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12LH2, Maio 2020

GENOCÍDIO DE RUANDA
Geografia C
Prof. Conceição Guerra

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/05/album/1554460759_554970.html#foto_gal_1

Ilustração 1. Refugiados Ruandeses

Trabalho realizado por:

• Ana Catarina, nº3


• Ana Sofia Leal, nº 7
• Flávia Soares, nº16
• Soraia Guimarães, nº29
Índice

Introdução .......................................................................................................................................... 2
Capítulo 1- Localização do país .......................................................................................................... 3
• Localização do Ruanda................................................................................................................ 3
• Características do clima ............................................................................................................... 3
• Características demográficas ....................................................................................................... 4
• Características Religiosas ............................................................................................................ 5
• Características Sociais ................................................................................................................. 5
• Caraterísticas culturais................................................................................................................. 6
• Características económicas .......................................................................................................... 6
• Características políticas ............................................................................................................... 8
Capítulo 2- Contextualização Histórica .............................................................................................. 9
• O que é o Genocídio? .................................................................................................................. 9
• Antecedentes do Genocídio ......................................................................................................... 9
• Genocídio de Ruanda ................................................................................................................ 10
• Consequências ........................................................................................................................... 13
Capítulo 3- A Importância das organizações humanitárias .............................................................. 13
• Intervenção Humanitária no Ruanda ......................................................................................... 13
• Os Direitos Humanos ................................................................................................................ 15
• Tribunal Penal Internacional ..................................................................................................... 15
• Ruanda Atualmente ................................................................................................................... 17
Conclusão ......................................................................................................................................... 18
Webgrafia ......................................................................................................................................... 19

1
Introdução

O trabalho que se segue está relacionado com os Direitos Humanos, mais


concretamente com o Genocídio do Ruanda.
De entre os temas que foram apresentados, este foi o que mais nos cativou devido à
curiosidade que temos pelo continente africano e a sua cultura.
São objetivos deste trabalho, dar a conhecer o genocídio do Ruanda em 1994, o
incumprimento dos Direitos Humanos, assim como as poucas ajudas humanitárias
recebidas.
Para realizar este trabalho, foi feita uma pesquisa em vários sites, enriquecida com
uma entrevista de uma vítima e a história de duas personagens que vivenciaram este
acontecimento. Para completar o trabalho, recolhemos informações, através da
visualização do filme “Hotel Ruanda”.

2
Capítulo 1- Localização do país

• Localização do Ruanda

O Ruanda é um país sem costa marítima, localizado na região dos Grandes Lagos da
África e faz fronteira com o Uganda, Burundi, República Democrática do Congo e
Tanzânia.

https://la.wikipedia.org/wiki/Ruanda?fbclid=IwAR0YH-1w05rSfYEKGTqLFCVtd_3m3J74qRSPYxmtP-r-
QG2Ojl6KnSlm8zA
https://www.joaoleitao.com/viagens/mapas-africa/?fbclid=IwAR0CslJMYBFjT_PgCH-4fS8jQxJbIPaXkOF48xju8W-
tdY9_T43QaW6iXDo

Ilustração 3. Mapa do Ruanda


Ilustração 2. Mapa de África - Ruanda

• Características do clima

O clima do Ruanda regista temperaturas mais baixas do que as dos típicos países
equatoriais, devido à sua elevada altitude, sendo por isso caracterizado como um clima
tropical temperado. As temperaturas são elevadas e estáveis, ao longo do ano, variando a
temperatura máxima varia entre 250C e 280C, e a mínima entre 120C e 150C. Há, no
entanto, uma variação das temperaturas no país, devido à altitude. O oeste e o norte
montanhoso são regiões mais frias do que o leste do Ruanda. As precipitações são
elevadas, repartindo-se por duas estações chuvosas.

3
http://hikersbay.com/climate/rwanda?lang=pt&fbclid=IwAR3BEE1MUdVjv4jZ0u96hrcajOJpbdXmv8ZkUxrdXF-iFkQllH5rYao77X4

Ilustração 4. Clima do Ruanda – Temperatura média mensal e precipitação

• Características demográficas

O Ruanda registava, em 2018, uma população absoluta de 12.301.939 pessoas, sendo


a sua maioria jovens. A densidade populacional do Ruanda está entre as maiores da África,
498,66 hab/km2, em 2018, acreditando os historiadores que o genocídio de 1994 possa ser
atribuído, em parte, à elevada densidade do país. O crescimento populacional foi muito
negativo durante o conflito, mas, nos três anos seguintes, a população teve um aumento
muito significativo, de 1 milhão de pessoas.

https://pt.actualitix.com/pais/rwa/ruanda-crescimento-populacional.php?fbclid=IwAR1_rFNIFJztI6xfkEnEbYG1zmhNYAFoQSL8x8rypScDz9PXXXMOKNjLPhs

Ilustração 5. Crescimento populacional no Ruanda

O país caracteriza-se por ter uma população, na sua maioria, rural e com habitações
espalhadas uniformemente pelo território. A capital do Ruanda, Kigali, é

4
consequentemente a maior cidade que o país tem e é onde se encontra o maior número
de pessoas, com cerca de um milhão de habitantes.
A população é composta por três grupos: os Hutus, os Tutsi e os Twa, que se inserem
num único grupo étnico e linguístico, o Banyarwanda.

• Características Religiosas

Desde o genocídio ocorreram mudanças significativas na religião do país, a maioria dos


Ruandeses são católicos (56,5%), no entanto, surgiram novas religiões como o
protestantismo (37,1%) e o Islamismo (4,6%). A religião tradicional africana apesar de
manter uma forte influência, representa uma parte mínima da população do país (0,1%).
A maioria deste povo vê o Deus Cristão com semelhanças ao tradicional Deus Ruandês.
Cerca de 1,7% não possuem crenças culturais.

• Características Sociais

No Ruanda, os hutus e os tutsis distinguiam-se pelo facto de os primeiros


representarem a maioria da população, cerca de 85%, terem a pele mais escura, uma
menor estatura e dedicarem-se à agricultura, enquanto que os tutsis, cerca de 14% da
população, aparentarem uma maior estatura e a grande parte deste povo se dedicar à
pastorícia. Existia outro povo, os Twa, que eram uma minoria, pois representavam cerca
de 1% da população e não granjearam grande importância.
A sua organização modificou, a partir da colonização sob o domínio alemão. Os
alemães escolheram os tutsis para assumirem cargos de administração estatal, obtiveram
direito à preparação militar, acesso exclusivo à educação. Tinham uma estatura vigorosa,
uma raça pura, onde os alemães naquela época respeitavam.
A língua materna no Ruanda era quiniaruanda, falada pela maioria da população e
como línguas secundárias: o alemão, o francês, o inglês e o suaíli, todas estas línguas com
exceção do alemão são oficiais. O inglês é o principal idioma utilizado na educação, o
suaíli é a língua franca da África Oriental e é bastante falado no país, com destaque nas
áreas rurais e, por fim, o quiniaruanda é a língua do governo.

5
https://www.britannica.com/place/Rwanda
https://nacaomestica.org/blog4/?p=21384

Ilustração 7. Etnias no Ruanda (2002)


Ilustração 6. Grupos étnicos do Ruanda

• Caraterísticas culturais

Na cultura do Ruanda, o género mais popular de música é o hip-hop e os instrumentos


mais utilizados são os de percussão. A arte mais popular do Ruanda é o imigongo,
tradicionalmente feita por mulheres que utilizam esterco de vaca; outras formas de arte
são as danças típicas das mulheres, designada de dança das vacas (umushagirriro), e a
dança típica dos homens, a dança dos heróis (intore). A culinária do país baseia-se em
alimentos básicos produzidos pela agricultura de subsistência.


https://medium.com/@futuristicRW/the-ultimate-made-in-rwanda-summer-gift-pack-


a14baa22221f

https://heifer12x12.com/tag/umushagiriro/ https://pt.dreamstime.com/imagem-de-stock-royalty-free-dan%C3%A7a-de-rwanda-image19443356

Ilustração 8. Arte Imigongo Ilustração 9. Dança das Vacas Ilustração 10. Dança dos heróis

• Características económicas

Durante o genocídio, a economia do Ruanda sofreu grandes alterações, houve uma


enorme perda de vidas e de mão-de-obra, que provocou a diminuição do produto interno
bruto (PIB), destruindo, assim, a capacidade do país de atrair investimentos privados
externos.

6
https://www.google.com/search?q=pib+ruanda&oq=pib+ruanda&aqs=chrome.0.69i59j0l7.2216j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8

Ilustração 11. Ruanda - PIB

Atualmente, a economia nacional caracteriza-se por ser pouco desenvolvida, sendo a


agricultura a atividade predominante. As principais produções agrícolas são: a banana,
mandioca, feijão, sorgo, o chá e o café, que são produtos de exportação. Na indústria
prevalece a produção têxtil, a alimentar, as bebidas, o tabaco e a petroquímica. Os
principais mercados de exportação são a China, a Alemanha e os Estados Unidos.
A pesca é praticada nos diversos lagos do país, mas os produtos armazenados estão a
esgotar-se e os peixes vivos estão a ser importados, para tentar reativar a indústria
pesqueira.
Desde 1980, com o aumento das populações deslocadas, a produtividade agrícola e a
produção de alimentos têm vindo a diminuir.
O turismo contribuiu para o crescimento da economia e tornou-se o maior setor de
captação de recursos vindos do estrangeiro em 2011. Apesar do acontecimento de 1994,
o país é considerado internacionalmente como um destino seguro.
A economia é gerida pelo Banco Central Nacional do Ruanda, com o franco ruandês.

https://www.numismatas.com/phpBB3/viewtopic.php?t=21821&fbclid=IwAR36vGnJPRKm1sfGwSUfLGfSZlwPsQ3hRisaa6HdRlbAjQ-7UQgQNVOrZVI

Ilustração 12. Franco Ruandês

7
• Características políticas

O presidente do Ruanda tem vários poderes, incluindo a criação de políticas públicas, o


privilégio de misericórdia, o comando das forças armadas, a negociação de tratados e
pode declarar guerra ou estado de emergência. A atual constituição foi adotada depois de
um referendo nacional em 2003, substituindo a constituição de transição que já estava
em vigor desde 1994.
O sistema legal do Ruanda é baseado nos sistemas de direito civil alemão e belga e no
direito consuetudinário. O país é membro das Nações Unidas, União Africana,
Francofonia, Comunidade do Leste Africano e da Comunidade das Nações.
A Frente Patriótica Ruandesa (FPR) é o partido político dominante no país desde 1994,
e é visto como um partido dominado pelos tutsis, mas recebe apoio de todo o país, e o
povo acredita que este partido proporciona a garantia de continuação da paz,
estabilidade e crescimento económico.

Juvénal Théodore Pasteur Paul Kagame


Habyarimana Sindikubwabo Bizimungu

Presidentes

https://pt.wikipedia.org/wiki/Juv%C3%A9nal_Habyariman https://en.wikipedia.org/wiki/Th%C3%A9odore_Sindikubwab http://www.ivory-ng.com/paul-kagame-wins-presidential-poll-third/

a o https://therisingcontinent.wordpress.co
m/tag/pasteur-bizimungu/

Período 1 de agosto de 9 de abril de 1994- 19 de julho de 24 de março de


dos 1983 - 6 de abril 19 de julho de 1994- 23 de 2000-
mandatos de 1994 1994 março de 2000 atualmente

Grupo Hutu Hutu Hutu Tutsi


étnico

8
Capítulo 2- Contextualização Histórica
• O que é o Genocídio?
“Genocídio é o extermínio determinado a eliminar pessoas por motivações de
diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e, por vezes, sociopolíticas. O objetivo do
genocídio é o extermínio de todos os indivíduos integrantes de um grupo específico.”

• Antecedentes do Genocídio
Até ao final do século IX, antes da chegada dos europeus ao Ruanda, os grupos étnicos:
Hutus e Tutsi viviam em harmonia, compartilhavam a mesma língua, religião, além de se
casarem entre si.
Durante o século XVII, alguns impasses começaram a surgir com a manifestação de
duas etnias. No final do século XVIII, o Ruanda era um reino governado por reis Tutsi,
onde os hutus, mesmo sendo a maioria, eram dominados.
Em 1894, alguns alemães começaram a visitar o país constantemente, influenciando e
procurando criar amizades com o governo tutsi, até que em 1899 o Ruanda se tornou
numa colónia alemã e começou a fazer parte da África Ocidental Alemã.
No entanto, com a derrota alemã no final da 1ª Guerra Mundial, a Organização
responsável pela promoção da paz no mundo, conhecida como Liga das Nações, resolveu
que o controlo do Ruanda seria assumido pela Bélgica, em 1919. A ONU resolve tornar o
Ruanda num território fiduciário das Nações Unidas, e o Estado belga apenas
administrava o país.
Durante a colonização do país pela Bélgica, os líderes escolhidos foram sempre tutsis,
provocando uma rivalidade étnica.
Em 1959, o rei Mutara III faleceu e foi substituído por Kigeri V. Contudo, os hutus
mencionaram que o rei não tinha sido escolhido de forma lícita e começaram os
confrontos entre os dois povos: Tutsis e Hutus.
Em 1961, a Bélgica pôs fim à monarquia, e Gregoire Kayibanda tornou-se Presidente da
nova república. No ano seguinte, a ONU, em assembleia geral, torna independente o
Ruanda, sem dar importância às revoltas que o país atravessava.
Os Hutus, uniram-se formando o ParmeHutu, partido de emancipação hutu, ganhando
força e conseguindo eleger o primeiro presidente da sua etnia, Gregorie Kayibanda, que

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implantou no seu governo uma grande perseguição aos Tutsi, causando caos e fugas por
todo o país.
Em 1973, devido aos conflitos entre os dois povos, os militares resolveram interferir e
tomaram o poder através da força, acabando com o ParmeHutu e com toda a atividade
política existente no país.
Os militares ficam no poder até 1988, nesse tempo de permanência militar, o povo
realizou manifestações, provocando nos militares a tentativa de implementar, em 1990,
uma reforma política multipartidária no Ruanda.
No mesmo ano, os exilados tutsis que sofreram perseguições, resolveram unir-se e
formar o Frente Patriótica Ruandesa (FPR). Todos os tutsis, invadem o Ruanda, dando
início a uma guerra entre as duas etnias. As disputas e conflitos arrastaram-se por
aproximadamente dois anos, até que em 1993 um acordo de cessar-fogo foi assinado, os
Acordos de Arusha.
Em 1994, as tropas hutus, chamadas Interhamwe, são treinadas e equipadas pelo
exército ruandês, com vista a enfrentar os tutsis através da Rádio Télévision Libre de Mille
Colline (RTLM), dirigida pela fação hutu mais extrema. As mensagens da rádio exaltavam
as diferenças que separavam ambos os grupos étnicos e os apelos à confrontação, por
exemplo “caça aos tutsis”.

• Genocídio de Ruanda
Em 1994, os rebeldes tutsis e o atual presidente do Ruanda, Juvénal Habyarimana,
queriam acabar com os conflitos entre os dois grupos étnicos, através da assinatura de
um tratado de paz proposto pela ONU, que não foi avante, uma vez que o avião onde ia o
presidente caiu, a 6 de abril. Este acontecimento foi a abertura para o massacre. Um dia
depois, a primeira-ministra hutu, os capacetes azuis, que foram enviados pela ONU, e
vários ministros foram assassinados, começando, assim, o massacre de grande escala no
Ruanda.
No decorrer destes acontecimentos, até 15 de julho, as forças hutu, que permaneciam
no poder desta guerra contra a Frente Patriótica Ruandesa, composta por exilados tutsi,
aproveitaram-se da ocasião para abater inúmeros dos seus adversários.

10
As estações de rádio e jornais, eram dominadas por extremistas hutus, que
transmitiam propaganda de ódio onde as pessoas eram aconselhadas a “eliminar
baratas", o que significava matar os tutsis, e onde eram anunciados os alvos a abater.
Foram exterminadas pessoas de diferentes etnias, desde hutus moderados, Twas e na
sua maioria Tutsi. As forças especiais belgas e francesas ignoraram a situação, e retiraram
do país 3500 estrangeiros quando nos dias posteriores, milhares de ruandeses estavam a
ser mortos em Kigali e no interior. Cerca de 25 mil Hutus foram forçados a abandonar as
suas casas e a fugir para países fronteiriços ao Ruanda.

https://images.app.goo.gl/UUBCP1r9v1oSNUZw8
https://images.app.goo.gl/3UQYn4Q2byWERXG6A

Ilustração 13. Vítima do genocídio Ilustração 14. Vítima do genocídio

“A maioria das vítimas foi morta nas suas próprias aldeias e cidades, vizinhos matavam
vizinhos, viam-se cadáveres e partes de corpos de bebés, crianças, adultos e idosos
amontoados nas ruas.” A violência sexual também foi abundante, estimando-se que entre
250 mil a 500 mil mulheres foram violadas durante o genocídio, o que demonstra que as
cicatrizes dos que passaram por isto são não só físicas como psicológicas. O conflito durou
até 18 de julho de 1994, quando a FPR assumiu o poder. Estima-se que 500 000 a 1
000 000 de ruandeses morreram, cerca de 70% da população tutsi.

https://pt.slideshare.net/fernandaclaradasilva/conflito-em-ruanda-massacregenocdio

Ilustração 15. Evolução da taxa de mortalidade no Ruanda

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Atualmente, a igreja de Nyarubuye, tornou-se um memorial às vítimas do genocídio,
que se escondiam no edifício, onde ocorreram cerca de mil mortes. Nesta, encontrámos
os crânios das pessoas assassinadas, onde é possível visualizar as marcas de violência,
como, por exemplo, os buracos de tiros e as aberturas causadas por machados e facões.

http://genocide.leadr.msu.edu/church-massacre-at-nyarubuye-during-the-rwandan-genocide/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio_em_Ruanda

Ilustração 16. Igreja de Nyarubuye Ilustração 17. Crânio dos cadáveres no memorial

O genocídio provocou marcas físicas e psicológicas em toda a população, são exemplos


disso:
O ex-gerente de um hotel na capital do Ruanda, Paul Rusesabagina, que salvou a sua
família tutsi e centenas de sobreviventes do genocídio. A sua história inspirou o filme
"Hotel Ruanda".
Claude Gatebuk, um tutsi que, aos 14 anos, escapou por diversas vezes da morte até
conseguir fugir do país durante o genocídio de 1994. Atualmente, é fundador da Rede de
Ação dos Grandes Lagos Africanos nos EUA, organização dedicada a campanhas de
conscientização sobre guerras, genocídios e violações de direitos humanos.

https://epoca.globo.com/sobrevivente-do-massacre-de-ruanda-relembra-pesadelo-vivido-ha-25-anos-23607964
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Ruse
sabagina

Ilustração 18. Retrato de Paul Rusesabagina Ilustração 19. Retrato de Claude Gatebuk com 14 anos

12
No vídeo, a sobrevivente Muhinyuza Clare Alphonsina, conta sobre a sua terrível
experiência durante o Genocídio de 1994.
https://www.youtube.com/watch?v=2us5locxKgQ&app=desktop

• Consequências
Com o fim do genocídio, o Ruanda ficou devastado: as infraestruturas e a estrutura
social destruídas; a fome, pobreza e doenças aumentaram; centenas de milhares de
sobreviventes ficaram com traumas psicológicos, que os acompanham por toda a vida.
Apesar dos aspetos negativos, houve um crescimento notável no turismo, um
desenvolvimento tecnológico e a transformação em Kigali, que deixou de ser uma das
cidades mais poluídas.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/09/26/o-programa-de-radio-que-ajudou-a-ressuscitar-criancas-do-genocidio-de-ruanda.ghtml?fbclid=IwAR3dPkvYTjvp1kaMozqCRZ-9NUOlAAzh6-
LMRR35Sd3tdoXaL0JSn0Xqnuo

https://www.dw.com/pt-002/o-genoc%C3%ADdio-no-ruanda/g-
19393472?fbclid=IwAR0B8zf46wjN_vbh9MRjzRpNt0ANPecin6KzRdp7KscrcKrMvkB5cOLS4tA

Ilustração 20. Destruição do país após o Genocídio Ilustração 21. Crianças que fugiram do Ruanda após o Genocídio

Capítulo 3- A Importância das organizações humanitárias

• Intervenção Humanitária no Ruanda


O genocídio provocou bastante indignação na opinião pública mundial, não só pelo
horror motivado pelos massacres, mas também pela indiferença das potências mundiais.
O genocídio foi financiado, parcialmente, com o dinheiro de programas internacionais
de ajuda, pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional como Programa de
Ajuste Estrutural. Nos meses que antecederam aos massacres, a ONU colocou um
pequeno grupo militar no país, mas apesar disso foram completamente incapazes de
proteger as populações. Houve denúncias de que ia acontecer uma catástrofe
humanitária no país, mas nada foi feito. O governo hutu do país adquiria as armas das

13
nações ocidentais, especialmente da França, e de outras nações em desenvolvimento
como o Egito.
Apesar de terem forças de segurança no Ruanda, a ONU e a Bélgica não conseguiram
obter a permissão para intervirem de forma a acabar com o genocídio. Mais tarde, os
belgas e a maioria da força de paz da ONU, tentaram acabar com o massacre, mas
retiraram-se quando soldados belgas foram mortos. Até hoje, a ONU recebe diversas
críticas por retirar as tropas do país, devido a não ter nenhum valor económico por ser
um país pobre.
Os franceses que eram aliados do governo hutu, enviaram para o país militares com a
função de criarem uma zona segura, mas não foi bem-sucedida. A instituição financeira
francesa foi a única que aceitou transferir mais de um milhão de dólares do Banco
Nacional do Ruanda para uma conta na Suíça de um conhecido comerciante de armas sul-
africano, ou seja, foi uma violação do decreto das Nações Unidas. A França, foi acusada
de ter conhecimento dos planos genocidas das elites hutus e de não tomar nenhuma
atuação nas mesmas.
As organizações de defesa dos direitos humanos, integrando a Amnistia Internacional e
a Freedom House, denunciaram a hipocrisia e a insensibilidade da comunidade
internacional, por se tratar de uma região remota, longe dos centros de poder mundiais e
alegam que o governo despreza as liberdades dos grupos de oposição, através da
limitação das candidaturas nas eleições para partidos alinhados com a situação;
demonstrações de supressão e prendendo os líderes da oposição e os jornalistas.
O genocídio do Ruanda teve um impacto profundo na economia e no equilíbrio político
de toda aquela região, e cujas feridas continuam ainda por sarar na atualidade.

https://news.un.org/pt/story/2016/03/1543341-onu-cria-equipe-de-resposta-abusos-sexuais-cometidos-por-tropas-de-paz

Ilustração 22. Capacetes Azuis da ONU

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• Os Direitos Humanos
“Os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres humanos,
independentemente da raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer
outra condição.”

A declaração universal dos direitos humanos é um marco na história dos direitos


humanos, redigida por representantes com diferentes origens culturais de todas as
regiões do mundo, foi proclamada a 10 de dezembro de 1948 pela Assembleia Geral das
Nações Unidas, onde se afirma a preocupação internacional com a preservação dos
direitos humanos. Esta declaração é considerada a maior prova até hoje de consenso
entre os povos.
O ser humano desde sempre lutou por todos os seus direitos humanos, como, por
exemplo, a convenção sobre a prevenção e punição do crime do genocídio desde 1948 e a
eliminação de todas as formas de discriminação racial em 1965.
As vítimas do genocídio do Ruanda não foram apenas os que morreram durante este
período, mas também aqueles que carregam até hoje marcas físicas e psicológicas. E os
direitos inerentes a cada ser humano têm de ser garantidos, porque só com o
cumprimento destas leis é que será possível alcançar a paz.
O dia 7 de abril é marcado pelas Nações Unidas como dia internacional de reflexão
sobre o genocídio de 1994 no Ruanda, e compete-nos a nós refletir sobre o que ocorreu
há mais de 26 anos.

• Tribunal Penal Internacional


O tribunal penal internacional (TPIR) para o Ruanda, foi criado em novembro de 1994
pelo conselho de segurança das nações unidas, com a finalidade de julgar os responsáveis
pelo genocídio e outras violações das leis internacionais, como crimes de guerra e contra
a humanidade, violações de artigos, entre outros, ocorridas no território do Ruanda,
restringia-se a atos ocorridos entre o dia 1 de janeiro até 31 de dezembro de 1994.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Corte_Penal_Internacional

Ilustração 23. Símbolo do Tribunal Penal Internacional

15
Em 1995 o tribunal foi acolhido em Arusha, na Tanzânia, e a partir de 1998 as suas
atividades expandiram-se.
A ONU impôs ao tribunal que completasse as suas investigações até 2004, todas as
atividades em julgamento até 2008 e encerrado os trabalhos em 2010.
Em dezembro de 2008, o tribunal condenou a prisão perpétua os três principais
dirigentes do governo Theoneste Bagosora, Aloys Ntabakuze e Anatole Nsengiyumva.

https://unictr.irmct.org/en/cases/ictr-98-41

Ilustração 24, 25 e 26. Theoneste Bagosora, Aloys Ntabakuze e Anatole Nsengiyumva.

A 20 de dezembro de 2012, condenou o ex-ministro de planeamento do Ruanda


Augustin Ngirabatware a 35 anos de prisão por genocídio, por ajudar nos ataques e
assassinatos de tutsis, através das suas palavras e a distribuição de armas.

http://www.internationalcrimesdatabase.org/Case/
832/Ngirabatware/

Ilustração 27. Augustin Ngirabatware

Em 18 anos, 93 pessoas foram incriminadas por cumplicidade no genocídio, dos


acusados 83 foram presos, onde 75 deles foram levados a julgamento e, desses, 65 foram
condenados, nos quais, 9 assumiram ser culpados.

16
• Ruanda Atualmente

Atualmente, os ruandeses hutu e tutsi podem-se casar e possuem os mesmos direitos,


o que não acontecia antes do genocídio. O país conta com uma democracia, e até já teve
uma mulher na presidência.
O Ruanda recebeu uma atenção internacional considerável devido ao genocídio
ocorrido em 1994, no qual cerca de 800 mil pessoas foram mortas. Desde então, o país
viveu uma grande recuperação social e, hoje em dia, apresenta um modelo de
desenvolvimento que é considerado exemplar para países em desenvolvimento.
Em 2001, os Ruandeses adotaram uma nova bandeira, composta por quatro cores: o
azul que representa a felicidade e a paz que não existiam no país antes do genocídio, a
faixa amarela o desenvolvimento económico e a faixa verde simboliza a esperança e
prosperidade. O sol com um tom amarelo diferente representa a iluminação.

http://www.bandeiras-nacionais.com/bandeira-ruanda.html?fbclid=IwAR28q3STDPs4hWlnruNUp0BZEfcPvx4EFBKTZpOdmhTgjfYOTh-iXd-AlsM

Ilustração 28. Bandeira atual do Ruanda

http://www.bandeiras-nacionais.com/bandeira-
ruanda.html?fbclid=IwAR28q3STDPs4hWlnruNUp
0BZEfcPvx4EFBKTZpOdmhTgjfYOTh-iXd-AlsM

http://www.bandeiras-nacionais.com/bandeira-
ruanda.html?fbclid=IwAR28q3STDPs4hWlnruNUp
0BZEfcPvx4EFBKTZpOdmhTgjfYOTh-iXd-AlsM
http://www.bandeiras-nacionais.com/bandeira-
ruanda.html?fbclid=IwAR28q3STDPs4hWlnruNUp
0BZEfcPvx4EFBKTZpOdmhTgjfYOTh-iXd-AlsM
http://www.bandeiras-nacionais.com/bandeira-
ruanda.html?fbclid=IwAR28q3STDPs4hWlnruNUp
0BZEfcPvx4EFBKTZpOdmhTgjfYOTh-iXd-AlsM
http://www.bandeiras-nacionais.com/bandeira-
ruanda.html?fbclid=IwAR28q3STDPs4hWlnruNUp
0BZEfcPvx4EFBKTZpOdmhTgjfYOTh-iXd-AlsM

17
Conclusão

Para concluir, este trabalho possibilitou-nos uma melhor compreensão do massacre,


da cultura ruandesa, da população que vivenciou esta terrível catástrofe. Para além do
que mencionámos, o trabalho permitiu-nos a consciencialização das desigualdades
étnicas e a crueldade do ser humano em pleno século XX.
Este assunto sensibilizou-nos e emocionou-nos, devido à violação dos direitos
humanos proclamada em 1948, pois o país não recebeu o apoio da ONU e dos países
ocidentais, a retirada dos capacetes azuis no país após a morte das primeiras vítimas, o
que revelou um ato de covardia por parte da ONU, assim como o elevado número de
mortes e abusos sexuais, principalmente, a crianças.
Este trabalho deixou-nos marcas, não só pelo assunto que abordámos, mas também,
por trabalharmos em equipa, debatermos juntas sobre o assunto e por alguns factos que
nos chocaram.

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Webgrafia
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