45 Publicado en el n ú m e ro 10 de P resen ça, en m a rz o de 1928.

249 NOTAS
47 [A postilla] F ech ad o a 11 de a b ril del a ñ o 1928, fue p u b li­
cado en 0 N o tic ia s Ilu str a d o el 27 de m ay o de ese añ o . De
algún m odo, a p a rtir de este poem a, v a a ir apareciendo u n
‘n u ev o ’ Cam pos - e n rea lid ad u n o viejo, envejecido—. U no
q u e del « ca n sa n cio a n tic ip a d o » v isto en el p o em a que
an teced e p asa a u n a e s tra te g ia d ila to ria , con el paso del
tiem po en este caso, o del « m a ñ a n a » en « A plazam ien to »
( v e r el te x to de pp. 52-55). E l a v a n z a r c o n tin u o de este
te m a lleva al ‘a u to r’ (desilusionado, pero, al tiem po, can ­
sado y p erezo so ) lejos del poeta h ím n ico que fue.

51 F echado a 12 de a b ril del añ o 1928. E l títu lo - q u e es u n


com puesto griego—en p rin cip io re m ite a alg u n a fo rm a de
te r r o r p o p u la r -s u p e rs tic io s o —. E l te r r o r del p o em a, sin
em bargo, m u e stra m ás u n te rr o r insoportable y que n o se
desea conocer.

53 F ech ad o a 14 de a b ril del añ o 1928, fue p u b lic ad o en el


n ú m e ro 1 de Solução E d ito ra , en el 1929.

57 F echado a 15 de a b ril del a ñ o 1928. E l « m a e s tro » que


invoca este p oem a, p o r las referencias que contiene, es sin
d u d a Caeiro (las referencias a la «sensación» - v . 1 2 -, a la
« se re n id a d » y la « c la rid a d » - w . 2 0 y 1 6 - son m u y evi­
dentes al respecto, com o la referencia a la « nostalgia de los
dioses de la a n tig ü e d a d » q u e es el « p a g a n ism o » caei-
ria n o —v. 8 - ; o la ra d ic a l oposición ex iste n te e n tre el
« c a m p o » - c o m o espacio n a tu ra l y p ro p io de C a e iro -
fre n te a la ciu d ad - q u e es el de C am pos en co n tra d icc ió n
con su apellido; versos 38 y 39—) . E l poem a prolo n g a p o r lo
ta n to —a u n q u e co n u n « c a n sa n c io » que d esm ie n te (ta l
com o y a hem os señalado en la n o ta de p. 47 ) el p o d er asu ­
m ir la « le c c ió n » d a d a — el p o em a titu la d o « L a p a r ­
tid a » - w . 32-39, 215, 235-272 y 389-401, en los cuales se
h ace re fe re n c ia a « la casa del m o n te » (d e C a e iro ) o,

25O POESIA V
expresa, a C aeiro en ca lid a d de « lib e ra d o r» y de « m a e s­
t r o » - , co m o el titu la d o « O d a m o rta l» - c f . los w . 1 - 1 2 ,
nu ev as referen c ias a lo m is m o - , in c lu id o s los dos en el
v o lu m e n IV de esta P o esía de Pessoa. R especto a los c a m ­
bios que h a su frid o , y de m o d o adem ás d efin itiv o , lo que
es la p o ética de ‘C am pos’ h a de señalarse to d a v ía lo que
nos dice ex p re sa m e n te el te x to en w . 4-5-49: ojalá que
sig u iera « sie n d o aquel, / sí, aq u el p o eta d e c a d e n te » f ia
cu rsiv a es n u e s tra ) , m ie n tra s q u e a h o ra es « c u a l h ie rb a s
a rra n c a d a s » f ia e x p re sió n , que es del v erso 32, se r e la ­
cio n a - a u n q u e c o n tra d ic e - la del v erso 7 d el p o em a
« E scrito en u n lib ro ab a n d o n a d o ...» ; p. 45 an teced en te).

59 v. 33- « E n alineaciones d estruidas p o r el v ie n to » . V ariante


señalada en Ática.

63 Fechado a 2 9 de abril del año 1 9 2 8 .

v. 4 . «C on ojos abiertos». Variante señalada en TRL.

w . 5-7. L as « m ira d a s» que a rro ja to d a cosa - e s decir, las


« m ira d a s » del fam oso p o em a b a u d e la iria n o d el soneto
que titu ló « C o rre s p o n d e n c ia s » - y a n o son « fa m ilia re s»
fco m o en aquel poem a ‘sim b o lista’ aq u í re -p re se n ta d o y
c o n tra -d ic h o ) sino, b ien al c o n tra rio , v a n su rg ie n d o a
p a r tir de « u n abism o in c o m p re n sib le » . E se m ism o que
hace qu e los «dioses» - c o m o en u n a in v e rsió n del p la to ­
n is m o - se v ea n reducidos a su « id e a » , h u e ra de to d a fu n -
dam entación.

65 Fechado a 1 de m ayo del año 1 9 2 8 .

67 Con idéntica fecha al poem a anterior.

69 Fechado a 11 de m ayo del año 1 9 2 8 .

251 NOTAS
v. 17. « E so que es h o y ta l v e z lo m e jo r de m í» . V ariante
señalada en TR L .

73 Fechado a 1 ? de mayo del año 1 9 2 8 .

v. 9 . «O ignorancia sim étrica». Variante señalada en TRL.

77 Fechado a 11 de mayo del año 1 9 2 8 . Ver sobre este poema - y


su relación con otro texto también famoso titulado
« E sta n c o » - lo señalado sobre el objetivismo en nota a pp.
2 9 5 -3 0 7 del volumen IV de esta edición de la poesía pessoana.
A ello hay que añadir en todo caso la peculiar dialéctica que
se abre -exterior/interior—en el complejo de ‘miradas’ que
cruzan el poema -co m o de itinerarios que se niegan, felici­
dades que se contradicen, libertades cambiadas en encierros
y cam ino que se hace detención; la pérdida com pleta de lo
propio constituye el destino de ese viaje com o experiencia
cósica que, ciega, petrifica el destino ([inalcanzable...).

83 Fechado a 1 6 de junio del año 1 9 2 8 .

85 Con idéntica fecha al poem a anterior.

87 Fechado a 1 de diciembre del año 1 9 2 8 .

89 Fechado a 2 2 de enero del año 1 9 2 9 .

91 Este poem a marca —pero aquí fuertem ente—la insistencia


en la inanidad de la poesía y la vida anterior del que nos
habla -v éan se al respecto especialmente los versos 1 8 - 2 2 - .
Unas que carecen por com pleto de cualquier objetivo que
no sea una «verdad » rabiosa « en el estóm ago» (jw. 1 6 -
17 ): la de salir de sí (v. 2 2 ) urgentem ente. Ese
m otivo -v id a sin d estin o - va a acentuarse todavía en dis­
tintos trabajos posteriores ([cf. por ejem plo, entre otros

252 POESÍA V
casos, el sujeto quebrado y sin objeto de w . 6 y 7 del poema
titulado «A punte», p. 9 7 de este libro).

95 Fechado a 2 2 de enero del año 1 9 2 9 .

97 Publicado en el núm ero 2 0 de Presença, abril-m ayo de


1929.

ío i Fechado a 25 de enero del año 1 9 2 9 .

103 Fechado a 2 7 de m arzo del año 1 9 2 9 .

111 Con idéntica fecha al de nota anterior.

115 Fechado a 4 de abril del año 1 9 2 9 .

117 Fechado a 7 de abril del año 1 9 2 9 .

v. 11 . El verso acaba con la onom atopeya que indica fortí-


sim o en el seno de una partitura. Se trata, claro, de una
ironía m ás...

119 Fechado a 1 0 de abril del año 1 9 2 9 .

121 Fechado a 1 0 de m ayo del año 1 9 2 9 .

v. 5- «Expresarm e». Variante señalada en TRL.

123 Fechado a 15 de m ayo del año 1 9 2 9 .

125 v. 2 4 . «Q u e aún no term inó, in clu ye una crítica m eta fí­


sica». Variante de lectura recogida en Ática.

v. 2 9 . «C om o u n dios, no ordené n i una cosa n i otra».


Variante de lectura recogida en Ática.

253 NOTAS
127 v. 2. « S er u n ave ín tim a » ; « se r u n ave diversa». V ariantes
señaladas en T R L .

129 Fechado a 17 de junio del año 1 9 2 9 .

131 Fechado a 17 de jim io del año 1 9 2 9 .

v. 1 . Se repite el in icio de esta canción al final del poem a


que com ienza «D espertar de L isboa...». Vid. p. 1 4 ? del
volum en III de esta edición de la poesía pessoana.

133 v. 51 . Poeta heterónim o de Fernando Pessoa. Al contrario


del caso de Caeiro, es su primera y única aparición en toda
la poética de ‘Campos’.

139 Fechado a 18 de junio del año 1 9 2 9 .

141 Fechado a 16 de agosto del año 1 9 2 9 .

143 v. 1 6 . «Pobres bichos h u m an os». Variante señalada en


TRL.

v. 1 9 . «Y toda la injusticia del m undo cardíaca dentro de


m í» . Variante señalada en TRL.

147 Fechado a 2 9 de agosto del año 1 9 2 9 .

v. 13 . «C om o u n ladrillo p artido». Variante señalada en


TRL.

v. 2 4 . El nom bre del aguardiente perm ite ahí u n juego de


palabras.

151 v. 3 6 . Vieja m oneda portuguesa. Un conto equivalía a m il


escudos.

254 POESIA V
153 Fechado a 17 de septiembre del año 1 9 2 9 . Título: «Sobre la
m úsica...» (en francés en el original).

v. 1 2 . Verso interrogativo - t a l com o lo es el a n terior- en la


edición de Ática.

155 Fechado a 2 de diciembre del año 1 9 2 9 .

157 Texto del año 1 9 2 9 , sin fecha.

159 Fechado en Evora, a 11 de diciembre del año 1929 . La refe­


rencia es a un viaje real - n o ya a aquel ‘viaje inm óvil’ que,
realizado en el im aginario, había apasionado al poeta
jo v e n -. Y uno además cuya lim itación n o evita, ahí, la
sensación de angustia.

161 Fechado a 6 de enero de 1 9 1 0 .

v. 19 . «Q ue m e hicieron»; «que vestí». Variantes señaladas


en TRL.

165 Fechado a 9 de m arzo del 1 9 1 0 .

v. 11 . '«¡M i colcha de n iñ o, hecha de crocbetl». Variante


señalada en TRL.

w . 2 0 - 2 5 . Estos ú ltim os versos del poem a se hallan en


directa relación con algunos ‘m om entos’ esenciales en la
historia de la poesía - e s a m ism a sin duda a que el poeta
parece enteram ente renunciar—. Los «papelotes de vieja
solterona» que han sido ya toda su « v id a » (y. 1 6 ) , esos
«interrum pidos manuscritos» —ya n i de « a lto » n i de
«bajo» e s tilo - que constituían su «D estin o » com o su
« co n cien cia» (d e poeta; w . 14 —15 ) han decaído com o la
guirnalda -c o m o su«guirnalda de p o e ta » - trenzada con
255 NOTAS
sus flores de papel (y. 2 0 ). En el estrecho espacio de esos
versos encontram os de pronto resonancias - e in clu so la
estricta referencia— a textos com o aquel del poem a en
prosa de Baudelaire «Perte d’aureole» (en los versos 20-
22) o a los fam osos dados m allarm eanos (aunque quizás
sea a E instein ahí la referencia más directa: «D io s no
juega a los dados» es sin duda la expresión más famosa del
científico; consultar el v. 2 4 ). Y, jun to a ello,
Petrarca -ta m b ié n él con «coron a de lau rel» y hasta
revestido con su capa tal com o aparece en los grab ad os-
( w . 22 y 23), o la referencia - a lg o esco n d id a - al Paraíso
perdidom iltoniano (ver en el v. 11). Ya lo dijo al principio
(d el poem a): lo que ha «caído» al suelo de repente com o
ese «papel»donde envolvían un caramelo m alo» (la caída
aureola del poeta y, con ella, el aura del poem a, para
decirlo en térm inos de Benjam in - y , más o m enos, en las
m ism as fe c h a s -) es la «literatura» en su conjunto ( w . 2
y 4 ). Esa que el poeta usaba «para sí» (v. 3) y que lo arras­
tra todo finalm ente - « h o y que todo m e falta, cual si fal­
tara el su elo» (v. 1) - arrebatando todo fundam ento en la
«atrocidad» (v. 2 ) de sucaída.
16 7 Fechado a 9 de m arzo del 1930.

v. 12. «Q u e matara ahora a aquella niña». Variante seña­


lada en TRL.

169 Fechado a 1 de abril del 1930. La referencia es a Cesario


Verde, poeta m u y adm irado por Pessoa. Ver, entre otros
lugares, nota a p. 135, v. 7, del volu m en III de esta edición
de la poesía de Pessoa.

171 Fechado a 8 de abril del 1930. La h oy casi olvidada Carry


N a tio n —Carrie A m elia M oore N a tio n (1846-1911) por
su n om b re c o m p le to - fu e u n a fam osa m ilita n te de la

256 POESÍA V
liga antialcohólica norteam ericana. Sus violentas accio­
nes -so lía entrar armada con un hacha a destruir botellas
y barricas en todas las tabernas y bodegas que encontraba
a su p a so - y su más que notable corpulencia -1 ,8 0 m . de
altura, 80 kg. de p e so - le otorgarían gran notoriedad. La
versión abreviada de su nom bre —alguien que va « ca r­
gando» los destinos de «la n ación », su cam peón o aban­
d erad o- marca su perfil agudamente.

175 Fechado a 21 de abril del 1930.

177 Fechado a 28 de m ayo del 1930.

v. 7. «¿Compré sin darme cuenta algún billete...». Variante


señalada en TRL.

179 Publicado en el núm ero 27 de Presença, de ju n io -ju lio de


1930, y com puesto para conm em orar el «aniversario» de
Alvaro de Campos (15 de octubre de 1929), su redacción
debe rem itirse al 13 de junio de 1930 (fecha del aniversario
de Pessoa).

v. 17. « (¡N i lo en cuentro!)». Variante de lectura en Atica.

185 Fechado a 18 de junio de 1930.

v. 14-. «C óm o van en suspenso». Variante señalada en


TRL.

187 Fechado a 18 de junio del 1930. Aunque sin tener seguridad


sobre el objeto del « d iagn óstico», estaríam os tentados
fácilm ente de relacionarlo con el texto titulado «M ari-
netti, académ ico» (v er el poem a de pp. 116-117 de este
m ism o v o lu m e n ). Suposición en parte autorizada por la
propia «falta de verdad» de que el ‘poeta’ se acusa, literal-

257 NOTAS
m ente, en el v. 1 , y con su final «aceptación si le dieran...»
aquello de que habla ( w . 8-11). Así el reproche de in au ­
tenticidad que ‘Campos’ había h echo a M arinetti viene a
volverse aquí, en cierto m odo, contra ‘él’, y, con él, contra
Pessoa.

189 Fechado a 20 de junio del I 9 3 O.

v. 12. «A gladio y fin » . L ucha a m uerte —sin p e r d ó n - de


los gladiadores en el Coliseo.

1 93 Fechado a 29 de jim io del 1930.

195 v. 32. «E n casa de ellos». Variante señalada en TRL.

1 97 Fechado a 2 de julio del 1930. E l título, en francés en el ori­


ginal, tiene el significado -a q u í sim b ólico- de un «colofón
gráfico», la «viñ eta de cierre» de algún texto, con lo que
nos viene a rem itir a esa clara conciencia de final que reco­
rre (e l fin d e) esta poesía, desde la repetida referencia a la
(in s u sta n c ia l inanidad de la ‘persona-C am pos’ ( y de las
personas-de-Pessoa; ver por ejemplo los versos 7 y 8 ) , a la
obsesión por la perdida infancia ( y una que es tan real —la
de P essoa- com o irreal - d e sus ‘personajes’- ) , lo que rela­
ciona este poema con diversos poemas precedentes («E stoy
cansado de la in teligencia», pp. 84-85 de este libro, pero,
sobre todo, «Aniversario» -p p . 178-183- entre otros ejem­
plos reseñables). Coherentemente el «cu l-de-lam p e» ( w .
48-50) cierra el texto, al final, literalmente.

v. 4. «E n cualquier posición». Variante señalada en TRL.

201 Fechado a 3 de julio de 1930.

v. 6 . «Los que duelen, irritan». Variante señalada en TRL.

258 POESÍA V
203 v. 16. «P or n o tener buen abrigo entre las sim patías».
Variante señalada en Atica.

207 v. 10. «M ientras amábamos y amábamos am ar» (e n latín


en el original). La cita agustiniana en este verso (tom ada
del libro de LasConfesiones) es m odelo ‘asociativo’ del pri­
m ero, y a eso se refiere el verso 11. La «asociación de
ideas» ahí descrita es por tanto u n m odelo literario —no
una in fluencia n i u n r e cu er d o -, u n m odelo sin táctico-
p oético específicam ente productivo dotado de su propia
autonom ía que el poeta descubre, de repente, dentro del
espacio delpoema.

209 Fechado a 9 de julio del 1910.

v. 9. « N o para ser com prendido y d iscu tid o». Variante


señalada en TRL.

v. 11. « E l discutir» y « el preocuparse». Variantes señala­


das en TRL.

w . 11-14. « “La cólera de Sansón”». [...] / «L a mujer,


niño enfermo, doce veces im pura» (en francés en el origi­
n a l). E l títu lo que v ien e recogido dentro del p rim ero de
estos versos es el de u n poem a m uy famoso - y escandaloso
en su m o m e n to - de Alfred de Vigny. Algunos de los versos
anteriores al aquí incluido íntegram ente en el verso 14 de
Pessoa decían com o sigue: «U na lucha eterna en todo
tiem po y lugar / se fibra en la Tierra en presencia de Dios
/ entre la bondad del hom bre y, de la mujer, el engaño. /
La m ujer es u n ser im puro de alm a y cu erpo». Luego,
unas estrofas más abajo: «L a mujer es peor actualmente. /
[ . . . ] / La m ujer tendrá Gom orra y el hom bre Sodom a, /
m orirán los dos sexos, por su lado cada u n o » (versos
puestos en boca de Dios m ism o). E l poema, que fue —unos

259 notas
años a n te s- em pleado por Proust ( y com entado tam bién
por Walter Benjam ín —que lo ha recogido en sus Pasajes-
en los m ism os años de P essoa), se refiere al engaño de
Dalila que desemboca (en la historia bíblica) en el prendi­
m ien to de Sansón (su am ante y, realm ente su en e­
m igo -Libro delosJueces , X V I-; el engaño repite -c ó m o
e n g a ñ o - el que E va realiza frente a Adán, aunque sea el
contrario el resultado —
Génesis, III y IV -...)- D esde la
ejemplar leyenda antigua y su versión m oderna - ‘em peo­
rada’: « la m ujer es peor a c tu a lm e n te ...» -, el lugar del
conflicto: el sexo en ‘Campos’ - q u e debería «descubrirse
menos»(v. 1 2 ) - com o espacio poético: en Pessoa.
w . 17-24. La tesis «todo es literatura» viene aquí a confir­
m ar —reproducir— en el exterior (« a s í es la v id a » ) lo
interior de la vid a (co m o te x to ). Platón aquí y
Petrarca - c o m o antes, en el poem a anterior, de Kant a
H egel o Aurelio A g u stín - se reconocen realidad efectiva;
sus palabras (con la más absoluta independencia de si han
sido leíd as) se descubren com o hechos de u n m un do en
cuyo seno nos reconocem os tra d u c cio n es).

213 v. 6. U na n u ev a fó rm u la p a ra la cuestión de las ‘personas’:


ah í, com o se ve, C am pos n o es ‘u n o ’, es decir, n o es u n o
so la m e n te, sino que es « u n -té c n ic o -y -C a e iro » , des­
d o b la m ie n to que lo v uelv e doble en el bucle que tr a z a el
m o v im ien to de su in-estab le ‘perso n alid ad ’ (esa que poco
antes, al final del poem a que com ien za p o r « N o obstante,
n o o bstante...» , se concreta de m odo sem ejante en la doble
conciencia que supone el h ab lar de u n « conm igo» y, ju n to
a ello, de los otros ‘conm igos’: los « d e m í» ; v e r p. 205 , v. 2 5
de este lib ro ).

2 15 Fechado a 19 de julio del 1910.

26o POESfA V
w . 17-19. La específica venta (perdida por ta n to ) de ese
‘y o ’ -personalidad donde se encuentra solam ente a aquel
que no se fue (y. 6 ) - es irónicam ente presentada con la
fábula bíblica de Esaú, el que ven d ió su prim ogenitura a
cambio de un plato de lentejas (vid . Génesis, XXV, 26-34),
transformadas ahora en las judías de los juegos de m esa de
la infancia.

217 Fechado a 11 de agosto del 1930.

221 Fechado a 17 de agosto del 1930, el poem a puede ser conti­


nuación, igualm ente tem ática y de tono, o quizás variante
m odulada, del poem a anterior, fechado sólo pocos días
antes de esta n ueva versión de u n m ism o asunto: « lib er­
tad» declinada en n egativo —en la form a quietista de la
estricta renuncia y de la en tr e g a - frente al extravío de
una infancia m alograda y perdida en su prom esa, en la
larga experiencia de una « v id a » que ya ha sido (v. 20),
cum plida e inconciliable.

225 Fechado a 4 de septiembre del 1930. Q uizá es aquí signifi­


cativo contraponer la experiencia que resulta de este texto
de ‘Campos’ con la correspondiente al conocido y estoico
«R etrato» de M achado al com ienzo de CamposdeCastilla
(u n os quince años an terior), si tenem os en cu en ta al
m ism o tiem po que los dos poetas coetáneos (Pessoa y
M achado) son también creadores de heterónim os com o se
ha señalado anteriorm ente (v er lo dicho al respecto en
nuestro prólogo al volu m en I de esta edición de la poesía
pessoana, pp. 7-9 en especial). La situación ahí es casi la
m isma; en concreto, én el poem a de M achado, ese «viaje
ú ltim o», esa «n ave» que - s e nos d ic e - «nunca ha de tor­
n ar» y la disposición del que nos habla, « ligero de equi­
paje» y preparado para em prender por fin la travesía. Y,
frente a ello, la actitud de ‘Campos’ que, hallándose ya

261 NOTAS
« en vísperas del viaje», se m antiene «sentado» e in -d is-
puesto, « co n la m aleta abierta» y en desorden ( w . 12-14,
2 1 ,3 0-41,45-46 y 52-53) en el intento inútil, negligente, de
«aplazar» ese viaje (v. 21 ) , y aplazar « tod o» aún (vv. 2 2 -
23): basta «m añana» (Vv. 2 4 -2 6 )...

227 v. 27. «M ás vale no ser que ser así». Variante de lectura en


Ática.

v. 36. Que no ha llegado a divinizarse com o el buey Apis


entre los egipcios (d e ser u n sím bolo de fertilidad, este
anim al sagrado llegaría a identificarse con Osiris en el
parteón egipcio antiguo).

231 E l poem a traza en cierto m odo u n paralelism o (a m o r­


tiguado y contradictorio en todo caso) con la historia de
Teucro, el hermano de Ayax Telamón, que fuera rechazado
por su padre (T elam ón, rey de Salam ina) a la vu elta de
Troya por no vengar la afrenta hecha a su hermano. Así, el
guerrero, con los que lo acom pañan, volverá a hacerse al
m ar una v ez más (v er v. 2 del texto pessoano) yen d o a
fundar en Chipre finalmente una nueva ciudad de Salamina
que habrá de ser su nueva patria. En el caso de ‘Álvaro de
Campos’ tam bién la vieja patria se ha perdido, pero en
cambio no h ay «nada que esperar». Todo será «aplazado»
hasta «m añ an a», pero hasta ese que es m añana « sie m ­
p re» - n o pudiendo por tanto re a liz a rse -. E l fragm ento
latino que aparece en el verso prim ero de este texto,
«siend o Teucro el jefe y el arúspice» (e l hom bre que
establece el vaticinio sobre aquello que aguarda en el
futuro, es decir, lo contrario de esa otra form a «vacía» de
« a d ivin ación » con la que ‘Campos’ cierra su p oem a), se
ha tomado de un verso de Horacio, Odas1 ,7,25. En cuanto
al «eras» del segundo verso se ha tom ado del ú ltim o de
H oracio («erasingerísiterabimusaequor» - «surcarem os
262 POESÍA V
m añana el m ar in g e n te » ), lo que redobla la contradic­
ción - a la m anera de un calco in v e r tid o - entre los dos
poemas confrontados.

233 Fechado a 10 de septiembre del 1910, fue publicado en los


núm eros 11-12 de Presença, m ayo-junio de 1911.
239 Fechado a 15 de octubre del 1910.

241 Escrito en el im preso de u n telegram a que lleva fecha de


191...

243 v. 6 . «¿Qué será lo que o cu lta n ...» . Variante señalada en


TRL.

245 Fechado a 14 de m arzo del año 1911, fue publicado por pri­
m era v ez en el núm ero 1 de la segunda serie de Presença,
noviem bre de 1919.

v. 15. «Perdonen lo poco...». En francés en el original.

247 Fechado a 4 de junio del año 1911.

263 NOTAS
INDICE

P r ó lo g o
Sobre todo... casi nada
Extravíos de la palabra en el desierto detlj ser 5
por Patxi Lanceros

Advertencia 35

LOS POEM AS DE ÁLVARO DE CAM POS - 3 37

N o ta s 249
Juan Barja