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Introdução ao Dimensionamento

de Estruturas de Aço Leve


O Que São Estruturas de Aço Leve?
Estruturas de aço leve são estruturas que se baseiam na utilização de aço enformado a frio como seu
elemento principal. Em vez de uma estrutura de betão armado ou metálica com elementos
laminados a quente (mais robustos, com espessuras de chapa superiores), as estruturas em aço leve
utilizam centenas de perfis metálicos em aço enformado a frio. O termo aço leve é relativo à
ligeireza que estes elementos apresentam nas suas chapas constituintes (cerca de 2 a 3 mm de
espessura), pois a densidade do aço é constante no valor de 7850 kg/m 3.

Figura 1 – Esquema simplificado do processo de fabrico de um enformado a frio;

Formalmente, a utilização de estruturas de aço leve esteve limitada durante muito tempo a
produtos nos quais a redução de peso era de importância máxima, e.g., na indústria automóvel e
aeronáutica. Na indústria da construção, perfis enformados a frio são utilizados como elementos
não-estruturais há mais de cem anos.
Graças à investigação sistemática realizada durante as últimas décadas, assim como melhorias no
processo de fabrico, melhorias na proteção contra corrosão, aumento da capacidade mecânica do
aço e à existência de regulamentos estruturais com fundamentos teórico-práticos consolidados, é
hoje possível uma maior utilização do aço leve na indústria da construção. Em muitos países, as
estruturas de aço leve têm uma posição sólida no mercado de aço estrutural.

Secções Típicas e Diferentes Utilizações


Os perfis enformados a frio são elementos prismáticos, de espessura de chapa constante, formados
por uma sequência de subelementos planos e com dobras. A forma da secção tem o objetivo de
obter uma boa performance mecânica para as solicitações específicas do elemento. Nas figuras
seguintes temos diferentes secções utilizadas, escolhidas de acordo com a solicitação mecânica a
que são sujeitas. A Figura 3 mostra elementos normalmente utilizados nas coberturas, a Figura 4
mostra elementos utilizados para pilares e a Figura 5 mostra elementos utilizados para vigas.

Figura 2 – Elementos enformados a frio básicos;

Figura 3 - Elementos estruturais utilizados para madres de cobertura;

Figura 4 - Elementos estruturais para resistir a cargas de compressão e tração, utilizadas em elementos verticais;
Figura 5 - Elementos estruturais para resistir a momentos fletores, normalmente utilizadas em vigas;

De realçar que uma das características de perfis enformados a frio é que as partes esbeltas em
compressão são reforçadas por dobras, que atrasam ou previnem a encurvadura. Por esta razão,
estas dobras são denominadas “reforços” da secção.

Vantagens da Utilização de Perfis Enformados a Frio


A utilização de perfis enformados a frio oferece várias vantagens face à utilização de elementos
metálicos convencionais, designadamente:
 A forma da secção pode ser otimizada para um aproveitamento máximo do material;
 Elementos enformados a frio, quando devidamente combinados com chapas planas,
oferecem soluções económicas que garantem um espaço impermeável e travamento lateral
contra encurvadura. Pavilhões industriais leves (Figura 6), construídos com perfis
enformados a frio e chapas planas são um exemplo da combinação dos dois efeitos;
 Peso da estrutura reduzido, que pode ser vantajoso em áreas sísmicas;
 Fácil execução.
Figura 6 - Pavilhão industrial com componentes enformadas a frio e chapas de fachada;

Material Utilizado
O tipo de aço utilizado deve estar preparado para o processo de fabrico e, caso necessário, para
galvanização. Para elementos enformados a frio e chapas planas, é preferível utilizar aço galvanizado
continuamente enformado com tensões de cedência de 280-320-350 N/mm 2 e com um
alongamento de pelo menos 10% para uma banda de 12,5 mm de largura.
No que toca à proteção à corrosão, em condições normais, a proteção de zinco Z275 é suficiente; no
entanto, em ambientes mais corrosivos uma proteção superior deve ser utilizada. Proteções
contínuas em zinco são normalmente limitadas a espessuras de 3,5 mm, e para uma maior espessura
do revestimento serão necessários métodos de galvanização diferentes.

Efeitos da Dobragem a Frio


A dobragem a frio faz com que as propriedades geométricas dos elementos sejam variadas. É, na
verdade, possível influenciar a capacidade mecânica do elemento (resistência, rigidez e modos de
rotura) pela introdução de reforços intermédios ou garantindo rácios adequados de comprimento-
espessura em partes planas adjacentes da secção.
Tendo em conta que a dobragem a frio envolve efeitos de endurecimento, a resistência
característica, resistência última e ductilidade são localmente afetadas. Este efeito é variável
dependendo do raio de dobragem, da espessura da chapa e do tipo de aço. Posto isto, podemos
afirmar que a tensão de cedência média da secção depende do número de cantos da secção e da
largura dos elementos planos. Na Figura 7 temos um esquema do efeito da dobragem a frio na
tensão de cedência (yield stress).

Figura 7 – Exemplo do efeito de dobragem a frio na tensão de cedência;

Como podemos ver a tensão de cedência pode aumentar até 150% da tensão inicial pelo processo
de endurecimento.
Para além disto, durante a dobragem podemos também induzir tensões residuais nos elementos.
Efeitos favoráveis podem ser obtidos se as tensões residuais forem induzidas em partes da secção
transversal que vão ser sujeitas a compressão e, ao mesmo tempo, são suscetíveis de encurvadura
local.

Comportamento Característico
Comparativamente a elementos metálicos convencionais os elementos enformados a frio são
caracterizados por:
 Rácios superiores de largura-espessura;
 Imperfeições geométricas da mesma ordem da espessura das chapas dos elementos;
 Imperfeições causadas pelo processo de dobragem das chapas.
Posto isto, diferentes considerações são necessárias no dimensionamento destas secções:
 Efeitos de encurvadura local na estabilidade global de um elemento;
 Encurvadura lateral combinada com encurvadura torsional;
 Efeitos de shear lag;
 Efeitos das tensões residuais nos elementos da secção.
À medida que a carga de solicitação aumenta, os elementos de secção são geralmente sujeitos a
tensões não lineares, normalmente combinadas com deformações fora do plano das diferentes
chapas. Existe também a possibilidade de diferentes modos de rotura, particularmente se a secção
com chapas planas em compressão não for reforçada.
Posto isto, os reforços nas chapas podem ter uma influência importante na resistência da secção. A
influência destes reforços na capacidade da secção é ilustrada na figura seguinte, onde a mesma
secção é reforçada 1 e 2 vezes.

Figura 8 - Capacidade de carga com secção reforçado com dobras;

Encurvadura Lateral e o Conceito de Largura Efetiva


O efeito de encurvadura local em membros comprimidos de uma secção muitas vezes determina o
comportamento de uma secção. A solução teórica deste problema, tendo em consideração o
comportamento pós-encurvadura, não é prático para dimensionamento, tendo em conta a
complexidade associada. Por estas razões, um modelo de largura efetiva foi desenvolvido,
facilitando a análise para este efeito.
Pela distribuição de tensões de uma chapa simplesmente apoiada na fase pós encurvadura, as
tensões vão estar concentradas ao longo dos apoios lineares da chapa. Deste modo, a carga última
pode ser determinada por uma tensão uniforme distribuída numa largura efetiva, ignorando as
tensões intermédias. Esta largura efetiva depende da tensão critica de encurvadura e da tensão de
cedência do material. A expressão para a largura efetiva (b ef) foi proposta por Von Karman e depois
alterada por Winter.

Figura 9 – Largura efetiva;

Onde necessário, as larguras efetivas (inferiores às larguras nominais) devem ser utilizadas para
determinar as propriedades da secção, e.g., área efetiva (A eff), inércia efetiva (Ieff) e módulo efetivo
da secção (Weff).

Secções Efetivas
O primeiro passo para analisar uma secção é avaliar a largura efetiva tendo em conta a distribuição
de esforços. De seguida, devemos calcular as propriedades geométricas da secção efetiva, tendo em
conta a posição do eixo neutro. A Figura 10 apresenta um esquema simplificado deste processo.
Figura 10 - Exemplo de determinação da secção efetiva;

Se a secção for carregada por uma força de compressão no centro de gravidade, a secção efetiva
tem de ser determinada relativamente a essa carga de compressão pois, efetivamente, o que
acontece é uma alteração da posição do eixo neutro, que vai criar momentos fletores adicionais. Isto
implica que secções onde o eixo neutro efetivo alterou de posição devam ser verificadas para flexão
composta, combinando o esfoço axial da secção com o momento fletor fruto desta excentricidade.
Na Figura 11 temos um esquema simplificado que mostra uma secção bruta que, após a
determinação da secção efetiva, fica com a carga axial excêntrica face (excentricidade igual a “e”).

Figura 11 - Secção transversal sujeita a compressão;

Encurvadura e Esmagamento da Alma


Encurvadura da alma pode ser causada por compressão de momentos fletores ou até por tensão de
corte acima da carga crítica de encurvadura. Nos dois casos, a resistência à encurvadura depende da
esbelteza da alma. Para uma tensão de cedência da ordem dos f y=320 N/mm2, as almas estão mais
sujeitas a encurvadura se sw/t>80 (sw é a altura da alma e t é a sua espessura) para flexão pura e
sw/t>60 para corte puro. De qualquer das formas, encurvadura da alma não implica necessariamente
uma rotura do elemento, se equilíbrio numa fase posterior à encurvadura for possível.
Por outro lado, o esmagamento é um fenómeno associado a uma carga local de alta intensidade,
perpendicular ao plano da alma. Este tipo de fenómeno está, indubitavelmente, associado a cargas
concentradas e apoios intermédios em vigas contínuas. Normalmente é mais severo que
encurvadura da alma, tendo em conta que não há qualquer capacidade pós-esmagamento,
provocando uma rotura frágil do elemento.

Figura 12 - Encurvadura e esmagamento da alma;

Encurvadura Lateral-Torsional
Membros não travados à flexão são geralmente suscetíveis ao fenómeno de encurvadura lateral-
torsional, sendo que este tipo de rotura é mais propício a acontecer em secções sujeitas a torsão,
tendo em conta a inclinação do eixo principal de inércia relativamente à direção da carga, caso o
centro de corte não se encontre no eixo da carga.
Foram, então, criadas as secções Z e C para minimizar estes efeitos (Figura 13 e Figura 14).
Figura 13 – Diferentes secções em C para evitar encurvadura local e aproximar o centro de corte à secção;

Figura 14 – Diferentes secções em Z para evitar a encurvadura local e ajustar a inclinação do eixo principal de inércia;

De realçar que a suscetibilidade de perfis enformados a frio de secção aberta serem sujeitos ao
fenómeno de encurvadura lateral-torsional pode ser neutralizada ligando estes elementos aos da
sua vizinhança, e.g., a chapa de uma cobertura ligada à madre enformada a frio usando parafusos.
De facto, no caso de madres em forma de Z (Figura 14), o banzo inferior encontra-se livre de rodar,
mas o superior encontra-se travado pelo painel de cobertura. A rigidez no plano desse painel vai
evitar a encurvadura lateral do banzo superior da madre. A solução analítica exata para o problema
de encurvadura lateral-torsional de perfis enformados a frio é muito complexa para uso prático. No
entanto, a formulação de viga em meio elástico pode ser uma ajuda válida para a resolver este
problema.
Regras de Boas Práticas
Temos as seguintes regras de boas práticas para estruturas metálicas de elementos enformados a
frio:
 Ter em consideração efeitos de encurvadura que possam acontecer nas cargas de serviço da
estrutura;
 Proteção à corrosão;
 Proteção contra deformação excessiva no transporte dos elementos para o estaleiro da
obra;
 A área efetiva da secção deve ser o mais próxima possível da área bruta (isto pode ser
obtido através do reforço da secção com dobras em zonas planas sobre compressão);
 Ligações devem ter a devida rigidez e capacidade de rotação;
 Instabilidade local deve ser prevenida com reforços;
 Encurvadura global deve ser evitada utilizando travamentos externos adequados;
 Partes essenciais para a estabilidade da estrutural devem estar protegidas contra cargas de
impacto;
 Detalhes que provocam acumular de água deve ser evitado.
 A rigidez das ligações entre os elementos enformados a frio tem influência na distribuição de
momentos fletores e esforços transversos na estrutura, assim como no cálculo da
capacidade de carga da estrutura. O efeito da rigidez deve ser tido em conta no
dimensionamento da estrutura.

Conclusões
Temos as seguintes conclusões para estruturas de aço leve constituídas por enformados a frio:
 Os perfis enformados a frio são normalmente utilizados em vigas levemente carregadas,
pilares e chapas de revestimento;
 A sua forma pode ser otimizada para reduzir o peso da estrutura e facilitar a sua
performance funcional;
 O processo de fabrico aumenta a tensão de cedência do material;
 O dimensionamento de secções de perfis enformados a frio utiliza o conceito de largura
efetiva;
 Para vigas, normalmente, a resistência à encurvadura lateral-torsional, encurvadura da alma
e esmagamento da alma são as verificações regulamentares principais a realizar.
Referências
1. European Convention for Constructional Steelwork: "European Recommendations for the
Design of Light Gauge Steel Members", Publication 49, ECCS, 1987;
2. European Convention for Constructional Steelwork: "European Recommendations for the
Design of Profiled Sheeting", Publication 40, ECCS, 1983;
3. Eurocode 3, Part 1.3: "Cold-formed Thin-gauge Members and Sheeting" CEN
4. http://fgg-web.fgg.uni-lj.si/~/pmoze/esdep/master/toc.htm