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Primeiros Socorros:

Tipos de Acidentes e formas de atuação

Proposta de Intervenção Pedagógica

Primeiros socorros:
Tipos de acidentes e formas de atuação

Formador
Mariana Mota

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Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

ÍNDICE
Introdução……………………………………………………………………………………………………….. 5

Área de formação……………………………………………………………………………………………….. 5

Enquadramento do Tema……………………………………………………………….………………………..5

Ação de formação…………………………………………………………………………………………………5

Público-alvo e pré-requisitos……………………………………………………….…………………………… 5

Local de formação…………….……………………………………………….………………………………... 5

Modalidade da ação de formação………………………………………….…………….…………………… 6


Carga horária da formação……………………………………………………………………………………… 6
Número de participantes da ação………………………………..……………………………………………. 6
Regime de frequência………………………………………………………………………………………… 6

Data limite de inscrição………………………………………………………………………………………… 7


Entidade Formadora………….…………………………………………………………………………..... 7

Formador(es) …………………………………………………….………………………………………………. 7

Coordenação da ação de formação……………….…………………………..……………………………. ….7

Estrutura e Objetivos…………………………………………………………………………………………….. 7
Objetivos Gerais da formação……………...…………………………………………………………………. 8

Objetivos Específicos da formação……….……………..……………………………………………………..8

Conteúdos programáticos dos módulos………………………………………………………………………..9

Métodos e Técnicas Pedagógicas……………………………………………………………………………… 10

Especialidade Modulares……………………………………………………………………………………….. 14

Recursos Didáticos e Pedagógicos……………………………………………………………………………..11

Avaliação……………………………………………………….………………………………………………12

Avaliação do Formando………………………………………………………………………………………12

Avaliação do Formador……………………………………………………………………………………….12

Avaliação da Formação………………………………………………………………………………………….. 12

Resultados Esperados……………………………………………………………………………………………. 14

Certificação……………………………………………………………………………………………………. 14
Certificação de formandos…………………………………..………………………………………………….. 15

Certificação de formadores…………………………………………………..………………………………… 15

Conclusão………………………………………………………………………………………………………. 15

Bibliografia…………………………………………………………………………………………………….. 16

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Desenvolvimento do Conteúdo…………………………………………………………………………………..16

Anexos…………………………………………………………………………………………………………… 80

Anexo 1 – Cronograma da ação de Formação…………………………………………………………….….. 81


Anexo 2 – Plano de Sessão………………………………………………………………………………. …..82
Anexo 3 – Folha de presenças………………………………………………………………………………..83

Anexo 4 – Grelha de avaliação de competências…………………………………………… ………………84

Anexo 5 – Autoavaliação do formando………………………………………………………….. …………..85


Anexo 6 – Autoavaliação do formador…………………………………………………………… …………86
Anexo 7 – Avaliação do formador……………………………………………………………………………87

Anexo 8 – Avaliação da ação de formação…………………………………………………………………..88


Anexo 9 – Avaliação da entidade formadora…………………………………………………………………90

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Tipos de Acidentes e formas de atuação

INTRODUÇÃO
A Proposta de Intervenção Pedagógica (PIP) que se segue, tem como objetivo aprofundar os conhecimentos
de Primeiros Socorros: Tipos de Acidentes e formas de atuação, em todos os módulos em si incorporados. Nesta
formação, serão abordados temas muito diversos, desde referentes aos tipos de acidentes e formas de atuação dos
primeiros socorros.

A pertinência da formação descrita adiante, prende-se com o facto de se tratar de um tema que se encontra em
grande desenvolvimento nos diversos setores de , sendo cada vez mais uma área na qual se recorre ao apoio de
um socorrista.

Em cada módulo desta formação, é descrito com rigor os conteúdos que serão abordados, a duração de cada
um, os métodos e técnicas utilizados e ainda os meios e recursos que serão necessários para a sua aplicação com
correção.

ÁREA DA FORMAÇÃO
Esta formação centra-se no tema da Primeiros Socorros: Tipos de Acidentes e formas de atuação, dentro da
área da Saúde.

ENQUADRAMENTO DO TEMA
Com o avançar da investigação em tecnologia e, em especial, na área da saúde, surgem a todo o momento
novos meios e medidas de prevenção, avaliação e intervenção em diferentes perturbações relacionadas com a
saúde.

As Bandas Neuromusculares são uma técnica de prevenção e intervenção em diversas alterações estruturais e
funcionais de vários elementos do organismo.

Dada a atualidade de técnica e a pouca formação nesta área durante o decorrer da Formação Curricular nas
Universidades e Escolas, torna-se de extremo interesse criar uma formação nesta área, de modo a complementar
os conhecimentos que os Socorristas já têm nesta área.

AÇÃO DE FORMAÇÃO
PÚBLICO-ALVO E PRÉ-REQUISITOS

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A ação de formação aqui descrita, está organizada de modo a ser ministrada a alunos dos cursos de Primeiros
Socorros: Tipos de Acidentes e formas de atuação de qualquer escola do país ou ainda Socorrista que sintam
necessidade de aprofundar os seus conhecimentos no que diz respeito à área da saúde.

Desta forma, deverão cumprir os seguintes pré-requisitos:

• Idade compreendida entre os 18 e os 40 anos de idade;

• Estudantes do curso de saúde e/ou profissionais ativos ou desempregados da área da saúde.

LOCAL DA FORMAÇÃO

A formação deverá decorrer em ambiente indoor, dentro de uma sala de aula. Deverá localizar-se nas
instalações da entidade promotora ou noutras que sejam selecionadas pela mesma.

MODALIDADE DA AÇÃO DE FORMAÇÃO

A ação de formação aqui descrita irá ser de carater contínuo, em regime pós-laboral.

CARGA HORÁRIA DA FORMAÇÃO

A formação terá uma carga horária total de trinta (30) horas, distribuídas por três (3) módulos.

Cada sessão não deverá exceder 3 horas consecutivas, podendo para isso serem realizados intervalos
intercalares com as horas de formação.

Desta forma, apresentará uma calendarização global de:

• 10 sessões de 3 horas;

• Duração total: 10 dias distribuídos por 4 semanas;

3 sessões/semana;

NÚMERO DE PARTICIPANTES POR AÇÃO


A ação decorrerá se estiverem inscritos no mínimo 10 formandos e até um número máximo de 20.

REGIME DE FREQUÊNCIA
Os módulos desta formação decorrerão nas datas acordadas para o efeito entre a entidade de formação e a(s)
empresa(s).

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A formação é de carácter presencial, o que implica uma deslocação do formando aos locais de formação.

Desta forma, o formando não poderá faltar a mais de 10% das horas totais estipuladas para todo o curso (3
horas).

DATA LIMITE DA INSCRIÇÃO


A designar futuramente.

ENTIDADE FORMADORA
A designar futuramente.

FORMADOR(ES)
O(s) formador(es) desta ação de formação deverão possuir o Certificado de Competências Pedagógicas de
Formador (CPP) e ainda apresentar comprovativos do seu conhecimento da área selecionada para a formação.

COORDENAÇÃO DA AÇÃO DE FORMAÇÃO


Deverá existir um coordenador pedagógico da ação de formação que fará a ligação entre os formadores,
verificando como decorre a ação de formação, avaliando as expectativas criadas no início e no final da mesma,
tanto por parte dos formadores como dos formandos, competindo-lhe a elaboração de um relatório inicial e final
a apresentar à entidade formadora e à entidade contratante.

Coordenador da formação: A designar

ESTRUTURA E OBJETIVOS
A formação terá um total de trinta (30) horas divididas em três (3) módulos distintos, com os seguintes temas
e durações:

• Tema: Primeiros socorros: fundamentos

Duração: Dez (10) horas

• Tema: Tipos de Acidentes

Duração: Dez (10) horas

• Tema: Primeiros cuidados em situações específicas – Equipamentos

Duração: Dez (10) horas

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OBJETIVOS GERAIS DA FORMAÇÃO

• No final do módulo 1, os formandos deverão ser capazes de nomear e identificar todas as noções
básicas de primeiros socorros sempre que lhes for solicitado.

• No final do módulo 2, os formandos deverão ser capazes de conhecer reconhecer e classificar os


diversos tipos de acidentes, na qual possam aplicar técnicas de intervenção de reconhecimento.

• No final do módulo 3, os formandos deverão ser capazes de executar os Primeiros cuidados em


situações específicas como também reconhecer os equipamentos adequados, sem ajudas dos manuais.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA FORMAÇÃO


 Reconhecer as técnicas de primeiros socorros em caso de acidente.

 Identificar as formas de atuação perante os diferentes tipos de


acidentes.

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CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS DOS MÓDULOS


Primeiros socorros: fundamentos
Actuação reflectida rápida e adequada face às diferentes situações
Limites da acção

Acidentes na Pele - formas de actuação


Feridas
Picadas e mordeduras de animais
Queimaduras

Acidentes do esqueleto - formas de actuação


Entorse
Luxação
Fractura

Acidentes do Digestivos - formas de actuação


Indigestão
Cólicas intestinais
Náuseas e vómitos
Obstipação
Intoxicação
Envenenamento

Acidentes Circulatórios - formas de actuação


Hemorragias
Hematoma
Síncope
Golpe de calor ou insolação
Golpe de frio/Enregelamento:

Acidentes Respiratórios - formas de actuação


Asfixia/sufocação
Dificuldades respiratórias (asma)
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Outros tipos de acidentes - formas de actuação e prevenção


Acidentes por corrente eléctrica
Técnicas de imobilização
Prevenção da contaminação
Doenças de etiologia microbiana
Doenças de origem víral
Doenças de etiologia parasitária

Primeiros cuidados em situações específicas


Diabetes
Depressão
Crises etílicas
Crises convulsivas
Epilepsia

Mala de primeiros socorros e medicamentos


Organização da mala de primeiros socorros
Localização, organização e segurança
Conservação, prescrição e eliminação:
Emprego abusivo dos medicamentos

Situações de higiene e limpeza

MÉTODOS E TÉCNICAS PEDAGÓGICAS


Tendo em conta a duração da formação e tendo em vista a finalidade e os objetivos visados, serão utilizados
métodos e técnicas diversificados que envolverão, sobretudo, sessões de informação, trabalhos individuais e de
grupo, procurando adequar-se os mesmos aos conteúdos a desenvolver e às especificidades do grupo de
formandos.

Métodos e respetiva Técnicas a utilizar na concretização dos objetivos:

• Método Expositivo:
o Técnica da exposição com recursos multimédia;

• Método Interrogativo:
o Técnica da formulação de perguntas;
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o Técnica do debate;

• Método Ativo:
o Brainstorming;
o Atividades de grupo;
o Análise de estudos de caso.
• Método Demonstrativo:
o Técnica da Demonstração

RECURSOS DIDÁTICOS E PEDAGÓGICOS

A sala onde irá decorrer a ação deverá estar munida de diversos recursos que serão de extrema importância
para o decorrer de toda a formação, sendo eles:
• Quadro branco ou quadro de lousa;

• Marcadores ou giz;

• Folhas de papel, lápis e/ou esferográficas;

• Mesas e cadeiras;

• Computador com Microsoft Office e ligação HDMI e/ou VGA;

• Videoprojetor e tela de projeção ou Televisão;

O formador deverá ainda facultar e apresentar algum do material indispensável às sessões, tal como:
• Imagens;

• Esquemas;

• Vídeos;

• Apresentações multimédia;

• Diversos documentos e atividades em papel;

• Modelos anatómicos;

• Materiais de intervenção;
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Os formandos irão receber diversos materiais durante a ação de formação, nomeadamente:


• Pasta arquivadora com os Manuais relativos a cada módulo, assim como folhas brancas, o
cronograma de toda a formação e o regulamento da mesma.

• Exemplares dos estudos de caso e outras fotocópias das atividades realizadas em sessão.

AVALIAÇÃO
Todos os intervenientes na ação de formação aqui descrita, assim como as condições onde decorrerá a
mesma, irão ser avaliados: formadores, formandos, instalações e organização.

Estas avaliações têm como objetivos:

• Verificação de conhecimentos e competências, de forma a conduzir a formação com sucesso;

• Controlar aquisições dos formandos nos vários domínios do saber;

• Conhecer os progressos dos formandos e informa-los acerca dos mesmos;

• Orientar, aconselhar e corrigir os formandos durante a formação;

• Avaliar objetivos da formação;

• Diagnosticar pontos fracos e pontos fortes da formação, através dos resultados obtidos, com vista à
sua melhoria.

AVALIAÇÃO DOS FORMANDOS


A avaliação dos formandos será realizada de forma contínua, e irá incluir três tipos distintos de avaliação:
• Avaliação diagnóstica: verificação dos pré-requisitos em todos os módulos;

• Avaliação formativa: em todos os módulos os formandos irão ser avaliados de forma indireta, através
da sua participação, capacidade de realização de tarefas e atividades durante as sessões;

• Avaliação Sumativa: todos os módulos são finalizados com uma avaliação sumativa na qual serão
avaliadas as competências teóricas e práticas que deverão envolver todos os domínios do saber. Esta
avaliação poderá decorrer de diversas formas, sendo elas: testes de avaliação individuais, trabalhos de
grupo ou atividades.

É requerido que os formandos estejam presentes em, pelo menos, 90% das horas da formação (27 horas). A
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aprovação na formação pressupõe que a soma dos três parâmetros de avaliação seja de, pelo menos 9,5 valores.

A classificação dos formandos será atribuída de acordo com a pontuação obtida nas avaliações, e estará
inserida dentro dos seguintes parâmetros:
• Insuficiente: 0 – 9,49 valores;

• Suficiente: 9,5 – 13,99 valores;

• Bom: 14 – 17,99 valores;

• Excelente: 18-20 valores.

AVALIAÇÃO DE FORMADORES
A avaliação dos formadores será realizada através de um questionário entregue aos formandos no final da
formação, que tem como objetivo avaliar os seguintes parâmetros:
• Capacidade de transmitir os objetivos da sessão;

• Capacidade de transmissão de ideias de forma clara;

• Capacidade de orientação da mensagem;

• Domínio do vocabulário relativo ao tema;

• Capacidade de orientação para a concretização dos objetivos;

• Capacidade de motivar o grupo;

• Habilidade de animar o grupo;

• Capacidade de estimular a participação de todos os formandos;

• Capacidade de realizar sínteses;

• Aptidão de moderação nos debates;

• Capacidade de reação a situações que fujam ao planeado;

• Capacidade de responder a questões;

• Utilização de metodologia e recursos pedagógicos adequados.


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AVALIAÇÃO DA FORMAÇÃO

A formação, o espaço formativo e os recursos didáticos utilizados são também alvo de avaliação por parte dos
formandos da ação de formação. Assim, será entregue um questionário com o objetivo de avaliar os parâmetros
seguintes:
• Interessante/útil para as funções que desempenho ou poderei desempenhar;

• Boa distribuição da carga horária;

• Tempo destinado à exposição teórica adequada;

• Tempo destinado à prática adequada;

• Qualidade e adequação da documentação apresentada;

• A entidade promotora deu o apoio necessário;

• (…)

RESULTADOS ESPERADOS
No final desta ação de formação, é de esperar que, no mínimo 95% dos formandos adquiram todos os
conhecimentos facultados durante as 30 horas de formação, verificando-se cotações gerais acima dos 16 valores.

Em suma, os formandos deverão ser capazes de prevenir, diagnosticar, avaliar e intervir em casos de
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CERTIFICAÇÃO
CERTIFICAÇÃO DE FORMANDOS
Os formandos recebem um certificado de aprovação na formação, com a indicação de Apto, caso obtenham
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classificação igual ou superior a 9,5 valores. Se não cumprirem este critério, apenas obterão uma declaração
onde constam as horas e os respetivos módulos em que participaram e obtiveram sucesso (cotação acima de 9,5
valores).

CERTIFICAÇÃO DE FORMADORES
Os formadores terão direito a receber uma declaração onde constarão as horas de formação dada, bem como
o/s módulo/s que os mesmos ministraram.

CONCLUSÃO
A Proposta de Intervenção Pedagógica (PIP) apresentada neste documento foi concretizada no âmbito da
Formação Pedagógica Inicial de Formadores decorrido na via e-lerning pela Futurainbow, que permitiu capacitar
os formandos de ferramentas e conhecimentos essenciais à criação e desenvolvimento de uma Ação de Formação
completa.

A presente PIP foi desenvolvida tendo em conta todos os conteúdos adquiridos durante a formação, nos
diversos módulos que a compõem e pretende constituir um exemplo de uma proposta a apresentar para uma
unidade de formação de curta duração na área de saúde - Primeiros Socorros: Tipos de Acidentes e formas de
atuação.

BIBLIOGRAFIA
http://hff.min-saude.pt/primeiros-socorros-como-agir-em-situacoes-de-emergencia/

https://www.inem.pt/wp-content/uploads/2017/06/Sistema-Integrado-de-Emerg%C3%AAncia-M
%C3%A9dica.pdf

https://www.inem.pt/
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Desenvolvimento do Conteúdo Programático

Primeiros socorros: fundamentos


Conhecimentos sobre noções básicas de primeiros socorros são essenciais para aumentarem o
conhecimento geral de cada um de nós, mas mais importante ainda, para aumentarem a capacidade de
prestação de primeiros socorros.
Os técnicos de acção educativa, são os agentes educativos que mais tempo passam com os
alunos, assim, para poderem prestar a melhor assistência possível a um aluno acidentado é necessário
que estejam aptos e seguros para prestarem os primeiros socorros necessários. Consequentemente, é
imprescindível, que estes agentes educativos possuam conhecimentos sobre noções básicas de
primeiros socorros.
A formação de professores e funcionários sobre, como agirem perante situações de emergência
que envolvam acidentes com alunos nas escolas, é um desafio enfrentado quotidianamente. A escola é
a instituição onde ocorre a formação das crianças e jovens, e onde ocorrem inúmeras trocas de
saberes, especialmente na área da saúde, permitindo assim a consciencialização da população sobre
estas temáticas. Assim, é essencial trabalhar, neste local, as questões dos primeiros socorros, para se
obterem os conhecimentos necessários para prevenir ou diminuir danos à saúde das crianças e jovens
ou mesmo a sua vida, mantendo os sinais vitais e evitando agravamento do seu estado.
Actualmente, é raro encontrar pessoas com conhecimentos básicos de conhecimento sobre a
prestação de primeiros socorros, apesar de ser essencial que a população, em geral, tenha
conhecimentos sobre como actuar em situações de emergência. Mais uma vez, as escolas possuem um
papel fundamental nesta questão, já que os alunos vão ser os responsáveis por transmitir os
conhecimentos adquiridos sobre o assunto para outros alunos, familiares e amigos. Desde cedo, as
crianças e jovens devem ser informadas sobre a forma como proceder mediante situações inesperadas,
como por exemplo, a simples mordedura de um mosquito! No entanto, é necessário garantir o rigor e
a actualidade de informação, que promova a saúde, o bem-estar e a segurança também nos espaços
escolares.

Actuação reflectida rápida e adequada face às diferentes situações

Os cuidados pré-hospitalares são de extrema importância, e em casos extremos podem fazer a


diferença a vida e a morte. Assim, a probabilidade de sobreviver a um acidente está directamente
relacionado com a aplicação precoce das diferentes etapas do
Suporte Básico de Vida (SBV), que incluem o
reconhecimento da Paragem Cardiorrespiratória (PCR),
manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) e acesso
rápido ao Suporte Avançado de Vida (SAV). O
reconhecimento por parte de um leigo de uma PCR e a sua
actuação rápida, chamando o 112 e consequentemente o
socorro especializado previne a deterioração do tecido
cardíaco e cerebral, podendo salvar a vida da pessoa e/ou a
sua qualidade de vida. Por vezes, alguns tipos de acidentes na
infância, podem deixar sequelas físicas ou emocionais
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crianças ou adolescentes, que se prolongam para a vida


adulta, diminuindo assim, a qualidade de vida da pessoa e
tornando-se um problema educacional e de saúde pública.
O âmbito deste módulo é primeiros socorros nas crianças e jovens, e um dos mais frequentes
acidentes neste grupo etário é a ingestão ou introdução de objectos em alguma cavidade do corpo,
podendo perder a consciência ou mesmo morrerem, se não forem socorridas com o mínimo de
conhecimento técnico. Consequentemente é essencial que os técnicos de acção educativa tenham
conhecimentos básicos sobre como prestar os primeiros socorros nos diferentes tipos de acidentes que
as crianças e jovens podem sofrer.

Qualquer um de nós pode sofrer um acidente, lesão ou doença súbita, sendo necessário aplicar
os primeiros socorros. Um acidente é sempre inesperado, ocorrendo, mesmo depois de se terem
tomado todas as medidas necessárias para que ele não ocorra. Um acidente pode ser grave, podendo
pôr uma vida em risco, e a ajuda imediata depende frequentemente de familiares, colegas ou pessoas
que estão no local certo à hora certa. SALVAR UMA VIDA depende de uma resposta corajosa e
rápida e de um desempenho adequado. Assim, os conhecimentos sobre primeiros socorros permitem-
nos ajudar numa destas situações.

Os primeiros socorros são intervenções imediatas e provisórias, prestados a uma pessoa


acidentada e/ou vítima de doença súbita, fora do ambiente hospitalar, cujo estado físico, psíquico ou
emocional coloque a sua saúde ou a sua vida em risco. Assim, a aplicação dos primeiros socorros vai
ajudar a preservar a vida, diminuindo-se a incapacidade e minorando-se o sofrimento. Os primeiros
socorros têm o objetivo de manter as funções vitais de um indivíduo vítima de acidente, de doença
súbita ou que está em perigo de vida, evitando o seu agravamento (estabilização), até que receba
assistência médica especializada. Assim, os primeiros socorros são o tratamento dado a uma pessoa
que sofreu um acidente ou que apresenta uma doença súbita, e, em muitos casos, são essenciais, para
salvar uma vida. Consequentemente, qualquer pessoa pode e deve ter formação em primeiros
socorros, daí que todos devemos ter noções básicas de como agir em certas situações. A
implementação dos primeiros socorros não substitui nem deve atrasar a activação dos serviços de
emergência médica, mas sim, impedir acções intempestivas, alertar e ajudar, evitando o agravamento
do acidente. Prestar o primeiro socorro é saber aplicar um conjunto de conhecimentos que permitam,
perante uma situação de acidente ou doença, estabelecer prioridades, desenvolvendo acções
adequadas com o intuito de estabilizar, ou se possível melhorar a situação da vítima.
Desde cedo, as crianças e jovens podem e devem ser informadas sobre a forma como proceder
mediante situações inesperadas, como por exemplo, a simples mordedura de um mosquito! No
entanto, é necessário garantir o rigor e a actualidade de informação, promovendo a saúde, o bem-estar
e a segurança.

O que é o prestador de primeiros socorros?


Um prestador de primeiros socorros é uma pessoa leiga, (qualquer um de nós), mas com o
mínimo de conhecimentos capaz de prestar atendimento a uma vítima até a chegada do socorro
especializado.

O que é um Socorrista?
Um socorrista é toda e qualquer pessoa com habilitação para prestar socorro com segurança,
avaliando e identificando os problemas que comprometam a vida. Um socorrista pode ser um médico,
enfermeiro, bombeiro, paramédico ou trabalhador de uma organização, com a responsabilidade de
prestar o socorro pré-hospitalar adequado, transportando o paciente, para o hospital, sem agravar as
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lesões já existentes.
Para poder desempenhar a sua função correctamente, um socorrista deve apresentar as
seguintes qualidades:
 Autocontrolo e sentido de responsabilidade;
 Capacidade de organização e liderança;
 Capacidade de comunicação;
 Capacidade para tomar decisões;
 Compreensão e respeito pelo outro;
 Consciência das suas limitações.

Como vimos anteriormente, a aplicação dos primeiros socorros tem como função a:
 Manutenção de vida, que corresponde às acções desenvolvidas com o objetivo de
garantir a vida da vítima, sobrepondo-se à "qualidade de vida";
 Qualidade de vida, que corresponde às acções desenvolvidas para reduzir as sequelas
que possam surgir durante e após o atendimento;
 Minorar o sofrimento.

A aplicação de primeiros socorros, e as acções e atitudes a tomar após a sua aplicação


dependem do estado em que a pessoa se encontra:
 Urgência, é um estado grave, que necessita atendimento médico, embora não seja
necessariamente uma emergência, e como exemplo temos as contusões leves, entorses
e luxações;
 Emergência, é um estado que necessita de encaminhamento rápido ao hospital, no
qual, o tempo gasto entre o momento em que a vítima é encontrada e o seu
encaminhamento deve ser o mais curto possível. Como exemplos de emergência temos
paragem cardiorrespiratória e hemorragias graves.

Quem presta os primeiros socorros não substitui a equipa de saúde, no entanto, tem um papel
fundamental no alertar dos serviços de emergência e ajudar a vítima, sendo ainda necessário saber
actuar com eficácia e prontidão, tendo sempre em atenção a idade da vítima, uma vez que as crianças
e jovens em situação de emergência são diferentes de um adulto já que têm doenças diferentes e
reagem de modo diferente. Assim, quando à idade, a vítima pode ser diferenciada nos seguintes
grupos etários:
 Recém-nascido, criança até 28 dias de vida;
 Lactente, criança desde 29 dias de vida até 1 ano de idade;
 Criança, crianças com idade compreendida entre 1 e 8 anos;
 Pré-adolescente, indivíduo entre os 9 e os 13 anos;
 Adolescente, indivíduo entre os 14 e os 17 anos;
 Adulto, indivíduo com idade superior a 18 anos.

Em situações de emergência, as crianças devem ser, sempre que possível, acompanhadas por
um adulto conhecido (pai, mãe, educadora).

A aplicação dos primeiros socorros pode passar pelo simples acto de chamar os serviços de
emergência e socorro especializado. Em Portugal, os serviços de emergência são coordenados pelo
sistema integrado de emergência medica (SIEM), o qual tem como símbolo a estrela da vida, em que
cada uma das pontas corresponde uma fase do SIEM:
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 Detecção, que corresponde ao momento em que alguém se apercebe da existência de


uma ou mais vítimas de doença súbita ou acidente;
 Alerta, que é a fase em que se contactam os serviços de emergência, utilizando o
Número Europeu de Emergência - 112;
 Pré-socorro, que corresponde ao conjunto de gestos simples que podem e devem ser
efectuados até à chegada do socorro;
 Socorro, que corresponde aos cuidados de emergência iniciais efectuados às vítimas de
doença súbita ou de acidente, com o objetivo de as estabilizar, diminuindo assim a
morbilidade e a mortalidade;
 Tratamento na Unidade de Saúde, que corresponde ao tratamento no serviço de
saúde mais adequado ao estado clínico da vítima. Em casos excepcionais, pode ser
necessária a intervenção inicial de um estabelecimento de saúde onde são prestados
cuidados imprescindíveis para a estabilização da vítima, com o objetivo de garantir um
transporte mais seguro para um hospital mais diferenciado e/ou mais adequado à
situação.

Para que este sistema (SIEM) funcione é necessário a intervenção das seguintes pessoas:
 Público;
 Operadores das Centrais de Emergência: 112;
 Técnicos dos CODU;
 Agentes da autoridade;
 Bombeiros;
 Primeiros socorros: fundamentos
 Tripulantes de ambulância;
 Técnicos de ambulância de emergência;
 Médicos e enfermeiros;
 Pessoal técnico hospitalar;
 Pessoal técnico de telecomunicações e de informática.
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A capacidade de resposta adequada, eficaz e em tempo oportuno dos sistemas de emergência


médica às situações de emergência, é um pressuposto essencial para o funcionamento da cadeia de
sobrevivência.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) é o organismo do Ministério da Saúde
responsável por coordenar o funcionamento, no território de Portugal continental, de um sistema
integrado de emergência médica (SIEM), que garante aos sinistrados ou vítimas de doença súbita a
pronta e correta prestação de cuidados de saúde. As principais funções do INEM são:
 Prestação de socorros no local da ocorrência;
 Transporte assistido das vítimas para o hospital adequado;
 Articulação entre os vários intervenientes no SIEM (hospitais, bombeiros, polícia, etc.).

A organização da resposta à emergência, fundamental para a cadeia de sobrevivência,


simboliza-se pelo Número Europeu de Emergência - 112. Esta resposta implica:
 Reconhecimento da situação;
 Concretização de um pedido de ajuda imediato;
 Existência de meios de comunicação e equipamentos necessários para uma capacidade
de resposta pronta e adequada.

As chamadas de emergência efectuadas através do número 112 são atendidas em centrais de


emergência da Polícia de Segurança Pública (PSP), e, actualmente, no território de Portugal
Continental, as chamadas que dizem respeito a situações de saúde são encaminhadas para os Centro
de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM. Aos CODU compete:
 Atender e avaliar no mais curto espaço de tempo os pedidos de socorro recebidos;
 Determinar os recursos necessários e adequados a cada caso;

O funcionamento do CODU é assegurado em permanência por médicos e técnicos, com


formação específica para efetuar:
 Atendimento e triagem dos pedidos de socorro;
 Aconselhamento de pré-socorro, sempre que indicado;
 Seleção e accionamento dos meios de socorro adequados;
 Acompanhamento das equipas de socorro no terreno;
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 Contacto com as unidades de saúde, preparando a recepção hospitalar dos doentes.

Em situações de emergência, o CODU presta orientação e apoio médico, nomeadamente:


 Aconselhamento médico sobre a atitude a tomar perante a vítima;
 Accionar os meios de transporte à vítima para os serviços hospitalares;
 Enviar uma equipa medica ao local da ocorrência, caso seja necessário;
 Coordenar os meios de socorro de emergência da sua responsabilidade.

Quando ligamos para o 112 devemos estar preparados para informar:


 A localização exata da ocorrência e pontos de referência do local, para facilitar a
chegada dos meios de socorro;
 O número de telefone de contacto;
 O que aconteceu (por exemplo acidente, parto, falta de ar, dor no peito);
 O número de pessoas que precisam de ajuda;
 Condição em que se encontra(m) a(s) vítima(s);
 Se já foi feita alguma coisa, como por exemplo controlo de hemorragia;
 Qualquer outro dado que lhe seja solicitado, como por exemplo se a vítima sofre de
alguma doença ou se as vítimas de um acidente estão encarceradas.

Em resumo, ao ligar para o 112, esteja preparado para responder às seguintes perguntas básicas:
 O Quê?
 Onde?
 Como?
 Quem?

Quando ligamos para o 112 devemos seguir sempre as instruções que nos derem, já que estas
constituem o pré-socorro e são fundamentais para ajudar a(s) vítima(s), devendo-se desligar o telefone
apenas quando nos for indicado, e devemos estar preparados para ser contactados posteriormente para
algum esclarecimento adicional.
O INEM presta também orientação e apoio noutros campos da emergência tendo, para tal,
criado vários sub-sistemas:
 CODU-MAR, Centro de Orientação de Doentes Urgentes-Mar, que tem por missão
prestar aconselhamento médico a situações de emergência que se verifiquem a bordo
de embarcações;
 CIAV, Centro de Informação Antivenenos, que presta informação toxicológica.

Para a prestação de serviços de emergência médica, os CODU têm à sua disposição diversos
meios de comunicação e de actuação no terreno, como por exemplo:
 Ambulâncias, as quais estão localizadas em vários pontos do país, associadas às
diversas delegações do INEM, bem como sediadas em corpos de bombeiros ou em
delegações da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP). A maior parte das Corporações de
Bombeiros estabeleceu com o INEM protocolos para se constituírem como Posto de
Emergência Médica (PEM) ou Posto Reserva.
As ambulâncias PEM destinam-se à estabilização e transporte de doentes que
necessitem de assistência durante o transporte e cuja tripulação e equipamento
permitem a aplicação de medidas de suporte básico de vida (SBV) e desfibrilhação
automática externa (DAE).
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

As ambulâncias SBV do INEM são ambulâncias de socorro, igualmente


destinadas à estabilização e transporte de doentes que necessitem de assistência durante
o transporte e cuja tripulação e equipamento permitem a aplicação de medidas de SBV
e DAE;
As ambulâncias de suporte imediato de vida (SIV) do INEM constituem um
meio de socorro em que, além do descrito para as SBV, há possibilidade de
administração de fármacos e realização de actos terapêuticos invasivos, mediante
protocolos aplicados sob supervisão médica.

Transporte Inter-hospitalar pediátrico (TIP): o Subsistema de Transporte de


Recém-Nascidos de Alto Risco e Pediatria é um serviço de transporte inter-hospitalar
de emergência, permitindo o transporte e estabilização de bebés prematuros, recém-
nascidos e crianças em situação de risco de vida, dos 0 aos 18 anos de idade, para
hospitais com Unidades de Neonatologia, Cuidados Intensivos Pediátricos e/ou
determinadas especialidades ou valências.

 Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER), são veículos de intervenção


pré-hospitalar, concebidos para o transporte de uma equipa médica ao local onde se
encontra o doente. Estas viaturas são
constituídas por um médico e um
enfermeiro, dispondo de equipamento
para Suporte Avançado de Vida (SAV)
em situações do foro médico ou
traumatológico, actuando na
dependência direta dos CODU, tendo
uma base hospitalar. Estas viaturas têm como principal objectivo a estabilização pré-
hospitalar e o acompanhamento médico durante o transporte de vítimas de acidente ou
doença súbita em situações de emergência.
 Helicópteros de emergência médica, que são utilizados no transporte de doentes
graves entre unidades de saúde ou entre o local da ocorrência e a unidade de saúde,
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

estando equipados com material de SAV, sendo a tripulação composta por um médico,
um enfermeiro e dois pilotos.

 Motas de Emergência, que são tripuladas por um TAE e graças à sua agilidade no
meio do trânsito citadino, permitem a chegada mais rápida do primeiro socorro junto de
quem dele necessita, sendo esta a sua principal vantagem relativamente aos meios de
socorro tradicionais. No entanto, estes veículos encontram-se limitados em termos de
material a deslocar (DAE, oxigénio, adjuvantes da via aérea e ventilação, equipamento
para avaliação de sinais vitais e glicemia capilar entre outros). Eles vão permitir ao
TAE a adopção das medidas iniciais, necessárias à estabilização da vítima até que
estejam reunidas as condições ideais para o seu eventual transporte.
 Unidade móvel de intervenção psicológica de emergência (UMIPE), é um veículo de
intervenção concebido para transportar um psicólogo do INEM para junto de quem
necessita de apoio psicológico, como por exemplo, sobreviventes de acidentes graves,
menores não acompanhados ou familiares de vítimas de acidente ou doença súbita
fatal. Estes veículos são conduzidos por um elemento com formação em condução de
veículos de emergência, actuando na dependência direta dos CODU, tendo por base as
Delegações Regionais.

Salvar uma vida envolve uma sequência de passos, cada um dos quais vai influenciar a
sobrevivência do acidentado. Estes passos são frequentemente descritos como os elos da “cadeia de
sobrevivência”:
1. O reconhecimento precoce e pedido de ajuda para prevenir a paragem
cardiorrespiratória (PCR). Os serviços de emergência devem ser chamados de imediato
se se suspeitar, por exemplo, de um enfarte agudo do miocárdio, ou de uma PCR.
2. Suporte Básico de Vida (SBV) precoce para ganhar tempo, já que se ocorrer uma PCR,
deve-se iniciar de imediato as compressões torácicas e ventilações (SBV), já que esta
atitude poderá duplicar as hipóteses da vítima sobreviver.
3. Desfibrilhação precoce para reiniciar o coração, já que na maioria dos casos de PCR o
coração pára de bater eficazmente devido a uma perturbação do ritmo designado
fibrilhação ventricular (FV), e o único tratamento eficaz para a FV é a administração de
um choque elétrico (desfibrilhação). A probabilidade de sucesso da desfibrilhação
decresce entre 7% a 10% por minuto após o colapso, a não ser que o SBV seja
realizado.
4. Cuidados pós reanimação para que o acidentado recupere com qualidade de vida, já
que as possibilidades de recuperação aumentam, se após uma reanimação com sucesso,
os reanimadores:
 Colocarem a vítima em posição lateral de segurança (no caso de um leigo);
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

 Usarem técnicas diferenciadas para optimizar a recuperação (no caso dos


profissionais de saúde).

A Posição Lateral de Segurança (PLS) deve ser efetuada nas situações em que a vítima se
encontra não reativa/inconsciente e com respiração normal/ eficaz, ou se tiverem sido restaurados os
sinais de vida após manobras de reanimação. Em qualquer situação, a manutenção da permeabilidade
da via aérea deverá ser obrigatoriamente garantida, já que é essencial à sobrevivência da pessoa
acidentada. A PLS garante a manutenção da permeabilidade da via aérea numa vítima inconsciente
que respira normalmente, já que:
 Diminui o risco de aspiração de vómito;
 Previne que a queda da língua obstrua a via aérea;
 Permite a drenagem de fluídos pela boca;
 Permite a visualização do tórax;
 Não estão demonstrados riscos associados à sua utilização.

Ao abordar a vítima para a aplicação dos primeiros socorros, deve verificar o estado de
consciência. Assim, se ela responde:
 Deixe-a como a encontrou;
 Procure quaisquer alterações;
 Solicite ajuda (ligue 112);
 Reavalie-a regularmente.

Se a vítima tiver ficado em PLS mais de 30min, ela deve ser voltada para o lado oposto para
aliviar a compressão sobre o braço que ficou debaixo do corpo. A Posição Lateral de Segurança deve
ser utilizada nas pessoas inconscientes que mantenham a ventilação, já que esta posição previne a
obstrução das vias aéreas superiores, permitindo uma melhor ventilação.

O que fazer para colocar uma vítima em PLS?


1. Retirar óculos e objetos volumosos (chaves, telefones…);
2. Desapertar a gravata (se for o caso) e o colarinho;
3. Ajoelhar ao lado da vítima e estender-lhe as duas pernas;
4. Com a vítima deitada, rodar a cabeça para o lado (para impedir a queda da língua para
trás e a sufocação por sangue, vómitos ou secreções);
5. Pôr o braço do lado para onde virou a cabeça ao longo do corpo;
6. Flectir a coxa do lado oposto;
7. Rodar lentamente o bloco cabeça-pescoço-tronco, mantendo a vítima estável;
8. Manter a posição da cabeça virada para o lado.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Assim, os objectivos dos primeiros socorros são:


 Prevenir, que tem como função diminuir o número de acidentes ou impedir e
minimizar as consequências destes, e para tal, deve-se afastar o perigo da vítima e/ou a
vítima do perigo.
A prevenção pode ser dividida em:
 Prevenção primária, onde estão incluídas o conjunto de acções
realizadas antes da ocorrência de um acidente para diminuir ou
eliminar as consequências do mesmo;
 Prevenção secundária, onde estão incluídas o conjunto de acções a
realizar depois do acidente de modo a que este não se agrave.
 Alertar, chamando-se ao local do acidente, pessoal especializado na estabilização e no
transporte da vítima para um serviço de urgência. Assim, o socorrista actua
essencialmente no local do acidente e não deve abandonar a vítima para efectuar o
alerta.
 Socorrer, e para tal é necessário estabelecer prioridades a fim de ordenar e sintetizar as
nossas acções. Para isto é preciso saber que é mais importante realizar em primeiro
lugar!
Os primeiros socorros podem ser divididos em:
 Socorros primários, que são socorros essenciais, que se aplicam a
situações prioritárias que comprometem rapidamente a vida da vítima,
como por exemplo a asfixia, estado de choque; hemorragias ou
envenenamentos;
 Socorros secundários, são todas as situações que necessitem de
socorro e não estão identificadas nos socorros primários e como
exemplo temos as feridas e queimaduras.

Limites da acção
Como actuar numa situação de emergência?
Antes de tomar qualquer atitude deve começar por examinar o local e a vítima, devendo-se
afastar a vítima do perigo e/ou o perigo da vítima. Posteriormente, deve interrogar a vítima e possíveis
observadores e só depois socorrer ou prestar os primeiros socorros.
Na actuação ao nível dos primeiros socorros a máxima deve ser:
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Se não sabe, não deve mexer!!!

Antes de proceder ao alerta, tente, se possível, obter a seguinte informação da vítima:


 Identificação;
 Doenças (epilepsia, asma…)
 Medicação que toma;
 Alergias;
 Contacto telefónico de familiares ou de amigos.

Primeiros socorros pediátricos/criança


Durante muitos anos, as crianças vão precisar do cuidado e atenção constante de adultos para
que consigam desenvolver-se de forma plena e saudável e aprender a cuidar de si mesmas. Como elas
não nascem sabendo o que pode ou não representar um perigo para suas vidas, é da responsabilidade
dos adultos cuidar e proteger as crianças de perigos, evitando que elas se magoem ou até mesmo
percam a vida por motivos evitáveis. É também da responsabilidade dos adultos, educar e ensinar as
crianças, de forma a que elas possam cuidar de si mesmas à medida que crescem. Muitos pais,
familiares, cuidadores e educadores têm dúvidas sobre como abordar a prevenção de acidentes com as
crianças, no entanto, a única coisa que temos que ter em atenção quando abordamos este tema com as
crianças é entender em que fase do desenvolvimento ela se encontra e qual o seu limite de
compreensão e aprendizagem.

Caso necessite prestar os primeiros socorros a uma criança que sofreu um acidente, deve:
 Avaliar a situação, parando, escutando, olhando para a criança e determinndo se ela é
capaz de lhe dizer o que se passou;
 Verificar a segurança em seu redor:
 Proteger a criança do perigo imediato, como por exemplo desligar a corrente elétrica;
 Não se ponha em risco de ficar igualmente ferido ou traumatizado, pois assim a ajuda
será nula;
 Só em caso de necessidade absoluta e de risco de vida, se deve deslocar a vítima;
 Deve-se avaliar o estado de consciência da criança, e se ela estiver consciente, deve:
1. Tratar as lesões graves;
2. Tratar o estado de choque;
3. Tratar pequenas lesões.

Tal como na situação geral das características essenciais para um socorrista, também é
importante que o/a técnico de acção educativa:
 Sinta autoconfiança, mas tenha a noção das suas limitações;
 Tenha uma atitude de compreensão e paciência;
 Seja capaz de tomar decisões, organizar e controlar a situação.

Assim, e basicamente, quem aplica os primeiros socorros, em particular se for um técnico de


acção educativa deve possuir dois tipos de procedimento/atitude:
 O que se sabe, se pode e se deve fazer;
 O que não se sabe, não pode e não deve fazer.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

A aplicação efectiva de primeiros socorros tem sempre em consideração as duas atitudes


anteriores. Como vimos anteriormente,
na aplicação de primeiros socorros em
crianças e jovens, a definição da idade é
crucial, uma vez que as crianças não têm
o mesmo tipo de doenças que os adultos,
e devido ao seu tamanho, o seu corpo
reage de maneira diferente ao mesmo
tipo de acidente.
No caso da aplicação de primeiros
socorros a crianças há algumas
orientações importantes:
 Caso se verificar que a
criança já chegou doente à
escola, solicitar a presença dos pais e levar a criança para casa, com o intuito de se
evitar o risco de disseminação de doenças infectocontagiosas na escola;
 Ter sempre as informações completas das crianças (nome, idade, ocorrência, dados de
saúde);
 Chamar os pais ou responsáveis sempre, porém não retardar a atendimento da criança
por suas ausências;
 Fazer o socorro inicial, mas em casos de dúvida ou se não se sentir seguro dos seus
actos, deixar o socorro para a equipa médica que deverá ser accionada imediatamente
em casos moderados a graves;
 Não oferecer qualquer bebida/comida às crianças acidentadas ou doentes até que haja
avaliação da situação;
 Manter um ambiente escolar seguro.

Um aspecto importante da aplicação dos primeiros socorros, em particular no apoio aos


serviços de emergência é a medição dos sinais vitais, já que estes dão informações importantes sobre
as funções básicas do corpo. Dentro dos sinais vitais temos que considerar:
 Frequência Cardíaca é considerada normal quando em:
o Bebés com menos de 1 ano, ocorrem, 100 a 160 batimentos por minuto;
o Crianças de 1 a 10 anos, ocorrem, 70 a 120 batimentos por minuto;
o Crianças com mais de 10 anos e adultos, ocorrem, 60 a 100 batimentos por
minuto.

A medição da frequência cardíaca pode ser feita:


 Pressionando levemente a artéria radial com o dedo indicador e médio;
 Pressionando levemente a artéria carótida localizada na parte lateral do
pescoço, um pouco abaixo da mandíbula.
 Com um relógio, contam-se os batimentos cardíacos ao longo de 1
minuto.

 Frequência Respiratória, é considerada normal quando em:


o Recém-nascidos, ocorrem, 44 respirações por minuto;
o Bebés, ocorrem, 20 a 40 respirações por minuto;
o Crianças em idade pré-escolar, ocorrem, 20 a 30 respirações por minuto;
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

o Crianças mais velhas, ocorrem 16 a 25 batimentos por minuto.

Para verificar a frequência respiratória deite a criança, e conte quantas vezes o


peito sobe ao longo de 1 minuto.

 Temperatura Axial, e considera-se que a criança se encontra febril quando a


temperatura axilar é superior a 37,5º C. A principal causa de febre nas crianças são as
infecções por vírus e bactérias.
Em caso de febre, a criança deve ficar vestida com roupa fresca, podendo-se em
crianças pequenas, realizar um banho com água morna (nunca com água fria). Para
além disto, a hidratação oral também é uma medida importante, devendo-se oferecer
água ou outros líquidos com frequência.

Acidentes na Pele - formas de actuação

Feridas
Quando falamos de acidentes na pele, falamos frequentemente de ferida, e esta é definida como
uma solução de continuidade da pele, quase sempre de
origem traumática, que além da pele (ferida superficial)
pode atingir o tecido celular subcutâneo e muscular (ferida
profunda). Os cortes ou feridas provocadas por quedas,
entalões ou outras são em geral acidentes pouco graves, no
entanto, há cortes e traumatismos mais graves que se dão
quando as crianças manipulam instrumentos perigosos,
sendo ainda frequente uma criança entalar-se com
gravidade. Assim, uma ferida é uma lesão na pele em
decorrência de trauma mecânico, físico ou térmico ou que se
desenvolva a partir de uma condição patológica ou
fisiológica. Em situações normais e quando a pessoa esta
em bom estado de saúde, uma ferida fecha em cerca de 2 semanas.
A limpeza de uma ferida é um dos passos mais importantes pois previne infeções e ajuda na
cicatrização.

O que se deve fazer em caso de feridas na pele?


Antes de proceder a qualquer actuação, o socorrista/auxiliar deve lavar as mãos e calçar luvas
descartáveis, posteriormente deve:
 Lavar a pele ou o corte com água corrente;
 Limpar cuidadosamente a área em redor da ferida, com uma compressa esterilizada e
desinfetante, sempre do centro para fora, e substituindo sempre a compressa a cada
passagem;
 Lavar a ferida, com água e sabão, do centro para os bordos da mesma, utilizando
compressas;
 Retirar quaisquer objetos soltos presentes no interior da ferida/bordos, não se devendo
remover objetos encravados, pois estes podem estar a servir de tamponamento e assim
previnem uma hemorragia;
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

 Secar a ferida com uma compressa através de pequenos toques, para não destruir
qualquer coágulo de sangue;
 Após a limpeza/desinfecção a ferida, cobri-la de modo a protege-la provisoriamente
com uma compressa esterilizada, ou pano limpo;
 Colocar a área afetada em repouso e se necessário mais elevada que o nível do coração,
para que haja uma correta oxigenação da zona.

Se a ferida for superficial e de pequenas dimensões, depois de limpa ela deve ser deixada,
preferencialmente ao ar, ou apenas coberta com uma compressa esterilizada. Se a ferida extensa ou
profunda, com tecidos esmagados ou infetados, ou se contiver corpos estranhos, deverá proteger
apenas com uma compressa esterilizada e encaminhar para tratamento por profissionais de saúde, já
que esta é uma situação grave que necessita transporte urgente para o Hospital.

O que não se deve fazer no tratamento de feridas?


Aquando do tratamento de uma ferida, nunca se deve:
 Tocar nas feridas com sangue sem luvas;
 Utilizar o material (luvas, compressas,
etc.) em mais de uma pessoa;
 Soprar, tossir ou espirrar para cima da
ferida;
 Não utilizar mercurocromo ou tintura de
metiolato, só se devendo utilizar betadine
dérmico;
 Fazer compressão direta em locais onde
haja suspeita de fraturas ou de corpos
estranhos encravados, ou junto das
articulações;
 Tentar tratar uma ferida mais grave,
extensa ou profunda, com tecidos esmagados ou infetados, ou que contenha corpos
estranhos.

Feridas nos olhos


Um caso de particular de feridas são as feridas nos olhos. Este tipo de acidentes são comuns em
qualquer fase da vida, e é importante lembrarmo-nos o que causou o acidente e há quanto tempo a
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

ferida ou os sintomas de irritação foram identificados. O tratamento para ferimentos e pancadas nos
olhos dependem do tipo e gravidade da lesão, podendo ser necessário apenas um tratamento caseiro
com água ou lágrimas artificiais para os acidentes menos graves ou uso de antibióticos e outros
medicamentos nos casos mais graves. Assim, a abordagem que vamos utilizar pra o tratamento deste
tipo de lesão vai depender do tipo de ferida que ocorreu. Se estivermos perante um arranhão ou
abrasão na córnea, que normalmente é causado por unhas, poeira, areia, serragem, partículas de
metal, ou a ponta de uma folha de papel, elas curam-se naturalmente em 2 dias, no entanto, se
surgirem sintomas de dor, sensação de areia no olho, visão turva, dor de cabeça e lacrimejamento,
deve-se procurar ajuda médica. Para os primeiros socorros neste tipo de lesão deve-se:
 Deitar a vítima com a cabeça completamente imóvel e olhando para cima;
 Lavar o olho apenas com água corrente limpa e piscar o olho várias vezes, para ajudar a
eliminar o corpo estranho;
 Cobrir o olho com compressas estéreis;
 Até à chegada do médico, e para evitar complicações, deve-se evitar esfregar ou coçar
o olho e não tentar remover o corpo estranho, principalmente utilizando objectos como
as unhas, cotonete ou pinça, pois isso pode agravar a lesão ocular.

Se estivermos perante uma ferida penetrante, na qual se verifica uma perfuração do olho, e
são normalmente causadas por objetos pontiagudos como lápis, pinça ou utensílios de cozinha, ou por
golpes ou socos, pode-se verificar um inchaço e sangramentos oculares e, se o objeto estiver sujo ou
contaminado com microrganismos, pode levar a uma infecção que se pode espalhar por todo o
organismo. Neste caso, o tratamento deve sempre ser feito por um médico, sendo indicado apenas
cobrir o olho com gaze ou pano limpo até ir para o hospital ou centro de saúde mais próximo para
iniciar rapidamente o tratamento.

Caso a lesão do olho seja uma queimadura por calor, devido ao contacto com objectos
quentes, deve-se apenas lavar o olho e as pálpebras com água fria corrente, devendo-se
posteriormente colocar uma compressa ou pano húmido sobre o olho até chegar ao centro de saúde ou
hospital, para manter a região humedecida. Neste caso não se devem fazer curativos, pois podem
causar feridas e úlceras na córnea.

Se a causa da queimadura forem substâncias químicas como por exemplo os produtos de


limpeza de casa, eles necessitam de cuidados de primeiros socorros com urgência. Assim, deve-se
lavar o olho da vítima com água corrente durante pelo menos 15 minutos, de preferência estando
deitado ou sentado com a cabeça virada para trás. Ao chegar ao centro de saúde ou hospital o médico
irá avaliar se a córnea foi afectada e poderá indicar o uso de comprimidos ou colírios antibióticos e
gotas de vitamina C para colocar nos olhos.

Caso estivermos a efectuar os primeiros socorros a uma ferida grave na face, deve-se sempre
considerar a hipótese de existir uma ferida no olho. E nunca nos devemos esquecer que as feridas nos
olhos são situações graves que necessitam de transporte para o Hospital.

Picadas e mordeduras de animais


E muito frequente as crianças conviverem muito tempo com animais domésticos, brincado com
eles sendo frequente abraça-los ou agarra-los, e muitas vezes até partilham a cama. Neste contexto
podem ocorrer acidentes, como por exemplo mordeduras, arranhões, picadas, ou até mesmo a
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

ingestão de alimentos contaminados por estes animais. Doenças como a raiva, a doença da
arranhadela do gato e a mordedura do cão (a mais comum), podem surgir. As mordeduras de animais
como a cobra, víbora e o lacrau ocorrem com alguma frequência no campo, sendo situações que
exigem a ida imediata ao hospital.
As picadas de insectos são muito frequentes, podendo provocar reacções alérgicas de maior ou
menor gravidade, devendo-se dar especial atenção com as picadas na cara e pescoço pois podem
provocar uma reacção de inchaço (edema da glote) e provocar asfixia. Já toda a gente foi picada por
um insecto em algum momento da sua vida, e como sabemos, por vezes, pode ser difícil identificar
exatamente o insecto que nos picou, a menos que se consiga observa-lo na altura da picada, o que por
vezes pode ser difícil. Certas picadas infecciosas podem tornar-se graves, causando inchaço, dano à
pele ou comichão intensa, no entanto, a maioria das picadas de insectos comuns é inofensiva. Muitas
picadas de insectos têm o potencial de transferir bactérias ou doenças, por isso, é importante ter uma
ideia do que exatamente o picou/feriu e o que é preciso fazer para curar os sintomas resultantes.

Picadas de vespa
Uma das picadas mais frequentes é a picada de vespa/vespão, verificando-se que a área
afectada fica vermelha e muito inchada, podendo mesmo ocorrer a formação de bolhas na pele.
Assim, deve-se arrefecer a área da picada, o que irá proporcionar algum alívio. Em alguns casos, este
tipo de picada pode causar uma reacção alérgica desencadeada pelo seu próprio sistema imunológico,
daí que, se a vítima começar a apresentar suores frios, dormência, ou com os lábios azuis e
dificuldades respiratórias, deve-se contactar imediatamente o 112, centro antivenenos ou encaminhar
a vítima para o hospital.

Picadas de abelhas
As picadas de abelha são geralmente inofensivas a longo prazo e, desde que a pessoa não se
sinta mal, pode-se esperar até que os sintomas diminuam, no entanto, é importante remover o ferrão
para impedir que mais veneno entre no corpo, daí que para se obter melhores resultados, se deva
retirar o ferrão com uma pinça. Também neste caso podem surgir sintomas de alergia com por
exemplo dormência, suores frios, perda de equilíbrio e inchaço exagerado, e neste caso deve-se
encaminhar a vítima ao centro de saúde ou administra-lhe um anti-histamínico.

Assim, no caso de picadas de abelhas ou vespas deve-se:


 Retirar o ferrão com uma pinça;
 Desinfectar com anti-séptico (betadine dérmico);
 Aplicar gelo localmente, durante mais ou menos 10 minutos, e se não se verificarem
melhoras, deve-se encaminhar a vítima para o hospital.
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Caso se verifiquem picadas múltiplas (devido a um enxame), reacções alérgicas ou picadas na


boca ou na garganta (devido ao risco de asfixia) é necessário o transporte urgente para o hospital, já
que estas situações necessitam de cuidados especiais.

Picadas de carraças
A picada deste insecto passa frequentemente despercebida e os seus sintomas surgem ao fim de
algum tempo (máximo 24 horas), sendo frequente as febres altas e sem causa aparente e comichão
numa determina zona, local onde se deve procurar por uma pequena mancha vermelha. O local da
picada não deve ter mais do que alguns centímetros de diâmetro, sendo comum encontrar um pequeno
caroço vermelho no centro da lesão que corresponde ao local onde a carraça picou e se alimentou.

Picadas de piolhos
As picadas destes insectos levam ao surgimento de pequenos pontos vermelhos que se parecem
com as picadas de mosquito, no entanto, elas ocorrem sempre em lugares onde o cabelo cresce, como
por exemplo, cabeça, pescoço ou atrás das orelhas. A comichão severa é o sintoma mais comum da
picada de piolhos, e para se ter a certeza de que estamos a falar deste tipo de insecto deve-se passar
um pente pelos pêlos/cabelos, já que eles são facilmente identificados uma vez que têm geralmente
um a três milímetros de comprimento, e corpos translúcidos.

Picadas de pulga
As picadas de pulgas são difíceis de diagnosticar, já que são frequentemente confundidas com
reacções alérgicas a picadas de mosquito. Ao contrário das picadas de mosquito, as das pulgas podem
ser dolorosas e deixar a área extremamente irritada. De uma maneira geral, as pulgas picam as pernas
de uma pessoa quando esta se encontra a dormir, podendo fazê-lo várias vezes numa única “sessão”,
daí que muitas vezes surja um padrão, em que as picadas se encontram separadas por intervalos de
cerca de 1 a 2 cm.

Caso tenho ocorrido a picada de um insecto é importante ter em atenção que uma picada na
boca ou no pescoço pode ser perigosa pois pode provocar inchaço no canal respiratório, dificultando a
entrada e saída do ar. Nesta situação deve-se dar de beber água fria à vítima água fria ou faze-la
chupar cubos de gelo para diminuir o inchaço. Posteriormente deve-se chamar ambulância (112) e
avisar os pais caso se trate de uma criança.

Picada de medusa (alforreca) - caravela Portuguesa


A caravela-portuguesa, são organismos gelatinosos que vivem no mar, têm um corpo oval, de
cor azul, violeta ou vermelha,
medindo cerca de 10 a 30 cm de
comprimento, podendo ser
encontradas em águas quentes e
temperadas. Este tipo de organismo é
muito frequente na costa portuguesa, e
para além do corpo em forma de
balão, possuem, debaixo de água,
longos tentáculos venenosos que
podem causar queimaduras de até
terceiro grau. A caravela-portuguesa, mesmo quando é encontrada na areia, continua a ser capaz de
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

provocar queimaduras. Assim, em caso de contacto com os tentáculos deste organismo, a principal
recomendação para tratamento, é seguir imediatamente para uma unidade de saúde mais próxima. No
entanto, existem alguns procedimentos base que são indicados internacionalmente para ajudar a
aliviar a dor no local e os efeitos locais do veneno, e ajudar a controlar um possível choque
anafilático. Nos casos mais graves, procura-se estabilizar e manter as funções vitais do acidentado.
Assim, deve-se mergulhar o membro acidentado em água quente ou compressas de gelo para aliviar a
dor, além de passar vinagre de uso doméstico na zona afetada para inactivar o veneno. A área do
contacto com os tentáculos da alforreca deve ser apenas lavada apenas com água do mar ou vinagre
nunca com água doce.
Os principais sintomas que se podem observar em caso de contacto com os tentáculos
venenosos deste organismo são dor instantânea, edema intradérmico nas áreas que entraram em
contacto com os tentáculos. Algumas lesões podem evoluir para necrose em 24 horas, levando ao
surgimento de cicatrizes. Podem ainda verificar-se sintomas sistémicos, como por exemplo problemas
gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas e vômitos, e/ou musculares, como espasmos e dor. O
envenenamento pode gerar ainda dor de cabeça, sonolência, desmaio e perturbações
cardiorrespiratórias.
Do ponto de vista de primeiros socorros, o tratamento mais eficaz, com vista a aliviar a dor, é a
remoção dos fragmentos dos tentáculos que fiquem na vítima, havendo estudos que indicam que, após
a remoção, deve-se fazer uma imersão da pele em água quente. As aplicações de compressas de gelo
também são eficazes no alívio da dor. Podem ser ainda utilizados diversos medicamentos para o alívio
da dor, mas estes carecem de prescrição médica.

Picada de peixe-aranha
As picadas de peixe-aranha são extremamente dolorosas, e os primeiros socorros consistem, em
primeiro lugar, no espremer o local da picada o máximo possível (até sair sangue) e posteriormente na
aplicação local de calor já que a toxina libertada pelo peixe
é termolábil (decompõe-se devido ao calor). Assim, se
possível, o membro afectado deve ser submerso em água
tão quente quanto se possa suportar durante cerca de 30
minutos, tendo sempre o cuidado de não provocar
queimadura, e quando isto não é possível, deve-se
improvisar, como por exemplo, aproximando o máximo
possível um cigarro da zona afectada, ou caminhar com
alguma pressão sobre a zona picada na areia quente (apesar
de por vezes parecer impossível de realizar), já que na
maior parte das vezes, os efeitos benéficos do calor fazem-se sentir rapidamente. A aplicação do calor
deve ser realizada na primeira meia hora após a picada, caso isto não aconteça ou se os sintomas não
passarem com o calor, poderá ser necessário recorrer a um serviço de saúde para que a pessoa
afectada seja tratada e medicada.
É possível, embora raro, que fique na ferida um resto de espículo, que deve ser retirado,
podendo ser necessário neste caso a abertura do local. Caso não seja necessário abrir a zona da picada,
o local da ferida deverá ser apenas lavada, e posteriormente desinfetada. No entanto, caso a pessoa
picada apresente tonturas e sensação de desmaio, vertigens, náuseas, febre e vómitos, dores de cabeça,
cãibras generalizadas, sudorese, dor inguinal, convulsões, dificuldade em respirar ou alteração da
coloração e temperatura do membro afetado, deve-se conduzir de imediato a pessoa afectada a um
médico.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

As picadas de peixes venenosos, ouriços ou alforrecas provocam, por vezes, dores muito
intensas, assim, os primeiros socorros baseiam-se na aplicação local de cloreto de etilo ou, na sua
falta, gelo, durante aproximadamente 10 minutos.

Mordedura de cobra
A atitude mais importante que se deve tomar depois de uma mordedura de uma cobra é manter
o membro picado o mais imóvel possível, uma vez que, quanto mais se movimentar o membro, mais o
veneno se irá espalhar pelo corpo.
Embora em Portugal não sejam
conhecidos quaisquer tipos de cobras
venenosas cuja picada possa causar a morte,
sempre que ocorrer a mordedura por uma
cobra, deve-se evitar que a vítima caminhe, e
deve-se transporta-la por maca o mais
rapidamente possível para o hospital. As picadas de cobras não venenosa deixam geralmente duas
fileiras de pontinhos na pele, correspondentes ás marcas dos dentes da cobra. Numa situação destas
deve-se:
 Deitar a vítima/criança e tranquiliza-la;
 Lavar bem o local da picada de cobra, do centro para fora;
 Cobrir a zona com um penso;
 Colocar uma pomada antisséptica na ferida;
 Fazer um curativo com uma gaze apertada;
 Imobilizar a área mantendo o coração da criança acima do nível da ferida para que o
veneno não se espalhe;
 Chamar a ambulância (112);
 Levar a vítima o mais rápido possível ao médico.

Nota: Em caso algum deve tentar chupar o veneno.

Mordedura de cão
No caso da mordedura de um cão, os primeiros
socorros passam por desinfetar o local da mordedura,
tentar informar-se se o cão está corretamente vacinado
e levar o acidentado com urgência ao hospital, já que
este tipo mordedura envolve o risco de infecção.

Mordedura de gatos/ratos/porcos/equídeos (cavalos e burros)


No caso deste tipo de mordeduras, deve-se desinfetar o local da mordedura, e transportar a
vítima ao hospital.

Em qualquer tipo de mordedura nunca se deve dar de beber, queimar ou chupar a ferida, ou
golpear a zona mordida.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Queimaduras
A pele é o maior órgão do corpo humano, sendo composta por duas camadas, a derme e a
epiderme), que se encontram intimamente unidas, e que actuam de forma harmónica e cooperativa. A
pele assegura grande parte das relações entre o meio interno e o externo, já que funciona como um
órgão sensorial para o tacto, calor e dor, dando-nos a
sensação da temperatura e da pressão exercida sobre ela.
Para além disto, a pele funciona como barreira à entrada
de microrganismo, actuando na defesa do corpo humano
e colaborando com outros órgãos para o bom
funcionamento do organismo, já que participa no
controle da temperatura corporal e na produção de
metabólitos.
A destruição da pele por queimaduras e
escaldaduras pode facilitar a ocorrência de infecções, e
se as queimaduras forem graves, podem levar a perda de
líquidos e até ao estado de choque, já que quando a pele
é queimada, perde-se o controle da temperatura, fluidos
orgânicos, água e de barreira contra a infecção. As
queimaduras podem ser provocadas por qualquer
substância quente que entre em contacto com a pele,
quer sejam líquidos ou sólidos, e não nos podemos esquecer do sol, fogo, energia elétrica, produtos
químicos e frio.
No caso de uma queimadura, a atenção imediata pode salvar vidas, sendo indispensável
perceber qual o comportamento mais seguro a ter, e quais os princípios básicos de primeiros socorros
que devem ser aplicados às vítimas. A gravidade de uma queimadura depende de vários factores,
como por exemplo:
 Zona atingida;
 Extensão;
 Profundidade, e quanto a este parâmetro, as queimaduras classificam-se em:
o Queimaduras de 1º grau, que são aquelas que se limitam à camada superficial
da pele (epiderme) que fica vermelha e inchada. Como exemplo deste tipo de
queimaduras temos as queimaduras solares, que são graves se forem extensas.
Os sintomas associados a este tipo de queimaduras são vermelhidão leve
e intensa, dor ao tactear, e pele um pouco inchada.
O que fazer neste tipo de queimadura?
Arrefecer a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com
água corrente, durante alguns minutos, até a dor acalmar, posteriormente,
aplicar compressas frias e húmidas ou
submergir a zona afectada em água fria. Se
possível, retirar qualquer objeto que possa
armazenar calor (anéis, colares, brincos,
cinto, objetos de metal ou de couro), e
posteriormente, proteger a zona queimada
com gaze, lenço ou pano limpo. Podem-se
aplicar medicamentos sem prescrição
médica (pomadas) para ajudar a aliviar a dor e reduzir a inflamação.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

De uma maneira geral, as queimaduras de primeiro grau curam-se sem


nenhum tratamento específico, no entanto, se ela cobrir uma grande área do
corpo ou se a vítima for uma criança ou um idoso, deve procurar- se ajuda
médica.
o Queimaduras de 2º grau, afectam as duas camadas da pele (epiderme e derme),
sendo um tipo de queimadura mais profunda, dando origem a flictenas
(bolhas), que necessitam de ser observadas pelo médico. Como ela atinge as
duas camadas da pele, ela é bastante dolorosa, sendo uma queimadura mais
grave, demorando cerca de 7 a 21 dias até estarem curadas, podendo deixar
cicatriz. Este tipo de queimadura pode ser fatal se for extensa.
Os sintomas associados a este tipo de queimaduras são vermelhidão
intensa da pele, dor intensa, formação de flictenas (bolhas), aparência lustrosa
devido à acumulação de líquido (pus), possível perda de partes da pele.
O que fazer neste tipo de queimadura?
Arrefecer a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com
água tépida, até a dor acalmar, ou aplicar compressas frias, devendo-se
continuar este procedimento durante 10 a 15 minutos. Posteriormente, deve-se
limpar e secar com um pano limpo a parte afectada e cobrir com gaze estéril.
Deve-se ainda elevar os braços ou pernas quando queimados, nunca se deve
rebentar as bolhas, devendo-se cobri-la com uma compressa esterilizada
vaselinada (não aderente). Se as bolhas rebentarem, não se deve cortar a pele da
bolha, devendo-se trata-la como qualquer outra ferida. O penso deve manter-se
durante 48 horas, no entanto, se ele apresentar exsudado, deve ser mudado
regularmente, e só após este intervalo de tempo é que se deve expor a
zona queimada ao ar para evitar o risco de infecção/tétano. Se estiver
longe do hospital, pode ser usada película aderente para envolver a
área queimada, isolando-a assim do exterior e evitando possíveis
contaminações. Posteriormente deve-se procurar ajuda médica
adicional, nunca se devendo tentar tratar queimaduras graves se não for um
profissional de saúde capacitado.
o Queimaduras de 3º grau, penetram por toda a espessura da pele, destruindo
tecidos que estão por baixo, daí que este tipo de queimadura afecte os nervos,
músculos, e mesmo os ossos. Como este tipo de queimadura atinge os tecidos
mais profundos, ela provoca uma lesão grave e a pele pode ficar carbonizada,
preta ou esbranquiçada e emaciada (pálida). Ao contrário do que se possa
pensar, este tipo de queimaduras, não são geralmente dolorosas, mas a vítima
pode entrar em estado de choque, daí que seja urgente a observação médica.
Muitas vezes, as pessoas atingidas por este tipo de queimaduras necessitam de
cirurgia para efectuarem enxertos de pele e habitualmente deixam cicatriz
(queimadura muito grave).
Os sintomas associados a este tipo de queimaduras são perda de pele, a
pouco e pouco, a lesão torna-se indolor (pode acontecer que se sinta dor
provocada pelas queimaduras de 1º ou 2º grau que rodeiam as queimaduras de
3º grau), a pele fica seca e com aparência de couro, podendo apresentar-se
chamuscada ou com manchas brancas, castanhas ou pretas.
O que fazer neste tipo de queimadura?
Arrefecer a região queimada com soro fisiológico ou, na sua falta, com
água corrente, tratando-se como qualquer outra ferida. Deve-se cobrir
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

ligeiramente a queimadura com uma gaze estéril ou um pano limpo, não se


devendo, no entanto, usar qualquer material que possa deixar pêlo no local da
queimadura. Se a queimadura for muito extensa, deve-se envolver a vítima num
lençol lavado e que não largue pêlos, previamente humedecido com soro
fisiológico ou, na sua falta, com água simples. É ainda importante fazer com
que a pessoa sinta se tem a cara queimada e tentar detectar
problemas de respiração. Se possível, deve-se elevar a zona
queimada acima da cabeça da vítima, mas não se deve colocar
uma almofada debaixo da cabeça da vítima se esta estiver
recostada e tiver as vias respiratórias queimadas, uma vez que
este procedimento pode fechar a via respiratória.
Deve-se procurar ajuda médica imediata e não se deve
tentar tratar queimaduras graves se não for um profissional de saúde
capacitado.

O que não se deve fazer nas queimaduras de 2º e 3º graus?


Na presença de uma queimadura de 2º ou 3º grau, nunca devemos furar ou rebentar as bolhas
formadas, retirar roupa ou substâncias que estejam aderentes à pele/queimadura, ou utilizar
substâncias como pasta de dentes, manteiga ou margarina, óleos de qualquer tipo, pomadas caseiras
ou quaisquer outros produtos não receitados pelo médico. Para além disto não se deve cobrir a
queimadura com panos secos.

Uma queimadura é grave quando é extensa, profunda, está suja, localiza-se em determinados
sítios do corpo (boca, cara), o individuo é débil (criança, idoso), e é interna (ingestão de produtos
cáusticos). Além da profundidade, uma queimadura é tanto mais grave quanto maior for a superfície
afectada;

O que fazer na presença de queimaduras (independentemente do grau)?


A primeira acção a efectuar em caso de queimadura é remover a fonte de calor. Se a roupa
estiver a arder, envolver a vítima numa toalha molhada ou, na sua falta, fazê-la rolar pelo chão ou
envolvê-la num cobertor. Se a roupa não estiver a arder, mas estiver quente, queimada ou tiver sido
exposta a produtos químicos, deve-se retirar a roupa. A única excepção a esta regra é se as roupas
tiverem constituintes sintéticos, como por exemplo nylon.
Se a vítima se queimou com água ou outro líquido a ferver, deve-se despi-la imediatamente. Se
a queimadura foi com produtos químicos, deve-se irrigar o local da queimadura com água para ajudar
a diluir o agente responsável, no entanto, esta acção não deve ser efectuada se o produto químico
responsável pela queimadura for um pó. Neste caso deve-se remover sem molhar.
Independemente do tipo de queimadura deve-se ainda dar de beber água com frequência.

O que não se deve fazer na presença de queimaduras?


Qualquer que seja o tipo de queimadura não se deve retirar qualquer pedaço de tecido que tenha
ficado agarrado à queimadura. Tal como já referimos, também não se devem rebentar as bolhas ou
tentar retirar a pele das bolhas que rebentaram, nem aplicar sobre a queimadura outros produtos além
dos referidos. Nunca se deve aplicar gelo diretamente na queimadura, ou arrefece-la por períodos
superiores a 10 minutos, especialmente quando ocupa áreas superiores a 20% do corpo.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Notas importantes
O tratamento das queimaduras deve ser feito no hospital, especialmente se houver dúvidas
quanto à sua gravidade, extensão ou tratamento a realizar. A vítima deve ser transportada
imediatamente para o hospital caso se considere que:
 A queimadura é de 2º ou 3º grau;
 A zona queimada for grande, ainda que não pareça grave (área do corpo superior a
10%);
 Afectar zonas particularmente sensíveis, como as mãos, pés, zona genital, rosto ou
couro cabeludo;
 Tiver sido provocada por fogo, eletricidade ou substância química;
 Parecer estar infectada (com pus, inchada ou vermelha).

Antes de proceder a qualquer tratamento siga o ABC, ou seja, ver o estado de consciência da
pessoa acidentada, verificar a sua respiração e pulsação e agir em conformidade.

Queimaduras térmicas
São provocadas por fontes de calor como o fogo, líquidos a ferver, vapores, objectos quentes,
queimadura do sol, e exposição ao frio intenso. O primeiro princípio a ter em conta quando
socorremos uma criança que se queimou é actuar sobre a causa, ou seja, se a queimadura é provocada
pelo fogo e não tem um extintor, abafe-a com um cobertor, se for provocada por uma substância
química remover com água, e se for eléctrica desligar a corrente eléctrica.
Assim, os primeiros socorros para queimaduras térmicas iniciam-se com o arrefecimento da
área queimada com água fria corrente para diminuição da destruição de tecidos, reduzir o edema
(inchaço), minimizar o choque e reduzir a dor. Posteriormente, deve-se verificar a ventilação da
criança, devendo-se, se possível, retirar roupas apertadas, anéis, pulseiras ou outros objectos. Deve-se
procurar e tratar as outras lesões, cobrindo o local da queimadura com uma compressa esteril e
húmida. Deve-se vigiar e tratar o estado de choque, procurar auxílio médico (ligar para o 112). Deve-
se chamar a ambulância se a queimadura se encontra próxima da boca ou garganta, ou se for extensa e
profunda, e deve-se avisar os pais.
Se a criança tiver as roupas em chamas, deve-se parar a criança, derrubando-a para que as
chamas não queimem a face, pescoço ou vias aéreas. Posteriormente deve-se envolver a criança num
cobertor ou casaco e rola-la pelo chão para apagar o fogo e em seguida deve-se tratar as queimaduras.
Se tiver ficado presa num quarto a arder, deve fechar as janelas e abrir uma porta e se possível
tente sair, nunca devendo entrar numa divisão com fumo, uma vez que pode ficar intoxicada. No
entanto se tiver que o fazer, rasteje pelo chão (o fumo é mais leve que o ar e vai concentrar-se no
tecto), molhe as roupas e ponha um pano molhado á frente da boca.

Queimaduras químicas
Este tipo de queimaduras são provocadas por substâncias químicas que entram em contacto
directo com a pele ou atingem a pele através das roupas. No momento em que a pele entra em
contacto com uma substância química corrosiva deve-se remover a substância química que está a
causar a queimadura, utilizando luvas e um pano limpo, retirar todas as roupas ou acessórios
contaminados pela substância química e colocar o local debaixo de água gelada durante, pelo menos,
10 minutos. Em alguns casos pode ser mais prático tomar um banho gelado. Posteriormente deve-se
aplicar uma gaze limpa sem apertar muito ou colocar um pouco de papel aderente sobre o local, mas
sem apertar muito. De seguida deve-se chamar o 112, levar a criança para o hospital e avisar os pais.
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Como tratar uma queimadura química?


Se a queimadura continuar a provocar dor por muito tempo, pode-se utilizar analgésicos, como
o paracetamol ou naproxeno, para aliviar o desconforto. Nos dias seguintes à queimadura é importante
evitar a exposição da pele ao sol, assim como evitar o contacto próximo com fontes de calor,
devendo-se ainda aplicar diariamente um bom creme hidratante, como por exemplo nivea ou mustela,
para se hidratar a pele e facilitar o processo de cicatrização.
Em muitos casos, as queimaduras químicas podem ser tratadas em casa sem nenhum tratamento
médico específico, no entanto, é recomendado ir ao centro de saúde ou hospital quando surgem outros
sintomas associados como:
 Desmaio, febre ou dificuldade para respirar;
 A dor e o desconforto aumentam com o tempo;
 A queimadura afecta mais do que a primeira camada de pele;
 A área queimada é superior a um palmo;
 A queimadura atinge os olhos, mãos, pés ou área genital.

O tratamento hospitalar de queimaduras químicas pode envolver a administração intravenosa de


soro e, em alguns casos, pode ser mesmo necessário reconstruir a pele queimada com cirurgia
plástica.

As queimaduras químicas nos olho são extremamente dolorosas, daí que a tendência seja para
manter as pálpebras fechadas, o que mantém a substância irritante dentro do olho por um tempo
prolongado, o que pode piorar a lesão. Assim, uma queimadura química do olho deve ser tratada
imediatamente, mesmo antes da equipe médica chegar, para tal deve-se abrir e lavar (irrigar) o olho
com água ou soro fisiológico, devendo-se deixar correr água sobre o olho afectado durante 20
minutos, numa posição que não arraste o produto pela face, posteriormente deve-se cobrir o olho
afectado com uma compressa esterilizada ou pano limpo e levar a criança para o hospital, chamando-
se uma ambulância 112. Finalmente deve-se avisar os país.

Queimaduras eléctricas:
Este tipo de queimaduras é provocada por descargas eléctricas, e saber o que fazer em caso de
choque elétrico é muito importante, porque além de ajudar a evitar consequências para a vítima,
(queimaduras graves ou paragem cardíaca), ajuda a proteger a pessoa que faz o salvamento contra os
perigos da energia eléctrica. Assim, em caso de choque eléctrico deve-se cortar ou desligur a fonte de
energia, sem, no entanto, tocar na vítima. Deve-se afastar a pessoa da fonte eléctrica responsável pelo
choque, usando materiais não condutores e secos como a madeira, o plástico, panos grossos ou
borracha. Posteriormente deve-se arrefeçer a área afetada com água fria corrente, remover a roupa
perto da área afetada, proteje a área afectada com uma compressa estéril ou um pano húmido limpo,
para evitar uma possível infecção, chamar uma ambulância, ligando para o 112, tranquilizar a criança,
avisar os pais, observando-se sempre se a pessoa está consciente e a respirar.

Queimaduras solares:
Este tipo de queimaduras, fazem com que a pele fique avermelhada e dolorida, podendo as mais
graves provocar edemas e bolhas. Algumas pessoas, com este tipo de queimaduras, apresentam febre,
calafrios e fraqueza e, ainda que raramente, podem entrar em choque (estado caracterizado por
hipotensão arterial, desmaio e profunda fraqueza). Estes sintomas podem começar logo após a
primeira hora de exposição e, normalmente, atingem seu pico no período de três dias (geralmente
entre 12 e 24 horas).
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Para se evitar uma queimadura solar deve-se evitar uma exposição excessiva ao sol, devendo-se
usar roupas protectoras e protectores solares. Para o seu tratamento deve-se cobrir a pele da criança
com roupas leves, devendo ainda ser mantida na sombra. Devemos refrescar a pele com uma esponja
macia e com água fria, reforçando-se a ingestão de líquidos. Se a queimadura for ligeira, aplicar
calamina ou uma solução hidratante, no entanto, se se observarem bolhas ou se a queimadura for
extensa deve-se levar a criança ao hospital.

Acidentes do esqueleto - formas de actuação

São vários os acidentes que uma pessoa pode sofrer no esqueleto. Nesta secção vamos abordar
os mais comuns.

Entorse
Uma entorse corresponde a uma distensão excessiva dos ligamentos articulares, podendo ser
provocada por uma queda, traumatismo ou
movimento violento, que dão origem a uma lesão
nos tecidos moles (cápsula articular e/ou
ligamentos) de uma articulação. Assim, o local
da entorse, vai ficar gradualmente negro e a
vítima/criança refere a presença de dor, a qual
pode ser gradual ou imediata, observando-se
ainda edema (inchaço) na articulação e
incapacidade imediata ou gradual de a mexer.
O que se deve fazer no caso de uma
entorse?
Nos primeiros socorros para uma entorse deve-se colocar a vítima/criança numa posição
confortável, evitando-se o movimento da articulação e procedendo-se à imobilização do membro.
Deve-se ainda elevar o membro lesionado, e aplicar gelo ou deixar correr água fria sobre a
articulação. Posteriormente deve-se chamar uma ambulância e levar a vítima/criança para o hospital.
Caso a vítima se trate de uma criança deve-se avisar os pais.

Luxação
Uma luxação é uma lesão intra-articular em que um dos ossos é deslocado, perdendo seu
encaixe natural. Uma luxação pode estar associada a uma fractura e geralmente é causada por um
forte traumatismo que pode causar ruptura de ligamentos. Assim, o local da luxação vai ficar muito
deformado e a criança refere dor e desconforto, no entanto, observam-se outros sintomas como por
exemplo a proeminência óssea na área articular, fractura óssea exposta, inchaço local e incapacidade
de realizar movimentos.
O que se deve fazer no caso de uma luxação?
Os primeiros socorros a aplicar neste caso são idênticos aos de uma entorse.

No caso de luxações em crianças é importante valorizar sempre as suas queixas, devendo-se


estar atento a qualquer movimento de defesa por parte dela, e, em caso de queda não se deve
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

mobilizar a criança (mexer), uma vez que pode ter ocorrido uma fractura da coluna, e qualquer
impensado ou irreflectido pode levar a paralisia definitiva.

Fractura
As fracturas correspondem a uma perda de continuidade do osso, ou seja, a quebra do osso,
gerando-se um ou mais pedaços. De uma maneria geral, as fracturas ocorrem devido a quedas,
pancadas ou acidente, e elas podem ser de dois tipos básicos:
 Fechadas, quando o osso não se encontra exposto;
 Abertas, quando o osso exterioriza, encontrando-se exposto à superfície da pele
(situação mais grave do que a anterior devido à maior probabilidade de infecções).

De acordo com a lesão, as fracturas podem ser classificadas em:


 Simples, quando apenas o osso é atingido;
 Expostas, quando a pele é perfurada, havendo a visualização do osso. Uma vez que é
uma lesão aberta, este tipo de fractura está mais susceptível a infecções, sendo
normalmente recomendado o uso de antibióticos profiláticos;
 Complicadas, quando afectam outras estruturas além do osso, como por exemplo
nervos, músculos ou vasos sanguíneos;
 Incompletas, quando surgem lesões nos ossos, que não geram quebra, mas resultam
nos sintomas de fractura.

As fracturas podem gerar sinais e sintomas muito característicos, como por exemplo dor
intensa, inchaço do local da fractura, deformidade do local, incapacidade total ou parcial de mexer o
membro fracturado, presença de hematomas, presença de ferimentos no local da fractura, diferença de
temperatura entre o local fracturado e o sem fractura e dormência ou formigueiro da área fracturada..
Caso uma criança fracture um dos ossos deve-se ter os seguintes cuidados:
 Ouvir o que a criança tem para nos dizer (deve-se falar com ela e acalma-la);
 Se possível, não se deve mobilizar, a menos que a sua vida esteja em perigo;
 Deve-se apoiar a zona lesada numa almofada;
 Deve-se proteger das infecções as feridas abertas, e controlar a hemorragia, se existir;
 Deve-se diminuir o edema (inchaço), colocando compressas frias ou um saco de
ervilhas congeladas protegido com um pano, e chame a ambulância (112);
 Procurar sinais de choque e actuar em conformidade;
 Contactar os pais.

O que não deve fazer em caso de fracturas?


Permitir que a criança coma ou beba, já que se a fractura for grave, pode ser necessário uma
intervenção cirúrgica. Para além disto, não se deve tentar redução da fractura, isto é, tentar encaixar as
extremidades do osso partido, colocando o osso ou o membro no lugar, porque podemos estar a causar
danos nos tecidos adjacentes, para além de ser bastante doloroso. Também não se deve provocar
apertos ou compressões que dificultem a circulação do sangue na zona da fractura. Assim, em caso de
fractura, a melhor opção é procurar ajuda médica para que as atitudes corretas sejam tomadas e o
tratamento possa ser feito.
As fracturas são mais comuns nos braços, antebraços e clavículas, enquanto que as das pernas
que são mais raras, por estes ossos são mais resistentes.
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Acidentes do Digestivos - formas de actuação

Indigestão
Um dos principais acidentes digestivos, particularmente nas crianças é a indigestão, que é o
termo normalmente utilizado para designar um problema conhecido em termos médicos como
dispepsia. Assim, a dispepsia, corresponde a uma dor ou mal-estar na parte alta do abdómen ou parte
baixa do peito, sendo muitas vezes descrita como presença de gases, sensação de enfartamento ou
como uma dor corrosiva ou urgente (ardor).
A indigestão na criança e no adulto podem ser evitadas (se não houver qualquer causa aparente)
pela correcta ingestão de alimentos, quer em qualidade quer em quantidade, uma vez que, vai obrigar
o estômago a uma digestão mais lenta e deficitária.
A dispepsia está mais relacionada com o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ingestão de
alguns alimentos, ingestão alimentar em excesso, ingestão de grandes quantidades de alimentos ricos
em fibras, como alguns vegetais, pão integral e algumas frutas e verduras, consumo excessivo de
cafeína e tabagismo.
Se não suspeitarmos de uma causa subjacente, pode-se experimentar administrar um antiácido
durante um curto período de tempo. No entanto, se os sintomas persistirem, deve-se consultar um
médico.

Cólicas intestinais
Na maioria das vezes são causadas por alimentação inadequada, baixa ingestão de fibras e
gases intestinais, no entanto, também podem ser sintoma de infeções, doenças ou problemas no
intestino.
Os recém-nascidos e as crianças sofrem muitas vezes desta patologia nos primeiros 3 ou 4
meses de vida, as quais têm lugar de forma intermitente. Nestas, as cólicas caracterizam-se por
episódios de choro incontrolável e frequentemente ocorrem num momento imprevisível do dia ou da
noite. O choro excessivo faz com que a criança engula ar, o que produz gás (flatulência) e inchaço
abdominal.
Para aliviar uma cólica intestinal, causada por intestino preso ou gases intestinais, deve-se fazer
uma massagem abdominal para estimular o intestino. Assim, deve-se começar por massajar a região
inferior esquerda do abdómen, com movimentos circulares e profundos, no sentido do ponteiro do
relógio. Esta região deve ser massajada até que a sintamos menos dura, a seguir, a massagem deve ser
repetida na parte inferior direita do abdómen, parte superior direita e finalmente na parte superior
esquerda, devendo-se insistir nas partes que estiverem mais endurecidas e doloridas. Finalmente, a
massagem deve ser terminada com movimentos amplos e circulares por todo o abdómen, mais uma
vez no sentido dos ponteiros do relógio.
Tudo o que possa provocar gases, prisão de ventre ou diarreia pode originar cólicas intestinais,
como por exemplo, uma dieta pobre em fibras, falta de água, comer em excesso, fermentação de
alimentos e infecção intestinal.
Para se evitar as cólicas intestinais, deve-se beber água, já que esta deixa as fezes mais moles e
favorece a passagem do bolo fecal pelo intestino. Deve-se ainda praticar actividade física com
regularidade, já que esta ajuda na movimentação do trânsito intestinal. Também deve-se beber
infusões de funcho com erva-cidreira, gengibre e chá verde com erva-doce, já que elas ajudam a
eliminar os gases intestinais que possam estar a causar a cólica;
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Se a cólica intestinal vier acompanhada de diarreia, é provável que a criança esteja com uma
infecção. Neste caso, deve-se procurar um médico para receber um tratamento adequado, manter uma
boa hidratação, e ter uma boa alimentação.

Náuseas e vómitos
As náuseas e vómitos são sintomas muito comuns que podem ser causados por uma grande
variedade de condições. Um vómito é um reflexo incontrolável que expele o conteúdo do estômago
através da boca, enquanto que, a náusea é o termo usado para descrever a sensação de que se vai
vomitar, mas não são os vómitos em si, nem significa que o vómito irá surgir.
Na criança, o vómito pode ser um sintoma de diferentes doenças ou problemas, como por
exemplo, infeções virais, febre, ingestão de substância tóxica, apendicite, otite, bem como de uma
intoxicação alimentar. O vómito pode ainda ser causado por cinetose (enjoo causado pelo
movimento), tosse e comer demais. Nas crianças muito jovens, os bloqueios do intestino também
podem causar vómitos persistentes, no entanto, se surgirem após uma queda ou pancada grave na
cabeça, deve-se suspeitar de traumatismo craniano.

Quando é que se deve levar a criança ao médico?


Numa situação de náuseas e vómitos, a criança deve ser levada a um médico se ela sentir um
mau estar geral, se além de vomitar, apresenta outros sintomas, como por exemplo febre alta, os quais
levam a suspeitar estarmos na presença de uma situação mais grave, ou que necessite de ser medicada.
Se a criança tem uma idade inferior a 3 meses é conveniente que seja observada de imediato, bem
como se os vómitos forem incoercíveis (apesar dos esforços dos pais para a hidratação oral, a criança
não para de vomitar).
Quando uma criança tem vómitos é necessário registar e avaliar as características dos mesmos,
ou seja, o seu número e horário, quantidade (em pouca ou muita quantidade), aspecto (se apresenta
alimentos mal digeridos ou são líquidos), a forma como a criança vomita (após tossir, em jacto, com
ou sem náuseas), se resultam de uma situação traumática ou stress, se os vómitos são acompanhados
por fezes (fecaloides), o grau de tolerância, ou seja, se vomita só os alimentos sólidos, se vomita
também os líquidos, se vomita tudo o que engole ou mais do que ingeriu e a presença de outros
sintomas, como por exemplo, diarreia, cólicas, febre, dor de cabeça, dor no abdómen ou erupções na
pele.
É importante distinguir os vómitos da regurgitação do leite ou outros alimentos pelo recém-
nascido.
Quando a criança vomita é necessário ter uma série de cuidados:
 Levantar a cabeceira cerca de 30º, colocando uma almofada pequena ou toalha na
cabeceira da cama, debaixo do colchão;
 Recorrer ao médico se os vómitos são demasiado frequentes;
 Nunca forçar uma criança que acabou de vomitar, a comer.

No entanto, um vómito, isolado de outros problemas não tem qualquer importância.

Obstipação
A obstipação é vulgarmente designada por prisão de ventre, e nela observam-se dejecções
(defecações) pouco frequentes (menos de 3 vezes por semana) ou a defecação de fezes duras com dor
ou desconforto para a criança. A obstipação pode surgir em qualquer idade, mas habitualmente
manifesta-se no período de diversificação alimentar, na fase de treino defecatório, na entrada para a
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escola. A obstipação é frequentemente acompanhada por dor abdominal, perda de apetite, náuseas,
vómitos e incontinência fecal (perda de pequenas quantidades de fezes nas cuecas). Perante um
estímulo defecatório doloroso a criança pode adoptar uma postura típica que visa impedi-lo (corpo
rígido, face pálida, postura de bico dos pés, baloiçar-se para a frente e para traz, cruzar as pernas e
contrair as nádegas).
As principais causas da obstipação são, alimentação menos equilibrada, excesso de ingestão de
hidratos de carbono, biberões pouco diluídos, factores psicológicos associados a um excesso de tempo
no bacio, estimulação do ânus com termómetro, supositórios ou clisteres, chamada de atenção,
ansiedade por parte dos adultos, doença e falta de água.
A sintomatologia típica da obstipação são as dejecções raras (por vezes a criança está dois ou
três dias sem evacuar), fezes são duras, presença de dor abdominal e irritabilidade. Existem vários
tratamentos que podem ajudar a ultrapassar a obstipação, como por exemplo, a utilização de clisteres
e laxantes, no entanto, deve isto só deve ser feito mediante prescrição médica, criação de rotinas para
a criança ir a casa de banho, alimentação cuidada, rica em fibra, água, cereais, frutas e vegetais. Para
além disto, e no caso de crianças pequenas, deve-se verificar que ao preparar o biberão, estamos a
utilizar as quantidades correctas de leite e de água e se a sopa não tem cenoura em excesso.

Intoxicação
As intoxicações podem ser causadas por ingestão, inalação ou contacto acidental com uma
substância prejudiciais ao organismo, sendo a
principal causa de morte após o 1º ano de vida.
Assim, as intoxicações podem ser causadas por
ingestão de medicamentos, produtos de limpeza,
pesticidas, principalmente nas zonas rurais, no
entanto, as intoxicações podem ainda ser causadas
por alimentos tóxicos, como por exemplo os
cogumelos, apesar desta ser uma situação mais rara.

Intoxicação por via respiratória


Este tipo de intoxicação pode ser causada pela inalação de monóxido de carbono, que é
produzido pela combustão deficiente de um esquentador ou lareira acesa num espaço sem arejamento.
Na intoxicação por via respiratória a vítima apresenta tosse, falta de ar, chiado no peito, tonturas e
enjoos e perda de consciência.
O monóxido de carbono é um gás extremamente perigoso porque é
invisível, não tem cheiro, cor ou paladar e é mortal. Os acidentes por
inalação de monóxido de carbono, geralmente ocorrem devido à incorreta
montagem dos sistemas de evacuação de gases, a fugas de gás, lareira
com deficiente remoção de fumos, braseira ou aquecimentos de madeira,
carvão ou gás cuja chaminé se encontra obstruída, grelhadores, gases de
escape de automóvel que tenha ficado a trabalhar dentro de uma garagem
fechada, inalação de produtos de limpeza (como o sonasol ou a lixívia).
A inalação de monóxido de carbono leva ao surgimento de dores de
cabeça pouco intensas, vertigens, náuseas e vómitos, e apatia profunda que impede a vítima de fugir
do local. Se a quantidade de gás for muito grande, rapidamente ocorre a perda de consciência e coma.
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Como este gás é mais pesado que o ar, ele vai-se concentrar junto ao chão, daí que este tipo de
intoxicações, afectem principalmente as crianças, dada a sua baixa estatura, ou por se encontrarem
deitadas ou caídas.

Intoxicações medicamentosas
Este tipo de intoxicações corresponde a quase metade das intoxicações infantis, já que é
frequentemente as crianças ingerem, em excesso, os seus próprios medicamentos, os medicamentos
dos pais ou de outros adultos. Isto acontece porque os medicamentos
são geralmente coloridos e as crianças são atraídas por eles. Outras
vezes, os medicamentos estão em caixas que se encontram ao seu
alcance ou encontram-se caídos no chão. Por vezes, são os pais que se
enganam na dose do medicamento a dar à criança ou dão
medicamentos não receitados pelo médico. Dentro deste tipo de
intoxicações ainda temos que considerar a ingestão de água
oxigenada, água oxigenada, álcool e desinfectantes.
Assim, para evitarmos este tipo de intoxicações devemos ter uma série de cuidados, como por
exemplo, manter todos os medicamentos guardados em segurança fora do alcance das crianças, em
lugares altos e de preferência em armários ou caixas bem fechados. Deve-se ainda evitar tomar ou dar
a tomar à criança medicamentos sem prescrição medica, deixar os nossos medicamentos ao alcance da
criança, ou toma-los à sua frente. As crianças têm a tendência a imitar os adultos, o que pode levar à
ingestão de objetos estranhos, e consequentemente ao surgimento de acidentes graves, assim, não
devemos usar medicamentos fora do prazo ou com embalagens deterioradas (medicamentos nestas
situações devem ser entregues na farmácia), e devemos explicar às crianças, os riscos de tomar
medicamentos de que não estão a precisar, e o perigo de provar ou mexer em produtos perigosos.
Os sintomas associados a uma intoxicação medicamentosa são a aceleração ou diminuição do
ritmo cardíaco normal, aumento ou diminuição do diâmetro das pupilas, suor intenso, alterações
visuais, acidentes digestivos, falta de ar, vómitos e diarreia, dor abdominal, sonolência, alucinação e
delírio e lentidão e dificuldade em realizar movimentos.
Assim, em caso de intoxicação medicamentosa devemos:
 Se possível, falar com a vítima, no sentido de tentar obter o maior número possível de
informações sobre o envenenamento;
 Pedir imediatamente orientações para o Centro de Informação Antivenenos (CIAV);
 Pedir indicações sobre a forma de actuar se souber detalhes;
 Manter a boca e o nariz desobstruídos, e se necessário, efectuar ventilação artificial,
devendo-se ter o cuidado de limpar a boca da vítima ou então fazer ventilação boca -
nariz;
 Levantar a criança, dando-lhe um estalo suave na cara com um pano molhado, tentando
fazer com que ela ande para que se mantenha consciente;
 Se a criança estiver inconsciente, coloca-la em posição lateral de segurança;
 Indicar o produto ingerido, a quantidade provável, a hora a que foi ingerido e a hora da
última refeição;
 Manter a vítima confortavelmente aquecida.

As intoxicações medicamentosas são situações graves que necessitam de transporte urgente


para o hospital.
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Intoxicações por vegetais tóxicos


O número de cogumelos, plantas, ervas, flores e frutos (bagas, caroços), que são perigosos para
o organismo é elevado. A sintomatologia a este tipo de intoxicação
pode ser:
 Local, como por exemplo inchaço, irritação, bolhas e
ulcerações, quando apenas se verifica contacto com a
pele, mucosas ou olhos;
 Geral, como por exemplo vómitos, dor de cabeça,
dores abdominais, problemas cardíacos, sonolência,
convulsões, coma, quando a substância tóxica é ingerida e atinge todo o organismo;

O tipo, intensidade e o número de sintomas varia de acordo com o tipo e quantidade da


substância tóxica ingerida, bem como com o estado físico da pessoa que a ingeriu. Assim, crianças e
idosos são mais sensíveis a este tipo de intoxicações.

O que fazer em caso de uma intoxicação por vegetais tóxicos?


Tanto quanto possível devemos recolher, junto da vítima, informação no sentido de tentar
perceber a origem do envenenamento, devendo-se manter a vítima confortavelmente aquecida.
Este tipo de intoxicação é uma situação grave que necessita transporte urgente para o hospital.

Qualquer que seja a causa da intoxicação nunca se deve dar de beber, nem provocar o vómito,
já que isto pode causar maiores danos nas vias respiratórias. Para além disto, deve-se tentar saber o
que ingeriu e a quantidade ingerida, e se ela for medicamentosa, deve-se guardar os restos das
embalagens. Deve-se ainda contactar o 112 e levar a criança para o hospital e posteriormente
contactar os pais.

Envenenamento
O envenenamento é um acidente que corresponde ao efeito produzido no organismo por um
veneno, que pode ser introduzido no organismo por:
 Via digestiva, neste caso temos os medicamentos, alimentos e outros tóxicos;
 Via respiratória (inalação)
 Pela pele, devido a:
o Uma picada na pele, através de uma seringa ou da picada/mordedura de um
animal, como por exemplo insectos e
cobras;
o Absorção pela pele de medicamentos,
sprays, ou o simples toque;
o Salpicos para os olhos.

São vários os produtos tóxicos existentes. Muitos


produtos químicos são altamente tóxicos quando ingeridos,
como exemplo os detergentes, produtos de limpeza, lixívia,
álcool puro ou similares, amoníaco, pesticidas, produtos de
uso agrícola ou industrial, ácidos (sulfúrico, clorídrico,
nítrico e outros), gasolina e soda cáustica. Antes de tomar qualquer medida, é importante recolher
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informação junto da vítima, ou de alguém perto desta, sobre o contacto com o veneno ou a presença
de algum recipiente que possa ter contido ou contenha veneno.
Os sintomas de envenenamento variam com a natureza do produto ingerido, e assim temos
vómitos e diarreia, espuma na boca, face, lábios e unhas azuladas, dificuldades respiratórias,
queimaduras à volta da boca (no caso dos venenos corrosivos), delírio e convulsões, e inconsciência.

O que se deve fazer em caso de envenamento?


Se a vítima estiver consciente, deve-se questioná-la no sentido de tentar obter o máximo de
informações possíveis sobre o envenenamento, pedindo imediatamente orientações para o Centro de
Informação Anti-Venenos (CIAV) do INEM. Se a criança tiver ingerido álcool, e apenas neste caso,
deve-se dar uma bebida açucarada. Se existirem queimaduras nos lábios, deve-se molhá-los
suavemente com água, no entanto, não se deve deixar engolir essa água. Em caso de contacto com os
olhos, deve-se afastar as pálpebras e lavar com água corrente durante 15 minutos e no caso de
contaminação da pele, deve-se retirar as roupas e lavar abundantemente com água durante 15 minutos.

O que é que não se deve fazer em caso de envenenamento?


Em caso de envenenamento nunca se deve dar de beber à vítima, porque isto pode favorecer a
absorção de alguns venenos. Também não se deve provocar o vómito, se a vítima ingeriu um cáustico,
detergente ou solvente, ou aplicar qualquer tipo de produto nos olhos (no caso de salpico para os
olhos).

Em caso de envenenamento, deve-se conduzir a vítima imediatamente ao hospital, levando


amostras do veneno encontrado. Independentemente do tipo de envenenamento, e antes de tratar,
devemos verificar se existe algum perigo, devendo-se evitar a nossa exposição e a da vítima a esse
perigo. Para além disto não devemos abandonar a criança, e devemos verificar o estado de
consciência e a respiração. Assim, se a criança respira, ela deve ser colocada na posição lateral de
segurança, mas se não estiver consciente , deve-se abrir as vias respiratórias, verificar o pulso e actuar
em conformidade.

Como se tratam os envenenamentos?


Um dos aspectos mais importantes nos primeiros socorros em caso de envenenamento é actuar
imediatamente, uma vez que, se o veneno se espalhar pelo organismo, pode levar à morte da pessoa.
Para além disto devemos estar atentos a qualquer indício que dê pistas sobre o tipo de veneno.
Dependendo da idade, deve-se questionar a criança sobre o que aconteceu, e estar atento ao seu estado
de consciência, verificando-se ainda se surgem convulsões, dificuldades respiratórias, lesões nos
lábios, ou alterações ao nível do estômago, como por exemplo vómitos e diarreia. Caso seja
necessário, deve-se efectuar ventilação artificial. Por fim deve-se chamar a ambulância (112) e
contactar os pais.

Acidentes Circulatórios - formas de actuação

Os vasos sanguíneos são órgãos em forma de tubo que se ramificam por todo o organismo. No
nosso organismo existem três tipos de vasos sanguíneos, artérias, veias e capilares, e é através deles
que o sangue circula.
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Hemorragias
Quando, devido a um ferimento, trauma ou doença, o sangue sai dos vasos sanguíneos ocorre
uma hemorragia. Uma hemorragia pode ser:
 Externa, quando o sangue sai dos vasos sanguíneos para fora do corpo;
 Interna, quando o sangue sai dos vasos sanguíneos para dentro de alguma cavidade do
organismo, como o abdómen, crânio ou pulmão. Estas hemorragias são de difícil
reconhecimento, sendo a suspeita efectuada com base nos sinais e sintomas que o
doente apresenta.

Como surge uma hemorragia?


Uma hemorragia surge quando ocorre uma lesão, que leva a uma ruptura de um dos vasos
sanguíneos do corpo humano. A importância da hemorragia depende do tamanho dos vasos
sanguíneos onde ocorrer a ruptura. Assim, se a lesão atinge um:
 Capilar, verifica-se uma pequena hemorragia, que é o tipo mais comum, acontecendo
no dia-a-dia, geralmente, devido a pequenos cortes ou escoriações, em que apenas os
pequenos vasos são atingidos. Assim, surge uma hemorragia é leve, com uma pequena
perda de sangue, que costuma parar sozinha, ao fim de 5 a 10 minutos.
Neste tipo de hemorragia deve-se lavar o local com água e sabão e, depois, cobrir
com um curativo limpo e seco.
 Venosa, que ocorre devido a um corte grande ou profundo, verificando-se um fluxo
contínuo e lento de sangue, por vezes de grande volume, através da ferida. Este tipo de
hemorragia só é grave quando é atingida uma veia de grande calibre. Assim, este tipo
de hemorragia costuma parar com a compressão do local com um pano limpo, no
entanto, deve-se procurar o centro de saúde ou hospital porque pode ser necessário a
sutura da ferida, para que não haja risco de infecção ou nova hemorragia.
 Arterial, que ocorre quando é atingida uma artéria, que são os vasos sanguíneos que
levam sangue do coração ao resto do corpo, os quais transportam um sangue vermelho
vivo, com grande fluxo e intensidade. A hemorragia arterial é o tipo mais grave,
podendo provocar jactos de sangue para locais distantes do corpo e risco de morte.
Assim, como se trata de uma hemorragia grave, ela deve ser parada o mais rapidamente
possível, e para tal, deve-se efectuar a compressão forte do local com panos limpos ou
com a realização de um torniquete, sendo uma hemorragia de difícil controlo. Assim,
deve-se conduzir a vítima, o mais rapidamente possível, ao hospital, centro de saúde ou
ligar para o 112. Se a hemorragia for num braço ou perna, pode-se elevar o membro
para facilitar a contenção.
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Hemorragia interna
Uma hemorragia deste tipo é uma hemorragia difícil de identificar, podendo ocorrer sob duas
formas:
 Hemorragias internas visíveis, quando o sangue sai por um dos orifícios naturais do
corpo (nariz, ouvidos, boca, etc.);
 Hemorragias internas não visíveis, que são de difícil reconhecimento, sendo a suspeita
efetuada com base nos sinais e sintomas que o doente apresenta.
Assim, deve-se suspeitar sempre de hemorragia interna não visível quando não se observa
sangue, mas a vítima apresenta um ou mais dos seguintes sinais (indicam a presença de uma
hemorragia interna):
 Palidez e cansaço;
 Pulso rápido e fraco, ou seja, taquicardia (mais de 120 batimentos por minuto);
 Respiração acelerada;
 Muita sede;
 Acidentes circulatórios
 Queda de pressão;
 Náuseas ou vómitos com sangue;
 Confusão mental ou desmaios;
 Dor intensa no abdómen, que se apresenta endurecido;
 Sonolência e perda de sensibilidade.

O que se deve fazer em caso de hemorragia interna?


Na ausência de sangue, e presença de alguns dos sintomas anteriores, deve-se verificar o estado
de consciência da pessoa, acalmá-la e mantê-la acordada, desapertar a roupa e não deixar que a vítima
efectue qualquer tipo de movimento. Se houver sangue a sair pelos ouvidos, e apenas neste caso
particular, devemos colocar uma compressa para o embeber. Deve-se ainda aplicar frio sobre a zona
da lesão (para diminuir a circulação sanguínea), avaliar os parâmetros vitais, manter a vítima aquecida
(é normal, em caso de hemorragia interna, a sensação de frio e tremores), colocar a pessoa em posição
lateral de segurança. Uma hemorragia interna é uma situação grave que necessita transporte urgente
para o hospital.

Num quadro clínico de hemorragia grave, o doente apresenta sinais e sintomas de choque
hipovolémico (diminuição anormal do volume de sangue), consequentemente, deve-se proceder ao
controlo da hemorragia, ter em atenção um possível episódio de vómito, elevar os membros
inferiores, manter o doente confortável e aquecido, identificar os antecedentes pessoais e a medicação,
e avaliar os parâmetros vitais. Posteriormente, deve-se ligar para o 112 e informar o local exato do
acidente, número de telefone de contacto, descrever o que foi observado e avaliado, descrever os
cuidados de emergência aplicados, respeitar as instruções dadas e aguardar pelo socorro, mantendo a
vigilância do doente. Se o doente estiver em paragem cardio-respiratória, iniciar de imediato as
manobras de reanimação.

Hemorragia externa
Este tipo de hemorragia é facilmente observável, uma vez que se verifica a presença de sangue
no exterior do organismo. A quantidade de sangue e a intensidade da hemorragia vai depender da
importância da artéria afectada ou se é afectada uma região do corpo com muitos vasos sanguíneos,
como o couro cabeludo (um corte nesta região causa uma hemorragia intensa, apesar de serem
afectados pequenos vasos sanguíneos esta é uma região muito vascularizada).
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O que fazer em caso de hemorragia externa?


Para além do sangue, este tipo de hemorragia apresenta alguns sintomas, como sede, pulso
progressivamente mais rápido e fraco e alterações da consciência.
Neste tipo de hemorragia é importante identificar o local da
hemorragia, posteriormente, devemos calçar luvas, accionar a
assistência médica e iniciar o procedimento de primeiros socorros,
devendo-se para tal deitar a pessoa e colocar-lhe uma compressa
esterilizada ou um pano lavado no local da hemorragia, exercendo
uma pressão. Caso o pano fique cheio de sangue, deve-se colocar mais
panos, sem, no entanto, retirar os primeiros. Deve-se fazer pressão no
ferimento durante pelo menos 10 minutos, sendo importante não
retirarmos qualquer objeto que possam estar encravados no local da
hemorragia, uma vez que podem estar a estancar uma hemorragia mais
grave. Para além disto, não se deve lavar a ferida ou dar de comer ou
beber à pessoa. Se a lesão estiver localizada no braço ou na perna,
deve-se manter o membro elevado para diminuir a saída de sangue, e caso esteja localizada no
abdómen, deve-se colocar um pano limpo na lesão e realizar pressão. Esta é uma situação grave que
necessita transporte urgente para o hospital, daí que se deva activar o INEM.

Hemorragia do couro cabeludo


A pele que cobre o crânio (couro cabeludo), pode sangrar abundantemente quando sofre uma
lesão, o que dá à lesão um aspecto mais grave do que na realidade tem. Apesar de não ser uma
hemorragia grave, deve-se por a hipótese da vítima ter sofrido um traumatismo craniano, daí que deva
ser vista por um médico, já que uma pancada na cabeça pode causar concussão ou fractura do crânio.
No caso de uma hemorragia do couro cabeludo, deve-se cuidar da ferida, deitar a criança de
lado, com a cabeça e os ombros ligeiramente elevados, controlar a hemorragia, colocando compressas
esterilizadas sobre a ferida, aplicar pressão direta sobre as compressas, pressionando ambos os lados
da ferida para controlar a hemorragia e fixar as compressas com uma ligadura. Se houver perda de
consciência, deve-se deitar a criança em PLS, ligar para o 112, conduzir a vítima ao hospital e chamar
os pais.

Hemorragia na boca
As hemorragias na boca podem surgir por diversos motivos, como por exemplo pancadas ou
golpes na boca, causam muitas vezes pequenas feridas na língua (mordidas), cortes nos lábios ou nas
mucosas, podendo ainda verificar-se a queda de dentes, como consequência de traumatismo facial.
Este tipo de hemorragias podem ser intensas devido à grande vascularização da mucosa bucal. Assim,
em caso de hemorragias na boca, deve-se sentar a criança com a cabeça inclinada para a frente ou
para o lado da lesão, cobrir a ferida com uma compressa e pressionar durante 10 segundos. Se a
hemorragia não parar, ao fim de 30 segundos, deve-se dar de beber bebidas frias e depois da
hemorragia estancar, estão contra-indicadas bebidas quentes durante as 12 horas seguintes ao
acidente.

Em caso de ferimento labial, deve-se cobrir a ferida com uma gaze ou tecido próprio e
pressioná-la tentando unir seus lados. Se a hemorragia persistir durante 15 minutos, deve-se conduzir
a vítima a um centro de saúde ou serviço médico de urgência. Uma pessoa com este tipo de
hemorragia não deve lavar a boca para não provocar novas hemorragias.
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Em caso de ferimentos na língua ou no palato (céu da boca), deve-se cobrir a ferida com uma
compressa de gaze ou tecido próprio, pedindo ao paciente que a comprima a língua com dois dedos, e
o palato com o dedo polegar com o intuito de estancar a hemorragia. Caso não se consiga estancar a
hemorragia em 15 minutos, deve-se levar o paciente a um serviço médico de emergência.

No caso das feridas gengivais ou perda dentária, deve-se aplicar uma compressa de gaze ou
tecido próprio, diretamente sobre o alvéolo dentário atingido. O tampão deve ser suficientemente
espesso para que os dois maxilares não se toquem, devendo-se ainda instruir o paciente para que
comprima o local, mordendo o tampão durante mais ou menos 15 minutos. Se a hemorragia persistir,
deve-se repetir o processo, e se mesmo assim, a hemorragia não parar, deve-se levar o paciente a um
serviço médico de urgência. Se tiver ocorrido perda dentária, deve-se apanhar o dente extraído e
conservá-lo em soro fisiológico (ou água levemente salgada), devendo-se conduzir a vítima a um
dentista imediatamente, para se tentar reimplantar o dente.

Epistaxis ou epistaxe
Epistaxis ou epistaxe é o nome técnico que se dá a uma
hemorragia nasal provocada pela ruptura de vasos sanguíneos da mucosa
do nariz. Este tipo de hemorragia pode ocorrer quando coçamos o nariz,
ao assoamo-lo com muita força ou ainda após uma pancada na face.
Neste tipo de hemorragia verifica-se a saída de sangue pelo nariz, por
vezes, de uma forma abundante e persistente. Se a hemorragia for muito
abundante, o sangue pode ainda sair pela boca.

O que se deve fazer em caso de hemorragia nasal?


No caso de uma hemorragia nasal deve-se sentar a vítima com a
cabeça seguindo o alinhamento do corpo (nem para trás, nem para a frente),
comprimir, com o dedo, a narina que sangra, durante 10 minutos. Deve-se cuspir o
sangue, mas não se deve assoar durante algum tempo, devendo-se ainda aplicar
gelo exteriormente, mas não diretamente sobre a pele. Se a hemorragia não parar,
deve-se introduzir um tampão coagulante na narina que sangra (como por exemplo
“Spongostan”), fazendo ligeira pressão para que a cavidade nasal fique bem
preenchida. Se a hemorragia persistir mais do que 10 minutos, transportar a vítima
para o hospital.

Hemorragia no ouvido
Uma hemorragia do ouvido pode ser causado por vários factores, como por exemplo ruptura do
tímpano, infecção no ouvido, trauma, lesão na cabeça ou presença de algum objecto estranho no
ouvido. Em qualquer um destes casos, deve-se consultar logo um médico para fazer o diagnóstico e o
tratamento adequado, de forma a evitar possíveis complicações.

O que fazer em caso de hemorragia no ouvido?


Neste tipo de hemorragias devemos deitar a criança com a cabeça e os ombros elevados,
inclinando a cabeça para o lado da lesão. Posteriormente, deve-se aplicar uma compressa esterilizada
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sobre o ouvido e fixa-la sem pressão. Findo estes procedimentos, deve-se levar a criança ao médico
ou chamar uma ambulância.
Se a criança estiver inconsciente, deve-se deita-la em PLS, inclinando a cabeça para o lado
lesado, chamar a ambulância, activando o 112. Neste tipo de hemorragias, a criança deve sempre ser
observada pelo médico o mais rapidamente possível.

No caso de uma hemorragia deve-se calçar sempre luvas descartáveis antes de realizar qualquer
procedimento na vítima.

Hematoma
Popularmente conhecidos como manchas roxas ou nodoas negras, são acumulações de sangue
na pele e unhas que podem ter cor roxa ou amarelada. Este tipo de lesões, devem-se a traumatismos
que levam a uma pequena hemorragia no local, no entanto, elas também podem ocorrer quando existe
uma baixa oxigenação na zona afetada (membros). Normalmente, os hematomas desaparecem aos
poucos, mas podem ser dolorosos e inestéticos.
Para o tratamento deste tipo de lesões, deve-se massajar o local suavemente, com uma pomada
anti-inflamatória, que vai ajudar a eliminar o hematoma mais rapidamente.

Quando é que se deve consultar um médico?


Quando surgem marcas roxas na pele com facilidade, ou seja, quando qualquer pequeno toque
leva ao surgimento de um hematoma, quando se verifica a presença de várias manchas roxas no corpo
que são indolores, quando se observam hematomas na pele, mas a pessoa nem se lembra de como
surgiram ou no dos hematoma aparecerem e desaparecerem de um dia para o outro.

O que deve fazer em caso de hematoma?


Neste tipo de lesões deve-se aplicar compressas frias ou gelo sobre uma compressa ou pano e
apoiar a zona de modo a que a criança fique confortável. Deve-se ainda massajar o local suavemente
com uma pomada anti-inflamatória.
Se o hematoma surgir num olho, a criança deve ser observada por um médico.

Síncope
Também conhecida como desmaio, corresponde à perda temporária da consciência provocada
por uma diminuição do fluxo sanguíneo ao cérebro. De uma maneira geral, as síncopes têm um início
súbito, duram pouco tempo (normalmente 2 a 3 minutos) e a
recuperação é total e espontânea. As síncopes têm diversas causas,
como por exemplo excesso de calor, fadiga, jejum prolongado,
permanência de pé durante muito tempo, falta de ventilação adequada
em ambientes com muita gente, emoções fortes, medo, insolação, má
irrigação sanguínea do cérebro e dor intensa.
Quando ocorre uma síncope verifica-se palidez, suores frios,
falta de força e pulso fraco.

O que se deve fazer em caso de desmaio?


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Se nos apercebemos que uma pessoa esta prestes a desmaiar,


devemos sentá-la, colocar-lhe a cabeça entre as pernas, molhar-lhe
a testa com água fria, dar-lhe de beber chá ou café açucarados. No
entanto, se a pessoa já tiver desmaiado, devemos deitá-la com a
cabeça de lado e as pernas elevadas, desapertar-lhe as roupas e
mantê-la confortavelmente aquecida, mas, sempre que possível, em
local arejado. Logo que recupere os sentidos, devemos dar-lhe uma
bebida açucarada, activar o 112 e chamar a ambulância para que a
vítima seca consultada por um médico.

Golpe de calor ou insolação


É uma situação resultante da exposição prolongada ao calor, num local fechado e
sobreaquecido, como por exemplo dentro de uma viatura fechada ao sol, ou a exposição prolongada
ao sol. Esta é uma condição séria e fatal, que ocorre quando a temperatura corporal ultrapassa os 40º
C. Quando isto ocorre, o mecanismo da transpiração falha e o corpo não consegue arrefecer-se
corretamente.
As causas de uma insolação são a
exposição prolongada ao calor, como por
exemplo, passar o dia sob o sol sem
protector solar numa praia, praticar
actividades extenuantes, usar roupas em
excesso, não se hidratar correctamente
durante muito tempo, não beber líquidos
adequadamente, ter doenças crónicas, como
por exemplo diabetes, e ingerir álcool ou
cafeína em excesso.

Deve-se pensar na possibilidade de golpe de calor ou insolação sempre que a vítima tenha
submetida a um excesso de calor e se verifiquem dores de cabeça (cefaleia), tonturas, náuseas e
vómitos, excitação, inconsciência, pele quente e seca (sem suor), e às vezes avermelhada, pulso
rápido, temperatura corporal elevada, distúrbios visuais, fraqueza muscular ou confusão. Estes
sintomas podem surgir isoladamente ou em conjunto.

O que fazer em caso de insolação?


Em caso de insolação deve-se deitar a vítima em local arejado e à sombra, elevar a cabeça,
desapertar a roupa e colocar compressas frias na cabeça. Se a vítima estiver consciente, deve-se dar-
lhe a beber água fresca, e se estiver inconsciente, deve-se colocá-la em PLS.
A insolação é uma situação grave que necessita transporte urgente para o hospital, através do
serviço de emergência médica. Ela é uma situação particularmente grave nas crianças, já que pode
provocar hemorragia cerebral.
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Golpe de frio/Enregelamento:
O golpe de frio é uma situação que resulta da exposição excessiva ao frio, e onde se verifica a
sensação de formigueiro e adormecimento dos pés, mãos e orelhas,
verificando-se uma evolução progressiva que vai do torpor ao
enregelamento e que, por último, pode provocar danos permanentes no
corpo humano, conduzindo, nos casos mais graves, à gangrena,
amputação e mesmo à morte.
O enregelamento pode manifestar-se por arrepios, torpor, com
sensação de formigueiro e adormecimento dos pés, mãos e orelhas,
cãibras, diminuição progressiva da temperatura corporal com
extremidades geladas, insensibilidade às lesões, dor intensa nas zonas
enregeladas que vai diminuindo devido ao efeito anestésico do frio,
gangrena, estado de choque e coma.
Aos primeiros sinais de palidez da pele, torpor ou dor numa zona
específica da pele, abrigue-se e proteja a pele exposta, e se encontrar
alguém com algum dos sinais ou sintomas acima descritos, ligue para o
112.

O que deve fazer em caso de enregelamento?


Em caso de enregelamento deve-se desapertar os sapatos e pedir à vítima que bata com os pés
no chão e as mãos uma na outra para reactivar a circulação. Posteriormente, deve-se envolver a vítima
em cobertores, cobrir a parte atingida com a mão ou com roupas quentes. Se a lesão for nos dedos ou
nas mãos, deve-se colocá-los nas axilas para que aqueçam. Logo que a área lesionada, aqueça, deve-
se encorajar ao exercício dos dedos (mãos e pés). Para além disto, deve-se dar bebidas quentes e
açucaradas.
Como nos casos mais graves, a situação pode evoluir para o estado de choque, é necessário o
transporte urgente para o hospital.

O que não se deve fazer em caso de enregelamento?


Em caso de enregelamento não se deve mexer nas zonas do corpo congeladas, iniciar o
aquecimento por um banho quente, ou dar a beber bebidas alcoólicas.

O enregelamento é agravado pelo frio húmido, calçado apertado, fadiga, posição de pé e


ingestão de bebidas alcoólicas.
O enregelamento previne-se, evitando a imobilidade e o excesso de cansaço, habituando-se
progressivamente ao frio e à altitude, fazendo uma alimentação com refeições frequentes e ricas em
hidratos de carbono, evitando ingerir bebidas alcoólicas e utilizando roupas amplas e quentes, calçado
largo e dois pares de meias, umas grossas e outras finas.

Hipotermia
A hipotermia ocorre quando o corpo é exposto a temperaturas muito frias, verificando-se que
ele começa a perder calor mais rapidamente do que aquele que produz. Quando a temperatura de
corpo é demasiado baixa, o cérebro é afectado, fazendo com que a pessoa seja incapaz de pensar
claramente ou movimentar-se;
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Nos adultos, os sinais e sintomas de hipotermia são o tiritar e exaustão, perda da memória e
discurso confuso, e sonolência. Nas crianças, os sinais e sintomas de hipotermia são pele muito
vermelha e fria, e pouca energia.

O que fazer em caso de hipotermia?


Em caso de hipotermia, deve-se começar por avaliar a temperatura do corpo. Se esta estiver
abaixo dos 35º C ou a pessoa estiver inconsciente, parecer não ter pulso ou que não respira, deve-se
ligar de imediato para o 112.
Para além disto, deve-se remover qualquer peça de roupa molhada, aquecer o peito, pescoço,
cabeça e tronco da vítima, envolvendo-a em cobertores, dar bebidas quentes, excepto se a pessoa
estiver inconsciente. Assim que a temperatura do corpo aumentar, deve-se manter a pessoa seca e
envolvida em cobertores, incluindo a cabeça e o pescoço.

Acidentes Respiratórios - formas de actuação

Asfixia/sufocação
A asfixia ou sufocação é uma dificuldade respiratória que leva à falta de oxigénio no
organismo. As causas desta situação podem ser variadas, mais a mais
comum é a obstrução das vias respiratórias por corpos estranhos, como
por exemplo objectos de pequenas dimensões ou alimentos mal
mastigados. A asfixia pode ter ainda outras causas, como por exemplo,
ingestão de bebidas ferventes ou cáusticas, pesos em cima do peito ou
costas, intoxicações diversas e paragem dos músculos respiratórios.
O sinais e sintomas de asfixia variam com a gravidade da asfixia,
podendo ir desde um estado de agitação, lividez, dilatação das pupilas
(olhos), respiração ruidosa e tosse, a um estado de inconsciência, com
paragem respiratória e cianose (tonalidade azulada) na face e
extremidades.

O que se deve fazer em caso de asfixia?


Na presença de corpos estranhos nas vias respiratórias de uma
criança pequena, deve-se abrir
a boca e tentar extrair o corpo
estranho. Se este ainda estiver visível, deve-se usar o dedo
indicador em gancho ou uma pinça, tendo-se o cuidado para
não empurrar o objecto. No entanto, se ele já não for
visível, e se conseguirmos, devemos colocar a criança de
cabeça para baixo, sacudi-la e bater-lhe a meio das costas,
entre as omoplatas, com a mão aberta.
No caso de um jovem ou adulto, devemo-nos colocar
por detrás da vítima, passar-lhe o braço à volta da cintura,
fechar o punho, colocando-o logo acima do umbigo, cobri-
lo com a outra mão e carregar para dentro e para cima. Esta
operação deve ser repetida as vezes que forem necessárias,
até que o objecto seja expulso. Se a respiração não se
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restabelecer e a vítima continuar roxa (cianosada), deve-se iniciar o suporte


básico de vida fazendo reanimação/respiração artificial. Logo que a respiração
estiver restabelecida, deve-se activar o serviço de emergência médica (112) para
transporte a vítima para o hospital.

O que não deve fazer em caso de asfixia?


Em caso de asfixia nunca se deve abandonar o asfixiado para pedir auxílio.

Dificuldades respiratórias (asma)


A asma é uma doença crónica das vias aéreas, na qual, os brônquios reagem de forma excessiva
em algumas circunstâncias. Nos indivíduos susceptíveis, esta doença origina episódios recorrentes de
pieira, dispneia, aperto torácico e tosse, particularmente noturna ou no início da manhã. Estes
sintomas, estão, geralmente associados a uma obstrução generalizada, mas variável, das vias aéreas, a
qual é reversível espontaneamente ou através de tratamento.
A severidade da asma pode ser classificada em quatro categorias:
 Grau 1, em que se verificam sintomas leves e intermitentes até dois dias por semana e
até duas noites por mês, normalmente com predomínio dos sintomas no inverno;
 Grau 2, em que se verificam sintomas persistentes e leves, mais do que duas vezes por
semana, mas não mais do que uma vez em um único dia;
 Grau 3, em que se verificam sintomas persistentes moderados uma vez por dia e mais
de uma noite por semana;
 Grau 4 (asma grave), em que se verificam sintomas graves persistentes ao longo do dia
na maioria dos dias e frequentemente durante a noite.

São várias as causas da asma, como por exemplo, substâncias e agentes alergénicos,
alimentação, mudanças de temperatura, medicamentos, podendo
ainda ser induzida pelo exercício físico. A asma também pode
ser provocada pela contracção do músculo que circunda a
parede brônquica, pela inflamação das paredes dos brônquios ou
pela produção excessiva de muco.
As pessoas que têm asma apresentam vários sinais e
sintomas, como por exemplo, tosse seca e repetitiva, dificuldade
em respirar, respiração sibilante, audível, ruidosa (pieira e/ou
farfalheira), sensação de falta de ar, comportamento agitado,
respiração rápida e difícil, pulso rápido, palidez e suores, e
prostração e apatia (ar parado).
Não existe tratamento para esta doença, daí que a
prevenção e controle sejam a chave para impedir que os ataques
de asma comecem. A medicação utilizada serve apenas para a
gestão dos sintomas, em que a medicação de uso contínuo serve
apenas para minimizar a sensibilidade e a inflamação às quais os brônquios da pessoa asmática estão
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sujeitos, fazendo com que os pulmões reajam com menos intensidade aos agentes irritantes, como
poeira e ácaros. Esta medicação é diferente dos broncodilatadores, que apenas revertem o quadro de
contracção do brônquio. Os medicamentos contínuos funcionam para evitar o surgimento destas
reacções, sendo geralmente tomados diariamente, e são a base do tratamento da asma. Fazem parte
destes medicamentos os corticosteroides inalados, broncodilatadores, e os anti-histamínicos.
Na fase de agravamento da crise, a respiração torna-se muito difícil e há cianose das
extremidades, isto é as unhas e os lábios ficam roxos. Esta é uma situação grave que necessita de
transporte urgente para o hospital.

O que deve fazer no caso de um episódio de asma?


No caso de um episódio de asma é importante ser capaz de conter a angústia e a ansiedade da
criança, devendo-se para tal falar-lhe calmamente e assegurar-lhe uma rápida ajuda médica. Deve-se
ficar com a criança num local arejado, mas onde não haja pó, cheiros ou fumos, devendo-se coloca-la
numa posição que lhe facilite a respiração. Deve-se contactar ou informar a família, identificar e
ajudar a administrar o tratamento prescrito que normalmente a acompanha. No entanto, se não houver
melhorias, a criança deve ser transportada ao hospital.

Corpos estranhos
Consideram-se corpos estranhos, todas os objectos que penetram no organismo, através de
qualquer orifício, ou após uma lesão de causa variável. Apesar de nesta secção estarmos a abordar
acidentes respiratórios, vamos
aproveitar o tema para abordarmos os
diferentes tipos de corpos estranhos
que podem afectar os diferentes partes
do corpo. Assim, os corpos estranhos
encontram-se mais frequentemente nos
olhos, nariz, ouvidos e vias respiratórias.

Os corpos estranhos mais frequentes nos olhos são os grãos de areia, insectos e limalhas. Os
sintomas que estes corpos estranhos provocam
nos olhos são dor ou picada local, lágrimas e
dificuldade em manter as pálpebras abertas.

O que se deve fazer?


Em caso da presença de um corpo estranho num olho, deve-se abrir a pálpebra com muito
cuidado e fazer correr água sobre o olho, do canto interno, junto ao nariz, para o externo. Esta
operação deve ser repetida duas ou três vezes, e se não formos capazes de remover o corpo estranho,
deve-se fazer um penso oclusivo, colocando uma compressa e adesivo, e levar ao hospital.
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O que não se deve fazer?


Em caso da presença de um corpo
estranho num olho nunca se deve esfregar o
olho, tentar remove-lo com um lenço, papel,
algodão ou qualquer outro objecto.

Os corpos estranhos mais frequentes nos


ouvidos são insectos, pequenos brinquedos,
pequenos alimentos (grão, feijão, etc.) e
cotonetes. Os
sintomas típicos que
estes corpos estranhos provocam nos ouvidos é surdez, zumbidos e dor.

O que se deve e não deve fazer?


Em caso da presença de um corpo estranho num ouvido não se
deve tentar remover o objecto, deve-se sim, accionar o 112 ou levar a
criança ao hospital.

Os corpos estranhos mais frequentes nas vias respiratórias (boca ou nariz) são de natureza
variável de acordo com a sua localização e com a idade. Assim, nas crianças, os mais frequentes são,
os feijões ou objectos de pequenas dimensões, como botões e peças de brinquedos.
Os sintomas são variáveis, mas pode existir dificuldade respiratória, dor, vómitos e nos casos
mais graves asfixia, que pode conduzir à morte.

O que se deve fazer?


Em caso da presença de um corpo estranho nas vias respiratórias, deve-se pedir à criança para
se assoar com força, comprimindo a narina contrária com o dedo, tentando assim que o corpo seja
expelido. Os corpos estranhos presentes na garganta podem ser natureza muito diversa como por
exemplo pedaços de alimentos mal mastigados, ossos ou pequenos objetos, os podem impedir a
respiração e provocar asfixia. Se não conseguir resolver a situação deve-se chamar o 112 e levar
criança ao médico.

Outros tipos de acidentes - formas de actuação e prevenção

Acidentes por corrente eléctrica


Apesar dos acidentes com corrente eléctrica já terem sido abordados (queimaduras), elas
voltam a ser referidas nesta secção, uma vez que os choques eléctricos podem provocar paragem
cárdio-respiratória. Um choque eléctrico produz-se quando ocorre a passagem de uma descarga
eléctrica através de uma parte do corpo. Isto acontece quando a vítima entra em contacto directo com
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um fio eléctrico, electrodoméstico avariado, interior de uma tomada eléctrica, ou ainda se tocar em
dois pontos da corrente eléctrica com um objecto
metálico. Assim, pode dar-se um choque simples,
choque com queimadura ou choque mais grave
(electrocussão), que pode causar a morte.
São várias as situações em que isto pode
acontecer, como por exemplo levar à boca a
tomada de uma extensão eléctrica que esta ligada,
provocando queimaduras graves (comum no bebé
que gatinha), introduzir os dedos ou um objeto
metálico nos orifícios de uma tomada, tocar em
fichas triplas com muita sobrecarga, que ficam
quentes e podem incendiar, manipular um fio eléctrico em deficiente estado de conservação, e utilizar
um aparelho ou acender um interruptor com as mãos húmidas.

No caso de um choque eléctrico, antes de realizarmos os primeiros socorros devemos proteger-


nos e à vítima, assim devemos cortar ou desligar a fonte de energia, não se devendo tocar na
vítima/criança antes de se proceder ao desligar a corrente eléctrica. Deve-se afastar a pessoa da fonte
eléctrica responsável pelo choque, usando materiais não condutores e secos
como a madeira, o plástico, panos grossos ou borracha. Finalmente, deve-se
chamar uma ambulância, ligando para o 112. Durante todo o processo deve-
se observar se a pessoa está consciente e a respirar. Se ela estiver
consciente, devemos acalma-la até à chegada da equipa médica, se ela
estiver inconsciente, mas a respirar, devemos deite-la de lado, colocando-a em PLS, mas se a pessoa
estiver inconsciente, e não estiver a respirar devemos iniciar a massagem cardíaca e a respiração boca-
a-boca. Para além disto devemos arrefecer a zona queimada com água fria e tapar com um pano limpo
ou compressa esterilizada e avisar os pais. Se a criança estiver bem, devemos tranquiliza-la, deixando-
a descansar mas mantendo-a sobre vigilância.

O que é que não se deve fazer?


Em caso de choque eléctrico não se deve tocar na vítima, se esta estiver em contacto com a
corrente eléctrica. Nunca se deve tentar afastar um fio de alta tensão com um objecto, nem se deve
tocar em nada húmido, porque a água é boa condutora da eléctricidade

Principais complicações do choque elétrico


Além do risco imediato de morte, quando a corrente é muito alta, o choque eléctrico pode
afectar o corpo de outras formas, como por exemplo, as queimaduras, que surgem na maior dos
acidentes com choques eléctricos e que apenas atingem a pele do local do choque. No entanto, quando
a voltagem é muito grande, o excesso de electricidade pode afectar os órgãos internos, provocando
graves problemas no seu funcionamento, e a pessoa precisar de fazer tratamentos para a insuficiência
renal, cardíaca ou de outro órgão afectado.
Quando uma pequena corrente eléctrica atravessa o peito e atinge o coração pode surgir uma
fibrilação auricular, a qual deve ser tratada no hospital para evitar colocar em risco a vida da vítima.
No entanto, quando a corrente eléctrica é muito elevada, como no caso de choques em postes de alta
tensão, vai ocorrer uma interferência com a actividade eléctrica do coração, verificando-se a paragem
do músculo cardíaco, de onde pode resultar a morte da pessoa.
A passagem da corrente eléctrica pelo corpo de uma pessoa pode afectar os nervos, uma vez
que, quando se verificam choques repetidos ou muito fortes, a estrutura dos nervos pode ficar
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

afectada, resultando em neuropatia, que provoca sintomas como dor ou dormência nas pernas e
braços, bem como dificuldade em mexer os músculos ou tonturas frequentes.

Técnicas de imobilização
As técnicas de imobilização são essenciais quando ocorrem fracturas. Dependendo do ossos
fracturado, a técnica de imobilização é diferente.

Imobilização e extensão da clavícula (com dois lenços)


Comece por atar, entre si, as pontas dos dois lenços, efectuando uma gravata em torno dos
ombros, atando-se as pontas com as do lado oposto. Entre os nós formados e a pele, deve-se colocar
uma almofada de protecção. O mesmo procedimento deve ser efectuado em cada uma das axilas. Este
procedimento evita a compressão das artérias que irrigam os membros superiores, evitando-se assim
diminuir a irrigação sanguíneas para estes membros. Posteriormente, deve-se colocar um pequeno pau
entre os dois nós, rodando-o à volta de um eixo transversal, enrolando-se assim as pontas dos lenços,
encurtando-os e puxando consequentemente os ombros para trás, fazendo a extensão das clavículas.

Imobilização do braço
Para a imobilização do braço deve-se utilizar dois lenços e um jornal ou revista. Com um dos
lenços faz-se a suspensão do membro, posteriormente, coloca-se a revista ou jornal, em forma de
“telha”, ao alto no braço para proteger a zona do osso fracturado. Finalmente fixa-se o braço ao tronco
com o outro lenço ou com ligaduras.

Imobilização da mão e do antebraço


Para a imobilização desta parte do corpo deve-se colocar uma tala de madeira (ou cartão)
almofadada por baixo do antebraço, envolvendo-se, posteriormente, o antebraço e a mão à tábua com
uma ligadura ou lenços.
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Nunca nos devemos esquecer que nas lesões dos membros superiores, o braço deve ficar
suspenso no peito.

Imobilização da coxa
A imobilização desta parte do corpo deve-se iniciar, colocando uma tala de madeira forrada
entre as duas pernas. Posteriormente, deve-se colocar outra, de maiores dimensões, do outro lado de
fora do membro fracturado, a qual deve acompanhar todo o comprimento do corpo, o pé até ao tórax.
O membro fracturado e as talas devem ser fixadas com a ajuda de lenços ou ligaduras, e
posteriormente deve-se fixar a parte da tala que chega ao tórax, envolvendo-os com lenços ou
ligaduras, ajustando, mas sem apertar demasiado. Finalmente deve-se atar as duas pernas em vários
pontos distintos, de forma a que a parte de baixo do corpo fique completamente imobilizada.
Se estes materiais não estiverem disponíveis, pode-se colocar uma protecção de toalhas entre as
duas pernas e embrulhar ambas as pernas, juntas, com uma ligadura ou com lenços e écharpes.

Imobilização da perna
Para a imobilização desta parte do corpo deve-se colocar uma tala de madeira forrada de cada
lado da perna (desde acima do joelho até abaixo do pé), e
fixar as duas talas ao membro com a ajuda de lenços ou
ligaduras. Posteriormente, com uma ligadura mais larga,
deve-se fixar toda a região do tornozelo para impossibilitar
o seu movimento.
Mais uma vez, se estes materiais não estiverem
disponíveis, pode-se colocar uma protecção de toalhas entre
as duas pernas e embrulha-las juntas, com uma ligadura ou com lenços e écharpes.
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

Imobilização do tornozelo
Se a fractura for no tornozelo, as talas devem ser
colocadas desde a parte de cima do joelho até à planta do pé,
procedendo-se posteriormente à fixação das talas ao membro
com a ajuda de lenços ou ligaduras.

Imobilização do pé

Imobilização do maxilar

Fractura nas costelas


Caso suspeite de uma fractura nas costelas, a vítima deve ser deitada em posição confortável,
evitando-se movimentos bruscos, nem se devendo tentar imobilizar a pessoa, uma vez que estas
situações são graves, devendo ser tratadas por pessoal médico especializado. Após a imobilização por
pessoal médico especializado, a vítima deve ser transportada de urgência para o hospital.

Fractura das vertebras


Deve-se sempre suspeitar de uma lesão na coluna vertebral se a vítima, após o traumatismo,
apresentar um ou mais dos seguintes sintomas:
 Impossibilidade de fazer movimentos;
 Dor no local do traumatismo;
 Sensação de “formigueiro” nas extremidades (mãos/pés);
 Insensibilidade de qualquer parte do corpo.

O que deve fazer do caso de possível lesão na coluna vertebral?


Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Com a ajuda de outra pessoa, colocar a vítima num plano horizontal, respeitando o eixo do
corpo, mantendo-a estabilizada até à chegada da ambulância. Depois da ambulância chegar, o pessoal
médico deverá levantar a vítima cuidadosamente mantendo a tracção, e depois de coloca-la na maca,
deverá transportá-la para o hospital a uma velocidade moderada.

Traumatismo abdominal
Apesar de não ser uma lesão do esqueleto, os traumatismos abdominais, ocorrem pelo mesmo
tipo de forças que levam aos acidentes do esqueleto. Assim, um traumatismo abdominal é uma lesão
provocada pela acção mecânica sobre o abdómen (queda ou pancada), que é capaz de provocar uma
ruptura (fractura) das vísceras. O traumatismo abdominal é uma situação grave que necessita
transporte urgente para o hospital, através da emergência médica, devido à libertação do conteúdo
intestinal, rico em enzimas digestivas e bactérias.
Este tipo de lesão leva ao aparecimento de sinais e sintomas idênticos aos das hemorragias
internas, ou seja, dor local, sede, pulso progressivamente mais rápido e mais fraco. Em casos graves,
pode-se observar ainda observar palidez, suores frios, arrefecimento, sobretudo das extremidades,
zumbidos, e alterações do estado de consciência.

O que se deve fazer em caso de um traumatismo abdominal?


Caso estejamos perante um traumatismo
abdominal, devemos acalmar a vítima e mantê-la
acordada, confortavelmente aquecida devendo-se
cobrir a ferida, caso ela esteja presente. Deve-se
ainda coloca-la em posição semi-sentada com as
pernas flectidas e
transportá-la para o
hospital;

O que não deve fazer em caso de um traumatismo abdominal?


Não se deve dar de beber ou comer à vítima, uma vez que ela terá que ser sujeita a uma
intervenção cirúrgica para reparar as vísceras.

Prevenção da contaminação

Doenças de etiologia microbiana

Escarlatina
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A escarlatina é uma doença contagiosa, comum em crianças entre os 5 e os 15 anos, que se


manifesta através de dor de garganta semelhante as anginas, febre alta, bolinhas na língua com o
aspecto de framboesa e manchas vermelhas com prurido na pele. Podem existir infecções agudas e
infecções assintomáticas de escarlatina e a sua transmissão ocorre pelo ar, e a criança fica
contaminada através da inalação de gotículas originadas da tosse ou espirro de uma pessoa infectada.
Embora seja mais comum nas crianças, ela também pode afectar adultos, podendo surgir até 3 vezes
durante a vida de uma pessoa, uma vez que existem 3 estirpes diferentes da bactéria responsável por
esta doença (Streptococcus pyogenes).
Esta doença é mais frequente nas crianças na primavera e no verão, e ambientes fechados,
como as creches, escolas, cinemas e shoppings favorecem a propagação da doença. No entanto, o
contacto com a bactéria causadora da doença, não é suficiente para uma pessoa desenvolver a doença,
já que o estado do seu sistema imunitário vai interferir no desenvolvimento da bactéria.
Esta bactéria leva ao surgimento de dor e infecção na garganta, amígdalas inchadas,
temperatura elevada (> 40º C), dor abdominal e de cabeça, rosto e boca avermelhados, erupção
caracterizada por pequenos pontos vermelhos, que se iniciam na base do pescoço, axilas e virilhas e
depois se alastra ao corpo todo. Para além disto pode-se verifica que a zona à volta da boca fica
pálida, a língua fica com cor vermelho framboesa, verificando-se ainda náuseas e vómitos e mal-estar
geral.
O tratamento da escarlatina é efectuado com base em antibióticos como a penicilina, que
eliminam a bactéria do organismo, no entanto, em caso de alergia à penicilina, o tratamento é
efectuado recorrendo-se à eritromicina para garantir que não surjam reacções alérgicas. Para além da
administração do antibiótico deve-se dar líquidos e alimentos moles, fáceis de engolir, deve-se
diminuir a febre com antipiréticos, isolar a criança durante 48 horas e informar os pais das outras
crianças para estarem atentas para um possível contaminação, e consequentemente poderem actuar
precocemente.

Amigdalite
Esta doença corresponde a uma inflamação das amígdalas, que são estruturas localizadas na
garganta, habitualmente designada por “anginas”. A inflamação destas estruturas é causada por
bactérias que se fixam às amígdalas ou produzem toxinas que se espalham por todo o organismo
através do sangue, atingindo vários órgãos como as articulações, o coração e os rins, podendo assim
provocar complicações graves.
A amigdalite causa, geralmente, febre, dor de garganta e dificuldade para engolir, o que leva à
perda de apetite.
Como esta doença tem etiologia bacteriana, ela é uma doença contagiosa, que pode ser
transmitida através de secreções orais e gotículas produzidas ao tossir, daí que seja importante cobrir-
mos a boca ao tossir, lavarmos bem as mãos e passar álcool em gel frequentemente, devendo-se evitar
partilhar toalhas e talheres.
Os principais sintomas da amigdalite bacteriana são febre alta (brusca ou progressiva), dor de
garganta (dificuldades em engolir), calafrios, pontos brancos/vermelhos na garganta (pus), com o
posterior aumento de tamanho, garganta inflamada, perda de apetite, dor de cabeça, inflamação das
amígdalas e tosse seca.
Tratando-se de uma doença de etiologia bacteriana, o seu tratamento é efectuado à base de
antibióticos, recomendando-se, normalmente, os derivados da penicilina, como a amoxicilina, que
deve ser tomada por 10 dias ou de acordo com a prescrição médica. As pessoas alérgicas à penicilina,
são medicadas com azitromicina durante 5 dias;
Considera-se que a amigdalite é crónicas quando persiste por mais de três meses ou é
recorrente, e neste caso pode ser indicada a remoção das amígdalas.
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Otite
A otite, também conhecida por otite média, corresponde a uma inflamação do ouvido, causada
por um vírus ou uma bactéria, podendo ainda ser causada por fungos, traumatismos ou alergias,
apesar destas causas serem menos comuns. Esta doença é uma das doenças mais frequentes nas
crianças pequenas, com mais de 1 ano de idade, como consequência de infecções do nariz e da
garganta, ou de alergias respiratórias. Para além disto, ela também pode ser consequência de um
tratamento inadequado de otites anteriores.
Sintomatologicamente verifica-se a presença de secreção ou acúmulo de líquido no canal
auditivo, diminuição da audição, febre, irritabilidade, dor (que aumenta com a sucção e a mastigação),
vómito, infecção da garganta, diarreia, face avermelhada, crises de choro fortes e difíceis de acalmar,
prurido na orelha, perda de apetite, vermelhidão e, até, perfuração do tímpano.
O seu tratamento depende da causa, mas geralmente envolve o uso de analgésicos e anti-
inflamatórios, para além de descongestionantes e anti-histamínicos para tentar reduzir a congestão.
Para além disto, administram-se antibióticos, como a amoxicilina, durante 5 a 10 dias, se houver:
 Persistência dos sintomas, após 2 a 3 dias de tratamento;
 Sintomas nos 2 ouvidos ou perfuração do tímpano;
 Presença de sintomas intensos, como vómitos, febre acima de 39º C, ou dor intensa nos
ouvidos;
 Imunidade comprometida;
 Infecção em bebés com menos de 6 meses, ou entre 6 meses a 2 anos, se houver
secreção ou sinais de inflamação no exame de otoscopia.

Na presença de uma otite deve-se ter uma série de cuidados para evitar o agravamento da
doença, como por exemplo, levar a criança ao médico e cumprir o tratamento prescrito, dar um
antipirético na presença de febre e analgésico na presença de dor, não aplicar gotas no ouvido antes da
criança ser observada e sem indicação médica, não por tampões nos ouvidos, dar muitos líquidos,
dado que com a febre, a criança pode desidratar e manter a criança confortável e fresca.

Otite no bebé:
Quando uma otite surge num bebé, ela pode ser mais difícil de diagnosticar, já que aqueles não
conseguem expressar bem os sintomas. Assim, a sintomatologia associada a uma otite num bebé são
dificuldade em amamentar, sonolência, irritabilidade, febre ou levar a mão à orelha com frequência,
principalmente se houve um quadro prévio de constipação. Na presença destes sinais, deve-se
procurar um pediatra para avaliação, sobretudo se sentir um mal cheiro no ouvido ou se se verificar a
presença de pus ou sintomas de uma infecção grave. Devemo-nos informar com o pediatra, sobre as
principais causas de otite e como identificar a dor de ouvido no bebé.
O tratamento deste tipo de otite depende da causa da otite, assim, se os sintomas indiquem a
presença de uma infecção bacteriana, o médico pode receitar, amoxicilina (antibiótico). Como
exemplo destes sintomas temos secreção amarelada e vermelhidão. Se a infecção ocorrer em bebés
com menos de 6 meses também deve-se usar antibióticos.

Tipos de otite média


Existem vários tipos de otite média, as quais dependem dos sinais e sintomas, tempo de duração
e quantidade de episódios de inflamação. De acordo com estas condições, vamos ter:
 Otite média aguda, que é a forma mais comum, na qual os sintomas surgem
rapidamente. Dentro destes sintomas vamos ter dor de ouvido e febre, que são causadas
pela infecção aguda do ouvido médio;
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Tipos de Acidentes e formas de atuação

o Otite média aguda recorrente, é uma otite que se repete por mais de 3
episódios em 6 meses ou 4 episódios em 12 meses, podendo resultar de uma
infecção pelo mesmo microrganismo, que volta a proliferar, ou por novas
infecções;
 Otite média serosa, também conhecida como otite média com efusão, já que se verifica
a presença de líquido no ouvido médio, que pode permanecer por várias semanas ou
meses, sem, no entanto, causar sinais ou sintomas de infecção;
 Otite média crónica supurativa, que se caracteriza pela presença de secreção purulenta
persistente ou recorrente, em conjunto com perfuração da membrana do tímpano.

Para diferenciar entre os vários tipos de otite, o médico costuma fazer uma avaliação clínica,
com exame físico, observação do ouvido com otoscópio, para além da avaliação dos sinais e sintomas.

Doenças de origem víral

Varicela
A varicela é uma doença de origem vírica, facilmente transmissível, daí que seja uma das
doenças mais comuns na infância, aparecendo sobretudo entre os dois e os oito anos, idades em que é
bastante contagiosa. Esta doença caracteriza-se pela presença de bolhas ou borbulhas que provocam
comichão intensa, podendo afectar toda a pele.
Esta doença é transmitida de pessoa para pessoa, por contacto direto quando alguém toca nas
borbulhas ou em objetos contaminados, no entanto, também pode ser transmitida por gotículas de
saliva libertadas pela pessoa infectada, quando esta espirra, tosse ou fala. Uma pessoa infectada pode
contagiar outras desde, 1 a 2 dias antes do aparecimento das vesículas, até 6 dias depois do
aparecimento das mesmas. O período de incubação desta doença é de 10 a 21 dias após o contacto
com um caso de varicela.
A varicela tem como sintomas a febre ligeira (por vezes grave no adulto), dor de cabeça, mal-
estar, falta de apetite, erupção da pele, ulceração na boca e outras mucosas, como por exemplo da
vagina, prurido (comichão), pequenas manchas vermelhas (máculas) que evoluem para lesões sólidas
da pele em horas, seguindo-se, durante 3-4 dias, a formação de vesículas (pequenas bolhas) que
progridem para a formação de crostas. Estas lesões vão-se localizar por todo o corpo, incluindo
extremidades, couro cabeludo, axilas, boca, face e trato respiratório.
Uma criança com varicela deve ser isolada até que as vesículas sequem. Devem ser aplicados
medicamentos para baixar a febre e diminuir o prurido, devendo-se dar banhos diários, de preferência
com chuveiro e de água morna, e o corpo deve ser enxaguado com uma toalha macia, sem se esfregar.
Para além disto deve-se evitar que a criança se coce, e devemos cortar-lhe as unhas bem curtas. Se a
criança se sentir bem, deve-se deixa-la brincar e estar activa, uma vez que estando entretida não
pensara na comichão. Deve-se efectuar o arejamento do quarto, bem como lavar bem as mãos antes e
depois de cuidar da criança, e evitar o contacto da criança doente com gravidas, crianças e adultos
com as defesas diminuídas.
Actualmente existe vacina contra esta doença, no entanto, em Portugal, ela não está incluída no
Programa Nacional de Vacinação.

Gripe
É uma doença infeciosa do aparelho respiratório, que é causada pelo vírus influenza, sendo
altamente contagiosa e que pode ser perigosa, especialmente em crianças com doenças crónicas e em
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idosos. Os sintomas mais comuns desta infecção são febre, tosse, nariz entupido e a pingar, sensação
de ardor na garganta, dores de cabeça e no corpo, mal-estar geral, arrepios, olhos lacrimejantes e
garganta irritada. Se esta infecção ocorrer uma criança, ela pode ainda apresentar náuseas, vómitos e
diarreia.
Caso não haja complicações a gripe passa sem medicação pois é uma infecção viral, no entanto,
a febre, dores de cabeça e dores musculares podem ser controladas com antipiréticos. Para o
tratamento desta doença é muito importante repousar e ingerir líquidos para evitar a desidratação,
principalmente quando há febres altas, devendo-se ainda isolar a criança para evitar que outras
pessoas sejam contaminadas, e promover o seu repouso, higiene e conforto.

Rinite
A rinite é uma doença respiratória que surge com mais frequência nas crianças (bebés e
crianças que frequentam infantários e jardins-de-infância), sendo geralmente causada por um vírus. A
infecção inicia-se nas fossas nasais, mas pode estender-se até à garganta. O seu modo de transmissão
é por contacto direto, ou seja, pela inalação dos microrganismos existentes no ar, ou indirectamente,
através de mãos ou objectos contaminados. Os sintomas mais comuns desta infecção são tosse seca,
pouco frequente e inicialmente seca ou irritativa, espirros e nariz com prurido, secura e irritação do
nariz e da garganta, obstrução nasal, arrepios, mal-estar geral e dores musculares, febre, irritabilidade,
vómitos e diarreia, dores de cabeça, respiração ruidosa sobretudo à noite e olhos avermelhados,
lacrimejantes e inchados.
Numa pessoa com rinite deve-se avaliar e controlar a temperatura, e caso tenha febre deve-se
dar um antipirético, fazendo um arrefecimento corporal, limpar o nariz com soro ou água do mar,
aumentar a ingestão de líquidos, fazer com que a criança repouse, evitar que a infeção se propague a
outras pessoas, arejar o quarto e recorrer ao médico caso a criança não melhore ou tenha febre durante
mais do que 3 dias.

A rinite crónica é a forma mais grave da rinite alérgica, na qual se verifica inflamação das
fossas nasais, e ela manifesta-se frequentemente através de crises alérgicas intensas que duram mais
do que 3 meses consecutivos. Esta doença é, geralmente, causada por uma exposição contínua a
algum alergénio, e o seu sintoma mais comum é o nariz apresentar sempre corrimento, além de
espirros sucessivos e nariz entupido. O tratamento contra esta forma de rinite pode ser feito por meio
de uma vacina para alergias, ou medicamentos anti-histamínicos.
Os sintomas mais comuns da rinite crónica são os espirros frequentes, no entanto, existem
outros como a tosse seca, espirros sucessivos, coriza (corrimento das fossas nasais), nariz entupido,
olhos avermelhados, lacrimejantes e inchados, comichão no nariz, comichão na garganta e no céu-da-
boca, diminuição da audição e do olfato, irritabilidade no nariz, perda do paladar, voz nasalada e dor
de cabeça.
A rinite crónica tem várias causas diferente, mas geralmente ela está relacionada com cigarro,
poluição, pelos, poeira, pólen e alterações anatómicas da região orofaríngea. Ela pode ser prevenida
mantendo a casa sempre ventilada e limpa, evitando o uso de pelúcias, carpetes ou cortinas, uma vez
que estas estruturas acumulam ácaros e poeira, e trocar as fronhas e os lençóis pelo menos uma vez
por semana.

Doenças de etiologia parasitária

Escabiose ou sarna
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A sarna é uma doença de pele contagiosa causada por um parasita (ácaro), cujo principal
sintoma é a comichão intensa, sobretudo à noite, que é acompanhada pelo aparecimento de borbulhas,
com crosta de cor acinzentada e a presença de pápulas (lesões de pele que surgem principalmente nas
dobras da pele, especialmente entre os dedos das mãos, axilas, ao redor da cintura, pulsos, cotovelos,
solas do pé, nádegas e joelhos). No homens, estas lesões também são comuns na região genital e, nas
mulheres, entre os seios.
Esta doença transmite-se por contacto directo com a pele de uma pessoa contamina ou por meio
de roupas. O seu tratamento é efectuado com base em medicamentos que têm como principal
objectivo acabar com a infestação do parasita, e ele deve ser feito por todas as pessoas que habitam
com a criança ou que tiveram contacto com ela. Alguns cremes e loções dermatologicamente testados
também poderão ser recomendados pelos médicos;

Pediculose
A pediculose é mais frequentemente conhecida como infestações de piolhos. Esta doença
parasitária é contagiosa e pode surgir na cabeça. O piolho põe ovos brancos e pegajoso (lêndeas), que
visualmente são minúsculos pontos amarelos e brancos, sendo, portanto, parecidos à caspa capilar,
porém mais agregadas aos cabelos. Cada piolho deposita cerca de dez ovos por dia, com o tempo
médio de oito dias para o nascimento de um novo piolho.
Os piolhos transmitem-se de forma direta com
uma pessoa infestada ou por peças de vestuário como
por exemplo chapéus, gorros. Estes parasitas são mais
comuns em ambientes aglomerados e espalham-se
facilmente. As crianças entre 3 a 12 anos que vão para
creche, pré-escola e escola primária são o principal
grupo de risco, uma vez que brincam muito perto
umas das outras e costumam ter mais contactos
capilares, para além de partilharem objetos com os
amigos.
Esta parasitose só costuma causar comichão, apesar das infestações intensas gerarem
dificuldade em dormir, devido à comichão, daí que possam surgir manchas vermelhas, O seu
tratamento pode ser feito com base em shampoos, aconselhados pelo médico, mas também pela
remoção das lêndeas com água avinagrada ou pentear o cabelo com um pente fino. Deve-se ainda
lavar toda a roupa que esteve em contacto com a criança e a família também deve fazer o tratamento
capilar. Caso o problema persista ou seja mais grave, consulte um médico para ser receitado o uso de
algum antiparasitário oral.

Ascaris
A Ascaris ou lombriga é um verme intestinal com cerca de 20 a 30 cm de cor rosa ou branca, e
a contaminação acontece ocorre quando há ingestão dos ovos infetados do parasita. Estes ovos podem
ser encontrados no solo, água ou alimentos contaminados por fezes. Este parasita leva ao surgimento
de diarreia com secreção, dores abdominais, vómitos, tosse, desconforto, indigestão e fraqueza.
Perante a persistência dos sintomas levar a criança ao médico.
A prevenção contra este parasita passa por lavar as mãos depois de ir a casa de banho, antes de
comer ou de mexer em alimentos.
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Primeiros cuidados em situações específicas

Diabetes
A diabetes é uma doença crónica não transmissível que ocorre quando o pâncreas não produz
insulina suficiente ou o corpo não a consegue utilizar a insulina de uma forma eficaz. A insulina é a
hormona responsável pelo controle da glicose no sangue, e este nutriente (glicose) é utilizada para a
produção de energia no organismo, sendo, consequentemente, fundamental para manutenção do bem-
estar. Existem dois tipos de diabetes:
 Diabetes tipo I, que normalmente surge na infância ou adolescência, e que se
caracteriza pela ausência de insulina, já que o pâncreas deixa de produzir insulina. Isto
faz com que surjam altos níveis de glicose sanguínea, daí que seja necessário a
aplicação exógena de insulina. Este é o tipo de diabetes mais grave, já que a pessoa não
produz qualquer insulina, e, consequentemente os portadores deste tipo de diabetes
necessitam de injeções diárias de insulina para manterem os níveis de glicose no
sangue normais. Neste tipo de diabetes a vida da pessoa encontra-se em risco se as
doses de insulina não são dadas diariamente.
 Diabetes tipo II, que na maioria dos casos está associada à obesidade, estando
relacionada com o excesso de peso e a má alimentação, e afectando principalmente
adultos. Este tipo de diabetes é causada por uma resistência à acção da insulina.

Para além destes dois tipos de diabetes, existe ainda a diabetes gestacional que se desenvolve
durante a gravidez.
Como a insulina não é produzida em quantidade suficiente, o açúcar em vez de ir para o interior
das células acumula-se no sangue, daí que o seu diagnóstico possa ser efectuado por um simples
exame sanguíneo.
Os sintomas associados a esta doença são sede intensa, aumento da vontade de urinar,
emagrecimento, apesar de não fazer dieta e alimentar-se da mesma maneira, muita fome, dificuldade
na cicatrização, cansaço e má circulação. A sintomatologia associada à diabetes do tipo I é sensação
de sede constante, vontade frequente para urinar, cansaço excessivo, aumento do apetite e visão
embaçada. A sintomatologia associada à diabetes do tipo II é aumento de sede, boca constantemente
seca, vontade frequente para urinar, cansaço frequente, visão turva ou embaçada, as feridas cicatrizam
lentamente, formigueiro nos pés ou mãos e infecções frequentes, como candidíase ou infecção
urinária.
Na criança e no adolescente verifica-se que a diabetes provoca um cansaço frequente, falta de
energia para brincar, muito sono e preguiça. Para além disto, a criança pode comer bem, mas mesmo
assim começa a emagrecer de forma repentina, pode acordar para fazer xixi à noite ou voltar a fazer
xixi na cama, está sempre com muita sede, mesmo nos dias mais frios, e a boca permanece sempre
seca, irritabilidade ou falta de disposição para realizar as actividades do dia-a-dia, além de diminuição
do rendimento escolar, muita fome, formigueiro ou câimbras nos membros, e dificuldade para
cicatrizar feridas.

O que fazer numa crise hipoglicémica?


A complicação mais grave e frequente do diabético é a crise hipoglicémica, ou seja, a
diminuição da concentração de açúcar no sangue, que ocorre, habitualmente, por atraso ou falha de
uma refeição, vómitos, insulina em excesso, má técnica na administração de insulina ou actividade
física intensa.
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No caso de uma crise hipoglicémica, verifica-se palidez, suores, tremores das mãos, fome
intensa, confusão mental, raciocínio lento, bocejos repetidos, expressão apática, “apalermada”, voz
entaramelada, alterações de humor, como por exemplo, irritabilidade, agressividade, “rabugice”,
teimosia ou apatia, palpitações, pulso rápido, perda da fala e dos movimentos activos, desmaio,
convulsão, e mesmo coma.

Caso a pessoa demonstre uma hipoglicemia moderada deve-se trata-la com calma, meiguice e
delicadeza, já que, habitualmente há rejeição e
teimosia em relação ao que lhe é proposto, devendo-se
dar açúcar (1 colher de sopa cheia ou 2 pacotes de
açúcar (10 a 15 g)), aguardar 2 a 3 minutos e repetir a
operação até melhoria dos sintomas. Deve-se
determinar, se possível, a concentração de açúcar no
sangue utilizando o kit individual, que habitualmente
as pessoas diabéticas transportam consigo. Depois de
se verificar a melhoria (mais ou menos 10 a 15
minutos), dar hidratos de carbono de absorção lenta
(pão de mistura, bolachas de água e sal ou integrais,
ou tostas).
Caso a pessoa demonstre uma hipoglicemia
grave, com alterações do estado de consciência, deve-
se deitar a vítima em Posição Lateral de Segurança,
fazer uma papa de açúcar e colocá-la no interior da bochecha. Se a vítima não recuperar, chamar o
112.

Em caso de crise glicémica deve-se administrar açúcar à vítima, já que o consumo excessivo e
pontual de açúcar não prejudica a pessoa, no entanto, a sua falta ou um atraso em atingir o cérebro,
pode levar ao coma e à morte. Se a vítima não conseguir engolir, a crise hipoglicémica é uma situação
grave que necessita transporte urgente para o hospital.

O que é que não se deve fazer em caso de crise glicémica?


Em caso de crise glicémica nunca se deve deixar a vítima sozinha, dar líquidos açucarados à
vítima com alterações de consciência.

Depressão
A depressão é um transtorno emocional/psicológico caracterizado por sentimentos de angústia e
tristeza profunda. Este transtorno é frequente na criança e muito frequente nos adolescentes em
particular no sexo feminino. As crianças com depressão sentem-se desvalorizadas e/ou culpadas de
modo persistente, e tal interfere no seu dia-a-dia e no seu desenvolvimento. No entanto, uma criança
pequena tem dificuldade em expressar o que sente por palavras e o seu mal-estar vai-se manifestar por
um aspeto pouco saudável (com palidez ou olheiras), cansaço, dores de cabeça ou barriga,
comportamento excessivamente calmo ou, mais frequentemente, irritável, agressivo ou revoltado e
diminuição do rendimento escolar.

O que provoca a depressão?


Ao contrário do que normalmente se pensa, os factores psicológicos e sociais, muitas vezes, são
a consequência da depressão e não a causa da depressão. Múltiplos factores predispõem uma pessoa à
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depressão, e como exemplo temos factores genéticos e cognitivos ("modos" de pensar da pessoa e da
família em que ela nasce), no entanto, situações específicas como ser alvo de maus tratos domésticos,
pertencer a minorias sexuais, luto por perda de entes queridos ou ser vítima de bullying (um tipo de
violência psicológica ou física que a criança sofre recorrentemente) podem predispor a criança à
depressão. Um dado interessante é que as crianças que cometem o bullying também têm taxas maiores
de depressão.
Existem factores que diminuem a predisposição à depressão como por exemplo a relação
afectiva calorosa com os pais, níveis de inteligência elevado, hábitos de lidar com os problemas
focando-se na sua solução e a capacidade de regular as emoções de forma adaptativa.
Assim, os pais devem procurar ajuda psiquiátrica para os filhos sempre que observarem que
quadros de tristeza se prolongam excessivamente ou são desproporcionalmente profundos ou quando
percebem um desânimo persistente e, mesmo, dificuldades ou desmotivação para "curtir" a maioria
das actividades das quais a criança ou o adolescente gostavam. Se junto com estes sintomas, surgirem
alterações de sono, apetite, ideias muito tristes ou pessimistas (que, entretanto, a criança pode não
expressar ou pode mesmo negar), dificuldades de se concentrar, dificuldades de dormir ou sono
excessivo, deve-se procurar ajuda psiquiátrica. De um modo geral, sempre que os pais desconfiarem
que "algo está errado" no comportamento do seu filho, devem procurar um(a)
psiquiatra/pedopsiquiatra, porque, qualquer pessoa que tenha um agravamento muito severo de um
quadro depressivo, a ponto de não querer mais viver (mesmo que não mencione se matar), é um
candidato em potencial ao suicídio.

Crises etílicas
Também conhecido como etilismo, é um termo usado para descrever o consumo excessivo de
álcool, com o consequente desenvolvimento de dependência. Assim, nesta situação, as pessoas têm
uma compulsão por bebidas alcoólicas, dificuldade em parar de beber, acabando por desenvolver
tolerância aos efeitos do álcool.
A intoxicação aguda ou embriaguez ocorre quando é ingerida uma grande quantidade de álcool
num curto espaço de tempo. Muitas vezes crianças de pequena idade aparecem nas escolas e
urgências dos hospitais com sinais de ingestão de álcool, quer por descuido dos pais, quer porque é
costume cultural. As manifestações das intoxicações dependem da quantidade de bebidas ingerida e
da tolerância do individuo, no entanto, geralmente observa-se agitação, euforia, dificuldades com a
coordenação motora, rubor facial, fala arrastada, dificuldade para avaliar as situações e riscos
(impulsividade), náusea e vómitos, diarreia, dor de cabeça, dificuldade para respirar e percepção
alterada.
Perante uma crise alcoólica deve-se desapertar as roupas da vítima, deita-la de lado, para que
possa vomitar, sem asfixiar. Para além disto, deve-se falar com a vítima constantemente, apoiando-a,
deve-se aquece-la com um cobertor ou casaco, já que o álcool provoca uma rápida e perigosa
desidratação e dar líquidos mornos (chás). Se a vítima adormecer ou ficar inconsciente não se deve
deixa-la sozinha, e deve-se manter a via aérea permeável, colocar a vítima em PLS, colocar açúcar
debaixo da língua, vigiar as funções vitais e promover o transporte para o hospital.

Crises convulsivas
As crises convulsivas correspondem a uma alteração neurológica devido a uma descarga
eléctrica anormal no cérebro, que podem refletir-se a nível da tonicidade corporal, gerando contrações
involuntárias dos músculos, que levam a movimentos desordenados, ou outras alterações anormais
como desvio dos olhos e tremores. Para além disto, verificam-se ainda alterações do estado mental, e
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outros sintomas psíquicos. As crises convulsivas podem ter várias causas distintas, e nas crianças, as
mais frequentes estão associadas à epilepsia ou à febre.
As crises convulsivas fazem com que a pessoa fique com a face arroxeada, apresente
movimentos bruscos e descontrolados da cabeça e/ou extremidades, perda de consciência, com queda
desamparada, olhar vago, fixo e/ou “revirar dos olhos” (precede os anteriores), “espumar pela boca”,
perda de urina e/ou fezes, e morder a língua e/ou lábios.
Se a crise convulsiva ocorrer numa criança pequena, (< 5 anos), a convulsão pode ser
provocada (ou acompanhada) por febre. Assim, após a crise, deve-se verificar a temperatura axilar e
se ela for superior a 37,5º C, deve-se administrar um antipirético sob a forma de supositório
(paracetamol).

O que se deve fazer em caso de crise convulsiva?


A primeira actitude a ter-se perante uma crise convulsiva é afastar todos os objectos onde a
vítima se possa magoar e amparar-lhe a cabeça com a mão
ou com um objeto macio (camisola, toalha). Posteriormente
deve-se desapertar a roupa à volta do pescoço, tornar o
ambiente calmo, afastando os curiosos e anotar a duração da
convulsão. Acabada a fase de movimentos bruscos, deve-se
colocar a vítima em PLS, manter a vítima num ambiente
tranquilo e confortável e avisar os pais.
Sempre que a primeira convulsão durar mais do que
oito minutos ou houver repetição das convulsões deve-se
enviar a vítima ao hospital-

O que se não deve fazer em caso de crise convulsiva?


Perante uma crise convulsiva nunca se deve tentar
imobilizar a vítima durante a fase de movimentos bruscos.
Também não se deve tentar introduzir qualquer objeto na
boca, nomeadamente dedos, lenços, panos, espátulas ou
colheres, tentar acordá-la ou forçá-la a levantar-se, dar-lhe,
seja o que for, a comer, a beber ou a cheirar.

Epilepsia
A epilepsia é um transtorno no cérebro comum a várias doenças do sistema nervoso central, e
que se caracteriza por ataques súbitos e transitórios de disfunção cerebral, que se manifestam através
de episódios de perda de consciência acompanhada por acessos convulsivos ou outras formas de crise
com tendência para se repetirem. Nesta doença não é possível prever quando as crises ocorrem, e nem
todas as crises epiléticas são convulsivas, sendo as mais frequentes as crises de ausência, que ocorrem
quando a pessoa passa momentos paralisada e com olhar distante.
Assim, nesta doença verifica-se a perda de consciência, confusão mental, perda do controle dos
esfíncteres, alteração da consciência, movimentos musculares involuntários, movimentos automáticos
e alterações da sensibilidade e ao nível dos restantes sentidos (olfato, paladar).
A epilepsia pode ocorrer em qualquer idade e depende de factores externos ou genéticos. Os
factores externos resultam geralmente de danos, como o traumatismo craniano, abuso de álcool, uso
de drogas e doenças. Existem várias doenças, como a meningite e encefalite, tumores cerebrais,
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neurocisticercose (infecção do sistema nervoso central pela forma larvária da Taenia solium), acidente
vascular cerebral e doença de Alzheimer que dão origem a crises epiléticas.

Como actuar em caso de um ataque epilético?


Caso haja perda de consciência, queda e movimentos involuntários, deve-se, antes de mais
manter a calma, retirar os objectos que se encontram à volta da pessoa e que a podem magoar, colocar
uma protecção por baixo da cabeça da pessoa (um casaco, por exemplo).
Em caso de um ataque epilético nunca se deve tentar segurar a pessoa, já que podem surgir
luxações, tentar inserir objectos na boca da pessoa (podem partir um dente ou ser mordidos),
devendo-se afastar os curiosos e se a pessoa ceder, tentar colocá-la na posição lateral de segurança.
Deve-se ainda cronometrar a duração da crise e se esta for além dos cinco minutos, ligar para o 112.

Para prevenir o desencadear de uma crise epilética, deve-se evitar o stresse, privação de sono,
suspensão abrupta de medicamentos, febre e infecções, hipoglicemias, consumo de determinados
medicamentos, com por exemplo alguns antidepressivos e anestésicos.

Como evitar uma crise de epilepsia?


O surgimento de crises epiléticas pode ser evitado removendo algumas situações, como por
exemplo mudanças súbitas de intensidade luminosa, como luzes piscando, ficar muitas horas sem
dormir ou descansar, consumo exagerado de bebidas alcoólicas, longos períodos de febre alta,
ansiedade excessiva, cansaço excessivo, consumo de drogas ilícitas, hipoglicemia ou hiperglicemia,
ou consumo de medicamentos não prescritos pelo médico.

Mala de primeiros socorros e medicamentos

Organização da mala de primeiros socorros


Num jardim-de-infância, creche ou em qualquer outro local de trabalho e até mesmo em nossa
casa, devido a imprevistos de saúde que possam surgir no dia-a-dia, deve existir uma mala de
primeiros socorros que garanta o socorro a uma criança/adulto sempre que necessário. Esta mala deve
conter o material adequado em número e em género para suprir as pessoas que poderão vir a fazer uso
deles. É muito importante que o conteúdo da mala de primeiros socorros seja revisto periodicamente,
não se devendo descorar os materiais em falta e as datas de validade.
Uma mala de primeiros socorros deve conter compressas de diferentes dimensões, pensos
rápidos, rolo adesivo, ligadura não elástica, solução antisséptica, álcool etílico a 70%, soro
fisiológico, tesoura de pontas rombas, pinça, luvas descartáveis, máscaras de proteção, termómetro,
betadine, manta de sobrevivência, pomada para queimaduras ou pancadas, gaze gorda, anti-
inflamatórios, analgésicos/antipiréticos, antieméticos (contra os vómitos) e manta térmica.
A mala de primeiros socorros deve ser guardada em local de fácil acesso a todos os adultos,
devendo a sua localização ser do conhecimento de todos. As malas de primeiros socorros devem ainda
conter o material necessário e adequado ao tipo de pessoa a quem vai ser prestado o socorro (no nosso
caso crianças), devendo ser mantida a uma temperatura que não danifique o seu conteúdo. Como
referimos o seu conteúdo deve ser revisto com periodicidade e reposto depois de usado ou se ficou
fora da validade, devendo-se para tal designar uma pessoa que seja responsável para essa função.
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Localização, organização e segurança


Existem normas gerais quando à localização, organização e segurança dos medicamentos.
Como vimos, a mala de primeiros socorros deve ser constituída e adaptada às necessidades do local
ou instituições onde será utilizada, dai que deva ser acondicionada num local onde não hajam grandes
alterações de temperatura para evitar a deterioração dos seus componentes, devendo ser colocada num
local conhecido pelos profissionais, mas fora do alcance das crianças. Para além disto ela deve conter
um índice em suporte de papel do seu conteúdo assim como um manual de primeiros socorros,
devendo ser verificada periodicamente e sempre que é usada, para que se mantenha sempre em
condições de ser utilizada novamente. Deve-se ainda verificar os prazos de validade do seu conteúdo
e estar atento às características dos produtos e da medicação, verificando se existe alguma alteração
da cor ou da textura dos mesmos, e, em caso de alteração, deve-se rejeitar de imediato.
Pelo menos um elemento da equipa deve ter formação em como utilizar a mala/conteúdo
corretamente. Após a utilização da mala de primeiros socorros não se deve misturar medicamentos e
material de tratamento de feridas contaminado no lixo comum, deve coloca-los em separado;
Em relação ao material presente na mala de primeiros socorros, as compressas para tratamento
de feridas devem ser esterilizadas, e as que não são estéreis nunca devem ser utilizadas no tratamento
de feridas abertas pelo risco de infecção.
Deve-se evitar a utilização abusiva do material de primeiros socorros, este só deve ser utilizado
mesmo em caso de necessidade, especialmente no que diz respeito a medicamentos.
Deve estar-se atento a qualquer reacção alérgica que a criança possa desenvolver ao
medicamento utilizado. Deve-se guardar sempre os medicamentos fora do alcance das crianças, de
preferência num armário ou gaveta alta que possa ser fechada a chave.

Conservação, prescrição e eliminação:


Na administração de medicamentos a uma criança deve-se ter alguns cuidados, nunca se
devendo dizer que o medicamento é um doce, e também não deve ser utilizado como recompensa, já
que os medicamentos serve para curar, não se devendo estimular a intoxicação medicamentosa.
Se um medicamento não for bem utilizado, pode-se tornar perigoso para a criança, daí que só se
deve administrar medicamentos receitados pelo médico para aquela criança e para a doença que ela
apresenta no momento. Deve-se verificar o prazo de validade do medicamento e armazena-lo segundo
as indicações presentes na bula.
Antes de administrar o medicamento a uma criança deve-se verificar se é o medicamento
correcto, verificando-se as horas e respeitando rigorosamente as doses. Deve-se registar as doses
dadas e se a criança desenvolveu alguma reação. Deve-se respeitar a prescrição médica,
administrando-se a medicação durante os dias indicados pelo médico. Após a administração, deve-se
verificar se as tampas ficaram bem apertadas. Se lhe sobrar antibiótico ou qualquer outro
medicamente, este deve ser entregue na farmácia para uma disposição correcta.
Os medicamentos são substâncias usadas com finalidade terapêuticas, daí que a sua
administração pressuponha o conhecimento das suas características, dosagem, horário de
administração, eventuais efeitos adversos e factores importantes para a obtenção dos efeitos
desejados.
Caso uma criança tenha necessidade imprescindível de tomar medicamentos durante o horário
escolar, os pais ou encarregados de educação deverão comunicar ao educador ou ao auxiliar, por
escrito, a dosagem e o horário de administração dos mesmos e qualquer outra informação que
entendam pertinente para a correcta administração do medicamento. Qualquer medicamento só deve
ser ministrado à criança com o conhecimento dos pais e com receita médica.
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Existem normas para a administração de medicamentos específicos, assim, antes de administrar


o benuron, brufen ou qualquer outro tipo de medicamento, certifique-se de que esta a administrar a
dose certa para o peso da criança/pessoa e se tiver dúvidas consulte o folheto informativo. A
utilização de qualquer tipo de pomadas ou outros produtos nas feridas e lesões da pele deve-se evitar
o contacto da abertura do produto com a ferida. Neste tipo de produtos deve-se respeitar o prazo de
validade que existe para depois de ele ter sido aberto.
O fenistil não deve ser usado em áreas extensas, especialmente se esta se apresentar em carne
viva ou inflamada. O soro fisiológico para a lavagem dos olhos e todo o material para tratamento de
feridas deve ser estéril.

Emprego abusivo dos medicamentos


A administração de medicamentos só deve ser efectuada mediante a apresentação de prescrição
ou declaração médica pelas famílias, e na ausência desta declaração, deve ser solicitado às famílias,
um termo de responsabilidade, identificando a forma e horário de administração do medicamento. O
responsável pela assistência deverá efectuar o registo da toma medicamentosa, e no final do dia deve
ser transmitida à família a informação relativa ao estado de saúde da criança e como decorreu a
administração de medicamentos da mesma.
Quando a administração de medicamentos envolve conhecimentos técnicos específicos ou a
execução de determinado procedimento, os colaboradores directamente envolvidos devem ter
formação adequada, como por exemplo, a administração de insulina, ou o que fazer perante um ataque
de epilepsia.

Os medicamentos devem ser guardados em local seguro, nas embalagens originais,


salvaguardando-se as suas condições de preservação e de validade. Em caso de suspeita de
sobredosagem medicamentosa active o 112 e leve a criança para o hospital, fazendo-se acompanhar,
se possível, pela embalagem do medicamento em causa.

Situações de higiene e limpeza

Após o tratamento de um acidentado numa escola, o espaço e o material/equipamento utilizado


deverá ser limpo, especialmente se estiver conspurcado com sangue. Assim, uma vez terminado o
tratamento de feridas com sangue deverá proceder-se à eliminação e/ou desinfecção do material e a
limpeza das superfícies ou locais eventualmente sujos com o mesmo. Quem procede a estas operações
deve manter sempre as mãos protegidas com luvas de borracha, e o material descartável utilizado no
tratamento das feridas (luvas, avental, compressas, ligaduras ou adesivo) deve ser removido para um
saco de plástico de parede dupla que deve ser atado firmemente, ao passo que o restante material
(pinças, tesouras, etc.) deve ser lavado com água e sabão e depois mergulhado em lixivia durante 30
minutos. À semelhança do material, todas as superfícies e locais manchados com sangue devem ser
cuidadosamente limpos e desinfectados, devendo-se para tal utilizar sempre luvas de borracha
descartáveis, devendo-se favorecer a absorção do sangue com material irrecuperável, como por
exemplo toalhetes de papel absorvente e depois, deve-se deitar por cima dos locais contaminados
lixivia pura (se possível a 10%) e deixar actuar durante 10 minutos. Finalmente, deve-se remover tudo
para um saco plástico adequado e fecha-lo com segurança, e lavar toda a superfície contaminada com
água.
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Tão importante é o procedimento, como o modo como este se realiza, assim, para realizar a
higienização da unidade, o profissional deverá usar equipamento de proteção individual adequado,
usar material adequado ao procedimento e à área a higienizar (baldes, panos, rodo, sacos e outros) e
remover da unidade todo o material clínico, resíduos e roupas contaminados e/ou desnecessários à
continuidade do tratamento. Para além disto deve preparar a diluição correcta para a lavagem e
substituir águas entre salas, iniciando a lavagem pelas superfícies altas (de cima para baixo) e
posteriormente os pavimentos (da zona mais limpa para a mais suja), do fundo da sala para a porta. As
superfícies altas e os pavimentos deverão ser desinfetados caso se tenha verificado derrame de fluídos
ou medicamentos.
Depois de lavar desinfectar todo o material utilizado, deve-se deixar a secar em posição
invertida. Na lavagem e desinfecção de instalações, materiais e equipamentos deve-se sempre seguir a
máxima “Mais vale uma boa lavagem, do que uma má desinfecção”.
Assim, devem-se seguir uma série de regras que têm com pressuposto permitir a realização de
uma limpeza e desinfecção correcta e segura de instalações, materiais e equipamentos. Dentro destes
pressupostos temos que devesse lavar antes de desinfetar, nunca se deve juntar detergente e
desinfetante, nunca juntar água quente ao desinfetante em pastilhas (Presept®), nunca juntar água ao
hipoclorito de sódio a 1%. Depois de desinfectar com hipoclorito de sódio a 1%, limpar a superfície
com água limpa.
Para uma correcta limpeza e desinfecção de instalações, materiais e equipamentos é necessário
sabermos as diferenças entre estes vários processos. Assim, a limpeza, é o processo de remoção de
sujidade por meios químicos, mecânicos ou térmicos. Este procedimento aplica-se às instalações,
incluindo pavimentos, janelas, tecto, varandas, mobiliário, equipamentos e outras estruturas similares.
Por sua vez, a desinfecção é o processo de destruição ou inativação de microrganismos na forma
vegetativa (geralmente não acuta nos esporos bacterianos) em superfícies inertes, mediante a
aplicação de agentes químicos ou físicos. Como tal, os desinfetantes, devem ser utilizados de forma
criteriosa, uma vez que são antimicrobianos, e consequentemente a sua utilização não deve ser
efectuada, por rotina, na desinfeção de superfícies, como por exemplo os pavimentos.

Os detergentes são substâncias tensioativas, solúveis em água e dotadas de capacidade de


emulsionar gorduras e manter os resíduos em suspensão, facilitando, desta forma, a remoção da
matéria orgânica das superfícies. Eles são geralmente utilizados para a limpeza de pavimentos,
equipamentos, utensílios e superfícies de trabalho.
A utilização de desinfetantes de uma forma rotineira não é aconselhada. Assim, o chão e outras
superfícies com grande utilização por parte de utentes e profissionais, devem ser apenas lavados com
água quente e detergente, não se aplicando desinfectantes por rotina. Os desinfetantes devem ser
utilizados exclusivamente nas situações de derrame/salpico de sangue ou de outra matéria orgânica.
A limpeza com água quente e detergente é adequada para as superfícies pois remove a maior
parte dos microrganismos, sendo igualmente importante, para que não haja contaminação e
multiplicação de microrganismos, que todas as superfícies limpas fiquem bem secas.
Durante a limpeza das superfícies, devem respeitar-se as seguintes orientações:
 Realizar a limpeza a húmido com água quente e detergente adequado;
 Este procedimento deve ser reforçado em zonas com manchas;
 Após a limpeza, as superfícies devem ficar o mais secas possível e nunca
“encharcadas”.

Depois do período de secagem, as superfícies que servem de apoio à preparação de


medicamentos e de técnicas que requerem assepsia, deverão ser desinfetadas com álcool a 70%.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Dentro de cada área (como por exemplo as salas de tratamentos) o pano deve ser exclusivo para cada
tipo de equipamento, de acordo com o SOP (Standart Operation Procedure).

Quando se fala de precauções básicas para a proteção individual contra a transmissão de


infecções, fala-se de adoção de boas práticas na prestação de cuidados, e a lavagem das mãos surge
habitualmente, com grande ênfase, como prática simples e de indiscutível valor preventivo. A higiene
das mãos é considerada a principal medida de grande impacto no controlo das infecções, já que, na
ausência de cuidados de higiene das mãos, quanto maior a duração da prestação de cuidados, maior o
grau de contaminação das mesmas. Assim, as mãos devem ser higienizadas imediatamente após
contacto directo com a vítima e após qualquer actividade da qual possa resultar contaminação das
mãos. A higienização das mãos deve ser minuciosa e seguir a técnica aconselhada consoante o tipo de
procedimento a desenvolver.
A lavagem das mãos tem uma dupla função na medida em que por um lado, protege a vítima e
por outro protege o socorrista de adquirir microrganismos prejudiciais à sua saúde. A Solução
Antisséptica de Base Alcoólica (SABA) deve ser a primeira escolha para a higiene das mãos, desde
que estas estejam visivelmente limpas e/ou isentas de matéria orgânica, devendo ser utilizada na
maioria dos procedimentos comuns na prestação de primeiros socorros. A lavagem das mãos com
água e sabão fica restrita às seguintes situações:
 Quando as mãos estão visivelmente sujas ou contaminadas com matéria orgânica;
 Nas situações consideradas sociais, como por exemplo, antes e após as refeições e após
a utilização das instalações sanitárias;
 Ao chegar e sair do local de trabalho.
Dependendo do fim, existem várias técnicas de higiene das mãos, no entanto, de modo a
simplificar a interpretação do vasto leque de conceitos sobre higiene das mãos, vamos definir dois
métodos diferentes, os quais dependem dos procedimentos a efectuar:
 Lavagem, na qual se efectua a higiene das mãos com água e sabão (comum ou com
antimicrobiano). Esta técnica aplica-se às situações em que as mãos estão visivelmente
sujas ou contaminadas com matéria orgânica, após prestação de primeiros socorros,
antes e após as refeições, após usar as instalações sanitárias. O procedimento demora
cerca de 60 segundos.
 Fricção anti-séptica, na qual se aplica um anti-séptico de base alcoólica para fricção
das mãos (a sua utilização não necessita de água nem de toalhetes). Esta técnica aplica-
se quando as mãos não estão visivelmente sujas ou com matéria orgânica. O
procedimento demora entre 15-30 segundos.

No entanto, antes de se proceder a lavagem das mãos propriamente dita, é preciso ter em
atenção os seguintes princípios gerais:
 Retirar jóias e adornos das mãos e antebraços antes de iniciar o dia ou turno de
trabalho, guardando-as em local seguro;
 Manter as unhas limpas, curtas, sem verniz. Não usar unhas artificiais na prestação de
cuidados;
 Aplicar corretamente o produto a usar;
 Friccionar as mãos respeitando a técnica, os tempos de contactos e as áreas a abranger
de acordo com os procedimentos a efectuar;
 Ter atenção especial aos espaços interdigitais, polpas dos dedos, dedo polegar e punho;
 Secar/deixar secar bem as mãos;
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

 Evitar recontaminar as mãos após a lavagem. Se a torneira for manual não tocar com as
mãos na torneira após a higienização, encerrando a mesma com um toalhete;
 Usar regularmente protetores da pele (creme dermoprotector);
 Se surgirem sinais de dermatite, consultar o Médico de Saúde Ocupacional.

O procedimento para a fricção com SABA é a seguinte:


 Aplicar o produto na palma de uma das mãos e friccionar, cobrindo toda a superfície
das mãos e dedos, até estas ficarem secas;
 Seguir as recomendações do fabricante quanto ao volume de produto a utilizar.

Figura 34 - Procedimento técnico para fricção com solução antisséptica de base alcoólica.

O procedimento para a lavagem das mãos com água e sabão é o seguinte:


 Molhar primeiro as mãos com água, uma vez que reduz o risco de dermatites;
 Aplicar nas mãos a quantidade de produto recomendada pelo fabricante;
 Friccionar vigorosamente durante pelo menos 15 segundos, cobrindo toda a superfície
das mãos e dedos;
 Enxaguar as mãos com água corrente;
 Secar rigorosamente as mãos com toalhete de uso único. Toalhas de tecido de uso
múltiplo ou utilizadas por múltiplos profissionais de saúde não são recomendadas nas
unidades de prestação de cuidados de saúde ;
 Se a torneira for manual, utilize o toalhete para fechar a torneira (evitar o uso de água
quente, porque a exposição frequente à água quente aumenta o risco de dermatites).
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Figura 35 - Procedimento técnico para a lavagem das mãos com água e sabão.

O uso de luvas pode ser um factor de risco para a não adesão à higiene das mãos, por isso, é
importante seguir algumas recomendações:
 O uso de luvas não substitui a necessidade de higiene das mãos seja com água e sabão
seja com solução alcoólica;
 Usar luvas sempre que antecipar que vai entrar em contacto com sangue ou outros
fluidos orgânicos, membranas mucosas ou pele não intacta (feridas).
 Remover as luvas após cuidar de um doente. Não usar o mesmo par de luvas para
cuidar mais do que um doente;
 Substituir as luvas quando cuidar de um local contaminado e passar para um local
limpo, no mesmo doente. Substituir as luvas após tocar um local contaminado e antes
de tocar num local limpo ou no ambiente.

Para além disto, o uso de luvas não substitui a necessidade de higienizar as mãos:
 Descalce as luvas para a higiene das mãos;
 Deite fora as luvas depois de cada tarefa e higienize as mãos - as luvas podem
transportar microrganismos;
 Use luvas apenas quando estiver indicado - de outra forma tornam-se um factor de
risco importante para transmissão de microrganismos.
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

ANEXOS
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Anexo 1

Cronograma do Curso de Primeiros Socorros: Tipos de acidentes e formas de atuação


Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Anexo 2 - Plano de Sessão

IDENTIFICAÇÃO DO CURSO
CURSO: AÇÃO N.º:
MÓDULO: SESSÃO N.º:
LOCAL DE CARGA HORÁRIA DA
REALIZAÇÃO: SESSÃO
FORMADOR/A: CARGA HORÁRIA DO
CURSO:
DESTINATÁRIOS

OBJETIVOS DA SESSÃO

MÉTODOS E TÉCNICAS EXERCÍCIOS/ATIVIDADES/ MATERIAIS E DURAÇÃ


FASES CONTEÚDOS AVALIAÇÃO
PEDAGÓGICAS TRABALHOS EQUIPAMENTOS O
INTRODUÇÃO
DESENVOLVIMENTO
CONCLUSÃO
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

ANEXO3
FOLHA DE PRESENÇAS
Curso: Data da sessão:
Módulo: Sessão nº:
Formador(a):

Objetivos da Sessão:

Nome do Formando Assinatura


Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Anexo 4
Grelha de Avaliação de Competências
Ação de Formação Domínio Técnico e Prático Domínio Comportamental Avaliação
“Saber-saber” e “saber-fazer” “saber-estar”
Nr Formando Aquisição de Domínio de Aplicação e Assiduidades e Atenção e Participação e Quantitativa qualitativa
conhecimentos competências execução de pontualidades compreensão assertividade
técnicas tarefas
35% 25% 10% 10% 10% 10%
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Anexo 5
AUTO AVALIAÇÃO DO FORMANDO

Formando(a): Data:

Classifique cada um dos tópicos que se seguem, respetivamente ao seu desempenho durante a formação, através
da seguinte escala:
I – Insuficiente ; S – Suficiente ; B – Bom ; E - Excelente

Autoavaliação do(a) Formando(a) I S B E


1.1. Assiduidade

1.2. Pontualidade

1.3. Atenção

1.4. Participação

1.5. Interesse

1.6. Compreensão

1.7. Trabalho desenvolvido

1.8. Avaliação prática

1.9. Avaliação Escrita


Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Anexo 6
AUTO AVALIAÇÃO DO FORMADOR
Formador(a): Data:

Classifique cada um dos tópicos que se seguem, respetivamente ao seu desempenho durante a formação, através
da seguinte escala:
I – Insuficiente ; S – Suficiente ; B – Bom ; E - Excelente

Autoavaliação do(a) Formador(a) I S B E


 Capacidade de transmitir os objetivos da sessão;
 Capacidade de transmissão de ideias de forma clara;

 Capacidade de orientação da mensagem;

 Domínio do vocabulário relativo ao tema;

 Capacidade de orientação para a concretização dos objetivos;

 Capacidade de motivar o grupo;

 Habilidade de animar o grupo;

 Capacidade de estimular a participação de todos os formandos;

 Capacidade de realizar sínteses;

 Aptidão de moderação nos debates;

 Capacidade de reação a situações que fujam ao planeado;

 Capacidade de responder a questões;

 Utilização de metodologia e recursos pedagógicos adequados.

Anexo 7
AVALIAÇÃO DO FORMADOR
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Formador(a): Data:
Formando(a)

Classifique cada um dos tópicos que se seguem, respetivamente ao desempenho do formador acima referido,
durante a formação, através da seguinte escala:
I – Insuficiente ; S – Suficiente ; B – Bom ; E - Excelente

Avaliação do(a) Formador(a) I S B E


 Capacidade de transmitir os objetivos da sessão;
 Capacidade de transmissão de ideias de forma clara;

 Capacidade de orientação da mensagem;

 Domínio do vocabulário relativo ao tema;


 Capacidade de orientação para a concretização dos objetivos;

 Capacidade de motivar o grupo;


 Habilidade de animar o grupo;
 Capacidade de estimular a participação de todos os formandos;

 Capacidade de realizar sínteses;

 Aptidão de moderação nos debates;


 Capacidade de reação a situações que fujam ao planeado;

 Capacidade de responder a questões;


 Utilização de metodologia e recursos pedagógicos adequados.

Anexo 8
AVALIAÇÃO DA AÇÃO DE FORMAÇÃO
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

Curso: Motricidade Orofacial em Terapia da Fala Data da sessão:

Formador(a):

Formando(a):

A sua opinião sobre a ação de formação que hoje termina é de extrema importância. Desta forma solicitamos que
responda às seguintes questões:
1- Discordo Totalmente; 2 – Discordo ; 3 – Concordo ; 4 – Concordo Totalmente

Avaliação da Ação de Formação 1 2 3 4


1. Interessante/útil para as funções que desempenho ou poderei vir a
desempenhar.
2. Bom aprofundamento dos conteúdos/temas abordados.

3. Abordagem adequada dos conteúdos/temas abordados.


4. Boa distribuição da carga horária.
5. Tempo destinado à exposição teórica adequada.
6. Tempo destinado à prática adequado.
7. Os métodos de avaliação foram os mais adequados.

Avaliação dos Recursos Didáticos e da Organização da


Formação 1 2 3 4
8. Qualidade e adequação da documentação apresentada/distribuída.

9. Os vídeos e imagens divulgados foram pertinentes.


10. A duração da ação de formação foi a adequada às temáticas e
necessidades dos formandos.
11. Boa qualidade e adequação dos suportes pedagógicos utilizados
(televisão, computador, apresentações, ...).
12. A avaliação geral dos formadores que ministraram a ação de formação
foi boa.
13. A entidade promotora (secretariado) deu todo o apoio necessário.

14. A qualidade das instalações e condições ambientais foram as


adequadas.

Relativamente às suas expectativas 1 2 3 4


15. As expectativas iniciais foram plenamente concretizadas
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação
Primeiros Socorros:
Tipos de Acidentes e formas de atuação

ANEXO 9
AVALIAÇÃO DA ENTIDADE FORMADORA
Entidade Formadora: Data:
Formando(a)

Classifique cada um dos tópicos que se seguem, respetivamente à entidade que lhe prestou esta
formação, tal como acima referido, através da seguinte escala: I – Insuficiente ; S – Suficiente ; B –
Bom ; E - Excelente
Avaliação da Entidade Formadora I S B E
 Disponibilidade dos técnicos
 Profissionalismo dos técnicos
 Esclarecimentos diversos prestados no âmbito do
funcionamento do curso
 Rapidez e eficácia na resposta a questões/problemas

 Apoio ao(à) formador(a) no decorrer da atividade

 Instalações

 Meios e Recursos didáticos disponíveis


 Prazos na entrega de materiais pedagógicos
requisitados

 Prazos de pagamento