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ENG06638-Introdução à engenharia metalúrgica 21

Nestor Cezar Heck / UFRGS – DEMET

5 - Estruturas cristalinas
5-1. Cristais

Muitos materiais que utilizamos possuem uma ‘porção mínima’ ao nível atômico – ou célula
unitária – que se repete ad infinitum, formando a estrutura do ‘todo’.

Figura 5-1: Pássaro, aquarela, M.C.Escher, 1959


(o quadrado foi adicionado)

Para explicar esse conceito vamos fazer uso da aquarela Pássaro, de Escher (Figura 5-1). Se
desenharmos sobre essa imagem um quadrado com uma dimensão apropriada podemos reproduzir a
pintura repetindo-o, infinitas vezes, nas duas dimensões1. Note que, nesse processo, há dois fatores
importantes, que são: (i) a geometria e (ii) a dimensão correta da célula unitária.
Muitos materiais apresentam essa característica (de ordenamento repetitivo) em um nível
atômico, só que nas três dimensões – e não somente no plano, como no Pássaro (ver Figura 5-2).
Dizemos que esses materiais têm estrutura cristalina. O antônimo dessa situação pode ser
exemplificado pelos materiais amorfos ou vítreos.

a c
Figura 5-2: Um exemplo de rede cristalina cúbica de um metal: a) vista geral; b) célula unitária
mostrando a fração dos átomos que está dentro da célula e a visão ‘explodida’ dela;
c) construção de toda a rede pelo empilhamento de células unitárias

1 Na Figura 5-1 ele está alinhado com as bordas, mas isso não é necessário – faça um teste!
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As evidências de que os metais possuem estrutura cristalina vão desde a observação de metais
nativos, com formas geométricas interessantes, passando pelos espectrogramas obtidos por difração
de raios-X, até a observação direta da própia estrutura no ‘microscópio de força atômica’ (Figura 5-3).
A lapidação das gemas pode ser listada entre as conseqüências da existência da rede
cristalina em minerais e a deformação plástica em metais2. Tanto a clivagem quanto a deformação
plástica se dá em certos planos da rede, Figura 5-4.

Figura 5-3: Evidências da rede cristalina em metais: a) cristais cúbicos de cobre; b) átomos de
ouro ‘observados’ ao microscópio de força atômica
a) http://www.geo.mtu.edu/museum/Gallery/copper.html

Os átomos na rede cristalina dos metais, embora muitas vezes sejam representados como
pontos no espaço (representação explodida), estão, na verdade, encostados uns nos outros.
Dependemos do tipo de cristal para saber onde e quantos átomos se tocam.

Figura 5-4: A ‘visão’ de uma grande porção da rede por meio da representação ‘explodida’
permite: (a) observar os planos cristalinos; (b) representar o mecanismo de
deformação plástica do metal – a deformação se dá ao longo de um plano: o plano
de escorregamento
Fontes: a) www.webelements.com;
b) Callister,W. Mat.Sc. and Eng.: an Intr., Fig.7.3, p.156, 5.ed.

2 Associada – nesse caso – à ligação metálica.


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5-2. Tamanho dos cristais

Vimos que os metais são cristalinos. Sabemos, também, que alguns cristais são gigantescos: o
maior já registrado é do mineral berilo (Be3Al2Si6O18) de Malakialina, República Malagasi, com 18 m de
comprimento e 3,5 m de diâmetro! Assim, cabe a pergunta: peças e partes metálicas de estruturas e
motores são constituídas apenas por um único cristal? Não, componentes mecânicos constituídos por
apenas um único cristal (monocristal) são muito raros... mas, por incrível que pareça, existem! As
lâminas de turbinas de motores a jato de aviões são bons exemplos disso, Figura 5-5.
Sobre o tamanho, pode-se dizer que os cristais metálicos são normalmente pequenos, na faixa
de algumas dezenas de micrometros, por causa da grande quantidade de núcleos que se formam no
momento da solidificação. Esses núcleos, ao crescerem, acabam por se tocar, limitando assim o seu
crescimento. A cada um dos microcristais formados chamamos grãos, na metalurgia (Figura 5-6).

a b
Figura 5-5: Lâmina monocristalina à base de níquel para a turbina (a) de um motor à jato (b)

O tamanho e a orientação dos grãos é importante na metalurgia e pode influenciar as


propriedades mecânicas dos componentes de um mecanismo. Com tratamentos térmicos e
deformações plásticas podemos modificar o tamanho e a forma dos grãos.

e
Figura 5-6: Diagrama esquemático mostrando a nucleação e o crescimento dos
grãos (microcristais) nos metais a partir do metal líquido (a), até a
completa solidificação (d), e uma microfotografia de uma seção de
um metal polido (e)