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ANTROPOLOGIA CULTURAL E TEOLÓGICA – FAECAD/IBED

AULA 4 – A BASE FUNDAMENTAL DA CULTURA E


A ATUALIZAÇÃO DA ANTROPOLOGIA CULTURAL
Material compilado por Profª. Rosangela Adell

Destacados antropólogos de princípios do século XX, como o germano-


estadunidense Franz Boas e o estadunidense Alfred Louis Kroeber, adotaram pontos de
vista bastante anti-evolucionistas, já que sustentavam a ideia de que os processos
culturais e sociais ocorrem de modo muito diferente em todo o mundo, sendo, portanto,
difícil discernir algum processo que seja de tendência geral.
Correntes teóricas
A primeira diz respeito à visão tradicional da antropologia comparativa baseada no
método dedutivo dos evolucionistas e pressupunha que as mudanças na vida cultural da
humanidade seguiriam leis definidas e aplicáveis em todos os lugares habitados pelo
homem. Para se compreender melhor este método, vale esclarecer que “deduzir é ir do
geral para o particular”.
Todavia, as atuais tendências teóricas na antropologia apontam para as limitações
do método comparativo evolucionista. Na opinião de Boas (2004, p. 38-41), “tudo o que se
vem escrevendo e dizendo em louvor [ao método comparativo], tem sido notavelmente
estéril com relação a resultados definitivos [...]”.
A segunda corrente teórica da antropologia está assentada no método histórico
empírico de indução defendido por Franz Boas, que critica o determinismo geográfico do
método comparativo/evolucionista da antropologia e nega a existência de evolução geral
no desenvolvimento cultural da humanidade. Para Boas não é possível estabelecer leis
gerais para todos os povos, pelo contrário, os estudos antropológicos devem considerar
as culturas tomadas individualmente.
Na atualidade a antropologia está se convertendo pouco a pouco em uma ciência
aplicada, já que os pesquisadores estão se concentrando em aspectos como
administração, educação, proteção ao meio ambiente, desenvolvimento urbano e também
em aspectos econômicos como o comércio eletrônico, a revolução tecnológica e o
processo de globalização. No que se refere aos campos de atuação, hoje são muitos os
antropólogos contratados por órgãos públicos, empresas de pesquisa, organizações
privadas e não governamentais, para realizar trabalhos de campo em aspectos culturais,
e econômicos, projetos sociais/educativos ou programas de desenvolvimento para
atender algum grupo social.
A antropologia constitui campo consolidado e dinâmico no Brasil que tem obtido
reconhecimento nacional e internacional pelos seus patamares de excelência científica.
Combinando o interesse em compreender o mundo com a preocupação em desvendar os
códigos culturais e os interstícios sociais da vida cotidiana, a pesquisa antropológica é
extremamente relevante para desvendar problemáticas que estão na ordem do dia sobre
a produção da diferença cultural e desigualdades sociais, saberes e práticas tradicionais,
patrimônio cultural e inclusão social e, ainda, desenvolvimento econômico e social.
Destaca-se a ampla experiência de pesquisa na Amazônia sobre a relação entre
populações, agro-biodiversidade e conhecimento tradicional, desenvolvimento e padrões
de agricultura sustentável, conflitos ambientais, entre outros. Têm examinado
problemáticas sobre, por exemplo, grupos urbanos, pobreza, movimentos sociais,
violência, justiça, religião e políticas de administração de conflitos, entre outras que
podem igualmente subsidiar políticas públicas.

Diversidade cultural e Multiculturalismo


Onde acaba o natural? Onde começa o cultural?

O que é natural e o que é cultural no homem?


Para o antropólogo Levi-Strauss, a natureza e a cultura estão ligadas no homem. O
autor utilizou um critério para identificar o natural e o cultural.
O natural é UNIVERSAL - É um critério da natureza
O cultural se expressa numa norma específica, ou seja na REGRA LOCAL de um
determinado povo ou grupo.
A fome por ser natural é universal?
Sentir fome é da natureza, mas a organização da produção para saciar a fome é
cultural, é determinada pelo ambiente e pelo modo de produzir.
As guerras são universais?
Acontecem guerras por todo o mundo, mas as causas e motivações dos conflitos
são diferentes e diversificadas.
O homem é naturalmente bom ou naturalmente mau?
O homem é um ser determinado pela sua natureza e cultura ao mesmo tempo.
Não há nenhum tipo de organização social que caía fora do alcance do
antropólogo.
CONCEITO DE CULTURA COMO CONSENSO
“Sistema de atitudes, valores e significados compartilhados e as formas simbólicas
em que se acham incorporados.” (Peter Burke e antropólogos)
“Cultura acaba sendo a forma comum e aprendida da vida, que compartilham os
membros de uma sociedade, e que consta da totalidade dos instrumentos, das técnicas,
instituições, atitudes, crenças, motivações e dos sistemas de valores que o grupo
conhece”.
O comportamento das pessoas dentro de uma sociedade, é condicionado por
sua cultura. Uma criança não nasce agindo de determinada forma por questões genéticas
ou hereditárias, mas sim, porque reproduz o que as pessoas de sua convivência realizam.
A cultura não só influi o comportamento de um indivíduo, mas como também sua fisiologia
através de sua forma de pensar.
A cultura define o que o ser é, e, muitas vezes, é tudo o que ele tem, é a razão de
sua existência.
“Miséria é miséria em qualquer canto, riquezas são diferenças.”
(Arnaldo Antunes).
Culturas são diferenças. Seres humanos são diferentes. A cultura é uma marca,
uma identidade. Que interfere em nossas vidas tanto positivamente, quanto
negativamente. A principal marca das culturas são as normas e regras. Onde há regras,
há culturas...
Define-se norma como o modo de comportamento que compõe a cultura de
qualquer sociedade e que resulta da generalização da conduta da maioria dos membros
dessa sociedade. Podem-se distinguir entre as normas culturais algumas que devem
cumprir todos os indivíduos (universais – horários.., hábitos morais....), outras que só
parte da população está obrigada a cumprir.
A regra é um tipo de norma e a lei é um tipo de regra.
O QUE É DIVERSIDADE?
A diversidade está presente tanto na cultura quanto na natureza. O conceito é
muito empregado para tratar a qualidade dos ecossistemas e habitats. A biodiversidade é
uma qualidade dos biomas (conjunto de ecossistemas - fauna e flora).
A diversidade cultural é o conjunto de diferenças que devem ser vivenciadas de
forma integrada. “O objeto da Antropologia é toda a diversidade da humanidade”.
DIVERSIDADE CULTURAL - “A diversidade é percebida, com frequência, como
uma disparidade, uma variação, uma pluralidade, quer dizer, o contrário da uniformidade
e da homogeneidade. Em seu sentido primeiro e literal, a diversidade cultural referia-se
apenas e simplesmente à multiplicidade de culturas ou de identidades culturais.”
“O Sentido da diversidade cultural é o da autopreservação. É através das diversas
culturas que estranhamos os nossos próprios hábitos e passamos a olhá-los de uma
forma nova.
LIMITES E FRONTEIRAS - O limite é o território da cultura. A fronteira é o espaço
da cultura. Ex.: De acordo com a cultura, um muro pode separar ou aproximar pessoas.
Expandir os limites é explorar o lugar da cultura. Ampliar fronteiras é se conectar
com espaços diferentes sem perder a identidade.
A cultura é a identidade de um povo, de uma etnia e até mesmo de uma nação.
Será que o Ocidente é mais evoluído? Os outros povos são: Primitivos, Atrasados,
Aberrante...
O homem é condicionado, por meio da sua herança cultural, a reagir
negativamente àqueles cujo comportamento se desvia dos padrões aceitos pela maioria,
do comportamento padronizado por um sistema cultural.
Resultados de uma herança cultural:
- o modo de ver o mundo;
- as apreciações de ordem moral e valorativa;
- os diferentes comportamentos sociais
- as posturas corporais.
Assim, indivíduos de culturas distintas podem ser identificados por uma série de
características diferentes, tais como: o modo de agir, vestir, caminhar, comer (garfos,
palitos, mãos), diferenças linguísticas [...], o riso. Dentro de uma mesma cultura pode-se
encontrar variações de um mesmo padrão cultural, a exemplo da educação, do riso, a
diferenciação em função do sexo – a forma de sentar, caminhar e gesticular de homens e
mulheres. Cópia de padrões que fazem parte da herança cultural do grupo. “Eu não me
importo se eu tenho que sentar no chão na escola. Tudo que eu quero é educação. E eu
não tenho medo de ninguém!” (Malaia Yousufzai).
O corpo também emite uma linguagem própria resultante de suas raízes culturais,
a exemplo da forma das crianças de distintas nacionalidades sentar-se à mesa, das
técnicas do nascimento e da obstetrícia. (Marcel Mauss, 1872-1950).
O homem tem despendido grande parte de sua história na Terra, separado em
pequenos grupos, cada um com a sua própria linguagem, sua própria visão de mundo
seus costumes e expectativas. (Roger Keesing).
Consequências do fato do homem visualizar o mundo através de sua cultura:
- 1. Etnocentrismo: propensão em considerar O SEU próprio modo de vida como o
mais correto e o mais natural; em apreciar negativamente os padrões culturais de povos
diferentes. Isto é um fenômeno universal que acarreta, em casos extremos, inúmeros
conflitos sociais.
2. Comungar da crença de ser um povo superior aos demais; do germe cultural que
dá origem a xenofobia (aversão a pessoas ou coisas estrangeiras), ao racismo e a
intolerância em relação ao diferente; A xenofobia pode se caracterizar como uma forma
de preconceito ou como uma doença, um transtorno psiquiátrico. Geralmente se
manifesta através de ações discriminatórias e ódio por indivíduos estrangeiros. Há
intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros países ou diferentes culturas,
desencadeando diversas reações entre os xenófobos. É bastante comum na Europa.
Obs. A xenofobia está direcionada para alguém que vem de outro país (mesmo que
seja da mesma raça). O racismo é a discriminação fundamentada na raça da pessoa em
questão, mesmo que ela seja do mesmo país.
3. Crença hasteada como bandeira para justificar a pratica da violência contra o
outro tendo como ponto fundamental não a humanidade, mas o grupo ao qual pertence;
4. O costume de discriminar os que são diferentes, os que pertencem a outro grupo
(o que pode ser encontrado dentro de uma mesma sociedade).
A Cultura Interfere no Plano Biológico
A cultura interfere na satisfação das necessidades fisiológicas básicas podendo
condicionar aspectos biológicos e até mesmo decidir sobre a vida e a morte dos membros
do sistema. Em algumas sociedades a mulher é submissa ao homem, por exemplo,
restringindo sua aptidão a realizar certas tarefas.
 
Opondo-se ao etnocentrismo, a reação de apatia ou indiferença que se manifesta
quando um grupo ou indivíduo perdem a crença em certos costumes e valores, perdendo
a motivação de se manterem vivos e unidos.
Ex.: Sentir fome ao meio dia é um comportamento determinado pela cultura, pois
ainda que se tenha comido bastante e pouco tempo antes, sente-se fome na “hora do
almoço”. (atuação da cultura sobre o biológico).
O mesmo dando-se nos estágios de profundo choque psicofisiologico, quando o
sujeito inconscientemente acredita que se faz chegada sua hora, mesmo que não seja o
seu desejo consciente.
Como exemplo pode-se citar os índios de determinadas tribos que acreditam que
ao ver um morto, este veio buscar-lhes e se deixam morrer; não por desejar a morte, mas
por convicção cultural, pela crença de que não será diferente.
As doenças psicossomáticas são de igual maneira, fortemente influenciadas pelos
padrões culturais. O sujeito acredita com tanta veemência que porta determinada
enfermidade que passa a sentir todos os sintomas concernentes a ela.
Os indivíduos participam diferentemente de sua cultura
Todavia, “[...] em nenhuma sociedade são todos os indivíduos igualmente
sociabilizados, [...] pelo contrário, ele pode permanecer completamente ignorante a
respeito de alguns aspectos”.
Qualquer que seja a sociedade é impossível para um individuo dominar todos os
aspectos de sua cultura, por exemplo, Einstein era um gênio da física, mas era violinista
medíocre. O individuo, porém deve ter um mínimo de conhecimento de sua cultura para
poder articular com os demais membros da sociedade. Todos precisam saber como agir
em certas situações e, também, prever o comportamento dos outros para que haja um
controle da situação e mesmo assim pode haver desarranjos, pois “em nenhuma
sociedade todas as condições são previsíveis e controladas”. O conhecimento mínimo,
porém, ajuda na sustentação da ordem social. Expressões como: “por favor”, “muito
obrigado”, fazem parte de nossos padrões de comportamento, ignorá-las significa o
rompimento de uma regra cultural (quem sabem como agir, pode prever a ação do outro).
A evolução da cultura no homem – ocorre na passagem do homem nômade para
o grande sedentarismo que é a marca da cultura contemporânea.
SOCIEDADE DE CONSUMO – globalização, “Já não consumimos coisas, mas
somente signos.” (Jean Baudrillard), “A experiência da vida foi mercantilizada.” Anthony
Giddens, “A sobrecarga sensorial gera uma cultura sem profundidade.” (Frederic
Jameson), “O consumo é o novo fundamentalismo.” (Milton Santos).

BIOGRAFIA
Franz Boas (1858-1942), antropólogo alemão, se estabeleceu nos EUA e lecionou
na Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde contribuiu para a criação de um dos
principais centros de pesquisas antropológicas das Américas. Como antropólogo, Boas
procurou salientar a grande variedade de formas culturais existentes, colocando como a
tarefa da antropologia descobrir, entre as variedades do comportamento humano, quais
são comuns a toda a humanidade. Ele foi o fundador da moderna antropologia cultural,
que contrapunha as teorias evolucionistas e racistas ainda dominantes no início do século
XX a uma perspectiva relativizadora, centrada na noção de cultura. Este estudioso
apontava que cada cultura é uma unidade integrada, fruto de um desenvolvimento
histórico peculiar. Franz Boas foi um dos pioneiros da pesquisa de campo como método
privilegiado para o estudo das diferentes culturas.
Etnocentrismo é uma visão do mundo onde um determinado grupo é tomado
como centro de tudo e todos os outros grupos étnicos, que são pensados e sentidos
através daquele que é considerado o detentor de modelos de valores e definições do que
é a existência humana. No plano intelectual, a visão etnocêntrica dificulta a possibilidade
de uma pessoa pensar e considerar a diferença, o outro ser humano.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOAS, Franz. Antropologia cultural. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: Um Conceito Antropológico. Jorge Zahar Editor Ltda.

MELLO. Luiz Gonzaga. Antropologia cultural: iniciação, teoria e tema. Petrópolis: Vozes,
2003.