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INTRODUÇÃO A

RADIOTERAPIA

PROFESSOR
HUMBERTO GABRIEL

A HISTÓRIA DA RADIOTERAPIA:
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A descoberta da radioatividade artificial (raios-X) ocorreu em 08 de novembro de 1895
por Wilhelm Conrad Roentgen e a da radioatividade natural em 1896 por Antoine Henri
Becquerel. Os pioneiros destas descobertas notaram que a radiação apresentava
propriedades físicas e biológicas.

A propriedade física mais notável se dava quando se colocava um objeto entre a fonte de
radiação (tubo de raios-X) e uma chapa fotográfica, pois esta era capaz de registrar a imagem
deste objeto. Foi este princípio que permitiu o desenvolvimento da radiologia.

Sua propriedade biológica mais importante se dava ao se expor parte de nosso organismo aos
novos raios. A exposição das mãos a radiação provocava dermatites (vermelhidão)
semelhantes às provocadas pelo sol, com posterior restituição a integridade tão logo esta
exposição fosse interrompida.

Presumia-se que esta tinha propriedade terapêutica semelhante a da luz solar.

O casal Pierre e Marie Curie ao tomarem conhecimento dos recentes artigos publicados por
Roentgen e por Becquerel decidiram por estudar este então enigmático fenômeno.

Em 29 de janeiro de 1896, pela primeira vez, uma paciente portadora de um volumoso


câncer de mama, sangrante e sem condições de cirurgia, foi submetida à exposição com os
recém-descobertos raios-X.

Houve uma surpreendente resposta com grande diminuição do volume tumoral e do


sangramento. Foi registrada pela primeira vez a benéfica ação da radiação, abrindo um novo
horizonte no tratamento de diversas patologias, que até então dependiam exclusivamente de
abordagem cirúrgica. Estava inaugurada a RADIOTERAPIA.

Na tese de doutorado em 1904, Marie Curie descreveu um experimento biológico, em que ela
colocava uma cápsula contendo o elemento Rádio no braço do seu esposo e deixava por
várias horas.

Ela disse que era produzido uma ferida que levava um mês para sarar.

Esta ferida não era uma “queimadura superficial”, o dano era muito mais profunda.

A possibilidade de usar o elemento Rádio para destruir o câncer foi reconhecida quase que
imediatamente.

CÂNCER:

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Carcinogênese é o estudo da origem das neoplasias.

Cada tecido tem um particular desenvolvimento devido à fisiologia de suas células.

A todo momomento o corpo tem reprodução celular, em algumas reproduções podem ocorrer
mutações genéticas nas células. Os fatores destas mutações são classificados como:

 Agentes promotores: fatores genéticos.


 Agentes indutores: fatores ambientais ou comportamentais (má alimentação, uso
excessivo do álcool, fumo, vírus, etc.).

Quando ocorre alguma mutação genética, são acionados linfócitos (células especializadas) e
algumas proteínas (Exemplo: proteína aP53). Estes linfócitos e proteínas são denominados
“guardiões do genoma” e exercem a função de controle da qualidade na reprodução celular.

A síntese (produção) destes “defensores” está diretamente relacionada com o sistema


imunológico.

O que é o Câncer?

A palavra Câncer tem origem no latim, cujo significado é caranguejo. Tem esse nome, pois as
células doentes atacam e se infiltram nas células sadias, como se fossem as garras de um
caranguejo.

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o
crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo
espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.

Dividindo-se rapidamente, estas células tendem a ser muito agressivas e incontroláveis,


determinando a formação de tumores (acúmulo de células cancerosas) ou neoplasias
malignas.

Como surge o Câncer?

As células que constituem os animais são formadas por três partes: a membrana celular, que é
a parte mais externa; o citoplasma (o corpo da célula); e o núcleo, que contêm os
cromossomos, que, por sua vez, são compostos de genes.

Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização, formas e
atividades das células no organismo.

Toda a informação genética encontra-se inscrita nos genes, numa "memória química" - o
ácido desoxirribonucleico (DNA). É através do DNA que os cromossomos passam as
informações para o funcionamento da célula.

Uma célula normal pode sofrer alterações no DNA dos genes.

É o que chamamos mutação genética. As células cujo material genético foi alterado passam a
receber instruções erradas para as suas atividades. As alterações podem ocorrer em genes
especiais, denominados, que a princípio são inativos em células normais.
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Quando ativados, os protooncogenes transformam-se em oncogenes, responsáveis pela
malignização (cancerização) das células normais. Essas células diferentes são denominadas
cancerosas.

TIPOS DE TUMORES:

Neoplasia, derivado do grego

 NEO = NOVO, e
 PLASIA = FORMAÇÃO.

Ou seja, Neoplasia significa formação de um tecido novo.

As Neoplasias são classificadas em benignas e malignas:

Um tumor benigno significa simplesmente uma massa localizada de células que se


multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo
um risco de vida.

Os diferentes tipos de câncer correspondem aos vários tipos de células do corpo. Por exemplo,
existem diversos tipos de câncer de pele porque a pele é formada de mais de um tipo de
célula.

 Se o câncer tem início em tecidos epiteliais como pele ou mucosa, é denominado


Carcinoma.

Os locais mais comuns de lesões do tipo carcinoma são: pele, boca, pulmão, mama, estômago,
colo de útero, próstata e pênis.

 Se começa em tecidos conjuntivos como osso, músculo ou cartilagem é chamado de


Sarcoma.

Sarcoma é um termo de origem grega que significa "crescimento carnoso”.

Os locais mais comuns de lesões do tipo sarcoma é no sangue (leucemia) e nos ossos
(Osteosarcoma).

Linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve nos linfonodos (ou gânglios). Ocorre
quando uma célula normal do sistema imunológico, encarregado de defender o organismo de
infecções, chamada linfócito, cresce desordenadamente, sem parar, e espalha-se pelos
linfonodos, em especial, pelos da região do pescoço, axilas e virilha, mas também pela
medula óssea, baço, fígado e trato gastrintestinal.

Outras características que diferenciam os diversos tipos de câncer entre si são a velocidade de
multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes,
chamamos essa capacidade de metástase.

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Oncologia:

É a especialidade médica que estuda os cancros (tumores malignos) e a forma de como


essas doenças desenvolvem-se no organismo, buscando seu tratamento.

Radioterapia

É um tratamento que se utiliza das radiações para destruir ou impedir que as células de um
tumor aumentem, faz uso da sensibilidade dos tumores quanto a essa radiação para o seu
tratamento. Pode ser usada em combinação com a quimioterapia.

Tipos de radiações Utilizadas

Existem vários tipos de radiação, porém as mais utilizadas são as eletromagnéticas (raios-X e
raios Gama) e os elétrons, disponíveis apenas em aceleradores lineares de alta energia.

Os materiais radioativos mais utilizados em Radioterapia são:

 Cobalto-60, Césio-137, Irídio-192, Iodo-125, Ouro-198 e Paládio-103.

Quando não é possível obter a cura, a Radioterapia pode contribuir para a melhoria da
qualidade de vida. As aplicações diminuem o tamanho do tumor, o que alivia a pressão, reduz
hemorragias, dores e outros sintomas, proporcionando alívio aos pacientes.

De acordo com a localização do tumor, a Radioterapia é feita de duas formas:

 Internamente: Onde o material radioativo é aplicado por meio de aparelhos que


ficam em contato com o organismo do paciente, chamada Radioterapia de Contato
ou Braquiterapia.

(Braqui = Perto e Terapia = Tratamento).

 Externamente: Onde as radiações são feitas através de aparelhos que ficam


afastados do paciente. É chamada Radioterapia Externa ou Teleterapia

(Tele = Distante e Terapia = Tratamento).

INDICAÇÕES DE RADIOTERAPIA:

A radioterapia pode ser utilizada no tratamento de lesões benignas e em lesões malignas.

 Doenças Benignas, exemplo: tumores da Hipófise, hemangioma (lesões vasculares),


cicatriz queloidiana, tumores da tireoide;
 Doenças Malignas, tumores malignos em geral.

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VANTAGENS DA RADIOTERAPIA:

 Metade dos pacientes com câncer são tratados com radiações, e é cada vez maior o
número de pessoas que ficam curadas com este tratamento;
 Para muitos pacientes, é um meio bastante eficaz, fazendo com que o tumor
desapareça e a doença fique controlada, ou até mesmo curada;
 Quando não é possível obter a cura, a radioterapia pode contribuir para a melhoria da
qualidade de vida. Isso porque as aplicações diminuem o tamanho do tumor, o que
alivia a pressão, reduz hemorragias, dores e outros sintomas, proporcionando alívio aos
pacientes.

DESVANTAGENS DA RADIOTERAPIA:

 A radioterapia pode causar uma variedade de efeitos colaterais. A maioria desses


efeitos colaterais não é grave e desaparece após a interrupção do tratamento.
 Esses efeitos colaterais incluem cansaço, reações cutâneas nas áreas tratadas, micção
frequente e dolorosa, irritação estomacal, diarréia e irritação ou sangramento retal.
 Quando a radioterapia é realizada com um equipamento externo, a impotência pode se
desenvolver em até 02 anos mais tarde em alguns pacientes e pode ser um efeito
colateral permanente.

Modalidades de Tratamento:

A finalidade da radioterapia varia entre neoadjuvante, adjuvante, curativa e paliativa, de


acordo com o quadro do paciente:

 Neoadjuvante ou Remissiva- Aplicada para diminuir o volume do tumor, com


objetivo de possibilitar ou facilitar a cirurgia, além de torná-la menos mutiladora e
permitir a preservação de um membro. Usada em tumores em reto baixo, sarcomas de
partes moles e estômago.
 Adjuvante - Quando a radioterapia é associada à quimioterapia ou a cirurgia. Aplicada
em regiões na cabeça e no pescoço, do colo e corpo uterino, pulmão, esôfago,sistema
nervoso central (SNC), mama, linfomas etc.
 Radical ou Curativa - Quando a radioterapia é considerada a principal arma no
combate ao câncer, podendo também ser associada à quimioterapia ou utilizada em
casos nos quais a cirurgia não é possível ou muito arriscada para o paciente. Aplicada
em regiões na cabeça e no pescoço, tumores localmente avançados do colo e corpo
uterino, canal anal, pulmão, esôfago, sistema nervoso central (SNC), etc.
 Paliativa - Para melhorar a qualidade de vida do paciente, propiciando melhora da dor,
redução de sangramento ou de outros sintomas.
 Profilática: Quando trata a doença em fase subclínica, ou seja, não há volume tumoral
presente, mas possíveis células neoplásicas dispersas;
 Ablativa: Quando se administra a radiação para suprimir a função de um órgão.

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EQUIPAMENTOS UTILIZADOS EM RADIOTERPIA:

BRAQUITERAPIA:

Técnica na qual, o material radioativo, na forma de sementes, fios ou placas, fica em contato
direto com o tumor. Para sua realização é necessária fazer simulação prévia, seja por meio de
técnica convencional ou tridimensional. Indicado para tratar casos de próstata, retinoblastoma
e na ginecologia.

Aplicação da Braquiterapia:

 Intracavitária: Quando o material radioativo é colocado em cavidades naturais do


organismo. Esta aplicação é utilizada por exemplo em tumores: ginecológico, pulmão,
brônquio, esôfago, ductos biliares.
 Intersticial: Quando a fonte é transfixada nos tecidos. Exemplos: mama, sarcomas de
membros, língua, próstata, etc.
 Superficial: Nesta aplicação são utilizados moldes ou placas, utilizadapor exemplo em
tumores de cavidade oral e peleManual pura: o material é colocado diretamente no
tecido alvo.
 Afterloading Manual ou Pós-Carga: Cateteres ou aplicadores são colocados e então
o material é inserido nesses guias, manualmente.
 Remote Afterloading ou Pós-Carga por Controle Remoto: Cateteres são
colocados, e então o material é inserido mecanicamente no local a ser tratado.
A vantagem da Braquiterapia é que aplica-se uma dose de radiação muito grande ao tumor,
com o mínimo espalhamento para os tecidos vizinhos normais.

De acordo com a Taxa de Dose:

 Baixa Taxa de Dose (LDR - Low Dose Rate)

Também conhecida como braquiterapia convencional de baixa taxa de dose, geralmente


é um tratamento único, com a liberação da dose ao longo de horas ou dias. Requer internação
e isolamento e a colocação dos aplicadores ou material radioativo. É realizada sob anestesia ou
sedação do paciente.

 Braquiterapia de Alta Taxa de Dose (HDR, high-dose rate).

O elemento radioativo possui alta atividade, e portanto, libera alta dose de radiação em um
curto espaço de tempo. Com isso as aplicações são rápidas e o tempo de tratamento total é
muito menor do que com a braquiterapia convencional de baixa taxa de dose. O
tratamento é fracionado e não requer internação nem anestesia.

Na braquiterapia de alta taxa de dose, depois de inseridos os cateteres, o paciente é


radiografado para o cálculo da dose em sistema computadorizado. Para tal utilizam-se
marcadores metálicos que possibilitam a identificação dos cateteres nas radiografias, esses
dados são então digitalizados no sistema de cálculo para o físico definir os tempos e doses de
tratamento.

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Modo de Aplicação dos Implantes:

 Implantes Permanentes: A fonte de radiação é perene (douradoura) no paciente,


nele decaindo o tempo de meia vida. Normalmente utilizam-se isótopos de meia vida
curta como o Iodo-125, cujo tempo de meia vida 60,1 dias e o Ouro-198 que tem o
tempo de meia vida 64,7 horas.
 Implantes Temporários: São removidos após o tratamento. Existe um melhor
controle da dose no volume alvo (tumor), pelo planejamento pós-inserção. Os isótopos
radioativos utilizados são o Césio-137 que substitui o Rádio-226 e tem o tempo de
meia vida de 30 anos, além do Irídio-192 cujo tempo de meia vida é de 73 dias.

TELETERAPIA:

Como já estudamos anteriormente a Teleterapia consiste na utilização de aparelhos emissores


de radiação, que estão distantes (à alguns centímetros) do paciente. São exemplos de
Teleterapia:

1. Radioterapia Superficial ou Ortovoltagem;


2. Cobaltoterapia;
3. Acelerador linear.

1. Radioterapia Superficial ou Ortovoltagem*.

*Aplicação da voltagem correta ou adequada para obter uma imagem de qualidade.

Emprega aparelhos emissores de raios-X de baixo poder de penetração, e são também


chamados de aparelhos de radioterapia convencional. São utilizados para o tratamento de
lesões superficiais, especialmente os tumores de pele.

Até 1940 os radioterapeutas tinham poucas opções de escolha no tipo de fonte de radiação
que era usado no tratamento de combate ao câncer;

A terapia externa era aplicada com unidades de raio-X de ortovoltagem que tinham um
potencial máximo de 250 kVp, raramente encontrávamos em centros médicos unidades de
400 kVp. Após a II Guerra Mundial vários desenvolvimentos significativos foram feitos nas
máquinas de terapia. Atualmente este tipo de irradiação vem sendo substituído pela
Eletronterapia, isto é, por feixes de elétrons com energia entre 04 e 10MeV (Milhões de
elétrons-Volt), obtidos com Aceleradores Lineares. Com feixe de elétrons de 16MeV pode-
se tratar lesões com até cerca de 05cm de profundidade.Aparelho de

Radioterapia Superficial (Ortovoltagem).

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2. Cobaltoterapia:

Utiliza radiação proveniente de um isótopo, o Cobalto-60. Este é produzido artificialmente


pelo bombardeamento do isótopo Cobalto-59 por nêutrons em um reator atômico. O
Cobalto-60 é encapsulado e colocado na cabeça do aparelho de telecobaltoterapia,
emitindo raios Gama. Uma abertura controlável na cápsula permite a passagem da radiação
até o paciente. O Cobalto-60 tem tempo de meia vida de 5,4 anos.

Alguns serviços mais antigos usavam fontes de Césio-137, cujo tempo de meia vida é de 30
anos, porém estas fontes não são mais recomendadas.

Cobaltoterapia: Arquitetura e funcionamento

O aparelho de Cobaltoterapia é constituído por:

1. Gantry;
2. Cabeçote;
3. Colimador e
4. Mesa.
Equipamento de Cobaltoterapia.

1. Gantry - Trata-se do corpo do aparelho, possui liberdade de movimentos e realiza giro


em torno do próprio eixo em 360º;
2. Cabeçote ou braço - peça construída em chumbo fundido, pesando aproximadamente
150 kg, onde estão localizadas o dispositivo de movimentação da fonte e o colimador;
3. Colimador - sistema composto de blocos móveis confeccionados em chumbo, urânio
ou tungstênio, responsável pela delimitação do campo divergente de radiações.

Uma fonte de Cobalto-60 de teleterapia deve ser trocada pelo menos a cada 08 anos.
Entretanto, deve ser dito que aparelhos de Cobalto-60 necessitam de menos manutenção que
os aceleradores lineares.

4. Mesa - É o dispositivo onde o paciente é acomodado. É rígida, plana e possui liberdade


de se movimentar para cima e para baixo, para a esquerda e direita, no sentido
longitudinal (caudal e cefálico) além de girar 270º em torno de seu eixo.
3. Acelerador Linear:

É um equipamento eletroeletrônico que emite radiação artificialmente produzida, pela


aceleração de elétrons, que ao se interagir com um alvo, geralmente de tungstênio, produz
raios-X.

Quanto mais alta a energia do aparelho, medida em MeV (Milhões de elétrons-Volt), maior
a profundidade de penetração nos tecidos. O Cobalto e os Aceleradores Lineares são
denominados de aparelhos de Megavoltagem.

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Podem funcionar de maneira estática ou girarem durante o tratamento. São colocados em
salas com proteções especiais. O paciente é posicionado na mesa de tratamento e o aparelho é
operado de fora da sala.

Um circuito interno de TV permite monitorar o paciente durante todo o tratamento.

Acelerador Linear para Radioterapia.

SIMULAÇÃO PARA RADIOTERAPIA:

A simulação é o primeiro passo importante na determinação da área e do volume de tecido a


ser tratado. Essa informação é carregada em um programa de computador sofisticado, para
ajudar a determinar os vários ângulos e a profundidade do tratamento.

Tatuagens permanentes e distintas estão em grande parte substituindo as múltiplas e óbvias


marcações na pele que eram necessárias para tratamento de radioterapia.

Se a área de tratamento é a região da cabeça ou do pescoço exposta, as marcações são feitas


em uma máscara especialmente projetada e estreitamente ajustada.

Simulador para Tratamento por Teleterapia:

Modernamente o planejamento da teleterapia passa obrigatoriamente pela fase de simulação,


onde o paciente é posicionado em um simulador (convencional ou TC simulador) e são
estabelecidos os parâmetros básicos de tratamento.

Simulador de tratamento.

O simulador nada mais é do que um equipamento de raios-X


diagnóstico com as mesmas características e movimentos de um Acelerador Linear.

É durante a simulação que é definido o posicionamento onde o paciente permanecerá durante


todo o tratamento e os acessórios que tornarão a reprodutibilidade diária possível.

A tomografia computadorizada (TC), por não distorcer as imagens, permite uma alta
precisão na definição da localização das estruturas normais e dos alvos de tratamento. Ela
permite que se saiba com precisão onde está cada estrutura a ser tratada ou protegida.

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Estes tratamentos vão ser classificados como tridimensionais (3D) e, caso planejados por
programas de radioterapia conformacional, são chamados de Radioterapia Conformada
Tridimensional.

TC Simulador.

A EQUIPE MULTIDISCIPLINAR DE RADIOTERAPIA:

A equipe de profissionais da sala de Radioterapia e suas responsabilidades gerais são:

Oncologista (Radioterapeuta)
É um médico especializado em tratar tumores malignos com radiações ionizantes.
Cabem ao radioterapeuta as funções de avaliar o caso clínico do paciente, planejar a
radioterapia, monitorar a resposta e os efeitos colaterais do tratamento, proceder os ajustes e
modificações técnicas quando necessário e certificar-se que o tratamento está sendo realizado
dentro do melhor controle de qualidade disponível.

Dosimetrista Médico:
Médico especializado em dosimetria, define o plano para obtenção da dosagem desejada para
o tecido canceroso como determinado pelo médico oncologista.

Físico de Radiação Médica:


É um físico especializado em Física Médica, que trabalha em estreita colaboração com o
radioterapeuta. Este profissional desenvolve os programas de controle de qualidade
dos equipamentos, certificando-se que eles estão funcionando apropriadamente. Também é o
responsável pelo cálculo da dose prescrita pelo médico, certificando-se que a doença receberá
a quantidade exata de radiação.

Técnico e Tecnólogo em Radioterapia


É o profissional que executa os procedimentos operacionais nos equipamentos de radioterapia
com os pacientes após a conclusão do planejamento e a prescrição das doses realizadas pelo
médico sob a supervisão do mesmo.
É responsável pela obtenção de radiografias preliminares das regiões afetadas.

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Este profissional deve possuir boa capacidade de comunicação e empatia, além de interagir
efetivamente com os pacientes e com outros membros da equipe de assistência médica. É
imprescindível a capacidade de compreensão de que os pacientes tratados regularmente, tem
uma doença potencialmente terminal.
Enfermeiro de radioterapia
É um profissional formado por curso superior de Enfermagem que auxilia a esclarecer o
paciente e sua família sobre aspectos relacionados à doença e ao tratamento, colabora no
preparo do paciente para exames físicos e demais procedimentos médicos, além de prover
recursos para suporte técnico emocional quando necessário.

ETAPAS DO TRATAMENTO RADIOTERÁPICO:

Consulta para avaliação de Radioterapia:

É a avaliação do paciente em uma consulta com um médico Oncologista.

O diagnóstico e a escolha do tratamento é a primeira etapa do planejamento para


Radioterapia.

 O médico analisa a necessidade do tratamento radioterápico e pode solicitar ao


paciente que traga exames realizados anteriormente ou que faça mais exames caso
persistam dúvidas com relação à indicação do tratamento. Os familiares e o paciente
recebem orientações relacionadas com o seu tratamento, e agendam a simulação do
tratamento através da Tomografia Computadorizada (TC simulador);
 A seguir o médico escolhe o tipo de terapia que será usado para o tratamento.
Dependendo da profundidade do tumor também é definida a qualidade (fótons ou
partículas) da radiação administrada e o equipamento mais adequado dentre os
disponíveis;
 Feito o diagnóstico, escolhida a terapia e a qualidade da radiação, determina-se o
campo de irradiação, a área da superfície do paciente que se pretende irradiar.

A escolha do tamanho do campo depende da dimensão do tumor e do volume a ser irradiado.

O volume alvo é o volume de tecido que engloba o tumor com uma certa margem de
segurança definida pelo médico.

 A seguir faz-se a prescrição da dose e do fracionamento. A dose e o fracionamento


dependem de vários fatores (tamanho do tumor, região anatômica, histologia etc.).

Aquisição de imagens com tomografia para programação do tratamento:

 A tomografia de programação é realizada em dia e horário marcados com o paciente na


posição de tratamento;

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 O tomógrafo helicoidal reproduz todos os movimentos do acelerador linear (aparelho
que realiza o tratamento radioterápico) e que também está ligado por rede ao sistema
de planejamento 3D da radioterapia.

Programação do tratamento no Sistema de Planejamento Eclipse:

O Sistema de Planejamento é o cérebro de um serviço de Radioterapia, permitindo ao físico


médico e ao radioterapeuta o estudo de múltiplas alternativas de tratamento.

No sistema de planejamento faz-se o estudo da distribuição da radiação que atinge o volume


alvo do tratamento (tumor), permitindo escolher a alternativa que mais poupe os tecidos
sadios adjacentes.

Como parte do planejamento da radioterapia também se faz a distribuição dos multileafs


(lâminas que moldam o tamanho e formato do campo de radioterapia) no campo de
tratamento, protegendo as áreas que não devem ser irradiadas.

A - Tumor.

B - Volume tumoral.

C - Volume alvo.

D - Volume de tratamento.

Transferência de dados do planejamento para o acelerador linear:

 Tamanho e posição de todos os campos de tratamento;


 Localização dos multileafs (lâminas que moldam o tamanho e o formato do campo de
radioterapia);

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 Posicionamento do aparelho e da mesa de tratamento.

Verificação do posicionamento do paciente e dos campos de tratamento no


acelerador linear (aparelho de tratamento radioterápico):

Exemplo de diagnóstico e escolha de tratamento

 Patologia: Câncer de pulmão.


 Diagnóstico Geral: História clínica do paciente e exame físico. Diagnóstico histológico
através de exame citológico de escarro, broncoscopia com biópsia, punção transtoráxica
por agulha orientada por tomografia computadorizada etc.
 Tratamento: Depende dos estádio clínico do tumor: cirurgia, radioterapia, radioterapia
pré-operatória, radioterapia pós-operatória e quimioterapia.
 Radioterapia: Dose total geralmente de 50 a 60 Gy (Gray), com fracionamento diários
de 2.0 Gy, cinco vezes por semana.

Tratamento no Acelerador Linear e Controle com obtenção de imagens diárias:

Durante a radioterapia o paciente passará por uma avaliação semanal com o médico
radioterapeuta para avaliação clínica, acompanhamento do tratamento e prescrição de
medicamentos, se indicado. Caso seja necessário poderá ser realizada mais uma consulta
clínica de revisão por semana.

 Com o término da radioterapia o paciente é reencaminhado ao médico de


origem com relatório detalhado do tratamento.

Perguntas frequentes:

Quanto tempo dura cada irradiação?

 Em torno de sete a quinze minutos.

Durante quanto tempo o paciente é submetido à irradiação?

 Em média de seis a seis semanas e meia, de segunda a sexta-feira. Só em casos


expecíficos o tratamento é mantido nos sábados e domingos.

Quais são os efeitos colaterais mais comuns?

A radioterapia tem efeito basicamente local, diretamente relacionado com o órgão que está
sendo irradiado. Por exemplo:

 Se a região irradiada for a boca, pode ocorrer mucosite, que é uma inflamação da
mucosa bucal;
 Radiação nas glândulas parótidas diminui a secreção salivar (xerostomia) e o paciente
tem dificuldade para engolir;

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 Se o alvo for um tumor no ânus, a vagina pode ficar irritada e sensível durante a
micção.

De qualquer maneira, provoca nos pacientes o chamado mal das radiações, ou seja, a
astenia* . Tudo volta ao normal quando termina o tratamento.

*Astenia  é um termo médico para designar uma fraqueza orgânica, porém sem perda
real da capacidade muscular. Caso ocorra perda muscular, passa a ser chamado
de miastenia.

EFEITOS BIOLÓGICOS DAS RADIAÇÕES IONIZANTES:

Quando a radiação passa através do corpo humano em altas doses, quatro tipos de eventos
podem ocorrer:

 A radiação passa próximo ou através da célula sem produzir dano;


 A radiação danifica a célula, mas ela é reparada adequadamente;
 A radiação mata a célula ou a torna incapaz de se reproduzir;
 O núcleo da célula é lesado, sem, no entanto, provocar morte celular. A célula
sobrevive e se reproduz na sua forma modificada, podendo-se diagnosticar, anos mais
tarde, células malignas nesse local.

Características da Radiação:

 Tempo de latência: ocorre no período de exposição, se a dose for alta, ou


gradativamente, após doses pequenas e grandes períodos de exposição;
 Reversibilidade: os danos podem ser reversíveis, se não ocorrer necrose celular
(morte celular);
 Transmissibilidade: as alterações não são transmissíveis, a não ser que afetem os
órgãos reprodutores e alterem o conteúdo genético;
 Radiossensibilidade e Quantidade de Dose de Raios-X: o tempo de exposição de
cada órgão tem uma resposta diferenciada, dependendo do seu grau de reprodução
celular.

Classificação dos Efeitos Biológicos:

Classificação segundo a Dose Absorvida: Determinísticos e Estocásticos

 Efeitos determinísticos: Existe limiar de dose: os danos só aparecem a partir de uma


determinada dose, (p. ex., anemia, e catarata);
 Efeitos estocásticos: são causados em função da dose; sem a existência de limiar
(p. ex., câncer e efeitos hereditários). Portanto, são efeitos em que a probabilidade de
ocorrência é proporcional à dose de radiação recebida.

Classificação segundo ao Nível de dano: Somáticos ou Hereditário

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 Efeitos somáticos (tardios ou imediatos): são alterações que ocorrem na célula e
se manifestam no indivíduo irradiado, não sendo transmitida aos seus descendentes.
Pode-se esperar restauração parcial ou total das células. Os somáticos tardios ocorrem
quando a manifestação aparece muitos anos após a exposição aos raios X; os imediatos
ocorrem quando a exposição aos raios X é aguda (dose alta recebida em um curto
espaço de tempo) e a manifestação aparece no momento da exposição;
 Efeitos hereditários (ou genéticos): podem ocorrer quando as células do ovário
(óvulos) ou dos testículos (espermatozóides) forem irradiadas. Se o óvulo ou o
espermatozoide danificado for usado na concepção, todas as células do organismo novo
conterão o defeito reproduzido pela radiação, esses efeitos são transmitidos aos
descendentes, como por exemplo:
 Albinismo;
 Síndrome de Down;
 Hemofilia (distúrbio na coagulação do sangue);
 Daltonismo (incapacidade de diferenciar todas ou algumas cores, principalmente o
verde do vermelho), entre outras.

Respostas às Radiações em Diferentes Sistemas do Corpo Humano:

A ação das radiações no organismo humano produzem uma série de efeitos, que representam
danos diferentes para cada região afetada.

Os tecidos mais sensíveis à radiação são os da medula óssea, tecido linfóide, órgãos genitais,
sistema gastro-intestinal e do baço.

A pele e os pulmões mostram sensibilidade média, enquanto que os músculos, tecidos


neuronais e os ossos plenamente desenvolvidos são os menos sensíveis.

A seguir, um resumo dos sintomas clínicos, relativos aos efeitos biológicos imediatos mais
prováveis na irradiação de corpo inteiro, com doses agudas de radiação:

 Sangue: Os glóbulos brancos (também conhecidos como leucócitos) do sangue são as


primeiras células a serem destruídas pela exposição, provocando leucopenia
(diminuição dos leucócitos) e reduzindo a imunidade do organismo. Uma semana após
uma irradiação severa as plaquetas começam a desaparecer, e o sangue não coagula.
Sete semanas após, começa a perda de células vermelhas, acarretando anemia e
enfraquecimento do organismo.
 Sistema linfático: O baço constitui a maior massa de tecido linfático, e sua principal
função é a de estocar as células vermelhas mortas do sangue. As células linfáticas são
extremamente sensíveis à radiação e podem ser danificadas ou mortas quando
expostas.
 Canal alimentar: Os primeiros efeitos da radiação são a produção de secreção e
descontinuidade na confecção de células. Os sintomas são náuseas, vômitos e úlceras
no caso de exposição muito intensa.
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 Glândula Tireóide: Essa glândula não é considerada sensível à radiação externa, mas
concentra internamente Iodo-131 (radioativo) quando ingerido, o que causa o
decréscimo da produção de tiroxina (T4), que é um importante hormônio tiroidal
sintetizado pela glândula tireóide e lançado na corrente sanguínea. Como consequência,
o metabolismo basal é diminuído e os tecidos musculares deixam de absorver o
oxigênio necessário.
 Sistema urinário: A existência de sangue na urina, após uma exposição, é uma
indicação de que os rins foram atingidos severamente. Danos menores nos rins são
indicados pelo aumento de aminoácidos na urina.
 Ossos: A radiação externa tem pequena influência sobre as células dos ossos, fibras e
sais de cálcio, mas afeta fortemente a medula vermelha.
 Olhos: Ao contrário de outras células, as das lentes dos olhos não são auto-
recuperáveis. Quando estas células são danificadas ou morrem, há formação de
catarata, ocorrendo perda de transparência dessas células. Os nêutrons e raios g são os
maiores indutores de catarata.
 Órgãos reprodutores: Doses grandes de radiação podem produzir esterilidade, tanto
temporariamente como permanente. A sensibilidade de gestantes é maior entre o 7º e
o 9º mês de gestação. Nas mulheres grávidas que foram expostas às radiações no
Japão durante o episódio em que duas bombas atômicas foram lançadas sobre aquele
país, houve um aumento significativo de partos retardados e mortes prematuras.

Fonte: www.fsc.ufsc.br (Universidade Federal de Santa Catarina).

REFERÊNCIAS

BONTRAGER, Kenneth L. – Tratado de Técnica Radiológica e Base Anatômica. 5ª edição,


Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 2003.

BRENTANI, M.M., COELHO F.R.G, et. – Bases da Oncologia. Editora Lemar, São Paulo, 1998.

NOVELLINE, Robert A. Fundamentos de Radiologia de Squire. 3ª edição, Editora Artmed. São


Paulo, 1999.

www.lucianosantarita.pro.br/Arquivos/Notas_aula_radioterapia_2009.pdf

www.prorad.com.br/cursos/Cursos/radioterapia.

www.einstein.br/Hospital/oncologia

www.radioterapiamaterdei.com.br

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