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relevantes na área de
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tamanho de letras,
gerais
paragrafa, espaçamento
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Referencias Normas APAs 6ª  Rigor e coerência das 4,0


edição em citação e citações/referências
Bibliográficas
bibliografia bibliográficas
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Índice

Introdução......................................................................................................................5

O PENSAMENTO POLÍTICO DA IDADE MÉDIA...................................................6

Características na idade Media......................................................................................6

1.1. Santo Agostinho (354-430 d.C)..............................................................................7

2. São Tomás de Aquino (1225-1275)...........................................................................9

2.1. Pensamento Político de São Tomás de Aquino......................................................9

Contribuição tomista....................................................................................................11

Filosofia política na idade média.................................................................................11

O Cristianismo e o poder do papa…………………………………………………12

Influências e impactos das teorias de Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino....14

A Cidade de Deus de Santo Agostinho…………………………………………….16


Conclusão…...……………………………………………………………………….19

Referências Bibliográficas...........................................................................................20
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Introdução
A idade média foi o intervalo de séculos que contribuiu para a formação do Estado
moderno e da burguesia liberalista: com a ascensão e queda do sistema feudal, assim
como da abrangência em certo ponto totalitária da igreja católica, as actividades e
acontecimentos que tornaram possível o desmantelamento deste antigo sistema são
processos repletos de diversas etapas, aptos e realizações; não pode ser excluída aqui a
produção intelectual. Ela foi de extrema importância para a solidificação e, mais tarde,
justificar a manutenção do poder e influência exercidos pela igreja católica apostólica
romana.

A filosofia política escolástica teve por finalidade o intuito de reafirmar os dogmas


cristãos dentre a ascensão monárquica e burguesa de algumas localidades europeias.
Estas duas classes ameaçaram sua soberania, uma vez tão geral e irrestrita, forçando uma
nova visão que colocava em evidência o pensamento filosófico baseado na fé
( Adriano,2001) .

Seu maior representante foi Santo Tomás de Aquino. Utilizou, assim como seu
antecessor, um representante da antiguidade clássica para fundamentar suas teorias.
Baseando-se em Aristóteles, ele lançou um novo olhar sobre o racionalismo em seu
tempo. Serra (2000), Ao contrário de Santo Agostinho, que defendia a fé como base e
preceito para qualquer pensamento e actividade, Santo Tomás de Aquino fundiu a
legitimidade da filosofia com a teologia dogmática .

Segundo Amaral (1997), a Bíblia a base de toda a reflexão cristã da idade média, tanto
no oriente como no ocidente. Os homens da idade média europeia viveram numa
extrema familiaridade com os actores desta história adquiriram também mecanismo
específico de pensamento, a um tempo submetido à autoridade dos textos sagrados e dos
escritos dos padres e virados para a minuciosa investigação do seu sentido sempre
atentos aos significados das palavras e dos conceitos que elas representavam.

Portanto, o presente trabalho, para alem de preparar ou munir de certas matérias aos
estudantes na prática de realização de trabalhos científicos, tem como objectivo de
reconhecer o pensamento político na sua idade média e caracteriza-lo.

Quanto a estrutura, este obedece a seguinte sequência: Introdução, Desenvolvimento,


conclusão e a referência bibliográfica.
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O PENSAMENTO POLÍTICO DA IDADE MÉDIA


Características na idade Media
A religião cristã impôs-se no final da antiguidade entre os numerosos cultos de origem
oriental que se difundiram no seio do império romano. Vinha na sequência de uma
tradição judaica, amplamente espalhado no império e cujas comunidades actuaram
como passadores no processo da sua difusão. Quer os judeus quer os cristãos traziam de
novo o princípio de um Deus único e revelado e também de um conhecimento todo ele
contido num único livro – A Bíblia a base de toda a reflexão cristã da idade média, tanto
no oriente como no ocidente. Os homens da idade média europeia viveram numa
extrema familiaridade com os actores desta história: as grandes personagens do antigo
testamento
– Adão e Eva, Abrãao, Moisés, David, os profetas – e do novo testamento – o Cristo, a
virgem, os apóstolos, os evangelistas – e os santos que a continuaram. Raul (1998)
Adquiriram também mecanismo específico de pensamento, a um tempo submetido à
autoridade dos
textos sagrados e dos escritos dos padres e virados para a minuciosa investigação do seu
sentido sempre atentos aos significados das palavras e dos conceitos que elas
representavam.
Cumpre-nos todavia acentuar desde já os principais aspectos inovadores do cristianismo
que tiveram repercussão na esfera social e político: Primeiro: foi a noção da
humanidade como noção nova, equivalente a globalidade do género humano. Todos os
homens são iguais, todos são filho do mesmo Deus, nenhuma diferença de natureza
existe entre eles. Como expressivamente disse S. Paulo “nesta renovação não há mais
judeus nem gentios, circuncisos ou incircuncioso, nem bárbaros, nem gregos, nem
escravos nem homens livres” (Epistola de S.Paulo aos Colossenses, 3,11);
Segundo é pela mesma ordem de razões, o cristianismo veio proclamar com todas as sua
força a natureza inviolável na pessoa humana, principio superior de que foram brotando
ao longo dos séculos números corolários da mais alta relevância política – a
condenação da escravatura, a liberdade e os direitos do homem, a limitação do poder
politico, a garantia à vida, etc; Terceiro: surgi com os primeiro doutrinadores cristãos,
uma concepção inteiramente nova do poder político quer quanto à sua origem – a partir
de agora entender-se-á que todo o poder vem de Deus (S.Paulo, Epistola aos romanos,
13,1), - quer quanto ao sentido do seu exercício o poder passara a ser visto não como
um direito próprio dos governante ou como pura autoridade do estado sobre os
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cidadãos, mas sobre tudo como função posta ao serviço do bem comum da qual
resultam para o seu titular mais deveres do que direito e menos privilégios do que
responsabilidade; Quarto: a criação de uma igreja universal, incumbida de defender e
propagar a fé cristã de origem a problemática, até então desconhecida das relações entre
a igreja e o estado.

1.1. Santo Agostinho (354-430 d.C)


A queda do Império Romano no Ocidente em 476, vai originar o surgimento e a
expansão do Cristianismo, é neste período de profundas alterações no domínio das
ideologias e das doutrinas políticas, que aparece o Santo Agostinho, considerado o
primeiro grande filósofo cristão e que chegou a ser Bispo de Hipona.

Serra (2000), sustenta que o Santo Agostinho viveu no período do Feudalismo, a Idade
Média tem no Feudalismo uma estrutura social, política, económica e religiosa, onde as
relações estabelecidas eram de vassalagem, onde o rei era o senhor mais poderoso.

A sociedade feudal era bastante hierarquizada e a nobreza era detentora de grandes


extensões, além de poder arrancar os impostos pelos camponeses.

O Clero, por sua vez, era constituído pelos membros da igreja Católica que detinha o
poder espiritual. A igreja era o representante de Deus na Terra, e influenciava o modo
de pensar, as formas de comportamento, Moreira (2001). Detinha também o poder
económico porque detinha inúmeras terras.

Neste período quem detinha mais terras, também tinha mais poder, e todos os poderes
jurídico, económico e político estavam concentrados nas mãos dos senhores feudais.

Concluindo, o Estado Medieval caracterizou-se pela expansão do cristianismo, pela


enorme revolução agrária, pelo surgimento das universidades, Moreira (2001). Perdeu
um pouco do poder político em favor das estruturas interestaduais e supra estaduais (o
papado – que representava a conveniente encarnação do poder espiritual e temporal, o
papa como representante de Jesus Cristo na Terra), tais como o feudalismo (domínios
dos senhores feudais, detinham porções de terra, com poderes de natureza política,
militar, judicial, fiscal, fazendo parecer as vezes estar-se e perante Estados dentro do
próprio Estado.
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O Poder Espiritual (de Deus) se sobrepunha ao Poder Temporal (dos homens), sendo o
Papa considerado o rei dos reis, detentor do poder espiritual na Terra.

1.2.Pensamento Político de Santo Agostinho


Santo Agostinho, foi fortemente influenciado pelo pensamento de Platão. No seu
pensamento ele apresenta o modelo de duas cidades, a cidade de Deus e a Terrena.

Moreira (2001) acresce que a cidade de Deus, iria reunir os eleitos, aqueles que vivem
de acordo com a lei de Deus, estes conseguiriam alcançar a paz e a justiça, o amor
perfeito e a realização pessoal.

Enquanto que a cidade Terrena era o reino do Satanás, em permanente conflito, sem
harmonia, vivia-se num Estado turbulento.

Entendia ele, que as duas cidades estavam em permanente conflito, o Estado devia
tentar alcançar a cidade de Deus.

Era um pessimista antropológico. E duvidava da capacidade de generação do homem.

Num segundo momento ele aborda a questão da autoridade política, e entende que esta é
uma dádiva de Deus, daí que ele entenda que o dever de obediência é absoluto na
relação governados/governantes.

Não compete aos homens discutir se os governantes são bons ou maus, ou se as formas
de governo são justas ou injustas. Entendia ele que a paz era um bem supremo na
cidade, contudo este facto não impede uma guerra justa, isto é, se a cidade de Deus
fosse atacada, eles tinham o direito de se defender (Serra, 2000) .

No 3º momento ele debruça-se sobre a relação entre a Igreja e o Estado, as relações


entre o poder eclesiástico e o poder civil são concebidos de forma separada e
independente; ele considerava perigoso a ingerência do poder civil sobre o poder
eclesiástico, e vice-versa. Neste pensamento de Santo Agostinho, não se vislumbra a
supremacia papal.

Concluindo, Santo Agostinho, debruçou-se sobre o problema da ordem e segurança,


ordem e justiça, o valor fundamental da paz, fez a distinção entre a paz justa e a paz
injusta, tinha uma concepção negativa do homem, uma visão repressiva do Estado,
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recusa o progresso histórico e a evolução do mundo, para ele o homem era o foco de um
mau comportamento.

2. São Tomás de Aquino (1225-1275)

São Tomás de Aquino era filho de nobres, o pai pertenceu a corte de Frederico II, padre
dominicano, estudou na Universidade de Nápoles e depois em Paris, onde se doutorou
aos 35 anos.

As convicções filosóficas e políticas de São Tomás de Aquino foram fortemente


condicionadas pela sua concepção cristã, teocêntrica do mundo e da vida, bem como
pela assimilação e cristianização da filosofia aristotélica e pelos elementos da nova
situação histórica, étnica, social e política que caracterizaram a Escolástica nos séculos
XII e XIII, (Adriano, 2001).

2.1. Pensamento Político de São Tomás de Aquino

São Tomás de Aquino, fez a síntese entre o cristianismo e o pensamento aristotélico. Foi
um autor jusnaturalista, que defendia a existência de uma ordem única na natureza,
criada pela providência divina, especialmente no homem e sua provisão.

Os aspectos do seu pensamento resumem-se me:

Existência de leis criadas por Deus onde diz que Deus criou o mundo e o homem de
acordo com as leis do universo.

De acordo com este autor, existem as seguintes leis:

Lei Divina – estas são as normas reveladas directamente pela divindade pelas escrituras,
e estas normas são superiores à todas as outras, mas não são suficientes para reger a
vida da cidade.

Lei Natural – é a participação da lei eterna na criatura, o mesmo que dizer que são
normas ditadas pela razão divina enquanto cognoscíveis pela razão humana, isto é, era
preciso procurar fazer o bem, e evitar fazer o mal (concepção tomista – o bem deve ser
feito e o mal evitado).

Lei eterna – é a lei promulgada por Deus, e que tudo ordena, em tudo está, tudo rege. A
Lei Eterna é uma directriz para tudo, é uma ordem imperativa, é regente do todo, a
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partir da razão divina que a tudo inspira. Isto é, é a lei geral criada para todos os seres
do universo.

Lei Humana – é o complemento ou particularização da lei natural, “toda a lei criada


pelo homem, só teria natureza de lei, se estiver em consonância com a lei natural, só
seria justa, só seria justa se não contrariasse a natureza” (Serra, 2000).

No 2º momento este autor debruça-se sobre a necessidade da comunidade política para a


realização do homem, o homem é um animal político, daqui decorre que a sociedade
política tem uma origem natural, ele realçava a necessidade do homem estar integrado
num Estado, o que não significa que o Estado se sobreponha ao homem, pelo contrário,
tendo sido criado a semelhança de Deus, ele tinha dignidade e um conjunto de direitos,
para ele, Moreira, (2001) o homem não era uma peça do mecanismo estadual, tem
autonomia e independência, tem fins próprios, um próprio direito de acção ligado à
Deus, por isso não pode ser esmagado pelo Estado.

Num 3º momento São Tomás de Aquino debruça-se sobre o bem comum como o fim do
Estado. Defendia que os homens deviam ter o mínimo de bens que pudessem assegurar
a sua subsistência, porque só assim ele poderia de facto prosseguir os fins eternos que
motivam a sua existência.

São Tomás avança que o homem só encontra a sua realização na cidade. Cruz (1995)
Defende que o Estado é o bem comum. Só o Estado é a sociedade perfeita, não no
sentido de uma perfeição absoluta igual a de Deus, mas no sentido em que se basta a si
própria, que possui todas as virtudes para satisfazer as necessidades do homem. O bem
comum, o bem da comunidade, é pois o objectivo do Estado, e pressupõe que cada um
dos homens possa, não apenas viver, mas viver bem.

São Tomás de Aquino avança com a doutrina da origem popular do poder, e defende
que o poder tem uma origem divina, e que só através do povo é que o poder pode ser
transferido para os governantes (Jean, 1977).

Aceita a classificação de Aristóteles das formas de governo, e apresenta a tirania como a


pior destas formas, e defende que a melhor forma era a monarquia, e avança um
governo misto, concebido por Aristóteles e construído por Políbio e Cícero, em que se
conjuga a monarquia com a aristocracia e o poder popular.
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Contribuição tomista

Obediência

O teólogo Tomás de Aquino reconhece como natural e legítimo o direito de resistir os


tiranos ou déspotas e de levá-los a abdicar do trono, por meios legais.

Caetano Manuela (1972) a Cidade celeste, ou melhor, a parte peregrina neste vale e vive
da fé, usa dessa paz por necessidade, até passar a mortalidade, que precisa de tal paz.
Por isso, enquanto está como viajante cativa na cidade terrena, onde recebeu a promessa
de sua redenção e como penhor dela o dom espiritual, não duvida em obedecer às leis
regulamentadoras das coisas necessárias e do mantimento da vida mortal.

Filosofia política na idade média

Os vieses da filosofia política abrangem diversas eras do mundo humano. Desde seu
prelúdio inicial na Grécia antiga até os ideais duvidosos do mundo actual, podemos
observar o desenvolvimento da política juntamente com cada período histórico. Esse
desenvolvimento acompanha a evolução das organizações sociais que culminam, por
fim, no nosso Estado Moderno (Caetano Manuela;1972) .

Cada parcela da caminhada humana rumo ao distanciamento do caos social coincide com
eras de produção filosófica e intelectual memoráveis: cada conjunto de séculos trouxe o
mais requintado pensamento, a mais rica observação social, a mais justa, a mais correcta.
Isto, óbvio, para aqueles (as) incumbidos de liderar no degrau mais alto do poder.

Apesar de advindos de séculos de distância, filósofos da era clássica como Sócrates,


Platão e Aristóteles têm sido referência e base para toda uma parcela relativamente mais
“moderna” da filosofia. Suas ideias sobre política, organização social, visão de mundo e,
de certo modo, religião, correm pelas entrelinhas de obras dos gigantes pensadores da
nossa sociedade (Jean, 1977) .

Essa linha contínua de aperfeiçoamento de ideias, reciclando-as para que se encaixem no


formato da colectividade (ou das características de tal colectivo), pode ser observada até
mesmo nos sórdidos anos que compreendem a idade média. Para muitos considerada o
vácuo do desenvolvimento, o período entre os séculos V e XV que compreende esta fase
foi sim progenitor de diversos pensadores filosóficos.
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Moreira (2001), A idade média foi o intervalo de séculos que contribuiu para a formação
do Estado moderno e da burguesia liberalista: com a ascensão e queda do sistema feudal,
assim como da abrangência em certo ponto totalitária da igreja católica, as actividades e
acontecimentos que tornaram possível o desmantelamento deste antigo sistema são
processos repletos de diversas etapas, aptos e realizações; não pode ser excluída aqui a
produção intelectual. Ela foi de extrema importância para a solidificação e, mais tarde,
justificar a manutenção do poder e influência exercidos pela igreja católica apostólica
romana.

O conjunto de frutos filosóficos da era medieval pode ser dividido em dois grupos,
denominados de “patrística” e “escolástica”, que compreendem respectivamente a
primeira e última fase da idade média europeia. Ambas “escolas” comportam dois que
são os principais filósofos políticos de seu tempo: Santo Agostinho e Santo Tomás De
Aquino. Seus nomes e personalidades religiosas são conhecidos até hoje, e seus ideais
impactaram em grande escala a época em que viveram.

Representante notável da patrística, o católico Santo Agostinho foi um célebre pensador


dos primeiros séculos da idade média. Suas obras, recheadas de referências a filosofia de
Platão, assim como de outros autores posteriores, serviram de base para justificar
diversos pontos da igreja católica, assim como a protestante. Tem uma vasta produção,
com cerca de 200 cartas, 113 tratados e mais de 500 sermões (Caetano, 1972).

O Cristianismo e o poder do papa

O cristianismo não é somente uma doutrina, mas um modo de vida ou de costumes de


homens e mulheres que se denominam cristãos, o qual influenciou profundamente o que
chamamos de civilização ocidental nestes últimos dois milénios da história. O
cristianismo tem sua herança no judaísmo, porém faz constante referência a seu
fundador,

Jesus de Nazaré, filho de Maria e de José, que nasceu em Belém, viveu ocultamente
durante uns trinta anos em Nazaré, pregou a aproximação do Reino dos céus e morreu
crucificado em Jerusalém. Ninguém que leve a sério os dados históricos duvida da
existência do homem Jesus de Nazaré. Trata-se do Jesus histórico, cujo registo de
nascimento, durante o governo do Imperador Romano Octaviano Augusto, constitui
marco central de nossa história e é ponto de referência para datarmos nossos
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importantes acontecimentos. A mensagem de Jesus de Nazaré constituísse num ethos


característico de grande parte da humanidade. Ao pensar em cristianismo, estamos
falando de um nível moral do qual podemos discordar, mas não podemos negar a sua
existência. Contudo, o cristianismo é a plenitude de toda a revelação divina dos que
acreditam em Jesus como o Cristo, o Messias, o Salvador, o Filho de Deus. Ele é o
Verbo encarnado, quer dizer: Ele é o próprio Deus que se fez carne humana e veio
habitar entre nós (João 1). Ele nasceu, morreu e também ressuscitou. O cristianismo não
é uma religião de auto libertação do homem, mas uma religião de salvação do pecado
pela graça de Jesus Cristo. Entramos no nível metafísico. Trata-se do Cristo da fé.

Se não podemos provar racionalmente a divindade de Jesus ou a existência de Deus,


também não podemos provar a não divindade de Jesus ou a não existência de Deus. Isso
porque não conhecemos tudo, a realidade na sua totalidade ultrapassa nossa capacidade
de conhecer todas as coisas. Faz-se mister diferenciar racionalidade de razoabilidade,
como também racionalidade de supra-racionalidade, e esta não deve confundir-se com
irracionalidade. A filosofia que reflecte sobre o cristianismo como movimento que
influenciou a política deve ser um conhecimento aberto e não fechado a todas as
possibilidades, tanto físicas como metafísicas. Tanto em Platão como em Aristóteles
encontramos uma racionalidade aberta para as substâncias supra sensíveis e eternas.

Não pretendemos aqui apresentar todos os temas que caracterizam o cristianismo nem
analisar os diversos textos bíblicos cujas interpretações influenciam directamente a vida
política, como por exemplo, as palavras de Jesus “Dai a César o que é de César e a Deus
o que é de Deus” (Mateus 22,21); “Meu reino não é deste mundo” () e a orientação de
São Paulo “Submetam-se às autoridades, pois toda a autoridade vem de Deus” (Epístola
aos Romanos 13), mas nos concentraremos num dos aspectos relevantes para o
problema político que é a autoridade e o poder do Papa.

Em primeiro lugar, devemos lembrar que o Papa é aquele que ao longo da história do
cristianismo foi paulatinamente reconhecido como o que tem o primado na Igreja. De
início, devemos perguntar: o que significa a expressão “primado”? Inicialmente, deve-se
dizer que significa simplesmente a proeminência que um ostenta sobre os demais.

Os tratadistas distinguem três classes de primado: de honra, de ordem ou direcção e o de


jurisdição. O primado de honra significa ser o primeiro entre os iguais; por isso, alguém
que detém esse primado pode presidir e falar em primeiro lugar. É o caso do decano do
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colégio de advogados, cardeais, médicos ou professores. O primado de ordem ou


direcção acrescenta o direito de assinalar a ordem do dia e dirigir as deliberações; é o
caso, por exemplo, do presidente do Senado. O primado de jurisdição é o exercício do
poder supremo para reger ou dirigir os demais súbitos, incluindo a possibilidade de
legislar, julgar e castigar o não cumprimento da lei (PARDO, 1990, p. 29).

Influências e impactos das teorias de Santo Agostinho e Santo Tomas de Aquino

Porém, Santo Agostinho nem sempre foi católico. Narra em seu livro “Confissões” a
trajectória de seus dias juvenis, pincelando sua infância, adolescência, juventude e fase
adulta. Retratou o desenvolvimento de sua formação intelectual e sua conversão,
expondo seu autocontrole perante um mundo tão pecaminoso e devasso (Moreira , 2001)

Já em sua obra mais importante, conhecida como “A cidade de Deus”, comporta a


reflexão mais significativa de seu autor: a divisão maniqueísta do mundo entre a “cidade
de Deus” e a “cidade dos homens”. Essas duas classificações ligam-se com a história
humana terrena. O primeiro termo vem a exemplificar a pureza e santidade, sendo
supostamente fundada por descendentes de Abel; ali, comportam-se todos aqueles que
vivem próximos ao reino dos céus, em espírito. A “cidade dos homens” é o indivíduo
pecador e impuro, que se desvirtua dos ideais da igreja; essa “cidade” supostamente seria
fundada por Caim e seus descendentes.

Não são cidades físicas: a alegoria de Santo Agostinho não detalhava locais mitológicos,
mas fazia uma alegoria sucinta a organização de poder e classe durante a idade das
trevas. Jean (1977), o lado divino e santo seria representado, na nossa realidade terrena,
pela santa Igreja católica. Ela é responsável por garantir os interesses celestiais, reinando
soberana sobre todos os aspectos impuros da terra dos homens comuns; aqui está
incluído os aspectos do Estado, ou a organização que tende a formá-lo. Para os homens
pecaminosos, pertencente ao Estado e seus conjuntos, resta assegurar as coisas materiais
humanas. Ambas coexistem no mundo social da época, mas Agostinho encontra aqui
uma resposta para justificar os interesses da religião por sobre os interesses políticos, por
assim dizer. Seu trabalho consolidou o poder católico, sua predominância e influência
sobre esmagadora parte da época medieval.

Porém, nos últimos séculos deste período, a crise do sistema feudal trouxe a necessidade
de legitimar a soberania católica em outros meios. Para garantir seu poder numa
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sociedade prestes a se desmantelar, outra “escola” filosófica trouxe para a idade média
seus ideais de organização política — a escolástica.

Nasceu de um meio conturbado: a crise feudal estava prestes a eclodir, a burguesia e sua
influência ascendiam cada vez mais por sobre outros componentes sociais, a igreja,
lutando para manter-se em meio a suas reformas internas, necessitava desesperadamente
de uma nova justificativa política. É dela, das cruzadas e de outras acções comandadas
pelas autoridades católicas, que surge o segundo ápice de produção intelectual desta
época.

Segundo Caetano (1972), A filosofia política escolástica teve por finalidade o intuito de
reafirmar os dogmas cristãos dentre a ascensão monárquica e burguesa de algumas
localidades europeias. Estas duas classes ameaçaram sua soberania, uma vez tão geral e
irrestrita, forçando uma nova visão que colocava em evidência o pensamento filosófico
baseado na fé.

Seu maior representante foi Santo Tomás de Aquino. Utilizou, assim como seu
antecessor, um representante da antiguidade clássica para fundamentar suas teorias.
Baseando-se em Aristóteles, ele lançou um novo olhar sobre o racionalismo em seu
tempo. Caetano Manuela (1972), o contrário de Santo Agostinho, que defendia a fé
como base e preceito para qualquer pensamento e actividade, Santo Tomás de Aquino
fundiu a legitimidade da filosofia com a teologia dogmática — exprimindo
este insight intelectual em uma memorável obra, conhecida por “Suma Teológica”
(Summa Theologica).

Não obstante, suas teorias também abrangeram um estudo da formação do Estado pelos
homens, não mais acorrentados ao pecado, mas como seres provenientes da vontade
divina, tal qual seus pensamentos. Aqui, Aquino não deixa o cristianismo em segundo
plano: as leis divinas continuam soberanas e originárias, sendo base para todas as ações;
porém o indivíduo tem, no seu racionalismo, certa autonomia para realizar seus feitos
pessoais em prol da estabilidade social (lê-se aqui criação e formatação de um Estado, ou
qualquer outro sistema de divisões que exija a movimentação social desconectada do
peso esmagador da igreja católica).

Aparentando uma baixa produção intelectual, é admirável reconhecer o potencial


racional da filosofia durante o período da idade média. Mesmo extremamente
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influenciada pelas visões católicas, as produções políticas encontraram um meio de


emergir. Observando, agora, de um período muito distante dos autores citados, suas
obras não foram apenas meios e justificativas para a abrangência do poder eclesiástico —
apesar de o serem, durante sua época — mas exprimiram a realidade social, política e
cultural de um conjunto conturbado de séculos.

Os raciocínios observados nas obras citadas reflectem não só a capacidade humana de


adaptação e evolução como abrilhanta ainda mais os grandes pensadores do passado.
Seus princípios são constantemente ciclados num organismo político que deita sobre as
eras, estica-se sobre as diferentes civilizações e dobra-se dentre os diferentes ideais. E tal
não é restrito apenas aos titãs clássicos: todos aqueles que contribuíram para esculpir a
forma do pensamento moderno (o ponto não é um “modelo único”, mas justamente sua
miscelânea), representando com convicção a realidade das quais presenciaram, farão
parte deste sistema orgânico, enredando-se nos novos pensamentos, que no fim
concebem um conjunto prismático de raciocínios que compreendem toda uma
humanidade.

A Cidade de Deus de Santo Agostinho


Rops nos relata que, em fins do ano 410, chegou à África uma terrível notícia, que
causou grande desespero. Roma acabava de ser saqueada pelos bárbaros. A grande
capital do mundo tinha sido forçada pelos bandos de um chefe godo, Alarico, e
agonizava sob seus ultrajes.
Logo começaram a desembarcar refugiados que contavam os mais terríveis pormenores
do que acontecia em Roma: incêndios, massacres, torturas, ruínas sobre ruínas.
Agostinho (354-430), bispo de Hipona, no norte da África, ao tomar conhecimento
dessas desgraças, não apenas lamenta, mas, como cristão, procura compreender tudo no
contexto do plano de Deus. Agostinho reagiu à notícia do drama de acordo com o seu
temperamento e a sua fé, isto é, como pensador, como escritor e como cristão; mas
reagiu igualmente no sentido do seu génio, ultrapassando o episódico e vislumbrando
nele o futuro. Outros caíram no pessimismo de um mundo que se acaba. Mas Agostinho
reagiu com optimismo. A queda de Roma não era o fim do mundo, mas o anúncio do
fim de um mundo. Era uma catástrofe como muitas outras, análoga à queda de Tróia. As
civilizações, ao fim e ao cabo, revelam-se mortais como os homens. Para Agostinho, o
importante é interpretar os fatos da história segundo o amor de Deus, que tudo criou por
amor, por isso não deve o homem apenas lamentar, mas construir o amanhã.
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Santo Agostinho é um autor que normalmente reage e escreve suas obras estimulado por
uma polémica. O maniqueísmo deu origem ao Livre-arbítrio, o pelagianismo, ao
Tratado sobre a graça. Assim, a queda do Império o fez empreender a sua grande obra
de filosofia da história intitulada A Cidade de Deus. Neste momento, os cristãos
estavam sendo acusados como culpados pela decadência de Roma, uma vez que
negaram os sacrifícios aos deuses romanos. Agostinho, durante treze anos, apesar dos
trabalhos da sua vida episcopal, não descansou.
Em 426 conclui a obra, somando vinte e dois livros. O próprio autor explicou a
organização da obra em suas Retratações.
A primeira parte, que abrange os livros I-IX, é uma defesa do cristianismo contra as
acusações pagãs. A segunda parte, consistindo nos livros XI-XXII, é um debate
construtivo do sistema cristão de política. A primeira parte subdivide-se nos livros I-V,
com o argumento de que os deuses pagãos em nada contribuem para a felicidade
terrena, e nos livros VI-X, que trazem o argumento de que eles não trazem salvação na
eternidade. A segunda parte está subdividida em grupos de quatro livros que discutem
as origens da civitas dei e da civitas terrena, o decurso terreno de ambas e o fim da
história.
A história corre em dois planos: é a história sagrada da humanidade expressa nas seis
eras simbólicas, e é a história das almas boas e más, a começar pelo Reino de Deus no
estado dos anjos, passando pela queda dos anjos, a separação entre as almas humanas
boas e más, e terminando com o reino das almas justas com Cristo no fim do mundo
depois de as almas más serem condenadas ao castigo eterno. Nem a civitas Dei nem a
civitas terrena podem, portanto, ser identifica as com qualquer das instituições
empíricas da história. A Igreja permanece na unidade sacramental, reunindo lado a lado
eleitos e perversos; e o império continua o império. Embora o império como tal, a
república, ou o Estado não tenham uma relação específica com a civitas terrena, existe,
contudo, uma relação específica entre a Igreja e a civitas Dei. A Igreja não é a própria
civitas Dei, mas a sua representante militante na terra e na história. A Igreja é o reino de
Cristo como ele é agora, embora nem todos os membros da Igreja histórica sejam
membros da Igreja final.
Com esta interpretação, Agostinho preservou a função mundana da Igreja, salvando-a
do destino de se tornar uma seita (VOEGELIN,2012).
Deixemos que o próprio Agostinho, na obra A Cidade de Deus (Livro XIV, capítulo
28), nos explique a pertença dos homens a estas duas cidades:
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Dois amores fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor próprio, levado ao desprezo
a Deus, a terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial.
Gloria-se a primeira em si mesma e a segunda em Deus, porque aquela busca a glória
dos homens e tem esta por máxima glória a Deus, testemunha de sua consciência.
Aquela se ensoberbece em sua glória e esta diz a seu Deus: Sois minha glória e que me
exalta a cabeça.
Naquela, seus príncipes e as nações avassaladas vêem-se sob o jugo da concupiscência
de domínio; nesta, servem em mútua caridade, os governantes, aconselhando, e os
súbitos, obedecendo (AGOSTINHO, 1990, p. 169).
O bispo de Hipona compartilhava com a teoria política clássica a compreensão central
de que nossa realização virá apenas em uma cidade verdadeira, em comunicação com os
outros em meio à liberdade e à justiça. Mas a grande questão era a seguinte: o que
significa esta cidade verdadeira e como participar dela? Nesse sentido, Santo Agostinho
diverge de seus predecessores. Ele responde que só podemos ser verdadeiramente
humanos na cidade de Deus.
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Conclusão
No presente trabalho, concluímos que:

A Bíblia a base de toda a reflexão cristã da idade média, tanto no oriente como no
ocidente. Os homens da idade média europeia viveram numa extrema familiaridade com
os actores desta história adquiriram também mecanismo específico de pensamento, a um
tempo submetido à autoridade dos textos sagrados e dos escritos dos padres e virados
para a minuciosa investigação do seu sentido sempre atentos aos significados das
palavras e dos conceitos que elas representavam.

Jean (1977), o pensamento político o Santo Agostinho nem sempre foi católico. Narra
em seu livro “Confissões” a trajectória de seus dias juvenis, pincelando sua infância,
adolescência, juventude e fase adulta. Retratou o desenvolvimento de sua formação
intelectual e sua conversão, expondo seu autocontrole perante um mundo tão pecaminoso
e devasso.

Não obstante, suas teorias também abrangeram um estudo da formação do Estado pelos
homens, não mais acorrentados ao pecado, mas como seres provenientes da vontade
divina, tal qual seus pensamentos. Aqui, Aquino não deixa o cristianismo em segundo
plano: as leis divinas continuam soberanas e originárias, sendo base para todas as acções;
porém o indivíduo tem, no seu racionalismo, certa autonomia para realizar seus feitos
pessoais em prol da estabilidade social (lê-se aqui criação e formatação de um Estado, ou
qualquer outro sistema de divisões que exija a movimentação social desconectada do
peso esmagador da igreja católica).
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