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TEMA 1 – As Revoluções na Europa e no Continente Americano (1789-1815)

1. As origens da Revolução

A Revolução Francesa foi um ciclo revolucionário de grandes proporções que se espalhou pela França


e teve lugar no período de 1789 e 1799. Terá sido inspirada nos ideais Iluminista e motivada pela
situação de crise extrema que a França vivia no final do século XVIII, causando profundas
transformações e marcando o início da queda do absolutismo na Europa.
O movimento de ideias do século XVIII teve uma influência importante no eclodir da revolução
francesa e nos princípios que orientaram as mudanças revolucionárias, tendo sido um movimento
que teve como base a burguesia, que impulsionou o movimento, contando também com uma
importante participação por parte dos camponeses e de todos aqueles grupos que viviam na miséria
Neste período a França era o maior rival político e económico da Grã-Bretanha, com o seu
comércio externo a multiplicar-se por quatro entre 1720 e 1780, tendo sido o sistema colonial em
certas áreas mais dinâmico que o britânico, não sendo ainda uma potência, como a Grã-Bretanha,
que tinha uma política externa maioritariamente capitalista.
As propostas de racionalização e abolição de privilégios, em França fracassaram rapidamente. As
forças de mudança burguesa eram fortes demais para ficarem inativas e por esse motivo transferiram
as suas esperanças de uma monarquia esclarecida para o povo/nação.
Foi a reação feudal a estas alterações, que forneceu a faísca que viria a fazer eclodir a revolução e
a ideia da liberdade e da igualdade perante a lei, que não sendo a igualdade social, a legitimidade de
lutar contra os privilégios das classes mais ricas, a defesa da "maior felicidade para o maior
número" e do contrato que deve estar na origem de todo o sistema de governo dos povos, o
laicismo e o racionalismo, a busca de uma nova ordem social mais justa caracterizam esse
movimento ideológico e repercutiram nas transformações da revolução.
Porém no período que a antecedeu, nomeadamente entre 1776 e 1783, o movimento mais
importante que antecedeu a Revolução Francesa foi a revolução americana, constituindo um
fenómeno com um duplo significado, atendendo a que se tratava de uma guerra de libertação
exterior e uma nova contestação das políticas e das formas de governo, neste contexto é pelo seu
conteúdo político, que este movimento interessa.
A participação da França na guerra de independência americana terá provocado uma divida, que
viria a consumir 50% do total da receita, acabando por ter um efeito, de quebra na “espinha dorsal”
da monarquia em que o déficit chegou a 20%, o que levou Luís XVI a declarar a bancarrota.
A Revolução terá iniciado com a tentativa aristocrática, de recuperar o controlo do Estado, porque
se recusavam a pagar pela crise, se os seus privilégios não fossem estendidos. A primeira ferida no
absolutismo, deu-se com a convocação da assembleia de notáveis em 1787, em que terão sido
mostrados atos de rebeldia para com a monarquia. A outra deu-se quando se dá a convocação dos
Estados Gerais, a assembleia feudal do reino, que desde 1614, que não era convocada.
A continuidade dos fenómenos de agitação social e política que se relaciona com uma situação de
mal-estar, de fome da população e de mudança que caracteriza a passagem do Antigo Regime para a
idade contemporânea, em ambos os lados do Atlântico, que terá começado com a revolução inglesa
ainda no séc. XVII com a república de Cromwell, continuando com a independência dos Estados
Unidos e culminando com a Revolução Francesa, já no séc. XIX terá prosseguido com as revoluções
liberais pela Europa e as independências dos países latino-americanos.
Trata-se de uma época de muitas mudanças estruturais nas sociedades, acompanhada de um
processo revolucionário muito intenso. As explicações para todas estas alterações atribuem-se ás
estruturas da sociedade e ao papel da economia. A luta de classes ou o movimento dos preços

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seriam potenciais causas que levariam á revolução, todas tiveram o seu nível de importância já
que isoladamente são impotentes para dar conta da totalidade do processo revolucionário.

Fatores de ordem económica, financeira, social, política e ideológica, distinguindo-se os de caracter


estrutural dos conjunturais.
Os fatores estruturais são aqueles que se prendem com a organização da economia e da
sociedade, caracterizados pela longa duração.
O imobilismo da sociedade do Antigo Regime e a necessidade de mudança profunda da sua
organização terão sido fatores determinantes da revolução. As novas ideias começaram por ser
ligadas em círculos restritos, mas foram-se alargando a novas camadas. A adaptação e simplificação
dessas ideias fê-las chegar a camadas mais amplas que se mobilizaram para instaurar um novo
regime, considerado mais justo e fraterno.
No aspeto económico, são estruturais a forma de organização da produção da riqueza e da
distribuição dos bens, geradores de bloqueios ao desenvolvimento e de grandes desigualdades
sociais. O regime de propriedade e de arrendamento, os entraves impostos à livre circulação das
mercadorias e o sistema corporativo são aspetos que a burguesia desejava mudar para instituir uma
economia de mercado, liberta de peias.
No aspeto social, são de carácter estrutural o regime de ordens ou estados, a hierarquização
rígida, a promoção com base no nascimento, em vez do mérito, um ordenamento social em
pirâmide que privilegia uma pequena minoria.
No aspeto político, destaca-se um regime monárquico baseado no poder pessoal do rei e
absolutista, com um sistema fiscal injusto e deficitário. Os plebeus eram praticamente os únicos que
suportavam o Estado com os seus impostos, sujeitos á desigualdade entre os súbditos e a
diversidade entre as províncias; nomeadamente a nível dos impostos que nunca eram iguais nem
generalizados entre elas, exemplos disso são: a Capitação que incidia sobre a riqueza de cada um,
mas tanto o clero como a nobreza não a pagavam e só os plebeus ficaram a pagá-la. A Talha
também só caía sobre os plebeus. A Gabela (imposto sobre o sal) variava de região para região e
só prejudicava os plebeus.
Maus anos agrícolas, subida de preços e dificuldades de abastecimento, aumento dos impostos,
desequilíbrio nas relações de poder e acumulador de tensões, motivadas pelas reações dos
privilegiados e por medidas régias.
Não nos podemos esquecer que o Terceiro Estado era composto por vários estratos sociais,
desde a burguesia, proprietária de bens e enriquecida, à vasta massa dos sans-cullotes ou, como
se diria em português, os pés-rapados da arraia-miúda. Em comum teriam o mesmo estatuto na
sociedade de ordens do Antigo Regime, que os esmaga com deveres e impostos e não lhes concede
quaisquer direitos.
Por razões diversas, tanto a burguesia, como as classes populares urbanas e os camponeses têm
fortes razões de queixa contra o regime monárquico. As dificuldades de abastecimento de pão e os
impostos excessivos são os fatores que despoletam a rebelião.

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2. O processo revolucionário e os seus efeitos
As várias etapas da revolução e os antecedentes próximos que explicam o desencadeamento
do processo revolucionário
A França quando escolheu a via da revolução para repor a ordem não executa de uma só vez, mas
sim através de uma sucessão de várias revoluções individualizadas, mas todas diferentes. Distinguem-
se várias fases:
Fase 1: Á crise pré-revolucionária opõe a resistência dos privilegiados e o poder real, sendo
caracterizada pela rebelião (a revolução dos juristas) contra o absolutismo e os seus agentes locais
(intendentes);
Fase 2: Trata-se do momento decisivo de início da revolução, ou seja, aquele em que se dá a
transferência da soberania, da mão do rei para a representação da nação – A Assembleia
Constituinte (9 de julho de 1789). Toda a obra da Constituinte, administrativa, social, financeira,
jurídica revela o cunho liberalista, que apesar de limitar os poderes do rei, não deixa de conservar no
novo regime o princípio da monarquia.
Fase 3: A jornada popular de 10 de agosto de 1792, irá derruba a monarquia e executar o rei
proclamando a república. O terror é um dos aspetos principais desta revolução, ao estabelecer um
governo concentrado, autoritário, que em nada fica atrás do absolutismo da monarquia.
Fase 4: Paralelamente irá dar-se uma revolução autónoma, a dos camponeses que querem a
emancipação completa da terra e a supressão do feudalismo.
A revolução realiza-se por sucessivos saltos, cujas fases são separadas por ruturas da legalidade e
que se resumem por outro lado através das revoltas populares e através dos golpes de Estado, por
outro.
Os fatores objetivos e os fatores psicológicos decorrentes do desenrolar de todo o processo
revolucionário, decorrem da incerteza do abastecimento, aliada à psicologia das multidões
revolucionárias, suscita nervosismo, irritação e conduz ao sentimento de insegurança. O medo, sob
todas as suas formas, afeta todos os partidos políticos. Os partidos contam com a imposição do
medo para desencorajarem ou isolarem os revolucionários e estes empregam o terror contra os
seus adversários. A guerra seria um fator determinante, embora em 1790 se vivesse em paz.
Porém a assembleia legislativa ao declarar guerra ao rei da Boémia e da Hungria irá introduzir um
dado novo que irá modificar o sistema de relações e desencadear consequências incalculáveis, entre
elas o destino da revolução, que dependerá da condução da guerra.
Sobre a questão religiosa, é certo que a revolução a princípio não era anti-religiosa apesar de
anticlerical. Os revolucionários quiseram regenerar a Igreja e esta iniciativa apenas conduziu à rutura,
o que terá levado á condenação por parte do papa que terá levado consequentemente ao cisma e à
perseguição.

Etapas fundamentais das reações dos Estados europeus à revolução francesa


1ª Etapa (1789-1792) – Numa primeira fase dos acontecimentos em França estes suscitam fora das
suas fronteiras o sentimento de pena dos outros soberanos, a curiosidade e a simpatia por parte da
opinião pública em geral. Passam a exercer nos seus vizinhos uma situação de contágio que geraram
muitas reações em cadeia. Terão se desenhado movimentos contra os príncipes, senhores e bispos,
contra os privilégios. Desta forma a revolução deixa de ser só francesa, passando a ser também da
Europa, passando para a margem esquerda do Reno e para a Itália do Norte.
2ª Etapa (1792-1799) - Consequência da primeira. É a rutura da França com os soberanos, tratando-
se de um período caracterizado pela guerra. O antigo regime é incapaz de adotar e conceber a
mesma estratégia que a revolução, mantendo os antigos métodos diplomáticos e militares enquanto
que a revolução recorre a meios inéditos e mais eficazes. A invasão, a guerra e a ocupação conduzem
à abolição do antigo regime. As ordens são destituídas, o feudalismo abolido, as corporações

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dissolvidas, as congregações são dispersas, é proclamada a igualdade civil e as instituições da França
revolucionária. O diretório provoca a formação de repúblicas irmãs como é o caso de Itália onde
nascem muitas repúblicas.
3ª Etapa - Dominada pela personalidade de Napoleão, a revolução irá até à margem esquerda do
Reno e à Itália do Norte, onde Napoleão irá estender o seu domínio até às extremidades da Europa. O
grande império, na sua fase mais importante cobrir metade da Europa, que se encontra política,
social e administrativamente unificada e o bloqueio continental irá reforçar o sentimento de
homogeneidade desse todo.
Partindo dos elementos fornecidos pelo texto de Soboul sobre o sistema fiscal do Antigo Regime,
veremos que às camadas da sociedade recaem os impostos e de que forma se foram multiplicando.
O imposto direto, que recai sobre o rendimento dos plebeus e se desdobrou em a talha:
contribuição territorial; a capitação: o imposto por cabeça; o vigésimo também chamado imposto
real; imposto sobre a renda (de 10% a 11%), afinal sempre pago pelos mesmos grupos sociais. Os
impostos indiretos, que recaem sobre a circulação e o consumo, pagos pela burguesia
comerciante e os mais pobres, como no caso da odiada gabela. O sistema da contratação
fomenta, ainda, mais injustiças.
A crise financeira terá sido o elemento fundamental para o eclodir da crise e da revolução. For
causa dos problemas financeiros sucederam-se vários ministros e o rei viu-se obrigado a
convocar os Estados Gerais. A fraqueza do poder, incapaz de solucionar os problemas financeiros,
numa conjuntura de crise socioeconómica e de mudança de valores e de mentalidades foram o
rastilho da revolução.

3. A obra da revolução
As consequências políticas da revolução francesa – o modo como alterou a noção de política, as
respetivas práticas e a organização administrativa.
• A crescente importância do Estado;
• Uniformização a nível nacional;
• Centralização e especialização da administração pública;
• Regimes constitucionais e parlamentares;
• Sistemas eleitorais censitários;
As relações internacionais entre Estados são geridas pela soberania nacional, ou seja, durante o
Antigo Regime seria um domínio que pertencia a um número reduzido de pessoas, em que o segredo
envolveria todas as decisões, porém com a revolução, a política tornar-se-ia a coisa aberta a todos, a
algo público. Esta evolução levaria á publicidade das decisões, á liberdade de imprensa, á publicidade
dos trabalhos parlamentares, ou seja, conduz ao governo de opinião.
O campo da política alarga-se e estende-se a todas as atividades que até então não relevam da
ação dos poderes públicos. Com o decorrer da revolução, sectores que antes pertenciam á iniciativa
privada, passam a ficar sob a alçada do poder público. A instrução faz parte de um dos poderes
públicos, que permitirá contribuir para a felicidade do indivíduo e em que o Estado será o
responsável pela manutenção dessa condição.
A publicidade dos debates e a extensão da política a todos os domínios têm uma importância
acrescida tanto a nível da dignidade moral como a nível psicológico. A política surge como uma das
atividades mais elevadas, em que a eleição se torna o processo universal de designação, apesar de só
uma parte dos cidadãos terem direitos políticos. As assembleias inovam ao nível dos procedimentos
regulares e oficiais – deliberações públicas.
A revolução criou também a imprensa e a liberdade de imprensa, fazendo com que haja uma
ligação estreita entre a atividade jornalística e a atividade política.

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Simultaneamente irão surgir os agrupamentos que proporcionaram uma ligação entre as
assembleias e os cidadãos, tornando-se centros vivos da vida política. É nesta época que aparece a
figura do militante, as lutas partidárias e as relações entre partidos políticos e os poderes públicos.
Em termos de organização administrativa, o aparelho existente foi desmantelado tendo-se
iniciado a filosofia da descentralização. Os poderes administrativos passaram para as mãos dos
órgãos eleitos pelas coletividades locais, que possuíam autonomia administrativa. Mas o espírito
centralizador voltou a impor-se, apoiado nos sectores mais à esquerda – os montanheses.

Noções ao nível político, da obra da Assembleia Constituinte, do governo revolucionário, do


diretório e do consulado.

A Assembleia Constituinte é o órgão que tem como finalidade elaborar a Constituição, vindo a
decretar o fim do feudalismo e a abolição da servidão. Dirige-se contra o absolutismo monárquico e
os seus agentes, reorganizando completamente o aparelho de Estado, adota o quadro do
departamento, transfere todos os poderes administrativos para os eleitos das coletividades locais.
As administrações municipais e departamentais, que eram compostas por membros eleitos,
administravam livremente, sem controle por parte dos representantes do Estado Central. Esta foi a
experiência mais profunda de descentralização que a França conheceu.
O governo revolucionário - Apoiado na montanha, irá afirmar a unidade e restabelecer a
centralização. As sociedades, que se encontravam filiadas no clube dos Jacobinos constituíam uma
segunda administração que controlava a primeira, denunciando e substituindo funcionários
ineficazes. Os Jacobinos eram, portanto, os defensores das posições radicalmente mais liberais. Este
aparelho é um dos artífices da vitória.
O Diretório – Com a nova Constituição aprovada em 1795, o poder executivo passou para um
grupo de cinco diretores – o Diretório (vigorou durante 4 anos). O sistema fiscal atual ainda advém
do Diretório. Assegurará o essencial dos recursos do Estado até à adoção do imposto sobre o
rendimento, durante a 1ª Guerra Mundial. O Diretório adota ainda, em termos militares, o
sistema de recrutamento à medida das necessidades.
O Consulado - Em 1799, dá-se o golpe de estado que põe Napoleão no Poder (18 de
Brumário – 9 Nov 1799) e demite o diretório. O Consulado estabiliza as instituições e lança as bases
da administração moderna. A reforma consular de Napoleão estabeleceu uma administração
centralizada, que se desdobra em direções e ministérios, sendo rigorosamente hierarquizada,
especializada e servida por um corpo de funcionários nomeados (um novo tipo social). Os princípios
da: simplicidade, uniformidade e especialidade, irão definir uma ordem administrativa racional e
sistemática pronta a atingir a eficácia. Esta ordem viria a ser exportada por toda a Europa e mesmo
além dela pelos exércitos da revolução e do Império.

Transformações ocorridas nas relações entre a religião e a sociedade civil


Mesmo antes da revolução propriamente dita, já o movimento das ideias e a política dos
Estados tinham já alterado a situação: o racionalismo viria a combater o domínio político da Igreja e
o absolutismo monárquico primou pela sua emancipação.
A revolução viria a retomar este movimento, prolongando-o, aprovando a constituição civil do
clero em 1790, em que este viria a perder o seu estatuto, os seus privilégios, sendo despojado das
suas atribuições na sociedade civil: o registo civil seria transferido para as municipalidades, sendo-
lhes retirado e os seus bens são confiscados, as ordens religiosas dissolvidas e o culto é muitas vezes
entravado. Com Napoleão e a assinatura da Concordata em 1801, a Igreja vê a sua situação
oficial novamente reconhecida embora de uma forma diferente: deixa de ser a única religião
reconhecida (regime do pluralismo religioso) e tendo sido espojada, passa a depender do Estado.

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As mudanças essenciais da ordem social que foram obra da revolução e a forma como foram
fixadas e corrigidas pelo Código Napoleónico.
• Declínio da nobreza tradicional e do clero;
• Igualdade dos cidadãos perante a lei;
• Promoção dos cidadãos com base no mérito individual;
• Ascensão da burguesia;
• Criação da sociedade burguesa;
• Regime dos princípios individualistas e leis do mercado.
A revolução destruiu a sociedade do Antigo Regime, criando uma nova sociedade que se
caracteriza pela liberdade, liberdade do indivíduo, liberdade da terra, da iniciativa individual. São
abolidos os direitos feudais e a servidão, os monopólios e as regulamentações que paralisavam a
invenção e a iniciativa e é aí que irá residir a verdadeira revolução.
A revolução instaura como prática a igualdade civil e o fim dos privilégios e das distinções sociais,
sendo suprimida a justiça senhorial, eclesiástica e municipal.
Instaura a igualdade perante o imposto de sangue, o recrutamento e a igualdade no acesso aos
empregos civis e militares. Aparece o funcionário, como novo tipo social e os plebeus podem aceder
a qualquer posto militar. O exército e a administração pública tornam-se vias de promoção social. As
carreiras dos marechais e dos prefeitos constituem êxitos sociais inconcebíveis no antigo regime.
Napoleão conservou o essencial das conquistas sociais da revolução, mas corrigiu algumas e
moderou algumas audácias, traduzindo-se no Código Napoleónico - código civil francês, que tem a
marca do imperador.
O individualismo da revolução é temperado pelo princípio de autoridade a todos os níveis e em
todas as comunidades (a do pai na família, a do patrão no trabalho). Esta filosofia social estende-se a
todos os domínios, passando a inspirar a reorganização administrativa, abrindo o caminho para uma
tentativa de neocorporativismo.

Caracterize o novo sistema das relações internacionais e a importância da própria ideia de


nação nesse quadro.
A revolução precipitou a tomada de consciência da pertença a uma comunidade nacional e é a
partir desse momento por adesão voluntária que se é cidadão francês. Vários movimentos retificaram
esta aceitação de unidade nacional que viria a culminar na festa da federação (14 de Julho de 1790),
ou seja a adesão vai para a nação e não para a coroa.
Com a revolução acabará a diplomacia tradicional, fundada através das alianças dinásticas, nas
combinações matrimoniais e nas convergências dos soberanos. Ela introduzirá o princípio da
soberania nacional que se estenderá às relações internacionais e que terá como consequência o
movimento das nacionalidades no séc. XIX e fora da Europa ao movimento de descolonização.
A Assembleia Constituinte foi responsável pela Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão,
cujas virtudes e limites Soboul analisa num dos textos selecionados, por uma Constituição liberal,
pela implantação. dum sistema eleitoral censitário, com a famosa divisão em cidadãos ativos e
passivos, pela reestruturação administrativa e a descentralização. Estes são os aspetos que
importa analisar para responder à questão.

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Medidas tomadas em relação à Igreja pela Assembleia Nacional e as reações do Vaticano.
A Assembleia Nacional estabeleceu a Constituição Civil do clero e pôs à disposição da nação os bens
do clero, suscitando fortes reações da Igreja francesa e do Vaticano. A subordinação do clero ao
Estado e a laicização do poder não agradaram à hierarquia da Igreja.

Ponto de vista político-administrativo e social o governo revolucionário liderado pelos


montanheses.
É o governo duma pequena-burguesia radical que elimina à esquerda e à direita os seus
adversários de forma cruel, num período de “grande terror”. As medidas políticas são as mais
democráticas, no sentido em que se preocupam com uma maior igualdade social e consagram o
direito à assistência pública, ao trabalho e á instrução. O sufrágio é alargado a todos os homens e a
soberania popular. No campo administrativo, a política jacobina e montanhesa é centralizadora,
como reação ao federalismo dos sectores conservadores.

4. O continente americano (1783-1815)


Caracterize a situação demográfica e política do continente americano.

O império francês tem essencialmente o Canadá e a Luisiana, na América do Norte; O império


britânico as 13 colónias na orla atlântica da América do Norte. Portugal detém o Brasil enquanto que
o império espanhol detém a América Central e a do Sul, com exceção do Brasil.
O continente é pouco povoado face à sua extensão e a desigualdade social é patente no
regime colonial.

Principais factos relacionados com a emancipação das colónias francesas, britânicas,


portuguesas e espanholas na América.

O império francês é a primeira vítima do confronto com a Inglaterra. É obrigada a ceder o Canadá
à Grã-Bretanha e a Luisiana à Espanha, que a recupera, mas que depois a vende aos Estados Unidos,
por não ter meios para a conservar.
O império britânico teve o mesmo fim: com a revolta dos colonos, ajudados pela França e pela
Espanha, rompem os laços que os unem e conquistam a sua independência.
Causas da emancipação das colónias portuguesas (1822) e espanholas (1836): O movimento de
independência dos dois impérios é obra dos colonos, dos crioulos, que se ressentiram do
monopolismo dos altos cargos do clero e do governo. Por outro lado, os encargos financeiros não
eram compensados por nada de positivo, outra das causas é a influência da irradiação das ideias
filosóficas europeias. Todo um conjunto de relações deixa uma elite intelectual crioula atenta à
Europa. Mas será da ocupação da P.I. pelos exércitos napoleónicos que provém a independência das
colónias espanholas e portuguesas.
Os impérios espanhol e português foram afetados pela Revolução Francesa, pela independência
americana e também pela ocupação da P.I. pelas tropas de Napoleão. O movimento de
independência é, principalmente e quase exclusivamente, obra dos colonos, devido ao ressentimento
causado pela monopolização de altos cargos e ao pesado jugo infligido pela metrópole. A influência e
a irradiação das ideias filosóficas, já que numerosos colonos são instruídos, contam-se igualmente
entre as causas da rutura.

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Explique a importância da posição norte-americana no processo das independências do sul
do continente, consubstanciada na Declaração de Monroe (1823)

Os independentes – como Bolívar e San Martín - que pretendiam libertar a América Latina e do
Sul do império espanhol beneficiam do apoio da Grã-Bretanha que foi a primeira nação a
reconhecer os seus governos bem como do apoio dos Estados Unidos que se opõe à intervenção da
santa Aliança.
A Declaração de Monroe (1823) situa-se nesta conjuntura e diz que a América é um continente
livre e que cada um dos continentes deve evitar intervir nos assuntos do outro. Esta declaração
capital, complementar da mensagem de despedida de Washington do Presidente Monroe e significa
para a Europa que o tempo da dominação colonial na América pertence ao passado, que a América é
um continente livre e que cada um dos continentes deve evitar intervir nos assuntos do outro.

Explique as razões do fracasso da unidade latino-americana e as suas repercussões no futuro


político daquela região.

Com a independência, a unidade da América é quebrada e divide-se numa vintena de fragmentos


de dimensões muito desiguais sendo que a maior parte não tem condições de viabilidade. As razões
deste malogro prendem-se com um continente pouco povoado, demasiado vasto, com núcleos
populacionais dispersos por quilómetros, a hostilidade inglesa e norte-americana que não têm o
menor interesse em encorajar a unidade, atuando, sobretudo, com vista ao seu desmembramento.
Este continente não conhece circunstâncias para a sua unificação política. Nenhum destes Estados
conseguirá criar instituições estáveis. Desde 1825, que a América Latina é uma longa cadeia de golpes
de estado, de ditaduras, de revoluções.

Analise os fatores que contribuíram para o sucesso da experiência dos E.U. e para as evoluções
do regime liberal para a democracia.

Desde a Constituição de 1787 que souberam preservar a sua unidade e criar para si instituições
estáveis, instaurando um regime de dupla originalidade. A existência de 2 Câmaras fornece uma
solução nas relações entre os treze estados e o estado federal. No que diz respeito às relações entre
os poderes, a União Americana é a primeira experiência moderna da forma republicana num estado
alargado.
O regime de 1787 é um regime liberal que reserva o poder a uma classe abastada, instruída, de
proprietários ricos, não existindo um sufrágio universal, mas a evolução tenderá no sentido de
uma democracia efetiva. Nas eleições de 1800, Thomas Jefferson, candidato do Partido
Republicano vence e retoma a orientação aristocrática dada pela presidência de Washington.
Paralelamente, a sociedade transforma-se com a exploração dos territórios do Oeste e á
medida que se formam estes estados, criam-se condições democráticas para o sufrágio
universal e não preveem discriminação em função do dinheiro ou da educação.
Em 1828 o general Jackson entra na casa Branca, o que viria a personificar uma corrente mais
democrática. Nas relações externas, os E.U. afirmam-se já como uma potência e estão em vias de
conquistar a sua independência económica o que se desenvolve com a adoção de uma tarifa
protetora/barreira alfandegária.

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Causas e o processo da rutura das colónias espanholas e da portuguesa com as respetivas
metrópoles.

As causas são múltiplas, mas convém destacar o papel dos crioulos desejosos de tomar o poder,
numa sociedade que conserva o elitismo e a mania das origens aristocráticas. A crise política na
Península Ibérica, por causa das guerras napoleónicas, determinou uma ausência da Espanha e a
fuga da família real portuguesa para o Brasil. Se neste último o processo da independência foi
pacifico e se fez por uma transição de poder de pai para filho, dentro da família real portuguesa,
no caso dos outros países da América Latina desencadearam-se tremendas guerras civis, com
consequências nefastas na economia e até no crescimento demográfico.
Por isso, Pierre Chaunu fala do “tempo das catástrofes”, em que a guerra civil opôs lealistas e
patriotas, destacando-se como líderes independentistas Bolívar e San Martin. A intervenção
inglesa a favor das independências e do controlo dos mercados latino-americanos foi decisiva porque
os novos Estados fragmentaram-se e iniciaram os conflitos por causa das fronteiras.
Os mapas e os gráficos mostram o peso relativo dos brancos, mestiços, índios e negros na
América, por volta de 1820. Pode constatar-se que os brancos dominam na América do Norte,
E.U. e Canada. Os mestiços estão em maioria na América Central e Sul. Os índios, apesar das
chacinas, ainda são dominantes no México, na América Central, na Argentina e Bolívia. Os negros só
são majoritários; em 1820, no Brasil, nas Antilhas e Cuba + Porto Rico, países de grandes plantações
e de prática do esclavagismo até bastante tarde. Os negros têm grande peso também na
sociedade dos E.U. A mestiçagem e o fenómeno do crioulo é, por conseguinte, uma característica
das sociedades latino-americanas.